<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos arte popular - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/arte-popular/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/arte-popular/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 13:15:52 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos arte popular - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/arte-popular/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>João Pernambuco, nosso Luar do Sertão</title>
		<link>https://marcozero.org/joao-pernambuco-nosso-luar-do-sertao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Dec 2022 19:29:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[arte e cultura]]></category>
		<category><![CDATA[arte popular]]></category>
		<category><![CDATA[João Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[violão]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=52966</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Regina Borges* Domingo teve Toré na Aldeia do Povo Pankararu, que fica localizada entre os municípios de Jatobá, Tacaratu e Petrolândia, no sertão de Itaparica, Pernambuco. O som dos maracás marcava o compasso da dança ritmada, pelo terreiro rodopiavam senhoras, senhores, jovens e crianças numa mistura de fé e devoção. Os cânticos aos seus [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/joao-pernambuco-nosso-luar-do-sertao/">João Pernambuco, nosso Luar do Sertão</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Regina Borges*</strong></p>



<p>Domingo teve Toré na Aldeia do Povo Pankararu, que fica localizada entre os municípios de Jatobá, Tacaratu e Petrolândia, no sertão de Itaparica, Pernambuco. O som dos maracás marcava o compasso da dança ritmada, pelo terreiro rodopiavam senhoras, senhores, jovens e crianças numa mistura de fé e devoção. Os cânticos aos seus ancestrais ecoavam pelas serras encantadas e caprichosamente os deuses deram um descanso ao tempo. Pela magia das palavras fui convidada a uma viagem ao passado.</p>



<p>Apaixonada por histórias, mergulhei de cabeça e através do novo livro do biógrafo José Leal fui ao encontro das memórias de um patrimônio da música popular brasileira, com João Pernambuco, filho desse território, originalmente habitado pelos povos indígenas Pankararu e, mais tarde, também por vaqueiros, lavradores, ferroviários, doceiras, feirantes, rendeiras, cantadores e violeiros.</p>



<p>No seu livro intitulado <em>Raízes e Frutos da Arte João Pernambuco</em>, o autor José Leal nos presenteia com uma viagem de reconstituição da vida e obra desse genial compositor, que de nascença teve o sertão de Pernambuco como berço, a lua como lamparina, o santo Rio Velho Chico como bênção, mas como quase todo sertanejo, teve uma vida severina, como nos lembra João Cabral de Melo Neto, um outro imortal pernambucano.</p>



<p>Nessa viagem, provida de rica pesquisa que se nutriu de informações irrefutáveis, indo ao informante original, de primeira mão, com histórias orais dos familiares, depoimentos de músicos que tocaram com João Pernambuco e violonistas intérpretes de suas músicas.</p>



<p>Na longa caminhada, o autor José Leal, vai reconstituindo a trajetória desse ilustre filho de Bebedouro de Jatobá, nascido em 2 de novembro de 1883, quarto filho do ferreiro Manuel, que trabalhou na construção da estrada de ferro Paulo Afonso e da rendeira Teresa, batizado por João Teixeira Guimarães e imortalizado pela alcunha de sua terra: João Pernambuco.</p>



<p>Em cada capítulo do seu percurso de vida, ao tempo que acompanhamos o crescimento de João Pernambuco como artista autodidata, que deixou o sertão aos 12 anos de idade rumo ao Recife, e aos 21 para o Rio de Janeiro, também somos levados ao contexto social, cultural e econômico da época e mergulhados nos seus dilemas, nas injustiças cometidas sobre direitos autorais, da discriminação social e segregação racial, impostas pela burguesia sobre os criadores de arte musical popular.</p>



<p>O biógrafo José Leal também nos apresenta uma série de passagens sobre as inúmeras adversidades que João Pernambuco precisou enfrentar para realizar o seu sonho de ser músico, compositor e assim como as canções que compôs &#8211; como choro, toadas, samba, coco, cateretê, maxixe, entre outros gêneros populares relegados pela elite -, ele também um dia entrou pela porta</p>



<p>da frente, arrancou aplausos, entrou para a história da música popular brasileira.</p>



<p>Contemporâneo de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e companheiro de Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Dilermando Reis, Américo Jacomino (Canhoto), entre outros grandes músicos, João Pernambuco nos deixou uma produção musical grandiosa, até hoje estudada e difundida pelo mundo. E o autor ainda nos traz preciosas informações sobre a sua musicografia, intérpretes, gravações, reinterpretações, homenagens, bem como novos nomes de músicos da presente geração de Pernambuco, que continuam sendo influenciados, a exemplo dos violonistas Caio Cézar Sitonio, Igor Nunes, Lucas Oliveira Arruda, o cantor e compositor Gean Ramos Pankararu, de Jatobá, e o músico Gabriel Alexandre, de Petrolândia.</p>



