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	<title>Arquivos arborização urbana - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 08 May 2026 14:26:49 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos arborização urbana - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Uma jornalista em defesa das árvores do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 13:38:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arborização urbana]]></category>
		<category><![CDATA[árvore]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
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<p>Quando a jornalista Letícia Lins se mudou para uma casa antiga no bairro de Apipucos, tudo que ela via da janela da cozinha era de um verde profundo: árvores frondosas da Mata Atlântica no terreno do Seminário São João Paulo, à beira do rio Capibaribe. Hoje, 40 anos depois, muitas árvores se foram e não foram substituídas. A vista emoldurada pela janela é metade verde, metade céu. A vista da frente também mudou: não havia nenhuma planta na frente da residência. Hoje, há palmeiras e um Pau Brasil, tudo plantado por ela mesma. Apaixonada por árvores desde a tenra infância, há pelo menos dez anos Letícia Lins começou a dar status de notícia à erradicação de árvores no Recife – ou em qualquer outra cidade que avisem a ela. Nesta semana, o blog <a href="https://oxerecife.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Oxe Recife</a> chegou ao número de 1,5 mil arboricídios registrados somente no Recife.</p>



<p>“Meu critério não é científico, eu não sou bióloga, eu não sou botânica, eu não tenho financiamento para fazer esse trabalho. O que é que acontece? Eu caminho muito pela cidade, principalmente pela zona norte, e eu vou anotando as árvores que eu vou vendo derrubadas ou só o toco. É um trabalho de cidadã mesmo: as árvores não falam, alguém tem que falar por elas&#8221;, conta Letícia. O trabalho começou de forma não sistemática em 2017. “Eu fui botando uma árvore que tinha sido cortada, depois outra e mais outra. Aí decidi fazer uma série, &#8216;Parem de derrubar árvores&#8217;. Mas a série não terminava. Não termina. Estou com 526 postagens até agora”, contou a jornalista.</p>



<p>Uma postagem pode ter uma ou mais árvores cortadas. Por exemplo, um post de 2023 dava conta de 40 árvores erradicadas dentro de uma Unidade de Conservação da Natureza, no bairro da Imbiribeira. Com o passar do tempo, Letícia começou a receber ligações e mensagens de pessoas denunciando o corte de árvores em diversos lugares, inclusive fora de Pernambuco. Na mais recente postagem, foi uma denúncia que recebeu de corte na Estrada das Ubaias. Quando chegou lá, já havia outra árvore cortada. &#8220;Essa semana me avisaram de uma árvore na rua Marques de Amorim. Não foi assassinada. Ela caiu. Mas se cai, tem que botar outra no lugar”, avisa.</p>



<p>Já faz algum tempo que Letícia Lins busca informações sobre se Recife está plantando mais árvores do que cortando. &#8220;Em 2013, a prefeitura divulgou que 2.500 foram suprimidas. O mesmo número no ano seguinte. Mas em 2015 pararam de dizer a quantidade. Nesse período, eu já estive na Câmara Municipal, em uma audiência pública, eu já estive num seminário de botânica e arborização urbana e sempre pergunto quantas árvores são derrubadas no município por ano. Ninguém sabe, ninguém responde. Virou uma caixa preta&#8221;, conta Letícia.</p>



<p>Com base no último número oficial (2.500 supressões por ano, em 2013), Letícia estima que o Recife perdeu mais de 32.500 árvores entre 2013 e 2025. Mas, sem dados oficiais da prefeitura, não se sabe o número real. Um dia após nossa entrevista, a prefeitura do Recife respondeu para Letícia que em 2025 foram 1.562 árvores erradicadas, mas não deu os dados dos anos anteriores.</p>



<p>A prefeitura do Recife também não informa quantas árvores foram plantadas nestes últimos dez anos. “E o mais importante, não dizem mais o índice de sobrevivência”, diz Letícia. Esse índice indica quantas plantas sobreviveram após serem plantadas como mudas. “Já teve um tempo que 60% das mudas plantadas morriam. Na avenida Recife, de 100 mudas que eu contei, 40 viraram graveto. E isso é computado como árvore. Não é árvore. Não é muda. É um graveto”, reclama.</p>



<p>O silêncio sobre os cortes contrasta com os números que a prefeitura divulga. O município afirma ter 259.565 árvores, 660 áreas verdes e índice de 60,1 metros quadrados de área verde por habitante — cinco vezes acima do mínimo de 12 metros quadrados recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Letícia não acredita nesses dados. “É muito desigual a distribuição desse verde. Por exemplo, Boa Viagem já é uma ilha de calor&#8221;, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Nem nos parques as árvores estão seguras</h2>



