<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de Reportagem - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/formatos/reportagem/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 20 Aug 2026 21:27:33 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.7</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivo de Reportagem - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/formatos/reportagem/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Sem auxílio, famílias de Olinda ainda sofrem com os estragos da enchente de 1º de maio</title>
		<link>https://marcozero.org/sem-auxilio-familias-de-olinda-ainda-sofrem-com-os-estragos-da-enchente-de-1o-de-maio/</link>
					<comments>https://marcozero.org/sem-auxilio-familias-de-olinda-ainda-sofrem-com-os-estragos-da-enchente-de-1o-de-maio/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 20:50:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[rio Beberibe]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76496</guid>

					<description><![CDATA[<p>Três meses após as chuvas de 1º de maio, que deixaram seis pessoas mortas e quase 3 mil desabrigadas ou desalojadas em Pernambuco, a Marco Zero voltou ao bairro de Peixinhos, na periferia de Olinda, para saber como ficou a vida das famílias que, atingidas por mais uma enchente do rio Beberibe, não receberam do [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sem-auxilio-familias-de-olinda-ainda-sofrem-com-os-estragos-da-enchente-de-1o-de-maio/">Sem auxílio, famílias de Olinda ainda sofrem com os estragos da enchente de 1º de maio</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Três meses após as <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">chuvas de 1º de maio</a>, que deixaram seis pessoas mortas e quase 3 mil desabrigadas ou desalojadas em Pernambuco, a <strong>Marco Zero</strong> voltou ao bairro de Peixinhos, na periferia de Olinda, para saber como ficou a vida das famílias que, atingidas por mais uma enchente do rio Beberibe, não receberam do Governo do Estado o Auxílio Pernambuco, no valor de R$ 2,5 mil. O que a reportagem encontrou foi um misto de revolta e desesperança.</p>



<p>A gestão Raquel Lyra (PSD) destinou R$ 8,75 milhões a 3,5 mil famílias nos 27 municípios que tiveram situação de emergência decretada, na época, na Região Metropolitana do Recife (RMR), na Zona da Mata e agreste. O dinheiro, porém, não foi, nem de longe, suficiente para atender todo mundo que teve casas danificadas e perdeu móveis e eletrodomésticos.</p>



<p>Somente Olinda, Recife e Goiana (um dos municípios mais atingidos, localizado na Zona da Mata Norte) cadastraram, juntos, 13.782 pessoas. Essa soma é quase quatro vezes maior que o total de famílias beneficiadas com Auxílio do governo estadual em todo o estado (3,5 mil famílias).</p>



<p>O reflexo dessa diferença pode ser visto nas comunidades Beira-Rio, Condor, Cabo Gato, Boa Esperança, Cuscuz e Embalo, todas em Peixinhos, onde moradores ainda não conseguiram se reestabelecer totalmente.</p>



<p>A título de comparação, a gestão do ex-governador Paulo Câmara (na época, no PSB) destinou R$ 150 milhões para 100 mil famílias atingidas pelas chuvas de maio de 2022, que deixaram 130 mortos e quase 130 mil desabrigados ou desalojados no estado. O valor do auxílio, na época, foi de R$ 1,5 mil.</p>



<p>No Recife, o então prefeito João Campos (PSB), hoje candidato a governador na disputa com Raquel, e a Câmara Municipal, adicionaram mais de R$ 1 mil à ajuda do governo estadual, criando o Auxílio Municipal e Estadual (AME), de R$ 2,5 mil para quase 2,5 mil pessoas.</p>



<p>Apesar de o desastre de 2022 ter sido bem maior, as comunidades de Olinda relataram, em maio, que naquela comunidade o impacto da enchente foi bem maior este ano, quando moradores “nadaram”, dentro de casa, com lixo, ratos e cobra. Naquele dia, a lama invadiu até mesmo casas mais distantes das margens do Beberibe, que teve sua última obra de dragagem feita em 2013. Relembre <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Cadastro tardio e verba insuficiente</h2>



<p>Em Olinda, a gestão Mirella Almeida (PSB) cadastrou, tardiamente, quatro mil moradores após as chuvas de maio, mas o pagamento foi direcionado a apenas 726 pessoas, isto é, 18,15% dos cadastros. Nas comunidades que a <strong>MZ</strong> visitou pela segunda vez este ano, conta-se nos dedos quem recebeu o dinheiro, porém é grande a quantidade de pessoas que perderam mobílias ou tiveram danos graves nas residências. Das três mulheres entrevistadas pela reportagem, apenas uma recebeu o benefício.</p>



<p>No dia das chuvas, Daniele Freitas, de 34 anos, e Ketilyn Ferreira, de 23 anos, beneficiárias do Bolsa Família e moradoras da comunidade do Cuscuz, viram suas casas racharem com o aumento da intensidade das chuvas. Ao passo que o aguaceiro ia aumentando, as casas iam rachando ainda mais.</p>



<p>Ketilyn mora com Andreza Beatriz, de 21 anos, e o filho de cinco anos com autismo nível três de suporte, no final da comunidade, uma das últimas casas. A base alta da construção não impediu que houvesse danos. O piso abriu e a água começou a minar do chão, então a parede cedeu e começou a se afastar da base.</p>



<p>Nessa altura, a família de Ketilyn estava ilhada. Ela só conseguiu sair com a ajuda do pai e do irmão, que saíram do bairro de Campo Grande, no Recife, para resgatá-los.</p>



<p>Se não fosse a mobilização da família, a casa ainda estaria rachada, pois elas não teriam condições de minimamente recuperar o imóvel. “Meu pai e minha mãe se juntaram, pediram para um homem ajeitar e botaram calha. Mas pode ver que, onde tem a ferragem, já está rachando de novo. Aí a mesma coisa agora com a última cheia [chuvas que aconteceram no começo de julho]. A água entrou por debaixo do piso e estourou todinho”, detalha.</p>



<p>Ketilyn está cadastrada no CadÚnico e luta para receber ao benefício a que o filho tem direito. Mesmo assim, não conseguiu acesso ao Auxílio Pernambuco. A frustração toma conta da família. Andreza reflete: “Como o auxílio foi para as pessoas que tinham crianças, pessoas que perderam a casa, que foram danificadas, a gente ficou sem entender porque não recebeu. Porque a gente tem ele e os documentos estão todos certos”.</p>



<p>No começo do beco, Daniele passou por algo parecido, mas a casa está ainda sem móveis, sem telhado e com rachaduras grandes. Ela precisou alugar outra residência, por R$ 250, para morar com a filha e o marido, pois, no momento, não tem condições de fazer os reparos necessários para retornar.</p>



<p>A dor de perder tudo relembra o que viveram em 2022. “Eu já não tinha quase nada. Porque já foi problema para eu conseguir dar uma ajeitadinha na casa, aquela cheia em 2022 me atingiu também, e muito. Cedeu a minha casa. Como a cheia entrou com força, a correnteza da água vinha todinha para cá. Aí, com os R$ 1,5 mil que eu recebi na época [do governo Paulo Câmara], tive como ajeitar. Também peguei emprestado, arrumei um cartão para comprar material. Eu já não tinha condições, já fiz o máximo possível para dar uma ajeitadinha para eu ficar aqui”, relata Daniele.</p>



<p>Próximo dali, na comunidade do Bote, Alexandre José, de 40 anos, mora há mais de dez anos em um barraco de madeira às margens do rio Beberibe. “Tentei salvar a geladeira, mas não deu tempo”, conta o homem que perdeu tudo. Três meses depois, ainda vê sua casa revirada junto com os poucos móveis e eletrodomésticos que não foram arrastados pelas chuvas.</p>



<p>Também beneficiário do Bolsa Família, Alexandre complementa a renda fazendo a travessia dos moradores de Peixinhos para Cajueiro pelo rio. O pouco dinheiro que pegou, nos últimos dias, foi para recuperar o bote com que trabalha. “Não chega ninguém para ajudar a gente aqui, não. Se não formos eu e ele aqui, acabou. Como se diz aqui, a gente é esquecido”, lamenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A vulnerabilidade extrema da falta de documentos</strong></h2>



<p>Se a verba do Auxílio Pernambuco não foi suficiente para os cadastrados, a possibilidade ficou ainda mais distante para quem não tem nem os documentos básicos. É o caso do flanelinha Zenon Ferreira, de 69 anos. O idoso, que não é aposentado, quase perdeu a vida dentro do barraco onde mora. As paredes improvisadas com madeiras, telhas e papelões foram embora com a correnteza.</p>



<p><strong>&#8220;</strong>Foi a pior cheia. Já teve cheia grande também, viu? Faz tempo, há uns 10 anos ou mais. Mas essa de maio foi a pior que teve&#8221;, lamenta Zenon, que mora no local há 31 anos. Agora, ele está com os documentos em dia para tentar a aposentadoria.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-Zenon-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-Zenon.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-Zenon.jpg" alt="Um homem idoso está sentado em uma cadeira branca no interior de uma casa precária, com piso de terra batida irregular e paredes de madeira cobertas por um telhado de zinco ondulado que deixa entrar raios de luz por entre as frestas. Ele veste camiseta amarela com estampa colorida, shorts xadrez, chinelos vermelhos e um boné listrado, e olha para cima com as mãos sobre as pernas, enquanto ao seu redor se veem baldes, recipientes, um barril com etiqueta, panos pendurados fazendo divisórias e troncos de madeira sustentando a estrutura, num ambiente de pouca luz marcado pelo contraste entre claridades que entram pelas brechas e sombras profundas." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Agora, a esperança de Zenon Ferreira é conseguir se aposentar
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo a gestão estadual, o pagamento do Auxílio Pernambuco usou como base a quantidade de cadastros repassada ao governo pelas prefeituras no princípio da situação de emergência provocada pelas chuvas do dia 1º. Havia pressa por causa da situação e da necessidade de envio do Projeto de Lei à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).</p>



<p>“Naquele momento, os municípios tinham formado aquela quantidade de famílias e foi a quantidade que nós trabalhamos. Então algumas famílias que estão reclamando ou não estavam no critério ou realmente chegaram depois e não estavam nesse critério de priorização”, afirmou a secretária estadual de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS), Andreza Pacheco, em julho, após uma onda de protestos.</p>



<p>O decreto do Auxílio Pernambuco priorizou pessoas com deficiência, gestantes e mulheres responsáveis pelo núcleo familiar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Mobilização da comunidade</h3>



<p>Os cadastros em Olinda foram realizados tardiamente após pressão popular. Em Peixinhos, a gestão de Mirella Almeida começou a realizar os cadastros nas comunidades em 21 de junho. Em 26 de junho de 2026, a gestão ainda informava que estava realizando o cadastramento das famílias atingidas no bairro de Rio Doce.</p>



<p>A visita às casas afetadas aconteceu ao lado de mobilizadores locais integrantes do Comitê Popular de Luta pelo Direito à Vida. Um mês depois do início dos cadastros, o comitê se reuniu com moradores e representantes do Governo do Estado para tratar desse e de outros assuntos.</p>



<p>Com mais de 30 pessoas presentes, os moradores compartilharam suas angústias e a sensação de insegurança e desamparo. No entanto, Josiane Silva, diretora da Secretaria Estadual de Periferias de Pernambuco, foi categórica ao afirmar que não haveria mais pagamentos a quem se cadastrou e não foi contemplado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-reuniao-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-reuniao.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-reuniao.jpg" alt="Em uma sala de paredes brancas com piso de cerâmica clara, dezenas de pessoas — homens e mulheres de diferentes idades, alguns de máscara e roupas casuais — estão sentadas em cadeiras plásticas dispostas em duas fileiras que se enfrentam, formando um corredor central, enquanto participam de uma reunião comunitária; o ambiente é decorado com bandeirinhas coloridas de festa junina, fotos e documentos afixados nas paredes, e ao fundo, além de um arco, vê-se uma parede azul-clara com um crucifixo e um ventilador de teto, sugerindo um espaço de caráter religioso ou comunitário." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Moradores pressionaram representantes do governo estadual em reunião
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Questionada pelos moradores sobre a escolha das pessoas que receberiam o dinheiro, a representante afirmou que quem selecionou e encaminhou para o Governo do Estado foi a própria prefeitura.</p>



<p>A <strong>MZ</strong> perguntou à Prefeitura de Olinda sobre os critérios de seleção utilizados e por que tantas pessoas ficaram de fora. A gestão respondeu “realizou os cadastros em conformidade com os critérios estabelecidos pelo Governo do Estado. Além de atender às exigências do processo, o levantamento também servirá como instrumento de mapeamento da realidade local, permitindo a coleta de informações que subsidiem a elaboração de políticas públicas voltadas à população”.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sem-auxilio-familias-de-olinda-ainda-sofrem-com-os-estragos-da-enchente-de-1o-de-maio/">Sem auxílio, famílias de Olinda ainda sofrem com os estragos da enchente de 1º de maio</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/sem-auxilio-familias-de-olinda-ainda-sofrem-com-os-estragos-da-enchente-de-1o-de-maio/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Organizações sociais de 15 estados constroem agenda de segurança pública focada em direitos humanos</title>
		<link>https://marcozero.org/organizacoes-sociais-de-15-estados-constroem-agenda-de-seguranca-publica-focada-em-direitos-humanos/</link>
					<comments>https://marcozero.org/organizacoes-sociais-de-15-estados-constroem-agenda-de-seguranca-publica-focada-em-direitos-humanos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 21:24:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[gajop]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76490</guid>

					<description><![CDATA[<p>De 19 a 21 de agosto de 2026, a cidade de Fortaleza (CE) sedia a 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil. O evento reúne movimentos sociais, pesquisadores, organizações da sociedade civil e familiares de vítimas da violência institucional com o objetivo de formular uma agenda nacional de segurança pública voltada para a defesa [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/organizacoes-sociais-de-15-estados-constroem-agenda-de-seguranca-publica-focada-em-direitos-humanos/">Organizações sociais de 15 estados constroem agenda de segurança pública focada em direitos humanos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>De 19 a 21 de agosto de 2026, a cidade de Fortaleza (CE) sedia a 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil. O evento reúne movimentos sociais, pesquisadores, organizações da sociedade civil e familiares de vítimas da violência institucional com o objetivo de formular uma agenda nacional de segurança pública voltada para a defesa dos direitos humanos.</p>



<p>A mobilização é organizada pelos Fóruns Populares de Segurança Pública e resulta de uma etapa preparatória que envolveu cerca de 50 pré-conferências em comunidades periféricas, universidades e associações de moradores. Ao todo, participam representantes de 15 unidades federativas das cinco regiões do país: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Contexto de alta na violência letal</h2>



<p>A realização do encontro coincide com a divulgação de dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. De acordo com o balanço, os indicadores de feminicídios e de mortes decorrentes de intervenção policial atingiram os maiores patamares de suas respectivas séries históricas. Em 2025, as mortes por agentes do Estado somaram 6.602 ocorrências, o que representou 16% do total de mortes violentas intencionais registradas no país.</p>



