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	<title>Arquivo de Reportagem - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 24 May 2026 12:53:06 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Reportagem - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;Clamor&#8221;, livro sobre rede de apoio a refugiados de ditaduras será adaptado para o cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 22:32:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Madeira]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[livro sobre a ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Marjorie Estiano]]></category>
		<category><![CDATA[Mouhamed Harfouch]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A atuação de uma rede de apoio que ajudava refugiados da repressão dos países sul-americanos que, na segunda metade dos anos 1970, fugiram para o Brasil é uma história dos tempos da ditadura ainda a ser descoberta pelo público brasileiro. Agora, uma das poucas obras que trata desse tema, o livro-reportagem Clamor, do jornalista Samarone [&#8230;]</p>
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<p>A atuação de uma rede de apoio que ajudava refugiados da repressão dos países sul-americanos que, na segunda metade dos anos 1970, fugiram para o Brasil é uma história dos tempos da ditadura ainda a ser descoberta pelo público brasileiro. Agora, uma das poucas obras que trata desse tema, o livro-reportagem <em>Clamor</em>, do jornalista Samarone Lima, está sendo adaptado para o cinema.</p>



<p>O filme será dirigido por Malu de Martino, cujo trabalho mais marcante foi o longa-metragem <em>Como esquecer</em>, e filmado em Santos e em Valparaíso, no Chile. A produção ainda está nas fases iniciais, com o elenco sendo montado.</p>



<p>A atriz <a href="https://www.instagram.com/estianomarjorie/">Marjorie Estiano</a> (da série <em>Sob pressão</em> e do filme <em>Ainda estou aqui</em>) foi a primeira a ser anunciada; ela fará o papel da jornalista inglesa Jan Rocha, ex-correspondente no Brasil da BBC durante a ditadura, uma das criadoras do grupo Clamor. Seu marido, o brasileiro Plauto, será interpretado por <a href="https://www.instagram.com/mouhamedh/">Mouhamed Harfouch</a>, que atuou em novelas globais como <em>Cordel Encantado</em> e <em>Verdades Secretas</em>. O ator, de ascendência síria por parte de pai, é ativista em organizações de solidariedade a refugiados sírios no Brasil.</p>



<p>A jornalista britânica, que, até hoje, vive no Brasil, é a figura central na história do Clamor.</p>



<p>Em razão do seu trabalho como correspondente estrangeira, era constantemente procurada por militantes exilados que fugiam da máquina repressiva das ditaduras da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai ou por parentes de desaparecidos nesses países. Na época, pressionados internamente e pela opinião pública internacional, os militares brasileiros iniciavam a &#8220;abertura&#8221; política do regime, o que tornou o país um refúgio próximo de casa para os perseguidos vindos do Cone Sul.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/clamor-marjorie-estiano.jpeg" alt="A imagem mostra uma mulher sentada em uma poltrona cinza clara, em um ambiente interno elegante. Ela veste um vestido longo de cetim marrom e sapatos de salto alto amarelos, que criam um contraste marcante. Usa colar e pulseira dourados, e tem o cabelo curto e ondulado, penteado de forma descontraída. Está com uma expressão confiante e um leve sorriso, com uma das mãos apoiada na cabeça. Ao lado, há uma mesa redonda de madeira com um abajur dourado e branco e um telefone preto, compondo um cenário sofisticado e acolhedor." class="" loading="lazy" width="503">
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	                                        <p class="m-0">Marjorie Estiano será a protagonista do filme
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram @estianomarjorie</span>
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                    </figure>

	


<p>Junto com o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e o pastor presbiteriano Jaime Wright, ela criou o Clamor. Sob a proteção de dom Paulo Evaristo Arns, o grupo passou a ter como sede uma sala na Cúria Metropolitana de São Paulo, ora prestando assistência jurídica aos refugiados, ora articulando uma rede para ajudá-los a encontrar casa, trabalho e alimento. No entanto, a atividade do grupo de maior impacto eram os boletins com relatos de casos e fotos de prisioneiros ou desaparecidos.</p>



<p>Graças ao boletim publicado em três idiomas (português, espanhol e inglês), o Clamor chegou aos personagens que protagonizaram o fato detalhado por Samarone Lima no livro e que será recontado no cinema: a localização de Anatole e Victoria, duas crianças uruguaias desaparecidas. Anos após o sumiço dos irmãos, o grupo descobriu que o menino e a menina foram abandonados por militares argentinos no meio da rua em Valparaíso, a mais de 1.400 quilômetros de Buenos Aires, onde seus pais tinham sido assassinados pela repressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Solidariedade brasileira</h2>



<p>Aos 86 anos e vivendo no Brasil desde 1986, <a href="https://marcozero.org/ao-falar-que-a-amazonia-e-nossa-bolsonaro-diz-que-a-amazonia-e-do-crime-afirma-jornalista-britanica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jan Rocha </a>acredita que o filme será importante ao tratar de um aspecto da história do Brasil pouco conhecido do público do país. &#8220;Sei que um filme nunca consegue captar tudo, sei que serão necessárias licenças poéticas para melhor condensar a história, mas será uma oportunidade para que o Clamor alcance uma audiência maior do que a do livro&#8221;, afirma a jornalista.</p>



<p>Ela acredita que, além da própria história do grupo, &#8220;também não é muito conhecido o fato de o Brasil ter recebido milhares de refugiados de toda a América do Sul naqueles anos em que o Brasil vivia uma fase diferente da ditadura, a partir de 1977, principalmente&#8221;. O processo de reabertura permitiu, por exemplo, a instalação de dois escritórios do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Rio de Janeiro e em São Paulo.</p>



<p>Os brasileiros foram muito generosos e acolhedores com esses refugiados. Essa é a impressão que, quase meia década depois, permanece na memória de Jan Rocha. &#8220;A solidariedade brasileira vai chegar às telas do cinema; espero que o filme consiga mostrar isso&#8221;, diz a inglesa.</p>



<p>Na sala cedida pela Cúria Metropolitana ao Clamor chegavam pessoas vivendo situações dramáticas, a exemplo de esposas com maridos desaparecidos e pais cujos filhos foram assassinados ou presos em locais desconhecidos. Mesmo assim, Jan Rocha recusa o rótulo de &#8220;heroísmo&#8221; à atuação do grupo. &#8220;Fazíamos o que precisava ser feito diante de tanto desespero&#8221;, garante.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Direitos sem fronteiras</h3>



<p>No final dos anos 1990 e início dos 2000, quando trabalhava no jornal da Arquidiocese de São Paulo, Samarone Lima teve acesso ao acervo de documentos, recortes de jornais de vários países, depoimentos e fotografias armazenados nos arquivos do Clamor, desativado em 1991, logo após o fim da última ditadura sul-americana, a de Pinochet, no Chile. A pesquisa municiou a dissertação de mestrado do jornalista na Universidade de São Paulo (USP), base para o livro publicado e m 2005.</p>



<p>&#8220;O maior legado do Clamor é a ideia de que solidariedade não tem fronteiras geográficas, étnicas, religiosas, de crenças. É a grande lição para todos os grupos de direitos humanos que, por vezes, atuam solitários tentando alguma pequena conquista&#8221;, resume o autor do livro.</p>



<p>Samarone ressalta que o posicionamento de dom Paulo Evaristo vinha da convicção de que a luta contra a violação dos direitos humanos é universal: &#8220;Dom Paulo tinha conexões com igrejas em todo o mundo, e, com isso, o Clamor recebeu financiamento do Conselho Mundial de Igrejas, que bancou sua estrutura, custeou a viagem secreta para o Chile em busca de Anatole e Vicky&#8221;.</p>



<p>No filme, o arcebispo de São Paulo será interpretado por Augusto Madeira, que atuou na novela <em>Três Graças</em> e na série <em>A menina que matou os pais</em>.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Clamor-sebas-miquel-1024x675.jpeg" alt="A imagem mostra um chão de asfalto coberto por desenhos e palavras feitas com giz branco e azul. No centro, lê-se “FUE GENOCIDIO”, expressão em espanhol que significa “foi genocídio”. O texto está dentro de um contorno que lembra um lenço triangular, símbolo das Mães da Praça de Maio, movimento argentino que denuncia os desaparecimentos durante a ditadura militar. Dois pares de pés com tênis escuros aparecem caminhando sobre ou perto dos desenhos, sugerindo uma cena de rua, possivelmente durante um ato de memória ou protesto. No canto inferior direito, há a assinatura “@sebastianmiquel”." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">O grupo Clamor deu apoio a perseguidos das ditaduras na América do Sul
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram @sebasmiquel</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
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		<title>Prefeitura nega informações sobre concessão de parques e autoriza derrubada de 41 árvores no Dona Lindu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2026 15:11:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Apipucos]]></category>
		<category><![CDATA[concessão privada]]></category>
		<category><![CDATA[dona lindu]]></category>
		<category><![CDATA[Fiscalização]]></category>
		<category><![CDATA[jaqueira]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[parques do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Prefeitura do Recife tem se recusado a divulgar dados financeiros, relatórios de reclamações e informações sobre a fiscalização da concessão de quatro parques urbanos da cidade — Jaqueira, Santana, Apipucos e Dona Lindu. Desde março, a Marco Zero tenta conseguir esses dados por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), já que a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Prefeitura do Recife tem se recusado a divulgar dados financeiros, relatórios de reclamações e informações sobre a fiscalização da concessão de quatro parques urbanos da cidade — Jaqueira, Santana, Apipucos e Dona Lindu. Desde março, a Marco Zero tenta conseguir esses dados por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), já que a concessionária que venceu a licitação, a Viva Parques, é uma sociedade de propósito específico, uma empresa criada apenas para gerir os quatro parques e existe apenas por conta da concessão. Por essa razão, está sujeita a prestar contas à Prefeitura e, consequentemente, à sociedade.</p>



<p>Dois pedidos de acesso à informação, protocolados em março deste ano, solicitaram documentos do primeiro ano de operação dos parques sob concessão privada. O primeiro (protocolo nº 2026002450132009991) requisitou relatórios de desempenho, relatórios gerenciais mensais com fluxo de visitantes e valores arrecadados por fonte de receita, relatórios trimestrais de reclamações de usuários, demonstrações financeiras trimestrais e o balanço patrimonial do primeiro ano. Todas essas informações deveriam ter sido obrigatoriamente enviadas para a Prefeitura do Recife pela Viva Parques. </p>



<p>O segundo pedido (protocolo nº 2026002470132009996) pediu o valor total arrecadado discriminado por fonte e por parque, e o número de postos de trabalho diretos discriminado por área e por parque — dados que também estão, ou deveriam estar, com a Prefeitura.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/parques-do-recife-sob-concessao-bem-publico-ou-plataforma-de-negocios/" class="titulo">Parques do Recife sob concessão: bem público ou plataforma de negócios?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/opiniao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Opinião</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (Sedul) negou o acesso à maior parte dessas informações. No primeiro pedido, a secretaria afirmou que os indicadores formais de desempenho só começam a ser apurados no 25º mês de contrato — o que significa que não haverá aferição oficial de metas até abril de 2027. Na resposta, forneceu apenas um dado agregado de visitantes: 468 mil entradas nos quatro parques entre março e dezembro de 2025, sem detalhamento por parque ou período. Recusou acesso a todos os dados financeiros e aos relatórios de reclamações. No segundo pedido, negou os dados de receita e forneceu apenas a tabela de empregos, desta vez desagregada: 37 funcionários no Dona Lindu, 45 na Jaqueira, 28 no Santana e nove no Apipucos — totalizando 119 postos diretos nos quatro parques concedidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Prefeitura se recusa a divulgar reclamações</h2>



<p>Para justificar as negativas, a Sedul invocou em ambos os pedidos o artigo 22 da Lei de Acesso à Informação, que preserva o sigilo de informações estratégicas de pessoas jurídicas de direito privado. Também alegou que os relatórios de reclamações constituem &#8220;documentos de gestão interna&#8221; cuja divulgação &#8220;poderia comprometer a eficácia da fiscalização administrativa&#8221;. </p>



<p>O contrato assinado entre a Prefeitura do Recife e a Viva Parques também prevê a contratação de um Verificador Independente para exercer controle técnico sobre a concessão. A Sedul confirmou que a contratação foi concluída e que o processo está em fase de aprovação do plano de trabalho, mas não informou a identidade da empresa, o CNPJ, o valor contratado nem a data de assinatura.</p>



