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	<title>Carol Monteiro, Autor em Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Carol Monteiro, Autor em Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>E se os holandeses tivessem ficado? E o que Nassau, Trump e Bolsonaro têm em comum?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Aug 2025 03:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Crescer e ter acesso à educação básica em Pernambuco, pelo menos até o início do século 21, era, certamente, ter muitas aulas de História dedicadas a exaltar positivamente um período que durou pouco mais de duas décadas no século 17 mas deixou marcas profundas na historiografia e na identidade dos pernambucanos e pernambucanas. Entre 1630 e 1654, o território que hoje pertence ao estado – e outras regiões do Nordeste – estiveram sob o domínio da Holanda, cujos interesses eram geridos pela Companhia das Índias Ocidentais (WIC), empresa privada que planejou e executou o projeto colonial dos Países Baixos com a mesma ganância e “mão de ferro” de qualquer outro país que se apossou, explorou territórios e roubou o que não lhe pertencia; além de escravizar ou matar povos originários ou trazidos de outros continentes para servir de mão de obra e gerar riquezas às quais nunca teriam acesso.</p>



<p>Talvez você tenha se fantasiado de Maurício de Nassau, conde alemão que governou o Brasil Holandês entre 1637 e 1643, ou atuado como comandante ou soldado nas peças sobre as batalhas da Restauração Pernambucana, como são chamados os conflitos bélicos que levaram à expulsão dos holandeses, em 1654, e que carregam outro “mito” associado ao período: a suposta união de brancos, negros e indígenas para expulsar os holandeses, o que teria dado início não apenas ao Exército Brasileiro, mas também a um sentimento de identidade nacional. Na verdade, as batalhas apenas “livraram” o território de um colonizador para devolver a outro, no caso Portugal, sem quaisquer benefícios para os colonos. Para reaver as áreas, importantíssimas para o cultivo da cana de açúcar, os lusos abriram mão do Sri Lanka e ainda tiveram que pagar uma indenização de 4 milhões de réis para a Holanda dividida em parcelas por 16 anos.</p>



<p>Aliás, esta reportagem está sendo publicada exatamente no dia em que completa 364 anos do Tratado de Haia, que selou este acordo, assinado em 6 de agosto de 1661, encerrando o conflito entre Portugal e a República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos pelo controle do Brasil. Hoje, o senso crítico da historiografia contemporânea já oferece novas versões mais próximas da realidade para este capítulo da história, imputando aos holandeses a participação ativa no tráfico de pessoas escravizadas da África para o Brasil, a exploração das riquezas naturais e a intolerância contra qualquer religião que não fosse a protestante, entre outras barbáries.</p>



<p>“Os clássicos estão desatualizados com relação aos termos, às novas exigências de vocabulário, de significados, símbolos que precisam ser atualizados. Como pesquisador, percebo a necessidade de fazer essa reflexão sobre tudo o que já pode ter sido falado sobre o período, porque as perspectivas vão ser do ponto de vista europeu ou do colonizador branco, que não estava na base dessa pirâmide de exploração”, explica o historiador, mestre e doutorando Fernando Rodrigues, que pesquisa a Ocupação Holandesa do Brasil no Século 17. “Eu parto de uma reflexão sobre a ética protestante e o espírito do capitalismo para pensar os holandeses que vieram pra cá, mas este é meu ponto de partida, não é meu ponto de chegada. Porque o meu ponto de chegada é a análise decolonial desse período holandês.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que acredita o senso comum?</h2>



<p>A questão é que o senso comum, especialmente em Pernambuco, ainda não absorveu completamente esta visão e frequentemente nos deparamos com a pergunta: “E se os holandeses tivessem ficado?” Por aqui, ainda há quem deseje este destino e atribua especialmente à figura de Maurício de Nassau a fama de &#8220;bom colonizador&#8221;, acreditando que ele tornaria o país uma potência mundial, livrando o Brasil das injustiças e consequências do modelo colonial português.</p>



<p>Ruy Aguiar é diretor e dramaturgo da peça <em>O Boi Voador</em>, um espetáculo que conta com aproximadamente 120 profissionais encenado anualmente como parte das comemorações pelo aniversário do Recife, e que conta a história da inauguração da primeira ponte sobre o rio Capibaribe, construída por ordem de Nassau cuja obra demorou tanto que o povo local fazia piadas, dizendo que era &#8220;mais fácil um boi voar do que a ponte ficar pronta&#8221;.</p>



<p>No dia da inauguração, 28 de fevereiro de 1643, o governante prometeu que faria um boi voar e, para realizar o &#8220;milagre&#8221; e atrair uma multidão, criou um espetáculo de ilusionismo que até hoje faz parte das grandes histórias sobre o Recife. Primeiro, ele apresentou um boi de verdade ao público e, em seguida, trocou o animal por um falso, feito com uma pele de boi empalhada com ervas secas, preso a uma corda e movido por roldanas de uma extremidade à outra de uma galeria no jardim do governador. A tramoia foi um grande sucesso, levando a população ao delírio.</p>



<p>Além de lucrar com pedágios na ponte, Nassau conseguiu distrair os investidores e a população dos atrasos da obra e salvar sua reputação na Holanda, onde corriam fofocas sobre sua má gestão. &#8220;A história do Boi Voador mexe com o imaginário do recifense. Ficou marcada na memória da população principalmente porque envolve Maurício de Nassau, um personagem amado por muitos. A maioria do povo realmente acredita que ele foi um excelente governante. O boi voador é a cereja do bolo, né? E o espetáculo mostra um pouco da personalidade dele”, comenta o diretor.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/Holanda-2-boi.jpg" alt="Contra um fundo completamente escuro, um boi cenográfico está suspenso no ar por cabos de aço, como parte de uma apresentação artística ou espetáculo noturno. O boi tem corpo prateado com textura brilhante, chifres iluminados em espiral branca e roxa, e uma cobertura colorida feita de tecidos sobre o dorso, com camadas em vermelho, azul, verde e branco. A iluminação destaca o brilho do animal cenográfico e partículas de névoa ou água que flutuam ao redor, criando um efeito mágico. A composição transmite leveza e fantasia." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Artimanha de Nassau em 1643, O Boi voador é encenado anualmente no Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<p>O boi voador, claro, é um episódio quase anedótico, mas, sim, revela a personalidade de Nassau: um homem vaidoso, ardiloso, capaz de enganar uma cidade inteira para demonstrar sua força e, ainda, lucrar com isso. Ele e seus empregadores da WIC não tinham nenhum outro interesse que não fosse o de enriquecer através de um projeto colonial enraizado na exploração e na violência, cujas reverberações ecoam até hoje. São muitos os fatores que explicam a exaltação a essa figura, em grande parte porque sua administração pode ser caracterizada por uma complexa tentativa de equilibrar os interesses diversos dos grupos sociais sob seu comando.</p>



<p>Para a elite política holandesa e os atores econômicos portugueses, ele se apresentou como um governante visionário e humanista, implementando uma política de incentivos fiscais e tolerância religiosa (embora limitada), garantindo direitos de propriedade e oferecendo crédito com juros justos &#8211; ou mesmo perdão das dívidas &#8211; aos senhores de engenho. Essa postura, que por vezes contrariava as diretrizes dos acionistas da Companhia das Índias Ocidentais, buscava conciliar e estabilizar a colônia. Seu apelo residia, em parte, nessa capacidade de fazer com que a colonização fosse mais suportável para esses grupos.</p>



<p>Contudo, sua &#8220;boa reputação&#8221; foi construída às custas da externalização brutal dos custos da exploração, principalmente por meio da intensificação do tráfico e do trabalho de pessoas escravizadas africanas, tornando essa parcela significativa de abusos praticamente &#8220;invisível&#8221; ou justificável para grande parte da população e para a metrópole. Nassau, embora lembrado como humanista, foi um &#8220;notório traficante de escravizados&#8221;, ordenando a captura de entrepostos africanos como São Jorge da Mina (Gana) em 1637 e Luanda (Angola) em 1641 para garantir o suprimento de mão de obra para as lucrativas plantações de açúcar no Brasil. As condições desumanas nos navios negreiros e a justificativa religiosa para a escravidão eram práticas comuns, com a Igreja Protestante holandesa chegando a classificar qualquer objeção como &#8220;escrúpulo inútil&#8221;. O conceito de que &#8220;não existe pecado ao Sul do Equador&#8221; ( <em>ultra aequinotialem non peccavi</em>), difundido por Gaspar Barlaeus, biógrafo contratado e pago por ele mesmo, servia para legitimar esses excessos.</p>



<p>Essa abordagem, que concentrava os benefícios no centro e relegava os custos sociais e humanos para a periferia, ainda ecoa nas práticas atuais de &#8220;tecnocratas capitalistas&#8221;. O legado ambíguo de Nassau, que combinou urbanismo e desenvolvimento com a brutalidade da exploração colonial, reflete como as narrativas históricas são construídas para ocultar ou amenizar as contradições inerentes a projetos de poder e lucro, como o que levou à criação da WIC, em 1621, visando o controle de territórios e monopólios comerciais, especialmente o lucrativo açúcar do Nordeste brasileiro. Em 1624, a Companhia tentou ocupar Salvador, a então capital da colônia portuguesa no Brasil. Embora frustrada, a derrota inicial não abalou o apetite da empresa.</p>



<p>Em 1630, o alvo seria Pernambuco, o coração da produção açucareira do Atlântico. O sucesso dessa empreitada foi grandemente impulsionado pela captura da frota da prata espanhola em 1628 pelo almirante Piet Heyn, que rendeu à Companhia 11 milhões e meio de florins, o capital necessário para financiar a ambiciosa tomada de Pernambuco.</p>



<p>A invasão, que se deu com uma frota de 67 navios e quase sete mil homens, não foi motivada por ideais civilizatórios, mas pela ambição de controlar o mercado do açúcar e enfraquecer a Espanha, então unificada com Portugal sob a União Ibérica. A estratégia holandesa, conhecida como Plano Atlântico, visava a conquista de territórios-chave no Brasil, em São Jorge da Mina e Luanda . O objetivo era claro: conectar o comércio marítimo de açúcar, pau-brasil e, crucialmente, de pessoas escravizadas, transformando o Recife em um epicentro dessa logística perversa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>As falácias sobre Nassau</strong></h2>



<p>Como dito antes, Maurício de Nassau é a figura central do desejo de que a Holanda permanecesse no governo do Brasil por mais tempo. Sua imagem é associada a avanços urbanísticos no Recife, que transformou na &#8220;Cidade Maurícia&#8221; com pontes e jardins, e à vinda de cientistas e artistas que o acompanharam em sua aventura tropical. Ele é descrito como um &#8220;gênio civilizador&#8221; em inúmeras publicações da mídia local, como o <em>Diario de Pernambuco</em>, o jornal mais antigo da América Latina que, entre os séculos 19 e 20, publicou vários artigos atribuindo o declínio holandês à &#8220;desconfiança e espírito de ganância dos acionistas&#8221; após a demissão de Nassau.</p>



<p>Até hoje, a língua portuguesa usa o termo &#8220;nassoviano&#8221; para adjetivar o período, o que demonstra a monumentalização de Nassau, obscurecendo os aspectos mais sombrios de seu governo. O &#8220;Palácio do Açúcar&#8221; (Mauritshuis), em Haia, sua suntuosa residência, é um símbolo da riqueza gerada pela exploração da terra e das pessoas escravizadas. A própria Companhia das Índias Ocidentais chegou a exigir que os africanos realizassem os trabalhos braçais no Brasil, argumentando que o clima dos trópicos impedia o trabalho de homens brancos.</p>



<p>A suposta &#8220;tolerância religiosa&#8221; de Nassau também se mostra limitada sob análise crítica. Embora judeus sefarditas tenham encontrado refúgio e estabelecido as primeiras sinagogas nas Américas (com &#8220;portas trancadas&#8221; em certa época), católicos tiveram suas práticas reprimidas e indígenas e africanos escravizados eram forçados à catequese, muitas vezes para justificar o trabalho forçado. Sua demissão, em 1643, após sete anos, não foi por &#8220;ingratidão&#8221; da WIC, mas devido a seu estilo de vida extravagante e políticas que desagradavam os acionistas. Seus gastos com a corte, as obras e o mecenato eram vistos como &#8220;passivos financeiros&#8221; por uma companhia que buscava lucros, não um reino principesco.</p>



<p>A narrativa idealizada sobre a ocupação holandesa foi forjada e perpetuada pela historiografia oficial. No século 17, Gaspar Barlaeus, por encomenda do próprio Nassau, produziu obras que exaltavam seus feitos, solidificando sua imagem para a posteridade. Por outro lado, as crônicas portuguesas também glorificavam seus próprios líderes, muitas vezes usando elementos ficcionais para legitimar a luta.</p>



<p>A ideia de um colonialismo &#8220;melhor&#8221; que o português é uma falácia. A história colonial holandesa em outras regiões foi marcada por massacres e genocídio para garantir monopólios comerciais. Os historiadores concordam que o único genocídio bem-sucedido na história do mundo foi perpetrado pelos holandeses contra o povo das Ilhas Banda, na Indonésia, com o objetivo de tirar o comércio de noz-moscada dos portugueses. O Suriname, que permaneceu sob domínio holandês por muito mais tempo, também carrega as cicatrizes de uma relação colonial direta e exploratória.</p>



