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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>&#8220;Por que tanta injustiça? Por que eu sou negro e pobre?&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jun 2022 00:07:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[André Arcanjo]]></category>
		<category><![CDATA[areias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Seis meses, 24 dias, 17 horas e 43 minutos. André Arcanjo tem na ponta da língua o tempo que passou preso após ser indiciado pela Polícia Civil de Pernambuco pela participação num latrocínio que ele assegura não ter qualquer envolvimento. “Eu só quero que a verdade prevaleça. Porque eu perdi muita coisa. Ganhei muitos amigos [&#8230;]</p>
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<p>Seis meses, 24 dias, 17 horas e 43 minutos. André Arcanjo tem na ponta da língua o tempo que passou preso após ser indiciado pela Polícia Civil de Pernambuco pela participação num latrocínio que ele assegura não ter qualquer envolvimento. “Eu só quero que a verdade prevaleça. Porque eu perdi muita coisa. Ganhei muitos amigos que eu nem imaginava e também perdi. Perdi tempo, perdi um pedaço muito valioso na minha vida”, lamenta. </p>



<p>A vítima foi um vizinho idoso a quem André, órfão de pai vivo, ajudava nos cuidados com a esposa acamada e com quem desenvolveu uma relação paternal que já durava 20 anos. Auxiliar de farmácia, agora desempregado, André é um homem negro, de 41 anos, morador do bairro de Areias, na zona oeste do Recife. Na ocasião do crime, ele estava no lugar certo, mas na hora errada.</p>



<p>“Estar lá dentro, pagando por algo que você não cometeu é terrível. A todo momento, eu me perguntava o porquê disso, o porquê de tanta injustiça. Por que eu sou negro? Por que eu sou pobre? Por quê?”, questionou. “Eu fui preso sem saber o porquê. Chegando no Cotel (Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna), quando a gente entrou ali naquele presídio, meu mundo acabou. Todas as esperanças ali acabaram. Eu disse ‘meu Deus, o que é que está acontecendo?’”, lembrou André.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> <a href="https://marcozero.org/mae-e-amigos-lutam-para-provar-que-homem-negro-esta-preso-injustamente-por-latrocinio-no-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">começou a acompanhar a história dele</a> em outubro de 2021 e, neste mês, entrevistou-o pessoalmente, já em casa, junto com a mãe, Maria do Carmo, de 62 anos, aposentada. André contou detalhes do dia do crime e também dos dias de desespero no Cotel. Depois de um habeas corpus inicialmente negado, ele e os outros dois acusados receberam<a href="https://www.instagram.com/p/Cc89QLask6I/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> alvará de soltura</a> no final de abril. Nesta quinta-feira, 2 de junho, acontecerá a segunda audiência de instrução no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).</p>





<p>Na <a href="https://www.instagram.com/p/CclkMU3r8QW/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeira audiência de instrução</a>, em 19 de abril, de acordo com a defesa, nenhuma das quatro testemunhas ouvidas &#8211; consideradas peças-chave da acusação &#8211; apontou qualquer envolvimento de André no crime de latrocínio. Pelo contrário, testemunhas na verdade apontaram que ele é uma pessoa de confiança e evidenciaram sua relação de longa data com a vítima. Uma delas até desmentiu a versão do inquérito da Polícia Civil de que André teria facilitado a entrada dos bandidos na casa onde aconteceu o crime.</p>



<p>A defesa de André defende, desde o início, que ele foi <a href="https://marcozero.org/apos-seis-meses-preso-andre-arcanjo-sera-julgado-por-um-crime-que-assegura-nao-ter-cometido/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">indiciado mesmo sem provas consistentes</a>. A única prova contra ele é um vídeo de uma câmera de segurança da vizinhança que mostra André e um colega entrando na casa da vítima, Edvaldo Oliveira Carvalho, de 71 anos, conhecido como seu Valdo. À reportagem, André contou que foi convidado, como de costume, para ir à casa do idoso. Era julho de 2021. Depois que entrou e o colega estava fechando um dos portões de acesso, os dois foram surpreendidos por dois homens que saíram de um carro HB20 estacionado próximo e, já dentro do imóvel, armados, anunciaram o assalto.</p>



