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	<title>Arquivos alimentos saudáveis - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos alimentos saudáveis - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>A peleja da agricultura familiar contra os salgadinhos e sucos de caixinha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 17:31:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos saudáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
		<category><![CDATA[Cumaru]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É hora da merenda na escola rural do Sítio Campos Novos, zona rural de Cumaru. Por alguns minutos, os 14 alunos deixam a sala de aula climatizada e seguem para o refeitório junto à cozinha, onde uma refeição com galinha guisada, macarrão e feijão-mulatinho acaba de ficar pronta. Três meninos, no entanto, recusam o que [&#8230;]</p>
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<p>É hora da merenda na escola rural do Sítio Campos Novos, zona rural de Cumaru. Por alguns minutos, os 14 alunos deixam a sala de aula climatizada e seguem para o refeitório junto à cozinha, onde uma refeição com galinha guisada, macarrão e feijão-mulatinho acaba de ficar pronta.</p>



<p>Três meninos, no entanto, recusam o que é servido, preferindo “lanchar” aquilo que trouxeram numa bolsa: sódio, gordura e açúcar em forma de salgadinhos industrializados em pacotes coloridos e suco ou achocolatado de caixinha.</p>



<p>Em Cumaru, a comida servida na escola é a merenda propriamente dita. O que os meninos levam de casa é chamado de lanche.</p>



<p>A princípio, a coordenadora da escola e as nutricionistas da secretaria municipal de Educação ficaram sem jeito, afinal a equipe da Marco Zero estava ali na manhã daquela terça-feira de dezembro para conhecer e fotografar a merenda saudável da rede municipal de ensino de Cumaru.</p>



<p>Pouco depois, mais à vontade, a coordenadora Edla da Silva Souza, de 36 anos, explica que a maior resistência à mudança dos hábitos alimentares vem das próprias famílias dos estudantes que, ironicamente, são agricultores: “no início deste ano fizemos oficinas com as mães, conversamos com os alunos sobre os problemas de saúde provocados pelos alimentos ultraprocessados, porém ainda há quem ceda à facilidade de colocar na lancheira um saco de salgadinho comprado no atacarejo”.</p>



<p>Coincidência ou não, nenhum morador de Campos Novos fornece alimentos para o PNAE. De acordo com a agroecóloga do Centro Sabiá, Íris Maria da Silva, isso faz muita diferença, pois as famílias que vendem para o PNAE acabam se envolvendo mais com o que filhos e netos comem na escola.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical.jpg" alt="" class="wp-image-73948 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Formada em Agroecologia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Íris tem bastante experiência na assessoria técnica à agricultura familiar, afinal, enquanto fazia seu curso superior, ela já trabalhava como técnica agrícola na ONG Caatinga, no sertão do Araripe, uma das instituições pioneiras nessa área em Pernambuco.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Com tanta bagagem, ela acredita que “não basta implantar a política pública e garantir o acesso à política pública, é necessário oferecer formação para o público beneficiado por essa mesma política pública”. No caso de Cumaru, além das merendeiras terem sido capacitadas para lidar com os ingredientes saudáveis, o Centro Sabiá atuou diretamente junto a centenas de famílias, mas a resistência de algumas mães e pais exige mais tempo para ser superada.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/articulacao-entre-ong-e-prefeitura-eliminou-ultraprocessados-da-merenda-escolar-em-cumaru/" class="titulo">Articulação entre ONG e prefeitura eliminou ultraprocessados da merenda escolar em Cumaru</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Embutidos fora</h2>



<p>Em 2025, enlatados e embutidos como mortadela, salsicha, salame e presunto foram eliminados da merenda escolar do município. Para se chegar a esse resultado, a equipe do Sabiá e das famílias agricultoras que se transformaram em fornecedoras de alimentos contaram com o reforço do conhecimento técnico das quatro nutricionistas da secretaria municipal de Educação.</p>



<p>Amanda Joelly Bezerra Gonçalves, de 25 anos, é uma dessas profissionais responsáveis por montar o cardápio de acordo com a faixa etária de cada escola, definir o que deverá ser comprado nas licitações e fiscalizar todos os itens que são entregues pelos fornecedores. Ela garante que “não há pressão por parte dos atacadistas ou distribuidores, pois alguns itens, necessariamente, continuam a ser comprados de grandes empresas”. É o caso do arroz, macarrão, extrato de tomate e óleo de soja, por exemplo.</p>



<p>Ao lado da colega Nadjane de Moura, de 24 anos, Amanda explica que a rede municipal de ensino tem 4.122 matrículas, mas isso não quer dizer que sejam 4.122 crianças e adolescentes. “Quem está matriculado em tempo integral, ou seja, fica para o programa de fortalecimento escolar no turno da tarde, conta como duas matrículas”. O vínculo duplo se explica porque alunos e alunas do ensino fundamental que recebem essas aulas de reforço fazem três refeições completas na escola.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-nutricionistas.jpg" alt="A foto mostra Amanda Joelly e Nadjane de Moura em frente à Escola Municipal Inês Maria da Conceição. Amanda, à esquerda, veste uma blusa branca e sorri suavemente. Nadjane, à direita, usa uma camiseta azul escura e também está sorridente. As duas estão atrás de um portão azul, com a fachada da escola ao fundo — pintada em branco, azul e rosa, com telhado de cerâmica. A placa da escola está visível acima delas, destacando o nome da instituição e o logotipo da prefeitura." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Amanda e Nadjane elaboram cardápios e fiscalizam os produtos entregues
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta reportagem foi produzida em parceria com a <a href="https://redeaterne.org.br/">Rede Ater Nordeste</a>.</p>
    </div>
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		<title>Articulação entre ONG e prefeitura eliminou ultraprocessados da merenda escolar em Cumaru</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 17:20:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos saudáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cumaru (PE) &#8211; A macarronada praticamente sem molho vinha acompanhada de uma coisa enlatada chamada kitut, feita com sobras de carnes e impregnada de produtos químicos como tripolifosfato de sódio, corante, antioxidante eritorbato de sódio e conservante nitrito de sódio. Se não tivesse o tal kitut no estoque da prefeitura, a opção seria sardinha com [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Cumaru (PE)</strong> &#8211; A macarronada praticamente sem molho vinha acompanhada de uma coisa enlatada chamada kitut, feita com sobras de carnes e impregnada de produtos químicos como tripolifosfato de sódio, corante, antioxidante eritorbato de sódio e conservante nitrito de sódio. Se não tivesse o tal kitut no estoque da prefeitura, a opção seria sardinha com óleo, também em lata. Para completar, biscoito de maisena.</p>



