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	<title>Arquivos bolsonarismo - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 19 Sep 2025 18:09:10 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos bolsonarismo - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>No Recife, protesto contra &#8220;PEC da Bandidagem&#8221; e anistia será domingo à tarde, na rua da Aurora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Sep 2025 17:53:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Centrão]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[PEC da Bandidagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vários setores do chamado campo progressista e dos movimentos sociais estão convocando uma manifestação de rua contra a aprovação da PEC da Bandidagem (ou da Blindagem) e do projeto de lei que prevê anistia para Jair Bolsonaro e demais golpistas. O ato público será a partir das 14h de domingo, 21 de setembro, na rua [&#8230;]</p>
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<p>Vários setores do chamado campo progressista e dos movimentos sociais estão convocando uma manifestação de rua contra a aprovação da PEC da Bandidagem (ou da Blindagem) e do projeto de lei que prevê anistia para Jair Bolsonaro e demais golpistas. O ato público será a partir das 14h de domingo, 21 de setembro, na rua da Aurora, em frente ao Ginásio Pernambucano.</p>



<p>Protestos devem acontecer em outras 13 capitais – Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Macapá, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória. Artistas como Anitta, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil estão participando da convocação dos atos, que estão sendo organizados por centrais sindicais, partidos de esquerda e lideranças políticas.</p>
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		<title>Com Gilson Machado, bolsonarismo chega esvaziado e isolado ao final da campanha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Oct 2024 16:02:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Machado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A votação expressiva em Gilson Machado (PL) para o Senado em 2022 no Recife, com 323.769 votos (39%), parecia que iria pavimentar um caminho mais favorável ao bolsonarismo nas eleições para prefeito da capital. Mas, a poucos dias do pleito, o ex-ministro do Turismo de Bolsonaro amarga a maior rejeição entre os candidatos, de 47%, [&#8230;]</p>
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<p>A votação expressiva em Gilson Machado (PL) para o Senado em 2022 no Recife, com 323.769 votos (39%), parecia que iria pavimentar um caminho mais favorável ao bolsonarismo nas eleições para prefeito da capital. Mas, a poucos dias do pleito, o ex-ministro do Turismo de Bolsonaro amarga a maior rejeição entre os candidatos, de 47%, segundo a pesquisa Datafolha publicada nesta quinta-feira, 3 de outubro. Entre uma estratégia de comunicação que tenta parecer espontânea — porém é tosca —, um perfil sem carisma e delírios que tentam associar João Campos (PSB) ao comunismo e o Recife à Venezuela, os planos de Gilson não saíram como o esperado.</p>



<p>Ele é o principal opositor do prefeito, que, segundo as pesquisas, deve se reeleger com folga no domingo (6). O levantamento do Datafolha mostra João com 74% das intenções de voto, uma leve queda em relação à pesquisa anterior (76%). Gilson subiu um pouco, passou de 9% para 10%.</p>



<p>As previsões estão refletidas nas ruas. A reportagem acompanhou uma agenda de Gilson na última quarta (2), no Alto Santa Terezinha, zona norte da capital. O público se resumia praticamente à militância paga — que recebeu R$ 75 para segurar bandeira, pirulito e distribuir panfleto e R$ 50 para motoqueiros —, além das equipes de campanha de três candidatos: a do próprio Gilson e a de dois candidatos a vereador, Gilson Machado Filho e Netinho Eurico, ambos do PL.</p>



<p>Sua última inserção no guia eleitoral da TV foi tão desoladora quanto a aparição nas ruas da zona norte. Nela, o ex-presidente Jair Bolsonaro apareceu em vídeo admitindo que Gilson estava &#8220;sozinho&#8221;, responsabilizando o PL por ter abandonado seu ex-ministro. Em Pernambuco, o caixa do PL é controlado pela família Ferreira, cuja principal liderança é o ex-prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira.</p>



<p>As queixas de Bolsonaro e Gilson Machado são reais. Segundo as informações de prestação de contas disponíveis no site do <a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/NORDESTE/PE/2045202024/170002203576/2024/25313" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TSE</a>, o candidato a prefeito recebeu do fundo partidário, logo no início da campanha, R$ 6 milhões. E ficou por isso mesmo, pois, segundo o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, repassar mais seria &#8220;rasgar dinheiro&#8221;. Seu filho não recebeu nada do partido, enquanto o vereador Fred Ferreira, cunhado de Anderson, recebeu quase R$ 1,3 milhão. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/54038948358_394932d76d_c.jpg" alt="A imagem mostra a fachada branca de um prédio iluminado com uma grande placa que diz “ASSEMBLEIA DE DEUS” em letras brancas e negrito sobre um fundo azul. Abaixo, há outro letreiro indicando “PERNAMBUCO”. Uma mulher está saindo do prédio, olhando de lado para um homem que está na frente do local, com os bracos agitados e usando um colete preto com o nome “GILSON MACHADO” visível nas costas. " class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Candidato bolsonarista tentou atrair eleitores evangélicos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A reportagem entrevistou o candidato do PL para saber como ele tem avaliado a sua elevada rejeição e a quebra de expectativas. “As pesquisas, em 2022, um dia antes da eleição, me mostravam com nove pontos. Uma rejeição altíssima, igual a do presidente Bolsonaro. Quando abriram as urnas, eu tive 30 pontos (em Pernambuco)”. Mas o bolsonarista acha que ainda vai surpreender o Recife. “Eu não tenho dúvida. Em 2020, no segundo turno para prefeito, 500 mil eleitores não foram votar. Inclusive, eu fui um deles. Entre Marília Arraes e seu primo, quer dizer, entre o ruim e o pior”, alegou.</p>



<p>“Você acha que esse pessoal, agora no primeiro turno, foi convencido pela competência dessa gestão? Esse cara (João Campos) é um mitomaníaco. Ele gastou R$ 100 milhões para falar bem da gestão dele mesmo e esqueceu a cidade. A cidade está acabada, como todo mundo vê, como o turista que sai daqui fala, como a senhora que chega no posto de saúde e não tem remédio sente. E a gente vai ver a resposta que ele vai ter na urna. Ele não está dormindo por causa disso. Porque ele sabe que esse pessoal vai ter em quem votar no dia 6”, criticou.</p>



<p>Além de atacar o prefeito, ele explora, em suas peças e discursos, críticas a Geraldo Julio e ao ex-governador Paulo Câmara (desfiliado do PSB) para tentar conquistar eleitores que reprovam os dois nomes. É a “turma de Geraldo e Paulo”, como diz. O PSB entrou na prefeitura do Recife em 2013, com dois mandatos de Geraldo Julio e um de João. Além de ter comandado o Governo do Estado de 2007 a 2020, com Eduardo Campos e depois Paulo.</p>



<p>Quando questionado sobre os planos políticos após a derrota deste ano, Gilson citou Deus: “Meu Deus é o Deus do impossível. É o Deus que acompanha seu filho. É o Deus que acompanha quem trabalha, quem persevera. Então eu vou para o segundo turno e vou ser prefeito do Recife. Meu plano é ser prefeito do Recife”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Rejeição a Gilson, rejeição a Bolsonaro</h2>



<p>Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Sérgio Ferraz faz uma análise dos últimos anos sobre o voto conservador do recifense. Em 2018, quando Bolsonaro foi eleito, ele teve, no primeiro turno, 43% dos votos válidos. No segundo turno, 47%. Em 2022, quando perdeu para Lula (PT), somou 39% dos votos no primeiro turno no Recife e chegou a 43% no segundo. A votação que Gilson deve alcançar está infinitamente aquém dos resultados alcançados pelo seu mentor.</p>



<p>Olhando para as eleições passadas para prefeito da capital, os dois principais candidatos da direita, Mendonça Filho (União Brasil) e Delegada Patrícia (PSDB), tiveram, respectivamente 25% e 14% dos votos válidos no primeiro turno. Juntos, somaram 39%, um resultado mais alinhado às votações alcançadas por Bolsonaro e do próprio Gilson na disputa para o Senado em 2022.</p>



<p>“O que podemos concluir é que Gilson Machado está bem abaixo do patamar tradicional de votos que a direita tem tido no Recife desde 2018”, diz Sérgio. Na avaliação dele, a candidatura de Gilson não decolou, seja pelo próprio perfil do bolsonarista, com uma estratégia errática e uma comunicação caótica — que desliza facilmente para o folclore —, seja por João ser um prefeito muito bem avaliado, com uma comunicação bem sucedida e de uma linhagem política e familiar tradicional.</p>



<p>Cientista político e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Túlio Velho Barreto também aponta para o enfrentamento com um candidato com sobrenome de peso, bem posicionado e avaliado, no online e no offline, e lembra a postura caricatural adotada por Gilson nas campanhas.</p>



<p>Um levantamento feito no final de setembro pela Codecs Score, empresa especializada em análise de cenários digitais e reputação, e publicado pela Folha, mostra que João superou oito vezes o total de interações (1.466.243) em suas redes sociais (Instagram e Facebook) na comparação com as redes de Gilson e Daniel Coelho (PSD), este último candidato na governadora Raquel Lyra (PSDB), com apenas 5% das intenções de voto, segundo o Datafolha desta quinta (3). </p>



<p>O levantamento da Codecs Score também mostrou que, enquanto João praticamente não cita os adversários, Gilson atacou o prefeito em 25% de seus 24 posts nesse mesmo período.</p>