<p>A Marco Zero fez recursos em relação às negativas da Sedul. Um dos argumentos que usamos é o de que o artigo 30 da Lei de Concessões impõe ao concessionário de serviço público obrigações de prestação de contas ao poder concedente e ao público. O segundo é o artigo 8º da própria LAI, que define como sujeitas à divulgação as informações &#8220;produzidas ou custodiadas&#8221; por órgãos públicos — critério que se aplica independentemente de quem gerou originalmente os documentos. O terceiro argumento é a ausência de enquadramento legal válido para os relatórios de reclamações: o artigo 23 da LAI traz um rol taxativo de hipóteses de sigilo, e as listas de reclamações de usuários de parques públicos não se encaixam em nenhuma delas.</p>



<p>O argumento central da Prefeitura — de que a Viva Parques é uma pessoa jurídica de direito privado e suas receitas integram &#8220;estratégia comercial protegida&#8221; — pressupõe a existência de concorrência de mercado. A concessionária, porém, detém o monopólio contratual sobre quatro parques públicos municipais por três décadas, sem concorrência.</p>



<p>A Sedul respondeu aos recursos em 29 de abril de 2026, mantendo integralmente as negativas. Os documentos foram assinados digitalmente pela secretária-executiva de Parcerias Estratégicas, Isabela Madruga de Moraes Matos. &#8220;Quanto aos valores arrecadados, a divulgação de dados reais de arrecadação por fonte e por parque exporia informações estratégicas de mercado. Tais dados poderiam ser utilizados por terceiros em detrimento da viabilidade econômica da concessão e, reflexamente, dos interesses da própria Administração, que depende da solidez financeira da Concessionária para a execução dos investimentos obrigatórios pactuados&#8221;, diz a resposta à Marco Zero.</p>



<p>No primeiro recurso, a Sedul reafirmou que os relatórios gerenciais existem e são analisados pela Prefeitura. Ou seja, a secretaria invoca os relatórios como prova de que fiscaliza a concessão, mas se recusa a fornecê-los sob alegação de sigilo comercial da empresa..</p>



<p>Com a manutenção das negativas, foram encaminhados dois requerimentos separados à Controladoria-Geral do Município do Recife (CGM), órgão de controle interno responsável pela supervisão do cumprimento da LAI no âmbito municipal. Entre os pedidos, a MZ solicita que a CGM requisite informações completas sobre o Verificador Independente — identidade, CNPJ, valor contratual, data de assinatura e cronograma de início — e que revise o entendimento da Sedul sobre o art. 22 da LAI em contratos de concessão de serviço público.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:heading --></p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quanto a prefeitura vai receber da concessionária?</strong></h2>
<p><!-- /wp:heading --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Além do pagamento na hora do leilão dos parques – feito lá em 2024 – e dos investimentos obrigatórios que a concessionária Viva Parques deve fazer nos quatro parques ao longo dos 30 anos de contrato, há também um pagamento variável e mensal para a Prefeitura do Recife. É a outorga variável, que é um percentual que vem da receita bruta dos parques e vai começar a ser pago no 25º mês contado da data de eficácia da concessão. É por isso que o faturamento da Viva Parques não é algo que interessa apenas à empresa, mas também à prefeitura e aos recifenses.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Existe, no entanto, uma discrepância nos documentos da concessão sobre qual é esse percentual que a Marco Zero não conseguiu esclarecer. Na proposta econômica apresentada pela Viva Parques, em junho de 2024, a concessionária se comprometia a compartilhar com a Prefeitura 2,5% da receita operacional bruta, percentual que poderia chegar a 7,5% conforme o desempenho da empresa. Porém, no contrato assinado quatro meses depois, em outubro de 2024, o percentual base caiu para 1% da receita operacional bruta, com teto de 4,5%.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Como o contrato é o documento mais recente e juridicamente tem prevalência, a diferença representa uma redução significativa na parcela da receita que caberia aos cofres públicos ao longo dos 30 anos da concessão. A Marco Zero procurou a assessoria de comunicação da Prefeitura do Recife para saber qual dos dois percentuais está efetivamente em vigor e, caso seja o menor, por que houve esse decréscimo em desfavor do poder público. A Prefeitura do Recife não respondeu.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;O objetivo da concessionária é o lucro. O nosso é que o parque não vire feira&#8221;</h3>



<p>Desde que a Prefeitura do Recife anunciou a concessão dos quatro parques à iniciativa privada, em 2024, o professor Anselmo Bezerra, do Grupo de Pesquisa Ecologia e Análises Socioambientais do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), vem fazendo alertas sobre o modelo. Mais de um ano após o início da gestão da Viva Parques, ele avalia que os riscos que identificou não foram totalmente eliminados.</p>



<p>Um deles é a falta de transparência da prefeitura sobre os meandros da concessão. E isso está posto desde o início. Para Anselmo Bezerra, a questão central é o que Prefeitura fez com o dinheiro que economizou com a concessão dos parques. Mas não há nem clareza sobre quanto a prefeitura gastava antes da concessão com cada um desses parques. O então prefeito João Campos (PSB) divulgava que a prefeitura iria economizar cerca de R$ 12 milhões anualmente com a concessão, mas a prefeitura nunca forneceu qual era o gasto anual com cada um dos parques. No Portal da Transparência, os dados sobre os parques são agregados de forma genérica. “A importância de haver clareza nos gastos [antes da concessão] com os parques ajudaria a criar uma linha de base para entender se os valores inseridos no modelo econômico da proposta de concessão eram condizentes com os gastos da época da Prefeitura”, diz Bezerra.</p>



<p>“O principal problema de agregar esses dados é que a cidade nunca teve um sistema de parques urbanos homogêneo, no qual a gestão fosse realizada por um único órgão ou setor do poder público. Os vários parques existentes são geridos por diferentes setores da prefeitura, o que dificulta compreender procedimentos comuns e levantar dados uniformizados sobre esses gastos”, explica. “A grande questão aqui é se a economia gerada com esse investimento ou gasto está sendo alocada em outras políticas públicas com finalidade semelhante [conservação ambiental, lazer, cultura, qualidade de vida etc]”, completa.</p>



<p>A concessão tem obrigação de investir R$ 413 milhões ao longo de 30 anos, o equivalente a R$ 13,7 milhões por ano — valor próximo ao que a Prefeitura dizia gastar antes com a manutenção dos parques. “Se eu deixo de gastar um milhão na manutenção dos parques e aumento ou qualifico áreas de lazer em bairros mais periféricos da cidade, incluindo ações de arborização urbana e conservação de ambientes vegetados, parece-me que haveria um direcionamento interessante. Entretanto, se não há como rastrear isso, ficamos reféns de acreditar que a concessão será benéfica por si só para aqueles espaços concedidos, e ponto”, acredita Anselmo.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Parque-de-apipucos-1.jpg" alt="Parque de Apipucos, em Recife, aparece nesta foto aérea como um refúgio verde em meio à cidade: o lago central reluz como um espelho que reflete céu e árvores, enquanto suas margens são cercadas por caminhos sombreados, praças e estruturas acolhedoras que convidam ao descanso; ao lado, uma avenida movimentada lembra o ritmo urbano, e mais adiante os edifícios brancos modernos se erguem em contraste com a natureza, compondo uma paisagem onde se misturam o frescor das copas, o cheiro de grama molhada e a brisa suave do lago com o cenário vibrante da vida recifense." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Apipucos é um dos quatro parques entregues à gestão privada pela PCR
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Outro ponto de alerta sobre a concessão é a falta de participação popular. A pesquisa para um artigo do grupo que Anselmo integra, publicado em 2025 na Revista Brasileira de Direito Urbanístico, mostrou que 89% dos entrevistados nem sabiam sobre a concessão — e que metade dos que a conheciam eram a favor. &#8220;Massificar a comunicação para ampliar o debate e envolver a população em geral é algo crucial que deveria ser perseguido por qualquer gestão. Isso passa por como uma gestão entende e estimula a participação social, mas também por como a sociedade se interessa e busca participar dos rumos da cidade&#8221;, afirma. &#8220;Os ativos dos parques urbanos são um bem comum de toda a sociedade; não pertencem a um governo ou a uma empresa, e cabe à sociedade se apropriar e discutir os rumos desses ativos, sob pena de atuar como mera figurante no processo, o que é muito ruim.&#8221;</p>



<p>Ainda na fase de consulta pública da concessão, o grupo de pesquisa do IFPE propôs a criação de um conselho consultivo para discutir o dia a dia dos parques. A proposta foi rejeitada pela Prefeitura do Recife, que alegou que o Verificador Independente e o Indicador de Experiência do Usuário seriam suficientes. &#8220;A partir do momento em que se sentam à mesa um empresário, um ambulante, um pesquisador, um gestor público, um ou mais frequentadores dos parques, as questões do dia a dia aparecem, o conflito emerge, os argumentos são postos, e o debate passa a existir&#8221;, diz o professor do IFPE. &#8220;Nada substitui um controle social realizado de forma participativa entre os diferentes atores que compõem uma sociedade tão desigual como a nossa. Sem controle social, ficamos à mercê das cláusulas e dispositivos contratuais que, às vezes, só existem por questões legais, mas têm pouco impacto na melhoria da gestão desses espaços”.</p>



<p>Quem vai medir, na prática, se a concessionária está cumprindo o contrato — incluindo o cuidado com a vegetação — é o Verificador Independente. É ele quem vai conduzir inspeções de campo, analisar os documentos entregues pela concessionária e aplicar pelo menos uma pesquisa mensal de satisfação diretamente aos usuários dos parques. &#8220;A auditoria externa realizada por uma instituição independente é um instrumento interessante, mas tudo depende de como se realizará essa verificação, dos critérios adotados e do rigor metodológico”, diz Anselmo.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Meio ambiente responde só por 12% da nota de desempenho</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">O Sistema de Mensuração de Desempenho — o mecanismo que determina quanto a concessionária paga de outorga variável à Prefeitura — avalia o trabalho da empresa por meio de três grandes indicadores: conformidade com obrigações contratuais, com peso de 10% na nota final; disponibilidade de infraestrutura e serviços, com peso de 60%; e experiência do usuário, com peso de 30%. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Dentro do indicador de disponibilidade, há cinco sub-indicadores com peso igual — infraestrutura física, limpeza, meio ambiente, segurança patrimonial e prevenção de incêndios — cada um representando 20% desse indicador. Como o indicador de disponibilidade pesa 60% da nota final, cada sub-indicador equivale a 12% da avaliação total. Assim, o cuidado com áreas verdes, gramados e arborização pesa apenas 12% na nota que define o desempenho da concessionária — o mesmo peso que a limpeza, a segurança e a prevenção de incêndios. A infraestrutura física e a limpeza juntas respondem por 24% — o dobro do que responde o meio ambiente.</span></p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Vegetação dos parques está sob risco?</strong></h3>



<p>A pesquisa realizada pelo Grupo de pesquisa Ecologia e Análises Socioambientais mostrou que o sombreamento e a área verde estão entre os principais motivos para a visita aos parques concedidos – chegando a 95,9% no Parque da Jaqueira. Mas o professor alerta que, no modelo de concessão, o verde cumpre um papel diferente do que cumpre para o poder público. &#8220;A cobertura vegetal é apenas uma variável de atratividade de pessoas e consumidores desses espaços, pois não é uma preocupação real do ator privado executar o papel do poder público&#8221;, explica. &#8220;O objetivo principal é dinamizar o uso do parque para garantir maior retorno financeiro. Existe o risco de modificação da cobertura vegetal em detrimento da instalação de infraestruturas que possam trazer retorno financeiro de curto prazo.&#8221;</p>



<p>Na pesquisa do grupo do IFPE, 47% dos entrevistados pelos pesquisadores acreditam que a concessão não trará melhorias na cobertura vegetal. Ainda na fase de consulta pública, o grupo do IFPE sugeriu inserir no contrato a responsabilidade da concessionária por &#8216;risco de dano ambiental que venha a descaracterizar a função principal do parque enquanto espaço verde urbano e/ou reduzir a capacidade de provisão de serviços ecossistêmicos&#8217;.</p>



<p>A sugestão foi acatada e está registrada na subcláusula 9.2.7, alínea g, do Anexo I do contrato. Na prática, isso significa que a Viva Parques responde legalmente se suprimir vegetação ou degradar o ambiente dos parques — mas a cláusula não define métricas preventivas nem obriga a medir cobertura vegetal ou temperatura ao longo da concessão. É um instrumento de responsabilização pelo dano, não de vigilância antes que ele ocorra.</p>



