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	<title>Arquivos agricultura urbana - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 28 Jul 2025 19:52:15 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos agricultura urbana - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Recife recebe o 2º Encontro Nacional de Agricultura Urbana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2025 19:51:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A semana será marcada pelo 2º Encontro Nacional de Agricultura Urbana (ENAU), que acontece entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, no Recife. O evento marca uma década desde sua primeira edição, realizada no Rio de Janeiro. Com o tema “Cidades que plantam! Agriculturas urbanas na luta contra fome e por justiça [&#8230;]</p>
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<p>A semana será marcada pelo <a href="https://www.instagram.com/enau.agriculturaurbana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">2º Encontro Nacional de Agricultura Urbana (ENAU),</a> que acontece entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, no Recife. O evento marca uma década desde sua primeira edição, realizada no Rio de Janeiro. Com o tema “Cidades que plantam! Agriculturas urbanas na luta contra fome e por justiça climática”, o encontro reunirá mais de 200 participantes vindos de todas as regiões do país, com o objetivo de fortalecer redes de articulação, debater políticas públicas e promover práticas agroecológicas em ambientes urbanos e periurbanos.</p>



<p>Promovido pelo Coletivo Nacional de Agricultura Urbana (<a href="https://agroecologia.org.br/agricultura-urbana/">CNAU</a>), o Encontro será realizado no Instituto Aggeu Magalhães, da Fiocruz, na Cidade Universitária, com atividades limitadas aos inscritos, e na praça da Várzea, no sábado, 2 de agosto, aberto ao público. O evento valoriza as diversas experiências de agricultura desenvolvidas em comunidades, ocupações e territórios urbanos.</p>



<p>Na pauta estão itens como a implementação da Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (<a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/Lei/L14935.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lei Nº 14.935</a>), a promoção da segurança alimentar, e a luta por justiça climática, reforçando o papel da agricultura como ferramenta de transformação social nas cidades. A agenda do encontro inclui seminários, oficinas, rodas de conversa, intercâmbios com experiências locais, apresentações culturais e uma feira agroecológica.</p>



<p>A culminância ocorre no sábado com a Feira de Sabores e Saberes, das 8h às 16h30, na praça da Várzea, com expositores de várias regiões, trocas de sementes e mudas, além da plenária final com a leitura da carta política do II ENAU que acontece em paralelo à feira e um ato público com programação cultural, pela tarde.</p>



<p>Segundo a organização do evento, a escolha da capital pernambucana como sede do evento se deve à sua forte articulação local e ao grande número de iniciativas urbanas, como hortas comunitárias, quintais produtivos e cozinhas solidárias. O protagonismo da cidade reforça seu papel como referência nacional na construção de políticas e práticas agroecológicas.</p>



<p>O ENAU conta com apoio de diversos parceiros, como os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Secretaria Executiva de Agricultura Urbana e Secretaria de Projetos Especiais da Prefeitura de Recife, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Fiocruz Pernambuco, Universidade de Brasília (UnB), entre outras organizações da sociedade civil. </p>



<p></p>





<p></p>
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		<title>O curso de agricultura urbana que está mudando a vida de mulheres recifenses</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Mar 2025 15:40:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[hortas comunitárias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Sabe uma colcha de retalhos que a gente começa fazendo de pedacinho e, de repente, está bem grandona? Pronto, isso aqui é uma pequena colcha de retalho que nós levantamos. Nos apoiando uma na outra”, comparação feita por Aldenize Maria da Silva, de 51 anos, sobre a horta popular e agroecológica Saber Viver, localizada na [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p>“Sabe uma colcha de retalhos que a gente começa fazendo de pedacinho e, de repente, está bem grandona? Pronto, isso aqui é uma pequena colcha de retalho que nós levantamos. Nos apoiando uma na outra”, comparação feita por Aldenize Maria da Silva, de 51 anos, sobre a horta popular e agroecológica Saber Viver, localizada na comunidade da Fazendinha, em Boa Viagem. </p>



<p>A horta comunitária é uma das cinco acompanhadas pela Escola Marias, a primeira escola de agricultura urbana para mulheres da periferia, iniciativa do Centro Sabiá com parceria do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).</p>



<p>Aluna da segunda turma, Aldenize foi instigada pela amiga Vera Lúcia para se inscrever no projeto e viu sua vida ganhar um novo sentido. À época, a dona de casa enfrentava uma depressão, mas o conhecimento e a prática na horta têm a ajudado a conviver com seus desafios internos. “Você se sente bem quando começa a entender o verde. Então é isso, a minha vida mudou muito [&#8230;] E a gente não só tem comida, como a gente tem uma farmácia viva aqui”, conta. </p>



<p>Estruturada com base nos conceitos e práticas da agroecologia, a horta tem de tudo: desde plantas medicinais como boldo, menta, capim santo, erva cidreira, até frutas, legumes e tubérculos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/Sabia-7-turma.jpg" alt="A imagem mostra sete mulheres em um jardim comunitário. Seis delas estão vestindo camisetas roxas com um logotipo branco e bonés da mesma cor. Uma das mulheres, à direita da foto, está usando uma camiseta cinza com um desenho de trevo verde e uma touca roxa. O grupo está segurando ferramentas de jardinagem, como enxadas e ancinhos. Elas estão posicionados em frente a uma área de plantação cheia de plantas verdes. No fundo, há uma cerca de metal, árvores e alguns prédios ao longe." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Terceira turma da Escola Marias está produzindo alimentos em terreno na zona sul do Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Vera Lúcia de Barros, de 54 anos, começou estimulada pela participação do filho, Robson, que é uma pessoa com deficiência. Também integrante da segunda turma, ela entrou depois do filho porque se apaixonou pelo trabalho desenvolvido. Depois, passou a incentivar outras amigas a participar. “Isso aqui é para o resto da vida. A gente tem que procurar tratar, plantar, cuidar direto mesmo, independente de qualquer coisa. Onde eu estou, eu já estou procurando alguma muda ou semente pra trazer pra horta. E onde eu chego, só falo da nossa horta”, comenta.</p>



<p>O local que é motivo de orgulho para as alunas passou anos abandonado pelo poder público. Situado entre o canal de Setúbal e o túnel Augusto Lucena, recebeu a primeira intervenção quando a Prefeitura do Recife construiu uma quadra e um espaço de convivência. Contudo, ainda havia um espaço não utilizado, e foi ali que uma representante do MTST enxergou o potencial de transformar aquele solo improdutivo.</p>



<p>Recém iniciada na terceira turma da Escola, Danielly Felix, de 33 anos, coordenadora da ocupação 8 de março do MTST, enxerga a importância de mulheres estarem unidas plantando e colhendo o próprio alimento. “Para mim está sendo uma honra por ser uma mulher negra, principalmente uma mulher trans, estar no meio dessas mulheres na horta comunitária”, afirma. “Eu acho que é muito importante você poder bater no peito e dizer: eu fiz um curso de agroecologia&#8221;, completa Danielly.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/recife-tera-primeira-escola-de-agricultura-urbana-para-mulheres-da-periferia/" class="titulo">Recife terá primeira escola de agricultura urbana para mulheres da periferia</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Segurança alimentar e autonomia</h2>



<p>A expectativa é de que 100 mulheres se formem ao longo dos dois anos de curso. Ao todo serão quatro turmas de 25 alunas, uma por semestre. A terceira turma teve as aitividades iniciais neste mês de março. O curso é dividido em dois módulos, um de produção e outro de transformação dos alimentos.</p>



<p>As estudantes vêm de territórios da Região Metropolitana do Recife que já desenvolvem trabalhos relacionado à luta por direitos e também já contam com assessoria do Centro Sabiá. “O projeto atende a mulheres das cinco comunidades onde o Sabiá atua. Não é um projeto aberto para o público geral, pois foi criado para fortalecer esses territórios&#8221;, afirma Simone Arimateia, assessora técnica do Centro Sabiá.</p>



<p>Além da Fazendinha, as outras comunidades beneficiadas são Horta Popular Agroecológica Dandara, em Peixinhos, a Cozinha Solidária do MTST, na Vila Santa Luzia e a Horta das Margaridas, no Jiquiá. O Quilombo Onze Negras, no Cabo de Santo Agostinho, também participou do projeto nas duas primeiras turmas.</p>



<p>As aulas não acontecem só no território. Durante o curso, as alunas assistem a duas aulas mensais na UFRPE com conteúdos que abordam segurança alimentar e nutricional, saúde, geração de renda e melhoria da qualidade de vida. Além disso, elas participam de seis palestras sobre temas relacionados à garantia de direitos humanos e promoção de justiça social, partindo do olhar da agricultura Urbana e periurbana Agroecológica. Cada turma realiza, ainda, um intercâmbio de imersão para contato com outras experiências urbanas de agriculturas.</p>



<p>“Nesses dois dias de aula, é uma imersão com professoras que são agricultoras. Não são pessoas que chegam só pra falar. São pessoas que têm vivência, experiência. O que essas professoras estão ensinando é o dia a dia delas. E são agricultoras urbanas, a renda delas vem do que produzem no quintal. É o quintal produtivo delas”, explica Arimateia.</p>



<p>A iniciativa do Centro Sabiá é financiada com recursos do Programa Nacional de Agricultura Urbana, do Governo Federal, resultante de uma emenda parlamentar do deputado federal, Túlio Gadelha (Rede). Em parceria com o Núcleo de Agroecologia e Campesinato da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Movimento dos Trabalhadores/as Sem-Teto (MTST).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/Sabia-2-tabuleta.jpg" alt="Essa é uma foto de um espaço de agricultura urbana. Em primeiro plano, há uma placa de madeira decorada com manchas de tinta azul e verde. Ela tem os nomes de algumas plantas escritos à mão: QUIABO-VERDE, MAMÃO, PITANGA, BERIGELA. Atrás da placa, vê-se um cultivo com plantas verdes. No fundo, prédios altos e um céu azul completam a paisagem, destacando o contraste entre a natureza cultivada e o ambiente urbano." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Com base na agroecologia, as hortas da Escola Marias têm de tudo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
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		<title>Como garantir direitos através das hortas comunitárias?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jul 2024 13:35:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[hortas comunitárias]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório das Metrópoles]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Felipe Jardim* O sistema alimentar global enfrenta diversos desafios em toda a sua cadeia, desde a produção até o gerenciamento de resíduos, o que exige uma profunda transformação em direção à sustentabilidade social, econômica e ambiental. Essa mudança envolve a redefinição de valores sociais, normas, práticas e conflitos da nossa relação com a natureza. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Felipe Jardim*</strong></p>



<p>O sistema alimentar global enfrenta diversos desafios em toda a sua cadeia, desde a produção até o gerenciamento de resíduos, o que exige uma profunda transformação em direção à sustentabilidade social, econômica e ambiental. Essa mudança envolve a redefinição de valores sociais, normas, práticas e conflitos da nossa relação com a natureza.</p>



<p>Neste sentido, os bens comuns urbanos surgem como uma das diferentes e promissoras alternativas para guiar a necessária transformação. Trata-se de um sistema de gestão sustentável dos recursos da cidade com foco no uso deles para benefício social, contrariando a lógica do uso apenas como mercadoria, com vantagens para poucos. Tal gestão é feita por um grupo de pessoas que compartilham objetivos, regras, interesses, trabalho, vantagens, responsabilidades, problemas, materiais etc. Um desses exemplos é feito pelas hortas comunitárias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que são hortas comunitárias?</strong></h2>



<p>A agricultura urbana varia de acordo com o contexto social e legal de cada país. Dentre as múltiplas expressões estão, dentro e nas bordas das cidades, as hortas comunitárias, mas também os quintais produtivos, agricultura familiar e quilombola, fazendas verticais etc.</p>



<p>Com a variedade de formas, propósitos e produtos, não existe um conceito único de hortas comunitárias. Porém, em suma, elas apresentam componentes físicos e não-físicos dentro da lógica dos bens comuns. Os aspectos físicos incluem geralmente o espaço de cultivo e de compostagem, que pode ser em locais públicos ou privados, como calçadas, térreo ou terraços de áreas residenciais, prédios escolares e parques públicos. Também é interessante notar que o cultivo pode acontecer de forma vertical ou suspensa, especialmente quando não existe muito espaço disponível no solo.</p>



