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	<title>Arquivos Acessibilidade - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 05 Sep 2025 21:24:57 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Acessibilidade - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Acessibilidade: o que o Congresso Inova.aê nos ensina sobre inovação real</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 16:01:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Pâmela Melo* Durante muito tempo, a acessibilidade foi tratada como um apêndice, um detalhe a ser considerado apenas no fim de um processo, se sobrassem tempo, orçamento ou interesse. Essa lógica excludente, que coloca as pessoas com deficiência à margem do planejamento e da inovação, ainda é uma triste realidade em muitos espaços públicos [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Pâmela Melo</strong>*</p>



<p>Durante muito tempo, a acessibilidade foi tratada como um apêndice, um detalhe a ser considerado apenas no fim de um processo, se sobrassem tempo, orçamento ou interesse. Essa lógica excludente, que coloca as pessoas com deficiência à margem do planejamento e da inovação, ainda é uma triste realidade em muitos espaços públicos e privados.</p>



<p>De acordo com o IBGE (<a href="https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/34889-pessoas-com-deficiencia-e-as-desigualdades-sociais-no-brasil.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Censo 2022</a>), mais de 14,4 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, o que representa cerca de 7,3% da população. Entre eles, mais de 6 milhões convivem com deficiência visual, cerca de 2,3 milhões com deficiência auditiva, além de milhões de pessoas com deficiências físicas ou intelectuais.</p>



<p>Apesar de representarem uma parcela significativa da sociedade, essas pessoas continuam enfrentando barreiras sistemáticas para acessar informações básicas, conteúdos digitais e serviços públicos.<a href="https://www.un.org/development/desa/disabilities/resources/disability-and-the-media.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Um relatório da ONU (2021) sobre acessibilidade na mídia global</a> revelou que mais de 90% dos sites de órgãos públicos e veículos de imprensa no mundo não são plenamente acessíveis () .</p>



<p>No Brasil, a situação também é alarmante: segundo um<a href="https://nic.br/noticia/na-midia/pesquisa-mostra-que-menos-de-3-dos-i-sites-i-brasileiros-foram-aprovados-em-todos-os-testes-de-acessibilidade/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> estudo da W3C Brasil</a>, apenas 3% dos sites governamentais seguem as diretrizes básicas de acessibilidade na web () . Isso significa que milhões de brasileiros não conseguem, por exemplo, ler uma notícia, entender um comunicado oficial ou navegar em um site institucional sem enfrentar obstáculos.</p>



<p>Porém, há sinais de mudança e um deles brilhou com força em Pernambuco. A 2ª edição do Congresso Inova.aê, realizada de 26 a 29 de agosto, no espaço Apólo 235, no Bairro do Recife, mostrou que é possível e urgente repensar a maneira como acessibilidade é tratada no Brasil. Idealizado e organizado pelo<a href="https://eficientes.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Instituto Eficientes</a>, o evento se firmou como um espaço de inovação social, onde a acessibilidade não é um complemento, mas o ponto de partida.</p>



<p>Em vez de adaptar soluções prontas para depois “incluir” pessoas com deficiência, o congresso propôs algo revolucionário, embora óbvio: pensar desde o início com e para essas pessoas. O resultado é um processo mais humano, mais eficaz e, sobretudo, mais justo. Afinal, não se trata apenas de tecnologia ou design inclusivo, mas de reconhecer que todas as pessoas, com ou sem deficiência, têm o direito de acessar, participar e contribuir plenamente com a sociedade.</p>



<p>Nesse contexto, eventos como o Inova.aê tornam-se não apenas relevantes, mas essenciais para a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Hackaton de acessibilidade comunicacional e tecnologia assistiva</strong></h2>



<p>Um dos momentos mais potentes do congresso foi a realização da maratona Hackathon, uma espécie de laboratório vivo de inovação acessível. Ao longo de quatro dias, 16 jovens de diferentes áreas foram divididos em equipes com a missão de criar soluções tecnológicas e comunicacionais voltadas à acessibilidade.</p>



<p>Mais do que um exercício criativo, a maratona foi uma experiência intensa de empatia, escuta ativa e construção colaborativa. A metodologia incluiu etapas de identificação de problemas reais, brainstorming, prototipagem e apresentação de pitches a um painel de mentores. O mais relevante foi ver que, nesse processo, necessidades frequentemente invisíveis foram colocadas no centro da discussão.</p>



<p>A equipe vencedora, formada por Alex Souza, Jéssica Marinho, Ísis Marieli e Estevão Enoque, se destacou pela criatividade, sensibilidade e viabilidade da proposta apresentada, reforçando que quando se escuta quem vive os desafios, as soluções se tornam verdadeiramente transformadoras.</p>



<p>Essa dinâmica mostrou que acessibilidade não é um entrave técnico, mas uma decisão ética e criativa. Quando desenvolvedores, comunicadores, pessoas com deficiência e especialistas se sentam à mesma mesa, é possível construir soluções que de fato dialogam com a vida cotidiana das pessoas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*<strong>Pâmela Melo dos Santos</strong> é jornalista, estudante de Direito e pessoa com deficiência. Idealizadora do site sexualidade sem barreiras, o qual visa apresentar o empoderamento sexual da mulher com deficiência, Pâmela já foi finalista dos prêmios Cristina Tavares e Intercom Nordeste. Primeira jornalista com deficiência a cobrir o carnaval de Recife através do Eficientes. Atua no setor de comunicação do Congresso Inova.aê</p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Cegos em Caruaru: uma cidade que não vê a acessibilidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2024 16:03:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Caruaru]]></category>
		<category><![CDATA[cegos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Larissa Juliana com fotos de Géssica Amorim, do Coletivo Acauã Logo cedo, a casa de Luciano Ferreira e Eunice Araújo, casados há 15 anos, começa a ganhar vida com a rotina familiar. Enquanto ela arruma o filho de três anos para a escola, ele prepara o café da manhã. Os dois se revezam nas [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Larissa Juliana com fotos de Géssica Amorim, do <a href="https://coletivoacaua.com.br/cegos-em-caruaru-uma-cidade-que-nao-ve-a-acessibilidade/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Acauã</a></strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:25% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="625" height="625" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/12/Selo-redacao-NE_redondo.png" alt="" class="wp-image-58060 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/12/Selo-redacao-NE_redondo.png 625w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/12/Selo-redacao-NE_redondo-300x300.png 300w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/12/Selo-redacao-NE_redondo-150x150.png 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/12/Selo-redacao-NE_redondo-96x96.png 96w" sizes="(max-width: 625px) 100vw, 625px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Logo cedo, a casa de Luciano Ferreira e Eunice Araújo, casados há 15 anos, começa a ganhar vida com a rotina familiar. Enquanto ela arruma o filho de três anos para a escola, ele prepara o café da manhã. Os dois se revezam nas tarefas, ao mesmo tempo em que trocam conversas leves. Quando a filha de 11 anos senta à mesa, já está pronta e ansiosa para ir à escola.</p>
</div></div>



<p>São manhãs parecidas a de milhares de casais com filhos. O cotidiano só se torna diferente a partir do momento em que Luciano e Eunice saem para a rua. Eles são cegos.</p>



<p>Em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, onde a rotina se desenrola entre ladeiras e movimentadas ruas, a experiência de mobilidade urbana é desafiadora para quem tem deficiência visual.</p>



<p>De acordo com a Associação Caruaruense de Cegos, há aproximadamente 230 pessoas que não enxergam nada ou têm baixa visão no município e nas cidades vizinhas. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, Pernambuco tem quase 360 mil pessoas que possuem ausência total ou parcial da visão.</p>



<p>Todas elas lidam diariamente com calçadas esburacadas, pisos irregulares, falta de sinais de trânsito sonoros e dificuldades adicionais para pegar o transporte público, independente da cidade onde moram.</p>



<p>Para Luciano, de 35 anos, e Eunice, de 39, esses obstáculos se tornam um risco à segurança não apenas do casal, mas também dos seus filhos. Embora as crianças enxerguem e a filha mais velha ajude a guiar os pais, andar com o menino de três anos pelas ruas é um desafio adicional. &#8220;Eu tenho que segurá-lo de um lado e a bengala do outro. Se ele quiser ir no colo, fica mais complicado&#8221;, conta Eunice.</p>



