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	<title>Samarone Lima, Autor em Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 28 Jul 2025 15:13:21 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Samarone Lima, Autor em Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Há 40 anos, &#8220;Brasil: Nunca Mais&#8221; escancarou para o país a violência da ditadura militar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2025 15:11:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Nunca Mais]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1985 eu tinha 16 anos, e nunca, nas conversas familiares, ou nas muitas escolas que tinha frequentado, alguém me informou que durante todos esses anos, eu tinha vivido sob uma ditadura. Nasci em maio de 1969, quando o país era governado por uma Junta Militar. Estava com cinco meses, quando assumiu a presidência o [&#8230;]</p>
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<p>Em 1985 eu tinha 16 anos, e nunca, nas conversas familiares, ou nas muitas escolas que tinha frequentado, alguém me informou que durante todos esses anos, eu tinha vivido sob uma ditadura.</p>



<p>Nasci em maio de 1969, quando o país era governado por uma Junta Militar. Estava com cinco meses, quando assumiu a presidência o sanguinário Emílio Garrastazu Médici.</p>



<p>Meu pai era funcionário do Banco do Brasil, e parecíamos nômades, em cima do seu Fusca cinza (placas IZ- 3059). Moramos no no Crato (CE), onde nasci, Brejo Santo (CE), Imperatriz (MA) e Fortaleza (CE). Nunca ouvi críticas aos milicos. Meu pai, bastante autoritário em casa, não tocava no assunto, mas nunca o vi elogiando o regime.</p>



<p>Num misterioso dia de 1985, por motivos que até hoje desconheço, apareceu em nossa casa um livro de capa vermelha, com a imagem de uma pessoa dentro de uma roda (para mim, era o que parecia), e um aviso: ”Um relato para a história”, e “prefácio de Dom Paulo Evaristo, Cardeal Arns”.</p>



<p>Era um ser estranho, aquele objeto.</p>



<p>Nossa biblioteca familiar tinha as onipresentes enciclopédias Delta Larousse, revistas Pais &amp; Filhos, além de de uma miscelânea que envolvia Adelaide Carraro, Jorge Amado, revistas “Placar”, e outros que não lembro. O livro que me fez ser leitor obstinado foi “Papillon, do francês Henri Charrièrre, que é uma história de aventuras.</p>



<p>Desavisadamente, resolvi abrir aquele livro que começava com “Brasil”, acompanhado do intrigante “Nunca Mais”.</p>



<p>Eram relatos comoventes e dolorosos, de pessoas que tinham sido presas e torturadas durante a ditadura. Todo o material foi coletado de depoimentos de pessoas que passaram por prisões, e foram torturadas.</p>



<p>Foram quase seis anos de um trabalho sigiloso, envolvendo advogados e jornalistas, sob o manto protetor do arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, com financiamento do Conselho Mundial de Igrejas, para coletar no Superior Tribunal Militar os relatos de presos políticos, feitos durante seus julgamentos. Além do arcebispo, o porjeto contou com o apoio fundamental do reverendo James Wright (1927-1999), da Missão Presbiteriana do Brasil Central.</p>



<p>O Brasil ainda estava sob o jugo dos militares, mas o mundo assombroso da violência, estava escancarada.</p>



<p>O livro se tornou um fenômeno. Lançado pela Editora Vozes, permaneceu na lista dos dez mais vendidos por 91 semanas. Na época, foi o livro de não-ficção brasileiro mais vendido de todos os tempos.</p>



<p>“Estávamos ainda sob a ditadura, mas nenhum militar falou nada, questionou nada. Contra os fatos, não há argumentos”, lembra Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos idealizadores do projeto.</p>



<p>Não sabia que minha vida estava mudando, por causa daquele livro. Três anos depois, eu estava no Recife, estudando Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, com a semente daquele livro monumental em minha alma.</p>



<p>Por essas coisas que não podemos explicar, em 1995 estava na Cúria Metropolitana da Igreja Católica de São Paulo, comandada pelo Cardeal Arns, trabalhando no jornal “O São Paulo”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">40 anos depois&#8230;</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Desde o dia sete de setembro de 2024, no Memorial da Resistência, em São Paulo, essa história está aberta ao público, com a exposicão </span><i><span style="font-weight: 400;"><a href="http://(https://memorialdaresistenciasp.org.br/exposicao/uma-vertigem-visionaria-brasil-nunca-mais/" target="_blank" rel="noopener">Uma vertigem visionária &#8211; Brasil: Nunca Mais</a>.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste período, mais de 85 mil pessoas já visitaram a exposição, que tem cartazes, fotos, gráficos, documentos, gravações em vídeo das pessoas que participaram da conspiração pela memória e denúncia da ditadura. Um mergulho no passado, para que ele não se repita, no momento em que o Supremo Tribunal Federal se prepara para julgar os conspiradores do golpe de Estado liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. </span></p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/BNM-2.jpg" alt="Foto de uma sala de exposição em ambiente fechado, com piso de madeira e iluminação clara no teto. À esquerda, há uma vitrine de vidro com diversos livros e documentos dispostos lado a lado, entre eles o livro “Brasil: Nunca Mais”, com capa vermelha. Ao fundo, na parede escura da lateral esquerda, três nichos exibem telas com retratos em preto e branco de pessoas falando, aparentemente em vídeos ou depoimentos. No centro da imagem, uma parede clara exibe dois grandes textos em painéis cor-de-rosa e, ao lado, uma imagem de pés com etiquetas de necrotério — remetendo a vítimas da ditadura. Mais ao fundo, outras paredes brancas contêm painéis com textos em preto e folhas coloridas (em laranja e rosa) penduradas. A exposição trata de temas ligados à memória, direitos humanos e repressão no Brasil." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Exposição que resgata história do projeto já foi visitada por 85 mil pessoas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Levi Fanan/Memorial da Resistência</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">O projeto</h2>



<p><em>Brasil: Nunca Mais</em> é a mais ampla pesquisa realizada pela sociedade civil sobre a tortura política no país. O projeto foi uma iniciativa do Conselho Mundial de Igrejas e da Arquidiocese de São Paulo, os quais trabalharam sigilosamente durante cinco anos sobre 850 mil páginas de processos do Superior Tribunal Militar. O resultado foi a publicação de um relatório e um livro, em 1985, que revelaram a gravidade das violações aos direitos humanos promovidas pela repressão política durante a ditadura militar. O sucesso da publicação continua influenciando gerações e impulsionou o compromisso do Estado brasileiro com o enfrentamento à tortura.</p>



<p>Com curadoria do pesquisador e professor Diego Matos, a mostra é dedicada à memória do projeto homônimo, empreendido entre 1979 e 1985. A iniciativa foi responsável por sistematizar e, clandestinamente, produzir cópias de mais de 1 milhão de páginas contidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar (STM), revelando a extensão da repressão política do Brasil no período.</p>



<p>A história do projeto e seus desdobramentos é apresentada junto a testemunhos em vídeo de advogados, jornalistas e defensores de direitos humanos, que, por anos, tiveram seus nomes mantidos no anonimato: Paulo Vannuchi, Anivaldo Padilha, Ricardo Kotscho, Frei Betto, Carlos Lichtsztejn, Leda Corazza, Petrônio Pereira de Souza e Luiz Eduardo Greenhalgh, por meio do programa Coleta Regular de Testemunhos do Memorial. Há também entrevistas com Dom Paulo Evaristo Arns, Marco Aurélio Garcia, Eny Raimundo Moreira e Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, pertencentes ao acervo do Armazém Memória.</p>



<p>O arquivo de 707 processos judiciais expõe os depoimentos de presos políticos sobre as ações de repressão, vigilância, perseguição e tortura do aparato estatal. As cópias desse conteúdo, que por anos foram mantidas em segurança em acervos preservados na Suíça e nos EUA, tiveram repatriamento, retornando ao Brasil em 2011. Atualmente encontram-se sob salvaguarda do Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp, em Campinas.</p>



<p>Hoje, o material coletado na pesquisa está disponível em site próprio, o <a href="https://bnmdigital.mpf.mp.br/pt-br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Brasil Nunca Mais Digital</a>, sob cuidados do Ministério Público Federal.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/BNM-ag-Brasil-Rovena-Rosa.webp" alt="Fotografia em plano médio de Dom Paulo Evaristo Arns, idoso, sorrindo amplamente. Ele veste um traje eclesiástico escuro com colarinho branco clerical e um pequeno crucifixo metálico pendurado no peito por uma corrente. Usa óculos e tem cabelos curtos, brancos e ralos. A imagem está levemente inclinada de baixo para cima, destacando sua expressão alegre e serena. Ao fundo, vê-se uma cortina verde escura e parte de um ambiente interno pouco iluminado. A luz incide sobre seu rosto, acentuando a atmosfera acolhedora e respeitosa da cena." class="" loading="lazy" width="688">
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	                                        <p class="m-0">Dom Paulo Evaristo Arns impulsionou a pesquisa
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil</span>
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		<title>O filme, a transição e os atestados de óbito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 20:12:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ainda estou aqui]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Ainda estou aqui”, filme dirigido pelo cineasta Walter Moreira Salles, que conta a história da prisão e desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, em 1971, e o impacto em uma família de classe média, no Rio de Janeiro, durante a ditadura, chegou a 2,5 milhões de espectadores, em um mês. O filme mostra o impacto da [&#8230;]</p>
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<p>“Ainda estou aqui”, filme dirigido pelo cineasta Walter Moreira Salles, que conta a história da prisão e desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, em 1971, e o impacto em uma família de classe média, no Rio de Janeiro, durante a ditadura, chegou a 2,5 milhões de espectadores, em um mês.</p>



<p>O filme mostra o impacto da violência política, e a luta de Eunice Paiva, sua esposa, por verdade e justiça. No momento inicial, movida pelo desafio da sobrevivência, pela sobrevivência, com cinco filhos, Eunice tem que decidir tudo, e não esmorecer, psiquicamente.</p>



<p>A repercussão do filme, além das indicações a prêmios internacionais, como Oscar e Globo, provoca um sentimento catártico. O país vê, no cinema, o que o pacto político conservador, nos últimos anos da ditadura, produziu: a transição do poder dos militares para os civis aconteceu sem justiça, memória ou reparação.</p>



