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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Quem é a jovem recifense que se tornou alvo dos seguidores de Michele Bolsonaro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jan 2024 19:58:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* A comunicadora recifense Karina Santos, 30 anos, é a mais nova integrante da lista de personalidades perseguidas pela extrema-direita no País. Ela passa a fazer parte do grupo que tem nomes como o do padre Júlio Lancellotti, a primeira-dama Janja, a vereadora de Niterói Benny Briolly e o deputado do Paraná Renato [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>A comunicadora recifense Karina Santos, 30 anos, é a mais nova integrante da lista de personalidades perseguidas pela extrema-direita no País. Ela passa a fazer parte do grupo que tem nomes como o do padre Júlio Lancellotti, a primeira-dama Janja, a vereadora de Niterói Benny Briolly e o deputado do Paraná Renato Freitas. Em comum, todas essas personalidades receberam mensagens de bolsonaristas com ofensas e ameaças de morte por redes sociais, e-mail ou telefonema. E precisaram adotar medidas de precaução e segurança. Nos casos mais graves, escolta 24 horas e a necessidade de deixar o Brasil por um período.</p>



<p>Karina começou a receber centenas de mensagens no dia 4 de janeiro, depois que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou no Instagram, para sua base de 6,5 milhões de seguidores, o print do perfil e a marcação da comunicadora, com a frase “como uma boa comunista-caviar, ama um dinheirinho”.</p>



<p>Desde então, a rotina da recifense que produz conteúdo para as redes mudou bruscamente. Ela procurou a polícia para formalizar queixa. O boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) na segunda-feira, no dia que os ataques golpistas de 8 de janeiro completaram um ano.&nbsp;</p>



<p>As mensagens enviadas a Karina têm cunho de violência, instigação ao suicídio, misoginia e xenofobia. Muitas são impublicáveis. “Em breve, você vai pro lugar que merece: o inferno”, “só podia ser da esquerda maldita, vai chegar a vez da vala”, “quero um Adélio na sua vida” e “comedora de farinha, teu Nordeste está na miséria” são algumas delas.</p>



<p>O grau de preocupação de Karina aumentou quando passou a receber mensagens que faziam referência também ao seu filho, uma criança de cinco anos. Na saída da delegacia onde registrou queixa, ao lado da advogada, ela gravou e postou um vídeo. “Estou aqui para dizer a vocês: internet não é terra sem lei”.</p>





<p>Karina é filiada ao Partido dos Trabalhadores e pode ser candidata a vereadora pela legenda. Nas redes sociais, utiliza no perfil uma foto abraçada ao presidente Lula e se descreve como “terrivelmente petista”. A frase é uma adaptação da declaração de Jair Bolsonaro, quando presidente, de que iria indicar um nome “terrivelmente evangélico” ao Supremo Tribunal Federal, que depois veio a ser o então advogado-geral da União, André Mendonça.&nbsp;</p>



<p>A comunicadora recifense afirma que trabalha conteúdos políticos com humor e deboche. Karina tem hoje uma base de 214 mil seguidores no Instagram . No dia 1º de janeiro, ela postou um meme de uma fotomontagem que circula nas redes sociais de Jair e Michelle Bolsonaro detidos numa delegacia de polícia, com a frase “que tudo se realize no ano que vai nascer”.</p>



<p>Por meio de uma pré-candidata do PL a vereadora de Salvador, a postagem chegou ao conhecimento da ex-primeira-dama, que não gostou e decidiu expor a pernambucana. Foi o sinal verde para a tropa digital bolsonarista abrir fogo. Desde então, a vida da comunicadora virou uma bagunça. “Eu precisei parar a minha vida para lidar com isso. Tentei me conectar com o assunto do 8 de janeiro e voltar a produzir, sendo que não pude comparecer ao ato porque passei a manhã na delegacia”, relembrou.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Apoio até de Xuxa Meneghel</strong></h2>



<p>Para se contrapor à onda de ataques instigada por Michelle Bolsonaro, um movimento de solidariedade a Karina Santos também surgiu nas redes sociais. Manifestaram-se figuras públicas do PT, como os senadores Teresa Leitão e Humberto Costa, a deputada Rosa Amorim e os vereadores Liana Cirne e Vinicius Castello, e do PSOL, a exemplo do vereador Ivan Moraes e a deputada Dani Portela. Os sindicatos dos urbanitários e metroviários também se posicionaram.</p>