<p>Luciano utiliza a audição e o tato como aliados para se locomover pelas ruas irregulares e sem sinalização adequada. As dificuldades o ensinaram a perceber as nuances do ambiente por meio da sua bengala e das referências sonoras.</p>



<p>Ele consegue identificar se está subindo ou descendo, se a rua é mais estreita ou se há um quebra-molas à frente. Também nota que o som dos carros muda dependendo de onde está, mas todo esse conhecimento não o protege na deficiência de acessibilidade nas ruas de Caruaru. &#8220;Quando o chão é muito irregular, preciso ter mais cuidado. Uma pedra solta pode me fazer perder o equilíbrio&#8221;, conta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Centro caótico</h2>



<p>Ruas principais do bairro Nossa Senhora das Dores, como a Quinze de Novembro e a Sete de Setembro, foram reformadas entre 2019 e 2020, o que reduziu as falhas na acessibilidade, mas ainda assim há problemas. Segundo Luciano, o piso funciona mais como um alerta do que como um guia tátil, porque ele fica nas margens da calçada, ou seja, mais próximo dos carros. &#8220;Eu evito andar por esse piso para não cair na rua&#8221;, disse.</p>



<p>Outra coisa que precisa melhorar, afirma Luciano, é o transporte público. Quando pessoas cegas esperam ônibus, elas não sabem quais linhas estão chegando, principalmente no centro, onde o fluxo de veículos é mais intenso. Falta sinalização sonora eletrônica que informe a chegada dos ônibus.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/Acaua-cegos-3.jpg" alt="A imagem mostra uma cena urbana com um ônibus de transporte público e várias pessoas. O ônibus é branco com gráficos vermelhos e amarelos, incluindo um logotipo circular com centro vermelho e borda branca, e o número 3643 destacado. Um homem cego usando uma bengala e vestindo uma camisa cinza está embarcando no ônibus. O cenário parece ser um ponto de ônibus com outros pedestres por perto." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Luciano precisa da ajuda de terceiros para saber qual ônibus chegou ao ponto
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Géssica Amorim/Coletivo Acauã</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em alguns dos pontos mais movimentados, podem ser encontrados fiscais da linha de ônibus da empresa Coletivo Transportes, mas eles anunciam apenas a chegada dos veículos desta empresa. Além disso, nem sempre estão presentes, mesmo nos locais de maior fluxo, e não ficam em todos os pontos da cidade. Já a Capital do Agreste Transportes Urbanos e a Viação Tabosa, não têm fiscal algum.</p>



<p>As calçadas de Caruaru são desniveladas, têm buracos, obstáculos e espaços estreitos. Por causa disso, Luciano e Eunice preferem caminhar pelo meio-fio. Apenas quando estão andando pelas principais vias do centro, como a rua 15 de Novembro, eles conseguem usar as calçadas, que são mais amplas e possuem piso tátil para deficientes visuais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Travessia insegura</h2>



<p>Imagine ter que atravessar uma rua sem enxergar se tem carro vindo. É essa a realidade que Luciano, Eunice e centenas de pessoas cegas enfrentam devido à falta de semáforos sonoros em Caruaru, um dispositivo essencial para a travessia segura.</p>



<p>Essa ausência, aliada à falta de respeito dos motoristas pelas faixas de pedestres, põe o casal em situações arriscadas. Atravessar ruas movimentadas se torna um exercício de confiança e, muitas vezes, é preciso contar com a ajuda de quem percebe a deficiência visual deles. A bengala acaba cumprindo também essa função de alerta, para que as pessoas se prontifiquem a ajudar o casal.</p>



<p>O apoio, no entanto, nem sempre está disponível. Em vários momentos, Luciano e Eunice precisam confiar apenas em si mesmos para cruzar as ruas. Nesses casos, a estratégia é esperar o movimento dos carros diminuir antes de seguir em frente. &#8220;Eu não confio que o carro vai parar. Eu espero parar o movimento. Muitas vezes levanto a mão ou a bengala. Eles param buzinando, e eu passo&#8221;, descreve Luciano.</p>



<p>Ele conta que, há uns oito anos, a cidade tinha alguns desses semáforos sonoros como o da rua Belmiro Pereira, no bairro Maurício de Nassau, próximo ao Tiro de Guerra. Havia também na rua Vigário Freire e na Duque de Caxias, ambas no Centro.</p>



<p>De acordo com ele, os equipamentos foram desativados na gestão da atual governadora do estado, Raquel Lyra, quando ela foi prefeita de Caruaru. A justificativa teria sido as reclamações dos comerciantes devido ao barulho dos semáforos.</p>



<p>“Foram enviados vários ofícios pela Associação Caruaruense dos Cegos, para que os semáforos voltassem, mas nunca foram acatados. Alegaram várias questões, como a falta de recurso tecnológico e que o semáforo sonoro causava poluição sonora”, revela Luciano.</p>



<p>Para ele, é contraditório que os comerciantes reclamem do barulho dos semáforos, mas tolerem outros tipos de poluição sonora mais agressiva. &#8220;Não reclamam por conta de um paredão de som quando passa&#8221;, disse.</p>



<p>Apesar das dificuldades, Luciano e Eunice continuam suas rotinas, incluindo idas frequentes à Associação Caruaruense dos Cegos, (Acace). Lá, participam de atividades físicas e oficinas. O trajeto até a associação, porém, também é complicado. O percurso é feito pelo meio-fio e com veículos passando muito próximos a eles.</p>



<p>Além disso, é necessário atravessar a rua em um cruzamento que possui faixa de pedestres, mas os veículos, muitas vezes, não param, mesmo diante de uma pessoa cega tentando atravessar.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/Acaua-cegos-4.jpg" alt="A imagem mostra uma cena urbana ao ar livre com um homem negro cego em pé, tentando atravessar uma rua em frente a uma parede que tem um anúncio pintado. A parede faz parte de uma estrutura maior que parece ser um prédio comercial ou residencial. Há também uma cerca de metal à esquerda da pessoa e alguns sacos de lixo no chão perto dela. O céu está claro, sugerindo que pode ser um dia ensolarado." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Géssica Amorim/Coletivo Acauã</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">O que dizem as empresas</h3>



<p>As empresas de transporte público foram procuradas. No entanto, apenas a Coletivo Transportes e a Capital do Agreste forneceram retorno. A empresa Tabosa não emitiu resposta.<br><br>A Coletivo informou, por meio de nota, que &#8220;presta um serviço de transporte à população de forma transparente e humanizado&#8221;. Disse, ainda, que capacita e recicla todos os colaboradores, regularmente, e qualifica os fiscais de embarque para auxiliar as pessoas com deficiência visual.</p>



<p>Já a Capital do Agreste alegou que o aplicativo Leva Caruaru informa a previsão de chegada dos ônibus, além de possibilitar recarga de créditos. &#8220;Para garantir a acessibilidade das pessoas com deficiência visual, o aplicativo conta com uma versão adaptada, que oferece recursos de áudio. Dessa forma, os usuários podem ser avisados sobre a chegada dos ônibus, promovendo mais autonomia e acessibilidade no transporte público&#8221;, disse em nota.</p>



<p>A teoria parece boa, mas, na prática, a tecnologia não funciona para os cegos, porque o aplicativo não avisa qual ônibus chegou ao ponto. O problema no momento do embarque, portanto, continua.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a prefeitura</span>

