<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/artistas/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 27 Feb 2024 14:25:30 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.7</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Há quatro meses longe dos palcos, músicos fazem planos para retomar a vida</title>
		<link>https://marcozero.org/musicos-fazem-planos-para-retomar-a-vida/</link>
					<comments>https://marcozero.org/musicos-fazem-planos-para-retomar-a-vida/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2020 20:45:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[artistas]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica e pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[motorista de aplicativo]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia e economia]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=29011</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Marco Zero acompanhou durante quinze dias o músico Diego Andrade, que ficou sem trabalho nessa pandemia e decidiu garantir a renda como motorista de aplicativo.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/musicos-fazem-planos-para-retomar-a-vida/">Há quatro meses longe dos palcos, músicos fazem planos para retomar a vida</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se você precisou sair nos últimos dias e utilizou a 99 App nas redondezas do Recife e da Região Metropolitana, talvez tenha feito o trajeto com o músico Diego Andrade ao volante. Trabalhando como motorista de aplicativo há quase uma semana, ele percebeu logo no início da pandemia, que os primeiros serviços de bares e restaurantes a serem impactados pelo agravamento da crise econômica são justamente aqueles considerados “dispensáveis”. Ninguém pede música ao vivo por delivery.</p>



<p>Diego está sem a sua renda há quatro meses. Nos 15 dias em que foi acompanhado pela reportagem da Marco Zero, ele passou de músico sem trabalho para entregador. Desistiu e, logo depois, virou motorista de aplicativo. Antes, solicitou o auxílio emergencial do Governo Federal ainda no começo da pandemia, mas só recebeu a primeira parcela em junho, depois de um longo período com seu cadastro em análise.</p>



<p>Nesse meio tempo, contou com a ajuda da família, com quem mora, enquanto buscava outras formas de continuar tendo na música a principal fonte de renda. Fez parcerias com estabelecimentos que já contavam com o seu serviço, buscou trabalhar por meio das transmissões ao vivo nas redes sociais, mas obteve um retorno aquém do esperado para pagar as despesas.</p>



<p>Ele tem 28 anos, é formado em Redes de Computadores pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e chegou a cursar Sistema da Informação em uma faculdade privada, por meio do Programa de Financiamento Estudantil (Fies). Questionado sobre o porquê de não atuar na área, Diego afirma que também não é fácil encontrar oportunidades mesmo tendo formação.</p>



<p>“Eu comecei como entregador de aplicativo porque é uma oportunidade acessível para qualquer pessoa. Apesar de você não ter nenhum vínculo com a empresa que você trabalha, como dizem os termos de uso da empresa.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-13-at-10.06.35-300x200.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-13-at-10.06.35-1024x682.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-13-at-10.06.35-1024x682.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="580">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Sem ter onde tocar, Diego Andrade encostou o instrumento (crédito: Lucas Domingues Graf)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Guitarra encostada</h2>



<p>A relação de Diego com a música começou aos seus 12 anos. É guitarrista, canta, compõe e já participou de um projeto coletivo autoral, mas o dinheiro a partir da profissão só chegou há dois anos quando formou uma dupla com outro músico e passou a fazer apresentações em bares e restaurantes da zona Norte do Recife.</p>



<p>Antes da pandemia, eles tiravam uma média de R$ 600 por semana com as apresentações que também aconteciam em festas particulares. Na fase de relaxamento da quarentena, Diego se cadastrou no aplicativo Rappi antes do São João e comprou a bolsa de entregas no mesmo dia, mas não pôde começar porque foi posto na lista de espera.</p>



<p>Segundo a própria Rappi, a quantidade de entregadores conectados estava grande em relação à demanda de pedidos. Uma situação recorrente para os trabalhadores que recorrem a essa atividade. Basta pesquisar “entregadores em lista de espera” no Google e o primeiro site que aparece na busca é o do Reclame Aqui com comentários dos trabalhadores e retornos das empresas.</p>



<p>No primeiro final de semana após fazer seu cadastro, justamente às vésperas da primeira paralisação nacional dos entregadores de aplicativo do Brasil, realizada no dia 1º de julho, Diego teve seu cadastro liberado para rodar de bicicleta fazendo entregas. Optou por começar depois da greve para apoiar a categoria.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-13-at-10.12.12-300x169.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-13-at-10.12.12-1024x576.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-13-at-10.12.12-1024x576.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mensagens do aplicativo Rappi na conta do músico Diego Andrade.</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“A gente já começa endividado, a bag da Rappi custa R$ 80 divididos em duas vezes”, explica. Em seu primeiro dia, trabalhou no período da tarde e esperou três horas para receber um pedido pelo o qual recebeu R$ 4,10. Valor que não iria para as suas mãos, já que estava devendo a compra da bolsa. </p>



<p>Circulou pelas redondezas dos bairros de Casa Forte e Derby até voltar para casa no bairro da Macaxeira com o saldo de apenas um pedido. “Tem seus riscos, a grana é pouca, mas é um trabalho dinâmico pra quem gosta de movimento”, assim Diego classificou o dia de trabalho com ar de riso. Tinha garantido, ao menos, a prática de exercício físico.</p>