<p>Essa era a merenda com a qual Martilene Iraci do Nascimento acostumou-se quando era aluna da rede escolar de Cumaru, no início dos anos 2000. Na época, havia até uma barraquinha dentro da escola que vendia biscoitos recheados, salgadinhos, pirulitos e confeitos.</p>



<p>Hoje, aos 35 anos, ela e suas vizinhas produzem e fornecem as hortaliças, macaxeira, inhame e frutas oferecidas aos seus filhos e às outras crianças nas escolas do município.</p>



<p>“Sabe como a comida industrializada entra na mesa das famílias? Pela merenda das crianças, que pedem para os pais comprarem aquilo que comem na escola. Agora, está acontecendo o contrário, as famílias estão começando a optar por frutas frescas, por exemplo, porque os filhos e netos estão dando o exemplo”, garante Martilene, mãe de Gabriel, de 10 anos, e Gabrielly, de cinco.</p>



<p>A qualidade começou a mudar em 2020, quando a prefeitura passou a comprar os produtos para a merenda com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar, o PNAE, que impõe aos municípios comprarem da agricultura familiar pelo menos 30% dos produtos. A mudança foi acelerada graças a uma soma de esforços pouco comum no Brasil: o poder público e entidades ligadas ao movimento social.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A partir de 1º de janeirode 2026, de acordo com a nova <a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/lei-amplia-compra-da-agricultura-familiar-para-o-pnae">lei federal 15.226</a>, esse percentual será de 45%. Como o orçamento do programa para 2026 é de R$ 5,5 bilhões, isso significa que R$ 2,4 bilhões serão destinados à agricultura familiar.</p>
        </div>
    </div>



<p>Como 76% das 2,4 mil propriedades rurais desse município de 16 mil habitantes no agreste pernambucano têm menos de cinco hectares, abriu-se uma janela de oportunidade com potencial para aumentar a renda das próprias famílias dos estudantes.</p>



<p>O problema é que, àquela altura, poucos agricultores estavam aptos a vender seus produtos ao poder público. O secretário de agricultura do município, Rogério Jerônimo da Silva, contou que, ao assumir o cargo em 2023, pouco menos de 500 agricultores tinham o CAF, o Cadastro de Agricultor Familiar. Sem esse documento, não é possível participar dos editais do PNAE. &#8220;Isso inviabilizava qualquer tentativa de implementar uma política pública&#8221;, explica o gestor.</p>



<p>Esse era o caso da maior parte das famílias de Lagoa de Aninha, onde vivem Martilene e sua vizinha Maria Aparecida da Silva, a Cida, presidente da associação de agricultores da localidade. Elas estão entre as mais de 2 mil camponesas e camponeses de Cumaru que, agora, possuem o CAF e estão habilitados a participar do PNAE e de outros programas governamentais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).</p>



<p>O resultado desse incremento pode ser constatado nas planilhas de repasses do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para o município. Em 2024, do total de R$ 307 mil usados na compra de alimentação escolar, 38,36% foram para a agricultura familiar, ou seja, acima do mínimo estabelecido pela lei. Até setembro de 2025, <a href="https://www.fnde.gov.br/pls/simad/internet_fnde.liberacoes_result_pc">foram mais de R$ 493 mil repassados ao município</a>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-Martilene.jpg" alt="Martilene do Nascimento está em um curral pequeno, ao lado de vários cabritos que se alimentam em um cocho de madeira. Ela sorri e veste uma camiseta laranja com estampa branca e shorts bege. O espaço tem piso de madeira ripada, cobertura de telha metálica e paredes de concreto com aberturas para ventilação. A cena mostra um ambiente rural simples, destacando o cuidado com os animais e o trabalho no campo." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Com o cadastro no CAF, Martilene pôde vender produtos para a merenda escolar 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">As mulheres são as protagonistas</h2>



<p>Ao mesmo tempo em que a prefeitura procurou ampliar a quantidade de agricultores cadastrados, as organizações sociais que atuam na região passaram a mobilizar as famílias, principalmente as mulheres, para incrementarem e diversificarem a produção. O Centro Sabiá, organização não governamental que faz parte da Rede de Assistência Técnica e Extensão Rural de Agroecologia (Rede Ater Nordeste), é uma dessas entidades.</p>



<p>Presente em Cumaru desde 2004, o Sabiá trabalhou diretamente com 200 famílias em que as mulheres estavam à frente da propriedade, cultivando, cuidando dos filhos, dos animais de criação e fazendo a gestão da água nas cisternas. Pelo menos 100 dessas mães e esposas se habilitaram a fornecer produtos para a merenda durante os dois anos (2024-2025) em que as famílias receberam assessoria técnica da entidade.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><!-- wp:paragraph -->As atividades do Centro Sabiá em Cumaru neste período foram desenvolvidas junto com a organização de cooperação internacional Pão para o Mundo (Brot für die Welt, em alemão) e financiadas pelo ministério da Agricultura, Alimentação e Identidade Regional da Alemanha.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->O mesmo projeto apoiou ações em seis estados nordestinos &#8211; Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe -, algumas delas já abordadas pela Marco Zero na série de reportagens <em>A reinvenção do Nordeste.</em></p>
        </div>
    </div>