		<p>Procuramos a Autarquia de Mobilidade, Trânsito e Transportes de Caruaru para saber quantos semáforos sonoros existem em Caruaru, onde eles estão instalados e quantos ônibus possuem acessibilidade. Também perguntamos quais medidas foram tomadas pela prefeitura, nos últimos anos, para garantir acessibilidade de pessoas cegas. Nada foi respondido.</p>
<p>Até que o poder público e as empresas que prestam o serviço de transporte cumpram sua função de garantir acessibilidade para a população cega de Caruaru, Luciano e Eunice vão continuar dependendo da filha de 11 anos ou de uma rede de apoio condicionada à boa vontade de outras pessoas. &#8220;Quando alguém percebe que a gente está tentando atravessar a rua, alguns oferecem ajuda. Nem todo mundo tem paciência, mas tem gente que entende e segura a nossa mão&#8221;.</p>
	</div>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading">O que os candidatos propõem?</h3>



<p>Durante a disputa eleitoral pela prefeitura, candidatos comprometeram-se a elaborar planos que incluam a ampliação da acessibilidade em relação à mobilidade urbana para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>De acordo com o plano de governo disponibilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato a prefeito de Caruaru Armandinho<strong> </strong>(Solidariedade), propõe uma reforma ampla nas calçadas da cidade, visando garantir a acessibilidade e a segurança dos pedestres, com a inclusão de rampas para cadeirantes. Além disso, pretende assegurar que as calçadas permaneçam livres de obstruções, promovendo a fluidez do trânsito de pedestres e a acessibilidade universal. Para isso, planeja implementar fiscalizações regulares e campanhas de conscientização.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>O candidato Fernando Rodolfo (PL) não possui propostas sobre acessibilidade no atual plano de governo.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>A candidata Maria Santos (UP) dispõe de um plano de acessibilidade, com propostas que incluem a adaptação de equipamentos de esportes e lazer, melhorias nas calçadas com sinalização adequada e identificação em braille, além de garantir que todas as paradas de ônibus sejam acessíveis. Ela também se compromete a tornar 100% da frota de ônibus adaptada para acessibilidade e a adequar a infraestrutura de escolas e creches, assegurando que todos tenham acesso igualitário às instalações públicas.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>A candidata Michelle Santos (PSOL) apresenta um conjunto abrangente de propostas focadas na inclusão e acessibilidade urbana. Sua visão inclui a criação de um Plano de Gerenciamento de Calçadas, que objetiva a padronização e melhoria das calçadas e a implementação de incentivos fiscais para encorajar a participação da comunidade. A candidata propõe a municipalização das calçadas, estabelecendo padrões de qualidade que respeitem as normas de acessibilidade. Além disso, ela planeja um mapeamento das infraestruturas urbanas para desenvolver um plano de revitalização, garantindo que espaços públicos como áreas de lazer, meios de transporte e edifícios governamentais sejam plenamente acessíveis, especialmente para pessoas com mobilidade reduzida. Isso inclui a adequação de espaços culturais, esportivos, educacionais e de saúde com sinalizações visuais e sonoras, instalação de signos em braille e adaptação de banheiros. Michelle Santos também pretende reduzir os degraus dos ônibus e aumentar a frota de veículos adaptados, além de assegurar que as calçadas sejam seguras e navegáveis para todos, com a instalação de rampas de acesso e corrimões onde necessário.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>O plano de governo do atual prefeito e candidato Rodrigo Pinheiro (PSDB) para Caruaru, inclui propostas para avançar na pavimentação e melhorar a mobilidade nos bairros periféricos. De acordo com o plano de governo, as iniciativas visam proporcionar maior acesso a espaços públicos, com atenção especial às necessidades de pessoas com deficiência.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Já o plano de governo do candidato a prefeito<strong> </strong>Zé Queiroz (PDT), propõe a construção de um Plano Diretor de Mobilidade que visa a participação social e a acessibilidade universal, buscando a equidade no acesso ao transporte público e a eficiência na circulação urbana. A criação de um Núcleo de Mobilidade e Gestão de Trânsito é mencionada como uma estrutura dedicada ao monitoramento e planejamento do trânsito, com o uso de tecnologias avançadas para evitar congestionamentos. Além disso, o plano enfatiza a necessidade de executar obras de infraestrutura resilientes e sustentáveis, com um enfoque especial na acessibilidade para pessoas com deficiência, integrando os espaços públicos de maneira inclusiva e fomentando o acesso a bens econômicos, além de promover um ambiente socialmente acolhedor e protetor.</li>
</ul>
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		<title>Autonomia da mulher cega: uma dura conquista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2022 16:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>* Por Géssika Costa (Olhos Jornalismo) e Wanessa Oliveira (Mídia Caeté) Reportagem especial feita colaborativamente pela Olhos Jornalismo e Mídia Caeté, dentro do projeto Acessibilidade Jornalística: o problema que ninguém vê, vencedor do Desafio de Inovação do Google News Initiative (GNI) de 2021, revela o duplo desafio das mulheres cegas para garantir espaço na sociedade [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>* <strong>Por Géssika Costa (Olhos Jornalismo) e Wanessa Oliveira (Mídia Caeté)</strong></p>



<p><em>Reportagem especial feita colaborativamente pela Olhos Jornalismo e Mídia Caeté, dentro do projeto <strong>Acessibilidade Jornalística: o problema que ninguém vê</strong>, vencedor do Desafio de Inovação do Google News Initiative (GNI) de 2021, revela o duplo desafio das mulheres cegas para garantir espaço na sociedade</em></p>



<p>Preparar um café da manhã, pegar um ônibus, morar sozinha.&nbsp; Quando se trata da busca por autonomia para mulheres cegas e com baixa visão, o tamanho do passo é bem particular para cada uma. Ao mesmo tempo, os problemas sociais enfrentados, do capacitismo à falta de acessibilidade, das imposições colocadas para pessoas com deficiência visual àquelas que atravessam também questões de gênero: há ainda muitos desafios para&nbsp; que a autonomia aconteça.&nbsp;</p>



<p>É nos palcos da vida que a cantora Malta Lee verdadeiramente&nbsp; se encontra. Quem olha de longe não imagina os caminhos que ela teve que percorrer e as questões que ainda enfrenta para alcançar espaços que são dela por direito. Sair de casa, ir à faculdade,&nbsp; se locomover pela cidade ou até mesmo convencer os familiares de que o cuidado em excesso reproduz capacitismo foram algumas das inúmeras barreiras quebradas desde que recebeu o diagnóstico de baixa visão.</p>



<p>Mesmo com a ampliação dos debates, mulheres sem deficiência ainda lidam, em seu cotidiano, com problemas estruturais: diferença salarial, violência sexual, feminício, divisão do trabalho em casa, baixa repersentatividade na política. Fatores que dificultam a busca por igualdade social e direito à existência plena. Essa realidade é ainda mais complicada na vida para mulheres cegas ou com baixa visão, como é o caso de Malta.</p>



<p>A cantora de pop rock teve que se adaptar após receber o diagnóstico de visão monocular. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a visão monocular ou subnormal é caracterizada quando a pessoa tem visão igual ou inferior a 20%. Diante do diagnóstico, em 2015, inúmeras foram as transformações em sua vida. Na verdade, não só na sua, mas também de seus familiares, que também precisaram reaprender a lidar com a situação, não confundindo o cuidado com o cerceamento de suas escolhas e seus espaços.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/Malta-Lee-1024x484.jpg" alt="Fotografia mostra a cantora Malta Lee, uma mulher afro-indígena de cabelos lisos, negros, e curtos. Ela veste uma camisa preta e está sentada em uma cadeira de alumínio com uma mesa que tem café. O café fica dentro da rodoviária de Maceió que aparece ao fundo." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Foto: Wanessa Oliveira /Mídia Caeté</p>
	                
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<p>No entanto, a defesa de sua autonomia sobre a vida&nbsp; e seus desejos enquanto mulher adulta, independente e emancipada, precisaram começar por ela mesma. De 2015 até 2019, Malta passou a maior parte da vida em casa, sem interação social. Era como se sua história tivesse dado uma pausa. Não sabia acessar às tecnologias assistivas, usar o celular ou trabalhar utilizando o computador. Só a partir de 2019, quando começou a frequentar a Escola de Cegos Cyro Acioly, no Centro de Maceió, sua trajetória mudou.</p>



