A grande família: os candidatos que herdam votos e poder em PE

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João, Vinícius e Antônio são jovens com menos de 25 anos que concorrem pela primeira vez a um mandato eletivo. Num meio extremamente competitivo, eles partem bem na frente. Carregam os sobrenomes Campos, Mendonça e Coelho e, com eles, os redutos eleitorais herdados dos pais, ampla estrutura de campanha e recursos financeiros abundantes.

Candidato a deputado federal, João Campos (PSB), 24, é a aposta de Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos, para ocupar o posto de político mais votado do Estado na eleição de 2018. O apoio da cúpula partidária ao seu nome pode ser expresso em números: dos R$ 1,459 milhão que recebeu em doações, R$ 770 mil (52,8%) saíram dos cofres do Diretório Estadual do PSB e R$ 500 mil (34,27%), do Diretório Nacional.

Filho do ex-governador e ex-ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), Vinícius Mendonça (DEM), 24, também tenta conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília. Assim como acontece com Campos, a maior parte das doações que recebeu veio da cúpula partidária. O Diretório Nacional do DEM doou ao jovem estreante R$ 350 mil, 39,47% dos R$ 882,3 mil que recebeu até agora.

O papel central da candidatura de Vinícius no DEM e em segmentos de outros partidos de direita pode ser observado ao seguirmos o caminho do dinheiro. É que ele repassou R$ 490 mil para sete candidatos e candidatas a deputado estadual. Dois do DEM: Priscila Krause e Gustavo Fuchs Campos Gouveia. Quatro do PSC: Rodrigo Gomes, Guilherme Uchôa Jr., Carla Lapa e Izabel Urquiza. E uma do PSDB: Alessandra Xavier da Rocha Vieira. Dos sete, seis são filhos ou filhas de políticos que ocupam ou ocuparam mandatos eletivos e uma é esposa.

No caso de Priscila e de Gustavo Fuchs, os recursos poderiam ir direto do Diretório Nacional para a conta dos candidatos e candidatas a deputado estadual do DEM, mas fizeram um pit stop na conta do estreante Vinícius. Os repasses mostram a boa vontade do candidato apoiado pela cúpula para com os seus companheiros e companheiras de partido e aliados, reafirmam seu poder interno de herdeiro político de uma liderança nacional, e selam as “dobradinhas” locais.

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Mendonça Filho com Vinícius Mendonça e Andrea Mendonça em carreata de campanha. Foto: Arquivo Facebook

Mas Vinícius não é o único parente em primeiro grau de Mendonça Filho a disputar um cargo eletivo nessas eleições. A irmã do ex-ministro, Andrea Mendonça (DEM), é candidata a deputada estadual. A força política do padrinho é evidente. Debutante na arena político-eleitoral, como o sobrinho, Andrea recebeu R$ 955 mil em doações. Deste total, R$ 950 mil vieram do Diretório Nacional do seu partido.

Se o assunto é asfaltar o caminho dos parentes para o poder, poucos no estado se igualam ao senador Fernando Bezerra Coelho (MDB). O filho do meio, Miguel Coelho (PSB), 28, é prefeito de Petrolina. O filho mais velho, Fernando Filho (DEM), 32, ex-ministro de Minas e Energia de Temer, é candidato à reeleição para deputado federal e o jovem Antônio Coelho (DEM), 22, estreia nas urnas em 2018 como candidato a deputado estadual.

Dos R$ 350 mil recebidos em doação por Antônio, R$ 100 mil vieram do Diretório Nacional do DEM. O grosso do restante de recursos foi doado por familiares. O irmão Fernando Filho recebeu R$ 1.810.103,00 em doações. R$ 940 mil do Diretório Nacional do DEM, o equivalente a 51, 93% do total. Desse valor, R$ 240 mil foram repassados para dois candidatos a deputado estadual em “dobradinha” com Fernando.

