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	<title>Arquivos Agricultura Familiar - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 30 Dec 2025 19:03:50 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Agricultura Familiar - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Em Valente (BA), a segurança alimentar começa na escola</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Dec 2025 18:15:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Ater]]></category>
		<category><![CDATA[segurança alimentar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando a lei que amplia de 30% para 45% o percentual mínimo dos recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) destinados à compra direta de alimentos da agricultura familiar entrar em vigor, em 1º de janeiro de 2026, muitas cidades brasileiras terão de se desdobrar para cumprir a nova exigência. Valente (BA), porém, não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando a <a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/lei-amplia-compra-da-agricultura-familiar-para-o-pnae" target="_blank" rel="noreferrer noopener">lei</a> que amplia de 30% para 45% o percentual mínimo dos recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) destinados à compra direta de alimentos da agricultura familiar entrar em vigor, em 1º de janeiro de 2026, muitas cidades brasileiras terão de se desdobrar para cumprir a nova exigência. Valente (BA), porém, não deve enfrentar esse desafio. O município, localizado a 260 quilômetros de Salvador, já superou esse percentual em 2024 e tende a ampliar o desempenho em 2025, segundo dados ainda em consolidação. No ano passado, Valente recebeu R$ 943.668,00 do PNAE, dos quais R$ 454.493,83 foram destinados à compra de produtos da agricultura familiar &#8211; o equivalente a 48,16% do repasse anual.</p>



<p>Por trás desse investimento está um contexto que vai além do cumprimento da lei. Em Valente, assim como em outras partes do país, há sinais de redução no consumo de alimentos saudáveis e aumento da presença de produtos industrializados na dieta da população, além de mudanças nos canais de comercialização, com perda de espaço do autoconsumo e dos circuitos curtos. Diante desse cenário, fortalecer a merenda escolar como política pública de abastecimento local surge como uma das principais oportunidades para ampliar o acesso à comida de verdade e consolidar a segurança alimentar no município.</p>



<p>Outro fator decisivo para que o desempenho de Valente na alimentação escolar não seja fruto do acaso é o processo histórico de organização da agricultura familiar e de fortalecimento das políticas públicas locais. Ao longo das últimas décadas, agricultores e agricultoras se estruturaram em associações, cooperativas e grupos produtivos, muitos deles impulsionados por entidades da sociedade civil, o que garantiu diversidade, regularidade e capacidade de fornecimento ao mercado institucional. “Aqui, a política pública não funciona sozinha. Se não tivesse uma sociedade civil organizada, esses resultados não existiriam”, afirma a secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maura da Silva Miranda.</p>



<p>Além da base social e produtiva, o município investiu na qualificação da gestão da alimentação escolar, tratando a merenda como eixo estruturante da política de segurança alimentar. Valente ampliou a equipe de nutricionistas, incluiu a produção local no planejamento dos cardápios e estruturou um sistema próprio de armazenamento e distribuição, com câmara fria, carro refrigerado e controle rigoroso da entrega dos alimentos. “A gente precisava ter domínio sobre o que chega à escola, na quantidade certa, com qualidade e segurança alimentar”, explica Maura. Segundo ela, essa estrutura é decisiva para viabilizar a compra de produtos da agricultura familiar, especialmente alimentos <em>in natura</em>. “Quando você organiza a logística e garante armazenamento adequado, você reduz desperdício e dá segurança tanto para quem produz quanto para quem consome”, completa.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Localizado no Território do Sisal, no semiárido da Bahia, o <a href="https://cidades.ibge.gov.br/ranking-resumido/download.html?cod=2933000" target="_blank" rel="noopener">município de Valente</a> ocupa uma área de aproximadamente 395 km². Inserido no bioma Caatinga, o território é marcado por vegetação adaptada à escassez de água, como jurema-preta, licuri, caroá e cactáceas, fundamentais para o equilíbrio ambiental da região. O clima é quente e semiárido, com chuvas irregulares que variam entre 600 e 700 milímetros por ano e temperaturas que podem oscilar de 17 °C a 35 °C. Os solos, geralmente rasos, pedregosos e pobres em nutrientes, somados à presença de águas subterrâneas salobras, impõem desafios à produção agrícola e exigem práticas de manejo adequadas para evitar degradação e desertificação. Segundo o Censo de 2022, Valente tem 24.362 habitantes, com pouco mais de um terço da população vivendo na zona rural, mantendo modos de vida fortemente ligados à agricultura familiar e à convivência com o semiárido.</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">A história que ajuda a explicar o presente</h2>



<p>Para entender como Valente desenvolveu uma sociedade civil tão forte, é preciso voltar um pouco no tempo e conhecer a história da comunidade rural de Papagaio. Distante 10 quilômetros da sede do município, Papagaio ocupa lugar estratégico na trajetória de organização social de Valente. Foi ali que, em 1972, a construção da Casa de Areia Branca se tornou um espaço de encontros, formações e articulação política promovidos pelo Movimento de Evangelização Rural (MER), contribuindo diretamente para o fortalecimento do movimento sindical e para a chamada “Tomada do Sindicato”, em 1975, quando agricultores assumiram o comando do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Décadas depois, Papagaio continuou a se destacar como território de inovação social e produtiva, com experiências como casas de farinha, grupos de beneficiamento de alimentos e iniciativas lideradas por mulheres que articulam economia solidária, agroecologia e políticas públicas como o PNAE.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Associacao-de-Mulheres-de-Papagaio-1024x684.jpg" alt="Seis mulheres que fazem parte da Associação de Mulheres abores da Terra pousando para foto. Elas seguram pequenos potes com os produtos produzidos por elas. Na parede atrás delas a logomarca da associação pintada em tons terrosos." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A Sabores da Terra mudou a realidade de mais de 30 famílias na comunidade de Papagaio, zona rural de Valente, BA.</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Atualmente, são dois grupos de beneficiamento de alimentos: o Sabores da Terra e o Delícias da Mandioca, ambos compostos por mulheres vinculadas à Associação Comunitária de Papagaio. O objetivo era aproveitar o excedente de frutas como umbu, acerola, tamarindo, manga e caju e, ao mesmo tempo, gerar trabalho e renda para as famílias. Hoje, os dois empreendimentos beneficiam diretamente doze mulheres e 30 famílias da comunidade.</p>



<p>Eliete Oliveira, presidente da Associação e também do Conselho de Segurança Alimentar de Valente, lembra que, em 2007, quando surgiu o Sabores da Terra com apoio da APAEB (Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira), a situação das mulheres da comunidade era bem mais complicada. “As mães de família viviam com o Bolsa Família, passando necessidade, e não tinham condições de sair para trabalhar em outra comunidade porque não tinham transporte. Algumas mulheres não podiam sair porque os maridos não deixavam.” Hoje, elas vendem sua produção para a prefeitura de Valente, por meio do PNAE, para mercados locais e lojas em outras cidades.</p>



<p>Josielma Lima é uma dessas integrantes do grupo que teve sua vida transformada pelo projeto. Entrou em 2009, ainda adolescente. Hoje, com 32 anos, é mãe de três filhos e dedica parte do seu tempo à cozinha industrial montada na sede do Sabores da Terra, produzindo polpa de frutas congelada, sequilhos e uma diversidade de alimentos feitos com produtos da agricultura familiar. Além do reforço na renda familiar e do sentimento de empoderamento que compartilha com as outras mulheres do grupo, Josielma sente orgulho de ajudar a produzir alimentos de qualidade que seus filhos estão comendo na escola.</p>



<p>Ela conta que a filha mais velha, Laís, de 16 anos, já no ensino médio na Escola Wilson Lins, é tão fã da comida do Sabores da Terra que busca “informações privilegiadas” em casa. “Ela chega perguntando: ‘mãe, que dia vai ser aquele bolinho?’”, conta Josielma, referindo-se ao cupcake vendido para o PNAE e que se tornou o carro-chefe do cardápio entregue nas escolas do município.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Fundação APAEB e Rede ATER em Valente</span>

		<p>A Fundação APAEB (Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira) e as organizações que integram a Rede ATER Nordeste têm desempenhado papel central na construção de políticas e estratégias voltadas à segurança alimentar e ao fortalecimento da agricultura familiar em Valente. No município, essa atuação se materializa por meio do projeto Cultivando Futuros – Transição agroecológica justa em sistemas alimentares do Semiárido brasileiro, que busca promover a agroecologia, fortalecer a soberania alimentar e ampliar a incidência das organizações da sociedade civil sobre as políticas públicas locais.</p>
<p>Executado em parceria com a AS-PTA e com apoio da organização alemã Brot für die Welt, o projeto integra uma rede de 12 organizações da Rede ATER Nordeste que atuam em 20 municípios do Semiárido. Em Valente, a iniciativa tem contribuído para criar espaços de diálogo entre agricultores familiares, poder público e sociedade civil, como oficinas temáticas, fóruns multiatores e a própria audiência pública sobre segurança alimentar e nutricional realizada no município.</p>
<p>A atuação da Fundação APAEB e da Rede ATER também se concentra na análise da efetividade das políticas públicas existentes, como o PNAE, o PAA, o acesso à água por meio de cisternas e mecanismos de proteção à renda, a exemplo do Garantia-Safra. O objetivo é identificar avanços, limites e oportunidades para ampliar o acesso a alimentos saudáveis, fortalecer os mercados institucionais e valorizar a produção agroecológica local.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Do quintal de casa para a escola</h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Reury Araújo, de 12 anos, com a família na propriedade em que criam cabras. Produção vai parar na sua alimentação escolar</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Quem também come na escola o que vê sendo produzido em casa é Reury Araújo, de 12 anos, estudante do Centro Educacional Santa Rita de Cássia. Ele adora o iogurte de leite de cabra. “Quando tem, eu caio matando. Não sobra nada. Se pudesse, repetia”, conta, com orgulho. “Eu sempre falo para os meus amigos que o leite é lá de casa.” Ele não pode garantir, já que outros produtores locais também fornecem o produto, mas imagina que pode estar tomando leite de seu próprio animal de estimação. “Eu tenho uma cabra que se chama Estrelinha.”</p>



<p>Mas, para essa garrafinha de iogurte chegar à escola de Reury e de seus colegas de classe, há muito trabalho e política pública envolvidos. Tudo começa na pequena propriedade que o pai dele, Renilton Araújo, divide com a família para criar pouco mais de 30 cabeças de cabra, de onde tira uma média de 60 litros de leite por dia.</p>



<p>Na propriedade de Renilton existe um resfriador de leite com capacidade para armazenar mil litros. O equipamento, instalado pela <a href="https://www.dacabra.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Comunitária Caprinocultura Solidária – Laticínio DaCabra,</a> é compartilhado com o irmão, Ricael, e com outros seis produtores vizinhos que trabalham de forma cooperada. Dia sim, dia não, uma equipe do Laticínio DaCabra recolhe a produção e leva para o beneficiamento, onde o leite é pasteurizado e transformado em queijos, doces e, claro, no iogurte que Reury tanto gosta.</p>



<p>O Laticínio DaCabra, criado nos anos 2000 pela APAEB, tem transformado a vida dos pequenos produtores locais. Além de comprar o leite cru, promove capacitações sobre manejo adequado dos animais, oferece assistência técnica às famílias, disponibiliza atendimento veterinário aos rebanhos e facilita a compra de ração, reduzindo os custos com insumos. A associação também paga um valor acima do mercado: Renilton vende o litro por R$ 3,51, enquanto atravessadores costumam pagar cerca de R$ 2,00. “Se não fosse a cooperativa, o preço do litro estaria a uns R$ 0,50”, calcula.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Os-irmaos-Renilton-e-Ricael-trabalham-em-familia-com-criacao-de-cabras_-68PQ-1024x684.jpg" alt="Na imagem um homem jovem, de boné e camisa de botão, segura um deposito de leite de cabra que ele ordenhou. Do lado direito da imagem a cabra ainda no loca de ordenha." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ricael vende o leite de cabra para produção de iogurte, queijos e doces</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A família de Reury também acessa outras políticas públicas voltadas ao pequeno agricultor. Recentemente, conseguiu liberar um financiamento do programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, do governo da Bahia. São duas parcelas, de R$ 2.600,00 e R$ 2.000,00, sem necessidade de ressarcimento. Com esse recurso, os irmãos pretendem ampliar a sala de ordenha, murar e aumentar a área coberta onde as cabras circulam. Agora, aguardam apenas o dinheiro cair na conta.</p>



<p>Tanto Renilton quanto Ricael aprenderam a criar cabras com o pai, Salvador Araújo, e a mãe, dona Eleonice, que estão no ramo há mais de 20 anos. Seu Salvador lembra do tempo em que colocava o leite em uma moto e saía para vender a produção — antes da cooperativa. Eram tempos mais difíceis. Tanto que outros dois filhos do casal foram tentar a vida em São Paulo, onde permanecem até hoje, repetindo um caminho comum a muitos jovens da região.</p>