<p>Nos dias de chuva após essa primeira experiência, Diego chegou à conclusão de que não conseguiria garantir a renda pelo aplicativo e decidiu mudar a plataforma. Está na lista de espera para trabalhar na Uber e tem feito corridas pela 99 desde a última quarta-feira (8) com um carro que alugou ao preço de R$ 380 por semana. Ainda não sabe quando vai voltar à rotina de tocar sua guitarra, mas pondera que há de ser em um contexto seguro para ele e para todos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Aulas de música</h2>



<p>Nem só de shows vivem os profissionais da música. Para aqueles que se dedicam a dar aulas os impactos da pandemia também foram significativos. É o caso do músico, Eurico Alves, de 50 anos. Formado em Música pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), passou um tempo como “músico da noite” em Brasília e chegou a acompanhar um grupo sertanejo em Goiás.</p>



<p>Já transitou em várias cenas da música local e atua como freelancer, além de compor uma banda de heavy metal chamada Hostinalia, mas sua principal fonte de renda é dar aulas. Decidiu que ganharia a vida na área quando tinha 20 anos e se formou na graduação aos 36. É professor de guitarra em aulas particulares e também no Conservatório Pernambucano de Música, onde leciona desde 2018.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-24-at-09.49.20-300x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-24-at-09.49.20.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-24-at-09.49.20.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Músico Eurico Alves. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>As mudanças impostas pela pandemia do novo coronavírus chegaram na vida de Eurico em um momento nada propício. Ele estava justamente tirando projetos do papel e foi interrompido. “Alguns projetos que eu tinha parado, consegui retomar antes da pandemia. São as coisas que você gosta de tocar e não consegue fazer como músico profissional, mas chega um momento em que você diz: poxa, eu quero fazer isso também. Então esses projetos começaram a ficar viáveis, mas agora parou tudo.”</p>



<p>Os projetos não foram os únicos interrompidos. As aulas ficaram quase paralisadas. De 20 alunos particulares, apenas cinco mantiveram a rotina com Eurico. Como a maioria dos são alunos jovens e adolescentes, o músico atribui a redução à dificuldade dos pais em conciliar as aulas com o dia a dia da escola na vida dos filhos.</p>



<p>Antes da pandemia, sua renda mensal chegava a R$ 3 mil. Agora, varia entre R$ 2 mil e R$ 2.100 mil. Questionado se chegou a cogitar trabalhar com outra profissão, ele afirma que não. “O músico apesar de não ganhar bem tem sempre aquela coisa de se reinventar e fazer algo que a gente não estava fazendo.” Eurico vê nas videoaulas e lives boas oportunidades para não sucumbir à crise vivendo de música.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-24-at-10.03.19-300x169.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-24-at-10.03.19-1024x576.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-24-at-10.03.19-1024x576.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Professora Lila Farias se apresentando em apresentação religiosa. Crédito: Arquivo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Já no caso da professora de canto, Lila Farias, a pandemia tirou de cara o seu principal trabalho com a paralisação de um coral do qual é regente. Juntando com a pausa do hotelzinho onde ela leciona musicalização, a baixa na sua renda mensal foi correspondente a 60%. “Na escola, nem chegamos a iniciar as aulas desse ano por causa da Covid-19”.</p>



<p>Ela é formada maestrina pelo Conservatório Pernambucano de Música e atua na área desde 2014, após 10 anos trabalhando como técnica de enfermagem. Não teve evasão nas suas aulas particulares porque, segundo ela, o canto é mais fácil de adaptar para o formato virtual. O mesmo não aconteceu com o hotelzinho, que perdeu mais da metade das crianças que estavam matriculadas para o ano letivo.</p>



<p>A questão toda é a “aglomeração”, como aponta Lila. As atividades que eram feitas coletivamente, como o coral, foram as mais afetadas e sem previsão de volta. Para lidar com a baixa na renda nesses quatro meses, a professora tem contado com o auxílio emergencial e equilibrado as contas com a renda do marido, que trabalha para aplicativos.</p>



<p>“É bem difícil, porque nós que trabalhamos com música, somos quase 100% por cento autônomo. Poucos trabalham com carteira assinada e isso faz a gente ir se virando como dá”.</p>



<p>A professora deixou a enfermagem por ter a “música no sangue” e não se vê atuando em outra profissão. Tem planos de abrir um negócio de vendas na área de saúde junto ao companheiro, mas deixa claro que isso é algo para o futuro. Para ela, o único ponto positivo dessa pandemia foi ter se reunido com antigos amigos de escola para gravar um vídeo de canto. Fora isso, as expectativas continuam incertas para o pós pandemia.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/musicos-fazem-planos-para-retomar-a-vida/">Há quatro meses longe dos palcos, músicos fazem planos para retomar a vida</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/musicos-fazem-planos-para-retomar-a-vida/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Setores cultural e de restaurantes temem colapso pelo coronavírus</title>
		<link>https://marcozero.org/setores-cultural-e-de-restaurantes-temem-colapso-pelo-coronavirus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2020 04:24:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[artistas]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[entretenimento]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=26189</guid>