Para quem acha que Antônio, com apenas 22 anos, é muito novo para ocupar uma vaga na Assembleia, fica o registro da carreira fulminante dos irmãos Coelho: Miguel Coelho foi eleito deputado estadual aos 24 anos e prefeito de Petrolina aos 26. Fernando Filho foi eleito deputado federal aos 22 anos e reeleito aos 26. Aos 30 anos virou ministro de Estado e aos 32 concorre ao terceiro mandato consecutivo na Câmara dos Deputados.

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Fernando Filho, Fernando Bezerra Coelho, Miguel Coelho e Antônio Coelho durante caminhada em Petrolina. Foto: Arquivo Facebook

Tradição

Os pais de João, Vinícius e Antônio, o ex-governador Eduardo Campos, o deputado federal Mendonça Filho (DEM) e o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), respectivamente, também entraram na política pelas mãos de seus familiares.

Eduardo Campos aprendeu o beabá no gabinete do avô Miguel Arraes de Alencar, no Palácio do Campo das Princesas. Mesmo caminho trilhado pelo filho João Campos, no gabinete do governador Paulo Câmara (PSB).

FBC é filho de Paulo Coelho, fundador do PMDB em Pernambuco e candidato a vice-governador na chapa de Jarbas Vasconcelos em 1990. Mendonça Filho seguiu a trajetória do pai, José Mendonça Bezerra, deputado federal por oito mandatos consecutivos, com base política em Belo Jardim, no Agreste, e um dos principais caciques da Arena, depois PDS e PFL de Pernambuco.

No levantamento, que você pode acompanhar ao final desta reportagem, identificamos 41 candidatos e candidatas a deputado estadual ou federal que têm familiares na política.

Há dobradinhas entre marido e mulher, como é o caso do ex-prefeito de Petrolina Odacy Amorim (PT) para deputado federal e sua esposa Dulcicleide Amorim para deputada estadual. Terra de Fernando Bezerra Coelho, Petrolina também tem outro casal disputando mandato nessas eleições: o ex-prefeito Julio Lóssio (Rede) para governador e sua mulher Andrea Lóssio (Rede) para deputada estadual.

Há também o tradicional modelo de pai pra filho: depois de três mandatos como deputado estadual, Silvio Costa Filho (PRB) é candidato a deputado federal, enquanto o pai Silvio Costa (Avante), que é deputado federal, tenta um salto para o Senado. Henrique Queiroz Filho (PR) vai em busca da vaga que será deixada pelo pai Henrique Queiroz (PR) na Alepe (depois de dez mandatos consecutivos), agora, candidato a deputado federal.

A dobradinha pai e filho para deputado também é reproduzida por Wolney Queiroz (PDT), candidato ao quinto mandato na Câmara dos Deputados, enquanto o pai e ex-prefeito de Caruaru, Zé Queiroz (PDT), tenta o quinto mandato na Assembleia. O atual deputado estadual André Ferreira (PSC) tenta vaga para a Câmara dos Deputados, enquanto o pai Manoel Ferreira (PSC) é candidato à Assembleia. O principal cabo eleitoral dos dois é Anderson Ferreira (PR), prefeito de Jaboatão, filho de Manoel e irmão de André.

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Manoel Ferreira, Anderson Ferreira e André Ferreira cumprimentam eleitores durante carreata

A lista dos filhos e filhas que seguem os passos dos pais impressiona: Clodoaldo Magalhães (PSB), Joaquim Lira (PSD), Alexandre Santana (PCdoB), Aline Mariano (PP), Guilherme Uchôa Júnior (PSC), Aglaílson Victor (PSB), Diogo Moraes (PSB), Lucas Ramos (PSB), Bruna Gadelha (SD), Aline Corrêa (PR), Rodrigo Gomes (PSC), Gustavo Fuchs Campos Gouveia (DEM) e Izabel Urquiza (PSC), entre outros, são filhos e filhas de ex-deputados ou ex-prefeitos que buscam a reeleição ou o primeiro mandato na Assembleia de Pernambuco contando com o espólio eleitoral dos pais para o sucesso nas urnas.

