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	<title>Arquivos algoritmo - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 26 Jun 2025 19:04:22 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos algoritmo - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>O novo machista: jovem, bonito e cheio de ódio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jun 2025 20:47:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[algoritmo]]></category>
		<category><![CDATA[grupos de ódio]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Tereza Amorim* Se antes o machismo era coisa de tiozão no churrasco, hoje ele vem de boné aba reta, com fone no ouvido e vídeo no TikTok. Sim, vivemos a era do machismo 5G: mais rápido, mais jovem e alimentado por inteligência artificial. A misoginia não envelheceu &#8211; ela rejuvenesceu. E com estética gamer. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por <a href="https://www.instagram.com/reel/DLU_4GYuxdS/?igsh=MTNraThxaWlrcDhmdw==">Tereza Amorim</a>*</strong></p>



<p>Se antes o machismo era coisa de tiozão no churrasco, hoje ele vem de boné aba reta, com fone no ouvido e vídeo no TikTok. Sim, vivemos a era do machismo 5G: mais rápido, mais jovem e alimentado por inteligência artificial. A misoginia não envelheceu &#8211; ela rejuvenesceu. E com estética <em>gamer</em>.</p>



<p>A pesquisadora britânica Laura Bates, fundadora do projeto <a href="https://everydaysexism.com/"><em>Everyday Sexism</em></a>, vem gritando no meio da rave digital: pela primeira vez na história, os mais jovens são mais machistas do que seus pais e avôs.</p>



<p>Repito: meninos de 14 anos têm hoje mais noções retrógradas sobre mulheres do que os velhos pracinhas brasileiros que lutaram a Batalha de Monte Castelo, há 80anos</p>



<p>Não se trata de uma geração naturalmente misógina &#8211; ninguém nasce odiando. Mas quando você entrega um celular a um adolescente e ele, em menos de 30 minutos de navegação, é servido com vídeos que ensinam a “destruir o ego de uma mulher para que ela rasteje aos seus pés”, algo está podre no reino do algoritmo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> O algoritmo é o novo patriarca</h2>



<p>As redes sociais deixaram de ser vitrines da vida alheia para se tornarem usinas de radicalização afetiva. E tudo isso com um plano de negócios por trás. Um estudo do <a href="NetLab UFRJ report on Misogyny on YouTube is presented at the BRICS Brazil Women's Ministerial meeting">NetLab/UFRJ</a>, em parceria com o Ministério das Mulheres já no ano passado, mapeou 137 canais no YouTube que pregam o ódio feminino entre 2018 e 2024. Juntos, somam 3,9 bilhões de visualizações. Bilhões. Isso não é um “caso isolado”. Isso é uma indústria.</p>



<p>E que indústria! Cursos misóginos por R$ 2 mil, consultorias de masculinidade por R$ 1 mil, vídeos ao vivo arrecadando R$ 68 mil &#8211; tudo em nome de “ensinar o macho moderno a não ser enganado por uma gorda feminista histérica”<em>.</em> A misoginia virou um negócio tão lucrativo quanto isento de impostos e de culpa.</p>



<p>As <em>big techs</em>, claro, lavam as mãos como Pilatos do Vale do Silício. O TikTok jura que remove 98% dos conteúdos nocivos antes de qualquer denúncia. A Meta (dona do Instagram, Facebook e WhatsApp) diz que investiu mais de US$30 bilhões em segurança nos últimos 10 anos. E a gente responde com um sonoro: “senta lá, Cláudia.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><a></a> <strong>A pornografia do ódio</strong></h2>



<p>A pornografia não consensual ganhou upgrade tecnológico. Aplicativos com nome fofo, disponíveis na Apple Store e Google Play, permitem que qualquer foto pública de uma mulher seja “despida” por inteligência artificial. Em segundos. O produto? Uma imagem hiper-realista da pessoa nua, usada para humilhação, chantagem, vingança.</p>



<p>É o estupro digital do século XXI, disfarçado de brincadeira.</p>



<p>A própria IA, usada por 40% das empresas britânicas em processos seletivos (dados citados por Bates), já apresenta vieses de gênero no recrutamento, concessão de crédito e até na saúde. O que não deveria discriminar ninguém, aprendeu com os dados históricos o velho hábito de deixar mulheres por último na fila.</p>



