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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Data centers não têm destaque em programas de candidatos, mas devem impactar o Nordeste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 19:20:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
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		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A primeira cena que vemos ao entrar na sede do território indígena Anacé, em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza (CE), é um caminhão-pipa despejando água em uma cisterna. Com cerca de 16 mil litros, o carro-pipa custa R$ 250 e o abastecimento costuma durar seis meses. É nesse cenário de escassez hídrica que, a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A primeira cena que vemos ao entrar na sede do território indígena Anacé, em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza (CE), é um caminhão-pipa despejando água em uma cisterna. Com cerca de 16 mil litros, o carro-pipa custa R$ 250 e o abastecimento costuma durar seis meses. É nesse cenário de escassez hídrica que, a apenas três quilômetros dali, 70 hectares de vegetação, o equivalente a cerca de 100 campos de futebol, foram devastados para a construção de um data center de inteligência artificial para servir ao TikTok – em um projeto da Casa dos Ventos, empresa de usinas eólicas, e da Omnia, de tecnologia.</p>



<p>A instalação deste data center está sendo ruidosa. O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) questionam na Justiça a legalidade do licenciamento ambiental, que foi feito com um relatório simplificado, modalidade prevista para empreendimentos de baixo impacto, e pedem que o data center só opere após elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima). O caso acende um alerta para o que pode acontecer em Pernambuco e em toda a região Nordeste.</p>



<p>No dia 15 de setembro, <a href="https://lula.com.br/lula-assina-lei-que-incentiva-instalacao-de-datacenters-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o presidente Lula sancionou a lei do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata)</a>, que abre as portas do Brasil para o mercado dos data centers de IA, com uma série de benefícios fiscais. Para ter acesso às vantagens do Redata, a empresa precisa, entre outras exigências, atender a toda a sua demanda de energia elétrica com contratos de suprimento ou autoprodução a partir de &#8220;fontes renováveis ou de baixa emissão&#8221;.</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Os benefícios fiscais do Redata</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>PIS/Cofins, IPI e Imposto de Importação ficam suspensos na compra de equipamentos de TI listados pelo governo, como servidores e componentes. A suspensão vira alíquota zero quando o equipamento é incorporado ao patrimônio da empresa e ela cumpre as exigências de sustentabilidade, energia, água e pesquisa. Se não cumprir, paga os tributos com juros e multa.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>O governo estima que os equipamentos respondem por até 85% do custo de instalação de um data center. A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) calcula que o regime alcance até um terço do investimento total, porque obra, sistema elétrico e refrigeração ficaram de fora.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span> Com a reforma tributária, PIS/Cofins e IPI só ficam suspensos até 31 de dezembro de 2026. Depois sobra o Imposto de Importação, e só para equipamentos sem produção nacional equivalente.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Fabricantes nacionais que fornecem equipamentos a data centers habilitados também podem se beneficiar, porque a lei permite que eles sejam coabilitados.</p>
            </div>
            </div>



<p>Sócia-fundadora do Instituto Terramar, que vem dando suporte aos indígenas Anacé, Soraya Vanini Tupinambá diz que o Nordeste vai ser a &#8220;zona sacrificial&#8221; do Brasil para a instalação dessas grandes estruturas de computadores. &#8220;O Nordeste concentra a maior produção eólica do Brasil, com destaque para Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Pernambuco. Projetou-se uma produção de energia maior do que a capacidade de transmiti-la para o Sudeste pelas linhas de transmissão e de absorvê-la na própria região&#8221;, conta Soraya.</p>



<p>A ideia anterior era usar essa energia sobressalente na indústria de hidrogênio verde, lembra a ativista. &#8220;Todos os estados criaram marcos legais e assinaram memorandos de entendimento, mas as plantas de hidrogênio verde não avançaram como se esperava. É essa sobreoferta de energia que hoje atrai os data centers, ávidos por água e energia&#8221;, avalia.</p>



<p>O Semiárido do Nordeste, porém, é uma região de escassez hídrica, onde os recursos já são insuficientes para as necessidades das populações locais. &#8220;Atrair um setor que também consome muita água é extremamente desafiador. Nos data centers, há um balanço entre água e energia: se usa muita água, gasta-se menos energia; se usa pouca água, gasta-se muita energia. Os impactos são claros. Mesmo num sistema fechado, há perda de água por evaporação e contaminação pelo uso de fluidos e químicos. Por isso, de tempos em tempos, essa água precisa ser reposta. Não existe sistema fechado sem perdas. Para entender os impactos de um data center, é preciso conhecer a eficiência dele no uso da água e da energia&#8221;, explica Soraya.</p>



<p>O Instituto Terramar acompanhou de perto a luta dos Anacé contra a instalação do data center em Caucaia. Pouco antes de o MPF e a DPU entrarem na Justiça contra o empreendimento, os indígenas Anacé assinaram um acordo com os empresários, para diminuir os impactos na comunidade. O acordo prevê a construção de itens básicos na comunidade, como uma escola e uma horta, e impede os representantes dos Anacé de darem entrevistas criticando o projeto.</p>



<p>Fundador do <a href="https://ip.rec.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">IP.rec </a>&#8211; Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife, o advogado André Lucas Fernandes, doutor em direito com foco em IA, diz que o Redata é um erro por primeiro conceder benefícios fiscais para as empresas antes de estabelecer regras para que essa instalação tenha menos impactos sociais e ambientais. Também não há como as comunidades saberem previamente sobre a instalação de um data center na vizinhança.</p>



<p>&#8220;O Redata não garante essa informação para os moradores. Em Caucaia há uma população indígena no entorno, e o Brasil é signatário da Convenção 169 da OIT, que obriga à consulta livre, prévia e informada. Prévia ela já não foi. E agora houve um acordo com a liderança Anacé para que aceitem o data center em troca de coisas que já eram obrigação do Estado: escola, estrada, água, saúde&#8221;, critica André Fernandes.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/data-center-pipa-300x169.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/data-center-pipa-1024x576.jpeg" alt="Foto de uma área rural com vegetação abundante e céu azul com nuvens brancas. Em primeiro plano, uma pessoa está posicionada atrás de um caminhão-tanque branco estacionado ao lado de uma construção simples de tijolos aparentes. Próximo ao veículo, há uma estrutura circular de concreto com cobertura em formato cônico, sugerindo um reservatório ou sistema de armazenamento de água. Árvores e coqueiros cercam o local, reforçando o ambiente campestre e de infraestrutura hídrica." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: Maria Carolina Santos/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">A discussão sobre data centers em Pernambuco</h2>



<p>Há basicamente dois tipos de data centers. Os chamados <em>edge</em> (de borda) são instalações pequenas, espalhadas e próximas dos usuários, muitas vezes dentro de prédios nas cidades. Servem para reduzir o tempo de resposta da internet (a latência), em aplicações como streaming, internet das coisas ou cirurgia remota.<br><br>Os que vêm causando problemas mais sérios são os de hiperescala. São complexos gigantescos, com galpões que podem ocupar áreas equivalentes a dezenas de campos de futebol e consumir centenas de megawatts, como o de Caucaia, projetado para 300 MW. Concentram enorme capacidade de processamento para nuvem e inteligência artificial e, por isso, exigem energia dedicada e muita refrigeração.<br><br>Segundo levantamento do site <a href="https://www.datacentermap.com/brazil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Data Center Map</a>, o Brasil tem 218 data centers em operação. Em Pernambuco, há três em funcionamento, todos no Recife e do tipo <em>edge</em>. Ainda não há nenhum projeto divulgado de data center de hiperescala para o Recife, mas há rumores de um possível projeto no Complexo Eólico Ventos de São Clemente. Nas listas públicas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o único pedido de conexão de um data center de grande porte em Pernambuco é de um projeto da Eólica Serra das Vacas em Paranatama, no Agreste, que não avançou.<br><br>Com potencial para gerar conflitos no interior do estado, o tema dos data centers está sendo pouco discutido nas campanhas e nos guias eleitorais. Quando aparece, é sob o guarda-chuva do desenvolvimento econômico, sem se problematizar a questão do barulho, da água e da energia.<br>A Marco Zero analisou os programas de governo das três candidaturas que pontuam nas pesquisas para o Governo do Estado e também dos dois principais candidatos à Presidência. Confira o que eles dizem, ou não dizem, sobre data centers.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Os data centers nos programas dos candidatos ao Governo de Pernambuco:</h3>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Raquel Lyra (PSD): </span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Em número de páginas, 106, é o mais longo plano de governo entre os analisados pela Marco Zero. O termo “data center” não aparece nenhuma vez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao falar de tecnologia de forma ampla, o programa fala genericamente em “promover a atração de empresas globais de tecnologia” e “promover o Sertão do Nordeste como polo estratégico de tecnologias e saberes inovadores para a economia do futuro e a adaptação climática”.</span></p>
<p><a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/NORDESTE/PE/20322002026/170002537227/2026/PE" target="_blank" rel="noopener">Baixe o programa de governo no DivugaCand </a></p>
	</div>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">João Campos (PSB):</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">A proposta sobre data centers aparece no eixo “Ciência, Tecnologia e Inovação” das 30 páginas de propostas do ex-prefeito do Recife. A ideia é ampliar a rede de cabos para atrair data centers para o estado. Não se fala em impactos socioambientais. </span></p>
<p><b>Trecho completo:</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">“Implantar o Cinturão da Inteligência, conectando a entrada de cabos submarinos em Suape ao Polo Industrial de Goiana e à expansão da fibra óptica para o interior. A rede ampliará a conectividade de empresas, serviços públicos e comunidades e fortalecerá a atração de data centers e investimentos tecnológicos.”</span></p>
<p><a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/NORDESTE/PE/20322002026/170002537230/2026/PE" target="_blank" rel="noopener">Baixe o programa de governo no DivugaCand </a></p>
	</div>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Ivan Moraes (PSOL):</span>

		<p>O programa do candidato fala das pressões sobre energia e água que a instalação de um data center impõe e é o único dos programas analisados pela Marco Zero a criticar os impactos ambientais que atingem as comunidades locais.</p>
<p>Em 86 páginas, a palavra “data center” aparece duas vezes no documento em um mesmo parágrafo, no eixo Ciência e tecnologia.</p>
<p><strong>Trecho completo:</strong><br />
Nos últimos anos, a região Nordeste tem se tornado alvo da expansão acelerada de infraestruturas que usam intensivamente seus recursos naturais, como grandes data centers e projetos energéticos de larga escala. Embora sejam frequentemente apresentados como símbolos de inovação e desenvolvimento, esses empreendimentos podem gerar forte pressão sobre recursos hídricos, energia elétrica, territórios rurais e ecossistemas locais, especialmente em regiões já afetadas pela escassez hídrica e pelas mudanças climáticas. Além disso, a instalação de data centers costuma ocorrer mediante benefícios fiscais, flexibilização regulatória e reduzida participação popular nos processos decisórios, enquanto os impactos ambientais e territoriais recaem sobre comunidades locais.</p>
<p><a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/NORDESTE/PE/20322002026/170002538097/2026/PE" target="_blank" rel="noopener">Baixe o programa de governo no DivugaCand </a></p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Os data centers nos programas dos candidatos à presidência:</h3>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Lula (PT):</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Os datacenters são citados como uma estratégia para a soberania tecnológica do Brasil. O documento fala também “salvaguardas socioambientais obrigatórias” e na utilização progressiva de fontes 100% renováveis, além de contrapartidas de “conteúdo local”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Datacenter” ou “data center” aparece três vezes no programa de 84 páginas, em dois parágrafos encadeados. Trecho completo: </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Para que o Brasil ocupe posição de liderança em áreas estratégicas como inteligência artificial, transformação digital, biotecnologia, fármacos avançados e transição energética, precisamos avançar nos elos da cadeia de valor da transformação digital. No próximo ciclo, vamos fomentar o desenvolvimento do ecossistema nacional de tecnologia digital, desde a cadeia de datacenters até os serviços de nuvem, com destaque para o fortalecimento da inteligência artificial desenvolvida por empresas brasileiras. Mobilizaremos investimentos, inovação, compras governamentais e sinergias entre empresas públicas e privadas, universidades e centros de pesquisa, fortalecendo a capacidade nacional nas cadeias digitais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vamos avançar numa infraestrutura computacional soberana, com supercomputadores desenvolvidos e operados por instituições nacionais. Vamos assegurar que a expansão de data centers e infraestruturas de inteligência artificial seja acompanhada de salvaguardas socioambientais obrigatórias, exigindo eficiência energética, utilização progressiva de fontes 100% renováveis e avaliação de impactos sobre o sistema elétrico, hídrico e populações locais. Além disso, a instalação dos datacenters em solo brasileiro deve prever contrapartidas de conteúdo local e capacidade computacional para o mercado interno.&#8221;</span></p>
<p><a href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/arquivos/proposta-pt/@@display-file/file/proposta-pt.pdf" target="_blank" rel="noopener">Confira o programa completo</a></p>
	</div>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Flávio Bolsonaro (PL):</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Os data centers aparecem em quatro temas do programa de 76 páginas. A palavra “Data center” aparece seis vezes. O único aceno ambiental é &#8220;data centers sustentáveis, aproveitando a matriz elétrica renovável&#8221;. Não há menção à água, impactos sociais e locais ou salvaguardas. </span><span style="font-weight: 400;">Trechos completos: </span></p>
<p><b>Energia<br />
</b><span style="font-weight: 400;">“Na energia elétrica, vamos simplificar a conta de luz, racionalizando encargos e subsídios cruzados, e promover a redução gradual da CDE e das fontes incentivadas, mantida a tarifa social. A mesma redução de impostos sobre energia e combustíveis que alivia o orçamento das famílias, detalhada no Brasil Mais Barato, torna o país competitivo para atrair data centers e inteligência artificial, que se instalam onde a energia é barata e confiável. Vamos regular as diversas fontes buscando o menor preço ao consumidor final, implantar um programa de armazenamento de energia, com baterias de grande porte e outras tecnologias, e transformar o país em polo global de data centers sustentáveis, aproveitando a matriz elétrica renovável.”</span></p>
<p><b>Minerais críticos<br />
</b><span style="font-weight: 400;">“Minerais críticos a riqueza do subsolo virando emprego qualificado aqui dentro. Os data centers e a transição energética funcionam sobre minerais que poucos países têm, e o Brasil é um deles. Temos lítio, nióbio, grafite, cobre, níquel, urânio e terras-raras, insumos essenciais para semicondutores, baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, defesa e inteligência artificial. E temos algo que quase ninguém tem junto: o mineral e a energia limpa e competitiva para transformá-lo aqui dentro. Em vez de somente exportar a pedra bruta e comprar de volta o produto acabado, vamos agregar valor no Brasil, conectando nossa riqueza mineral, nossa energia e a demanda dos data centers e das novas tecnologias numa estratégia única.”</span></p>
<p><b>Tecnologia e inovação<br />
</b><span style="font-weight: 400;">“Mais do que usar a inteligência artificial, o Brasil tem tudo para produzi-la. Podemos reunir o que poucos países têm ao mesmo tempo: energia limpa e barata para alimentar os data centers, os minerais críticos que são a matéria prima da tecnologia, e o talento de um povo criativo, que este Plano se compromete a formar. Não seremos apenas consumidores de tecnologia: seremos também seus desenvolvedores e produtores. Esses elementos, hoje tratados como peças soltas, formam uma única estratégia nacional para tornar o Brasil protagonista da economia do século 21.”</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Desenvolvimento regional<br />
</b><span style="font-weight: 400;">“O Nordeste não é só o passado que resistiu, é o futuro que começa. Tem sol e vento de sobra para ser a capital da energia limpa do país, e é essa energia farta e competitiva que vai atrair os data centers e a nova indústria de tecnologia. Tem as terras raras, matéria-prima sem a qual não existe a economia do século 21. O Nordeste tem tudo para oferecer ao nordestino a chance de prosperar na sua própria terra, atraindo investimento, talento e oportunidade.”</span></p>
<p><a href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/arquivos/proposta-pl/@@display-file/file/proposta-pl.pdf" target="_blank" rel="noopener">Confira o programa completo</a></p>
<p>&nbsp;</p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>A repórter viajou até Caucaia, no Ceará, em meio ao <em>workshop</em> sobre ciência oceânica para jornalistas promovido pela Earth Journalism Network. </strong></li>
</ul>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>ASA lança minidoc “Quem defende o Semiárido nós vamos defender”</title>
		<link>https://marcozero.org/asa-lanca-minidoc-quem-defende-o-semiarido-nos-vamos-defender/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 19:59:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[ASA]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Às vésperas do primeiro turno das Eleições 2026, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) lança o minidocumentário “Quem defende o Semiárido nós vamos defender”, uma ação estratégica que resgata a origem de luta das políticas públicas que transformaram a vida no território nas últimas duas décadas. A produção audiovisual da ASA, com 10 minutos de duração, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Às vésperas do primeiro turno das Eleições 2026, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) lança o minidocumentário “Quem defende o Semiárido nós vamos defender”, uma ação estratégica que resgata a origem de luta das políticas públicas que transformaram a vida no território nas últimas duas décadas.</p>