Familismo

A facilidade de criar e controlar partidos políticos ajuda a explicar parte do fenômeno do “familismo” – termo cunhado pelo historiador Evaldo Cabral de Mello – na política brasileira. Para Evaldo, família e Estado “sempre viveram em escandaloso contubérnio” no Brasil. Traduzindo, sempre viveram sob o mesmo teto, coabitando “como marido e mulher” o mesmo espaço, na expressão do Dicionário Priberam.

“Como a legislação permite a criação com facilidade de partidos políticos, lideranças que têm alguma base econômica ou social criam legendas e se tornam donos do partido”, explica Túlio Velho Barreto, cientista político e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco. Ele cita o caso dos Coelho. A família migra de partido – do PSB para o DEM –, mas, devido ao aporte econômico forte de base familiar, mantém o controle político em seu território, a região de Petrolina.

Para Túlio, o caso de João Campos também é emblemático. “Não é que seja absurdo que alguém que viveu a vida toda em um ambiente familiar político venha a se candidatar. A questão é: o que essa pessoa representa para além de sua própria família? João Campos não representa o segmento empresarial, não representa os movimentos sociais… O único pedigree é o sobrenome Campos e o parentesco com Miguel Arraes. Denota a fragilidade do sistema político, eleitoral e de organização dos partidos.”

As peças publicitárias de João Campos reforçam a observação de Túlio ao colocarem lado a lado do filho herdeiro as imagens do pai e do bisavô. No vídeo inaugural da campanha, o close nos olhos verdes do filho que remetem aos olhos verdes do pai chamou a atenção dos eleitores.

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Material de campanha de João Campos ladeado por Eduardo Campos e Miguel Arraes

A socióloga Maria Eduarda da Mota Rocha, professora do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, vê o fenômeno a partir dos mecanismos de reprodução social pelos quais um filho de médico tem mais chance de ser médico, um filho de engenheiro tem mais chance de ser engenheiro e um pobre tem mais chance de ter um filho pobre. “Na política, isso é mais evidente com o controle dos grandes caciques sobre os partidos”.

Esse controle sobre os partidos é respaldado pela forma como eles surgem e se organizam. “Os principais partidos não são resultado de movimentos sociais. Esse controle partidário (da cúpula) favorece essa perpetuação. Onde a política é mais particular dos grandes caciques”, argumenta, explicando que a forma de recrutamento dessas legendas difere dos partidos de base popular, que buscam integrantes nos movimentos sociais e nas bases sindicais, por exemplo.

Eduarda não vê esse fenômeno como local, mas nacional. E cita, inclusive, casos em outros países, como os da família Bush, nos Estados Unidos, e Le Pen, na França. A diferença, diz, é que aqui, como o controle partidário é mais efetivo, o cacique não precisa submeter suas decisões à base.

“A questão de gênero tem um peso. Coloco esse ponto mais como uma hipótese. A ideia do filho bonitinho, herdeiro, traz uma visão melodramática. O direito de sangue, que permeia a cultura brasileira. Para mudar isso, é preciso transformar os partidos. Precisamos ter partidos, sindicatos, movimentos sociais mais horizontalizados, mais democráticos, para democratizar a democracia”.

Crise de representatividade

A ideia para esta reportagem veio do coordenador do Centro Sabiá de Desenvolvimento Agroecológico, Alexandre Pires, que repassou ao repórter a maior parte do levantamento que segue no final deste texto. Acostumado a viajar por todo o estado e ver in loco o poder familiar passar de mão em mão, geração após geração, Alexandre questiona o quanto de democracia há nesse sistema. “Esse sistema remonta à lógica da monarquia, com o imperador e sua corte de marqueses, condes, barões e seus títulos hereditários”.

A crise de representatividade do Legislativo local e nacional seria um dos resultados dessa transmissão geracional e familiar de mandatos e cargos, na visão de Alexandre.

Os espaços que poderiam estar sendo ocupados por segmentos populares são preenchidos pelos filhos e filhas dos líderes políticos locais. “Quando a gente olha a população negra no Brasil, o número de seus representantes no Congresso e no Executivo é infinitamente inferior. O mesmo acontece com jovens, indígenas e LGBTs. O cerco que essas famílias têm construído em torno das candidaturas e da manutenção do poder não abre espaço para novos sujeitos”.