<p>Edna Jatobá, coordenadora-executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) — uma das entidades articuladoras —, aponta que os indicadores reforçam a necessidade de descentralizar o debate sobre o uso da força pública e ouvir as populações mais afetadas pelas políticas de repressão.</p>



<p>A conferência está estruturada a partir de grupos de trabalho que debaterão diferentes eixos temáticos vinculados à justiça criminal, à prevenção social do crime e aos direitos territoriais. As resoluções discutidas ao longo dos três dias serão consolidadas na Carta da 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil.</p>



<p>O documento elencará 27 pontos considerados prioritários para o enfrentamento ao racismo estrutural, redução de desigualdades e reestruturação da segurança. A versão final da carta será entregue formalmente aos candidatos que disputam as eleições de 2026.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Programação e participação social</h2>



<p>A abertura oficial da programação ocorre na noite de quarta-feira (19), com o lançamento da campanha &#8220;Vote Segura&#8221; e a divulgação de um relatório sobre o sistema socioeducativo. Na quinta-feira (20), as atividades se deslocam para o centro de convivência da Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus do Pici. A solenidade de abertura contará com a participação do coletivo Mães do Curió — grupo de mulheres que atua pelo controle externo da atividade policial desde a Chacina do Curió, ocorrida em 2015, em Fortaleza.</p>



<p>Na sexta-feira (21), os debates serão encerrados com a plenária unificada para a leitura pública dos 27 pontos da Carta Política, além de oficinas culturais e atividades de formação abertas ao público.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/organizacoes-sociais-de-15-estados-constroem-agenda-de-seguranca-publica-focada-em-direitos-humanos/">Organizações sociais de 15 estados constroem agenda de segurança pública focada em direitos humanos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/organizacoes-sociais-de-15-estados-constroem-agenda-de-seguranca-publica-focada-em-direitos-humanos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>&#8220;Lavagem de terra&#8221;: o jogo por trás dos leilões usados para expulsar camponeses na Mata Sul de Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/lavagem-de-terra-o-jogo-por-tras-dos-leiloes-usados-para-expulsar-camponeses-na-mata-sul-de-pernambuco/</link>
					<comments>https://marcozero.org/lavagem-de-terra-o-jogo-por-tras-dos-leiloes-usados-para-expulsar-camponeses-na-mata-sul-de-pernambuco/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 19:57:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[despejo]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[usinas]]></category>
		<category><![CDATA[Zona da Mata]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76468</guid>

					<description><![CDATA[<p>A determinação da Justiça Federal de remoção forçada de 70 famílias agricultoras do Engenho Fervedouro, na semana passada, abriu um novo capítulo nos conflitos fundiários da Zona da Mata Sul de Pernambuco e acendeu um alerta em outras comunidades de Jaqueira. O município é um dos epicentros de violentas disputas e denúncias de &#8220;lavagem de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/lavagem-de-terra-o-jogo-por-tras-dos-leiloes-usados-para-expulsar-camponeses-na-mata-sul-de-pernambuco/">&#8220;Lavagem de terra&#8221;: o jogo por trás dos leilões usados para expulsar camponeses na Mata Sul de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A determinação da Justiça Federal de remoção forçada de 70 famílias agricultoras do Engenho Fervedouro, na semana passada, abriu um novo capítulo nos conflitos fundiários da Zona da Mata Sul de Pernambuco e acendeu um alerta em outras comunidades de Jaqueira. O município é um dos epicentros de violentas disputas e denúncias de &#8220;lavagem de terra&#8221; protagonizadas por oligarquias do estado.</p>



<p>Enquanto reivindicam do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), há mais de uma década, a efetivação da reforma agrária para garantir a criação de um assentamento no local, as famílias que vivem e produzem em Fervedouro enfrentam violações de direitos que incluem ameaças de morte, tentativas de assassinato, destruição de lavouras, contaminação de fontes de água, vigilância por drones e presença de milícia privada.</p>



<p>O engenho era parte da Usina Frei Caneca, fundada no século XIX, numa área de 5 mil hectares e que deixou de produzir em 2003, após as crises do setor sucroalcooleiro no estado. A usina acumulou grandes dívidas fiscais e trabalhistas, um passivo que ultrapassa R$ 200 milhões, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que acompanha os conflitos na região.</p>



<p>Em 2018, a Frei Caneca foi arrendada para a Agropecuária Mata Sul S/A. Dois anos depois, em 2020, Fervedouro foi arrematado, em leilão judicial, pelo empresário Eduardo Jorge Vieira Leite de Lima “a preço de banana”, por aproximadamente R$ 632 mil.Para se ter ideia do deságio, o Incra avalia essas mesmas terras para fins de reforma agrária em pouco mais de R$ 11 milhões. </p>



<p>Em maio deste ano, em mais uma reunião de tentativa de conciliação, Eduardo Jorge disse, por meio de seu advogado, que não aceitava receber do Incra menos de R$ 18 milhões. Assim o impasse deve seguir na Justiça e a reforma agrária a passos lentos.</p>



<p>Agora, Eduardo Jorge quer usar apoio de força policial para expulsar as famílias — a maioria formada por antigos trabalhadores da Usina Frei Caneca que nunca receberam seus direitos. Ele conseguiu amparo numa decisão proferida pelo juiz da 11ª Vara Federal Isaac Batista de Carvalho Neto, que revogou garantias judiciais anteriores que proibiam despejos e preservavam os quase 214 ha ocupados pelos agricultores, de um total de 527 ha do engenho.</p>



<p>A medida, caso executada, vai atingir casas, lavouras, uma escola municipal, igrejas, a sede da associação comunitária, espaços de lazer, estradas e toda a infraestrutura construída pela comunidade há 80 anos. Além do consumo próprio, os trabalhadores abastecem programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).</p>



<p>Uma liminar da última sexta-feira, 14 de agosto, do desembargador federal Fernando Braga Damasceno, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), suspendeu a decisão, ao menos por ora, do juiz Isaac Batista de despejar as 70 famílias de Fervedouro. A novidade, no entanto, não encerra a disputa.</p>



<p>“Hoje, com esse cenário que estamos em Fervedouro, o nosso medo é que aconteça a mesma coisa em outros engenhos. Sabemos como atuam essa empresa e também as forças políticas”, teme Geovani Leão, agente pastoral da CPT.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O jogo societário</h2>



<p>Eduardo Jorge tem uma ligação indireta com a Agropecuária Mata S/A, arrendatária da Frei Caneca. Entre seus ramos de atuação, o empresário investe no setor de energia e é proprietário da EJVL Energia, que leva, no nome, as suas iniciais (Eduardo Jorge Vieira Leite de Lima). A EJVL, por sua vez, é sócia da Camuruzinho Agropecuária, que tem, em seu quadro societário, José Syllio Diniz de Araújo, da Agropecuária Mata Sul.</p>



<p>Ao todo, aproximadamente 1,2 mil famílias residem nas imediações dos 5 mil ha da extinta Frei Caneca e representam aproximadamente 40% dos habitantes de Jaqueira. A extensão de terras da usina corresponde a quase 50% da área total do município. Ao todo, são sete comunidades: Fervedouro, Laranjeiras, Várzea Velha, Barro Branco, Caixa D’Água, Guerra e Rampa.</p>



<p>“Buscamos o reconhecimento, por parte da Justiça Federal, de que a imissão do arrematante Eduardo Jorge não pode se dar sobre as áreas que são possuídas há décadas pelas famílias agricultoras, porque essas famílias já possuem direitos sobre a terra. Buscamos também que o Incra faça a sua parte para dar uma solução definitiva a esse conflito e promova a reforma agrária nesse território”, informaram à <strong>MZ</strong> as assessoras jurídicas da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Mariana Vidal e Luísa Duque. Elas argumentam que, na prática, todas essas destruições contra os engenhos são, além de abusivas, ilegais.</p>



<p>O próprio desembargador federal Fernando Braga Damasceno, do TRF-5, reconhece isso em sua decisão liminar que suspendeu o despejo, na última sexta (14).</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> fez contato com o advogado de Eduardo Jorge, mas não recebeu retorno até o fechamento desta reportagem.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Outras comunidades temem despejo</strong></h2>



<p>Além do Engenho Fervedouro, Eduardo Jorge arrematou, no mesmo leilão, em 2020, outros dois engenhos pertencentes à extinta Frei Caneca: Colônia II (Laranjeiras) e Colônia IV (Várzea Velha), também habitados por antigos trabalhadores da usina que nunca receberam suas verbas trabalhistas. Os agricultores agora temem que o empresário vá à Justiça para retirá-las à força também.</p>



<p>Em 2021, em plena pandemia de covid-19, famílias de Fervedouro sofreram ameaças de policiais sob o argumento de cumprimento de reintegração de posse, com relatos de episódios de agressão e destruição de plantações. Confira <a href="https://marcozero.org/em-jaqueira-pernambuco-a-violencia-no-campo-nao-fica-de-quarentena/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a reportagem da <strong>Marco Zero</strong> à época.</p>



<p>Nesse mesmo ano, sob pretexto de imissão de posse na Justiça Federal, plantações de banana situadas em sítios do Engenho Várzea Velha também foram derrubadas e uma família chegou a ter sua casa destruída com a presença de seguranças privados e com apoio da Polícia Militar. </p>



<p>O que aconteceu naquele ano reforça a situação de alerta em que os agricultores se encontram no momento.</p>





<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Lavagem de terras&#8221;</h3>



<p>O Engenho Fervedouro é o retrato do que vem acontecendo na Mata Sul de Pernambuco. Imóveis de antigas usinas falidas ou desativadas, que acumularam grandes dívidas trabalhistas e fiscais, estão sendo levadas à Justiça para quitar esses débitos, mas leiloadas a preços irrisórios.</p>



<p>Por exemplo, os cerca de 527 ha de Fervedouro foram arrematados por Eduardo Jorge por R$ 632 mil. Isso significa que ele pagou menos de R$ 2 mil por ha, enquanto a CPT estima que o valor real de venda na área ultrapassa R$ 10 mil por ha.</p>



<p>Discrepâncias desse tipo alimentam questionamentos sobre avaliações abaixo do valor real dos imóveis e sobre o uso dos leilões como mecanismo para transferir grandes áreas de terra por valores muito inferiores aos de mercado. Pesquisadores da área identificam indícios de um possível processo de “lavagem de terras”, hipótese reforçada pelo fato de que, em determinados casos, empresários ou pessoas com vínculos com os antigos grupos usineiros aparecem como compradores dos imóveis, seja diretamente ou por meio de terceiros.</p>



<p>Para João Victor Venâncio, advogado da CPT e também pesquisador acadêmico sobre conflitos e reconfigurações territoriais na Mata Sul pernambucana, esse cenário “é consequência de um processo histórico de abandono das terras por antigas usinas, que encerraram suas atividades deixando dívidas trabalhistas e fiscais e sem cumprir a função social da propriedade”.</p>



<p>Ele também critica a atuação do Judiciário, morosa diante das irregularidades cometidas pelos grupos usineiros, mas, que décadas depois, atua de forma rápida para promover leilões judiciais de imóveis por valores abaixo do mercado, com uma série de indícios de irregularidades, desconsiderando comunidades que já possuem a posse consolidada sobre essas áreas.</p>



<p>João Victor expõe que, na prática, esse processo de lavagem de terras permite a transferência e também manutenção do patrimônio entre grupos e “sobrenomes” da região, revelando uma aplicação desigual do direito de propriedade. Enquanto trabalhadores e comunidades enfrentam dificuldades para ter seus direitos reconhecidos, os grandes proprietários conseguem preservar ou recuperar suas terras mesmo com dívidas acumuladas e do descumprimento da função social da propriedade.</p>



<p>“Isso mostra que o direito de propriedade das classes dominantes, para o Poder Judiciário, é absoluto e não precisa observar a lei nem a função social. Isso torna possível alguém ser usineiro, não pagar dívidas de centenas de milhões de reais com o Estado, além de dívidas trabalhistas milionárias, e ainda assim manter seu direito de propriedade por 10, 20 anos, mesmo tendo abandonado a área. E ainda conseguir vender essa área, mesmo existindo comunidades que ali habitam, exercem posse e dão a função social daquela propriedade”, afirma.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/lavagem-de-terra-o-jogo-por-tras-dos-leiloes-usados-para-expulsar-camponeses-na-mata-sul-de-pernambuco/">&#8220;Lavagem de terra&#8221;: o jogo por trás dos leilões usados para expulsar camponeses na Mata Sul de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/lavagem-de-terra-o-jogo-por-tras-dos-leiloes-usados-para-expulsar-camponeses-na-mata-sul-de-pernambuco/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O trauma de passar pelo setor de traumatologia do Hospital Otávio de Freitas</title>
		<link>https://marcozero.org/o-trauma-de-passar-pelo-setor-de-traumatologia-do-hospital-otavio-de-freitas/</link>
					<comments>https://marcozero.org/o-trauma-de-passar-pelo-setor-de-traumatologia-do-hospital-otavio-de-freitas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 14:19:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[hospital Otávio de Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76412</guid>

					<description><![CDATA[<p>Isis recebeu alta, mas sua vida jamais será a mesma. Após quebrar o braço em um acidente de moto voltando de Carpina, na Zona da Mata Norte, para o Recife, Isis François, de 26 anos, tem vivido situações que não deseja a ninguém. O acidente aconteceu em setembro e, após passar por diferentes hospitais, 24 [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-trauma-de-passar-pelo-setor-de-traumatologia-do-hospital-otavio-de-freitas/">O trauma de passar pelo setor de traumatologia do Hospital Otávio de Freitas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Isis recebeu alta, mas sua vida jamais será a mesma. Após quebrar o braço em um acidente de moto voltando de Carpina, na Zona da Mata Norte, para o Recife, Isis François, de 26 anos, tem vivido situações que não deseja a ninguém. O acidente aconteceu em setembro e, após passar por diferentes hospitais, 24 horas depois ela foi parar no Hospital Otávio de Freitas (HOF), na zona oeste do Recife, onde chegou com o ferimento já infeccionado. Por isso, passou um mês internada até ter condições de passar pela cirurgia.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-76450 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-576x1024.jpeg 576w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-169x300.jpeg 169w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-768x1365.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-864x1536.jpeg 864w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-150x267.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3.jpeg 900w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O Hospital Otávio de Freitas é uma referência no atendimento a esse tipo de ferimento. Lá, de janeiro de 2025 a julho de 2026, foram realizadas 2.683 cirurgias de traumato-ortopedia. Dessas, 1.747, o que equivale a 65,1% do total, foram realizadas pelo plantão de emergência. O total de cirurgias representa, aproximadamente, 1/3 (um terço) de todos os procedimentos desse tipo realizados nos hospitais da rede estadual.</p>
</div></div>



<p>Quando imaginava que teria apenas de se cuidar durante o pós-operatório para garantir uma boa recuperação, tudo desandou para Isis. Logo após receber alta pela primeira vez, já começou a se sentir mal. Na consulta retorno da cirurgia, 15 dias depois, percebeu um ponto inflamado e questionou o médico, que disse ser normal.</p>