<p>“Em Pernambuco, talvez o ex-ministro Gilson Machado seja o político mais associado a Jair Bolsonaro, mais identificado com o ex-capitão. Não apenas por ter sido um dos mais fiéis aliados dele, participando de suas <em>lives</em>, por exemplo, mas igualmente por procurar imitá-lo, até mesmo de forma patética, no reacionarismo extremado. Mas também inventando trejeitos, aliás, adotando os trejeitos que têm caracterizado os atores políticos da extrema-direita, aqui e no mundo afora, no discurso e na postura. Basta lembrar o comportamento e o discurso de Donald Trump e de Milei, o presidente argentino”, comenta.</p>



<p>“Não deve surpreender a rejeição da candidatura de Gilson Machado, que, na verdade, tem cumprido um papel meio folclórico nesta eleição. E devemos lembrar que sempre tem alguém ocupando esse espaço”, complementa Túlio, recordando que o eleitorado recifense tem historicamente rejeitado nas urnas candidatos com perfis claramente direitistas. Os últimos eleitos foram Joaquim Francisco e Roberto Magalhães, na década de 1990 — mesmo assim com perfis mais próximos de uma direita liberal, pelo menos quando foram eleitos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/Gilson-filho.jpg" alt="A imagem mostra Gilson Machado Filho, homem branco e jovem, sentada em cima de um veículo decorado com materiais de campanha. O homem tem cabelos pretos curtos, usa camiseta branca, calça jeans e tênis branco. O veículo tem várias luzes quadradas coloridas, principalmente verdes e brancas, organizadas em fileiras. A pessoa está segurando uma grande bandeira com o número 22 e um texto que indica uma campanha política para “Prefeito”. Outra bandeira exibe o rosto de Gilson Machado. O cenário sugere que isso faz parte de um comício ou evento de campanha política que está acontecendo à noite, indicado pela escuridão ao redor do veículo iluminado." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">PL ignorou candidatura do filho de Machado e não repassou recursos para campanha
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Falta carisma e sobram trapalhadas</h3>



<p>Por ter menos verba e estar lutando contra a máquina do prefeito João Campos, Gilson Machado naturalmente termina tendo menos pontos de contato com o eleitorado. “Ele aparece menos e tem menos possibilidade de impulsionamento. Então, principalmente do ponto de vista do marketing político tradicional, ele é o cara que está lutando contra uma força financeira de volume de comunicação que é muitíssimo maior que ele”, analisa o professor de publicidade da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) Fernando Fontanella.</p>



<p>O bolsonarista precisou fazer um trabalho árduo de conquistar a atenção do eleitorado já capturada pelo seu opositor. Confira mais análises de Fontanella na matéria da <strong>Marco Zero</strong> <a href="https://marcozero.org/as-razoes-do-sucesso-da-vibe-de-joao-campos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“As razões do sucesso da ‘vibe’ de João Campos”</a>.</p>



<p>A impressão que o professor tem, olhando de fora, é que a intenção estratégica de Gilson é fazer uma comunicação que seja mais espontânea, que tente criar uma aproximação com o público, contrastando com a do prefeito. Enquanto o prefeito tem um marketing mais profissional e produzido, com lógica de influenciador digital, o candidato de Bolsonaro parece tentar ir na contramão.</p>



<p>“Gilson me parece que tenta mais colar uma imagem de ‘olha, eu sou espontâneo, eu sou como vocês, o povo parte do povo’. E, nesse sentido, ele se permite aparecer nos vídeos descabelado, falar não tão ensaiado, aparecer meio pateta em algumas filmagens, porque o espontâneo é o cara que se permite cometer gafe, cometer equívoco, ficar numa foto sem a luz adequada, por exemplo”, compara Fontanella.</p>



<p>“Isso me parece uma estratégia que cola muito no que é o perfil de comunicação de Bolsonaro. A gente tem que lembrar que Bolsonaro fez uma campanha inteira que parecia que não tinha nenhum tratamento profissional”, recorda, citando que Bolsonaro apareceu no pós-eleição em casa, com um terno, de bermuda, numa prancha de surf improvisada como palanque. </p>



<p>“O problema é que Gilson não tem o carisma que Bolsonaro tem — e muitas vezes é difícil atribuir a Bolsonaro a condição de figura carismática”, observa.</p>



<p>“Termina que a comunicação do prefeito, que é toda marketing, soa mais autêntica do que a campanha de Gilson, que acaba parecendo muito atrapalhada”, conclui Fontanella, chamando a atenção para o fato de que o talento de Gilson para o improviso tende a zero. Recentemente viralizou na internet um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ldbQQ7-vCXo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">trecho da sabatina do UOL</a> em que o candidato, ao responder uma pergunta, canta uma música africana que ele diz ter aprendido com a empregada doméstica. </p>



<p>“É oferecer de bandeja para a oposição, para os detratores um material que vai ser editado, enquadrado”, diz o professor. Apesar de contra atacar Gilson não ser nem de longe a estratégia de comunicação de João.</p>



<p>Fontanella chama atenção ainda para o timing das plataformas: “A lógica de Gilson é uma lógica mais de meme e de espalhamento pelo ridículo. Eu não sei se intencional, e isso me parece fora de tempo, mas ele parece não saber usar as plataformas, não saber usar o vídeo. Fica parecendo que ele está despreparado, uma coisa até datada no sentido de que parece um tiozinho querendo ser da galera, e aí ele soa deslocado”.</p>



<p>“Enquanto que João Campos acaba usando uma linguagem em que está integrado àquela cultura em que tenta se inserir. E mesmo ele sendo um cara branco, da elite pernambucana, ele consegue soar crível se interagindo, por exemplo, com a cultura de periferia do Recife, enquanto Gilson está tentando fazer umas piadinhas de tiozão. E não funciona, cria um contraste ruim”, conclui.</p>



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	                                        <p class="m-0">Público de ato de campanha na zona norte do Recife se limitou à militância paga
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/com-gilson-machado-bolsonarismo-chega-esvaziado-e-isolado-ao-final-da-campanha/">Com Gilson Machado, bolsonarismo chega esvaziado e isolado ao final da campanha</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>O cordeiro na pele do lobo: fui ao primeiro evento eleitoral da extrema-direita no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/o-cordeiro-na-pele-do-lobo-fui-ao-primeiro-evento-eleitoral-da-extrema-direita-no-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jul 2024 20:20:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[PL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por João Gama A curiosidade é um convite ao inusitado. Ao menos foi essa a impressão que tive no último fim de semana. Alguns dias atrás, recebi uma mensagem interessante. Aparentemente, o Partido Liberal (PL) em Pernambuco estava preparando o que seria um “grande” encontro da extrema-direita em Recife. O evento seria o lançamento do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por João Gama</strong></p>



<p>A curiosidade é um convite ao inusitado. Ao menos foi essa a impressão que tive no último fim de semana. Alguns dias atrás, recebi uma mensagem interessante. Aparentemente, o Partido Liberal (PL) em Pernambuco estava preparando o que seria um “grande” encontro da extrema-direita em Recife. O evento seria o lançamento do PL Jovem, um braço do partido para a juventude fascista no estado.</p>



<p>Após uma rápida busca na internet, descobri que o evento aconteceria no Clube Internacional do Recife, às 9h do sábado (13), e teria a participação especial de ex-ministros do governo Bolsonaro, influenciadores e lideranças de direita, além de parlamentares eleitos pela sigla &#8211; entre eles, Nikolas Ferreira (28), ex-vereador em Belo Horizonte e eleito o deputado federal mais votado do país em 2022.</p>



<p>O material de divulgação que chegou ao meu WhatsApp, veio acompanhado de uma proposta um tanto inusitada: “Quer ser um jovem reacionário por um dia?”. Fiquei de orelha em pé. Aquilo me soava quase como uma mistura de pesquisa etnográfica e jornalismo gonzo. Não pensei duas vezes: “é pra brincar de Infiltrado na Klan? Gostei!”.</p>



<p>Dali em diante, passei a semana preparando meu disfarce. Vesti uma <em>skin</em> evangélica e arranjei uma bandeira do Brasil para fazer de capa. Até raspei a barba que cultivei por 3 anos. A ideia era evitar ser alvo de violência caso fosse reconhecido como “aquele rapaz que trabalhava com Direitos Humanos”, ou “o bicho que vi nos protestos de esquerda” e até mesmo como sendo “o cara com o símbolo antifa tatuado nas costas”. E cá entre nós, até funcionou bem! No evento, encontrei duas pessoas que conhecia da época de faculdade, um amigo do meu irmão e meu vizinho. Ninguém me reconheceu.</p>



<p>Assim, sem barba e disfarçado de patriota (pronto para bater continência à bandeira americana), eu cheguei ao local 20 minutos antes. Sentei-me em um banco de pedras na Praça do Internacional e observei as pessoas chegando, usando camisas da CBF como um símbolo anticorrupção. Embora o evento fosse o lançamento do PL Jovem, a maioria expressiva tinha um perfil bastante específico: eram homens com mais de 35 anos.</p>



<p>Lá dentro, encontrei vários posando para fotos, ou fazendo selfies, com bandeirões de torcidas organizadas com os dizeres “Direita Sport” e “Direita Coral”. “Essa organizada pode”, ouvi alguém comentar.</p>