<p>Esse é um ponto que merece ainda mais atenção quando a própria Secretária de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento autorizou, recentemente, a derrubada de 41 árvores no parque Dona Lindu para a construção de quiosques. Em nota enviada para a Marco Zero, a prefeitura informou que como medida compensatória serão plantadas 82 árvores no próprio parque. Mudas que irão demorar anos para crescer, enquanto as áreas de comércio nos parques sob gestão privada seguem aumentando.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Acompanhamos uma reunião de grupo de apoio a viciados em apostas online e jogos de azar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 20:22:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bets]]></category>
		<category><![CDATA[endividamento]]></category>
		<category><![CDATA[Jogadores anônimos]]></category>
		<category><![CDATA[Jogos online]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acostumada com a incessante publicidade de bets em outdoors, no celular, comerciais de TV, merchandising em canais de YouTube, camisas de jogadores de futebol, eventos públicos e até em blocos de carnaval, me chamou a atenção, quando caminhava pelas ruas de Caruaru, a discreta placa informando dia e hora das reuniões dos Jogadores Anônimos (JA) [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Acostumada com a incessante publicidade de bets em outdoors, no celular, comerciais de TV, <em>merchandising</em> em canais de YouTube, camisas de jogadores de futebol, eventos públicos e até em blocos de carnaval, me chamou a atenção, quando caminhava pelas ruas de Caruaru, a discreta placa informando dia e hora das reuniões dos Jogadores Anônimos (JA) na frente da Associação Municipal Espírita. Entrei, bati na porta, me apresentei como jornalista e perguntei se poderia acompanhar uma das reuniões. Recebi &#8220;sim&#8221; como resposta e o resultado vocês vão ler a partir de agora.<br><br>Desde que foi inaugurado, em 24 de março de 2025, o grupo de apoio JA de Caruaru, todos os sábados, a partir das 18h, recebe e acolhe pessoas do município e de outras cidades do Agreste que sofrem com a compulsão por jogos de azar e apostas online. Localizado na Avenida Professor José Leão, nº 567, no bairro Maurício de Nassau, o grupo funciona sob uma dinâmica conhecida como &#8220;terapia de espelho&#8221;, onde cada dependente tem um tempo determinado para relatar seu histórico e dificuldades enfrentadas com o vício, enquanto os demais escutam em silêncio e refletem sobre a própria compulsão. Ali, estão pessoas que apostam compulsivamente em jogos de cartas, dominó, jogo do bicho, cassinos online e inúmeros outros jogos de azar virtuais propagados pelas bets por toda parte.</p>



<p>Recentemente, participei de uma das reuniões do JA em Caruaru e conheci Alberto José, 42, e Lucilia Marcelino, 34, frequentadores do grupo que compartilham relatos de compulsão por jogos online que mostram como a ilusão de ganho rápido e constante vendida pelas plataformas de jogos online são uma armadilha para destruição financeira, emocional e social.</p>



<p>Pela manhã, Alberto trabalha como recepcionista numa clínica de psicologia e, a partir das 17h, como motorista de aplicativo. Boa parte do dinheiro que recebe se dedicando a estas duas funções vai direto para plataformas de apostas. O que sobra, fica para despesas pessoais essenciais e para ajudar a manter a casa onde vive com um sobrinho universitário. Alberto revela que tem vivido no limite, lutando para equilibrar as contas e buscando saídas para controlar a compulsão. “Eu tenho essas fontes de renda e, mesmo assim, não tenho nada. Todo o meu dinheiro some instantaneamente. Graças a Deus, eu tenho conseguido manter as contas de casa e a alimentação. Mesmo assim, aos trancos e barrancos”.</p>



<p>Alberto é um integrante recente do JA, faz poucas semanas que começou a participar das reuniões. Buscou a ajuda do grupo por perceber que a sua compulsão estava evoluindo para uma crise financeira e pessoal que poderia se tornar irreversível. Ele chegou a apostar, de uma vez, todo o dinheiro que recebeu depois de um mês de trabalho. Deixou de pagar o aluguel, comprar comida e honrar outras dívidas que tinha. “Precisei apostar todo o meu salário de uma vez, deixar de pagar as minhas contas, pra parar e me perguntar aonde eu estava chegando. Aí, eu procurei ajuda, um freio pra mim. Foi aí que encontrei o JA aqui em Caruaru. Vindo pra cá, participando das reuniões, eu me sinto mais leve, sabe? Você consegue desabafar, colocar pra fora tudo aquilo que está te sufocando”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Gessica-bets-1024x693.jpeg" alt="A imagem mostra dois chaveiros plásticos transparentes sobre um tecido vermelho. Cada chaveiro tem detalhes coloridos — um com partes vermelhas e outro com amarelas — e contém um pequeno cartão branco com o desenho de duas mãos se cumprimentando, símbolo de apoio e solidariedade. Abaixo do desenho, lê-se o endereço “www.jogadoresanonimos.org.br”, indicando que são materiais do grupo Jogadores Anônimos, voltado à recuperação de pessoas com dependência em jogos." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Alberto e Lucília contaram suas histórias, mas pediram para não serem fotografados
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Géssica Amorim/Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Na busca por frear a sua compulsão pelas apostas, Alberto também chegou a bloquear o próprio CPF em todas as plataformas de jogos online ativas no país. Foi utilizando a <a href="https://www.gov.br/fazenda/pt-br/composicao/orgaos/secretaria-de-premios-e-apostas/autoexclusao">Plataforma Centralizada de Autoexclusão</a>, lançada pelo Governo Federal em dezembro de 2025. Um sistema que permite que você impeça, de uma só vez, que o seu próprio CPF tenha acesso a todos os sites de apostas autorizados a operar no Brasil. Mesmo assim, bloqueado em todas casas de apostas nacionais, Alberto não conseguiu parar de apostar. Ele buscou plataformas estrangeiras, que operam ilegalmente por aqui. “Hoje, eu ainda aposto. Estou buscando formas de me livrar disso, mas ainda não consegui parar de apostar. Bloqueei o meu CPF em casas de apostas brasileiras, mas procurei e passei a jogar nas plataformas chinesas. E elas não têm essa opção de bloqueio, não dá pra tentar parar assim. Elas estão ativas e a todo vapor”.</p>



<p>Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, órgão responsável por autorizar, regulamentar e fiscalizar empresas do setor, no ano passado, mais de 25 mil sites ilegais de apostas online foram bloqueados no Brasil e 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas online. Lançada no início de dezembro do ano passado, apenas nos primeiros 40 dias após o lançamento, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão recebeu mais de 217 mil pedidos de bloqueio.</p>



<p>Alberto começou a apostar através de um link de indicação que recebeu de um amigo. Ele conta que o início foi despretensioso, que começou fazendo pequenas apostas, de valores baixos, e usava o jogo ao final do dia, depois do trabalho, como uma forma de &#8220;relaxar” e “se distrair&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sem controle, sem salário</h2>



<p>Já Lucília Marcelino, que frequenta o JA de Caruaru desde a sua fundação, começou a jogar em sites de apostas em abril de 2022, depois de perder o emprego. Ela foi atraída por propagandas que vendiam as plataformas não como jogos de azar ou apenas diversão passageira, mas como oportunidade de ter uma fonte de renda extra. Até aquele momento, ela nunca havia se aproximado de nenhum tipo de jogo de azar. “Eu nunca joguei, sempre detestei jogo. Mas, em abril de 2022, eu estava desempregada. E vendo aquelas propagandas na televisão, no Instagram, que aquilo ali também poderia ser uma fonte de renda, vi ali uma oportunidade”.</p>



<p>Como muitos apostadores que, inicialmente, enxergam as bets como um caminho para conseguir renda extra, Lucília também pensou que havia encontrado uma forma rápida, fácil e sustentável de ganhar dinheiro, acreditando que poderia controlar as suas perdas e ganhos. “Aí, eu me cadastrei e coloquei R$10. Desse valor, a plataforma me deu R$100. No outro dia, coloquei mais R$10 e ganhei R$200, depois R$500. E aquilo ali foi me deslumbrando de uma forma que eu dizia: &#8216;rapaz, eu passei a minha vida inteira estudando, trabalhando, para ganhar um salário mínimo, e aqui em poucos minutos eu ganho isso?&#8217; “.</p>



<p>Segundo levantamento da<a href="https://tunad.io/blog/bets-investem-mais-de-r-14-bilhao-em-midia-em-2025-e-reforcam-a-centralidade-da-tv-aberta/">Tunad,</a> plataforma que monitora o mercado publicitário com forte presença e cobertura nos principais mercados da América Latina, em 2025, as bets investiram mais de R$ 1,44 bi em propaganda. É o que podemos descrever como um fenômeno de onipresença publicitária: as casas de apostas estão estampadas nas camisas do times de futebol, nos intervalos da tv aberta, no rádio, nas ruas e no bombardeio de anúncios nas redes sociais, por onde capturam mais usuários.</p>



<p>Mesmo depois de voltar a trabalhar, Lucília continuou apostando. Ela conta que conseguiu um emprego de operadora de telemarketing e que, algumas vezes, chegou a apostar todo o seu salário de uma vez. “O salário caía à meia noite. Quando dava uma hora, uma e meia da manhã, eu já tinha zerado a conta. Não conseguia dormir enquanto eu não jogasse até o último centavo. Eu passava o resto do mês chorando, desesperada, sem saber como ia pagar o aluguel. Pedia dinheiro emprestado, fazia cartão de crédito no nome dos outros pra tentar recuperar o que tinha perdido em uma hora”.</p>



<p>Lucília começou a perder o controle da sua rotina, deixou de render no trabalho, passou a não dormir e até chegou a abandonar hábitos de higiene pessoal. “Eu passava a noite inteira jogando. No outro dia, eu estava no trabalho cochilando. Era acordada pelo supervisor. Perdi o amor próprio, eu deixei de escovar os dentes, de tomar banho. Eu vinha para o JA com uma calça rasgada porque não tinha dinheiro pra comprar roupa. Tudo o que eu conseguia, era pro jogo”.</p>



<p>Ela passou dois anos afastada do trabalho. Ao procurar ajuda psiquiátrica, depois de tentar suicídio por duas vezes, recebeu um laudo de ludopatia (doença caracterizada pelo vício incontrolável em jogos de azar). &#8220;Chegou num ponto que eu não via mais saída. A dívida dobrando, o nome sujo, o desespero de ter envolvido a minha família, meus irmãos, em tudo isso&#8230; Eu não aguentava mais esse peso. Foi aí que tentei o suicídio duas vezes, uma em julho de 2023 e outra agora, no começo do ano. Eu queria sumir, eu queria que aquela dor parasse.&#8221;</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Gessica-bet-3-1024x679.jpeg" alt="A imagem mostra uma sala de reuniões simples e organizada, com cadeiras pretas alinhadas voltadas para uma parede onde há cartazes com mensagens de apoio e reflexão, incluindo a Oração da Serenidade, os Doze Passos e as Doze Tradições, textos tradicionais de grupos de recuperação como Jogadores Anônimos e Alcoólicos Anônimos. Na frente da sala, uma mesa coberta com toalha vermelha exibe folhetos coloridos, documentos e um frasco de álcool em gel, indicando preparação para uma reunião. O ambiente é iluminado por lâmpadas fluorescentes, possui ventiladores de parede e um relógio." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Grupo se reúne em sala cedida pela Associação Espírita de Caruaru
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Géssica Amorim/Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A intervenção médica, o diagnóstico e o encontro com o JA foram determinantes para que Lucília conseguisse o apoio e compreensão da sua família para tentar se restabelecer psicológica e financeiramente. “Foi quando todo mundo entendeu que eu estava doente, que não era frescura, safadeza minha. Eu precisava de tratamento médico e de um grupo como o JA para conseguir sobreviver&#8221;.</p>



<p>Mesmo em tratamento e comparecimento regular às reuniões do grupo de Jogadores Anônimos de Caruaru, Lucília ainda está suscetível a recaídas. Para driblá-las, ela conta com o apoio do JA e, com adaptações, conseguiu uma maneira de administrar o próprio dinheiro. Hoje, ela procura não ter acesso remoto a contas bancárias e não utilizar o Pix para realizar transações ou receber qualquer quantia. “Eu não tenho Pix. Meu irmão é quem toma conta do meu dinheiro. Quando dá cinco horas da manhã, que entra algum dinheiro na minha conta, me dá uma agonia tão grande, que eu transfiro logo pra conta dele. Eu sei que, se o dinheiro ficar ali, a doença vai me dominar. E eu, hoje, só ando com dinheiro em papel”.</p>



<p>O programa de recuperação de JA, inspirado no modelo dos Alcoólicos Anônimos (AA), tem ajudado Alberto e Lucília a encontrarem diariamente o resgate da dignidade na vida cotidiana. Com base na partilha e vigilância constante, seguindo o lema “só por hoje”, a regra número um da irmandade para fragmentar o tempo e evitar a ansiedade, focando apenas no dia de hoje, no presente.</p>