<p>“Foi criando como se fosse uma queloide. Aí as pessoas que viam diziam que queloide não ficava assim, porque inchava e desinchava. Depois de eu ficar correndo atrás, no pé, o médico passou um antibiótico e chegou um tempo que ela secou. E eu dizendo que aquilo não era normal. No que secou, depois fazendo as fisioterapias, apareceu uma bolinha longe da cicatriz como se fosse um furo de agulha de onde saia secreção”, conta.</p>



<p>Sempre que tinha oportunidade questionava o médico sobre esse furo na pele e todas as vezes ouvia a mesma resposta: é normal. Foi em uma ida ao INSS para conseguir o auxílio-doença, no mês de março, que a desconfiança aumentou. “Ela [a médica] disse que eu teria que voltar no médico porque isso não era normal não, que estava saindo secreção”, relata.</p>



<p>A situação piorou com o tempo. Em maio, Isis se internou novamente, mas antes disso teve que passar dois dias em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) aguardando uma ambulância para ser transferida. “Quando eu cheguei lá, foi o mesmo ortopedista. Ele disse que eu não ia poder ficar no hospital porque tinha gente pior que eu. Então eu respondi &#8216;olha, eu vou ficar porque eu não aguento mais essa dor&#8217;,&#8221; recorda. Àquela altura, a placa de titânio implantada pela equipe médica do Otávio de Freitas teria sido rejeitada pelo corpo da jovem, começou a ficar exposta e precisou ser retirada. Isso aconteceu depois de um mês de internação, mais 40 dias tomando antibióticos em casa e muitas idas ao hospital.</p>



<p>Até hoje, ela sofre com uma infecção resistente, mas, como o material retirado não foi coletado para a cultura, não se sabe qual a bactéria causadora da doença. “Depois da cirurgia eu já estava sentindo umas molezas, alguma coisa estranha. Antes era &#8216;só&#8217; a secreção que saía do braço, mas depois que passou a anestesia, eu comecei a ficar sentindo o corpo mole, dor de cabeça. Hoje, sinto moleza nas pernas, a cabeça doendo dos dois lados, tortura, febre e o braço fica furando, com uma sensação de pinicar”, reflete.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O cenário do abandono</h2>



<p>As paredes limpas com aparência de recém-pintadas podem ser vistas nos corredores externos. A grama bem cortada também. No entanto, basta entrar na enfermaria da traumatologia para o cenário mudar. Ali, o mato no pátio interno está alto, há muito não recebe uma poda, para impedir que as pessoas passem há caçambas de lixo.</p>



<p>Os quartos são quentes, abafados e pequenos. A maioria das portas não têm fechaduras, os banheiros ostentam infiltrações, as privadas não têm assentos, falta tampa nas caixas acopladas e higiene adequada. Todos os pacientes ouvidos pela reportagem reclamaram da limpeza. Ou melhor, da sujeira. A mãe de Isis, por exemplo, precisou levar desinfetante para amenizar o odor enquanto a filha estava internada.</p>



<p>Os animais merecem um capítulo à parte na lista de reclamações. Gatos e timbus são vistos circulando pelos corredores das enfermarias repletas de pacientes recém cirurgiados, fora os ratos, baratas e tudo quanto é inseto.</p>



<p>O caso de Isis, como se vê, não é isolado. A Marco Zero foi até o hospital e, com ajuda das famílias de pacientes, passou todo o período de visitas em contato com quatro pessoas internadas na enfermaria de traumatologia para retirada de placas, tratamento de infecções que persistem, causados por bactérias não identificadas. Outro paciente está internado há quatro meses, mas não quis que sua história fosse publicada. Mas todos eles contaram viver um drama tão angustiante quanto dolorido.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-2-300x213.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-2-1024x726.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-2-1024x726.jpeg" alt="A foto mostra um pequeno banheiro simples e um pouco desgastado. No centro há um vaso sanitário branco, sem tampa no reservatório de água, deixando o interior visível. À esquerda do vaso, há uma pia branca pequena fixada na parede, com torneira e canos aparentes. O fundo é formado por uma parede de azulejos brancos, alguns escurecidos ou manchados, especialmente próximos ao chão e à pia. No piso, que parece ser de cimento ou cerâmica marrom, há um balde plástico branco com inscrições parcialmente legíveis e uma tampa de ralo circular branca caída ao lado. O ambiente aparenta estar úmido e precisar de limpeza ou manutenção." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Banheiro no setor de traumatologia no Hospital Otávio de Freitas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Colapso dos rins, ameaça de amputação e mais infecções</strong></h2>



<p>Em leitos próximos, Henrique Cavalcanti, de 51 anos, e Edcley Xavier, de 35 anos, contam histórias parecidas e que se prolongam há vários meses. Henrique está internado desde janeiro. Isso mesmo: há quase sete meses numa enfermaria, onde foi parar depois que desviou sua moto para não atropelar um carroceiro em Boa Viagem e acabou se chocando com a carroça.</p>



<p>Quando ele foi levado para o Otávio de Freitas com o fêmur e a perna esquerda quebrados, Edcley já estava lá há um mês, também por causa de um acidente de moto.</p>



<p>Não é só isso que os dois têm em comum. Ambos lutam contra infecções persistentes. Henrique enfrenta uma osteomielite, uma doença grave que atinge os ossos, cujo tratamento o levou à hemodiálise por mais duas semanas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Em respeito à imagem e à vulnerabilidade dos pacientes, não publicaremos suas fotografias feitas durante a visita da equipe da MZ.</p>
        </div>
    </div>



<p>Segundo ele, ao prescrever um antibiótico forte por 21 dias, o médico advertiu: “tem um antibiótico que é muito bom e é muito forte. Agora esse antibiótico, você corre o risco de perder a audição. Você corre o risco de ficar com a pele toda escura. E vamos rezar para não afetar os rins”, conta. Tomou apenas 14 dias da medicação e precisou ir para hemodiálise às pressas. Ou seja, os rins foram severamente afetados.</p>



<p>O pior estava por vir. Em uma das frequentes trocas de médicos, o residente que teria acompanhado a penúltima limpeza fez uma sugestão que deixou o paciente apavorado: amputar a perna. “Eu disse que achava que isso era o último caso, a última instância. Se lá tem medicamento, tem estrutura, tem tudo para fazer, se não tem aqui, me manda para o hospital que faz. Mas chegar ao ponto de dizer isso ao paciente sem discutir com outro médico antes?”</p>



<p>A poucos metros de Henrique, Edcley espera o fim do tratamento com antibióticos porque também contraiu uma infecção no hospital. Quando estivemos lá, a previsão de alta estava próxima.</p>



<p>Assim que chegou, passou quatro dias na emergência sem comer e sem tomar água aguardando a cirurgia. Só conseguiu fazer o procedimento depois disso. O fixador foi colocado e Xavier passou mais dois meses internado. Depois da retirada do fixador, foram mais 15 dias para colocar a placa de titânio. Após 30 dias voltou para tirar os pontos. Foi aí que começou a sair secreção do local, um quadro quase idêntico ao de Isis.</p>



<p>A própria equipe médica afirmou que a infecção ocorreu no bloco cirúrgico.</p>



<p>Além disso, como a cirurgia foi próximo ao joelho, segundo o rapaz a indicação é que ao retirar a placa, o médico aproveitasse para tirar também a fibrose do joelho, o que não aconteceu. Por isso, vai precisar passar por uma nova cirurgia. “É sofrimento e risco. Esse hospital aqui tá todo contaminado”, pontua.</p>



<p>O homem denuncia que os médicos circulam pelos corredores com roupas que utilizam na cirurgia. “O médico tem que estar lá dentro do bloco cirúrgico. O médico não é para estar vindo aqui no corredor buscar paciente com a roupa que vai operar, não. É um açougue?”, questiona.</p>



<p>Além disso, Edcley e o parente que lhe acompanha questionam a falta de higiene do local. São gatos, cachorros, timbus, árvores com cupins, mato alto e limpeza precária que, para eles, aumenta o risco de contaminação. Os vídeos recebidos pela MZ confirmam isso.</p>



<p>Se Edcley aguarda a próxima cirurgia, Henrique alimenta a esperança de que o tratamento surta efeito e que possa recuperar minimamente a sua perna. Dias antes de conversar com a Marco Zero, teve um vislumbre de esperança, pois na última avaliação, outro médico descartou a possibilidade de colocar o fixador novamente e prescreveu seguir com os antibióticos.</p>



<p>Além disso, há o desalento. Para quem chegou para tratar fraturas e sofreu o impacto do colapso dos seus rins e a ameaça de amputação, agora ele convive com um profundo desânimo. “Dentro da hemodiálise eu tinha visto as piores coisas que eu nunca tinha visto ainda, nunca pensei que uma hemodiálise fosse um negócio tão pesado, um sistema tão pesado que a máquina é toda adaptada dentro de você. Um cateter, ou no pescoço ou na virilha. O meu não conseguiu pegar no pescoço, pegou aqui na virilha… eu não estava com opção naquele momento. Eu estava numa situação que afetou a perna, afetou os rins e o psicológico já está a mil, sem saber o que focar realmente na vida”, lamenta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), no período entre janeiro de 2025 e julho de 2026, “foram registrados 50 procedimentos de retirada de placas, parafusos ou outros materiais de síntese. Esse número corresponde a 1,86% das 2.683 cirurgias ortopédicas realizadas. Os 50 registros representam procedimentos, e não necessariamente 50 pacientes distintos, não podendo ser interpretados como 50 casos de infecção ou de ‘rejeição’”.</p>
<p>Seguindo essa lógica, após as primeiras cirurgias e colocação da placa, as repetidas cirurgia realizadas apenas nos pacientes mostrados nesta reportagem juntos somam seis procedimentos. O equivalente a 12% dos 50 casos informados pela SES.</p>
	</div>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Enfermaria da traumatologia Hospital Otávio de Freitas" width="422" height="750" src="https://www.youtube.com/embed/q_WAyAaRzo4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading">O que diz o Governo de Pernambuco</h3>



<p>A Marco Zero procurou a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) questionando os pontos apontados nesta reportagem e pedindo um representante do órgão para falar das denúncias feitas. Ignoraram a possibilidade e enviaram uma nota que afirma:</p>



<p>Sobre os três casos dos pacientes descritos, a conduta médica foi direcionada ao controle da infecção, à preservação do membro e à reavaliação da necessidade de procedimentos reconstrutivos ou complementares, conforme a evolução clínica. Nos documentos analisados, não há indicação formal de amputação.</p>



<p>Sobre a atuação dos médicos residentes, O Hospital Otávio de Freitas (HOF) reforça que eles são profissionais graduados em medicina e regularmente inscritos no Conselho Regional de Medicina (CRM). A residência médica é uma modalidade de especialização em serviço, realizada sob supervisão de médicos especialistas e preceptores.</p>



<p>Os residentes podem examinar pacientes, registrar evoluções, realizar procedimentos e participar de cirurgias, conforme seu nível de formação, sempre integrados à equipe responsável. As descrições cirúrgicas dos casos apresentados identificam os cirurgiões responsáveis e seus auxiliares. Não existe orientação institucional para que procedimentos ou decisões complexas sejam realizados por residentes sem supervisão. Eventuais queixas relacionadas ao tempo de visita, à comunicação ou à identificação do médico responsável podem ser apuradas individualmente, desde que sejam fornecidas informações que permitam localizar o episódio.</p>



<p>Sobre a questão de animais transitando pela unidade, a direção do HOF informa que mantém contratos regulares de limpeza e desinfecção hospitalar, seguindo protocolos técnicos e sanitários estabelecidos pelas normas vigentes. Além disso, são realizadas ações periódicas de controle ambiental e manejo da área externa, incluindo medidas voltadas à prevenção e mitigação da presença de animais nas dependências da unidade.</p>



<p>A direção informa ainda que a unidade vem desenvolvendo ações educativas junto aos funcionários, pacientes e acompanhantes para orientá-los a não alimentar nem interagir com os animais e, também, a comunicar sua presença sempre que identificados. Rotineiramente, são realizadas rondas pela administração do serviço para identificar a presença de animais. Além disso, foram instaladas barreiras físicas para impedir o acesso desses animais às dependências da unidade.</p>



<p>Em relação aos apontamentos sobre o Setor de Traumatologia do HOF, a unidade esclarece ainda que a Superintendência de Engenharia e Manutenção elaborou e atualizou o Plano de Ação para Requalificação do Trauma Adulto e Pediátrico, contemplando intervenções nas enfermarias, postos de enfermagem e depósitos de material de limpeza (DML), incluindo a recuperação de paredes, tetos, pias, vasos sanitários, revestimentos, portas, fechaduras, sistemas de ventilação e demais adequações estruturais.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Problema crônico</h3>



<p>Os problemas não são de hoje. O hospital tem uma reputação negativa entre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Em 2021, a Marco Zero acompanhou <a href="https://marcozero.org/hospital-otavio-de-freitas-esta-um-caos-e-gente-por-cima-de-gente/">denúncias de superlotação feitas por pacientes e acompanhantes</a>. Os pacientes eram amontoados pelos corredores da unidade e ficavam à mercê de uma vaga em um leito.</p>



<p>Em 26 de maio deste ano, a então governadora Raquel Lyra (PSD) e a vice-governadora Priscila Krause (PSD) entregaram a requalificação do centro cirúrgico ambulatorial da unidade, alegando ainda a melhoria da recepção da emergência, fachada e portaria da unidade. Comemoram o investimento de mais de R$ 800 mil, somando mais de R$ 158 milhões em investimentos, com obras de ampliação, novos equipamentos, modernização da estrutura e abertura de novos leitos. No entanto, os relatos dos pacientes indicam que esse investimento ainda não chegou na traumatologia.</p>



<p>Apenas dois dias depois, o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) julgou a auditoria especial operacional realizada no primeiro semestre de 2025, com objetivo de, segundo o documento, “analisar os fatores operacionais internos e externos que têm impactado a produção cirúrgica do centro cirúrgico”, relatada pelo conselheiro Marcos Loreto.</p>



<p>O julgamento divulgado em 02 de junho no Diário Oficial do TCE-PE, constatou, entre os problemas apresentados, que a unidade possuía inadequações na estrutura física do centro cirúrgico, como o descascamento do revestimento nas paredes e na junção com o piso em todas as salas operatórias, a existência de diversos equipamentos inoperantes nos blocos cirúrgicos e a ausência de reserva técnica &#8211; os aparelhos de backup para o sistema.</p>



<p>Também identificou que “o centro cirúrgico apresentou baixa efetividade operacional, revelada por indicadores de processo, destacando-se elevado índice de cancelamentos de cirurgias (entre 16,7% e 18,6%) por causas em grande parte evitáveis, e significativo atraso para o início da primeira cirurgia do dia”.</p>



<p>Além disso, “a análise do desempenho do Bloco da Traumatologia/Ortopedia revelou efetividade de apenas 47,5% (ORE /ECC), abaixo da média observada em centros brasileiros de porte similar (50-60%), enquanto o Bloco Central (Geral) não pôde ter seu indicador mensurado devido à impossibilidade de definir o Tempo Total Disponível e o Tempo Total Utilizado”.</p>