<p>A mensagem de apoio mais inusitada, porém, foi enviada no privado a Karina pela apresentadora Xuxa Meneghel. “Eu estou contigo e sua família. Sinto muito. Espero que você não perca a força e a fé. Beijos em você e receba meu carinho”.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Primeira trans eleita em Niterói precisou deixar o país&nbsp;</strong></h3>



<p>A reportagem da Marco Zero também conversou com a vereadora Benny Briolly (PSOL-RJ). Ela contou um pouco do que é ser mulher, negra, trans e defensora dos direitos humanos na casa legislativa de uma cidade do Rio de Janeiro que pode ser considerada um dos núcleos do bolsonarismo. Foi em Niterói, por exemplo, que Bolsonaro assistiu ao desfile de 7 de setembro no ano passado. Na ocasião, alguns carros blindados das Forças Armadas soltaram muita fumaça e precisaram ser empurrados, proporcionando cenas hilárias.</p>



<p>MZ &#8211; <strong>Há medidas de segurança que precisam ser adotadas por pessoas ou equipes que lidam, na linha de frente, com grupos de extrema-direita?</strong></p>



<p><strong>Benny</strong> &#8211; Eu já sofria ameaças antes de tomar posse na Câmara Municipal de Niterói. Quando o meu corpo adentrou esse espaço, inúmeros ataques foram feitos através das redes socais, como “desejo que a metralhadora do Ronnie Lessa te atinja”. Já recebi também um e-mail que citava o meu endereço e exigia a minha renúncia. Por questão de segurança, mudei de endereço e precisei andar com escolta 24 horas do meu dia. Por conta dessas e outras ameaças, tive que deixar o país por um período. É inegável que esse afastamento cerceia o meu direito político. De certa forma, me garantiu segurança, mas prejudicou o exercício do cargo para o qual fui eleita. Estar na linha de frente como um corpo que trai os pactos coloniais e ameaça a estrutura da extrema-direita nos destina a alvos de violência e, até mesmo, de assassinato.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Benny Briolly virou alvo da extrema-direita ao se eleger vereadora. Crédito: Rafael Lopes/BdF</p>
	                
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<p><strong>Que elementos você identifica nesse método da extrema-direita?</strong></p>



<p>Essa tática de perseguição deixa nítido o histórico da política do fascismo, de uma cultura racista, misógina e transfóbica. Escancara também o quão dispostos estão para chegar à manutenção do poder. Materializam esta manutenção quando utilizam do autoritarismo para promoção da censura e precariedade na educação, na cultura e na política institucional. A população começa a se polarizar, surgindo assim uma vulnerabilidade. Daí, começam a movimentar uma política que molda uma estética e linguagem em prol de princípios morais, a partir do conservadorismo. Surgem as contratações de agências para promoção de fake news. Após esse movimento, a extrema-direita incentiva uma parcela da comunidade a atacar ativistas, parlamentares e artistas considerados referência, tendo como caraterística o ódio e o crime. Isso tem um impacto na saúde mental e física das figuras atacadas, seus parentes e amigos.</p>



<p><strong>Do ponto de vista legislativo, o que é possível avançar nesse tema da violência por meio das redes sociais?</strong></p>



<p>É necessário compreender que a falta de regulação dessas plataformas é uma ameaça à democracia. Não é sobre cerceamento da liberdade de expressão. É sobre combater crimes. Afinal, será mesmo algo inviolável utilizar as redes sociais para retroalimentar ódio e fomentar perseguição? A internet ganhou centralidade e esse conceito da neutralidade não pode mais prevalecer. É do modelo de negócios dessas empresas maximizar lucros com o vale-tudo. Os antagonismos, os preconceitos, os ódios são funcionais para isso. Não é apenas o indivíduo que deve ser responsabilizado, mas também a plataforma que lucra com esses comportamentos. Do ponto de vista legislativo, é bastante relevante a proposição, por exemplo, do <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/141944" target="_blank" rel="noreferrer noopener">PL 2.630/2020 (chamado de PL das fake news)</a>, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>