<p>“Eles levaram a gente lá para atrás (da casa). Renderam eu, meu colega e um prestador de serviço que estava trabalhando para Valdo e botaram a gente perto de um quarto, onde Valdo guardava as coisinhas dele. Então começou aquele momento de tortura, em que eles diziam ‘Encontrei vocês, eu quero dinheiro, eu quero o cofre, cadê o cofre?’”, relembra. “Eu enrolei dizendo &#8216;Não tem cofre não, leve o que você quiser, pelo amor de Deus’, apanhando muito também. A todo momento, eles diziam que iam atirar na gente, que iam atirar nas nossas cabeças.”</p>



<p>André conta que, a partir daí, começaram a ouvir seu Valdo pedindo que não mexessem na esposa dele. Depois, André e o colega escutaram dois tiros. O colega se levantou, saiu correndo para ver o que tinha acontecido e constatou que Seu Valdo tinha sido baleado. Os bandidos fugiram. A primeira reação de André foi ligar para o Samu, que demorou bastante para chegar. Com orientação de um médico ao telefone, ele fez massagem cardíaca na tentativa de reanimar Valdo, mas o senhor não resistiu. Quando a ambulância chegou, já estava sem vida.</p>



<p>André permaneceu no local até a chegada do Instituto de Medicina Legal (IML). Depois, para cooperar com a polícia, ele e os outros dois homens presentes na casa no momento do crime foram, de livre e espontânea vontade, à delegacia, sem advogados, para prestar depoimento e até forneceu o próprio celular na ideia de contribuir com as investigações. Três meses depois do fato, o susto: de testemunha, ele passou a réu.</p>



<p>A história dele mobilizou amigos, familiares e a igreja evangélica da qual André faz parte, a Igreja Mangue, que conseguiu um advogado e assim o caso ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa. O <a href="https://www.change.org/p/tjpe-oficial-mppe-noticias-liberte-andr%C3%A9-arcanjo-justi%C3%A7aporandr%C3%A9arcanjo-liberdadeparaandr%C3%A9arcanjo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">abaixo-assinado</a> pedindo a soltura dele ultrapassou 13 mil assinaturas. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem atualmente quase 920 mil pessoas privadas de liberdade no Brasil. Desse total, cerca de 413 mil são presos provisórios (ainda sem condenação, aguardando julgamento), entre homens e mulheres, isto é, quase 45% do total.</p>



<p>André agora está em busca de um novo trabalho e vivendo uma nova rotina, com medo de sair no bairro, apesar do apoio dos vizinhos. Enquanto a reportagem fazia essa entrevista, alguns moradores acenaram para ele no portão demonstrando apoio.</p>



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	                                        <p class="m-0">André Arcanjo em casa com a mãe, Maria do Carmo. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>“O que passou na minha cabeça foi desespero quando meu outro filho ligou e disse ‘Mainha, André foi preso’. Eu não associava André, prisão… Não tinha como aceitar isso. Eu me desesperei, fiquei sem chão. Eu não tinha mais nenhuma perspectiva, meu filho está preso, está entregue às autoridades, pagando pelo crime que não cometeu. Por quê?”, lembra a mãe de André, dona Carminha. “Porque eu tenho dois filhos, eu criei com uma formação como um menino pobre, de bairro pobre mesmo sendo negro, mas eu criei dois filhos com personalidade”, afirma lembrando da relação paternal que André tinha com seu Valdo.</p>



<p>“Eu dizia ‘Meu Deus, meu filho só fez o bem’. Valdo vinha aqui uma hora, duas horas da madrugada, chamava André às pressas, no meio do desespero. André ia. Não sabia dar o ‘não’. E eu questionava com Deus, ‘Deus, ele só ajudou e agora meu filho está preso?’.”</p>



<p>Os planos de André agora são aguardar que o julgamento prove a sua inocência e conseguir um novo emprego. “Acredito que, por eu ser pobre e negro, eu possa ser confundido com um marginal. Isso é fato, é visível. E essa injustiça tem que acabar, tem que dar um basta nisso. Não é porque você é preto, pobre, está com uma sandália um pouco mais desgastada que você é um marginal, perigoso. O mundo só vai vencer quando a gente começar a lutar para valer”, finalizou a entrevista.</p>