<p>Somente 25 anos depois do desaparecimento do seu marido, Eunice Paiva conseguiu o atestado de óbito.</p>



<p>Sem o corpo, sem um documento que comprovasse sua morte, ela não consegue movimentar a conta bancária do marido, nem receber o seguro de vida. A toque de caixa, vende o valioso terreno da família, para não faltar comida em casa e pagar o salário da empregada. Um momento impactante, para os filhos, é quando são informados que a charmosa casa onde moram, à beira da praia, no Leblon, Rio de Janeiro, foi alugada, e teriam que se mudar, em poucos dias, para o apartamento da família, em São Paulo.</p>



<p>É uma das cenas mais comoventes do filme, baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, que tinha 11 anos, quando seu pai foi levado de casa. A casa vai sendo desmontada, cada filho vai chorando ou engolindo seu choro, deixando os amigos para trás, a escola, o bairro, as memórias, a vida que teriam naquele lugar.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Reconhecimento tardio</h2>



<p>Somente há três dias, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentou a questão dos atestados para os desaparecidos, durante a ditadura. Uma luta que começou em pleno regime militar, e não foi amparada pela Lei da Anistia, de 29 de agosto de 1979.</p>



<p>“Os desaparecidos não tinham Atestado de Óbito, tinham &#8216;Atestado de Ausência&#8217;, e ninguém aceitou isso”, lembra Diva Soares Santana, diretora do Grupo Tortura Nunca Mais da Bahia, conselheira da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e familiar de desaparecidos políticos, que teve a irmã, Dinaelza Santana Coqueiro, desaparecida na Guerrilha do Araguaia, em 1974.</p>



<p>Em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso, foi sancionada a Lei 9140, que obrigava os cartórios fornecerem atestados de óbito.</p>



<p>Como tem acontecido, ao longo dos anos, a identificação dos crimes cometidos pela ditadura tinha subterfúgios. No espaço para causa mortis, o cartório teria que colocar “de acordo com a Lei 9140/95”. No espaço para o local de desaparecimento, o texto seria o mesmo: “de acordo com a Lei 9140/95”.</p>



<p>A presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, procuradora da República Eugênia Gonzaga, que vinha lutando para a mudança no do documento, lembrou que o texto “sempre foi muito ofensivo”, porque “resolvia problemas burocráticos, mas não reparava, não dizia a verdade”.</p>



<p>Com a decisão do CNJ, o texto do documento terá uma reparação histórica. Na causa mortis, vai constar a informação “de morte não natural, violenta, causada pelo Estado a desaparecido no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política no regime ditatorial instaurado em 1964”.</p>



<p>“É um acerto de contas legítimo com o passado”, afirmou o presidente do CNJ, ministro Luís Roberto Barroso.</p>



<p>“É uma conquista, depois de tantos anos, conseguir um atestado desse, mas falta muita coisa”, lembra Diva.</p>



<p></p>
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		<title>&#8220;A existência se transforma em mera mercadoria de consumo nas redes sociais&#8221;, afirma J.C. Marçal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Aug 2024 17:59:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Internet]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>José Carlos Marçal, de 53 anos, é professor de filosofia do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Sua voz potente pode ser ouvida até nos corredores do Departamento de Ciências Sociais ou de História, onde dá aulas de História da Filosofia, Epistemologia e Ética. Além disso, mantêm grupos de estudo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>José Carlos Marçal, de 53 anos, é professor de filosofia do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Sua voz potente pode ser ouvida até nos corredores do Departamento de Ciências Sociais ou de História, onde dá aulas de História da Filosofia, Epistemologia e Ética. Além disso, mantêm grupos de estudo do Marxismo e Pós-Modernidade. Também é romancista e poeta.<br><br>Nas folgas das aulas, pode ser encontrado nos bares do pátio de Santa Cruz ou do Mercado da Boa Vista, centro do Recife, seu reduto existencial, sempre com algum amigo ou um livro.<br><br>Se esquecer o celular em casa, J.C. Marçal, como é mais conhecido pelos alunos, não vai sofrer. Terá a si mesmo como companhia. Ele nunca teve contas em redes sociais. E nem vai ter.<br><br>“Ao compreender a fantasia infantil que essas ferramentas fomentam na cabeça das pessoas, achei muito mais saudável me manter distante dessa pseudo realidade”, conta. Nem mesmo de grupos de WhatsApp ele participa.<br><br>A partir de fontes filosóficas diversas, e com o refinado senso de que filosofia e vida vestem a mesma camisa, ele acredita que as redes sociais seguem a lógica da produção capitalista , por ter como intuito fundamental a transformação das existências das pessoas – suas vidas pessoais – em produto de consumo de massa.<br><br>Enfim. Para ele, a “publicação entorpecida das existências” não é um fenômeno espontâneo, mas sim um novo marco de exploração capitalista que ele denomina de “Indústria Existencial”.<br><br>Ele está terminando um artigo intitulado <em>A instância da tecnociência no Capitalismo – a dimensão dominadora da lógica instrumental tanto na produção quanto nos diversos aspectos da cultura</em>, e conversou com o jornalista Samarone Lima, antecipando alguns pontos de suas reflexões.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Leia a entrevista: </strong></li>
</ul>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Seu mestrado foi sobre <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mestre_Eckhart">Mestre Eckhart</a>, um pensador da Idade Média, e Heidegger. O doutorado, sobre a relação entre Cabala, neoplatonismo, mística medieval e o pensamento de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Heidegger">Heidegger</a>, o criador do existencialismo. Como você chegou a esta expressão” Indústria Existencial”?</strong><br><br><strong>J. C. Marçal </strong>&#8211; Tenho um grupo de estudos na UFRPE intitulado Marxismo e Pós Modernidade. Trata-se de compreender a contemporaneidade a partir do Marxismo e de uma gama de pensadoras e pensadores: Lélia González, Silvia Federici, Umberto Galimberti, Hottois, Michel Foucault, Han, Adorno e Heidegger. A questão da técnica surge como um ponto crucial nesse debate. A partir desses estudos, percebi que a lógica da industrialização é a lógica da padronização do consumo e seu incentivo massivo.<br><br><strong>E como isso afeta a cultura?</strong><br><br>A cultura se transforma em indústria cultural. O sexo em indústria pornográfica, a alimentação, em indústria alimentícia, a religião, em indústria religiosa. Essa lógica instrumental se vale da tecnociência – a ciência usada com o intuito de produção de tecnologias – para mapear e criar espaços de exploração, padronizando os gostos, massificando a cultural em todas as suas esferas.<br><br>Um exemplo simples: raramente alguém vai ler a Ilíada de Homero, mas quase todos irão ver Tróia com Brad Pitt. Na esquizofrenia própria desse modelo de produção, é preciso conquistar novos espaços, novos mercados.<br><br><strong>E qual seria a lógica das redes sociais?</strong><br><br>O advento das redes sociais não é, como pensa Byung-Chul Han, uma interiorização espontânea dos processos de dominação do biopoder como preconizado por Foucault. Ao contrário, o capitalismo trabalha incessantemente na manutenção, expansão e melhoria dessas técnicas de dominação. As redes sociais, portanto, seguem a lógica da produção capitalista por ter como intuito fundamental a transformação das existências das pessoas – suas vidas pessoais – em produto de consumo de massa.<br><br>A publicação entorpecida das existências não é um fenômeno espontâneo, mas sim um novo marco de exploração capitalista que denomino de Indústria Existencial.<br><br><strong>As pessoas parecem entrar numa obsessão doentia por postagens e “likes”…</strong><br><br>A tecnociência irá operar fervorosamente no Instagram, X, Facebook, WhatsApp etc, para que esse mesmo entorpecimento seja mantido por uma ânsia doentia de publicização. O indivíduo só sente que existe – nessa verdadeira rede de sentido – quando compartilha as coisas mais banais: sua comida, relacionamentos, viagens, agruras da vida, festas, conquistas etc. Tudo é passível de ser publicado sem pudor algum. O próprio corpo se transforma em produto de desejo público, ou seja, a existência se transforma em fetiche porque se transforma em mera mercadoria de consumo para todos sem distinção.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;O trabalho hora zero se instaura nessa relação, pois todos são facilmente encontrados a qualquer hora de qualquer dia e sem desculpas&#8221;</p>
</div>


<p><strong>Mas isso tem um preço, não? Muita gente parece perder uma conexão com o real.</strong></p>



<p>O cansaço que essa atividade acarreta conduz às mais diversas frustrações, porque não encontra lastro no sentido real da vida: a fantasia infantil se transforma no guia desse mercado. Além do mais, o trabalho hora zero se instaura nessa relação, pois todos são facilmente encontrados a qualquer hora de qualquer dia e sem desculpas, pois a produção modela, também, a moral.<br><br><strong>A não utilização das redes sociais, no seu caso, é uma forma de seguir um pensamento filosófico?</strong><br><br>Não adianta criticar o sistema e seus mecanismos de controle e ser parte dele. Evidente que compreendo que os tentáculos desse mesmo sistema são tão complexos que muita gente ganha a vida graças a essas mesmas redes sociais. Como não preciso delas para sobreviver, não tenho interesse que ninguém saiba absolutamente nada de minha vida. É muito mais saudável me manter distante dessa pseudo realidade.<br><br><strong>Não te incomoda esta espécie de “anonimato”?</strong><br><br>De fato, para mim, ser incógnito é muito mais saudável e me aproxima de verdade das pessoas que gosto e que prezo ter contato. A fotografia e os vídeos se transformaram na obsessão do Século XXI, quase como um vaticino dado por Walter Benjamin. O valor moral do reconhecimento público se transformou na regra para quem usa as redes sociais.</p>
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		<title>Bordado dá forma aos sonhos, desejos e memórias de coletivos de mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2024 18:18:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[artesanato]]></category>
		<category><![CDATA[bordado]]></category>
		<category><![CDATA[exposição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Histórias bordadas, projeto financiado por meio do edital Funarte Retomada-Artes Visuais-2023, abre amanhã, sábado (3), exposição com a “nova” produção de 45 mulheres bordadeiras da Paraíba, Pernambuco e Alagoas. O evento será na Casa Estação da Luz, no Sítio Histórico de Olinda. Nove bordadeiras que participaram das vivências estarão na abertura. A exposição conta também [&#8230;]</p>
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<p><em>Histórias bordadas</em>, projeto financiado por meio do edital Funarte Retomada-Artes Visuais-2023, abre amanhã, sábado (3), exposição com a “nova” produção de 45 mulheres bordadeiras da Paraíba, Pernambuco e Alagoas. O evento será na Casa Estação da Luz, no Sítio Histórico de Olinda. Nove bordadeiras que participaram das vivências estarão na abertura. A exposição conta também com a exibição de três videos-arte, criados a partir do cotidiano das vivências, e do percurso afetivo da equipe, na busca do universo das bordadeiras.</p>



