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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Sob a mesma bandeira, dia da luta contra LGBTfobia marca avanços e debate mais maduro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 May 2018 17:24:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A LGBTfobia pode ser definida como aversão e hostilidade a pessoas com orientações sexuais &#160;e identidades de gênero que estão fora do padrão heteronormativo. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais são alvos da discriminação e violências &#8211; psicológicas, sociais, físicas &#8211; motivadas pelo ódio. Em 2017, um levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia identificou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A LGBTfobia pode ser definida como aversão e hostilidade a pessoas com orientações sexuais &nbsp;e identidades de gênero que estão fora do padrão heteronormativo. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais são alvos da discriminação e violências &#8211; psicológicas, sociais, físicas &#8211; motivadas pelo ódio.</p>
<p>Em 2017, um levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia identificou o assassinato de 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) relacionados à sexualidade ou identidade de gênero. O estudo chegou à conclusão de que a cada 19 horas uma pessoa LGBT é morta no Brasil.</p>
<p><b>[pullquote]</b></p>
<p><b>HISTÓRIA<br />
</b>A data surge como Dia Internacional de Combate à Homofobia, em celebração ao dia 17 de maio de 1990 – 28 anos atrás &#8211; &nbsp;quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o &#8220;homossexualismo&#8221; da Classificação Internacional de Doenças (CID) como um distúrbio mental. Atualmente, fazer referência ao &#8220;homessexualismo&#8221; demonstra ignorância sobre a questão (na saúde o sufixo &#8220;ismo&#8221; determina condição de patologia, doença). A afirmação da homessexualidade de maneira positiva, na contramão da depravação, vem sendo construída pelos movimentos LGBT desde então. A demonização na orientação sexual homossexual com respaldo da medicina foi responsável, no passado, por &#8220;tratamentos&#8221; que previam realização de castração, choques elétricos, lobotomia e outras métodos de tortura para curar o que é apenas expressão da sexualidade de alguém.&nbsp;<b>[/pullquote]</b></p>
<p>Pernambuco ocupa o quinto lugar neste assustador ranking nacional, com registro de 27 homicídios. Apesar disso, ativistas apontam que a subnotificação e deficiência no registro e atendimento a violências contra pessoas LGBT pode esconder a real dimensão do problema. Rivânia Rodrigues, uma das coordenadoras do Fórum LGBT pelos segmentos de lésbicas e bissexuais, lembra que Pernambuco não tem nenhum legislação que puna a discriminação ou violência contra população LGBT.</p>
<p>Com o tema “LGBTFobia dói, machuca e mata!”, o Fórum Estadual LGBT realiza, hoje, data que marca o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia, um ato em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Com teor diferente do Dia do Orgulho Gay, celebrado em setembro, mais do que comemoração, os movimentos e coletivos que compõem o Fórum Estadual LGBT reforçam a necessidade de cobrar políticas pública que garantam segurança, qualidade de vida e saúde à população LGBT. Para Tiago Rocha, da coordenação colegiada do Fórum pelo segmento gay, a falta de investimento para efetivação de políticas é um sinal de que ainda há muito a ser feito. Como prova, a necessidade de retomar todos os anos a pauta da segurança. “Ainda temos medo de sair para as ruas e não voltarmos. Não existe publicização efetiva de casos de violência com motivação homofóbica”, diz.</p>
<p>Outra crítica do movimento é o enfraquecimento dos espaços de participação da sociedade. Rocha denuncia que o Conselho Estadual LGBT, por exemplo, não foi empossado desde a eleição de que definiu sua composição. &nbsp;Segundo Tiago, o Governo do Estado, apesar de não ter oficializado no Diário Oficial a nova gestão do conselho, lançará o plano estadual de políticas LGBT. “A gente não consegue entender como pode lançar um plano construído pela gestão anterior sem empossar a nova”, questiona.</p>
<p>Para Well Leal, integrante do Fórum pelo segmento gay, e do Coletivo RUA, apesar de a data nascer como um dia de luta da comunidade gay, a transformação na luta contra a LGBTfobia fortalece a cobrança política por direitos. “É uma coisa muito doida a gente comemorar que a gente não morreu. No dia 17 é importante uma mobilização política de cobrança”, defende. Apesar de diferentes bandeiras, ativistas dos segmentos concordam que o avanço das violências contra a população LGBT reforça a importância de atuarem juntos pela efetivação de políticas que combatam o ódio.</p>
<p><b>&#8220;A gente precisa efetivamente construir formas de participação direta na política&#8221;</b></p>
<p>Com objetivo de efetivar a participação de travestis e transexuais das decisões políticas, Amanda Palha, travesti e estudante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), decidiu lançar sua pré-candidatura à deputada federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). &#8220;Historicamente a gente sempre dependeu muito das verbas de saúde para poder tocar as pautas das pessoas trans e travestis”, explica a jovem, que lembra que as vitórias do movimento são resultado da pressão e organização da pressão unificada.</p>