<p>A produção audiovisual da ASA, com 10 minutos de duração, tem a direção de Uilma Queiroz, música original de Jéssica Caitano e narração de Odília Nunes, todas artistas do Sertão pernambucano. O doc está disponível no canal do Youtube da ASA, que, cinco dias após o lançamento no dia 25, alcançou mais de 13 mil visualizações.</p>



<p>Assim como a Carta Política da ASA para as Eleições 2026 e a campanha Voto pela Convivência com o Semiárido, ambas ações da Articulação, o minidoc faz a defesa da reeleição do presidente Lula (PT) e das políticas de convivência voltadas para o território que foram criadas e fortalecidas em governos do PT.</p>



<p>“Tem muita coisa em jogo, a gente não pode correr o risco de retrocesso. O Semiárido brasileiro viveu uma situação antes da luta pela convivência, e hoje é outro território depois dessa luta. Isso só foi possível porque somos capazes de incidir nas políticas públicas, e a partir disso garantir orçamento público”, explica Cícero Félix, diretor executivo da ASA, sobre o que motivou a produção do curta. </p>



<p>Ele reforça a necessidade de divulgar o minidoc, sobretudo para “parentes” do Semiárido e da região Nordeste. “Esse vídeo precisa chegar nos nossos parentes que migraram, que ajudaram a construir São Paulo e Brasília. Nós estamos espalhados e espalhadas por todo Brasil”, complementa. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Quem defende o Semiárido nós vamos defender" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/KnspaXWFuwg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">A história </h2>



<p>A narrativa do minidoc acontece no diálogo entre primos do Semiárido, uma mulher que conta como vive hoje no território, e o seu primo que migrou ainda jovem. Reconhece que o povo mudou seu destino ao entender que o problema da região não é a falta de chuva, mas a ausência de políticas públicas adequadas. </p>



<p>Contrastando imagens de arquivo desde a década de 70 com registros atuais, o curta retrata quando o povo era expulso do Semiárido e os que ficavam tinham como única saída as frentes de emergência, que eram vendidas como auxílio. </p>



<p>Logo depois, a produção passeia pelos novos cenários de um território vivo, regado à produção de alimentos saudáveis e um povo que pulsa resiliência. Traz o protagonismo feminino na luta pela convivência com o Semiárido e a criação das cisternas ao som de um rap-repente, feito pela a artista pernambucana, Jessica Caitano, exclusivamente para o curta. A criação das cisternas e sua transformação como política pública (Programa Cisternas) é uma virada de chave da história, narrada com a voz potente de Odília Nunes. </p>



<p>Uilma Queiroz conta que a equipe de produção majoritariamente sertaneja foi uma decisão política. “Fazer esse minidocumentário só foi possível por causa de uma equipe incrível. Desde que recebi o convite, quis que nossa equipe fosse formada majoritariamente por profissionais do Semiárido e assim foi”, afirma. </p>



<p>“Trazer à tona essas imagens, neste momento político, tem a intenção de que jovens possam sentir qual a importância dos governos Lula e Dilma para o nosso povo, é uma forma de enfrentar as narrativas de criminalização da esquerda no Brasil e no mundo”, pontua Uilma.</p>
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		<item>
		<title>Edição 2027 da Marcha das Margaridas já começou na Paraíba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 14:56:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha das margaridas]]></category>
		<category><![CDATA[marcha das mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíba]]></category>
		<category><![CDATA[Polo Borborema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alagoa Grande (PB) &#8211; Os usineiros paraibanos que, em agosto de 1983, pagaram 1,5 milhão de cruzeiros (ou 36,3 mil reais a dinheiro de hoje, corrigidos pela inflação) a uma dupla de matadores profissionais pelo assassinato da líder camponesa Margarida Maria Alves acreditavam que o crime seria o suficiente para gerar pânico entre as famílias [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Em parceria com <a href="https://amadomundo.com/margaridas-pela-vida-pelo-alimento-e-por-dignidade/">Amado Mundo</a>, conteúdo do projeto Território do Voto*</strong></li>
</ul>



<p><strong>Alagoa Grande (PB)</strong> &#8211; Os usineiros paraibanos que, em agosto de 1983, pagaram 1,5 milhão de cruzeiros (ou 36,3 mil reais a dinheiro de hoje, corrigidos pela inflação) a uma dupla de matadores profissionais pelo assassinato da líder camponesa Margarida Maria Alves acreditavam que o crime seria o suficiente para gerar pânico entre as famílias agricultoras e de cortadores de cana, colocando um ponto final na luta por direitos sociais e trabalhistas. Não poderiam estar mais enganados.</p>



<p>A morte de Margarida se transformou em um marco. Desde então, os movimentos sociais acumularam força e conquistas nas regiões do Brejo e do Planalto da Borborema. O primeiro exemplo disso foi o <a href="https://aspta.org.br/article/polo-da-borborema-ator-contemporaneo-das-lutas-camponesas-pelo-territorio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo Borborema</a>, uma articulação de sindicatos de trabalhadores rurais e 150 associações comunitárias de 15 municípios criada em 1993, dez anos depois do crime.</p>



<p>Sete anos depois, veio a <a href="https://www.marchadasmargaridas.org.br/?pagina=homepage">Marcha das Margaridas</a>.</p>



<p>A primeira Marcha das Margaridas pelas avenidas de Brasília aconteceu em agosto de 2000, com a participação de 20.000 trabalhadoras rurais. Inicialmente, o movimento fez parte de uma mobilização global contra a fome e a violência de gênero, a Marcha Mundial de Mulheres.</p>



<p>Naquele momento, a comissão de mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) decidiu que a Marcha aconteceria no primeiro ano de mandato dos presidentes da República, sempre no dia 12 de agosto, data do assassinato de Margarida Alves.</p>



<p>Desde então, foram oito marchas. A próxima já está sendo preparada para acontecer em 2027, independente de quem esteja ocupando o Palácio do Planalto.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">&#8220;Terra é poder&#8221;, sentencia Leônia, resumindo luta das mulheres paraibanas
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“O movimento social do Brasil precisou se reunir para garantir os direitos pelos quais, historicamente, Margarida Maria Alves deu sua vida. Garantir o acesso à terra, à aposentadoria, à própria educação, essas eram as preocupações de Margarida Maria Alves”, recorda Maria Leônia Soares da Silva, agricultora no município de Massaranduba e coordenadora de mulheres da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado da Paraíba (Fetag-PB).</p>



<p>No início de setembro, Leônia, ou Léa, como é mais conhecida, esteve à frente da caminhada com centenas de mulheres de vários municípios paraibanos que marcou o início dos preparativos para a Marcha do próximo ano. O ato público começou diante da casa de Margarida e terminou no Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande.</p>



<p>Ela explicou porque o movimento social atua para manter vivo o nome de Margarida entre os mais jovens: “o caminho que está construído hoje não foi construído da noite para o dia, já vem sendo trilhado há muito tempo. Muitas pessoas vieram construindo as políticas, vieram pautando a questão da educação contextualizada, a questão do acesso à água, da água com dignidade, lembrando que o acesso à terra ainda é um desafio”.</p>



<p>“Ter terra é ter vida, ter terra é ter alimento, ter terra é dignidade, ter terra é poder”, sentencia Leônia.</p>



<p><a href="https://marcozero.org/margaridas-marcham-em-brasilia-por-direitos-no-campo-autonomia-das-mulheres-e-democracia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nenhuma das Marchas das Margaridas foi tão tensa quanto a de 2019</a>, a única sob o governo Bolsonaro. Pela primeira vez, garrafas de vinagre foram incluídas no kit levado pelas participantes e seriam usadas para umedecer os lenços caso a Polícia Militar do Distrito Federal tivesse usado gás lacrimogêneo. No final, nada disso foi necessário e as mulheres acabaram levando as garrafas para usar em suas cozinhas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Outra marcha</h2>



<p>Manifestações assim, conduzidas por mulheres, não são episódios isolados naquela região. Todos os anos, desde 2010, milhares de famílias agriculturas, principalmente mulheres, saem em caminhadas pelas ruas de alguma das cidades da região para cobrar políticas públicas ou denunciar violações de direitos. É a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, organizada pelo Polo Borborema.</p>



<p>Houve casos, como em 2023, em Montadas, quando o número de participantes da marcha era praticamente o mesmo da população do município. Naquela ocasião, a cidade de 5,8 mil habitantes recebeu 5 mil pessoas em uma manhã.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mulheres-da-paraiba-voltam-a-marchar-em-protesto-contra-impactos-dos-parques-eolicos/" class="titulo">Mulheres da Paraíba voltam a marchar em protesto contra impactos dos parques eólicos</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Nas últimas edições, a principal motivação da marcha foi o protesto contra os impactos gerados pelos grandes empreendimentos de energia eólica no interior do Nordeste.</p>



<p>“Como agricultoras, como movimento sindical que está nos territórios, a gente começou a perceber que a forma e o modelo como essas energias chegaram não é viável para a gente continuar no campo fazendo agricultura familiar”, explica Maria do Céu da Silva, agricultora e sindicalista em Solânea, lembrando que a virada de chave em relação às eólicas aconteceu em 2018.</p>



<p>“Foi quando a gente começou a descobrir anemômetros (instrumento que mede a velocidade do vento) implantados nas comunidades rurais. Então, nas visitas de intercâmbios com as mulheres ou com a juventude, a gente percebeu que aquilo não era bom, que esse modelo de energia traz muita violência para a vida das mulheres para o campo, traz muitas doenças, diminui a produção dos animais e das lavouras, vai tirando toda a paz, todo o sossego daquelas famílias”, contou Maria do Céu.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Projeto que regulamenta distância de aerogeradores aguarda sanção
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>De tanto bater nessa tecla, a marcha das mulheres paraibanas alcançou uma vitória que, por enquanto, é parcial. Em junho, a Assembleia Legislativa do estado aprovou o projeto de lei 2.061, que estabelece a distância mínima de 1.500 metros entre aerogeradores e residências ou edificações de uso público, coletivo ou privado.</p>



<p>O governador Lucas Ribeiro (PP), candidato à reeleição com apoio do presidente Lula (PT), ainda não sancionou a lei.</p>