<p>Os elementos físicos, ainda, abarcam a construção (tendas para proteção e para descanso humano, estruturas para armazenamento e segurança dos materiais e produtos, área social para conversas, tomada de decisões ou cursos, banheiro seco e, por vezes, cozinhas comunitárias) e os materiais de cultivo (sol, água, ferramentas, sementes, adubos e pesticidas naturais que promovem a produção de alimentos agroecológicos, ou seja, sem uso de agrotóxicos e com respeito à natureza).</p>



<p>Já os componentes não-físicos dizem respeito à mão de obra, fundos, autorizações de construção, conhecimento, ancestralidade, treinamento e redes de apoio. Sobre a mão de obra, ressalta-se que as hortas são frequentemente iniciadas por grupos auto-organizados de amadores e especialistas. O grupo é composto por voluntários e, por vezes, trabalhadores pagos pelo governo ou por organizações não governamentais. As pessoas envolvidas possuem perfis diversos, incluindo diferentes níveis de experiência em agricultura, renda, idade, gênero (com destaque para as mulheres), nível de escolaridade, cidade/estado/país de origem e etnias.</p>



<p>Quanto ao financiamento, os hortelões podem adotar variadas formas de captação de recursos para iniciar e manter a horta, como <em>crowdfunding</em> (“vaquinha online”), aluguel de lotes por meio de pequenas taxas (mais comum em casos fora do Brasil) ou contribuições monetárias feitas em cursos, workshops e eventos. Mesmo quando a horta é organizada como um negócio (costumeiramente, no Brasil, há um espaço de venda na própria horta, em feiras ou lojas, mas há casos internacionais de hortas com restaurante/café e outros equipamentos de geração de renda), ela ainda é sem fins lucrativos. Em alguns casos, há financiamento ou apoio técnico total ou parcial de governos, organizações não governamentais e empresas privadas.</p>



<p>Em relação aos produtos, as hortas comunitárias oferecem uma rica variedade alimentícia, desde legumes e frutas até Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANCs) e ervas aromáticas/medicinais. Em alguns exemplos, há pequenos animais de criação. Essa produção pode destinar-se ao consumo familiar, lazer, promoção da saúde, fins educativos e ao contexto de programas de desenvolvimento comunitário e integração social.</p>



<p>As hortas comunitárias vêm ganhando destaque global, inclusive como política pública, e representam novas formas de relação com o solo e o alimento da cidade. Comprovando tal afirmação, no exterior, chama a atenção os casos de Berlim, Alemanha, onde há hortas comunitárias em um <a href="https://www.allmende-kontor.de/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>antigo aeroporto</u></a> e em cemitérios <a href="https://www.instagram.com/prinzessinnengarten_kollektiv/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>totalmente</u></a> ou <a href="https://www.instagram.com/elisabeet_berlin/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>parcialmente</u></a> desativados.</p>



<p>Já no Brasil, dentre as capitais, são modelos expressivos as políticas públicas das prefeituras do <a href="https://100politicas.escolhas.org/estudo/programa-hortas-cariocas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Rio de Janeiro</u></a> (com <a href="https://sdgs.un.org/partnerships/hortas-cariocas-urban-green-gardens" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>reconhecimento</u></a> da Organização das Nações Unidas como modelo de desenvolvimento sustentável), de <a href="https://100politicas.escolhas.org/estudo/unidades-produtivas-da-agricultura-urbana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Belo Horizonte</a> e de <a href="https://100politicas.escolhas.org/estudo/programa-agricultura-urbana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Curitiba</u></a>.</p>



<p>No Recife, desde 2021, existe o <a href="https://100politicas.escolhas.org/estudo/programas-hortas-urbanas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Programa Hortas Urbanas</u></a>, de responsabilidade da Secretaria Executiva de Agricultura Urbana do poder municipal. Já o Governo do Estado de Pernambuco possui o <a href="https://portal.saude.pe.gov.br/programa/secretaria/programa-horta-em-todo-canto" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Programa Hortas em Todo Canto</u></a>, por meio da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan). O Governo Federal, por sua vez, apresenta, desde 2023, o <a href="https://www.gov.br/mda/pt-br/noticias/2023/09/governo-federal-cria-o-programa-nacional-de-agricultura-urbana-e-periurbana" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana</u></a>, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.</p>



<p>Tais iniciativas já eram importantes para enfrentar a situação de <a href="https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/wp-content/uploads/2023/01/Reforma-Urbana-e-Direito-a-Cidade_RECIFE-v1.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>insegurança alimentar e nutricional</u></a> pelo Brasil nos últimos anos, porém passaram a ter maior destaque no combate aos efeitos da pandemia de covid-19 (quando muitas pessoas perderam suas fontes de renda e, consequentemente, ficaram sem condições de comprar alimentos), conforme identificou o grupo de pesquisa Observatório das Metrópoles/UFPE em uma <a href="https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/wp-content/uploads/2023/01/Reforma-Urbana-e-Direito-a-Cidade_RECIFE-v1.pdf"><u>pesquisa sobre o Recife</u></a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">As hortas e a promoção de direitos</h2>



<p>As hortas comunitárias também possuem múltiplos benefícios e conexões com o Direito. Inicialmente, é fundamental citar, <a href="https://www.db-thueringen.de/servlets/MCRFileNodeServlet/dbt_derivate_00062555/Dissertation_FelipeJardimdaSilva.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>segundo recente pesquisa internacional</u></a>, a relação entre hortas comunitárias e o direito humano à alimentação adequadados membros da horta e/ou de outras pessoas, a exemplo de vizinhos, integrantes de escolas, creches, hospitais, asilos, presídios etc.</p>



<p>Tal relação pode ocorrer de diferentes formas. Uma delas é a possibilidade de acessofísico e econômico aos produtos frescos e de qualidade, que são essenciais para combater a insegurança alimentar entre diversos grupos sociais vulneráveis, como mulheres, estudantes e idosos. Por conseguinte, elas contribuem para a manutenção da vida com qualidade e da saúde (direito humano à vida, direito humano à saúde e direito humano ao padrão adequado de vida).</p>



<p>Além disso, as hortas também podem combater a falta de disponibilidade de alimentos saudáveis (desertos alimentares), especialmente em bairros pobres, periféricos e de maior presença da população preta e parda. Por exemplo, no Recife, <a href="https://www2.recife.pe.gov.br/servico/feiras-e-pontos-agroecologicos" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>as feiras e os pontos agroecológicos</u></a>, que representam o acesso aos produtos saudáveis e sem agrotóxicos perto de casa, não estão presentes em todos os bairros. Assim, as hortas têm o potencial de lutar não só contra o racismo ambiental (ao aumentar os espaços verdes e de contato com a natureza), mas também o racismo alimentar, dois fenômenos que violam o direito humano à igualdade.</p>



<p>As hortas comunitárias também são importantes para a promoção da aceitabilidade cultural dos alimentos, proporcionando oportunidades de educação alimentar/ambiental (direito humano à educação e direito humano à informação) e troca cultural (direito humano à liberdade de participação na vida cultural da comunidade), incluindo aprendizado e prática de nutrição, como coproduzir alimentos, identificação de locais para coleta de alimentos, troca de sementes, preservação e transferência de conhecimento. Além do mais, a produção de alimentos agroecológicos (sem uso de produtos químicos artificiais, fertilizantes, pesticidas etc.) faz parte da aceitabilidade.</p>



<p>Neste sentido, destaca-se a <a href="https://marcozero.org/recife-tera-primeira-escola-de-agricultura-urbana-para-mulheres-da-periferia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Escola Marias – Mulheres e Agricultoras Urbanas na Região Metropolitana do Recife</u></a>. Outra iniciativa desse tipo, o Centro Sabiá, semeando a mudança através da agroecologia, recebe um impulso fundamental com o financiamento do Programa Nacional de Agricultura Urbana do Governo Federal. Esse apoio, fruto de uma emenda parlamentar, fortalece ainda mais a iniciativa. Mas o Centro Sabiá não trilha esse caminho sozinho. Ao seu lado, estão parceiros valiosos: o Núcleo de Agroecologia e Campesinato da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Movimento dos Trabalhadores/as Sem-Teto (MTST). Juntos, formam uma rede de expertise e engajamento, impulsionando a causa da agricultura sustentável, do desenvolvimento social e do empoderamento ao capacitar 100 mulheres que já dedicam seus esforços à agricultura urbana e periurbana com base em princípios agroecológicos nas comunidades periféricas do Grande Recife.</p>



<p>Indo adiante, existe a contribuição das hortas comunitárias para a sustentabilidadealimentar em três dimensões. Em primeiro lugar, em termos ambientais, elas podem ter impactos positivos sobre a biodiversidade, apoiando os ecossistemas locais. Inclusive, ao aumentar o escoamento de águas das chuvas, as hortas tornam-se pontos locais de diminuição dos impactos das mudanças climáticas. Elas também oferecem uma solução prática para diversos desafios dentro do sistema agroalimentar, incluindo produção, distribuição e gestão de resíduos. Ao promover a produção e consumo de alimentos locais, as hortas contribuem para reduzir a dependência do transporte de longa distância e diminuir os impactos ambientais associados à distribuição de alimentos. Somado ao contato com a natureza, tais fatores relacionam-se com o direito humano ao meio ambiente equilibrado.</p>



<p>Em segundo lugar, em termos econômicos, elas podem contribuir para o abastecimento dos mercados locais e criar oportunidades de geração de renda por meio do trabalho social/administrativo e venda direta ou indireta (receitas) de produtos da horta, relacionando-se com o direito humano ao trabalho. Isso pode representar a redução das disparidades socioeconômicas.</p>



<p>Em terceiro lugar, em termos <em>sociais</em>, as hortas comunitárias podem melhorar a equidade social e a justiça ao fornecer acesso igualitário a alimentos nutritivos para comunidades marginalizadas e ao promover abordagens inclusivas e participativas para o desenvolvimento sustentável. Outros sentidos são o de promoção da organização coletiva (direito humano à liberdade de reunião e associação pacífica), com destaque especial para os <a href="https://marcozero.org/nas%20hortas-comunitarias-mulheres-produzem-alimentos-saudaveis-em-areas-urbanas-do-grande%20recife/)%20(https://marcozero.org/projeto-cria-hortas-comunitarias-e-quintais-produtivos-em%20%20terrenos-baldios-do-grande-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>grupos de mulheres no Grande Recife</u></a>, e de integração social de pessoas com diferentes origens (direto humano à socialização e direito humano à não-discriminação), além da oferta de opção de lazer e relaxamento (direito humano ao lazer). Isso tem especial significado a novos moradores de uma área e para abrir espaço à preservação da memória de pessoas vindas de outros locais (direito humano de liberdade de locomoção e residência e direito à memória).</p>



<p>Outra vantagem das hortas comunitárias é o potencial de transformar espaços urbanos por meio da ocupação e regeneração de terrenos ociosos (áreas subutilizadas, não utilizadas ou não construídas), situação <a href="https://marcozero.org/projeto-cria-hortas%20comunitarias-e-quintais-produtivos-em-terrenos-baldios-do-grande-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>já noticiada pela Marco Zero Conteúdo</u></a> no Grande Recife. Por meio disso, ocorre a concretização do direito à cidade, considerando a perspectiva de decisão pelos cidadãos de qual cidade será construída dentro do Estado Democrático de Direito (direito humano à liberdade de opinião e expressão; e direito humano à autodeterminação), e o direito de se moldar individualmente e coletivamente enquanto ser humano (com direitos e deveres) a partir da experiência urbana (direito humano ao desenvolvimento da personalidade).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/horta-2-felipe-jardim-a7.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/horta-2-felipe-jardim-a7.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/horta-2-felipe-jardim-a7.jpg" alt="A foto retrata uma cena de destruição na horta do Jiquiá. Há uma estrutura parcialmente colapsada com vigas de madeira expostas e um telhado de metal ondulado, parte do qual caiu ao chão. A área circundante está repleta de destroços, incluindo pedaços quebrados do telhado de metal, tijolos e outros escombros não identificáveis. Um grande banner roxo com texto em amarelo e branco sinalizando o Sítio agroecológico urbano margaridas está entre os destroços." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Horta comunitária destruída por homens armados no bairro do Jiquiá, Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Os desafios para as hortas</h3>



