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	<title>Arquivos Anderson Gomes - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Anderson Gomes - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Ato no centro do Recife lembra legado político de Marielle Franco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2020 22:43:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Anderson Gomes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem mandou matar Marielle e Anderson? A pergunta que continua sem resposta, há dois anos, foi lembrada hoje nas ruas do centro do Recife. Por volta das 16h30, dezenas de pessoas se concentraram em frente ao Tribunal de Justiça de Pernambuco e de lá seguiram em caminhada até a Praça da Independência, onde algumas delas [&#8230;]</p>
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<p>  </p>



<p>Quem mandou matar Marielle e Anderson? A pergunta que continua sem resposta, há dois anos, foi lembrada hoje nas ruas do centro do Recife. </p>



<p>Por volta das 16h30, dezenas de pessoas se concentraram em frente ao Tribunal de Justiça de Pernambuco e de lá seguiram em caminhada até a Praça da Independência, onde algumas delas fizeram falas em memória à vereadora carioca assassinada em 14 de março de 2018. </p>



<p>Mulheres do PSOL e de movimentos feministas foram maioria a se pronunciar no microfone, mas o que havia em comum entre todos os presentes é ainda a sensação de luto e a força incansável que leva essas pessoas a reivindicar por respostas e justiça.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Débora Britto/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Da periferia do Recife, a cineasta Yane Mendes espera que a luta e a morte de Marielle sirvam para proteger outras mulheres que, como ela, não nasceram com privilégios. O exercício de dialogar com as pessoas que passavam pelo centro da cidade no início da noite, já cansadas, também marcou sua fala. &#8220;A gente tem por obrigação não falar por, a gente tem que falar com as pessoas que são como Marielle, faveladas&#8221;, disse.</p>



<p>A manifestação reforça que a luta por justiça para Marielle e Anderson deve abranger todas as pessoas que carregam e sofrem as consequências da desigualdade brasileira, especialmente as mulheres negras.</p>


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		<title>Após dois anos sem resposta, Psol e família de Marielle realizam atos por justiça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2020 17:51:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Anderson Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 14 de março de 2020, serão dois anos ou 731 dias transcorridos desde o assassinato brutal da vereadora carioca Marielle Franco e de Anderson Gomes, seu motorista. São dois anos em que as perguntas feitas desde o dia do crime seguem sem respostas. Quem mandou matar? E por que? São dois questionamentos que, se [&#8230;]</p>
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<p>Em 14 de março de 2020, serão dois anos ou 731 dias transcorridos desde o assassinato brutal da vereadora carioca Marielle Franco e de Anderson Gomes, seu motorista. São dois anos em que as perguntas feitas desde o dia do crime seguem sem respostas. Quem mandou matar? E por que? São dois questionamentos que, se respondidos, podem abalar a estrutura da frágil democracia brasileira.&nbsp;<br></p>



<p>Ao longo desses dois anos, a incessante luta por justiça e pela memória de Marielle se tornou foco da ação da família da vereadora e também de movimentos feministas, sociais e do Psol, partido ao qual ela era filiada.&nbsp;<br></p>



<p>Grandes eventos adquirem mais importância com o tempo e deixam marcas que não podem ser esquecidas. Onde você estava quando recebeu a notícia e o que tem feito, até hoje, para que não caia no esquecimento?&nbsp;<br></p>



<p>Por todo o país, o mês e o dia 14 de março terá manifestações e atos que pedem por justiça e reforçam a trajetória de luta e defesa de direitos humanos que era uma das marcas de Marielle. O Instituto Marielle Franco, criado pela família da vereadora e presidido por Aniele Franco, irmã, realiza, no Rio de Janeiro, uma dia de manifestações que reforçam o objetivo da organização: buscar justiça, defender a memória, multiplicar o legado e regar sementes de Marielle Franco.&nbsp;<br></p>



<p>No Recife, na sexta-feira (13), ato organizado pelo setorial de Mulheres do Psol sairá do Tribunal de Justiça de Pernambuco. O evento tem início marcado para as 16h, com apresentação de um manifesto. Com velas acesas, a caminhada segue em direção à antiga Ocupação Marielle Franco, na Praça da Independência, bairro de Santo Antônio, onde acontecerá um ato ecumênico e intervenção artístico-política para chamar atenção da sociedade.&nbsp;A organização estendeu o convite à sociedade e também para movimentos feministas e sociais, organizações de defesa de direitos humanos e partidos políticos.&nbsp;<br></p>



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<p>Dani Portela, do setorial de Mulheres do Psol Pernambuco e ex-candidata a governadora, explica que a ideia da manifestação é denunciar a falta de resposta e exigir justiça. &#8220;Passados dois anos, apesar de ter duas pessoas presas, não se chegou à autoria. Por isso escolhemos que o ato saísse do Palácio da Justiça, porque para a gente responder a pergunta &#8216;Quem mandou matar Marielle?&#8217; é uma questão de justiça e fundamental para o rumo que a democracia brasileira está tomando&#8221;, diz.&nbsp;</p>



<p>Segundo ela, a democracia brasileira sempre esteve em vertigem &#8211; em uma alusão ao documentário de Petra Costa -, fato que era ignorado ou negligenciado por muitos setores da política. Hoje, para a psolista, as mobilizações por justiça por Marielle e Anderson tomaram a proporção de definir o rumo do que resta das instituições democráticas. &#8220;Para alguns grupos, como as pessoas negras, pobres, faveladas&#8230; essa democracia nunca havia chegado. Hoje, conseguir responder essa pergunta é garantir as nossas instituições democráticas. Estamos no país que mais mata defensores e defensoras de direitos humanos no mundo&#8221;, lembra.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Investigações </strong></h2>