<p>A pressão pela sanção contou com o reforço da Procuradoria da República na Paraíba, que emitiu uma <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-pb/noticias/mpf-defende-sancao-integral-de-lei-sobre-distancia-minima-de-torres-eolicas-na-paraiba" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nota Técnica sobre o tema</a> assinado pelo procurador José Godoy Bezerra de Souza. O documento defende considerar os impactos socioambientais da expansão eólica e aponta a necessidade de regulamentações que garantam a proteção das comunidades.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Quem tenta calar as vozes das mulheres do campo? | Territórios do Voto" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/pzCz8Gfm4EM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><span style="font-weight: 400;">*</span><span style="font-weight: 400;">O projeto<strong> Territórios do voto</strong> é uma parceria do canal Amado Mundo com os veículos independentes</span><a href="https://vozdascomunidades.com.br/"> <span style="font-weight: 400;">Voz das Comunidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, no Rio de Janeiro; </span><a href="https://agenciamural.org.br/"><span style="font-weight: 400;">Agência Mural</span></a><span style="font-weight: 400;">, em São Paulo, e</span><span style="font-weight: 400;"> Marco Zero</span><span style="font-weight: 400;">, em Pernambuco, na cobertura das eleições 2026.</span> <span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">A produção desse material conta com o apoio do Instituto Betty e Jacob Lafer (IBJL)</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
    </div>
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			</item>
		<item>
		<title>&#8220;Com o El Niño, o oeste do Nordeste vai ser muito castigado pela seca&#8221;, alerta climatologista</title>
		<link>https://marcozero.org/el-nino-seca-nordeste/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 20:16:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Alagoas]]></category>
		<category><![CDATA[altas temperaturas]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O El Niño vai trazer seca para o Nordeste, principalmente na parte oeste da região, mas vai trazer principalmente calor, muito calor, com temperaturas acima da média. Em junho, a Marco Zero entrevistou o climatologista Humberto Barbosa, fundador e coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O El Niño vai trazer seca para o Nordeste, principalmente na parte oeste da região, mas vai trazer principalmente calor, muito calor, com temperaturas acima da média. Em junho, <a href="https://marcozero.org/o-que-o-nordeste-pode-esperar-do-el-nino-2026-e-como-se-preparar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a Marco Zero entrevistou o climatologista Humberto Barbosa</a>, fundador e coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Naquela época, a certeza era de que haveria um El Niño, mas sua intensidade ainda era objeto de debate. Ouvimos o cientista novamente na segunda semana de setembro: é um El Niño muito intenso e, pior, que ainda não atingiu seu pico.</p>



<p>Apesar de o El Niño estar ofuscado pela campanha eleitoral, Humberto Barbosa reforça que governos já deveriam ter começado a se preparar para enfrentar o fenômeno – que é natural, mas tem se intensificado por conta das mudanças climáticas. Em entrevista para a Marco Zero, o cientista explica o que é o fenômeno e quais são seus impactos diretos e indiretos, a grande influência do oceano no clima e o que já se sabe sobre como serão os próximos meses. Em vários momentos da entrevista usa o verbo “castigar” para falar sobre os efeitos do fenômeno no Brasil.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/seca-el-nino-3-Humberto-1024x682.jpeg" alt="Humberto Barbosa está sentado à mesa em um ambiente interno, usando óculos, camiseta azul e camisa jeans aberta; tem cabelos curtos e escuros e aparece em posição de conversa, com uma das mãos apoiada sobre a mesa. Ao fundo, há uma parede cinza com formas circulares claras e um banco estofado vermelho, compondo uma cena de entrevista ou reunião." class="" loading="lazy" width="655">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Humberto Barbosa, meteorologista, coordenador do Lapis/UFAL
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Semiárido nordestino</h2>



<p>&#8220;A partir do momento em que é um El Niño intenso, já se sabe que há um padrão clássico: seca no Nordeste e enchentes no Sul. Mas isso vai depender também, no caso do Nordeste, do Atlântico. Onde está muita incerteza é em relação ao leste (a costa do Nordeste) até metade do interior. Até fevereiro, a pré-estação chuvosa pode ser até boa e isso ilude muitas vezes os agricultores. Podemos ter uma boa pré-estação, que é de dezembro a janeiro, criando até uma expectativa no agricultor, mas chega fevereiro, março, e aí entram os veranicos, diminuindo a chuva. Olhando agora, eu consigo fazer uma análise até fevereiro: a costa está normal. Ou seja, aquela variabilidade não está interferindo. O Atlântico e o Pacífico estão quase se cancelando. Pode ser que isso mude daqui a alguns meses, em função mais do Atlântico do que do Pacífico.</p>



<p>O que temos que esperar é o final de outubro. É quando vai nos dar uma clareza maior de como vai ser o resto da estação chuvosa, que é a estação mais crítica do semiárido, que vai de fevereiro a maio.</p>



<p>O problema do Nordeste não é só a questão da chuva. Na verdade, a região semiárida do Nordeste tem até um volume de chuva acima de muitas outras regiões semiáridas. O problema é a evaporação, em função das altas temperaturas. O Nordeste é uma área-piloto. Se eu quiser testar um modelo climático e não funcionar para o Nordeste, ele não funciona para lugar nenhum, porque é uma região onde os oceanos controlam o clima de fevereiro a maio. Se esse modelo não conseguir prever para essa região, jogue-o fora, porque não vai ter outra região do globo em que ele consiga entender o impacto&#8221;.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/na-cop-17-asa-defende-combate-a-desertificacao-que-fortaleca-comunidades-tradicionais/" class="titulo">Na COP 17, ASA defende combate à desertificação que fortaleça comunidades tradicionais</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Costa leste do Nordeste</h2>



<p>&#8220;Na costa leste é um cenário favorável. O litoral do Nordeste foi abaixo da média de chuvas, mas poderia ter sido muito pior. Não foi muito pior porque o Atlântico está aquecido, e aumentou a passagem de frentes frias, principalmente de julho para setembro. Essas frentes frias terminam jogando mais umidade em direção à costa leste. Como as águas do mar estão mais quentes, terminam aumentando a convecção, o que chamamos de cavados, que são sistemas de baixa pressão. Por isso as chuvas foram um pouquinho mais bem distribuídas em Pernambuco.</p>



<p>Mas se olharmos para Alagoas e Sergipe, já indo para a Bahia, é outro cenário, é um cenário mais seco. Esses dois estados estão muito abaixo da média, estão chamando muito a atenção. Você tem uma mancha de redução de chuva nos últimos meses que chama muito a atenção sobre os estados de Alagoas, Sergipe e algumas áreas da Bahia. O Atlântico não salvou, porque as águas estavam mais neutras, mas, como sob forte influência do El Niño, terminaram não trazendo a chuva esperada para essa época do ano, que é a estação chuvosa deles.</p>



<p>Já em Pernambuco até o Rio Grande do Norte, esses últimos meses, considerando que já estamos sob uma influência de El Niño muito forte, até que esse final da estação chuvosa foi bom. Saímos no lucro. O leste já terminou a estação chuvosa, pegou El Niño já na metade da estação chuvosa, e com o Atlântico não foi tão castigada.</p>



<p>Toda a região costeira tem uma tendência de estar mais quente, e mais quente até mesmo do que o Atlântico Norte, e isso nos beneficia, porque, com essas altas temperaturas, se alguns sistemas chegam ali ao meio do Atlântico, os ventos terminam ajudando, trazendo um pouco de alívio para essa região. Até fevereiro, a costa leste está a dizer assim: olha, está normal. Se algum sistema meteorológico chegar aqui, não vai ter nenhuma inibição: vai provocar chuva.</p>



<p>Como o Atlântico Sul está mais quente, é muito provável também que a zona de convergência em algum momento esteja um pouquinho fraca, mas favorável para essas chuvas que ocorrem no Nordeste em fevereiro. As ondas de leste, a partir de março, já começam a aparecer.</p>



<p>Em 2027, a estação chuvosa da costa leste pode ser que tenha um início irregular, ali por abril, mas vai melhorando à medida que vão chegando os meses de junho e julho. Pode ser favorável para alguns estados e outros nem tanto. Mas a parte leste do sul do Nordeste, pegando Alagoas, Sergipe e a Bahia, já vem nos últimos anos com redução de chuva significativa. E isso tudo são pontos que vão começar a ficar mais agudos a partir do final deste ano e do primeiro semestre de 2027&#8243;.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Seca e estiagem deixam 641 municípios em situação de emergência no Brasil</span>

		<p>O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) divulgou na quarta-feira passada (16) um novo mapa de monitoramento mensal da precipitação, baseado em dados de satélite (foto abaixo). O mapa destaca o volume e a distribuição das chuvas nas regiões brasileiras no período de nove de agosto a 10 de setembro.</p>
<p>De acordo com o Lapis, a distribuição de chuvas se concentrou fortemente na região Sul, além de áreas pontuais da Amazônia e do leste do Nordeste. No Nordeste, o interior consolidou uma seca relâmpago, que é um evento de rápida intensificação da seca, associado às altas temperaturas.</p>
<p>O Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, registrou no dia 16 de setembro um total de 641 municípios brasileiros em situação de emergência por seca e estiagem. São cerca de 5 milhões de pessoas atingidas. O semiárido concentra a maior parte dos municípios afetados pela seca.</p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/seca-el-nino-1.jpeg" alt="Mapa da América do Sul com estimativa de precipitação acumulada por satélite para o período de 9 de agosto a 10 de setembro de 2026, usando cores para indicar volumes de chuva, do marrom e laranja (menor precipitação) ao verde e azul (maior precipitação); uma ampla área destacada sobre o centro-norte e nordeste do Brasil aparece em tons alaranjados e está identificada como “situação de seca meteorológica”, indicando baixos índices de chuva em comparação com outras regiões do continente que apresentam volumes mais elevados de precipitação." class="" loading="lazy" width="592">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: Lapis/UFAL</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Matopiba e oeste do Nordeste</h2>



<p>&#8220;Esse é um período mais seco na Amazônia, mas está ficando ainda mais seco em função do resfriamento ali na costa setentrional. Isso pega um pouco também do Norte e do Nordeste, já ali entre Maranhão, Piauí, e isso já é consequência do resfriamento do Atlântico, que tem uma relação direta com o El Niño. É uma tendência que vai continuar. Olhando do leste indo para o interior do Nordeste, essa chuva começa a diminuir. E essa diminuição se torna mais significativa à medida que se vai para a região oeste do Nordeste, onde está o Matopiba, que é Maranhão, Tocantins, Piauí e o oeste da Bahia. Essa região vai ser muito castigada pela seca. Essa tendência se mantém até pelo menos o início de 2027. Tudo vai estar muito influenciado por essas condições do El Niño. O Atlântico não vai conseguir reverter, porque ele é muito intenso.</p>



<p>A transição entre a Caatinga e o Cerrado é uma região produtora de grãos, uma região de agronegócio que vai ter problemas. O oeste do Nordeste vai entrar agora em outubro já na fase chuvosa. E tudo indica que o início da estação chuvosa do oeste, que é muito próximo ali da Amazônia, também vai estar abaixo da média.</p>



<p>O oeste do Nordeste é muito pouco falado, porque normalmente tem uma distribuição de chuva um pouco mais frequente. Mas neste ano a região vai chamar a atenção por essa variabilidade de impacto do El Niño, de seca mais aguda para essa área do que para qualquer outra região do Nordeste do Brasil&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Amazônia mais seca</h2>



<p>&#8220;A Amazônia entre 2023 e 2024 foi duramente castigada, a ponto de ter os rios em um nível muito baixo, tanto que até mesmo para a entrega de alimentos, distribuições, teve um impacto. Houve morte até de botos, enfim, foi muito impactante. Tudo indica novamente que a Amazônia vai ser castigada, muito impactada. A realidade vai ser um país com uma redução de chuva significativa na Amazônia, muito possivelmente, ou até talvez um pouco pior do que foi entre 2023 e 2024&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sudeste mais quente</h2>



<p>&#8220;A região Sudeste também vai ser muito castigada, porque nos El Niños anteriores havia mais o aumento das temperaturas, mas pela primeira vez estamos vendo que as secas estão mais agudas nessas regiões. Esse padrão atmosférico do El Niño indica que a região Sudeste vai ser também significativamente afetada por uma redução de chuva. Muito parecido com o que ocorreu na seca de 2015-2016. As usinas hidrelétricas também podem ser impactadas&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Chuvas no Sul do Brasil </h2>



<p>&#8220;Na região Sul, o Atlântico não tem a mesma influência, porque já está numa região quase no fim dos trópicos e extratrópicos, mas ainda assim determina. Tudo indica que o Atlântico vai ficar um pouco mais neutro. Isso só já dá um certo alívio, mas não para tirar a região do extremo Sul do Brasil das chuvas intensas, como já está acontecendo. Então isso vai se estender ainda para o período de janeiro e fevereiro. Poderia até ser pior, mas o Atlântico pode ainda aliviar. Mas esse alívio não é tanto quando comparamos com o Nordeste do Brasil: o papel do Atlântico, porque aqui é uma região tropical, termina sendo mais determinante do que na região do extremo Sul. Essas chuvas que estão ocorrendo no Sul já são consequência do El Niño&#8221;.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;O primeiro impacto do El Niño não é seca, não é enchente, não é onda de calor, não é queimada. São as altas temperaturas&#8221;. </p>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">Altas temperaturas</h2>



<p>&#8220;O agravante em relação aos outros El Niños muito intensos são as altas temperaturas. Quase todo o Brasil vai ser impactado. O primeiro impacto do El Niño não é seca, não é enchente, não é onda de calor, não é queimada. São as altas temperaturas. Essa é a ligação direta. Qualquer pessoa pode até discutir se aquela seca é 100% por causa do El Niño. Pode chegar a 80%, 70%. Mas as altas temperaturas são um efeito direto e têm dois componentes que trazem uma complicação.</p>



<p>Primeiro, porque os gases de efeito estufa trazem desequilíbrio térmico ao planeta. Ou seja, a Terra esquenta mais, está guardando mais energia em função não só do vapor d&#8217;água, mas dos gases do efeito estufa que estão presentes na atmosfera. Mas tem um adicional, que é o El Niño. É um impacto direto.</p>



<p>Muito se debate qual é o acréscimo na temperatura. No Brasil como um todo – tirando um pouco o Sul, que vai ter muita nebulosidade – as temperaturas podem ficar em média um a dois graus acima da média histórica.</p>



