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	<title>Arquivos aumento do preço dos combustíiveis - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos aumento do preço dos combustíiveis - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>A crise dos combustíveis nos editoriais da grande imprensa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 May 2018 15:44:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Da quinta-feira (24) à terça-feira (29), os três jornalões do eixo Rio-São Paulo – Folha de S.Paulo, Estadão e O Globo – publicaram 13 editoriais sobre a greve dos caminhoneiros. Em nenhum deles há uma única linha contra as manifestações públicas de parte dos motoristas de caminhão em defesa da intervenção militar no país. Absolutamente nada.</p>
<p>Em meio ao caos nas ruas, os grupos que controlam os jornalões jogaram o peso político de sua influência em Brasília na tarefa de erguer um cinturão de proteção à política da Petrobras sob o governo Temer, que atrela os preços internos dos combustíveis às oscilações diárias do mercado internacional de petróleo. À suposta “credibilidade” de Pedro Parente opuseram o que chamaram de “governo desastroso de Dilma Rousseff”.</p>
<p>A greve dos caminhoneiros começou na segunda-feira (21), mas a mídia brasileira só se deu conta do que acontecia na quarta-feira (23) quando o bloqueio de dezenas de estradas pelo país afora já não podia ser ignorado. A greve surpreendeu o governo federal tanto quanto surpreendeu a mídia.</p>
<p>Avisos não faltaram. No dia 14, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) enviou ofício à Presidência da República e, no dia 18, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) lançou comunicado público. Sem a redução de impostos sobre os combustíveis parariam na segunda (21).</p>
<p><strong>A VOZ DO MERCADO</strong></p>
<p>Os primeiros editoriais saem na quinta-feira (24). Folha (<em>Preço não faz Acordo</em>) e Estadão (<em>A greve dos caminhoneiros</em>) lançam o alerta de que a nova política de preços da Petrobras precisa ser preservada.</p>
<p>Na Folha: “O risco, que se deve evitar a todo custo, é uma recaída no controle populista de preços, que, aliado a gestão irresponsável e corrupção, levou a Petrobras à breca”. O Estado segue a mesma toada: “Essa política – fortalecida por outras medidas de teor semelhante – simboliza o afastamento total da interferência política nas decisões da Petrobras, como as que havia na gestão lulopetista”.</p>
<p>Em resumo: contra a ingerência política do PT de Lula e Dilma, a competência técnica e isenta do PSDB de Pedro Parente.</p>
<p>Segundo os jornais, não há saída fácil para a crise. Ganha-se tempo com a proposta feita pela Petrobras de redução de 10% no preço do diesel por 15 dias, mas o caminho deve passar pela redução de impostos: Cide e Pis-Cofins federais e ICMS estadual. Esse último com peso maior sobre o preço final dos combustíveis. Valeria perguntar aos editorialistas: como fazê-lo, abrindo mão de receitas, se o governo que iria sanear as contas públicas arrasta um déficit estimado em 159 bilhões?</p>
<p>O Globo da sexta-feira, 25, aproveita o editorial (<em>Impostos são um problema sobre combustíveis</em>) para atacar a carga tributária no Brasil e, de quebra, questionar o tamanho do Estado: “É oportuno chamar a atenção que os governos estaduais, assim como a União, se limitam a transferir para o contribuinte seus aumentos reais de despesas em custeio, basicamente salários do funcionalismo, aposentadorias e pensões. Os estados têm nos combustíveis uma das fontes preferenciais de receita, por ser de fácil e barato recolhimento. É por isso que o ICMS sobre energia elétrica e serviços de telecomunicação também é escorchante. A greve dos caminhoneiros serve ao menos para jogar luz neste achaque tributário que estados cometem contra a população”.</p>
<p>Mas, pelo visto, não serve para que os jornalões joguem luz sobre a natureza extremamente desigual da distribuição da carga tributária no Brasil, onde os mais pobres pagam proporcionalmente mais impostos do que os mais ricos, considerando o modelo centrado mais na cobrança sobre o consumo, a produção e a renda do trabalho do que sobre o a renda do capital e o patrimônio.</p>
<p>Para O Globo, o cidadão não pode arcar com os impostos “escorchantes” do combustível (que vão parar nos caixas da União e dos estados), mas deve estar preparado para pagar pela alta volatilidade do mercado internacional de petróleo e suas disputas geopolíticas (que beneficiam os acionistas privados). O barril subiu de 45 para 80 dólares em menos de um ano. “Importante é a empresa não voltar ao populismo de arcar com aumento de custos no lugar do consumidor”, defende o editorial do dia 25.</p>