<p>Apesar dos organizadores terem divulgado a informação que mais de 2.500 pessoas já haviam se inscrito, não parecia haver ali mais do que algumas centenas que, filmadas do ângulo certo, poderiam parecer milhares. Enquanto eu caminhava entre o público, um sujeito bombado e de cara amarrada me entregou um adesivo onde se lia: “Gilson é Bolsonaro, e Bolsonaro é Gilson”.</p>



<p>Bati os olhos no material e tive a certeza de duas coisas: 1) eu tinha em minhas mãos a real justificativa para aquele evento (promover as candidaturas majoritárias do partido); e 2) que o<em> slogan</em> era uma cópia do lema usado pelo atual Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quando disputou a Presidência da República, em 2018 (Haddad é Lula e Lula é Haddad).</p>



<p>O evento começou. As caixas de som tocavam “Bolsonaro é Norte, Bolsonaro é Nordeste”, enquanto o mestre de cerimônia, Rodnei Mattoso (locutor oficial do ex-presidente), assumia o seu lugar no palco.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Estrela-PL-jovem.jpg" alt="A foto mostra uma mão segurando um adesivo retangular com texto e uma imagem. O adesivo está em foco, enquanto o fundo está levemente desfocado, mas ainda reconhecível. O texto no cartão diz “GILSON É BOLSONARO, E BOLSONARO É GILSON” em letras brancas e em negrito sobre um fundo verde, com pessoas levantando os braços em celebração ou apoio. Ao fundo, parece haver um evento indoor com muitas pessoas vestindo camisas amarelas, sugerindo um evento político ou de campanha. Banners nas cores da bandeira brasileira – verde, amarelo e azul – estão pendurados no teto." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Slogan copia frase usada na campanha de Haddad em 2018
</p>
	                
                                            <span>Crédito: João Gama</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Definir Rodnei é complicado se você nunca o viu em ação. Com o microfone na mão, ele transita entre um locutor de rodeio e um pastor de igreja que está prestes a falar em línguas estranhas. Sua performance costuma estar acompanhada de efeitos sonoros e melodias épicas que dão a tudo um ar exageradamente dramático. Enquanto isso, ele usa mensagens genéricas como “Volta Bolsonaro?” e “Quem é Cristão aqui faz barulhooooooo…” para levar o público ao delírio.</p>



<p>Durante todo o evento, as pessoas gritavam “Bolsonaro 2026”, como se realmente acreditassem que o ex-presidente (que está inelegível desde junho do ano passado) realmente vá concorrer na próxima eleição.</p>



<p>Em dado momento, Rodnei grita e começa a apresentar os nomes do grupo de 17 homens e 2 mulheres que ocuparam o palanque do PL. Uma vez que a trupe se enfileira no palco, a locução convoca o hino nacional e todos começam a entoá-lo. Olho para os lados e vejo algumas pessoas mexendo a boca de forma caricata, como se não soubessem a letra completa. É aí que a música termina e o mestre de cerimônia puxa um grito que o público repete várias vezes a plenos pulmões: “Deus, Pátria, Família e Liberdade” &#8211; uma atualização do lema dos “<a href="https://outraspalavras.net/blog/relembrando-a-revoada-dos-galinhas-verdes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">galinhas verdes” da Ação Integralista Brasileira (AIB)</a>, movimento de orientação fascista liderado por Plínio Salgado que, entre 1932 e 1937, reuniu cerca um milhão de filiados.</p>



<p>No palco, o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (o quarto e último a assumir o cargo durante o governo Bolsonaro), falava jocosamente ao microfone. “Eu trouxe um presente para você Nikolas”, dizia ao entregar ao deputado federal uma caixa contendo um boneco de <em>Aedes aegypti</em> com a cabeça do presidente Lula, que ele chamava de “presidengue”.</p>



<p>Enquanto Nikolas brincava com o novo brinquedo, Queiroga (investigado em 2021 pela CPI da Covid) criticava a atual ministra, Nísia Trindade Lima, apontando sua demora na compra de vacinas para dengue e a alta no número de óbitos em decorrência da doença (que já passa de 4.200). Também censurou Lula, que recebeu a primeira dose da vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda, em 5 de fevereiro &#8211; quatro dias antes do início da campanha de imunização nacional promovida pelo SUS.</p>



<p>“Ele não comprou vacina para a dengue e é por isso que o Brasil é hoje o epicentro mundial da epidemia”, dizia &#8211; aparentemente se esquecendo de que, quando chegou ao fim de sua gestão no MS, o Brasil já contabilizava 693,8 mil mortes por Covid-19 e era o terceiro país do mundo com o maior número de mortes. De certo, também deve ter se esquecido que, enquanto foi ministro, seu ex-chefe comprovadamente falsificou o próprio cartão de vacinas. Apesar do seu problema de memória, insistia que era preciso livrar o país do que chamava de “esquerda incompetente e corrupta”.</p>



<p>Durante aquela manhã, várias outras pessoas deixaram sua contribuição ao pensamento “crítico” que era fomentado ali. Enquanto o influenciador cristão Lucas Pavanato fazia um criativo revisionismo histórico, Maicon Sullivan (mais um influenciador cristão) me ajudava a colher informações socioeconômicas sobre o público, pedindo que todos que vinham das periferias levantassem as mãos &#8211; menos de um quarto. Já Marco Antônio Costa, conhecido como “Superman da Direita” e responsável pelo FioDiario (um sistema de <em>streaming</em> que produz conteúdo ultraconservador para assinantes), preferiu ousar e imaginou como exilados políticos alguns personagens das Crônicas Bolsonaristas, como Allan dos Santos e outros foragidos.</p>



<p>À sua maneira, todos adotaram o mesmo jeito <em>coach </em>de ser para convocar o público a se mobilizar, disputar espaços na política, criar institutos, grupos de mídia e até organizações não-governamentais de direita, “para disputar emendas parlamentares”, “para realizar ações de comunicação”, “para espalhar a verdade”. Mas qual verdade era essa, eu não sabia… O que sei, é que juntos esses três nomes somam mais de 39,4 milhões de seguidores nas redes sociais. Maicon Sullivan e Lucas Pavanato também são pré-candidatos a vereadores de São Paulo.</p>



<p>Entre uma fala e outra, o locutor tornava a provocar o público e os efeitos sonoros ajudavam com a ambientação. Era como assistir ao Show da Fé, mas ao invés de “exorcizar” atores, eles vibravam com a imagem de Bolsonaro (pequeno e preso) na tela do celular de Nikolas Ferreira &#8211; o que durou alguns segundos de uma chamada de vídeo improvisada.</p>



<p>Mas isso pareceu ser suficiente para fazer com que a plateia nem desse atenção quando o Carmelo Neto, deputado estadual no Ceará pelo PL, creditou o PIX e a transposição do rio São Francisco como sendo obras do Governo Bolsonaro; ou quando elogiou com todas as palavras o cuidado que o ex-presidente teve com os Yanomami, deixando de comentar o pequeno detalhe que entre 2019 e 2022 o número de mortes por desnutrição de indígenas dessa etnia aumentou em 331%. Falou também das crianças da ilha do Marajó que, no mundo delirante da ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves (hoje senadora), eram vítimas de exploração sexual.</p>



<p>Lidar com dados não parece ser o forte dos bolsonaristas, como pude observar na fala de Gilson Machado, ex-ministro do Turismo. Entre críticas à segurança pública e à gestão do PSB, mencionou uma pesquisa (cuja fonte permaneceu um mistério até o fim de sua fala) que apontava que “em Recife tem mais de 50% de eleitores de direita e, infelizmente, alguns deles estão votando em quem apoia ladrão, bicho; que apoia quem desviou dinheiro do país, quem não comprou vacina de dengue…”</p>



<p>“Ah, mas ele é bonito, ele pinta o cabelo, ele dança”, disse Gilson, tentando imitar os apoiadores do prefeito do Recife, João Campos (PSB). “Mas eu também danço porra!”, protestou, “e tem outra coisa, ele não toca sanfona e eu toco”. Imediatamente me veio a lembrança do ex-ministro em 2020, com o instrumento amarrado ao peito, tocando e cantando <em>Ave Maria</em>, acompanhado de Paulo Guedes e Bolsonaro, que àquela altura era alvo de denúncias (dentro e fora do país) por genocídio e crimes contra a Humanidade. Nesse mesmo período, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich deixaram o Ministério da Saúde em menos de 29 dias, após sucessivos desgastes com o presidente e divergências em relação ao combate à pandemia.</p>



<p>Depois de muito conversar, Gilson finalmente faz o que todos estavam esperando: convidou o deputado Nikolas Ferreira (principal promessa da legenda no país) a tomar o seu lugar. A fala do rapaz veio carregada de preconceitos xenófobos. Ele descreve uma visão estereotipada do Nordeste e promete que, em 15 anos, a região será de direita e que estará “livre do PT”. Durante seu discurso, enquanto dizia que “Lula vai passar” algumas vozes na multidão completavam gritando “vai morrer!”.</p>



<p>Apesar de jovem, Nikolas fala como um populista experiente e adota as mesmas estratégias que os colegas de partido: questiona os valores e volumes de emendas parlamentares apresentadas para favorecer políticos em currais eleitorais, mas disfarça que o orçamento secreto foi um instrumento político criado em 2020 pelo ex-presidente, permitindo a destinação de verbas do orçamento público a projetos definidos por parlamentares sem a devida identificação.</p>