<p>Devemos passar de 1,5 grau na temperatura global [em relação ao período pré-industrial (1850-1900), a referência usada pelo Acordo de Paris], o que traz imprevisibilidade, porque os eventos extremos estão diretamente relacionados com esse aquecimento. Quanto mais calor tiver na atmosfera, mais umidade vai aumentar nessa atmosfera, e com isso eu vou ter eventos extremos de chuva. Mas o contrário também acontece: quanto menos umidade se tem, quanto mais calor tiver, mais seco vai ficar, e as grandes secas vão ocorrer, os incêndios florestais que já estamos vendo. Isso tudo é um aditivo já do El Niño com a questão do aquecimento global&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Planeta em desequilíbrio</h2>



<p>&#8220;Começamos a entrar num aquecimento do planeta nunca antes registrado. Não sabemos como os sistemas vão se acomodar, porque o planeta busca o equilíbrio, mas, para buscar esse equilíbrio, ele vai jogar todo o excesso de energia em regiões onde vai ter mais chuva, mais seca, para encontrar o equilíbrio termodinâmico. Alguém injetou muito calor nele, ele vai ter que dissipar esse calor. Ele não guarda, ele implode. Então, o planeta tem que distribuir isso com chuvas e com campos de pressão.</p>



<p>É um planeta em desequilíbrio. Desde os anos 1980, está saindo menos energia do que entra, e a Terra está ficando mais quente. Esse aquecimento no Pacífico vai interferir nas temperaturas em todo o globo. E aí ele provoca mais ondas de calor, mais queimadas, tudo em função das altas temperaturas, que estão mexendo nos padrões de precipitação e pressão.</p>



<p>Tipo assim: vou fazer uma fogueirinha. Eu vou controlar aquele fogo. Mas à medida que você começa a colocar mais lenha, mais fogo, você acha que controla o fogo, mas ele começa a tomar uma dimensão sobre a qual você não tem mais controle&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Seca relâmpago</h2>



<p>&#8220;Seco e quente é a pior combinação, porque aí tem uma tipologia de seca. <a href="https://noticias.ufal.br/servidor/noticias/2024/7/estudo-desenvolve-modelo-com-inteligencia-artificial-para-detectar-secas-relampagos-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fizemos até um estudo</a>, o primeiro estudo na América do Sul, sobre a combinação das altas temperaturas e da redução de chuva. É o pior cenário, porque isso acontece em poucas semanas. O solo perde muita umidade e a atmosfera está mais seca também. Uma atmosfera mais seca está sugando muito mais rápido essa umidade do solo, que também está recebendo menos carga d&#8217;água. Quando os dois combinam, isso acelera essa seca, que chamamos de seca relâmpago.</p>



<p>E é o primeiro sinal para que as outras secas clássicas, a seca meteorológica, a seca hidrológica e a agrícola, ocorram. Só vemos o impacto delas, não vemos o início. Já a seca relâmpago, sabemos como determinar o início e o fim dela. E o que determina a seca relâmpago? É a umidade do solo. Se essa umidade do solo estiver abaixo de 20%, já posso contar os dias em que a seca já está atuando. E normalmente, para o solo perder essa água, é porque também as temperaturas estão altas. Os açudes secam mais rápido&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mortes por calor</h2>



<p>&#8220;O calor tem um impacto direto não só na economia, mas na saúde. O calor mata. Aqui na região tropical nos adaptamos. Estamos vendo o que aconteceu no verão da Europa. Os jovens, as crianças e os idosos são os mais vulneráveis. E a nossa infraestrutura, ainda que boa parte do país esteja na região tropical, ainda não está preparada. Se você anda nos centros urbanos, você não vê um bebedouro. Não há água, não há bebedouros, não há pontos de refrescamento públicos. Você fica muito vulnerável em dias de altas temperaturas. Já houve mortes em shows. Vamos ter um carnaval muito quente.</p>



<p>O índice de calor é calculado pela combinação de alta umidade, ou seja, muito vapor d&#8217;água na atmosfera, com altas temperaturas. Quando se tem 33 graus e mais 60% ou 70% de umidade, se entra em zonas perigosas. O nosso corpo humano está adaptado a mais ou menos 36 graus, e não oscila muito: ou eu vou transpirar muito, ou meus vasos sanguíneos vão se contrair quando está frio, para manter esses 36 graus. Mas quando começa a ter muita umidade, muito calor, o cérebro não consegue dar conta da demanda, mesmo que eu esteja hidratando o corpo, num período muito curto. Em poucas horas o cérebro não consegue administrar essa mudança corporal, e aí entra em colapso.</p>



<p>Quando começa a ficar todo verão nessas condições, a sociedade civil também começa a pressionar os gestores e a cobrar investimentos. Não se fala muito sobre isso, mas poderemos precisar de abrigos contra o calor. Os centros de convenções são uma alternativa, já que a maioria tem estrutura de ar-condicionado, principalmente nas capitais. Numa semana de onda de calor, é preciso ter onde abrigar quem está vulnerável, num lugar com a temperatura controlada&#8221;.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Um estudo do Laboratório de Impacto Climático, um consórcio de várias universidades, divulgado nesta quarta-feira (23), estima que <a href="https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2026/09/23/super-el-nino-pode-causar-450-mil-mortes-por-calor-ate-fevereiro-diz-estudo.ghtm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">451 mil pessoas podem morrer no mundo até fevereiro</a> de 2027 por conta do El Niño. Para o Brasil, a estimativa é de <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/09/mais-13-mil-mortes-por-calor-no-brasil-sao-estimadas-devido-ao-el-nino.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">até 13,3 mil mortes.</a></p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">A intensidade do El Niño</h2>



<p>&#8220;Maio e junho foram os meses em que tivemos uma intensidade crescente, até acima do que havia sido previsto. A comunidade científica também esperava um El Niño intenso e forte, mas ele foi ainda um pouco acima do que era esperado. Ele vem numa intensidade muito forte, acima de dois graus e crescente: ainda continua aumentando esse aquecimento no Pacífico.</p>



<p>Já passou dos dois graus, que normalmente a mídia coloca como super El Niño. Mas, para os climatologistas, não há essa classificação de &#8216;super El Niño&#8217;, &#8216;El Niño Godzilla&#8217;. Temos a classificação de fraco, moderado, muito forte e extremo. O atual já está saindo da condição “muito forte” e indo para “extremo”. Tem regiões que já estão em mais de três graus acima da média.</p>



<p>Este El Niño já é caracterizado como o mais intenso registrado, no mínimo, nos últimos 50 anos. E ele continua ainda se desenvolvendo de uma forma crescente. Para nós, climatologistas, que trabalhamos com dados, a partir do momento em que ele chega a 2,5 ou três graus, não necessariamente a atmosfera vai responder linearmente na mesma intensidade. Pode ser até que alguns pontos sejam muito intensos, mas não é tão direta essa relação&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O pico e o fim do El Niño</h2>



<p>&#8220;O pico do El Niño vai ser em novembro. A resposta dele vai chegar em fevereiro, do ponto de vista da atmosfera, porque há um <em>delay</em>. O oceano chega ao seu pico e aí vai diminuindo, mas continua presente. Mas a atmosfera só começa a responder a esse pico entre fevereiro e março. Sempre tem uns dois a três meses de delay para que o sistema oceano-atmosfera vá se ajustando a essas condições.</p>



<p>Pegando os grandes El Niños, os mais conhecidos, 1982-1983, 1997-1998, 2015-2016, sempre chegam ao fim entre março e abril. Há uma expectativa de que este de 2026-2027, entre março e abril, chegue ali próximo de 0,5 grau de aumento na temperatura do Pacífico, o que já estaria fraco, e em maio já estaria neutro. Essa é uma tendência, não uma previsão.</p>



<p>Quando colocamos o fim em abril, pode ser que ele ainda vá um pouquinho mais do que isso, porque não é o El Niño olhando as temperaturas, mas é a atmosfera, o El Niño atmosférico. A intensidade dele de 2 graus já foi embora, o oceano já esqueceu a temperatura mais alta, já está com águas mais frias, mas a atmosfera ainda está ligada com aquela memória de quando o El Niño estava forte. Ele não desaparece assim&#8221;.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;nossa infraestrutura ainda não está preparada. Se você anda nos centros urbanos, você não vê um bebedouro. Não há água, não há pontos de refrescamento públicos&#8221;. </p>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">El Niño: o que é e como age</h2>



<p>&#8220;O El Niño é natural e recorrente. A cada dois a sete anos, embora já tenha mudado para três a cinco anos, você tem esse fenômeno. Não é algo novo. Não se entendia bem o que era, mas já havia registro desde os anos 1800. Quando eu falo do El Niño, eu estou falando de uma região no Pacífico em que os ventos de leste enfraquecem, e com isso essa água começa a se aquecer ali na costa da América do Sul, no Equador, no Peru. Os peruanos notaram que a água estava mais quente e associaram que havia um fenômeno acontecendo ali. E, como isso acontecia por volta de dezembro, coincidindo com o nascimento de Jesus Cristo, veio o nome El Niño.</p>



<p>Isso acontece porque os ventos alísios de leste ficam mais fracos. São eles que normalmente empurram a água quente da superfície para o oeste do Pacífico, na direção da Indonésia, e é por isso que aquele lado do oceano é o mais quente. Quando os alísios enfraquecem, esse empurrão diminui: a água quente deixa de se deslocar e se espalha pelo centro e pelo leste do Pacífico. É essa mudança que altera toda a circulação, chamada de circulação de Walker, e que interfere em toda a região tropical global.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Cidades brasileiras não estão preparadas para calor extremo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Quando o El Niño alcança o nível em que ele se encontra agora, muito forte, ele tem uma presença muito marcante na atmosfera. Em função desse aquecimento, através da circulação, afeta toda a distribuição de chuvas e dos campos de pressão. São condições únicas. Nunca tivemos essa experiência no passado. Eu posso comparar até a intensidade dele, mas não como é a resposta desse aquecimento. A atmosfera reage de formas diferentes: é heterogênea, não é tão linear.</p>



<p>Mesmo nos anos de El Niño muito intenso, como foi em 1982-1983, 1997-1998, 2015-2016, 2023-2024, cada um tem sua identidade. Mas alguns sinais são clássicos: muita chuva em uma região, menos chuva na outra.</p>



<p>Essa circulação não é tão linear porque o oceano é mais estável, é água, e a atmosfera é fluida, ela tem outros campos de pressão, tem topografia, tem vegetação, tem os outros oceanos interferindo. Então ela torna esses impactos muito mais complexos. Mas sempre entendendo: quando eu falo de seca relacionada com El Niño, é um impacto indireto, nunca é direto. É um impacto que até nós, climatologistas, sempre associamos diretamente, mas não é. A enchente é indireta, os incêndios florestais são indiretos. Porque dependem da chuva: a redução da chuva vai deixar a folha mais seca, e isso vai fazer acontecer um incêndio. Então nunca é em função da temperatura do oceano. Mas as altas temperaturas, não. Essas são diretas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A dança dos oceanos</h2>



<p>&#8220;O El Niño está interferindo no Atlântico Norte, no sentido de estar resfriando. Na maioria dos casos, o Pacífico e o Atlântico Norte têm quase o mesmo relógio: quando um esquenta, o outro também esquenta. Este ano estamos tendo o inverso: o Pacífico está muito quente e o Atlântico Norte, principalmente ali próximo da região do Equador, está mais frio do que se espera.</p>



<p>Normalmente se fala muito do Pacífico e não se dá a devida atenção ao Atlântico. Mas, de fato, a nossa atmosfera hoje, a circulação de como essas áreas estão sendo impactadas, é exatamente a dança dos dois. Às vezes os dois estão dançando juntos, às vezes os dois estão dançando separados. Não que seja anormal, isso já aconteceu, mas não é tão frequente: estamos tendo um ano em que eles não estão dançando juntos. E eles têm impactos distintos, que podem ser acumulativos, ou podem atuar juntos para inibir um pouco, ou diminuir esse impacto. E o Nordeste do Brasil agora vai começar também a entrar nessa dança.</p>



<p>Na região tropical, o oceano e a atmosfera estão bem coladinhos mesmo, dançando juntos. Só tem um delay: um está escutando a música, e aí depois o outro, dois minutos, cinco minutos, é que escuta a mesma palavra. O cara falou uma palavra aqui, ele demora três minutos para escutar, mas estão juntinhos dançando. Fora dos trópicos, aí eles já não dançam juntos. Eles são um casal separado. Aí vai depender do nível de separação: tem uns amigáveis, outros não tão amigáveis, mas eles não estão juntos.</p>



<p>Na região tropical, o calor vai se dissipando para as altas latitudes, então eles também estão influenciando nas regiões de altas latitudes. Mas é na região tropical que os efeitos são mais significativos, mais impactantes, porque eles estão juntinhos. Qualquer perturbação no oceano vai, com o tempo, chegar à atmosfera&#8221;.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/el-nino-seca-nordeste/">&#8220;Com o El Niño, o oeste do Nordeste vai ser muito castigado pela seca&#8221;, alerta climatologista</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Por que o sururu está desaparecendo dos rios do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 20:14:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[bacia do pina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília Teimosa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto cata sururu na Ilha de Deus num fim de manhã, Cíntia Alves, 49 anos, conta que estava grávida de nove meses do segundo filho quando passou o dia todo na maré. Chegou em casa, tirou a lama do corpo e foi para a maternidade. Criou sozinha os dois filhos com o dinheiro que conseguia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Enquanto cata sururu na Ilha de Deus num fim de manhã, Cíntia Alves, 49 anos, conta que estava grávida de nove meses do segundo filho quando passou o dia todo na maré. Chegou em casa, tirou a lama do corpo e foi para a maternidade. Criou sozinha os dois filhos com o dinheiro que conseguia vendendo o que pegava na maré. Hoje, diz que isso não é mais possível. Há muitos anos que ninguém mais pega sururu na Ilha de Deus. Para encontrar o marisco, pescadores têm que ir para depois da ponte do Pina: lá para os arredores da escultura de Brennand, na ponte do Limoeiro ou até em Olinda. O sururu, tão amado pelos recifenses, está sob ameaça.</p>



