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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Sem o FIG e temendo pelo Carnaval, setor cultural cobra ações do Governo do Estado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2020 07:53:42 +0000</pubDate>
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<p>Era para Garanhuns estar em festa, comemorando os lucros do maior festival de inverno do Nordeste. Mas como quase tudo em 2020, a pandemia impediu a festa. No hotel Rodrigues, o mês de julho representa 90% do faturamento anual. Além do FIG, há um encontro de jipeiros no começo do mês, que, claro, também não ocorreu. Dos 13 funcionários, apenas seis estão ainda com contratos ativos. &#8220;Ainda não sabemos como vai ficar até o final do ano. Se não tivermos o Natal luz em dezembro, vai ficar muito difícil&#8221;, conta o gerente de reservas, Wallace Ferraz. Por lá, só funcionários de atividades essenciais que foram deslocados para a cidade se hospedaram nos últimos cinco meses. &#8220;Nem 10% da capacidade&#8221;.<br><br>Não há ações do estado nem da prefeitura para os pequenos empresários. &#8220;Aderimos ao programa do governo federal para suspensão de contratos. É só isso que tem&#8221;, lamenta o gerente. Além do turismo, foi o setor da música a primeira atividade a parar e deve ser a última a voltar, após o fim da pandemia. Os cancelamentos do FIG e do São João tiveram um enorme impacto na renda de artistas, produtores e técnicos. E não há um horizonte de melhora, enquanto o coronavírus segue avançando sem controle pelo Brasil.<br><br>As tradicionais festas de réveillon já estão canceladas em São Paulo e no Rio de Janeiro. E até o carnaval de Pernambuco pode seguir o mesmo caminho &#8211; SP e RJ, com carnavais de passarela, que exigem uma preparação prévia mais extensa, já anunciaram o adiamento da festa. No Recife, a Câmara dos Vereadores começa a debater o mesmo tema na semana que vem.<br><br>Com tantos cancelamentos, mais que necessários para minimizar a pandemia, os artistas se sentem abandonados à própria sorte. O Festival de Inverno de Garanhuns, por exemplo, não teve uma versão online, nem os seus recursos realocados para o setor. No ano passado, o governo do estado investiu R$ 8,5 milhões no FIG. <br><br>Em nota, a Secretaria de Cultura de Pernambuco afirma que houve queda de 30% na arrecadação do estado, por conta do coronavírus. &#8220;Com isso, não há sobra de caixa. Temos que levar em conta também que houve um investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão na saúde e que todas as pastas que não estão na linha de frente do combate à Covid-19 sofreram cortes orçamentários&#8221;, diz a nota.</p>



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<p>Com mais de 20 anos de estrada, Mamão da Xambá já teve banda, agenciou grupos, produziu festas, rodas de coco, de samba, afoxé, cirandas. Está recebendo o auxílio emergencial de R$ 600, mas, com seis filhos e muitas contas a pagar, nem de longe consegue sobreviver com esse valor. Para se sustentar, passou a vender instrumentos e equipamentos técnicos, suas ferramentas de trabalho.<br><br>&#8220;Já vendi atabaque, alfaia, caixas de som. Vou ter que vender outra caixa agora esse mês. Não há nenhuma perspectiva de quando isso vai mudar&#8221;, diz.<br><br>Na casa da cantora e compositora Joanah Flor a pandemia chegou com ainda mais força. Hoje, ela vive de doações. Mãe solo responsável por duas filhas, teve o auxílio emergencial negado. &#8220;Alegaram que eu não tinha direito, porque uma das minhas filhas, que já é maior de idade, estava recebendo. Não consegui nem recorrer&#8221;, lamenta Joanah, que pagava as contas de casa com a atividade de contadora de histórias em escolas e eventos. &#8220;Com as escolas fechadas, também perdi isso&#8221;, diz. O que ajudou nesses últimos meses foi o pagamento do cachê do carnaval feito pela Prefeitura do Recife, e a doação de duas cestas básicas da Articulação Musical de Pernambuco (AMP).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Todas as fichas na Lei Aldir Blanc</h2>



<p>Agora, a expectativa de Joanah é conseguir o benefício pela <a href="http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.017-de-29-de-junho-de-2020-264166628">Lei Aldir Blanc</a>. Ontem, ela fez o cadastro na Prefeitura de Olinda, onde mora, para tentar receber o auxílio, que deve ser regulamentado ainda nesta semana. São R$ 3 bilhões destinados à cadeia da cultura, provenientes do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), do Plano Nacional de Cultura (PNC) e do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).<br><br>A distribuição dos recursos será dividida meio a meio entre estados e municípios. Os valores serão repassados fundo a fundo, o que, em teoria, garante mais agilidade. Os municípios e estados devem distribuir os recursos em 60 dias &#8211; ou o dinheiro volta para a União. Pernambuco deve receber cerca R$ 150 milhões, sendo Recife a cidade com a maior fatia, de R$ 10,8 milhões. O valor que cada município vai receber leva em conta o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e a quantidade de habitantes. (<a href="https://www.cnm.org.br/cms/images/stories/Links/05062020_Lei_Aldir_Blanc_Munic%C3%ADpios.pdf">confira aqui quanto cada município vai receber</a>)<br><br>Para preparar os municípios para repassarem os valores aos artistas e entidades, a Secretaria de Cultura/Fundarpe tem feito uma série de reuniões online. Entre as perguntas que os gestores municipais mais fazem é quem pode ter direito ao auxílio de R$ 600, por três meses. Há uma série de regras: desde não ter emprego formal até a comprovação de trabalho na área artística nos últimos 24 meses.<br><br>Sobre o cadastro, a Secult-PE/Fundarpe afirma que a plataforma online <a href="http://www.mapacultural.pe.gov.br/">Mapa Cultural de Pernambuco</a> está passando por uma reformulação junto à Agência Estadual de Tecnologia da Informação (ATI) para abrigar os dados dos beneficiados pelo auxílio emergencial da lei Aldir Blanc (pessoas físicas e espaços culturais).<br><br>A lei também estabelece linhas de crédito e subsídios a estabelecimentos culturais, mas ainda não ficou claro, nas reuniões online, como isso será executado. A ideia mais recorrente nas reuniões é de que o governo do estado fique responsável pelo pagamento das pessoas físicas e os municípios paguem as entidades culturais.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Músicos querem audiência com o governador</h3>