<p></p>
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		<title>Imprensa é alvo de meio milhão de tweets ofensivos em 3 meses</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Sep 2021 18:00:00 +0000</pubDate>
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<p>Meio milhão de tweets com ataques à imprensa foram registrados entre os dias 14 de março e 13 de junho deste ano em levantamento realizado pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS-Rio). Cerca de 20% do total foram publicados por contas com alta probabilidade de comportamento automatizado. O estudo também apontou maior engajamento atrelado a grupos de usuários que dão base de sustentação ao governo federal nas redes. Grandes grupos de comunicação, considerados críticos ao governo por seus apoiadores, e jornalistas mulheres foram os alvos preferenciais.</p>



<p>Durante o período foram registrados 498.693 tweets mencionando ao menos uma das hashtags monitoradas (#imprensalixo, #extreamaimprensa, #globolixo, #cnnlixo e #estadãofake), compreendendo tanto tweets nativos quanto retuítes (RTs) publicados por um total de 94.195 usuários. Mais da metade (51%) dos tweets estão concentrados em 13 dias de pico, o que representa 14% do total do período de três meses. Ainda que a maior parte dos tweets levantados esteja associada aos picos, não houve um só dia com menos de mil registros de ataques à imprensa.</p>



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	                                        <p class="m-0">Termos depreciativos em tweets que mencionam jornalistas</p>
	                
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<p>O dia com o maior número de postagens foi 10 de maio, com 36.791 registros, na esteira da publicação de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo sobre um esquema de orçamento paralelo, utilizado para liberar verbas para emendas parlamentares. Ao analisar os períodos de maior engajamento com as hashtags monitoradas, fica evidente um movimento amplo de reação a informações reveladas pela imprensa que expõem negativamente o governo. Os picos de engajamento com as hashtags monitoradas também coincidem em grande parte dos casos com um movimento de ondas de ataques direcionados a jornalistas individualmente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Violência contra jornalistas mulheres</strong></h2>



<p>A RSF e o ITS-Rio monitoraram episódios de assédio nas redes contra perfis de alguns jornalistas, como Maju Coutinho (Globo), Daniela Lima e Pedro Duran (CNN Brasil), Mariliz Pereira (Folha de S. Paulo), e Rodrigo Menegat (DW News). Os dados destes ataques foram coletados no momento em que eles aconteceram e as análises foram realizadas à parte das hashtags. Se considerados apenas esses cinco jornalistas e o intervalo de dias de pico em que os respectivos ataques ocorreram, ao todo foram mais de 84 mil tweets com ataques direcionados a eles (sem contar os retuítes).</p>



<p>A quantidade total de tweets mencionando jornalistas mulheres foi 13 vezes maior do que em relação aos seus colegas homens. Em 10% dos tweets foram utilizados termos depreciativos, pejorativos e palavrões como safada(o), vagabunda(o), puta(o), burra(o), ridícula(a), idiota, arrombada(o) e imbecil. A incidência desses termos foi 50% maior quando direcionados às jornalistas mulheres em relação aos seus colegas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conteúdo disseminado por robôs</strong></h2>



<p>O PegaBot, ferramenta desenvolvida pelo ITS-Rio, apontou que 3,9% dos 94.195 usuários que interagiram com as hashtags monitoradas ao longo dos três meses de levantamento apresentaram alta probabilidade de comportamento automatizado. Isso representa em torno de 3.600 perfis com alta probabilidade de serem bots. Considerando tanto o volume total de mensagens quanto apenas os 13 dias de picos de engajamento com as hashtags, estas contas foram responsáveis por 20% dos tweets publicados. A utilização de contas automatizadas no levantamento realizado indica a existência de mobilizações orquestradas com o objetivo de ampliar artificialmente movimentos de ataques à imprensa no Twitter.</p>



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	                                        <p class="m-0">Posicionamento ideológico dos usuários que compartilharam os tweets analisados</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O Pegabot retorna, além da análise sobre comportamento automatizado, uma listagem das últimas hashtags utilizadas por cada usuário. Com base nessas informações, é possível entender mais sobre o posicionamento ideológico dos usuários que integram o levantamento realizado. Ao contabilizar as 150 hashtags mais compartilhadas pelos usuários que interagiram com as cinco hashtags contra a imprensa monitoradas no levantamento, os temas que mais aparecem sinalizam um forte movimento de apoio ao governo federal, incluindo temas como a defesa do voto impresso e críticas ao STF e à CPI da Pandemia.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/imprensaa-e-alvo-de-meio-milhao-de-tweets-ofensivos-em-3-meses/">Imprensa é alvo de meio milhão de tweets ofensivos em 3 meses</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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