<p>Apesar dos benefícios listados acima, algumas hortas comunitárias acabam sendo temporárias, com estruturas que são voluntariamente ou forçadamente removidas ou danificadas, atingindo não só o alimento e os direitos já listados, mas também o afeto, a dedicação, as memórias e as relações sociais de amizade ali construídas.</p>



<p>Neste sentido, recentemente foi denunciado o caso de que uma <a href="https://marcozero.org/homens-encapuzados-destroem-horta%20%20comunitaria-apoiada-pela-prefeitura-do-recife-no-jiquia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>horta comunitária apoiada pela Prefeitura do Recife, no Jiquiá, foi destruída</u></a>. A disputa no Sítio Agroecológico Margaridas, da Ocupação Aliança com Cristo, integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), se dá em razão de uma suposta propriedade do solo. Especificamente no referido caso, a <a href="https://www.instagram.com/p/C9J-iDmOvva/?img_index=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>ameaça de morte à Elisângela da Silva</u></a>, coordenadora do MTST e moradora da Ocupação Aliança com Cristo, ainda representa perigo ao direito à vida, à paz, à segurança pessoal, ao acesso à terra e aos recursos naturais, à liberdade e à manutenção dos direitos humanos. Visto isso, espera-se ação urgente das autoridades públicas nesse caso, além de vigilância contínua em outras hortas comunitárias para que futuras ocorrências desse tipo não venham a acontecer.</p>



<p>No entanto, esta não é a única barreira para que as hortas comunitárias cumpram o papel de promotoras de direitos. Na verdade, a criação, organização, desenvolvimento e manutenção de uma horta comunitária pode passar por diversos desafios, que podem ser organizados nos seguintes tópicos:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Restrições legais e institucionais, vieses socioculturais e descrença: </strong>incluem questões sociais, legais e políticas, como a falta de reconhecimento dos benefícios; a proibição por lei de atividades agrícolas em áreas urbanas; a falta de segurança na posse da terra (como o caso citado acima); a baixa visibilidade na agenda dos tomadores de decisão política/administrativa e a perda de território para o mercado imobiliário, para interesses políticos (para construir outras instalações que garantem maior visibilidade), para interesses privados (cercamento de área pública por vizinhos) ou para <a href="https://globoplay.globo.com/v/10992135/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>agentes criminosos</u></a>;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Acesso limitado aos recursos, insumos e meios financeiros: </strong>abrangem conflitos naturais, políticos, burocráticos e econômicos, como a competição com outros usos da terra e o acesso limitado à água, sementes e ferramentas, além de problemas relacionados à manutenção financeira e, mais comum em casos fora do Brasil, com altos valores de caução para acesso à terra;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Riscos específicos do cultivo em áreas urbanas: </strong>abarcam limitações sociais e naturais, por exemplo, a contaminação dos alimentos por causa da poluição do ar, do solo e da água (emissões de substâncias tóxicas por veículos automotores, falta de saneamento básico etc.), vandalismo e gentrificação (processo socioespacial de segregação caracterizado pela valorização acentuada de uma área urbana);</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Problemas com a organização e com recursos humanos: </strong>abarcam casos de dificuldades em estabelecer redes de apoio para produção e venda, carência de dados para formular políticas públicas e falta de conhecimento sobre a agricultura agroecológica, a gestão da horta, a segurança sanitária e a coleta, a manipulação e a embalagem dos produtos.</li>
</ul>



<p>Tais questões são obstáculos para os benefícios e direitos sociais, econômicos e ambientais que as hortas comunitárias podem oferecer. Diante disso, é essencial discutir com o Poder Público futuras políticas para proteger e promover as hortas comunitárias, tendo em vista que ele é o principal responsável pelas estruturas legais e institucionais das dinâmicas urbanas, especialmente na esfera de governo local.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Propostas para enfrentar os desafios</strong></h3>



<p><strong>Para combater as restrições legais e institucionais, vieses socioculturais e descrença:</strong></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Inclusão de hortas comunitárias em planos e regulamentações urbanísticas, como o Plano Diretor, Lei de Uso e Ocupação do Solo etc., para reconhecimento legal das hortas comunitárias como áreas comuns urbanas;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Participação da comunidade na tomada de decisões sobre desenvolvimento urbano;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Identificação de espaços e apoio na transformação de terrenos ociosos em espaços para hortas comunitárias;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Reconhecimento dos direitos trabalhistas e previdenciários dos agricultores urbanos;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Promoção da agroecologia e certificação da produção orgânica;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>6. </span>Criação de órgãos públicos especializados em agricultura urbana;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>7. </span>Apoio à colaboração entre diferentes atores envolvidos em hortas comunitárias, como ONGs, órgãos de assistência técnica, movimentos sociais etc</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>8. </span>Monitoramento e avaliação do impacto social, econômico e ambiental das hortas comunitárias;  Campanhas de conscientização pública sobre os benefícios das hortas comunitárias</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>9. </span>Promoção da inclusão social e da diversidade nas hortas comunitárias</p>
            </div>
            </div>



<p><strong>Para combater o acesso limitado aos recursos, insumos e meios financeiros:</strong></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Garantia de acesso à terra, água e eletricidade para as hortas comunitárias;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Incentivo à troca de sementes e compostagem;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Promoção de práticas agrícolas sustentáveis;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Criação de mecanismos de financiamento para hortas comunitárias.</p>
            </div>
            </div>



<p><strong>Para combater os riscos específicos do cultivo em áreas urbanas:</strong></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Estabelecimento de diretrizes de segurança (não só das instalações para evitar furto de ferramentas, mas também na questão sanitária, hidráulica, elétrica etc.) e qualidade dos produtos para as hortas comunitárias;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Desenvolvimento de análise de qualidade dos recursos naturais (solo, ar, água, iluminação solar, sementes etc);</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Promoção de pesquisa e inovação para mitigar riscos.</p>
            </div>
            </div>



<p><strong>Para combater os problemas com a organização e com recursos humanos:</strong></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Oferta de programas de treinamento em práticas agroecológicas e em manipulação de alimentos na coleta, armazenagem, embalagem, transporte e venda</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Incentivos financeiros para atrair mais hortelões, como o auxílio financeiro pagos pelo Programa Hortas Cariocas</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Integrar a participação entre bancos de alimentos, cozinhas comunitárias e outras iniciativas de compartilhamento de alimentos. Além disso, as hortas comunitárias podem ser integradas à habitação (direito à moradia) e prover qualidade socioambiental, como na reurbanização de favelas e nas residências do Programa Minha Casa, Minha Vida &#8211; ilustrado pelo caso recifense do Conjunto Habitacional Ruy Frazão.</p>
            </div>
            </div>



<p>Caso as recomendações propostas sejam adotadas pelos tomadores de decisão, diversos cenários podem se desenrolar. Dentre eles, está o reconhecimento e a proteção das hortas comunitárias como valiosos espaços urbanos comuns, permitindo a sua operação dentro das leis de zoneamento e regulamentos de desenvolvimento. Esse reconhecimento pode fomentar a participação comunitária, concedendo aos participantes um senso de pertencimento e empoderando-os nos processos de tomada de decisão, além de promover o direito à cidade.</p>



<p>Também é válida a adoção de códigos legais que promovam a agroecologia e certifiquem que a produção orgânica pode alinhar as hortas comunitárias com os objetivos de sustentabilidade, garantindo estabilidade por meio da posse da terra a longo prazo. Ainda mais, a implementação de medidas poderia transformar terrenos baldios em espaços públicos de produção de alimentos, garantindo acesso à terra e promovendo a proteção ambiental por meio de práticas sustentáveis. Mecanismos de financiamento, como subsídios e bolsas, poderiam apoiar as hortas comunitárias, especialmente em áreas economicamente desfavorecidas, potencialmente atraindo mais hortelões e aumentando seu impacto. Fora isso, as medidas adotadas podem mitigar os riscos associados à agricultura urbana e incentivar a pesquisa e inovação para desenvolver soluções econômicas para segurança e controle de qualidade dentro das hortas comunitárias.</p>



<p>Indo além, os esforços para abordar dificuldades relacionadas aos recursos humanos poderiam resultar em desenvolvimento de capacidades por meio de programas de treinamento e assistência técnica, equipando os hortelões comunitários com as habilidades necessárias para um gerenciamento bem-sucedido da horta. Por fim, as políticas habitacionais, tanto em sua vertente de provisão de habitação de interesse social (Programa Minha Casa, Minha Vida) quanto nos processos de urbanização de favelas, deveriam potencializar a qualidade de vida de seus moradores ao integrar os direitos à moradia e à alimentação por meio das hortas comunitárias.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*<span style="color: #000000;"><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Doutor em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e em Sociologia pela Friedrich-Schiller University Jena (Alemanha); mestre em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Integrante da Comunidade Interdisciplinar de Ação, Pesquisa e Aprendizagem (CIAPA/UFPE) e pesquisador do Observatório da Metrópoles (Núcleo Recife). </span></span></span> <strong><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Cont</span></span></span></strong><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>ato</strong>: felipejardim@outlook.com ou pelo <a href="https://www.instagram.com/felipejardim_fj/">Instagram. </a></span></span></p>
    </div>
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			</item>
		<item>
		<title>Recife terá primeira escola de agricultura urbana para mulheres da periferia</title>
		<link>https://marcozero.org/recife-tera-primeira-escola-de-agricultura-urbana-para-mulheres-da-periferia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Apr 2024 18:46:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Centro Sabiá vai promover o primeiro curso de formação de agricultura urbana do Recife. O projeto Escola Marias &#8211; Mulheres e Agricultoras Urbanas na Região Metropolitana do Recife será lançado na segunda-feira, dia 22 de abril, Dia Mundial da Terra, às 10h, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). O projeto formará 100 mulheres que já [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Centro Sabiá vai promover o primeiro curso de formação de agricultura urbana do Recife. O projeto Escola Marias &#8211; Mulheres e Agricultoras Urbanas na Região Metropolitana do Recife será lançado na segunda-feira, dia 22 de abril, Dia Mundial da Terra, às 10h, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). O projeto formará 100 mulheres que já atuam em iniciativas de agricultura urbana e periurbana de perfil agroecológico em comunidades periféricas do Grande Recife.</p>



<p>Com conteúdos focados em segurança alimentar e nutricional, saúde, geração de renda e da melhoria da qualidade de vida, a Escola Marias terá dois anos de duração. O curso será dividido em dois módulos, um de produção e outro de transformação dos alimentos. Serão quatro turmas ao longo dos dois anos.</p>



<p>Ao final da formação, as alunas participarão de um módulo adicional de temas transversais, em seis palestras sobre temas relacionados à garantia de direitos e promoção de justiça social a partir do olhar da agricultura Urbana e periurbana Agroecológica. Cada turma realizará, ainda, um intercâmbio de imersão para contato com outras experiências urbanas de agriculturas.</p>



<p>O projeto fará o acompanhamento de cinco hortas em comunidades do Cabo de Santo Agostinho; Peixinhos, em Olinda; Vila Santa Luzia, Sonho de Viver e Margaridas, estas três no Recife.</p>



<p>A iniciativa do Centro Sabiá é financiada com recursos do Programa Nacional de Agricultura Urbana, do Governo Federal, resultante de uma emenda parlamentar do deputado federal, Túlio Gadelha (Rede). O Núcleo de Agroecologia e Campesinato da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Movimento dos Trabalhadores/as Sem-Teto (MTST) são parceiros do projeto.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Exposição</h2>



<p>O Centro Sabiá também está realizando, em parceria com um curso de inglês na zona norte do Recife, uma exposição intitulada <em><a href="https://centrosabia.org.br/2024/04/08/exposicao-fotografica-do-centro-sabia-retrata-a-resiliencia-de-familias-agricultoras-do-semiarido-pernambucano-frente-as-mudancas-climaticas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um Ser-Tão Forte: Resistência e Resiliência da Agricultura Familiar Frente à Crise Climática</a></em>. Com 20 fotografias impactantes, a exposição é uma imersão nas paisagens sertanejas afetadas pela crise climática e em risco de desertificação. Cada imagem conta a história de famílias agricultoras que, ancoradas em práticas agroecológicas e no conhecimento tradicional, enfrentam e superam as intempéries.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/Marias-expo-nay-jinkings.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/Marias-expo-nay-jinkings.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/Marias-expo-nay-jinkings.jpg" alt="Foto colorida da silhueta de duas pessoas usando chapéus, possivelmente em um campo ou jardim ao entardecer. Eles estão cercados por plantas e folhas, e o céu acima está começando a escurecer, marcando o pôr do sol. Uma pessoa está estendendo a mão para a outra, passando uma planta, provavelmente um folhas de palma, um tipo de cacto. O cenário é calmo e sereno, com as silhuetas das pessoas destacadas contra o céu suave do crepúsculo." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Foto que faz parte da exposição Ser-Tão&#8230;, do Centro Sabiá 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Nay Jinkings/Centro Sabiá</span>
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                    </figure>