<p>Agora, com as coisas melhorando, Reury já sonha em seguir na agricultura familiar e se prepara para entrar na Escola Família Agrícola Avani de Lima Cunha (EFA Valente). Na escola, que funciona em regime de semi-internato, ele passaria 15 dias na instituição e 15 dias em casa. Sairia de lá como técnico agrícola, preparado para ampliar os negócios da família e, no futuro, quem sabe, produzir seu próprio iogurte.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Os-irmaos-Renilton-e-Ricael-trabalham-em-familia-com-criacao-de-cabras_-55PQ-1024x683.jpg" alt="Rebanho de cabras brancas em curral. Ao fundo uma plantação de agave. O céu etá nublado." class="" loading="lazy" >
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                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta reportagem foi produzida em parceria com a <a href="https://redeaterne.org.br/">Rede Ater Nordeste</a>.</p>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">Leia também:</h2>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/um-escudo-contra-as-mudancas-climaticas/" class="titulo">Um escudo contra as mudanças climáticas</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/articulacao-entre-ong-e-prefeitura-eliminou-ultraprocessados-da-merenda-escolar-em-cumaru/" class="titulo">Articulação entre ONG e prefeitura eliminou ultraprocessados da merenda escolar em Cumaru</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-peleja-da-agricultura-familiar-contra-os-salgadinhos-e-sucos-de-caixinha/" class="titulo">A peleja da agricultura familiar contra os salgadinhos e sucos de caixinha</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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		<title>Um escudo contra as mudanças climáticas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Dec 2025 14:34:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Ater]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem chega a Pé de Serra pela BA-233, principal via de acesso à cidade, é logo impactado pela beleza natural do local. Da janela do carro, dois maciços de rocha se impõem à paisagem, não deixando dúvidas sobre a origem do nome do município baiano. Mas a paisagem extremamente árida também traz, de imediato, outra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem chega a Pé de Serra pela BA-233, principal via de acesso à cidade, é logo impactado pela beleza natural do local. Da janela do carro, dois maciços de rocha se impõem à paisagem, não deixando dúvidas sobre a origem do nome do município baiano. Mas a paisagem extremamente árida também traz, de imediato, outra constatação: o município do centro-norte da Bahia, a aproximadamente 220 quilômetros de Salvador, enfrenta uma grande seca. Tanto é assim que, em 9 de setembro, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil publicou uma portaria colocando o município em situação de emergência devido ao longo período de estiagem.</p>



<p>A situação é grave, principalmente para a população da zona rural. Segundo Jorge Irineu, diretor de Meio Ambiente do município, algumas comunidades estão sendo abastecidas com carros-pipa desde outubro de 2024, portanto, há mais de um ano. Na quarta-feira (17), quando conversou com a reportagem, Jorge afirmou que, das 28 aguadas (mananciais que abastecem a zona rural), apenas duas ainda tinham água.<br></p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><a href="https://cidades.ibge.gov.br/ranking-resumido/download.html?cod=2924058" target="_blank" rel="noopener">Pé de Serra</a> está localizado no Território de Identidade da Bacia do Jacuípe, no centro-norte da Bahia, fazendo divisa com os municípios de Riachão do Jacuípe, Ipirá, Capela do Alto Alegre e Nova Fátima. O município, com 13.243 habitantes, tem 596,7 km² de extensão territorial, situando-se integralmente no bioma Caatinga, característica que condiciona fortemente sua paisagem, uso do solo e formas de ocupação humana.</p>
        </div>
    </div>



<p>Os impactos da seca afetam principalmente as famílias de agricultores. E a situação poderia ser muito mais grave se não fossem uma série de ações e tecnologias de convivência com o semiárido implementadas com o apoio da sociedade civil organizada, muitas delas transformadas em políticas públicas. “Se não fossem essas políticas…”, suspira Jorge Irineu.</p>



<p>A família de Pascoal Pinto de Jesus, que tem uma pequena propriedade de dois hectares no povoado de Lagoa do Curral, uma das áreas mais afetadas pela estiagem no município, tem se desdobrado para manter a produção de caprinos com tão pouca água. Hoje, Pascoal e a esposa Maria de Lurdes, com quem está casado há 34 anos, criam 23 cabras e algumas galinhas. Já desistiu de plantar feijão e milho há, pelo menos, cinco anos. Cansou de perder a colheita. Para ele, a situação tem se agravado com o tempo. “Antigamente, a gente perdia uma colheita a cada dez. Hoje se perde dez para ganhar uma.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Pascoal-e-Maria-de-Lurdes-1024x683.jpg" alt="Duas pessoas - uma mulher e um homem - estão em pé sobre um terreno seco e irregular, com sulcos profundos e pouca vegetação. O solo parece árido, com algumas árvores verdes ao fundo e o céu parcialmente nublado. Ambas estão vestidas de forma simples, apropriadas para clima quente, e uma delas segura um bastão de caminhada. A paisagem sugere uma área rural afetada por erosão ou seca." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Pascoal Pinto de Jesus e Maria de Lurdes, agricultores de Pé de Serra 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Pascoal adora criar bode. Segundo ele, “é dinheiro na mão”, já que tem mais clientes para comprar a carne do que ele pode oferecer. É a famosa lei da oferta e da procura. “Mas quando chega a seca, o produtor já perde. Tem que gastar mais para produzir menos. A criação não evolui. É, praticamente, manter o rebanho e esperar que um dia vai melhorar.”</p>



<p>Enquanto espera as coisas melhorarem, ele segue trabalhando com capricho. “Bode tem que ter cuidado, tem que ter zelo. Tem que limpar o local onde eles dormem, colocar água sanitária, cal, para evitar vermes.” Pascoal, que mora em uma casa a poucos quilômetros da propriedade, instalou internet e câmeras de segurança para vigiar o rebanho quando está longe.</p>



<p>Em meio a mais de um ano sem chuva, Pascoal vai sobrevivendo com seu esforço e também acessando políticas públicas e tecnologias de convivência com o semiárido. Há 12 anos, por exemplo, ele foi beneficiado com a construção de um barreiro para armazenar água em sua propriedade, por meio de um programa coordenado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). O barreiro, com capacidade para 600 mil litros, quando cheio, garantiria água por dois anos. Mas não enche há quatro anos. Pascoal também recebe assistência técnica do Movimento de Organização Comunitária (MOC), por meio do programa Ater Biomas da Bahia.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">MOC e Rede ATER: políticas públicas que viraram resultados em Pé de Serra</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A presença continuada do Movimento de Organização Comunitária (MOC), articulado à Rede ATER Nordeste de Agroecologia, foi decisiva para transformar políticas públicas em resultados concretos no município de Pé de Serra, no Semiárido baiano. Desde os anos 2000, a assessoria técnica e o trabalho de organização social contribuíram para ampliar o acesso à água, com a implantação de centenas de cisternas para consumo humano e produção, reduzindo a vulnerabilidade das famílias rurais à seca e criando condições para a retomada da produção de alimentos.</p>
<p>Esse apoio técnico também impulsionou a diversificação produtiva e o fortalecimento da agricultura familiar, com estímulo a quintais produtivos, criação animal, manejo da palma forrageira e adoção de práticas agroecológicas. Ao mesmo tempo, agricultores e agricultoras passaram a acessar de forma mais consistente mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de feiras locais, garantindo renda e escoamento da produção. O fortalecimento de cooperativas, grupos produtivos e espaços de participação social consolidou a atuação do MOC e da Rede ATER como um dos principais pilares do desenvolvimento rural e da convivência com o Semiárido em Pé de Serra.</p>
	</div>



<p>Apesar do esforço de Pascoal, o terreno onde ele cria seus animais possui pouquíssima vegetação, sem praticamente nenhum vestígio de que ali já foi uma área coberta por caatinga. Antes de avançar na reportagem, é preciso entender o que aconteceu em Pé de Serra do ponto de vista econômico e social.</p>



<p>Por conta do solo raso, pedregoso e de fertilidade limitada, ao longo do tempo a população foi derrubando áreas de vegetação nativa para a formação de roçados, pastagens e atividades extrativistas, em um contexto de baixa disponibilidade hídrica e alta vulnerabilidade climática.</p>



<p>A conversão de áreas de caatinga em pastagens, devido à expansão da pecuária, ocorreu de forma contínua ao longo das últimas décadas, com o uso de máquinas agrícolas e a substituição de sistemas produtivos diversificados por áreas abertas permanentes.</p>



<p>Além da pecuária, o desmatamento também esteve historicamente ligado a atividades extrativas, como a produção de carvão vegetal e a exploração de madeira nativa, bem como à mineração de pedra presente no município. Essas atividades provocaram impactos diretos sobre a vegetação e o solo, frequentemente associadas à ausência de fiscalização ambiental adequada e a condições precárias de trabalho, ampliando os passivos socioambientais no território.</p>



<p>Outro fator relevante foi a introdução e expansão do sisal, que romperam com práticas tradicionais de manejo e favoreceram a simplificação dos agroecossistemas. A substituição da vegetação nativa por cultivos homogêneos reduziu a biodiversidade local e aumentou a exposição do solo à erosão, especialmente em anos de seca prolongada.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O exemplo de Dona Dadá</h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Maria-do-Carmo-e-familia-no-sitio-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Maria-do-Carmo-e-familia-no-sitio-1024x683.jpg" alt="Quatro pessoas estão em pé em uma área de cultivo ao ar livre, sob um céu parcialmente nublado. São três adultos e uma criança, todos segurando chapéus de palha. Um dos adultos também segura um pequeno ramo de plantas verdes. A pessoa ao centro veste uma camiseta com os dizeres “Feira da Economia Solidária”, indicando participação em uma atividade comunitária ligada à agricultura sustentável. Ao fundo, há plantas cultivadas e uma estrutura com tela, possivelmente usada para proteção ou sombreamento." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Maria do Carmo de Carvalho Silva, dona Dadá, e sua família
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em meio a uma paisagem seca e degradada, uma pequena área verde chama a atenção. Em aproximadamente cinco hectares, Maria do Carmo de Carvalho Silva, junto com sua família de agricultores, construiu uma espécie de oásis na zona rural de Pé de Serra. Pelo nome de batismo, pouca gente a conhece, mas, ao falar de Dona Dadá, todo mundo da redondeza sabe exatamente quem é. Aos 63 anos, Dadá mora na propriedade desde os anos 1980.</p>



<p>De lá para cá, conseguiu montar um sistema de produção bastante diversificado, com horta, criação de abelhas, vacas (20 cabeças), cabras (oito cabeças) e galinhas. A horta, orgulho de Dona Dadá, tem de tudo um pouco durante o ano inteiro. No período de chuva, ela planta uma roça com feijão, milho, batata-doce, maxixe, abóbora e mais o que consegue. Ainda tem a plantação de palma, que serve de alimento para o gado, e uma área de reserva, onde mantém a caatinga preservada.</p>



<p>Para manter tudo isso, além da assistência técnica do MOC, acessa vários programas e políticas públicas, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), participa da feira agroecológica todos os sábados e tem uma cisterna calçadão onde coleta e armazena água. Recentemente, comprou umas cabras com financiamento do Banco do Nordeste. “Depois que comecei no banco, agora eu nado na terra seca”.</p>



<p>Maria da Paz, filha mais velha de Dadá, segue os passos da mãe e do pai, Gervásio da Silva, na paixão pela agricultura. Para Maria, a grande dificuldade é a falta d’água. “Porque força de vontade, carinho e conhecimento a gente tem para plantar”, complementa. Segundo ela, apesar de a cisterna ser importante, não é suficiente para dar conta da demanda de água, principalmente em períodos de estiagem como os que a população de Pé de Serra tem enfrentado.</p>



<p>Para complementar a cisterna, eles têm comprado cerca de quatro caminhões-pipa de dez mil litros cada por mês. “Pagamos R$ 100 por caminhão porque somos clientes antigos. O preço normal é R$ 250.” Para cobrir os custos, ela faz um cálculo rápido. “Uma semana de trabalho na roça paga um mês de caminhão-pipa. As outras três semanas de trabalho são para tirar todo o resto.”</p>



<p>Mateus Jonnei, coordenador de projetos do MOC, explica que está havendo um desequilíbrio de chuvas dentro do próprio município. Já começou a chover em algumas partes e em outras não. “Antes não era assim”, relembra. Talvez Dona Dadá tenha a explicação para esse fenômeno recente. “Quando eu era criança, isso tudo aqui era mato. O homem veio e desmatou tudo. Depois de velha, ter que ver uma estiagem dessa.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Agrofloresta como projeto de vida</strong></h2>



<p>A pouco mais de 50 quilômetros de Pé de Serra, no distrito de Barreiras, no município vizinho de Riachão do Jacuípe, está um exemplo importante de como enfrentar as mudanças climáticas. Em uma pequena propriedade, Eduardo Emídio e sua esposa, Cristina Queiroz, transformaram a terra árida e degradada em uma vibrante e lucrativa agrofloresta. Uma história de relação com a terra que começou a ser construída há mais de duas décadas a partir de uma ruptura. No início dos anos 2000, ele e Cristina deixaram o emprego na cidade e retornaram à propriedade herdada da família, movidos pela ideia de preservar o pouco de caatinga que ainda existia na área. “No começo era pensamento, era ideia”, resume.</p>



