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	<title>Arquivos árvores - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 26 May 2026 20:36:40 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos árvores - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>“Árvores não são mobiliário urbano, que se coloca, retira e muda de tamanho”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 20:32:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[arborização]]></category>
		<category><![CDATA[árvores]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Neoenergia]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Letícia Lins, do blog Oxe Recife Quando se fala em árvore, no Recife, o primeiro nome que vem à lembrança de biólogos, botânicos, urbanistas, paisagistas, jornalistas, é Isabelle Meunier, E foi a ela que recorri, diante do visível excesso de arboricídios da cidade, de mudas computadas como “árvores” que não passam de gravetos. Como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Letícia Lins, do blog</strong> <strong><a href="https://oxerecife.com.br/arvores-nao-sao-mobiliario-urbano-que-se-coloca-retira-e-muda-de-tamanho/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Oxe Recife</a></strong></p>



<p>Quando se fala em árvore, no Recife, o primeiro nome que vem à lembrança de biólogos, botânicos, urbanistas, paisagistas, jornalistas, é Isabelle Meunier, E foi a ela que recorri, diante do visível excesso de arboricídios da cidade, de mudas computadas como “árvores” que não passam de gravetos. Como sou leiga no assunto, mas produzo a série #Paremdederrubarárvores, no<strong> </strong>#OxeRecife – que aliás virou campanha permanente  em defesa do patrimônio verde da cidade – achei conveniente ouvi-la, já que é uma grande autoridade no assunto.</p>



<p>Nessa entrevista, ela dá sugestões que permitam o controle social da arborização urbana, que os gestores cuidem do setor com transparência, e defende que o Conselho Municipal do Meio Ambiente receba e analise semestralmente informações detalhadas, por bairro, da quantidade de árvores suprimidas e de plantios para análise. Questiona o modelo da nova arborização urbana do Recife, “que está se estabelecendo contra tudo que conhecemos como boas técnicas”. Lembra que ao contrário do que se pratica na cidade, “uma árvore (ou muitas) não pode ter a supressão justificada porque vai ter compensação”. Adverte, ainda, que árvores não podem ser tratadas como mobiliário urbano. “São seres vivos e têm limites de resiliência”.</p>



<p>Isabelle é engenheira florestal, mestre em Ciência do Solo e doutora em Ciências Florestais. Professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco, onde responde pelas cadeiras de Metodologia do Trabalho Científico para a Engenharia Florestal; Legislação Florestal e Ambiental; Política Florestal no Curso de Engenharia Florestal. É supervisora da área de Manejo Florestal e autora de livros infantis, paradidáticos sobre meio ambiente. Orienta e publica sobre arborização há muitos anos, com artigos divulgados em revistas especializadas internacionais e brasileiras. Dois desses artigos:  <em>Evolução da arborização de acompanhamento viário em cinco bairros de Recife – PE (</em> na Revista de Geografia)  e <em>Danos e estratégias de manejo de árvores no Parque da Jaqueira, Recife-PE</em> e <em>Participação na gestão ambiental de espaços públicos: estudo de caso no Parque da Jaqueira, Recife-PE</em>, trabalhos realizados junto a estudantes e apresentados na Semana da Engenharia Florestal da UFRPE, em 2025.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Veja a entrevista:</li>
</ul>



<p><strong>Entre 2013 e 2015, cerca de 2.500 árvores eram suprimidas a cada ano, segundo números oficiais que me foram fornecidos à época. A partir de 2016, esses dados passaram a não ser mais divulgados. Em 2025, segundo a Prefeitura, as erradicações caíram para 1.562.  Mas diariamente o cidadão se defronta com troncos degolados nas ruas. Como a população pode atuar nesse controle?</strong></p>