<p>No meio da pandemia, a indignação com o desamparo com o setor da música se transformou em um grupo de WhatsApp e logo depois em uma ação mobilizada para cobrar iniciativas do governo estadual. Um longo documento, com uma série de propostas e reivindicações, foi protocolado na Casa Civil no dia 27 de junho. O grupo, batizado de Acorde, conta hoje com mais de 120 integrantes e solicitou uma reunião com o governador Paulo Câmara. Ainda não houve resposta.<br><br>Para o grupo, não adianta mais falar com o secretário de cultura Gilberto Freyre Neto ou o presidente da Fundarpe Marcelo Canuto. A produtora Melina Hickson, uma das porta-vozes do movimento, diz que as demandas da setorial de música do Conselho Estadual de Cultura não são atendidas. &#8220;Existe um diálogo praticamente falido e nunca se dá um retorno ou é um retorno retórico. É uma gestão engessada e pouco autônoma. Por isso, resolvemos ir direto ao governador&#8221;.<br><br>Melina critica a falta de apoio aos artistas, neste momento tão difícil. &#8220;Outros estados como o Ceará, a Bahia e a cidade de Brasília criaram editais específicos, com fundos para lives e produção durante a pandemia. Aqui, tivemos São João e FIG cancelados e toda uma cadeia produtiva que vive dessas rendas sem nenhuma perspectiva&#8221;, afirma.</p>



<p>Outra crítica é quanto à burocracia da pasta. O Funcultura deste ano, por exemplo, teve que ser entregue presencialmente, já que ainda não há opção online do edital. Nem mesmo durante uma pandemia. &#8220;O governo trata a cultura como algo etéreo. Mas são trabalhadores, famílias, técnicos, músicos que estão em uma situação difícil. Há tanta preocupação em reabrir o comércio e o turismo, mas e o pessoal da cultura? Temos um governo desprovido de políticas públicas para o setor, que acha que ações como o Funcultura e o os ciclos festivos são políticas públicas. Não são, são ações de fomento. Já perdemos o São João, o FIG e provavelmente iremos receber em breve a <em>lapada </em>da notícia de perder o carnaval&#8221;, lamenta. A carta em que o grupo apresenta suas propostas para o setor já conta com mais de 200 assinaturas. <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd9ywRJYsVRlZPEA1a_8zoTW4VYlD4p7cwlGkxsn48TYcuKmQ/viewform">Confira a ínt</a><a aria-label="undefined (opens in a new tab)" href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd9ywRJYsVRlZPEA1a_8zoTW4VYlD4p7cwlGkxsn48TYcuKmQ/viewform" target="_blank" rel="noreferrer noopener">egra do documento.</a></p>



<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="oMhHMcvYXi"><a href="https://marcozero.org/musicos-fazem-planos-para-retomar-a-vida/">Há quatro meses longe dos palcos, músicos fazem planos para retomar a vida</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Há quatro meses longe dos palcos, músicos fazem planos para retomar a vida&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/musicos-fazem-planos-para-retomar-a-vida/embed/#?secret=b4uH7m7KIo#?secret=oMhHMcvYXi" data-secret="oMhHMcvYXi" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>



<p>Em nota à Marco Zero, a Secult afirma que neste ano foram executados mais de R$ 20 milhões para a cultura: sendo R$ 11,1 milhões do Funcultura ((R$ 7,1 milhões já pagos + R$ 4 milhões a serem pagos ainda em julho); R$ 5,6 milhões do carnaval, que está 100% pago, segundo a secretaria; R$ 2 milhões em apoio a festivais e eventos culturais nos municípios; R$ 616 mil pagos + R$ 1,5 milhão até o fim do ano para patrimônios vivos; e R$ 2 milhões para recuperação de equipamentos. <a href="http://www.cultura.pe.gov.br/canal/secultpe/comunicado-aos-trabalhadores-e-trabalhadoras-da-cultura/" target="_blank" aria-label="undefined (opens in a new tab)" rel="noreferrer noopener">Confira a íntegra da nota da Secult</a>.<br></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sem-o-fig-e-temendo-pelo-carnaval-setor-cultural-cobra-acoes-do-governo-do-estado/">Sem o FIG e temendo pelo Carnaval, setor cultural cobra ações do Governo do Estado</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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