<p>A ruptura não foi apenas do ponto de vista profissional. Era romper também com a maneira como o pai, o avô e os tios entendiam a relação com a terra. Era fazer tudo de outro jeito. “A diferença era que a gente vinha de uma cultura do desmatamento para produção de alimentos, para a criação de animais. E a gente passou a ver que, em toda seca, morria metade dos animais. Toda seca as famílias passavam fome e necessidade por conta de não ter segurança alimentar. Então a gente passou a entender que áreas que eram muito produtivas, com o tempo deixavam de ser. Foi aí que passamos a ter o entendimento de que a caatinga era importante para manter a fertilidade do solo e a produção.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Vista-aerea-do-terreno-de-Eduardo-300x169.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Vista-aerea-do-terreno-de-Eduardo-1024x576.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Vista-aerea-do-terreno-de-Eduardo-1024x576.jpg" alt="A imagem mostra uma vista aérea de uma propriedade rural cercada por vegetação densa. No centro, há uma casa com telhado de cerâmica vermelha e painéis solares instalados. Ao lado da casa, vê-se uma estrutura circular com cobertura vermelha, parecida com um quiosque, e uma espécie de trampolim ao redor. Há também um pequeno galpão com telhado de telha e um reservatório de água redondo. Uma estrada de terra passa na parte inferior da imagem, onde está estacionado um carro. A área ao redor combina vegetação nativa com partes cultivadas, delimitadas por cercas." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Eduardo Emídio recaatingou seu terreno e hoje lida de forma mais tranquila com a estiagem.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A decisão de viver da terra, no entanto, não foi imediata. Até 2005, Eduardo ainda conciliou o trabalho na indústria cerâmica com o manejo da propriedade. A virada veio com o acesso ao Pronaf, em 2005. Com um financiamento de R$ 8.500, eles investiram em um galpão para armazenar capim seco, uma máquina forrageira, o plantio de palma e a compra de caprinos e ovinos &#8211; escolhas consideradas “loucuras” à época. “Galpão era visto como casa para morar, não para guardar capim”, lembra. Do recurso ainda sobrou dinheiro para a compra de uma vaca, que acabou se tornando central na sustentabilidade financeira do projeto: ao longo dos anos, a venda de bezerros e do leite permitiu quitar integralmente o financiamento. Ao final, a vaca foi vendida para pagar a última prestação, e o restante da estrutura permaneceu.</p>



<p>A partir de 2010, o sistema produtivo já estava consolidado em bases agroflorestais e de sustentabilidade, atraindo visitas de entidades e organizações interessadas em conhecer a experiência. Foi também nesse período que surgiram conflitos. Eduardo relata perseguições políticas e tentativas de interferência no projeto, incluindo disputas envolvendo despejo de resíduos de esgoto e interesses ligados à indústria cerâmica. “A ameaça não era a gente, era o que a gente indicava: que dava para manter a caatinga de pé”, afirma. A disputa se estendeu por oito anos e só foi resolvida em 2018, quando a família obteve segurança jurídica para seguir com o trabalho.</p>



<p>Durante esse período, a relação com a comunidade também exigiu estratégias de diálogo. Eduardo conta que levou escolas e crianças para dentro da propriedade, apostando na educação ambiental como forma de reduzir resistências. “A criança voltava para casa contando o que viu: o peixe, a galinha, o cabrito, o passarinho. Isso ajudou os pais a entenderem que não éramos uma ameaça”, diz.</p>



<p>Hoje, a propriedade funciona com base na convivência com o semiárido. Não há poços artesianos nem rios permanentes, mas o sistema de captação de água da chuva garante abastecimento durante todo o ano. São quatro cisternas, dois barreiros subterrâneos, três barreiros convencionais e uma mandala produtiva. Mesmo após longos períodos de estiagem, Eduardo afirma não enfrentar falta de água nem perda de animais. “A gente não compra alimento, não perde animal e consegue manter a produção”.</p>



<p>A caatinga deixou de ser vista como obstáculo e passou a ser tratada como ativo produtivo. Em uma área de 24 hectares, quase 95% permanecem cobertos por vegetação nativa, com 40% de reserva legal. A propriedade abriga aproximadamente 40 bovinos, 90 caprinos, além de galinhas, peixes e abelhas. Segundo Eduardo, a recuperação ambiental atraiu a fauna silvestre: um levantamento recente identificou cerca de 130 espécies de animais vivendo na área. Em alguns pontos da propriedade, a temperatura chega a ficar 8 graus abaixo da média local.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Eduardo-Emidio-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Eduardo-Emidio-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Eduardo-Emidio-1024x683.jpg" alt="Eduardo Emídio está em pé em uma área de mata verde, sob um céu azul claro. Ele veste uma camisa verde de mangas compridas com um emblema circular no peito e usa um chapéu de palha de aba larga. Ao redor, há capim alto e árvores finas com poucas folhas, indicando um ambiente natural, possivelmente reflorestado. A luz do sol é suave, sugerindo que a foto foi tirada pela manhã ou no fim da tarde." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ao tirar o sustento da caatinga em pé, Eduardo chegou a ser visto como ameaça
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A diversificação produtiva levou à criação de uma queijaria certificada, hoje a única da Bahia a industrializar laticínios a partir de produtos da caatinga. A produção inclui queijos, iogurtes, manteigas e doces feitos com frutas nativas como umbu, mandacaru, palma, licuri e maracujá-do-mato (diferente daquele que geralmente encontramos nos supermercados). Parte significativa da renda vem desses produtos, vendidos principalmente na loja da própria propriedade e em feiras agroecológicas da região.</p>



<p>Além de Eduardo e Cristina, mais duas pessoas trabalham na propriedade. O filho do casal, Fábio Queiroz, de 22 anos, cada vez mais tem assumido os negócios da família. Eles também contam com a ajuda de um profissional que cuida do curral. Atualmente, são produzidos 200 litros de leite por dia, que são transformados integralmente em queijo e iogurte.</p>



<p>Eduardo destaca que a lógica do projeto sempre foi de longo prazo. Planejado em 2000 para ser concluído em 2020, o processo de “recatingamento” só terminou em 2021. Para ele, o diferencial não está em ensinar técnicas, mas em promover entendimento. “Não é aprendizado, é entendimento. Entender que armazenar água da chuva é melhor do que furar poço; que a caatinga é produtiva; que o sistema define o animal, e não o contrário.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Terrenos-de-Eduardo-e-Pascoal-300x83.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Terrenos-de-Eduardo-e-Pascoal-1024x284.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Terrenos-de-Eduardo-e-Pascoal-1024x284.jpg" alt="A imagem apresenta duas paisagens aéreas lado a lado, formando um contraste marcante. À esquerda, vê-se uma floresta densa e verde, com árvores variadas e vegetação abundante, transmitindo a ideia de um ecossistema saudável e preservado. À direita, o cenário é seco e árido, com pouca vegetação, um pequeno reservatório de água e uma estrada de terra sinuosa cortando o terreno. A diferença entre os dois lados evidencia os impactos da degradação ambiental, como desmatamento ou uso inadequado do solo, em oposição à conservação da natureza. Essa comparação visual destaca a importância da proteção dos ambientes naturais para manter o equilíbrio ecológico." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Duas propriedades, uma com agrofloresta preservada outra degradada. Mais de 8 graus de diferença na temperatura entre uma e outra.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta reportagem foi produzida em parceria com a <a href="https://redeaterne.org.br/">Rede Ater Nordeste</a>.</p>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">Leia também:</h2>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/em-valente-ba-a-seguranca-alimentar-comeca-na-escola/" class="titulo">Em Valente (BA), a segurança alimentar começa na escola</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
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        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/articulacao-entre-ong-e-prefeitura-eliminou-ultraprocessados-da-merenda-escolar-em-cumaru/" class="titulo">Articulação entre ONG e prefeitura eliminou ultraprocessados da merenda escolar em Cumaru</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
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        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-peleja-da-agricultura-familiar-contra-os-salgadinhos-e-sucos-de-caixinha/" class="titulo">A peleja da agricultura familiar contra os salgadinhos e sucos de caixinha</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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		<item>
		<title>A peleja da agricultura familiar contra os salgadinhos e sucos de caixinha</title>
		<link>https://marcozero.org/a-peleja-da-agricultura-familiar-contra-os-salgadinhos-e-sucos-de-caixinha/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 17:31:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos saudáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
		<category><![CDATA[Cumaru]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Ater NE]]></category>
		<category><![CDATA[ultraprocessados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É hora da merenda na escola rural do Sítio Campos Novos, zona rural de Cumaru. Por alguns minutos, os 14 alunos deixam a sala de aula climatizada e seguem para o refeitório junto à cozinha, onde uma refeição com galinha guisada, macarrão e feijão-mulatinho acaba de ficar pronta. Três meninos, no entanto, recusam o que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É hora da merenda na escola rural do Sítio Campos Novos, zona rural de Cumaru. Por alguns minutos, os 14 alunos deixam a sala de aula climatizada e seguem para o refeitório junto à cozinha, onde uma refeição com galinha guisada, macarrão e feijão-mulatinho acaba de ficar pronta.</p>



<p>Três meninos, no entanto, recusam o que é servido, preferindo “lanchar” aquilo que trouxeram numa bolsa: sódio, gordura e açúcar em forma de salgadinhos industrializados em pacotes coloridos e suco ou achocolatado de caixinha.</p>



<p>Em Cumaru, a comida servida na escola é a merenda propriamente dita. O que os meninos levam de casa é chamado de lanche.</p>



<p>A princípio, a coordenadora da escola e as nutricionistas da secretaria municipal de Educação ficaram sem jeito, afinal a equipe da Marco Zero estava ali na manhã daquela terça-feira de dezembro para conhecer e fotografar a merenda saudável da rede municipal de ensino de Cumaru.</p>



<p>Pouco depois, mais à vontade, a coordenadora Edla da Silva Souza, de 36 anos, explica que a maior resistência à mudança dos hábitos alimentares vem das próprias famílias dos estudantes que, ironicamente, são agricultores: “no início deste ano fizemos oficinas com as mães, conversamos com os alunos sobre os problemas de saúde provocados pelos alimentos ultraprocessados, porém ainda há quem ceda à facilidade de colocar na lancheira um saco de salgadinho comprado no atacarejo”.</p>



<p>Coincidência ou não, nenhum morador de Campos Novos fornece alimentos para o PNAE. De acordo com a agroecóloga do Centro Sabiá, Íris Maria da Silva, isso faz muita diferença, pois as famílias que vendem para o PNAE acabam se envolvendo mais com o que filhos e netos comem na escola.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical.jpg" alt="" class="wp-image-73948 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Formada em Agroecologia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Íris tem bastante experiência na assessoria técnica à agricultura familiar, afinal, enquanto fazia seu curso superior, ela já trabalhava como técnica agrícola na ONG Caatinga, no sertão do Araripe, uma das instituições pioneiras nessa área em Pernambuco.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Com tanta bagagem, ela acredita que “não basta implantar a política pública e garantir o acesso à política pública, é necessário oferecer formação para o público beneficiado por essa mesma política pública”. No caso de Cumaru, além das merendeiras terem sido capacitadas para lidar com os ingredientes saudáveis, o Centro Sabiá atuou diretamente junto a centenas de famílias, mas a resistência de algumas mães e pais exige mais tempo para ser superada.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/articulacao-entre-ong-e-prefeitura-eliminou-ultraprocessados-da-merenda-escolar-em-cumaru/" class="titulo">Articulação entre ONG e prefeitura eliminou ultraprocessados da merenda escolar em Cumaru</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
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        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Embutidos fora</h2>



<p>Em 2025, enlatados e embutidos como mortadela, salsicha, salame e presunto foram eliminados da merenda escolar do município. Para se chegar a esse resultado, a equipe do Sabiá e das famílias agricultoras que se transformaram em fornecedoras de alimentos contaram com o reforço do conhecimento técnico das quatro nutricionistas da secretaria municipal de Educação.</p>



<p>Amanda Joelly Bezerra Gonçalves, de 25 anos, é uma dessas profissionais responsáveis por montar o cardápio de acordo com a faixa etária de cada escola, definir o que deverá ser comprado nas licitações e fiscalizar todos os itens que são entregues pelos fornecedores. Ela garante que “não há pressão por parte dos atacadistas ou distribuidores, pois alguns itens, necessariamente, continuam a ser comprados de grandes empresas”. É o caso do arroz, macarrão, extrato de tomate e óleo de soja, por exemplo.</p>



<p>Ao lado da colega Nadjane de Moura, de 24 anos, Amanda explica que a rede municipal de ensino tem 4.122 matrículas, mas isso não quer dizer que sejam 4.122 crianças e adolescentes. “Quem está matriculado em tempo integral, ou seja, fica para o programa de fortalecimento escolar no turno da tarde, conta como duas matrículas”. O vínculo duplo se explica porque alunos e alunas do ensino fundamental que recebem essas aulas de reforço fazem três refeições completas na escola.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-nutricionistas.jpg" alt="A foto mostra Amanda Joelly e Nadjane de Moura em frente à Escola Municipal Inês Maria da Conceição. Amanda, à esquerda, veste uma blusa branca e sorri suavemente. Nadjane, à direita, usa uma camiseta azul escura e também está sorridente. As duas estão atrás de um portão azul, com a fachada da escola ao fundo — pintada em branco, azul e rosa, com telhado de cerâmica. A placa da escola está visível acima delas, destacando o nome da instituição e o logotipo da prefeitura." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Amanda e Nadjane elaboram cardápios e fiscalizam os produtos entregues
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta reportagem foi produzida em parceria com a <a href="https://redeaterne.org.br/">Rede Ater Nordeste</a>.</p>
    </div>
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			</item>
		<item>
		<title>Na caatinga, mulheres se unem e trocam exploração na indústria têxtil pela enxada</title>
		<link>https://marcozero.org/na-caatinga-mulheres-se-unem-e-trocam-exploracao-na-industria-textil-pela-enxada/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 19:10:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[indústria têxtil]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres agricultoras]]></category>
		<category><![CDATA[PAA]]></category>
		<category><![CDATA[PNAE]]></category>
		<category><![CDATA[tecelagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Amanda Alves tinha 15 anos quando começou a trabalhar para a indústria têxtil. Passou outros 15 por detrás de uma máquina de costura sem conseguir concretizar o sonho de comprar uma moto e tirar a habilitação, apesar de trabalhar das 6h às 18h. A realização veio somente recentemente, em apenas um ano de trabalho com [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Amanda Alves tinha 15 anos quando começou a trabalhar para a indústria têxtil. Passou outros 15 por detrás de uma máquina de costura sem conseguir concretizar o sonho de comprar uma moto e tirar a habilitação, apesar de trabalhar das 6h às 18h. A realização veio somente recentemente, em apenas um ano de trabalho com a enxada.</p>



