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	<title>Arquivos Acuenda - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Acuenda - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Festival de Inverno de Garanhuns volta a censurar espetáculo e artistas LGBTQIA+</title>
		<link>https://marcozero.org/festival-de-inverno-de-garanhuns-volta-a-censurar-espetaculo-lgbtqia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2022 01:31:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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<p>Quatro anos após a suspensão do monólogo<em> O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu</em>, da atriz, diretora e dramaturga Renata Carvalho, o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) volta ao centro de um caso de censura envolvendo artistas LGBTQIA+, novamente em ano eleitoral. Uma peça do coletivo Acuenda, da periferia paulista, foi cancelada ontem. Após uma chuva de reações indignadas nas redes sociais, hoje a Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundarpe, realizadoras do festival, <a href="http://www.cultura.pe.gov.br/canal/fig2022/nota-coletivo-acuenda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">emitiram nota</a> afirmando que o grupo &#8220;nunca foi excluído da grade artística da 30ª edição, que segue disponível para consulta pública no portal www.cultura.pe.gov.br&#8221;.</p>



<p> O coletivo Acuenda considerou a nota mentirosa. E uma das provas da censura é de que, até o fechamento desta matéria, o horário das 19h, do dia 21 de julho, no teatro do Sesc, permanece como &#8220;aguardando definição&#8221; na programação oficial. No lançamento da grade, era o nome da peça do Acuenda que estava escrita neste mesmo dia e horário, como comprovam vários sites que colocaram a programação no ar.</p>



<p>Ontem, um dos integrantes do grupo, David Costa, recebeu a ligação de uma pessoa chamada Irene, da gerência de política cultural, afirmando que a entrada do espetáculo <em>Cabaré d&#8217;água: nosso corpo é político</em> na grade de programação foi um erro e que outro espetáculo iria ficar no lugar deles, no dia 21, às 19h. &#8220;Em nenhum momento mandaram algum e-mail ou mensagem oficializando a saída. Disseram que houve uma nova reunião da comissão de seleção e que, na verdade, o espetáculo tinha ficado em 20º lugar, e não em segundo lugar. Eu disse a ela que nós iriámos atrás dos nossos direitos e solicitei a ata dessa reunião. Ela disse que não poderia enviar, mesmo sendo um documento público&#8221;, afirma David, em entrevista à Marco Zero. &#8220;Quando Irene me ligou ontem, ela não conseguia completar as informações. Eu perguntava o motivo disso estar acontecendo agora e ela não respondia diretamente, ficava enrolando. Disse que, se algum grupo caísse ou tivesse substituição, entrariam em contato&#8221;.</p>



<p>Outro integrante do coletivo, Bruno Fuziwara, conta à Marco Zero que o grupo havia comprado material para a apresentação no FIG. Os ensaios também já estão ocorrendo. O cachê do festival é de R$ 10 mil e a peça conta com oito artistas e duas pessoas para a parte técnica. &#8220;Para mim, o que acontece é censura, por sermos um grupo LGBTQIA+, por sermos <em>drag queens</em>. A nota diz que nunca saímos da programação, querem colocar a gente como mentirosos, mas é só entrar no site e ver que nos retiraram sim. Até o presente momento a gente não sabe se vai ou não participar, compramos figurino, perucas, maquiagem, materiais de cena…nossa peça é para falar de que nós,<em> drag queens</em>, somos um ato político. Nosso corpo é um corpo politico por estar ocupando esses espaços e não sermos invibilizados, por estarmos mostrando força e potência&#8221;, diz Bruno.</p>



<p>Após as denúncias de censura nas redes sociais, David Costa recebeu mensagens do diretor do festival, André Brasileiro. Nas mensagens, André fala em &#8220;retomar o diálogo&#8221; e repete o conteúdo da nota, que também cita que &#8220;as tratativas (com o Acuenda) se resumiram à solicitação de documentos para confirmação do processo de contratação do referido grupo&#8221;. &#8220;Não foi nada disso, foi bem claro de que estávamos fora do festival. O FIG exige uma burocracia enorme de documentação e quem está resolvendo isso é uma produtora nossa, que tem enviado por e-mail os documentos solicitados&#8221;, diz David.</p>



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	                                        <p class="m-0">Print do site G1, com a programação divulgada pelo FIG. Abaixo, print de como está hoje no site oficial do festival</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Curador confirma 2º lugar</h2>



<p>A peça do coletivo Acuenda entrou na grade de programação do FIG por meio do edital. E ficou em segundo lugar na classificação de espetáculos ao ar livre, de acordo com o curador de Teatro e Dança do festival e presidente da Comissão de Seleção de Teatro e Ópera, José Neto Barbosa. Ele foi exonerado no dia 14 de junho da Secretaria de Cultura, mas deixou a programação já pronta, antes de sair. O tema da curadoria foi &#8220;<em>A re-existência do teatro: mulheridades, diversidades, corpos políticos e imaginário popular</em>&#8220;.</p>



<p>O espetáculo do Acuenda entrou na categoria de teatro ao ar livre porque, inicialmente, previa um cortejo de <em>drag queens</em> pelas ruas do centro da cidade, antes da peça ser encenada no teatro do Sesc Garanhuns. Com a saída de José Neto, o Acuenda foi informado de que a apresentação seria apenas dentro do teatro. </p>