<p><strong>Isabelle Meunier –</strong> O mínimo que se espera para se ter controle social na arborização urbana é a prestação de informações precisas, claras, tempestivas e qualificadas. O Conselho Municipal de Meio Ambiente deveria apreciar, semestralmente, relatórios com quantitativos de supressões por bairro, se árvores públicas ou particulares, assim como a motivação das intervenções, com possibilidade de consultar os pareceres das autorizações ambientais respectivas. Relatórios de análises e pareceres deveriam estar disponíveis para toda população e os dados acessíveis à comunidade acadêmica, para novas análises. Se não se está fazendo isso, o poder público municipal está contrariando o princípio da transparência na administração pública e dois princípios do Direito Ambiental: o da informação ambiental e o da participação social. O controle social precisa estar presente também nas operações de poda, que deveriam ser notificadas em <em>site</em> e apresentar, no local dos trabalhos, placa indicativa como nome do técnico responsável e número de contato para esclarecimento.</p>



<p><strong>Pelo que eu entendi, a Prefeitura considera ter um superávit “verde” em 2025.  Isso porque houve 1.562 supressões, mas foi feito plantio de 1.963 mudas. Ou seja, “um crescimento real de 25 por cento em relação às árvores caídas ou suprimidas”, de acordo com a gestão municipal. No meu entender, essa conta não fecha. O que diz a senhora, que é uma das maiores autoridades no assunto aqui no Estado?</strong></p>



<p>Importante, novos plantios não compensam, necessariamente, árvores cortadas. Há um período de tempo que pode ser longo entre a época dos plantios de compensação e a efetiva compensação dos serviços ambientais que foram diminuídos com a remoção das árvores, o que pode simplesmente não ocorrer, porque as mudas podem não se desenvolver. Mas, além disso, é preciso deixar claro que a compensação ambiental é uma exigência legal, respaldada pelo princípio da reparação, mas não pode ser pretexto ou justificativa para corte de árvores. Uma árvore (ou muitas) não pode ter a supressão justificada porque vai ter compensação. A compensação é uma imposição legal quando não há meios de evitar a supressão.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/arvore-corte-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/arvore-corte.jpg" alt="A foto mostra o tronco quebrado de uma árvore em uma calçada urbana, com pedaços de madeira pontiagudos e lascas espalhadas ao redor. O chão está coberto por folhas secas e fragmentos de casca, e ao fundo vê-se um muro com arame farpado e grafites, além de carros trafegando em uma avenida sob um céu azul com nuvens brancas. A imagem transmite uma sensação de impacto e contraste entre natureza e cidade, sugerindo o resultado de uma queda ou corte recente." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Isabelle Meunier diz que há evidente escassez de árvores em muitos locais do Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>De acordo com cálculos oficiais, o Recife teria, hoje, 259 mil 565 árvores, sendo 159.304 em áreas públicas e o restante em lotes. Esses números são suficientes para garantir o conforto térmico de uma cidade cheia de ilhas de calor, com 1.600.000 habitantes, com frota de 730 mil veículos (sendo 399.615 automóveis), sem falar nos outros emissores de CO² existentes na capital?</strong></p>



<p>É bem complicado estimar a necessidade potencial de plantio nos diversos tipos de florestas urbanas, no Recife, a partir dos dados disponíveis.  Não se conhece o déficit por bairro e, mesmo diante de evidente escassez de árvores em muitos locais, não há iniciativas para tentar compensar as dificuldades de calçadas estreitas ou inexistentes com a oferta de categorias de áreas verdes convenientemente arborizadas, como praças, pátios de escolas e outros órgãos públicos.</p>



<p><strong>Parece haver, também, uma desigualdade na distribuição do verde urbano no Recife. Confere essa informação?</strong></p>



<p>Há décadas fizemos levantamentos comparando bairros de diferentes RPAs de Recife, que demostraram grande diferença entre as amostras, caracterizando a arborização de calçadas como um indicador das desigualdades no ambiente urbano. Diferenças entre tipos de problemas e danos ocorrentes também foram identificados. Mas faz tempo que avalio se vale a pena repetir esse tipo de diagnóstico, já que se mostraram inúteis por não subsidiar medidas de melhorias.</p>



<p><strong>Por que não há indicadores seguros de número ideal de árvores por habitante?</strong></p>