<p>A redução do refino de petróleo nas refinarias da Petrobras, o aumento da dependência brasileira à importação de combustível, a mudança na lei de exploração do pré-sal e a venda de ativos para multinacionais estrangeiras sequer são citadas nos editoriais. Afinal, tratam-se de decisões técnicas aplaudidas pelo mercado.</p>
<p>E o humor do mercado vale muito, como ressalta O Globo: “O ponto é sensível, tanto que títulos da empresa em Nova York (ADR) caíram. O sinal é claro: se voltar o passado da ingerência descabida do Estado no setor, esqueçam-se dos projetos de modernização da Petrobras, que passam pela entrada de capitais privados no refino e na BR Distribuidora”.</p>
<p><strong>APOIO À REPRESSÃO</strong></p>
<p>No sábado (26), os três jornais saudaram a iniciativa do governo Temer de colocar as forças federais de segurança nas ruas para desfazer os bloqueios nas estradas. São unânimes também em criticar a “capitulação quase incondicional” do governo federal ao ceder aos caminhoneiros “arruaceiros” e às empresas de cargas “chantagistas”, comprometendo-se a “pagar com o dinheiro do contribuinte as perdas da Petrobras”. Os ataques a um Congresso “acovardado e oportunista” ecoam pelos editoriais da Folha (<em>Reação Tardia</em>), do Estadão (<em>Irresponsabilidade Generalizada</em>) e de O Globo (<em>Greve de Caminhoneiros Sequestrou a Sociedade</em>).</p>
<p>Para o Estadão, os bloqueios nas estradas, a falta de combustível nos postos, o desabastecimento nos supermercados e o perigo da falta de atendimento nos hospitais são características de um país em guerra. “O Brasil está em guerra. De um lado, estão as corporações, os políticos venais e os viciados em subsídios e favores estatais; de outro, os brasileiros que trabalham e pagam impostos. Infelizmente, por ora, são estes que estão perdendo”. Não por acaso, o discurso do jornalão paulista (apoiador dos golpes de 1964 e 2016) reflete a divisão entre mocinhos e bandidos feita por setores grevistas que clamam nas ruas por intervenção militar.</p>
<p>Na Folha de domingo, 27, (<em>Perdas e Vexames</em>) a naturalização da desigualdade e a fé inabalada na capacidade do mercado em minimizá-la: “Governantes e legisladores seguem aferrados à prática de acomodar todas as demandas de uma sociedade desigual no Orçamento e na dívida pública, como se já não vivêssemos as tristes sequelas do esgotamento dessa estratégia”.</p>
<p><strong>DEMOCRACIA, IMPRENSA E DESTINO</strong></p>
<p>Chegamos à terça-feira (29) com o compromisso do governo Temer de reduzir em 0,46 centavos o preço do diesel nas bombas, o acerto de que depois de 60 dias os reajustes passarão a ser mensais e não mais diários (o Tesouro vai pagar a conta das oscilações cambiais e da cotação do petróleo) e o desconto no pedágio para os caminhões que circulam sem carga, entre outras medidas. Somadas, elas devem custar mais de R$ 10 bilhões aos cofres públicos. Folha (<em>Cobrar o Acordo</em>) e O Globo (<em>É urgente restabelecer o abastecimento</em>) lamentam pelo desfecho das negociações.</p>
<p>O Estadão (<em>Fraqueza Perigosa</em>) vai além, classificando de “incendiários” aqueles que pensam que “Temer pode ser transformado no símbolo de tudo o que acontece de ruim no país” ao lembrar da anunciada greve dos petroleiiros a partir desta quarta-feira (30) e ameaça: “É preciso (ao governo) retomar a autoridade que lhe compete, fazendo com que a lei seja cumprida por meio dos instrumentos que a Constituição lhe faculta. Um governo que não se faz respeitar não pode se queixar do destino”.</p>
<p>E a imprensa? Pode?</p>
<p>A ombudsman da Folha, Paula Cesarino Costa, em sua coluna de domingo bota o dedo na ferida ao apontar, não a incompetência do governo Temer, mas a incapacidade dos jornais de identificar e explicar como o país caiu de uma hora para outra numa crise que afetou a rotina de milhões de brasileiros. Para Paula, &#8220;a Folha deu indicacões de despreparo, desnorteamento e fragilidade de análise&#8221;.</p>
<p>&#8220;Para além dos atos em si, toda a questão legal e política da reação do governo, que anunciou o uso das Forças Armadas contra manifestantes e expedientes temerários como a requisição de bens, era por demais confusa e foi pouco questionada e analisada&#8221;, explica a ombudsman. E conclui: &#8220;Os jornais foram atropelados pela greve dos caminhoneiros e empresas de transporte&#8221;.</p>
<p>Ao que tudo indica, a combalida democracia brasileira é a principal vítima desse choque.</p>
<p>Não se engane, você não vai ler nada nos editoriais dos jornalões sobre essa morte anunciada.</p>
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