<p>Numa das cidades do polo têxtil pernambucano, Amanda é uma das 32 integrantes da Associação de Mulheres da Agricultura Familiar do Sítio Carneirinho, na zona rural de Caruaru, no agreste, que estão transformando as vidas através da agricultura familiar. &#8220;A gente trabalhava para sobreviver, e não para viver”, lembra Amanda sobre o trabalho de costureira que realizava no quintal de casa. &#8220;O que a gente vivia era um trabalho escravo, trabalhava muito e ganhava pouco, sem tempo até para o lazer&#8221;, diz. Elas recebiam de R$ 1,00 a R$ 1,20 por peça costurada.</p>



<p>A revolução veio da terra e com apoio de políticas públicas. Hoje, plantando batata doce, macaxeira, mamão, banana, melancia, cebolinha, alface, pimentão, coentro, entre outros produtos, e também criando frango, bode e vacas, as 32 mulheres de Sítio Carneirinho, fundado nos anos 1930, conseguem ter outra vida e muito orgulho do que fazem. Lá, nada é desperdiçado. A produção é destinada para consumo próprio, feiras livres e também doações para a própria comunidade.</p>



<p>“Por exemplo, ter um microondas e uma TV de plasma. São coisas simples que a política pública traz, de dignidade de vida para as mulheres”. Para a associação, isso mostra que, mesmo numa área de semiárido, é possível produzir e vender quando se tem apoio e assessoria técnica. É também a prova de que as mulheres e filhas da caatinga conseguem ser o que quiserem sem precisar sair da zona rural.</p>





<p>“A gente não vai ‘enricar’, mas a gente consegue comprar uma máquina de lavar para diminuir o nosso tempo de trabalho. Porque a mulher tem muito mais tempo de trabalho do que o homem. O homem passa o dia trabalhando, mas, quando chega em casa, a intenção dele é descansar. Já a gente passa o dia trabalhando para, quando chegar em casa, ainda ter as nossas atividades e trabalhar de novo”, compara.</p>



<p>“Eu digo à minha filha, desde sempre, que, se ela quiser, ela vai estudar e fazer faculdade. E, se ela disser ‘eu vou querer ser agricultora igual à minha mãe’, ela vai ser”, diz Amanda. &#8220;Eu falo para ela que eu estudei, mas minha profissão é agricultora. E ela precisa ser valorizada e respeitada como todas as outras, porque somos nós que colocamos comida na mesa do advogado, do enfermeiro, do médico e das pessoas de qualquer outra profissão”, fala, orgulhosa.</p>



<p>A articulação da Associação de Mulheres do Sítio Carneirinho começou em 2019. A formalização em cartório veio quatro anos depois, com a consultoria do Movimento Sem Terra (MST). A assessoria técnica ficou por conta do Centro Sabiá, organização pernambucana que, desde 1993, atua trabalhando para promover a agricultura familiar seguindo os princípios da agroecologia.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Acesso a políticas públicas</h2>



<p>As agricultoras passaram um ano fazendo bingos na comunidade para conseguir arrecadar o dinheiro necessário para pagar taxas e impostos cartoriais e finalmente obter um CNPJ. Foi em 2024, que a transformação chegou com tudo, por meio do acesso a dois programas governamentais de compras públicas de alimentos produzidos por agricultores familiares no Brasil, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).</p>



<p>O Pnae e o PAA garantem renda, comercialização e diversificação produtiva. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e trabalhos acadêmicos indicam os efeitos positivos: ser fornecedor do PAA aumenta a renda dos agricultores entre 19% e 39% e vender para o Pnae tem efeito positivo na renda estimada entre 23% e 106%.</p>



<p>Em 2023, o Governo Federal registrou, via PAA, R$ 1 bilhão disponibilizados para aquisição de 163.675 toneladas de alimentos distribuídos a entidades, gerando renda a 81.707 agricultores familiares, 61% eram mulheres, segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).</p>



<p>“Papai foi uma das primeiras pessoas, há mais de dez anos, a acreditarem que o Pnae e o PAA dariam certo”, recorda Amanda. A minha casa e o carro que ele tem foram comprados com o primeiro dinheiro que ele recebeu do Pnae”, lembra Amanda.</p>



<p>Por conta da pouca quantidade de água disponível no momento, a produção de hortaliças ainda está aquém do potencial. O recurso vem não só das cisternas, mas de poços perfurados. As mulheres estão se organizando para comprar uma bomba maior e assim aumentar a produção. Como a água do poço é salobra, ela fica reservada para os animais, para evitar “queimar” e perder as plantações.</p>



<p>Esse cenário muda no inverno, quando as agricultoras conseguem aumentar a produção e vender mais hortaliças na feira, além de garantir o consumo próprio das famílias. Na áreas de barreiro, um pouco mais distantes, onde a água é mais abundante, elas investem na produção de melancia e aproveitam para plantar também pimentão e coentro. São produções que vão quase que exclusivamente para o PAA e o Pnae.</p>



<p><em>A repórter viajou a convite da <a href="https://www.caatingaclimateweek.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Caatinga Climate Week</a></em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Agricultura familiar da PB leva debate sobre distância de parques eólicos à Assembleia Legislativa</title>
		<link>https://marcozero.org/agricultura-familiar-da-pb-leva-debate-sobre-distancia-de-parques-eolicos-a-assembleia-legislativa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Apr 2025 18:30:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíba]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Assembleia Legislativa da Paraíba debateu a regulamentação da instalação de torres eólicas no estado. A audiência, organizada pela deputada estadual Cida Ramos (PT) e o deputado Tovar Correia Lima (PSDB), em parceria com a Articulação Semiárido Paraibano (ASA-PB), reuniu agricultores familiares que relataram impactos negativos dos parques em suas comunidades. O debate, realizado na [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Assembleia Legislativa da Paraíba debateu a regulamentação da instalação de torres eólicas no estado. A audiência, organizada pela deputada estadual Cida Ramos (PT) e o deputado Tovar Correia Lima (PSDB), em parceria com a Articulação Semiárido Paraibano (ASA-PB), reuniu agricultores familiares que relataram impactos negativos dos parques em suas comunidades. O debate, realizado na quarta-feira, 23 de abril, foi convocado para embasar o projeto de lei 2061/2024, que propõe distanciamento mínimo das torres eólicas e regulamentação mais rigorosa.</p>



<p>Roselita Victor, da ASA, destacou a contradição entre o avanço das energias renováveis e a falta de proteção aos territórios tradicionais: &#8220;Como aceitar um modelo que destrói a caatinga e adoece as pessoas?&#8221;. O projeto, construído com a sociedade civil, busca articular uma frente Nordestina para regulamentar o setor. Ela acrescentou que a ASA-PB defende a descentralização energética, com projetos como o &#8220;1 Milhão de Tetos Solares&#8221;.</p>



<p>Agricultores como Maria de Fátima, da comunidade Lamarão, em Picuí, na Paraíba, e a pernambucana Vanessa Alves, de Caetés, relataram perda de renda e problemas de saúde devido às torres. Zuila Santos, da comunidade quilombola Pitombeira (PB), denunciou o barulho constante que afeta o sono e o rendimento escolar das crianças.</p>



<p>Maria de Fátima teve que sair do território em que sua família já vivia há décadas por causa de uma torre que estava sendo instalada a 300 metros de sua casa. “Eu fiquei muito triste quando sai, principalmente pela cisterna calçadão que me deu vida. Eu plantava o meu alimento lá, minhas hortaliças, com muito prazer, e ainda vendia para os vizinhos. Então, foi uma renda tirada da agricultura familiar”.</p>



<p>Segundo Vanessa Alves, sua comunidade lno Agreste pernambucano vem sofrendo com os impactos desde 2014. “Eu tenho 29 anos e toda vez que eu volto ao posto de saúde a minha medicação para ansiedade está aumentando. Eu não tomava nada, a gente que mora no campo mal toma esses remédios da farmácia, mas passei a tomar dois por dia. Vocês querem tomar esses remédios?”, questiona.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Resposta tímida do governo estadual</h2>



<p>Bruno Araújo, da Secretaria de Infraestrutura, apresentou um mapa de potencial solar, afirmando que áreas indígenas e quilombolas estão protegidas. No entanto, não houve menção a medidas concretas para a agricultura familiar. A secretária de Meio Ambiente, Rafaela Camaraense, propôs a criação de um grupo de trabalho, mas comunidades exigem ações urgentes.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/eolicas-aspta-1-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/eolicas-aspta-1-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/eolicas-aspta-1-1024x682.jpg" alt="A foto mostra uma audiência pública ou reunião, com várias pessoas sentadas em formato de U. O ambiente é iluminado e moderno, com paredes de vidro ao fundo. Muitas pessoas usam camisetas verdes com uma estampa branca no centro. Outras estão com roupas casuais e alguns usam bonés. Na frente, uma mulher segura o celular com fone de ouvido enrolado no braço. Há garrafas de água e microfones sobre a mesa. Todos estão atentos, com expressões sérias. O clima é de concentração e interesse por um tema importante." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Helena Dias/ASA-PB</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Pesquisadoras alertam para riscos</span>

		<p>A professora Wanessa Gomes (Fiocruz-PE) apresentou pesquisa sobre a &#8220;Síndrome da Turbina Eólica&#8221;, com sintomas como insônia, tontura e perda auditiva em moradores próximos aos parques. Ricélia Sales, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) criticou o modelo centralizado, que beneficia empresas estrangeiras em detrimento das comunidades locais.</p>
	</div>



<p><br></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/agricultura-familiar-da-pb-leva-debate-sobre-distancia-de-parques-eolicos-a-assembleia-legislativa/">Agricultura familiar da PB leva debate sobre distância de parques eólicos à Assembleia Legislativa</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<item>
		<title>Movimentos sociais vencem lobby empresarial e Lula inclui redução de agrotóxicos em novo plano de agroecologia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Oct 2024 20:22:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos orgânicos]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos saudáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Mundial da Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[governo Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O convite para o lançamento dos planos nacionais de Abastecimento Alimentar e de Agroecologia e Produção Orgânica, no Palácio do Planalto, só começou a circular na manhã de segunda-feira, 14 de outubro, mas as organizações sociais que trabalham com esses temas já previam que no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, o governo Lula [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O convite para o lançamento dos planos nacionais de Abastecimento Alimentar e de Agroecologia e Produção Orgânica, no Palácio do Planalto, só começou a circular na manhã de segunda-feira, 14 de outubro, mas as organizações sociais que trabalham com esses temas já previam que no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, o governo Lula apresentaria os dois documentos ao público. Até o último momento, no entanto, os ativistas não arredaram pé da inclusão do programa de redução de agrotóxicos em um dos planos, o de Agroecologia, o que acabou acontecendo.</p>



<p>Por essa razão, representantes das organizações e movimentos sociais dizem que há motivos para comemorar, pois os dois planos são considerados &#8220;conquistas da sociedade&#8221;. O Plano de Abastecimento será o primeiro do tipo na história do país.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="853" height="1280" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula-Petersen.jpg" alt="" class="wp-image-66721 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O agrônomo e doutor em Estudos Ambientais Paulo Petersen, coordenador-executivo da ong AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia e integrante do núcleo executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO) afirma que é preciso celebrar. &#8220;O alimento não pode ser tratado como uma mercadoria como outra qualquer. Se a alimentação for regulada apenas pelo mercado, parcelas importantes da sociedade seguirão passando fome ou só terão acesso aos produtos ultraprocessados vendidos nas grandes redes de supermercados. Permanecerão sem acesso a alimentos saudáveis e adequados”, afirma.</p>
</div></div>



<p>No Mato Grosso, a conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Cidinha Moura, os dois planos são consequência de 20 anos de discussão sobre a necessidade de uma política de segurança alimentar. &#8220;É mais do que uma vitória&#8221;, resume a conselheira, que também é <a href="https://fase.org.br/pt/noticias/volta-do-consea-cidinha-moura-coordenadora-da-fase-mt-e-uma-das-conselheiras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">coordenadora da ong Fase</a> no mesmo estado do ministro Fávaro.</p>



<p>&#8220;Para nós do movimento agroecológico os dois planos juntos são fundamentais para fortalecer as iniciativas em agroecologia no Brasil, pois, além de políticas de produção de alimentos, precisamos de políticas capazes de construir mercados para a agricultura familiar e para agricultura agroecológica&#8221;, explicou Cidinha Moura. </p>



<p>Petersen também participou das discussões e oficinas populares que subsidiaram o governo na elaboração dos planos. Para ele, “o Estado precisa intervir no mercado ao estimular a produção diversificada e saudável, garantir compras institucionais, preços mínimos, estruturas descentralizadas de estocagem de alimentos, e outras medidas necessárias para que cumpra sua função regulatória. Esses planos criam essaperspectiva”.</p>



<p>Outro desdobramento dos planos será, na visão do coordenador da AS-PTA, a possibilidade de criação de políticas de produção local para fomentar sistemas de abastecimento territoriais, ou seja, onde os mercados consumidores estejam próximos às famílias produtoras. &#8220;Mais feiras livres, menos atacarejos&#8221;, resume o agrônomo. </p>