<p>A distopia já chegou &#8211; só que está vestida com camiseta de podcast, microfone de lapela e um bordão <em>alpha male </em>na bio.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/novo-macho-3-Leonardo_Kino_XL_A_conceptual_and_symbolic_illustration_repres_1-300x168.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/novo-macho-3-Leonardo_Kino_XL_A_conceptual_and_symbolic_illustration_repres_1-1024x574.jpg" alt="A imagem gerada por inteligência artificial mostra uma cena de ficção científica com forte carga simbólica sobre o machismo digital contemporâneo. No centro, há um jovem de aparência masculina, usando moletom escuro, sentado diante de três monitores acesos com imagens técnicas e complexas em tons azulados, como esquemas eletrônicos e códigos. Ele está digitando em um teclado, com expressão concentrada. O detalhe mais marcante é que sua cabeça está conectada a fios e dispositivos eletrônicos, que se ligam diretamente às máquinas ao seu redor, sugerindo uma fusão entre mente e sistema. O ambiente é fechado, com paredes cobertas por cabos vermelhos que se entrelaçam em todas as direções, criando uma atmosfera opressiva, como se o personagem estivesse preso ou condicionado por esse universo tecnológico. A luz vermelha domina o cenário, misturando-se ao azul das telas, dando uma sensação de alerta e perigo." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Imagem de jovem hiperconectado criada com ajuda de Inteligência Artificial
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inácio França e Leonardo AI/Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"> Cadê o Estado?</h3>



<p>Enquanto isso, governos seguem fingindo que não viram. Falam em <em>“</em>liberdade de expressão”<em>,</em> mas se acovardam diante dos trilhões que essas plataformas movimentam. Regular as redes sociais virou tarefa de Hércules em meio à Bolsa de Valores. Afinal, quem tem coragem de puxar o fio do dinheiro que sai das propagandas e entra direto na conta de quem ensina meninos a odiar meninas?</p>



<p>Regular pra quê, né? Melhor deixar como está, com meninas fechando suas DMs por assédio, mulheres abandonando as redes por exaustão emocional, e garotos adoecendo mentalmente dentro de um modelo de masculinidade que proíbe qualquer lágrima que não seja de raiva.</p>



<h3 class="wp-block-heading"> A falsa guerra contra o feminismo</h3>



<p>Há um discurso recorrente &#8211; e covarde &#8211; de que o feminismo alienou os homens. O que aliena os meninos, na verdade, são os <em>youtubers</em> ressentidos, os <em>coaches</em> do apocalipse afetivo e os vendedores de pílulas vermelhas que prometem um mundo em que eles mandam e as mulheres obedecem. Homens que gritam “eu sou o prêmio” enquanto vendem e-books de R$ 150 para aprender a mandar <em>emojis</em> frios como técnica de sedução.</p>



<p>Enquanto isso, os verdadeiros modelos positivos de masculinidade &#8211; os que choram, cuidam, compartilham e respeitam &#8211; não rendem clique, não viralizam e não vendem curso.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><a></a> <strong>A pergunta que fica</strong></h3>



<p>Não estamos diante de um problema digital. Estamos diante de um modelo de sociedade que terceirizou a educação emocional de meninos para plataformas que lucram com o ódio.</p>



<p>A pergunta é: até quando vamos fingir que é &#8220;só internet&#8221;? Porque cada “like” em conteúdo machista é um tijolo na construção de uma cultura que, no mundo real, violenta, assedia, exclui e mata.</p>



<p>E o que estamos construindo hoje, com nossos cliques, será o país onde nossas filhas &#8211; e filhos &#8211; vão viver amanhã.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Tereza Amorim é jornalista e analista de discurso político, com especialização em neurociência cognitiva e neuropolítica.</strong></p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Algoritmo racista explica por que conteúdo produzido por negros fatura menos no YouTube</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Nov 2024 17:41:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[algoritmo]]></category>
		<category><![CDATA[bigtechs]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2014, aos 15 anos de idade, eu decidi parar de alisar os cabelos e iniciei o processo de “transição capilar”. Foi naquela mesma época que passei a ler mais sobre questões raciais e miscigenação no Brasil, porque até então eu não me autodeclarava uma mulher negra. Alisar os cabelos era uma forma de me [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 2014, aos 15 anos de idade, eu decidi parar de alisar os cabelos e iniciei o processo de “transição capilar”. Foi naquela mesma época que passei a ler mais sobre questões raciais e miscigenação no Brasil, porque até então eu não me autodeclarava uma mulher negra. Alisar os cabelos era uma forma de me camuflar, de pertencer à sociedade enquanto uma pessoa que podia desviar ou se esconder das práticas racistas, mas a verdade é que isso nunca aconteceu. O racismo sempre esteve presente, mesmo que eu tentasse burlá-lo apagando meus traços negróides.</p>



<p>A transição capilar passou a ser um dos assuntos mais comentados nas redes sociais em 2015. </p>