<p>“Meu marido trabalha num condomínio em Caruaru [a 64 quilômetros de distância], eu fico aqui cuidando de tudo nos quatro hectares que divido com minha cunhada. Quando precisa, eu mando Gabriel cortar palma para dar para os animais”, explica Martilene, se referindo ao filho mais velho. O protagonismo gerou relevância no trato com as autoridades municipais. Considerada uma das lideranças das agricultoras, ela ocupa a vice-presidência do Conselho de Desenvolvimento Sustentável de Cumaru.</p>



<p>Cida mora a menos de um quilômetro do sítio de Martilene. De temperamento mais reservado, ela supera a timidez para compartilhar com a amiga o papel de liderança dos agricultores familiares da Lagoa de Aninha e Queimada. Mãe de Diogo Fábio, de 15 anos, e Ana Beatriz, de 10, ela sente orgulho de ser uma das fornecedoras de alimentos para as escolas onde os filhos estudam: “na minha época de estudo era só kitut e sardinha, hoje eles comem inhame, batata e carne que o pessoal daqui produz”.</p>



<p>Ao falar sobre o passado recente, Cida conta que seu temperamento a atrapalhava até para ganhar um dinheiro extra. “Eu faço dudu [o mesmo que sacolé ou dindim, em outras regiões] de frutas da região para vender, mas tinha vergonha de oferecer, de levar para vender. Foi o pessoal do Sabiá que mudou meu jeito de pensar, pois nos eventos que eles realizavam na cidade, pediam para eu fazer mais para que pudessem comprar e servir no lanche”, recorda.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Cida aumentou sua renda com a venda de picolés caseiros e bolos que produz
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ao receber R$ 4.600,00 do projeto tocado pela organização não-governamental, ela comprou um freezer vertical capaz de armazenar e preservar a produção de dudus. “Antes eu apertava no congelador da geladeira, dava para uns 20, no máximo. Agora, posso fazer 200 ou 300 que tenho onde guardar”, explica a agricultora.</p>



<p>Segundo a coordenadora territorial do Sabiá, Juliana Peixoto, a entidade “contribuiu fortemente para que mais gente pudesse ficar sabendo que o edital do PNAE estava aberto e que mais famílias poderiam se inscrever, além disso trabalhamos para uma maior aproximação da secretaria municipal de Agricultura com as comunidades rurais”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O poder do intercâmbio</strong></h2>



<p>Cida, no entanto, garante que não foi só a insistência para vender os picolés caseiros que quebrou a resistência imposta pela timidez. “O melhor do projeto do Sabiá foi poder conhecer o que outras mulheres fazem em outros lugares, poder participar de congressos de Agricultura Familiar em Brasília, em Juazeiro da Bahia”, afirma.</p>



<p>Foi em uma dessas viagens de intercâmbio que elas conheceram na Paraíba o fogão agroecológico, que gera mais calor com menos lenha. “Todas as mulheres daqui querem um igual, pois a gente viu na Paraíba como a vida de Maria Helena mudou depois do fogão”, conta Marcilene, sem saber que Maria Helena foi protagonista de uma das reportagens da Marco Zero em 2024. </p>



<p>Na Paraíba, elas também aprenderam que não precisam esperar pelo poder público ou por projeto de uma ONG para adquirir um fogão agroecológico – ou qualquer outra estrutura para suas propriedades. “Lá, tudo quanto é comunidade tem um fundo rotativo, que é uma espécie de consórcio. Nós vamos começar um com dez mulheres que estão interessadas no fogão e em telas para galinheiro”, revela Cida. O Centro Sabiá informou que irá ajudar com recursos para os dois primeiros fogões.</p>



<p>Para conhecer a história de Maria Helena e o fundo rotativo, é só clicar no link abaixo: </p>





<h3 class="wp-block-heading">Infraestrutura: o gargalo</h3>



<p>Sexta-feira sim, sexta-feira não, uma picape da prefeitura vai às comunidades de Lagoa de Aninha e Quebradas para levar as agricultoras e dezenas de engradados cheias de hortaliças, frutas, mel, bolos, carne de bode, ovos e tubérculos como inhame e macaxeira até a lateral da igreja matriz, no centro de Cumaru. Quando as mulheres chegam ao raiar do dia, as barracas já estão lá, montadas pela equipe da prefeitura, como um “puxadinho” da feira livre tradicional que acontece no largo formado pelas avenidas Pailu e Manoel Gonçalves de Lima.</p>



<p>A agroecóloga Íris Maria da Silva sabe como é importante a participação na feira da agricultura familiar. Assessora técnica do Centro Sabiá, ela passou os dois últimos anos acompanhando o cotidiano das agricultoras do município e via a necessidade de um espaço para comercializar aquilo que era produzido em suas terras. Afinal, as vendas para o PNAE não acontecem todo dia. “Já houve uma feira desse tipo no passado, mas só há pouco tempo foi possível reativá-la com ajuda da gestão municipal”, explica.</p>



<p>Viabilizar a feira é uma das maneiras encontradas pela prefeitura para compensar a falta de infraestrutura de um pequeno município nordestino.</p>



<p>Rogério Jerônimo, o secretário de agricultura, é quem explica: “a feira é uma conquista recente, mas é necessário apoiar o agricultor familiar também nas etapas anteriores. Na época de arar a terra, disponibilizamos 10 tratores que vão de sítio em sítio até fazer a aração completa. Quando chega a época de fazer a forragem, os agricultores têm acesso às quatro ensiladeiras da prefeitura”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-secretario.jpg" alt="Rogério Jerônimo está sentado em um sofá marrom acolchoado, em uma sala com paredes brancas e uma pequena janela com persianas verticais. Ele veste uma camisa polo azul-marinho com detalhes vermelhos e brancos na gola e nas mangas. Na camisa, há um logotipo com quatro quadrados coloridos e a palavra “CUMARU”. Rogério parece estar conversando ou sendo entrevistado, gesticulando com as mãos enquanto fala" class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Prioridade é cadastrar agricultores para garantir acesso a programas federais, afirma Rogério
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Cumaru não é um município rico. Longe disso.</p>