<h2 class="wp-block-heading">A força do lobby do agro</h2>



<p>Paulo Petersen conta que o lançamento do Plano Nacional de Agroecologia já deveria ter acontecido antes, mas foi adiado quatro vezes, por pressão do Ministério da Agricultura, que não aceitava a menção à redução dos agrotóxicos. O nome do ministro Fávaro, aliás, não aparece no convite oficial (abaixo), assinado pelos ministros Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário; Wellington Dias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; e Márcio Macedo, secretário-geral da Presidência da República.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula.jpg" alt="Convite com o título Alimento saudável no prato, para lançamento dos plano nacional de Abastecimento Alimentar e do Plano nacional de agroecologia e produção orgânica, que vai acontecer no dia 16 de outubro de 2024, ás 11h, no Palácio do Planalto." class="" loading="lazy" width="475">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Quando, em meados de setembro, o presidente Lula se manifestou contra o grande consumo de agrotóxicos no Brasil, os defensores da agroecologia se animaram, entendendo como um sinal que o plano de agroecologia e produção orgânica finalmente seria lançado, incoporando o programa de redução do uso de venenos na agricultura. O plano saiu com o programa, mas há o risco do capítulo referente à redução dos agrotóxicos virar letra morta, afinal há pelo menos 10 anos o Ministério da Agricultura vem boicotando o programa de redução de agrotóxicos, como informou em agosto o site <a href="https://ojoioeotrigo.com.br/2024/08/ministerio-da-agricultura-boicota-programa-de-reducao-de-agrotoxicos-ha-dez-anos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O joio e o trigo</a>.</p>



<p>O coordenador da AS-PTA acredita que é uma questão chave é entender que a defesa do uso de agrotóxicos interessa mais às indústrias químicas do que os agricultores, mesmo os grandes fazendeiros. &#8220;O programa de redução de agrotóxicos não é uma proposta radical, que veta os venenos de uma vez por todas, nada disso. Seria um programa que contribuiria de imediato com o agronegócio que poderia produzir com menos contaminantes e a preços mais baixos ao utilizar inovações de base agroecológica já disponíveis, mas que estão bloqueadas pela pressão das indústrias de agrotóxicos para que elas continuemlucrando”explica. </p>



<p>O problema, segundo ele, é que são as indústrias que financiam as campanhas eleitorais das bancadas parlamentares defensoras do veneno.</p>



<p>Cidinha Moura sabe de perto como isso funciona. &#8220;Nós dos movimentos aqui no Mato Grosso, conhecemos bem de perto a estratégia do agronegócio. O ministro Fávaro sempre foi de receber em seu gabinete as indústrias de agrotóxicos e, em todos os momentos ele faz a defesa dessas empresas com veemência mesmo. Por isso, nós imaginávamos que a luta seria árdua, mas que não seria tanto como foi&#8221;, desabafa a conselheira do Consea.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Dois anos para planos saírem do papel</h3>



<p>De acordo com Islândia Bezerra da Costa, diretora de Apoio à Aquisição e à Comercialização da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, apesar do plano de abastecimento alimentar não citar os agrotóxicos, deixa implícito a intenção de reduzir seu uso quando fala &#8220;em sistemas alimentares e sustentáveis e em transição agroecológica&#8221;. As duas coisas excluiriam os agrotóxicos.</p>



<p>A diretora assegura que o Ministério de Agricultura e Pecuária, mais conhecido pela sigla Mapa, terá papel importante na execução do plano. &#8220;Estão previstas ações específicas para o Mapa, especialmente voltadas para o público da agricultura familiar, como a inclusão produtiva das normas sanitárias [estender as ações da Vigilância Sanitária à agricultura familiar]. O Mapa se comprometeu com essa ação e isso é muito simbólico, afinal historicamente o Mapa opera é direcionado para grande agricultura&#8221;, explicou.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:40% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="1600" height="758" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula-Islandia.jpeg" alt="" class="wp-image-66716 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Islândia Bezerra explica que o plano não desconsidera a importância do agronegócio e das corporações industriais de alimentos: &#8220;sabemos que não dá para delegar e terceirizar a nossa soberania alimentar para esses dois grandes setores que, economicamente e politicamente, são muito fortes&#8221;, reconhece. </p>
</div></div>



<p>Ela também afirma que, apesar de abrir a possibilidade de parcerias com redes varejistas de supermercados, nenhum diálogo foi aberto com grandes corporações como Nestlé ou Unilever. &#8220;Acho que isso é não é não é nenhum segredo, mas é uma escolha política&#8221;, garante a diretora, que já foi presidente da Associação Brasileira de Agroecologia(ABA).</p>



<p>A partir do momento em que os planos forem lançados nesta quarta-feira, o desafio do governo Lula será tirá-los do papel até 2026. De acordo com Islândia Bezerra, a equipe do ministério está &#8220;empreendendo assim todos os esforços necessários pra gente colocar as ações de estruturação do abastecimento. Tratando de ações concretas, no lançamento, a gente já vai ter anúncios de entrega de novas centrais populares de abastecimento alimentar, a gente tem uma expectativa de que isso repercuta nos territórios para a população entender a importância da agricultura familiar&#8221;.</p>



<p>A conselheira do Consea e coordenadora da Fase, Cidinha Moura, acredita que há uma condição para transformar o plano em realidade: vontade política. &#8220;Considero que, em dois anos seja possível avançar nas ações pensadas para o Plano Nacional de agroecologia para o Plano Nacional de Abastecimento, desde que haja uma vontade política mesmo do governo Lula&#8221;, explica.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Participação popular e dos ministérios</h3>



<p>O tema da segurança alimentar e combate à fome voltou a ganhar força na pandemia, quando foi constatado que 33 milhões estavam passando fome no Brasil. A repercussão desse número gerou uma mobilização social que levou o presidente Lula a, em dezembro de 2023, durante a 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, assinar o decreto de <a href="https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202312/presidente-assina-decretos-que-reforcam-compromisso-com-a-seguranca-alimentar#:~:text=H%C3%A1%20ainda%20um%20decreto%20para%20tratar%20da%20Pol%C3%ADtica,e%20o%20abastecimento%20descentralizado%20e%20popular%20de%20alimentos.">criação da política nacional de abastecimento alimentar</a>, que previa a criação dos planos correspondentes.</p>



<p>De acordo com Islândia Bezerra, cuja diretoria foi uma das diretamente envolvidas no tema, foi necessária &#8220;toda uma costura&#8221; na Esplanada dos Ministérios, incluindo autarquias, BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Finep (agência estatal financiadora de inovação e pesquisas), Apex (agência de fomento à exportação), entre outras. &#8220;Elas entraram no conjunto de consultas do que poderia importar para uma política nacional de abastecimento alimentar&#8221;, explica.</p>



<p>Além da discussão dentro do perímetro governamental, houve consultas populares com participaçao de comunidades indígenas, quilombolas, associações e sindicatos de trabalhadores rurais, movimento de pequenos agricultores, redes e coletivos da agroecologia. No final, isso resultou na identificação de 28 iniciativas se desdobrando em 96 ações estratégicas. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula-Favaro-Tomaz-Silva.webp" alt="Foto de Carlos Fávaro, homem branco, de meia idade, com cabelos lisos escuros penteados para trás, usando paletó cinza, camisa branca e gravata cinza com grafismos brancos. Ele está em uma espécie de palco, tendo como interlocutor à esquerda da imagem, outro homem mais jovem, de cabelos escuros, mas que por estar de perfil não é possível ver completamente seu rosto. Os dois estão a frente de um grande painel onde é possível ler em inglês H.E. Carlos Fávaro Minister of Agriculture, Brazil." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Fávaro (á dir.) representa interesses do agronegócio, mas Mapa desempenhará papel no plano
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
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		<item>
		<title>Fetape impulsiona 94 candidaturas de agricultores nas eleições municipais</title>
		<link>https://marcozero.org/fetape-impulsiona-94-candidaturas-de-agricultores-nas-eleicoes-municipais/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 19:02:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fundada em 1962, a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape) é constituída por 176 sindicatos de trabalhadores rurais. A organização sempre incidiu de forma política na vida de agricultores e agricultoras familiares representando e coordenando o trabalho no campo nas três regiões do estado.  “Demorou para que os [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Fundada em 1962, a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape) é constituída por 176 sindicatos de trabalhadores rurais. A organização sempre incidiu de forma política na vida de agricultores e agricultoras familiares representando e coordenando o trabalho no campo nas três regiões do estado. </p>



<p>“Demorou para que os agricultores e agricultoras realmente quisessem entrar na política institucional, porque ainda era um campo desconhecido. Nós sempre fizemos incidência política, principalmente através da educação, mas ocupar os espaços de poder é algo um tanto recente”, afirmou Cícera Nunes, primeira mulher diretora da FETAPE. </p>



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	                                        <p class="m-0">Nalva do Sindicato (PT), candidata a vereadora em Vitória de Santo Antão. Crédito: Divulgação. 
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>De acordo com a líder da federação, foi a partir da eleição de Manoel Santos para o cargo de deputado estadual, em 2010, que o movimento de candidaturas de representantes dos sindicatos rurais ganhou força. “Manoel mostrou o quanto era importante ter alguém que conhecesse de perto a nossa luta nas casas legislativas e incentivou que mais agricultores e agricultoras chegassem lá também”, contou Nunes. </p>



<p>Nestas eleições municipais, a Fetape apoia 94 candidaturas, que estão espalhadas pelos 10 polos sindicais que compõem a federação. Destas, 56 são homens e 38 são mulheres. </p>



<p>Uma das candidatas apoiadas pela Fetape é Nalva do Sindicato (PT), que disputa uma vaga na Câmara de Vereadores de Vitória de Santo Antão. Esta é a primeira vez que Nalva, que é agricultora familiar, assentada e liderança sindical, se candidata a um cargo político e conta que foi um discurso do presidente Lula que a motivou: “no discurso Lula disse ‘todo mundo fala que os políticos não prestam, que são farinha do mesmo saco, que são corruptos, você quer ter um político honesto? Então seja você’. E isso chamou minha atenção”. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Val Lourenço e Nenê do Sindicato são candidatos a prefeitura de Tacaimbó. Crédito: Divulgação. 
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O professor Mário João (PT) também é um dos candidatos a vereador apoiados pela Fetape, na cidade de Nazaré da Mata, Zona da Mata Norte do estado. Antônia dos Santos, conhecida como Nenê do Sindicato (PT) e Val Lourenço (PT) formam uma chapa que disputa a prefeitura da cidade de Tacaimbó como representantes dos sindicatos de agricultores e agricultoras. </p>



<p>A grande maioria dos candidatos apoiados pela Fetape são do Partido dos Trabalhadores (PT) e Cícera Nunes explica o motivo: “É o PT e o presidente Lula que trabalha junto com a gente, que nos representa, e que mantém um diálogo com as nossas lutas e causas pela agroecologia, pela educação no campo, pelo combate a fome, então é natural que as candidaturas apoiadas pela Fetape se filiem ao PT”. </p>



<p>“Nós temos uma boa expectativa de que vamos eleger muitos representantes sindicais. Entendendo também que a campanha é importante, poder conversar com as pessoas e apresentar nossas propostas. Além disso, é importante que cada vez mais mulheres possam concorrer e ocupar mais espaços nas políticas porque este ainda é um ambiente muito machista”, concluiu a diretora da Fetape.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Número de candidatos/as apoiados pelo Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais por polo Sindical:</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Mata Norte:                                                07</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mata Sul:                                                   12          </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agreste Setentrional:                                 09</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agreste Central:                                         09</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agreste Meridional:                                   15</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão do Pajeú:                                        08</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão Central:                                          11</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão Submedio São Francisco:              06</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão do São Francisco:                          08</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão do Araripe:                                     09</span></p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Cirandas da Borborema: o que prefeitos podem fazer para incentivar jovens a permanecerem no campo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Sep 2024 23:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[convivência com o semiárido]]></category>
		<category><![CDATA[Polo da Borborema]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esperança (PB) &#8211; Com olhos e ouvidos atentos, as crianças da Escola Municipal Antônio Adelino dos Santos, na comunidade do Carrasco, zona rural de Esperança, município do agreste paraibano, esperavam com curiosidade para saber o que havia &#8220;do outro lado da janela&#8221;. Este foi o tema escolhido para ser trabalhado com as crianças filhas de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>A Marco Zero voltou ao semiárido nordestino. Desta vez, nossas equipes de repórteres foram à Paraíba e ao Rio Grande Norte conhecer iniciativas postas em práticas por parcerias entre o poder público municipal e organizações sociais que estão melhorando as condições de vida na região. Às vésperas das eleições municipais, essas experiências são exemplos de como prefeituras podem adotar projetos que nascem na esfera não governamental e ampliar tanto seus resultados quanto seu impacto na vida das pessoas.</strong></p>
    </div>



<p><strong>Esperança (PB) </strong>&#8211; Com olhos e ouvidos atentos, as crianças da Escola Municipal Antônio Adelino dos Santos, na comunidade do Carrasco, zona rural de Esperança, município do agreste paraibano, esperavam com curiosidade para saber o que havia &#8220;do outro lado da janela&#8221;. Este foi o tema escolhido para ser trabalhado com as crianças filhas de agricultores e agricultoras no projeto Cirandas da Borborema.</p>



<p>De forma lúdica e afetiva, o projeto inclui um processo de escuta e provoca reflexões sobre o território, a agricultura familiar e a agroecologia em 18 escolas das redes de ensino de 11 dos 13 municípios do Polo da Borborema, uma articulação de 13 sindicatos de trabalhadores rurais da região da serra da Borborema. Ao menos duas mil crianças de 50 comunidades estão integradas à iniciativa. </p>



<p>O Cirandas acontece há 22 anos a partir das parcerias realizadas entre a AS-PTA, organização não governamental que desenvolveu a metodologia, as comunidades, os sindicatos que compõem o Polo e as prefeituras dos municípios. É a principal estratégia em curso na região para fortalecer o pertencimento e aquilo que é chamado de sucessão rural, ou seja, a transferência para as novas gerações da responsabilidade sobre os sítios e pequenas fazendas das famílias.</p>