<h3 class="wp-block-heading">E se tivessem ficado mesmo?</h3>



<p>Sem bola de cristal ou IA que nos permita prever um futuro alternativo fica difícil precisar o que teria sido do Brasil, e do Nordeste em particular, caso a expulsão não tivesse ocorrido, mas é possível fazer algumas inferências. Em termos gerais, a permanência holandesa teria significado a continuidade de um projeto colonial focado na exploração econômica e comercial. Para isso, a dependência da mão de obra escravizada teria sido ainda mais consolidada e ampliada, com a Holanda buscando formar o maior mercado escravista do Atlântico Sul.</p>



<p>É verdade que Maurício de Nassau investiu na urbanização do Recife, transformando o pequeno povoado portuário em um centro urbano próspero. No entanto, essas obras eram caras e visavam apenas servir à elite colonial e aos interesses da Companhia, além de consolidar sua própria imagem de governante civilizado. A cidade de Olinda, a bela e rica capital de Pernambuco quando os holandeses chegaram, foi totalmente incendiada e destruída em 1631 para forçar a concentração da população no Recife, que se tornou a capital da Nova Holanda. Um projeto prolongado provavelmente seguiria mais desse tipo de reconfiguração urbana pragmática, com uma política de “terra arrasada” sendo implementada em qualquer local sempre que os interesses econômicos demandassem.</p>



<p>E os interesses econômicos certamente se manifestariam com ainda mais ênfase, caso as dificuldades financeiras da WIC se aprofundassem. Os cofres da empresa já tinham sofrido grandes impactos pelos gastos de Nassau e pela Guerra dos Trinta Anos na Europa. A crise era tanta que a cobrança rigorosa das dívidas dos senhores de engenho em débito após a saída do Conde foi um fator crucial para a insurreição portuguesa. Se os holandeses tivessem permanecido, essas tensões econômicas teriam continuado, talvez levando a novas revoltas ou a uma reestruturação mais drástica da Companhia.</p>



<p>E se o destino dos senhores de engenho portugueses não interessava à Holanda, imagina o que teria sido das pessoas escravizadas e dos povos indígenas. Embora a escravidão já existisse com os portugueses, os holandeses não só a mantiveram como a intensificaram. A relação com os povos indígenas era pautada por interesses comerciais e alianças, mas também pela exploração e pelo conflito e uma eventual permanência flamenga teria perpetuado essas práticas, com mais violência e aculturação em benefício da coroa europeia.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/Holanda-7-franz-1024x575.jpg" alt="A pintura de Frans Post retrata uma paisagem colonial litorânea, com casas brancas de telhados vermelhos cercadas por coqueiros à esquerda e uma grande movimentação de pessoas no centro da cena. Grupos diversos, incluindo indígenas, negros e europeus, circulam em um espaço de convivência e trabalho. À direita, uma praia se estende até o mar, onde pequenas embarcações navegam. Ao fundo, vê-se uma ilha fortificada, provavelmente o Recife Antigo, conectada ao continente por um banco de areia. O céu claro e amplo domina a parte superior da tela, sugerindo uma atmosfera calma e luminosa." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Telas de Frans Post ajudaram a construir imagem do Brasil do século XVII na Europa
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Frans Post</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A presença holandesa deixou marcas na cultura e no imaginário coletivo de Pernambuco. Artistas como Frans Post e Albert Eckhout foram os primeiros a retratar visualmente o &#8220;Novo Mundo&#8221; para o público europeu, mas suas obras muitas vezes reforçavam a visão de superioridade europeia. Uma continuidade poderia levar a uma maior assimilação de elementos culturais holandeses, como se vê na influência urbanística e arquitetônica do Recife. No entanto, a perspectiva dos povos originários e dos colonizados continuaria a ser marginalizada.</p>



<p>Em suma, se os holandeses tivessem permanecido, o Brasil poderia ter se consolidado como uma colônia capitalista exploradora, altamente focada na lucratividade do açúcar e do tráfico de escravizados, com uma elite europeia (holandesa e alguns portugueses aliados) e uma infraestrutura urbana desenvolvida para servir a esses interesses, mantendo as profundas desigualdades e violências inerentes ao sistema colonial. A imagem de um &#8220;bom colonizador&#8221; teria sido ainda mais cimentada na narrativa histórica popular, obscurecendo a realidade de exploração e opressão.</p>



<p>Este, claro, seria o cenário mais realista, mas nada nos impede de imaginar também que uma estadia mais longa poderia ter articulado outras forças de resistência. Quem sabe a resistência feminina pudesse ter deixado um legado de agência e liderança, como no episódio da batalha das Mulheres de Tejucupapo, em 1646, onde um grupo de mulheres venceu soldados holandeses usando táticas como água fervente com pimenta para repelir invasores. Este evento ainda hoje é celebrado anualmente por meio de um festival e espetáculo teatral auto-organizado pela na cidade de Goiana, na Região Metropolitana do Recife, liderado por dona Luzia Maria, o que o transforma em um &#8220;manifesto de resistência da comunidade&#8221;.</p>



<p>Outras figuras e lideranças femininas como Ana Paes e Jerônima de Almeida são nomes invisibilizados do período, bem como os povos indígenas, que não foram meros coadjuvantes, mas agentes históricos complexos que fizeram escolhas estratégicas, aliando-se tanto aos portugueses quanto aos holandeses conforme seus interesses e inimizades preexistentes. A guerra brasílica, com táticas de emboscadas e mobilidade, aprendidas pelos portugueses com os indígenas, foi crucial para a derrota holandesa e a permanência flamenga poderia ter fortalecido as lideranças indígenas de grupos como os Potiguara, representados por líderes como Felipe Camarão e Pedro Poty, exemplos da capacidade dos povos originários de incorporar elementos de culturas estrangeiras (como o cristianismo protestante ou católico) sem perder sua própria identidade.</p>



<p>Do ponto de vista dos negros e negras escravizadas, a invasão holandesa também criou oportunidades para fugas e fortalecimento dos quilombos e projetou figuras como Henrique Dias, um homem negro liberto que ascendeu a mestre de campo de um regimento de homens negros e foi um líder crucial na expulsão dos invasores. Mais lideranças assim certamente teriam surgido no Brasil e a história poderia ter dedicado a eles e elas mais do que a historiografia baseada na visão das elites reservou até aqui. Jamais saberemos. Mas sabemos que é preciso seguir resistindo.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/Holanda-5-Tejucupapo.jpg" alt="Em uma encenação teatral ao ar livre, uma mulher de vestido longo vermelho e touca branca se inclina sobre um homem caído no chão, como se estivesse cravando uma espada em seu corpo. O homem veste uniforme vermelho com calça azul e capacete dourado, e está estirado de costas na lama, com os braços abertos. Ao fundo, sobre a grama, outro corpo simula estar morto, reforçando o clima de batalha. A cena ocorre em um espaço gramado, com um escudo de palha à esquerda e vegetação ao redor, sugerindo uma representação histórica de combate." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Vitória das mulheres de Tejucupapo simboliza a resistência liderada por mulheres
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quem são os Nassaus de hoje?</strong></h3>



<p>Novamente, aqui, recorremos às inferências para tentar traçar um paralelo entre o estilo de governar de Maurício de Nassau e os que vieram depois dele. Na dissertação &#8220;Conde de Nassau, o engenheiro de tramoyas: a cultura do Barroco e a teatrocracia nassoviana&#8221;, defendida por André Ricardo de Oliveira Barbosa na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sua cultura política é apontada como um exemplar de &#8220;teatrocracia&#8221;, conceito desenvolvido pelo sociólogo francês Georges Balandier que um poder que não se impõe apenas pela força ou pela razão, mas pela &#8220;produção de imagens, pela manipulação de símbolos e sua organização em um quadro cerimonial&#8221;.</p>



<p>Para Balandier, &#8220;todo sistema de poder é um dispositivo destinado a produzir efeitos, entre os quais se comparam às ilusões criadas pelas ilusões do teatro&#8221;. Nassau, um governante barroco, utilizava esse &#8220;engenho de tramoyas&#8221; &#8211; maquinismos que produzem efeitos surpreendentes &#8211; como no episódio do Boi Voador, gerando um &#8220;impacto emotivo do encantamento&#8221; e mobilizando o imaginário social da população. Esse tipo de ação visava atrair a adesão dos governados, cultivando a lealdade, a benevolência e o respeito, em vez de recorrer à repressão física.</p>



<p>A lógica da teatrocracia, com sua ênfase na imagem, na persuasão e na encenação para controlar a percepção e as emoções do público, pode ser observada em figuras e contextos contemporâneos que buscam mobilizar massas para fins políticos ou de influência. Em um mundo hiper capitalista, onde a imagem e a capacidade de influenciar narrativas são tão cruciais quanto as políticas reais, líderes como Donald Trump, Javier Milei ou mesmo suas versões verde-amarelas encenadas pelos Bolsonaro exemplificam a persistência de elementos da teatrocracia. Suas campanhas e governança frequentemente se baseiam em grandes espetáculos e na criação de realidades paralelas (ou <em>fake news</em>, mesmo…) por meio de narrativas persuasivas e uma constante performance pública, elementos que remetem à &#8220;produção de efeitos&#8221; e à &#8220;manipulação de símbolos&#8221; descritas no conceito de teatrocracia.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Quer saber mais?</span>

		<p>Este texto encerra o projeto <em>Pecados Abaixo do Equado</em>r, uma iniciativa da Marco Zero Conteúdo, Placecloud e Nest, com apoio da Universidade Católica de Pernambuco. A plataforma tem mais de 100 histórias curtas, disponíveis em texto e áudio, em português, inglês e holandês, todas elas geolocalizadas em pontos dos cinco continentes. O projeto foi realizado com pesquisa e textos dos jornalistas Carol Monteiro e Emerson Saboya, do historiador Fernando Rodrigues e do tecnólogo Babak Fakhamzadeh, que também desenvolveu a interface. Confira tudo em <a href="http://www.brasil-holandes.marcozero.org">www.brasil-holandes.marcozero.org</a></p>
	</div>



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<p>O post <a href="https://marcozero.org/e-se-os-holandeses-tivessem-ficado-e-o-que-nassau-trump-e-bolsonaro-tem-em-comum/">E se os holandeses tivessem ficado? E o que Nassau, Trump e Bolsonaro têm em comum?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Participe do Projeto Pecados Abaixo do Equador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jan 2025 18:33:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Holanda]]></category>
		<category><![CDATA[Maurício de Nassau]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupação holandesa]]></category>
		<category><![CDATA[Tejucupapo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você já pensou em como o período conhecido como Brasil Holandês (1630-1654) moldou nossa história e identidade? O projeto Pecados Abaixo do Equador quer contar essas histórias e ampliar as perspectivas sobre o período. Para isso, convidamos você a colaborar! Se você é pesquisador, historiador ou alguém interessado no tema, pode contribuir enviando histórias, sugestões [&#8230;]</p>
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<p>Você já pensou em como o período conhecido como Brasil Holandês (1630-1654) moldou nossa história e identidade? O projeto <a href="https://brasil-holandes.marcozero.org/">Pecados Abaixo do Equador</a> quer contar essas histórias e ampliar as perspectivas sobre o período. Para isso, convidamos você a colaborar! Se você é pesquisador, historiador ou alguém interessado no tema, pode contribuir enviando histórias, sugestões de locais importantes para serem incorporados à <a href="https://brasil-holandes.marcozero.org">plataforma</a>, novas interpretações ou mesmo tirando dúvidas. A construção desse projeto é colaborativa e aberta a diferentes olhares. </p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Para participar, basta enviar um e-mail para carolmonteiro@marcozero.org.</p>
        </div>
    </div>



<p>A plataforma foi atualizada com novos conteúdos que aprofundam as narrativas sobre o Brasil Holandês. Chegamos a 40 histórias, que podem ser lidas ou ouvidas, estando fisicamente nos locais importantes para a narrativa ou no site, em qualquer lugar do mundo. Um dos destaques da atualização semanal é o monumental mural de Francisco Brennand, que retrata as Batalhas dos Guararapes, episódios decisivos para a expulsão dos holandeses do Nordeste. O trabalho combina a habilidade do artista pernambucano com referências históricas e culturais, agora restaurado e disponível ao público.<br><br>Outro tema fascinante é a história das heroínas de Tejucupapo, mulheres que organizaram uma resistência única contra as tropas holandesas, utilizando armas improvisadas como paus, pedras e até água fervente. O legado dessas mulheres segue vivo em Tejucupapo, na cidade de Goiana, zona da mata de Pernambuco, perpetuado por uma grandiosa encenação teatral e pela memória de seus descendentes.<br><br>Entre as atualizações, também exploramos as complexas relações entre os colonizadores holandeses e o tráfico de africanos escravizados, revelando as implicações econômicas e sociais dessa prática brutal. Abordamos ainda as táticas indígenas que moldaram a chamada “guerra brasílica”, decisivas para os confrontos durante a Restauração Pernambucana.<br><br>A trajetória de governadores anteriores a Maurício de Nassau também ganha espaço, destacando suas estratégias e o papel que desempenharam na estruturação do Brasil Holandês. Para os interessados em histórias individuais, trazemos a fascinante biografia do polonês Krzysztof Arciszewski, um personagem multifacetado que transitou entre guerras, ciência e cultura.<br><br>Por fim, as representações artísticas e arquitetônicas do período também fazem parte da nova atualização. Desde os quadros que imortalizaram as batalhas, muitas vezes idealizadas, até a história da Ponte Maurício de Nassau, um marco de engenharia que ganhou destaque na história e no imaginário do Recife.<br><br>Esses conteúdos são um convite para mergulhar em um capítulo fascinante e, por vezes, pouco explorado da história do Brasil. <a href="http://brasil-holandes.marcozero.org">Visite nosso site</a> e envie sua contribuição para enriquecer o projeto. Sua perspectiva pode ajudar a contar essas histórias de maneira ainda mais completa e plural!</p>
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		<title>Novas histórias do Brasil holandês na plataforma Pecados Abaixo do Equador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Dec 2024 13:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil holandês]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[incêndio de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você sabia que Olinda foi incendiada pelos holandeses em 1631, em uma estratégia de “terra arrasada” que mudaria os rumos de Pernambuco? E que um compositor inglês do Século 17 que nunca botou os pés nos trópicos escreveu uma música sobre esta tragédia? Ou que o Recife, transformado em um centro urbano sob o domínio [&#8230;]</p>
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<p>Você sabia que Olinda foi incendiada pelos holandeses em 1631, em uma estratégia de “terra arrasada” que mudaria os rumos de Pernambuco? E que um compositor inglês do Século 17 que nunca botou os pés nos trópicos escreveu uma música sobre esta tragédia? Ou que o Recife, transformado em um centro urbano sob o domínio holandês, guarda em sua história os rastros de um período marcado por tensões, destruição e interesses econômicos? O Brasil Holandês é uma página da nossa história que ainda suscita perguntas e revela novas perspectivas.</p>