<p>Moradora da Comunidade do Bode, no Pina, outro território pesqueiro do Recife, Juliana Maria dos Santos, de 45 anos, começou a pescar aos sete anos com os pais e segue até hoje. Aprendeu cedo que em época de chuva o sururu diminui. Mas a cada ano essa diminuição tem se acentuado. &#8220;Eu fui para a maré ontem [final de julho] e peguei dois quilos de sururu. Isso é muito pouco. Está um bolinho aqui, um bolinho ali. Não é mais como antigamente”, afirma, dizendo que o tempo de procura pelo sururu tem aumentado. &#8220;Eu ando duas, três horas para poder achar o sururu e depois mergulhar”.</p>



<p>O sururu vende fácil, mas a margem é curta. Segundo as pescadoras, uma galé cheia rende cerca de três quilos de massa limpa quando o marisco está magro, como está agora. Desses, R$ 30 vão para quem cata. O quilo é revendido por algo entre R$ 25 e R$ 30.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/juliana-sururu.jpg" alt="Juliana dos Santos é uma mulher negra sentada no interior de um barco de madeira com casco vermelho, ancorado à beira de um rio de águas escuras e calmas. Ela veste uma blusa regata laranja com renda no decote e short verde, com os braços apoiados sobre as pernas e o olhar sereno voltado para o lado esquerdo da imagem. Ao fundo, a paisagem é composta por vegetação de manguezal densa, coqueiros, outros barcos de madeira parcialmente visíveis e uma pequena construção de concreto sob um céu azul claro com nuvens dispersas, sugerindo uma comunidade ribeirinha em dia ensolarado." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A pescadora Juliana Maria demora mais tempo procurando sururu do que efetivamente pescando.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em Brasília Teimosa, a marisqueira Edileuza Silva do Nascimento, mais conhecida como Leu, de 72 anos, diz que de vez em quando ainda sai para mergulhar. “Mas sururu não tem mais de jeito nenhum. A gente vai e às vezes não pega um. Marisco a gente só pega um pouquinho, mas não como antes. É muita poluição, muito lixo, muita garrafa pet, muito vidro. A poluição acabou com o rio Capibaribe”, lamenta ela, que, em 2024, recebeu o título de patrimônio vivo do Recife por seu notório saber na pesca.</p>



<p>Os motivos para a escassez do sururu são muitos e nem todos consensuais entre pesquisadores, pescadores e marisqueiras. O mais citado é a falta de saneamento, somada ao lixo despejado no estuário e ao assoreamento dos rios. Mas há também o que não se resolve localmente: o aquecimento dos oceanos e a alteração no regime de chuvas, efeitos das mudanças climáticas. Entram na lista ainda a pesca de mariscos pequenos demais e o possível aparecimento de uma espécie invasora.</p>



<p>“Na bacia do Pina existe pelo menos uma dúzia de causas para a quantidade de sururu variar, e elas atuam simultaneamente”, diz a oceanógrafa Mônica Costa, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



<p>Mônica Costa afirma que as reclamações sobre a escassez do sururu no Recife são válidas, mas não são novas. “Se a gente for buscar nos registros, desde o século XIX que os pescadores estão falando disso. O que não diminui a importância do alerta, porque eles estão lá todo dia, estão vendo que as coisas mudam”, diz. &#8220;Qualquer dia, ou semana, ou mês que os pescadores voltam para casa com menos do que o esperado forma um rombo enorme num orçamento que já é muito pequeno&#8221;, acrescenta.</p>



<p>A oceanógrafa explica que as mudanças que têm acontecido no estuário são importantes, principalmente o acúmulo de sedimentos. Mas não adianta apenas fazer dragagens em pontos específicos, já que toda a bacia do rio Capibaribe está comprometida. Dragagens, sozinhas, não resolvem o problema. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/zeis-recife-comunidades-pesqueiras/" class="titulo">Zeis no Recife: os limites da lei nas comunidades pesqueiras</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/opiniao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Opinião</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>&#8220;Desce muita terra para os rios por causa da erosão, da falta de mata ciliar e isso acaba assoreando a bacia. Essa mudança é silenciosa. Vai acontecendo aos pouquinhos e quando você vê está tudo diferente. A questão do Capibaribe tem solução técnica conhecida, mas não tem solução política. O problema não é só no Recife. O problema é integrado, desde lá de Poção até aqui embaixo&#8221;, afirma Mônica Costa, acrescentando que a revitalização do rio é um projeto longo, que ultrapassa o ciclo eleitoral: &#8220;precisa de uma política pública que amarre o pé e a mão do governador e dos prefeitos, com obrigação de fazer, porque quatro anos não é suficiente”.</p>



<p>O biólogo Gilberto Rodrigues, professor de ecologia na UFPE, explica como as mudanças nas chuvas e o assoreamento dos rios influenciam na quantidade de sururu disponível. “O sururu precisa de uma variação de tempo dentro e fora da água para se reproduzir e crescer. No período em que ele está submerso, ele se alimenta e engorda. No período em que está fora da água, ele metaboliza. O sururu ou está ficando muito tempo no seco, sem se alimentar, ou está ficando muito tempo dentro d&#8217;água e não consegue metabolizar o alimento e acaba morrendo”, diz. Essa falta de equilíbrio também é a provável causa da diminuição do tamanho do marisco. &#8220;Não se pega mais sururu gordo”, afirma.</p>



<p>Para Mônica Costa, as mudanças climáticas podem ser a “pá de cal” na pesca artesanal do Recife. “A tendência é que a água vá ficando mais quente, e água quente significa menos possibilidade de sobrevivência. As espécies não conseguem se adaptar tão rápido quanto a mudança acontece”, diz. &#8220;É possível que a atividade pesqueira exista, desde que ela não seja a principal fonte de renda”, acrescenta, afirmando que o mais urgente é uma solução social e econômica, que garanta a dignidade das famílias pesqueiras mesmo em períodos de baixa produção.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Projeto analisa situação da pesca artesanal no Nordeste</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Nenhum órgão público registra quanto sururu sai dos estuários do Recife. A estatística pesqueira nacional ficou 13 anos sem ser publicada e o painel lançado pelo Ministério da Pesca em 2025 não inclui a pesca de mariscos catados em rios urbanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma pesquisa do projeto <a href="https://www.instagram.com/rede.maris/" target="_blank" rel="noopener">Rede Maris</a>, com financiamento do CNPq, está aprofundando a análise sobre o que está acontecendo com a produção de marisco no litoral nordestino. É um projeto que envolve universidades de todo o Nordeste, como a Universidade de Pernambuco (UPE). A pescadora e estudante de biologia Ana Mirtes Ferreira participou da pesquisa de campo na Ilha de Deus. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Acompanhamos os pescadores da Ilha desde agosto de 2025 até julho deste ano e o que vimos é que a pesca está bem precária. Os pescadores dizem que não é mais garantido sobreviver só da pesca na cidade do Recife. Dizem que pegam mais lixo do que sururu. Antes, em questão de uma hora, se pegava até oito baldes, agora passam cerca de três, quatro horas para pegar a mesma quantidade. É mais tempo caçando o sururu do que pescando o sururu”, relatou. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra angústia que a pesquisa capturou é que os pescadores e pescadoras não pretendem repassar os saberes tradicionais para seus filhos. “Não é porque é uma profissão que traz vergonha, e sim pela falta de segurança, de valorização também do próprio produto e também pelo risco de acidente com material hospitalar e material de construção. E muitas vezes o INSS não assegura, não associa os acidentes sofridos à atividade”, disse Mirtes. O projeto Rede Maris teve início em 2024 e a pesquisa completa deve ser publicada no começo do próximo ano. </span></p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Sem defeso, pesca do sururu não tem pausa no Recife</h2>



<p>Uma questão delicada para a escassez do sururu é a sobrepesca: quando a retirada do marisco é maior do que sua capacidade de se reproduzir. Pescador de Brasília Teimosa, Rosiélio Pereira de Paula, 80 anos, afirma que hoje há mais gente indo para a maré sem conhecer os ciclos do sururu e quando ele deve ser retirado ou não. “Tem muita gente que vai só para pegar e vender, sem ninguém para ensinar”, queixa-se.</p>



<p>As próprias lideranças reconhecem que a sobrepesca é hoje um dos muitos problemas do sururu. Edvalda Ramalho, mais conhecida como Valma, preside a Colônia de Pescadores Z-20, de Igarassu, que tem quase sete mil associados, sendo 90% deles mulheres marisqueiras. &#8220;Quando se passa a pegar o marisco que não está no tamanho ideal, passa a ser pesca predatória. O que vai acontecer é o maior impacto ambiental e o reflexo é acabar o sururu&#8221;, conclui.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/poluicao-e-hidronegocios-ameacam-tradicao-e-sustento-da-pesca-artesanal-no-recife/" class="titulo">Poluição e hidronegócios ameaçam tradição e sustento da pesca artesanal no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/aguas/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Águas</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>É esse impasse que a oceanógrafa Mônica Costa, da UFPE, tem em vista quando fala do papel da própria pesca na escassez. &#8220;Da mesma forma que eu compreendo que existe um lado fraco da corda, eles também estão puxando a corda&#8221;, afirma. &#8220;A pesca artesanal é uma questão de saber tradicional. Se você não se apropria desse saber, você ajuda a detonar o recurso.&#8221;</p>



<p>Ela se refere às regras que os pescadores mais velhos seguiam e que hoje estão se perdendo, como deixar uma área descansar depois de ter sido explorada. De família pesqueira, Jandira Rodrigues, da Comunidade do Bode, descreve como funcionava: quando acabava o sururu num ponto, todos corriam para outro, e quando voltavam, dias depois, o primeiro já tinha se recomposto. &#8220;Hoje não tem nem aqui, nem lá&#8221;, lamenta.</p>



<p>O problema é que ninguém pode parar. &#8220;O marisco se reproduz o ano todo e migra. Porém, no período chuvoso ele se reproduz mais ainda. Mas não é respeitado esse período. Porque o pescador, se não pescar, vai sobreviver de quê?&#8221;, questiona Valma. &#8220;Como é que eu vou proibir o pescador? Eu não tenho poder para isso, não é minha competência. Mas para eles deixarem de pescar e ser proibido, tem que ter um defeso. Tem que receber&#8221;, cobra a presidente da colônia.</p>



<p>A comparação que ela faz é com a lagosta, que tem defeso instituído e seguro pago pelo governo federal. &#8220;Os pescadores de lagosta ficam em casa, recebendo um salário mínimo&#8221;, diz. Para o marisco e o sururu, o que existe é apenas o Chapéu de Palha, um programa estadual que beneficia também pescadores e pescadoras artesanais.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/sururu-cintia-edilene.jpg" alt="A imagem mostra duas mulheres em um espaço simples e rústico, coberto por telhas de zinco e sustentado por madeiras. À direita, uma mulher de pele escura, corpo robusto e cabelos curtos está sentada em uma cadeira plástica branca, vestindo uma blusa vermelha estampada e shorts coloridos, com expressão serena e olhar voltado para cima. À esquerda, mais ao fundo, outra mulher de pele escura e porte magro usa uma bandana azul e roupas escuras, concentrada em separar ou limpar conchas sobre uma mesa improvisada. O ambiente é modesto, com caixas plásticas, baldes e mesas simples, sugerindo um local de trabalho artesanal ou comunitário." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Beneficiamento do sururu está mais demorado e expõe marisqueiras a riscos de saúde. Na foto, Cíntia e Edilene, da Ilha de Deus
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Sandra da Silva Lima, presidente da colônia de pescadores Z-1, no Recife, conta que já foram feitas várias reuniões para que esse defeso seja estabelecido, mas falta apoio político. &#8220;Nesse período de chuvas, são quatro meses que a gente tem o programa Chapéu de Palha, que não impacta muito devido a alguns vínculos que tem com o Bolsa Família”, explica. &#8220;O defeso seria justamente para esse período mais difícil para as marisqueiras, para que elas pudessem manter suas casas”, cobra.</p>



<p>Representante voluntária da colônia Z-1 na Ilha de Deus, Érika Romão explica que há desconto no Chapéu de Palha para quem é beneficiário do Bolsa Família. “Acho que isso é uma injustiça. Eu e meu esposo somos pescadores: sou do Bolsa Família e ele é do meu cadastro. Recebe só R$ 150. Eu tenho uma irmã, também pescadora, que recebe pouco mais de R$ 380, porque ela não tem Bolsa Família”, explica. “Eu já acho um dinheiro tão pouco. Porque não dá para sobreviver com um salário direito, imagina com R$ 150&#8243;.</p>



<p>Procurado pela reportagem, o Governo de Pernambuco confirmou, por meio da Secretaria de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional (Seplag), que há um teto menor para quem recebe o Bolsa Família. O benefício do Chapéu de Palha no segmento da pesca artesanal é de até R$ 387,94, pagos em até cinco parcelas. Para quem também for beneficiário do Bolsa Família, o governo do estado paga apenas R$ 150, valor definido como bolsa mínima pela Lei nº 14.492/2011.</p>



<p>Sobre o pedido das colônias para desvincular os dois programas e equiparar o valor a um salário mínimo, a Seplag não informou se há avaliação em curso. Respondeu apenas que, em 2023, a legislação foi alterada para aplicar reajuste de aproximadamente 38% e acrescentar uma quinta parcela ao programa. Em 2026, foram beneficiadas 6.032 pessoas em 58 municípios, sendo 600 no Recife, com investimento de aproximadamente R$ 6,4 milhões. O pagamento vai de maio a agosto, período que, segundo a secretaria, corresponde à escassez natural dos estoques de sururu e marisco no litoral e aos meses mais chuvosos.</p>