<p>“Nós precisamos escutar essas crianças, valorizá-las no lugar onde elas moram, as suas identidade, o saber que elas carregam. A agroecologia, esse contexto todo da agricultura familiar, é um grande instrumento de aprendizagem, a todo momento as crianças estão aprendendo”, afirma Maria Denise Pereira, coordenadora do núcleo de infância e educação da AS-PTA.</p>



<p>De maneira geral, as atividades das Cirandas ocorrem nas escolas, mas há casos em que são os salões de reunião das associações comunitárias que recebem as crianças. Quando envolve os adolescentes, que já estão no Ensino Médio em escolas estaduais, a Ciranda pode acontecer até mesmo na casa de algum deles. </p>



<p>De acordo com Maria Denise, o maior ou menor grau de envolvimento das prefeituras ao programa está vinculado ao relacionamento das gestões municipais com o respectivo sindicato rural. No caso de Esperança, a gestão do prefeito Nobson Almeida (PP) incorporou à Ciranda as atividades regulares da rede, dedicando uma semana letiva inteira dedicada ao tema escolhido. </p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Vovó Amorosa&#8221;</h2>



<p>Cada criança tem uma percepção diferente sobre a comunidade em que vive e se sente confortável em compartilhar com a Vovó Amorosa, principal personagem das Cirandas. Nessa partilha, Maria Cecília Duarte, de 10 anos, chamou a atenção pela consciência socioambiental ao responder o que desejaria ver do outro lado da janela mágica: um mundo sem poluição.</p>



<p>Filha de agricultores, sua mãe é Marizelda Duarte da Silva, uma das principais lideranças na luta que as mulheres da Borborema travam contra os abusos e desmatamento praticado pelas empresas de energia eólica. A menina demonstra ter clareza da importância de valorizar a sua comunidade para viver com dignidade, tema presente na comunidade onde vive. “Eu acho que tem que preservar e saber o que estão preservando, sentindo assim, como é bom você preservar onde você mora. Porque se você preservar onde você mora, você vai descobrir que pode continuar naquele lugar”, ressalta a menina.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-2.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-2.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-2.jpg" alt="O ambiente na imagem é uma sala de aula. As paredes estão decoradas com desenhos e obras de arte coloridas, incluindo representações de animais, paisagens e vários designs abstratos. A parte inferior das paredes é azul, enquanto a parte superior é branca, com vários desenhos infantis fixados. Há cadeiras vermelhas visíveis no primeiro plano, sugerindo uma área de assentos para alunos ou participantes. Na sala de aula estão duas pessoas. Uma mulher adulta jovem, parda, de cabelos pretos compridos, usando óculos, blusa preta e relógio dourado no pulso esquerdo. À sua frente, encostada em seu corpo está uma menina branca, de cabelos pretos lisos, usando blusa de uniforme escolar branca com mangas azuis e gola vermelha." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A professora Luzia vê as Cirandas como fundamentais para a formação da filha Luíza
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A articulação para realizar as Cirandas também procura integrar os pais às atividades para que eles também possam enxergar a potência e os encantos da comunidade. “Eu fico muito encantada e emocionada também, porque eu acho que é algo único. Não são todas as escolas, eu acredito, que têm esse privilégio de ter todo esse acompanhamento, todos esses dias dinâmicos. Isso aqui é uma aula para eles, é uma aula lúdica e eu sou apaixonada pelo lúdico”, afirma Luzia de Cássia, professora e mãe de Luíza, de cinco anos.</p>



<p>“É uma forma de mostrar para minha filha o quão especial é o lugar que a gente mora. Então é uma forma dela ver o quão lindo é. E não só ela, mas nós como os pais aprendemos também, aqui na escola eu acabei aprendendo a importância de não desmatar, da plantação e tudo mais”,reforça. A professora veio de São Paulo acompanhada dos pais para morar no Sítio Carrasco há 10 anos. Casou-se, construiu família, trabalha na comunidade em que mora e não pensa em sair do lugar.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O papel das prefeituras</h2>



<p>Nas primeiras edições das Cirandas, as atividades aconteciam em associações, casas de lideranças comunitárias, embaixo de árvores, onde fosse possível. Mas o entusiasmo das crianças e o envolvimento das professoras e professores fortaleceram as Cirandas a ponto da AS-PTA apostar nas parcerias com os sindicatos e as prefeituras.</p>



<p>Em Esperança, duas das 17 escolas rurais recebem o projeto. Estas instituições já costumam trabalhar a partir do conceito de educação contextualizada à realidade rural, portanto o projeto reforça a dinâmica já existente. De acordo com a equipe da organização não governamental, a parceria ressaltou como as gestões municipais podem ajudar a fortalecer o pertencimento de seus estudantes nos territórios em que vivem, contrariando a lógica enraizada de que eles precisam sair da comunidade para se desenvolverem.</p>



<p>“As escolas rurais, além de trabalhar a valorização do lugar onde as crianças vivem, incorporam outros projetos que ressaltam a riqueza natural do território, valorizando o contexto de vivência das famílias dentro de uma dinâmica, inclusiva e inovadora, com práticas educativas que utilizam material concreto de acordo com a comunidade”, afirma Veridiana da Costa Duarte, coordenadora das escolas do campo do município.</p>



<p>Para que o trabalho seja desenvolvido, ocorre uma série de reflexões a partir do que já está previsto para ser trabalhado pelas instituições municipais. As discussões e o planejamento acontecem primeiro no âmbito do território, afunilando depois para o que será executado em cada município, envolvendo profissionais da educação, representantes das comunidades, dos sindicatos e a própria equipe da AS-PTA.  Desse debate sai a definição das atividades, das abordagens e das temáticas que vão ser trabalhadas no ano, divididas em dois semestres.</p>



<p>“Com as crianças a gente faz toda a questão das experiências, elabora as atividades com eles para que eles possam desenvolver essas atividades e se apropriarem do tema, para que, no dia da Ciranda, eles possam fazer as apresentações”, afirma Jéssica da Silva, professora do ensino fundamental. “Nessa parceria a gente consegue fazer um trabalho que esteja de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que é o documento que rege a educação, mas que também traga as vivências deles para dentro da sala de aula”, reforça.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Amigo da agricultura familiar </span>

		<p>O projeto também possui um sistema de vínculo solidário, em parceria com a organização internacional ActionAid, que acompanha o desenvolvimento das crianças assistidas pelas Cirandas e apresenta o contato com o <strong>Amigo da Agricultura Familiar</strong>, como é chamado o doador, através de cartas e desenhos. São quase mil crianças acompanhadas na parceria, que vai da infância até a juventude. Esta é uma maneira de apresentar a efetividade do projeto, como as crianças estão bem e têm se percebido nesse processo de formação e valorização dos filhos e filhas do campo.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Infância inspirada, juventude ativa</h3>



<p>Um dos articuladores do núcleo de educação da AS-PTA é Matheus Silva, jovem de 25 anos que foi cirandeiro &#8211; expressão usada para as crianças que participam do projeto &#8211; e hoje é considerado uma jovem liderança da comunidade e do sindicato do município. Matheus é uma das pessoas que visita os adolescentes para compreender como estão suas dinâmicas no território, os ajudando a olhar para a comunidade de uma maneira diferente, focando na perspectiva de viverem por meio da agricultura familiar.</p>



<p>Quando as crianças saem da escola do campo, avançando nos anos escolares, e vão para a cidade, o trabalho passa a ser desenvolvido de forma diferente. Se, quando pequenos, se encantam com as atividades lúdicas, ao chegar na adolescência tendem a olhar para o mundo com outros desejos. Desta forma o acompanhamento passa a ser feito pelo núcleo de Juventudes da organização.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-3.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-3.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-3.jpg" alt="A imagem mostra uma sala de aula com várias crianças e alguns adultos. As crianças estão usando uniformes combinando, com camisas brancas e calças ou saias azul-marinho. Elas estão sentadas em cadeiras vermelhas dispostas em fileiras, com as mãos levantadas, como se estivessem respondendo a uma pergunta ou se voluntariando para uma atividade. No primeiro plano, uma criança está de pé com os braços levantados. Um adulto está ajoelhado no chão em frente a essa criança, fazendo um sinal de paz com a mão. Outros adultos estão ao fundo da sala, alguns também com as mãos levantadas. As paredes estão decoradas com pôsteres educativos coloridos e trabalhos artísticos." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Matheus (à esq.) participou do projeto quando criança, agora faz parte da coordenação
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Hoje eu sou considerado um jovem referência para o território através da Ciranda. Começou lá aquele despertar que a equipe tanto fala. Eu ia cirandar na comunidade de Água Seca, um pouco mais acima da minha. Foi lá que surgiu aquele despertar, que eu me vi como agricultor mesmo. Vi que só eu poderia fazer diferente, eu não poderia deixar para o próximo. Eu tinha que mudar, falar e ser a voz ativa”, relembra Matheus.</p>



<p>Mas este despertar não ocorre apenas para as crianças, foi em uma das atividades que Edson Johnny, de 28 anos, atualmente dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais  e Agricultores e Agricultoras Familiares de Esperança, se encantou pelo trabalho de articulação do território. À época, era estudante de Pedagogia e estagiário em uma escola do campo, mas foi só se participar das reuniões de planejamento das Cirandas para encontrar seu espaço na luta pela defesa da agricultura familiar e agroecologia.</p>



<p>“A partir daí, eu passo por todo um processo de formação para entender o que é o movimento, o que é o sindicato, o que é a luta, para que eu possa, junto, atuar nas comunidades e, na condição de jovem, discutir com agricultores, de chegar em uma comunidade e reunir, articular, de mobilizar os agricultores. Tudo isso é motivo de muito orgulho”, enfatiza Johnny.</p>



<p>Hoje, além da atuação sindical, o jovem é estudante de Agronomia, compondo também a comissão executiva do Movimento de Juventudes do Polo da Borborema, além de fazer parte da rede de juventudes da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-4.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-4.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-4.jpg" alt="A imagem mostra uma cena interna onde uma pessoa, de costas para a câmera, está falando para um grupo de pessoas sentadas. A pessoa está em pé em frente a uma estrutura de madeira que se assemelha a uma porta, pintada de laranja, que emoldura a visão para a audiência. A sala tem paredes brancas decoradas com vários pôsteres e desenhos coloridos. As pessoas sentadas estão voltadas para a pessoa em pé, sugerindo que estão atentas, possivelmente participando de uma palestra ou apresentação." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dia da apresentação do projeto é marcante na vida das escolas da Borborema
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>A equipe de reportagem visitou os territórios a partir do convite da Rede ATER NE e AS-PTA, que executam o <strong>Projeto Cultivando Futuros: transição agroecológica justa em sistemas alimentares do Semiárido brasileiro.</strong> A iniciativa também é desenvolvida na Alemanha pela agência de cooperação internacional Pão para o Mundo (Brot fur de Welt, nome em alemão). A ação tem financiamento do Ministério Federal da Alimentação e da Agricultura da Alemanha (BMEL, na sigla em alemão).</p>
    </div>
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		<title>Em se plantando, tudo vende</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sérgio Miguel Buarque]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jul 2024 12:28:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Campo Alegre de Lourdes]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[sertão baiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Campo Alegre de Lourdes (BA) &#8211; Nelita Pereira dos Passos, agricultora da Comunidade Carolino, em Campo Alegre de Lourdes (BA), tem planos ousados para os próximos meses. Ela pretende investir na ampliação da área do seu quintal produtivo para atender ao crescimento da clientela. A ideia é ocupar um terreno, ainda sem irrigação, contínuo ao [&#8230;]</p>
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<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:15% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="341" height="341" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/image.png" alt="" class="wp-image-63685 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Campo Alegre de Lourdes (BA) &#8211;</strong> Nelita Pereira dos Passos, agricultora da Comunidade Carolino, em Campo Alegre de Lourdes (BA), tem planos ousados para os próximos meses. Ela pretende investir na ampliação da área do seu quintal produtivo para atender ao crescimento da clientela. </p>
</div></div>



<p>A ideia é ocupar um terreno, ainda sem irrigação, contínuo ao que já produz hortaliças e algumas frutas. “Nós queremos ampliar para poder plantar mais, fazer os canteiros para produzir mais coentro e tomates, que já estou com uns ali no ponto de mudança e não tenho espaço.” Mais espaço plantado significa mais produtos para vender e, claro, mais renda para família.</p>



<p>A alguns poucos quilômetros dali, no Sítio Tanque, Cármen Lúcia e o marido Antônio Damaceno esperavam sorridentes a equipe da Marco Zero para o café da manhã. No cardápio, uma reforçada panela de mocotó com bucho de bode que, além de garantir energia para o dia de trabalho puxado, era uma espécie de símbolo de fartura, garantida pela boa produtividade do quintal por trás da casa. No terreno de cerca de um hectare, dividido em uma área irrigada e uma área de sequeiro, o casal planta de tudo um pouco (são cerca de 40 produtos diferentes) além de criar cabras e galinhas.</p>



<p>Nas duas casas não havia sinal de ostentação, longe disso. Mas em ambas, alguns detalhes mostravam que a vida estava melhorando e, como vocês poderão constatar ao longo da reportagem, não se tratava de casos isolados. Em uma rápida olhada pelas duas cozinhas, por exemplo, era possível ver todo tipo de eletrodoméstico, do liquidificador ao <em>air fryer</em>. “Só não tenho cafeteira porque gosto do café passado na hora”, brinca Lúcia com um sorriso de satisfação como que comemorando os “pequenos luxos” que conquistou.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Campo Alegre de Lourdes fica no extremo norte da Bahia, divisa com o Piauí. O censo demográfico de 2022 informa uma população de 30.671 pessoas. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, existem no município 4.693 estabelecimentos agropecuários caracterizados como agricultura familiar, o que corresponde a 89% do total (5.260). Deste total, 83% possuem cisternas.</p>
        </div>
    </div>