<p>O projeto foi Idealizado pela psicoterapeuta, indígena e escritora pernambucana Maria do Socorro Santos, que vive em São Paulo há muitos anos. Ela pensava em registrar, reconhecer e mobilizar a escuta ativa e a feitura do bordado sob a ótica das memórias afetivas de coletivos de mulheres.</p>



<p>Participaram do processo 45 mulheres. Em cada cidade, encontros e vivências que modificaram percepções e formas de ver o mundo, reverberando no que surgia entre a agulha, a linha, os sonhos e o pano. Após as conversas, as trocas, as descobertas, que duravam cinco dias, o “novo” bordado surpreendeu. Algo se modificou no imaginário das participantes.</p>



<p>“A maioria das mulheres nunca havia desenhado um sonho, um desejo. E pela primeira vez, elas foram sujeitas e objeto da sua própria pesquisa, do bordado contando uma história. Qual o impacto de expressar e bordar um sonho, um desejo? É quase impossível mensurar. Percebemos a entrega, a satisfação, a ternura com suas histórias. Bordaram, imprimiram em cores seus sonhos”, diz Maria, nascida em São Joaquim do Monte, no agreste de Pernambuco.</p>



<p>“O fato dos trabalhos estarem numa exposição, num espaço tão especial como a Casa Estação da Luz, em Olinda, coloca os trabalhos delas em outro patamar. É uma abertura, uma nova perspectiva para essas mulheres, que criam novos voos, ponto a ponto, na arte de bordar”, completa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/Bordado-Sama-1.jpg" alt="Foto de seis mulheres de meia idade, das quais cinco estão sentadas enquanto fazem bordados, com algumas peças coloridas desse tipo de artesanato dispostas sobre uma mesa redonda. A sexta mulher, usando uma blusa laranja, está em pé, à esquerda da foto, curvada sobre uma das mulheres sentadas como se estivesse ajudando no trabalho artesanal." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/Anahí Asa</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do bordado para o neto para a realidade do Nordeste</strong></h2>



<p>Mesmo sem ser do universo do bordado, ela tinha lançado, em 2022, o livro <em>A manta bordada do Iberê</em>, seu primeiro livro (Editora Zouk), fruto de uma vivência coletiva.</p>



<p>Para receber seu primeiro neto, ela reuniu amigas bordadeiras, de vários lugares do Brasil, que começaram a confeccionar individualmente alguma imagem. Das mãos espalhadas surgiram pipas coloridas, pássaros, bichos, árvores, nuvens.</p>



<p>“Surgiram histórias encantadas e imaginadas”, lembra Maria. “A força do amor e da reunião de mulheres afirmando o poder de criar, encantar e contar histórias com agulha, linha, mão, virou uma colcha, ou um manto sonhador”.</p>



<p>Ela queria ampliar esta vivência, fazendo também imersões e vivências de abertura do imaginário, reflexão sobre o próprio ato criativo, desta vez com mulheres do nordeste, como um retorno às suas origens. Convidou a artista plástica paulista Cris Burger e a produtora cultural Aura Gabriela, para elaborar o projeto, ampliando o horizonte dos sonhos para três estados. Ganhou o título de <em>Histórias bordadas</em>. Pouco depois, a própria filha, Anahí Asa, consultora de audiovisual e <em>videomaker</em>, se incorporou ao grupo. No edital da Funarte, foram inscritos 3.129 projetos de todo Brasil. Do Nordeste, foram aprovados apenas 13. Um deles foi o “Histórias Bordadas”.</p>



<p>A exposição vai até 8 de agosto, e contará com acessibilidade em Libras.</p>



<p></p>
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		<title>Silêncio para lembrar os crimes cometidos pelos golpistas de 1964</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2024 19:03:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[1º de abril]]></category>
		<category><![CDATA[31 de março]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O dia 31 de março amanheceu com céu limpo, e temperatura amena, em São Paulo. Nas bancas de jornais da avenida Paulista, a Folha de São Paulo trazia a manchete com o resultado da mais recente pesquisa do Instituto Datafolha: “Democracia tem 71% de apoio, 60 anos após Golpe”. Mesmo com com todos o ataques [&#8230;]</p>
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<p>O dia 31 de março amanheceu com céu limpo, e temperatura amena, em São Paulo. Nas bancas de jornais da avenida Paulista, a Folha de São Paulo trazia a manchete com o resultado da mais recente pesquisa do Instituto Datafolha:</p>



<p>“Democracia tem 71% de apoio, 60 anos após Golpe”.</p>



<p>Mesmo com com todos o ataques à democracia, dos últimos anos, apenas 7% das pessoas entrevistadas concordaram que, em certas circunstâncias, “é melhor uma ditadura do que um regime democrático”</p>



<p>Uma pequena nota, trazia uma informação importante:</p>



<p>“Para 63%, data do golpe deve ser desprezada”.</p>



<p>A três quilômetros da Paulista, no pátio do 36º DP, na Vila Mariana, dezenas de entidades de direitos humanos, movimentos sociais, familiares de mortos e desaparecidos, que lutaram contra a ditadura, formaram uma espécie de barricada contra a desmemória.</p>



<p>Era a concentração para a 4ª Caminhada do Silêncio é uma realização do <a href="https://imdh.ufsc.br/eventos-2/vozes-do-silencio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Movimento Vozes do Silêncio</a>, representado pelo Instituto Vladimir Herzog, o Núcleo de Preservação da Memória Política e a OAB-SP, com apoio da secretaria municipal de Direitos Humanos e Cidadania.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/ato_golpe_02_Paulo-Pinto.webp" alt="Foto de um grupo de pessoas em um protesto ou manifestação. Elas estão segurando cartazes com imagens em preto e branco de seus parentes mortos pela ditadura para homenageá-los e lembrar. O ambiente parece ser uma manifestação ou protesto pacífico ao ar livre durante o dia. Há uma variedade de roupas visíveis, indicando a diversidade dos participantes. O fundo da imagem mostra parte de um edifício com uma placa que diz “DISTRITO POLICIAL - PARAÍSO" class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Concentração da marcha silenciosa, na frente da delegacia onde funcionou o Doi-Codi
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Naquele mesmo local, durante o regime militar, funcionou a maior central de tortura e assassinato de presos políticos do país. Era a sede do Destacamento de Operações de Informações- Centro de Operações(Doi-Codi), órgão subordinado ao Exército, comandado pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.</p>



<p>Segundo estatísticas dos próprios militares, de 1970 a 1973, naquele local, foram presas 1.786 pessoas, e 45 presos foram assassinados sob torturas. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, foram 51 mortos no mesmo período.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Gente de memória</h2>



<p>“Você viu a Bia?”, perguntava Michel Labaki aos amigos, segurando um ramalhete de flores. “Ela foi estacionar o carro e não chegou ainda”.</p>



<p>O ramalhete era para deixar junto ao monumento dos mortos e desaparecidos, no Parque do Ibirapuera, ao final da caminhada.</p>



<p>“Venho para esta caminhada para apoiar a luta. Tive a ‘sorte’ de passar apenas 24 horas neste lugar. É algo que não dá para esquecer”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/Sama-silencio-Labaki.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/Sama-silencio-Labaki.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/Sama-silencio-Labaki.jpg" alt="Foto colorida de um grupo de pessoas em um protesto ou manifestação. No centro da imagem, Michel Labaki, um homem idoso, branco, de cabelos grisalhos e óculos, está segurando um buquê de flores e outras estão segurando cartazes ao seu redor. As pessoas estão vestidas com roupas casuais; algumas usam camisetas vermelhas, enquanto outras usam roupas de cores variadas. O ambiente parece ser uma rua ou espaço público ao ar livre durante o dia. Além disso, há um cartaz com os dizeres: “DITADURA NUNCA MAIS!” e outro que menciona algo sobre “ESTACIONAMENTO EXCLUSIVO”. A imagem é uma cena de protesto e expressão de opiniões." class="" loading="lazy" width="298">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Michel Labaki
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Samarone Lima</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O dia, foi sete de outubro de 1973. Ele era amigo de Ivan Valente, procurado pelos militares.</p>



<p>“Achavam que eu sabia onde ele estava”. Foi solto no dia seguinte, mas entrou na contabilidade dos presos e torturados no lugar” Ele tem um alívio deste período:</p>



<p>“Não prejudiquei ninguém”, se referindo a não ter falado nada de importante, nas torturas, que pudesse levar alguém para aquele inferno.</p>



<p>Figuras históricas do movimento nacional dos mortos e desaparecidos, como Maria Amélia Almeida Teles, a “Amelinha” sua filha, Janaína, Criméia Almeida, se juntaram a pessoas de diferentes gerações, com vários novos líderes falando ao microfone, ao lado de políticos da “velha guarda’, como Luiza Erundina, José Dirceu, Eduardo Suplicy.</p>



<p>“Aqui onde estamos, fomos torturadas e estupradas. A gente marca os 60 anos do golpe com muitas feridas não cicatrizadas. Temos que trazer o passado para o presente, e remoer, remoer, remoer”, disse Amelinha, numa das muitas críticas abertas, durante a tarde, ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que vetou a realização de eventos oficiais, para, segundo ele mesmo, não “remoer” o passado.</p>



<p>Janaúina Teles, lembrou dos 8.350 indígenas que foram assassinados, segundo o levantamento da Comissão Nacional da Verdade. Somados aos 1.660 camponeses também mortos e aos 454 mortos e desaparecidos das listas oficiais, o Brasil teria 10 mil mortos.</p>



<p>“Precisamos saber a história deles. Há apenas que remoer o passado, para superar este trauma histórico, esse apagamento extorquido”.</p>