<p>Porque essa necessidade varia de cidade a cidade, em função do clima, da proximidade ao mar ou rios, vizinhança de áreas verdes e unidades de conservação. Então, cada cidade tem de estabelecer suas próprias metas, de acordo com suas expectativas de qualidade de vida e justiça ambiental.</p>



<p><strong>Andando tanto em bairros do centro quanto em outros afastados, como Monteiro e Afogados, já encontrei ruas sem uma árvore sequer. Também há canteiros centrais – como na avenida Norte (excetuando-se o trecho localizado na Macaxeira) – que são de aridez absurda. A alegação é que eles não comportam árvores. Quais seriam as espécies que poderiam ser plantadas em locais como aqueles?</strong></p>



<p>Para termos uma boa arborização, a cidade deve querer isso. Dificilmente a sociedade, espontaneamente, vai mudar seus costumes. E, portanto, cabe aos gestores serem catalisadores de novas inspirações. É realmente difícil ter árvores em calçadas estreitas, em construções sem recuos, canteiros centrais que não passam de simples divisor de pistas.  Ou seja, as calçadas precisam ser mais largas, novas avenidas devem ter verdadeiros canteiros centrais (com pelo menos 4 m de largura – e sem fiação aérea!), edifícios públicos ou particulares precisam abrir mão de vagas de estacionamento para dar lugar a árvores. Bairros mais antigos têm grandes desafios para a arborização de calçadas, por motivos óbvios, e pode-se tentar compensar com pequenas praças, estabelecidas em terrenos não ocupados.  Códigos de obras precisam ser cumpridos para manutenção de áreas verdes nas edificações e para isso é preciso controle urbano para, aos poucos, se ter alguma mudança de concepção de cidade. É difícil? Muito. Mas talvez seja possível.</p>



<p><strong>No Recife, o índice de perdas de mudas já chegou a 60 por cento. Não tenho números atuais, mas é impressionante a quantidade de gravetos computados como “novas árvores”. Na avenida Recife, por exemplo, cheguei a contar 40 gravetos entre as cem “árvores” plantadas pelo Programa Via Jardim. Como a sra vê esse problema?</strong></p>



<p>Poucas vezes vi, em Recife, plantios tão ruins. Muitas mudas grandes (mas não necessariamente boas, mas provavelmente caras), plantadas algumas vezes com o saco plástico (tenho fotos , mas uma dessas vítimas já deu lugar a uma entrada de estacionamento), em solo compactado, com pó de pedra como cobertura do canteiro, sem tutor ou com tutor e amarrio inadequados, sem grade de proteção.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;A nova arborização de Recife está se estabelecendo contra tudo que conhecemos como boa técnica&#8221;.</p>
</div>


<p><strong>Qual sua opinião sobre essa nova arborização do Recife?</strong></p>



<p>A nova arborização de Recife está se estabelecendo contra tudo que conhecemos como boa técnica. Nada de manutenção nem replantio das muitas mudas mortas. Isso se soma à densidade desordenada de postes de todos os tipos e finalidade e uma fiação aérea caótica. Infelizmente, não posso dizer que vi melhorias recentes. Aliás, melhoria na arborização começa com um bom viveiro, adequado e regular fornecimento de sementes, boas práticas de produção de mudas e gestão do viveiro, recursos humanos experientes e capacitados … No caso de mudas de terceiros, certamente é necessário que os contratos sejam muito melhor acompanhados pelo contratante.</p>



<p><strong>No Recife, espera-se até dois anos por um atendimento de poda feito à Emlurb. Pelo menos é o que acontece no meu bairro. Essa demora pode prejudicar as árvores, muitas das quais ficam “capengas” depois de “podas” feitas pela Neonergia, que são unilaterais e somente nos galhos que batem na fiação?</strong></p>



