Assembleia abre trabalhos com discurso burocrático do governador e disputa por comissões

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Quem entrasse no plenário da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), sem saber absolutamente nada sobre a política pernambucana, poderia acreditar que o deputado mais votado no estado foi Paulo Dutra (PSB), suplente que assumiu nesta segunda-feira. Com vans que vieram do interior, como Surubim e Timbaúba, ele e o também empossado hoje Sivaldo Albino (PSB), ex-vereador de Garanhuns, encheram a plateia da Alepe. Uma algazarra se ouvia toda vez que os dois nomes eram anunciados.

Do lado de fora, um assessor parlamentar esnobou a plateia. “Tudo atrás de um comissionado!”. A delegada Gleide Angelo, a verdadeira dona da popularidade, com mais de 412 mil votos, ficou quietinha na reunião no plenário, que durou pouco mais de uma hora e meia. Quando o governador Paulo Câmara (PSB) chegou, ela o cumprimentou com um aceno no ar, de longe. Passou boa parte da reunião conversando com suas vizinhas de cadeira: do lado direito, Fabíola Cabral (PP), do esquerdo, Jô Cavalcanti (Juntas, Psol).

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A ida do governador à Assembleia no dia de abertura dos trabalhos da nova legislatura está prevista na Constituição pernambucana. A ideia é que ele possa oferecer aos novos e velhos parlamentares um resumão de como está a situação de Pernambuco. A depender do que disse o governador, tudo segue muito bem.

O discurso de Paulo Câmara durou pouco mais de 18 minutos e faria qualquer agência de fact-checking lamber os beiços. A cada frase, ele citava um número, quase sempre acompanhado de dois apostos: um “mesmo na crise financeira”; o outro “o maior da história” – ou alguma variante como um “recorde”.

Como o projeto Truco já fez o trabalho, vou só repetir aqui. O governador, por exemplo, falou que em 2018 o estado teve a maior queda de assassinatos desde que o Pacto Pela Vida foi implantado, em 2007. É verdade, mais isso só aconteceu porque no ano anterior (em 2017, quando ele também era governador) houve uma explosão de violência.

Falou também que Pernambuco era o estado com menor evasão escolar do Brasil. Está certo, mas quando se leva em conta apenas o ensino médio (1%): no ensino fundamental, o percentual sobe para 1,7%, o que deixa o estado na terceira posição. Também falou, e acertou, que o governo do estado investiu mais de R$ 18 bilhões em saúde.

Foi um discurso burocrático, padrão, cheio de dados já divulgados e de elogios à forma “republicana” com que a Casa Joaquim Nabuco é conduzida. Pudera, não há urgência em seduzir: dos 49 deputados, 38 estão na situação, um independente (as codeputadas do Juntas) e apenas dez na oposição.

Em entrevista, Paulo Câmara afirmou que ainda não há projetos urgentes para serem enviados à Assembleia. “Temos uma secretaria nova, de prevenção e combate às drogas, então muita coisa ainda vai ser apresentada”, disse.

Disputa por comissões

Passada a posse e a votação dos cargos na Mesa Diretora, os deputados e deputadas se dedicam nesta semana à disputa pelas comissões da Casa, um total de 15 (mais a de Ética, representativa). O líder da oposição, Marco Aurélio (PRT), diz que “pediu” cinco presidências e vai brigar por quatro, depois que o presidente da Alepe Eriberto Medeiros (PSB) ofereceu três.

“Temos deputados que querem as comissões de economia, turismo, cidadania, esportes e outro quer uma (comissão) que não lembro o nome”, disse Marco Aurélio, aos poucos jornalista presentes.

O líder do governo foi apresentado hoje e continua sendo Isaltino Nascimento (PSB). “Estamos ouvindo a bancada e o governo e até amanhã à noite vamos definir os pleitos, de titular e suplente. Quarta e quinta-feira definiremos tudo”, disse.

Segundo Isaltino, Waldemar Borges tem preferência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), pois era o presidente na legislatura passada. “Nas demais há um conflito de interesses, com mais de um partido ou uma pessoa pleiteando”, diz.

Lucas Ramos, reeleito, pleiteia a Comissão de Finanças. A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos é disputada pelas Juntas, independente, e também por Clarissa Tércio, do PSC, que ficou na oposição ao governo.

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