<p>“Não se trata de remoer, mas falar de um passado que está presente”, diz Mariluce Moura, ao lado da filha, Tessa, e dos netos, todos com camisas estampando a foto de Gildo Macedo Lacerda, militante da Ação Popular (AP), assassinado no Doi-Codi do Recife, em 28 de outubro de 1973, junto com o colega de AP, José Carlos Novais da Mata Machado. Mariluce e Gildo foram presos em Salvador, dias antes, e ela nunca mais viu seu companheiro. Na prisão, descobriu que estava grávida.</p>



<p>Os restos mortais de Gildo jamais foram encontrados. A família segue cobrando do Estado brasileiro, informações.</p>



<p>Também presente na caminhada, estava Dorival da Mata Machado, filho de José Carlos Novais da Mata Machado.</p>



<p>“A violência do passado violento, que durou 21 anos, fundamenta outras violências, como a das milícias, das PMs e outras máfias. Não houve julgamento público, nem reconstrução da verdade histórica, nem justiça, nem reparação”, lembrou Mariluce.</p>



<p>Representantes da torcida organizada “Democracia Corinthiana”, e “Porcomunas”, do Palmeiras, estavam presentes.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O silêncio caminhando</h3>



<p>Às 18h, quando encerraram as falas, a multidão ocupou as duas faixas da rua Tutoia. Bandeiras, faixas, cartazes eram as mensagens possíveis. O silêncio respeitoso tomou conta da caminhada, de menos de dois quilômetros, até o Parque do Ibirapuera. Muitas velas foram acesas.</p>



<p>Ao chegar no Monumento aos mortos e desaparecidos político, obra de Ricardo Ohtake, havia violão e canto. Flores foram colocadas no local.</p>



<p>A pernambucana Manuela Mirella, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), falou sobre a destruição da sede da UNE, logo após o golpe de 1964, e reforçou a necessidade de manter a memória.</p>



<p>No último ato da caminhada, foram lidos, em voz alta, 30 nomes de pessoas assassinadas pela ditadura, e 30 nomes de vítimas da violência policial do governo Tarcísio de Freitas, especialmente na Baixada Santista.</p>



<p>Após cada nome, a resposta era em uma só voz:</p>



<p>“Presente!”</p>



<p>A ideia do movimento é atualizar as lutas do passado, com as do presente.</p>



<p>Só este ano, 54 pessoas da Baixada foram mortas pela Polícia Militar do estado.</p>



<p>No dia em que entidades de direitos humanos, familiares de mortos e desaparecido e diversas organizações realizaram a quarta Caminhada do Silêncio.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/ato_golpe_18_0_Paulo-Pinto.webp" alt="Foto de um homem idoso, de barbas e cabelos grisalhos, segurando uma foto e uma vela acesa durante um evento noturno ao ar livre. O indivíduo com o rosto nas sombras segura uma fotografia em preto e brando de um rapaz. O ambiente é sombrio e sério, possivelmente indicando que se trata de uma vigília ou um evento memorial. As árvores e o céu escuro podem ser vistos ao fundo, iluminados pelas luzes do evento." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Marcha silenciosa terminou na frente do quartel da 2ª Região Militar, no Ibirapuera</p>
	                
                                            <span>Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>As histórias e esperança das mulheres que resistiram à ditadura militar</title>
		<link>https://marcozero.org/as-historias-e-esperanca-das-mulheres-que-resistiram-a-ditadura-militar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Mar 2024 15:11:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[31 de março]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As cadeiras estão em círculo, não há palestrantes, debatedoras, ou qualquer traço da formalidade institucional, como a formação da mesa, apresentação das convidadas com suas histórias de vida, os agradecimentos de praxe pelo convite. E, claro, as perguntas no final. A regra é simples: um microfone aberto, para quem quiser compartilhar suas memórias. Para falar, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As cadeiras estão em círculo, não há palestrantes, debatedoras, ou qualquer traço da formalidade institucional, como a formação da mesa, apresentação das convidadas com suas histórias de vida, os agradecimentos de praxe pelo convite. E, claro, as perguntas no final. A regra é simples: um microfone aberto, para quem quiser compartilhar suas memórias. Para falar, basta levantar a mão.</p>



<p>O cenário, no formato de “roda de conversa”, foi preparado para um público especial: mulheres que romperam com as imposições de gênero na luta contra o autoritarismo da ditadura. Ao lado da sala, no enorme salão, há uma exposição com fotos, textos, réplica de documentos, cartazes, intitulada “Mulheres em luta: arquivos de memória política”. As conversas fazem parte da exposição.</p>



<p>É a tarde de dois de março de 2024, no <a href="https://memorialdaresistenciasp.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Memorial da Resistência de São Paulo</a>.</p>



<p>Elas vão chegando aos poucos. Para quem esperava uma tarde de relatos dolorosos, de prisões, torturas, clandestinidade, o clima é outro. O sentimento que as mobilizou para o encontro com as “companheiras” estava voltado muito mais para o desejo de compartilhar memórias, entender melhor tudo o que viveram, e lançar novas sementes para um outro tempo &#8211; o agora. Abraços, sorrisos, reencontros de gente que não se via há muito tempo. Elas pareciam estar, na verdade, renovando a caminhada.</p>



<p>Chamava atenção o brilho nos olhos, a alegria de reencontrar velhas companheiras. Algumas, após a diáspora das prisões, exílios, perda de pessoas queridas, amores, especialmente na década de 1970, nunca mais tinham se encontrado.</p>



<p>Estar naquele prédio do Memorial, tinha também um simbolismo. Ali funcionou, de 1940 a 1983, o temido Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo, o DOPS. Durante a ditadura de 1964, foi um dos principais centros de repressão aos movimentos de oposição. Muita gente foi torturada e morta no local, que ficou conhecido como um dos principais “porões da ditadura”.</p>



<p>No momento em que o Brasil se depara e reflete sobre os 60 anos do Golpe de 1964, no dia 31 de março, elas vão compartilhar suas “memórias de resistência”, sobre a lutas operárias, nos movimentos sociais, nos clubes e associações estudantis, na guerrilha.</p>



<p>Quem bolou o evento foram duas mulheres que lutaram na clandestinidade contra o regime: Cuca Amaral, de 73 anos, que foi militante da Ala Vermelha e Lia Zatz, de 72, da VAR-Palmares, organizações que entraram na luta armada contra a ditadura.</p>



<p>Nos encontro anteriores, os temas foram “Por quê você virou feminista?”, e “A imprensa feminista nos anos 1970”.</p>



<p>“Fui convidada por amigas para um encontro sobre a imprensa feminista, e no primeiro encontro, fiquei muito impressionada, ao escutar as histórias das mulheres, de como elas faziam o jornais como <em>Nós Mulheres</em>, o <em>Brasil mulher</em>, e outros, que eram produzidos e distribuídos pelas lésbicas, e que cumpriram um papel muito importante para falar do feminismo e da sexualidade”, lembrou Maria do Socorro Santos, 79 anos, que foi militante da Ação Popular (AP), e viveu na clandestinidade de 1967 a 1973.</p>



<p>“Essas mulheres usaram, com tenacidade, espaços que a ditadura, mesmo com o controle das informações e a censura, não conseguia alcançar: era coisa de mulher. Sem o apoio legal de jornalistas, sem amparo financeiro, de forma artesanal, chegavam a produzir 10 mil exemplares, que eram distribuídos em jornais, igrejas, associações e sindicatos”.</p>



<p>Ela disse que ficou impressionada com os relatos, porque nesta época, estava na militância clandestina no Nordeste.</p>



<p>Uma linha do tempo foi apresentada e atualizada, desde o começo do ano 1960, duas perguntas surgiram: “onde eu estava nesta época? Quantos anos eu tinha”.</p>



<p>Uma das participantes não perdeu a deixa e comentou:</p>



<p>“Gente, o golpe está completando 60 anos… imagine a nossa idade…”</p>



<p>As participantes caíram na risada.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Sama-31-de-marco-3.jpg" alt="Foto de um pequeno grupo de mulheres idosas em um ambiente interno, possivelmente uma galeria ou museu. O ambiente parece ser uma sala ampla e iluminada, possivelmente uma galeria ou museu. Há um painel preto com texto branco ao fundo, embora o conteúdo do texto não seja claramente visível. As pessoas estão em pé, vestidas de forma casual e estão se cumprimentando. O piso é de madeira clara e as paredes são brancas, contribuindo para a atmosfera luminosa do espaço." class="" loading="lazy" width="335">
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: Samarone Lima</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Nessas rodas de conversa que estamos realizando no Memorial, além do reencontro com queridas amigas e companheiras de militância feminista, estamos podendo pensar na nossa ação passada, não como nostalgia, mas como possibilidade de futuro. Percebendo o quão importante foi sem deixar de fazer autocrítica. Não estamos aposentadas. “, lembrou Lia Zatz, também organizadora das rodas de conversa. Ela foi militante da Var-Palmares entre 1969 e 1970, quando partiu para o exílio.</p>



<p>“Somos feministas velhas ou velhas feministas, com a cabeça sempre caraminholando novas possibilidades de vida e ação. Talvez essa nossa postura inspire algumas jovens que vêm participar das nossas rodas de conversa. E que bom será se elas também puderem nos inspirar!”</p>



<p>Frases inspiradoras surgiam a cada instante. Muitas vezes, quem falava esquecia de dizer o próprio nome, como se fosse mesmo uma voz coletiva.</p>



<p>“Por uma declaração viva dos Direitos Humanos. Pelo direito à memória. O direito de celebrar suas lembranças como memória”.</p>



<p>“O que me morreu?”</p>



<p>“Nas férias, meu pai veio e fomos para o Nordeste. Quando os militares vieram, não me encontraram”.</p>



<p>“Nesta época, eu me senti amada, e amei as pessoas todas”.</p>



<p>“A ditadura é o reino dos idiotas, que vão tentar provar que são os melhores”.</p>



<p>Uma jovem, de uns 20 anos, assistia fascinada o encontro. Ela pegou o microfone, e fez duas perguntas. Ao final, fez um balanço de sua geração.</p>



<p>“Nossa, a gente não está com nada! Vocês têm que continuar falando!”</p>



<p>Uma das mulheres da roda respondeu:</p>



<p>“Perguntem aos seus pais o que aconteceu”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mergulhos na alma</h2>