<p>Interessante esse dado, eu não tinha essa informação. Quando avaliei tempo de resposta à solicitação de cidadão, pela primeira vez, em 1998, fiz em relação aos atendimentos a pedidos de plantio, que foram atendidos no prazo de poucos dias a até três meses. É possível que as condições de atendimento tenham se degradado. Não tenho informações sobre as condições objetivas do órgão responsável para avaliar, dar parecer e prover as ações de arboricultura necessárias, com boa técnica. O certo é que é preciso ter essas condições. No caso de avaliação de risco, essa resposta tem de ser absolutamente tempestiva, indicando e aplicando a intervenção necessária.</p>



<p><strong>O que se espera de podas da Neonergia, que só visam os galhos que batem nos fios, deixando as árvores em desequilíbrio e mais propensas a tombarem?</strong></p>



<p>Em relação às <a href="https://marcozero.org/podas-mal-feitas-realizadas-pela-neonergia-podem-provocar-mais-quedas-de-arvores-no-recife/">podas da Neoen</a><a href="https://marcozero.org/podas-mal-feitas-realizadas-pela-neonergia-podem-provocar-mais-quedas-de-arvores-no-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">e</a><a href="https://marcozero.org/podas-mal-feitas-realizadas-pela-neonergia-podem-provocar-mais-quedas-de-arvores-no-recife/">rgia</a>, a empresa tinha desenvolvido um protocolo que, ao menos, denotava cuidados, mas também observo uma certa perda de qualidade nas operações. Nos últimos anos, certamente houve avanços na qualidade de podas da Neoenergia, talvez principalmente pelos esforços de melhoria do isolamento da fiação. Da nossa parte, foram muitos e muitos anos alertando para o simples fato de que foice e fação não eram instrumentos para poda – ao menos nisso se avançou. Podas da Neoenergia têm como objeto “livrar a fiação” mas o mínimo que se espera é que deixe a árvore sem danos e em condições de se recuperar. Mais uma vez, um alerta: árvores não são mobiliário urbano, que se coloca, retira e muda o tamanho. São seres vivos e têm limites de resiliência.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/arvore-poda.jpg" alt="A imagem mostra uma rua urbana arborizada, com edifícios altos e brancos ao fundo. À esquerda, há carros e motos estacionados, enquanto à direita se estende uma calçada larga e bem cuidada, ladeada por árvores de copas densas e palmeiras. Os galhos se inclinam sobre a via, formando uma espécie de túnel verde, porém não há galhos acima da calçada. O céu está claro, e a cena transmite uma sensação de tranquilidade e integração entre natureza e cidade." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Podas da Neoenergia têm como objeto “livrar a fiação”, o que afeta o equilíbrio das plantas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Na nossa cidade, temos a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade e um Manual de Arborização Urbana, que é considerado eficiente. Mas há regras atuais estranhas. Por exemplo, quem autoriza a erradicação de árvores não é mais a esvaziada SMAS, mas sim a Secretaria de Política Urbana e Licenciamento, a mesma que libera construções e recentemente liberou o corte de 41 árvores no Parque Dona Lindu para “plantar” quiosques. Não há conflito de interesses que coloca nossas árvores em risco?</strong></p>



<p>Recife sempre teve problema de harmonização de órgãos para desempenho de atividades relativas à arborização: SMAS, Emlurb e, no caso de empreendimentos de construção,  a SEDUL. É um desafio da gestão pública ter o meio ambiente como eixo horizontal, mas ainda assim deve ser tentado. Não tenho sugestões sobre como articular o sistema municipal de meio ambiente com as instâncias de ordenamento urbanístico porque exige conhecimento sobre os órgãos: competências, recursos humanos, capacitação, investimentos em recursos para aprimorar o licenciamento… E, lembrando, as responsabilidades também são dos empreendedores, engenheiros e arquitetos e demais profissionais que precisam comungar da nossa certeza sobre a importâncias das árvores para a qualidade de vida nas cidades.</p>



<p><strong>O Manuel de Arborização do Recife vem sendo seguido?</strong></p>



<p>Sobre o Manual: parece que tem sido esquecido, não é mesmo? O Manual tem informações válidas, recomendações fundamentadas pela literatura especializada e muito ainda a ser desenvolvido por meio de experimentos com espécies indicadas ainda não são utilizadas. Mas parece estar sendo ignorado, o que comprova que a produção de documentos não é suficiente sem a ação responsável e eficaz de agentes públicos.</p>