<p>Quando o evento terminou, tentei conversar com algumas pessoas. Um rapaz muito jovem me disse que vinha de Caruaru só para ver o deputado e que, assim como Lucas Pavanato e Maicon Sullivan, ele também pensava em produzir conteúdo de temática conservadora para a internet. Uma senhora bem vestida que aparentava ter uns 70 anos confirmou que havia acampado em frente a quartéis e que mandou dinheiro para um amigo que participou do 8 de janeiro, “afinal de contas, Brasília é uma cidade cara, não é?”. Hoje, ela o chama de “preso político” e considera “um absurdo” que ele esteja preso por invadir a capital federal e tentar dar um golpe de estado.</p>



<p>Também conheci um casal que morava no bairro do Cordeiro, com quem voltei conversando no BRT. Enquanto eu tentava descobrir suas impressões do evento, um homem em situação de rua entrou na estação sem pagar. Observando o sem teto caminhar pela estação, e acreditando estar acompanhada de alguém que partilhasse sua visão política, a mulher se sentiu à vontade para falar abertamente em higienização social, insistindo que era preciso fazer algo sobre “essas pessoas” a qualquer custo (com bastante ênfase nessa parte do “a qualquer custo”). “É por isso que o Brasil é assim”, resmungava, “falta vergonha, falta polícia para essa gente!”</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Estrela-PL-Jovem-times.jpg" alt="A cena retratada é em um ambiente interno com piso quadriculado e paredes adornadas com molduras decorativas. Três grandes bandeiras estão expostos na sala, cada um com diferentes designs e cores com escudos do Sport Club do Recife e Santa Cruz Futebol Clube. Cinco pessoas estão presentes: uma está em pé à esquerda, segurando um smartphone, aparentemente tirando uma foto ou vídeo dos bandeiras, enquanto a outra está à direita, de costas para a câmera, gesticulando em direção a um dos banners. Os banners contêm texto e símbolos que sugerem que estão relacionados a movimentos políticos da direita." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: João Gama</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Quando cheguei em casa, não conseguia parar de pensar nas coisas que ouvi a manhã inteira, nas pessoas com quem falei, na iconografia bolsonarista… Pensei sobre a experiência de me fantasiar como um deles. Vendo aquelas pessoas no seu habitat, agindo de maneira despreocupadamente odiosa, à vontade demais para se preocupar com noções mínimas de civilidade e respeito à figura humana.</p>



<p>Quando eu cheguei ao Clube Internacional, achava que eu era o lobo em pele de cordeiro. Agora, percebo que era justamente o oposto. Eu é que era o cordeiro que havia se vestido a pele do lobo para me misturar aos outros e vê-los desnudar suas fantasias. As palavras de Tyler Durden (personagem interpretado por Brad Pitt em <em>Clube da Luta</em>), cercado de capangas e ameaçando castrar um político americano com uma faca não sai da minha cabeça. “Fazemos sua comida, catamos o seu lixo, conectamos suas ligações, dirigimos suas ambulâncias e te protegemos enquanto você dorme”.</p>



<p>Apesar da experiência antropológica, não obtive resposta para algumas perguntas. Como deve ser ver o mundo de uma forma tão distorcida que torna impossível perceber as próprias contradições? Como deve ser reimaginar a história e os fatos a todo momento para justificar um Brasil paralelo que jamais existiu? Como deve ser viver a vida acreditando travar uma guerra santa, guiado por um Messias que tenta evitar a prisão ao mesmo tempo em que exalta a violência e o autoritarismo? Qual a sensação de chocar o ovo da serpente?</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-cordeiro-na-pele-do-lobo-fui-ao-primeiro-evento-eleitoral-da-extrema-direita-no-recife/">O cordeiro na pele do lobo: fui ao primeiro evento eleitoral da extrema-direita no Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Deputado bolsonarista mente na tribuna para desgastar o presidente Lula</title>
		<link>https://marcozero.org/deputado-bolsonarista-mente-na-tribuna-para-desgastar-o-presidente-lula/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2024 19:12:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos representantes do bolsonarismo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado Alberto Feitosa (PL) propagou, da tribuna da Casa, informação falsa sobre o número de mortes provocadas por dengue. O parlamentar sustentou que a doença mata 25 mil pessoas por dia no Brasil. No entanto, dados do boletim epidemiológico mais recente do Ministério da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um dos representantes do bolsonarismo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado Alberto Feitosa (PL) propagou, da tribuna da Casa, informação falsa sobre o número de mortes provocadas por dengue. O parlamentar sustentou que a doença mata 25 mil pessoas por dia no Brasil. No entanto, dados do <a href="http://Informe Diário COE Dengue nº 18 | 21 de março de 2024 — Ministério da Saúde (www.gov.br)">boletim epidemiológico</a> mais recente do Ministério da Saúde, publicado em 21 de março, apontam que são 682 mortes pela doença confirmadas e outras 1.042 em investigação, até o momento.</p>



<p>A fake news de Alberto Feitosa já circula nas redes sociais; inclusive, nas do deputado, filiado ao mesmo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Este repórter recebeu um corte do discurso em um grupo de homens que estudaram juntos no mesmo colégio. O emissor achou “engraçado” o vídeo e, por isso, o repassou aos colegas. O motivo da graça: a exposição de uma caricatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o uso do trocadilho &#8220;presidengue&#8221;. A encenação serviu de embalagem para o discurso em que Feitosa distorce dados oficiais.</p>



<p>“E eu pergunto: com quase 25 mil mortes por dia, deputado Cleiton Collins, com dois milhões de pessoas contaminadas, com quase 700 mil mortes no país por causa da dengue, o que faz o governo federal?”, discursou o deputado. Na verdade, são 714 mil casos confirmados da doença no mês de março no Brasil, e não óbitos, de acordo com o Ministério da Saúde.</p>



<p>O vídeo com a fala de Alberto Feitosa na íntegra está disponível <a href="https://www.youtube.com/live/MkixlUvvu3Q?si=jlVkboEYRHGQrdKb">no canal da Alepe no YouTube</a>. Por uma decisão editorial, não será aqui mostrado. O discurso foi proferido durante o pequeno expediente da sessão ordinária, formato que não permite a intervenção de parlamentares</p>



<p>A iniciativa do deputado pernambucano de ir à tribuna da Casa para propagar fake news forçou o Ministério da Saúde a publicar um alerta. “A situação da dengue no Brasil é coisa séria e não deve ser usada para disseminar informações falsas e apavorar a população”.</p>



<p><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/e-falso-que-25-mil-pessoas-morreram-por-dengue-no-brasil#:~:text=ATEN%C3%87%C3%83O!,Isso%20%C3%A9%20falso.">É falso que 25 mil pessoas morreram por dengue no Brasil — Ministério da Saúde (</a><a href="http://www.gov.br/">www.gov.br</a><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/e-falso-que-25-mil-pessoas-morreram-por-dengue-no-brasil#:~:text=ATEN%C3%87%C3%83O!,Isso%20%C3%A9%20falso.">)</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Alerta fake news!<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f6a8.png" alt="🚨" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />É falso que a dengue mata mais de 25 mil brasileiros por dia. Ao contrário do que foi mencionado por um parlamentar ontem, de acordo com o último informe diário de dengue, de 21 de março, o Brasil registrou 682 óbitos em 2024, uma taxa de letalidade de 0,03%.</p>&mdash; Ministério da Saúde <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1fa75.png" alt="🩵" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> (@minsaude) <a href="https://twitter.com/minsaude/status/1771256069265748290?ref_src=twsrc%5Etfw">March 22, 2024</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<p>A reportagem procurou Alberto Feitosa, por meio da assessoria de imprensa, para saber qual foi a base dos números sustentados por ele na tribuna. Mas não obteve retorno, até a publicação deste texto.</p>



<p>Em dezembro passado, a <strong>Marco Zero</strong> publicou um perfil do deputado do PL, em função da decisão judicial que determinou medidas protetivas em relação a uma mulher que ele precisa cumprir.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/deputado-alberto-feitosa-responde-a-processo-de-violencia-domestica-e-tem-medida-protetiva-imposta-pela-justica/" class="titulo">Deputado Alberto Feitosa responde a processo de violência doméstica e tem medida protetiva imposta pela Justiça</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Feitosa repete Eurico na performance na tribuna</strong></h2>



<p>O ano era 2005, o terceiro do primeiro governo Lula. O então deputado estadual Pedro Eurico (PSDB) performou na tribuna da mesma Assembleia Legislativa de Pernambuco, ainda no Palácio Joaquim Nabuco, antiga sede do Legislativo. Para criticar o valor da compra do avião presidencial, o “Aerolula”, ele exibiu pequenos aviões de plástico e, depois, os distribuiu a colegas de plenário.</p>



<p>“Isso corresponde à indignação da população brasileira com tamanho gasto de verba federal”. À época, Eurico já era um deputado veterano, estava no exercício do quinto mandato consecutivo e havia sido presidente da Assembleia. Feitosa viria a se eleger pela primeira vez só no ano seguinte (2006). De 2007 a 2010, o experiente Eurico e o estreante Feitosa foram colegas de parlamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Situação atual da dengue no Brasil</strong></h2>