	


<p><br></p>
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		<title>Coletivo do Entra Apulso, no Recife, faz da agroecologia urbana semente para futuro mais sustentável</title>
		<link>https://marcozero.org/coletivo-do-entra-apulso-no-recife-faz-da-agroecologia-urbana-semente-para-futuro-mais-sustentavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jan 2024 18:25:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maya Santos, do Portal Afoitas* Projeto Redação Nordeste** Percorrendo as ruas largas e os becos estreitos que compõem a comunidade do Entra Apulso, na Zona Sul do Recife, é possível notar uma transformação no cotidiano das pessoas que habitam o lugar. Marcado por um histórico de resistência, o território, onde vivem quase 2,5 mil [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Maya Santos, do </strong><a href="https://afoitas.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Portal Afoitas</strong></a><strong>* <br>Projeto Redação Nordeste**</strong></p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Percorrendo as ruas largas e os becos estreitos que compõem a comunidade do Entra Apulso, na Zona Sul do Recife, é possível notar uma transformação no cotidiano das pessoas que habitam o lugar. Marcado por um histórico de resistência, o território, onde vivem quase 2,5 mil habitantes, vivencia mudanças que, além de aquecerem a economia local, transformam a mentalidade da população tendo a agroecologia como promotora do bem-viver.</p>
</div></div>



<p>O coletivo <a href="https://www.instagram.com/chiedoentra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Chié do Entra</a> atua como disseminador de estratégias sustentáveis que proporcionam novas narrativas para a comunidade por meio de ações que envolvem compostagem urbana, fabricação de sabão e detergente ecológicos, intervenções em áreas esquecidas pelo poder público, palestras e formações.</p>



<p>Atuando há pouco mais de três anos, o grupo formado por 13 pessoas negras foi fundado a partir da necessidade de resolver um problema que chegou com o saneamento básico na favela do Entra Apulso: os entupimentos causados pelo óleo de cozinha nas encanações.</p>



<p>Movidos por uma ideia, estudos e muitos testes, surgiu uma solução simples e criativa para minimizar os impactos do descarte inadequado de óleo de cozinha: a produção de sabão e detergente ecológicos.</p>





<p>“Eu basicamente não tinha noção de como era o descarte desse óleo, pois antes a gente deixava aqui (na loja) e depois uma pessoa levava, mas aí eu não sabia o destino que ia ter. Agora sabemos o que está sendo feito com esse óleo, que acabava sendo jogado no lixo”, afirma o morador Maximillian Marinho, de 22 anos, atendente na LM Doces e Salgados.&nbsp;</p>



<p>Ele explica que a iniciativa proporciona uma forma de consumo inteligente e sustentável para a comunidade em que trabalha e vive. Além desse estabelecimento, outros empreendimentos e outras pessoas da região participam do sistema de doação do óleo de cozinha, ingrediente principal para a fabricação do sabão, do detergente e da pasta de limpeza. Em troca, recebem os produtos confeccionados pelo Chié do Entra.</p>



<p>A coleta é realizada todas as quintas-feiras pela manhã. Ao chegar à sede do coletivo, começa o processo de confecção do sabão. Após alguns dias de cura, ele fica&nbsp; pronto para uso doméstico. Desde que iniciou as atividades, o coletivo já coletou seis mil litros de óleo e fabricou 50 mil barras de sabão. Destas, metade foi distribuída na própria comunidade no sistema de troca com o óleo usado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Maximillian Marinho, de 22 anos, comemora o consumo inteligente e sustentável através do reuso do óleo de cozinha no Entra Apulso. Crédito: Maya Santos/Portal Afoitas</p>
	                
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<p>Em entrevista ao <a href="https://afoitas.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Portal Afoitas</strong></a>, Roni Paixão, de 29 anos, explica como começou a sua atuação na comunidade em que nasceu e foi criado. O Instituto Shopping Recife iniciou um projeto chamado Pulsa Bairro, que tinha como um dos eixos principais o meio ambiente. Com isso, moradores passaram pela formação de agentes ambientais comunitários, tutorados pela <a href="https://www.instagram.com/kapiwara/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Kapiwara</a>, organização que atua em comunidades com agroecologia urbana, educação e comunicação popular.</p>



<p>“Em algum momento, vimos a necessidade de criar o coletivo. Então, em abril de 2021, já configurado como um coletivo de agroecologia comunitária, fechamos com o Instituto Shopping um contrato de prestação de serviço. Tivemos a oportunidade de ser um coletivo comunitário com fonte de renda e isso possibilitou uma maior dedicação no nosso território, trabalhando especificamente com gestão de resíduos e educação ambiental”, detalha Roni.</p>



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	                                        <p class="m-0">Roni Paixão, de 29 anos, fala do Chié do Entra como oportunidade comunitária com fonte de renda e maior dedicação no nosso território. Crédito: Fran Silva/Portal Afoitas</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Semeando futuros</h2>



<p>Com uma atuação que pensa na longevidade da iniciativa, o grupo interage com crianças, jovens e adultos da própria comunidade. Ao aproximar as pessoas das ações por meio de relações afetivas e de conexão com o território, o coletivo objetiva despertar e desenvolver o sentimento de pertencimento na população local.</p>



<p>“De modo geral, os jovens e as crianças participam das oficinas e das rodas de conversa promovidas pelo próprio Coletivo Chié, assim como de mutirões”, explica a integrante Ranielly Paixão, de 27 anos. Sua fala retrata com exatidão a relação da juventude com o território, que é replicada para diversas pessoas na comunidade e em várias faixas etárias.&nbsp;</p>



<p>Em relato sobre o mutirão para construção de uma nova praça na comunidade, Ranielly conta que é papel do coletivo “fazer uma soma em rede e realizar o convite para que eles (jovens e crianças) se integrem e participem das ações”.</p>





<p></p>



<p>A força do coletivo Chié do Entra reside na dedicação de seus integrantes e aglutina cada vez mais pessoas. Os irmãos Ana Maria da Silva Bezerra, 47 anos, e José Fabiano, de 38 anos, sentiram o impacto das inovações que vêm acontecendo na comunidade e se tornaram agentes multiplicadores.&nbsp;</p>



<p>Ana explica que fazer parte do coletivo mudou desde a percepção sobre o território que habita até a dinâmica de sua vida. “Para mim, é tudo mágico, o sabão, a compostagem, essas praças que a gente fez em maio. Sou de fazer tudo, mas, no jardim, eu me realizo, lá é como se eu saísse do planeta. Quando eu estou lá dentro, só sou eu e o jardim”, compartilha ela sobre sua vivência na praça Evandro Cavalcanti, na divisa entre o Shopping Recife e a favela.<em>&nbsp;</em></p>



<p>Além do impacto ambiental por meio de ações que alteram o cenário pouco verde da comunidade para um local mais confortável e sustentável para os moradores e as moradoras, Ana enfatiza a inclusão de pessoas com Síndrome de Down, como é o caso de José Fabiano.&nbsp;</p>



<p>“É importante para cuidar mais do meio ambiente e para ter mais inclusão, tiro por ele (José Fabiano) e tem Wilson também. É importante para as outras pessoas verem que, se a gente pode, eles também podem mudar a comunidade deles”, comemora.&nbsp;</p>



<p>O cultivo de plantas medicinais compõe o leque de estratégias de conhecimento ancestral compartilhadas no coletivo e que reverberam na comunidade. Moradora do Entra Apulso há 35 anos, Vilma Barros, de 64 anos, é uma das cuidadoras da Farmácia Viva, uma horta com plantas medicinais construída para atender a comunidade bem ao lado do posto de saúde Jader de Andrade.&nbsp;</p>



<p>“O pessoal da comunidade frequenta mesmo a Farmácia Viva, onde temos as plantas medicinais. Tem boldo, tem rabo da raposa, que serve para coceira, tem esse capeba e tem até cana-de-macaco, que é para os rins, sabe? Aí o pessoal tira e faz chá e banhos”, diz.</p>





<p></p>



<h2 class="wp-block-heading">Agroecologia pedagógica</h2>



<p>Com um olhar de quem semeia um futuro mais sustentável, a compostagem é caminho de educação agroecológica na prática, principalmente para as crianças. Prova disso foi a atividade promovida na Semana do Meio Ambiente, Zeis do Entra Apulso, lançada no mês de junho de 2023 em toda a rede escolar da comunidade. Zeis é a sigla para Zonas Especiais de Interesse Social.</p>



<p>“Durante a atividade, os alunos coloriram suas tampinhas com emojis e gravatinhas e coloram em seus lápis e canetas. Debatemos sobre a separação dos resíduos e como eles contribuíram para que mais de 10 mil tampinhas não fossem descartadas de modo incorreto”, traz relato nas redes sociais do Chié.&nbsp;</p>



<p>Além dessa ação, parte das tampinhas recolhidas foi destinada ao projeto Tampinhas Solidárias. Lá elas foram recicladas e revertidas em recursos destinados aos beneficiários do Grupo de Apoio à Criança Carente com Câncer de Pernambuco (GAC-PE). Esse é mais um caminho das transformações tocadas pelo coletivo, que realizou essa atividade em parceria com o Instituto Shopping Recife e a Associação Kapiwara.</p>





<p></p>



<p>A compostagem também é um braço educacional para alcançar e envolver as crianças e os adolescentes. Através da iniciativa permanente na comunidade, o coletivo já detectou mais de nove toneladas de resíduos orgânicos entre composteiras caseiras (146 famílias) e pedagógicas (escolas, instituto e creche) e&nbsp; nas composteiras de beco.</p>



<p>Em 2010, a Lei 12.305/2010 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada para estimular a redução de geração de resíduos, reutilizando, reciclando e promovendo o tratamento, assim como a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Uma responsabilidade compartilhada entre poder público, empresas e sociedade na gestão dos resíduos. Atualmente, no Brasil, menos de 2% dos resíduos sólidos urbanos são destinados para compostagem.&nbsp;</p>



<p>Recife também conta com um Plano de Resíduos Sólidos para a Região Metropolitana, atualizado em 2018, no então governo de Paulo Câmara (ex-PSB). De acordo com os dados, a cidade gerou até 2014 cerca de 836.640 mil toneladas de resíduos sólidos.</p>



<p>Em 2023, por meio do programa municipal Tá Arrumado, mais de 590 mil toneladas de resíduos domiciliares foram recolhidos no Recife. Questionada sobre as medidas socioeducativas, a Prefeitura do Recife, sob comando de João Campos (PSB), explica sua estratégia para alcançar a população.<br>“A Prefeitura do Recife erradicou 421 pontos críticos de lixo na cidade, realizou 65 reuniões comunitárias e ações socioeducativas, plantou 4.047 mudas em novas jardineiras, instalou 80 placas de sinalização para sensibilizar os moradores sobre a questão dos resíduos. Além disso, 40 painéis de arte urbana e/ou pinturas com brincadeiras lúdicas foram criados, especialmente voltados para as crianças, incorporando temas ambientais e contribuindo para a conscientização e embelezamento da paisagem urbana”, detalha a gestão a <a href="https://afoitas.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Afoitas</strong></a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Entra Apulso no mundo</h2>



<p>Saber ouvir e repetir as boas práticas é o diferencial do Chié do Entra. Atuando na comunidade do Entra Apulso, o movimento do coletivo reverbera não somente na Região Metropolitana do Recife. O grupo foi selecionado para participar do 12º Congresso Brasileiro de Agroecologia, um momento importante para visibilizar as ações na comunidade.&nbsp;</p>



<p>“Voltamos com mais ideias de como continuar nosso trabalho aqui na favela”, adianta Roni, que, junto com o coletivo, aspira consolidar cada vez mais boas práticas de preservação do meio ambiente construindo um legado para as próximas gerações.&nbsp;</p>