<p>“Minha mãe não demonstra muito os sentimentos, mas sei que ela fica muito preocupada. Querendo tomar decisões e eu falo: ‘não é assim’. Depois ela fala uma coisa e diz ‘aí você vê depois o que você quer’.&nbsp; Quando passei a ir na Cyro Acioli, com transporte de pegar e levar, costumo dizer que fui <em>desembestando</em> pelo mundo, mas a sensação que tive é que inconscientemente não estavam aceitando as decisões. Até pra fazer a inscrição na Cyro, tive que ir só”, relembra a cantora que também é social mídia e estudante de psicologia da Universidade Federal de Alagoas, (Ufal).</p>



<p>A psicóloga Mariana Verçosa, especializada em Saúde Mental pela Universidade Tiradentes, conta que os pais ou familiares têm papel crucial para garantir o acesso à autonomia ou colaborar negativamente para as pessoas com deficiência vivam, de certo modo, enclausuradas, não emancipadas e com pouco convívio social.&nbsp;</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/Mariana-Vercosa-psicologa-576x1024.jpg" alt="Fotografia mostra a psicóloga Mariana Verçosa, uma mulher negra, de cabelos encaracolados e batom na cor vinho, que usa uma camisa com a estampa de flores e sorri para a foto." class="" loading="lazy" width="238">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
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<p>&nbsp;“O problema dos pais nesse tipo de&nbsp; atitude se expressa em vários sentidos, mas o maior deles é a&nbsp; infantilização. Os pais já são a primeira referência. Então as falas, as atitudes&nbsp; dos pais vão reverberar e influenciar de algum modo na vida dessas filhas, na vida dessas mulheres cegas. Primeiro através&nbsp; das próprias palavras, dos próprios termos ditos. Como: está na hora da sopinha, está na hora da comidinha, essa é a sua roupinha, vamos escolher o penteadinho pra você ficar bonitinha”, exemplifica a psicóloga.</p>



<p>Ainda que possam agir de forma inconsciente, alguns pais, familiares e até amigos de pessoas com os mais variados tipos de deficiência podem colocar as PCDs em situações constrangedoras. E isso pode ocorrer por diversas maneiras: seja invadindo sua privacidade, protegendo exageradamente mesmo depois da filha virar adulta, fazendo chantagens emocionais e tentando controlar cada passo. Eles também se sentem no direito de opinar sobre tudo. Ao exagerarem na superproteção e até mesmo no autoritarismo, esse tipo de laço acaba impactando principalmente a vida da mulher com deficiência. Os 3 “as” &#8211; autoestima, autoconfiança e autonomia são duramente afetados.&nbsp;</p>



<p>“Quando a guarda passa a ser excessiva, quando cuidado passa a ser excessivo, intenso e sufocador, esse tipo de comportamento, de conduta dos pais se deve basicamente a dois pontos, dois pontos principais: o primeiro deles é o despreparo e o desconhecimento relação a suas filhas que, apesar dessas mulheres serem cegas, são pessoas. Então, é muito importante&nbsp; que possa, de alguma forma, existir suporte adequado também para esses pais, a fim de que eles entendam que filhos e filhas com deficiência são pessoas que vão ter sua jornada, suas histórias, suas escolhas e precisam ser respeitadas. Não é a filha com deficiência, não é a deficiência. Não é a mulher cega. Não é a cegueira. É uma pessoa”, defende a profissional.</p>



<p>É justamente esse tipo de cuidado em excesso que a professora adjunta no Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutora em Antropologia Cultural pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFJR) Olivia Von Der Weid abordou em dos seus artigos intitulado: “<a href="https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaanthropologicas/article/view/238992" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Entre o cuidado e a autonomia: deficiência visual e relações de ajuda”.&nbsp;</a></p>



<p><em>As relações de cuidado e ajuda nas interações entre deficiência e não deficiência são tanto antídoto quanto veneno: podem ampliar a capacidade de agência dos sujeitos por meio do reconhecimento da interdependência como também podem servir para perpetuar a lógica perversa de dominação e exclusão que, na cegueira, se constrói pela imobilização dos corpos. Em português, a própria palavra cuidado, dependendo do uso em que é empregada, carrega a ambiguidade entre dependência e autonomia uma vez que remete tanto à ideia de ser atencioso com o outro quanto à dimensão do risco (&#8230;)</em></p>



<p>Risco parece ser uma palavra constante nessa busca pela autonomia como mulher cega ou com baixa visão.&nbsp; De acordo com estudo feito pelo estudo do Fundo de Populações da Nações Unidas (UNFPA), de 40% a 68% das mulheres com deficiência sofrerão violência sexual antes dos 18 anos.&nbsp; Malta Lee perdeu as contas de quantas vezes já ficou suscetível à violência por ser mulher e ter baixa visão. Para ela, é como se a vulnerabilidade enquanto PCD duplicasse o sentimento de medo.</p>



<p>“Já passei por muita coisa. Uma vez subi em uma moto achando que era mototáxi e o homem claramente tentou se aproveitar, mas consegui sair da situação. Infelizmente, muitas de nós sofrem constantemente abusos psicológicos, emocionais e, infelizmente, também sexual. Mas eu&nbsp; não vou me limitar. Comecei a ter autonomia, a aprender muita coisa sobre tecnologia e conhecer pessoas com deficiência visual. Também vejo como muitos infelizmente se limitam pela educação que recebem”, lamenta Lee.</p>



<p>Ainda que possam agir de forma inconsciente, alguns pais, familiares e até amigos de pessoas com os mais variados tipos de deficiência podem colocar as PCDs em situações constrangedoras. E isso pode ocorrer por diversas maneiras: seja invadindo sua privacidade, protegendo exageradamente mesmo depois do filho virar adulto, fazendo chantagens emocionais e tentando controlar cada passo. Eles também se sentem no direito de opinar sobre tudo. Ao exagerarem na superproteção e até mesmo no autoritarismo, esse tipo de laço acaba impactando principalmente a vida da mulher com deficiência. Os 3 “AS” &#8211; autoestima, autoconfiança e autonomia são duramente afetados.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Eu estava como social media na produção de um filme, e quando desci escada tinha uma produtora executiva que comentou: ‘desceu a escada sozinha?’ Então eu disso:‘foi’.&nbsp; Ela respondeu: ‘virou uma mocinha’. Depois conversei com ela e disse: ‘olha, não desci a escada porque era mocinha. Desci a escada porque precisava descer e chegar onde eu tinha que chegar. Eu sei que você não fez por mal, mas você começou a cometer um capacitismo aí.”. E aí tem muito dessa coisa de falar com pessoas com deficiência como se fossem crianças. essa coisinha de achar que a pessoa não consegue fazer nada&#8221;, Malta Lee</p></blockquote>



<p>A estudante de jornalismo da Ufal, vendedora autônoma e dona de casa, Cecília dos Santos, também enfrentou uma longa curva para se readequar à nova condição desde que enfrentou há sete anos a perda de visão, em razão de um glaucoma diagnosticado tardiamente.&nbsp; Primeiro, ela precisou aceitar sua nova condição, reaprender a andar e, finalmente, acessar um espaço que ensinasse sobre acessibilidade e encontrasse acolhimento verdadeiro.</p>



<p>“Foi difícil.&nbsp; Esse período que fiquei em um ano foi tentando aceitar. Ter que aceitar ter que andar com uma pessoa do meu lado. Aceitar não andar na cozinha. Mas neste ano, já em casa, comecei a aceitar. Antes eu não aceitava. Vou fazer minha comida. Primeira comida eu espalhei ketchup por toda cozinha. Batia muito o rosto. Não sabia fazer defesa. Esqueci que não estava enxergando. Foi uma mudança muito radical pra mim que enxerguei a vida toda. Minha irmã me levou para escola de cego. Me matriculei. Primeira vez não consegui ficar, porque achei que aquela realidade não era a minha”, relembra a universitária.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Foto: Wanessa Oliveira/Mídia Caeté</p>
	                
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<p>Pouco tempo depois, Cecília, conhecida como Cila entre os amigos, entrou na universidade, para cursar jornalismo. Malta, que já havia interrompido um curso anterior, também decidiu estudar, desta vez psicologia. E dentre todas as particularidades de suas histórias, ambas encontraram desafios bem comuns ao depararem e exporem também as falhas dentro da instituição.&nbsp;</p>



