Pais e professores cobram ação da Prefeitura do Recife contra escolas precárias

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Para evitar mais tragédias anunciadas, pais e professores se uniram na briga por melhorias estruturais nas escolas públicas do Recife neste início de ano letivo. Rachaduras, salas inundadas, calor de passar mal, vazamento de esgoto e casos de leptospirose são alguns dos principais problemas denunciados com o apoio do Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (Simpere).

“Filho de pobre é cidadão, e a gente paga imposto pra ter segurança”, reivindica Janeclécia Gomes, mãe de dois filhos na Escola Ebenézer Gueiros, na Iputinga, Zona Oeste. Um deles, de 13 anos, tem paralisia cerebral e é um dos quatro cadeirantes da unidade, onde estudam 42 crianças com deficiência.

Na escola, não houve condições de começar o ano letivo. A expectativa é que as aulas iniciem na próxima segunda-feira (18) com a maior parte dos 430 alunos alocados numa galeria próxima, reformada e adaptada pela Secretaria Municipal de Educação. A Ebenézer Gueiros tem diversas rachaduras na área onde há um primeiro andar, na parte de trás do terreno, além de problemas de infiltração e climatização. Os adolescentes com deficiência precisam ser trocados em duas mesas porque não há fraldário.

Pais e professores se negaram a dar início ao ano letivo na escola Ebenézer Gueiros (foto: Simpere/divulgação)

Pais e professores se negaram a dar início ao ano letivo na escola Ebenézer Gueiros (foto: Simpere/divulgação)

A coordenadora da unidade, Izabel Cristina Barcelos, relembra que, em 2018, a escola se arrastou para conseguir terminar o ano letivo. Apesar do envio de ofícios à secretaria, nada foi feito efetivamente. Em 2019, pais e professores não aceitaram que as aulas começassem numa situação em que uma sala estava dividida para duas turmas e o almoxarifado, servindo de espaço para aulas.

Na quinta-feira (14), durante reunião na Ebenézer Gueiros, a gerente geral de gestão de rede, Maria Costa, destacou as adaptações que já estão sendo feitas na galeria que irá abrigar sete salas e a cozinha, que servirá apenas merenda fria. Também serão colocadas grades, ar condicionados, telas de proteção e toldos, além de reforço na segurança com viatura e uma faixa de pedestres.

Comunidade escolar se reuniu nesta quinta (15) na escola Ebenézer Gueiros (foto: Raíssa Ebrahim/MZ)

Comunidade escolar se reuniu nesta quinta (15) na escola Ebenézer Gueiros (foto: Raíssa Ebrahim/MZ)

Em nota à Marco Zero Conteúdo, a Secretaria de Educação do Recife informou também que, em 2018, o projeto de recuperação estrutural da Ebenézer Gueiros foi contratado, e as obras estão em andamento desde janeiro. Apesar de solicitado, não informou o calendário de entrega.

Alagamentos e banheiros sem pia

Pais e professores de pelo menos mais duas outras escolas municipais solicitaram ajuda do Simpere neste início de ano. Segundo denunciou o sindicato, na Paulo VI, na Linha do Tiro, Zona Norte, os banheiros alagam quando chove forte – o feminino sequer tem pia. Por conta da quadra alagada, há relatos de leptospirose. Crianças e professores já tiveram que ir embora porque passaram mal de tanto calor.

A pasta de Educação argumentou que, na escola Paulo VI, é necessária a instalação de uma subestação para poder ter ar condicionado, processo que já está em andamento, segundo nota da assessoria de imprensa. Além disso, assegurou que os ventiladores estão sendo colocados até a climatização total da unidade, e que as obras dos banheiros começaram na semana passada.

O processo de climatização da rede municipal de ensino começou em 2017 e atualmente, de acordo com os cálculos da secretaria, 70% das escolas estão com ar condicionado.

Parte da escola Paulo VI alagou com os recentes temporais (foto: Simpere/divulgação)

Parte da escola Paulo VI alagou com os recentes temporais (foto: Simpere/divulgação)

Já na escola Magalhães Bastos, que funciona num imóvel cedido pela igreja católica, na Várzea, Zona Oeste, as salas, por falta de prevenção, também inundaram devido aos temporais recentes.

Sobre a Magalhães Bastos, a prefeitura confirmou que foram identificadas goteiras em quatro salas e que, em 48 horas, o telhado foi substituído e a questão, solucionada.

Sem prevenção, salas da escola Magalhães Bastos não resistiram aos temporais (foto: Simpere/divulgação)

Sem prevenção, salas da escola Magalhães Bastos não resistiram aos temporais (foto: Simpere/divulgação)

Na quarta-feira (13), pais e alunos dessas três escolas protestaram na sede da Prefeitura do Recife. Depois houve uma reunião com a Secretaria de Educação. O acesso de pais e professores, segundo relato do Simpere, só foi liberado após pressão como reação à mobilização de cerca de 20 guardas municipais para “conter” o grupo.

Guardas Municipais foram acionados no protesto desta semana na Prefeitura do Recife (foto: Simpere/divulgação)

Guardas Municipais foram acionados no protesto desta semana na Prefeitura do Recife (foto: Simpere/divulgação)

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