					<description><![CDATA[<p>Foi como uma fileira de dominós. Em um dia, restaurantes e bares estavam anunciando medidas preventivas para lidar com o novo coronavírus. No dia seguinte, já começaram a surgir as publicações de estabelecimentos suspendendo as atividades &#8211; principalmente os menores, que não têm lastro para suportar a falta de fluxo. Muitos investiram em entregas a [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/setores-cultural-e-de-restaurantes-temem-colapso-pelo-coronavirus/">Setores cultural e de restaurantes temem colapso pelo coronavírus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi como uma fileira de dominós. Em um dia, restaurantes e bares estavam anunciando medidas preventivas para lidar com o novo coronavírus. No dia seguinte, já começaram a surgir as publicações de estabelecimentos suspendendo as atividades &#8211; principalmente os menores, que não têm lastro para suportar a falta de fluxo. Muitos investiram em entregas a domicílio. <br><br>Mesmo antes do decreto do governador Paulo Câmara (PSB) limitando a 500 o número de pessoas por evento &#8211; desde terça-feira (17), este limite baixou para 50 -, festas e shows já estavam sendo cancelados. A lista é gigantesca. <br><br>Cinemas foram os primeiros afetados. Salas vazias, depois fechadas. A rede Cinemark já propôs demissão voluntária aos funcionários. No tradicional cinema São Luiz, os letreiros exibem &#8220;cuidem-se&#8221; e &#8220;em breve estaremos juntos&#8221;. Peças de teatros e shows de artistas locais e nacionais foram adiados ou cancelados. Só Alceu Valença já cancelou 17 apresentações. O Abril Pro Rock, festival com 28 anos, foi adiado, sem nova data definida. <br><br>Como cultura e entretenimento são quase sempre com plateia, com pessoas juntas, o setor foi um dos primeiros a sentir o baque pelo coronavírus. Na Ásia, onde começou a propagação do novo vírus, estima-se que o prejuízo já ultrapasse os US$ 5 bilhões. No Brasil, ainda não há previsões, mas com a total paralisação do setor &#8211; até novelas da Globo foram suspensas &#8211; a queda deve ser brutal.<br><br>Na Zona Norte do Recife, os bares Ramon e Caverna foram dos primeiros a anunciar, na segunda-feira (16), que iam suspender as atividades. Os dois eram locais em que o baixista Daniel Fino tocava durante a semana. </p>



<p>Morador do Ibura, Daniel se viu, de repente, sem sua fonte de renda. &#8220;Vou perder em torno de R$ 700 por semana. Estou atualmente sem nenhuma renda porque os bares que eu toco estão em quarentena&#8221;, conta Daniel, que vai participar com um de seus projetos, a Joinhas Band, de um <a href="https://www.kickante.com.br/campanhas/ajude-joinhas-joinhas-band-finodrao">show online neste sábado</a>, com contribuição solidária.<br><br>Ele se sente desamparado pelo poder público. &#8220;Do Governo Federal, para ser sincero, não espero nada. A gente está vendo algumas medidas tomadas fora do país, como na Alemanha, onde a ministra de cultura Monika Grütters deu um exemplo ao falar que &#8216;a cultura não é apenas um luxo que se entrega em bons tempos&#8217;. Não tenho ideia de como a nossa classe artística independente seria favorecida pelo governo Bolsonaro&#8221;, critica. <br><br>Dono do bar Caverna, Augusto Vilarim decidiu fechar as portas por conta dos pais idosos, com quem mantém contato próximo, e também porque notou que o movimento na semana passada já havia ficado aquém. &#8220;Nem ideia do tamanho do prejuízo. Espero que em abril a gente consiga voltar, mas já ouvi expectativas de três a quatro meses. E aí vai ser difícil&#8221;, diz.<br> <br>Mesmo com contas saudáveis, o estabelecimento não consegue sobreviver muito tempo de portas fechadas. &#8220;Vai ser complexo. Ainda vou ver quanto tempo consigo ficar fechado sem decretar falência. Já tenho desperdício de produto&#8221;, conta. <br><br>&#8220;Uma forma do governo ajudar seria com linhas de crédito com juros lá embaixo. Seria bom também que o preço dos aluguéis fossem repensados. E diminuir a taxação da conta de energia, porque minhas geladeiras estão lá ligadas no bar. Já seria de uma grande ajuda, porque o principal mesmo é pensar em como voltar. A decisão de parar logo é para poder voltar depois&#8221;, propõe. <br><br>Uma das sócias da produtora de festas Golarrolê, a empresária e DJ Allana Marques cancelou quatro festas que iriam acontecer neste mês e em abril. &#8220;O tamanho do prejuízo ainda não temos como mensurar, está tudo muito recente&#8221;, conta. &#8220;O governo poderia ajudar atualizando o pagamento dos artistas que trabalharam em eventos como o carnaval&#8221;, diz, fazendo coro com diversos artistas nas redes sociais. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Bares e restaurantes em risco</h2>