<p>Nesta sexta-feira, o projeto <strong><a href="https://brasil-holandes.marcozero.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pecados Abaixo do Equador</a></strong>, realizado pela Marco Zero, em parceria com a plataforma Placecloud e com o espaço de exposição holandês Nest, publica novas narrativas sobre a ocupação holandesa no Nordeste, entre 1630 e 1654, em um site que organiza o conteúdo em um mapa que marca os locais onde as histórias aconteceram e, também, em uma plataforma onde é possível ouvir as narrativas, estando fisicamente nestes locais. Toda sexta-feira tem novas histórias, escritas por jornalistas e historiadores, com o auxílio da tecnologia que vai agrupar até o final do projeto pelo menos 100 histórias.</p>



<p>O objetivo é revelar mais sobre este momento histórico que foi muito mais do que um conflito militar. Enquanto o açúcar era o grande motor da disputa entre colonizadores europeus, cidades como Olinda e Recife foram palco de transformações que deixaram marcas profundas. O incêndio criminoso em Olinda abriu espaço para o fortalecimento do Recife como um centro estratégico, mas o custo humano e cultural foi imenso. Ao mesmo tempo, o governo holandês impunha suas próprias dinâmicas de exploração, alimentando debates que até hoje dividem historiadores e intelectuais.</p>



<p>Olhando para trás, encontramos relatos diversos: diários de soldados, documentos de colonizadores e reflexões de pensadores que, nos séculos seguintes, discutiram os legados desse período. Esses registros mostram que, mais do que um capítulo de progresso ou ruína, o Brasil Holandês foi um momento de intensas contradições, cujos ecos ainda podem ser sentidos.</p>



<p>Se você tem interesse em compreender como esses acontecimentos moldaram Pernambuco e as suas relações com o passado colonial, vale a pena explorar as histórias e memórias dessa época. Conheça mais sobre os eventos, os personagens e os impactos desse período singular da nossa história acessando <a href="https://brasil-holandes.marcozero.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://brasil-holandes.marcozero.org</a>.</p>



<p>E aproveite para se inscrever no site e receber alertas sobre as atualizações do site e interagir com os jornalistas e pesquisadores envolvidos. O projeto é fruto de um ano de trabalho intenso e ainda tem muita história para contar nas próximas semanas.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pecados-abaixo-do-equador-uma-nova-narrativa-sobre-os-24-anos-de-ocupacao-holandesa-no-brasil/" class="titulo">Pecados Abaixo do Equador: uma nova narrativa sobre os 24 anos de ocupação holandesa no Brasil</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		<p>O post <a href="https://marcozero.org/novas-historias-do-brasil-holandes-na-plataforma-pecados-abaixo-do-equador/">Novas histórias do Brasil holandês na plataforma Pecados Abaixo do Equador</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Pecados Abaixo do Equador: uma nova narrativa sobre os 24 anos de ocupação holandesa no Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/pecados-abaixo-do-equador-uma-nova-narrativa-sobre-os-24-anos-de-ocupacao-holandesa-no-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Dec 2024 15:08:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Holanda[]]></category>
		<category><![CDATA[Maurício de Nassau]]></category>
		<category><![CDATA[oucpação Holandesa]]></category>
		<category><![CDATA[Países Baixos]]></category>
		<category><![CDATA[restauração pernambucana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há exatos 345 anos, no dia 20 de dezembro de 1649, morria na Alemanha o conde Maurício de Nassau, governador do chamado Brasil Holandês entre 1637 e 1644. Nassau é uma das figuras mais controversas da historiografia brasileira, e na data de sua morte chega ao público o projeto Pecados Abaixo do Equador, realizado em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há exatos 345 anos, no dia 20 de dezembro de 1649, morria na Alemanha o conde Maurício de Nassau, governador do chamado Brasil Holandês entre 1637 e 1644. Nassau é uma das figuras mais controversas da historiografia brasileira, e na data de sua morte chega ao público o projeto <a href="https://brasil-holandes.marcozero.org/"><strong>Pecados Abaixo do Equador</strong></a>, realizado em parceria pela Marco Zero, pela plataforma Placecloud e pelo espaço de exposição holandês Nest, com apoio da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).</p>



<p>Mais do que recontar os 24 anos de ocupação holandesa no Brasil (1630-1654), o projeto tem como principal objetivo desconstruir mitos profundamente enraizados no imaginário pernambucano e brasileiro. Entre eles, o &#8220;mito do bom colonizador holandês&#8221;, que apresenta Maurício de Nassau como um governante humanista e visionário, ou a ideia romantizada da “união das três raças” para expulsar os holandeses na chamada Restauração Pernambucana, entre 1644 e 1654. A verdade é que Nassau, como qualquer outro colonizador, defendia interesses meramente econômicos, neste caso os da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, promovendo a exploração de riquezas, o tráfico de pessoas escravizadas e a violência estrutural comum a qualquer regime colonial.</p>



<p>Pecados Abaixo do Equador é uma iniciativa que une jornalismo, história e tecnologia para lançar luz sobre um capítulo muitas vezes suavizado ou romantizado pela historiografia. O projeto apresenta 100 histórias curtas, que podem ser acessadas tanto em texto quanto em áudio, disponíveis em português, inglês e holandês. Todo o conteúdo estará acessível no site oficial e na plataforma <a href="https://placecloud.io/?c=28460" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Placecloud</a>, que utiliza as tecnologias de geolocalização e Google Street View. Isso significa que, ao estar fisicamente em locais específicos, o usuário poderá acessar os áudios diretamente em seu celular, ouvindo as histórias enquanto caminha por esses espaços.</p>



<p>Se você estiver na Ponte Maurício de Nassau, no Centro do Recife, por exemplo, poderá descobrir a verdadeira história por trás da sua construção no século 17 e da célebre lenda do boi voador. Se estiver no bairro das Graças, no Recife, descobrirá que foi Nassau quem trouxe a cerveja ao Brasil e que aqui se fundou a primeira cervejaria das Américas. Mas as histórias não estão restritas a Pernambuco ou ao Nordeste do Brasil. O projeto vai além, conectando o público a lugares de todo o país, a cidades na Holanda e a regiões na Europa, nos Estados Unidos e nos continentes africano e asiático, mostrando a amplitude do impacto da ocupação holandesa. E para aqueles que não estão fisicamente nesses locais, todo o conteúdo pode ser acessado globalmente pelo site, permitindo que brasileiros, holandeses e qualquer pessoa no mundo conheça uma nova versão dessa história.</p>



<p>O projeto é fruto de um ano de trabalho colaborativo entre os jornalistas Carol Monteiro, cofundadora da Marco Zero, e Emerson Saboia; os historiadores Fernando Rodrigues, mestre em História pela Unicap e doutorando pela Universidade Federal da Paraíba, e Carolina de Queiroz Monteiro, doutoranda na Universidade de Leiden, na Holanda, e Babak Fakhamzadeh, cofundador da ONG <a href="https://walklistencreate.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">walk · listen · create</a> e gerente do Placecloud, que se dedicaram a pesquisar, apurar e construir narrativas críticas e acessíveis. A abordagem inovadora combina rigor acadêmico com recursos tecnológicos que colocam o público em contato direto com as histórias.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Como acessar:</span>

	    <p><b>Website: </b><a href="https://brasil-holandes.marcozero.org/"><b>https://brasil-holandes.marcozero.org/</b></a></p>
<p><b>Placecloud: </b><a href="https://placecloud.io/?c=28460"><b>https://placecloud.io/?c=28460</b></a></p>
    </div>



<p>Além do áudio e do texto, os conteúdos também são ilustrados com pinturas, gravuras e mapas do período, especialmente com trabalhos de Frans Post, Albert Eckhout, Guilherme Piso e Georg Marcgraf, que acompanharam Nassau no Brasil, registrando as paisagens, a fauna, a flora e os tipos humanos locais. Em alguns textos, no entanto, a falta de ilustrações levou a equipe do projeto a recorrer a IAs generativas para “recriar” as passagens históricas ou imaginar novos desfechos, a exemplo de como seria o Recife se os holandeses não tivessem sido expulsos do Brasil.</p>



<p>O projeto não se limita ao dia do lançamento: a cada sexta-feira, um novo conteúdo será adicionado à plataforma e ao site, mantendo o público engajado com novos fatos, revelações surpreendentes e acontecimentos pouco conhecidos. São histórias que desvendam personagens esquecidos, revelam locais marcantes, expõem curiosidades e, principalmente, discutem as consequências sociais, econômicas e culturais do período, que ainda reverberam nos dias de hoje.</p>



<p>Com as histórias contadas em três idiomas, Pecados Abaixo do Equador vai além das fronteiras brasileiras para alcançar o público em qualquer lugar do mundo, especialmente na Holanda, onde o Brasil Holandês é tratado apenas como uma &#8220;aventura passageira&#8221;. “Para nós, foi um período de violência, exploração e imposição cultural, que deve ser lembrado de forma crítica e honesta. O projeto convida brasileiros e holandeses contemporâneos a refletirem juntos, aprendendo que as narrativas e representações do passado ainda influenciam o presente e que histórias de colonização, genocídio e exploração precisam ser desconstruídas para que não se repitam”, explica Carol Monteiro.</p>



<p>“Mudei-me para o Brasil em 2014 e, apesar de ter crescido na Holanda, tinha apenas uma vaga noção do papel do país na história colonial do Brasil. Quando visitei Olinda, em 2018, um guia local, que não sabia que minha nacionalidade era holandesa, disse-me que o Brasil estaria em uma situação melhor hoje, se os holandeses nunca tivessem ido embora. Imediatamente pensei nas transgressões holandesas no Suriname e, pior, no Leste Asiático, e não poderia discordar mais”, conta Babak. “Quando surgiu a possibilidade de contar a história do passado colonial holandês no Brasil de uma forma envolvente, por meio de podcasts curtos e baseados em locais, sabia que tínhamos que aproveitar a oportunidade e trazer à tona esses pecados coloniais abaixo do equador”, completa.</p>



<p>Para Fernando Rodrigues, o projeto foi um diferencial para a sua vida acadêmica. Ele concluiu o mestrado profissional em História na Unicap com a proposta de uma cartilha de turismo pedagógico, em papel, para ajudar professores a criar aulas de campo sobre o tema. “Quando recebi o convite para integrar a equipe de produção, fiquei muito feliz diante de uma perspectiva de maior alcance, em comparação ao que pude formular para minha dissertação. Creio que essa produção terá um impacto profissional muito grande em minha carreira, materializando a teoria acadêmica para um produto prático, virtual e acessível para qualquer interessado no passado holandês”, completou.</p>



<p>O lançamento de Pecados Abaixo do Equador é mais do que uma data histórica: é um convite para descobrir, questionar e reconstruir as memórias do passado. Acesse o site, explore as histórias e acompanhe os novos conteúdos lançados toda sexta-feira. Mais do que ouvir o passado, este é um chamado para refletir sobre o presente e construir um futuro mais consciente e justo.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/holanda-1.jpg" alt="A foto mostra uma projeção noturna em prédios históricos na paraça do Marco Zero, bairro do Recife Antigo. No lado esquerdo, vê-se a figura de Maurício de Nassau iluminada projetada sobre um edifício. À direita, outra projeção semelhante, com destaque para o rosto de um homem vestido em trajes de época. A cena ocorre à noite, com um público observando as projeções. O ambiente é urbano, com edifícios ao fundo, e o contraste entre as fachadas iluminadas e o céu escuro destaca a atmosfera do evento. Pode ser uma iniciativa cultural ou histórica, utilizando tecnologia de projeção mapeada para contar uma história ou prestar homenagem a figuras ou eventos do passado." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Hoje fazem 345 anos da morte de Maurício de Nassau
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/pecados-abaixo-do-equador-uma-nova-narrativa-sobre-os-24-anos-de-ocupacao-holandesa-no-brasil/">Pecados Abaixo do Equador: uma nova narrativa sobre os 24 anos de ocupação holandesa no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<item>
		<title>Reportagem revela desmonte na educação e impacto sobre as Ciências Humanas</title>
		<link>https://marcozero.org/reportagem-revela-desmonte-na-educacao-e-impacto-sobre-as-ciencias-humanas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Dec 2022 00:24:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O futuro do Brasil depende de um monte de coisa, mas certamente passa por uma reconstrução da Educação, que enfrenta um verdadeiro desmonte desde 2016, intensificado nos quatro anos de Bolsonaro. Todas as áreas do conhecimento sofrem, mas as Ciências Humanas, que já são alvos de piadas, sentem ainda mais as consequências. No especial #SOUdeHUMANAS, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/reportagem-revela-desmonte-na-educacao-e-impacto-sobre-as-ciencias-humanas/">Reportagem revela desmonte na educação e impacto sobre as Ciências Humanas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O futuro do Brasil depende de um monte de coisa, mas certamente passa por uma reconstrução da Educação, que enfrenta um verdadeiro desmonte desde 2016, intensificado nos quatro anos de Bolsonaro. Todas as áreas do conhecimento sofrem, mas as Ciências Humanas, que já são alvos de piadas, sentem ainda mais as consequências.</p>