<p>O documento também constatou a inconsistência nos dados e informações disponibilizadas no sistema informatizado, causando subutilização e falhas de registro pelas equipes.</p>



<p>Entre as considerações, atestou-se que “a baixa efetividade do centro cirúrgico na realização de cirurgias eletivas, evidenciada pelo indicador <em>Overall Equipment Effectiveness (ORE/ECC)</em>, de apenas 47,5% no Bloco da Traumatologia/Ortopedia — índice inferior à média de centros de porte similar —, e pelo fato de a maior parte das cirurgias ditas “eletivas” ser proveniente da Emergência, gerando fila de espera e aproveitamento aquém do ideal da capacidade instalada”.</p>



<p>Por fim, ficou determinado que a Secretaria Estadual de Saúde e a Direção do HOF adotassem medidas para sanar as deficiências apresentadas e melhorar a qualidade dos atendimentos aos pacientes em 60 dias. Como já apresentado nesta reportagem, mesmo com as melhorias divulgadas pelo governo do estado, ainda há denúncias de desassistência na unidade.</p>



<div data-wp-interactive="core/file" class="wp-block-file"><object data-wp-bind--hidden="!state.hasPdfPreview" hidden class="wp-block-file__embed" data="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/DOU-TCE-PE-02.06.2026.pdf" type="application/pdf" style="width:100%;height:600px" aria-label="Incorporado de DOU TCE-PE 02.06.2026."></object><a id="wp-block-file--media-c7ece1d0-f5e8-4c84-9b70-59877272ff97" href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/DOU-TCE-PE-02.06.2026.pdf">DOU TCE-PE 02.06.2026</a><a href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/DOU-TCE-PE-02.06.2026.pdf" class="wp-block-file__button wp-element-button" download aria-describedby="wp-block-file--media-c7ece1d0-f5e8-4c84-9b70-59877272ff97">Baixar</a></div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-trauma-de-passar-pelo-setor-de-traumatologia-do-hospital-otavio-de-freitas/">O trauma de passar pelo setor de traumatologia do Hospital Otávio de Freitas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/o-trauma-de-passar-pelo-setor-de-traumatologia-do-hospital-otavio-de-freitas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>MPPE processa Prefeitura e Viva Parques por irregularidades no Parque da Jaqueira</title>
		<link>https://marcozero.org/parque-da-jaqueira-mppe-processa-prefeitura-viva-parques/</link>
					<comments>https://marcozero.org/parque-da-jaqueira-mppe-processa-prefeitura-viva-parques/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 14:56:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[concessão de parques]]></category>
		<category><![CDATA[mppe]]></category>
		<category><![CDATA[parque da jaqueira]]></category>
		<category><![CDATA[pista de bicicross]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[viva parques]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76328</guid>

					<description><![CDATA[<p>A pista de bicicross do Parque da Jaqueira, demolida em janeiro deste ano, pode ter que ser reconstruída. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) acionou a Justiça para obrigar a Prefeitura do Recife e a concessionária Viva Parques a refazer o equipamento. Em ação civil pública obtida com exclusividade pela Marco Zero, o MPPE pede [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/parque-da-jaqueira-mppe-processa-prefeitura-viva-parques/">MPPE processa Prefeitura e Viva Parques por irregularidades no Parque da Jaqueira</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A pista de bicicross do Parque da Jaqueira, demolida em janeiro deste ano, pode ter que ser reconstruída. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) acionou a Justiça para obrigar a Prefeitura do Recife e a concessionária Viva Parques a refazer o equipamento. Em ação civil pública obtida com exclusividade pela Marco Zero, o MPPE pede que a área volte a ter exatamente as funções que tinha – esportiva, recreativa e pública – e que fique proibida ali qualquer estrutura de consumo pago, como o polo gastronômico já anunciado pela empresa.<br><br>A peça é assinada pelas promotoras Fernanda Henriques da Nóbrega, da 20ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital, e Belize Câmara Correia, coordenadora do Centro de Apoio de Defesa do Meio Ambiente. Foi protocolada em 20 de julho e distribuída por sorteio à 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital. O valor da causa é de R$ 6 milhões.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/viva-parques-ignora-recomendacao-do-ministerio-publico-e-destroi-pista-de-bicicross-da-jaqueira/" class="titulo">Viva Parques ignora recomendação do Ministério Público e destrói pista de bicicross da Jaqueira</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><br>A ação civil pública vai além da destruição da pista de bicicross. Protocolada com pedido de liminar – ou seja, o MPPE quer decisão imediata, antes de ouvir os réus –, a peça pede a paralisação das obras na área, que segue cercada por tapumes, a suspensão das licenças que autorizaram a substituição da pista, a proibição de cobrança de ingresso em qualquer área do parque, a suspensão do regulamento da Jaqueira feito pela concessionária e a retirada da publicidade irregular, incluindo a de casas de apostas, em dez dias. A multa sugerida é de R$ 50 mil por dia de descumprimento. Até o fechamento desta reportagem o pedido de liminar seguia sem apreciação.</p>



<p>O MPPE também solicita que a prefeitura abra, em um prazo de dez dias, processo administrativo para apuração de descumprimento contratual por parte da concessionária e pede a condenação dos dois réus – prefeitura e Viva Parques – por dano moral coletivo.<br><br>A empresa Viva Parques assumiu a gestão de quatro parques municipais em 10 de março de 2025 após vencer o leilão em julho de 2024, tendo sido a única proponente. Antes mesmo de assumir os parques, a empresa comunicou que iria destruir a pista de bicicross do Parque da Jaqueira e construir ali um polo gastronômico, apesar de o caderno de encargos do contrato com a Prefeitura do Recife prever apenas a manutenção do equipamento. Em novembro do ano passado, o MPPE expediu uma recomendação para que a Viva Parques não derrubasse a pista, mas a empresa fez a demolição e colocou tapumes ao redor do local.<br><br>Na ação, o MPPE se apoia principalmente no próprio contrato da prefeitura com a Viva Parques. O caderno de encargos define “manutenção” como aquilo que não altera as características da estrutura, como atualização de sistemas, revestimentos, ações preventivas e correções leves. Para o MPPE, trocar a manutenção por demolição e nova intervenção, depois da licitação e sem termo aditivo, vai contra a proposta econômica que a empresa apresentou para vencer o leilão.<br><br>O MPPE afirma, na peça, que nenhum termo aditivo sobre o <a href="https://parcerias.recife.pe.gov.br/projetos/concessao-de-parques-urbanos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">contrato de concessão dos parques</a> foi publicado permitindo a demolição da pista de bicicross. Até hoje a manutenção dela continua constando na cláusula 4.3 do caderno de encargos como investimento obrigatório.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Parque da Jaqueira: os pedidos de urgência do MPPE na Justiça</span>

		<p><b>Para os dois réus, Prefeitura do Recife e Viva Parques</b></p>
<ul>
<li aria-level="1">Parar toda obra na área da antiga pista, suspender as licenças que autorizaram a substituição e entregar em 15 dias úteis um relatório técnico com fotos, plantas e cronograma do que já foi feito.</li>
</ul>
<ul>
<li aria-level="1">Nada de ingresso, taxa ou consumação mínima em qualquer área do parque; nenhum evento com controle de acesso; suspensão do trecho da Lei 18.824/2021 que abre essa brecha.</li>
</ul>
<ul>
<li aria-level="1">Suspender o regulamento de uso feito pela concessionária e garantir o direito de reunião no parque.</li>
</ul>
<ul>
<li aria-level="1">Em 10 dias, tirar os anúncios dos gradis, desligar os painéis luminosos e retirar a publicidade de bets. E não instalar nada novo sem autorização dos órgãos de patrimônio.</li>
</ul>
<p><strong>Itens 2.1 a 2.4 — só para a Prefeitura</strong></p>
<ul>
<li aria-level="1">Abrir em 10 dias processo administrativo para apurar o descumprimento do contrato.</li>
</ul>
<ul>
<li aria-level="1">Não aprovar novas etapas, pagamentos ou pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro enquanto as irregularidades não forem sanadas.</li>
</ul>
<ul>
<li aria-level="1">Publicar em 15 dias os documentos da concessão — masterplan, pareceres, aditivos, relatórios de fiscalização — e explicar as intervenções à população em linguagem acessível.</li>
</ul>
<p><em>Todos sob multa diária, sugerida em R$ 50 mil.</em></p>
	</div>



<p>Além do contrato, o MPPE aciona a legislação municipal para justificar a ação civil pública. A lei 17.610/2010, alterada em 2022, classifica o Parque da Jaqueira como Unidade de Conservação da Paisagem e proíbe qualquer intervenção que comprometa o patrimônio ambiental e cultural existente no perímetro, citando expressamente as áreas de lazer coletivo. Determina ainda que o parque atenda, em caráter exclusivo e permanente, à função social de parque público.<br><br>A ação antecipa um contra-argumento apoiado no artigo 5º dessa mesma lei, que condiciona intervenções à análise prévia do órgão ambiental municipal. Para as promotoras, o dispositivo estabelece um requisito de procedimento e não concede ao órgão &#8220;o poder discricionário ilimitado ou &#8216;cheque em branco&#8217; para aprovar qualquer tipo de intervenção&#8221;.<br><br>O MPPE antecipa na peça a possibilidade de derrota no pedido principal: se o juiz não determinar a recomposição da pista, quer ao menos uma audiência pública, precedida de estudos técnicos e documentos em linguagem acessível, para decidir o destino da área com quem usava o espaço.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sem atrações pagas e sem bets no Parque da Jaqueira</h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/tapumes-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/tapumes.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/tapumes.jpg" alt="A foto mostra uma área do Parque da Jaqueira, no Recife, cercada por chapas metálicas verdes sustentadas por estruturas de madeira, indicando uma obra de revitalização em andamento. Na cerca há um painel com uma ilustração do projeto “Natureza Urbana”, mostrando caminhos, árvores e espaços de convivência, e ao lado um quadro azul com informações técnicas sobre a intervenção. O chão é de pedras irregulares, formando uma trilha entre árvores frondosas e bancos de madeira; à esquerda, uma lixeira verde reforça o cuidado ambiental do local. Ao fundo, surgem prédios altos entre as copas das árvores, compondo a paisagem urbana do Recife." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ministério Público quer interrupção de obras na Jaqueira
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A ação civil pública também mira o modelo de gestão como um todo. O MPPE quer que a Justiça afaste a exceção do artigo 4º da lei municipal 18.824/2021, que permite cobrança por atrações implementadas pela concessionária quando a receita se associa à viabilidade do contrato.<br><br>Para as promotoras, o dispositivo coloca o equilíbrio financeiro de uma empresa privada acima do direito ao lazer. A peça cita eventos com restrições já ocorridos nos parques concedidos, como o festival Bon Odori em Apipucos, com ingresso a partir de crianças de sete anos; a Arena nº 1 no Dona Lindu, durante a Copa, com setores de até R$ 500 e entrada vedada a menores de cinco anos; e um evento fitness na Jaqueira, com entrada custando R$ 209.</p>



<p>Como advertência, o MPPE dedica um trecho da peça para falar sobre as <a href="https://marcozero.org/concessao-privada-de-parques-e-elitizar-o-espaco-publico-alerta-urbanista-nabil-bonduki/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">concessões em São Paulo</a>, citando o que acontece nos parques concedidos de lá: cobrança de R$ 30 por dez minutos de banho, áreas patrocinadas com acesso a R$ 150, piqueniques cercados de 1.200 metros quadrados a R$ 26 mil. Para o MPPE, a Jaqueira corre o risco de ter esses tipos de cobranças.<br><br>Outro alvo do MPPE é a publicidade no Parque da Jaqueira: anúncios nos gradis, painéis luminosos a cada 200 metros na pista de caminhada e peças de casas de apostas, inclusive perto de brinquedos infantis. A ação lembra que, ainda na licitação, uma nota técnica da própria Prefeitura esclareceu que não seria permitida a veiculação de anúncio em grades. Sobre as bets, o MPPE invoca o Estatuto da Criança e do Adolescente, a portaria que regulamenta o setor e a Convenção sobre os Direitos da Criança. O texto da ação informa que a Prefeitura chegou a notificar a empresa, que retirou o material e depois voltou a exibi-lo.<br><br>A ação ainda pede que o regulamento do Parque da Jaqueira seja considerado nulo. Isso porque o documento veda manifestações públicas, expressões político-partidárias e cultos nas dependências dos parques, salvo com autorização específica da empresa. O MPPE sustenta que ente particular não pode editar normas restritivas de liberdade, já que o poder de polícia é indelegável, tanto por lei federal quanto por lei municipal.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pista-de-bicicross-da-jaqueira-esta-com-os-dias-contados/" class="titulo">Pista de bicicross da Jaqueira está com os dias contados</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>As promotoras também argumentam que o regulamento se opõe ao direito de reunião, garantido pela Constituição independentemente de autorização, exigindo apenas aviso prévio. A peça solicita a anulação do regulamento inteiro e, em separado, do artigo que trata das manifestações.<br><br>A Marco Zero procurou a Prefeitura do Recife e a Viva Parques para comentar os pedidos formulados na ação. A Viva Parques informou que ainda não foi citada na ação e afirmou que as intervenções na área da antiga pista – descrita como o &#8220;espaço mais antropizado do parque&#8221; – resultaram de mais de um ano de diálogo, incluindo acordo firmado em agosto de 2025 perante o MPPE e &#8220;aval técnico e formal do IPHAN e demais entidades de proteção ao patrimônio&#8221;, em dezembro de 2025. Segundo a empresa, a prática do BMX segue na Jaqueira com a de pump track e o alto rendimento passou para o Parque Santana, requalificado. A empresa também afirma que o regulamento não restringe o direito de reunião, apenas tem o objetivo de &#8220;compatibilizar o uso&#8221;. A nota completa está ao final desta reportagem.<br><br>A peça do MPPE registra os episódios de outro modo. O acordo de agosto de 2025 é descrito na ação como um compromisso condicionado: modificações na pista só ocorreriam depois de concluídas as obras do Santana e obtido o licenciamento da Sedul. E o que a ação atribui ao IPHAN é um parecer que aprovou apenas o projeto executivo da pump track, exigindo pareceres distintos para as demais etapas. Já a manifestação de dezembro de 2025 partiu do colegiado técnico dos órgãos municipais de preservação, que considerou a demolição &#8220;passível de aprovação&#8221;.<br><br>A Marco Zero também procurou a Prefeitura do Recife. Em nota, a prefeitura afirmou que os questionamentos apresentados pelo MPPE serão analisados no âmbito da ação judicial.  &#8220;A Prefeitura do Recife reforça que os parques concedidos seguem sendo equipamentos públicos, gratuitos e abertos a toda a população. A concessão não transfere a propriedade dos parques, que continuam pertencendo ao município, mas estabelece a gestão de serviços e investimentos com o objetivo de ampliar e qualificar a infraestrutura desses espaços. A execução do contrato seguirá sendo acompanhada e fiscalizada pela Prefeitura, sempre em conformidade com a legislação, o interesse público e os compromissos assumidos na concessão&#8221;, diz o restante da nota.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Confira as respostas da Viva Parques</span>