<p>“A vitória maior, pra mim, é eu saber que hoje eu passei no mercado e fiz a feira da minha casa. Coisa que não fazia, não podia fazer. Passei três anos sem saber o que era fazer uma feira, comprar um desodorante, comprar um sabonete, um xampu. Agora, deito na minha cama e durmo em paz. Não tem dinheiro no mundo que pague a minha paz hoje&#8221;, celebra Lucília.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Quem são os Jogadores Anônimos </span>

		<p><!-- wp:paragraph -->O primeiro grupo de Jogadores Anônimos foi fundado em 24 de janeiro de 1957, em de Los Angeles, na Califórnia (EUA). A sua metodologia foi totalmente inspirada nos Alcoólicos Anônimos (AA), que já operava desde 1935, também nos Estados Unidos. No Brasil, as atividades oficiais dos Jogadores Anônimos tiveram início em  maio de 1993, com a fundação da primeira célula no Rio de Janeiro. Hoje, são dezenas de grupos espalhados pelo país.</p>
<p>Do AA, o JA adotou o conceito clínico e humanitário de que a compulsão não é uma falha de caráter, mas uma doença progressiva, que é incurável, mas controlável. O seu programa de reabilitação está estruturado de uma maneira a oferecer uma resposta terapêutica aos seus integrantes em duas frentes simultâneas. Uma imediata, focada na interrupção do ciclo de apostas e perdas, e outra de longo prazo, voltada para a reestruturação psicossocial e o tratamento das causas da dependência.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->O método não se baseia em conceitos abstratos de força de vontade, mas sim em diretrizes práticas e comportamentais projetadas para devolver a autonomia e a dignidade aos integrantes do grupo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->É possível saber mais sobre os 12 passos para recuperação, as regras e garantias de anonimato e locais para encontros presenciais e virtuais acessando o <a href="http://www.jogadoresanonimos.com.br">www.jogadoresanonimos.com.br</a></p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Guia sobre transição energética denuncia invisibilidade racial e territorial das eólicas</title>
		<link>https://marcozero.org/guia-sobre-transicao-energetica-denuncia-invisibilidade-racial-e-territorial-das-eolicas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 20:38:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[branquitude]]></category>
		<category><![CDATA[eólicas]]></category>
		<category><![CDATA[transição energética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A expansão da energia eólica no Nordeste vem sendo apresentada como símbolo da chamada “transição energética limpa”. Mas um novo guia lançado pelo Observatório da Branquitude propõe inverter o foco do debate: em vez de olhar apenas para metas climáticas, potência instalada e crescimento do setor, a publicação chama a atenção para quem tem arcado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <a href="https://marcozero.org/agricultores-saem-torres-ficam-governo-de-pe-e-complexo-eolico-fecham-acordo-para-retirar-familias/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">expansão da energia eólica no Nordeste</a> vem sendo apresentada como símbolo da chamada “transição energética limpa”. Mas um novo guia lançado pelo Observatório da Branquitude propõe inverter o foco do debate: em vez de olhar apenas para metas climáticas, potência instalada e crescimento do setor, a publicação chama a atenção para quem tem arcado com os impactos sociais, raciais e territoriais desse modelo.</p>



<p>O <em>Guia para uma transição energética justa: raça, gênero e território como bússolas para reimaginar o futuro</em> reúne análises sobre racismo ambiental, colonialismo energético e invisibilidade estatística nos processos de planejamento e licenciamento de empreendimentos eólicos. Voltado a pesquisadores, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e órgãos públicos, o material defende que a transição energética não pode reproduzir desigualdades históricas nos territórios onde os projetos são implantados.</p>



<p>A publicação foi lançada no Recife durante um evento realizado na Livraria da Jaqueira, no Bairro do Recife, na semana passada, e reuniu pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes de territórios impactados pela expansão das eólicas. Entre os participantes, estavam o antropólogo Thales Vieira, diretor de programas e estratégias do Observatório da Branquitude; Roselma Oliveira, liderança da comunidade de Sobradinho, em Caetés; o cacique Robério, liderança do povo Kapinawá, em Buíque; e a agricultora agroecológica Nzinga Cavalcante.</p>



<p>No guia, o Observatório afirma que instituições centrais da governança energética no Brasil — como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Ibama — operam com “profunda invisibilidade estatística”, por não registrarem dados sobre raça, gênero, pertencimento territorial e modos de vida das populações atingidas pelos empreendimentos.</p>



<p>“O Estado planeja, licencia e monitora a expansão da matriz elétrica sem registrar quem são as pessoas que habitam os territórios afetados. Isso quer dizer que populações inteiras deixam de existir para o poder público, muitas vezes aprofundando a vulnerabilidade social e prejudicando a capacidade dessas pessoas de reivindicar direitos”, afirma Thales Vieira.</p>



<p>Segundo o pesquisador, a ausência dessas variáveis impede que o Estado identifique quais grupos estão mais expostos aos custos da transição energética, dificultando a formulação de políticas de compensação, reparação e proteção social.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/eolicas-assumem-controle-de-terras-com-contratos-longos-e-sem-garantia-aos-agricultores/" class="titulo">Eólicas assumem controle de terras com contratos longos e sem garantia aos agricultores</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/energias/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Energias</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">“Zonas de sacrifício”</h2>



<p>Um dos principais conceitos trabalhados pelo guia é o de “colonialismo energético”, utilizado para descrever a forma como grandes projetos renováveis concentram impactos socioambientais em comunidades historicamente vulnerabilizadas.</p>



<p>A publicação afirma que a expansão eólica tem produzido “zonas de sacrifício”, marcadas por contratos desiguais, adoecimento físico e psíquico, destruição de paisagens e sobreposição a territórios de pesca artesanal, agricultura e biodiversidade, especialmente em comunidades negras rurais, quilombolas, indígenas e pesqueiras.</p>



<p>O documento relaciona esse cenário ao conceito de racismo ambiental, argumentando que os custos ambientais e sociais da transição energética vêm sendo deslocados para populações racializadas, enquanto os benefícios econômicos permanecem concentrados em grupos com maior poder político e econômico.</p>



<p>“Dinâmicas estruturantes similares operam aqui: a expansão das renováveis atualiza um padrão racial histórico no qual os danos são sistematicamente relegados a grupos racializados, enquanto os benefícios e ganhos econômicos se concentram em estruturas de poder majoritariamente brancas”, diz um dos trechos do guia.</p>



<p>A publicação também sustenta que o debate sobre energia não pode ficar restrito a indicadores técnicos. “A energia pode deixar de ser tratada como mera mercadoria e passar a ser concebida como bem comum”, afirma o texto de apresentação.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Caetés e o adoecimento causado pelas turbinas</h3>



<p>Entre os estudos de caso destacados pelo guia, está o do município de Caetés, no Agreste pernambucano, onde a instalação de parques eólicos foi associada a impactos significativos sobre a saúde da população.</p>



<p>Segundo dados citados na publicação e que também já foram tema de <a href="https://marcozero.org/pesquisa-comprova-danos-a-saude-mental-de-camponeses-10-anos-apos-instalacao-de-eolicas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reportagem</a> da Marco Zero, 68% das pessoas entrevistadas apresentaram sofrimento psíquico significativo após a instalação das turbinas. O índice foi medido pelo SRQ-20 (Self-Report Questionnaire), instrumento da Organização Mundial da Saúde (OMS) utilizado internacionalmente para triagem de transtornos mentais comuns.</p>



<p>Os relatos reunidos no guia incluem dores de cabeça persistentes, tontura, irritabilidade, perda de sono e sensação constante de alerta. O documento também menciona alterações na paisagem, mudanças no uso da terra e danos estruturais em moradias.</p>



<p>A discussão sobre os efeitos das eólicas em Caetés esteve presente no evento de lançamento, especialmente na mesa “Colonialismo energético e a síndrome da turbina eólica”, que debateu os impactos sobre o cotidiano das comunidades.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Litoral potiguar sob pressão</strong></h3>



<p>Outro destaque do guia é a situação do litoral do Rio Grande do Norte, onde estão previstos 14 projetos de parques eólicos <em>offshore</em> em municípios como Galinhos, Caiçara do Norte, Macau e São Miguel do Gostoso.</p>



<p>Segundo a publicação, os empreendimentos somam mais de 25 gigawatts distribuídos em cerca de 6.800 quilômetros quadrados de área marítima. O guia alerta que os projetos podem sobrepor atividades ligadas à pesca artesanal, ao turismo, às salinas, às rotas de navegação e a áreas prioritárias de conservação ambiental.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">“O mar vem sendo tratado como nova fronteira de conflito”, afirma o documento.</p>
</div>


<p>Para o Observatório da Branquitude, os processos de licenciamento frequentemente ignoram a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece o direito de consulta prévia, livre e informada a povos e comunidades tradicionais.</p>



<p>“Esses megaprojetos eólicos atropelam os usos que as populações locais sempre deram à terra e ao mar. É urgente que o Estado, bem como os demais atores envolvidos, desenvolvam instrumentos para compreender os impactos socioambientais em toda a sua extensão — e o primeiro passo para isso é ter informações sobre quem vive nessas áreas”, afirma Thales Vieira.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Metodologia e recomendações</h4>



<p>Além de reunir estudos de caso e análises críticas sobre a expansão das renováveis, o guia apresenta caminhos metodológicos e recomendações voltadas a instituições públicas, pesquisadores e movimentos sociais.</p>



<p>Inspirado na proposta internacional <em>Justice by Design</em>, o material defende que pesquisas e políticas energéticas precisam antecipar impactos sociais e ambientais, em vez de apenas reagir a danos já consolidados.</p>



<p>A metodologia apresentada no guia combina revisão bibliográfica sobre racismo ambiental e injustiça climática, análise documental de bases de dados de órgãos públicos e investigação territorial em comunidades afetadas.</p>



<p>Entre as recomendações, o documento propõe que órgãos reguladores passem a incorporar variáveis relacionadas a raça, gênero e território nos bancos de dados e processos de licenciamento. Também sugere maior transparência sobre os impactos sociais dos empreendimentos e mecanismos efetivos de participação das populações atingidas.</p>



<p>Fundado em 2022, o Observatório da Branquitude é uma organização da sociedade civil dedicada à produção de conhecimento sobre desigualdades raciais e aos privilégios históricos associados à branquitude. A entidade afirma que o enfrentamento da crise climática exige enfrentar simultaneamente o racismo ambiental e os padrões históricos de exclusão nos territórios atingidos pelos grandes projetos de infraestrutura.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/guia-sobre-transicao-energetica-denuncia-invisibilidade-racial-e-territorial-das-eolicas/">Guia sobre transição energética denuncia invisibilidade racial e territorial das eólicas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Polícia Civil conclui que secretária da Mulher do Cabo forjou atentado a tiros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 16:49:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Polícia Civil de Pernambuco anunciou o surpreendente resultado da investigação sobre o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho: Aline Melo forjou o crime com a ajuda do seu motorista e do pai deste, que teria sido o motoqueiro autor dos disparos. No dia 27 de março [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Polícia Civil de Pernambuco anunciou o surpreendente resultado da investigação sobre o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho: Aline Melo forjou o crime com a ajuda do seu motorista e do pai deste, que teria sido o motoqueiro autor dos disparos.</p>



<p>No dia 27 de março deste ano, a secretária procurou a polícia para registrar ocorrência de tentativa de homicídio na qual ela seria a vítima. Segundo Aline Melo, o carro em que ela estava acompanhada do motorista foi interceptado na PE-28, estrada que dá acesso às praias de Enseada dos Corais e Gaibu, por dois homens em uma motocicleta que efetuaram os disparos – um dos tiros atingiu o banco de passageiros, a poucos centímetros da sua cabeça.</p>



<p>A delegada responsável pelo caso, Myrthor Freitas de Andrade, relatou em entrevista coletiva que a análise de imagens de várias câmeras de segurança cedidas por estabelecimentos comerciais revelou que a história era falsa. Segundo a policial, uma das câmeras registrou o momento em que “o carro em que estavam as duas vítimas parou na banqueta para se encontrar com uma moto com as características daquela que eles tinham informado no depoimento”.</p>



<p>A moto pertencia ao pai do motorista da secretária, que, inicialmente, negou que tinha passado pelo local, mas, depois, admitiu que tinha ido até lá para entregar um lote de canetas emagrecedoras ao filho e a Aline Melo. Só depois de ser confrontada com as imagens, a gestora pública “lembrou” da parada para encontrar o pai do seu motorista. Com isso, a versão do atentato foi desmontada.</p>