<p>Para receber o benefício é preciso comprovar a atividade por meio do Registro Geral da Pesca, emitido pelo órgão federal, e não estar recebendo aposentadoria ou pensão do INSS, seguro-desemprego ou seguro-defeso. Não há previsão para quem cata e beneficia o pescado sem registro, que é a situação de parte das mulheres ouvidas nesta reportagem.</p>



<p>Questionado sobre ações do estado diante da queda na produção da Bacia do Pina, seja de apoio à renda, saneamento ou dragagem, o Governo de Pernambuco não respondeu: limitou-se a dizer que as ações do Chapéu de Palha seguem o que estabelece a lei do programa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/barco-sururu.jpg" alt="A imagem mostra uma vista aérea de um pequeno barco azul navegando sozinho sobre águas de tom esverdeado. O barco tem formato estreito e alongado, com uma cobertura simples na parte traseira e alguns objetos dentro, como caixas e equipamentos. Um homem aparece próximo ao centro do barco, aparentemente conduzindo ou trabalhando. A luz do sol reflete na superfície da água, criando pontos brilhantes que destacam o contraste entre o movimento do barco e a imensidão tranquila ao redor." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Pescadores têm que ir cada vez mais longe para achar sururu. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Lixo dá mais trabalho no beneficiamento do sururu</strong></h2>



<p>Para se fixar em pedras, pontes e cascos de navio, o sururu produz um filamento de proteína que endurece em contato com a água, o bisso. Esses fios também prendem os indivíduos uns aos outros, formando um &#8220;tapete&#8221; no leito do estuário. Quando mergulham, os pescadores trazem à superfície a manta inteira. E como o sururu não escolhe onde se fixar, vem junto o lixo que se acumulou no fundo: embalagens, caco de vidro, até agulhas.</p>



<p>Em todas as catações que a Marco Zero registrou na Ilha de Deus e no Bode havia muito lixo. E isso faz com que o trabalho das catadoras, quase sempre mulheres, demore muito mais. &#8220;Antigamente o sururu vinha limpinho. Agora a gente tem que estar com cuidado para não pegar uma agulha, para não pegar um vidro”, diz Edilene Maria Alves da Silva, 58 anos, nascida e criada na Ilha de Deus.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:33% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/sururu-vert.jpg" alt="" class="wp-image-76593 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/sururu-vert.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/sururu-vert-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/sururu-vert-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Antes de ser vendido, e depois da catação para separá-lo do lixo, o sururu é fervido, para a abertura da casca, retirado na unha e novamente catado. Se antes era comum ver muitas mulheres na maré, hoje elas ficam mais nas etapas feitas em terra. &#8220;As mulheres não estão indo pescar. A maioria está catando. Os homens vão na baiteira, recolhem, trazem para elas beneficiarem. Eles é que fazem o mergulho. Tem algumas mulheres que vão, mas hoje 80% são homens&#8221;, detalha Sandra da Silva Lima, da colônia Z-1.</p>
</div></div>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Espécie invasora pode ameaçar o sururu nativo</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Nas muitas entrevistas realizadas para esta reportagem, vários pescadores e pescadoras citaram um sururu que “não prestava para comer” ou um “sururu branco”. &#8220;O sururu que dá junto do shopping Rio Mar é aquele sururu branco, que não tem carne, nem nada. Não adianta pegar ele. Está lastrado lá, mas de sururu branco”, contou Juliana Maria dos Santos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O professor Gilberto Rodrigues acredita que pode se tratar de uma espécie invasora, já registrada em Alagoas. “Eu ainda não tenho o registro dele no Recife, mas não significa que ele não esteja aqui”, diz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marisqueiras ouvidas pela Marco Zero dizem que o sururu branco não é tão saboroso quanto o sururu nativo. Os relatos de Alagoas, onde mais de 3 mil pessoas sobrevivem da pesca do sururu, afirmam que é um marisco de casca fina e que se desfaz ao ser cozinhado, o que inviabiliza o consumo e a venda, causando prejuízo econômico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><a href="https://noticias.ufal.br/ufal/noticias/2023/3/pesquisadores-da-ufal-estudam-especie-exotica-de-sururu-na-laguna-mundau" target="_blank" rel="noopener">Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (Ufal)</a> mostrou que o sururu branco tolera melhor do que o nativo as condições da água poluída: pouco oxigênio, muito sedimento, salinidade e temperatura altas. Isso pode ser uma vantagem no estuário do Recife. E como as duas espécies ocupam o mesmo habitat, o risco é que o branco vença a disputa.</span></p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Infecções, lesões e sol: os riscos do trabalho das marisqueiras</h3>



<p>A saúde também é cobrada. Edilene reclama que não enxerga mais bem no sol. Cíntia Alves parou porque não aguentava mais as dores no corpo. Mesmo na catação há riscos. Edilene estende as mãos recém-curadas de feridas que coçavam muito. Foram duas semanas afastadas do beneficiamento do sururu, com uma doença dermatológica que ela acredita ter contraído separando o sururu do lixo e da lama poluída. &#8220;A médica disse que era germe da lama”, conta. &#8220;Sou nascida e criada aqui na Ilha de Deus, sempre pesquei e nunca peguei essas coisas, nunca tive esse negócio de germe, nada. Estou com medo que volte de novo. Recomendaram a luva, mas eu não sei trabalhar com luva”, afirma.</p>



<p>Mestre em saúde pública, Alyne Nascimento afirma que é preciso pensar em soluções coletivas para proteger a saúde das marisqueiras. &#8220;É muito difícil a gente chegar e falar: precisa usar luva. Na verdade, o debate precisa ser outro, para além disso: precisamos muito mais dar atenção às questões coletivas, à raiz do problema, que é a questão da poluição, do que focar no risco individualmente”, afirma a biomédica e sanitarista, que pesquisa na Ilha de Deus desde 2020, quando participou de inquérito epidemiológico sobre os impactos do derramamento de óleo de 2019 no litoral pernambucano.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/marisqueiras-sururu-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/marisqueiras-sururu.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/marisqueiras-sururu.jpg" alt="A foto mostra um par de mãos femininas de pele escura trabalhando sobre uma mesa rosa, limpando pequenos mariscos conhecidos como sururu. As mãos estão molhadas e cobertas de resíduos, com as unhas pintadas de azul, revelando o esforço manual envolvido na atividade. Ao fundo, há mais mariscos espalhados e um recipiente branco, sugerindo um ambiente de preparo ou separação dos frutos do mar. A imagem transmite a dedicação e o contato direto com o trabalho artesanal da pesca e do beneficiamento do sururu." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O trabalho de beneficiamento do sururu é majoritariamente feito por mulheres
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Pós-doutorando em saúde pública na Fiocruz Pernambuco, o pesquisador José Erivaldo Gonçalves participou da condução de uma cartografia com pescadoras da Ilha de Deus, dentro do Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho da Fiocruz. &#8220;Quando elas foram mapeando os lugares que pescavam sururu, esses lugares estavam muito interligados aos lugares que têm água poluída, que têm o despejo de esgotos naquela região”, afirmou.</p>



<p>Foram identificados vários problemas de saúde por conta do trabalho na maré, como infecções geniturinárias recorrentes. &#8220;Há também muitos problemas dermatológicos, inclusive o câncer de pele. Muitas vezes não usam protetor solar, porque é caro. O que muitas mulheres fazem é passar querosene na pele, por conta dos mosquitos que têm no mangue. Então, é mais um processo de exposição a hidrocarbonetos. Ao mesmo tempo que elas se dizem felizes fazendo esse trabalho, ele também é adoecedor”, pondera Erivaldo.</p>



<p>Outro problema encontrado na saúde das mulheres que trabalham ou trabalharam na maré foi por conta da postura durante a coleta dos mariscos. “É um trabalho que exige ficar na mesma posição durante muito tempo. Acaba por ocorrer lesões por esforço repetitivo, doenças osteomusculares&#8221;, detalha Alyne.</p>



<p>Com o sururu sob ameaça, o meio ambiente degradado, pescadoras adoecidas e políticas públicas insuficientes, o futuro da pesca artesanal no Recife é incerto. Ao posar para uma foto desta reportagem, Érika Romão teme que a profissão que o pai ensinou a ela vá parar no museu. “Esta foto vai ficar para, no futuro, dizerem: ‘aqui era uma pescadora, isso aqui era um barco, isso aqui era um sururu que existia, mas não existe mais’”, disse. “Quando eu engravidei, há 19 anos, meu pai perguntou: ‘como você vai criar seu filho, pescando?’ E eu criei meu filho na pesca. Hoje em dia eu tenho uma menina de oito anos e eu não sei mais o que é pescar. Vou criar minha filha na pesca? Não dá mais”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/erika-sururu.jpg" alt="A foto mostra Érika Romão, uma mulher de pele morena, cabelos longos e lisos, sentada sobre uma estrutura de concreto decorada com conchas verdes e azuis, à beira de um rio. Ela veste uma blusa rosa, shorts jeans e tênis vermelhos, sorrindo suavemente enquanto olha para a câmera. O cenário ao fundo revela uma paisagem natural com manguezais e, ao longe, uma linha de prédios sob um céu parcialmente nublado e iluminado pelo sol." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Érika Romão teme pelo futuro da profissão que aprendeu com o pai
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/por-que-o-sururu-esta-desaparecendo-dos-rios-do-recife/">Por que o sururu está desaparecendo dos rios do Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>“Voto pela convivência com o Semiárido” é a nova campanha da ASA para as Eleições 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 18:35:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Helena Dias*, publicado originalmente pela Articulação do Semiárido Brasileiro Seca é seca, falta de água é decisão política. É por isso que não dá para lutar pela convivência com o Semiárido sem falar de eleições e democracia, principalmente em um ano tão decisivo como 2026, em que a população decidirá entre projetos opostos de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Helena Dias*, publicado originalmente pela <a href="https://asabrasil.org.br/2026/08/25/voto-pela-convivencia-com-o-semiarido-2026/">Articulação do Semiárido Brasileiro</a></strong></p>



<p>Seca é seca, falta de água é decisão política. É por isso que não dá para lutar pela convivência com o Semiárido sem falar de eleições e democracia, principalmente em um ano tão decisivo como 2026, em que a população decidirá entre projetos opostos de Brasil, seja no voto para a presidência da República, governos e assembleias estaduais, para a Câmara e o Senado Federal.</p>



<p>É neste contexto que a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) apresenta a campanha “Voto pela convivência com o Semiárido” com foco na conscientização sobre a direta ligação entre o avanço das políticas públicas de convivência e o voto em candidaturas comprometidas com a vida das pessoas do território. Sua primeira ação foi o lançamento da <a href="https://asabrasil.org.br/2026/08/17/asa-lanca-carta-politica-para-as-eleicoes-2026/">Carta Política da ASA para as Eleições 2026</a>.</p>



<p>“Nós só vamos conseguir disputar o orçamento público para as políticas de convivência com o Semiárido se a gente tiver um governo democrático, votar para isso. Precisamos avançar no nosso projeto político e isso só vai acontecer se a gente conseguir manter o país nesse caminho que ele está agora, ir avançando na democracia. Tendo a possibilidade de debater, de discutir, de dialogar, de apresentar propostas e de disputar o orçamento do país”, aponta Cícero Félix, da coordenação executiva da ASA.</p>



<p>A campanha se posiciona na defesa da reeleição do presidente Lula (PT) e tem caráter de mobilização territorial, seu público alvo são as famílias do Semiárido, sobretudo mulheres e juventudes. As mulheres continuam sendo maioria do eleitorado brasileiro (52,8%) e o Nordeste é a região que concentra a maior parte de eleitores e eleitoras jovens (entre 16 e 18 anos) do país, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/ASA-1.webp" alt="A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas ao ar livre, segurando várias bandeiras brancas com o logotipo e o texto “ASA – Articulação Semiárido Brasileiro”. As bandeiras têm um desenho colorido que lembra um globo, e os participantes usam bonés claros. O cenário é ensolarado, com árvores ao fundo, e transmite a ideia de um evento coletivo ou manifestação organizada em defesa de causas relacionadas ao semiárido e à sustentabilidade." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Campanha quer alcançar e mobilizar famílias do Semiárido brasileiro
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo/ASA Brasil</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O diálogo com as juventudes é prioritário quando o assunto é voto e participação política. Entre 2022 e 2026, o registro eleitoral de pessoas com 16 a 17 anos caiu de 42,9% para 27,6%. Ou seja, 70% da população brasileira nessa faixa etária chegará às eleições deste ano sem título de eleitor. Historicamente, essa participação das juventudes nas eleições vem diminuindo desde 2014.</p>



<p>“A gente não pode perder de vista a nossa capacidade de articulação da base, o Semiárido é isso. Eu acho que a gente tá conseguindo trazer os companheiros e as companheiras para esse debate, para incidir nos nossos territórios. Nossas vidas todas, nossa forma de viver nos próximos anos está em jogo”, pontua Roselita Vitor, da coordenação executiva da ASA.</p>



<p>A iniciativa da Articulação tem parceria com outras campanhas, como é o caso da<a href="https://drive.google.com/drive/folders/1VQWKFudAAS08Yj5P8mW3HbutWnBskdBI?usp=drive_link" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agroecologia nas Eleições</a>, da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).</p>



<h2 class="wp-block-heading">A força dos territórios</h2>



<p>Com caravanas territoriais e estratégias digitais de comunicação, a iniciativa centra forças no orgulho do povo do Semiárido pelas conquistas de políticas como o <a href="https://asabrasil.org.br/projeto/p1mc/">Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC)</a>, <a href="https://asabrasil.org.br/projeto/p12/">Uma Terra e Duas Águas (P1+2)</a>, <a href="https://asabrasil.org.br/projeto/sementes-do-semiarido/">Sementes do Semiárido</a> e o projeto <a href="https://asabrasil.org.br/projeto/quintais-das-margaridas/">Quintais das Margaridas</a>.</p>