Em recente audiência pública no Senado Federal, o presidente do Núcleo de Pesquisa da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Tadeu Kaçula, apresentou levantamento indicando que existem 24 deputados federais negros para um total de 513, enquanto os senadores negros estão em três para um universo de 81 cadeiras. As mulheres são 10,5% dos parlamentares na Câmara, em Brasília. Em Pernambuco, apenas 6, para 41 vagas na Alepe.

Não há representação indígena na Câmara dos Deputados, no Senado e tampouco na Assembleia de Pernambuco. No universo de 594 parlamentares federais (513 deputados e 81 senadores), a população  LGBT tem um único representante, o deputado Jean Wyllys (PSol-Rio), que assume abertamente a sua homossexualidade.

O historiador e professor do Departamento de Serviço Social da UFPE, Marco Mondaini, diz que o que acontece na política acontece em outras profissões, entre advogados, juízes, promotores e médicos, por exemplo. “Nas profissões típicas da tradição bacharelesca brasileira isso acontece. Profissões de uma elite que se reproduz desde o fim da era colonial. Filhos da Casa Grande iam para fora fazer os cursos jurídicos”.

Como Maria Eduarda Rocha, Mondaini chama atenção para o processo de reprodução social. O metalúrgico e a empregada doméstica gostariam que os filhos e as filhas cursassem o ensino superior, mas isso acontece muito pouco e a tendência é a de reprodução das profissões dos pais e mães.

A centralidade da família na política nacional desde o período colonial é uma outra característica apontada pelo historiador. “Desde os tempos coloniais, o poder vai se perpetuando dentro das próprias famílias. Marco de continuidade da tradição brasileira. Das famílias tradicionais. Não é uma característica do Nordeste, apenas, existem vários casos no Nordeste e também no Sudeste”, diz, citando a família do ex-governador do Rio, César Maia, e seu filho, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM); e também a família Bornhausen, de Santa Catarina.

Num ponto Mondaini, Maria Eduarda, Túlio Velho Barreto e Alexandre concordam: no Brasil, os partidos de direita, com hierarquias mais estanques, são os que mais se valem do familismo. Embora ele também esteja presente, de forma mais residual, em partidos de esquerda.

Para Mondaini, mesmo no campo da direita há distinções. “Partidos conservadores exploram mais essa passagem de bastão. Pode ter uma razão, eles têm uma discurso em torno da família. Não têm discurso de classe, nem de indivíduo. Socialistas têm discurso de classe. Liberais têm discurso de indivíduo. Conservadores fazem o discurso da família. Mas a resposta a essa questão não é simples. Se formos pensar nos Estados Unidos, a família Bush é republicana. Os Kennedy e os Clinton, democratas. Não dá para fazer uma análise simplista”.

Naturalização

O fato de parte expressiva da população ver com naturalidade as candidaturas familiares contribui para a passagem de poder de pai pra filho na política brasileira. “Está relacionado um pouco à cultura política. A sociedade não vê como um problema. Muita gente acha até bom poder votar em João Campos por ter a chance de homenagear o pai e o bisavô. Sentimento que é muito bem explorado pelo marketing político”, analisa Túlio Velho Barreto.

Por ter raízes culturais, Túlio acha que as transformações só podem vir a médio e longo prazos, combinando mudanças institucionais com mudanças da cultura política, por isso defende medidas como as das cotas para as candidaturas de mulheres. “Os líderes partidários querem voto, não querem militância dentro dos partidos. Mas é importante essa militância para que exista um controle externo das atividades das lideranças, forçando que a estrutura partidária seja mais democrática, inclusive na definição dos candidatos e candidatas”.

“A população não vê como problema. Há setores mais críticos que veem de forma mais crítica. Mas a maior parte vê com naturalidade, como um fator que agrega valor. Pertencimento a uma família representa um plus na imagem dos candidatos. E como a gente está vivendo hoje um discurso de retorno e reforço à família, isso fica mais forte”, completa Mondaini, lembrando o quanto a “família” foi exaltada pelos parlamentares que votaram a favor do impeachment da ex-presidenta Dilma Roussef, em 2016, nas sessões na Câmara e no Senado.