<p>Diversas meninas e mulheres utilizavam a internet para falar sobre suas experiências e incentivar que cada vez mais pessoas pudessem experimentar o processo de alisamento e deixassem seus cabelos naturais à mostra. Lembro que conhecer o trabalho da <a href="https://www.youtube.com/@NatalyNeri" target="_blank" rel="noreferrer noopener">youtuber Nátaly Neri</a> foi fundamental para que eu me sentisse à vontade para tomar a decisão de iniciar a transição capilar. Especificamente um vídeo em que ela falava sobre os diferentes tipos de cabelos cacheados e crespos, confrontando as propagandas de marcas de cosméticos que defendiam o “cacho perfeito”. Desde então, passei a acompanhar o trabalho de Nátaly em seu canal que, agora, conta com 814 mil inscritos.</p>



<p>Através de Nátali conheci também o trabalho de <a href="https://www.youtube.com/@GabiDePretas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gabi de Pretas</a>, uma mulher negra retinta que também produz conteúdos relacionados a pautas raciais em seu canal do Youtube, hoje com 658 mil inscritos. Em um dos vídeos mais assistidos do seu canal, Gabi faz um tour pelo seu rosto e traz um relato emocionante para falar sobre o processo de aceitação de seus traços negros. <br><br>Olhando para trás, é inegável a importância que o trabalho das youtubers negras tiveram no meu processo de transição capilar e do resgate de uma identidade negra. </p>



<p>São muitos os influenciadores negros e negras que utilizam o Youtube e outras redes sociais para falar de temas relevantes para a comunidade negra e na promoção do antirracismo. Porém, são poucos aqueles e aquelas que conseguem ganhar visibilidade suficiente para se profissionalizar como produtores de conteúdo e monetizar seus trabalhos. Muitos desses profissionais já denunciaram a dificuldade em ter capilaridade na plataforma.</p>



<p>Por isso, a fim de impulsionar a carreira de youtubers e influenciadores digitais negros, a empresária Egnalda Côrtes abriu a agência Côrtes Assessoria em 2017. A empresa é responsável por gerir carreiras de dezenas de pessoas negras, entre elas, Nátaly Neri e Gabi de Pretas, produtoras de conteúdos digitais que disputam um mercado que impõe desafios, sobretudo para aqueles e aquelas que utilizam suas redes para pautar questões raciais. </p>



<p>Para o historiador e idealizador do <a href="https://www.youtube.com/@HistoriadaAfrica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">canal “Caçador de Histórias”</a>, Flávio Muniz, as dificuldades que os youtubers negros enfrentam começa no processo de produção.</p>



<p>“A gente muitas vezes não tem uma boa estrutura tecnológica: uma câmera boa, um equipamento bom, um computador bom. Nós não temos expertise, porque é caro para você ter alguns pacotes de programas de edição. Eu edito meus programas hoje no Adobe Premiere, mas na época [2016] eu tinha programas piratas, craqueados, que eu utilizava da forma que eu podia. São dificuldades que outros produtores que têm acesso à tecnologia, por terem recursos financeiros, não tinham. Mas a população negra não tem tanto acesso financeiro a essas tecnologias, por uma questão econômica mesmo, uma questão de que nós estamos excluídos economicamente também&#8221;, contou o historiador.</p>



<p>Dono de um canal com 149 mil inscritos, Muniz utiliza o Youtube como uma sala de aula onde compartilha pesquisas sobre a história da África e dos seus povos. Seu objetivo é criar um acervo de ensaios e estudos na plataforma de <em>streaming</em>.</p>



<p>Atualmente trabalhando de forma independente e exclusiva na produção de conteúdos para a plataforma, o professor já expôs seu descontentamento com o Youtube e a dificuldade em monetizar seu trabalho, mas explica que insiste em estar presente no espaço por entender que o Youtube é um lugar de disputa onde as pessoas negras precisam ser protagonistas. “Como disse o Peter Burke, ‘é função do historiador lembrar a sociedade aquilo que ela quer esquecer’”, defendeu Muniz.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Ciberespaço em disputa</h2>



<p>De acordo com o ranking da plataforma de análise de dados<a href="https://socialblade.com/youtube/top/country/br" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Social Blade</a>, a maioria dos canais do Youtube que possuem o maior número de visualizações no Brasil são canais produzidos por pessoas brancas. </p>



<p>A monetização no Youtube acontece através das exibições de anúncios transmitidos durante os vídeos, para isso o produtor de conteúdo precisa solicitar a monetização de seu canal e passar a atender as diretrizes do Programa de Parcerias do Youtube (YPP). Nessa lógica, canais que possuem maiores números de inscritos e de visualizações tendem a faturar mais. Com isso, é possível afirmar que os canais de pessoas brancas são os que mais lucram na plataforma.</p>



<p>E o que pode explicar o maior interesse do público por consumir os conteúdos feitos pelos youtubers brancos?</p>