<p>A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) começou a semana divulgando medidas de boas práticas de higiene e distanciamento das mesas. Nesta quarta, o tom subiu em vários níveis com um &#8220;alerta de colapso&#8221;.  <br><br>&#8220;O coronavírus pode ser fatal para bares e restaurantes. O faturamento derrete, com quedas de 30% a 70% em algumas cidades&#8221;, diz o comunicado, que ainda afirma que até 3 milhões de empregos podem ser cortados nos próximos 30 a 40 dias. É metade da força de trabalho do setor no Brasil. <br><br>Em conversa com o ministro Paulo Guedes e Bolsonaro, o presidente executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, pediu que  o governo ajude a pagar salário ou coloque os funcionários do setor no seguro desemprego.<br><br>Muitos restaurantes e bares, principalmente os pequenos, talvez não tenham condições de voltar à funcionar depois que a onda mais acentuada da pandemia passe &#8211; uma previsão de, no mínimo, 20 semanas, segundo o Ministério da Saúde. Quase todos estão apostando em serviços de entrega. <br><br>&#8220;Não podemos parar. No nosso caso, não temos reserva para aguentar um mês fechado. Se fecharmos, tenho que entregar o imóvel e encerrar a empresa. Não vou demitir nem afastar garçons. Temos um quadro enxuto. Eles farão outras tarefas no atendimento aos pedidos online ou por telefone, que já aumentaram de 50% a 75%, dependendo do horário. Alguns dos garçons estão conosco há muito tempo, não posso simplesmente deixá-los na mão&#8221;, lamenta um dos donos do Caprinos Gastrobar, no Rosarinho, João Pedro Siqueira Brito.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Governo e prefeituras</h2>



<p>Para o setor cultural, o Governo Bolsonaro não anunciou nenhuma medida específica, além das gerais apresentadas pelo ministro Paulo Guedes na segunda-feira. Para quem é Microempreendedor Individual (MEI) há um pacote, que ainda vai ser enviado ao Congresso, de auxílio emergencial de R$ 200 &#8211; só para quem também se enquadra nos critérios do Cadastro Único (CadÚnico).</p>



<p>Hoje, a secretaria nacional de Cultura, Regina Duarte, afirmou ao jornal O Globo que abriu uma rodada de conversas com as secretarias estaduais para saber que medidas poderão ser tomadas. <br><br>Artistas pernambucanos, como o rapper Tigger, se posicionaram publicamente pedindo às prefeituras e à Secretaria de Cultura/Fundarpe que paguem logo os cachês de quem se apresentou no carnaval. </p>



<p>A Marco Zero procurou as prefeituras de Olinda e do Recife e a Secretaria de Cultura do Estado. <br><br>A prefeitura de Olinda afirmou, em nota, que o prefeito Lupércio &#8220;já determinou que as equipes de análise de prestação de contas do pós-evento agilizem a tramitação dos processos&#8221;. A estimativa da prefeitura é de que os pagamentos iniciem no mês de abril. <br><br>Sobre outras formas de ajudar artistas e casas de espetáculos, a prefeitura informou que &#8220;quase nenhum município dispõe de recursos para implantar algum tipo de auxílio financeiro para artistas. O Governo Federal, sim, dispõe de recursos e vamos inclusive encaminhar a proposta para a União&#8221;.<br> <br>Já a Secult-PE disse que não tem nenhum atraso de pagamentos de 2019 e que os 600 processos de contratação do carnaval estão em fase de prestação de contas e liquidação de despesa. Não deverá ser agilizado: &#8220;esse rito de pagamento precisa ser respeitado conforme a legislação&#8221;, diz a nota. <br><br> Sobre outras formas de ajuda ao setor, a Secult-PE afirma que tem &#8220;consciência de que se trata de um problema global, mas a suspensão de eventos que reúnem público é uma questão de saúde pública e precisa ser defendida. Todo o Governo de Pernambuco está envolvido nessa discussão econômica e a cultura como um vetor importante no Estado, assim como turismo, o setor de serviços e o comércio, todas essas áreas têm recebido uma atenção do núcleo que envolve a tomada de decisões.&#8221;<br><br>Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura do Recife não havia respondido à Marco Zero. </p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/setores-cultural-e-de-restaurantes-temem-colapso-pelo-coronavirus/">Setores cultural e de restaurantes temem colapso pelo coronavírus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Da busca por um sorriso nasce a luta pelo direito à cidade</title>
		<link>https://marcozero.org/da-busca-por-um-sorriso-nasce-a-luta-pelo-direito-a-cidade/</link>
					<comments>https://marcozero.org/da-busca-por-um-sorriso-nasce-a-luta-pelo-direito-a-cidade/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jul 2016 13:00:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[artistas]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Público]]></category>
		<category><![CDATA[Estudantes]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Parceria]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Praças]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro de Rua]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://beta.marcozero.org/?p=2323</guid>

