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	<title>Arquivos arte negra - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 19 Apr 2024 21:02:37 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos arte negra - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Aos 22 anos, Nailson Vieira renova e reiventa o maracatu rural na Zona da Mata</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Erika Muniz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2024 20:48:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nascido e criado em Nazaré da Mata, é de lá, na cidade da Mata Norte pernambucana, que um jovem artista espalha suas criações para o resto do país. Nos dias de semana, ele sai cedo para o curso de música, na Universidade Federal de Pernambuco, mas também concilia o tempo com a costura de sonhos, [&#8230;]</p>
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<p>Nascido e criado em Nazaré da Mata, é de lá, na cidade da Mata Norte pernambucana, que um jovem artista espalha suas criações para o resto do país. Nos dias de semana, ele sai cedo para o curso de música, na Universidade Federal de Pernambuco, mas também concilia o tempo com a costura de sonhos, carnavais, chapéus e golas, que vestem caboclos durante o período mais alegre do ano. Além de tudo isso, ele também canta, escreve seus versos, improvisa, toca trombone. São muitas atividades. </p>



<p>Aos 22 anos, Nailson Vieira carrega consigo aprendizados dos que vieram antes, como o seu pai, Narciso Vieira, e seu avô, Manoel Vieira, mas também de outras referências na cultura, a exemplo de Mestre João Paulo, do Maracatu Leão Misterioso, Mestre Barachinha, do Maracatu Estrela Dourada, e Biu Porfírio, mestre caboclo do Estrela Brilhante.</p>



<p>Ao lado dos mestres e sintonizado com as novas tecnologias, Nailson Vieira, parece responder à pergunta sobre qual seria o presente e o futuro na cultura popular, estabelecendo a relação tanto com a tradição, quanto com outras formas de se expressão artística, a partir da ciranda, do manguebeat, do baque solto, do coco de roda, do brega. </p>



<p>“Quando eu estava na maternidade, minha mãe conta até hoje, Barachinha chegou lá e disse assim: ‘em vez de botar uma chupeta, dê um apito a ele logo.’ Com três anos de idade, botei uma fantasia de burra; com quatro, de caboclo, e a partir daí eu já fazia parte da cultura popular, né?”, conta Nailson, em entrevista à <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>.</p>



<p>Quando menino, ele foi convidado por Barachinha para fazer a chegada de caboclo, no Estrela Brilhante, naquela que seria, em 2007, a sua primeira vivência dentro do baque solto. Depois, ele brincaria em outra agremiação, o Leão Misterioso, na qual seu pai se tornara o contra-mestre do apito. Dali em diante, Nailson nunca mais deixou a brincadeira do maracatu sair de sua vida.</p>



<p>Embora seu pai brincasse em outra agremiação, a proximidade do artista com o Maracatu Estrela Brilhante sempre existiu. E, hoje em dia, ele é presidente da agremiação, conciliando a dedicação intensa que o ofício demanda com o seu trabalho autoral na música. No último carnaval, inclusive, ele se apresentou pela primeira vez em dois dos mais importantes palcos da programação recifense, no Rec-Beat e, integrando os convidados da cantora Louise na homenagem a Chico Science, no Marco Zero. Pouco antes da folia tomar as ruas, ele também lançou o single <em>Canto Espanto</em>, que traz em seus versos a ansiedade experimentada pelos apaixonados por essa festa.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/maracatu-2.jpg" alt="Foto de Nailson Vieira, jovem negro com sorriso largo, olhando para o alto, usando uma camisa estampada com motivos florais em preto e branco. Ao fundo, a parede está pintada com uma imagem de uma pessoa negra, usando chapéu com fundo colorido." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Nailson Vieira acumula funções e atividades no Estrela Brilhante
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
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<p>Integrar o Maracatu Estrela Brilhante, para Nailson, é como a realização de um sonho. Isso se evidencia tanto em sua fala durante as entrevistas, quanto no brilho de seus olhos quando acompanha o terno [a banda do maracatu] começando a dar as primeiras pancadas. “Existe um fardo pesado, para quem quer ser dela, porque ela tem uma importância muito grande para a cultura popular. Ela já começou tendo essa identidade, sendo dessa cor que ela é (<em>amarela</em>). Ela chegou a lugares que muito maracatu ainda tenta chegar. Ser de Estrela é ter noção da responsabilidade que a brincadeira tem. Quando você se vê sendo dela, você pode dizer que está com metade da vida feita”, explica Nailson, sobre o que significa para ele fazer parte desse maracatu, fundado em 1º de abril de 2001. </p>