<p>No entanto, antes mesmo de participar de um dos eventos mais importantes para a agroecologia, o coletivo obteve reconhecimento por meio da premiação Periferia Viva. A premiação recebeu mais de 1,3 mil inscrições de iniciativas de todo o Brasil. Dos 54 contemplados, o coletivo Chié do Entra ocupa o 12° lugar do Nordeste. A honraria foi realizada pelo Ministério das Cidades através da Secretaria das Periferias.</p>



<p>Em entrevista, Rafaela Maria, de 31 anos, estudante de serviço social e integrante do grupo, relembrou como a colaboração em equipe num mesmo objetivo contribuiu para essa conquista, que potencializa o trabalho do coletivo no Entra Apulso. Com tom de celebração, Rafa, como é chamada, reforça que “esse prêmio chega agora para a gente pensar e sistematizar todo o trabalho que está sendo feito até para o futuro. Pensar um pouco no presente e pensar um pouquinho no futuro”.</p>



<p>Destacando a importância do protagonismo comunitário, ela reforça que a compreensão dessa construção faz o coletivo entender que é possível estar em outros espaços e alcançar mais pessoas com as ações de forma efetiva, mas não só para a comunidade como para outras comunidades ao redor e, quem sabe, no mundo.&nbsp;</p>



<p>“Tem um significado muito especial, o prêmio é poder conectar também todos esses trabalhos que estão sendo feitos em vários territórios e compreender que a gente não está só”, finaliza.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>*O </em><a href="https://afoitas.com.br/"><em>Portal Afoitas</em></a><em> surge como um portal interessado em revelar as histórias escritas por jornalistas negras e indígenas, cis ou trans, como forma de ir na contramão de redações que se espalham pelo país, formada majoritariamente por pessoas brancas e cisgênero masculino.</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>**Quem são, o que pensam e o que fazem jovens ativistas do meio ambiente de territórios periféricos, rurais e ribeirinhos do Nordeste? É com essa provocação que o projeto Redação Nordeste publica a série especial de cinco reportagens “Jovens ativistas socioambientais do Nordeste”. Participam deste trabalho conjunto as organizações de jornalismo independente Afoitas (PE), Conquista Repórter (BA), Mídia Caeté (AL), Ocorre Diário (PI) e Mangue Jornalismo (SE).</em></p><p><em>Enquanto o aumento da temperatura provoca efeitos mais rápidos sobre o planeta do que as decisões mundiais para atenuar a crise climática, projetos inspiradores se fortalecem em diversos territórios por uma questão de sobrevivência. Representando as populações mais atingidas pela crise e pelas injustiças socioambientais, jovens marcam presença e assumem a linha de frente para transformar o lugar onde vivem. Nesta série coletiva, você vai conhecer a história e a capacidade de mobilização e organização da juventude e de organizações e movimentos locais.&nbsp;</em></p><p><em>A Redação Nordeste é a união de organizações de jornalismo independente de oito estados nordestinos, que consolida um trabalho cooperativo, integrado e aprofundado de jornalismo com foco nas pessoas. Esta rede nasceu em 2023 e recebe o apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (Ifpim).</em></p><p><br><em>Edição e mentoria de Raíssa Ebrahim, da </em><a href="https://marcozero.org/"><em>Marco Zero</em></a></p></blockquote>
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		<title>Nas hortas comunitárias, mulheres produzem alimentos saudáveis em áreas urbanas do Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/nas-hortas-comunitarias-mulheres-produzem-alimentos-saudaveis-em-areas-urbanas-do-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jul 2023 21:30:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos orgânicos]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos saudáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A parábola do joio e do trigo presente na bíblia carrega uma lição sobre a paciência e a justiça divina. Entender e respeitar o tempo da colheita é sinônimo de colher os melhores frutos, aqueles que vão alimentar a comunidade. É preciso cuidado, atenção, sabedoria e serenidade para ter boas recompensas. Portanto, o resultado depende [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Par%C3%A1bola_do_Trigo_e_do_Joio" target="_blank" rel="noreferrer noopener">parábola do joio e do trigo</a> presente na bíblia carrega uma lição sobre a paciência e a justiça divina. Entender e respeitar o tempo da colheita é sinônimo de colher os melhores frutos, aqueles que vão alimentar a comunidade. É preciso cuidado, atenção, sabedoria e serenidade para ter boas recompensas. Portanto, o resultado depende da dedicação daqueles que cultivam. Dedicação que pude conhecer no olhar e nas palavras das agricultoras que transformaram terrenos baldios da Região Metropolitana do Recife em hortas comunitárias produtivas.</p>



<p>As hortas resultam de um projeto realizado pela Centro Sabiá, em parceria com outras duas organizações não governamentais, a Casa Mulher do Nordeste e a ONG Fase, e possibilitou que mulheres produzissem seus próprios alimentos em terrenos antes inutilizados em 15 comunidades da RMR.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/projeto-cria-hortas-comunitarias-e-quintais-produtivos-em-terrenos-baldios-do-grande-recife/" class="titulo">Projeto cria hortas comunitárias e quintais produtivos em terrenos baldios do Grande Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Horta Dandara</strong></h2>



<p>No lugar em que antes funcionava um matadouro, no limite entre Recife e Olinda, o Nascedouro de Peixinhos é um espaço de encontro, mas ganhou um novo aspecto com a criação da Horta Dandara. Situada bem ao lado Biblioteca Multicultural Nascedouro, a plantação mudou a paisagem, os ares e o astral do espaço, que agora reúne mulheres em uma atividade contínua de cuidados com a terra e diálogos capazes de promover uma discreta, mas significativa revolução.</p>



<p>O dia começou com chuva naquela terça-feira e, quando chegamos na Horta Dandara, por volta das 10h, o cheiro de terra molhada estava no ar. As mulheres já estavam regando, podando ou admirando as mudas e árvore plantadas por elas. Majestosas, os pés de banana, berinjela e mamão chamaram logo a atenção. Mas havia também belas flores em um canteiro que mais adiante descobri que era o xodó de Maria do Carmo. Umas das mais bonitas eram as que brotavam do pé de Urucum, fruto vermelho que possui uma pigmentação utilizada pelos indígenas para fazer pinturas corporais. Maria José da Silva, conhecida como Dona Nalva, fez questão de mostrar a utilidade do fruto ao passá-lo em seus lábios: “Você passa assim, pode usar como maquiagem, pode até comprar aqueles batons de cacau para misturar, fica bem bonito”, disse a agricultora enquanto manuseava o urucum.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dona Nalva, na horta Dandara. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>O atributo de agricultora chegou recentemente e é motivo de muito orgulho e alegria para Dona Nalva, que já sobreviveu a dois derrames e agora atribui boa parte da melhora na saúde ao trabalho na horta: “Isso aqui é uma terapia para mim, antes eu ficava em casa triste, agora a gente vem pra cá, planta, rega, colhe, aprendemos a cuidar da terra. É bom demais pra saúde da gente”. A vida das plantas é sinônimo de vida para as agricultoras que veem cada semente, cada muda e cada pé de árvore como filhos. “Eles são bebezinhos, são todos bebezinhos que se a gente não cuidar morre”, afirma Dona Nalva ao se referir ao pé de cacau que está crescendo.</p>



<p>O local, que antes era um terreno abandonado e cheio de entulhos, agora é uma área verde com produção de hortaliças, legumes e frutas. Além de funcionar como área de convivência onde as mulheres podem falar, ouvir e se sentir acolhidas ao compartilhar suas experiências de vida, como defendeu a agricultora Maria do Carmo Gomes: “Me falaram da horta e me chamaram pra participar em um momento em que eu tava sofrendo muito, meu marido tava doente, eu me sentia muito sozinha, e aqui a gente tá sempre juntas, é um momento em que eu esqueço um pouco dos problemas”. Cuidar do canteiro das rosas é a atividade preferida de Maria do Carmo e quando ela fala em estar sempre juntas é notável que ela se refere não só as suas companheiras agricultoras.</p>



<p>O processo de comunicação que surgiu junto com a formação da horta Dandara também resultou em uma articulação e incidência política dessas mulheres e, atualmente, as agricultoras possuem uma cadeira no Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Olinda. O Nascedouro de Peixinhos é de posse da Prefeitura do Recife, porém o público atendido pelo equipamento social é majoritariamente de Olinda, o que dificulta as ações de manutenção e funcionamento do prédio.</p>



<p>Durante a visita à horta, compartilhei com as agricultoras a minha dificuldade em cultivar plantas e mudas em meu apartamento, falta dedicação e paciência, coisas que elas têm de sobra e, claro, fizeram questão de me ensinar. Saí de lá com mudas de três espécies diferentes nas mãos e muitas dicas de como mantê-las vivas. Ainda não arranjei um vaso tão bonito quanto elas merecem para colocá-las (na verdade, me falta tempo para encontrar), mas em uma garrafa pet cortada elas seguem sobrevivendo e dando vida ao meu terraço. Tento percebê-las como bebezinhos assim como ensinou Dona Nalva.</p>



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	                                        <p class="m-0">Horta Dandara, localizada no Nascedouro de Peixinhos. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo 
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Horta Espaço Verde</strong></h2>



<p>Há pouco mais de 20 quilômetros de distância da Horta Dandara, em Jaboatão dos Guararapes, está a Horta Espaço Verde, no Centro Social Urbano João de Deus. Em um espaço menor e em terreno menos agricultável, devido ao solo argiloso, a horta prospera e também dá frutos para as mulheres da comunidade que integram o projeto.</p>



<p>Logo de início é possível notar que apesar das adversidades, as hortas comunitárias têm algo em comum: a dedicação das mulheres, em sua maioria negras e com mais de 40 anos. Rostos familiares, parecidos que carregam satisfação em seus olhares ao falar das plantações. </p>



<p>A coletividade também é fator imprescindível para o êxito na colheita. Durante a nossa visita, as agricultoras compartilharam dicas de como diminuir os fungos e pragas que assolavam a plantação, recentemente, a horta passou por uma infestação de caramujos e ainda está em processo de recuperação. Sinônimo de que os cuidados estão surtindo efeito, as agricultoras mostraram orgulhosas o pé de tomate que já estava brotando e fizeram questão de tirar foto perto da planta.</p>



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	                                        <p class="m-0">Horta Espaço Verde, no Centro Social Urbano João de Deus, Jaboatão dos Guararapes. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo
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<p>Assim como na Horta Dandara, a incidência política é ponto forte da Espaço Verde. Neide Silveira, articuladora do projeto de formação da horta, junto com o Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, conta das dificuldades para a criação do espaço agricultável: “aqui era um terreno abandonado, servia até para prática de crimes, e há muito tempo a gente queria dar outra função para o local, criar uma horta, mas faltava material e também alguém para nos ensinar a cultivar”.</p>



<p>Foi durante uma reunião do Fórum de Mulheres de Pernambuco que Neide, líder comunitária reconhecida em Jaboatão e protagonista nas lutas em torno do Monte dos Guararapes, foi indicada para compor o projeto de criação e manutenção de hortas comunitárias do Centro Sabiá. Em pouco tempo, ela conseguiu restaurar e produzir no terreno do Centro Social. Agora, as agricultoras que integram a horta querem ampliar o projeto e levá-lo até as escolhas do município de Jaboatão dos Guararapes. “Nossas escolas possuem muitas áreas onde podemos criar hortas com produção que podem ser usadas na alimentação dos próprios alunos, então nós queremos nos reunir com representantes da prefeitura para apresentar uma proposta de criação de hortas”, disse Patrícia Silveira.</p>



<p>De acordo com a assessora técnica do Centro Sabiá, Simone Arimatéia, os espaços agricultáveis gerados pelo projeto das hortas comunitárias ainda não possuem uma produção que possa ser comercializada, mas a articulação e a incidência política das mulheres agricultoras pode gerar projetos e políticas públicas relevantes para os municípios. “A criação de hortas em lugares onde não se pensou que era possível produzir comida com qualidade é uma grande vitória não só para as agricultoras, mas para toda a comunidade onde elas atuam”, disse Arimatéia.</p>