<p>No especial #SOUdeHUMANAS, a gente usa o humor (afinal, precisamos rir, nem que seja de nervoso!) para revelar o tamanho da tragédia e, ao mesmo tempo, qual é o papel da Ciência no Brasil do amanhã.</p>



<p>Acesse : <a href="https://marcozero.org/soudehumanas">marcozero.org/soudehumanas</a></p>



<p></p>
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		<title>Histórias de quem viveu o inferno da violência</title>
		<link>https://marcozero.org/um-virus-e-duas-guerras-as-historias-de-quem-viveu-o-inferno-da-violencia/</link>
					<comments>https://marcozero.org/um-virus-e-duas-guerras-as-historias-de-quem-viveu-o-inferno-da-violencia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2020 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[feminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
		<category><![CDATA[violência doméstica]]></category>
		<category><![CDATA[vítima]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marco Zero integrou monitoramento da violência contra a mulher durante a pandemia em todo o Brasil Ainda serão necessários pelo menos alguns anos para entender o mundo em 2020 e os “efeitos colaterais” da pandemia da Covid-19, entre eles os fenômenos sociais neste período de isolamento. O comportamento do fenômeno histórico da violência de gênero [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="has-text-align-center wp-block-heading"><em><span style="color:#c60000" class="has-inline-color">Marco Zero integrou monitoramento da violência contra a mulher durante a pandemia em todo o Brasil</span></em></h4>



<p>Ainda serão necessários pelo menos alguns anos para entender o mundo em 2020 e os “efeitos colaterais” da pandemia da Covid-19, entre eles os fenômenos sociais neste período de isolamento. O comportamento do fenômeno histórico da violência de gênero é um deles mas, enquanto não é possível olhar para o problema com o distanciamento temporal que um bom estudo sociológico ou antropológico necessita, é possível pelo menos contar vítimas e &#8211; mais importante ainda &#8211; contar histórias.</p>



<p>A Marco Zero Conteúdo se juntou a outras seis iniciativas de jornalismo independente do Brasil para participar do projeto <strong>Um vírus e duas guerras</strong>, monitoramento dos números da violência contra a mulher em todo o Brasil. Trabalhamos com Amazônia Real, Agência Eco Nordeste, #Colabora, Portal Catarinas, AzMina e Ponte Jornalismo. Os dados revelam que <a href="https://marcozero.org/um-virus-e-duas-guerras-uma-mulher-e-morta-a-cada-nove-horas-durante-a-pandemia-no-brasil/">uma mulher foi morta a cada nove horas na pandemia</a>. Um total de 497 perderam a vida nas mãos de agressores com quem foram obrigadas a conviver dentro de casa.</p>



<p>Neste levantamento, ficamos responsáveis por coletar os dados de feminicídios em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. As colegas da agência Eco Nordeste completaram o monitoramento nos demais estados do Nordeste, e jornalistas dos demais veículos integrantes do projeto se encarregaram do restante do país.</p>



<div class="infogram-embed" data-id="cdae3052-780e-4d30-affd-4e57a9da82c8" data-type="interactive" data-title="Dados feminicidios"></div><script>!function(e,i,n,s){var t="InfogramEmbeds",d=e.getElementsByTagName("script")[0];if(window[t]&&window[t].initialized)window[t].process&&window[t].process();else if(!e.getElementById(n)){var o=e.createElement("script");o.async=1,o.id=n,o.src="https://e.infogram.com/js/dist/embed-loader-min.js",d.parentNode.insertBefore(o,d)}}(document,0,"infogram-async");</script><div style="padding:8px 0;font-family:Arial!important;font-size:13px!important;line-height:15px!important;text-align:center;border-top:1px solid #dadada;margin:0 30px"><a href="https://infogram.com/cdae3052-780e-4d30-affd-4e57a9da82c8" style="color:#989898!important;text-decoration:none!important;" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Dados feminicidios</a><br><a href="https://infogram.com" style="color:#989898!important;text-decoration:none!important;" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Infogram</a></div>



<p>Neste processo, ouvimos cerca de 20 fontes que atuam com mulheres que sofrem violência na região. Contamos histórias como a de <a href="https://marcozero.org/atendimento-por-mensagem-de-celular-mudou-perfil-de-vitimas/">Rosa, que depois de anos de violência e sofrimento, encontrou no isolamento social a gota d’ água para romper o ciclo de violência e sair de casa</a> com a ajuda das profissionais do Instituto Maria da Penha, no Recife. Em plena pandemia, a repórter Joana Suarez também <a href="https://marcozero.org/atendimentos-presencial-e-remoto-falham-em-acolher/">acompanhou uma vítima de violência por cinco horas em uma delegacia especializada e registrou as dificuldades de encontrar acolhimento neste momento de extrema fragilidade</a>. Mas também encontrou em <a href="https://marcozero.org/elas-se-salvam-em-cenarios-de-vulnerabilidade/">projetos sociais e coletivos feministas a rede de apoio que ampliou os esforços e salvou vidas</a> com ações que foram desde garantir a segurança alimentar das mulheres que deixaram suas casas até grupos de Whatsapp e aplicativos através dos quais as vítimas puderam se conectar e pedir ajuda.</p>



<p>Na busca pelos dados, encontramos dificuldade em estados como Paraíba e Alagoas para conseguir junto às secretarias de segurança pública números primários sobre a violência contra a mulher, como feminicídios e homicídios gerais de mulheres. Em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, identificamos que as únicas informações disponíveis sobre o perfil das  vítimas são raça e idade, enquanto projetos da sociedade civil, como o Justiceiras, faz um levantamento detalhado do seu público de mulheres atendidas, algo que os órgãos estaduais não deram conta.</p>



<p>Em Pernambuco, as ocorrências de violência doméstica reduziram 11% nos meses de maio a agosto, comparado com esse período de 2019. Parece uma boa notícia, mas mais de 12 mil boletins foram registrados nas delegacias do Estado em meio a uma quarentena rigorosa, com maior número de casos em agosto último. E, nesse cenário, os feminicídios caíram de 19 para 14, nesses meses.</p>



<p>No artigo <a href="https://psicanalisedemocracia.com.br/2020/04/pandemia-violencia-contra-as-mulheres-e-a-ameaca-que-vem-dos-numeros-por-wania-pasinato-e-elisa-sardao-colares/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pandemia, violência contra as mulheres e a ameaça que vem dos números</a>, a socióloga Wânia Pasinato pondera que &#8220;a violência de gênero se adapta muito rapidamente às mais diversas configurações sociais a que vão sendo moldadas. E isso nos preocupa tanto quanto o uso precipitado dos números e a falta de cuidado com seu manuseio&#8221;.</p>



<p>Para a estudiosa do tema há décadas, expor números pode ajudar a manter a violência em pauta e transmitir para as mulheres a mensagem de que não estão sozinhas. &#8220;Mas o mais importante é usar esses dados para avaliar se os caminhos que estão sendo construídos são os mais adequados&#8221;.</p>



<p>É isso que esperamos com este trabalho colaborativo, que pode ser conferido abaixo.<br><br><strong>* Colaborou Joana Suarez</strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><span style="color:#c60000" class="has-inline-color">Leia também:</span></h3>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="aug3yxc83K"><a href="https://marcozero.org/um-virus-e-duas-guerras-uma-mulher-e-morta-a-cada-nove-horas-durante-a-pandemia-no-brasil/">Um vírus e duas guerras: uma mulher é morta a cada nove horas durante a pandemia no Brasil</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Um vírus e duas guerras: uma mulher é morta a cada nove horas durante a pandemia no Brasil&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/um-virus-e-duas-guerras-uma-mulher-e-morta-a-cada-nove-horas-durante-a-pandemia-no-brasil/embed/#?secret=DCMB7KCUut#?secret=aug3yxc83K" data-secret="aug3yxc83K" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="Od4ZefEuEL"><a href="https://marcozero.org/atendimento-por-mensagem-de-celular-mudou-perfil-de-vitimas/">Atendimento por Whatsapp mudou perfil de vítimas</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Atendimento por Whatsapp mudou perfil de vítimas&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/atendimento-por-mensagem-de-celular-mudou-perfil-de-vitimas/embed/#?secret=D2XY3rxA99#?secret=Od4ZefEuEL" data-secret="Od4ZefEuEL" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="jpyI6vMNyY"><a href="https://marcozero.org/elas-se-salvam-em-cenarios-de-vulnerabilidade/">Elas se salvam em cenários de vulnerabilidade</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Elas se salvam em cenários de vulnerabilidade&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/elas-se-salvam-em-cenarios-de-vulnerabilidade/embed/#?secret=yENqWcz6BW#?secret=jpyI6vMNyY" data-secret="jpyI6vMNyY" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="JusiRgoArK"><a href="https://marcozero.org/atendimentos-presencial-e-remoto-falham-em-acolher/">Acolhimentos presencial e remoto falham</a></blockquote><iframe loading="lazy" class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Acolhimentos presencial e remoto falham&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/atendimentos-presencial-e-remoto-falham-em-acolher/embed/#?secret=mW8EJrLf9t#?secret=JusiRgoArK" data-secret="JusiRgoArK" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><span style="color:#c60000" class="has-inline-color">Veja as reportagens das parceiras do projeto</span></h3>



<p></p>



<h4 class="wp-block-heading"><span style="color:#c60000" class="has-inline-color">Região Nordeste</span></h4>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/por-uma-sociedade-mais-tie-dye/">Por uma sociedade mais tie dye</a></p>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/violencia-que-pode-levar-ao-suicidio/">Violência que pode levar ao suicídio</a></p>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/defensoras-tambem-sao-alvo-no-maranhao-e-no-piaui/">Defensoras também são alvo no Maranhão e no Piauí</a></p>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/dificuldade-de-se-desligar-do-agressor-no-ceara/">Dificuldade de se desligar do agressor no Ceará</a></p>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/lutas-contra-o-sistema-e-o-poder-patriarcal-em-sergipe/">Lutas contra o sistema e o poder patriarcal em Sergipe</a></p>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/na-bahia-feminicidios-tiveram-alta-de-150-em-maio/">Na Bahia, feminicídios tiveram alta de 150% em maio</a></p>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/agredidas-no-exterior-enfrentam-mais-desafios/">Agredidas no exterior enfrentam mais desafios</a></p>



<p><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/a-liberdade-que-chegou-com-a-pandemia-no-piaui/">A liberdade que chegou com a pandemia no Piauí</a></p>



<h4 class="wp-block-heading"><span style="color:#c60000" class="has-inline-color">Região Norte</span></h4>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/?p=62124&amp;preview_id=62124&amp;preview_nonce=b4faadb5f1&amp;preview=true&amp;_thumbnail_id=62104">“É a gente que dá um basta na violência”, diz vítima do Amazonas</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/?p=62151&amp;preview_id=62151&amp;preview_nonce=2a5bb7f569&amp;preview=true&amp;_thumbnail_id=62165">Acre é o que segundo estado com mais feminicídios</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/?p=62156&amp;preview_id=62156&amp;preview_nonce=d8c8e741e0&amp;preview=true&amp;_thumbnail_id=62110">No Amapá, os dados de feminicídios só saem por meio da Lei de Acesso à Informação</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/?p=62023&amp;preview_id=62023&amp;preview_nonce=8b00517f6a&amp;preview=true&amp;_thumbnail_id=62164">Feminicídios podem estar com subnotificação em Rondônia</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/?p=62021&amp;preview_id=62021&amp;preview_nonce=2425279a6b&amp;preview=true&amp;_thumbnail_id=62168">Em Roraima, governantes ignoram o tema da violência doméstica</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/?p=62126&amp;preview_id=62126&amp;preview_nonce=aa4cf30721&amp;preview=true&amp;_thumbnail_id=62114">Pará é líder em feminicídios durante o isolamento da pandemia</a></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/?p=62137&amp;preview_id=62137&amp;preview_nonce=76c320a4f6&amp;preview=true&amp;_thumbnail_id=62166">Com a flexibilização, mulheres voltam a denunciar agressores no Tocantins</a></p>



<h4 class="wp-block-heading"><span style="color:#c60000" class="has-inline-color">Região Sudeste</span></h4>



<p><a href="https://projetocolabora.com.br/ods5/invisibilizada-pela-falta-de-dados-violencia-domestica-no-campo-ainda-e-tabu/">Invisibilizada pela falta de dados, violência doméstica no campo ainda é tabu</a></p>



<p><a href="https://projetocolabora.com.br/ods5/nas-favelas-do-rio-de-janeiro-violencia-domestica-e-silenciada/">Nas favelas do Rio de Janeiro, violência doméstica é silenciada</a></p>