“Hoje existe uma migração de votos tranquila (entre parentes). Mas isso se rompe. Vivemos entre ondas conservadoras e ondas progressistas. Nas ondas conservadoras isso se renova. Há uma mudança maior nas ondas progressistas”, avalia Mondaini.

EM BERÇO ESPLÊNDIDO

CANDIDATOS A DEPUTADOS E DEPUTADAS FEDERAIS

João Campos (PSB) – nunca exerceu ou concorreu a cargo eletivo. É filho de Eduardo Campos, que foi economista, deputado estadual por um mandato, deputado federal por três mandatos consecutivos, governador de Pernambuco por dois mandatos consecutivos, além de ministro do governo Lula. João é neto de Ana Arraes, que foi deputada federal e bisneto de Miguel Arraes (falecido) que foi deputado estadual por dois mandatos consecutivos, prefeito do Recife, deputado federal por três mandatos e governador de Pernambuco por três mandatos. João é sobrinho de Antônio Campos (PODE) que é candidato a deputado estadual, e primo de Marília Arraes (PT), formada em direito e que é vereadora do Recife pelo terceiro mandato consecutivo e candidata a deputada federal.

Marília Arraes (PT) – Neta de Miguel Arraes. É formada em direito e está no terceiro mandato como vereadora do Recife. Disputa pela primeira vez o mandato de deputada federal depois de ter sua candidatura a governadora pelo PT negada pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, que optou pelo apoio à reeleição do governador Paulo Câmara.

Odacy Amorim (PT) – Formado em economia, foi três vezes vereador de Petrolina, tendo sido eleito pela primeira vez em 1992 e reeleito em 1996 e 2000 pelo PSB. Em 2004 foi eleito vice-prefeito de Petrolina na chapa encabeçada por Fernando Bezerra Coelho. Assumiu a Prefeitura nos dois últimos anos do mandato (2007 e 2008) quando Bezerra tornou-se secretário estadual de Desenvolvimento Econômico. Foi eleito deputado estadual em 2010 e reeleito em 2014. Hoje no PT, concorre a deputado federal.

Silvio Costa Filho (PRB) – Formado em Pedagogia, foi eleito três vezes deputado estadual. É filho de Silvio Costa (Avante), que está no exercício do segundo mandato de deputado federal e atualmente é candidato ao Senado. Antes de ser deputado estadual, Silvio Costa Filho foi vereador do Recife por três mandatos. Tem o irmão mais novo, João Paulo Costa (Avante), que não exerce nenhuma função pública, candidato a deputado estadual pela primeira vez.

Fernando Filho (DEM) – Administrador de empresas, exerceu dois mandatos consecutivos de deputado federal. É filho de Fernando Bezerra Coelho (DEM), que foi prefeito de Petrolina por dois mandatos, teve um mandato de deputado estadual e um mandato de deputado federal,  e é senador desde 2015. O irmão de Fernando Filho, Miguel Coelho, foi deputado estadual e é o atual prefeito de Petrolina.

Vinícius Mendonça (DEM) – Nunca exerceu um cargo public. Concorre a uma vaga de deputado federal. É filho de Mendonça Filho (DEM), que se formou em administradção de empresas, foi deputado estadual, eleito deputado federal por dois mandatos, vice-governador, governador e ministro da Educação. Vinícius é neto de José Mendonça Bezerra, que foi deputado estadual por três mandatos e deputado federal por oito mandatos.

Daniel Coelho (PPS)  – Formado em Administração, foi eleito vereador do Recife por dois mandatos consecutivos, em 2004 e 2008. Em 2010, elegeu-se deputado estadual e, em 2014, deputado federal. Em 2016, foi candidato a prefeito do Recife pelo PSDB e, agora, é candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados. Daniel é filho de João Coelho, eleito vereador do Recife em 1982 e deputado estadual em 1986, tendo concorrido a um mandato eletivo pela última vez em 1994, para o Senado.