<p><em><strong>As imagens desta reportagem foram produzidas com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>



<p></p>
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		<item>
		<title>Após Justiça decretar prisão preventiva, mãe de Arcanjo reafirma inocência do filho</title>
		<link>https://marcozero.org/apos-justica-decretar-prisao-preventiva-mae-de-arcanjo-reafirma-inocencia-do-filho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 20:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[areias]]></category>
		<category><![CDATA[latrocínio]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O auxiliar de farmácia André Arcanjo, de 41 anos, está preso há mais de 30 dias por um crime de latrocínio que ele assegura não ter cometido. Agora a Justiça converteu sua prisão em preventiva, após acatar denúncia oferecida pelo Ministério Público. As imagens de um vídeo em que André aparece entrando na casa da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O auxiliar de farmácia André Arcanjo, de 41 anos, está preso há mais de 30 dias por um crime de latrocínio que <a href="https://marcozero.org/mae-e-amigos-lutam-para-provar-que-homem-negro-esta-preso-injustamente-por-latrocinio-no-recife/">ele assegura não ter cometido</a>. Agora a Justiça converteu sua prisão em preventiva, após acatar denúncia oferecida pelo Ministério Público. </p>



<p>As imagens de um vídeo em que André aparece entrando na casa da vítima, um vizinho idoso que ele costumava ajudar no bairro de Areias, onde ambos moravam, são a única prova apresentada pelo delegado responsável pelo caso, Vitor Meira Toscano Pereira, da 4ª Delegacia de Polícia de Homicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A Polícia Civil não comenta inquéritos já concluídos e agora o processo corre em sigilo.</p>



<p>“Meu filho está em estado de choque. E eu também. Infelizmente, a prisão que era temporária passou para preventiva”, avisou, chorando, a mãe de André, Maria do Carmo Arcanjo, de 62 anos, aposentada. “Isso não é justo, um inocente pagando por uma coisa que não cometeu. Você não sabe como está o coração de uma mãe”, disse. “Meu coração está dilacerado, eu não sei quando meu filho vai sair dali. Meu filho é um trabalhador, com residência fixa, um menino de igreja”, clamou Maria do Carmo.</p>



<p>De testemunha, André passou a réu. Mesmo tendo colaborado com as investigações, indo até a delegacia prestar depoimento por livre e espontânea vontade, sem advogado, e cedendo o próprio celular. As imagens do vídeo, capturadas por uma câmara da vizinhança, também mostram os dois principais suspeitos do crime saindo de um carro estacionado na rua e entrando no imóvel, aproveitando a porta aberta.</p>





<p>A vítima foi Edvaldo Oliveira Carvalho, de 71 anos, conhecido na comunidade como “Seu Valdo”. André tinha com ele uma relação de amizade e solidariedade há mais de 20 anos, ajudando-o nas tarefas de cuidado e higiene da agora viúva, que sofre de Mal de Alzheimer. Por ser auxiliar de farmácia e trabalhar em unidades de saúde, ajudava até mesmo a dar banho na mulher. Como agradecimento, Seu Valdo sempre convidava André para almoçar ou tomar um café.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mae-e-amigos-lutam-para-provar-que-homem-negro-esta-preso-injustamente-por-latrocinio-no-recife/" class="titulo">Mãe e amigos lutam para provar que homem negro está preso injustamente por latrocínio no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/raca/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Raça</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A defesa de André já entrou com um novo pedido de liberdade, dessa vez com um habeas corpus.</p>