<p>Em seu livro, José Leal faz um resgate histórico do legado de João Pernambuco, esse filho de Bebedouro de Jatobá, antiga Petrolândia, que aprendeu a tocar viola ainda menino no sertão, e ainda que não tivesse tido a oportunidade de aprender a ler e a escrever, soube desde cedo a refinar seus ouvidos e compor magistralmente centenas de canções que rememoram as belezas de sua terra, de sua gente, tornando-se não apenas o pioneiro, mas também o precursor na difusão da cultura pernambucana e nordestina, consagrando-se com o título de “Poeta do Violão”.</p>



<p>João Pernambuco é reconhecidamente um protagonista da história do violão brasileiro e personagem do patrimônio da música popular brasileira, e como bem diz José Leal: “Há um João em cada arranjo, em canto e cada viola”.</p>



<p>Portanto, conhecer a sua vida e a sua obra é manter viva a memória da história da região, de Pernambuco e desse artista genial tão presente seja nos bailes do Rio de Janeiro, nos folguedos populares do Recife, nas noites enluaradas nas terras sanfranciscanas, lembrando-nos que <a href="https://youtu.be/Zy9_AZf62ZQ" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“não há, oh, gente, oh, não, luar como esse do sertão”</a>.</p>



<p>O Instituto de Arte Popular João Pernambuco, fundado em 2021, apresentará no próximo ano uma série de atividades em homenagem aos 140 anos de nascimento do ilustre compositor João Pernambuco, entre elas: o lançamento da biografia escrita por Leal, no final de dezembro no formato e-Book e, meados de janeiro terá início a pré-venda do livro impresso.</p>



<p>É uma viagem imperdível e essencial para o grande público e que pode começar a partir do <a href="https://institutojoaopernambuco.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site do Instituto</a>, onde é possível conhecer e participar da jornada de quem atua para preservar o legado do genial compositor.</p>



<p>Além desta obra, também será lançado em parceria com a Fundação Brasil Meu Amor, o álbum com o mesmo título do livro, composto de dois CDs com 16 músicas de João Pernambuco, interpretadas pela cantora e compositora Gláucia Nasser, com direção musical e arranjos de Paulo Dáfilin, direção artística de Júlio Cesarini e curadoria do próprio José Leal.</p>



<p><strong>*Professora, escritora, coordenadora Regional do Instituto de Arte Popular João Pernambuco, nos municípios de Jatobá, Petrolândia e Tacaratu, no sertão de Pernambuco.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/joao-pernambuco-nosso-luar-do-sertao/">João Pernambuco, nosso Luar do Sertão</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Com ousadia e novas linguagens, ceramistas renovam a tradicional arte do barro de Caruaru</title>
		<link>https://marcozero.org/com-ousadia-e-novas-linguagens-ceramistas-renovam-a-tradicional-arte-do-barro-de-caruaru/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Feb 2022 20:14:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[arte figurativa]]></category>
		<category><![CDATA[arte popular]]></category>
		<category><![CDATA[artesanato]]></category>
		<category><![CDATA[barro]]></category>
		<category><![CDATA[Caruaru]]></category>
		<category><![CDATA[ceramistas]]></category>
		<category><![CDATA[Mestre Vitalino]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=44502</guid>

					<description><![CDATA[<p>Esta semana, fui até o Alto do Moura, bairro da cidade de Caruaru considerado o maior centro de artes figurativas do continente, para visitar e conhecer o trabalho de três dos ceramistas caruaruenses que vivem da arte que produzem usando o barro: Dona Nicinha Otília, Ratinho e Humberto Botão.&#160; Os três artistas vivem num ambiente [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/com-ousadia-e-novas-linguagens-ceramistas-renovam-a-tradicional-arte-do-barro-de-caruaru/">Com ousadia e novas linguagens, ceramistas renovam a tradicional arte do barro de Caruaru</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Esta semana, fui até o Alto do Moura, bairro da cidade de Caruaru considerado o maior centro de artes figurativas do continente, para visitar e conhecer o trabalho de três dos ceramistas caruaruenses que vivem da arte que produzem usando o barro: Dona Nicinha Otília, Ratinho e Humberto Botão.&nbsp;</p>



<p>Os três artistas vivem num ambiente de tradição, onde a arte é hereditária, passada de geração para geração. Apesar disso, possuem estilos de modelagem e abordagens livres da estética e dos modelos tradicionais. Suas obras são bastante diferentes das imagens que estão caraterizados no imaginário do público quando o assunto é o artesanato de Caruaru e os famosos bonecos do Mestre Vitalino.</p>