<p>De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita o coloca em 123º lugar entre os 184 municípios pernambucanos. Já o seu IDH de 0,572 o classifica como de “baixo desenvolvimento humano”. Para efeitos de comparação, a média do estado é 0,673. Em um país com 5.570 municípios, Cumaru está na 4.802ª posição no <a href="http://www.atlasbrasil.org.br/ranking">ranking nacional de desenvolvimento humano</a>.</p>



<p>Segundo Íris Silva, com mais estrutura seria possível absorver ainda mais a produção dos agricultores locais no PNAE. Uma situação vivida por Maria Aparecida Silva ilustra bem isso. No segundo semestre de 2025, Cida vendeu 100 frangos para a merenda escolar, mas ainda não recebeu o dinheiro da venda. E por que isso tem a ver com a infraestrutura precária?</p>



<p>“Cumaru não tem abatedouro municipal de aves, então precisa fazer o abate em Caruaru, passando a depender da burocracia do outro município para fazer os pagamentos de acordo com a legislação do PNAE”, explica a agroecóloga do Centro Sabiá.</p>



<p>O leite e os ovos oferecidos aos alunos nas escolas cumaruenses não são produzidos nos sítios de lá. Mais uma vez, a explicação está na infraestrutura. “Aqui ainda não tem o SIM, o Selo de Inspeção Municipal”, resume Íris Silva. O SIM é uma exigência do PNAE.</p>



<p>O secretário Rogério Jerônimo garante, que, sozinho, o município não resolverá essas questões: “o Brasil precisa de mais políticas de incentivo e fomento com olhar para a agricultura familiar”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Água da transposição está perto</span>

		<p>Ao menos para solucionar o histórico problema de falta de água na área urbana, há, pelo menos, uma perspectiva, pois a água da transposição do rio São Francisco está para chegar a Riacho das Almas, a 29 quilômetros de distância. O próximo município seria Cumaru.</p>
<p>A área rural conta com 1.181 cisternas de 16 mil litros para o consumo doméstico, e de 322 cisternas com capacidade de armazenar 52 mil litros de água destinadas à produção. A maioria dessas cisternas foi construída pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), rede da qual o Centro Sabiá também integra.</p>
	</div>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta reportagem foi produzida em parceria com a <a href="https://redeaterne.org.br/">Rede Ater Nordeste</a>.</p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/articulacao-entre-ong-e-prefeitura-eliminou-ultraprocessados-da-merenda-escolar-em-cumaru/">Articulação entre ONG e prefeitura eliminou ultraprocessados da merenda escolar em Cumaru</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Movimentos sociais vencem lobby empresarial e Lula inclui redução de agrotóxicos em novo plano de agroecologia</title>
		<link>https://marcozero.org/movimentos-sociais-vencem-industrias-e-lula-inclui-reducao-de-agrotoxicos-em-novo-plano-de-agroecologia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Oct 2024 20:22:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos orgânicos]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos saudáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Mundial da Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[governo Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O convite para o lançamento dos planos nacionais de Abastecimento Alimentar e de Agroecologia e Produção Orgânica, no Palácio do Planalto, só começou a circular na manhã de segunda-feira, 14 de outubro, mas as organizações sociais que trabalham com esses temas já previam que no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, o governo Lula [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O convite para o lançamento dos planos nacionais de Abastecimento Alimentar e de Agroecologia e Produção Orgânica, no Palácio do Planalto, só começou a circular na manhã de segunda-feira, 14 de outubro, mas as organizações sociais que trabalham com esses temas já previam que no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, o governo Lula apresentaria os dois documentos ao público. Até o último momento, no entanto, os ativistas não arredaram pé da inclusão do programa de redução de agrotóxicos em um dos planos, o de Agroecologia, o que acabou acontecendo.</p>



<p>Por essa razão, representantes das organizações e movimentos sociais dizem que há motivos para comemorar, pois os dois planos são considerados &#8220;conquistas da sociedade&#8221;. O Plano de Abastecimento será o primeiro do tipo na história do país.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="853" height="1280" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula-Petersen.jpg" alt="" class="wp-image-66721 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O agrônomo e doutor em Estudos Ambientais Paulo Petersen, coordenador-executivo da ong AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia e integrante do núcleo executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO) afirma que é preciso celebrar. &#8220;O alimento não pode ser tratado como uma mercadoria como outra qualquer. Se a alimentação for regulada apenas pelo mercado, parcelas importantes da sociedade seguirão passando fome ou só terão acesso aos produtos ultraprocessados vendidos nas grandes redes de supermercados. Permanecerão sem acesso a alimentos saudáveis e adequados”, afirma.</p>
</div></div>



<p>No Mato Grosso, a conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Cidinha Moura, os dois planos são consequência de 20 anos de discussão sobre a necessidade de uma política de segurança alimentar. &#8220;É mais do que uma vitória&#8221;, resume a conselheira, que também é <a href="https://fase.org.br/pt/noticias/volta-do-consea-cidinha-moura-coordenadora-da-fase-mt-e-uma-das-conselheiras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">coordenadora da ong Fase</a> no mesmo estado do ministro Fávaro.</p>



<p>&#8220;Para nós do movimento agroecológico os dois planos juntos são fundamentais para fortalecer as iniciativas em agroecologia no Brasil, pois, além de políticas de produção de alimentos, precisamos de políticas capazes de construir mercados para a agricultura familiar e para agricultura agroecológica&#8221;, explicou Cidinha Moura. </p>