<p>Para o pesquisador em Comunicação na UFPE e integrante da Rede Latino-americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade, Andi Almeida, a resposta está nas dinâmicas sociais do Brasil, dinâmicas essas que acontecem fora do mundo virtual e que apenas são reforçadas no ciberespaço.</p>



<p>“A ideia de racismo algorítmico, que é um conceito cunhado no Brasil pelo Tarcízio Silva, afirma que os algoritmos são racistas porque a sociedade é racista e ele reflete as próprias mazelas da sociedade. Por isso, não surpreende que produtores negros, sobretudo aqueles que fazem vídeos pautando questões do racismo, precisam lidar com menos visualizações e dificuldade de monetização, é o próprio racismo operando também no meio digital”, afirmou o pesquisador.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/11/youtube-2.jpg" alt="A imagem mostra uma pessoa digitando em um teclado de computador. A foto é sobreposta com várias imagens relacionadas ao YouTube, incluindo o logotipo do YouTube Premium e uma interface de vídeo do YouTube. Há também um texto parcialmente visível que diz Expert Digital e Como obter mais visualizações no YouTube. A imagem combina elementos físicos (as mãos no teclado) com elementos digitais (a interface do YouTube), sugerindo um contexto de criação ou consumo de conteúdo digital." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Historiador reforça a importância de ter mais pessoas negras como youtubers
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Se por um lado a internet surgiu como um ambiente onde a gente consegue se colocar para criar novas narrativas emancipatórias e disputar espaços, por outro ela foi capturada pelas grandes corporações e acaba sendo um espaço ocupado majoritariamente por quatro redes sociais. Então, o produtor de conteúdo negro com um viés emancipatório é muito importante porque cria uma base de conhecimentos, no entanto a internet cria um certo vício fazendo com que a gente não se aprofunde nas coisas, porque todo o processo começa e termina ali, quando, na verdade, deveria ser o início de uma pesquisa mais extensa”, concluiu Andi Almeida.</p>



<p>Por reconhecer a importância de produzir conteúdos para ampliar a base de conhecimento de seu público na luta antirracista, o professor Flávio Muniz reforça a importância de ter mais pessoas negras como youtubers, pois a plataforma digital “é um espaço de disputa que, na verdade, é também um espaço de construção de identidades”.</p>



<p>Neste mesmo sentido, Andi Almeida acredita que a melhor forma de enfrentar as dificuldades impostas na produção e valorização dos conteúdos digitais de pessoas negras é ocupando o ciberespaço de forma consciente.</p>



<p>“Essa noção de que a gente deveria abandonar as tecnologias ou simplesmente ter uma mera recepção passiva é um falso dilema. Nenhum desses caminhos é interessante, o que nos interessa é a apropriação dessas tecnologias para nossa busca constante de emancipação pessoal e coletiva. Na minha perspectiva, nós, minorias políticas, devemos sim nos apropriar de todas as tecnologias e suas ferramentas disponíveis para que possamos através delas também disputar as narrativas”, afirmou o pesquisador.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><b>Em entrevista ao Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, Tarcízio Silva explicou o que é o racismo algorítmico: </b></p>
<p>&#8220;Uso o termo &#8216;racismo algorítmico&#8217; para explicar como tecnologias e imaginários sociotécnicos em um mundo moldado pelo privilégio branco fortalecem a ordenação racializada de conhecimentos, recursos, espaço e violência em detrimento de grupos não brancos. Então, muito além dos detalhes das linhas de programação, falamos aqui da promoção e implementação acríticas de tecnologias digitais que favorecem a reprodução dos desenhos de poder e opressão que já estão em vigor.</p>
<p>O principal problema na superfície é que sistemas algorítmicos podem transformar decisões e processos em &#8216;caixas opacas&#8217; inescrutáveis, isto é, tecnologias repletas de problemas são lançadas na sociedade e podem aprofundar discriminações, que vão de buscadores que representam negativamente pessoas negras até <em>softwares</em> de policiamento preditivo <strong>– </strong>uso de dados e análises para predizer o crime <strong>– </strong>que fortalecem a seletividade penal.</p>
<p>Mas o racismo algorítmico não é só a questão dos <em>softwares</em> em si, abarca também tecnologias digitais emergentes, que mesmo com tantos problemas são lançadas de forma cada vez mais acelerada. Isto acontece porque as pessoas vulnerabilizadas por tais sistemas são minorias políticas e econômicas que têm seus direitos colocados em último lugar nas prioridades do setor privado e governamental&#8221;.</p>
<p>Tarcízio Silva é autor do livro <em>Racismo algorítmico: inteligência artificial e discriminação nas redes digitais</em></p>
	</div>
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