	    <p><strong>A empresa já foi citada na ação?</strong><br />
A concessionária ainda não foi formalmente citada na ação.</p>
<p><strong>O MPPE pede que a pista de bicicross seja reconstruída com as mesmas funções que tinha e que fique proibida qualquer estrutura de consumo pago na área. Qual a posição da concessionária?</strong><br />
Em relação à antiga pista de BMX da Jaqueira, que ficava no espaço mais antropizado do Parque, a Viva esclarece que as intervenções realizadas na área envolvem a construção de uma série de equipamentos e atividades antes inexistentes no Parque, como anfiteatro, quadras esportivas, ofertas gastronômicas, novos banheiros, e decorreram de um processo de mais de um ano de diálogo e formalização, que incluiu acordo firmado, em agosto de 2025, perante o Ministério Público, com a Federação Pernambucana de BMX (FPEBMX) e a Federação Pernambucana de Ciclismo, aval técnico e formal do IPHAN e demais entidades de proteção ao patrimônio, em dezembro de 2025.</p>
<p>A prática do BMX permanece sendo realizada no Parque da Jaqueira com a nova pista de PumpTrack inaugurada, já a prática de alto rendimento está a apenas 1,5km, no Parque Santana, que recebeu uma pista completamente requalificada em padrão nacional de competição, incorporando inclusive ajustes técnicos sugeridos pelos próprios atletas. Só neste último final de semana, mais de 50 crianças e adolescentes participaram da 2ª Etapa da Copa Santana de Bicicross.</p>
<p>Ainda na Jaqueira, com a pista do pumptrack, foram ampliadas as possibilidades de uso por diferentes modalidades, como cadeirantes, skatistas, patins, e diferentes faixas etárias, o que antes não era possível com o Bicicross. Todas as intervenções seguiram as diretrizes previstas no contrato de concessão e foram executadas com a anuência dos órgãos competentes.</p>
<p><strong>O MPPE pede que fique proibida qualquer cobrança de ingresso, taxa ou consumação mínima em todas as áreas do Parque da Jaqueira, inclusive durante eventos. Se a Justiça acolher esse pedido, isso inviabiliza o contrato de concessão?</strong><br />
Sobre o pedido relacionado à cobrança de ingressos, taxas ou consumação mínima, a Viva reforça que o acesso ao Parque da Jaqueira (e os demais parques) permanece gratuito para toda a população. A discussão judicial refere-se à realização de eventos nos termos previstos no contrato de concessão, em que a Viva reitera que o contrato segue em execução regular e a segurança jurídica da relação decorre exatamente da manutenção da higidez contratual.</p>
<p><strong>A ação pede a nulidade do regulamento de uso dos parques, em especial do artigo que condiciona manifestações públicas e cultos à autorização da Viva Parques. Como a empresa responde?</strong><br />
O regulamento não tem como objetivo restringir nenhum direito do cidadão, muito menos ao de reunião, mas tem como objetivo compatibilizar o uso público dos parques com a segurança dos frequentadores, a preservação do patrimônio e a adequada convivência entre as diversas atividades realizadas nesses espaços.</p>
<p>Naturalmente, todos os temas serão amplamente discutidos no âmbito do processo judicial. A Viva reitera seu posicionamento de abertura ao diálogo e se coloca à inteira disposição para tratar de todos os temas inerentes às Concessões.</p>
    </div>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/parque-da-jaqueira-mppe-processa-prefeitura-viva-parques/">MPPE processa Prefeitura e Viva Parques por irregularidades no Parque da Jaqueira</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/parque-da-jaqueira-mppe-processa-prefeitura-viva-parques/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar</title>
		<link>https://marcozero.org/liderancas-comunitarias-e-evangelicas-se-unem-para-protestar-por-transparencia-do-promorar/</link>
					<comments>https://marcozero.org/liderancas-comunitarias-e-evangelicas-se-unem-para-protestar-por-transparencia-do-promorar/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 22:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>
		<category><![CDATA[rio Tejipió]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76300</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/liderancas-comunitarias-e-evangelicas-se-unem-para-protestar-por-transparencia-do-promorar/">Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura de uma Carta Manifesto e coleta de testemunhos de moradores sobre os impactos do Projeto ProMorar/BID na Bacia do Rio Tejipió.</p>



<p>O documento, que será apresentado às autoridades municipais, ao Judiciário e a organismos internacionais como Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), denuncia a falta de transparência do escritório social responsável por fazer a ligação entre a Prefeitura do Recife e as comunidades atendidas pelo programa. Além disso, também há queixas referentes aos riscos à saúde provocados pelas enchentes recorrentes e a ineficiência das obras de dragagem nas imediações da comunidade do Barro, realizadas em 2024.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Trecho da Carta Manifesto</span>

		<p>&#8220;As comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, por meio das entidades acima citadas, vêm reivindicar publicamente informações claras, transparentes e prévias sobre o andamento do PROMORAR em seus territórios; a garantia de participação efetiva nos processos de deliberação sobre os projetos; a comunicação antecipada acerca de eventuais reassentamentos das famílias que poderão ser impactadas; a apresentação de propostas de moradia adequada para essas famílias; a regularização fundiária dessas localidades; e, sobretudo, a implementação de soluções que ponham fim às inundações e aos alagamentos que, de forma recorrente, impõem perdas materiais, comprometem a saúde física e mental e que violam o direito à vida digna das moradoras e dos moradores&#8221;.</p>
	</div>



<p>Entre as reivindicações estão a garantia de permanência das famílias no território, reassentamento apenas após a entrega das novas unidades habitacionais, indenizações justas de no mínimo R$ 85 mil e obras estruturantes contra alagamentos. O movimento também exige maior participação feminina nos processos decisórios e formativos, ao criticar a superficialidade das ações voltadas às mulheres ao citar as oficinas de estética e autocuidado oferecidas pelo programa.</p>



<p>O evento contará com a presença de entidades como Instituto Solidare, Instituto Transformar, Cendhec, MNDH/PE, Nós na Criação e Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte), além de lideranças religiosas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-212x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-722x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-722x1024.jpeg" alt="A imagem de um cartaz que traz uma mensagem direta e mobilizadora: “Até quando vamos sofrer com as inundações? É hora de agir!”. Ele convoca moradores cansados de perder móveis, ver suas casas alagadas e viver com medo sempre que chove a se unir ao Movimento Gota D’Água. O ato está marcado para sábado, 25 de julho, com concentração às 6h da manhã no Marco Zero, em Recife. Haverá ônibus saindo das comunidades às 4h30, e o texto encerra com o chamado: “Sua presença pode mudar essa história”." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/liderancas-comunitarias-e-evangelicas-se-unem-para-protestar-por-transparencia-do-promorar/">Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/liderancas-comunitarias-e-evangelicas-se-unem-para-protestar-por-transparencia-do-promorar/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mansão Harley Lundgren: prefeitura mudou cálculo para viabilizar prédios em jardim preservado</title>
		<link>https://marcozero.org/mansao-harley-lundgren-torres-area-verde/</link>
					<comments>https://marcozero.org/mansao-harley-lundgren-torres-area-verde/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 18:56:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[anita harley]]></category>
		<category><![CDATA[cdu]]></category>
		<category><![CDATA[harley lundgren]]></category>
		<category><![CDATA[ipav]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76229</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Prefeitura do Recife aceitou alterar o cadastro de área verde da Mansão Harley Lundgren, na Zona Norte, a pedido da construtora que vai erguer três torres de 19 andares nos jardins do casarão. O processo ainda está em tramitação, mas a versão atualizada do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) informa que o pedido [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/mansao-harley-lundgren-torres-area-verde/">Mansão Harley Lundgren: prefeitura mudou cálculo para viabilizar prédios em jardim preservado</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Prefeitura do Recife aceitou alterar o cadastro de área verde da Mansão Harley Lundgren, na Zona Norte, a pedido da construtora que vai erguer três torres de 19 andares nos jardins do casarão. O processo ainda está em tramitação, mas a versão atualizada do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) informa que o pedido de revisão foi deferido e que a licença prévia ambiental já foi emitida. Por ser um Imóvel de Proteção de Área Verde (IPAV), o terreno é obrigado por lei a manter pelo menos 70% da área verde cadastrada. Segundo a prefeitura, o mínimo será cumprido. Mas só é alcançado porque houve mudança na forma como foi feito o cálculo da área verde.</p>



<p>Entre os bairros da Tamarineira e Parnamirim, a antiga moradia da família Lundgren – fundadora das Casas Pernambucanas e tema da série do Globoplay <em>O Testamento: O Segredo de Anita Harley</em> – tem duas proteções: uma, desde 1997, é de IPAV, que protege a vegetação do local, que possui <a href="https://marcozero.org/tres-predios-de-19-andares-serao-construidos-no-jardim-da-mansao-harley-lundgren/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">43 espécies catalogadas</a>. Outra proteção, aplicada na reunião de 2 de julho do Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) em que foi aprovada a viabilidade dos três prédios, é a de Imóvel Especial de Preservação (IEP), uma classificação municipal que impede a derrubada do casarão.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/tres-predios-de-19-andares-serao-construidos-no-jardim-da-mansao-harley-lundgren/" class="titulo">Três prédios de 19 andares serão construídos no jardim da Mansão Harley Lundgren</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Toda a discussão sobre o imóvel nesta reportagem gira em torno de dois parâmetros: quanto de área verde o terreno tem cadastrado e quanto dela o projeto preserva. A construtora pediu a redução do primeiro, de acordo com o EIV, documento público disponível no site de licenciamento da prefeitura. O segundo número depende de uma escolha metodológica: se conta como área verde apenas o que está em solo natural ou também a copa das árvores que se projeta sobre áreas pavimentadas.</p>



<p>Os documentos do processo de licenciamento, do CDU e da nota da prefeitura para a Marco Zero apresentam valores diferentes para as duas coisas.</p>



<p>O projeto dos prédios é da construtora OR Empreendimentos – vinculada ao grupo Novonor, antiga Odebrecht – e prevê investimentos vultosos de R$ 500 milhões. O cronograma é de 44 meses para a construção de três torres de 60 metros de altura e um estacionamento em três níveis com 362 vagas de garagem. Os 85 apartamentos do projeto são de alto padrão, entre 297 m² e 370 m².</p>



<h2 class="wp-block-heading">A sombra das árvores conta como área verde?</h2>



<p>Dos três EIVs apresentados pela construtora, os dois primeiros trazem uma seção específica que solicita à prefeitura redução da área verde cadastrada de 9.783,30 m² (dado de 1997) para 9.371,18 m² — o que representa 435 m² a menos em relação ao cadastro atualizado em 2013, com vistoria em 2016, e que tem 9.806,39 m² de área verde. O estudo foi elaborado pela EKOA Engenharia, consultoria de Salvador contratada pela OR. O argumento da consultoria é que o cadastro mais recente teria contado como área verde trechos pavimentados que estavam cobertos pela copa das árvores.</p>



<p>Refazendo o cálculo &#8220;sem sobreposição da copa&#8221;, a consultoria chega a uma área verde menor: pela conta dela, a área verde do IPAV é a soma do solo natural (8.545,21 m²) com uma parcela da copa das árvores que se projeta para além dele, chegando a 9.371,18 m². O estudo informa a copa total das árvores, de 7.853,85 m², mas não detalha quanto dela foi efetivamente computado como &#8220;excedente&#8221;, nem como esse cálculo foi feito.</p>



<p>Comparando com o cadastro de IPAV mais atualizado, a redução pedida nos primeiros documentos é de 435 m². O EIV, porém, fala em 412 m², porque compara com o primeiro registro, de 1997. Em nota para a MZ, a Prefeitura do Recife também usa o número de 1997.</p>



<p>Reduzir a área cadastrada reduz também o piso legal: o mínimo a preservar cairia de 6.864 m² para 6.560 m². O primeiro pedido de alteração da área verde teria sido indeferido pela prefeitura. O EIV mais recente, de 12 de junho, afirma que a prefeitura &#8220;reconsiderou o entendimento anteriormente apresentado&#8221; e que &#8220;foi reconhecida a adequação da metodologia proposta para o caso específico&#8221;.</p>



<p>Já o parecer aprovado pelo CDU reproduz a ficha cadastral com os 9.806,39 m² — o número maior, mais atualizado — e declara o projeto em conformidade com o IPAV, sem mencionar em nenhum trecho que o EIV pediu a redução desse número.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/plantaharleylundgren-300x188.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/plantaharleylundgren-1024x640.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/plantaharleylundgren-1024x640.png" alt="A imagem apresenta uma planta arquitetônica de implantação, mostrando a disposição dos edifícios em blocos, áreas verdes com árvores preservadas, uma piscina central com espaços de lazer, além de vias e estacionamentos que organizam a circulação de veículos e pedestres; no canto inferior direito há um quadro técnico com informações do projeto e da equipe responsável, compondo uma visão geral de como o conjunto se integra ao terreno." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A Marco Zero submeteu a planta do empreendimento, assinada pelo escritório Metro Arquitetura, a uma medição digital via Python que calculou, dentro dos limites do lote, o que o desenho representa como área verde e o que representa como construção e pavimento. A medição tem margem de cerca de três pontos percentuais.</p>
<p>O resultado: 55,7% do terreno aparecem como verde – sendo 38,9 pontos de copas de árvores e 16,8 de grama e canteiro – contra 44,3% de área construída ou pavimentada. É praticamente o que o próprio quadro de áreas declara: 6.151,20 m² de solo natural mais 130,15 m² de solo permeável equivalem a 55,69% do lote. O verde desenhado na planta do projeto da construtora equivale a aproximadamente 64% da área verde cadastrada, abaixo do mínimo legal.</p>
        </div>
    </div>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Por sua vez, a Prefeitura do Recife, em nota para a Marco Zero, afirmou que o projeto preserva 72,74% da área verde, 7.116,82 m², com base no cadastro de 9.783,30 m². A Prefeitura do Recife não detalhou como compôs o número, que supera em cerca de mil metros quadrados o solo natural declarado no projeto arquitetônico.</p>



<p>No EIV, a nova metodologia proposta para a área verde do imóvel diz somar ao solo natural &#8220;a projeção excedente da copa das árvores&#8221;, sem citar a norma que estabeleceria esse critério.</p>



<p>Ou seja, o estudo do empreendedor usa o argumento da copa das árvores nas duas direções: quando pede a redução do cadastro, sustenta que a projeção da copa não pode se sobrepor a áreas impermeáveis no cálculo; para chegar ao número que propõe, soma ao solo natural justamente a copa que se projeta para fora dele. Vale ressaltar que a Lei 16.176/1996, que criou a categoria IPAV, define área verde como &#8220;toda área de domínio público ou privado, em solo natural, onde predomina qualquer forma de vegetação&#8221;.</p>



<p>Como a Marco Zero não teve acesso à licença prévia ambiental nem ao Parecer Técnico SLAUP nº 20/2026, não é possível saber o que exatamente a prefeitura deferiu: se a redução da área cadastrada, se a metodologia que soma ao solo natural a copa das árvores projetada sobre áreas pavimentadas, ou ambas.</p>