<p>O Brasil vive um surto de dengue. Os números de agora relativos à doença já são os maiores registrados desde os anos 2000, início da série histórica da doença no território nacional. No país, foram mais de 2 milhões de casos da doença notificados ao longo de 11 semanas epidemiológicas.</p>



<p>Março ainda não acabou e já foram anotados 714 mil casos, quase o dobro do registrado no mesmo mês no ano passado (381 mil casos). Distrito Federal, oito estados e cinco capitais decretaram estado de emergência em saúde por conta da alta transmissão da doença no território.</p>



<p>Os estados são Acre, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Entre as capitais, Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Natal (RN) e Belo Horizonte (MG) também declararam emergência epidemiológica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que é a dengue?</span>

		<p>Doença causada por um vírus transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Por isso, é uma arbovirose (vírus transmitido por artrópodes).</p>
<p><strong>Principais sintomas da doença: </strong>Febre alta, dores musculares, dor de cabeça intensa, náusea e vômito, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas pelo corpo. A infecção também pode ser assintomática, que não apresenta sintomas.</p>
<p><strong>Sinais de gravidade: </strong>Sangramento da mucosa, acúmulo de líquidos, hemorragias, dores abdominais muito fortes e vômito persistente.</p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Quem é a jovem recifense que se tornou alvo dos seguidores de Michele Bolsonaro</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-e-a-jovem-recifense-que-se-tornou-alvo-dos-seguidores-de-michele-bolsonaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jan 2024 19:58:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[ataques em redes]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[discurso de ódio]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* A comunicadora recifense Karina Santos, 30 anos, é a mais nova integrante da lista de personalidades perseguidas pela extrema-direita no País. Ela passa a fazer parte do grupo que tem nomes como o do padre Júlio Lancellotti, a primeira-dama Janja, a vereadora de Niterói Benny Briolly e o deputado do Paraná Renato [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>A comunicadora recifense Karina Santos, 30 anos, é a mais nova integrante da lista de personalidades perseguidas pela extrema-direita no País. Ela passa a fazer parte do grupo que tem nomes como o do padre Júlio Lancellotti, a primeira-dama Janja, a vereadora de Niterói Benny Briolly e o deputado do Paraná Renato Freitas. Em comum, todas essas personalidades receberam mensagens de bolsonaristas com ofensas e ameaças de morte por redes sociais, e-mail ou telefonema. E precisaram adotar medidas de precaução e segurança. Nos casos mais graves, escolta 24 horas e a necessidade de deixar o Brasil por um período.</p>



<p>Karina começou a receber centenas de mensagens no dia 4 de janeiro, depois que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou no Instagram, para sua base de 6,5 milhões de seguidores, o print do perfil e a marcação da comunicadora, com a frase “como uma boa comunista-caviar, ama um dinheirinho”.</p>



<p>Desde então, a rotina da recifense que produz conteúdo para as redes mudou bruscamente. Ela procurou a polícia para formalizar queixa. O boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) na segunda-feira, no dia que os ataques golpistas de 8 de janeiro completaram um ano.&nbsp;</p>



<p>As mensagens enviadas a Karina têm cunho de violência, instigação ao suicídio, misoginia e xenofobia. Muitas são impublicáveis. “Em breve, você vai pro lugar que merece: o inferno”, “só podia ser da esquerda maldita, vai chegar a vez da vala”, “quero um Adélio na sua vida” e “comedora de farinha, teu Nordeste está na miséria” são algumas delas.</p>



<p>O grau de preocupação de Karina aumentou quando passou a receber mensagens que faziam referência também ao seu filho, uma criança de cinco anos. Na saída da delegacia onde registrou queixa, ao lado da advogada, ela gravou e postou um vídeo. “Estou aqui para dizer a vocês: internet não é terra sem lei”.</p>





<p>Karina é filiada ao Partido dos Trabalhadores e pode ser candidata a vereadora pela legenda. Nas redes sociais, utiliza no perfil uma foto abraçada ao presidente Lula e se descreve como “terrivelmente petista”. A frase é uma adaptação da declaração de Jair Bolsonaro, quando presidente, de que iria indicar um nome “terrivelmente evangélico” ao Supremo Tribunal Federal, que depois veio a ser o então advogado-geral da União, André Mendonça.&nbsp;</p>



<p>A comunicadora recifense afirma que trabalha conteúdos políticos com humor e deboche. Karina tem hoje uma base de 214 mil seguidores no Instagram . No dia 1º de janeiro, ela postou um meme de uma fotomontagem que circula nas redes sociais de Jair e Michelle Bolsonaro detidos numa delegacia de polícia, com a frase “que tudo se realize no ano que vai nascer”.</p>



<p>Por meio de uma pré-candidata do PL a vereadora de Salvador, a postagem chegou ao conhecimento da ex-primeira-dama, que não gostou e decidiu expor a pernambucana. Foi o sinal verde para a tropa digital bolsonarista abrir fogo. Desde então, a vida da comunicadora virou uma bagunça. “Eu precisei parar a minha vida para lidar com isso. Tentei me conectar com o assunto do 8 de janeiro e voltar a produzir, sendo que não pude comparecer ao ato porque passei a manhã na delegacia”, relembrou.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Apoio até de Xuxa Meneghel</strong></h2>



<p>Para se contrapor à onda de ataques instigada por Michelle Bolsonaro, um movimento de solidariedade a Karina Santos também surgiu nas redes sociais. Manifestaram-se figuras públicas do PT, como os senadores Teresa Leitão e Humberto Costa, a deputada Rosa Amorim e os vereadores Liana Cirne e Vinicius Castello, e do PSOL, a exemplo do vereador Ivan Moraes e a deputada Dani Portela. Os sindicatos dos urbanitários e metroviários também se posicionaram.</p>



<p>A mensagem de apoio mais inusitada, porém, foi enviada no privado a Karina pela apresentadora Xuxa Meneghel. “Eu estou contigo e sua família. Sinto muito. Espero que você não perca a força e a fé. Beijos em você e receba meu carinho”.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Primeira trans eleita em Niterói precisou deixar o país&nbsp;</strong></h3>



<p>A reportagem da Marco Zero também conversou com a vereadora Benny Briolly (PSOL-RJ). Ela contou um pouco do que é ser mulher, negra, trans e defensora dos direitos humanos na casa legislativa de uma cidade do Rio de Janeiro que pode ser considerada um dos núcleos do bolsonarismo. Foi em Niterói, por exemplo, que Bolsonaro assistiu ao desfile de 7 de setembro no ano passado. Na ocasião, alguns carros blindados das Forças Armadas soltaram muita fumaça e precisaram ser empurrados, proporcionando cenas hilárias.</p>



<p>MZ &#8211; <strong>Há medidas de segurança que precisam ser adotadas por pessoas ou equipes que lidam, na linha de frente, com grupos de extrema-direita?</strong></p>



<p><strong>Benny</strong> &#8211; Eu já sofria ameaças antes de tomar posse na Câmara Municipal de Niterói. Quando o meu corpo adentrou esse espaço, inúmeros ataques foram feitos através das redes socais, como “desejo que a metralhadora do Ronnie Lessa te atinja”. Já recebi também um e-mail que citava o meu endereço e exigia a minha renúncia. Por questão de segurança, mudei de endereço e precisei andar com escolta 24 horas do meu dia. Por conta dessas e outras ameaças, tive que deixar o país por um período. É inegável que esse afastamento cerceia o meu direito político. De certa forma, me garantiu segurança, mas prejudicou o exercício do cargo para o qual fui eleita. Estar na linha de frente como um corpo que trai os pactos coloniais e ameaça a estrutura da extrema-direita nos destina a alvos de violência e, até mesmo, de assassinato.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Benny Briolly virou alvo da extrema-direita ao se eleger vereadora. Crédito: Rafael Lopes/BdF</p>
	                
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<p><strong>Que elementos você identifica nesse método da extrema-direita?</strong></p>



<p>Essa tática de perseguição deixa nítido o histórico da política do fascismo, de uma cultura racista, misógina e transfóbica. Escancara também o quão dispostos estão para chegar à manutenção do poder. Materializam esta manutenção quando utilizam do autoritarismo para promoção da censura e precariedade na educação, na cultura e na política institucional. A população começa a se polarizar, surgindo assim uma vulnerabilidade. Daí, começam a movimentar uma política que molda uma estética e linguagem em prol de princípios morais, a partir do conservadorismo. Surgem as contratações de agências para promoção de fake news. Após esse movimento, a extrema-direita incentiva uma parcela da comunidade a atacar ativistas, parlamentares e artistas considerados referência, tendo como caraterística o ódio e o crime. Isso tem um impacto na saúde mental e física das figuras atacadas, seus parentes e amigos.</p>



<p><strong>Do ponto de vista legislativo, o que é possível avançar nesse tema da violência por meio das redes sociais?</strong></p>



<p>É necessário compreender que a falta de regulação dessas plataformas é uma ameaça à democracia. Não é sobre cerceamento da liberdade de expressão. É sobre combater crimes. Afinal, será mesmo algo inviolável utilizar as redes sociais para retroalimentar ódio e fomentar perseguição? A internet ganhou centralidade e esse conceito da neutralidade não pode mais prevalecer. É do modelo de negócios dessas empresas maximizar lucros com o vale-tudo. Os antagonismos, os preconceitos, os ódios são funcionais para isso. Não é apenas o indivíduo que deve ser responsabilizado, mas também a plataforma que lucra com esses comportamentos. Do ponto de vista legislativo, é bastante relevante a proposição, por exemplo, do <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/141944" target="_blank" rel="noreferrer noopener">PL 2.630/2020 (chamado de PL das fake news)</a>, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>