<p>Antes do carnaval chegar, ele cuida da administração, confecção, contratação e outras atividades também. Mas já chegou a ser caboclo de lança e um dos músicos. A chegada definitiva de Nailson para integrar a Estrela Brilhante foi a partir do convite de Mestre Bi, que conta que já visualizava uma noção de futuro nas práticas do jovem artista nazareno.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Paixão pelo trombone</h2>



<p>Outra de suas paixões é o trombone. E foi o maracatu o seu primeiro vínculo com o instrumento, quando decidiu que aquele seria uma de suas formas de expressão artística. Certa vez, quando assistia a uma apresentação na praça da Catedral, em Nazaré da Mata, viu o músico e professor Filipe Vieira, a quem ele tem uma enorme gratidão, tocando trombone no show da banda Ticuqueiros. A partir dali, ele decidiria que iria tocar trombone também. Antes de chegar à universidade, em 2021, Nailson passou pela formação musical na Sociedade Musical Euterpina Juvenil Nazarena, mais conhecida como Capa Bode, e também chegou a frequentar o Conservatório Pernambucano de Música.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/maracatu-3.jpg" alt="Foto do estandarte do maracatu Estrela Brilhate, com um fundo laranja texturizado. No centro, há uma grande estrela dourada brilhante, cercada por formas que se assemelham a raios de sol. O texto “M.B.S ESTRELA BRILHANTE” está escrito na parte superior do emblema. Abaixo da estrela central, o texto “FUND. EM 01.04.2001 NAZARÉ DA MATAPE” é visível. Pequenas decorações circulares adornam a parte inferior do emblema." class="" loading="lazy" width="272">
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	                                        <p class="m-0">Estandante do Estrela
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
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<p>No quesito inspiração, ele conta que na hora de compor, costuma pensar primeiro na melodia para depois escrever as letras. “Eu já sonhei e acordei para não perder nem a melodia, nem um pedaço da letra. Já me inspirei, por exemplo, no lugar que o pai da minha mãe morava. <em>Biografia</em>, por exemplo, tem referência de amor e vida, de tudo o que não presta ser ‘relato esquecido’ mesmo. Já escrevi também por necessidade de falar de uma coisa, que é <em>Canto Espanto</em>, é sobre aquela agonia do carnaval que não chega logo.”</p>



<p>A sua banda nasce junto aos planos de se dedicar de vez à música, em julho de 2020. Além do maracatu de baque solto, no Estrela Brilhante, a vivência como trombonista e sua carreira solo, o artista também estabelece uma relação familiar com o Bloco Rural Estrelinha, que seu pai deu continuidade, desde que, em 2016, Seu Antônio, o responsável anterior, lhe entregou a tarefa. Hoje em dia, Narciso é o presidente e Manoel Vieira, seu pai, aos 92 anos de idade, exerce a função de mestre. Em 2023, o bloco lançou seu primeiro disco <em>Cantos do Estrelinha</em>, disponível nas plataformas digitais.</p>



<p>As culturas populares – destacando, aqui, o plural dessas duas palavras, já que são muitas as culturas e trazê-las no singular não evidenciaria toda a pluralidade elas abarcam – não estão apartadas do mundo contemporâneo, como muitos insistem em acreditar. Elas se relacionam com outras formas de expressão artística e dão novas perspectivas à contemporaneidade, a partir de, por exemplo, acesso às novas tecnologias e a outros ritmos musicais.</p>



<p>“É o que eu digo: talento, força de vontade e o querer dele. Se ele não tivesse nada disso, não seria esse artista. Ele procurou o caminho certo da cultura. E a cultura é uma incentivadora se você quiser. Além dele, tem muitos jovens sendo beneficiados pela cultura. Um jovem vai levando o outro para o caminho do bem. É isso aí, o que Nailson faz”, sintetiza Mestre João Paulo, de 73 anos, o &#8220;papa&#8221; do Maracatu, que o considera mesmo que ser seu filho, por conta da vivência com a cultura e na vida.</p>
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