Prefeitura derruba casas na comunidade de Pocotó

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Os moradores da comunidade de Pocotó, em Boa Viagem, acordaram em pânico no início desta manhã. Pelo menos 50 funcionários da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano da Prefeitura, guardas municipais e policiais militares entraram na comunidade para cumprir ação demolitória expedida no início do mês pelo juiz Djalma Andrelino Nogueira Júnior.

Segundo cálculos do MTST Pernambuco, pelo menos 20 casas foram derrubadas. O coordenador do movimento no estado, Rud Rafael, informou que 12 famílias que perderam seu lar não possuem auxílio-moradia, uma das exigências impostas pelo juiz para a ação demolitória a ser executada pelo Poder Público Municipal. Algumas das casas derrubadas estavam desocupadas porque as famílias notificadas pelo oficial de justiça no início do mês estavam procurando por conta própria novo local para viver.

“O que aconteceu aqui foi uma ação criminosa da Prefeitura, derrubando as casas da comunidade sem que as famílias estivessem recebendo o auxílio ou uma outra alternativa de moradia”, criticou. Segundo Rud, numa primeira rodada de negociação, após a decisão judicial, a Prefeitura teria prometido cadastrar os moradores de Pocotó para o habitacional que será construído na área do antigo Aeroclube, mas isso ainda não aconteceu.

De acordo com a Prefeitura, todas as famílias que tiveram suas casas demolidas estão cadastradas no auxílio-moradia e foram retiradas do local por uma questão de segurança e depois de terem sido notificadas pelo oficial de justiça.
acordo prefeitura

Ata de reunião mostra acordo com moradores desrespeitado pela Prefeitura

No entanto, a forma como a operação de demolição foi conduzida pela Prefeitura feriu o acordo firmado com representantes dos moradores em reunião no dia 9 de agosto, conforme ficou registrado em ata assinada pelo secretário-executivo da Secretaria de Governo e Participação Social, Sérgio Campello, e pode ser visto na imagem ao lado.
 
Pelo acordo, os moradores seriam informados da ação de despejo com 48 horas de antecedência e esta deveria ser acompanhada no local por “organizações indicadas pelas famílias para evitar danos a outros imóveis localizados na comunidade”. Nada disso aconteceu.
A ação executada pelos funcionários da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano também não foi acompanhada pelo Ministério Público de Pernambuco ou qualquer órgão municipal que pudesse prestar assistência social aos moradores.

Pocotó existe há mais de 15 anos, na laje do túnel Augusto Lucena, espremida entre prédios de luxo, shopping e faculdades, em um bairro de classe média alta onde a comunidade não é bem-vinda. Quarenta e duas famílias vivem na área.

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Sobre o autor

É formado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco. Foi repórter de Polícia do Jornal do Commercio; repórter, editor e colunista de Política do Diário de Pernambuco. Coordenou a área de comunicação social do Ministério da Saúde e ocupou os cargos de diretor de mídia regional e secretário-adjunto de Imprensa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. É co-autor do livro Vulneráveis – entre a emergência da vida e a incerteza do futuro, Editora Bagaço, 2015.

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