<p><strong>O governo federal lançou recentemente o PlaNAU – Plano de Arborização Urbana, cujas primeiras ações já começam a aparecer, como Programa “ArborizarCidades” que vai liberar R$ 19 milhões para plantios urbanos de pequenas e médias cidades. O que acha do PlaNAU?</strong></p>



<p>Sinceramente, ainda não analisei o PlanAu. Enviei algumas contribuições, mas não acompanhei as últimas discussões e deliberações. Imagino o desafio de construir um instrumento de planejamento nacional para ações que se dão, necessariamente, nos territórios municipais. Assim, espero que aborde diretrizes, mas só vou falar sobre ele quando analisar o documento junto com minhas turmas, sabendo que será a simples análise de um documento, enquanto o verdadeiro desafio a ser enfrentado reside na capacidade, habilidade e vontade dos municípios de conduzirem a arborização como um serviço público essencial às populações.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quem tentou matar duas grandes árvores na avenida Norte?</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-tentou-matar-duas-grandes-arvores-na-avenida-norte/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2024 19:11:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[arborização urbana]]></category>
		<category><![CDATA[árvores]]></category>
		<category><![CDATA[avenida Norte]]></category>
		<category><![CDATA[desfoliante]]></category>
		<category><![CDATA[Ficus]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mais provável é que a pergunta que dá título a este texto nunca seja respondida, mas a secretaria municipal de Meio Ambiente deu início a uma “investigação administrativa para, em caso de confirmadas quaisquer irregularidades, proceder com as medidas cabíveis”. As árvores em questão são dois Ficus na calçada da avenida Norte Miguel Arraes [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O mais provável é que a pergunta que dá título a este texto nunca seja respondida, mas a secretaria municipal de Meio Ambiente deu início a uma “investigação administrativa para, em caso de confirmadas quaisquer irregularidades, proceder com as medidas cabíveis”. As árvores em questão são dois Ficus na calçada da avenida Norte Miguel Arraes de Alencar na altura do número 3698, entre o cruzamento com a rua Cônego Barata e a esquina com a rua Silveira Lira, na Tamarineira,</p>



<p>No final de abril, entre a sexta-feira, dia 20 e o sábado, 21, os vizinhos começaram a perceber que as folhas das árvores estavam caindo em velocidade e quantidade incomuns, ao ponto da calçada ficar coberta por uma grossa camada de folhas secas que logo espalharam-se pela própria avenida. Durante a semana seguinte, as copas das duas plantas foram ficando cada vez amareladas e, em seguida, despidas.</p>



<p>Especialista em arborização urbana e professora de Recursos Florestais e Engenharia Florestal e Ciências Ambientais na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), <a href="https://dcflufrpe.wixsite.com/dcfl/isabelle-meunier">Isabelle Jacqueline Meunier</a> não acredita que as árvores tenham sido vítimas de pragas ou qualquer outro fenômeno natural:</p>



<p>“Isso não parece qualquer evento natural. Pela rapidez e extensão, foi um produto bastante tóxico. Talvez glifosato, mas querosene e gasolina são produtos usados por quem pretende erradicar uma árvore desse porte sem autorização. Seria interessante saber se há algum processo na prefeitura para abertura de entrada de veículos no local, ou mesmo um pedido de erradicação que possa ter sido negado”, comentou a professora.</p>



<p>Segundo ela, “o problema desse tipo de provável crime ambiental é a dificuldade do flagrante e de provas posteriores. O poder público também não se esforça para ter meios de investigação, nesse caso, procurar câmaras de segurança, por exemplo”. Para complicar ainda mais, não há laboratório público no Recife que faça análise química do solo e das folhas das plantas. Só assim seria possível ter certeza se algum desfoliante foi usado contra as duas árvores.</p>