<p>O protagonismo das mulheres não resulta na exclusão de homens na produção das hortas, muitas delas levam seus filhos e netos para contribuir na agricultura, reforçando assim o senso coletivo, afinal, o mais importante do projeto é o compartilhamento de experiências e saberes. À prova disso está Manoel Joaquim de Andrade, conhecido na horta como seu Manuel. Integrante da Horta Espaço Verde, o agricultor que possui um sítio no município de Moreno, usa de seu conhecimento para ajudar na plantação urbana. “Eu gosto demais daqui, passo uns dias lá no sítio, depois venho pra cá, ajudo o pessoal aqui”, disse Seu Manuel que divide seus dias entre Moreno e Jaboatão desde que tomou conhecimento do projeto graças à esposa, que frequenta o Centro Social Urbano João de Deus</p>



<p>Apaixonado pela agricultura, seu Manoel mostrou cada planta da horta com cuidado e quando me interessei pela semelhança da aparência da Salsinha e do Coentro, ele fez questão de me mostrar como o cheiro é determinante em caracterizá-los. E depois, enquanto tomávamos um café, ele ficou me fitando, como quem ainda tinha algo a dizer. Ao me despedir, ele revelou o que tanto queria: precisava esclarecer a diferença entre o coentro que chegou até a horta já crescido, em muda, e o coentro plantado. Me explicou direitinho como seria o canteiro do coentro que ele mesmo iria cultivar.</p>



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	                                        <p class="m-0">Seu Manuel é um dos integrantes da Horta Espaço Verde. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Horta Resistir é Preciso</strong></h2>



<p>Localizada no bairro de Nova Descoberta, na zona norte do Recife, a Horta Resistir é Preciso recebeu esse nome por causa dos desafios enfrentados para se manter em atividade. O primeiro desafio é o local em que foi construída, um terreno de “chão duro”, de pedras, onde seria impossível imaginar o crescimento de plantas, mas graças ao sonho das mulheres em revitalizar o espaço, a horta nasceu. Em seguida, vieram as fortes chuvas que comprometeram boa parte da parte da plantação. E por último, mas não menos importante, o desafio de manter as mulheres em atividade na horta, pois, como explica a agricultora Adriana Mendes: “muitas mulheres precisam trabalhar, cuidar da casa, dos filhos, e acabam sem tempo de continuar na horta”. O grupo que começou com cerca de 20 mulheres hoje só restaram sete agricultoras.</p>



<p>Porém, aquelas que permaneceram, levam o trabalho a sério e não apenas se dedicam para manter a horta como querem ampliar a capacidade agricultável do território. “Surpreendentemente essa foi a horta do projeto que mais colheu. Foi um volume muito grande de hortaliças, quiabo, couve, berinjela”, contou Simone Arimatéia, que auxilia as mulheres na plantação.</p>



<p>O empenho tem como o principal objetivo a colheita que serve de alimento para as próprias mulheres, mas a motivação maior segue sendo o efeito terapêutico e educativo presente no processo da agricultura. “Aqui a gente aprende muita coisa, aprende a como regar, aprende sobre compostagem, sobre as sementes, tudo isso é muito importante, além de ser uma terapia pra gente. A gente chega aqui e esquece dos problemas”, declarou Dianira Lima.</p>



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	                                        <p class="m-0">Adriana, Silvania e Dianira integram a Horta Resistir é Preciso. Crédito: Beatriz Veloso / MZ Conteúdo
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<p>“A gente poder comer uma fruta, um legume, uma folha que não tem agrotóxicos, plantadas e colhidas por nós mesmo é muito importante também”, acrescentou Silvania Borges. A agricultora me pediu para provar os tomates cerejas que elas haviam acabado de colher, para que eu sentisse a diferença no sabor e a sensação que eu tive é que o vegetal já estava temperado de tão suculento e saboroso. Durante o mês de julho, período chuvoso na Região Metropolitana do Recife, não é um bom momento para a colheita e as agricultoras lamentaram por eu não poder levar frutos para casa, prometi voltar para buscá-los no momento oportuno.</p>



<p>A impressão que tive durante as visitas é que todas as agricultoras fizeram questão que eu experimentasse os prazeres que elas sentem nas hortas comunitárias e todas me entregaram algo valioso: histórias contadas, planos para o futuro, dicas de como plantar em casa, mudas de plantas, um pouco de salsinha e coentro, tomate cereja, um convite para voltar.</p>



<p>Achei encantador o fato do meu encontro com as agricultoras terem ocorrido justamente no momento em que eu pensava em sobre o que escrever para celebrar o Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, porque o que eu procurava estava ali, bem colocado. A iniciativa do Centro Sabiá, que promove a criação das hortas comunitárias em áreas urbanas, é composta por uma maioria de mulheres, que representam mais de 80% dos beneficiários do projeto, sendo 36% de mulheres negras.</p>



<p>Afinal, quem esteve sempre à frente na luta para garantir alimento e saúde para as famílias senão as mulheres negras? Quem tem uma história marcada pela relação com a terra e seus frutos e se preocupa diariamente em construir um futuro mais justo em termos socioeconômicos e ambientais? São justamente aquelas que estão na base da pirâmide e que conseguem mudar uma sociedade inteira com um aparentemente simples mas complexo movimento.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mulheres negras são 36% das beneficiárias do projeto de criação das hortas comunitárias. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo
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<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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			</item>
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		<title>Projeto cria hortas comunitárias e quintais produtivos em terrenos baldios do Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/projeto-cria-hortas-comunitarias-e-quintais-produtivos-em-terrenos-baldios-do-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jun 2023 17:41:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
		<category><![CDATA[Fase]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres agricultoras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, em parceria com a Casa Mulher do Nordeste e a organização não governamental Fase, realizou o Seminário Agricultura Urbana &#8211; Produzindo Comida de Verdade e Gerando Qualidade de Vida. O encontro reuniu mais de 50 agricultoras da Região Metropolitana do Recife para promover uma troca de experiências e celebrar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, em parceria com a Casa Mulher do Nordeste e a organização não governamental Fase, realizou o Seminário Agricultura Urbana &#8211; Produzindo Comida de Verdade e Gerando Qualidade de Vida. O encontro reuniu mais de 50 agricultoras da Região Metropolitana do Recife para promover uma troca de experiências e celebrar a finalização do projeto de fomento à produção alimentar em hortas comunitárias e quintais produtivos em 15 comunidades.</p>



<p>Com o objetivo de incentivar as famílias a produzirem seus próprios alimentos em terrenos antes inutilizados e, assim, criar hortas comunitárias que possam fortalecer uma economia criativa e o acesso a alimentos de qualidade, o projeto  atendeu 280 pessoas em 15 comunidades da Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>A iniciativa de fomento à agricultura comunitária teve início em julho de 2022 e é fruto da emenda parlamentar do deputado federal Túlio Gadelha (Rede), aprovada por meio do Termo de Fomento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O projeto também tem apoio da organização Misereor.</p>



<p>De acordo com a assessora técnica do Centro Sabiá, Simone Arimatéia, o projeto possibilitou a criação de espaços agricultáveis dentro da cidade. “Locais que eram de confinamento de lixo ou áreas de aterro ganharam vida e começaram a produzir alimentos. Em um ano de projeto a ação implantou diversas hortas comunitárias e realizou o acompanhamento em lugares onde não se pensou que era possível produzir comida com qualidade”, disse a assessora. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mulheres são protagonistas</strong></h2>



<p>Chama a atenção a forte presença feminina no encontro da agricultura urbana responsável pela criação das hortas comunitárias e quintais produtivos. A iniciativa do Centro Sabiá é composta por uma maioria de mulheres, que representam mais de 80% dos beneficiários do projeto, sendo 36% de mulheres negras.</p>



<p>“Nesses territórios onde estamos atuando o perfil majoritariamente encontrado é de mulheres. Mulheres mais velhas, maduras e algumas já idosas. Muitas delas são mulheres pretas, periféricas e em situação de vulnerabilidade social. Pessoas que já passaram pelo mercado de trabalho, mas que perderam o emprego e não conseguiram mais voltar ou pessoas que nunca nem estiveram no mercado de trabalho. Essas condições faz com que essas mulheres procurem espaços de acolhimento para conseguir tocar suas vidas e se envolvam em ações como essa, que proporcionam uma independência para elas produzirem o próprio alimento e de suas famílias”, declarou Simone Arimatéia.</p>



<p>A agricultora Dianira Lima, moradora da Vila Independência, no bairro Vasco da Gama, zona norte do Recife, é uma das beneficiárias do projeto e integrante da horta comunitária “Resistir é preciso”.</p>



<p>“Quando recebi o convite para participar da horta comunitária urbana foi um grande desafio, mas também uma oportunidade de adquirir muito conhecimento. E está valendo muito a pena porque lidar com a terra, aprender a plantar, a colher, cuidar e preparar a horta é de grande importância e nos proporciona a colheita da alimentação orgânica e saudável”, declarou Dianira.</p>



<p>Marleide Monteiro, moradora do bairro de Passarinho, no Recife, também integra o projeto e afirma que, graças à iniciativa, é uma agricultora em formação: “Eu me sinto, sim, uma agricultora porque mesmo em um espaço pequeno, um quintal, através das minhas mãos e do aprendizado com outras mulheres, eu também criei uma horta na minha comunidade e isso é maravilhoso&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Projeto viabilizou a criação de hortas e quintais produtivos em 12 comunidades. Crédito: Divulgação / Centro Sabiá.</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Articulação política da agricultura urbana</strong></h3>



<p>Além do processo de aprendizado da agroecologia e da doação de equipamentos para viabilizar a agricultura nas hortas comunitárias, as integrantes do projeto participaram de diversas atividades e encontros para tratar de temas variados como medicina popular e comercialização de produtos. A conexão entre as agricultoras resultou no fortalecimento da Articulação de Agroecologia e Agricultura Urbana e Periurbana da RMR.</p>



<p>“Um dos nossos objetivos neste encontro de encerramento do projeto é construir uma incidência política para poder pautar políticas públicas para a agricultura urbana na Região Metropolitana do Recife”, afirmou a coordenadora técnica pedagógica do Centro Sabiá, Anierica Almeida.</p>



<p>As agricultoras presentes no encontro avaliaram o Plano de Agricultura Urbana e Periurbana Agroecológica e Pesca Artesanal Urbana para a Segurança Alimentar na RMR, que foi produzido em formato de carta-compromisso nas últimas eleições e entregue a agentes políticos de Pernambuco. As reformulações apontadas pelas agricultoras, &#8211; como a garantia de acesso à água e um melhor mapeamento dos territórios &#8211; , serão incorporadas ao documento que deve ser aprimorado e apresentado aos políticos nas eleições municipais de 2024.</p>



<p>“Nosso objetivo com esse documento é procurar as prefeituras municipais para pressionar e buscar apoio na criação de leis e também na dotação orçamentária de políticas públicas para os agricultores familiares e também pescadores artesanais”, disse Simone Arimatéia.</p>



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	                                        <p class="m-0">O seminário de encerramento do projeto aconteceu nos dias  20 e 21 de junho, no Recife. Crédito: Divulgação/Centro Sabiá</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h4 class="wp-block-heading">Confira quais foram as hortas beneficiadas pelo projeto:</h4>



<ul class="wp-block-list"><li>Horta Guerreiras da Palha &#8211; Comunidade Palha de Arroz, Recife</li><li>Horta Semeando Resistência &#8211; Comunidade Caranguejo Tabaiares, Recife</li><li>Horta Macambira &#8211; Comunidade Lab Macambira, Jaboatão dos Guararapes</li><li>Horta da Comunidade Vale da Paz &#8211; Maranguape I, Paulista</li><li>Horta Resistir é Preciso &#8211; Vila Independência, Recife</li><li>Horta Carolina de Jesus &#8211; Ocupação Carolina de Jesus, Recife</li><li>Quintais produtivos &#8211; Comunidade do Totó, Recife</li><li>Horta Creuza Maria &#8211; Tiúma, São Lourenço da Mata</li><li>Sementeira Esperança &#8211; Comunidade XV de Novembro, Paulista</li><li>Horta das Margaridas &#8211; Ocupação Aliança com Cristo, Recife</li><li>Quintais produtivos &#8211; Comunidade Passarinho, Recife</li><li>Horta Aeweossain &#8211; Sítio de Pai Adão, Recife</li><li>Ocupação Sítio dos Pescadores &#8211; Comunidade do Bode, Recife</li><li>Horta Popular Agroecológica Dandara &#8211; Peixinhos, Recife</li><li>Horta 8 de Março &#8211; Ocupação 8 deMarço,Recife</li></ul>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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		<title>Depois de incêndio matar ativista, comunidade faz campanha para ajudar sobreviventes do Empório das Rosas</title>
		<link>https://marcozero.org/depois-de-incendio-matar-ativista-comunidade-faz-campanha-para-ajudar-sobreviventes-do-emporio-das-rosas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 19:04:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
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<p>O Empório das Rosas é uma iniciativa agroecologia familiar urbana, em plena cidade do Recife, que trabalhava com a fabricação de sabão feito com óleo de cozinha reciclado, fitocosméticos artesanais e  refeições veganos a preços justos e acessíveis. Trabalhava, com o verbo no pretérito, porque na madrugada de 28 de novembro, um incêndio atingiu o apartamento da família que tocava o projeto, localizada no Conjunto Habitacional do Cordeiro, zona oeste da capital. Os vizinhos prestaram socorro e, apesar de feridos, todos os seis ocupantes do apartamento saíram com vida do local àquela noite.</p>



