Nenhum direito a menos

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Em tempos de retrocesso de políticas públicas e de fragilização dos avanços sociais já conquistados, as mulheres foram às ruas nesta quinta-feira,  8 de março, para marcar posição por nenhum direito a menos. O lema resume a pluralidade das bandeiras de pelo menos 30 movimentos sociais e entidades que se uniram durante a paralisação no Dia da Mulher, no Recife. Cerca de cinco mil participantes, nas contas das organizadoras, aderiram à manifestação em prol das lutas feministas na capital pernambucana. No estado, também foram realizados atos no Sertão do Pajeú e no Sertão do Araripe. O movimento local também integra uma programação de atos em vários estados brasileiros e se une à paralisação internacional no Dia da Mulher.

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Movimentos sociais feministas defenderam suas bandeiras

Com cartazes, faixas, pinturas pelo corpo e gritos de ordem,  mulheres de perfis, ideais e idades distintas caminharam unidas em passeata pelas ruas do centro do Recife, do Parque 13 de maio até a Praça do Derby. Na concentração, iniciada às 13h, foram realizadas rodas de conversas nos dez eixos temáticos do movimento. Esses temas contemplam aspectos diversos das reivindicações femininas  como paridade na política; direito à previdência; direito à terra, água e moradia; enfrentamento do racismo; descriminalização do aborto; direito à creche; enfrentamento da LBTfobia, entre outros.

Durante toda a caminhada, pautas específicas dos grupos ali representados foram defendidas do alto do carro de som que puxava a caminhada. Em vários momentos esses grupos realizaram intervenções na rua, como a leitura de poemas e encenações teatrais. Gritos e canções em defesa dos direitos femininos também foram repetidos pelas participantes em uníssono durante todo o percurso. A caminhada culminou com apresentações culturais na Praça do Derby.

Pela vida das mulheres

O enfrentamento da violência é uma das temáticas principais dos movimentos feministas. Em Pernambuco, no ano passado, 2.134 mulheres foram vítimas de estupro e mais de 300 de homicídio, de acordo com dados do Governo do Estado. E, neste aspecto, negras e pobres estão entre o público mais vulnerável. A mesma realidade se reproduz quando o assunto é encarceramento feminino, por exemplo, com as negras representando 90% das encarceradas no Brasil. A maior quantidade de mortes por aborto igualmente acontece entre as mais pobres.

Exigindo o fim do racismo, inclusive religioso, a coordenadora da Rede de Mulheres Negras, Mônica Oliveira, pondera que o problema está no fato de as políticas públicas não resolverem as desigualdades. “As ações do governo não levam em conta o fato das mulheres negras estarem sempre na última posição quando se trata de oportunidades, justiça social e participação na política, por exemplo. Aparecemos em primeiro lugar apenas em rankings de feminicídio e trabalho precarizado”, argumenta.

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Enfrentamento à violência foi um tema central

No bojo do tema de enfrentamento da violência contra a mulher, lésbicas e bissexuais têm seu sofrimento invisibilizado pelos dados oficiais. Divulgado nesta semana, o primeiro Dossiê sobre Lesbocídio no Brasil mostrou um crescimento da violência contra mulheres lésbicas com 126 assassinatos entre entre 2014 e 2017. “Há uma subnotificação porque não se leva em conta a orientação sexual da mulher nos boletins de ocorrência”, considera Ana Carla Lemos, coordenadora do Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais (Comlesbi-PE).

Nenhum direito a menos

“A gente vem perdendo direitos desde o golpe que retirou a presidenta Dilma do poder e culmina com o enfraquecimento de políticas públicas”, considerou a coordenadora do Fórum de Mulheres, uma das entidades organizadoras do evento, Dolores Fastoso, que defende a paridade das mulheres na política e o direito à previdência. “A reforma trabalhista, por exemplo, atinge diretamente as trabalhadoras mais pobres e a proposta de reforma da Previdência do Governo Federal também vai impactar principalmente os públicos mais vulneráveis socialmente. Por isso, mais do que nunca, a importância desse ato em defesa dos nosso direitos”, acrescentou.

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Sobre o autor

Mariama Correia trabalhou por mais de três anos como repórter do caderno de Economia da Folha de Pernambuco. Antes disso, adquiriu ampla experiência atuando como freelancer e em assessorias de imprensa. Tem cursos nas áreas de jornalismo de dados (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), fact-checking e mídias digitais (Kings Brighton).

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