<p>Para uma cidade que figura entre as 16 mais vulneráveis do planeta às mudanças climáticas, nem nos parques urbanos as árvores estão a salvo do arboricídio. No Jardim do Poço, Letícia contou 40 tocos deixados pela prefeitura para fazer a obra. No Parque das Graças, <a href="https://marcozero.org/sucesso-de-publico-parque-das-gracas-tem-menos-mangue-do-que-no-projeto-original/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma reportagem da Marco Zero em 2023 mostrou que foram retiradas 99 árvores</a>, mais de 310 mil metros cúbicos de mangue e também vegetação rasteira. “O Recife é uma cidade que está em emergência climática, mas não tem uma política de arborização urbana&#8221;, queixa-se Letícia.</p>



<p>A jornalista lembra que, para a construção do parque Dona Lindu, na orla da praia de Boa Viagem, foi retirado o último coqueiral à beira-mar do bairro. Agora, ela fala que 41 árvores devem ser cortadas no Dona Lindu – hoje sob concessão privada da empresa Viva Parques – para dar espaço para atividades comerciais no local. A empresa, diz Letícia, se comprometeu a plantar o dobro do que será suprimido, mas não especificou onde. &#8220;O Recife é o único lugar que eu conheço que tira a árvore para plantar quiosque. Num parque&#8221;, alerta ela.</p>



<p>Na luta pelas árvores, uma crítica que Letícia Lins faz é sobre a mudança de responsabilidades pela liberação do corte das árvores. “Quem licencia o corte de árvores no Recife não é mais a Secretaria de Meio Ambiente e sim a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento. Há um conflito de interesses: quem quer cortar uma árvore de grande porte para construir um prédio vai para a secretaria que cuida das construções e não a do meio ambiente, que deveria ter técnicos para avaliar essas licenças”, diz.</p>



<p>Outro ponto que Letícia Lins costuma abordar no blog dela são as podas feitas no Recife pela Neoenergia, que deixa pela cidade um rastro de árvores desequilibradas, vulneráveis a tombamentos e adoecidas. &#8220;A Neoenergia não está preocupada com a saúde da árvore. Ela está preocupada com a saúde do fio e pronto. E é um absurdo a prefeitura permitir isso&#8221;, afirma.</p>



<p>Jornalista premiada, com longa e exitosa carreira em sucursais do Recife de jornais como O Globo e Jornal do Brasil, Letícia Lins encontrou no blog Oxe Recife uma forma de fazer o jornalismo mais conectado ao leitor, o jornalismo local. &#8220;A alma do jornal é a cidade. A espinha dorsal de um jornal tradicionalmente é a cidade, porque você tem a proximidade, você tem o interesse da comunidade. Se baixar um plano econômico, vai mexer no bolso das pessoas? Vai. As pessoas vão ter interesse? Vão. Mas a pessoa quer saber quanto é a passagem do ônibus amanhã. A pessoa quer saber como é que está a situação da cidade em que ela vive. E, se você for observar, os jornais do sul, pelo menos na minha época, dedicavam um grande espaço à cidade. Eu olhava a editoria de Grande Rio dos jornais cariocas e dizia que só queria fazer isso. Agora eu faço”, contou Letícia, que comemora neste ano uma década do blog Oxe Recife. E de uma voz atuante na luta pelas árvores.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/podas-mal-feitas-realizadas-pela-neonergia-podem-provocar-mais-quedas-de-arvores-no-recife/" class="titulo">Podas mal feitas realizadas pela Neonergia podem provocar mais quedas de árvores no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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		<title>Quem tentou matar duas grandes árvores na avenida Norte?</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-tentou-matar-duas-grandes-arvores-na-avenida-norte/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2024 19:11:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[arborização urbana]]></category>
		<category><![CDATA[árvores]]></category>
		<category><![CDATA[avenida Norte]]></category>
		<category><![CDATA[desfoliante]]></category>
		<category><![CDATA[Ficus]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mais provável é que a pergunta que dá título a este texto nunca seja respondida, mas a secretaria municipal de Meio Ambiente deu início a uma “investigação administrativa para, em caso de confirmadas quaisquer irregularidades, proceder com as medidas cabíveis”. As árvores em questão são dois Ficus na calçada da avenida Norte Miguel Arraes [&#8230;]</p>
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<p>O mais provável é que a pergunta que dá título a este texto nunca seja respondida, mas a secretaria municipal de Meio Ambiente deu início a uma “investigação administrativa para, em caso de confirmadas quaisquer irregularidades, proceder com as medidas cabíveis”. As árvores em questão são dois Ficus na calçada da avenida Norte Miguel Arraes de Alencar na altura do número 3698, entre o cruzamento com a rua Cônego Barata e a esquina com a rua Silveira Lira, na Tamarineira,</p>