<p>Elas participaram do evento, falaram sobre suas vidas e refletiram sobre a importância das conversas realizadas no memorial:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Maria do Socorro Santos, foi militante da Ação Popular (AP), de 1964 a 1973</strong></li>
</ul>



<p>&#8220;Fiquei realmente comovida de escutar, depois de 50 anos ou mais, o relato dessas mulheres. Não só isso, mas de iniciar um movimento de consciência da opressão contra as mulheres. E de também ter um espaço onde a gente estava conversando, falando, expondo, onde me senti muito à vontade de falar da minha experiência, do que eu estava fazendo nessa época, e as pessoas começaram a falar, e os depoimentos foram maravilhosos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Sama-31-de-marco-1.jpg" alt="Foto de uma mulher jovem segurando um cartaz que diz “TEM QUE TER MULHER”. A imagem é em preto e branco e parece ser uma fotografia antiga. A moça está no centro da imagem. Ela tem cabelo escuros curtos, olhos escuros e um semblante sério. Ela está sentada e veste camisa xadrez sobre blusa preta. O fundo da imagem é escuro e não oferece detalhes discerníveis além de sugerir um ambiente interno" class="" loading="lazy" width="686">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Foto que integra a exposição &#8220;Mulheres em luta&#8221;. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/Mulheres em Luta</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Cuca Amaral, foi militante da Ala Vermelha, de 1969 e 1972.</strong></li>
</ul>



<p>“No final da reunião, depois de ouvir tantos depoimentos emocionantes de minhas companheiras, pensei em como eu me sentia quando entrei na faculdade em 1968. Eu tinha 18 anos. Era o auge da repressão. Os anos de chumbo do ditador Médici. </p>



<p>Depois da promulgação do AI-5, em 1968, estudantes eram arrancados das salas de aula. Centenas de professores da USP foram aposentados compulsoriamente e outros tantos presos. A tortura e os assassinatos eram a regra. Minha irmã mais nova foi presa no Doi-codi. Meus amigos foram todos presos. Eu fugi com meu companheiro para outro estado, com documentos falsos. Depois, foi o exílio por 10 anos.</p>



<p>Minha pergunta é: por que arrisquei minha vida, destruí minha futura carreira com tanta coragem? Afinal, eu tinha apenas 18 anos. A única resposta que me ocorre é: por que eu tinha um sonho, uma causa altruísta que motivava minha vida. Eu acreditava que poderíamos criar uma sociedade mais justa, livre, onde os jovens de todas as classes sociais poderiam realizar seus sonhos.</p>



<p>E hoje, com 73 anos, no que eu acredito? O que me faria arriscar novamente minha vida? Nossa geração de 68 deveria se fazer essa pergunta.</p>



<p>Não podemos simplesmente delegar para as gerações mais novas a responsabilidade de lutar por uma sociedade mais justa. Nós temos que nos colocar novamente numa luta por mudanças radicais da nossa sociedade. Ninguém dá a vida por pequenas reformas. É preciso ir na raiz dos problemas: o colonialismo, o patriarcado e o capitalismo&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Sama-31-de-marco-2.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Sama-31-de-marco-2.jpg" alt="Nesta foto, vê-se uma manifestação ou protesto com várias pessoas segurando cartazes e faixas. A imagem é em preto e branco, indicando que pode ser uma fotografia antiga. Muitas pessoas estão reunidas na rua, parecendo participar de um protesto ou manifestação. Os participantes seguram várias faixas e cartazes com textos, embora nem todos sejam legíveis. Uma grande faixa na frente da multidão está escrita em português e menciona uma homenagem às mulheres que morreram pela liberdade, marcando 10 anos de anistia. O ambiente parece urbano com edifícios visíveis ao fundo e carros estacionados ao lado da rua. A faixa diz: “HOMENAGEM ÀS MULHERES QUE MORRERAM PELA LIBERDADE 1979-1989: 10 ANOS DE ANISTIA UNIÃO DE MULHERES DE S. PAULO”" class="" loading="lazy" width="675">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Foto que compõe a exposição &#8220;Mulheres em Luta&#8221;, em São Paulo.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/Mulheres em Luta</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Lia Zatz, foi militante da VAR-Palmares. de 1969 a 1970, quando se exilou.</strong></p>



<p>“Eu tinha 12 anos. A imagem que ficou na minha memória e que até hoje é vívida, foi esta: eu e minha irmã na janela do sobrado onde morávamos, vendo tanques de guerra passando em frente de casa, quando nossa mãe chegou correndo, assustada, para nos afastar da cena. Estudava numa escola tradicional, estava entrando na adolescência e mais interessada em meninos e festinhas.</p>



<p>No Ensino Médio, meu mundo tão pequenininho, de repente se expandiu enormemente, com professores maravilhosos, de história e geografia, por exemplo, deixaram de ser pura decoreba de nomes e datas para se transformar em compreensão e reflexão sobre a realidade. E na ação, sonhando com um mundo mais justo, me juntando a colegas que já participavam do movimento secundarista.</p>



<p>Era o ano de 1968. Ainda era possível participar de protestos e passeatas. Até que veio o AI-5. Com outros colegas, entrei numa organização clandestina. O ano de 1969 foi intenso. Eu era peixe pequeno, não participava de grandes ações. Mas muita gente que participava estava sendo presa e torturada.</p>



<p>No final do ano, eu e meu namorado começamos a ser procurados e tivemos que entrar na clandestinidade. No começo de 1970, fui embora para a França, onde já viviam muitos exilados brasileiros, com quem convivi, estudei e pude rever nossas práticas. No exílio, terminei o secundário e a faculdade sem nunca deixar de sonhar com um mundo mais justo.</p>



<p>Na volta ao Brasil, comecei a militar no movimento feminista. Nessas rodas de conversa que estamos realizando no Memorial, além do reencontro com queridas amigas e companheiras de militância feminista, estamos podendo pensar na nossa ação passada, não como nostalgia, mas como possibilidade de futuro. Percebendo o quão importante foi, sem deixar de fazer autocrítica&#8221;.</p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Os diários de Mércia Albuquerque, advogada de mais de 500 presos políticos</title>
		<link>https://marcozero.org/os-diarios-de-mercia-albuquerque-advogada-de-mais-de-500-presos-politicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Aug 2023 21:45:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[Mércia Albuquerque]]></category>
		<category><![CDATA[presos políticos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1993, quando fazia as pesquisas sobre o assassinato do militante mineiro José Carlos Novais da Mata Machado, assassinado no DOI-CODI do Recife em outubro de 1973, recebi uma informação importante da família Mata Machado: “Procure a advogada Mércia Albuquerque. Ela conseguiu localizar o local onde o corpo foi enterrado, conseguiu fazer a exumação e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><br>Em 1993, quando fazia as pesquisas sobre o assassinato do militante mineiro José Carlos Novais da Mata Machado, assassinado no DOI-CODI do Recife em outubro de 1973, recebi uma informação importante da família Mata Machado:<br><br>“Procure a advogada Mércia Albuquerque. Ela conseguiu localizar o local onde o corpo foi enterrado, conseguiu fazer a exumação e mandou para Belo Horizonte”.<br><br>Parecia um delírio, uma advogada conseguir uma façanha como aquela, no auge da ditadura. Entrei em contato, agendei uma entrevista e fui recebido em um apartamento simples, no centro do Recife, onde tivemos três longas conversas.<br><br>Chamava a atenção o pouco espaço para móveis e coisas de sua vida pessoal, e a grande quantidade de pastas, repletas de documentos, cartas, relatos, que ela foi guardando, do período em que se especializou em defender presos políticos durante o regime militar. Além de material da advogada, havia seus escritos, diários que certamente tinham muito do que ela viveu e sentiu na pele, porque se tornou amiga de muitos de seus “clientes”, que muitas vezes não tinham como pagar por seu trabalho. Muitas vezes, ela era que dava alguma ajuda. Muitas vezes, sequer a família sabia onde eles estavam presos. Foi ameaçada de morte muitas vezes.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Acervo no RN e a força dos diários</h2>



<p>Após a morte da advogada, em 2003, uma notícia pegou de surpresa os pernambucanos que conviveram com ela, ao longo de tantos anos. Seu marido, Otávio Albuquerque, por motivos afetivos, resolveu doar todo o material para o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, do Rio Grande do Norte, dirigido pelo economista<a href="https://saibamais.jor.br/2023/07/quem-foi-mercia-albuquerque-advogada-de-presos-politicos-tera-historia-contada/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Roberto Monte</a>.</p>



<p>É um material valioso, que já rendeu dissertação de mestrado, tem inspirado uma peça teatral no Rio de Janeiro, e resultou no livro <em>Diários de Mércia Albuquerque: 1973-1974</em>, publicação da Editora Potiguariana, sob a coordenação do próprio Monte. O lançamento será hoje, às 18h30, na Universidade Católica de Pernambuco, durante o 8° Encontro de Comitês e Comissões da Verdade.</p>



<p>O livro tem 182 páginas, com inúmeras fotos do acervo da advogada. Na orelha do livro, o militante político pernambucano Marcelo Mário de Melo, que passou quase dez anos preso, resume a importância da advogada naqueles anos de repressão e prisões arbitrárias, muitas vezes sem qualquer notificação judicial: &#8220;Ela era um pronto socorro jurídico permanente”.<br><br>Só nos diários de 1973-1974, são citadas 100 pessoas, entre torturadores, delegados, carcereiros e pessoas conhecidas. “O material jurídico do acervo é imenso. Ela defendeu seguramente mais de 600 pessoas. Toda a sua atuação na Justiça Militar está registrada. Mas ela guardou muitas cartas bilhetes, telegramas, um material de toda a vida”, diz Monte.</p>



<p>Em 1998, lancei o livro <em>Zé</em>, sobre a vida do mineiro José Carlos Novais da Mata Machado. Um dos capítulos, “A luta pelo corpo”, é todo sobre a batalha da advogada para encontrar o corpo do Zé, a pedido do pai do militante, o respeitado jurista mineiro Edgar de Godoy da Mata Machado. O militante foi assassinado sob torturas no DOI-Codi do Recife, em 28 de outubro de 1973, e enterrado como indigente no cemitério da Várzea.</p>