<p>No entanto, depois de dias internadas com ferimentos graves na ala vermelha do Hospital da Restauração, a ativista da agroecologia Míriam Elias da Cunha, 43, conhecida como Mirão, e uma de suas filhas, Alice Oliveira da Cunha, de 21 anos, morreram. Mirão chegou a passar uma semana internada, enquanto a filha faleceu na tarde de segunda-feira, 13 de dezembro, sendo sepultada no dia seguinte.</p>



<p>Agora, a comunidade do Cordeiro e várias organizações da sociedade civil lançaram uma mobilização para arrecadar fundos para o seu reestabelecimento do Empório e dos sobreviventes da família, Ademir de Souza, 57 anos, marido de Míriam, a filha que tem o mesmo nome da mãe, de 26 anos, e os filhos Allan e Ícaro, de 23 e 18 anos. Ícaro, segue hospitalizado.</p>



<p>A tragédia ainda destruiu os móveis e outros pertences da família. Nas redes sociais, foi criada uma rede solidária para ajudar os filhos e o marido de Mirão. No perfil do instagram do Empório das Rosas (@<a href="https://www.instagram.com/emporiodxsrosas/">emporiodxsrosas</a>) estão dispostas <a href="https://www.instagram.com/p/CXD4uUcLFhm/">as informações com contatos e endereços dos pontos de arrecadaçã</a>o, para quem possa ajudar doando móveis, roupas, calçados, lençóis e materiais de limpeza e higiene pessoal. Também foram divulgados alguns dados bancários para quem possa contribuir com ajuda financeira.</p>



<p><strong>Atualização: No dia seguinte à publicação desta matéria, Ademir de Souza, marido de Míriam, também faleceu no Hospital da Restauração em consequência das queimaduras e da inalação de fumaça durante o incêndio.</strong></p>



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		<title>As metrópoles que estão escolhendo o caminho da roça</title>
		<link>https://marcozero.org/as-metropoles-que-estao-escolhendo-o-caminho-da-roca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Jun 2018 13:55:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
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		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que parecia uma área de interesse restrita a ONGs, agricultores familiares e a uma parcela da classe média identificada com a tendência de consumo na Europa e América do Norte, a agricultura agroecológica começa a fazer parte do planejamento urbano de algumas metrópoles brasileiras. O tema esteve presente em vários seminários e trocas de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[O que parecia uma área de interesse restrita a ONGs, agricultores familiares e a uma parcela da classe média identificada com a tendência de consumo na Europa e América do Norte, a agricultura agroecológica começa a fazer parte do planejamento urbano de algumas metrópoles brasileiras. O tema esteve presente em vários seminários e trocas de experiências no IV Encontro Nacional de Agroecologia, realizado neste final de semana no Parque Municipal de Belo Horizonte.

Não foi casual a escolha da capital mineira para sediar um evento cujo principal mote era um apelo à união entre campo e cidade. Belo Horizonte é uma referência nacional em matérias de políticas que associam a segurança alimentar à chamada agricultura urbana.

Para se entender essa importância, é preciso voltar ao ano de 1995, quando Patrus Ananias era o prefeito da cidade. Naquele ano, foram criados os Centros de Vivência Agroecológicas na periferia de Belô (para usar uma das formas com que seus moradores se referem à capital) com o objetivo de envolver a população dos bairros mais pobres na produção de alimentos orgânicos, sem uso de venenos e fertilizantes químicos, seguindo práticas de impacto ambiental mínimo.

“Ou seja, há 23 anos a gestão pública da capital já integrava a preocupação ambiental à segurança alimentar e nutricional! E isso era em cogestão com a sociedade civil, pois os Centros de Vivência eram geridos pela Rede de Intercâmbios de Tecnologia Alternativa, uma ONG bastante respeitada no tema”, recorda a bióloga e geógrafa Daniela Adil. Em 1995, recém-formada, ela foi contratada para trabalhar num dos Centros, no bairro do Taquaril.

Depois da experiência na gestão de Patrus, Daniela passou anos como técnica da Rede, atuando junto a agricultores na região metropolitana. Depois de concluir seu doutorado, criou AUE, um grupo multidisciplinar de Estudos da Agricultura Urbana na UFMG. Logo depois, foi convidada para o desafio de, à frente de uma diretoria na subsecretaria de Segurança Alimentar, executar a política de agricultura urbana e familiar em Bê-agá (outra forma adotada pelos mineiros).

No Encontro, Daniela explicou que, além da política de manter uma política de subsídios aos comerciantes permissionários de uma rede de sacolões que vendem alimentos mais baratos na periferia da cidade e de ampliar de 20 para 50 os pontos do programa <em>Direto da roça</em> que garantem espaços fixos para agricultores familiares dos municípios do entorno venderem seus produtos na cidade, a prefeitura de Belo Horizonte decidiu criar um inédito <em>Corredor Agroecológico </em>no vale formado pelo Ribeirão Arrudas, que foi canalizado nos anos 70 e corta a cidade, ora em um canal a céu aberto, ora oculto sob ruas e avenidas.

O corredor começou a ser implantado durante o período do Encontro de Agroecologia. Considerada uma ação estratégica, conta com a participação de vários setores da prefeitura. A secretaria de Planejamento Urbano, por exemplo, mapeou áreas públicas a serem cultivadas, a BHTrans, autarquia que gerencia o trânsito, está revitalizando a degradada ciclovia já existente nas avenidas ao longo do ribeirão.

“O projeto inicial contemplava uma avenida afastada do centro, onde só passavam ônibus e carros, mas para integrar a população, era preciso que fosse numa área de mobilidade ativa, ou seja, com ciclistas, pedestres a caminho do metrô etc”, explica Daniela Adil, que enfatiza a participação da sociedade civil desde o início do processo, em novembro de 2017. Estão participando cooperativas de catadores de lixo, entidades de ciclistas, integrantes do comitê de bacia. Os cicloativistas e catadoras, inclusive, acompanharam a apresentação do projeto, chegando a intervir em várias oportunidades.

Nos taludes do canal, estão sendo plantados arbustos frutíferos típicos do cerrado. Nas praças do percurso haverá estações educativas ou produtivas, com cultivo de ervas medicinas ou aromáticas, como cidreira, erva-doce, manjericão, alecrim e boldo. Moradores de rua estão sendo mobilizados para assumirem os cuidados com as plantas.
<h2><strong>Ocupações sustentáveis</strong></h2>
Como a maior parte das metrópoles brasileiras, Belzonte (mais uma) convive com as ocupações de prédios vazios ou terrenos ociosos. Lá, apesar da distância política, o prefeito Alexandre Kalil, empresário e ex-dirigente de futebol filiado ao PHS, e o governador Fernando Pimentel (PT), em abril deste ano assinaram um decreto para legalizar e regularizar 119 ocupações, considerando como Assentamentos de Interesse Social as maiores delas: Rosa Leão, Vitória, Esperança e Helena Greco. As três primeiras compõem um conjunto de ocupações na área agora conhecida como Ocupação Izidora, uma das maiores da América Latina.

O decreto foi apenas mais um passo para transformar as quatro maiores ocupações em Territórios Sustentáveis, conforme programa lançado pela gestão municipal em 2017. Os moradores dessas áreas, muitos deles vindos do interior de Minas, estão sendo capacitados para cultivarem hortaliças, legumes e frutas sem agrotóxicos ou defensivos agrícolas. Pomares e hortas comunitárias estão sendo criadas, junto com quintas produtivos, sem a derrubada das árvores ainda existentes na região.

O trabalho está sendo feito a partir da demanda criada pelos militantes das Brigadas Populares e Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), movimentos sociais que coordenaram as ocupações.
<h2><strong>Rastafári vegano e fazenda no shopping</strong></h2>
As iniciativas agroecológicas em Belo Horizonte não partem apenas do poder público e das ONGs especializadas no assunto. Uma das experiências mais singulares caiu no gosto do público. Trata-se da Roots Ativa, grupo de rastafáris que vivem na comunidade Vila Nossa Senhora de Fátima, bairro com população majoritariamente negra.

Os rásta produzem na favela os próprios vegetais, base de sua alimentação vegana. Pelo menos 30 famílias do local contribuem e participam recolhendo diariamente os resíduos orgânicos domésticos, que são levados em baldes para uma central de compostagem que fornece o adubo que fertiliza a agroflorestal no alto do morro. O método é abertamente inspirado na Revolução dos Baldinhos catarinense que veremos mais abaixo.

As famílias participantes recebem parte dos recursos gerados pela venda dos sucos naturais, bombons de grão com mel, granola artesanal, pastéis integrais, hambúrguer vegano e as tapiocas rosas (com farinha de beterraba), amarelas (farinha de açafrão) e verdes (farinha de cheiro-verde). As tapiocas coloridas, por sinal, é o lanche da moda na cidade.

Na outra ponta da pirâmide social e econômica, o Shopping Boulevard abriga a Be Green, com aquilo que sua propaganda chama de “maior fazenda urbana da América Latina”. Traduzindo a linguagem publicitária: um conjunto de estufas onde são cultivadas 20 variedades de hortaliças aquapônicas (hidropônicas, com utilização da água para a criação de peixes. Sim, peixes). Toda a produção é vendida na loja, instalada bem ao lado das estufas, no lado externo do shopping.
<h2><strong>Dos bolcheviques aos baldinhos em Florianópolis</strong></h2>
<iframe src="https://www.youtube.com/embed/xem5jf9-Q-8" allowfullscreen="allowfullscreen" width="560" height="315" frameborder="0"></iframe>

Os moradores do bairro de Monte Cristo, na ilha de Florianópolis, tem motivos para desconfiar que a revolução socialista não acontecerá sob liderança de arrojados guerrilheiros bolcheviques, mas com baldinhos. Isso mesmo: baldes, pequenos e cheios de restos de comida, tudo quanto é tipo de sobras e, porque não, cocô.

Pode ser que Revolução dos Baldinhos seja um nome exagerado para um projeto socioambiental, mas a verdade é que já elegeu um vereador na capital de Santa Catarina. Marcos José de Abreu, tem 38 anos e chegou na comunidade aos 20 para trabalhar como arte educador. Mudou de carreira e se formou em Agronomia.

Anos depois, assumiu a coordenação do programa de agricultura urbana na comunidade, financiada pelo Misereor, fundo de financiamento social mantida pelos bispos alemães. Em 2016, foi eleito pelo PSOL como o segundo vereador mais votado de Floripa. Graças aos baldinhos.

O projeto é simples: 150 famílias do bairro recolhem seus resíduos orgânicos e levam para a central de compostagem, mais ou menos como os rastafáris mineiros, só que numa proporção cinco vezes maior. São mais de 10 toneladas de lixo por mês, transformada em 3,5 toneladas de adubo utilizado nas hortas cultivadas nos quintais. O excedente é vendido para sementeiras ou floriculturas da vizinhança.

“Isso é socialismo, cara, socialismo na prática! A população assume a gestão dos seus resíduos, é o desmonte da centralidade do capital”, afirma o vereador Marcos Abreu, que continuam a ser chamado de Marquito pelas dezenas de mulheres que protagonizam a Revolução dos Baldinhos.

Na Câmara Municipal, Marcos quer aprovar a primeira lei “revolucionária”. Ele apresentou um projeto de lei para que o município remunere as associações, cooperativas e empreendimentos de economia solidária que façam gestão de resíduos sólidos. A parada é dura: caso seja aprovada, a lei criará um precedente que reduzirá o lucro das empresas que recolhem e tratam o lixo da capital.