André Ferreira (PSC) – Turismólogo, foi vereador na cidade do Recife por três mandatos, exerce o cargo de deputado estadual pela primeira vez e é candidato a deputado federal. Seu irmão Anderson Ferreira (PR) foi deputado federal por dois mandatos, deixando o último para assumir o cargo de prefeito de Jaboatão dos Guararapes, o segundo maior colégio eleitoral de Pernambuco. O cunhado de André, Fred Ferreira, foi eleito vereador do Recife pelo PSC., em 2016. André é filho de Manoel Ferreira (PSC) – que foi deputado estadual em Pernambuco por seis mandatos (24 anos) -, e é candidato novamente a uma cadeira na Casa de Joaquim Nabuco.

Henrique Queiroz (PR) – Advogado e empresário do setor agrícola e industrial. Foi reeleito em 2014 para o décimo mandato consecutive de deputado estadual. Sua base eleitoral é majoritariamente do interior do Estado. Este ano concorre a uma vaga de deputado federal, abrindo espaço para a candidatura de Henrique Queiroz Filho para substituí-lo na Alepe.

Kaio Maniçoba (Solidariedade) – Exerce o primeiro mandato como deputado federal, e é filho de Rorró Maniçoba (PSB), ex-prefeita de Floresta.

Sebastião Oliveira (PR) – Médico, deputado federal pelo primeiro mandato, é de uma família cujo tio foi prefeito de Serra Talhada e o primo Inocêncio Oliveira (DEM), médico, exerceu dez mandatos consecutivos na Câmara Federal por 40 anos.

Augusto Coutinho (Solidariedade) – Engenheiro civil, foi vereador do Recife por dois mandatos e deputado estadual por  outros três mandatos. Cunhado do ex-ministro Mendonça Filho, exerce, atualmente, o segundo mandato de deputado federal. Elegeu em 2016 o filho, Rodrigo Coutinho (Solidariedade), vereador do Recife com apenas 23 anos de idade.

Wolney Queiroz (PDT) – Empresário e diretor de empresas. Foi vereador em Caruaru pelo PDT, está em seu quarto mandato de deputado federal, tendo assumido uma vez a suplência na Câmara Federal. É filho de Zé Queiroz (PDT), que é advogado, foi prefeito de Caruaru por quarto mandatos, sendo dois consecutivos, e exerceu o mandato de deputado estadual por quarto vezes, sendo três consecutives. Está na disputa por uma cadeira na Alepe.

   CANDIDATOS A DEPUTADOS E DEPUTADAS ESTADUAIS

Clodoaldo Magalhães (PSB) – Publicitário, exerce o terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa de Pernambuco e tenta a reeleição. É filho de Eudo Magalhães (PSB), que foi deputado estadual por um mandato e é prefeito do município de Xexéu, na Mata Sul, onde também já foi prefeito de Água Preta e Joaquim Nabuco. Tem um irmão, Eudo Magalhães Jr. (PR), que perdeu a eleição para prefeito de Primavera. O tio, Enoelino Magalhães, foi deputado estadual por dois mandatos.

Joaquim Lira (PSD) – Empresário e advogado, é filho do ex-prefeito de Vitória de Santo Antão, Elias Lira, que exerceu quatro mandatos à frente do Executivo Municipal da cidade, já tendo atuado também como deputado estadual por três legislaturas.

Antônio Campos (Podemos) – Irmão do ex-governador Eduardo Campos. É advogado e foi candidato a prefeito de Olinda pelo PSB, em 2016, perdendo a eleição no segundo turno para o Professor Lupércio (SD). Rompido com a ex-cunhada Renata Campos, apoia Armando Monteiro (PTB) para governador.

Andréa Mendonça (DEM) -  Advogada, é candidata a deputada estadual para o primeiro mandato. É filha do ex-deptuado federal José Mendonça Bezerra, irmã do ex-ministro Mendonça Filho (DEM) e tia de Vunícius Mendonça que postula pela primeira vez um mandato eletivo, no caso, para deputado federal.