<p>A campanha incentiva a valorização dessas políticas resgatando a memória de luta da ASA como forma de demarcar os avanços que o Semiárido deseja a partir das Eleições 2026: universalização da primeira e da segunda água, saneamento rural, democratização do acesso à energia fotovoltaica, fortalecimento do combate à violência contra a mulher e da divisão justa do trabalho doméstico.</p>



<p>Todos os temas abordados na “Voto pela convivência com o Semiárido” estão detalhados na Carta Política da ASA. Apesar das ações priorizarem as famílias do território, a Articulação pretende engajar a sociedade civil em geral por este voto. Candidaturas novas e à reeleição, próximas ao Semiárido, ao campo agroecológico e da agricultura familiar estão sendo mapeadas para dialogar com as reivindicações da campanha.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/ASA-5-Joao-Gabriel-Marins-1-300x169.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/ASA-5-Joao-Gabriel-Marins-1.jpg" alt="A imagem mostra um homem e uma mulher em um ambiente rural, cercados por vegetação verde e céu azul. O homem, de camisa azul, segura uma bandeja com uma abóbora e vários tomates pequenos, enquanto a mulher, de blusa vermelha e chapéu de palha, segura um grande repolho. Ambos sorriem, transmitindo orgulho pela colheita. O cenário sugere uma horta ou pequena propriedade agrícola, com plantas e árvores ao fundo, simbolizando o cultivo sustentável e o vínculo com a terra." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Divisão justa do trabalho doméstico é um dos focos da campanha
</p>
	                
                                            <span>Crédito: João Gabriel Marins/ASA Brasil</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Histórico</h3>



<p>Historicamente, a Articulação vem denunciando o clientelismo eleitoral no território, por meio da campanha <a href="https://asabrasil.org.br/campanha/nao-troque-seu-voto/">Não Troque Seu Voto</a>. A nova campanha, “Voto pela convivência com o Semiárido”, vem para ampliar a reflexão, mantendo a voz de denúncia, mas também evidenciando a necessidade de um voto afirmativo em defesa do território.</p>



<p>A troca de voto por favores ainda é muito recorrente no Semiárido, fragiliza a autonomia política das famílias e alimenta relações de dependência. No Brasil, uma em cada cinco pessoas (22%) diz já ter recebido oferta para vender o voto em algum período eleitoral, de acordo com pesquisa da Ipsos-Ipec. Segundo dados da Polícia Federal, a compra de votos está entre os principais motivos para a instauração de inquéritos policiais no âmbito do Codigo Eleitoral, em 2026.</p>



<p>Diante desse cenário, a ASA quer evidenciar que a troca do voto pode oferecer uma vantagem imediata, mas não garante políticas públicas capazes de transformar a vida das famílias de forma duradoura.</p>



<p>Votar pela convivência com o Semiárido é defender água, comida saudável, produção de alimentos, acesso à terra, energia, direitos das mulheres, oportunidades para as juventudes e dignidade para quem vive no território. É defender políticas públicas para uma região onde vive cerca de 15% da população brasileira e que concentra quase 30% da agricultura familiar do país.</p>
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		<title>Data centers previstos para Sergipe devem consumir mais energia do que todo o estado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2026 20:07:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[consumo de água]]></category>
		<category><![CDATA[data centers]]></category>
		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Wendal Carmo, do site Mangue Jornalismo Cerca de 186% mais eletricidade do que o atual consumo de todo o estado de Sergipe: esse é o custo energético do primeiro data center de hiperescala previsto para instalação no menor estado do Brasil. Projetado para uma área às margens da BR-101, no município de Nossa Senhora [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Wendal Carmo</strong>, <strong>do site <a href="https://manguejornalismo.org/vampiros-de-recursos-naturais-data-centers-previstos-para-sergipe-devem-consumir-mais-energia-do-que-todo-o-estado/">Mangue Jornalismo</a></strong></p>



<p>Cerca de 186% mais eletricidade do que o atual consumo de todo o estado de Sergipe: esse é o custo energético do primeiro data center de hiperescala previsto para instalação no menor estado do Brasil. Projetado para uma área às margens da BR-101, no município de Nossa Senhora do Socorro, o empreendimento consumirá 2 gigawatts quando estiver em total funcionamento; o atual consumo de Sergipe é de 700 megawatts.</p>



<p>Com o avanço das Inteligências Artificiais (IAs), cresceu a necessidade de grandes empresas de tecnologia como Meta (dona do Instagram, Facebook e WhatsApp), Alphabet (dona do Google), ByteDance (dona do TikTok), Amazon e Microsoft por data centers de hiperescala. Essas são estruturas pensadas para o processamento e armazenamento de enormes volumes de dados, como os necessários para treinar IAs e possibilitar operações com criptomoedas.</p>



<p>Com o grande interesse no Brasil devido à sua larga oferta de energia de fontes renováveis, água e falta de regulamentação, empresas de data centers nacionais e estrangeiras têm negociado diretamente com estados e municípios os termos dos acordos de instalação, lógica aplicada também em Sergipe.</p>



<p>Há cerca de dois anos, o governo de Fábio Mitidieri (PSD) negocia a instalação de um data center da empresa estadunidense Optimus Technology Group, que inaugurará a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Sergipe. Empreendimentos instalados em ZPEs recebem generosas desonerações fiscais e devem exportar pelo menos 80% de sua produção. O data center da Optimus ocupará 440 mil m² do total de 880 mil m² da ZPE de Sergipe e terá um centro de formação em IA, segundo comunicados oficiais do governo estadual.</p>



<p>O que parece uma boa notícia para a economia do estado esconde, na verdade, a altíssima demanda de energia para manter as operações ininterruptamente, além da água para resfriamento das máquinas, inclusive com a possibilidade de utilizar captação do Rio São Francisco.</p>



<p>O curta-metragem documental <a href="https://www.youtube.com/watch?v=pQrg-OrKHeI"><em>Vampiros de recursos naturais</em></a>, dirigido por Sarah Lima e as repórteres da Mangue Jornalismo Ana Paula Rocha e Rossella Cecília apresenta essas e outras informações resultantes de meses de investigação. A proposta foi selecionada na 18ª edição do Prêmio Fernando Pacheco Jordão para Jovens Jornalistas, organizado pelo<a href="https://br.linkedin.com/company/instituto-vladimir-herzog?trk=public_post-text" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Instituto Vladimir Herzog</a>. Foram repassados R$ 6 mil para a realização do curta, que teve orientação da professora Ana Carolina Cavalcanti (DCOS/UFS) e mentoria da jornalista Angelina Nunes.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe loading="lazy" title="Sergipe e os “vampiros de recursos naturais” na corrida da IA | 18º Prêmio Jovem Jornalista" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/pQrg-OrKHeI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>Uma das descobertas foi o avanço não de um, mas dois projetos de data centers – o segundo está previsto para o município de Barra dos Coqueiros, mas não foram publicizados números sobre consumo de energia ou água. A localização exata também não foi definida ainda, porém, em entrevista para o documentário, o gestor da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Sergipe, Carlos Augusto de Albuquerque, afirmou que o data center estará próximo à termelétrica da Eneva, no povoado de Jatobá.</p>



<p>As realizadoras percorreram diferentes localidades para entender qual a situação energética e hídrica dos municípios possivelmente<em></em>afetados caso as estruturas sejam instaladas. Elas constataram a cooperação entusiasmada das administrações públicas locais.</p>



<p>Nossa Senhora do Socorro, por exemplo,<a href="https://www.socorro.se.gov.br/sites/socorro.se.gov.br/files/renuncias-de-receitas/Lei%20Ordin%C3%A1ria%201844%202025%20de%20Nossa%20Senhora%20do%20Socorro%20SE.pdf"> aprovou uma lei em julho de 2025</a> que “Institui o Programa Municipal de Incentivo à Instalação de Data Centers mediante concessão de benefícios tributários e urbanísticos, e dá providências correlatas”. Dentre as benesses, está a isenção do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) “pelo prazo de até 10 (dez) anos, prorrogável por mais 5 (cinco) anos, mediante requerimento fundamentado”.</p>



<p>Já em Barra dos Coqueiros, a proximidade com a termelétrica da Eneva e a construção de uma segunda unidade a gás da mesma empresa sugerem que o data center que irá para a cidade pode ser alimentado com energia fóssil, caminho inverso ao preconizado por cientistas climáticos de todo o mundo. Apesar de menos poluente que o carvão mineral ou a queima de petróleo e seus derivados, o consumo de gás é um dos causadores do efeito estufa. Hoje, 20% de toda a reserva conhecida de gás fóssil no Brasil está em Sergipe, e o lobby pró-gás no estado é forte, como mostrou o segundo episódio do podcast<a href="https://open.spotify.com/episode/4YRAGttapu39VzVEmOW4cV"> </a><em><a href="https://open.spotify.com/episode/4YRAGttapu39VzVEmOW4cV" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sergipe verde, Sergipe fóssil</a>,</em> lançado pela Mangue em dezembro de 2025.</p>



<p>Segundo levantamento do site <a href="https://www.datacentermap.com/brazil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Data Center Map</a>, o Brasil tem 218 data centers em operação, mas nem todos são de hiperescala. A região Sudeste concentra a quantidade dessas estruturas no país. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/Virginia_Tech_-_data_center_Christopher-Bowns-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/Virginia_Tech_-_data_center_Christopher-Bowns.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/Virginia_Tech_-_data_center_Christopher-Bowns.jpg" alt="A imagem mostra o interior de um centro de dados — um ambiente técnico onde ficam fileiras de servidores organizados em racks metálicos pretos. O piso é branco e elevado, típico para permitir a passagem de cabos e ventilação. No teto, há arcos e luminárias que iluminam o corredor central. Ao fundo, vê-se uma porta de vidro que leva a outra sala. O logotipo azul “sgi” indica que o equipamento pertence à Silicon Graphics International, empresa especializada em computação de alto desempenho." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Brasil tem 218 data centers em operação
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Christopher Bowns/Wikimedia Commons</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/data-centers-previstos-para-sergipe-devem-consumir-mais-energia-do-que-todo-o-estado/">Data centers previstos para Sergipe devem consumir mais energia do que todo o estado</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Na COP 17, ASA defende combate à desertificação que fortaleça comunidades tradicionais</title>
		<link>https://marcozero.org/na-cop-17-asa-defende-combate-a-desertificacao-que-fortaleca-comunidades-tradicionais/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 20:13:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[COP]]></category>
		<category><![CDATA[desertificação]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ulaanbaatar (Mongólia) &#8211; Água, alimentos, renda, direitos territoriais e melhores condições de vida para as comunidades. Mais do que o replantio de árvores esses são os elementos essenciais para a restauração das terras secas. “Recuperar a vegetação é importante, mas não é suficiente. Precisamos cuidar também de quem historicamente cuida desses territórios”, enfatizou Luís Piritiba, da [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/na-cop-17-asa-defende-combate-a-desertificacao-que-fortaleca-comunidades-tradicionais/">Na COP 17, ASA defende combate à desertificação que fortaleça comunidades tradicionais</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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<p><strong>Ulaanbaatar (Mongólia</strong>) &#8211; Água, alimentos, renda, direitos territoriais e melhores condições de vida para as comunidades. Mais do que o replantio de árvores esses são os elementos essenciais para a restauração das terras secas. “Recuperar a vegetação é importante, mas não é suficiente. Precisamos cuidar também de quem historicamente cuida desses territórios”, enfatizou Luís Piritiba, da organização baiana Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), integrante da <a href="https://asabrasil.org.br/publicacao/brazilian-semi-arid-where-climate-solutions-already-thrive/">Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA)</a></p>



<p>Essa foi uma das principais mensagens levadas pela delegação da ASA aos debates realizados nesta quarta-feira (19), durante a COP-17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), em Ulaanbaatar, na Mongólia, quando representantes da entidades, organizações parceiras, do Governo Federal e de instituições de pesquisa participaram de atividades sobre manejo da Caatinga e do Cerrado, restauração socioprodutiva, cooperação Sul-Sul, financiamento climático e racismo ambiental.</p>



<p>Embora organizados a partir de diferentes perspectivas, os debates convergiram em um ponto: as populações das terras secas não podem ser tratadas apenas como beneficiárias de projetos. Agricultores e agricultoras familiares, mulheres, indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais precisam participar das decisões e ser reconhecidos como sujeitos centrais da restauração.</p>



<p>Durante o painel “Manejo e Restauração de Florestas em Terras Secas: Propostas para Mitigar e Reverter a Degradação da Terra na América Latina”, foram abordadas as práticas de regeneração dos territórios e as condições políticas e financeiras necessárias para ampliar essas experiências.</p>



<p>Entre os alertas apresentados esteve o avanço de áreas semiáridas no Brasil. Segundo um estudo do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), de 2023, no qual analisou o período entre os anos 1960 a 2020, as áreas do semiárido do país têm crescido a uma taxa média superior a 75 mil km² a cada década.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Esse processo acontece em territórios nos quais milhares de estabelecimentos da agricultura familiar produzem grande parte dos alimentos consumidos pela população. Isso não é apenas uma ameaça à terra, mas também à segurança e soberania alimentar dos povos”, disse o Diretor de Combate à Desertificação da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Alexandre Pires.</p>
</blockquote>



<p></p>
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		<title>Sem auxílio, famílias de Olinda ainda sofrem com os estragos da enchente de 1º de maio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 20:50:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[rio Beberibe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Três meses após as chuvas de 1º de maio, que deixaram seis pessoas mortas e quase 3 mil desabrigadas ou desalojadas em Pernambuco, a Marco Zero voltou ao bairro de Peixinhos, na periferia de Olinda, para saber como ficou a vida das famílias que, atingidas por mais uma enchente do rio Beberibe, não receberam do [&#8230;]</p>
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<p>Três meses após as <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">chuvas de 1º de maio</a>, que deixaram seis pessoas mortas e quase 3 mil desabrigadas ou desalojadas em Pernambuco, a <strong>Marco Zero</strong> voltou ao bairro de Peixinhos, na periferia de Olinda, para saber como ficou a vida das famílias que, atingidas por mais uma enchente do rio Beberibe, não receberam do Governo do Estado o Auxílio Pernambuco, no valor de R$ 2,5 mil. O que a reportagem encontrou foi um misto de revolta e desesperança.</p>