					<description><![CDATA[<p>Conheça o duro cotidiano dos artistas de rua do Recife, marcado por dificuldades que vão desde a degradação e a privatização do espaço público até a inexistência de políticas públicas para o setor e a consequente falta de recursos para que possam exercer a profissão com dignidade Por Sandro Barros* Todos os dias eles acordam [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/da-busca-por-um-sorriso-nasce-a-luta-pelo-direito-a-cidade/">Da busca por um sorriso nasce a luta pelo direito à cidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2303 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif" alt="2774980_CreateAgif" width="120" height="90"></a><em>Conheça o duro cotidiano dos artistas de rua do Recife, marcado por dificuldades que vão desde a degradação e a privatização do espaço público até a inexistência de políticas públicas para o setor e a consequente falta de recursos para que possam exercer a profissão com dignidade<br />
</em></p>
<p><strong>Por Sandro Barros*</strong></p>
<p>Todos os dias eles acordam cedo para conseguir sobreviver de seu ofício. Mesmo diante das muitas adversidades, perseveram na luta por uma cidade mais democrática, que garanta espaços de promoção para uma arte pública de rua. Sim, os artistas de rua existem e estão nas vias públicas do Recife em busca de respeito e dignidade. É difícil precisar o número exato desses artistas na capital pernambucana, mas cerca de dez grupos participam do Movimento de Teatro Popular de Pernambuco. Isso sem contar aqueles que atuam individualmente.</p>
<p>Além do amor irrestrito pelo que fazem e da busca incessante por um sorriso do público, cada um destes artistas populares compartilha um cotidiano marcado pela superação de barreiras para se expressarem. Dificuldades que passam pelo direito ao espaço público onde possam exibir seus trabalhos, pela captação de recursos para as produções e, principalmente, pela quase total inexistência de políticas públicas voltadas para o setor. Um drama que será contado aqui na voz dos próprios personagens.</p>
<p><div id="attachment_2330" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-01PP.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2330" class="size-full wp-image-2330" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-01PP.jpg" alt="Apresentação da Trupe Circuluz durante o 6º Festival de Cultura Negra do Quilombo Sambaquim – Cupira – PE. Foto: Sandro Barros" width="700" height="467"></a><p id="caption-attachment-2330" class="wp-caption-text">Apresentação da Trupe Circuluz durante o 6º Festival de Cultura Negra do Quilombo Sambaquim – Cupira – PE. Foto: Sandro Barros</p></div></p>
<p><strong>Primeiro ato: O direito à cidade</strong></p>
<p>O raciocínio é simples e lógico: o artista de rua precisa do espaço público para se expressar. Poucos como eles se relacionam, conhecem e sofrem com os problemas da cidade. Esse é o caso da historiadora, mãe de dois filhos, mestra em teatro, atriz, palhaça eintegrante do Movimento de Teatro Popular de Pernambuco (MTP-PE), Raquel Almeida. Como artista de rua, ela fala com propriedade do sucateamento das praças e do excesso de estímulos que a população recebe para não habitar os espaços públicos:</p>
<blockquote><p><em>“Existe uma ação em curso, gradualmente, enquanto pensamento e políticas públicas, na tentativa de privatização e negação dos espaços públicos, que são vendidos, cerceados, abandonados. Então, para nós fazedores da arte pública, estar nos diferentes espaços urbanos significa possibilitar um grito simbólico de chamamento ao governo para que instaure efetivamente nas cidades o amplo uso e circulação de ideias, pensamento e afetividades nas ruas, praças, viadutos, ruelas, assentamentos. Existem comunidades que nem praça têm, suas ruas são puro esgoto e lixo, muitas das praças são abandonadas, escuras, as pessoas têm medo de usá-las em determinado horário. E não se enganem, pois a rua vazia, desabitada, as pessoas trancafiadas em suas casas, conectadas à televisão,só serve para a desmobilização e alienação. Para distanciar as pessoas umas das outras e fecundar o medo”.</em></p></blockquote>
<p>Em tempos onde a sociedade contemporânea reivindica novas ordens, como os direitos urbanos, direitos culturais e diante de uma crescente onda tradicionalista, com o fortalecimento das políticas conservadoras, os artistas populares temem um aumento da coerção social da população e da privatização dos espaços públicos. Nesse aspecto o produtor cultural, ator integrante do MTP e do Grupo de Teatro de Rua Cafuringa, Alexandre Menezes, exemplifica claramente o momento atual:</p>
<blockquote><p><em>“Cada vez mais, estão sendo privatizados os espaços públicos. Os teatros por exemplo ainda atendem uma determinada classe social que certamente não são os que estão na periferia. Na comunidade as pessoas não precisam pegar um ônibus, nem colocar a melhor roupa, basta chegar na roda. Às vezes abrem sua porta ou janela e estão diante de uma peça teatral. Ao se depararem com a arte pública em espaços abertos, se emocionam e se reconhecem ali”.</em></p></blockquote>
<p><div id="attachment_2331" style="width: 810px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-02PP.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2331" class="size-full wp-image-2331" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-02PP.jpg" alt="Apresentação da Trupe Circuluz durante o 6º Festival de Cultura Negra do Quilombo Sambaquim – Cupira – PE. Foto: Sandro Barros" width="800" height="533"></a><p id="caption-attachment-2331" class="wp-caption-text">Trupe Circuluz aproveita festivais, como o de Cultura Negra do Quilombo Sambaquim, para levar sua arte ao Interior do Estado. Foto: Sandro Barros</p></div></p>