<p><a href="https://ponte.org/?p=94157">Misoginia, transfobia e falta de dados: a equação do transfeminicídio</a></p>



<p><a href="https://ponte.org/?p=94173">Em Minas Gerais, 61% das mulheres vítimas de violência doméstica são negras</a></p>



<h4 class="wp-block-heading"><span style="color:#c60000" class="has-inline-color">Região Sul</span></h4>



<p><a href="https://catarinas.info/um-virus-e-duas-guerras-pr-tem-um-feminicidio-a-cada-cinco-dias-na-pandemia">Um vírus e duas guerras: PR tem um feminicídio a cada cinco dias na pandemia</a></p>



<p><a href="https://catarinas.info/um-virus-e-duas-guerras-sc-registra-um-feminicidio-por-semana-na-pandemia">Um vírus e duas guerras: SC registra um feminicídio por semana na pandemia</a><br></p>



<p><a href="https://catarinas.info/um-virus-e-duas-guerras-rs-e-o-estado-com-mais-casos-de-feminicidios-no-sul/">Um vírus e duas guerras: RS é o estado com mais casos de feminicídios no Sul</a></p>



<h4 class="wp-block-heading"><span style="color:#c60000" class="has-inline-color">Região Centro Oeste</span></h4>



<p><a href="http://azmina.com.br/reportagens/mato-grosso-e-o-estado-com-a-maior-taxa-de-feminicidio-na-pandemia">Mato Grosso é o estado com a maior taxa de feminicídio na pandemia</a></p>
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		<title>Agreste pode virar epicentro da Covid-19 em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2020 19:58:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[contágio Covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[interior]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Casos da Covid-19 estão em ritmo acelerado no interior do estado, particularmente em direção ao Agreste, região que apresenta hoje a maior expansão no número de casos e pode vir a ser o novo epicentro da pandemia em Pernambuco. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Centro Integrado de Estudos Georreferenciados (Cieg) da Fundação [&#8230;]</p>
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<p>Casos da Covid-19 estão em ritmo acelerado no interior do estado, particularmente em direção ao Agreste, região que apresenta hoje a maior expansão no número de casos e pode vir a ser o novo epicentro da pandemia em Pernambuco. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Centro Integrado de Estudos Georreferenciados (Cieg) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a partir de um levantamento realizado com os números de casos confirmados entre 27 de abril e 11 de maio.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Gráfico mostra as cidades com as 20 maiores variações percentuais de casos confirmados Covid-19 entre 27 de abril e 11 de maio em Pernambuco. Fonte: Fundaj</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“O somatório de casos nas cidades do Agreste, no limite até Arcoverde, faz com que o epicentro seja atraído para esta região. Recife, apesar de ainda ter a maior quantidade de casos em números absolutos, perde força no ritmo de expansão e passa a chamar a atenção o crescimento do contágio nas pequenas e médias cidades do entorno de Caruaru, por exemplo”, explica o coordenador do Cieg, Neison Freire, destacando os municípios de Pesqueira e Bezerros, que apresentaram variações de 500% e 400%, respectivamente.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Gráfico mostra variação percentual de número de casos em Pernambuco. Fonte: Fundaj</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>Os dados também alertam para casos isolados, como a cidade de Itapissuma, no litoral Norte da Região Metropolitana do Recife, que passou de três para 22 casos em 15 dias, uma variação de 633%, a maior registrada no estudo. Em seguida, vieram Ibimirim, no sertão, e Passira, na Zona da Mata Norte, com variação de 600% cada. “Esses casos precisam ser avaliados em função das ações públicas ou coletivas que estejam sendo realizadas e possíveis características territoriais, como o isolamento geográfico, menor circulação de pessoas e mercadorias e menor densidade populacional, por exemplo”, completa.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube aligncenter wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe loading="lazy" title="Interiorização de casos de Covid-19 em PE" width="500" height="375" src="https://www.youtube.com/embed/DtIzOhtmbHU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div><figcaption>Evolução dos casos no estado de 06 de abril a 06 de maio em vídeo cedido pela Fundaj</figcaption></figure>



<p>Para Neison Freire, é preciso avaliar estes crescimentos e planejar ações a partir das características de cada território de um estado bastante extenso e que tem características da rede urbana completamente diferentes, com ampla desigualdade social. Hoje, há registro de casos em 142 dos 185 municípios do Estado e a estimativa é de que até o final de maio todas as cidades de Pernambuco tenham pelo menos um caso registrado. “Isso traz riscos à população. Os graus de risco podem ser aumentados em função das precariedades de acesso à saúde, especialmente à saúde pública nas regiões mais isoladas, o que causa grandes preocupações em função dos tratamentos intensivos que são necessários para o tratamento da Covid-19”, aponta.</p>
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		<title>Marco Zero abre inscrições para oficina de Jornalismo e Periferias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Nov 2017 18:30:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Institucional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Jornalismo e periferias”é um projeto realizado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e pelo Google News Lab, cujo objetivo é compartilhar técnicas e ferramentas de jornalismo que possam fortalecer o trabalho de reportagem nas periferias e áreas de maior vulnerabilidade, baixa renda ou desassistidas pelo Estado. Podem participar estudantes e profissionais de Jornalismo que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[“Jornalismo e periferias”é um projeto realizado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e pelo Google News Lab, cujo objetivo é compartilhar técnicas e ferramentas de jornalismo que possam fortalecer o trabalho de reportagem nas periferias e áreas de maior vulnerabilidade, baixa renda ou desassistidas pelo Estado. Podem participar estudantes e profissionais de Jornalismo que tenham atuação nessas áreas.

A oficina é gratuita e será realizada das 9h às 18h, com intervalo para almoço fornecido pelo evento. A seleção será feita pela Marco Zero Conteúdo, em parceria com a Abraji, e vai priorizar pessoas com atuação em ações e coletivos já consolidados ou envolvidas em projetos em andamento, cujos resultados possam ser beneficiados pelos conhecimentos adquiridos durante a oficina.

A lista dos 20 selecionados será divulgada no dia 8 de dezembro, no site e nas redes sociais da Marco Zero, e a inscrição é feita mediante preenchimento do formulário abaixo.

<strong>Oficina Jornalismo e periferias</strong>
<strong>Quando:</strong> Sábado, 16 de dezembro de 2017, das 9h às 18h
<strong>Local:</strong> Universidade Católica de Pernambuco, Rua do Príncipe, 526, Boa Vista, Recife. Cep 50050-900, na sala 509 do Bloco A

<strong>Programação:</strong>
09h &#8211; Café da manhã
09h30 &#8211; Abertura e apresentações das equipes da Marco Zero e da Abraji
09h45 &#8211; Fundamentos da Reportagem com Angelina Nunes
11h30 &#8211; Jornalismo de Dados com Tiago Mali
13h15 &#8211; Almoço
14h15 -Lei de Acesso à Informação com Marina Atoji
16h &#8211; Intervalo/café
16h15 &#8211; Segurança do jornalista com Lana (Defezap) e Maria Carolina Trevisan
18h – Encerramento
<blockquote><strong>Professores:</strong>

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/Angelina_nunes.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-5910" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/Angelina_nunes-150x150.jpg" alt="Angelina_nunes" width="150" height="150"></a><strong>Angelina Nunes</strong> -carioca, apaixonada pelo samba, ela tem pressa. Nasceu dentro de um trem da Central do Brasil, quando os pais tentavam chegar ao hospital na Tijuca. Está entre as jornalistas mais premiadas do Brasil, tendo conquistado Esso, Embratel, Vladimir Herzog, SIP, YPISeRey de España. Formada pela UFRJ, fez pós-graduação em Políticas Públicas no Iuperjeé mestre em Comunicação pela Uerj. Começou a trabalhar em 1980. Foi repórtereeditora-assistente na Rádio MEC, TVE, TV Manchete, O DiaeO Globo. É professora na ESPM-RJeintegra o conselho da Abraji (Associação Brasileira deJornalismoInvestigativo), da qual foi presidente em 2008–2009. Adora viajareinventar novas trilhas com a filha Bárbaraeo parceiro Paulo. Gosta de dançarecantar, de caminhar na praia ou no mato, de astrologiaetarot. Viciada em sérieseem livros. Gosta de trabalhar em equipeede fotografar. Não gosta de cozinhar, mas adora comer. É uma das idealizadoras do projeto Mulheres 50+.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/Defezap.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-5911 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/Defezap-e1511020774946.jpg" alt="Defezap" width="150" height="117"></a><strong>Equipe DefeZap</strong>-DefeZapé um sistema de autodefesa contra esculachos doEstado e produção de informação jornalística com sigilogarantido. O serviço permite o envio de vídeos-denúnciasque mostrem violência ilegal cometida por agentes do Estado,como policiais militares, guardas municipais, policiais civis,membros das forças armadas, entre outros. Esse material érecebido pela equipe DefeZap e sua rede deapuraçãocolaborativa. A DefeZap será representada pela Lana.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/carolporleandro2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-5912" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/carolporleandro2-150x150.jpg" alt="carolporleandro2" width="150" height="150"></a><strong>Maria Carolina Trevisan</strong>-é jornalista há 20 anos, especializada na cobertura de direitos humanos, políticas públicas sociais e democracia. Écolunista do UOL, onde escreve sobre direitos humanos e política, foi repórter especial da Revista Brasileiros, colaborou para IstoÉ, Época, Folha de S. Paulo, Estadão, Trip e Marie Claire, entre outros. Fundou a Ponte Jornalismo e o Jornalistas Livres junto com outros jornalistas. Trabalhou em regiões de extrema pobreza por quase 10 anos e estuda desigualdades raciais há oito. Coordena a área de comunicação do projeto Memória Massacre Carandiru e é pesquisadora da Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós Graduação. É coordenadora de projetos da Andi &#8211; Comunicação e Direitos, onde coordena a disciplina Jornalismo e Políticas Públicas Sociais do Programa InFormação. Em 2015, recebeu o diploma de Jornalista Amiga da Criança por sua trajetória com os direitos da infância.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/marina_atoji.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-5913" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/marina_atoji-150x150.jpg" alt="marina_atoji" width="150" height="150"></a><strong>Marina Atoji</strong>-é formada em jornalismo pela ECA-USP. Entrou na Abraji como secretária-executiva do Fórum de Acesso em 2011, poucos meses antes de a LAI ser aprovada. Desde 2013 acumula a gerência-executiva da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e é responsável por treinamentos no tema de acesso a informações. De 2008 a 2011, trabalhou na ONG Transparência Brasil comopesquisadora e editora.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/tiago_mali.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-5914" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/tiago_mali-150x150.jpg" alt="tiago_mali" width="150" height="150"></a><strong>Tiago Mali</strong>&#8211; écoordenador de cursos e projetos na Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).Formado pela PUC-SP com pós-graduação na Universidade de Georgetown, foi editor na editoria de Ideias na Revista Época, redator-chefe na Revista Galileu, editor dossites da ONU e do PNUD no Brasil, repórter e editor no site Terra. Contribuiu como freelancer para Folha de S.Paulo, Revista Carta Capital, Revista EntreLivros e Revista Auto-Esporte, entre outros veículos. Coordenou a tradução e editou a versão brasileira do Manual de Jornalismo de Dados. Foi premiado com menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog 2014 pela matéria “Envenenados” e, com o Projeto Ctrl+X da Abraji, foi um dos vencedores o Data Journalism Awards 2017.

<strong>Participação:</strong>

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/FABIFOTO1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-5918" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/FABIFOTO1.jpg" alt="FABIFOTO1" width="150" height="150"></a><strong>Fabiana Moraes</strong> &#8211; Professora do Núcleo de Design e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, jornalista com mestrado em Comunicação e doutorado em Sociologia. É autora dos livros Os Sertões (Cepe), Nabuco em Pretos de Brancos (Massangana), No País do Racismo Institucional (Ministério Publico de Pernambuco), O Nascimento de Joicy (Arquipélago Editorial); Jomard Muniz de Britto &#8211; professor em transe (Cepe). Possui três prêmios Esso (pelas reportagens A Vida Mambembe, Os Sertões e O Nascimento de Joicy); um Embratel (Quase Brancos, Quase Negros), três Cristina Tavares (Os Sertões, Quase Brancos, Quase Negros e História de Mim) e o Grande Prêmio Petrobras de Jornalismo (pela série Casa Grande e Senzala, 2015). Três vezes finalista do Prêmio Jabuti, é autora do documentário Dia de Pagamento, premiado no Festival Nacional de Pirenópolis

<strong>Coordenação:</strong>Maria Carolina Trevisan (Abraji)</blockquote>
<h3>Para participar do processo de seleção, preencha o formulário abaixo:</h3>
<iframe loading="lazy" src="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe-km-COA_N46731_vXUnn7MvTYbcJuVDPDTZ8VLuc-BuS6sA/viewform?embedded=true" width="700" height="800" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0">Loading&#8230;</iframe>