<p>A <a href="https://www.change.org/p/judici%C3%A1rio-do-estado-de-pernambuco-ajude-a-libertar-andr%C3%A9-arcanjo-justi%C3%A7aporandr%C3%A9arcanjo/u/29803310?cs_tk=AgrPmfRQ1K9fSTUfjWEAAXicyyvNyQEABF8BvF9gsxvQ2ww4-ahYKyaVlBk%3D&amp;utm_campaign=8a89d1059c02438aa16bf4f66b7a8f73&amp;utm_content=initial_v0_5_0&amp;utm_medium=email&amp;utm_source=petition_update&amp;utm_term=cs" target="_blank" rel="noreferrer noopener">campanha</a> na internet para pressionar pela retirada de André do Centro de Observação Criminológica e Triagem Prof. Everardo Luna (Cotel), onde ele está preso desde o início de outubro, já recolheu mais de 11 mil assinaturas. Nesta sexta-feira, 5 de novembro, às 14h, acontece um tuitaço com as hashtags #JustiçaPorAndréArcanjo e #LiberdadeParaAndréArcanjo.</p>



<p>O movimento está sendo puxado por parentes, amigos, companheiros de igreja e colegas de trabalho. Todos negam as acusações e se dizem estarrecidos com a situação vivida por André.</p>



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<p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p>



<p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p>



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</blockquote>
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		<title>Mãe e amigos lutam para provar que homem negro está preso injustamente por latrocínio no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/mae-e-amigos-lutam-para-provar-que-homem-negro-esta-preso-injustamente-por-latrocinio-no-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Oct 2021 19:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[areias]]></category>
		<category><![CDATA[igreja mangue]]></category>
		<category><![CDATA[latrocínio]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Institucional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>André Arcanjo tem 41 anos, é um homem negro, recifense, do bairro de Areias, na zona oeste. Auxiliar de farmácia, com emprego fixo numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA), sem antecedentes criminais, ele estava no lugar certo na hora errada. Mesmo sem provas consistentes, André foi de testemunha a acusado de um crime que ele [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/mae-e-amigos-lutam-para-provar-que-homem-negro-esta-preso-injustamente-por-latrocinio-no-recife/">Mãe e amigos lutam para provar que homem negro está preso injustamente por latrocínio no Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>André Arcanjo tem 41 anos, é um homem negro, recifense, do bairro de Areias, na zona oeste. Auxiliar de farmácia, com emprego fixo numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA), sem antecedentes criminais, ele estava no lugar certo na hora errada. Mesmo sem provas consistentes, André foi de testemunha a acusado de um crime que ele sustenta nunca ter cometido.</p>



<p>Família, amigos, companheiros de igreja e colegas de trabalho negam as acusações e estão lutando para que André responda em liberdade. Ele está preso temporariamente, desde o dia 6 de outubro, no Centro de Observação Criminológica e Triagem Prof. Everardo Luna (Cotel) enquanto é investigado como cúmplice de um latrocínio ocorrido na casa de um vizinho idoso e amigo que frequentava há mais de 20 anos.</p>



<p>“O delegado mandou prender um inocente. Eu conheço o meu filho”, desabafa a mãe de André, Maria do Carmo Arcanjo, de 62 anos, aposentada. “Ele me disse ‘Mainha, estou preocupado de perder o meu emprego. Não desista de mim, eu sou inocente, mainha. Eu não posso confessar um crime que eu não cometi’. Ele estava aos prantos, lutou muito para conseguir esse emprego”, compartilha emocionada.</p>



<p>André frequentava a casa da vítima, Edvaldo Oliveira Carvalho, conhecido na comunidade como &#8220;seu&#8221; Valdo, por ter uma relação de amizade com esse senhor de 71 anos e ajudá-lo nas tarefas de cuidado e higiene de sua esposa, que sofre de Mal de Alzheimer. Por ser auxiliar de farmácia e trabalhar em unidades de saúde, André ajudava até mesmo a dar banho na agora viúva.</p>



<p>O crime aconteceu em julho. André foi convidado por &#8220;seu&#8221; Valdo para tomar um café, um convite até então rotineiro. Porém, ao entrar, ele foi surpreendido por dois homens que saíram de um carro HB20 estacionado próximo e, já dentro do imóvel, anunciaram o assalto. André, segundo seu depoimento, foi rendido e isolado num cômodo da casa junto com outros dois vizinhos que estavam prestando serviço na residência.</p>