<p>Mércia conseguiu encontrar a vala, fazer a exumação do corpo e mandá-lo para Belo Horizonte, numa luta feroz com os agentes da repressão e da Justiça Militar.</p>



<p>Foi a pessoa mais corajosa que conheci. Se tinha medo, era&nbsp;segredo&nbsp;seu.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Leia alguns trechos do livro:</strong></h3>



<p><br><strong>23 de abril de 1974</strong> &#8211; &#8220;Gostaria de voltar a ser criança porque criança não tem passado. É maravilhoso não ter o que recordar por melhor que seja lembrança, deixa sempre aquela pontinha de saudade.&#8221;<br><br><strong>19 de maio de 1974</strong> &#8211; ”Sinto-me tão mal como se fosse morrer. E não pretendo por enquanto. Meu coração é um desgraçado está sempre me pregando peças. Odiarei a pessoa que suspeita do meu mal. Não quero viver respeitada por uma saúde delicada. Todos têm vindo a apressar os meus dias. Quero ser gente, não um vaso rachado em uma vitrine que ninguém se atreve a tocá-lo para não despedaçá-lo”.</p>



<p><strong>24 de janeiro de 1974</strong> &#8211; “Não sei se pare, não sei se recue, não sei se avance. Parar é deixar a luta, é covardia . Covardia maior, é recuar. O que me resta então a fazer? É avançar . Avançar pode trazer a morte, matar o que importa se certa estou eu da minha luta? Lutar e morrer, lutar é viver, viver é lutar. Muitas vezes é melhor morrer do que viver.<br>Conheço mortos vivos e vivos mortos. Serei morta-viva, não serei viva morta. Estou presente com meus amigos ausentes, em lembranças ternas, que ressuscitarão”.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O lançamento em Recife acontece nesta segunda-feira, dia 28 de agosto, às 18h30min, durante o 8º Encontro Norte e Nordeste de memória verdade e justiça, dia 28 as 18:30 na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), na rua rua&nbsp;do&nbsp;Príncipe.</strong></li></ul>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Capa do livro publicado pela Editora Potiguariana. Crédito: Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
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		<item>
		<title>Furtos, arrombamentos de casas, brigas de rua e tráfico de crack: a nova rotina no Sítio Histórico de Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/furtos-arrombamentos-de-casas-brigas-de-rua-e-trafico-de-crack-a-nova-rotina-no-sitio-historico-de-olinda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jun 2023 18:39:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[crack]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O casal de empresários Maxuel Macena e Arnandes Fernandes apostou tudo no Sítio Histórico de Olinda, para abrir um novo e charmoso café, numa das ruas mais famosas, com seus casarões centenários e imensas árvores &#8211; a rua do Bonfim. Alugaram um dos imóveis mais conhecidos, com muitos quartos, um salão imenso e jardim, onde [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O casal de empresários Maxuel Macena e Arnandes Fernandes apostou tudo no Sítio Histórico de Olinda, para abrir um novo e charmoso café, numa das ruas mais famosas, com seus casarões centenários e imensas árvores &#8211; a rua do Bonfim. Alugaram um dos imóveis mais conhecidos, com muitos quartos, um salão imenso e jardim, onde cabem muitas mesas. O local também se tornou a nova morada deles. Nas semanas seguintes, se preparavam para disponibilizar quartos para hospedagem.&nbsp;</p>



<p>Fizeram um planejamento de um ano, investiram R$ 50 mil. A inauguração&nbsp; do Morada do Bonfim Cafeteria e Hospedaria, em 14 de abril, teve um ótimo público, muitos amigos, elogios pela iniciativa, o cardápio variado, o excelente atendimento, já que quase não há mais opção de café numa cidade reconhecida como Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco.</p>



<p>Tudo parecia estar muito melhor do que tinham pensado, mas o sonho durou pouco. Menos de duas semanas depois, o pesadelo começou. A violência que vem atormentando os moradores e comerciantes das colinas históricas entrou na vida deles.</p>



<p>A primeira invasão da casa, onde vivem e funciona o café, foi dez dias depois da inauguração, quando uma funcionária chegou para começar o expediente viu que os ventiladores da área de serviço não estavam mais no lugar. Max descobriu que o ladrão tinha simplesmente pulado o portão da frente, ainda sem arames farpados ou cercas elétricas, elementos que tomaram conta da paisagem das casas do Sítio Histórico.</p>



<p>A segunda foi poucos dias depois. Desta vez, a ação foi mais ousada. Foram roubados dois botijões de gás, que tinham acabado de comprar, mas que estavam protegidos por uma grade.&nbsp;</p>



<p>“Entraram, abriram uma porta do depósito onde temos ferramentas, pegaram um ferro, quebraram o cadeado e levaram nosso gás”, contou o empresário</p>



<p>Max desconfia que o invasor tenha percebido no escritório uma vulnerabilidade na caixa do ar-condicionado. Aproveitou para avançar no roubo. Entrou pela caixa e abriu a porta por dentro.&nbsp;</p>



<p>Desta vez, foram oito garrafas de champanhe francesa, margarina e Coca-Cola, e dois baldes grandes, onde certamente colocaram o produto do roubo. O ladrão se sentiu tão à vontade, que aproveitou para defecar na área de serviço.&nbsp;</p>



<p>Max resolveu fazer um reforço na segurança. Comprou correntes e cadeados.</p>



<p>Mas a barra ficou pesada mesmo após a última invasão da casa, faltando dez minutos para uma hora da manhã. O casal dormia, quando Ernandes acordou assustado com um barulho.&nbsp;</p>



<p>“Estão invadindo a casa!”</p>



<p>Do quarto, através de um vidro, viram um homem arrombando a casa.</p>



<p>“Ladrão! Ladrão!”, gritou Arnandes.</p>



<p>O homem, ao escutar os gritos, saiu caminhando calmamente pela lateral da casa, mas eles não sabiam em qual ponto da casa ele poderia estar.</p>



<p>Tentando acalmar seu companheiro, que estava muito nervoso, pouco antes da uma da manhã, Max ligou para a Ciatur (Companhia Independente de Apoio ao Turista, da Polícia Militar), mas ninguém atendeu. Apelou para o 190, relatou o caso, que tinha um agravante:</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Atendimento da Ciatur deixa a desejar, mas PM participou da reunião com moradores Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>“O ladrão pode estar dentro da nossa casa”, alertou.</p>



<p>“Vamos mandar uma viatura” foi a resposta.</p>



<p>Dez minutos depois, ligou de novo. A mesma resposta. À 1h45, a mesma resposta.</p>



<p>Às duas horas da manhã, quase uma hora depois da primeira ligação, Max ligou novamente. A ligação foi passada para um homem que se apresentou como um &#8220;comandante da PM”, que deu uma orientação ao empresário:</p>



<p>“Pegue algum objeto contundente e vá para a área externa”.</p>



<p>Ele não acreditou na resposta.</p>



<p>“Comandante, eu não tenho nenhuma habilidade ou aptidão para este tipo de situação”.</p>



<p>“Mas infelizmente eu não tenho viatura disponível, e tenho quase certeza de que ele não está mais aí”.</p>



<p>Mesmo bastante nervoso, Max lembrou ao comandante da invasão ao Centro de Educação Musical de Olinda (Cemo), na qual o assaltante esfaqueou um vigilante diante das câmeras de segurança em meados de maio.</p>



<p>O comandante insistiu.</p>



<p>“E se fosse uma pessoa de sua família, o senhor indicaria esse tipo de conduta?”</p>



<p>A conversa terminou por ali.</p>



<p>Às 3h30, uma viatura da Ciatur chegou. Desde a primeira ligação para a PM, tinham se passado mais de duas horas</p>



<p>“Eles deram o apoio, mas já era muito tarde”, lamenta Max. “Ficamos reféns dentro de nossa própria casa”.</p>



<p>Às 4h30, chegou outra viatura.</p>



<p>“Viemos à mando do Comandante”, informou um policial pelo celular “Estamos aqui na frente da casa, na rampa, para proteger vocês. Vocês estão bem?”</p>



<p>“São 4h30, chamamos&nbsp;a PM meia-noite e cinquenta, senhor…”</p>



<p>“Ok, estamos aqui de prontidão”, foi a resposta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A reação dos moradores</strong></h2>



<p>A história de Max é simbólica do que está acontecendo de forma crescente e sem nenhum tipo de resposta concreta do poder público: o aumento exponencial da violência no Sítio Histórico, com roubo de qualquer coisa que possa ser revendida o mais rápido possível.</p>



<p>Nem mesmo a tradicional feirinha de alimentos orgânicos, que existe há mais de 15 anos, aos sábados, na Praça do Carmo, escapou. Há duas semanas, todos os barraqueiros fizeram um abaixo-assinado pedindo a presença de policiais militares durante a manhã, sob o risco de acabar.</p>



<p>A cada sábado, moradores de rua e usuários de drogas (principalmente crack) têm investido de forma agressiva junto aos feirantes e consumidores, na abordagem em busca&nbsp; comida, protagonizando cenas violência, com uso de facas e garrafas de vidro entre os próprios pedintes.</p>



<p>O vice-presidente da associação dos feirantes, Moisés Manoel da Silva, um dos idealizadores do abaixo-assinado, comemorou o primeiro dia em que dois policiais fizeram a segurança. A simples presença de policiais fardados ajudou a deixar o clima tranquilo.</p>



<p>“Hoje está tudo bem, mas já semana passada teve briga com caco de vidro aqui na frente. Muitas vezes, a abordagem para pedir as coisas é agressiva”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Consumo de crack entre moradores de rua acontece a qualquer hora. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Um dos feirantes, que não quis se identificar, disse que estava pensando em desistir.&nbsp;</p>



<p>“Não dá para trabalhar. Vou desistir. Pedem as coisas de maneira agressiva e já roubaram duas facas que uso para trabalhar”.</p>



<p>“Moro aqui há 37 anos e nunca vi isso. Tem três semanas que não venho”, diz a aposentada Mazoni Suzano. “Aqui era um ambiente confortável, onde tenho amigos. Não é só comprar alimentos. É saber que&nbsp;o encontro, a troca, um lugar que faz bem para a nossa saúde física e mental”.</p>