<p>No Alto do Moura, a maioria dos artistas começou a modelar as suas peças ainda crianças, moldando os seus próprios brinquedos ou retratando cenas e personagens do cotidiano: os carros de boi, os trios de forró, os cangaceiros e diversos personagens do nosso folclore &#8211; foi assim, inclusive, que Vitalino começou.&nbsp;</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Nicinha-Otilia_pq1-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Nicinha-Otilia_pq1-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Nicinha-Otilia_pq1-1024x682.jpg" alt="Nicinha Otília ceramista caruaruense" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Nicinha começou fazendo seus próprios brinquedos de barro, incentivada pelo pai. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Nicinha, entre a tradição e a inovação</h2>



<p>Com dona Nicinha não foi diferente. As suas primeiras peças foram produzidas quando ela tinha apenas sete anos. Agora, aos 64, ela conta que fazia com o barro os seus brinquedos e que começou a produzir incentivada pelo pai. “A gente começa brincando com o barro, fazendo os nossos brinquedos. Fazendo panelinha, bonequinhos pra brincar. Eu aperreava muito os meu pais pra ter uma boneca igual as que eu via as meninas brincando, mas eles não tinham condição de me dar. Aí meu pai, um dia, pegou um bolo de barro e colocou nas minhas mãos, me mandando engolir o choro e dizendo que, a partir daquele momento, eu tinha uma fábrica nas mãos, pra fazer as minhas bonecas e os meus brinquedos. Foi assim que eu comecei e não parei mais”.</p>



<p>A produção de Nicinha se divide entre a arte figurativa, a produção de peças utilitárias e trabalhos mais autorais e contemporâneo, que ela aprendeu no convívio com o Mestre Galdino, ceramista, poeta e precursor da modelagem diferente da tradicional . “Tem a arte figurativa, que foi o Mestre Vitalino que deixou pra gente e eu me orgulho de trabalhar com ela, mas eu gosto, mesmo, é do imaginário. Gosto de criar. Eu sou seguidora de Mestre Galdino, aprendi muita coisa com ele. Foi ele&nbsp;quem me ensinou a ler, inclusive. E eu sempre puxo pra esse lado da imaginação”.</p>



<p>Em 2019, Nicinha foi uma das palestrantes do <a href="https://youtu.be/Q2A9707ZXf4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TEDxAltodoMouraED</a><em>,</em>&nbsp; primeiro evento TEDx do interior de Pernambuco, que homenageou os artistas do Alto do Moura. Durante a palestra, ela falou sobre a organização das mulheres ceramistas do Alto do Moura. “No TEDx, eu falei sobre o Flor do Barro, grupo só de mulheres ceramistas que fundamos aqui. Nós percebemos que no Alto do Moura nós encontramos mais mestres homens. E cadê as mulheres que trabalham tanto, também? Hoje, somos 20 mulheres ceramistas no grupo”, conta. O grupo foi fundado em 2016, com o propósito dar visibilidade ao trabalho das mulheres ceramistas do Alto do Moura e preservar e valorizar a arte e cultura locais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A originalidade de Ratinho</h2>



<p>Perto da casa e ateliê da Mestra Nicinha, na rua Mestre Vitalino, está localizado o ateliê do ceramista Rafael Costa, 35, conhecido como Ratinho, que trabalha com o barro há mais de dez anos, desde que se mudou do centro de Caruaru para o Alto do Moura. As suas peças são únicas, ele não costuma reproduzi-las.&nbsp;</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Ratinho_pq-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Ratinho_pq-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Ratinho_pq-1024x682.jpg" alt="Ratinho ceramicista caruaruense" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ratinho cria peças únicas, mas demorou a encontrar seu espaço no Alto do Moura. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O primeiro contato de Ratinho com o barro aconteceu em 2012, numa visita do artista a Severino Vitalino, filho de Mestre Vitalino. Na ocasião, Ratinho descobriu como se manuseava o barro, desde a sua modelagem à queima, e começou a usar a sua imaginação, modelando as suas próprias peças. “Eu não sabia muito sobre o barro. Eu não tinha a informação de que o barro poderia ser queimado, por exemplo. Só fui saber disso em 2012, quando visitei Mestre Severino. Foi aí que comecei a me interessar pelo material e a trabalhar com ele”.</p>