Alexandre Santana (PC do B) – Engenheiro, concorre pela primeira vez a um mandato eletivo. É filho de Paulo Santana (PT), ex-prefeito de Camaragibe por dois mandatos.

Aline Mariano (PP) – Foi vereadora de Afogados da Ingazeira e está no terceiro mandato de vereadora do Recife. É filha de Antônio Mariano, que foi vereador e prefeito de Afogados da Ingazeira, além de deputado estadual por quatro mandatos.

Pastor Cleiton Colins (PP) – É deputado estadual pelo segundo mandato consecutivo e tenta a reeleição. É casado com Michele Collins (PP), que é vereadora do Recife pelo segundo mandato consecutivo.

Guilherme Uchoa Jr. (PSC) – Empresário, é filho de Guilherme Uchoa (PSC), que foi juiz, exerceu seis mandatos consecutivos de deputado estadual e por seis vezes consecutivas foi presidente da Alepe antes de sua morte em 2018. O cunhado de Guilherme Uchôa Jr, Mosar Tato (PSB), é o atual prefeito de Itamaracá.

Aglailson Victor (PSB) – Empresário e candidato a deputado estadual pela primeira vez, é filho de Aglailson Júnior, atual prefeito de Vitória de Santo Antão, Aglaílson pai já foi vereador de Vitória e deputado estadual por quatro mandatos consecutivos. Aglailson Victor é neto de José Aglailson que foi deputado estadual, e seus bisavô e tataravô foram prefeitos de Vitória de Santo Antão.

Diogo Moraes (PSB) – Empresário. Foi vereador de Santa Cruz do Capibaribe por um mandato, está no segundo mandato consecutivo de deputado estadual e tenta a mais uma reeleição. É filho do ex-deputado estadual por dois mandatos, Oséas Moraes (PSB).

Laura Gomes (PSB) – Advogada, está no segundo mandato de deputada estadual, e tenta a reeleição. É esposa de Jorge Gomes, que é médico e exerceu dois mandatos de deputado estadual, foi deputado federal por um mandato e vice-prefeito de Caruaru. Também foi vice-governador de Miguel Arraes.

Lucas Ramos (PSB) – Publicitário e empresário. Exerce o primeiro mandato de deputado estadual e tenta se reeleger. É filho de Ranílson Ramos (PSB), que é economista, foi vereador de Petrolina, e deputado estadual por três mandatos na Alepe. Exerceu vários cargos na administração publica estadual e federal.

Izabel Urquiza (PSC) – É filha da ex-prefeita de Olinda e ex-deputada estadual, Jacilda Urquiza. O pai, Hélio Urquiza, também foi deputado estadual. Foi candidata derrotada a prefeita de Olinda pelo PSDB em 2016.

Bruna Gadelha (Solidariedade) – Empresária, disputa mandato de deputada estadual. É filha do ex-prefeito de Abreu e Lima, Jerônimo Gadelha (PDT). O primo Flávio Gadelha (MDB) também foi prefeito do mesmo município.

Henrique Queiroz Filho (PR) – filho do deputado estadual Henrique Queiroz é candidato ao primeiro mandato na Alepe. O pai, com dez mandatos consecutivos de deputado estdual, decidiu concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados e faz dobradinha com o filho candidato a estadual.

Andréa Lóssio (Rede) – É empresária e esposa de Júlio Lóssio, que foi prefeito de Petrolina por dois mandatos e, agora, concorre ao Governo do Estado.

Antônio Coelho (DEM) – É economista e cientista político. Nunca concorreu a um cargo eletivo. É filho de Fernando Bezerra Coelho (MDB), administrador, prefeito de Petrolina por três mandatos, deputado estadual por um mandato e deputado federal por dois mandatos, ex-ministro de Dilma e de Temer, atualmente senador da República. Antônio Coelho é irmão de  Fernando Coelho Filho (DEM) administrador de empresas e deputado federal por três mandatos consecutivos, e candidato a reeleição. Antônio também é irmão de Miguel Coelho (PSB), que é advogado, foi deputado estadual de primeiro mandato e deixou a Alepe para assumir a Prefeitura de Petrolina.