<p>A gestão Raquel Lyra (PSD) destinou R$ 8,75 milhões a 3,5 mil famílias nos 27 municípios que tiveram situação de emergência decretada, na época, na Região Metropolitana do Recife (RMR), na Zona da Mata e agreste. O dinheiro, porém, não foi, nem de longe, suficiente para atender todo mundo que teve casas danificadas e perdeu móveis e eletrodomésticos.</p>



<p>Somente Olinda, Recife e Goiana (um dos municípios mais atingidos, localizado na Zona da Mata Norte) cadastraram, juntos, 13.782 pessoas. Essa soma é quase quatro vezes maior que o total de famílias beneficiadas com Auxílio do governo estadual em todo o estado (3,5 mil famílias).</p>



<p>O reflexo dessa diferença pode ser visto nas comunidades Beira-Rio, Condor, Cabo Gato, Boa Esperança, Cuscuz e Embalo, todas em Peixinhos, onde moradores ainda não conseguiram se reestabelecer totalmente.</p>



<p>A título de comparação, a gestão do ex-governador Paulo Câmara (na época, no PSB) destinou R$ 150 milhões para 100 mil famílias atingidas pelas chuvas de maio de 2022, que deixaram 130 mortos e quase 130 mil desabrigados ou desalojados no estado. O valor do auxílio, na época, foi de R$ 1,5 mil.</p>



<p>No Recife, o então prefeito João Campos (PSB), hoje candidato a governador na disputa com Raquel, e a Câmara Municipal, adicionaram mais de R$ 1 mil à ajuda do governo estadual, criando o Auxílio Municipal e Estadual (AME), de R$ 2,5 mil para quase 2,5 mil pessoas.</p>



<p>Apesar de o desastre de 2022 ter sido bem maior, as comunidades de Olinda relataram, em maio, que naquela comunidade o impacto da enchente foi bem maior este ano, quando moradores “nadaram”, dentro de casa, com lixo, ratos e cobra. Naquele dia, a lama invadiu até mesmo casas mais distantes das margens do Beberibe, que teve sua última obra de dragagem feita em 2013. Relembre <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Cadastro tardio e verba insuficiente</h2>



<p>Em Olinda, a gestão Mirella Almeida (PSB) cadastrou, tardiamente, quatro mil moradores após as chuvas de maio, mas o pagamento foi direcionado a apenas 726 pessoas, isto é, 18,15% dos cadastros. Nas comunidades que a <strong>MZ</strong> visitou pela segunda vez este ano, conta-se nos dedos quem recebeu o dinheiro, porém é grande a quantidade de pessoas que perderam mobílias ou tiveram danos graves nas residências. Das três mulheres entrevistadas pela reportagem, apenas uma recebeu o benefício.</p>



<p>No dia das chuvas, Daniele Freitas, de 34 anos, e Ketilyn Ferreira, de 23 anos, beneficiárias do Bolsa Família e moradoras da comunidade do Cuscuz, viram suas casas racharem com o aumento da intensidade das chuvas. Ao passo que o aguaceiro ia aumentando, as casas iam rachando ainda mais.</p>



<p>Ketilyn mora com Andreza Beatriz, de 21 anos, e o filho de cinco anos com autismo nível três de suporte, no final da comunidade, uma das últimas casas. A base alta da construção não impediu que houvesse danos. O piso abriu e a água começou a minar do chão, então a parede cedeu e começou a se afastar da base.</p>



<p>Nessa altura, a família de Ketilyn estava ilhada. Ela só conseguiu sair com a ajuda do pai e do irmão, que saíram do bairro de Campo Grande, no Recife, para resgatá-los.</p>



<p>Se não fosse a mobilização da família, a casa ainda estaria rachada, pois elas não teriam condições de minimamente recuperar o imóvel. “Meu pai e minha mãe se juntaram, pediram para um homem ajeitar e botaram calha. Mas pode ver que, onde tem a ferragem, já está rachando de novo. Aí a mesma coisa agora com a última cheia [chuvas que aconteceram no começo de julho]. A água entrou por debaixo do piso e estourou todinho”, detalha.</p>



<p>Ketilyn está cadastrada no CadÚnico e luta para receber ao benefício a que o filho tem direito. Mesmo assim, não conseguiu acesso ao Auxílio Pernambuco. A frustração toma conta da família. Andreza reflete: “Como o auxílio foi para as pessoas que tinham crianças, pessoas que perderam a casa, que foram danificadas, a gente ficou sem entender porque não recebeu. Porque a gente tem ele e os documentos estão todos certos”.</p>



<p>No começo do beco, Daniele passou por algo parecido, mas a casa está ainda sem móveis, sem telhado e com rachaduras grandes. Ela precisou alugar outra residência, por R$ 250, para morar com a filha e o marido, pois, no momento, não tem condições de fazer os reparos necessários para retornar.</p>



<p>A dor de perder tudo relembra o que viveram em 2022. “Eu já não tinha quase nada. Porque já foi problema para eu conseguir dar uma ajeitadinha na casa, aquela cheia em 2022 me atingiu também, e muito. Cedeu a minha casa. Como a cheia entrou com força, a correnteza da água vinha todinha para cá. Aí, com os R$ 1,5 mil que eu recebi na época [do governo Paulo Câmara], tive como ajeitar. Também peguei emprestado, arrumei um cartão para comprar material. Eu já não tinha condições, já fiz o máximo possível para dar uma ajeitadinha para eu ficar aqui”, relata Daniele.</p>



<p>Próximo dali, na comunidade do Bote, Alexandre José, de 40 anos, mora há mais de dez anos em um barraco de madeira às margens do rio Beberibe. “Tentei salvar a geladeira, mas não deu tempo”, conta o homem que perdeu tudo. Três meses depois, ainda vê sua casa revirada junto com os poucos móveis e eletrodomésticos que não foram arrastados pelas chuvas.</p>



<p>Também beneficiário do Bolsa Família, Alexandre complementa a renda fazendo a travessia dos moradores de Peixinhos para Cajueiro pelo rio. O pouco dinheiro que pegou, nos últimos dias, foi para recuperar o bote com que trabalha. “Não chega ninguém para ajudar a gente aqui, não. Se não formos eu e ele aqui, acabou. Como se diz aqui, a gente é esquecido”, lamenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A vulnerabilidade extrema da falta de documentos</strong></h2>



<p>Se a verba do Auxílio Pernambuco não foi suficiente para os cadastrados, a possibilidade ficou ainda mais distante para quem não tem nem os documentos básicos. É o caso do flanelinha Zenon Ferreira, de 69 anos. O idoso, que não é aposentado, quase perdeu a vida dentro do barraco onde mora. As paredes improvisadas com madeiras, telhas e papelões foram embora com a correnteza.</p>



<p><strong>&#8220;</strong>Foi a pior cheia. Já teve cheia grande também, viu? Faz tempo, há uns 10 anos ou mais. Mas essa de maio foi a pior que teve&#8221;, lamenta Zenon, que mora no local há 31 anos. Agora, ele está com os documentos em dia para tentar a aposentadoria.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-Zenon.jpg" alt="Um homem idoso está sentado em uma cadeira branca no interior de uma casa precária, com piso de terra batida irregular e paredes de madeira cobertas por um telhado de zinco ondulado que deixa entrar raios de luz por entre as frestas. Ele veste camiseta amarela com estampa colorida, shorts xadrez, chinelos vermelhos e um boné listrado, e olha para cima com as mãos sobre as pernas, enquanto ao seu redor se veem baldes, recipientes, um barril com etiqueta, panos pendurados fazendo divisórias e troncos de madeira sustentando a estrutura, num ambiente de pouca luz marcado pelo contraste entre claridades que entram pelas brechas e sombras profundas." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Agora, a esperança de Zenon Ferreira é conseguir se aposentar
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo a gestão estadual, o pagamento do Auxílio Pernambuco usou como base a quantidade de cadastros repassada ao governo pelas prefeituras no princípio da situação de emergência provocada pelas chuvas do dia 1º. Havia pressa por causa da situação e da necessidade de envio do Projeto de Lei à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).</p>



<p>“Naquele momento, os municípios tinham formado aquela quantidade de famílias e foi a quantidade que nós trabalhamos. Então algumas famílias que estão reclamando ou não estavam no critério ou realmente chegaram depois e não estavam nesse critério de priorização”, afirmou a secretária estadual de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS), Andreza Pacheco, em julho, após uma onda de protestos.</p>



<p>O decreto do Auxílio Pernambuco priorizou pessoas com deficiência, gestantes e mulheres responsáveis pelo núcleo familiar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Mobilização da comunidade</h3>



<p>Os cadastros em Olinda foram realizados tardiamente após pressão popular. Em Peixinhos, a gestão de Mirella Almeida começou a realizar os cadastros nas comunidades em 21 de junho. Em 26 de junho de 2026, a gestão ainda informava que estava realizando o cadastramento das famílias atingidas no bairro de Rio Doce.</p>



<p>A visita às casas afetadas aconteceu ao lado de mobilizadores locais integrantes do Comitê Popular de Luta pelo Direito à Vida. Um mês depois do início dos cadastros, o comitê se reuniu com moradores e representantes do Governo do Estado para tratar desse e de outros assuntos.</p>



<p>Com mais de 30 pessoas presentes, os moradores compartilharam suas angústias e a sensação de insegurança e desamparo. No entanto, Josiane Silva, diretora da Secretaria Estadual de Periferias de Pernambuco, foi categórica ao afirmar que não haveria mais pagamentos a quem se cadastrou e não foi contemplado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-reuniao.jpg" alt="Em uma sala de paredes brancas com piso de cerâmica clara, dezenas de pessoas — homens e mulheres de diferentes idades, alguns de máscara e roupas casuais — estão sentadas em cadeiras plásticas dispostas em duas fileiras que se enfrentam, formando um corredor central, enquanto participam de uma reunião comunitária; o ambiente é decorado com bandeirinhas coloridas de festa junina, fotos e documentos afixados nas paredes, e ao fundo, além de um arco, vê-se uma parede azul-clara com um crucifixo e um ventilador de teto, sugerindo um espaço de caráter religioso ou comunitário." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Moradores pressionaram representantes do governo estadual em reunião
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Questionada pelos moradores sobre a escolha das pessoas que receberiam o dinheiro, a representante afirmou que quem selecionou e encaminhou para o Governo do Estado foi a própria prefeitura.</p>



<p>A <strong>MZ</strong> perguntou à Prefeitura de Olinda sobre os critérios de seleção utilizados e por que tantas pessoas ficaram de fora. A gestão respondeu “realizou os cadastros em conformidade com os critérios estabelecidos pelo Governo do Estado. Além de atender às exigências do processo, o levantamento também servirá como instrumento de mapeamento da realidade local, permitindo a coleta de informações que subsidiem a elaboração de políticas públicas voltadas à população”.</p>
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		<title>Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 22:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>
		<category><![CDATA[rio Tejipió]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura de uma Carta Manifesto e coleta de testemunhos de moradores sobre os impactos do Projeto ProMorar/BID na Bacia do Rio Tejipió.</p>



<p>O documento, que será apresentado às autoridades municipais, ao Judiciário e a organismos internacionais como Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), denuncia a falta de transparência do escritório social responsável por fazer a ligação entre a Prefeitura do Recife e as comunidades atendidas pelo programa. Além disso, também há queixas referentes aos riscos à saúde provocados pelas enchentes recorrentes e a ineficiência das obras de dragagem nas imediações da comunidade do Barro, realizadas em 2024.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Trecho da Carta Manifesto</span>

		<p>&#8220;As comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, por meio das entidades acima citadas, vêm reivindicar publicamente informações claras, transparentes e prévias sobre o andamento do PROMORAR em seus territórios; a garantia de participação efetiva nos processos de deliberação sobre os projetos; a comunicação antecipada acerca de eventuais reassentamentos das famílias que poderão ser impactadas; a apresentação de propostas de moradia adequada para essas famílias; a regularização fundiária dessas localidades; e, sobretudo, a implementação de soluções que ponham fim às inundações e aos alagamentos que, de forma recorrente, impõem perdas materiais, comprometem a saúde física e mental e que violam o direito à vida digna das moradoras e dos moradores&#8221;.</p>
	</div>



<p>Entre as reivindicações estão a garantia de permanência das famílias no território, reassentamento apenas após a entrega das novas unidades habitacionais, indenizações justas de no mínimo R$ 85 mil e obras estruturantes contra alagamentos. O movimento também exige maior participação feminina nos processos decisórios e formativos, ao criticar a superficialidade das ações voltadas às mulheres ao citar as oficinas de estética e autocuidado oferecidas pelo programa.</p>



<p>O evento contará com a presença de entidades como Instituto Solidare, Instituto Transformar, Cendhec, MNDH/PE, Nós na Criação e Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte), além de lideranças religiosas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-212x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-722x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-722x1024.jpeg" alt="A imagem de um cartaz que traz uma mensagem direta e mobilizadora: “Até quando vamos sofrer com as inundações? É hora de agir!”. Ele convoca moradores cansados de perder móveis, ver suas casas alagadas e viver com medo sempre que chove a se unir ao Movimento Gota D’Água. O ato está marcado para sábado, 25 de julho, com concentração às 6h da manhã no Marco Zero, em Recife. Haverá ônibus saindo das comunidades às 4h30, e o texto encerra com o chamado: “Sua presença pode mudar essa história”." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: reprodução</span>
                                    </figcaption>
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