<p>“É um desafio muito grande porque acessibilidade não existe. Falo de toda forma arquitetônica. De tudo mesmo. Difícil ir do ponto ao bloco da Ufal. A gente tem que ficar pedindo ajuda e meu companheiro vai comigo, pois ainda não tenho autonomia para andar na rua”, relata. “Um dia vou andar, derrubar mais essa barreira, mas ainda me assusto com os carros. Lá na Ufal, não é acessível de jeito nenhum. Não tem acessibilidade nenhuma, para nenhum deficiente. Muito buraco, muita lama, muito alto, então a gente fica pedindo ajuda. A dificuldade maior é essa. Na sala de aula, outra aventura, uma vez que os professores não estão preparando para nós, deficientes visuais, principalmente”, ressalta a futura jornalista.</p>



<p>O advogado Julio Swartz, especialista em Direito das Pessoas com Deficiência e membro da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência – da OAB Alagoas, relata todo o histórico que coloca o Brasil hoje como um dos países que mais têm legislação para pessoas com deficiência. Embora ainda haja muito o que se conquistar.</p>



<p>“Esse reconhecimento da capacidade das pessoas com deficiência de tomar as próprias decisões e ser uma pessoa independente da sociedade é muito interessante porque foi isso que pregava a carta de 2006&nbsp; da da ONU: que a pessoa com deficiência fosse protagonista da sua própria vida e no que acontece, na realidade, além do preconceito é a quebra de barreiras, que era o que mais eles pediam. Porque a nossa sociedade&nbsp; impõe inúmeras barreiras para a pessoa com deficiência. Então, nesse caso, nada mais justo do que quebrar essas barreiras e tornar esses membros da sociedade cada vez mais ativos, como deve ser por direito. Eles querem trabalhar, ter filhos, pagar imposto de renda. Como a maioria, querem, sim,&nbsp; produzir, serem&nbsp; membros ativos da sociedade e esse é o objetivo de todo mundo”, destaca o especialista.</p>



<p>A vice-presidente da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), Ingrid Mendonça, conta que já teve sua capacidade para tomada de decisão colocada a prova, quando, há alguns anos, tentou concorrer a um cargo político nas eleições municipais de sua cidade.<br></p>



<p>“Fiz parte como candidata nas eleições municipais, na cidade de Manaus. Não fui eleita, mas foi uma experiência ímpar na minha vida e tive a oportunidade de observar de dentro do partido que, ao mesmo tempo foi partido muito inclusivo e me acolheu enquanto mulher e enquanto pessoa com deficiência, mas sempre tem aqueles membros que a gente percebe um olhar insensível, um julgamento de incapacidade. A gente vive muito isso, como se você estivesse lá pra pra meramente cumprir uma cota, porque os partidos hoje são basicamente obrigados a cumprir aquela alguns requisitos de diversidade mas, apesar dos avanços,&nbsp; a gente precisa avançar ainda mais para que ganhemos o espaço que é, de fato, nosso”, projeta a presidente da entidade.</p>



<p><strong>Saiba mais:</strong></p>



<p>Esta é uma produção coletiva realizada em parceria pelas mídias independentes do Nordeste: <a href="http://www.marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a> (PE), <a href="https://agenciaeconordeste.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eco Nordeste</a> (CE), <a href="https://midiacaete.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mídia Caeté</a> (AL), <a href="https://olhosjornalismo.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Olhos Jornalismo</a> (AL), <a href="https://www.retruco.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Retruco</a> (PE), <a href="https://www.adiadorim.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Diadorim</a> (PE), <a href="https://revistaafirmativa.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Revista Afirmativa</a> (BA), <a href="https://www.saibamais.jor.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Saiba Mais</a> (RN), <a href="http://cajueira.substack.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Newsletter</em> Cajueira</a> (NE) e Malamanhadas (PI), na edição de <em>podcasts</em>.</p>



<p>Todos os produtos do projeto Acessibilidade Jornalística: um problema que ninguém vê estão disponíveis no <a href="http://www.lumeacessibilidade.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.lumeacessibilidade.com.br</a>.</p>



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			</item>
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		<title>A deficiência visual e o desafio da acessibilidade no mundo real</title>
		<link>https://marcozero.org/a-deficiencia-visual-e-o-desafio-da-acessibilidade-no-mundo-real/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2022 16:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência visual]]></category>
		<category><![CDATA[GNI]]></category>
		<category><![CDATA[pessoa com deficiência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>* Por Ariel Sobral (Marco Zero Conteúdo) e Yara Peres (Eco Nordeste) Em reportagem especial feita colaborativamente pela Marco Zero e Eco Nordeste, dentro do projeto Acessibilidade Jornalística: o problema que ninguém vê, vencedor do Desafio de Inovação do Google News Initiative (GNI) de 2021, mostramos como o acesso à internet a pessoas cegas e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>* <strong>Por Ariel Sobral (Marco Zero Conteúdo) e Yara Peres (Eco Nordeste)</strong></p>



<p><em>Em reportagem especial feita colaborativamente pela Marco Zero e Eco Nordeste, dentro do projeto <strong>Acessibilidade Jornalística: o problema que ninguém vê</strong>, vencedor do Desafio de Inovação do Google News Initiative (GNI) de 2021, mostramos como o acesso à internet a pessoas cegas e com baixa visão ainda conta com barreiras da falsa acessibilidade</em></p>



<p>Se você fosse dormir e acordasse sem enxergar, como seria o mundo para você? Pessoas videntes, como geralmente são chamados pela comunidade cega ou com baixa visão aqueles que enxergam normalmente, podem ter dificuldades em imaginar exatamente como seria esta experiência, mas esse é um drama vivido por muitos, especialmente os que recebem um diagnóstico de cegueira ou de baixa visão ao longo de uma vida de vidência.</p>



<p>De acordo com últimos dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) de 2010, o Brasil tem 6,5 milhões de deficientes visuais (com limitações e/ou baixa visão). Deste montante, cerca de 582 mil não enxergam absolutamente nada. O Nordeste concentra o maior número de pessoas com algum tipo de deficiência, com 26,63%. Os estados do Rio Grande do Norte e Paraíba, com índices de pouco mais de 27% ambos, estão acima da média nacional que é de 23,9%.</p>



<p>Ainda assim, pouco se discute sobre o acesso à informação de qualidade e acessível por pessoas cegas e menos ainda o jornalismo que cobre pautas de interesse deste grupo social, segundo o que revela a <a href="https://www.lumeacessibilidade.com.br/assets/acessibilidade.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa sobre a oferta e o consumo de conteúdo jornalístico para este público</a> realizada para este projeto. A partir das entrevistas feitas nesta pesquisa, os sites participantes da iniciativa se juntaram para criar reportagens como esta e, também, o <a href="https://anchor.fm/lumecast" target="_blank" rel="noreferrer noopener">LumeCast</a>, podcast em três episódios que têm como público principal as pessoas cegas e com baixa visão, mas que são conteúdos relevantes para quem quer compreender melhor o cotidiano dessas pessoas, através de assuntos como identidade de gênero e de raça, na reportagem abaixo, a autonomia das mulheres cegas e os desafios de fazer um comunicação realmente acessível.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Descoberta de identidades étnicas ou raciais, e de gênero</strong></h3>



<p>O que significa para quem nasceu ou adquiriu algum nível de cegueira, sua identidade de gênero ou de raça? Como as pessoas cegas vivem a descoberta de suas identidades étnicas, raciais ou de gênero e no que este processo se aproxima ou se diferencia do vivenciado pelas pessoas que enxergam? O entendimento desta consciência sobre si, marcada pela prática de pesquisas e conversas sobre o assunto, nem sempre se aplica a este grupo que ainda luta para acessar informações básicas cotidianas.</p>