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		<title>Deputado Alberto Feitosa responde a processo de violência doméstica e tem medida protetiva imposta pela Justiça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Dec 2023 19:05:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Coronel Alberto Feitosa]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[medida protetiva]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* O deputado estadual Coronel Alberto Feitosa (PL) tem contra si decisão judicial que determina medidas protetivas de urgência que ele precisa cumprir para a garantia da integridade física e emocional de uma mulher. O processo corre em segredo de justiça. A sentença, à qual a reportagem da Marco Zero Conteúdo tomou conhecimento, [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>O deputado estadual Coronel Alberto Feitosa (PL) tem contra si decisão judicial que determina medidas protetivas de urgência que ele precisa cumprir para a garantia da integridade física e emocional de uma mulher. O processo corre em segredo de justiça. A sentença, à qual a reportagem da Marco Zero Conteúdo tomou conhecimento, é da 2ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra Mulher de Recife, com data de 1° de dezembro.</p>



<p>A apuração da MZ confirmou que a decisão judicial foi motivada pela alegação de transtornos pelos quais a mulher estaria passando, segundo seu relato,&nbsp; que seriam por demais constrangedores e abusivos, demonstrando que a vítima estaria vivendo em constante clima de aflição. A Justiça decidiu pela necessidade das medidas para assegurar a integridade física e psíquica da mulher.&nbsp;</p>



<p>Seguindo posicionamentos de decisões em situações semelhantes, a decisão judicial determina que ele precisa manter uma distância de 300 metros da mulher que requereu a medida protetiva, seus familiares e possíveis testemunhas. Feitosa também não pode fazer contato ou frequentar a casa e local de trabalho, se houver, das pessoas citadas acima.&nbsp;</p>



<p>Assinada pela juíza Michelle Duque de Miranda, titular da 2ª Vara de Violência Contra Mulher da capital, a decisão também inquiriu Alberto Feitosa a dizer à Justiça se possui arma de fogo regulamentada e apresentar a respectiva documentação num prazo de 10 dias.&nbsp;</p>



<p>A decisão judicial foi expedida e Alberto Feitosa, notificado. O deputado pode recorrer, o que levaria o caso a ser encaminhado para posicionamento do Ministério Público. Só então voltaria à juíza para confirmar a medida protetiva ou acatar os argumentos da contestação.&nbsp;</p>



<p>Por respeito à privacidade da mulher, a reportagem não revelará sua identidade e detalhes sobre o fato. A Marco Zero noticia quem é o alvo da medida protetiva por haver relevância jornalística no caso, pois se trata de uma figura pública. </p>



<p>Procurado via assessoria, por telefone, Alberto Feitosa informou que não vai se pronunciar por ser uma questão pessoal e um momento delicado.</p>



<p>O coronel está no exercício do quinto mandato parlamentar consecutivo e já foi secretário estadual de Turismo e de Saneamento do Recife. Também já foi candidato a prefeito da capital. Ano passado, o político conseguiu seu melhor desempenho nas urnas, foi o segundo deputado estadual eleito mais bem votado no estado, com 146.847 votos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>De aliado do PSB para a extrema-direita</strong></h2>



<p>Oficial reformado da Polícia Militar, foi eleito pela primeira vez para a Assembleia Legislativa em 2006, à época liderado do ex-deputado federal Inocêncio Oliveira, de quem recebeu o comando do PR no Recife em 2007. Alberto Feitosa foi aliado das gestões do PSB no Estado e no Recife. Com o surgimento do fenômeno Jair Bolsonaro, que é eleito presidente da República, Alberto Feitosa também se bolsonariza e passa a integrar a tropa de choque do agora ex-presidente inelegível.</p>



<p>Reeleito pelo Solidariedade em 2018, o político foi candidato a prefeito do Recife em 2020 pelo PSC, com o nome Coronel Feitosa e o pastor Wellington Carneiro na vice. Entre nove candidaturas, terminou na 6ª colocação, com 1,2% dos votos válidos (9.441 votos). Em março do ano passado, Alberto Feitosa assinou a ficha de filiação ao PL.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Na Alepe, quer palestra sobre violência doméstica em empresas</strong></h3>



<p>Temas que dizem respeito aos direitos das mulheres já foram tratados por Alberto Feitosa em forma de projetos de lei na atual legislatura. Ele é o autor da<a href="https://www.alepe.pe.gov.br/proposicao-texto-completo/?docid=12678&amp;tipoprop=p" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> proposta 1444/2023</a>, que &#8211; se aprovada &#8211; obriga empresas de grande porte, com 60% do quadro de funcionários homens, a realizar palestra com tema “violência doméstica” para toda a equipe uma vez por ano. </p>



<p>“Em 2016, 12,5% das mulheres empregadas nas capitais nordestinas sofreram algum tipo de violência doméstica”, diz um trecho inicial da justificativa do projeto de lei, citando dado da Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, do Instituto Maria da Penha com a Universidade Federal do Ceará. </p>



<p>O deputado também foi patrono de um encontro da Organização Partejando, realizado em julho desse ano. “É uma satisfação ser convidado para este encontro de futuras mamães que defendem o parto humanizado”, ressaltou o deputado, num material produzido por sua assessoria e distribuído aos blogs que acompanham a agenda política dos parlamentares.</p>



<p>Alberto Feitosa também é autor dos PLs 3557/2022 e 858/2003. As propostas, respectivamente, dá direito a acompanhante a mulheres de todas as idades e em todos os procedimentos médicos e institui setembro como o mês da campanha educativa sobre o procedimento voluntário de esterilização definitiva da mulher conhecido como laqueadura.</p>





<h3 class="wp-block-heading"><strong>Mudar a Constituição para dificultar cassaçã</strong>o</h3>



<p>Outra sugestão que o político apresentou foi a de <a href="https://www.alepe.pe.gov.br/proposicao-texto-completo/?docid=10645&amp;tipoprop=p" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Emenda Constitucional nº 12/2023</a>. Na prática, a proposta altera a Constituição para tornar mais difícil a possibilidade de cassação de um parlamentar em Pernambuco, só podendo acontecer por decisão da maioria dos seus pares.</p>



<p>“Esses parlamentares são eleitos pelos cidadãos de seus respectivos estados, o que implica um conhecimento mais próximo das necessidades e dos anseios da população. Portanto, confiar-lhes exclusivamente a responsabilidade de cassar mandatos tornaria o processo mais democrático”, argumenta o texto de justificativa da PEC.</p>



<p>A Constituição estadual estabelece seis hipóteses para a perda definitiva do mandato, entre elas a condenação em transitado em julgado ou a quebra do decoro parlamentar.&nbsp;</p>



<p>De acordo com as regras que estruturam o funcionamento do Legislativo, são incompatíveis com o decoro parlamentar o abuso das prerrogativas do cargo, a percepção de vantagens indevidas e irregularidades graves cometidas no exercício do mandato ou de encargos dele decorrentes.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Só um parlamentar cassado em mais de 190 anos de história</strong></h4>



<p>Foi em junho de 2000, em decisão secreta e sessão de quatro horas de duração, que o plenário da Alepe analisou a proposta: 27 deputados votaram sim à cassação e 17 votaram não, além de um voto em brano e outro nulo, e <a href="https://www.alepe.pe.gov.br/2000/06/08/al-cassa-mandato-de-eudo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eudo Magalhães</a> &#8211; impedido de votar &#8211;  deixou de ser deputado. </p>



<p>Quem presidiu a sessão histórica foi o então deputado Bruno Araújo, o mesmo que &#8211; 16 anos depois &#8211; deu o voto sim decisivo a outro fato histórico: a autorização da Câmara dos Deputados para abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff da Presidência da República.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>]</p>



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		<title>Deputado de Santa Catarina quer reduzir bancada federal dos estados do Nordeste</title>
		<link>https://marcozero.org/deputado-de-santa-catarina-quer-reduzir-bancada-federal-dos-estados-do-nordeste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jul 2023 21:40:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita]]></category>
		<category><![CDATA[nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Catarina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um projeto de lei apresentado por um deputado federal de Santa Catarina pode reduzir a bancada dos estados do Nordeste no Câmara dos Deputados em até sete parlamentares. Caso seja aprovado, o projeto de lei 149/23 ajustaria o número de integrantes da representação dos estados e do já a partir das eleições de 2026, levando [&#8230;]</p>
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<p>Um projeto de lei apresentado por um deputado federal de Santa Catarina pode reduzir a bancada dos estados do Nordeste no Câmara dos Deputados em até sete parlamentares. Caso seja aprovado, o projeto de lei 149/23 ajustaria o número de integrantes da representação dos estados e do já a partir das eleições de 2026, levando em conta os resultados do <a href="https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/22827-censo-demografico-2022.html">Censo Demográfico de 2022</a>, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>



<p>O projeto prevê que o tamanho da bancada federal de cada estado deverá ser anunciado no ano anterior às eleições para a Câmara, a partir de atualização demográfica a ser fornecida pelo IBGE. O autor da proposta, Rafael Pezenti (MDB-SC) considerou o quociente populacional, promovendo cálculos a fim de chegar ao total de 513 deputados federais.</p>