<p>Petersen também participou das discussões e oficinas populares que subsidiaram o governo na elaboração dos planos. Para ele, “o Estado precisa intervir no mercado ao estimular a produção diversificada e saudável, garantir compras institucionais, preços mínimos, estruturas descentralizadas de estocagem de alimentos, e outras medidas necessárias para que cumpra sua função regulatória. Esses planos criam essaperspectiva”.</p>



<p>Outro desdobramento dos planos será, na visão do coordenador da AS-PTA, a possibilidade de criação de políticas de produção local para fomentar sistemas de abastecimento territoriais, ou seja, onde os mercados consumidores estejam próximos às famílias produtoras. &#8220;Mais feiras livres, menos atacarejos&#8221;, resume o agrônomo. </p>



<h2 class="wp-block-heading">A força do lobby do agro</h2>



<p>Paulo Petersen conta que o lançamento do Plano Nacional de Agroecologia já deveria ter acontecido antes, mas foi adiado quatro vezes, por pressão do Ministério da Agricultura, que não aceitava a menção à redução dos agrotóxicos. O nome do ministro Fávaro, aliás, não aparece no convite oficial (abaixo), assinado pelos ministros Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário; Wellington Dias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; e Márcio Macedo, secretário-geral da Presidência da República.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula.jpg" alt="Convite com o título Alimento saudável no prato, para lançamento dos plano nacional de Abastecimento Alimentar e do Plano nacional de agroecologia e produção orgânica, que vai acontecer no dia 16 de outubro de 2024, ás 11h, no Palácio do Planalto." class="" loading="lazy" width="475">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Quando, em meados de setembro, o presidente Lula se manifestou contra o grande consumo de agrotóxicos no Brasil, os defensores da agroecologia se animaram, entendendo como um sinal que o plano de agroecologia e produção orgânica finalmente seria lançado, incoporando o programa de redução do uso de venenos na agricultura. O plano saiu com o programa, mas há o risco do capítulo referente à redução dos agrotóxicos virar letra morta, afinal há pelo menos 10 anos o Ministério da Agricultura vem boicotando o programa de redução de agrotóxicos, como informou em agosto o site <a href="https://ojoioeotrigo.com.br/2024/08/ministerio-da-agricultura-boicota-programa-de-reducao-de-agrotoxicos-ha-dez-anos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O joio e o trigo</a>.</p>



<p>O coordenador da AS-PTA acredita que é uma questão chave é entender que a defesa do uso de agrotóxicos interessa mais às indústrias químicas do que os agricultores, mesmo os grandes fazendeiros. &#8220;O programa de redução de agrotóxicos não é uma proposta radical, que veta os venenos de uma vez por todas, nada disso. Seria um programa que contribuiria de imediato com o agronegócio que poderia produzir com menos contaminantes e a preços mais baixos ao utilizar inovações de base agroecológica já disponíveis, mas que estão bloqueadas pela pressão das indústrias de agrotóxicos para que elas continuemlucrando”explica. </p>



<p>O problema, segundo ele, é que são as indústrias que financiam as campanhas eleitorais das bancadas parlamentares defensoras do veneno.</p>



<p>Cidinha Moura sabe de perto como isso funciona. &#8220;Nós dos movimentos aqui no Mato Grosso, conhecemos bem de perto a estratégia do agronegócio. O ministro Fávaro sempre foi de receber em seu gabinete as indústrias de agrotóxicos e, em todos os momentos ele faz a defesa dessas empresas com veemência mesmo. Por isso, nós imaginávamos que a luta seria árdua, mas que não seria tanto como foi&#8221;, desabafa a conselheira do Consea.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Dois anos para planos saírem do papel</h3>



<p>De acordo com Islândia Bezerra da Costa, diretora de Apoio à Aquisição e à Comercialização da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, apesar do plano de abastecimento alimentar não citar os agrotóxicos, deixa implícito a intenção de reduzir seu uso quando fala &#8220;em sistemas alimentares e sustentáveis e em transição agroecológica&#8221;. As duas coisas excluiriam os agrotóxicos.</p>



<p>A diretora assegura que o Ministério de Agricultura e Pecuária, mais conhecido pela sigla Mapa, terá papel importante na execução do plano. &#8220;Estão previstas ações específicas para o Mapa, especialmente voltadas para o público da agricultura familiar, como a inclusão produtiva das normas sanitárias [estender as ações da Vigilância Sanitária à agricultura familiar]. O Mapa se comprometeu com essa ação e isso é muito simbólico, afinal historicamente o Mapa opera é direcionado para grande agricultura&#8221;, explicou.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:40% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="1600" height="758" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula-Islandia.jpeg" alt="" class="wp-image-66716 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Islândia Bezerra explica que o plano não desconsidera a importância do agronegócio e das corporações industriais de alimentos: &#8220;sabemos que não dá para delegar e terceirizar a nossa soberania alimentar para esses dois grandes setores que, economicamente e politicamente, são muito fortes&#8221;, reconhece. </p>
</div></div>



<p>Ela também afirma que, apesar de abrir a possibilidade de parcerias com redes varejistas de supermercados, nenhum diálogo foi aberto com grandes corporações como Nestlé ou Unilever. &#8220;Acho que isso é não é não é nenhum segredo, mas é uma escolha política&#8221;, garante a diretora, que já foi presidente da Associação Brasileira de Agroecologia(ABA).</p>



<p>A partir do momento em que os planos forem lançados nesta quarta-feira, o desafio do governo Lula será tirá-los do papel até 2026. De acordo com Islândia Bezerra, a equipe do ministério está &#8220;empreendendo assim todos os esforços necessários pra gente colocar as ações de estruturação do abastecimento. Tratando de ações concretas, no lançamento, a gente já vai ter anúncios de entrega de novas centrais populares de abastecimento alimentar, a gente tem uma expectativa de que isso repercuta nos territórios para a população entender a importância da agricultura familiar&#8221;.</p>