<p>Parte desta percepção vem do processo de autodeclaração, ferramenta antidiscriminatória que garante direitos a grupos historicamente “minoritários”, o que representa um estado de consciência que o indivíduo tem sobre si em relação a alguma característica específica, como raça e gênero. Estas descobertas costumam vir a partir do acesso a fontes confiáveis que possibilitam informações sobre essas questões. Por exemplo, apesar do conceito de<strong> </strong>raça<strong> </strong>ser frequentemente confundido com o de etnia, os termos representam coisas diferentes. Podemos entender raça como características fenotípicas, como cabelos, traços faciais, a cor da pele etc. Já etnia também considera fatores culturais, como a nacionalidade, religião, língua e as tradições. Mas como é o acesso a pessoas cegas a estas informações?</p>



<p>Por não haver muitos conteúdos acessíveis para pessoas cegas, informar-se sobre questões identitárias pode ser algo solitário. E a falta de acesso é um dos principais fatores que retarda o entendimento do indivíduo, segundo o publicitário pernambucano, que também é uma pessoa cega, Michell Platini. “As pessoas começam a se perceber quando começam a se informar. É daí que se entende quem é, e não só um se reconhecer com um olhar físico, mas um entendimento mais profundo, que visita suas origens, suas sensações, que possibilita se perceber pessoa. E este é o verdadeiro papel da informação, que começa no diálogo sobre algo, e esse movimento é fundamental, inclusive nos processos identitários”, reflete.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/EDNILSON-SACRAMENTO-300x225.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/EDNILSON-SACRAMENTO.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/EDNILSON-SACRAMENTO.jpeg" alt="A fotografia mostra um homem negro de cabelos grisalhos curtos de braços cruzados. Ele usa uma camisa vermelha com detalhes coloridos numa estampa africana. Tem uma expressão séria e está de frente para a câmera. Atrás de si é possível perceber uma cerca de madeira, plantas e um varal." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Para o jornalista negro e cego baiano Ednilson Sacramento, pouco se avança para pautar as questões referentes a uma pessoa negra com deficiência. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
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<p>Apesar de as lutas identitárias serem pautas de vários grupos sociais, as pessoas com deficiência nem sempre se sentem incluídas no debate. “Percebo uma grande lacuna. No âmbito da pessoa com deficiência se fala pouco da questão racial e, no âmbito dos movimentos negros e das questões raciais, por exemplo, pouco se avança para pautar as questões referentes a uma pessoa negra com deficiência. A figura da pessoa com deficiência se dilui nesse debate. Muitas vezes não somos chamados para debater políticas públicas. É como se nós não existíssemos”, afirma o jornalista cego baiano Ednilson Sacramento.</p>



<p>Os dois universos parecem não se encontrar nem nos debates e tão pouco nas pesquisas. Dados IBGE de 2018 constataram que 56% da população brasileira se identifica como negra, mas quanto dessas são pessoas cegas? Em contato com o Instituto de Cegos Antônio Pessoa Queiroz, no Recife, e com a Associação Pernambucana de Cegos (Apaec), atrás de dados que pudessem contemplar este recorte ao menos na capital pernambucana, não tivemos retorno desses marcadores que parecem não existir.</p>



<p>“Se você prestar atenção, a pessoa com deficiência vem de um passado de exclusão total, de exclusão da própria cidadania. Antes de discutir direito à educação, saúde e trabalho, começamos a discutir o direito à cidadania. Tivemos que brigar por uma carteira de identidade, porque, por muito tempo, nossas famílias nos escondiam da sociedade. Hoje, uma pessoa negra e com deficiência é duplamente discriminada”, declara Ednilson: “não existir nas pesquisas e nas pautas também é uma forma de discriminação”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Acesso ao mundo moderno</strong></h3>



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	                                        <p class="m-0">O estudante universitário Rafael Moreira que, em abril de 2019, recebeu o diagnóstico de atrofia no nervo óptico, devido a um coágulo, encontrou na tecnologia dos aplicativos a autonomia que precisava para se reintegrar ao novo mundo. Crédito: Arquivo Pessoal
</p>
	                
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<p>Nascer com deficiência visual parece ser menos difícil quando a cegueira passa a ser uma realidade depois de anos de vidência. Foi o que aconteceu com o estudante universitário Rafael Moreira que, em abril de 2019, recebeu o diagnóstico de atrofia no nervo óptico, devido a um coágulo. Diante da nova realidade, o estudante encontrou na tecnologia dos aplicativos a autonomia que precisava para se reintegrar ao novo mundo. “Desde o diagnóstico até os dias de hoje, consegui 90% da minha autonomia com o uso da tecnologia”, comenta. Depois de descobrir a linguagem em braile, para ele, os dois tipos de comunicação se complementam. “O braile foi uma paixão à primeira vista. Acho que o uso dela deve ser paralelo ao conhecimento de ferramentas para acessibilidade digital”, reforça.</p>



<p>A tecnologia é de fato uma aliada na contemporaneidade. Não só as redes sociais como os aplicativos de paquera, por exemplo, são ferramentas modernas para encontros, os famosos “dates” entre grupos de pessoas que buscam um novo parceiro ou parceira. Mas quando uma pessoa cega, que tem os direitos de qualquer outra pessoa, busca este tipo de ferramenta para sua integração encontra barreiras longe de uma acessibilidade real.</p>



<p>“Os aplicativos e sites de paquera não têm acessibilidade e isto é um direito nosso também. As pessoas acham que o deficiente, em geral, não pode exercer a sua sexualidade. Os desejos não mudam de um dia para o outro, independentemente da sua deficiência. Eu posso ter uma vida como qualquer outra pessoa, apesar das minhas limitações”, destaca.</p>



<p>Em pesquisa divulgada em julho do ano passado pela empresa <em>BigDataCorp</em>, em parceria com o site Movimento Web para Todos, que avaliou 2.369 aplicativos mais baixados na loja da Google, a Play Store, revelou que menos de 1% dos sites passaram em todos os testes de acessibilidade digital.</p>



<p>Vivendo com limitações, Rafael enfrentou as barreiras do mundo físico e descobriu as dificuldades em viver no mundo real. Um ponto levantado pelo estudante diz respeito aos restaurantes físicos e os famosos aplicativos de entrega de comida que, segundo ele, dizem ser acessíveis mas, na verdade, sequer disponibilizam um cardápio em linguagem braile. “Já fui em grandes redes, restaurantes famosos e isso não existe nestes lugares. Também nunca consegui pedir comida por estes aplicativos. Para mim eles são totalmente inacessíveis”, lamenta.</p>



<p>Com a sua nova condição de vida limitada pela deficiência visual, Rafael reforça que as oportunidades são determinantes para uma inclusão efetiva na sociedade. “Não somos coitados. Temos muitos talentos. Coloquem pessoas reais para viverem coisas reais, como um ator cego para um personagem cego, por exemplo. Quero transformar outras vidas como a minha foi transformada”. Atualmente, ele é repórter do programa quinzenal Ponto Cego, da TV Assembleia, do Estado do Ceará, disponível no YouTube, onde mostra relatos e alternativas para pessoas cegas e com baixa visão.</p>



<p><strong>Saiba mais:</strong></p>



<p>Esta é uma produção coletiva realizada em parceria pelas mídias independentes do Nordeste: <a href="http://www.marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a> (PE), <a href="https://agenciaeconordeste.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eco Nordeste</a> (CE), <a href="https://midiacaete.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mídia Caeté</a> (AL), <a href="https://olhosjornalismo.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Olhos Jornalismo</a> (AL), <a href="https://www.retruco.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Retruco</a> (PE), <a href="https://www.adiadorim.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Diadorim</a> (PE), <a href="https://revistaafirmativa.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Revista Afirmativa</a> (BA), <a href="https://www.saibamais.jor.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Saiba Mais</a> (RN), <a href="http://cajueira.substack.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Newsletter</em> Cajueira</a> (NE) e Malamanhadas (PI), na edição de <em>podcasts</em>.</p>



<p>Todos os produtos do projeto Acessibilidade Jornalística: um problema que ninguém vê estão disponíveis no <a href="http://www.lumeacessibilidade.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.lumeacessibilidade.com.br</a>.</p>