<p>Assim, sete estados perderiam vagas na Câmara: Rio de Janeiro perderia quatro vagas. Depois viriam Bahia, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Sul, com menos duas; e Alagoas e Pernambuco, com uma vaga a menos cada. As vagas perdidas iriam para os estados do Pará e Santa Catarina, com mais quatro deputados federais. Em seguida viriam Amazonas, com duas vagas a mais, e Ceará, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, com uma cada.</p>



<p><a href="https://www2.camara.leg.br/a-camara/conheca/numero-de-deputados-por-estado">Em relação às atuais bancadas</a>, 12 estados e o Distrito Federal permaneceriam com o mesmo número de integrantes.</p>





<p>Pezenti disse para a Agência Câmara de Notícias que “como se sabe, a Constituição prevê que o número de parlamentares eleitos nos estados e no Distrito Federal varie entre oito e 70, com ajustes periódicos conforme dados do IBGE. Não obstante, tais números não são atualizados desde 1993”.</p>



<p>De extrema-direita e ligado ao agronegócio, Rafael Pezenti está em seu primeiro mandato. Em 2022, <a href="https://www.estadao.com.br/politica/eleicoes/2022/apuracao/primeiro-turno/deputado-federal/sc/">ele foi eleito com 68.208 votos</a>, ficando com a 15ª das 16 vagas da bancada catarinense. Seus perfis no twitter são repletos de postagens homofóbicas, de ataques a indígenas e apologia à violência contra sem-terra. No plenário da Câmara, Pezenti discursou, ameaçando “invasores de terra” de receberem “um pedacinho de terra, mas a sete palmos do chão”.</p>



<p>De acordo com o sistema <a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/2022/2040602022/SC/240001602681">Divulgacand</a>, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o maior financiador individual de sua campanha foi empresário Celso Renato Geraldin.</p>



<p>Geraldin é empresário, sócio do Grupo Aguassanta, uma holding que se apresenta como empresa de Desenvolvimento Imobiliário que “investe em regiões com alto potencial de crescimento e valorização no interior paulista, localizadas próximos a centros urbanos e principais vias de acesso”. O grupo também conta com a Aguassanta Agrícola, especializada em compra e venda de terras.<br><br>O projeto ainda encontra-se na fase inicial da tramitação e ainda não começou a ser avaliado pelas comissões temáticas da Câmara. Pra conhecer a íntegra do projeto, <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2373364">clique aqui</a>. </p>





<ul class="wp-block-list"><li><strong>Colaborou Jeniffer Oliveira</strong></li></ul>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote></figure>
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		<item>
		<title>Médico pernambucano preside entidade condenada a pagar R$ 55 milhões por propaganda do &#8220;kit covid&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/medico-pernambucano-preside-entidade-condenada-a-pagar-r-55-milhoes-por-propaganda-do-kit-covid/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 May 2023 20:21:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[médicos pela vida]]></category>
		<category><![CDATA[mpf]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era o início do pior momento da pandemia de covid-19 no Brasil quando no dia 23 de fevereiro de 2021 vários jornais de todo o Brasil estamparam o “Manifesto pela vida &#8211; médicos do tratamento precoce no Brasil”. Era um informe publicitário do grupo chamado Médicos pela vida. Manaus já havia passado pelo colapso sem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era o início do pior momento da pandemia de covid-19 no Brasil quando no dia 23 de fevereiro de 2021 vários jornais de todo o Brasil estamparam o “Manifesto pela vida &#8211; médicos do tratamento precoce no Brasil”. Era um informe publicitário do grupo chamado Médicos pela vida. Manaus já havia passado pelo colapso sem oxigênio e a variante Gama corroía o país, matando uma média de mais de mil pessoas por dia &#8211; número que ainda iria quadruplicar nas semanas seguintes. A ciência, àquela altura, já havia há muito desconsiderado o chamado “kit covid”, defendido no anúncio: o uso do vermífugo ivermectina, e de outros medicamentos, para o tratamento precoce da doença.<br><br>Agora, o dano potencial à saúde que essa onda de mentiras provocou começa a ser reparado na Justiça. Ao julgar duas ações ajuizadas pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal no Rio Grande do Sul considerou que a publicação contraria a legislação e ato normativo que tratam da propaganda e publicidade de medicamentos. Nas sentenças, a Médicos pela vida (Associação Dignidade Médica de Pernambuco &#8211; ADM/PE) e as empresas Vitamedic Indústria Farmacêutica, Centro Educacional Alves Faria (Unialfa) e o Grupo José Alves (GJA Participações) foram condenados solidariamente ao pagamento de R$ 55 milhões por danos morais coletivos e à saúde, nos limites de suas responsabilidades. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/reuniao-do-gabinete-das-sombras-foi-solicitada-por-medicos-pernambucanos/" class="titulo">Reunião do &#8220;gabinete das sombras&#8221; foi solicitada por médicos pernambucanos</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Em uma das ações, o montante do pagamento imposto pela Justiça foi de R$ 45 milhões e, na outra, a condenação foi no valor de R$ 10 milhões. Ainda cabe recursos. <br><br>A associação Médicos pela Vida tem oficialmente sede no Recife &#8211; no mesmo imóvel do consultório da ex-vereadora Vera Lopes &#8211; mas a atuação acontece na internet, com site e canais em aplicativos de mensagem. O presidente da organização é o médico oftalmologista e ex-presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Antônio Jordão.</p>



<p>Durante o governo Bolsonaro, o grupo participou de várias reuniões e encontros para discutir ações contra a covid-19 &#8211; e também articulou, como mostrou a CPI da Covid, para atrasar a chegada das vacinas ao Brasil. Antônio Jordão participou até de<em> lives</em> ao lado do então presidente Jair Bolsonaro (PL).<br><br>O grupo tem médicos associados em todos os estados do Brasil &#8211; com exceção do Acre e de Roraima. Uma pesquisa publicada na revista científica <em>Ciência &amp; Saúde Coletiva</em> mapeou 209 médicos na organização &#8211; sendo apenas dois infectologistas. A maior representação era de acupunturistas e homeopatas. Em Pernambuco, 21 médicos participavam do grupo.</p>



<p>A atuação política do MPV também se deu tentando influenciar os governos e assembleias estaduais. Em Pernambuco, a convite da então deputada estadual Clarissa Tércio, médicos do grupo participaram de uma audiência pública em dezembro de 2021 da Comissão de Saúde e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para defender o kit covid e questionar as vacinas. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/comissao-de-saude-da-alepe-promove-audiencia-publica-antivacina-e-youtube-retira-video-do-ar/" class="titulo">Comissão de Saúde da Alepe promove audiência pública antivacina e YouTube retira vídeo do ar</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vitamedic pagou R$ 717 mil por anúncios</strong></h2>



<p>Para a Justiça do Rio Grande do Sul, o MPF conseguiu comprovar a cumplicidade entre a Vitamedic e a Associação Médicos Pela Vida. A empresa pagou R$ 717 mil para publicação da propaganda irregular nos jornais. <br><br>O fato foi admitido pelo próprio diretor da Vitamedic, Jailton Batista, durante depoimento na CPI da Covid. A empresa ganhou muito dinheiro na pandemia: o faturamento da Vitamedic com a venda de caixas de comprimidos de ivermectina em 2020 foi de cerca de R$ 469,4 milhões. O valor foi 2.925% superior ao faturamento de 2019 informado pela empresa, de R$ 15,5 milhões. Os dados foram divulgados pela CPI da Covid, em junho de 2021.</p>



<p>Já a Unialfa mantinha no ar o site do Médicos pela vida. Tanto a Unialfa como a Vitamedic fazem parte do Grupo José Alves, de Goiás.</p>



<p>Ao justificar o valor imposto nas sentenças, a Justiça do RS asseverou que “a só e pura publicidade ilícita de medicamentos, pelos riscos do seu uso irracional, já representa abalo na saúde pública e sua essencialidade impõe a devida reparação”. </p>



<p>A ação foi voltada para o informe publicado no Jornal Zero Hora, de Porto Alegre, e não abarca outros estados onde o material mentiroso foi divulgado. Jornais de grande circulação nacional, como Folha de S. Paulo e O Globo, também publicaram o informe do MPV, o que, na época, levou a uma nota de repúdio de artistas e intelectuais. </p>



<p></p>
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		<title>&#8220;Menos um fazendo o L&#8221;: assassinato nas redes e a memória de um sobrevivente</title>
		<link>https://marcozero.org/menos-um-fazendo-o-l-assassinato-nas-redes-e-a-memoria-de-um-sobrevivente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 May 2023 21:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo Crônico]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[menos um fazendo o L]]></category>
		<category><![CDATA[violência bolsonarista]]></category>
		<category><![CDATA[violência urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tive que respirar fundo para não soltar um palavrão e assustar meu filho pequeno, que brinca de andar e mexer em tudo que represente perigo pela casa, enquanto tento escrever. Resumindo: “Após matar um jovem na ligação leste-oeste, região central de São Paulo, um motorista de aplicativo fez publicação em redes sociais debochando da vítima. [&#8230;]</p>
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<p>Tive que respirar fundo para não soltar um palavrão e assustar meu filho pequeno, que brinca de andar e mexer em tudo que represente perigo pela casa, enquanto tento escrever.</p>