<div id="attachment_8835" style="width: 460px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/?attachment_id=8835"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8835" class="wp-image-8835" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/15055782_1780903222163387_4294404858746208371_n-300x268.jpg" alt="15055782_1780903222163387_4294404858746208371_n" width="450" height="403"></a><p id="caption-attachment-8835" class="wp-caption-text">Foto: Thiago An</p></div>
<p>“É possível construir junto sem apagar as diferenças e demandas específicas dos grupos que compõem a sigla LGBT”, defende. Segundo a pré-candidata, conquistas como a retificação do nome social de pessoas trans e travestis são importantes, mas não basta que sejam alcançadas apenas no judiciário. “Minha candidatura para o legislativo federal pretende pressionar para que leis que já existem sejam de fato efetivadas e avancemos na participação da sociedade. Não é só nos consultar, é que nossa opinião seja legitimada para construir o que precisa ser construído, independente de quem está lá num mandato [executivo]&#8221;, explica.</p>
<p><strong>Como c</strong><b>ombater expressões de ódio</b></p>
<p>Afirmar as identidades LGBT ainda é um desafio diário. Para Daniela Marreira, 23 anos, estudante do curso de Rádio, TV e Internet, expressar sua sexualidade – considerado por muitas pessoas algo do âmbito privado – é um ato político. Mulher negra e lésbica, ela aponta caminhos para afirmar sua identidade como legítima, natural. No dia a dia, ações como não se furtar a fazer referência à namorada ou andar de mãos dadas são atos de resistência e afronta ao preconceito. &#8220;Isso acontece também com a família da minha namorada. Quando estamos juntas sempre me apresentam como a namorada de Gabriela, algo natural&#8221;, explica a jovem. Apesar da determinação em afirmar o relacionamento lésbico em locais públicos e dentro de casa, o temor por sofrer violência a acompanha. Em fevereiro deste ano, uma mulher foi baleada na perna na Avenida Boa Viagem quando passeava com sua namorada. A suspeita de lesbofobia (termo para o ódio contra lésbicas) foi levantada sobre o caso.</p>
<p>Rivânia alerta para a vulnerabilidade em especial das mulheres que sofrem não apenas com o ódio pela sexualidade, mas com o machismo. Segundo ela, muitos casos de estupros corretivos (ato de violar uma mulher para “ensinar a gostar de homem”) acontecem em ambientes da vida familiar e, portanto, são silenciados. Existe, ainda, dificuldade de acessar dados da segurança pública sobre essas violências.</p>
<div id="attachment_8838" style="width: 360px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/1013346_967407816676900_8826519030281408424_n.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8838" class="wp-image-8838" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/1013346_967407816676900_8826519030281408424_n-300x300.jpg" alt="1013346_967407816676900_8826519030281408424_n" width="350" height="350"></a><p id="caption-attachment-8838" class="wp-caption-text">Daniela e a companheira defendem a afirmação do relacionamento para combater o ódio. Foto: acervo pessoal.</p></div>
<p>Well Leal acredita que&nbsp; o combate ao ódio passa necessariamente pela abertura ao diálogo. Diferente da ideia de aceitação ou convencimento, ele defende que a luta por direitos tem que estabelecer contato com segmentos da sociedade para além das pessoas LGBT. “Para você se afirmar como questão política você também tem que se assumir, dar a cara a tapa. Nós precisamos de aliados nesse processo político. Nosso processo de luta, de conquista não se dá só por nós mesmos”, explica.</p>
<p>“A gente fica muito assustado com o crescimento de Bolsonaro. A juventude sente isso, fica meio desesperada com o cenário. Não gosto de dizer que a gente vive um momento de polarização porque acho que a gente sempre viveu uma polarização. Mas eu acho que temos que chamar as pessoas para um debate político que seja compreensível”, argumenta.</p>
<p>No diálogo com a sociedade, Rivânia destaca outras pautas que muitas vezes são determinantes na afirmação da população trans na sociedade: investimentos em educação, emprego e acesso a tratamentos de saúde que garantem outros direitos, a exemplo da garantia de inseminação artificial pelo SUS para casais homoafetivos. “Depois de tudo que o Brasil está passando com o golpe, com a crise, o mercado de trabalho se fecha primeiro para a nossa população. E muitas vezes o público LGBT está muito nessas empresas de call center, onde o trabalho é precário”, reflete. Na opinião de Amanda Palha, focar em educação e acesso ao mercado de trabalho formal&nbsp;é estratégico também para a população T. &#8220;Mais de 90% da população é profissional do sexo, não porque gosta, e sim porque muitas vezes é a única possibilidade de sobrevivência. Precisamos garantir formação profissional e entrada no mercado formal, avançando na discussão sobre condições mínimas de trabalho para profissionais do sexo”, pontua.</p>
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