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<p></p>
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		<title>Está quase pronto o primeiro filme 100% acessível para pessoas surdas produzido no Nordeste</title>
		<link>https://marcozero.org/esta-quase-pronto-o-primeiro-filme-100-acessivel-para-pessoas-surdas-produzido-no-nordeste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jun 2022 18:47:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>*por Ariel Sobral Na contramão da produção cinematográfica que não toma cuidados básicos para garantir o acesso de pessoas com deficiência auditiva, profissionais recém formados na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), estão finalizando o curta-metragem Nova Aurora, o primeiro filme totalmente em libras e acessível para pessoas surdas [&#8230;]</p>
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<p><strong>*por Ariel Sobral</strong></p>



<p>Na contramão da produção cinematográfica que não toma cuidados básicos para garantir o acesso de pessoas com deficiência auditiva, profissionais recém formados na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), estão finalizando o curta-metragem <em>Nova Aurora</em>, o primeiro filme totalmente em libras e acessível para pessoas surdas produzido no Nordeste.</p>



<p>O projeto teve início quando a equipe ainda cursava a graduação, a partir de um programa de extensão do curso de Design da UFPB, em 2019, juntamente com o curso de Cinema da UFPE. As turmas decidiram trazer para o debate público a pauta da acessibilidade e representatividade de pessoas surdas nas telonas, afinal, apesar da esquecida Instrução Normativa 128/2016 da Ancine, que prevê a obrigação de que 15% das salas de cinema dos maiores exibidores do país possuam os equipamentos que garantam acessibilidade visual e auditiva, o público surdo ainda encontra dificuldades nesses espaços.</p>



<p><em>Nova Aurora</em> foi gravado em uma escola municipal do Recife e animado em João Pessoa. O filme é protagonizado pela personagem Maria Rosa, interpretada pela atriz surda Taíse Colman, com enfoque nos desafios cotidianos compartilhados por jovens com essa condição no Brasil. Para tornar o curta-metragem uma realidade, participaram mais de 130 pessoas, 45 delas só na equipe de animação, além de um elenco composto por mais 20 artistas surdos.</p>



<p>A técnica escolhida para a transição do filme <em>live-action</em> para animação, foi a rotoscopia, que consiste em redesenhar os frames com o objetivo de transformá-los em pintura e juntá-los para formar uma animação. A técnica já foi usada no cinema em filmes como C<em>om Amor Van Gogh</em> (2017), <em>O Expresso Polar</em> (2004), <em>O Homem Duplo</em> (2006) e <em>Waking Life</em> (2001).</p>





<p>“O projeto se originou em uma conversa entre mim e Petra Renor (diretora de arte)  sobre uma vontade nossa de fazer um filme de animação, que, até então, nunca tinha sido feito no nosso curso. Soubemos da abertura para projetos de extensão e vimos a oportunidade de começar por ali. Então convidei Victor Jiménez para criarmos o projeto em conjunto em uma parceria com o curso de cinema da UFPE, com o intuito de fazer algo o mais bem feito e completo possível,” relatou Davide Casagrande, diretor de animação, animador e co-produtor.<br><br>A escolha da direção não foi por acaso. O universo de pessoas surdas não é novo para o diretor, roteirista, montador e co-produtor Victor Jiménez, que, em 2018, estreou seu primeiro filme <em>Auto Retrato</em>, com uma protagonista surda. Com o auxílio do pesquisador e intérprete de libras, Eduardo Calisto, a principal preocupação era a de evidenciar a cultura deste grupo, e a presença dele na vida da cidade. 7</p>



<p>Com o Recife como plano de fundo, o curta foi inspirado também pelas discussões políticas e sociais de transformação urbana que a cidade vem passando nos últimos anos. Episódios como o Ocupe Estelita e de mudanças no Recife Antigo trouxeram alguns dos elementos principais do roteiro, que estabelece um paralelo entre as transições que a protagonista e a cidade passam. “O filme em si tem uma relação intrínseca com o Recife, e enquanto eu refletia sobre isso, me veio à mente a rua da Aurora como um símbolo. Nesta rua, existe uma carga emocional de pertencimento muito grande no imaginário de cada recifense. Pensando nisso, e como poderia se relacionar com a história de Rosa, veio o Nova, de <em>Nova Aurora</em>. É como uma chamada, ou uma provocação, a pensarmos como queremos que essa cidade seja no futuro,” disse Victor.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>As filmagens</strong></h2>



<p>O trabalho de filmagem começou depois de um intenso&nbsp; trabalho de pesquisa de campo durante três meses em escolas bilíngues (português/libras) na Região Metropolitana do Recife. Nesse processo, foram entrevistados aproximadamente 100 alunos surdos que cursavam desde o ensino primário até o ensino médio, além de professores, pais e também pesquisadores da área. </p>



<p>A escola escolhida para a realização das filmagens foi a Escola Municipal Padre Antônio Henrique, localizada na rua Viscondessa do Livramento, no Derby. “Na escola, acompanhei uma turma que tinha a mesma faixa etária da personagem que eu estava escrevendo. Lá fui recebido com muita empolgação tanto pelo corpo docente quanto pelos alunos. Então aproveitei a receptividade e entrei de corpo e alma no dia a dia deles. Assisti várias aulas, presenciei como era a convivência entre jovens surdos, sobre seu aprendizado em sala de aula e sua convivência familiar,” contou o diretor.</p>



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	                                        <p class="m-0">Frame do curta metragem produzidos por estudantes da UFPE e UFPB. Crédito: Divulgação/Nova Aurora</p>
	                
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<p><br>O elenco foi composto pelo corpo docente do colégio e os alunos, e contou com a consultoria de pesquisadores surdos em todas as etapas do filme. Durante as gravações, estiveram presentes Eduardo Calisto,intérprete de Libras, e Celina Vaz, assistente de direção e preparadora de elenco especializada em processos com público surdo em espetáculos de teatro e educação.&nbsp;</p>



<p>Além disso, jovens universitários surdos foram para avaliarem o andamento das filmagens em questão da condução e representação dos atores surdos. “Estamos agora no quarto ano consecutivo de trabalho, nossa estimativa de finalização é para o final de 2022, quando estarão completas a animação, efeitos especiais, trilha sonora original e legendas em português e inglês até o final de 2022,” disse Victor.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A animação</strong></h3>



<p>A técnica da rotoscopia tem como base o filme inteiro com atores e locações reais. Para esse trabalho ser completamente autoral, o filme foi composto pelos departamentos de fotografia, som, acessibilidade, animação e efeitos especiais, cada um com uma diretoria e movimentações próprias. A equipe encarregada pela animação foi dividida em dois grupos, um responsável pelos traços e outra de pintura.<br><br>“Enquanto o filme em <em>live action</em> estava na etapa de pré-produção, nós da animação fizemos várias reuniões para definir identidade visual, layout, técnicas, linha de produção e treinamento. A rotoscopia exigiu entre oito a 12 quadros desenhados e pintados por segundo, e o filme tem aproximadamente 19 minutos de duração, logo, foi necessário uma equipe extensa, que, na época, nem existia no mercado Então nós, do núcleo fundador, fizemos recrutamento e treinamento dos alunos de Design da UFPB. Logo, por crescente notoriedade do projeto e de demanda de produção também, começamos a recrutar interessados da UFPE, depois da Unicamp, da AESO, da Escola SAGA e todos os demais que se mostraram interessados em aprender animação e trabalhar conosco no filme,” contou Davide Casagrande.<br></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Na pandemia</strong></h3>



<p>A produção do filme também foi afetada pela pandemia da Covid-19. O fechamento das universidades públicas e, consequentemente, o acesso aos equipamentos, como estúdios de gravação e mesas digitalizadoras, afetaram a equipe e o progresso do curta. O trabalho foi reduzido ao que pode ser feito via <em>home office</em>, com a direção e a produção reinventando a forma de conduzir as etapas.</p>