<p>O certo é que os números na nota da Prefeitura do Recife não batem com o que está apresentado no EIV mais recente. O EIV descreve como &#8220;grande área verde a ser preservada&#8221; uma superfície de 5.740,68 m², o equivalente a 58,7% da área cadastrada em 1997. É o mesmo valor que, no quadro de parâmetros do estudo, aparece na linha de solo natural.</p>



<p>Em nota, a prefeitura afirmou que o projeto ainda será analisado “pelos órgãos municipais competentes e deverá atender integralmente à legislação urbanística, edilícia, ambiental, patrimonial e de acessibilidade, bem como às exigências específicas decorrentes da classificação do imóvel como IPAV e IEP”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual a área verde da Mansão Harley Lundgren?</strong></h2>



<figure class="wp-block-table is-style-stripes" style="font-style:normal;font-weight:400"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><th><strong>Fonte</strong></th><th><strong>Área verde</strong></th><th class="has-text-align-left" data-align="left"><strong>O que representa</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td>Cadastro de 1997</td><td>9.783,30 m²</td><td class="has-text-align-left" data-align="left">Registro original do IPAV 45</td></tr><tr><td>Cadastro de 2013</td><td>9.806,39 m²</td><td class="has-text-align-left" data-align="left">Atualização da SMAS; consta da ficha reproduzida no parecer do CDU</td></tr><tr><td>Nota da Prefeitura (2026)</td><td>9.783,30 m²</td><td class="has-text-align-left" data-align="left">Base usada para calcular os 72,74% preservados</td></tr><tr><td>Pedido do empreendedor (EIV)</td><td>9.371,18 m²</td><td class="has-text-align-left" data-align="left">Redução que a consultoria da OR solicitou à prefeitura<br></td></tr></tbody></table></figure>



<h3 class="wp-block-heading">Projeto usa 99,88% do potencial construtivo do terreno</h3>



<p>O quadro de parâmetros do Estudo de Impacto de Vizinhança também mostra que o projeto está encostando no limite construtivo permitido pelo zoneamento. O coeficiente de aproveitamento máximo permitido no local é de 3,5; o empreendimento apresenta 3,495. Em área, isso significa que o teto legal de construção no lote é de 39.477,52 m² e o projeto ocupa 39.430,69 m². Sobram apenas 46,83 m² de potencial construtivo não utilizado, ou 0,12% do total.</p>



<p>Os documentos públicos analisados pela Marco Zero não mostram como seria feita a construção dessas três torres sem que seja necessária a retirada de árvores para a passagem de máquinas de grande porte e caminhões pelo terreno. Como o projeto se encontra próximo, ou talvez abaixo do mínimo exigido pelo IPAV, qualquer árvore retirada para manobra de veículos durante a construção pode deixar a situação da área verde do imóvel ainda mais complicada.</p>



<p>No EIV, está escrito que será feito o plantio de 90 árvores como compensação em dobro pelas árvores que serão retiradas, o que corresponde ao corte de 45 árvores. O plantio será na área do empreendimento e na via pública adjacente, segundo o estudo. Árvores que, se bem cuidadas, demorarão décadas para terem copas tão frondosas quanto as que estão hoje no imóvel.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/mansaoharleylundgren-300x169.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/mansaoharleylundgren-1024x576.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/mansaoharleylundgren-1024x576.jpeg" alt="Vista aérea da Mansão Harley Lundgren cercada de árvores na Rua Padre Roma, entre prédios da Zona Norte do Recife" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mansão onde morou a família Harley Lundgren fica entre os bairros da Tamarineira e Parnamirim
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Como foi a reunião do CDU que aprovou as torres</strong></h3>



<p>A Marco Zero teve acesso à ata da reunião do Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) que aprovou a viabilidade do projeto de três edifícios nos jardins preservados da Mansão Harley Lundgren. Foi uma reunião online, indo das 9h10 às 13h06 do dia 2 de julho. O projeto no terreno do casarão da rua Padre Roma era o último assunto de uma pauta com quatro itens. Antes de chegar a ele, o presidente do conselho e secretário de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, Felipe Martins Matos, deixou a sessão. Ele informou que tinha reunião marcada com um ministro de Estado e passou a condução à suplente, Taciana Sotto-Mayor, secretária executiva de Licenciamento.</p>



<p>Foi ela quem propôs inverter a ordem da pauta, com a classificação do casarão como Imóvel Especial de Preservação sendo votada antes da viabilidade das três torres. A justificativa registrada em ata é que a sequência tornaria a discussão &#8220;mais clara e coerente&#8221;, permitindo ao conselho deliberar primeiro sobre a preservação do casarão e, em seguida, sobre &#8220;a implantação do empreendimento no restante do terreno&#8221;. Não houve objeções. A preservação municipal foi aprovada por 20 votos, sem nenhum contrário.</p>



<p>Na sequência, o arquiteto João Domingos apresentou o projeto das torres. Disse que o terreno tem aproximadamente 11 mil m², que é classificado como IPAV e que passaria a ser também IEP. Afirmou que o empreendimento &#8220;atende aos parâmetros urbanísticos previstos na legislação, destacando a preservação de área de solo natural superior ao mínimo exigido&#8221;. Não apresentou números.</p>



<p>Em seguida, o conselheiro relator Roberto Lemos Muniz foi convidado a falar, mas a presidente em exercício pediu que ele resumisse o parecer em vez de lê-lo integralmente, &#8220;considerando o adiantado da hora e a saída de alguns participantes da reunião&#8221;. Muniz aceitou. Ao resumir, disse que o projeto &#8220;deverá manter, no mínimo, 70% da área verde cadastrada&#8221;. Também não apresentou números.</p>



<p>Durante a reunião do CDU, a conselheira Circe Monteiro, representante do Mestrado de Desenvolvimento Urbano da UFPE, pediu esclarecimento sobre a área de solo permeável do empreendimento, apontando &#8220;possível equívoco material&#8221; e observando que a tabela exibida na apresentação indicava valor &#8220;zero&#8221;. O arquiteto João Domingos respondeu que o zero &#8220;decorreu da forma de apresentação da tabela, não significando ausência de soluções de permeabilidade&#8221;, e repetiu que o projeto prevê solo natural acima do mínimo exigido, além de &#8220;pavimentos drenantes e outros sistemas permeáveis&#8221;, sem informar nenhum número.</p>



<p>Em nenhum momento da reunião — nem na apresentação do empreendimento, nem no resumo do parecer, nem nas respostas aos conselheiros — se disse quantos metros quadrados do terreno serão pavimentados, quanto de área verde restará depois das obras ou quantas árvores serão retiradas. Tampouco foi mencionado que o Estudo de Impacto de Vizinhança pediu à prefeitura para reduzir a área verde cadastrada do imóvel.</p>



<p>Ao responder outra pergunta de Circe Monteiro, o arquiteto informou que a licença prévia ambiental do empreendimento já havia sido emitida. A votação seguiu sem mais debate. A viabilidade das três torres foi aprovada também por unanimidade. Em nota à MZ, a prefeitura afirmou que a ata ainda precisa ser aprovada na reunião seguinte do conselho antes de ser publicada no <a href="https://licenciamentounificado.recife.pe.gov.br/atas-entidade-cdu" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Portal de Licenciamento Unificado</a>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Pesquisadores veem perda de paisagem na Zona Norte</strong></h3>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="576" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/harleylundgrenmansao-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-76273 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/harleylundgrenmansao-576x1024.jpeg 576w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/harleylundgrenmansao-169x300.jpeg 169w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/harleylundgrenmansao-150x267.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/harleylundgrenmansao.jpeg 720w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O arquiteto e urbanista Davi Valentim, doutorando em patrimônio no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), estranha a classificação do casarão como um IEP justo agora, uma vez que no ano passado houve uma grande atualização da lista de IEPs com a nova lei urbanística do Recife. E o casarão, na época, ficou de fora da lista de imóveis protegidos.</p>



<p>&#8220;Acredito que, por um lado, exista uma postura do campo do patrimônio de tentar usar o tombamento para proteger o imóvel, já com ciência de alguma especulação imobiliária, para segurar uma demolição&#8221;, diz. &#8220;Mas, a julgar pelo comportamento de troca entre a Prefeitura do Recife e o mercado imobiliário, também parece que isso pode ter sido um movimento para garantir a execução desse tipo de projeto&#8221;, afirma.</p>
</div></div>



<p>O geógrafo Ítalo Soeiro, doutor em Desenvolvimento Urbano pelo MDU da UFPE e pesquisador do Laboratório da Paisagem (UFPE), analisa que o futuro empreendimento reúne três camadas de valorização: o verde como ativo imobiliário, o casarão como ativo simbólico, e o espetáculo midiático como valor de marketing, se referindo à série sobre a herdeira das Casas Pernambucanas.</p>



<p>&#8220;O elemento do patrimônio, da memória, é muito utilizado como produção de valor para o empreendimento imobiliário. Há muito tempo o pensamento urbano deixou de entender o patrimônio e as patrimonializações como um processo contraditório com a produção de valor. A professora Norma Lacerda e outros que estudam mercado imobiliário mostram que a patrimonialização também é interessante em alguma medida para o mercado imobiliário”, afirmou Ítalo Soeiro em entrevista para a MZ.<br><br>Para Soeiro, é um caso que mostra que os IPAVs, de maneira geral, estão ameaçados. &#8220;Vende-se a lógica da preservação. Claro que é uma preservação numa lógica privada, fetichizada, que é vendida no próprio nome dos empreendimentos: Jardim não sei o quê, Bosque não sei o quê”, exemplifica.<br><br>Ainda que o novo empreendimento preserve os 70% de área verde, há impactos que não estão sendo contabilizados. “A patrimonialização não garante que o impacto desse empreendimento vá ser controlado, porque ele tem um impacto severo. Impacto na percepção, no acesso, e também na perda dessa massa verde, sobretudo no contexto da Zona Norte, que já está bem adensada”, critica Soeiro.<br><br>“A paisagem é argumento de proteção tanto do IPAV quanto do IEP. E vamos ter, na verdade, uma mudança significativa da paisagem: três torres de 19 pavimentos&#8221;, reforça Davi Valentim. &#8220;O que é diferente nesse caso específico é que estamos falando de um IEP com um IPAV. Não estamos querendo proteger só uma casa. É uma casa eclética, mas é também uma vegetação, é uma paisagem. E está numa zona que, no zoneamento da prefeitura, é considerada zona de desenvolvimento sustentável, de beira de rio. Pela própria lei, isso deveria ser importante”, afirma o urbanista.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Proteção pública, uso privado</strong></h3>



<p>Os dois pesquisadores ouvidos pela Marco Zero criticam que um imóvel com duas preservações siga sendo de uso de uma parte ínfima da população recifense. O condomínio prevê 629 moradores. &#8220;Era um jardim privado de famílias abastadas. Nesse sentido, o imóvel vai manter sua origem patrimonial de jardim privado”, critica Ítalo Soeiro.</p>



<p>&#8220;É muito comum aqui no Recife ter um IEP como salão de festa de prédio de rico. É como se fosse uma contrapartida, já que não há quase nada de contrapartida nesses empreendimentos. Mas o que eles usam como suposto argumento de contrapartida é, na verdade, o que já deveria estar incluído no projeto” , diz Davi Valentim.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/mansaoharleylundgrenrecife-300x163.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/mansaoharleylundgrenrecife-1024x557.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/mansaoharleylundgrenrecife-1024x557.png" alt="Fachada do casarão da Mansão Harley Lundgren, classificado como Imóvel Especial de Preservação pelo Recife" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Foto do casarão, agora protegido, incluída no EIV
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>&#8220;O propósito de um patrimônio é que ele seja de acesso público. Aquela casa é privada, sim, mas está ali representando um contexto histórico, uma vegetação, algo significativo para a cidade. Se você olhar as imagens de cima, o buraco verde que é aquele lugar num território já cheio de prédio é um resquício de algo que é histórico para o Recife&#8221;, analisa Valentim.</p>



<p>O urbanista lembra que nem todo imóvel tombado precisa virar museu. Há outras formas de uso, como prédios para órgãos públicos e instituições. Ele cita o Pavilhão de Óbitos, anexo da antiga Faculdade de Medicina, que tem um tombamento estadual e hoje é ocupado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PE). &#8220;O adequado para o imóvel da rua Padre Roma seria uma apropriação disso para uso público. O uso residencial é o pior que se pode colocar ali”, critica.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Nota da Prefeitura do Recife</span>

	    <p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (Sedul), informa que o Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) aprovou, em reunião realizada em 2 de julho de 2026, a Viabilidade de Empreendimento de Impacto (VEI) do empreendimento e a classificação do casarão existente no imóvel como Imóvel Especial de Preservação (IEP). As propostas foram aprovadas por unanimidade pelos 21 conselheiros presentes.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O imóvel é classificado como Imóvel de Proteção de Área Verde (IPAV) e, por isso, deve preservar, no mínimo, 70% da área verde cadastrada, conforme a Lei Municipal nº 18.014/2014, que instituiu o Sistema Municipal de Unidades Protegidas (SMUP). A área verde cadastrada é de 9.783,30 m², o que exige a preservação de, pelo menos, 6.848,31 m². O projeto prevê a manutenção de 7.116,82 m² de área verde, equivalente a 72,74% da área cadastrada, percentual superior ao mínimo exigido em lei.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">É importante esclarecer que a aprovação da VEI não autoriza o início das obras nem representa a aprovação do projeto. Trata-se de uma etapa preliminar do licenciamento, na qual são avaliadas a viabilidade urbanística do empreendimento e definidas as condicionantes e medidas mitigadoras que deverão ser cumpridas nas fases seguintes.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Entre as condicionantes aprovadas pelo CDU estão a elaboração e execução de um Plano de Circulação e Acessibilidade (PCA), com requalificação de calçadas, arborização, iluminação, travessias, sinalização e melhorias na infraestrutura cicloviária; o recuo do alinhamento do terreno, com ampliação da calçada e tratamento do fechamento frontal para permitir a visualização do casarão preservado e da área verde a partir da via pública; a apresentação de estudo de adaptação climática com soluções voltadas à redução das ilhas de calor na área de influência do empreendimento; e a adequação do projeto às exigências decorrentes da classificação do imóvel como IEP, assegurando a preservação e a restauração do casarão.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Após a aprovação da VEI, o empreendedor deverá protocolar na Prefeitura do Recife o projeto de reforma com acréscimo de área, contemplando a preservação do casarão classificado como Imóvel Especial de Preservação (IEP). Nessa fase, o projeto será analisado pelos órgãos municipais competentes e deverá atender integralmente à legislação urbanística, edilícia, ambiental, patrimonial e de acessibilidade, bem como às exigências específicas decorrentes da classificação do imóvel como IPAV e IEP.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Somente após a aprovação desse projeto será possível solicitar o Alvará de Construção, documento que autoriza o início das obras. Após a conclusão da obra, o empreendimento ainda deverá obter o Alvará de Habite-se/Aceite-se, emitido somente após vistoria que comprove a execução em conformidade com o projeto aprovado, o atendimento das exigências legais e o cumprimento das condicionantes e medidas mitigadoras estabelecidas no licenciamento </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por fim, a Prefeitura informa que a ata da reunião do CDU ainda será submetida à aprovação na reunião subsequente do Conselho. Após essa etapa, o documento será publicado no Portal de Licenciamento Unificado e ficará disponível para a população.</span></p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/mansao-harley-lundgren-torres-area-verde/">Mansão Harley Lundgren: prefeitura mudou cálculo para viabilizar prédios em jardim preservado</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/mansao-harley-lundgren-torres-area-verde/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mostra de arte sobre a luta pelo direito ao aborto recebe inscrições até 26 de julho</title>
		<link>https://marcozero.org/mostra-de-arte-sobre-a-luta-pelo-direito-ao-aborto-recebe-inscricoes-ate-26-de-julho/</link>
					<comments>https://marcozero.org/mostra-de-arte-sobre-a-luta-pelo-direito-ao-aborto-recebe-inscricoes-ate-26-de-julho/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 19:56:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
		<category><![CDATA[campanha]]></category>
		<category><![CDATA[Nem presa nem morta]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76234</guid>