<p>Na quarta-feira, moradores do Sítio Histórico se reuniram mais uma vez, em audiência pública, convocada pela vereadora Dete Silva, na sede da Sodeca, para discutir o tema da segurança pública na Cidade Alta.</p>



<p>A conversa entrou pela madrugada e definiu os seguintes encaminhamentos:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Decisões da reunião dos moradores do Sítio Histórico:</strong></p><cite>1. Pedido de agendamento de reunião com o prefeito e suas principais secretarias. O secretário Alipio, que estava presente na audiência, vai dar retorno sobre a data desta reunião. Essa reunião vai ser importante pois a prefeitura irá apresentar as ações em execução, o planejamento e os dados.<br><br>2. Criação de Grupo de Trabalho (GT SHO) com representantes dos moradores, prefeitura, governo estadual e policias. A Sodeca vai encaminhar a mobilização e articulação deste GT.&nbsp; É necessário definição de representantes por Rua e/ou Logradouro para construir esse GT SHO, para além dos representantes da Sodeca.<br><br>3. Reunião na Sodeca na próxima quarta-feira (07/06) às 19h.</cite></blockquote>



<p>Em seu instagram, o artista plástico Luciano Pinheiro, que mora há décadas em Olinda, desabafou:&nbsp;</p>



<p>“Olinda vive verdadeira pandemia de assaltos à mão armada, arrombamentos e invasões de moradias que vêm apavorando moradores e afastando turistas da cidade, de dia e de noite. Relatos dramáticos foram feitos pelas recentes vítimas que salientaram o clima de nova tragédia anunciada, como foi o caso da saudosa Maria Alice dos Anjos em 2018, brutalmente assassinada em sua residência na rua 13 de Maio”.</p>



<p>Ele contou a realidade vivida diariamente pelos moradores:</p>



<p>“Nunca antes se viu tantos pedintes, excluídos, noiados, dormindo ao relento nas calçadas, arrombamento de casas e roubos de equipamentos públicos. A praça João Lapa, a praça do Carmo, e outras, são locais visíveis onde se concentram estes ‘excluídos’ da sociedade”.&nbsp;</p>



<p>Ele encerrou a postagem citando um aspecto que é citado por dezenas de pessoas que vivem, trabalham e querem mudar a realidade violenta que não para de crescer: a ausência do prefeito nas discussões e ações.</p>



<p>“Afirmo que não é um problema apenas policial, mas principalmente social, que precisa ser enfrentado pelos poderes públicos, prefeitura, governo do estado e governo federal. Afinal, Olinda é Patrimônio Mundial inserido no circuito turístico”.</p>



<p>“Existem meios para isto, mas o atual prefeito professor Lupércio é omisso e nem ao menos atende às solicitações da população do Sítio Histórico para estar presente nesta audiência e em outros encontros solicitados”.&nbsp;</p>



<p>“Esse problema começou a crescer há uns dois anos e vai demorar”, analisa o jornalista Almir Cunha, secretário executivo do Conselho de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda, que vem se posicionando nas redes sociais sobre o assunto.</p>



<p>“A prefeitura&nbsp;devia ser protagonista, mas não é. Aqui está bem pior que o Recife Antigo. Ela não atua. As coisas em Olinda são muito turvas. O próprio prefeito tem uma clínica para reabilitação de drogados, a Libertas, em Paulista”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sítio Histórico “apenas como vitrine”</strong></h3>



<p>O médico Carlos Marinho foi um dos líderes de um movimento, ano passado, pela segurança no Sítio Histórico. Ou, como ele diz, “um grito desesperado por segurança&#8221;. Lembra de tudo o que foi feito, de forma coletiva.&nbsp;</p>



<p>“Enlutamos a cidade, fizemos reunião com a Ciatur, fizemos carta-denúncia da situação que estávamos passando e distribuímos aos moradores e encaminhamos a autoridades em todos os níveis,&nbsp;sensibilizamos a imprensa falada, escrita e televisiva com diversas entrevistas, fizemos um ato contra a violência em frente à Igreja do Bonfim, fizemos reunião na Câmara de Vereadores sobre os problemas do Sítio Histórico e a violência”.</p>



<p>Após quatro tentativas de reunião como prefeito sem resposta,&nbsp;Carlos percebeu que o Sítio Histórico só serve mesmo como “vitrine” para o Carnaval.</p>



<p>“Após o Carnaval, ele anunciou que o Carnaval deu lucro de R$ 435 milhões. Depois do Carnaval, a tensão voltou a aumentar”.</p>



<p>Marinho é vizinho do Café que foi invadido quatro vezes.</p>



<p>Há três meses, sua casa foi invadida, após 45 anos morando na cidade.</p>



<p>“Pularam o portão, levaram um botijão de gás e uma escada”</p>



<p>Quanto a Maxuel e Arnandes, o café segue com muitos clientes, mas o tempo é para observação e reflexão sobre os impactos da violência.</p>



<p>“O Arnandes está dormindo mal e acorda assustado. Não é fácil passar pelo que passamos. Se for pra continuar assim, com medo, prefiro a gente devolver a casa e ir pra outro canto, pra viver em paz”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Feira de orgânicos foi palco de briga entre usuários de drogas que assediavam clientes e feirantes. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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		<title>&#8220;Menos um fazendo o L&#8221;: assassinato nas redes e a memória de um sobrevivente</title>
		<link>https://marcozero.org/menos-um-fazendo-o-l-assassinato-nas-redes-e-a-memoria-de-um-sobrevivente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 May 2023 21:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo Crônico]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[menos um fazendo o L]]></category>
		<category><![CDATA[violência bolsonarista]]></category>
		<category><![CDATA[violência urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tive que respirar fundo para não soltar um palavrão e assustar meu filho pequeno, que brinca de andar e mexer em tudo que represente perigo pela casa, enquanto tento escrever. Resumindo: “Após matar um jovem na ligação leste-oeste, região central de São Paulo, um motorista de aplicativo fez publicação em redes sociais debochando da vítima. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tive que respirar fundo para não soltar um palavrão e assustar meu filho pequeno, que brinca de andar e mexer em tudo que represente perigo pela casa, enquanto tento escrever.</p>



<p>Resumindo:</p>



<p>“Após matar um jovem na ligação leste-oeste, região central de São Paulo, um motorista de aplicativo fez publicação em redes sociais debochando da vítima. &#8216;Menos um fazendo o &#8216;L'&#8221;, em referência aos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.</p>



<p>A frase do motorista-assassino confesso:</p>



<p>“É o ladrão de celular. Ladrão, foda-se. Talvez eu encontre esse vagabundo em outra vida”, afirmou em um dos vídeos.</p>



<p>Esse negócio me doeu na alma porque o sujeito que foi morto (que também fazia uns bicos em aplicativos, além de vender bugigangas nos sinais) pode ter roubado um celular, mas ele não era só isso. Era um ser humano. E os tempos estão tão medonhos, que não basta mais matar. É preciso postar nas redes sociais.</p>



<p>Isso é típico dos tempos fascistas que estamos vivendo. Sem a exibição, nenhum crime compensa.</p>



<p>Pois bem. Pego o gancho desta notícia absurda para falar deles, os milhões de brasileiros que trabalham em aplicativos, de carro, moto e bicicleta.</p>



<p>Moro em Olinda, numa rua que tem um nome pomposo, mas todo mundo conhece mesmo é como “rua da Palha”. Parece uma vila, com as casas bem coladas, e a porta já da para a rua. Não tem interfone, portaria, nada.</p>



<p>A gente vê como a luta pela sobrevivência é um osso duro, perverso, e deixa cicatrizes.</p>



<p>Como sou cronista há muitos anos, meu material básico é o ser humano, suas dores e delicias. Por isso, adoro conversas. Sem conversa, não cronista, há artigos sociais. Nosso material humano é esta mistura de lágrimas, epifanias, dores, ressurreições.</p>



<p>Sempre que chega algum entregador de alguma coisa aqui em casa, a regra básica é simples:</p>



<p>Abro a porta, o portão, pergunto o nome do entregador e pergunto algo.</p>



<p>O fato de perguntar o nome sempre causa surpresa. Mas o fato de ser tratado com respeito, de agradecer pelo seu trabalho e perguntar sobre sua vida, é um pequeno desvio na curva.</p>



<p>Mas justamente depois de ter lido a matéria na Folha de São Paulo, chegou um camarada de uns trinta anos, trazendo dois pacotes de fraldas. Veio de bicicleta. Era o final da manhã, e o sol cozinhava o juízo. Aqui em Olinda, o sol não é para amadores.</p>



<p>Perguntei seu nome: Antônio. Me entregou os pacotes, vi uma marca grande no seu braço.</p>



<p>“Isso foi acidente?”, perguntei.</p>



<p>“Que nada, foi leptospirose, a doença do rato. Quase morri. Fiquei dez dias entubado. Peguei fazendo entregas, aquelas chuvas que mataram meio mundo de gente dos morros”.</p>



<p>Me olhou e alisou o braço, onde tinha a marca.</p>



<p>“Fiquei dez dias entubado. Na água da chuva tinha mijo do rato. Peguei. Essa marca aqui é dos soros que tomei, por onde entravam os remédios”.</p>



<p>“Ficasse internado onde?”</p>



<p>“No Miguel Arraes”.</p>



<p>Resposta mais pernambucana que essa, impossível.</p>



<p>“O médico disse que eu tive muita sorte, porque fui atendido em 24 horas. Meu rim estava parando. Dos três que entraram comigo, fui o sobrevivente”.</p>



<p>Após uma pausa, ele completou.</p>



<p>“Foi aperreio, visse?”</p>



<p>“E o iFood te ajudou em alguma coisa?”</p>



<p>“Porra nenhuma. Em caso de acidente, o cara só recebe se ficar numa cama. Se morrer trabalhando, a família recebe R$ 100 mil. Mas eu não quero esse dinheiro de jeito nenhum”.</p>



<p>Ele tinha que seguir. Passei o código para ele.</p>



<p>“Tomara que apareça um trabalho melhor pra você, meu velho”.</p>



<p>“Deus te ouça. Só eu sei o que foram aqueles dez dias. O médico mesmo disse que sou um sobrevivente”.</p>