<p>No final de abril, entre a sexta-feira, dia 20 e o sábado, 21, os vizinhos começaram a perceber que as folhas das árvores estavam caindo em velocidade e quantidade incomuns, ao ponto da calçada ficar coberta por uma grossa camada de folhas secas que logo espalharam-se pela própria avenida. Durante a semana seguinte, as copas das duas plantas foram ficando cada vez amareladas e, em seguida, despidas.</p>



<p>Especialista em arborização urbana e professora de Recursos Florestais e Engenharia Florestal e Ciências Ambientais na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), <a href="https://dcflufrpe.wixsite.com/dcfl/isabelle-meunier">Isabelle Jacqueline Meunier</a> não acredita que as árvores tenham sido vítimas de pragas ou qualquer outro fenômeno natural:</p>



<p>“Isso não parece qualquer evento natural. Pela rapidez e extensão, foi um produto bastante tóxico. Talvez glifosato, mas querosene e gasolina são produtos usados por quem pretende erradicar uma árvore desse porte sem autorização. Seria interessante saber se há algum processo na prefeitura para abertura de entrada de veículos no local, ou mesmo um pedido de erradicação que possa ter sido negado”, comentou a professora.</p>



<p>Segundo ela, “o problema desse tipo de provável crime ambiental é a dificuldade do flagrante e de provas posteriores. O poder público também não se esforça para ter meios de investigação, nesse caso, procurar câmaras de segurança, por exemplo”. Para complicar ainda mais, não há laboratório público no Recife que faça análise química do solo e das folhas das plantas. Só assim seria possível ter certeza se algum desfoliante foi usado contra as duas árvores.</p>



<p>No Recife, quem tem pretende podar ou cortar uma árvore em calçada precisa dar entrada em um pedido à Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb). Lá, no entanto, ninguém pediu autorização para dar fim aos dois Ficus da avenida Norte. A secretaria municipal do Meio Ambiente também não recebeu nenhum pleito, mas repassou a informação que consta no primeiro parágrafo deste texto.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>De acordo com a <a href="https://cee.fiocruz.br/?q=node/987">Fiocruz</a>, o <strong>glifosato</strong> foi criado nos anos 1950 pela indústria farmacêutica, mas o princípio ativo ficou conhecido nos anos 1970, quando a empresa Monsanto – hoje pertencente à Bayer – desenvolveu um poderoso herbicida. Suas vendas estouraram quando a companhia lançou sua linha de sementes transgênicas Roundup, resistentes ao glifosato, nos anos 1990. Há estudos que relacionam o o glifosato ao câncer e a outras doenças. A Bayer, inclusive, já foi condenada na justiça americana sob essa alegação.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Já os <strong>desfoliantes</strong> são substâncias químicas que induzem a queda prematura das folhas. Para além de usos agronômicos, também tem uso militar para desfoliar zonas florestais e aumentar a visibilidade para os exércitos. O exemplo clássico de desfoliante altamente tóxico é o “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Agente_laranja">agente laranja</a>”, ou ácido diclorofenoxiacético, usado pelas forças armadas dos Estados Unidos na guerra do Vietnã.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">Final feliz (por enquanto)</h2>



<p>Tudo indica, contudo, que as duas árvores continuarão com as sombras de suas copas sobre os carros, motos e ônibus que passam naquele trecho da avenida Norte. Nos primeiros dias de maio, as folhas passaram a cair em um ritmo mais lento. </p>



<p>É difícil matar um Ficus. Às vezes, nem com motosserra é possível, pois é comum a planta voltar a brotar mesmo com o caule serrado. Quando isso acontece, é preciso arrancar o que sobrou com ajuda de trator e correntes. </p>



<p>Uma coisa é certa: já não se considera uma boa ideia plantar Ficus em calçadas nem em quintais ou em jardins. Natural do sudeste asiático, o Ficus se tornou muito popular no Brasil – principalmente a espécie <em>Ficus benjamina</em> &#8211; por sua beleza, imponência – não é incomum alcançar 30 metros de altura (o equivalente a um prédio de 10 andares) e por suportar o clima tropical e temperaturas médias de 30 graus.</p>



<p>O problema está nas raízes que, bastantes agressivas, danificam estruturas, calçadas, muros, paredes, pavimentos e tubulações subterrâneas. Em várias cidades brasileiras seu plantio já foi proibido. No Recife, os técnicos da prefeitura recomendam não plantá-la.</p>





<p><br><br></p>
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