<p><strong>Segundo ato: a eterna ausência de políticas públicas</strong></p>
<p>Esse segundo raciocínio também é óbvio: uma expressão artística que se situa à margem da chamada indústria cultural, como é o caso do teatro de rua, só pode existir se estiver inserido em um conjunto de políticas públicas articuladas, democráticas, transparentes e eficientes. Dentro deste contexto, Raquel Almeida avalia as políticas públicas estaduais pensadas especificamente para arte pública de rua:</p>
<blockquote><p><em>“Eu levo em conta uma dimensão que compreende o incentivo com recursos, com um edital que compreenda a especificidade do nosso fazer. Na prática, temos um edital em nível estadual que não prevê essas singularidades e ainda por cima coloca valores menores de incentivo em relação às outras linhas de teatro. Além disso, temos festivais estaduais e municipais com formatos de produção e organização que não pensam e refletem acerca do fazer cênico para os espaços públicos, com programações voltadas muito mais para palcos e espaços fechados. Esses dados geram uma lacuna na produção e fruição do teatro de rua em Pernambuco, tanto como montagem, quanto como pesquisa, circulação e intercâmbio”.</em></p></blockquote>
<p>Muitas são as críticas de quem faz teatro de rua no Recife. Essas críticas também são referendadas por outras expressões artísticas ligadas à cultura popular no estado. Os artistas que dialogam com estéticas alinhadas com a indústria cultural, mercadológica, acabam se destacando, pois seus padrões estéticos estão inseridos em contextos globais (mainstream). Essa estética começa no figurino, passa pelos instrumentos, padrões vocais, entre outros. Quando observamos a estética voltada para a cultura popular, o seu diálogo é com as culturas tradicionais. Essa identidade cultural é pouco vivenciada pela maior parte da população no Estado, com exceção das festas ligadas ao calendário oficial, como Carnaval e São João, por exemplo.</p>
<p>Nesse momento observa-se que as políticas culturais sub fomentam brincadeiras que despertem a valorização das identidades locais, e quando olhamos mais atentamente, o teatro de rua acaba tendo uma visão bastante deturpada da sua concepção primária, que é de informar, educar e promover arte pública em territórios onde pouco se fomenta arte. Alexandre Menezes fala abertamente sobre as políticas culturais pensadas para uma arte pública de rua:</p>
<blockquote><p><em>“Digo com total clareza que não existe uma Política Cultural nesta cidade e sim uma politicagem cultural estabelecida pelas gestões que estão no poder. Já participei de diversos fóruns temáticos, consultas públicas, setoriais e nenhuma proposta ou instrumento foi levado em consideração. As conferências municipais e estaduais não são respeitadas e nem colocadas em prática. Então não existe uma fomentação, principalmente para as manifestações artísticas feitas para espaços abertos”.</em></p></blockquote>
<p><div id="attachment_2332" style="width: 810px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-03PP.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2332" class="size-full wp-image-2332" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-03PP.jpg" alt="Circulação do Grupo Cafuringa, apresentação na praça da Paz, Cidade Tabajara, Olinda - PE. Foto: Sandro Barros" width="800" height="533"></a><p id="caption-attachment-2332" class="wp-caption-text">Circulação do Grupo Cafuringa, apresentação na praça da Paz, Cidade Tabajara, Olinda &#8211; PE. Foto: Sandro Barros</p></div></p>
<p><strong>Terceiro ato: o dinheiro sumiu</strong></p>
<p>Teatro, mesmo o popular, não se faz só com amor. Para colocar um espetáculo na rua, claro, precisa-se de dinheiro. Dinheiro que, por conta da inexistência de uma política pública voltada para o setor, praticamente não existe. Para ilustrar os valores destinados à produção do teatro de rua, a última vez que a Prefeitura do Recife ofertou uma seleção pública nesta áreafoi em 2010. Na ocasião, o edital previa o pagamento de R$ 20 mil e, ainda assim, que <a href="http://www.recife.pe.gov.br/2010/01/05/aberto_edital_de_fomento_as_artes_cenicas_170014.php" target="_blank" rel="noopener noreferrer">só foram liberados com um ano e meio de atraso</a>.</p>
<p>No âmbito estadual, a Secretaria de Cultura do Estado de Pernambucano (SECULT-PE) se apoia no Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). Na chamada pública de 2015/2016 foram destinados R$ 1.210.000,00 para propostas em artes cênicas. Esse montante é dividido em dezesseis linhas de ações. Das ações existentes, apenas uma linha de ação, a linha 02, está voltada exclusivamente para teatro de rua, destinando o valor máximo de R$ 64 mil para montagem de espetáculo específicos dessa modalidade, conforme <a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/01/TEATRO.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Resolução da Comissão Deliberativa do Funcultura Nº 02/2014</a>.</p>
<p>O Coordenador de Artes Cênicas da SECULT-PE, Jorge Clésio, que também é ator, reconhece a discrepância nos valores das linhas de ações ofertadas atualmente no Funcultura e fala que a secretária atualmente trabalha na revisão dos valores:</p>
<blockquote><p><em>“As discrepâncias entre os valores das produções de Teatro estão sendo revistas. Assim como todo edital do Funcultura, essa discussão aconteceria a partir de setembro desse ano, mas diante dos acontecimentos políticos, e principalmente pela extinção do Ministério da Cultura (MINC), a Secult revolveu adiantar esse processo, o que já está ocorrendo nesse momento”</em>.</p></blockquote>