<p>&nbsp;“Foi necessário para o projeto continuar a viver. Também uma motivação por parte das lideranças, para mostrar que nosso trabalho, apesar de não podermos remunerar a equipe,, era um trabalho que valia a pena se fazer, por tudo o que ele representa, tnto por sua narrativa tão necessária no Brasil que vivemos hoje, quanto por mostrar o potencial de onde o trabalho universitário coletivo pode chegar quando todos nós nos juntamos em prol de um único objetivo. A cada dia foi necessário perseverar para mostrar o como Nova Aurora era, e é, uma luta que vale ser defendida,” afirmou Casagrande.</p>



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	                                        <p class="m-0">Técnicas de animação deram efeito de aquarela às filmagens com atores e atrizes reais. Crédito: Divulgação/Nova Aurora</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h4 class="wp-block-heading"><strong>O processo de pintura</strong></h4>



<p>E foi de maneira completamente remota que as etapas de pintura, animação e efeitos foram realizadas. Com demandas e entregas semanais, as equipes criaram um processo de trabalho baseado na separação dos frames, processando-os e juntando-os novamente para formar as cenas. Após isso, o vídeo renderizado (o mesmo que tornar permanente um trabalho de processamento digital em áudio ou imagem que, após as alterações editadas, resulta num arquivo final) recebia os efeitos e animações, sendo cada etapa realizada por uma equipe diferente.&nbsp;</p>



<p>A equipe está testando uma forma mais inovadora de processar todos os frames em três etapas de uma só vez, utilizando três ferramentas diferentes. As cores utilizadas também cumprem um papel importante. Pensadas de acordo com a psicologia das cores para retratar diferentes turnos do dia e estado emocional dos personagens, as paletas de cores são elementos fundamentais na construção narrativa da história.</p>



<p>“Dentre os efeitos especiais do filme, o mais importante artisticamente e narrativamente é o efeito da aquarela que se move enquanto a trama se desenvolve. Ele foi desenvolvido para dar a sensação de “tela viva”, que cria a sensação como se os personagens do filme estivessem sendo pintados quase que em tempo real em uma tela. Para isso, eu pinto cada frame chave com as manchas de aquarela distintas,” explicou a artista visual, desempenho a função de Co- designer de produção e chefe de efeitos especiais do curta, Ery Vieira.</p>



<p>Após ser finalizado, o curta será submetido a festivais para a sua estreia. Aos interessados em colaborar financeiramente ou de qualquer outra forma com o projeto, o contato pode ser feito através da conta do instagram: @novaauroraofficial.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa  caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;página de doação</a>&nbsp;ou, se preferir, usar nosso&nbsp;<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>. Apoie o jornalismo que está do seu lado.</cite></blockquote>



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		<title>Parceria da Marco Zero com a Unicap e oito sites de jornalismo do Nordeste vence desafio de inovação do Google</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Jul 2021 16:29:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nove organizações jornalísticas independentes no Nordeste e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) foram selecionadas na edição 2021 do Google News Initiative Innovation Challenge, desafio internacional realizado pelo Google para buscar soluções inovadoras para o jornalismo na América Latina. O projeto Acessibilidade jornalística: um problema que ninguém vê vai oferecer uma solução integrada para o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nove organizações jornalísticas independentes no Nordeste e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) foram selecionadas na edição 2021 do <a href="https://newsinitiative.withgoogle.com/innovation-challenges/"><u>Google News Initiative Innovation Challenge</u></a>, desafio internacional realizado pelo Google para buscar soluções inovadoras para o jornalismo na América Latina. O projeto <em>Acessibilidade jornalística: um problema que ninguém vê</em> vai oferecer uma solução integrada para o problema da falta de conteúdo jornalístico de qualidade e acessível para pessoas cegas e com baixa visão. Além da Marco Zero e da Unicap, participam do projeto <a href="https://midiacaete.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mídia Caeté</a> (AL), <a href="https://olhosjornalismo.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Olhos Jornalismo</a> (AL), <a href="https://www.retruco.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Retruco </a>(PE), <a href="https://www.adiadorim.org/post/diadorim-jornalismo-independente-em-defesa-dos-direitos-da-populacao-lgbti" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Diadorim</a> (PE), <a href="https://www.saibamais.jor.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Saiba Mais</a> (RN), <a href="https://agenciaeconordeste.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Eco Nordeste</a> (CE), <a href="https://revistaafirmativa.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Revista Afirmativa</a> (BA) e a newsletter <a href="https://cajueira.substack.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cajueira</a> (NE).</p>



<p>A proposta vencedora do desafio em que concorreram organizações de toda a América Latina teve como ponto de partida o projeto de conclusão do Mestrado Profissional em Indústrias Criativas da Unicap da jornalista Mariana Clarissa da Conceição Silva, orientado pelos professores Luiz Carlos Pinto e Anthony Lins, cujo objetivo era criar uma solução para ampliar a acessibilidade de sites jornalísticos para pessoas cegas ou com baixa visão. &#8220;É uma satisfação enorme ver esse projeto criando asas e entrando em uma nova fase. A ideia saiu do campo acadêmico e agora vai, de fato, tomar forma e contribuir para a melhoria do acesso das pessoas com deficiência visual ao ambiente de notícias na web&#8221;, pontua Mariana.</p>



<p>Nesta etapa, foi realizado um breve diagnóstico sobre acessibilidade em sites jornalísticos brasileiros, especialmente do Nordeste do Brasil, e, na sequência, criado o protótipo de um aplicativo curador e leitor de conteúdo adaptado às necessidades de pessoas com deficiência visual. “O projeto faz uso de recursos tecnológicos orientados por um design focado no usuário, de modo que será possível analisar de maneira precisa o nível de acessibilidade de sites jornalísticos&#8221;, afirma o professor Anthony Lins. &#8220;Nós ainda vamos desenvolver um aplicativo para gestão de conteúdo e consumo de notícias e com isso contribuir para o acesso às informações pelo público com algum nível de comprometimento na visão&#8221;, completa.</p>



<p>A pesquisa realizada anteriormente demonstrou a amplitude de um problema pouco visibilizado pela indústria jornalística nacional e, mais ainda, revelou o potencial para uma solução ainda mais inovadora, ampla, efetiva, integrada e com escala para assegurar o que estabelece a legislação nacional sobre acessibilidade para meios de comunicação e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que classifica a Comunicação como direito fundamental.</p>



<p>Agora, esta união sem precedentes de organizações jornalísticas independentes do Nordeste &#8211; em parceria com a maior universidade comunitária da região &#8211; vai realizar uma pesquisa mais ampla sobre a oferta e o consumo de conteúdo jornalístico por pessoas com deficiência e criar duas ferramentas automatizadas, uma para que sites jornalísticos possam obter um diagnóstico e recomendações para adaptar seus conteúdos para os protocolos de acessibilidade para os softwares mais populares de leitura de tela e um aplicativo curador de conteúdo jornalístico de qualidade e acessível, produzido pelas organizações participantes.</p>



<p>“O impacto mais amplo esperado desta iniciativa é a inclusão efetiva das pessoas com deficiência visual entre os consumidores de conteúdo jornalístico no Brasil, contribuindo não apenas para o fortalecimento da função social do jornalismo, mas para a garantia do fornecimento do que é um direito humano básico. A pesquisa em Comunicação e a indústria jornalística também saem fortalecidas deste tipo de parceria, bem como os esforços já empreendidos no combate à desinformação no Brasil”, comenta a diretora da Escola de Comunicação da Unicap e também uma das fundadoras da Marco Zero Conteúdo, Carol Monteiro.</p>



<p>Segundo dados do IBGE, no Brasil há mais de 6,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual. “Por falta de interesse ou de recursos para atender às necessidades deste grupo, não há efetividade nas práticas das empresas jornalísticas. Assim, esta parcela da população é excluída do consumo de informação de qualidade, tratada como um consumidor com menor potencial de escolhas e, pior: fica mais vulnerável a conteúdos distribuídos com a intenção de defender interesses de grupos econômicos e políticos que se beneficiam da desinformação e das fake news”, alerta a presidenta da Marco Zero Conteúdo, Inês Campelo.</p>



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