<p>Ratinho conta que, quando chegou com o seu trabalho no Alto do Moura, inicialmente, teve dificuldades para se localizar. Chegou a ouvir que as suas peças não seriam vendidas. “Vinha alguém e falava: ‘a galera gosta de cavalo, de cangaceiro. Essas peças ninguém compra, são peças de doido’. Mas eu continuei. Até que, um dia, fiz uma escultura e um amigo meu disse que parecia com as de Mestre Galdino. Eu não sabia quem era, ele me levou ao museu e, quando vi a arte dele, que também era diferente, entendi que eu podia fazer arte do jeito que eu quisesse. Fiquei animado, motivado. Acreditei, mergulhei”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Pecas-no-forno-de-Ratinho-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Pecas-no-forno-de-Ratinho-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Pecas-no-forno-de-Ratinho-1024x682.jpg" alt="Peças no forno de Ratinho, ceramicista caruaruense" class="" loading="lazy" width="404">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Quando perguntado sobre as suas referências e o que influencia a sua arte, Ratinho diz que são a música e o cinema. “São as músicas, os filmes que eu assisto. Eu gosto de muita música massa e de filme antigo. A cada melodia, por exemplo, vão aparecendo os detalhes da peça na minha mente e eu vou juntando. É de onde vem a minha criação. E tudo isso abre portais de energias que mexem comigo e me fazem criar”.</p>



<p></p>



<p>O trabalho de Ratinho também é inovador na técnica. Para o processo da queima do barro, depois que as peças são modeladas, ele é o único ceramista do Alto do Moura que utiliza um forno elétrico. Nos demais ateliês, são usados fornos a lenha. Para Ratinho, o investimento de pouco mais de 7 mil reais vai além da praticidade que o seu forno lhe oferece. “Eu acho que todo artesão devia ter um forno desse. Por causa da nossa mata, que já está toda desmatada, né? E quem desmata é o próprio artesão.&nbsp; A questão é que o investimento é muito alto, não é todo artesão que tem condição.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Humberto e a organização dos ceramistas</h2>



<p>Outro artista que inova na concepção e na criação com o barro é Humberto Botão, de 42 anos. Por meio do seu trabalho, ele procura buscar a união dos ceramistas no Alto do Moura, visando uma maior valorização da categoria, que sempre levou o nome de Caruaru para o resto do mundo. “Eu acredito muito no trabalho coletivo. Muitos artistas, como Mestre Galdino e o próprio Mestre Vitalino, morreram de forma negligenciada. Isso, com relação a falta de retorno, de valorização econômica. As pessoas sempre acharam o trabalho deles bonito, mas isso não enchia a barriga das pessoas das suas famílias. E eu vejo que isso vem de uma vida isolada, individual. E a gente tem tentado mudar isso, através da união, de trabalhos coletivos dessa nova geração, buscando incentivo”.</p>



<p>O encontro com Humberto foi nas instalações da sua exposição <em>Vias e Territórios</em>, no SESC Caruaru. Durante a nossa conversa, ele revela que a exposição é autobiográfica. As peças que estão expostas se relacionam contando parte da sua história, desde a infância, quando produzia os seus próprios brinquedos, até a fase artística atual, como morador e ceramista do Alto do Moura.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Humberto-Botao_pq-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Humberto-Botao_pq-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Humberto-Botao_pq-1024x682.jpg" alt="Humberto Botão ceramista caruaruense" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ao mesmo tempo que busca novas linguagens, Humberto trabalha pela união dos aristas. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Humberto se considera um forasteiro na cidade. Ele é natural de Fortaleza, no Ceará. Antes de começar a trabalhar com o barro em Caruaru, já morou no Maranhão, no Recife, até chegar ao agreste pernambucano. Antes do barro,&nbsp; sua produção artística passou pelo desenho, pela pintura e até pela escultura em concreto. O artista define o barro como um organismo vivo, com o qual consegue construir o que quer comunicar. “Com o barro, eu consigo falar o que quero, o que preciso expressar. A cerâmica, a água que tem nela, a terra que tem nela, o fogo que tem nela, o vento que tem nela. Eu tento me fundir a esses elementos e construir a narrativa estética e conceitual que eu quero construir”.</p>



<p>Quando perguntado se existiu algum tipo de resistência para conseguir espaço para o seu estilo no meio tradicional da arte figurativa, Humberto conta que, embora tenha havido&nbsp; no início, existiu, também muito acolhimento. “Existiam divergências na questão da estética, de início, mas existiu também o acolhimento. As pessoas de Caruaru, do Alto do Moura, são pessoas de coração muito grande.&nbsp; Tudo o que eu sou hoje, devo a Caruaru. Tive a oportunidade de morar fora do país por um tempo, mas preferi voltar. Aqui é o lugar que amo, que já faz parte da minha essência”.&nbsp;</p>



<p>A &#8220;Vias e Territórios” reúne 45 trabalhos de Humberto Botão, com curadoria de Carlos Lima, expografia de Caju Galon e mediação de Wellington Marcone. A exposição fica aberta ao público na Galeria Mestre Galdino, no SESC Caruaru, de segunda à sexta, das 10h até às 17h, até o dia 28 de fevereiro.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/com-ousadia-e-novas-linguagens-ceramistas-renovam-a-tradicional-arte-do-barro-de-caruaru/">Com ousadia e novas linguagens, ceramistas renovam a tradicional arte do barro de Caruaru</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
