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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Falta d’água é culpa de Deus. Do deus Mercado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joel Santos Guimarães]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2015 22:00:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ao ignorar que a água é um bem social e optar por uma gestão mercantilista, abrindo seu capital para acionistas na Bolsa de Valores, a Sabesp foi engolida pela crise hídrica que atinge várias regiões de São Paulo. As chuvas amenizaram a situação, mas as obras anunciadas pela empresa para solucionar o problema só irão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>				Ao ignorar que a água é um bem social e optar por uma gestão mercantilista, abrindo seu capital para acionistas na Bolsa de Valores, a Sabesp foi engolida pela crise hídrica que atinge várias regiões de São Paulo. As chuvas amenizaram a situação, mas as obras anunciadas pela empresa para solucionar o problema só irão agravá-los. Quem afirma é o géologo Delmar Mattes, um dos mais respeitados especialistas em recursos hídricos do País.</p>
<p>Na iminência de uma calamidade no abastecimento para toda a região a partir do próximo inverno, o Governo do Estado e a Sabesp anunciaram novas medidas e obras emergenciais. Essas ações, ao contrário do que se espera, poderão provocar graves impactos e novos problemas no sistema de abastecimento de água.</p>
<p>“Essas obras, feitas a toque de caixa, provocarão a perda de qualidade da água. Com isso, corremos o risco de voltar novamente a ter epidemias, como tifo, diarreia e outras doenças que já tinham sido afastadas de nosso convívio”, afirma Mattes, que foi secretario de Vias e Obras da Prefeitura de São Paulo na administração de Luiza Erundina (1989-1992).</p>
<div id="attachment_172" style="width: 1088px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/aumentos7111.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-172" class="size-full wp-image-172" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/aumentos7111.jpg" alt="Foto: Pedro França/Agência Senado" width="1078" height="516" /></a><p id="caption-attachment-172" class="wp-caption-text">Foto: Pedro França/Agência Senado</p></div>
<p>Insistir na política de gestão mercantilista, com as obras que estão dentro dessa proposta, não só não resolverá o problema, como aumentará o risco de, a partir de julho, faltar água em  São Paulo.</p>
<p>De acordo com o geólogo, essa política mercantilista da Sabesp pode ser identificada novamente no pacote de obras anunciado pelo governo paulista no final do ano passado. É que tal pacote prevê elevados investimentos em novas captações (rio Juquiá, pertencente a Bacia do Ribeira, e Iguape, já iniciada); novos reservatórios, interligações de reservatórios; duas estações de tratamento de esgotos para uso potável (Estação Produtora de Água de Reuso &#8211; EPAR na região Sul de São Paulo); perfuração de poços no Aquífero Guarani, para atender a região de Campinas. No total foram estimados investimentos de R$ 9 bilhões, sendo R$ 6 bilhões de parcerias público privadas (PPP) e outra parte do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS).</p>
<p>“Essas obras são coerentes com a busca de lucratividade da SABESP uma vez que a sua receita vem do volume de água fornecida (mesmo os serviços de esgotamento sanitário são cobrados em função da quantidade de água consumida)”.</p>
<p>O geólogo questiona a lógica do mercado imposta a um bem social: “Para alcançar lucros maiores para seus acionistas na Bolsa de Valores é mais fácil executá-las e, ao mesmo tempo, atender aos interesses envolvidos na sua execução, em vez de preservar e recuperar mananciais, o que exige serviços e atividades muito mais complexas, como a fiscalização de ocupações irregulares, remoção de famílias, questões de fundiárias, expansão da vegetação natural, coleta e tratamento de esgotos”.</p>
<p>No entanto, segundo o geólogo, nunca é feito uma avaliação de todos os benefícios sociais e ambientais que esses projetos de recuperação de mananciais propiciam para sociedade. “Eles não se limitam a assegurar a quantidade e qualidade de água (que por si só já justificaria a sua importância), mas muitos outros, proporcionados pelos seus serviços ambientais”.</p>
<p>Desse ponto de vista, a crise é explicada, evidentemente, pelas políticas implantadas pelos dirigentes do Governo do Estado e pela Sabesp nas duas últimas décadas.</p>
<p><script id="infogram_0_aspectos_da_crise_hidrica" src="//e.infogr.am/js/embed.js?01c"></script></p>
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<p>De acordo com Mattes, desse conjunto, a primeira (mercantilização e privatização progressiva da gestão do saneamento básico) é a mais importante e influi de forma determinante sobre os outros aspectos da lista.</p>
<h2>Rumo ao caos</h2>
<div id="attachment_170" style="width: 1088px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Fotos_Represa_Vargem-4-1.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-170" class="size-full wp-image-170" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Fotos_Represa_Vargem-4-1.jpg" alt="Represa Vargem. Foto: Luiz Augusto Daidone/ Prefeitura de Vargem" width="1078" height="516" /></a><p id="caption-attachment-170" class="wp-caption-text">Represa Vargem. Foto: Luiz Augusto Daidone/ Prefeitura de Vargem</p></div>
<p>A opção do governo paulista de enfrentar a crise com a busca de água de melhor qualidade em mananciais cada vez mais afastados, não enfrentando a crescente degradação dos reservatórios e das suas bacias hidrográficas já utilizadas, pode aprofundar o problema a médio prazo. É o que explica Delmar Mattes, que afirma não poder ignorar a quantidade de esgotos que serão produzidos em decorrência de maiores quantidades de água que serão trazidas para posterior tratamento.</p>
<p>“Ao manter essa política desastrosa, continuamos com os mananciais Billings, Guarapiranga, Cantareira e Alto Tietê submetidos a uma contínua degradação, inclusive por causa de obras de infraestrutura como o Rodoanel. É preciso destacar também que essas novas obras provocam impactos sociais e ambientais nas comunidades onde estão localizadas e criam conflitos entre os municípios pelo uso de sua água, além de aumento de custos da sua construção, dos serviços de suas operações (maiores quando executados mediante PPP´s), assim como da quantidade de esgotos que serão produzidos para a serem posteriormente submetidos a tratamento”.</p>
<p>Ele afirma ainda que o maior problema dessas obras está nas consequências que elas trarão para a qualidade da água do sistema de abastecimento. Elas deverão homogeneizar a qualidade das águas dos principais reservatórios para uma pior qualidade. Da Billings (intensamente poluída) serão transferidas águas para o Guarapiranga e para o Taiçupeba do sistema Alto Tietê, cuja qualidade é relativamente melhor, assim como do Paraíba do Sul para o Cantareira, também da pior para a melhor qualidade.</p>
<p>Mesmo com o quadro caótico, o geólogo afirma que a Sabesp ainda mantém contratos de tarifas vantajosas para grandes empresas e consumidores, os chamados clientes fidelizados, num total de mais de 500, como shoppings, condomínios, empresas comerciais e indústrias que continuam consumindo grande volume de água, enquanto a população periférica se empenha na redução de seu consumo. “É uma política de saneamento básico cujos ônus incidem cada vez mais sobre as populações de baixa renda”, resume.</p>
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<div style="width: 100%; border-top: 1px solid #acacac; padding-top: 3px; font-family: Arial; font-size: 10px; text-align: center;"><a style="color: #acacac; text-decoration: none;" href="https://infogr.am/linha_do_tempo-51" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LInha do tempo</a> | <a style="color: #acacac; text-decoration: none;" href="https://infogr.am" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Create infographics</a></div>
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