<p>A conselheira do Consea e coordenadora da Fase, Cidinha Moura, acredita que há uma condição para transformar o plano em realidade: vontade política. &#8220;Considero que, em dois anos seja possível avançar nas ações pensadas para o Plano Nacional de agroecologia para o Plano Nacional de Abastecimento, desde que haja uma vontade política mesmo do governo Lula&#8221;, explica.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Participação popular e dos ministérios</h3>



<p>O tema da segurança alimentar e combate à fome voltou a ganhar força na pandemia, quando foi constatado que 33 milhões estavam passando fome no Brasil. A repercussão desse número gerou uma mobilização social que levou o presidente Lula a, em dezembro de 2023, durante a 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, assinar o decreto de <a href="https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202312/presidente-assina-decretos-que-reforcam-compromisso-com-a-seguranca-alimentar#:~:text=H%C3%A1%20ainda%20um%20decreto%20para%20tratar%20da%20Pol%C3%ADtica,e%20o%20abastecimento%20descentralizado%20e%20popular%20de%20alimentos.">criação da política nacional de abastecimento alimentar</a>, que previa a criação dos planos correspondentes.</p>



<p>De acordo com Islândia Bezerra, cuja diretoria foi uma das diretamente envolvidas no tema, foi necessária &#8220;toda uma costura&#8221; na Esplanada dos Ministérios, incluindo autarquias, BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Finep (agência estatal financiadora de inovação e pesquisas), Apex (agência de fomento à exportação), entre outras. &#8220;Elas entraram no conjunto de consultas do que poderia importar para uma política nacional de abastecimento alimentar&#8221;, explica.</p>



<p>Além da discussão dentro do perímetro governamental, houve consultas populares com participaçao de comunidades indígenas, quilombolas, associações e sindicatos de trabalhadores rurais, movimento de pequenos agricultores, redes e coletivos da agroecologia. No final, isso resultou na identificação de 28 iniciativas se desdobrando em 96 ações estratégicas. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula-Favaro-Tomaz-Silva.webp">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula-Favaro-Tomaz-Silva.webp" alt="Foto de Carlos Fávaro, homem branco, de meia idade, com cabelos lisos escuros penteados para trás, usando paletó cinza, camisa branca e gravata cinza com grafismos brancos. Ele está em uma espécie de palco, tendo como interlocutor à esquerda da imagem, outro homem mais jovem, de cabelos escuros, mas que por estar de perfil não é possível ver completamente seu rosto. Os dois estão a frente de um grande painel onde é possível ler em inglês H.E. Carlos Fávaro Minister of Agriculture, Brazil." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Fávaro (á dir.) representa interesses do agronegócio, mas Mapa desempenhará papel no plano
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Nas hortas comunitárias, mulheres produzem alimentos saudáveis em áreas urbanas do Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/nas-hortas-comunitarias-mulheres-produzem-alimentos-saudaveis-em-areas-urbanas-do-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jul 2023 21:30:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos orgânicos]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos saudáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A parábola do joio e do trigo presente na bíblia carrega uma lição sobre a paciência e a justiça divina. Entender e respeitar o tempo da colheita é sinônimo de colher os melhores frutos, aqueles que vão alimentar a comunidade. É preciso cuidado, atenção, sabedoria e serenidade para ter boas recompensas. Portanto, o resultado depende [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Par%C3%A1bola_do_Trigo_e_do_Joio" target="_blank" rel="noreferrer noopener">parábola do joio e do trigo</a> presente na bíblia carrega uma lição sobre a paciência e a justiça divina. Entender e respeitar o tempo da colheita é sinônimo de colher os melhores frutos, aqueles que vão alimentar a comunidade. É preciso cuidado, atenção, sabedoria e serenidade para ter boas recompensas. Portanto, o resultado depende da dedicação daqueles que cultivam. Dedicação que pude conhecer no olhar e nas palavras das agricultoras que transformaram terrenos baldios da Região Metropolitana do Recife em hortas comunitárias produtivas.</p>



<p>As hortas resultam de um projeto realizado pela Centro Sabiá, em parceria com outras duas organizações não governamentais, a Casa Mulher do Nordeste e a ONG Fase, e possibilitou que mulheres produzissem seus próprios alimentos em terrenos antes inutilizados em 15 comunidades da RMR.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/projeto-cria-hortas-comunitarias-e-quintais-produtivos-em-terrenos-baldios-do-grande-recife/" class="titulo">Projeto cria hortas comunitárias e quintais produtivos em terrenos baldios do Grande Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Horta Dandara</strong></h2>



<p>No lugar em que antes funcionava um matadouro, no limite entre Recife e Olinda, o Nascedouro de Peixinhos é um espaço de encontro, mas ganhou um novo aspecto com a criação da Horta Dandara. Situada bem ao lado Biblioteca Multicultural Nascedouro, a plantação mudou a paisagem, os ares e o astral do espaço, que agora reúne mulheres em uma atividade contínua de cuidados com a terra e diálogos capazes de promover uma discreta, mas significativa revolução.</p>



<p>O dia começou com chuva naquela terça-feira e, quando chegamos na Horta Dandara, por volta das 10h, o cheiro de terra molhada estava no ar. As mulheres já estavam regando, podando ou admirando as mudas e árvore plantadas por elas. Majestosas, os pés de banana, berinjela e mamão chamaram logo a atenção. Mas havia também belas flores em um canteiro que mais adiante descobri que era o xodó de Maria do Carmo. Umas das mais bonitas eram as que brotavam do pé de Urucum, fruto vermelho que possui uma pigmentação utilizada pelos indígenas para fazer pinturas corporais. Maria José da Silva, conhecida como Dona Nalva, fez questão de mostrar a utilidade do fruto ao passá-lo em seus lábios: “Você passa assim, pode usar como maquiagem, pode até comprar aqueles batons de cacau para misturar, fica bem bonito”, disse a agricultora enquanto manuseava o urucum.</p>