					<description><![CDATA[<p>Está aberta até o próximo domingo, 26 de julho, a chamada para a arruda.expo, mostra que reunirá obras sobre a memória, o presente e os futuros da luta pelo direito ao aborto. A iniciativa faz parte da programação que celebra os oito anos de atuação da campanha Nem Presa Nem Morta. A chamada é gratuita [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/mostra-de-arte-sobre-a-luta-pelo-direito-ao-aborto-recebe-inscricoes-ate-26-de-julho/">Mostra de arte sobre a luta pelo direito ao aborto recebe inscrições até 26 de julho</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Está aberta até o próximo domingo, 26 de julho, a chamada para a <a href="https://nempresanemmorta.org/2026/07/chamada-aberta-para-a-arruda-expo/">arruda.expo</a>, mostra que reunirá obras sobre a memória, o presente e os futuros da luta pelo direito ao aborto. A iniciativa faz parte da programação que celebra os oito anos de atuação da campanha <a href="https://nempresanemmorta.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nem Presa Nem Morta</a>.</p>



<p>A chamada é gratuita e aceita inscrições de artistas, ativistas e militantes do Brasil e de outros países. São aceitas fotografias, ilustrações, desenhos, colagens, técnicas mistas, bordados, artes têxteis, peças de design gráfico, composições tipográficas e outras produções bidimensionais. As obras podem ser inéditas ou já existentes, desde que possam ser digitalizadas em alta resolução e reproduzidas em formato de cartaz.</p>



<p>A seleção considerará a potência da mensagem, a qualidade artística e a pertinência da justificativa de participação. A participação de artistas de diferentes territórios e países é incentivada.</p>



<p>Criada em 2018, durante o Festival Pela Vida das Mulheres, em Brasília, a Nem Presa Nem Morta surgiu como uma articulação de comunicação feminista para acompanhar a audiência pública da ADPF 442 no Supremo Tribunal Federal e ampliar o debate social sobre aborto no país. Desde então, atua na produção de informação qualificada, no enfrentamento aos estigmas, na incidência política e na articulação de organizações e movimentos em defesa da descriminalização e legalização do aborto.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;A arte abre diálogos onde o estigma tenta impor silêncio. A arruda.expo nasce do compromisso de transformar memória em mobilização, ampliar o repertório visual sobre a luta pelo direito ao aborto e aproximar mais pessoas desse debate&#8221;, afirma Bibiana Serpa, assessora estratégica e pedagógica da campanha.</p>
</blockquote>



<p>A abertura da exposição acontece presencialmente no Rio de Janeiro, em setembro, mês em que é celebrado no Dia de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto na América Latina e no Caribe (28 de setembro).</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Serviço</span>

	    <p align="justify"><b>arruda.expo </b>(chamada aberta para artistas)</p>
<p align="justify"><strong>Inscrições:</strong> gratuitas, até 26 de julho de 2026</p>
<p align="justify"><b>Informações e inscrições: </b><a href="https://nempresanemmorta.org/2026/07/chamada-aberta-para-a-arruda-expo/"><span style="color: #1155cc;"><u>https://nempresanemmorta.org/2026/07/chamada-aberta-para-a-arruda-expo/</u></span></a></p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/mostra-de-arte-sobre-a-luta-pelo-direito-ao-aborto-recebe-inscricoes-ate-26-de-julho/">Mostra de arte sobre a luta pelo direito ao aborto recebe inscrições até 26 de julho</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/mostra-de-arte-sobre-a-luta-pelo-direito-ao-aborto-recebe-inscricoes-ate-26-de-julho/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Três prédios de 19 andares serão construídos no jardim da Mansão Harley Lundgren</title>
		<link>https://marcozero.org/tres-predios-de-19-andares-serao-construidos-no-jardim-da-mansao-harley-lundgren/</link>
					<comments>https://marcozero.org/tres-predios-de-19-andares-serao-construidos-no-jardim-da-mansao-harley-lundgren/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 21:16:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[lundgren]]></category>
		<category><![CDATA[mansão]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Imobiliário]]></category>
		<category><![CDATA[prédios]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76195</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Mansão Harley Lundgren, entre os bairros da Tamarineira e Parnamirim, na Zona Norte do Recife, é uma construção imponente rodeada por mangueiras, flamboyants e pau-brasil. É por conta dessa exuberante vegetação que o imóvel é classificado pela Prefeitura do Recife como Imóvel de Proteção de Área Verde (IPAV), o que exige a manutenção de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/tres-predios-de-19-andares-serao-construidos-no-jardim-da-mansao-harley-lundgren/">Três prédios de 19 andares serão construídos no jardim da Mansão Harley Lundgren</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Mansão Harley Lundgren, entre os bairros da Tamarineira e Parnamirim, na Zona Norte do Recife, é uma construção imponente rodeada por mangueiras, flamboyants e pau-brasil. É por conta dessa exuberante vegetação que o imóvel é classificado pela Prefeitura do Recife como Imóvel de Proteção de Área Verde (IPAV), o que exige a manutenção de no mínimo 70% da sua área verde cadastrada. No dia 2 de julho, porém, o Conselho de Desenvolvimento Urbano do Recife (CDU) aprovou a viabilidade para a construção de três prédios de 19 pavimentos e quase 40 mil m² de área construída nos jardins da mansão – a mesma que ganhou repercussão nacional com o documentário <em>O Testamento: O Segredo de Anita Harley</em>, do Globoplay. Serão 85 apartamentos de alto padrão, entre 297 m² e 370 m².</p>



<p>A ata da reunião não está disponível ainda no site do CDU, mas a Marco Zero obteve acesso aos dois pareceres relacionados ao imóvel que foram aprovados. O problema é que não há, no parecer sobre a viabilidade da construção, a garantia de que o empreendimento imobiliário irá preservar 70% da vegetação hoje existente.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mansao-harley-lundgren-torres-area-verde/" class="titulo">Mansão Harley Lundgren: prefeitura mudou cálculo para viabilizar prédios em jardim preservado</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Na mesma reunião do CDU foi aprovada também a classificação do casarão como um Imóvel Especial de Preservação (IEP). Antiga residência da família Lundgren, fundadora da rede de lojas Casas Pernambucanas, o casarão é uma edificação eclética construída provavelmente nos anos 1910. O parecer da aprovação dos prédios foi feito pelo representante do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE) no CDU, o conselheiro Roberto Lemos Muniz. Já o que transforma o casarão em IEP foi relatado pela conselheira Emília Márcia Avelino, representante da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (Sedul).</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Características do empreendimento aprovado: </span>

	    <p><span style="font-weight: 400;">3 prédios, cada um com 19 pavimentos</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As torres terão aproximadamente 60 metros de altura, com 39.430,69 m² de área total construída</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">85 apartamentos de alto padrão, com áreas privativas entre 297 m² e 370 m²</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">362 vagas de estacionamento – o que dá uma média de 4,25 vagas por unidade</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Valor do investimento não foi informado no parecer</span></p>
    </div>



<p>Segundo o parecer para inclusão como IEP, o tombamento municipal surgiu por conta de um parecer técnico da Gerência Geral de Preservação do Patrimônio Cultural (DPPC) &#8220;exarado durante análise de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV)&#8221; feito pela construtora responsável pelo projeto, a OR Empreendimentos Imobiliários e Participações S.A., do Grupo Novonor, antiga Odebrecht. Ao contrário do que acontece com outros empreendimentos de impacto analisados pelo CDU, este não trouxe o valor total previsto de investimentos. O casarão, agora preservado, deverá servir como área de lazer para os moradores.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Parecer não apresenta a conta da área verde protegida</strong></h2>



<p>O terreno do casarão dos Lundgren é o IPAV de número 45. A ficha cadastral dele, reproduzida no parecer, registra área verde de 9.806,39 m² em 2013 (área verde original: 9.783,30 m²), num lote de 11.097,30 m². Setenta por cento disso são 6.864 m². O quadro de dados do Estudo de Impacto de Vizinhança, também reproduzido no parecer, declara solo natural de 5.740,68 m², ou seja, 1.124 m² a menos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Captura-de-tela-2026-07-17-154410-300x169.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Captura-de-tela-2026-07-17-154410.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Captura-de-tela-2026-07-17-154410.png" alt="A imagem mostra uma vista aérea de uma área urbana com vários prédios altos. No centro, há três edifícios residenciais destacados por uma linha vermelha tracejada, indicando uma região específica. Dentro desse perímetro, nota-se áreas verdes com árvores e uma construção menor, possivelmente uma casa ou edifício de poucos andares. Ao redor, há ruas e outros prédios altos, compondo um cenário típico de bairro verticalizado." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Projeção do futuro empreendimento incluída no parecer
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/parecer CDU</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Os dois números, contudo, não medem exatamente a mesma coisa: &#8220;solo natural&#8221; é parâmetro urbanístico e &#8220;área verde cadastrada&#8221; é levantamento ambiental, ambos definidos separadamente pela legislação municipal do Recife. Mas o parecer não apresenta nenhum outro número que permita saber se os 70% foram alcançados. Em nenhum ponto do documento aparece a área verde remanescente do projeto.</p>



<p>Ainda assim, o documento conclui que o empreendimento &#8220;apresenta conformidade com as diretrizes de uso e ocupação do solo estabelecidas para a área, incluindo a incidência de imóvel classificado como área de proteção de vegetação (IPAV), o que impõe condicionantes à ocupação, especialmente quanto à manutenção de percentual mínimo de área verde&#8221; e aponta uma posterior exigência da licença ambiental como condição para aprovação do projeto.</p>



<p>Cálculo da Marco Zero a partir dos números da ficha cadastral indica que a área verde ocupa cerca de 88% do lote: praticamente tudo o que o projeto das torres impermeabiliza sai de dentro da área de vegetação, já que o casarão, agora preservado, não pode ceder lugar às torres. O parecer não informa quantas árvores serão retiradas, nem exige qualquer compensação ambiental, plantio ou transplante pelas árvores que serão derrubadas.</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">As principais contradições do parecer</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Declara conformidade com o IPAV sem apresentar um único cálculo;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Não informa quantas árvores serão retiradas nem exige compensação ambiental, plantio ou transplante;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Conclui pela viabilidade antes da licença ambiental que verificaria o IPAV. A licença prévia é exigida como condição posterior, o que retira do colegiado e da consulta pública a aferição dos 70%;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>A única mitigação paisagística exige permeabilidade visual do muro — e ainda subtrai lote com o recuo de alinhamento, sem recalcular o saldo.</p>
            </div>
            </div>



<p>As ações mitigadoras e compensatórias exigidas pelo parecer são apenas duas: uma de mobilidade e outra de paisagem. A primeira é um Plano de Circulação e Acessibilidade, que prevê, entre outras ações, travessias elevadas e a qualificação de uma rota de pedestres que ligue o empreendimento aos parques da Tamarineira e da Jaqueira. A segunda é o recuo do alinhamento com ampliação da calçada e o tratamento do muro frontal com permeabilidade visual, &#8220;de modo a viabilizar a visualização do casarão preservado e da área verde do IPAV a partir do logradouro&#8221;.</p>



<p>Aqui vale lembrar que a nova Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo do Recife (LPUOS) criou um mecanismo pelo qual um IPAV que abra ao menos 50% da área verde cadastrada ao acesso público ganha áreas não computáveis no coeficiente de aproveitamento. Mas o projeto aprovado é um condomínio fechado e o jardim seguirá privado.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/segredo-influencia-e-manobra-a-construcao-do-colegio-gge-na-praca-do-parnamirim/" class="titulo">Segredo, influência e manobra: a construção do colégio GGE na Praça do Parnamirim</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O parecer também afirma que houve uma consulta pública sobre a construção das três torres, que ocorreu entre os dias 10 de dezembro de 2025 e 30 de abril de 2026, quase cinco meses, e que não registrou uma única manifestação. Também não houve nenhum pedido de audiência pública. O documento mostra que havia uma placa dentro do imóvel, atrás do muro, com um QR Code para o site de licenciamento da Prefeitura do Recife.</p>



<p>A Marco Zero entrou em contato com a Prefeitura do Recife para saber quais as próximas fases de licenciamento do empreendimento, o motivo das incongruências no parecer aprovado e se a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade ou a Sedul já verificaram se o empreendimento cumpre o mínimo de 70% de área verde preservada e quais árvores serão retiradas com as construções. A MZ também entrou em contato com a OR para saber qual o total de investimentos no terreno e como será feita a preservação da área verde e do casarão.  A prefeitura respondeu, mas não tivemos resposta da OR. <a href="https://marcozero.org/mansao-harley-lundgren-torres-area-verde/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma nova reportagem foi publicada sobre o assunto</a>. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A rica vegetação da Mansão Harley Lundgren</span>