<strong>Sobre a Abraji:</strong> “Durante o Seminário, vários de nós voltamos a nos perguntar por que não temos ainda no Brasil uma instituição formada e mantida por jornalistas, independente, voltada para a troca de informações entre nós, para a formação profissional, para o aprofundamento dos conhecimentos e uso de ferramentas na área do jornalismo investigativo, para a formação de uma literatura e bancos de dados, para a promoção de seminários, congressos e oficinas de aperfeiçoamento profissional.Uma entidade que fosse voltada principalmente para o trabalho de crescimento profissional dos jornalistas, o que significa um respeito à sociedade que nos cobra um jornalismo de qualidade.” Com estas palavras, Marcelo Beraba convidava por e-mail outros 44 repórteres e editores de diferentes veículos e estados brasileiros a unir-se em uma nova associação. Era 4 de setembro de 2002. O seminário a que Beraba fez referência, intitulado “Jornalismo Investigativo: Ética, Técnica e Perigos”, fora realizado no Rio de Janeiro em 31 de agosto daquele ano como resposta ao assassinato do jornalista Tim Lopes, sequestrado e torturado no Complexo do Alemão três meses antes.Em dezembro de 2002, cerca de 140 jornalistas reunidos no auditório Freitas Nobre, da Escola de Comunicações e Artes da USP, ergueram o braço e decidiram associar-se no que hoje se tornou a Abraji.Os objetivos inscritos no estatuto da associação permanecem os mesmos quinze anos mais tarde: o aprimoramento profissional dos jornalistas e a difusão dos conceitos e técnicas da reportagem investigativa.Uma das formas mais eficientes de perseguir essas metas é a organização de congressos, seminários e cursos. Em 2017 foi realizado pela 12ª vez o Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, evento consolidado no calendário de jornalistas e estudantes de jornalismo de todo o país. Desde 2015, a Abraji estruturou uma central de cursos on-line que tem oferecido treinamentos em jornalismo de dados, uso de SQL, cobertura de educação, uso da Lei de Acesso a Informações, investigação de contratos públicos, leitura de balanços de empresas e outros.Outra das missões da Abraji é a defesa do direito de acesso a informações públicas: desde 2003, a associação coordena o Fórum de Acesso, rede de 25 organizações cuja pressão foi fundamental para a redação e aprovação da Lei de Acesso a Informações em fins de 2011. Hoje, a Abraji trabalha em diferentes projetos para garantir que organismos em diferentes níveis e esferas de poder cumpram a legislação.Finalmente, a defesa da liberdade de expressão, que está no DNA da Abraji, compõe o terceiro pilar de atuação nos últimos quinze anos, com oferecimento de cursos de segurança para jornalistas, elaboração de um guia para cobertura de protestos e o acompanhamento de casos de censura judicial e de violência contra jornalistas.

<strong>Sobre o GoogleNewsLab:</strong> No News Lab acreditamos intensamente na importância do jornalismo de qualidade — reportagens originais e baseadas em fatos que divulgam o conhecimento e têm o poder de melhorar a vida das pessoas — e nos jornalistas que o produzem. Acreditamos na capacidade do Google de ser uma força positiva ao auxiliar jornalistas no fortalecimento das narrativas digitais e na produção de mais matérias de fôlego. Além disso, também nos vemos como a voz do jornalismo dentro do Google — para garantir que os interesses, necessidades e preocupações dos jornalistas sejam reconhecidos e refletidos nos produtos e serviços que oferecemos.

<strong>Sobre a Marco Zero Conteúdo:</strong> É um coletivo de jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público. Produzidas e editadas por jornalistas que procuram ver o mundo com um olhar diferenciado, nossas reportagens podem ser livremente reproduzidas por qualquer veículo sob a licença creative commons. Para manter a independência, não recebemos patrocínios de governos, empresas públicas ou privadas.Também abrimos espaço para a narrativa, publicando e incentivando “histórias bem contadas”. Além disso publicamos material produzido por nossos parceiros editoriais espalhados por toda América Latina.A Marco Zero também se propõe a ser um fomentador do debate sobre o futuro e as melhores práticas do jornalismo, aliando produção teórica, aperfeiçoamento profissional e aplicação prática das ideias e conceitos desenvolvidos.<p>O post <a href="https://marcozero.org/marco-zero-abre-inscricao-para-oficina-de-jornalismo-e-periferias/">Marco Zero abre inscrições para oficina de Jornalismo e Periferias</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Debate necessário e urgente pelo acesso das mulheres às cidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2017 12:26:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A cada dia, 13 mulheres são assassinadas em média no Brasil. Nas 24 horas em que mais de uma dezenas delas perdem a vida, outras centenas ou milhares são constrangidas, humilhadas, importunadas ou agredidas por companheiros, pessoas próximas ou estranhos que se sentem no direito de abordá-las nas ruas, no transporte público, em locais públicos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[A cada dia, 13 mulheres são assassinadas em média no Brasil. Nas 24 horas em que mais de uma dezenas delas perdem a vida, outras centenas ou milhares são constrangidas, humilhadas, importunadas ou agredidas por companheiros, pessoas próximas ou estranhos que se sentem no direito de abordá-las nas ruas, no transporte público, em locais públicos ou privados. A sensação de insegurança, infelizmente, é geral entre mulheres de todas as idades que precisam se locomover entre as grandes cidades brasileiras. Atenta a estas questões, a <a href="http://www.generonumero.media/">Gênero e Número</a> é uma start up de mídia carioca que vem ao Recife nesta quarta-feira, dia 12, debater o tema da mobilidade com recorte de gênero e acesso da mulher à cidade e lançar o aplicativo <a href="https://youtu.be/YBQTOGRJ52o">Braços Dados</a>, um serviço de envio de mensagem de urgência a uma rede de cinco pessoas previamente cadastradas. Ao acionar um botão, uma mensagem SMS é enviada aos contatos pré-selecionados, sinalizando a localização e deixando em alerta uma rede de confiança.

O evento é aberto ao público, mas requer inscrição através do email <a href="mailto:%20contato@generonumero.media">contato@generonumero.media</a> e será a partir das 19h, no Impact Hub Recife, na Rua do Bom Jesus, 180. Na ocasião, serão realizadas duas mesas, “Onde estão os dados que precisamos para debater e melhorar a mobilidade nas cidades” e &#8220;Acesso da Mulher à Cidade&#8221;, com a participação de representantes do poder público, da iniciativa privada e da academia. <a href="https://www.facebook.com/events/288340614930994/">Saiba mais sobre a programação no Facebook da Gênero e Número, onde também haverá transmissão em tempo real</a>.

<div id="attachment_4626" style="width: 264px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/04/giu.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4626" class="size-medium wp-image-4626" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/04/giu-254x300.jpg" alt="Giulliana Bianconi/Divulgação" width="254" height="300"></a><p id="caption-attachment-4626" class="wp-caption-text">Giulliana Bianconi/Divulgação</p></div>

A Marco Zero apoia o trabalho e o evento da Gênero e Número e conversou com a diretora de Conteúdo e Planejamento da startup, Giulliana Bianconi sobre o trabalho que a empresa vem desenvolvendo e sobre a urgência das questões de gênero nas políticas públicas e nas formas de pensar e planejar o acesso à cidade.
<blockquote>&nbsp;<strong>Marco Zero: O Recife foi cenário na última semana de uma ampla discussão de gênero e violência associada ao assassinato da fisioterapeuta Tássia Mirella de Sena, degolada pelo vizinho Edvan Luiz, na principal hipótese levantada até agora pela polícia, por ter se negado a ter um envolvimento sexual com ele. O caso, infelizmente, é mais um entre as assombrosas estatísticas de feminicídio, não apenas na capital pernambucana mas nas grandes cidades de uma forma geral. Como iniciativas como o app De Braços Dados e um trabalho de levantamento e análise de dados como vem sendo realizado pela Gênero e Número podem contribuir para esta discussão, no sentido de garantir às mulheres mais segurança tanto nos ambientes públicos quanto privados?</strong>
<strong>Guilliana Bianconi:</strong> A Gênero e Número nasceu com a proposta exatamente de ampliar esse debate, sobre temas urgentes, como o feminicídio, e dados relacionados a eles. Infelizmente não há uma agenda relacionada a gênero na imprensa. Casos como o da fisioterapeuta Mirella despertam coberturas pontuais, causam uma grande repercussão, comovem muito também pela identificação que tantas mulheres têm com a vítima, que poderia ser &#8220;qualquer uma de nós&#8221;, como se diz. Mas raramente esses casos são tratados como consequência de um contexto de violências cotidianas contra as mulheres. Em 2015, no Recife, um outro crime também chocou, o Maria Alice Seabra, que ganhou manchetes e repercutiu. Mas nesses dois anos quantas mulheres não foram mortas por seus parceiros, por vizinhos, por desconhecidos ou parentes em crimes de ódio que tinham motivação de gênero e não se tornaram notícia? No Brasil, de acordo com o Mapa da Violência Contra a Mulher, publicado com dados coletados entre 2003 e 2013, 13 mulheres são assassinadas por dia no Brasil. Como a tipificação de feminicídio passou a existir apenas em 2015, não há ainda estatísticas que detalhem esse tipo de crime. Então a gente entende, na Gênero e Número, que é preciso contextualizar, sempre. E é assim que pretendemos ampliar o debate, essa é nossa principal contribuição, para qualquer tema que a gente trabalhe, seja quando tratamos de representatividade da mulher na política, seja quando falamos em mortes de mulheres. Mas temos um desafio constante no nosso trabalho: levantar dados. A Gênero e Número não é uma organização de pesquisa, mas sim de mídia. A gente busca dados que já existem, mesmo aqueles que não estão públicos, e em alguns casos, quando entendemos ser possível, vamos atrás desses dados, com parcerias, também atuando nessa ponta de coleta. O app Braços Dados é um serviço gratuito que desenvolvemos depois de acessarmos muitos dados e entendermos que a percepção de insegurança é real e transversal a classes, a faixas etárias etc. Como ao usar o app, a usuária envia uma mensagem para uma rede de segurança com uma mensagem que indica que ela está se sentindo em risco e também com sua localização, a médio/longo prazo a gente vai poder, talvez, entender onde estão as áreas com grande percepção de insegurança pelas mulheres.

<strong>MZ: Como você vê as políticas públicas para a mobilidade e ao acesso das mulheres nas cidades brasileiras? Recentemente, iniciativas como a do Vagão Rosa no metrô do Recife provocaram polêmica por segregar as mulheres em espaços confinados em vez de resolver o problema do assédio. A medida, no entanto, é aprovada pela maioria das usuárias. Que outras medidas podem ser usadas para garantir às mulheres os direitos de ir e vir sem serem importunadas?</strong>
<strong>GB:</strong> O vagão rosa é muito criticado por um amplo grupo de mulheres exatamente porque ele não propõem nenhuma mudança. É uma medida que se esgota nela mesma. Parte considerável das usuárias aprovam, e isso é um fato a ser levado em consideração para se descontinuar ou não a medida, mas onde estão as pesquisas periódicas sobre aumento ou diminuição do assédio nos metrôs desde a implementação do vagão rosa? Onde estão as campanhas educativas nos outros vagões, que não são rosas? As políticas públicas de mobilidade no Brasil ainda não levam em conta sistematicamente as demandas que estão postas pelas mulheres. O assunto assédio, especificamente, esse que faz as mulheres mudarem suas rotas, deixarem de ir e vir muitas vezes, pois temem o assédio e possíveis desdobramentos mais violentos, agora que começa a ser considerado. Na verdade, o que precisa é cruzar dados de pesquisas que tratam assédio e de violência contra a mulher no espaço público com dados que mostram padrões de comportamento da mobilidade das mulheres e entender: diante das demandas e das urgências que estão postas, o que é possível fazer já? E necessário a médio e longo prazo?

<strong>MZ: Como as redes sociais e os ambientes colaborativos das mídias digitais podem ser usadas para dar visibilidade a questões de gênero?</strong>
<strong>GB:</strong> De muitas formas, na verdade. Mas o que priorizamos, na Gênero e Número, é uma abordagem, nos ambientes digitais e sociais, que não fale apenas para um público sensibilizado. Entendemos que questões de gênero muitas vezes são associadas a um feminismo radical por aqueles que não se identificam com pautas de movimentos sociais, e naturalmente esse público repele tudo o que é associado a gênero. Mas nesse debate há espaço para todos e todas que valorizam a igualdade de direitos e que prezam pelos direitos das mulheres, incluindo as mulheres transexuais. E o grande desafio, nas redes, é saber falar com diferentes públicos que, mesmo com pontos de vista diferentes, convergem em algum momento. Os algoritmos nos permitem isso.