<p>Mas nem sempre foi assim. Há menos de três anos, Nelita, o marido Manuel e o restante da família viviam apenas com os recursos dos programas sociais do governo e com o que conseguiam colher da lavoura de subsistência plantada no período de chuva. “Até então, a gente não mexia com nada disso. Vivíamos do que conseguíamos. A gente só produzia mesmo para o consumo de casa, que era o milho, o feijão e umas galinhas”.</p>



<p>De certa forma, era o mesmo com Lúcia e Damaceno. Há uns quatro anos, o casal não tinha renda fixa e nem um quintal tão diverso e produtivo. Com isso, a economia doméstica dependia dos programas governamentais, da “boa vontade” das chuvas e do incerto comércio “na rua”. “Era muito ruim você plantar sem ter a garantia de que iria conseguir vender”, lembra Damaceno.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/CampoAlegredeLourdes-1-Nelita.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/CampoAlegredeLourdes-1-Nelita.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/CampoAlegredeLourdes-1-Nelita.jpg" alt="Foto colorida da família de Nelita Pereira Passos, que foi fotograda sentada em uma cadeira de plástico branco. Seu marido e os dois filhos estão em pé por trás dela. O marido é um homem moreno, de pele bronzeada, usando uma camisa roxa de mangas compridas (provavelmente uma antiUV) e bermuda jeans. O filho mais novo é um adolescente magro, de pele clara bronzeada e cabelos escuros e curtos, usando camiseta azul escura. Ele está com as mãos sobre os ombros de Nelita. O filho que aparenta ser mais velho está à esquerda, usando camisa branca com mangas e gola amarelas, com um calção azul. Ele também tem cabelos curtos, mas tem bigode e um cavanhaque ralo. A família foi fotograda dentro de casa, com uma a televisão instalada num painel de madeira escura ao fundo, uma janela fechada na parede à esquerda, modem instalado e na parede e telhado com telhas e caibros de madeira à mostra." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Não há luxo na casa de Nelita, mas ela tem equipamentos que seriam impensáveis há alguns anos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Os fatores da mudança</h2>



<p>A transformação na vida das duas famílias &#8211; e na de dezenas de outras do município &#8211; foi a conjunção de, pelo menos, dois fatores estruturantes. Ambos resultado de muita articulação, mobilização e luta a partir da organização das agricultoras e agricultores com o apoio da sociedade civil.</p>



<p>O primeiro fator transformador, surgido bem antes de Nelita ou Lúcia pensarem em ter seus próprios quintais produtivos, foi a consolidação do conceito de “Convivência com o Semiárido”, muito em consequência da mobilização feita pela <a href="https://www.asabrasil.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Articulação Semiárido Brasileiro (ASA)</a> a partir do final da década de 1990 e que orientou diversas políticas públicas abrangentes. Você pode acompanhar muitos aspectos dessa revolução silenciosa que acontece no semiárido nordestino lendo as outras reportagens já publicadas da série <a href="https://marcozero.org/a-reinvencao-do-nordeste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A Reinvenção do Nordeste</a>. </p>



<p>Para se ter ideia de como as estratégias de convivência com o semiárido causaram impactos tanto econômico quanto social basta ver o levantamento feito por Denis Monteiro na sua tese de doutorado em Ciência, Tecnologia e Inovação em Agropecuária na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRJ): <a href="https://rima.ufrrj.br/jspui/handle/20.500.14407/9858"><em>Gente é pra brilhar: Interpretação do desenvolvimento de comunidades camponesas do Sertão do São Francisco</em>.</a> </p>



<p>De acordo com o estudo feito por Denis, em 1991, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município de Campo Alegre de Lourdes era 0,273, passando a 0,365 em 2000, e chegando a 0,557 em 2010 (o último disponível). “Apesar de ainda baixo, sua nítida evolução indica ter havido mudanças positivas muito significativas desde o início dos anos 1990”, concluiu.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que mudou</span>

		<p>A grande seca que ocorreu no semiárido brasileiro entre 1979 e 1983 deixou marcas profundas em Campo Alegre de Lourdes. O teólogo Roberto Malvezzi, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), morou na cidade nesse período. “Vi o flagelo que ficou retratado na música de Luiz Gonzaga, nos romances da Raquel de Queiroz, de Graciliano, na poesia de João Cabral de Melo Neto ou na pintura de Portinari. Todos aqueles fenômenos de fome, de sede, de migração intensa, mortalidade infantil e depois o saque”.</p>
<p>Campo Alegre está a 120 quilômetros das margens do São Francisco. “Como não tem rios ou nascentes, ou você tinha a água da chuva ou não tinha nada. Isso naquele tempo, hoje tem uma adutora”, lembra Malvezzi.</p>
<p>A última grande seca na região aconteceu entre 2012 e 2017. A carta do IX Encontro Nacional da Articulação do Semiárido (ASA), de novembro de 2016, afirmou que: “Vivemos hoje o quinto ano de uma estiagem ainda mais severa e nenhum ser humano teve sua vida ceifada pelos efeitos da seca”.</p>
<p>O que mudou? Segundo Denis Monteiro, “as inovações no manejo dos agroecossistemas, as políticas sociais e as rendas de pluriatividade conferiram aos agroecossistemas maior capacidade de resistir aos efeitos da grande seca entre 2012 e 2017. A seca foi também um alerta às famílias sobre a importância de seguir investindo na estocagem de forragem e água. Muitas infraestruturas foram construídas justamente nos anos mais secos, com as políticas públicas em execução. As inovações permitiram uma rápida recuperação após os bons invernos a partir de 2018”.</p>
	</div>



<p>O segundo fator, pelo menos em Campo Alegre de Lourdes, é bem mais recente. A maior apropriação da riqueza produzida a partir das tecnologias sociais de convivência com o semiárido foi possível pela inserção das famílias em iniciativas de venda direta aos consumidores, associada ao apoio técnico qualificado, ao engajamento em associações e cooperativas que comercializam a produção das comunidades e a integração a eventos onde a produção é vendida e onde se forma clientela como, por exemplo, as feiras agroecológicas.</p>



<p>Lá, especificamente, os mercados institucionais começam a ganhar mais força a partir de 2021, quando aconteceu a primeira tentativa de acessar, de forma articulada e coletiva, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).</p>



<p>“Isso aconteceu de forma gradativa. Em 2021, o valor foi muito pequeno, mesmo assim, as famílias não desanimaram. Em 2022, a gente já foi para um valor bem mais interessante, passando para quase R$ 600 mil. Agora, em 2024, a gente já tem contratos firmados de quase um milhão de reais”, explica Francisco José da Silva, conhecido por todos com Franzé, que é assessor técnico do<a href="http://sasop.org.br"> Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP)</a> nos territórios de três municípios da região: Remanso, Campo Alegre de Lurdes e Pilão Arcado.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Criado pela Lei nº 11.947, de 16/6/2009, o <strong>Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)</strong> consiste no repasse de recursos financeiros federais para o atendimento de estudantes matriculados em todas as etapas e modalidades da educação básica nas redes municipal, distrital, estadual e federal e nas entidades qualificadas como filantrópicas ou por elas mantidas, nas escolas confessionais mantidas por entidade sem fins lucrativos e nas escolas comunitárias conveniadas com os estados, o Distrito Federal e os municípios, com o objetivo de contribuir para o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de hábitos alimentares saudáveis dos alunos, por meio de ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições que cubram as suas necessidades nutricionais durante o período letivo.</p>
<p>Fundamentado pela diretriz de emprego da alimentação saudável e adequada e o apoio ao desenvolvimento sustentável, com valorização dos gêneros alimentícios produzidos em âmbito local, a lei estabelece que, no mínimo, 30% do valor dos recursos federais do PNAE repassados pelo FNDE deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar, medida que estimula o desenvolvimento econômico e sustentável das comunidades.</p>
<p>O mesmo dispositivo estabelece, ainda, que sejam priorizados os assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas, as comunidades quilombolas e os grupos formais e informais de mulheres.</p>
<p>A novidade, trazida pela Lei nº 14.660, em 24 de agosto de 2023, é de que a aquisição dos gêneros, quando comprados de família rural individual, deverá ser feita no nome da mulher, em no mínimo, 50% (cinquenta por cento) do valor adquirido.</p>
        </div>
    </div>



<p>O programa ganhou força, passando a ter mais relevância e impacto na vida das pessoas, quando o poder público (a prefeitura de Campo Alegre de Lurdes, no caso), passou a destinar 100%, do que é repassado pelo FNDE, para a compra de produtos da agricultura familiar, indo muito além dos 30% determinado por lei. Além disso, a prefeitura tem trabalhado em parceria com a sociedade civil organizada no mapeamento e definição de um preço justo para o que é produzido no município. O resultado desse esforço subsidia a elaboração da chamada pública, instrumento legal que define todos os parâmetros para a elaboração dos contratos.</p>



<p>Para ver como isso tem sido um diferencial importante, é só fazer um contraponto com o município vizinho de Pilão Arcado. Segundo Franzé, por lá o processo está muito mais difícil. “Saiu a chamada pública com produtos que não são de produção da região, totalmente fora de contexto e com preços abaixo do mercado. Ou seja, foi uma chamada pública elaborada sem fazer aqueles primeiros processos: mapeamento e cotação de preço. Então, só pra ter uma ideia, lá eles querem batata-inglesa, um produto que não é de nossa região. E tá lá. Quem vai fornecer? Vão ter que pegar de um atravessador…”</p>



<p>Para Franzé, o que acontece em Pilão Arcado e em outros municípios que sequer cumprem a cota de 30% de compra para o PNAE na agricultura familiar, não é desconhecimento técnico ou da legislação. “Eles têm o conhecimento de que a chamada pública para a compra de produtos da agricultura familiar tem que ser regionalizada. Na verdade, é falta de vontade política”.</p>



<p>Falta vontade política e falta visão administrativa, para dizer o mínimo. “Quando eles (os prefeitos) derem a importância devida a essa política dentro do seu município, eles vão abraçar essa ideia e nunca mais vão largar. Porque isso é fazer com que o recurso gire dentro do próprio município. Se ele paga para o agricultor, o agricultor compra no seu comércio”, explica Franzé.</p>



<p>O fato é que a entrada no PNAE transformou a vida de muita gente. Atualmente, são 68 famílias que participam do programa no âmbito municipal. O contrato assinado para 2024 prevê o valor anual de R$ 982.874,16 para compras na agricultura familiar. Isso dá um valor médio próximo dos 15 mil reais para cada família participante. São quase R$ 1.250 por mês. “É mais de um salário-mínimo por mês e é melhor do que o Bolsa Família”, calcula Damaceno que, junto com Lúcia, fornece para o PNAE  desde 2022.</p>



<p>Cármen Lúcia fala de outro motivo de satisfação que não tem relação direta com ganhos materiais: “Nossos filhos passam a ter alimentos saudáveis na escola. Às vezes, minha filha Vitória [de oito anos] diz: ‘mamãe’, vi os mamões que você levou lá na escola”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/CampoAlegredeLourdes-2-damaceno.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/CampoAlegredeLourdes-2-damaceno.jpg" alt="A cena retrata um casal de pessoas de meia-idade juntas, com os rostos colados. À esquerda, o homem tem cabelos brancos e usa uma camisa de listas verdes e brancas. À direita, a mulher de cabelos castanhos e curtos, usa óculos, brincos grandes e dourados, e está vestida com uma blusa ou vestido verde escuro. Elas estão ao ar livre, cercadas por altos pés de mamão que se estendem em direção a um céu azul claro. As folhas dos mamoeiros são exuberantes e verdes, e uma das árvores tem um cacho de mamões pendurados acima. O sol brilha intensamente através das folhas, criando um efeito de luz difusa ao redor da cena." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Antônio Damaceno e Cármen Lúcia fornecem alimentos para as escolas estaduais
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Lúcia e Damaceno também fazem parte do grupo reduzido de famílias que vendem para o PNAE do governo estadual da Bahia. Por questões burocráticas, são apenas três pessoas formalmente inscritas que representam algumas outras de suas respectivas comunidades. Elas recebem algo em torno de R$ 11 mil por ano. Leandro Nonato de Lacerda, que mora na comunidade tradicional de Fundo de Pasto Lagoa do Gato, fornece desde 2021 para o PNAE, tanto o municipal quanto para o estadual, é um dos coordenadores do programa. Segundo ele, os benefícios do PNAE vão além das famílias que assinaram contrato. “Acaba beneficiando cerca de 300 famílias indiretamente. Isso porque, quando não temos o produto solicitado para entregar, pedimos aos outros da comunidade”.</p>



<p>Leandro, que é um dos coordenadores do programa, explica que são nove grupos de agricultoras e agricultores, cada um com um representante, que se articulam através do WhatsApp. “A nutricionista (que define o cardápio das escolas municipais) pede o que precisa, geralmente, na sexta-feira, e os representantes organizam a divisão entre os produtores para a entrega nas segundas-feiras”.</p>



<p>Para ele, a vantagem de participar do PNAE é muito grande. Além de oferecer produtos naturais para as escolas, aumenta nossa renda”. Melhorou muito nossa vida. Hoje é a principal fonte de renda de muitas famílias”.</p>



<p><em>“Nossos filhos passam a ter alimentos saudáveis na escola. Às vezes, minha filha Vitória (de oito anos) diz: ‘papai’, vi os mamões que você levou lá na escola”.</em></p>



<p><em>Cármen Lúcia, Sítio Tanque</em></p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Bom para todos</span>