<p>&#8220;Há um conservadorismo muito forte em Garanhuns. Há um medo dos corpos <em>drag queens</em>, porque é um personagem que tem a ver com o protesto, com o teatro de revista, com a contestação. E isso dentro de um ano eleitoral…foi claramente uma pressão política para a saída da peça&#8221;, diz José Neto. A exoneração dele, que fazia a curadoria de teatro desde 2017, ocorreu também de forma controversa. &#8220;Em uma ligação de menos de um minuto disseram que eu iria ser exonerado, porque a nova gestão queria o cargo para um quadro do grupo político. Foi sem qualquer diálogo&#8221;, conta José Neto, que ocupava o cargo de assessor de Teatro e Ópera desde 2017. No começo de maio, Oscar Barreto, do PT, assumiu a secretaria de Cultura do estado, na movimentação de alianças para as eleições.</p>



<p>Para o Acuenda, foi a possibilidade de que o caso ganhasse a projeção nacional do caso de Renata Carvalho que fez com que a Secult e a Fundarpe emitissem nota desmentindo a retirada da peça. David inclusive estava com Renata quando ela apresentou, de forma independente, o monólogo em Garanhuns. &#8220;Na época, a Fundarpe em si não fez nada, só queria que a gente fosse embora da cidade. Foi bem triste&#8221;, lembra. &#8220;Naquela época e agora, se trata de questões políticas. Eles querendo poupar a cidade de uma atração que talvez nem a cidade queira se poupar disso. De algo novo, de algo que está chegando com o festival, que traz diversidade, que traz a cultura LGBTQIA+. Mais uma vez querem empurrar um teatro convencional, um teatro muito certinho. Tenho certeza que tem interferência da política&#8221;, afirma David.</p>



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	                                        <p class="m-0">Cena da peça Trans(passar), que busca apoio para ir a Garanhuns. Foto: Divulgação</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Onde estão as pessoas trans?</strong></h3>



<p><strong> </strong>Também nas redes sociais, o grupo teatral Agridoce lançou a pergunta: Onde estão as pessoas trans na programação do FIG? O grupo, formado por dois homens cis gays e duas mulheres trans, foi habilitado no edital, mas não passou da fase da curadoria. Agora, fazem uma <a href="https://l.instagram.com/?u=https%3A%2F%2Fwww.vakinha.com.br%2F2953794&amp;e=ATNpgTaqcmwFU-eWcASmUAluNeJPZh_iR0ob4FZU1GCrYBXJBsPffqHpd3JtLHK0r2-roQ_BX_ztYXJvzkyp&amp;s=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">campanha para arrecadar</a> R$ 1,3 mil para exibir o espetáculo <em>Trans(passar)</em> em Garanhuns, nos dias em que acontece o FIG. &#8220;Contamos nos dedos quantas produções locais, de Pernambuco, estão presentes no FIG&#8221; , reclama a atriz Sophia Williams, integrante do Agridoce.</p>



<p>Sophia também denuncia a forma como pessoas e artistas trans são tratadas pelo festival. &#8220;É como se nossas pautas não fossem interessantes. A LGBTobia está escancarada desde o que aconteceu com Renata Carvalho. A bancada evangélica é muito forte em Garanhuns e, mesmo indo fora da programação, Renata foi atacada. Eu não vejo como um problema ter um palco gospel, para mim isso não é uma questão. Mas quando usam a religião como desculpa para LGBTfobia, para cancelar um espetáculo que eles não aprovam, é algo muito nocivo&#8221;, diz.</p>



<p>Para a crítica de teatro Ivana Moura, do <a href="https://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">blog Satisfeita Yolanda</a>, é inadmissível que um festival que chega aos 30 anos de estrada se comporte desta maneira. &#8220;O episódio descredita o FIG e sua curadoria, prejudica os artistas e toda a cadeia produtiva envolvida com o espetáculo. Não é um caso isolado. É um retrocesso sempre com os mesmos alvos: os corpos LGBTQIA+, os corpos trans. Tem que ter um basta para esses manés, coronéis, políticos que querem sempre se aproveitar da situação, de manipular politicamente. A cultura não é objeto para servir aos interesses dessas figuras. A cultura merece e exige respeito. A proibição da peça da atriz Renata Carvalho foi um trauma. Deixou profunda marcas negativas nos envolvidos. É um episódio que envergonha Pernambuco e ainda hoje é citado quando se fala nos casos de censura no país&#8221;, afirma.</p>



<p>Para não correr o risco de ameaças e violências, Sophia Williams conta que a peça <em>Trans(passar)</em> só vai ter o local e o horário divulgados horas antes. O espetáculo conta história de várias mulheres trans e travestis na perspectiva de uma escritora que cria uma personagem que tem como sonho ser tirada para dançar. &#8220;Vamos levar a peça para Garanhuns como um ato de resistência. Para que nossos corpos sejam vistos e nossas histórias sejam contadas de outra forma, não só de forma agressiva, não só pelo viés da violência ou da prostituição. Mas que nós somos também cidadãs, nós pagamos impostos e nós temos sonhos. Vamos para dizer que estamos vivas e vamos continuar sonhando&#8221;, diz Sophia.</p>



<p>Com a expectativa de ter o nome de volta à programação oficial do FIG, o coletivo Acuenda também quer transformar a participação no festival em uma mobilização com artistas LGBTQIA+ locais. &#8220;Está tudo muito recente, mas vamos conversar com os artistas e tentar fazer se não um cortejo pela cidade, pelo menos uma entrada na frente do teatro&#8221;, diz Bruno.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/outdoors-de-cineclube-lgbtqia-sao-retirados-da-frente-de-escola-religiosa-em-garanhuns/" class="titulo">Outdoors de cineclube LGBTQIA+ são retirados da frente de escola religiosa em Garanhuns</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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	            </div>
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