<p>Jorge fala sobre a perseverança dos artistas de rua do Estado, suas lutas para promover uma arte sem muros e mais próxima do cidadão, e também das contribuições desses artistas para a construção da cidade que queremos:</p>
<blockquote><p><em>“Destaco a perseverança dos atores de rua na afirmação da sua arte e sua contribuição na discussão sobre a cidade que queremos. Há uma lacuna entre a sociedade civil e o poder público neste aspecto. Cultura não está associada a nossa cidade”.</em></p></blockquote>
<p><div id="attachment_2333" style="width: 810px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-04PP.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2333" class="size-full wp-image-2333" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-04PP.jpg" alt="Circulação do Grupo Cafuringa, apresentação na Academia da  Cidade, Ipojuca - PE. Foto: Sandro Barros" width="800" height="533"></a><p id="caption-attachment-2333" class="wp-caption-text">Circulação do Grupo Cafuringa, apresentação na Academia da Cidade, Ipojuca &#8211; PE. Foto: Sandro Barros</p></div></p>
<p><strong>Quarto ato: a resistência</strong></p>
<p><strong></strong>O Movimento de Teatro Popular de Pernambuco, com sede no bairro dos Coelhos, Recife, composto por grupos e artistas individuais, reúne-se semanalmente para discutir caminhos, estratégias, e ações em prol do teatro popular no estado. Fazem parte deste movimento os grupos Cafuringa, Ifá-Rhadha de art’Negra, Teamu e Cia, Arteiros, Grupo de Teatro Drão, Loucos e Oprimidos da Maciel, Trupe Circuluz, Cia Máscaras de Teatro, Luci da Poesia, POESIS – Grupo Cultural do Alto José do Pinho, entre outros artistas.</p>
<p>O MTP-PE atua como mediador dos grupos junto às instituições públicas e órgãos públicos responsáveis pela fomentação cultural nas três esferas do governo. As pautas surgem a partir de decisões coletivas, fruto das reuniões semanais, assim como decisões para realizações de intervenções públicas e ações como o Festival de Teatro de Rua do Recife. Em dezembro de 2013 ocorreu sua 10º edição, e já com uma latência de três anos, tendo em vista que a 11ª edição do festival não ocorrerá este ano, por falta de apoio financeiro nacesfera governamental.</p>
<p>Para a produtora Cultural, palhaça, mãe de dois filhos e integrante do movimento, Marília Vilas Boas, o MTP tem a função de agrupar e fortalecer politicamente os grupos que estão a ele vinculado, instigando sua jornada através de suas ações e empoderamento sociocultural, buscando sempre aprimorar os conhecimentos dos artistas:</p>
<blockquote><p><em>“O movimento tem uma grande importância para os brincantes de teatro de rua, atualmente nós artistas de rua não temos muitas oportunidades na questão de verba pública e na discussão sobre arte pública por parte do governo, só conseguimos ser remunerados com nossa arte através da compreensão dos espectadores ao rodarmos o chapéu, ou através de editais que acabam tornando-se um meio falho para remuneração da nossa arte”.</em></p></blockquote>
<p>A palhaça aponta como são tomadas as decisões e as ações culturais fomentadas pelo movimento:</p>
<blockquote><p><em>“Tudo é definido no coletivo, onde cada grupo tem um ou mais representantes que são incumbidos de levarem para seus grupos as decisões com o objetivo de manter uma coerência coletiva. No MTP-PE já temos três ações sistemáticas que são o Festival de Teatro de Rua do Recife, o Março de Teatro e o Teatro no Centro. No início do ano, mês de janeiro, acontece o planejamento anual, onde são deliberadas as demandas do Movimento baseando-se nas ações sistemáticas.</em></p></blockquote>
<p>Quando falamos sobre pautas e discussões que trazem à tona a fomentação de uma arte pública, que ocupe espaços abertos, que permita o contato direto do artista com seu público, Raquel Almeida diz:</p>
<blockquote><p><em>“Já em relação à discussão sobre arte pública e mesmo o teatro de rua, existiram diferentes tentativas. O Movimento de Teatro Popular de Pernambuco tenta impulsionar esse fazer, nas ações que promove. Contudo, ainda é algo muitas vezes pontual, não existindo um cronograma permanente de debates e mesmo de ações em torno desse tema, o que seria importante de acontecer. Mesmo assim, os grupos se lançam para a prática, efetivamente eles estão fazendo a arte pública. Os artistas estão nos espaços públicos, nos semáforos, praças, bares, avenidas, descampados, escolas etc. Pernambuco tem uma história depertencimento à arte pública, que se materializa em sua sambadas de maracatu e coco, nos seus brincantes de frevo, no seu carnaval de rua, na sua capoeiragem, nos seus poetas marginais”</em>.</p></blockquote>
<p>Alexandre diz ainda que, mesmo com a organização alavancada pelo MTP-PE, os grupos de teatro de rua ainda realizam ações de maneira isolada, o que dificulta o fortalecimento da expressão artística no âmbito local.</p>
<blockquote><p><em>“Hoje em Recife existem pelo menos seis grupos de teatro de rua atuantes, mas que ainda realizam suas ações de forma isolada e o conceito de arte pública, que é algo tão antigo e tão novo, está sendo discutido em todo Brasil através justamente dos grupos de teatro de rua. Digo isso porque conheço bem esses grupos do Recife e por mais que sejam relevantes seus trabalhos, por mais que participemos dos encontros enquanto Movimento de Teatro Popular de Pernambuco (MTP-PE), as ações ainda são pontuais e não avançamos nessa discussão. Temos que ter a clareza de saber o porquê, pra quê e pra quem fazemos teatro de rua”. </em></p></blockquote>
<p>Perguntado sobre como os artistas de rua conseguem garantir acessibilidade cultural não massificada à população de baixa renda, Alexandre traz à tona o teatro instrumento de transformação social, e resistência cultural diante da indústria cultural massificante e alienante:</p>
