Armando usa dados reais sobre investidas a banco para criticar violência em Pernambuco

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Candidato do PTB citou o Mapa da Violência Bancária, que coleta informações a partir de notícias publicadas na imprensa

Por Helena Dias

 

“De janeiro a julho deste ano, já foram 123 investidas às agências bancárias, mais do que os 119 casos do ano passado” – Armando Monteiro Neto, em publicação no Facebook, em 1º de agosto de 2018.

Armando Monteiro Neto (PTB) usou dados da segurança pública para criticar a gestão de Paulo Câmara (PSB), que busca a reeleição como governador. Segundo a assessoria de Armando, os números citados pelo candidato em sua página oficial no Facebook foram extraídos do Mapa da Violência Bancária, banco de dados alimentado pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco.

A equipe do Truco nos Estados – projeto de fact-checking da Agência Pública, feito em Pernambuco em parceria com a Marco Zero Conteúdo – verificou que os números trazidos por Armando batem com os do Mapa da Violência Bancária. Por isso, o selo dado foi “Verdadeiro”.

Porém, vale ressaltar a maneira como os dados são coletados. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Pernambuco, a principal fonte da pesquisa é a imprensa. A partir do momento em que os crimes são noticiados pelos veículos de comunicação, blogs ou pelas rádios locais, os dirigentes regionais do sindicato responsáveis pela localidade da ocorrência são notificados e ficam com a tarefa de confirmar ou não se o fato aconteceu. Todas as informações, desde o link da notícia até o número de feridos ou mortos, são registradas em um formulário padrão da organização.

Para confirmar se os números do mapa estão corretos o ideal seria confrontá-los com os registros oficiais feitos pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. O Truco solicitou à SDS os balanços mensais de Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) de 2011 a 2017 (que não estão disponíveis no site do órgão) e, especificamente, os números dos crimes cometidos contra agências bancárias, mas não conseguiu resposta até o fim desta checagem.

Para contextualizar melhor a declaração de Armando Monteiro é preciso destacar que o termo “investidas às agências bancárias” refere-se a explosão de caixa eletrônico, arrombamento de agência, arrombamento de cofre, estelionato, assalto à agência, explosão de cofres, assalto ao correspondente bancário, explosão de carro-forte, assalto a carro forte, sequestro, invasão e assaltos durante a entrada e saída dos bancos. Todas estas ações somaram 119 ocorrências, segundo o Mapa da Violência Bancária, nos seis primeiros meses de 2018 em Pernambuco. Isso representa pouco mais de 0,2% de todos os CVPs ocorridos no mesmo período no estado (49.824).

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