		<h4>A ficha cadastral do imóvel como IPAV traz 43 espécies catalogadas nos jardins da mansão. A vistoria foi feita há dez anos, em 04 de julho de 2016, e traz as seguintes espécies:</h4>
<h4 class="text-text-100 mt-2 -mb-1 text-base font-bold">Espécies frutíferas (8)</h4>
<blockquote class="ml-2 border-l-4 border-[hsl(var(--border-300)/0.1)] pl-4 text-text-300">
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal">abacateiro (<em>Persea americana</em> Mill.), bananeira (<em>Musa</em> L.), cajá (<em>Spondias mombin</em> L.), coqueiro (<em>Cocos nucifera</em> L.), fruta-pão (<em>Artocarpus altilis</em> (Parkinson) Fosberg), mamoeiro (<em>Carica papaya</em> L.), mangueira (<em>Mangifera indica</em> L.) e noni (<em>Morinda citrifolia</em> L.)</p>
</blockquote>
<h4 class="text-text-100 mt-2 -mb-1 text-base font-bold">Espécies arbóreas (10)</h4>
<blockquote class="ml-2 border-l-4 border-[hsl(var(--border-300)/0.1)] pl-4 text-text-300">
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal">canela (<em>Cinnamomum zeylanicum</em> Blume), cassia-amarela (<em>Senna siamea</em> (Lam.) H.S. Irwin &amp; Barneby), cassia-mimosa (<em>Pithecellobium dulce</em> (Roxb.) Benth.), ficus (<em>Ficus benjamina</em> L.), flamboyant (<em>Delonix regia</em> (Bojer ex Hook.) Raf.), mussaenda-rosa (<em>Mussaenda erythrophylla</em> Schumach &amp; Thonn.), palmeira-saga (<em>Cycas circinalis</em> L.), pata-de-vaca (<em>Bauhinia monandra</em> Kurz), pau-brasil (<em>Caesalpinia echinata</em> Lam.) e pinheiro (<em>Casuarina</em> L.)</p>
</blockquote>
<h4 class="text-text-100 mt-2 -mb-1 text-base font-bold">Espécies de valor ornamental, nos canteiros (21)</h4>
<blockquote class="ml-2 border-l-4 border-[hsl(var(--border-300)/0.1)] pl-4 text-text-300">
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal">árvore-da-felicidade (<em>Polyscias guilfoylei</em> (W. Bull) L.H. Bailey), buganvile-rosa (<em>Bougainvillea glabra</em> Choisy), coleus (<em>Plectranthus scutellarioides</em> (L.) R. Br.), comigo-ninguém-pode (<em>Dieffenbachia</em> Schott), costus (<em>Costus spiralis</em> (Jacq.) Roscoe), cróton (<em>Codiaeum variegatum</em> (L.) Rumph. ex A. Juss.), dracena (<em>Dracaena fragrans</em> (L.) Ker Gawl.), dracena-tricolor (<em>Dracaena marginata</em> hort.), dracena-vermelha (<em>Cordyline terminalis</em> (L.) Kunth), espada-de-são-jorge (<em>Sansevieria trifasciata</em> Prain), gengibre-vermelho (<em>Alpinia purpurata</em> (Vieill.) K. Schum.), helicônia (<em>Heliconia</em> L.), imbê (<em>Philodendron imbe</em> Schott ex Endl.), ixoria (<em>Ixora</em> L.), jasmim-café (<em>Tabernaemontana divaricata</em> (L.) R. Br. ex Roem. &amp; Schult.), jibóia (<em>Epipremnum pinnatum</em> (L.) Engl.), lírio-da-paz-gigante (<em>Spathiphyllum cannifolium</em> (Dryand. ex Sims) Schott), líriope (<em>Liriope spicata</em> (Thunb.) Lour.), maranta-riscada (<em>Calathea ornata</em> (Lindl.) Körn.), murta-de-cheiro (<em>Murraya paniculata</em> (L.) Jack) e papoula (<em>Hibiscus rosa-sinensis</em> L.)</p>
</blockquote>
<h4 class="text-text-100 mt-2 -mb-1 text-base font-bold">Palmeiras (4)</h4>
<blockquote class="ml-2 border-l-4 border-[hsl(var(--border-300)/0.1)] pl-4 text-text-300">
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal">palmeira-areca (<em>Dypsis lutescens</em> (H. Wendl.) Beentje &amp; J. Dransf.), palmeira-imperial (<em>Roystonea oleracea</em> (Jacq.) O.F. Cook), palmeira-leque (<em>Livistona chinensis</em> (Jacq.) R. Br. ex Mart.) e palmeira-ráfis (<em>Rhapis excelsa</em> (Thunb.) A. Henry)</p>
</blockquote>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal"><strong>Total: 43 espécies</strong></p>
	</div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/tres-predios-de-19-andares-serao-construidos-no-jardim-da-mansao-harley-lundgren/">Três prédios de 19 andares serão construídos no jardim da Mansão Harley Lundgren</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/tres-predios-de-19-andares-serao-construidos-no-jardim-da-mansao-harley-lundgren/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“Meu filho de 11 anos não dorme sem remédio”, denuncia agricultor vizinho de eólica</title>
		<link>https://marcozero.org/meu-filho-de-11-anos-nao-dorme-sem-remedio-denuncia-agricultor-vizinho-de-eolica/</link>
					<comments>https://marcozero.org/meu-filho-de-11-anos-nao-dorme-sem-remedio-denuncia-agricultor-vizinho-de-eolica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 21:12:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[atingidos pelas renováveis]]></category>
		<category><![CDATA[Caetés]]></category>
		<category><![CDATA[enegia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76150</guid>

					<description><![CDATA[<p>“A felicidade do meu filho foi chegar em casa gritando ‘pai, eu consegui dormir’, quando voltou da casa de uma parente longe daqui”. O depoimento é do agricultor Walisson José da Silva, de 32 anos. O primogénito, José Heytor, tem apenas 11 anos, mas precisa tomar remédio para dormir diariamente. O barulho incessante das torres [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/meu-filho-de-11-anos-nao-dorme-sem-remedio-denuncia-agricultor-vizinho-de-eolica/">“Meu filho de 11 anos não dorme sem remédio”, denuncia agricultor vizinho de eólica</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“A felicidade do meu filho foi chegar em casa gritando ‘pai, eu consegui dormir’, quando voltou da casa de uma parente longe daqui”. O depoimento é do agricultor Walisson José da Silva, de 32 anos. O primogénito, José Heytor, tem apenas 11 anos, mas precisa tomar remédio para dormir diariamente. O barulho incessante das torres eólicas ao lado de casa, em Caetés, no agreste pernambucano, tirou o sossego também das crianças.</p>



<p>“Se a gente não dá a medicação altamente forte, nem dorme ele nem dorme a gente, ele fica delirando. Infelizmente esse é o resultado do empreendimento que trouxeram para nós”, lamenta Walisson. A caçula, Jenifer Victória, de 6 anos, também já sente os efeitos. “Eu comecei a perceber recentemente que ela está com sinais de ansiedade e de bruxismo”, relata o trabalhador rural, que teve perda auditiva por causa das turbinas, instaladas no município há mais de uma década.</p>



<p>Ainda não há pesquisas científicas que relacionem o impacto desse tipo de geração de energia na saúde infantil de Caetés, a 250 quilômetros do Recife. Mas, para os profissionais da saúde, os relatos clínicos não deixam dúvidas: a vida dos mais novos já não é mais a mesma, as mudanças atravessam o cotidiano, as formas de brincar, o sono, a sensação de segurança e a relação com o território.</p>



<p>“O que tenho visto, dando suporte médico no território, é que crianças e adolescentes desenvolveram, entre outras coisas, transtorno de ansiedade generalizado e que a síndrome da turbina eólica atingiu também essa população”, relata Maria Eduarda Valois Spencer, médica da atenção primária à saúde e professora de Medicina no Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Autarquia de Ensino Superior de Garanhuns (Aesga). Ela é colaboradora da <a href="https://marcozero.org/pesquisa-comprova-danos-a-saude-mental-de-camponeses-10-anos-apos-instalacao-de-eolicas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa</a> da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) que constatou que 68% dos camponeses de Caetés estão em sofrimento psíquico.</p>



<p>Os ruídos emitidos pelas hélices gigantes costumam gerar sintomas como dor de cabeça, zumbido e pressão nos ouvidos, náusea, tontura, taquicardia, irritabilidade, problemas de concentração e memória e episódios de pânico. A exposição às torres por tempo prolongado pode causar, além desses sintomas, distúrbios mais graves como a Síndrome da Turbina Eólica e a Doença Vibroacústica.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><strong>Síndrome da turbina eólica</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sintomas compreendem distúrbios do sono, aumento de frequência e/ou gravidade de dores de cabeça, tonturas, instabilidades, náusea, exaustão e alterações no humor, problemas de concentração e aprendizagem e zumbido nos ouvidos. Indivíduos com histórico de enxaqueca ou problemas auditivos anteriores ao contato com as eólicas e pessoas idosas são grupos mais suscetíveis.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Doença Vibroacústica</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É uma doença sistêmica causada pela exposição prolongada a ruído de grandes amplitudes (90 dB) e baixa frequência (&lt; 500Hz, incluindo os infrassons). É uma patologia com evolução lenta e que pode afetar vários órgãos e tecidos, como os sistemas nervoso e imunitário e os aparelhos cardiovascular e respiratório. Além de ser caracterizada por lesões nos tecidos ou órgãos, pode ocasionar uma série de alterações no organismo, como alterações neurológicas, endócrinas, na tensão arterial e na função respiratória.</span></p>
        </div>
    </div>



<p>“É frequente o relato de crianças que fazem uso de medicações psicotrópicas desde muito novas e que, quando vão passar férias em regiões mais distantes, onde não há usinas eólicas, as famílias já testaram não dar a medicação e as crianças conseguiram viver e dormir melhor”, atesta Maria Eduarda, que também é coordenadora do projeto “Reflorestando o Cuidado na Caatinga: semeaduras de esperança e resiliência frente aos impactos do Complexo Eólico em Paranatama” do PET-Saúde Clima, do Ministério da Saúde.</p>



<p>A médica relata ainda o aparecimento de questões dermatológicas e respiratórias. “As turbinas, que ficam próximas às casas, provocam poeira que contém diversas partículas do ambiente e da própria turbina que causam reações alérgicas na pele e no sistema respiratório”, explica. “Além disso, a questão do zumbido e do efeito estroboscópico das hélices têm um potencial de gerar náuseas e problemas de equilíbrio, por exemplo, numa fase muito importante, de intenso desenvolvimento neuromotor da criança, principalmente na primeira infância”, complementa.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Meu filho de 11 anos não dorme sem remédio”, denuncia agricultor sobre eólicas" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/NRUjdTQ3Tyc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Uma, duas horas da manhã, eles estão acordados no meio da casa”</strong></h2>



<p>“Estamos vendo crianças mais agitadas, com alteração do ciclo sono-vigília, agressivas, irritadas, isso tudo numa fase ainda de construção neurológica e emocional, o que acaba potencializando e atrapalhando um desenvolvimento mais seguro e equilibrado dessa população”, alerta Maria Eduarda.</p>



<p>É o que vem acontecendo com os filhos da agricultora Michele Maria da Silva, de 39 anos, mãe de seis, com idades entre 22 e quatro anos. Eles vivem a apenas 500 metros das turbinas. “Os que ainda moram comigo dormem muito tarde. Uma, duas horas da manhã, estão acordados no meio da casa. Mesmo acordando cedo de manhã, não conseguem dormir cedo. Eles ficam muito incomodados à noite, é muito forte o barulho”, afirma a agricultora, diagnosticada com depressão, diabetes e distúrbios na tireoide.</p>



<p>À noite, o barulho das hélices aumenta porque é um horário em que tende a ventar mais. Despertar na madrugada, detalha Maria Eduarda, é justamente atrapalhar o pico de produção de melatonina pela glândula pineal, localizada no cérebro, que precisa de silêncio e escuridão, caso contrário a produção é interrompida.</p>



<p>Há um ano, ela teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Antes das torres, eu não tinha de jeito nenhum esses problemas”, diz. O filho de 10 anos começou a tomar remédio para ansiedade. “Ele está muito agitado. Agora, com a medicação, se acalmou um pouco. Mas ele fica muito aperreado, cansado, sufocado. E agora apareceu esse medo que ele está, da torre cair”, descreve Michele. Ela gasta R$ 450 de remédio por mês, é mais da metade do Bolsa Família, de R$ 800, que recebe.</p>



<p>O filho mais novo, de apenas quatro anos, está aguardando consulta com um psiquiatra, após encaminhamento de um psicólogo. “Ele está muito agitado, não tem paciência com nada, quebra tudo”, conta.</p>





<h3 class="wp-block-heading">Desenvolvimento infantil comprometido</h3>



<p>A médica Maria Eduarda defende que os impactos das usinas eólicas sobre a saúde infantil devem ser analisados a partir do conceito de cuidado integral. Para ela, não é possível avaliar a saúde das crianças apenas pela presença ou ausência de doenças, sem considerar o ambiente em que vivem.</p>



<p>“O primeiro aspecto que a gente precisa analisar é o meio em que essas crianças vivem, o território. As transformações provocadas pela instalação dos parques eólicos na caatinga alteram justamente esse ambiente, o que pode repercutir no desenvolvimento infantil”, explica.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/infancia-6-1-225x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/infancia-6-1-768x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/infancia-6-1-768x1024.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="520">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Maria Eduarda integra pesquisa sobre impacto das eólicas
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Embora as evidências disponíveis atualmente se baseiam principalmente em relatos de populações afetadas, esses relatos apontam para impactos que merecem atenção, especialmente na primeira infância. “Essa é uma fase em que hiperestímulos e ruídos acabam atrapalhando o desenvolvimento neuropsicomotor das crianças. É um período muito delicado e tudo o que acontece nessa fase reverbera mais na frente”, diz Maria Eduarda.</p>



<p>Na avaliação dela, a exposição contínua aos ruídos das turbinas, que não cessam, pode estar associada a dificuldades de concentração, maior agitação e outros sinais observados durante a infância, mas que também podem se desenvolver mais tarde, aparecendo na adolescência com ansiedade, traumas ou outros transtornos emocionais.</p>



<p>“E aí a necessidade de medicação logo na primeira infância preocupa porque esses remédios têm efeitos colaterais e podem acompanhar a criança por muitos anos. Mas o problema não se resolve apenas com um diagnóstico e um remédio. É preciso compreender o território, o meio ambiente e o contexto cultural em que essas crianças vivem”, afirma Maria Eduarda.</p>



<p>Os empreendimentos eólicos também impactam o brincar, por causa do aumento do risco de acidentes durante a implantação e a manutenção desses empreendimentos, com a circulação intensificada de caminhões e veículos pesados nas estradas rurais, modificando espaços tradicionalmente ocupados pelas crianças.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Dica da redação</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Documentário “Filhos do Vento”, disponível no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hNjRzGMewbI"><span style="font-weight: 400;">Youtube</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O filme é uma produção dos jornalistas Euziane Bastos e Rogério Bié que mergulha nos conflitos socioambientais e na resistência da comunidade quilombola do Cumbe, em Aracati (CE), diante da chegada de um parque eólico em 2008. Sem serem consultados, os moradores deram início a uma luta contra os impactos que o empreendimento causou nos seus modos de vida, cultura e relação com o território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário revela o cenário de conflitos e contradições por trás do discurso de “energia limpa” desse modelo energético. O filme é uma narrativa direta sobre a luta pela preservação de uma comunidade quilombola frente às mudanças trazidas por grandes empreendimentos.</span></p>
	</div>



<p><em>A repórter viajou a convite da <a href="https://www.caatingaclimateweek.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Caatinga Climate Week</a></em></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/meu-filho-de-11-anos-nao-dorme-sem-remedio-denuncia-agricultor-vizinho-de-eolica/">“Meu filho de 11 anos não dorme sem remédio”, denuncia agricultor vizinho de eólica</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/meu-filho-de-11-anos-nao-dorme-sem-remedio-denuncia-agricultor-vizinho-de-eolica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