<p>Resumindo:</p>



<p>“Após matar um jovem na ligação leste-oeste, região central de São Paulo, um motorista de aplicativo fez publicação em redes sociais debochando da vítima. &#8216;Menos um fazendo o &#8216;L'&#8221;, em referência aos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.</p>



<p>A frase do motorista-assassino confesso:</p>



<p>“É o ladrão de celular. Ladrão, foda-se. Talvez eu encontre esse vagabundo em outra vida”, afirmou em um dos vídeos.</p>



<p>Esse negócio me doeu na alma porque o sujeito que foi morto (que também fazia uns bicos em aplicativos, além de vender bugigangas nos sinais) pode ter roubado um celular, mas ele não era só isso. Era um ser humano. E os tempos estão tão medonhos, que não basta mais matar. É preciso postar nas redes sociais.</p>



<p>Isso é típico dos tempos fascistas que estamos vivendo. Sem a exibição, nenhum crime compensa.</p>



<p>Pois bem. Pego o gancho desta notícia absurda para falar deles, os milhões de brasileiros que trabalham em aplicativos, de carro, moto e bicicleta.</p>



<p>Moro em Olinda, numa rua que tem um nome pomposo, mas todo mundo conhece mesmo é como “rua da Palha”. Parece uma vila, com as casas bem coladas, e a porta já da para a rua. Não tem interfone, portaria, nada.</p>



<p>A gente vê como a luta pela sobrevivência é um osso duro, perverso, e deixa cicatrizes.</p>



<p>Como sou cronista há muitos anos, meu material básico é o ser humano, suas dores e delicias. Por isso, adoro conversas. Sem conversa, não cronista, há artigos sociais. Nosso material humano é esta mistura de lágrimas, epifanias, dores, ressurreições.</p>



<p>Sempre que chega algum entregador de alguma coisa aqui em casa, a regra básica é simples:</p>



<p>Abro a porta, o portão, pergunto o nome do entregador e pergunto algo.</p>



<p>O fato de perguntar o nome sempre causa surpresa. Mas o fato de ser tratado com respeito, de agradecer pelo seu trabalho e perguntar sobre sua vida, é um pequeno desvio na curva.</p>



<p>Mas justamente depois de ter lido a matéria na Folha de São Paulo, chegou um camarada de uns trinta anos, trazendo dois pacotes de fraldas. Veio de bicicleta. Era o final da manhã, e o sol cozinhava o juízo. Aqui em Olinda, o sol não é para amadores.</p>



<p>Perguntei seu nome: Antônio. Me entregou os pacotes, vi uma marca grande no seu braço.</p>



<p>“Isso foi acidente?”, perguntei.</p>



<p>“Que nada, foi leptospirose, a doença do rato. Quase morri. Fiquei dez dias entubado. Peguei fazendo entregas, aquelas chuvas que mataram meio mundo de gente dos morros”.</p>



<p>Me olhou e alisou o braço, onde tinha a marca.</p>



<p>“Fiquei dez dias entubado. Na água da chuva tinha mijo do rato. Peguei. Essa marca aqui é dos soros que tomei, por onde entravam os remédios”.</p>



<p>“Ficasse internado onde?”</p>



<p>“No Miguel Arraes”.</p>



<p>Resposta mais pernambucana que essa, impossível.</p>



<p>“O médico disse que eu tive muita sorte, porque fui atendido em 24 horas. Meu rim estava parando. Dos três que entraram comigo, fui o sobrevivente”.</p>



<p>Após uma pausa, ele completou.</p>



<p>“Foi aperreio, visse?”</p>



<p>“E o iFood te ajudou em alguma coisa?”</p>



<p>“Porra nenhuma. Em caso de acidente, o cara só recebe se ficar numa cama. Se morrer trabalhando, a família recebe R$ 100 mil. Mas eu não quero esse dinheiro de jeito nenhum”.</p>



<p>Ele tinha que seguir. Passei o código para ele.</p>



<p>“Tomara que apareça um trabalho melhor pra você, meu velho”.</p>



<p>“Deus te ouça. Só eu sei o que foram aqueles dez dias. O médico mesmo disse que sou um sobrevivente”.</p>



<p>“É mesmo”, concordei.</p>



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		<item>
		<title>Agressões violentas contra jornalistas dobraram em 2022, revela Abraji</title>
		<link>https://marcozero.org/agressoes-violentas-contra-jornalistas-dobraram-em-2022-revela-abraji/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Apr 2023 17:55:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Abraji]]></category>
		<category><![CDATA[agressões a jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Violência Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2022, as agressões a jornalistas, empresas de comunicação e imprensa em geral cresceram 23% se comparado a 2021. O dado integra o relatório de monitoramento de ataques a jornalistas no Brasil, divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) na última quarta-feira, 29 de março. Ao todo, foram registrados 557 ataques a jornalistas, destes, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 2022, as agressões a jornalistas, empresas de comunicação e imprensa em geral cresceram 23% se comparado a 2021. O dado integra o relatório de monitoramento de ataques a jornalistas no Brasil, divulgado pela <a href="https://abraji.org.br/noticias/quando-somos-atacados-a-democracia-tambem-e-atacada-abraji-discute-violencia-contra-jornalistas-em-lancamento-de-dados-ineditos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) </a>na última quarta-feira, 29 de março. Ao todo, foram registrados 557 ataques a jornalistas, destes, 145 casos apresentaram traços explícitos de violência de gênero e/ou vitimaram mulheres jornalistas. A violência física, acompanhada de intimidações, hostilização e ameaças, também cresceu em 2022 e representou 31,2% dos casos totais &#8211; um crescimento de 102,3% em relação ao ano anterior. </p>



<p>O relatório foi desenvolvido pela Abraji em parceria com a rede Voces del Sur (VdS). O levantamento de ataques contra a imprensa é realizado sistematicamente desde 2019. A série histórica registrada pela Abraji se inicia com 130 casos em 2019, seguida por 367 casos em 2020, 453 em 2021 e, finalmente, em 2022, alcança 557 alertas de violações à liberdade de imprensa. Ou seja, de 2019 até 2022, houve um aumento total de 328% nos casos de ataque contra jornalistas. </p>



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	                                        <p class="m-0">Levantamento do número de ataques direcionados à imprensa em 2022. Crédito: Relatório Abraji</p>
	                
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<p>Dados do levantamento de 2022 mostraram um aumento significativo da violência política praticada contra profissionais da imprensa em razão das eleições federais. Em 56,7% dos casos registrados um ou mais agressores eram agentes estatais, como parlamentares, governantes e funcionários públicos. Durante o período de campanha, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o político que mais atacou a imprensa. Bolsonaro e seus três filhos detentores de mandato foram responsáveis por 41,6% dos ataques registrados em 2022. </p>



<p>“Seguem com força os discursos estigmatizantes protagonizados pelo agora ex-presidente e seus principais apoiadores com mandatos públicos ou figuras públicas influentes que usaram nos últimos anos seus palanques, em especial nas redes sociais, para propagar uma narrativa de descredibilização e perseguição contra a imprensa”, afirma o documento da Abraji ao enfatizar que mesmo após as eleições os registros de ataques seguem ocorrendo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Dados de agressões realizadas por Jair Bolsonaro e seus filhos. Crédito: Relatório Abraji</p>
	                
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<p>Com os discursos estigmatizantes sendo a forma de agressão mais comum, a internet se apresenta como um ambiente hostil para os profissionais da comunicação uma vez que 63,4% dos ataques registrados pela Abraji tiveram origem ou repercussão em ambientes online, principalmente nas redes sociais. </p>



<p>Os principais alvos de ataques foram repórteres e analistas de portais ou sites de notícias, com 276 casos registrados, 49,4% do total. Meios de comunicação e imprensa – tratada de forma ampla e genérica, como “a mídia” ou “a imprensa” – também estiveram na mira dos agressores: foram identificados 265 (47,7%) episódios deste tipo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Tipo de ataques sofridos por jornalistas. Crédito: Relatório Abraji</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Jornalistas correm risco de vida</strong></h2>



<p>Em 2022 dois jornalistas foram assassinados e tiveram suas mortes ligadas ao exercício da profissão.</p>



<p>Givanildo Oliveira, de 46 anos, foi assassinado a tiros em sua casa, na cidade de Pirambu, Ceará, em fevereiro de 2022. Oliveira era um dos fundadores do site Pirambu News e havia recebido ameaças para não publicar notícias sobre criminosos da região. O assassinato aconteceu horas depois da publicação de uma reportgam sobre a prisão de um suspeito de homicídio.</p>



<p>O outro assassinato registrado pelo levantamento foi o do britânico<a href="https://amazoniareal.com.br/dom-phillips/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Dom Phillips</a>, que ganhou repercurssão mundial. O jornalista foi morto em junho de 2022 na região do Vale do Javari, na Amazônia ocidental, durante uma expedição ao lado do indigenista Bruno Pereira, também assassinado. Três pescadores e caçadores ilegais, moradores de região, confessaram o crime e estão presos, aguardando julgamento pela Justiça do Amazonas. </p>



<p>“O dado é mais uma prova de que o ano foi extremamente violento para profissionais da imprensa brasileira”, reforçou o relatório da Abraji. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>
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