<p>De acordo com a delegada, todos foram indiciados. Aline Melo e seu motorista responderão por falsa comunicação de crime, enquanto que o motoqueiro, pai do motorista, foi indiciado por tentativa de homicídio, pois a perícia constatou que, realmente tiros foram disparados contra a picape da secretaria.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/secretaria-da-mulher-do-cabo-de-santo-agostinho-sofre-atentado-a-tiros/" class="titulo">Secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho sofre atentado a tiros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Afastamento e repúdio</h2>



<p>À tarde, a prefeitura do Cabo anunciou que o prefeito Lula Cabral (Solidariedade) afastou tanto a secretária Aline Melo quanto seu motorista. &#8220;Diante dos fatos apresentados e enquanto as investigações seguem em andamento pelas autoridades competentes, a gestão determinou o afastamento da então secretária e do motorista (&#8230;) a Prefeitura reforça que acompanhará o andamento das investigações e, caso haja confirmação de conduta irregular e responsabilização dos envolvidos, adotará todas as medidas administrativas cabíveis&#8221;, informa a prefeitura em nota oficial.</p>



<p>O Centro das Mulheres do Cabo, uma das organizações feministas mais atuantes do Nordeste, também reagiu à informação. De acordo com a nota da entidade, &#8220;situações como esta nos entristecem profundamente, sobretudo por envolver alguém que compartilha do mesmo compromisso com a defesa dos direitos das mulheres. Entendemos que episódios dessa natureza acabam gerando impactos negativos para a luta coletiva e para todas nós, mulheres. Dessa forma, manifestamos nossa preocupação e reafirmamos a importância da ética, da verdade e da responsabilidade no fortalecimento das políticas públicas e da luta em defesa das mulheres&#8221;.</p>



<p>Em março, quando a notícia do atentado foi divulgada, a entidade se manifestou por meio de sua coordenadora Nivete Azevedo, vinculando o suposto crime à tentativa de intimidar &#8220;a luta em defesa da vida das mulheres&#8221;.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Texto atualizado às 17h12min de 18 de maio de 2026</strong></li>
</ul>



<p></p>
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		<item>
		<title>Escola da Democracia abre formação para jovens mulheres da zona norte do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 18:20:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O edital da formação “Educação para a Cidadania”, voltada a jovens mulheres de 15 a 19 anos da rede pública de ensino que vivem em comunidades periféricas da zona norte do Recife, foi lançado pela Escola da Democracia. Com inscrições de 13 a 17 de maio, por formulário eletrônico, e apoio presencial nos dias 14 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O edital da formação “Educação para a Cidadania”, voltada a jovens mulheres de 15 a 19 anos da rede pública de ensino que vivem em comunidades periféricas da zona norte do Recife, foi lançado pela Escola da Democracia. Com inscrições de 13 a 17 de maio, por <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfSaJmpDeBdj4gUvItpnkNl4ytI6EZTgTFi0sO--YOuW5AyvA/viewform" type="link" id="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfSaJmpDeBdj4gUvItpnkNl4ytI6EZTgTFi0sO--YOuW5AyvA/viewform">formulário eletrônico</a>, e apoio presencial nos dias 14 e 15 no Compaz Eduardo Campos, o programa prevê bolsas mensais de R$ 500 e busca estimular o pensamento crítico, a participação cidadã e o acesso à formação política e social.</p>



<p>Serão disponibilizadas 42 vagas, divididas em duas turmas presenciais no Compaz Governador Eduardo Campos, localizado no Alto Santa Terezinha. Os encontros ocorrerão às terças e quintas, das 14h às 18h, entre maio e julho de 2026. O projeto recebeu o nome &#8220;Se adiante: é hora de colar no corre da democracia” e integra a Rede Compaz, vinculada à Secretaria de Cidadania e Cultura de Paz do Recife.</p>



<p>A iniciativa é destinada a jovens em situação de vulnerabilidade social, moradoras de bairros como Água Fria, Alto José Bonifácio, Arruda, Cajueiro, Linha do Tiro, Porto da Madeira e bairros do entorno do Alto Santa Terezinha. Para concorrer, é necessário estar cursando ou ter concluído o ensino médio em escola pública, possuir responsável inscrito no CadÚnico ou ser beneficiária de programas sociais, além de ter renda familiar per capita de até um salário-mínimo. Do total de vagas, 60% serão reservadas para jovens mulheres negras.</p>



<p>“Será um espaço para trocas e aprendizados sobre democracia a partir do que atravessa a vida de meninas e mulheres no cotidiano. É sobre direitos, território e consciência crítica para ler o mundo enquanto cidadãs”, apontou Madalena Rodrigues, diretora executiva da Escola da Democracia.</p>



<p>A programação será dividida em quatro módulos que abordam temas como democracia, poder e cidadania no Brasil, justiça interseccional, justiça socioeconômica, ambiental e climática, além do direito à comunicação. O resultado final será divulgado em 21 de maio, e a aula inaugural ocorrerá em 25 de maio, seguida pelo início das atividades regulares nos dias 26 e 28. Mais informações podem ser conferidas no <em>instagram</em> da Escola da Democracia (<a href="https://www.instagram.com/aescoladademocracia/">@aescoladademocracia</a>).</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>1.465 barragens subterrâneas ajudam a evitar desertificação da Caatinga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 14:46:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[barragem subterrânea]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Era um deserto com um pé de jurema e areia, agora é uma área rica com árvores nativas, frutíferas e hortaliças que crescem o ano todo”. É assim que o agricultor Sebastião Damasceno, 70 anos, resume o impacto da barragem subterrânea na sua propriedade no Sítio Cabaceiro, em Santana do Ipanema, Alagoas. Sebastião é um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Era um deserto com um pé de jurema e areia, agora é uma área rica com árvores nativas, frutíferas e hortaliças que crescem o ano todo”. É assim que o agricultor Sebastião Damasceno, 70 anos, resume o impacto da barragem subterrânea na sua propriedade no Sítio Cabaceiro, em Santana do Ipanema, Alagoas.</p>



<p>Sebastião é um dos primeiros beneficiários do Programa Um Terra e Duas águas (P1+2) da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), e testemunha da importância da barragem subterrânea para a restauração e preservação da Caatinga. “Na época do meu pai tinham alguns barreiros na região, mas era preciso andar meia légua com o carro de boi para buscar água salobra. Para beber, a gente tinha que comprar. Quando herdei a terra, entendi que precisava lutar pela Caatinga”, afirma o agricultor.</p>



<p>Consciente do seu papel, seu Sebastião só precisava descobrir qual a estratégia para guardar a água que caía nos poucos meses de chuva na sua propriedade sem agredir o ecossistema. “Como eu tenho um baixio que pegava a água da barragem quando vazava, mas se perdia, eu me perguntava como fazer o barramento dessa água”, conta.</p>



<p>A resposta veio em 2006, quando ele conheceu a barragem subterrânea na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Semiárido, em Petrolina, sertão de Pernambuco. Sebastião estava participando de um curso de formação promovido pela Cooperativa dos Pequenos Produtores Agrícolas Bancos Comunitários de Sementes (Coppabacs).</p>



<p>Desde então, em 19 anos, as organizações sociais que integram a ASA ajudaram a construir 1.465 barragens desse tipo em propriedades da agricultura familiar no interior do Nordeste e de Minas Gerais. Os recursos que viabilizaram esse programa vieram do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e da Fundação Banco do Brasil.</p>



<p>“A minha barragem subterrânea foi uma das primeiras do Nordeste. São quase 20 anos que eu tenho água boa para plantar milho, feijão, inhame, fava, batata e muitas outras coisas”. Segundo ele, a tecnologia ajuda a preservar a Caatinga porque faz com que o terreno pareça uma esponja. “Os animais voltaram a aparecer e o clima melhorou”, comemora seu Sebastião.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que é uma barragem subterrânea?</h2>



<p>A barragem subterrânea é feita a partir da escavação de uma vala até a camada impermeável do solo. Essa abertura é forrada por uma lona de plástico e depois fechada novamente. Por fim, é construído o sangradouro de alvenaria na parte onde a água passa com mais força e por onde o excesso dela vai escorrer.</p>



<p>Essa estrutura, geralmente construída entre 30 metros e 50 metros, cria uma barreira capaz de reter a chuva que escorre e se infiltra no solo, deixando a área encharcada. No período mais seco do ano, os agricultores contam com poços para extrair a água.</p>



<p>“Em uma barragem convencional de espelho d&#8217;água superficial a evaporação leva boa parte dessa água, na subterrânea isso não acontece. Outra vantagem é que a mesma área de captação é a área de plantio”, explica a agrônoma e pesquisadora da Embrapa Solos, Sônia Lopes.</p>



<p>Ao transformar áreas secas e arenosas, mais suscetíveis ao processo de desertificação, a barragem subterrânea contribui com a regeneração da Caatinga de baixo para cima. Segundo Sônia, o aumento do nível da água no lençol freático desencadeia uma série de benefícios: combate a erosão e o assoreamento, retenção de nutrientes e matéria orgânica, e aumento da umidade do solo.</p>



<p>“Estamos falando de uma tecnologia social híbrida que dá ao agricultor a possibilidade de produzir alimentos ao mesmo tempo que regenera e traz de volta a vida na Caatinga, começando pelos micro-organismos do solo que impactam o bioma em cima, na superfície. Isso favorece o nascimento de várias formas de vida e atrai pequenos animais como, por exemplo, insetos e mamíferos”, destaca Sônia.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/ASA-barragens-embrapa.jpg" alt="A foto mostra uma área agrícola com plantas de milho bem desenvolvidas, de folhas largas e verdes, e espigas em formação. Ao fundo, vê-se uma barragem subterrânea, identificada pela faixa branca de proteção sobre o solo — uma estrutura usada para armazenar água abaixo da superfície, garantindo irrigação mesmo em períodos secos. O cenário é típico de uma região semiárida, com vegetação nativa esparsa e céu parcialmente nublado." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Barragens subterrânea da Embrapa, em Petrolina (PE)
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Fernando Gregio/Embrapa</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">O app GuardeÁgua</h3>



<p>De acordo com Sônia, o maior desafio para ampliar o número de novas barragens subterrâneas na Caatinga está na identificação de áreas adequadas para comportar a tecnologia. A eficácia do reservatório depende fundamentalmente da existência de rochas nas camadas mais profundas do solo.</p>



<p>Com o avanço da emergência climática, acelerar o mapeamento dessas regiões é crucial para fortalecer as ações de convivência com o semiárido e reverter a degradação. Conforme dados do MapBiomas, entre 1985 e 2023 a Caatinga perdeu 14,4%, ou 8,6 milhões de hectares, de sua cobertura vegetal nativa.</p>



<p>Para ajudar a localizar novas áreas adequadas a receber as barragens, pesquisadores, técnicos de campo e agricultores estão recorrendo à tecnologia da informação, mais precisamente, ao uso de software. “Este ano começamos a usar o aplicativo <a href="https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/13132/aplicativo-guardeagua" target="_blank" rel="noreferrer noopener">GuardeÁgua</a>, uma iniciativa da Embrapa, ASA e do MDS, que está disponível para Android e na versão web, e auxilia na identificação das áreas ideais para a construção de barragem subterrânea. Em quatro meses de uso, já tivemos mais de 600 acessos e vamos ter muito mais, pois realizaremos um ciclo de capacitações nos territórios”, afirma Sônia.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/1-465-barragens-subterraneas-ajudam-a-evitar-desertificacao-da-caatinga/">1.465 barragens subterrâneas ajudam a evitar desertificação da Caatinga</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>À espera da dragagem, rio Beberibe transborda lixo, lama e doenças a cada enchente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 19:18:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[rio Beberibe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quase duas semanas depois das chuvas de 1º de maio, famílias que vivem às margens do rio Beberibe em Peixinhos, na periferia de Olinda, ainda estão limpando a lama e tentando reorganizar a vida e o que sobrou das casas. Enquanto imploram, há mais de uma década, por uma dragagem, comunidades como Beira Rio, Nova [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quase duas semanas depois das chuvas de 1º de maio, famílias que vivem às margens do rio Beberibe em Peixinhos, na periferia de Olinda, ainda estão limpando a lama e tentando reorganizar a vida e o que sobrou das casas. Enquanto imploram, há mais de uma década, por uma dragagem, comunidades como Beira Rio, Nova Esperança, Embalo, Condor e Cabo Gato enfrentaram mais uma enchente. Por causa da intensidade das chuvas, no dia seguinte o governo estadual decretou situação de emergência em 27 municípios, incluindo Olinda.</p>