<p>No Recife, quem tem pretende podar ou cortar uma árvore em calçada precisa dar entrada em um pedido à Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb). Lá, no entanto, ninguém pediu autorização para dar fim aos dois Ficus da avenida Norte. A secretaria municipal do Meio Ambiente também não recebeu nenhum pleito, mas repassou a informação que consta no primeiro parágrafo deste texto.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>De acordo com a <a href="https://cee.fiocruz.br/?q=node/987">Fiocruz</a>, o <strong>glifosato</strong> foi criado nos anos 1950 pela indústria farmacêutica, mas o princípio ativo ficou conhecido nos anos 1970, quando a empresa Monsanto – hoje pertencente à Bayer – desenvolveu um poderoso herbicida. Suas vendas estouraram quando a companhia lançou sua linha de sementes transgênicas Roundup, resistentes ao glifosato, nos anos 1990. Há estudos que relacionam o o glifosato ao câncer e a outras doenças. A Bayer, inclusive, já foi condenada na justiça americana sob essa alegação.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Já os <strong>desfoliantes</strong> são substâncias químicas que induzem a queda prematura das folhas. Para além de usos agronômicos, também tem uso militar para desfoliar zonas florestais e aumentar a visibilidade para os exércitos. O exemplo clássico de desfoliante altamente tóxico é o “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Agente_laranja">agente laranja</a>”, ou ácido diclorofenoxiacético, usado pelas forças armadas dos Estados Unidos na guerra do Vietnã.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">Final feliz (por enquanto)</h2>



<p>Tudo indica, contudo, que as duas árvores continuarão com as sombras de suas copas sobre os carros, motos e ônibus que passam naquele trecho da avenida Norte. Nos primeiros dias de maio, as folhas passaram a cair em um ritmo mais lento. </p>



<p>É difícil matar um Ficus. Às vezes, nem com motosserra é possível, pois é comum a planta voltar a brotar mesmo com o caule serrado. Quando isso acontece, é preciso arrancar o que sobrou com ajuda de trator e correntes. </p>



<p>Uma coisa é certa: já não se considera uma boa ideia plantar Ficus em calçadas nem em quintais ou em jardins. Natural do sudeste asiático, o Ficus se tornou muito popular no Brasil – principalmente a espécie <em>Ficus benjamina</em> &#8211; por sua beleza, imponência – não é incomum alcançar 30 metros de altura (o equivalente a um prédio de 10 andares) e por suportar o clima tropical e temperaturas médias de 30 graus.</p>



<p>O problema está nas raízes que, bastantes agressivas, danificam estruturas, calçadas, muros, paredes, pavimentos e tubulações subterrâneas. Em várias cidades brasileiras seu plantio já foi proibido. No Recife, os técnicos da prefeitura recomendam não plantá-la.</p>





<p><br><br></p>
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		<title>Dendrofobia, o inexplicável medo de árvores de quem vive nas metrópoles</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Mar 2020 13:17:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Isabelle Meunier* Há 20 anos (sim, no ano 2000!), fui procurada por uma simpática ex-estudante da UFRPE, preocupada em proteger uma árvore existente no jardim da sua casa, em Camaragibe, objeto do terror de vizinhos que clamavam pela derrubada do belo exemplar de árvore-de-natal (também referida como pinheiro, apesar de ser do gênero Araucária). [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Isabelle Meunier</strong>*</p>



<p>Há 20 anos (sim, no ano 2000!), fui procurada por uma simpática ex-estudante da UFRPE, preocupada em proteger uma árvore existente no jardim da sua casa, em Camaragibe, objeto do terror de vizinhos que clamavam pela derrubada do belo exemplar de árvore-de-natal (também referida como pinheiro, apesar de ser do gênero Araucária). Na época, com a colaboração de colega do IBAMA e de advogado da ASPAN, conseguimos mostrar que a árvore não representava perigo algum.  </p>



<p>Posteriormente fui convidada a verificar outras vezes as condições da árvore, sempre que a Prefeitura de Camaragibe exigia alguma declaração da família proprietária. Pareceres formais foram elaborados em vários anos (ainda tenho os registros de documentos de 2001, 2007, 2013 e 2014), esse último para a Secretaria de Defesa Civil do Município de Camaragibe. Em todas as visitas, a confirmação do que foi insistentemente relatado: não havia qualquer evidência de risco iminente e a árvore era objeto constante de cuidado e atenção da família. Mas a história continuou rendendo.</p>