<p>Apesar de ter identificado e prendido duas pessoas acusadas de participarem do assassinato, o caso Marielle e Anderson envolve diversas linhas de investigação. Isso porque o envolvimento de milícias do Rio de Janeiro avança lentamente. No último dia 10 de março, o Tribunal de Justiça do Rio determinou que os acusados Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz vão a júri popular, mas sem data definida. Ainda há margem para a defesa recorrer. </p>



<p>Mas o andamento jurídico é só uma ponta do problema. &#8220;A gente sabe que dois anos após um assassinato brutal, com várias ligações com a milícia no Rio de Janeiro, e da milícia com grupos políticos, sabemos que há muito interesse em não se revelar os verdadeiros mandantes do assassinato de Marielle&#8221;, argumenta Dani Portela. </p>



<p>O Psol estabeleceu que acompanhar o caso e pedir por justiça é uma prioridade partidária e, sendo assim, também vem acompanhando as investigações do caso, fazendo, inclusive, a defesa de não federalizar as investigações. &#8220;A gente não acredita que a federalização do caso vá garantir isonomia do processo&#8221;, lembrou Dani, justamente devido às conexões não esclarecidas entre as milícias cariocas e a família do atual presidente da República. &#8220;A gente acredita que uma figura como Marielle nesse momento tem uma força muito grande para, inclusive, derrubar esse governo. A partir da força que se gerou a partir das sementes de Marielle&#8221;, completa Dani. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Levante de mulheres negras</strong></h2>



<p>Uma das ações que articulam a memória e a importância de defender pessoas como Marielle foi a instituição do dia 14 de março como <a href="https://uploads.strikinglycdn.com/files/a2f3fe15-58d0-424c-8865-87d26155be1e/1552592697415_PL%20Dia%20Estadual%20das%20Defensoras%20e%20Defensores%20de%20Direitos%20Humanos.pdf">Dia Estadual das Defensoras e Defensores de Direitos Humanos</a>. A proposta de lei é uma iniciativa das Juntas Codeputadas estaduais, aprovada em 2019.<br></p>



<p>O assassinato político que interrompeu prematuramente a vida de Marielle, no entanto, não silenciou a insurgência de mulheres, especialmente de mulheres negras, que se viu após aquele 14 de março. Apesar do agravamento do contexto conservador nas casas legislativas e da eleição de Jair Bolsonaro para a presidência, 2018 foi o ano em que também mais mulheres negras foram eleitas.&nbsp; </p>



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	                                        <p class="m-0">Jô Cavalcanti, das Juntas, no dia da posse como deputada estadual. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Jô Cavalcanti, codeputada estadual das Juntas, é uma dessas mulheres que chegaram ao poder a partir da articulação política e social desencadeada e inspirada em Marielle. A própria candidatura coletiva das Juntas, composta por cinco mulheres diversas, das quais três são negras, uma delas trans, reflete algumas das principais bandeiras de luta que a vereadora carioca levantava.&nbsp;<br></p>



<p>Para a codeputada pernambucana, Marielle se tornou um símbolo de luta por justiça para todas as mulheres, especialmente as negras. &#8220;A continuidade da luta por justiça é no dia a dia, trazendo mais mulheres negras para estarem também disputando isso aqui. Enquanto não existir mais de nós aqui a gente sempre vai ser mais uma. Essa casa, a Alepe, é antiga, tem 184 anos e eu sou a segunda mulher negra a subir e falar na tribuna. Quem está lá e sempre esteve são homens de famílias tradicionais e a gente vem da cara no sol&#8221;, argumenta Jô.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O desafio da segurança</strong><br></h2>



<p>Para Jô, apesar de estar em Pernambuco, estado que não passa pelo acirramento e a violência política como no Rio de Janeiro, o sentimento de medo existe e não deve ser ignorado. Outras parlamentares que, como Marielle Franco, vêm de espaços periféricos e levantam bandeiras para mudar a estrutura desigual da sociedade brasileira, vivem hoje com escolta devido a ameaças.<br></p>



<p>Garantir a segurança das mulheres que entraram na política ainda é terreno nebuloso. Parlamentares precisam pagar do próprio bolso por segurança privada, por exemplo. Para Jô, esse é um debate que os partidos precisam fazer com urgência. &#8220;Uma lição é que a gente tem que estar ocupando esses espaços, mas também ter uma rede de proteção porque aconteceu com Marielle, mas pode acontecer com qualquer uma de nós&#8221;, aponta Jô.<br></p>



<p>Para ela, a violência diária que as mulheres sofrem nas casas legislativas é outra questão que passa imperceptível, mas precisa ser combatida. &#8220;A gente é agredida todos os dias quando somos expulsas de uma comissão, como Robeyoncé foi aqui na Alepe. Quando é falado sobre seu jeito de vestir, seu jeito de falar, é querer constranger você quando está na tribuna falando. Ou não dão atenção ou começam a falar mais alto que você ou então dizem que você está nervosa, como se a gente não fosse ser humano&#8221;, conta Jô.<br></p>



<p>Esse relato lembra, inclusive, o último discurso em tribuna realizado por Marielle. Quando impedida de continuar a falar por outros vereadores, ela ergueu a voz e afirmou que não seria interrompida.&nbsp;Ao lado da luta por justiça, o compromisso com a memória de quem foi e pelo que lutava Marielle é não permitir que mulheres como ela sejam interrompidas novamente.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Leia também</h3>



<h3 class="wp-block-heading"><a href="http://marcozero.org/marielle-resiste-nas-mulheres-negras-que-nao-silenciam/">Marielle resiste nas mulheres negras que não silenciam</a></h3>



<p></p>
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