<p>Moradores relatam que, no feriado do Dia do Trabalhador, “nadaram”, dentro de casa, com lixo, ratos e cobra, literalmente. Para muita gente, a cheia deste ano foi pior que a provocada pelas chuvas de maio de 2022. Agora, as famílias temem pelo aumento dos casos de arboviroses e leptospirose, como acontece todos os anos.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> esteve nas comunidades de Peixinhos, na semana passada, para acompanhar a situação. Debaixo da ponte Campina do Barreto, que liga Recife a Olinda, só o que restou, do lado olindense, foram entulhos e os porcos, em meio a muita sujeira e um odor forte de lixo misturado com bicho morto que não passa. “É o cheiro da cheia”, definem os moradores.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55255329455_cfc998b7a0_c.jpg" alt="Foto aérea mostra um conjunto de barracos improvisados e estruturas de madeira deterioradas ao redor de um terreno coberto por lixo e entulho. Entre os resíduos, vários porcos circulam e procuram alimento. Há telhas quebradas, pedaços de metal enferrujado e restos de móveis espalhados pelo local. Ao fundo, um canal de água escura passa ao lado das construções, enquanto algumas árvores verdes contrastam com o cenário de degradação e pobreza." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Dias depois da enchente, mau cheiro ainda era forte às margens do Beberibe
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero Conteúdo</span>
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<p>A última vez que o Beberibe passou por uma dragagem foi em 2013, penúltimo ano da segunda gestão do então governador Eduardo Campos (PSB). Antes disso, uma dragagem tinha sido realizada em 1982. A calha do rio está bastante obstruída por resíduos sólidos, restos de construção, vegetação, troncos, galhos, sedimentos e plantas flutuantes. Por isso, a cada ano, o nível da água sobe mais quando chove forte, invadindo até mesmo casas mais distantes das margens, que são ocupadas por moradias irregulares.</p>



<p>Na sexta-feira (8), com o período chuvoso já tendo começado, a governadora Raquel Lyra (PSD) anunciou mais um serviço emergencial de limpeza do Beberibe, entre as pontes Dalva de Oliveira e avenida Cidade de Monteiro, no Recife — o que ajuda, mas não resolve o problema.</p>



<p>A gestão fez o mesmo há exato um ano: era dia 19 de maio quando o governo iniciou a limpeza (também emergencial) do rio, começando justamente por Olinda. Agora, mais uma chuva forte veio, outras estão à caminho e o questionamento das famílias de Beira Rio, Nova Esperança, Embalo, Condor e Cabo Gato é um só: “cadê a dragagem?”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55254039927_05d5898aa1_c.jpg" alt="A imagem mostra uma vista aérea de uma área urbana densamente ocupada, com casas simples e construções improvisadas próximas a um rio de águas turvas. Um estreito passarela de madeira atravessa o rio, ligando os dois lados da comunidade. As moradias estão muito próximas umas das outras, e há vegetação misturada com entulho nas margens. No canto superior, vê-se um galpão e uma área pavimentada, sugerindo uma zona industrial ou comercial próxima." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Moradores de Peixinhos esperam por dragagem que não vem 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Em agosto de 2024, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) celebrou o anúncio da dragagem que, segundo o discurso dela, estaria na iminência de ser licitada. &#8220;A dragagem no rio Beberibe já está com edital de contratação publicado e estamos garantindo R$ 84 milhões em obras &#8230; Vamos remover sedimentos acumulados no leito do rio e assim contribuir para melhorar a qualidade de vida dessa população que vive na divisa com a cidade do Recife&#8221;, <a href="https://www.instagram.com/p/DA5qL_zufVj/">anunciou Krause em seu perfil no Instagram</a>.</p>



<p>Quase dois anos depois, no entanto, a obra capaz de resolver boa parte do problema dessas famílias ainda não saiu do papel, apesar de a empresa contratada em fevereiro de 2025 já ter realizado os devidos estudos técnicos e elaborado os projetos executivos. </p>



<p>O governo informou, em nota, que está agora em fase final do processo licitatório para definição da empresa responsável pela execução do serviço, que será realizado entre o Recife e Olinda, da avenida Cidade do Monteiro, em Porto da Madeira, até a Escola Aprendizes de Marinheiro.</p>



<p>No mês passado, a licitação da dragagem foi parar no Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), que determinou a suspensão do processo, por meio de medida cautelar, em razão da ausência de documentação ambiental relacionada aos serviços previstos no edital. Saiba mais no final da reportagem.</p>



<p>Em comunicado à imprensa, a gestão disse que a nova ação emergencial de limpeza “visa diminuir os riscos de inundação durante o período chuvoso, beneficiando todas as comunidades existentes ao longo do curso do rio. A operação inicia nesta sexta (8) e seguirá pelo tempo necessário, até que sejam concluídos os trabalhos em todas as áreas do rio. Os equipamentos empenhados na operação são quatro retroescavadeiras, oito caminhões caçamba e uma escavadeira”.</p>



<p>Com a ação, o governo prevê a retirada de 2 mil metros cúbicos de lixo, entulhos, vegetação aquática e demais materiais que potencializam os transbordamentos e as inundações.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>Rio Beberibe agoniza</strong></h2>



<p>Com as chuvas mais recentes, em alguns pontos da comunidade a água arrastou tudo que havia dentro das casas. Foi o caso de Socorro Maria Fernandes, de 57 anos. Analfabeta, ela vive com o pai acamado, de 88 anos. “Consegui colocar meu pai na casa da minha irmã. Ele terminou adoecendo, está com uma diarreia que não passa, eu não sei o que é. Esses dias, dormindo, começou a chamar pela minha mãe, já falecida, dizendo ‘Lica, cuidado com a cheia’”, conta a dona de casa.</p>



<p>Objetos, móveis e eletrodomésticos de Socorro foram levados para o quintal pela força da correnteza. Só o que ela conseguiu salvar foi uma geladeira. “Eu fiquei com a água na cintura e os ratos nadando e subindo pelas paredes”, detalha.</p>



<p>Um dos principais cursos d’água da região metropolitana, o rio Beberibe nasce em Camaragibe e passa por Recife e Olinda, percorrendo 24 km, até se juntar ao rio Capibaribe e desaguar no Atlântico. No lado recifense, estão os bairros Campina do Barreto, Porto da Madeira, Beberibe, Dois Unidos e Linha do Tiro. Já do lado olindense, estão Águas Compridas, Caixa D’água e Peixinhos.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55255077853_7833d13f9b_c.jpg" alt="A imagem mostra uma mulher em pé entre muitos objetos acumulados, como caixas plásticas, baldes, um colchão encostado e outros utensílios domésticos. Ela veste uma camiseta vermelha com estampa de personagem e shorts jeans, e parece observar algo fora do quadro. O ambiente é apertado e improvisado, com uma parede de tijolos sem reboco ao fundo e diversos materiais empilhados, sugerindo um espaço de moradia em condições precárias." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Socorro Maria conseguiu retirar a tempo o pai acamado
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Nesse curso, o rio arrasta bastante poluição, em meio ao saneamento básico precário e a construções irregulares, muitas inseridas em Áreas de Preservação Permanente (APP), por causa da falta de soluções habitacionais e de planejamento urbano. Quem vive às margens do Beberibe divide espaço com o lixo e a criação de porcos e cavalos, que ajudam no sustento.</p>



<p>Larissa Gomes da Cunha, de 19 anos, vivia com o filho de um ano e nove meses na beira do rio. Perdeu tudo. A reportagem esteve na casa dela, só havia lama e pedaços de objetos agora imprestáveis. Quando conversou com a <strong>MZ</strong>, Larissa estava no abrigo montado pela prefeitura na Escola Estadual Monsenhor Arruda Câmara. Sem moradia, ela não sabia para aonde ir depois do encerramento das atividades do abrigo, que chegou a receber mais de 400 pessoas no sábado (2).</p>



<p>Na casa de Aldeci Maria da Silva, de 54 anos, até cobra apareceu. “Minha neta, de 12 anos, pede o tempo todo ‘vó, vamos sair dessa casa’. Mas vamos para onde?”, questiona a faxineira, que ganha menos de um salário mínimo por mês.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Aldeci da Silva não tem para aonde ir com a neta de 12 anos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Pernambuco (Seduh), “está prevista a implantação de 464 unidades habitacionais em área localizada ao lado da Compesa, no bairro de Peixinhos, bem como aproximadamente 700 unidades habitacionais adicionais, atualmente em fase de prospecção, destinadas ao atendimento da demanda identificada”.</p>



<p>Para quem vive em Olinda, o valor do auxílio-moradia é de apenas R$ 260 mensais. Atualmente, de acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, 778 pessoas recebem o valor, em toda a cidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Dragagem vai parar no TCE</h3>



<p>Após a suspensão da licitação da dragagem pelo conselheiro Ranilson Ramos, no mês passado, através de uma medida cautelar, por causa de documentos ambientais, o Governo do Estado foi autorizado, no último dia 5, a dar prosseguimento ao processo licitatório, também por meio de cautelar, que agora seguiu para homologação na Segunda Câmara do TCE-PE, no próximo dia 19.</p>



<p>Depois do recurso apresentado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e pela Companhia Estadual de Habitação e Obras de Pernambuco (Cehab/PE), o conselheiro relator dos processos da Seduh autorizou a retomada. </p>



<p>A nova decisão levou em consideração a apresentação de medidas de viabilidade ambiental autorizadas pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), além da situação de emergência decretada pelo Governo de Pernambuco em municípios do Estado no dia 2 de maio. O Tribunal de Contas informou que continuará acompanhando tanto a licitação quanto a execução dos serviços de dragagem do rio Beberibe.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55254040507_ab4aef4d87_c.jpg" alt="A imagem mostra o interior de uma casa muito simples e deteriorada, construída com chapas metálicas enferrujadas e tábuas de madeira. O teto é de zinco corroído, com furos por onde entra luz natural. O chão é de terra batida, coberto por entulhos e objetos quebrados, como pedaços de madeira e plásticos. Há também um fio verde pendurado do teto, sugerindo improvisação elétrica. O ambiente parece abandonado ou em ruínas, sem móveis ou sinais de uso recente." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Isto é tudo que sobrou da casa onde Larissa Cunha mora com o filho pequeno
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/">À espera da dragagem, rio Beberibe transborda lixo, lama e doenças a cada enchente</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<item>
		<title>Plataformas de streaming não garantem conteúdo acessível para pessoas com deficiência</title>
		<link>https://marcozero.org/plataformas-de-streaming-nao-garantem-conteudo-acessivel-para-pessoas-com-deficiencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 18:32:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência visual]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas com deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[streaming]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Larissa Pontes, publicado originalmente no site Eficientes Nas últimas décadas o streaming se consolidou como uma das principais portas de entrada para o audiovisual no mundo. As plataformas digitais passaram a ocupar um lugar central na forma como as pessoas consomem cultura, acompanham lançamentos, constroem repertório e participam do debate público através de filmes, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Larissa Pontes, publicado originalmente no site <a href="https://eficientes.org.br/2026/05/08/o-streaming-no-brasil-privando-o-direito-a-cultura-de-pessoas-com-deficiencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eficientes</a></strong></p>



<p>Nas últimas décadas o <em>streaming </em>se consolidou como uma das principais portas de entrada para o audiovisual no mundo. As plataformas digitais passaram a ocupar um lugar central na forma como as pessoas consomem cultura, acompanham lançamentos, constroem repertório e participam do debate público através de filmes, séries e documentários. Mas, se o <em>streaming</em> passou a disputar o espaço com o cinema, a televisão e até as políticas de acesso à cultura, o que acontece quando 14,4 milhões de brasileiros com deficiência sequer conseguem acessar plenamente esse conteúdo?</p>



<p>Nesse contexto, discutir acessibilidade no <em>streaming</em> deixou de ser apenas uma questão técnica. Para especialistas e ativistas, trata-se de debater quem consegue, ou não, participar plenamente da vida cultural contemporânea. Mas, enquanto as plataformas disputam audiência com discursos sobre inovação, personalização e democratização do acesso, uma parcela significativa da população continua encontrando barreiras para exercer esse direito básico à cultura.</p>



<p>“O audiovisual não é apenas imagem; é emoção que precisa ser lida e sentida”, afirma o arquiteto e produtor cultural, Marcelo Pedrosa. Surdo desde a infância, ele transformou sua barreira pessoal na campanha &#8220;Legenda para quem não ouve, mas se emociona&#8221;, que há duas décadas luta pelo direito de acessar os conteúdos do audiovisual com autonomia e acessibilidade. No entanto, em 2026, a realidade das plataformas de<em> streaming</em> no Brasil o fez esbarrar mais uma vez na ausência de acessibilidades comunicacionais para pessoas com deficiência.</p>