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	                                        <p class="m-0">Dona Nalva, na horta Dandara. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo
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<p>O atributo de agricultora chegou recentemente e é motivo de muito orgulho e alegria para Dona Nalva, que já sobreviveu a dois derrames e agora atribui boa parte da melhora na saúde ao trabalho na horta: “Isso aqui é uma terapia para mim, antes eu ficava em casa triste, agora a gente vem pra cá, planta, rega, colhe, aprendemos a cuidar da terra. É bom demais pra saúde da gente”. A vida das plantas é sinônimo de vida para as agricultoras que veem cada semente, cada muda e cada pé de árvore como filhos. “Eles são bebezinhos, são todos bebezinhos que se a gente não cuidar morre”, afirma Dona Nalva ao se referir ao pé de cacau que está crescendo.</p>



<p>O local, que antes era um terreno abandonado e cheio de entulhos, agora é uma área verde com produção de hortaliças, legumes e frutas. Além de funcionar como área de convivência onde as mulheres podem falar, ouvir e se sentir acolhidas ao compartilhar suas experiências de vida, como defendeu a agricultora Maria do Carmo Gomes: “Me falaram da horta e me chamaram pra participar em um momento em que eu tava sofrendo muito, meu marido tava doente, eu me sentia muito sozinha, e aqui a gente tá sempre juntas, é um momento em que eu esqueço um pouco dos problemas”. Cuidar do canteiro das rosas é a atividade preferida de Maria do Carmo e quando ela fala em estar sempre juntas é notável que ela se refere não só as suas companheiras agricultoras.</p>



<p>O processo de comunicação que surgiu junto com a formação da horta Dandara também resultou em uma articulação e incidência política dessas mulheres e, atualmente, as agricultoras possuem uma cadeira no Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Olinda. O Nascedouro de Peixinhos é de posse da Prefeitura do Recife, porém o público atendido pelo equipamento social é majoritariamente de Olinda, o que dificulta as ações de manutenção e funcionamento do prédio.</p>



<p>Durante a visita à horta, compartilhei com as agricultoras a minha dificuldade em cultivar plantas e mudas em meu apartamento, falta dedicação e paciência, coisas que elas têm de sobra e, claro, fizeram questão de me ensinar. Saí de lá com mudas de três espécies diferentes nas mãos e muitas dicas de como mantê-las vivas. Ainda não arranjei um vaso tão bonito quanto elas merecem para colocá-las (na verdade, me falta tempo para encontrar), mas em uma garrafa pet cortada elas seguem sobrevivendo e dando vida ao meu terraço. Tento percebê-las como bebezinhos assim como ensinou Dona Nalva.</p>



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	                                        <p class="m-0">Horta Dandara, localizada no Nascedouro de Peixinhos. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo 
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Horta Espaço Verde</strong></h2>



<p>Há pouco mais de 20 quilômetros de distância da Horta Dandara, em Jaboatão dos Guararapes, está a Horta Espaço Verde, no Centro Social Urbano João de Deus. Em um espaço menor e em terreno menos agricultável, devido ao solo argiloso, a horta prospera e também dá frutos para as mulheres da comunidade que integram o projeto.</p>



<p>Logo de início é possível notar que apesar das adversidades, as hortas comunitárias têm algo em comum: a dedicação das mulheres, em sua maioria negras e com mais de 40 anos. Rostos familiares, parecidos que carregam satisfação em seus olhares ao falar das plantações. </p>



<p>A coletividade também é fator imprescindível para o êxito na colheita. Durante a nossa visita, as agricultoras compartilharam dicas de como diminuir os fungos e pragas que assolavam a plantação, recentemente, a horta passou por uma infestação de caramujos e ainda está em processo de recuperação. Sinônimo de que os cuidados estão surtindo efeito, as agricultoras mostraram orgulhosas o pé de tomate que já estava brotando e fizeram questão de tirar foto perto da planta.</p>



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	                                        <p class="m-0">Horta Espaço Verde, no Centro Social Urbano João de Deus, Jaboatão dos Guararapes. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo
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<p>Assim como na Horta Dandara, a incidência política é ponto forte da Espaço Verde. Neide Silveira, articuladora do projeto de formação da horta, junto com o Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, conta das dificuldades para a criação do espaço agricultável: “aqui era um terreno abandonado, servia até para prática de crimes, e há muito tempo a gente queria dar outra função para o local, criar uma horta, mas faltava material e também alguém para nos ensinar a cultivar”.</p>



<p>Foi durante uma reunião do Fórum de Mulheres de Pernambuco que Neide, líder comunitária reconhecida em Jaboatão e protagonista nas lutas em torno do Monte dos Guararapes, foi indicada para compor o projeto de criação e manutenção de hortas comunitárias do Centro Sabiá. Em pouco tempo, ela conseguiu restaurar e produzir no terreno do Centro Social. Agora, as agricultoras que integram a horta querem ampliar o projeto e levá-lo até as escolhas do município de Jaboatão dos Guararapes. “Nossas escolas possuem muitas áreas onde podemos criar hortas com produção que podem ser usadas na alimentação dos próprios alunos, então nós queremos nos reunir com representantes da prefeitura para apresentar uma proposta de criação de hortas”, disse Patrícia Silveira.</p>



<p>De acordo com a assessora técnica do Centro Sabiá, Simone Arimatéia, os espaços agricultáveis gerados pelo projeto das hortas comunitárias ainda não possuem uma produção que possa ser comercializada, mas a articulação e a incidência política das mulheres agricultoras pode gerar projetos e políticas públicas relevantes para os municípios. “A criação de hortas em lugares onde não se pensou que era possível produzir comida com qualidade é uma grande vitória não só para as agricultoras, mas para toda a comunidade onde elas atuam”, disse Arimatéia.</p>