		<p>A importância do PNAE vai além da questão da garantia de renda para as famílias agricultoras ou o incremento da economia local. É possível elencar uma série de benefícios que essa política pública traz, não só para as pessoas envolvidas diretamente no processo como para a sociedade como um todo:</p>
<ul>
<li>Convivência sustentável com o meio ambiente;</li>
<li>Empoderamento das mulheres que passam a receber os recursos em suas próprias contas bancárias;</li>
<li>Envolvimento da juventude, com aumento de renda e sentimento de pertencimento;</li>
<li>Transparência no processo de compra dos produtos e diminuição da corrupção;</li>
<li>Segurança alimentar das crianças que passam a ter uma alimentação de qualidade na escola.</li>
</ul>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">“Todo dia aprendo algo”</h3>



<p>Conseguir assinar o contrato com a prefeitura e o Governo do Estado para vender a produção para o PNAE foi uma vitória. Mas entregar os produtos na quantidade, qualidade e prazos acordados, tão fundamental para a continuidade do programa, não é uma tarefa fácil para as famílias agricultoras. É aí que entra o apoio técnico.</p>



<p>O SASOP, onde Franzé trabalha, faz parte da Rede de Assistência Técnica e Extensão Rural Nordeste (Rede Ater NE), e tem um papel importante nesse processo. Atualmente, o SASOP atua em quatro municípios do Sertão do São Francisco: Campo Alegre de Lourdes, Remanso, Casa Nova e Pilão Arcado, acompanhando famílias de agricultores/as, pescadoras artesanais e as comunidades tradicionais de Fundo de Pasto. A atuação em Campo Alegre começou ainda no início da década de 2010, com foco na apicultura, e foi se expandindo e diversificando para a caprinocultura, quintais agroecológicos, beneficiamento de frutas e acesso a mercados.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/CampoAlegredeLourdes-3-mamao.jpg" alt="A imagem mostra um grupo de mamões verdes pendurados em uma árvore. As folhas da árvore são largas, com bordas lobadas, e o céu ao fundo está claro e azul. O sol brilha intensamente através das folhas, criando um efeito de lente." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dos quintais e roças, as frutas seguem direto para a merenda escolar
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Não existiria a participação no PNAE sem o apoio da assessoria técnica. Como a gente iria acessar o programa?”, questiona Antônio Damaceno. Para ele, a assessoria técnica resultou no aumento da produtividade e, o mais importante, na qualidade dos produtos. “A gente vai aprendendo todo dia. Sempre tem algo para melhorar. Na semana passada, por exemplo, aprendi a usar água oxigenada para combater um fungo que dá na laranjeira”.</p>



<p>O sentimento de Nelita é semelhante ao de Damaceno. “Mudou, mudou bastante, porque a gente pegou experiência. Antes, a gente não sabia nem para onde ir. Agora, o pessoal do SASOP está sempre apoiando, ensinando o manejo de tudo”. Desde que começou a receber o apoio, ela conta que passou a aproveitar mais a área do quintal e, assim, pôde ter mais produtos para vender: &#8220;na verdade, o bom é ter a renda, que antes só produzíamos para comer.”</p>



<h3 class="wp-block-heading">Sábado é dia de feira</h3>



<p>Há cerca de 30 anos que as comunidades vendem seus produtos na feira da cidade. Só que isso era feito de forma individual, misturado com os demais comerciantes. De forma organizada, dentro do espaço agroecológico, faz apenas uns cinco meses. Desde o ano passado, essa forma de venda direta ao consumidor tem melhorado para um bom número de famílias agricultoras. </p>



<p>Desde o ano passado, uma média de 35 famílias (na época de chuva na região, entre dezembro a março, são cerca de 40 famílias), representando cerca de 25 comunidades, passaram a ocupar uma área específica e padronizada no galpão onde a feira funciona aos sábados.</p>



<p>O grupo começa a chegar das comunidades por volta das 5h30 e ficam até meio dia. As famílias que não podem ir, mandam seus produtos pelos vizinhos. Lá vendem de tudo um pouco, sendo mais uma oportunidade de escoar a produção excedente dos seus quintais produtivos. Outros, como a família de Leandro Lacerda, perceberam que podem aumentar os lucros agregando valor aos seus produtos.</p>



<p>“Minha família foca na alimentação. Bolos, doces, galinha caipira, beiju, cafezinho… Tudo feito em fogão agroecológico, que consome menos lenha, faz menos fumaça e foi construído através do Programa <a href="https://www.car.ba.gov.br/projetos/pro-semiarido#:~:text=O%20Projeto%20Pr%C3%B3-Semi%C3%A1rido%20%C3%A9%20parte%20integrante%20de%20um,Agr%C3%ADcola%20%28FIDA%29%2C%20da%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20das%20Na%C3%A7%C3%B5es%20Unidas%20%28ONU%29." target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pró-Semiárido </a>do Governo da Bahia, há cerca de dois anos.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/CampoAlegredeLourdes-4-Leandro.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/CampoAlegredeLourdes-4-Leandro.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/CampoAlegredeLourdes-4-Leandro.jpg" alt="A foto retrata uma cena de mercado com várias pessoas e diversos itens à venda. Na frente, há uma homem negro, maduro, vestindo uma camiseta branca com o texto “Semiarido” e uma ilustração de um cacto e um sol. Ele está com o braço esquerdo esticado, segurando a haste de um barraca de feira. Sua outra mão está apoiada sobre uma mesa repleta de produtos alimentícios em recipientes de plástico. À esquerda, sua esposa, morena, de meia-idade, cabelos presos por trás da cabeça, e usando uma blusa preta. Há duas crianças, um menino negro pequeno e uma menina morena de cabelos lisos e blusa vermelha, estão à esquerda. Ao fundo, mais barracas de mercado podem ser vistas, e outra pessoa vestida de verde está parcialmente visível." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Leandro Lacerda vende produtos com valor agregado na feira de Campo Alegre de Lourdes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Leia todas as reportagens da série <em>A reinvenção do Nordeste</em></strong>:</li>
</ul>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-reinvencao-do-nordeste/" class="titulo">A reinvenção do Nordeste</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		<p>O post <a href="https://marcozero.org/em-se-plantando-tudo-vende/">Em se plantando, tudo vende</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O que é uma agrofloresta e como ela mudou a vida de uma família na caatinga</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-e-uma-agrofloresta-e-como-ela-mudou-a-vida-de-uma-familia-na-caatinga/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 May 2024 17:40:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A minha Amazônia é aqui”. É assim que o casal José Bocão e Cilene Luzinete define, com muito orgulho, o oásis que criaram num terreno de apenas 0,25 hectare no semiárido pernambucano, na zona rural de Vertentes, no agreste setentrional, a 180 quilômetros do Recife. Agricultores familiares, eles desenvolvem, desde 2018, um Sistema Agroflorestal onde [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-que-e-uma-agrofloresta-e-como-ela-mudou-a-vida-de-uma-familia-na-caatinga/">O que é uma agrofloresta e como ela mudou a vida de uma família na caatinga</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“A minha Amazônia é aqui”. É assim que o casal José Bocão e Cilene Luzinete define, com muito orgulho, o oásis que criaram num terreno de apenas 0,25 hectare no semiárido pernambucano, na zona rural de Vertentes, no agreste setentrional, a 180 quilômetros do Recife. Agricultores familiares, eles desenvolvem, desde 2018, um Sistema Agroflorestal onde praticam e também ensinam um jeito mais sustentável de produção de alimentos, otimizando recursos e espaço com o plantio e manejo de árvores em associação com culturas agrícolas. Basta adentrar um pouco a agrofloresta para rapidamente sentir o microclima.</p>



<p>No Sítio Caruá, o casal — ele com 46 e ela com 41 anos — já soma mais de 70 variedades cultivadas, entre frutas e hortaliças. Com o apoio de tecnologias sociais como cisterna, biodigestor, barreiro, reúso de água e banco de sementes crioulas, além de um pequeno açude e tanque para criação de tilápias, a família tem fortalecido iniciativas de adaptação climática no bioma caatinga. “Com esse solo, tudo que se planta dá. Porque a vida aqui está em abundância”, mostra José Bocão cavando uma terra de cor escura, repleta de minhocas, contrastando com o chão árido do terreno pedregoso ao redor.</p>



<p>“Do banho, da pia de pratos e do quintal, nós fizemos um sistema de filtro para as plantas”, detalha. No local onde o casal vive com dois filhos, tem de mamão a graviola, passando por jabuticaba, seriguela, maracujá e sapoti, para citar apenas alguns exemplos. Tudo é devidamente identificado por plaquinhas. O terreno tornou-se um exemplo, é visitado por escolas e também virou local de intercâmbio com outros produtores familiares. A realidade atual é bem diferente do tempo em que a família precisava buscar água num poço a 1,5 quilômetro de casa e não tinha renda fixa.</p>





<p>“Se plantar uma semente, a gente só tem uma chance. Mas, se plantar várias sementes, várias chances nós vamos ter”, ensina José Bocão. “Antes o povo dizia ‘isso é roçado de doido, com tanta coisa misturada’”, relembra. Para ele, a família “tem a faca e o queijo na mão”, mesmo morando numa região semiárida. Para além dos tradicionais feijão, milho e abóbora, o conhecimento técnico, com acompanhamento e apoio financeiro, foi o que abriu tantas possibilidades.</p>



<p>“O conhecimento foi a melhor coisa para mim. Como agricultora, sempre gostei de plantar. Às vezes, o povo pensa que a mulher é frágil. Mas não é. A gente enfrenta tudo”, orgulha-se Cilene. O casal é uma das famílias acompanhadas pelo <a href="https://centrosabia.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro Sabiá</a> em Pernambuco, uma organização não governamental com sede no Recife, fundada em 1993, que trabalha para a promoção da agricultura familiar nos princípios da agroecologia.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> visitou Vertentes e também o sítio de João da Onça e Auta Maria Pereira da Silva, em São Caetano, a convite do Sabiá e acompanhada de uma equipe do <a href="https://www.greenpeace.org/brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Greenpeace</a>. Em São Caetano, a reportagem conheceu o processo de construção de uma cisterna, uma tecnologia social de baixo custo que universalizou o acesso à água no semiárido e é uma política pública consolidada no Brasil. Nos últimos 20 anos, mais de 1,2 milhão de cisternas foram construídas em todo o semiárido brasileiro.</p>



<p><strong>“A caatinga é a nossa floresta”</strong></p>



<p>As tecnologias sociais desenvolvidas no semiárido são estratégias de adaptação que permitem que as famílias agricultoras continuem em seus territórios com dignidade e produzindo alimentos. Segundo dados do Censo, a agricultura familiar responde por 70% da alimentação no Brasil. Como explica Carlos Magno, da coordenação do Centro Sabiá, “há muita inovação entre as famílias do semiárido, elas mesmas vão fazendo, construindo e adaptando, não são estratégias que chegam prontas”. Por exemplo, o biodigestor de José Bocão e Cilene foi construído por eles mesmos. A adaptação para evitar um vazamento no sistema foi feita com uma simples palha de aço. Alimentando o biodigestor com esterco algumas vezes na semana, a casa tem gás na cozinha o tempo todo.</p>



<p>“Isso tem conferido para esse grupo de famílias uma certa resiliência a esse processo de continuar a produzir os alimentos e manejar a água”, complementa Carlos. Para ele, a &#8220;caatinga é a nossa floresta&#8221;. Mas, em muitos locais, explica o coordenador, as pessoas deixaram de produzir nos últimos anos porque o regime de chuvas mudou demais e não há mais água suficiente.</p>



<p>“A quantidade de água no sistema, ou seja, na terra e nas árvores, diminui porque tem menos chuva caindo, e aí se tem também menos umidade e, consequentemente, menos germinação de sementes. Então vai se perdendo a capacidade de produzir alimentos nessas regiões”, detalha. A saída pela adaptação é então transformar esses sistemas em roçados mais ecológicos, que tenham boa cobertura de solo.</p>



<p>O coordenador da frente de justiça climática do Greenpeace Brasil, Igor Travassos, comenta que “não existe uma resposta única para adaptação, porque ela sempre vai depender das condições de cada território. Condições estas que são sociais, geográficas, geológicas, hidrológicas, climáticas”. Para ele, é essencial falar de adaptação do ponto de vista da convivência.</p>



<p>“Num cenário de eventos climáticos extremos, nós vamos fazer o quê? Remover todo mundo?”, provoca Igor. O coordenador lembra ainda da importância de as políticas públicas de adaptação serem construídas com as pessoas impactadas e que costumam deter os conhecimentos e os saberes sobre seus próprios territórios. “Eu acho que o maior desafio da política pública hoje é a vontade de construir conjuntamente com a participação social efetiva”, avalia.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Sabia-Sergio-Arruda_Greenpeace-placa.jpg" alt="A foto retrata uma cena ao ar livre com foco em uma placa artesanal no primeiro plano. A placa diz “SISTEMA AGROFLORESTA 16-01-2024”. Ela é branca, com texto escrito à mão em preto, e está presa a um pedaço de madeira fincado no solo. Ao fundo, há uma vegetação exuberante, indicando uma plantação densa ou um jardim. À direita da imagem, vemos uma pessoa vestindo roupas amarelas, parcialmente oculta pela folhagem, possivelmente trabalhando ou observando algo à distância. O solo parece ser cultivado, com algumas plantas pequenas próximas à placa." class="w-100" loading="lazy" >
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                                            <span>Crédito: Sérgio Arruda/Greenpeace</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-que-e-uma-agrofloresta-e-como-ela-mudou-a-vida-de-uma-familia-na-caatinga/">O que é uma agrofloresta e como ela mudou a vida de uma família na caatinga</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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