<p>Essas inquietações fez com que Marcelo criasse o Observatório de Acessibilidade da Legenda Nacional, iniciativa construída para monitorar de forma sistemática os recursos de acessibilidade nas principais plataformas de <em>streaming </em>do país. O estudo analisou cerca de 1.800 obras em seis das maiores plataformas do país (Netflix, Disney+, Prime Video, Globoplay, Max/HBO e MUBI), e identificou um cenário de privações onde a acessibilidade, um direito garantido na Lei Brasileira de Inclusão (LBI), é tratada como um acessório opcional e mal sinalizado. “A análise começou a partir de uma percepção acumulada ao longo de décadas de atuação na pauta da acessibilidade audiovisual. As pessoas reclamavam das plataformas, mas quase sempre no campo da experiência individual. O problema é que uma empresa grande não responde uma reclamação subjetiva. Ela responde quando existem dados, padrão e comparação”, explica Marcelo.</p>



<p>A metodologia do Observatório combinou coleta amostral, monitoramento contínuo e organização padronizada de evidências. Foram analisadas aproximadamente 300 obras por plataforma, em um processo manual realizado obra por obra. O primeiro grande entrave identificado não está no filme em si, mas antes mesmo de dar <em>play</em>, com a ausência de metadados de acessibilidade. Metadados são as informações que descrevem o conteúdo, ou seja, se tem legenda, se é dublado ou qual a classificação indicativa. Para uma pessoa com deficiência, saber se uma obra possui Legenda Descritiva (LSE) ou Audiodescrição (AD) é critério básico de escolha.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Legenda-Nacional.jpg" alt="Quatro pessoas posam lado a lado em frente a uma parede clara. Da esquerda para a direita: um homem de barba grisalha e três mulheres de cabelos escuros. Todos vestem camisetas pretas com a frase “Legenda para quem não ouve, mas se emociona!” escrita em diferentes cores (Laranja, verde, rosa e branca). Eles fazem com as mãos o sinal de “eu te amo” em Libras e sorriem para a câmera. Fonte: Acervo Legenda Nacional" class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Integrantes da Legenda Nacional reforçam defesa da acessibilidade no audiovisual
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
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<p>A análise constatou que plataformas como MUBI impõem uma barreira abusiva, onde o usuário precisa contratar e pagar pelo serviço para só então descobrir que quase nada no catálogo é acessível. &#8220;A plataforma obriga que o consumidor compre o serviço para, depois, dar-se conta de que não tem acessibilidade&#8221;, aponta Pedrosa. Nas demais interfaces, como Disney+ e Netflix, o usuário é obrigado a abrir título por título, pois não existem filtros de busca eficientes para esses recursos.</p>



<p>Os dados quantitativos do dossiê expõem o abismo entre o marketing da diversidade e a realidade técnica. A LSE (Legenda para Surdos e Ensurdecidos), que ao contrário da legenda comum, descreve ruídos, trilhas sonoras e tons de voz, é escassa. Na MUBI, ela aparece em 1,3% das obras. Na Netflix e Disney+, os índices orbitam de 18% a 19%, o que significa que mais de 80% do catálogo permanece sem acessibilidade para as pessoas com deficiência auditiva.</p>



<p>A situação da Audiodescrição (AD), recurso que traduz em palavras o que é visual para pessoas cegas, é ainda mais crítico. Na Prime Vídeo, apenas 5% das obras contam com o recurso. Na MUBI, o índice é zero. A Língua Brasileira de Sinais (Libras), fundamental para a comunidade surda sinalizante, é praticamente inexistente, com uma presença residual de 1,66% apenas na plataforma Max.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/legenda-tabela-1024x576.jpeg" alt="A imagem apresenta uma tabela comparativa sobre recursos de acessibilidade disponíveis em cinco plataformas de streaming: Disney+, Netflix, Max/HBO, Prime Video e MUBI. As colunas indicam três tipos de acessibilidade — Legenda Descritiva (LSE), Audiodescrição (AD) e Libras — com seus respectivos percentuais. A Disney+ lidera em LSE (19,33%) e AD (16,66%), seguida por Netflix (18,21% e 14,56%) e Max/HBO (18,33% e 7,6%), sendo esta última a única com conteúdo em Libras (1,66%). Prime Video apresenta 10,6% de LSE e 5% de AD, enquanto MUBI tem apenas 1,3% de LSE e nenhum dos outros recursos. A tabela evidencia diferenças significativas na oferta de acessibilidade entre as plataformas, destacando o baixo investimento geral em Libras." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
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                    </figure>

	


<p>Um dos pontos da investigação é a descoberta de mecanismos que impedem a fiscalização pública. Ao testar a acessibilidade digital dos portais com a ferramenta AMAWeb (desenvolvida pela UNIFESP e IFRS), o estudo revelou que Netflix e Prime Video utilizam camadas de segurança e <em>firewalls</em> que bloqueiam validadores automáticos de acessibilidade. &#8220;Essa configuração impede a fiscalização direta por órgãos de defesa do consumidor, criando uma &#8216;zona de exclusão&#8217; onde o cumprimento da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) não pode ser verificado&#8221;, diz o relatório técnico. Mesmo em plataformas que permitem o teste, como a Max, o desempenho de acessibilidade foi de apenas 5.4 em uma escala de 0 a 10. A análise identificou falhas consideradas básicas para navegação acessível, como a ausência de &#8220;links de salto&#8221;, recurso que permite a usuários de teclado ou leitores de tela pular menus repetitivos e acessar diretamente o conteúdo principal.</p>



<p>O estudo de Marcelo Pedrosa sustenta que a exclusão não é uma falha pontual, mas o resultado de uma quebra em toda a cadeia de responsabilidade compartilhada, afinal, a acessibilidade deveria nascer na produtora, ser garantida pela distribuidora e licenciadores em contrato, e ser devidamente entregue e sinalizada pela plataforma de <em>streaming</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Cenário</h2>



<p>Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) mostram que 86% dos conteúdos disponíveis nas principais plataformas de <em>streaming</em> são estrangeiros, enquanto o audiovisual brasileiro representa apenas 14% dos catálogos. O cenário evidencia a concentração de produções internacionais e também a dependência crescente dessas plataformas como principal meio de acesso ao audiovisual.</p>



<p>O crescimento do setor transformou o Brasil em um dos maiores mercados consumidores de<em> streaming</em> do mundo. Segundo o relatório de Streaming Global do Finder de 2021, o país ocupa a segunda posição global em consumo de plataformas de vídeo sob demanda, atrás apenas da Nova Zelândia. Pelo menos 65% dos adultos brasileiros possuem acesso a algum serviço de <em>streaming</em>, índice acima da média global de 56%.</p>



<p>A mudança também aparece nos hábitos de consumo. Atualmente, 49% dos brasileiros assistem entre duas e quatro horas diárias de conteúdo por<em> streaming</em>, enquanto 6% ultrapassam as seis horas por dia. Mesmo diante do aumento constante das assinaturas, 25% dos consumidores afirmaram não ter cancelado nenhum serviço ao longo de 2024, demonstrando o quanto essas plataformas passaram a ocupar um espaço central na rotina cultural do país. “Os avanços dessas plataformas no Brasil ajudam a explicar por que a discussão sobre acessibilidade envolve diretamente direitos culturais e cidadania”, reforça Marcelo Pedrosa.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Regulação</h3>



<p>Legalmente, o Brasil possui uma estrutura de sustentação sólida garantida na Convenção da ONU sobre Direitos das Pessoas com Deficiência, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) e o Código de Defesa do Consumidor. O artigo 63 da LBI diz que sites e serviços de empresas com sede no país devem ser acessíveis. No entanto, a falta de padronização por parte da ANCINE e a ausência de fiscalização rigorosa, permitem que as empresas ignorem essas normas sem consequências imediatas.</p>



<p>Após a conclusão do levantamento, Marcelo Pedrosa protocolou representações formais em três esferas na terça-feira, 5 de maio. São elas:</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Ministério Público Federal (MPF): denunciando a violação de direitos sociais fundamentais e da Convenção da ONU.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Ancine: cobrando a regulamentação dos metadados e a obrigatoriedade de recursos acessíveis em 100% dos catálogos.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Ministério da Justiça (Senacon): apontando práticas abusivas e oferta de serviço impróprio ao consumo</p>
            </div>
            </div>



<p>O conjunto de petições requer que as plataformas apresentem cronogramas de adequação e que sejam intimadas a garantir a transparência total de seus catálogos antes da contratação. “A exclusão digital não é apenas um problema de lazer; é uma negação de autonomia e cidadania. Quando uma pessoa com deficiência é impedida de assistir a um documentário ou a um filme, ela é privada de participar da conversa pública e da cultura de seu tempo”, reflete.</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O que muda na vida das pessoas da periferia quando uma linha de ônibus deixa de existir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2026 19:12:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arthur lungren ii]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife consorcio de transportes]]></category>
		<category><![CDATA[linhas de ônibus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem tem carro e mora nos bairros centrais das capitais não costuma se preocupar quando lê algo sobre mudanças em uma linha de ônibus qualquer que circula na periferia. A distância, mais social que geográfica, não permite que pessoas de classe média imaginem o quanto uma decisão dessas &#8211; sem consulta aos prinicipais interessados &#8211; [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem tem carro e mora nos bairros centrais das capitais não costuma se preocupar quando lê algo sobre mudanças em uma linha de ônibus qualquer que circula na periferia. A distância, mais social que geográfica, não permite que pessoas de classe média imaginem o quanto uma decisão dessas &#8211; sem consulta aos prinicipais interessados &#8211; atinge e muda a rotina de vida de milhares de homens e mulheres que precisam do transporte coletivo todos os dias. Recentemente, a retirada das linhas Arthur Lundgren II/TI Macaxeira e Mirueira/TI Macaxeira gerou uma série de reclamações, principalmente de moradores dos bairros de Paratibe e Arthur Lundgren I que precisam ir até as zonas norte e oeste do Recife.</p>



<p>Primeiro, vamos falar das alterações para o leitor se situar.</p>



<p>De acordo com o consórcio Grande Recife, a linha 1902 (Mirueira/TI Macaxeira) possuía dois ônibus e transportava, diariamente, 950 passageiros. Essa linha passou a se chamar TI Abreu e Lima/Mirueira, obrigando as pessoas que precisam ir até o terminal integrado da Macaxeira, na zona norte da capital, a usar a linha 1906 (TI Pelópidas/ TI Macaxeira via Mirueira), que a assessoria do consórcio de transporte diz ter um tempo de deslocamento de 20 a 25 minutos. Se quiserem ir até o terminal integrado, de Abreu e Lima, a viagem duraria entre 40 e 50 minutos.</p>



<p>O segundo caso foi a alteração da linha 1948 (Arthur Lundgren II/TI Macaxeira), que deu lugar à TI Abreu e Lima/Arthur Lundgren II, que contava com quatro veículos e atendia todos os dias 2.337 passageiros dos bairros Arthur Lundgren II, Arthur Lundgren I, Paratibe, Aurora e Jardim Paulista Baixo. Assim, quem não mora em Arthur II ficou sem uma segunda opção para ir trabalhar. A nova linha circula apenas no bairro, deixando as comunidades vizinhas atendidas apenas por linhas que levam ao terminal Pelópidas da Silveira, na rodovia PE-15.</p>



<p>A aridez dos parágrafos acima pode dar a falsa impressão de que esta reportagem diz respeito a detalhes técnicos do sistema de transporte rodoviário da metrópole. A partir de agora, será possível entender como essas decisões mexe até com o sono de quem vive nesses bairros.</p>



<p>Cada morador sente o impacto de uma maneira diferente. Lorena Torres, assistente administrativa, de 27 anos, mora em Paratibe e há seis anos trabalha numa empresa na zona norte do Recife. Antes, para chegar no trabalho às 8h, saía de casa por volta das 6h40min, 6h50min, no máximo. Com as mudanças das linhas, passou a acordar mais cedo, pois tem de sair às 6h em ponto, qualquer minuto perdido gera um efeito dominó de atrasos.</p>