<p>O protagonismo das mulheres não resulta na exclusão de homens na produção das hortas, muitas delas levam seus filhos e netos para contribuir na agricultura, reforçando assim o senso coletivo, afinal, o mais importante do projeto é o compartilhamento de experiências e saberes. À prova disso está Manoel Joaquim de Andrade, conhecido na horta como seu Manuel. Integrante da Horta Espaço Verde, o agricultor que possui um sítio no município de Moreno, usa de seu conhecimento para ajudar na plantação urbana. “Eu gosto demais daqui, passo uns dias lá no sítio, depois venho pra cá, ajudo o pessoal aqui”, disse Seu Manuel que divide seus dias entre Moreno e Jaboatão desde que tomou conhecimento do projeto graças à esposa, que frequenta o Centro Social Urbano João de Deus</p>



<p>Apaixonado pela agricultura, seu Manoel mostrou cada planta da horta com cuidado e quando me interessei pela semelhança da aparência da Salsinha e do Coentro, ele fez questão de me mostrar como o cheiro é determinante em caracterizá-los. E depois, enquanto tomávamos um café, ele ficou me fitando, como quem ainda tinha algo a dizer. Ao me despedir, ele revelou o que tanto queria: precisava esclarecer a diferença entre o coentro que chegou até a horta já crescido, em muda, e o coentro plantado. Me explicou direitinho como seria o canteiro do coentro que ele mesmo iria cultivar.</p>



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	                                        <p class="m-0">Seu Manuel é um dos integrantes da Horta Espaço Verde. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Horta Resistir é Preciso</strong></h2>



<p>Localizada no bairro de Nova Descoberta, na zona norte do Recife, a Horta Resistir é Preciso recebeu esse nome por causa dos desafios enfrentados para se manter em atividade. O primeiro desafio é o local em que foi construída, um terreno de “chão duro”, de pedras, onde seria impossível imaginar o crescimento de plantas, mas graças ao sonho das mulheres em revitalizar o espaço, a horta nasceu. Em seguida, vieram as fortes chuvas que comprometeram boa parte da parte da plantação. E por último, mas não menos importante, o desafio de manter as mulheres em atividade na horta, pois, como explica a agricultora Adriana Mendes: “muitas mulheres precisam trabalhar, cuidar da casa, dos filhos, e acabam sem tempo de continuar na horta”. O grupo que começou com cerca de 20 mulheres hoje só restaram sete agricultoras.</p>



<p>Porém, aquelas que permaneceram, levam o trabalho a sério e não apenas se dedicam para manter a horta como querem ampliar a capacidade agricultável do território. “Surpreendentemente essa foi a horta do projeto que mais colheu. Foi um volume muito grande de hortaliças, quiabo, couve, berinjela”, contou Simone Arimatéia, que auxilia as mulheres na plantação.</p>



<p>O empenho tem como o principal objetivo a colheita que serve de alimento para as próprias mulheres, mas a motivação maior segue sendo o efeito terapêutico e educativo presente no processo da agricultura. “Aqui a gente aprende muita coisa, aprende a como regar, aprende sobre compostagem, sobre as sementes, tudo isso é muito importante, além de ser uma terapia pra gente. A gente chega aqui e esquece dos problemas”, declarou Dianira Lima.</p>



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	                                        <p class="m-0">Adriana, Silvania e Dianira integram a Horta Resistir é Preciso. Crédito: Beatriz Veloso / MZ Conteúdo
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                                    </figcaption>
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<p>“A gente poder comer uma fruta, um legume, uma folha que não tem agrotóxicos, plantadas e colhidas por nós mesmo é muito importante também”, acrescentou Silvania Borges. A agricultora me pediu para provar os tomates cerejas que elas haviam acabado de colher, para que eu sentisse a diferença no sabor e a sensação que eu tive é que o vegetal já estava temperado de tão suculento e saboroso. Durante o mês de julho, período chuvoso na Região Metropolitana do Recife, não é um bom momento para a colheita e as agricultoras lamentaram por eu não poder levar frutos para casa, prometi voltar para buscá-los no momento oportuno.</p>



<p>A impressão que tive durante as visitas é que todas as agricultoras fizeram questão que eu experimentasse os prazeres que elas sentem nas hortas comunitárias e todas me entregaram algo valioso: histórias contadas, planos para o futuro, dicas de como plantar em casa, mudas de plantas, um pouco de salsinha e coentro, tomate cereja, um convite para voltar.</p>



<p>Achei encantador o fato do meu encontro com as agricultoras terem ocorrido justamente no momento em que eu pensava em sobre o que escrever para celebrar o Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, porque o que eu procurava estava ali, bem colocado. A iniciativa do Centro Sabiá, que promove a criação das hortas comunitárias em áreas urbanas, é composta por uma maioria de mulheres, que representam mais de 80% dos beneficiários do projeto, sendo 36% de mulheres negras.</p>



<p>Afinal, quem esteve sempre à frente na luta para garantir alimento e saúde para as famílias senão as mulheres negras? Quem tem uma história marcada pela relação com a terra e seus frutos e se preocupa diariamente em construir um futuro mais justo em termos socioeconômicos e ambientais? São justamente aquelas que estão na base da pirâmide e que conseguem mudar uma sociedade inteira com um aparentemente simples mas complexo movimento.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mulheres negras são 36% das beneficiárias do projeto de criação das hortas comunitárias. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo
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<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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<p>O post <a href="https://marcozero.org/nas-hortas-comunitarias-mulheres-produzem-alimentos-saudaveis-em-areas-urbanas-do-grande-recife/">Nas hortas comunitárias, mulheres produzem alimentos saudáveis em áreas urbanas do Grande Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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