Priscila Krause (DEM) – Jornalista, foi vereadora do Recife por três mandatos, e é deputada estadual concorrendo à reeleição. É filha de Gustavo Krause, que foi vereador, prefeito do Recife, governador de Pernambuco, e deputado federal,  além de ministro de Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso.

Aline Corrêa (PR) – Empresária, foi deputada federal por São Paulo, por dois mandatos consecutivos, e agora é candidata a deputada estadual por Pernambuco. Aline é filha de Pedro Corrêa (PP), que é médico e exerceu o cargo de deputado federal por cinco mandatos. Pedro Corrêa foi condenado em 2006 por corrupção.

Rodrigo Gomes (PSC) – Empresário do ramo da educação, é filho do ex-vereador Romildo Gomes Filho, que ficou por nove mandatos na Câmara do Recife, e neto do também ex-vereador recifense Romildo Gomes, que exerceu quatro mandatos.

Carla Lapa (PSC) – Filha do ex-deputado estadual Carlos Lapa, Carla já exerceu dois mandatos na Alepe, tendo sido eleita em 2002 e reeleita em 2006. Agora, tenta o retorno à Assembleia. Foi eleita em 200o vice-prefeita de Carpina, sua base eleitoral, mas renunciou ao mandato para assumir pela primeira vez o mandato de deputada.

Simone Santana (PSB) – Formada em medicina, com especialização em pediatria, é deputada estadual e candidata à reeleição. É casada com Carlos Santana, ex-prefeito de Ipojuca.

Alessandra Xavier da Rocha Vieira (PSDB) - Disputa pela primeira vez uma vaga na Assembleia de Pernambuco. É esposa do atual prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Edson Vieria (PSDB), que foi vereador da cidade e também deputado estadual.

Gustavo Fuchs Campos Gouveia (DEM) – Disputa pela primeira vez o mandato de deputado estadual. O avô Eufrásio Gouveia e o pai Eufrásio Filho foram prefeitos de Paudalho, cidade hoje administrada pelo irmão de Gustavo, Marcelo Gouveia.

Roberta Arraes (PP) – Formada em administração de empresas, foi candidata pela primeira vez a deputada estadual em 2014 quando conseguiu se eleger para o primeiro mandato. É candidata à reeleição. É esposa de Alexandre Arraes, ex-prefeito de Araripina entre 2013 e 2016.

Dulcicleide Amorim (PT) - Formada em Geografia, concorre pela primeira vez a uma vaga na Alepe. É esposa de Odacy Amorim, ex-vereador e ex-prefeito de Petrolina, atual deputado estadual e candidato, em dobradinha com a esposa, a deputado federal também pelo PT.

Rodrigo Novaes (PSD) – Está no segundo mandato de deputado estadual e concorre à reeleição. Iniciou a vida política como vice-prefeito de Floresta, eleito em 2008. Atual vice-presidente do PSD, é filho do ex-deputado Vital Novaes, que foi deputado estadual por seis mandatos consecutivos.

Fabiola Cabral (PP) – É filha do ex-deputado estadual e atual prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (PSB).

Vinícius Labanca (PP) – Está no segundo mandato de deputado estadual e é candidato à reeleição. Vinícius é filho de Ettore Labanca, que exerceu um mandato de deputado estadual e foi por quatro vezes prefeito de São Lourenço da Mata, tendo renunciado em junho de 2015 quando era investigado por crime de responsabilidade pelo Ministério Público do Estado.

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Sobre o autor

É formado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco. Foi repórter de Polícia do Jornal do Commercio; repórter, editor e colunista de Política do Diário de Pernambuco. Coordenou a área de comunicação social do Ministério da Saúde e ocupou os cargos de diretor de mídia regional e secretário-adjunto de Imprensa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. É co-autor do livro Vulneráveis – entre a emergência da vida e a incerteza do futuro, Editora Bagaço, 2015.

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