<p>Quando a linha Arthur II/TI Macaxeira estava em atividade, Lorena pegava dois ônibus e passava por apenas um terminal de integração para pegar outro ônibus. Agora para chegar no mesmo destino pega três ônibus e tem de entrar nas filas nas plataformas de embarque de duas integrações. Na última semana de abril, a Marco Zero a acompanhou na ida ao trabalho, uma viagem que levou quase duas horas (uma hora e cinquenta e cinco minutos pra ser mais exata) de Paratibe ao bairro do Poço da Panela.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Lorena agora pega três ônibus e passa por três integrações para ir ao trabalho
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Eu tô acordando de 4h30, antes eu acordava às 5h. Antes eu tomava café um pouco mais tranquila porque sabia a hora que o ônibus ia passar, hoje eu evito, coloco na bolsa pra quando chegar no trabalho comer alguma coisa. Essa é a questão: não ter um tempo de qualidade antes de trabalhar, agora é acordar, tomar banho e sair”, explica Lorena.</p>



<p>Considerando que a maioria dos usuários de ônibus de Paulista só vai a outras cidades passando por terminais de integração, já no primeiro ônibus fomos em pé. Entre o tempo de espera até a chegada no TI Pelópidas foram 30 minutos. Com a fila grande precisamos aguardar três ônibus para conseguir ir sentados, o que só aconteceu aproximadamente 13 minutos depois de chegarmos ao terminal.</p>



<p>O ônibus seguiu lotado. Com o fluxo intenso de carros na BR-101, a chegada ao TI Macaxeira só aconteceu às 7h50min, ou seja, uma hora e vinte minutos depois de sairmos de Paratibe. Esse era o tempo que Lorena levava para chegar ao seu destino. Essa mudança não afetou apenas o tempo do trajeto, mas toda a dinâmica do dia da jovem. “Acaba sendo bem mais cansativo e pegando mais tempo. Um tempo que a gente não tem, tanto para vim trabalhar quanto para voltar para casa e descansar mesmo”, conta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/mapa-bus-819x1024.jpeg" alt="A imagem apresenta dois mapas comparativos que mostram a mudança de trajeto das linhas de ônibus que chegam ao Terminal Integrado (T.I.) Macaxeira, na Região Metropolitana do Recife. No mapa superior, em azul, está o percurso anterior da linha T.I. Macaxeira/Arthur Lundgren II, que seguia de Arthur Lundgren II até o terminal, passando por bairros como Jardim Paulista, Pau Amarelo, Passarinho e Nova Descoberta. Já no mapa inferior, em vermelho, aparece o trajeto atual das linhas T.I. Pelópidas/Paratibe e T.I. Pelópidas/T.I. Macaxeira, que agora conectam Paratibe ao T.I. Macaxeira por um caminho mais direto, atravessando áreas semelhantes, mas com uma integração diferente entre terminais. Essa comparação evidencia o redesenho das rotas de transporte público, destacando a substituição da antiga linha por novas conexões que otimizam o acesso ao terminal." class="" loading="lazy" width="613">
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	                                        <p class="m-0">O que mudou na rota de Lorena até o terminal da Macaxeira
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Eu não tenho mais a opção de chegar cedo”</strong></h2>



<p>As alterações não afetam apenas os trabalhadores. Estudantes que precisam chegar aos campi da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) também sentiram a mudança. É o caso de Afonso Farias, 21 anos, estudante de Geografia na UFPE. Morador de Arthur Lundgren 1, para chegar na universidade de maneira que dê tempo para jantar antes do início da aula, ele agora tem de sair pelo menos uma hora antes do horário que fazia antes das mudanças nas rotas. </p>



<p>Afonso explica como foram essas mudanças: “atrás da minha casa tem uma parada de ônibus e o Arthur II/TI Macaxeira passava lá. Era uma mão na roda, porque quando eu perdi o Macaxeira, aí eu pegava o Arthur I. Agora, obrigatoriamente, eu tenho de pegar o Arthur I para ir para Pelópidas e quando eu perco esse, que é a minha única opção de ônibus, eu tenho que ir andando até a parada do Novo Atacarejo (próximo à avenida Marechal. Floriano Peixoto), que é bem longinha, aí já fico cansado, já para pegar mais dois ônibus”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55241933476_2bd1083507_c.jpg" alt="Jovem de cabelo curto e camiseta preta gesticula em conversa, rodeado por pessoas em área pública com árvores." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Afonso sai da aula da UFPE às 21h30 e só chega em casa perto de meia-noite
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O que mais pesa é o retorno para casa. Antes, ao largar às 21h30min, o jovem ainda conseguia chegar em casa por volta das 22h40min, mas hoje chega depois de 23h30min. “Parece que 22h10min da noite é horário de pico. No primeiro dia que eu peguei o TI Pelópidas/TI Macaxeira, depois dessa paralisação do Arthur II/TI Macaxeira, a fila do TI Pelópidas estava batendo em duas filas depois”, conta.</p>



<p>“Para ir no ‘busão’ em que eu fui, eu tive que esperar outro, e ainda assim fui em pé, porque no primeiro que saiu tinha tanta gente que nem em pé eu conseguiria ir. Se eu quisesse ir sentado, acho que ia ter que esperar mais um ou outro&#8221;, conta. Ele explica que, se acontecesse de perder o Arthur II/Macaxeira de 22h15min, o próximo só chegava às 23h05min, então chegava em casa às 23h30min por causa desses eventuais contratempos. &#8220;E esse é o horário que eu estou chegando todo dia agora. Eu não tenho mais a opção de chegar cedo. Todo dia eu estou chegando quase meia-noite em casa”, lamenta.</p>



<p>Jean Luca, de 24 anos, é estudante de Serviço Social e estuda à tarde, o que o obriga a pegar o ônibus em pleno horário de pico. O jovem calculou em três horas o tempo que está gastando para chegar em casa. Por isso, tem preferido aguardar horas para pegar uma carona, do que esperar horas dentro do ônibus. “Se já era demorado, com a existência dessa linha, imagina agora. Vou ter que pegar mais um transporte. Quando a gente é estudante e trabalhador, o nosso período de trabalho é prolongado por conta do trajeto, por conta das condições e agora vai se estender mais ainda por conta de uma linha que vai prejudicar toda a comunidade”, analisa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55242331925_2a5cef9257_c.jpg" alt="Homem jovem de boné e camisa florida ao lado de uma parada de ônibus com textos de rotas antigas, em praça arborizada." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Jean Luca prefere esperar por uma carona do que passar três horas em ônibus e terminais
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Oficialmente, quem mora em Arthur Lundgren II e precisa usar ônibus leva de de 35 a 45 minutos para se deslocar nas linhas 1948 &#8211; TI Abreu e lima/TI Arthur Lundgren II e 901 &#8211; TI Abreu e lima/TI Macaxeira. Ao menos, esse é o cálculo do consórcio Grande Recife, que não respondeu quando perguntamos se seus técnicos fizeram a análise do trajeto dos moradores de Paratibe e Arthur I que também pegavam o antigo Arthur II/TI Macaxeira. O consórcio informou apenas que “praticamente, o tempo de deslocamento permaneceu o mesmo, porém o Grande Recife está trabalhando em alternativas para melhorar o serviço”.</p>



<p>Essa mudança também não está sendo bem recebida, pois os moradores disseram que não foram ouvidos no processo de mudança e, só ficaram sabendo dias antes. Quanto a isto o Grande Recife respondeu que “foram realizadas várias reuniões com as lideranças comunitárias de ambos os bairros e também com a Prefeitura de Paulista apresentando ambas as propostas. O projeto faz parte de uma série de mudanças que o CTM está realizando nos Terminais da Macaxeira e Abreu e Lima com objetivo de dimensionar os serviços de transporte público na região”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Mudanças sem ouvir ninguém</span>

		<p>A produção desta reportagem contou com a colaboração do Escambo Coletivo, que atua há 16 anos, a partir da necessidade de cultura e lazer para jovens de Paratibe, defendendo direito à cidade e valorizando o território dos moradores, com ações que vão da ocupação cultural à denúncia das faltas estruturais.</p>
<p>Os integrantes do coletivo relatam que a situação das linhas de ônibus em Paulista é marcada por desorganização e falta de diálogo com a população. Eles contam que muitos terminais foram desativados e que linhas desapareceram sem aviso, deixando moradores esperando em paradas onde ainda constam placas indicando rotas que não existem mais. Isso gera confusão e frustração, já que os usuários permanecem aguardando ônibus que nunca passam.</p>
<p>O coletivo critica a ausência de consulta pública antes das mudanças feitas pela Grande Recife, afirmando que a comunidade não foi ouvida sobre suas necessidades. Para eles, o transporte é um direito essencial ligado ao direito à cidade, mas a gestão trata o tema de forma unilateral, sem planejamento participativo. Uma outra mudança que ocorreu na região foi a retirada alteração da linha 1949 (Caetés/Paulista Centro) que passou a ser 1949 – TI Abreu e Lima (Circular Paulista), também com mudança de intinerário.</p>
<p>&#8220;A gente estava observando que nas paradas de ônibus ainda tem as duas linhas. E o pessoal continua esperando a linha passar, porque quando vai na parada, está lá escrito. E o pessoal simplesmente tem esperado o ônibus, porque tá lá, né? Vai passar. Então, você passa tipo um dia esperando sem saber”, conta Wilka Márcia, integrante do coletivo.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Terminais são importantes, mas não fundamentais</h3>



<p>O professor de engenharia civil e doutor em Engenharia de Transportes pela UFPE, Leonardo Meira, explica que o sistema de transporte público da Região Metropolitana é pensado para que se atenda a maior quantidade de pessoas possível dentro de uma rede completa. Segundo ele, pelo mundo afora, quando se trata dessa rede de transportes, eventualmente, determinada comunidade que tinha uma linha, pode dar lugar a outro itinerário que os técnicos julgam ser melhor pensando em rede. Como consequência, parte da população pode precisar readaptar suas rotas.</p>



<p>Ao pensar na efetividade dos terminais integrados que fazem parte dessa rede, o professor avalia que foram essenciais nos anos 1980 e 1990, por exemplo, mas que hoje com a tecnologia da integração temporal são importantes, mas não são fundamentais. “Hoje eu não diria que eles são absolutamente fundamentais, mas eu diria que eles ainda são muito importantes, porque ainda são usados no mundo inteiro para esse tipo de estação, ou esse tipo de terminal, seja de ônibus, seja de trem, seja do que for, ao redor do mundo ainda é muito utilizado”, conta.</p>



<p>Para Meira, a importância dos terminais está de no fato de se ter “um local determinado onde as pessoas possam esperar pelo ônibus, onde você sabe que vai ter ônibus saindo para vários locais diferentes, mas perdeu a importância no sentido do pagamento da tarifa, que antigamente dentro do terminal você não precisava pagar outra tarifa. E hoje com a tecnologia, com a integração temporal, você consegue fazer isso sem obrigar que a pessoa vá até o terminal”, explica.</p>



<p>O grande problema, na visão do professor, não são exatamente os terminais de integração, mas o tempo de espera. “Às vezes lhe obrigam a ir ao terminal integrado e lá você espera 20, 25, 30 minutos ou mais para aquele ônibus chegar. Então, o problema não é exatamente a existência do terminal integrado. O problema é a velocidade que os coletivos andam”, analisa.</p>



<p>Ele também explica que essa demora acontece por consequências de um trânsito que não dá condições para que esse trajeto flua. “Não tem faixa exclusiva na maioria das cidades, os ônibus ficam presos nos congestionamentos, ficam presos em protesto, ficam presos em alagamento, aumentando o tempo de viagem, ou seja, independente do motivo, a gente tem que se preocupar em aumentar a velocidade do transporte público”, conta. E isso só acontecerá com faixas exclusivas para que o ônibus não dispute espaço com outros veículos.</p>



<p>“Tem toda uma questão política de tirar espaço do automóvel, onde a classe média que anda de automóvel na sua SUV de 300 mil reais, não quer dividir espaço com o ônibus. Só que a SUV de 300 mil reais leva um passageiro e o ônibus leva dezenas de passageiros. É uma discussão política muito mais de dar velocidade às pessoas que mais necessitam que são aquelas que usam o transporte público”, explica.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/bus-1.jpg" alt="A imagem mostra o Terminal de Arthur Lundgren I, uma pequena estrutura de transporte público com cobertura de concreto ondulado e pilares brancos pintados de azul na base. As paredes também são azuis na parte inferior e brancas na superior, com algumas marcas de grafite. Há uma pessoa sentada no banco sob o abrigo, e árvores ao redor oferecem sombra. O chão é de paralelepípedos, e parte de um carro aparece à direita." class="w-100" loading="lazy" >
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                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/0-que-muda-na-vida-das-pessoas-da-periferia-quando-uma-linha-de-onibus-deixa-de-existir/">O que muda na vida das pessoas da periferia quando uma linha de ônibus deixa de existir</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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