<strong>MZ: A Gênero e Número é uma iniciativa de jornalismo independente de dados. Tanto o formato do jornalismo independente quanto a linguagem dos dados no jornalismo aparecem como alternativas às fontes hegemônicas de poder midiático. Gostaria que você comentasse este novo cenário da Comunicação e as possibilidades para a sustentabilidade e longevidade desta e de outras iniciativas semelhantes.</strong>
<strong>GB:</strong> Não é à toa mesmo que temos o jornalismo de dados como base da nossa iniciativa. Entendemos que os dados e as evidências podem trazer uma precisão para as narrativas que têm um grande valor, principalmente em tempos onde com tantas fontes de notícias o/a leitora/a não&nbsp;sabe muitas vezes de onde veio a informação, quem &#8220;plantou&#8221; ela ali. Aparece na timeline de uma rede social, chama a atenção, muita gente compartilha. É mentira? É verdade? Você lê, tem uma declaração que parece verdadeira, mas ainda não convence. Isso não significa que com uma base de dados a gente vá resolver todo o nosso problema numa reportagem, nem garantir a verdade sem questionamentos. Bases também podem ser questionadas, pois aquele produção de dados está atrelada a uma metodologia, que muitas vezes têm recortes passíveis de crítica. Mas sem dúvida o jornalismo de dados é um caminho pra gente sair do jornalismo apenas declaratório, contestar &#8220;autoridades&#8221; que num primeiro momento têm toda a legitimidade para falar e dar entrevista sobre assuntos da sua área de atuação e também ampliar contextos. A mídia hegemônica tem, desde sempre, um lugar confortável no Brasil. E muitas vezes não preza pela qualidade da apuração, mas apenas reproduz posicionamentos já bem conhecidos de fontes que sequer trazem diversidade. Vale destacar que a mídia hegemônica também faz jornalismo de dados, e muito bem em alguns lugares. Mas é importante que outras veículos, independentes, tragam outros valores, sim. A gente preza muito pelo acesso e abertura de dados, pois entendemos que a transparência é um valor da democracia que também deveria ser indissociável do jornalismo. Nesse novo cenário da comunicação, vemos muita gente empreendendo, buscando caminhos pra criar essas narrativas que trazem outros valores que não somente &#8220;o furo&#8221;, a &#8220;informação exclusiva&#8221;. Sem dúvida que ainda é uma grande e importantíssima pergunta: como vão sobreviver, a longo prazo, essas iniciativas? Mas essa também uma pergunta para o jornalismo tradicional. Nos encontros de mídia e de startups de mídia, esse assunto se tornou central. Há iniciativas que encontraram modelos de negócio que parecem viáveis, mas estão sendo testados há pouco tempo, relativamente. Na Gênero e Número, temos um financiamento internacional da Fundação Ford, que possui um amplo histórico no investimento em iniciativas que reforçam valores democráticos. O investimento é dissociado de qualquer partidarismo político, somos independentes editorialmente, e neste ano vamos começar a experimentar um mix de receitas, para entender como podemos gerar receitas a partir das diversas expertises que reunimos e, futuramente, sermos, quem sabe, sustentáveis.</blockquote>
<iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/YBQTOGRJ52o" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe><p>O post <a href="https://marcozero.org/debate-necessario-e-urgente-pelo-acesso-das-mulheres-as-cidades/">Debate necessário e urgente pelo acesso das mulheres às cidades</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Entrevista // Emma Llansó: Os riscos da censura e da falta de privacidade na Internet</title>
		<link>https://marcozero.org/entrevista-os-riscos-da-censura-e-da-falta-de-privacidade-na-internet/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2016 12:51:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[emma llanso]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista marco zero]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de expressao]]></category>
		<category><![CDATA[marco civil]]></category>
		<category><![CDATA[neutralidade da rede]]></category>
		<category><![CDATA[privacidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Emma Llansó é diretora do Centro para Democracia e Tecnologia (CDT), uma organização sem fins lucrativos que atua nos Estados Unidos para preservar a privacidade dos usuários de internet propondo legislações, políticas corporativas e ferramentas que protejam a privacidade – principalmente contra a vigilância governamental –, e garantam a liberdade de expressão na rede mundial [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2246" style="width: 239px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/IMG_4735.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2246" class="size-medium wp-image-2246" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/IMG_4735-229x300.jpg" alt="Foto: Joanna Paula/Divulgação" width="229" height="300"></a><p id="caption-attachment-2246" class="wp-caption-text">Foto: Joanna Paula/Divulgação</p></div>

Emma Llansó é diretora do Centro para Democracia e Tecnologia (CDT), uma organização sem fins lucrativos que atua nos Estados Unidos para preservar a privacidade dos usuários de internet propondo legislações, políticas corporativas e ferramentas que protejam a privacidade – principalmente contra a vigilância governamental –, e garantam a liberdade de expressão na rede mundial de computadores. Para ela, a sociedade civil precisa adotar uma postura cautelosa em relação à exposição de dados pessoais na Internet e se manter atenta às tentativas de controle por parte de governos e empresas. Nessa entrevista concedida à Marco Zero, a advogada formada na Universidade de Yale elogiou o processo de elaboração do Marco Civil da Internet brasileira, criticou o vazamento de conversas privadas da presidenta Dilma Rousseff pelo juiz Sérgio Moro e defendeu a neutralidade da rede como forma de garantir o acesso democrático e irrestrito a todo o conteúdo disponível na Web.

<strong>Marco Zero: Quais suas expectativas para os próximos anos em relação às condições da internet em continuar a ser um espaço de livre expressão, considerando as ameaças à neutralidade de redes e o crescimento das bolhas algorítmicas?
Emma Llansó:</strong> Eu acho que há uma visão otimista e uma visão pessimista sobre o futuro. A visão pessimista é que continuará havendo uma centralização dos serviços de internet, com as pessoas usando apenas os grandes portais para acessar informação e notícias, concentradas em redes sociais como o Facebook e o Twitter e apenas reforçando a dominância de poucas grandes plataformas onde se acessa informação. Essa é uma preocupação genuína, algo para ficarmos atentos e muito cuidadosos. Mas, pessoalmente, vejo tantas oportunidades diferentes para tirar as pessoas dessas bolhas, desafiando a dominância destas grandes plataformas e nos trazendo de volta para a promessa real da internet, em que qualquer pessoa com uma conexão pode criar um site e suas próprias aplicações&#8230; Nos Estados Unidos há uma preocupação sobre como o Facebook está selecionando as notícias que exibe na timeline de seus usuários. Esses são indicativos de que as pessoas estão em um ponto onde podem entender que,da mesma forma que não devem se informar em apenas uma fonte jornalística, também devem ter a mesma leitura crítica do Facebook como única fonte de informação. Acho que estamos realmente entrando nesta próxima fase na qual as pessoas têm um entendimento melhor sobre o que realmente acontece quando uma plataforma de mídia social ou um engenho de busca mostram uma informação e isso acontece ao perceberem que, ao contrário do que as empresas dizem, não se pode encarar estes resultados como algo neutro. E, assim como somos críticos em relação à forma como os jornais decidem o que vão publicar ou não, estamos aplicando este mesmo senso crítico para as empresas de internet.

<strong>Marco Zero: Existe um limite para a liberdade de expressão na Internet?
Emma Llansó:</strong> Tecnicamente é muito difícil estabelecer um limite para a liberdade de expressão na internet. Mesmo que um país ou uma empresa queiram derrubar um tipo de discurso, se você tiver acesso à rede de qualquer forma você pode encontrar espaços alternativos para hospedar o conteúdo que quiser. As pessoas que não querem dispor de parte do seu tempo para investigar e refletir sobre suas fontes de informação e apenas se informam pelos grandes sites enfrentarão as restrições de conteúdo imposta por eles, mas o potencial está lá para o resto de nós. Surpreendentemente, estamos vendo um movimento crescente de tentativas de censura por parte de alguns países europeus, particularmente no que se refere a propagandas extremistas e discursos de ódio e não é surpresa que já existam leis em relação a este tipo de discurso em países como França, Alemanha e Inglaterra. No entanto, é um problema sério que governos de nações democráticas da Europa tentem regular o discurso na internet apenas assumindo que estes discursos são ilegais: ao invés de levarem estas suspeitas para a Justiça, para que se possa fazer um julgamento amplo onde o autor do discurso possa ter direito à defesa ou apelar da decisão, os governos procuram as empresas de internet que estão hospedando este conteúdo para que tirem do ar sob alegação de que aquele conteúdo fere seus termos de serviço.

<strong>Marco Zero: Em que sentido isso é problemático?
Emma Llansó:</strong> Porque é uma espécie de mistura de papéis, onde o governo age como a Justiça e dá margem para que os governos peçam a retirada do ar de conteúdos que não são necessariamente ilegais, mas que apenas violam os termos de serviço do Facebook ou do Twitter. De certa forma, esse procedimento empodera os governos a aplicarem a censura de um jeito que não vimos na Europa há muito tempo. Este interesse de governos inclusive democráticos em encontrar formas mais fáceis e rápidas de derrubar discursos que eles discordam, sem importar se são ilegais ou não nos limites da lei, me causam grande preocupação.

<strong>Marco Zero: Esta prática dos governos tem levado as empresas a revisarem seus termos de serviços para atender melhor ou, ao contrário, para dificultar a ação dos governos neste sentido?
Emma Llansó:</strong> Pelo que sei, as empresas querem saber se há em suas plataformas discursos que violam seus termos de serviços. Elas não querem saber se a denúncia de conteúdo impróprio veio de um governo ou de usuário comum. Se são avisadas por qualquer um, vão retirar o conteúdo do ar. Acho que as empresas estão sensíveis ao fato de que muitas destas denúncias vêm de governos e em alguns casos não querem inclusive que os funcionários que revisam estas denúncias saibam que elas vieram do governo para que não haja nenhum tipo de influência na decisão do funcionário. Mas temos visto tentativas por parte de governos, especialmente no Reino Unido, de convocarem as empresas para que revisem seus termos de serviços de forma a restringir ainda mais alguns tipos de conteúdo e para que mais conteúdos possam ser retirados do ar.

<strong>Marco Zero: Nesse cenário, as empresas tem alterado seus termos de serviço?
Emma Llansó: </strong>Até onde eu sei, nenhuma das grandes empresas até agora mudou seus termos de serviço por causa disso mas a pressão vem aumentando. E isso é muito perigoso. Se aceitarem estas pressões, as empresas deixam de ser atores privados independentes para se converterem em funcionários dos governos. Por outro lado, as empresas também não têm se esforçado em reagir contra esta pressão porque o governo tem obtido sucesso em classificar a propaganda terrorista como um problema das empresas de mídias sociais. Certamente isso é algo que as empresas precisam se responsabilizar, mas também esta transferência de responsabilidade diminui o empenho em reagir fortemente ao que os governos estão pedindo. Se a opinião pública em geral, for consultada, vai concordar por exemplo que o ISIS não deve ter uma conta no Twitter. Mas não fica claro o quanto esta questão é complicada e pode aumentar o risco de uma censura mais ampla a pessoas que apenas estão engajadas em uma discussão política. É um desafio constante lembrar aos governos, empresas e as pessoas em geral que ser extremista e se expressar como extremista é um direito protegido pelas leis de direitos humanos. É a conduta ou incitar um indivíduo a cometer um crime ou um ato de violência que devem ser prevenidos. Você pode ter uma visão extremista que considere a violência como uma forma de atingir objetivos políticos. Mas é cometer o ato de violência em si que é ilegal.

<strong>Marco Zero: Até aqui você falou em governos e empresas como atores deste debate. Como a sociedade civil pode e deve participar como um terceiro elemento realmente participativo nesta discussão?
Emma Llansó:</strong> Há algumas iniciativas diferentes que eu tenho conhecimento. Uma delas chama-se Global Network Iniciative (GNI) que reúne grandes empresas (Google, Microsoft, Yahoo, LinkedIn e Facebook) e também organizações da sociedade civil, acadêmicos e investidores. O objetivo é, por um lado, discutir como empresas de internet que atuam em vários países respondem a demandas dos governos para retirar conteúdos online e reter dados dos usuários. Por outro lado, o interesse desses atores é encontrar formas de proteger os direitos humanos dos usuários quando a empresa estiver sujeita à jurisdição de um governo e for compelida a colaborar com a Justiça. Esta organização surgiu em 2007 e havia então grandes empresas como o Google, Yahoo e Microsoft que tiveram interações ruins com o governo da China porque entregaram informações sobre usuários que terminaram condenados a prisões e campos de trabalho. Nos Estados Unidos as reações a estes eventos foram muito fortes. Como empresas fundadas em um país com valores como a proteção da liberdade de expressão podiam ser complacentes em casos como estes? Naquele período, a GNI foi uma boa oportunidade para discutir sobre como as empresas deviam responder aos casos de discursos de ódio e conteúdo terrorista. A pressão que elas sofrem ainda são enormes mas os riscos de violação dos direitos humanos também são muito grandes.

<strong>Marco Zero: Como o Centro para Democracia e Tecnologia atua em relação a esses casos?
Emma Llansó:</strong> Nós procuramos desenvolver, em parceria com vários grupos da sociedade civil, uma série de recomendações sobre como as empresas devem responder a estes casos. Temos contatos com as grandes empresas e elas estão conscientes da importância dessas discussões e sobre como as suas políticas podem influenciar o direito de seus usuários. Por exemplo, o CDT assinou uma carta juntamente com mais 40 organizações de advocacia americanas e de outros países para o Facebook sobre a sua politica de nomes reais ou autenticidade de identidade. Na nossa coalizão tínhamos membros de grupos sobre violência doméstica, grupos de americanos nativos, cujos nomes reais geralmente são rejeitados como nomes não reais pelos filtros do Facebook. Também tínhamos membros do clero que não podem criar contas no Facebook como Padre Fulano, além de comunidades de Drag Queens que geralmente têm suas contas apagadas porque os nomes pelos quais são conhecidas não são exatamente iguais aos nomes em suas carteiras de habilitação. Esta foi uma coalizão bastante interessante e diversa e todos tinham um ponto em comum porque é claro que o Facebook cria essas políticas para incrementar a segurança em sua plataforma e evitar o anonimato. Mas é preciso considerar também que existe um grande numero de usuários que na verdade estão menos seguros por causa desta política. Então, nós trabalhamos com vários tipos de questões em parceria como organizações da sociedade.

<strong>Marco Zero: Como o CDT se mantém?
Emma Llansó: </strong>O CDT é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos. Somos mantidos com o suporte de fundações, doadores individuais e doações de empresas. Tentamos manter nosso financiamento o mais diverso possível para com isso manter nossa independência. Mantemos grupos de trabalho que tentam juntar advogados e empresas para discutir com o governo sobre políticas públicas e legislações. Cobrimos um grande numero de questões como Liberdade de Expressão, vigilância de segurança e privacidade e arquitetura da Internet, entre outros.