<p>Copio, a seguir, parte de um parecer elaborado em 2014:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;(&#8230;.) Quando se trata de recomendar a supressão de árvores à revelia do desejo dos seus proprietários, é preciso se estar atento, não à “possibilidade de queda”, que existe associada a qualquer ser vivo ou inanimado, em posição vertical, mas ao “risco iminente” de queda, que deverá ser comprovado e não suposto.</p><p> A “possibilidade” de queda corresponde à figura do direito denominada “caso fortuito ou força maior” e sobre essa não há possibilidade de previsão. Pareceres técnicos que aleguem caso fortuito ou força maior (p. ex., “se, no futuro, por algum motivo, a árvore cair, poderá haver prejuízos&#8230;”) não têm validade nem devem suportar decisões que coloquem em jogo a vida de um ser vivo. </p><p>Sobre as condições atuais da árvore, pode-se constatar:<br> <br> Não há sinais de movimentação de solo, desbarrancamento, fuga de aterro ou encharcamento. O jardim apresenta excelente drenagem e não há rachaduras no muro que evidenciem pontos de pressão. </p><p> A árvore não apresenta danos físicos ou bióticos, apresentando bom estado sanitário, sem rachaduras ou orifícios. Não há seca de acículas nem queda de verticilos que evidenciem doenças e não foram observados sinais de pragas. </p><p>Como o único argumento contrário a permanência da árvore refere-se à altura do exemplar, que realmente destaca-se em uma rua sem árvores, com construções sem recuo e sem jardins, esse não parece se configurar como evidência de dano iminente, posto que ser alta é uma das condições intrínsecas da espécie e não se pode derrubar árvores por serem altas. O fato de balançar, o que aparentemente causa temor em alguns vizinhos, nada mais é do que o resultado natural da arquitetura da árvore, adaptada ao longo de milhões de anos de evolução, contribuindo para o seu equilíbrio.&#8221; </p></blockquote>



<p>Ao final de 2019, mais uma vez o Diretor do Departamento de Ciência Florestal da UFRPE recebeu um documento do Poder Judiciário do Estado de Pernambuco, com solicitação da Juíza da 1ª Vara Cível da Comarca de Camaragibe, requerendo que o mesmo se pronuncie “acerca da viabilidade de manutenção da árvore em questão, caso esteja devidamente podada, diminuindo seu porte”.  </p>



<p>É preciso ressaltar que a realização de podas para reduzir o porte de uma árvore não é uma medida de segurança, muito menos quando se trata de um conífera de crescimento monopodial. Mas, mais importante do que essa são outras lições que podemos aprender: passados todos esses anos, a árvore confirmou nossas avaliações e continua firme mas, pelo que se entende do texto do documento, com um grande problema: tem porte de árvore! </p>



<p>Passados todos esses anos, a família, por seu lado, não teve sossego e travou uma luta constante para manter uma árvore em seu jardim e, com isso, pássaros na vizinhança e um pouco de beleza em uma rua inóspita, em uma cidade sem arborização urbana. A família pena, até hoje, para convencer que árvores podem ser altas e que conviver com elas não representa perigo, ao contrário de conviver com carros, motos ou com a insegurança urbana. </p>



<p>Assim, o que mais espanta é que, transcorridas duas décadas nas quais tanto se falou em meio ambiente, mudanças climáticas, ilhas de calor, função socioambiental da propriedade, papel do poder público e da coletividade na defesa do meio ambiente, ainda somos uma sociedade na qual é necessário atestar a &#8220;viabilidade da manutenção&#8221; de uma árvore contra a qual pesa a acusação de existir.</p>



<p>*<strong>É doutora em Ciências Florestais pela Universidade Federal Rural  de Pernambuco (2014), onde é professora no curso de Engenharia Florestal</strong></p>
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