Seus argumentos, no entanto, são dotados de uma lógica fácil de ser compreendida. “A maior parte do lixo orgânico é água. Tem sentido ficar transportando toneladas e toneladas de água suja para lá e para cá? Os aterros sanitários foram criados para isolar a população da sujeira. Hoje, isso tem sentido apenas no caso do lixo químico ou hospitalar. Se existe tecnologia barata para fazer a sujeira se transformar em riqueza, por que isolá-la do povo?” O parlamentar questiona se a cidade deve continuar gastando R$ 200 milhões do seu orçamento com recolhimento de lixo (20% do total em 2017), quando gasta apenas R$ 11 milhões com cultura e esportes.
<h2><strong>Recifenses dão exemplo de comercialização</strong></h2>
<div id="attachment_9147" style="width: 1050px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/BH_Agricultura_-1.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9147" class="size-full wp-image-9147" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/BH_Agricultura_-1.jpeg" alt="Agricultoras pernambucanas apresentam projeto das frutas orgânicas do Recife. Foto: Inácio França/MZ Conteúdo" width="1040" height="585"></a><p id="caption-attachment-9147" class="wp-caption-text">Agricultoras pernambucanas apresentam projeto das frutas orgânicas do Recife. Foto: Inácio França/MZ Conteúdo</p></div>

Durante o Encontro de Agroecologia, a Rede de Espaços Agroecológicos do Recife, popularmente conhecidas como “feiras de orgânicos” foram apresentadas como exemplos de experiência positiva para a “construção social de novos mercados” e de ampliar a visibilidade da agroecologia junto ao público urbano.

As agricultoras Carla Oliveira e Silva, de Bom Jardim, que vende seus produtos na feira das Graças, e Maria José de Freitas, de Lagoa de Itaenga, cujo pai comercializa em Boa Viagem, explicaram para agricultores ou técnicos de todo o Brasil e de sete países (Argentina, Colômbia, Espanha, França, Guatemala, Paraguai e Uruguai) como os agricultores definem em assembleias democráticas a tabela de preços, o gerenciamento dos recursos financeiros do fundo comum, fardamento e regimento interno. Segundo elas, quase R$ 2 milhões já circularam em apenas duas feiras: em Boa Viagem e na mais antiga delas, nas Graças.<p>O post <a href="https://marcozero.org/as-metropoles-que-estao-escolhendo-o-caminho-da-roca/">As metrópoles que estão escolhendo o caminho da roça</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Encontro de agroecologia pretende integrar lutas rurais e urbanas</title>
		<link>https://marcozero.org/encontro-de-agroecologia-pretende-integrar-lutas-rurais-e-urbanas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 May 2018 12:24:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando, durante a greve dos caminhoneiros, a falta de gasolina e a ausência de alternativas para o transporte ameaçaram as refeições diante da perspectiva de falta de alimentos, muitos brasileiros devem ter percebido o quanto a vida nas cidades depende daquilo que é produzido no campo. Em meio às consequências e desdobramentos da greve que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Quando, durante a greve dos caminhoneiros, a falta de gasolina e a ausência de alternativas para o transporte ameaçaram as refeições diante da perspectiva de falta de alimentos, muitos brasileiros devem ter percebido o quanto a vida nas cidades depende daquilo que é produzido no campo. Em meio às consequências e desdobramentos da greve que tornou ainda mais intensa a crise política, começa hoje em Belo Horizonte o IV Encontro Nacional de Agroecologia exatamente com o tema “Agroecologia e democracia unindo campo e cidade”.

Até domingo, 3 de junho, dois mil agricultores, técnicos agrícolas, ativistas de movimentos sociais e professores universitários de todo o País irão discutir como encontrar estratégias para, no confuso contexto político atual, levar a população dos grandes centros urbanos a compreender e defender a importância de produzir alimentos saudáveis de maneira socialmente mais justa, garantindo a biodiversidade e o respeito à natureza.

A Marco Zero Conteúdo irá acompanhar o Encontro, a convite da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), instituição formada por 23 redes estaduais e regionais, compostas por centenas de grupos, associações e ONGs, além de 15 movimentos sociais de atuação nacional.

Para o coordenador do Centro Sabiá, Alexandre Pires, para realizar o objetivo de “unir campo e cidade” é preciso ir além de apenas convencer o público urbano. “Sentimos que é possível chegar a um número cada vez maior de pessoas estabelecendo o diálogo com os grupos de comunicação contra-hegemônicos, a mídia independente. No entanto, já estamos iniciando um processo de produzir alimentos nas cidades, aplicando os fundamentos da agroecologia em verdadeiras roças urbanas”.

De acordo com Pires, as melhores e mais consolidadas experiências de produção de alimentos nas grandes cidades estão em Florianópolis, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mesmo sendo novidade até mesmo para o Centro Sabiá, a equipe da ONG fundada há 25 anos para desenvolver a Agricultura Agroflorestal no interior do estado, agora acompanha a produção de verduras e hortaliças conduzida pelas mulheres da comunidade da Palha do Arroz, na beira do fétido canal do Arruda.

As entidades das redes agroecológicas apostam num amplo leque de ações para chegar aos moradores das cidades. Está virando rotina ações em conjunto com os sindicatos de categorias profissionais das grandes cidades.

“A inclusão da merenda escolar produzida com produtos da agricultura familiar na pauta de reivindicações de professoras e demais trabalhadores da educação é resultado desse relacionamento”, explica Pires. O mesmo raciocínio vale para as discussões sobre o direito ao saneamento com o movimento comunitário e sindicatos.

Outra tática é procurar artistas conhecidos nas cidades para “apadrinhar” experiências de agroecologia. Chico César gravou a música <em>Reis do agronegócio</em>, Lia de Itamaracá marcou presença na IX Marcha da Vida das Mulheres na Paraíba, Isaar acompanha de perto a experiência do Centro Sabiá na cooperativa de mulheres na Palha de Arroz.

A soma de todas essas ações, segundo Alexandre Pires, tem por finalidade “construir afinidades na luta pela democracia, demonstrando que a luta do campo e da cidade, apesar de parecerem diferentes, é a mesma”.

Um dos pontos altos desse processo de “construção de afinidades” teria sido, para o coordenador do Centro Sabiá, o Ocupe Campo-Cidade, em abril de 2015, quando MST, Núcleo de Agroecologia e Campesinato da UFRPE, Movimento dos Atingidos por Barragens, Pastoral da Juventude Rural, Rede Coque e o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal (SINTRACI), se juntaram ao Ocupe Estelita. Em um dia, pelo menos cinco mil pessoas passaram pelo Cais José Estelita para participar de uma série de oficinas de bioconstrução, feira de orgânicos, aulas públicas e debates e exibição de filmes.
<h2><strong>Cenário adverso principalmente para as mulheres</strong></h2>
O IV Encontro Nacional de Agroecologia acontece sob expectativas completamente diferentes dos três encontros anteriores. Na última edição, em Juazeiro (BA), os agricultores familiares contavam com a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), anunciada pela então presidente Dilma Rousseff em plena Marcha das Margaridas de 2011. Para quem não tem intimidade com os movimentos sociais do campo, a Marcha das Margaridas é uma manifestação anual, que acontece desde 2000 em Brasília como forma de homenagear a trabalhadora rural e líder sindicalista Margarida Maria Alves, assassinada em 1983 por usineiros na Paraíba.

A PNAPO e seu desdobramento imediato, o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, construído com a participação das entidades do campo, viraram letra morta após o golpe. O Plano considerava a mulher agricultora como protagonista para garantir a produção de alimentos saudáveis, daí terem sido elas as maiores prejudicadas no governo Michel Temer.

Não à toa, horas antes da abertura oficial do Encontro, haverá uma plenária específica das mulheres agricultoras, que são 50% do público do IV ENA.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/marcha-das-mulheres_Catarina-de-Angola-ASACOM.jpg"><img decoding="async" class="alignleft  wp-image-9027" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/marcha-das-mulheres_Catarina-de-Angola-ASACOM-300x199.jpg" alt="marcha das mulheres_Catarina de Angola ASACOM" width="303" height="201"></a>Entre as participantes, o ambiente é de luta para recuperar as conquistas tomadas pelo golpe. A técnica Beth Cardozo, do Centro de Tecnologias Alternativas (CTA), de Viçosa, na Zona da Mata de Minas Gerais, explica que o desmantelamento das políticas para as agroecologia e as mulheres do campo foi logo percebido na formação dos ministérios: “Nós dialogávamos com uma diretoria específica no MDA [Ministério do Desenvolvimento Agrário]. O que existe agora é uma coordenação sem autonomia, sem recursos, sem status, dentro da Sead [Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário], que por sua vez faz parte da Casa Civil”.

Assim, segundo Beth, a primeira coisa a se perder foram as políticas integradas. “Um exemplo: a diretoria de políticas de gênero dialogou com a Secretaria de Políticas para Mulheres e criou uma estratégia de combate à violência contra a mulher vinculada à agricultura familiar. Isso não existe mais”, denuncia a técnica do CTA.

Beth, que faz parte do Grupo de Trabalho de Mulheres da ANA, ressalta a importância do papel da mulher para a agroecologia: “A maioria das iniciativas de fazer a transição para a agroecologia parte das mulheres, isso se explica em parte por conta da ausência dos homens por força da migração em busca de trabalho, em parte pela preocupação da mulher com a saúde dos filhos. Ela quer alimentos variados e saudáveis, não quer veneno na mesa de casa”.

Por conta disso, antes do golpe, 50% dos recursos da assistência técnica tinham de beneficiar mulheres, 30% dos recursos para folha de pagamento tinham de ser usados para contratar técnicas agrícolas; 30% das verbas de capacitação custeavam atividades com e para mulheres.
<h2><strong>Sem dinheiro para assistência técnica</strong></h2>
O dinheiro para a assistência técnica rural destinado à agricultura familiar já foi parar em outras mãos. Em fevereiro, a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) recebeu R$ 184 milhões da Sead que, em tese, deveriam ser destinados à agricultura familiar. Nenhum centavo irá para as centenas de instituições cujo foco de trabalho é a agricultura orgânica e a agroecologia. Todo o montante está sendo repassado para as empresas estaduais de assistência técnica, as Emater, que tradicionalmente atende às cadeias produtivas do agronegócio, com uso de venenos e fertilizantes químicos.

Beth Cardozo conta que, com o golpe, centenas de contratos ainda em vigor do MDA com ONGs simplesmente foram ignorados. “Em todo o Brasil, milhares de técnicos agrícolas cujo trabalho e conhecimento contribuíram para que famílias fizessem a transição da agricultura tradicional para a orgânica ou agroecológica, nunca receberam salários por serviços já prestados”, conta a técnica.

As entidades, recorda ela, procuraram a Anater para saber se aqueles milhões não seria usados para honrar os contratos existentes. “Disseram que aqueles recursos não tinham relação alguma com os contratos do MDA”, afirma. O mesmo MDA que virou Sead, que havia repassado os R$ 184 milhões para a Anater.

Procurada pela Marco Zero, a Anater respondeu de imediato com a mensagem que reproduzimos na íntegra:
<blockquote>&#8220;A Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) é uma instituição autônoma, de direito privado, sem fins lucrativos, de interesse coletivo e de utilidade pública, cujo papel é coordenar o serviço de assistência técnica e extensão rural do país. Para isso, ela recebe recursos do Governo Federal, que são repassados às empresas públicas prestadoras de Ater (as Emateres) através de instrumento específico de parceria, e às empresas privadas (cooperativas, associações etc), através de chamadas públicas.

Sendo assim, não está sob a responsabilidade da ANATER o pagamento de nenhum contrato firmado por órgãos do governo, a exemplo dos realizados pelo MDA, citado em sua mensagem, mas somente pelos novos contratos, firmados diretamente pela ANATER com as entidades prestadoras de Ater, públicas ou privadas.

Em relação aos contratos firmados pela ANATER, informamos que os projetos já estão sendo realizados em 21 unidades da Federação, em parceria com as Emateres. Também estão em andamento três chamadas públicas para entidades privadas prestadoras de Ater, que irão beneficiar cerca de 30 mil famílias de agricultores, e quase 400 municípios, observando o atendimento ao percentual mínimo de 50% de mulheres rurais e 25% de jovens do público total&#8221;.</blockquote>
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