<strong>Marco Zero: Falando sobre segurança e privacidade, recentemente a presidente do Brasil, Dilma Rousseff teve ligações particulares grampeadas pela Justiça e divulgadas para grandes grupos de comunicação. Qual a sua opinião sobre este episódio e os riscos que representa para garantia à privacidade de todos os cidadãos comuns?
Emma Llansó:</strong> Penso que este episódio levanta duas questões. Uma delas é se as conversas privadas da presidenta devem ser grampeadas no contexto de uma investigação e essa é uma questão complicada. Mas, de forma geral, diria que qualquer membro do governo que está apto a ser investigado, se houver uma suspeita genuína de que está envolvida em alguma atividade ilegal, pode ser grampeado. Desde que as condições legais sejam respeitadas – como obter um mandado judicial para implantar a escuta, etc. Mas o que me causa muita surpresa neste episódio é que o juiz do caso (Sérgio Moro) é suspeito de ter vazado as gravações para a mídia. Isso não parece ser uma conduta apropriada de um membro da Justiça. É importante conduzir investigações sobre políticos eleitos mas também é importante garantir que essas informações sejam confidenciais até que o caso seja levado a julgamento. A liberação das informações confidenciais parecer ser uma tentativa clara de influenciar a investigação, de forma que não expressa a conduta apropriada de um juiz independente.
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<h2>&#8220;O que elas (as empresas de Internet) estão
fazendo com nossos dados é uma pergunta-chave
que todos nós devemos nos fazer individualmente&#8221;</h2>
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<strong>Marco Zero: Enquanto usuários de mídias sociais, estamos fornecendo muitas informações pessoais para empresas como o Google, Facebook e Twitter e, ao mesmo tempo, estamos reclamando da falta de privacidade. Quais são os riscos, para o cidadão comum, de entregar tantos dados para essas empresas sem saber ao certo o que elas podem fazer com essas informações?</strong>

<strong> Emma Llansó:</strong> Vejo pelos menos dois grandes riscos. Um deles é o que a empresa está fazendo com os dados e outro é se o governo do seu país ou outro governo podem ter acesso a esses dados também. Sobre este ponto da vigilância dos governos sobre os cidadãos, fico feliz de ver que depois das revelações de Edward Snowden, em 2013, as grandes empresas estão aprimorando políticas para diminuir os dados que possuem, criptografar seus serviços de comunicação e desafiar procedimentos inapropriados da Justiça. Atualmente, por exemplo, há um caso da Microsoft contra o governo norte-americano onde a empresa está questionando uma tentativa do governo americano de usar um mandado judicial expedido nos EUA para acessar dados que a empresa possui hospedados em servidores na Irlanda. O argumento é que o governo não deve poder extrapolar a sua jurisdição e ter acesso a dados que estão hospedados em outro país. Este tipo de esforço é muito bom. Nós, como usuários, precisamos que as empresas assumam estas posturas contra os governos mas ainda resta a questão sobre o que as empresas podem fazer como os dados que elas possuem. Nos EUA nos estamos sempre esperançosos que de o Congresso Americano aprove leis mais rígidas de proteção à privacidade. Minha organização advoga por uma legislação que forneça limites e orientações para o que as empresas podem fazer com os dados de seus usuários de forma que eles tenham mais certezas de que as empresas não possam fazer absolutamente tudo que quiserem. O que elas estão fazendo com nossos dados é uma pergunta-chave que todos nós devemos nos fazer individualmente.

<strong>Marco Zero: Quando a internet surgiu havia uma expectativa de que tínhamos nela espaço para que todos tivessem voz. No entanto, existem quatro ou cinco grandes empresas cujos serviços usamos para praticamente tudo o que fazemos na rede e qualquer novo serviço que surge termina sendo comprado por uma dessas empresas e passa a fazer parte do seu portfólio. Neste contexto, mais do que normatizar o processo de fluxo de informação sobre que dados o governo pode ou não pode ter acesso, não está na hora de pensar numa legislação que reduza o poder dessas grandes empresas continuarem crescendo para que a internet não se torne um oligopólio de três ou quatro grandes corporações?
Emma Llansó:</strong> Posso falar sobre como este assunto está sendo tratado nos Estados Unidos. Tivemos recentemente uma decisão judicial confirmando a nossa lei sobre a neutralidade da rede. Por exemplo: nos EUA temos muito poucas empresas oferecendo serviços de provimento de acesso à Internet. Em um bairro é comum que só haja um ou duas opções e elas fazem acordos entre si para que fiquem com partes do país e as concorrentes sequer tentem entrar nestes mercados. Recentemente, depois de um longo processo, o FCC (órgão do governo americano que regula as comunicações) reclassificou o acesso à internet como algo que ele pode regular, garantido que o tráfego de dados seja baseado no que o usuário quer acessar e não apenas nos serviços ou sites que os provedores de internet permitam que sejam acessados. Este é um exemplo da importância deste tipo de regulamentação preventiva. Isso porque uma concorrência muito pequena, concentrada nas mãos de algumas poucas empresas, faz com que os provedores de internet terminem atuando como gatekeepers, que vão decidir o que os usuários podem ou não acessar. No entanto, esta mesma perspectiva não se aplica às empresas que prestam serviços na Internet com os serviços de e-mail, redes sociais etc. Hoje, se pensarmos nos serviços que usamos na Internet, realmente eles terminam sendo restritos a essas quatro ou cinco grandes empresas (Google, Microsoft, Facebook e Yahoo, por exemplo), mas ainda assim é muito fácil para outras empresas existirem nestes mercados e é possível que o usuário por exemplo decida não usar o Google e prefira outros engenhos de busca, como o DuckDuckGo, por exemplo, cuja premissa é não guardar nenhum registro das buscas de seus usuários. O usuário também pode optar por usar outro serviço de e-mail ou de mapas que não seja de uma dessas grandes empresas. É complicado pensar em uma lei que regule apenas as grandes empresas sem, de certa forma, desencorajar as pequenas empresas que não vão querer crescer ao ponto de passarem a enfrentar as mesmas regulações mais rígidas. Sei que na Europa há uma discussão diferente sobre se há alguma forma de regulamentar as plataformas como Google, Facebook e Youtube mas a definição deles de plataforma inclui também outros serviços como Yelp, TripAdvisor, Uber, AirBnb etc&#8230; e, de certa forma, tenta responsabilizar os serviços online pelo conteúdo gerado pelos seus usuários, e isso termina por inviabilizar as operações destes serviços porque nenhuma empresa sobreviveria ao risco de ser responsabilizada por qualquer coisa publicada em seus serviços. A legislação europeia também tenta de alguma forma regulamentar as empresas para que monitorem os conteúdos postados que infrinjam leis de copyright, garantindo não apenas que eles sejam retirados do ar mas também que não sejam postados novamente. Nos opomos a esta visão porque requer que as empresas monitorem todo o conteúdo postado.

<strong>Marco Zero: Como o usuário pode se proteger da exposição de seus dados online?
Emma Llansó: </strong>Há uma série de coisas que eu faço, por exemplo, para preservar meus dados. Uma das coisas mais importantes é a educação do usuário para a criação de senhas, de procedimentos de segurança disponíveis. Especialmente quando estou viajando uso uma VPN para garantir que cada conexão a um site que acesso seja criptografada, especialmente em redes de wi-fi. Também uso criptografia para os dados em meu computador e telefone. Por fim, procuro serviços que usem protocolos de segurança e isso é importante que as empresas saibam que este é um recurso que os usuários valorizam. Não é a toa que, principalmente depois das revelações de Edward Snowden, muitas empresas correram para aumentar a segurança e a privacidade oferecidas a seus usuários. As companhias precisam saber que nosso uso de seus serviços não está garantido e precisamos mandar a elas a mensagem de que a nossa privacidade importa, e que temos várias opções de serviços. Por fim, também uso mídias sociais diferentes para fins diferentes de forma que não entrego todos os meus dados para uma empresa só.

<strong>Marco Zero: O que você conhece sobre o Marco Civil Brasileiro?
Emma Llansó:</strong> Sei algumas coisas sobre o Marco Civil brasileiro. Lembro de quando finalmente foi aprovado e como as pessoas na sociedade civil e entidades envolvidas no projeto ficaram felizes quando da aprovação, por se tratar de um processo onde foram explicitamente ouvidos múltiplos stakeholders, reunindo advogados e acadêmicos também nas discussões. A elaboração do Marco Civil é realmente um modelo em todo mundo em relação a um processo efetivamente participatório de várias instâncias da sociedade. Até onde eu sei também o Marco Civil brasileiro fez um trabalho muito bom em considerar os direitos individuais como fundamentais, defendendo também premissas como a neutralidade da rede. Esta foi realmente uma grande conquista da sociedade civil organizada aqui no Brasil e, claro, a questão agora passa a ser sobre sua implementação. Ou seja, como passar de uma lei para regulamentação efetiva.
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<h2>É crítico que todos nós fiquemos atentos a quais são as condições para a implementação dos serviços, sejam públicos ou privados, garantindo que não está havendo nenhum tipo de restrição de conteúdo que pode ou não pode ser acesso no serviço que está sendo oferecido.</h2>
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<strong>Marco Zero: Sobre o processo de extensão da banda larga no mundo, o Brasil tem um programa governamental para levar a banda larga a lugares onde ainda não há. Algumas empresas privadas como o Facebook, por exemplo, fazem isso em países da África. Você acha que a maneira como este acesso será levado para as populações mais carentes indica as possibilidades futuras de democratização do acesso à rede?
Emma Llansó:</strong> Pergunta fascinante. Nos EUA a internet surgiu inicialmente como resultado de uma pesquisa realizada pela iniciativa privada, mas com recursos públicos. Imediatamente tornou-se privada no sentido de exploração comercial e o governo passou a ser apenas mais um usuário da rede. Este fato traz novamente a importância de legislações que garantam a neutralidade da rede. Para mim realmente não importa quem possui a infraestrutura técnica da rede desde que isso não interfira de forma alguma no que acontece nas redes. Acho que este será um papel que os governos de todos os países devem desempenhar, no sentido de garantir que haja serviços de banda larga para as populações de baixa renda mesmo em lugares onde não faça sentido do ponto de vista econômico para as empresas investirem porque nunca conseguirão recuperar seus investimentos. Isso acontece nos EUA e realmente nos deixa empolgados decisões relativas à neutralidade da rede como a que foi tomada recentemente pelo FCC que inclui o acesso a internet seus fundos para serviços universais e que garante subsídios do governo para redes de comunicações. Isso será muito importante para garantir que áreas mais pobres tenham acesso à internet. É claro que há riscos para serviços de acesso oferecidos pelos governos porque se torna mais fácil o controle das redes e até ordenar bloqueios gerais como já aconteceu em países como a Tunísia, por exemplo. Nos Estados Unidos seria muito difícil para o governo ordenar um bloqueio geral porque há centenas de pontos de acesso, múltiplas companhias que possuem partes diferentes da infraestrutura da rede e logisticamente não há como garantir isso. É crítico que todos nós fiquemos atentos a quais são as condições para a implementação dos serviços, sejam públicos ou privados, garantindo que não está havendo nenhum tipo de restrição de conteúdo que pode ou não pode ser acessado no serviço que está sendo oferecido.

<strong>Marco Zero: Qual a sua opinião sobre ações da hackativismo, contra vigilância e o papel da mídia independente neste cenário?
Emma Llansó:</strong> Se o hackativismo for entendido apenas como a invasão de bases de dados através de códigos maliciosos para capturar e divulgar dados pessoais, é claro que há muito o que se preocupar como este tipo de atividade. Mas se for caracterizado como a atividade das pessoas em transformarem interfaces para divulgar suas mensagens, para mim, sempre será uma atividade bem-vinda. Um lembrete de que a criatividade humana e o interesse em comunicar serão sempre mais forte do que as restrições que uma empresa possa querer impor. Também vejo com bons olhos atividades com softwares livres, onde as pessoas podem compartilhar seus códigos e criar algo que funcione também como um lembrete do que as pessoas podem fazer, correndo por fora deste contexto econômico das grandes empresas. Isso é o que eu amo sobre a Internet e diz respeito muito ao compartilhamento de informações, que está no centro do potencial revolucionário que a Internet possui.

<strong>Marco Zero: O que você acha do ativismo de Edward Snowden?
Emma Llansó:</strong> Fico feliz que três anos depois dos primeiros vazamentos de informações por ele, ainda estejamos conversando sobre isso. Fico feliz também por ter participado de toda a discussão sobre direitos à privacidade iniciadas após as revelações que ele fez. É claro que surgem preocupações quando um só indivíduo tem o poder de decidir sobre divulgar ou não informações confidenciais ou sigilosas. Mas, pessoalmente, acho que a abordagem dele, o cuidado de trabalhar com jornalistas altamente respeitados e éticos, ao invés de apenas despejar e publicar os documentos aos quais ele teve acesso, aplicando padrões jornalísticos para garantir a segurança das pessoas envolvidas e ainda alertando ao governo sobre a publicação e dando espaço de resposta, foi essencial. Além de levantar em todo o mundo discussões importantes sobre a vigilância governamental, confirmada a partir das suas revelações, e a necessidade de discutir este tema da forma mais ampla possível. No final das contas, fico muito feliz que ele tenha feito o que fez, ajudando a causa da privacidade e dos limites da vigilância nos Estados Unidos e no mundo.<p>O post <a href="https://marcozero.org/entrevista-os-riscos-da-censura-e-da-falta-de-privacidade-na-internet/">Entrevista // Emma Llansó: Os riscos da censura e da falta de privacidade na Internet</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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