<p>“É mesmo”, concordei.</p>



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		<title>Filho de oficial do Exército produz filme para romper silêncio sobre a repressão e a ditadura</title>
		<link>https://marcozero.org/filho-de-oficial-do-exercito-produz-filme-para-romper-silencio-sobre-a-repressao-e-a-ditadura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Apr 2023 21:11:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Exército]]></category>
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		<category><![CDATA[repressão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Felipe Rezende nasceu em 1994, em Fortaleza, no Ceará, em uma família de classe média, e tinha na avó biológica, que era sua mãe adotiva, a grande fonte de histórias do passado &#8211; e ele era glorioso. Sobre o golpe de 1964, contava que o Brasil chegou perto de viver uma guerra, lembrava o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Caio Felipe Rezende nasceu em 1994, em Fortaleza, no Ceará, em uma família de classe média, e tinha na avó biológica, que era sua mãe adotiva, a grande fonte de histórias do passado &#8211; e ele era glorioso. Sobre o golpe de 1964, contava que o Brasil chegou perto de viver uma guerra, lembrava o clima de “prontidão” das Forças Armadas, mas nunca soube explicar quem era o real inimigo. Seu pai, aquele oficial do Exército aposentado, discreto, cordial, sempre disponível para conversar com os filhos, e com uma imensa dificuldade de dizer “não” em família, tinha feito parte daquela “Revolução de 1964”. Segundo a mãe, ele ajudou a evitar uma guerra civil no Brasil. Ele fez parte dos que tomaram o poder para “dar um jeito no Brasil”.</p>



<p>Quando começou a crescer e fazer perguntas ao pai sobre aquele movimento que parecia ter sido “glorioso”, Caio recebia respostas evasivas.</p>



<p>“Eu fiquei de prontidão no quartel-general, e não fiz nada, não prendi ninguém, não fiz nada. A gente jogava damas o tempo todo”.</p>



<p>Mas tinha em casa um acervo dos tempos de caserna que demonstrava uma forte participação nas demandas oficiais. Placas, retratos e comendas descansavam dentro do guarda-roupa, junto ao uniforme, coberto com a capa do Estado Maior. Na parte de cima, em sacos plásticos, um capacete de aço, quepe, duas baionetas Mauser 1898 e duas espadas da campanha da Guerra do Paraguai.</p>



<p>Somente no governo de Jair Bolsonaro (2019 a 2022), as relíquias ganhariam lugar de destaque na casa.</p>



<p>“Tudo entrou em cena com destaque. Até peças de uniforme que eu nunca tinha visto, apareceram”, lembra Caio.</p>



<p>Continuava impecável a capa que usara, em ocasiões solenes. “Ele tinha um orgulho silencioso. Nasci em 1994, mas nossa casa parecia estar ainda em 1964”..</p>



<p>A primeira vez que viu aquele homem calmo, cordato, que não se alterava por nada, que apoiava os filhos incondicionalmente, que era amoroso com a família, foi na posse do primeiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2003.</p>



<p>Ele ficou surpreso. O pai estava com raiva. Mas a seu jeito. Resmungava, sem alterar o equilíbrio.. Nunca deu um grito em casa. Era um protesto baixo, só para ele ouvir. Mas surgia, aos olhos de um menino de nove anos, um homem passional. Muito controlado em suas próprias emoções, mas passional. Mais tarde, lembrando daquela reação, descobriu que o pai tinha um ”ódio apaixonado”, que ficara guardado durante anos.</p>



<p>“Sapo barbudo! Criminoso! Ladrão! Esse cara não pode estar aí”, resmungava.</p>



<p>Na adolescência, começou a se interessar pelos livros disponíveis em casa. Eram publicações da Biblioteca do Exército, que o pai recebia como assinante especialmente sobre a Segunda Guerra Mundial, que a Biblioteca do Exército enviava para os assinantes. O nazismo, o funcionamento da Gestapo (a polícia secreta criada pelos nazistas para monitorar e perseguir quem representasse uma ameaça ao estado) despertaram sua atenção.</p>



<p>“Neste período, eu não era de direita. Era um fascista mesmo. E tinha simpatia pelo nazismo, mas nunca militei ao lado deles. Quando fui conhecê-los enquanto movimento organizado, já era 2015/2016, quando eu já começava a questioná-los. Aí, eu não quis mais me juntar a eles”.</p>



<p>O resumo daquele período confuso se resume em uma frase:</p>



<p>“Me preparei, li, estudei, mas não consegui ser um fascista”..</p>



<h2 class="wp-block-heading">“Será que o papai pode ser preso?”</h2>



<p>Caio parecia enredado em um labirinto de informações truncadas, mas não desistia de entender o mistério que rondava aquele universo que parecia tão cheio de regras, do mundo militar, e perguntas sem respostas.</p>



<p>Estava com 16 anos, em 2010, quando o Supremo Tribunal Federal marcou para abril, o julgamento final de um pedido da OAB para revisar a Lei da Anistia, de 1979, que acabou dando o perdão aos representantes do Estado (policiais e militares) acusados de praticar atos de tortura durante o regime militar. Caso o pedido de revisão da Lei fosse aprovado, muitos militares que trabalharam diretamente nos órgãos de repressão, que resultaram em torturados, mortos e desaparecidos, poderiam &#8211; ao menos hipoteticamente &#8211; ser presos.</p>



<p>A cada reportagem exibida na TV sobre o assunto, a tensão em casa aumentava. Num almoço, Caio escutou a pergunta que lhe marcou:</p>



<p>“Será que o papai pode ser preso?”</p>



<p>“Quando eu perguntava, ninguém respondia nada, e o papai ficava muito tenso”.</p>



<p>A tensão aumentou com a possibilidade de prisão do general Newton Cruz, considerado um símbolo da repressão do regime, acusado de ter envolvimento no atentado no Riocentro, em 30 de maio de 1981.</p>



<p>“O Newton cruz era muito amigo do papai . Foi seu chefe. Quando ele viu a matéria na TV, deu um murro na cadeira resmungou sem perder a fleuma.</p>



<p>“Que coisa é essa? Cadeia para um general?”</p>



<p>Nada aconteceu. Por 7 votos a 2, o STF julgou o pedido da OAB improcedente.</p>



<p>No dia 18 de novembro de 2011, foi criada, oficialmente, no governo Dilma Rousseff, a Comissão Nacional da Verdade, para investigar as &#8220;graves violações de direitos humanos, entre 1946 e 1988.</p>



<p>“Isso é tudo mentira, é uma farsa, uma palhaçada. Se eu fosse chamado, jamais falaria”, comentou o pai.</p>



<p>Caio começou a metamorfose. Deixou de ver os sites nazistas, e começou a assistir, pela internet, os depoimentos de vítimas da ditadura na Comissão da Verdade.</p>



<p>Estava chegando a hora de conversar a sério com o pai.</p>



<p>Perguntou sobre interrogatórios.</p>



<p>“O senhor participou de algum?”.</p>



<p>“Nunca. Eu trabalhava com logística”.</p>



<p>“O senhor fez o curso de informações?”</p>



<p>“Deus me livre!”</p>



<p>Com esta resposta, Caio ficou cismado. Algum segredo guardado havia.</p>



<p>Mas não sabia o que fazer. Estava com 17 anos, e tudo era nebuloso. Ironicamente, em sua casa, a verdade era escorregadia.</p>



<p>Resolveu pesquisar por conta própria.</p>



<p>Retornou ao pai, não mais com perguntas, mas com uma decisão.</p>



<p>“Pai, vou pesquisar sobre esse período”</p>



<p>“Não vou falar nada. Não tenho nada a ver com isso. Do Exército, só quero mesmo o meu salário”</p>



<p>O pai, no entanto, deixou que pegasse os telefones dos militares que eram seus amigos, para tirar suas dúvidas.</p>



<p>Caio ficou extasiado. A agenda tinha o nome e a patente de todos os amigos do pai.</p>



<p>No primeiro encontro, Caio perguntou a um amigo do seu pai, um coronel também da reserva:</p>



<p>“Onde o senhor estava no dia 31 de março de 1964?”</p>



<p>E imediatamente começou a ler tudo sobre a ditadura.</p>



<p>Como era filho de um militar de alta patente, muito querido, Caio começou a ser recebido por vários militares da reserva, que indicavam outros para falar. A resposta aos pedidos de conversa eram sempre as mesmas:</p>



<p>“Você não é o filho de fulano? Venha aqui em casa, rapaz, que conversamos sim!”</p>



<p>Caio nunca imaginaria que estava começando um projeto que mudaria sua vida.</p>



<p>Era o ano de 2014, cinquentenário do Golpe.</p>



<p>Fez um curso de cinema, abandonou o curso de História, virou cineasta e começou a entrevistar militares de várias patentes. Agora, Caio está em Pernambuco pesquisando personagens para o roteiro do seu primeiro documentário em longa metragem.</p>



<p>O filme se chama <em>Servil</em>, e tem como foco militares de diversas partes do país que atuaram no aparato repressivo durante a ditadura.</p>



<p>“O filme que estou fazendo é sobre os agentes. Mas é também o ensaio de um herdeiro da repressão que não aguenta mais. Que sente necessidade de falar sobre isso. É a exposição da minha desconstrução, a forma como a radicalização do Brasil me radicalizou”.</p>



<p>Ele acredita que “não dá pra avançar nesse tema sem falar sobre os filhos de agentes&#8221;, e continuar varrendo isso para debaixo do tapete, “fingindo que não é importante, que a gente não faz parte da quebra do silêncio”.</p>



<p>“Me dói profundamente o que as Forças Armadas fizeram com o povo brasileiro. Há uma dor latente nas pessoas que estão com a ferida aberta, e a gente sabe quem são os culpados”, diz Caio.</p>



<p>“O esquecimento é um adoecimento da memória”, completa, antes de sair para coletar mais respostas para as perguntas que nunca foram respondidas em casa.</p>



<p>O documentário foi Foi financiado pelo XIV Edital Ceará de Cinema e Vídeo da Secretária de Cultura do Estado do Ceará.</p>



<p><strong>Os nomes dos familiares e dos militares que já deram depoimento ao documentário não foram revelados a pedido de Caio.</strong></p>



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	                                        <p class="m-0">Por influência da família, Caio era simpatizante do nazismo na adolescência. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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