<blockquote><p><em>“Existem os que fazem teatro da arte pela arte, dos que fazem para comercializar suas produções e os que fazem com um cunho social e político. Eu prefiro a terceira opção. Foi o que escolhi. Com nossos espetáculos não garantimos somente o entretenimento, mas também damos olhos e principalmente ouvidos à população. Nossos espetáculos nascem das questões que afligem a nós e ao povo, dos direitos que foram e são negados até hoje. Na rua ou na praça estamos em roda, ombro a ombro, diante do trabalhador. Trocando e nos encontrando com o público e com nós mesmos”.</em></p></blockquote>
<p><div id="attachment_2334" style="width: 810px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-05PP.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2334" class="size-full wp-image-2334" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-05PP.jpg" alt="Apresentação do Espetáculo Valentin, em Jardim Atlântico, Olinda - PE. Foto: Sandro Barros" width="800" height="533"></a><p id="caption-attachment-2334" class="wp-caption-text">Apresentação do Espetáculo Valentin, em Jardim Atlântico, Olinda &#8211; PE. Foto: Sandro Barros</p></div></p>
<p><strong>Epílogo: A busca pelo Sorriso <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f609.png" alt="😉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></strong></p>
<p>Nessa busca incessante por um sorriso, por querer dar voz aos oprimidos, por acreditar que a arte é fundamental &#8211; assim como o pão de cada dia &#8211; milhares de artistas espalhados pelo mundo à fora vibram e choram de alegria quando conseguem despertar, por um segundo que seja, a atenção de quem há muito tempo sofre com as desigualdades nascidas desde o ventre.</p>
<p>Por tantos Severinos espalhados pelas periferias do mundo. Por tantas Macabéas parideiras de tantos Severinos. São para eles que os artistas de rua se motivam para levantar cedo todos os dias. Os artistas são as pessoas que provaram o néctar da vida, quando derramaram seu espírito criativo e tocaram no coração do próximo. No prazer de buscar no sorrido do outro a alegria do dia a dia e se alimentar de suas próprias lágrimas, os artistas de rua do Recife vão transcendendo suas próprias limitações.</p>
<p><div id="attachment_2335" style="width: 810px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-06PP.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2335" class="size-full wp-image-2335" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/Sandro-Barros-06PP.jpg" alt="Circulação do Grupo Cafuringa, apresentação na Academia da  Cidade, Ipojuca - PE. Foto: Sandro Barros" width="800" height="533"></a><p id="caption-attachment-2335" class="wp-caption-text">&#8220;Os artistas estão dispostos a dar a sua vida por um momento &#8211; para que aquele verso, aquele riso, aquele gesto agite a alma do público&#8221;. Foto: Sandro Barros</p></div></p>
<blockquote><p><strong>OS ARTISTAS</strong></p>
<p>“Os artistas são as pessoas mais motivadas e corajosas sobre a face da terra. Lidam com mais rejeição num ano do que a maioria das pessoas encara durante toda uma vida. Todos os dias, artistas enfrentam o desafio financeiro de viver um estilo de vida independente, o desrespeito de pessoas que acham que eles deviam ter um emprego a sério e o seu próprio medo de nunca mais ter trabalho. Todos os dias, têm de ignorar a possibilidade de que a visão à qual têm dedicado suas vidas seja apenas um sonho. Com cada obra ou papel, empurram os seus limites, emocionais e físicos, arriscando a crítica e o julgamento, muitos deles a ver outras pessoas da sua idade a alcançar os marcos previsíveis da vida normal – o carro, a família, a casa, o pé-de-meia. Por quê? Porque os artistas estão dispostos a dar a sua vida inteira por um momento – para que aquele verso, aquele riso, aquele gesto agite a alma do público. Artistas são seres que provaram o néctar da vida naquele momento de cristal quando derramaram o seu espírito criativo e tocaram no coração do outro. Nesse instante, eles estão mais próximos da magia, de Deus e da perfeição do que qualquer um poderia estar. E nos seus corações, sabem que dedicar-se a esse momento vale mil vidas ”</p>
<p style="text-align: right;"><strong>David Ackert</strong></p>
</blockquote>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/ssNKU4JdLqA" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2016-07-27-PHOTO-00000048.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-2357" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2016-07-27-PHOTO-00000048-150x150.jpg" alt="2016-07-27-PHOTO-00000048" width="150" height="150"></a>* Sandro Barros é estudante de jornalismo da UFPE, produtor e comunicador cultural, fotógrafo, músico, arte educador, assessor de imprensa e social media. Nasceu em Jaboatão dos Guararapes, mas foi em Olinda que descobriu o amor pela cultura popular e comunicação. Hoje atua no campo da comunicação comunitária, audiovisual e produção cultural. Acredita na comunicação e no jornalismo como instrumentos de transformação social através da fomentação e valorização da cultura popular. Compartilha do pensamento que à apropriação da cultura tradicional é vital para libertação do povo contra as instituições sociais opressoras e reguladoras.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/da-busca-por-um-sorriso-nasce-a-luta-pelo-direito-a-cidade/">Da busca por um sorriso nasce a luta pelo direito à cidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/da-busca-por-um-sorriso-nasce-a-luta-pelo-direito-a-cidade/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