<p>Com seus conhecimentos na área de saúde, André conta que pediu socorro e chegou a tentar reanimar &#8220;seu&#8221; Valdo quando os bandidos foram embora. Mas, sem sucesso, o idoso faleceu no local, onde André ficou permaneceu até a chegada da equipe do Instituto de Medicina Legal (IML).Depois, para cooperar com a polícia, foi de livre e espontânea vontade à delegacia, sem advogados, para prestar depoimento e até forneceu o próprio celular na ideia de contribuir com as investigações.</p>



<p>Três meses depois do ocorrido, o susto. André é preso pela Polícia Civil de Pernambuco como um dos acusados pela morte do amigo e vizinho &#8220;seu&#8221; Valdo.</p>



<p>O inquérito ficou a cargo do delegado Vitor Meira Toscano Pereira, da 4ª Delegacia de Polícia de Homicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A <strong>Marco Zero</strong> entrou em contato com a polícia, que disse não comentar inquéritos já concluídos e remetidos à Justiça. O mandado de prisão foi expedido pela 1ª Vara Criminal da capital e, agora, o processo corre em sigilo.</p>



<p>“É muito difícil para uma mãe dormir, acordar, não ver seu filho em liberdade e não saber quando isso vai acontecer. Enquanto eu puder ter voz, eu vou ter. Porque lá dentro, ele não está tendo. Eu estou lutando porque eu sei os dois filhos que criei, com caráter e personalidade”, diz Maria do Carmo.</p>



<p>Ela agradece sobretudo o apoio que está tendo do pessoal da igreja evangélica que André frequenta, a Igreja Mangue. Os amigos afirmam que ele é uma figura sempre muito prestativa, sensível e atuante na congregação. Uma de suas atividades mais frequentes na igreja é cuidar das plantas.</p>



<p>Como forma de demonstrar indignação à prisão que argumentam ser injusta, amigos, familiares, lideranças políticas e movimentos sociais organizaram um <a href="https://www.change.org/p/judici%C3%A1rio-do-estado-de-pernambuco-ajude-a-libertar-andr%C3%A9-arcanjo-justi%C3%A7aporandr%C3%A9arcanjo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">abaixo-assinado online</a> que já conta com mais de 6,6 mil assinaturas de pessoas de todo o Brasil.</p>



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	                                        <p class="m-0">Suspeitos saíram do HB20 e se dirigiram ao portão ainda aberto. Crédito: reprodução vídeo</p>
	                
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<p>O advogado de André, Wanderson Albuquerque, sustenta que as provas contra o acusado são “muito frágeis”, se baseiam somente em imagens captadas pela câmera de um vizinho da rua de &#8220;seu&#8221; Valdo, em que André aparece, por alguns segundos, entrando no imóvel junto com Fernando, vizinho que estava prestando serviço nos fundos da residência e portava a chave. Logo na sequência, como se estivessem esperando a oportunidade de invadir a residência, os dois homens saem do carro HB20 estacionado no terreno baldio na frente e aproveitam para entrar. As imagens não têm áudio.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Outros suspeitos afirmam inocência</h2>



<p>Fernando, também morador da comunidade e colega de André, prestava serviços de alvenaria em cômodos situados no quintal da casa do idoso, foi inocentado pela Polícia Civil. Contudo, outros dois suspeitos também estão presos: um deles é Rodrigo de Freitas, vizinho que teria almoçado com Valdo e que já estava na casa quando André chegou. O outro é Romário Pereira, acusado pela polícia de ser um dos dois homens que saem do veículo também está preso. Do segundo ocupante do carro, não se tem informações.</p>



<p>Rodrigo e Romário afirmam ser inocentes. Ambos constituíram os mesmos advogados, Marconi Alves e Viviane Andrade. Marconi também se queixa da forma como inquérito foi conduzido. &#8220;Há 12 testemunhas no inquérito, apenas uma diz ter reconhecido Romário no vídeo pelo jeito de andar. Estranhamente, trata-se de um tio de Romário que não mora nas proximidades, não estava no local e teria desentendimentos com a família dele há anos&#8221;, afirma, acrescentando que há outras linhas de investigação que foram ignoradas pelo delegado. Rodrigo não foi apontado como autor do crime por nenhuma testemunha.</p>



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