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	<title>Arquivos bolsonaro golpe - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos bolsonaro golpe - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>PSOL pede ao STF para investigar relação de Clarissa e Júnior Tércio com invasões em Brasília</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jan 2023 16:54:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A bancada federal do PSOL pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue possíveis vínculos da deputada federal eleita Clarissa Tércio e do seu marido, o deputado estadual eleito Júnior Tércio (ambos filiados ao PP), com as invasões às sedes dos três poderes e à tentativa de golpe de Estado cometida pelos seguidores do ex-presidente [&#8230;]</p>
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<p>A bancada federal do PSOL pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue possíveis vínculos da deputada federal eleita Clarissa Tércio e do seu marido, o deputado estadual eleito Júnior Tércio (ambos filiados ao PP), com as invasões às sedes dos três poderes e à tentativa de golpe de Estado cometida pelos seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro, no domingo, 8 de janeiro. O pedido foi assinado pelo presidente do partido, Juliano Medeiros, e 14 parlamentares em exercício ou que assumirão seus mandatos no dia 1º de fevereiro.</p>



<p>De acordo com a petição protocolada no STF e direcionada para o ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos 4.874 e 4.879, que apuram a disseminação de <em>fake news </em>e a organização dos atos antidemocráticos, Clarissa Tércio compartilhou “vídeo feito por uma terrorista que furou bloqueio policial para invadir o teto do Congresso Nacional, endossando a mensagem que o Poder fora ‘tomado pelo povo’.” Outro argumento usado foi o fato de que “Clarissa Tércio e seu marido inseriram nas imagens compartilhadas da invasão créditos com os endereços de suas próprias redes sociais”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/raquel-lyra-e-joao-campos-condenam-invasoes-mas-casal-tercio-e-coronel-feitosa-declaram-apoio-a-terroristas/" class="titulo">Raquel Lyra e João Campos condenam invasões, mas casal Tércio e coronel Feitosa declaram apoio a terroristas</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Ainda na noite de domingo, a Marco Zero informou que o casal Tércio postou vídeos com imagens dos bolsonaristas no Congresso Nacional, mas sem nenhuma ressalva ou qualquer tipo de recriminação à violência política. Nas postagens expressaram à tentativa de tomar o poder pelo uso da força, postando “Brasília hoje, oremos pelo nosso Brasil!”</p>



<p>Na manhã seguinte, 9 de janeiro, a deputada editou a postagem e postou no twitter informando ser contrária à depredação de patrimônio. Ao mesmo tempo, enviou nota para a equipe da MZ solicitando alteração na reportagem publicada na véspera com esse novo conteúdo, o que foi feito.</p>



<p>Além dos fundamentalistas evengélicos pernambucanos, a bancada do PSOL solicitou a inclusão de outros nove parlamentares bolsonaristas de diversos estados: André Fernandes (PL-CE), Silvia Waiãpi (PL-AP), Magno Malta (PL-ES), Ricardo Barros (PP-PR), Sargento Rodrigues (PL-MG), José Medeiros (PL-MT), Coronel Tadeu (PL-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Ana Compagnolo (PL-SC).</p>



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<p>Solicitamos à equipe da assessoria de Clarissa Tércio posicionamento sobre a petição da bancada do PSOL. Eventuais opiniões ou defesa da deputada serão acrescentadas assim que a demanda seja atendida.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mudança de narrativa articulada</strong></h2>



<p>Durante a invasão, a empolgação dos parlamentares citados pelo PSOL era idêntica a dos criminosos que depredavam as instalações do Senado, da Câmara dos Deputados e do STF. Antes do Governo Federal reagir e as forças de segurança assumirem o controle da situação, o tom das postagens era de celebração pela tomada do poder, além de culpar o ministro Alexandre de Moraes pelo que estava acontecendo em Brasília.</p>



<p>O tom da cobertura das emissoras de TV, principalmente Globo News e a Band, e a péssima repercussão tanto na comunidade internacional quanto nas redes sociais, se somaram no início da noite às imagens do esvaziamento da praça dos Três Poderes e do registro das prisões realizadas às dezenas. A partir daquele momento, segundo o analista de dados de redes sociais, Pedro Barciela, o conteúdo das postagens bolsonaristas começou a mudar, incluindo aquelas feitas pelos parlamentares identificados pelo PSOL. </p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Vale observar como o bolsonarismo conduziu o discurso sobre o ataque terrorista de ontem. A narrativa bolsonarista inicial prega defesa dos terroristas, enaltecimento das invasões e apoio aos ataques contra instituições. Porém, por volta das 20:30h, tentam uma mudança brusca. + <a href="https://t.co/AD6z3e9N5Q">pic.twitter.com/AD6z3e9N5Q</a></p>&mdash; Pedro Barciela (@Pedro_Barciela) <a href="https://twitter.com/Pedro_Barciela/status/1612429459960877057?ref_src=twsrc%5Etfw">January 9, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
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<p>“A narrativa bolsonarista inicial prega defesa dos terroristas, enaltecimento das invasões e apoio aos ataques contra instituições. Porém, por volta das 20:30h, tentam uma mudança brusca”, publicou Barciela em seu perfil no Twitter.</p>



<p>Segundo o analista, a o que ele chama de contra-narrativa bolsonarista “passa a condenar os ataques, critica os terroristas e chega até mesmo a difundir a falsa informação de que seriam ‘infiltrados’. Foram inúmeros casos de influenciadores apagando conteúdos, excluindo publicações e deletando stories”.</p>



<p>Jair Bolsonaro, por exemplo, só rompe o silêncio às 21h17min, quando estava claro que seu golpe de Estado havia fracassado e se fazia necessário se desvincular do que estava acabara de acontecer na praça dos Três Poderes, a 5.600 quilômetros do condomínio de luxo onde ele está, na Flórida.</p>



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<p></p>
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		<title>Manifestação 24J no Recife virou reação contra militares e ameaças de golpe</title>
		<link>https://marcozero.org/manifestacao-24j-no-recife-virou-reacao-contra-militares-e-as-ameacas-de-golpe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jul 2021 18:08:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A manifestação Vacina no Braço, Comida no Prato, Fora Bolsonaro deste sábado, 24 de julho, foi a quarta no intervalo de 56 dias. E, no Recife, foi a primeira debaixo de sol forte e sem as chuvas que acompanharam os três protestos anteriores. Como era previsível, o #24J acabou se transformando também numa reação às [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A manifestação Vacina no Braço, Comida no Prato, Fora Bolsonaro deste sábado, 24 de julho, foi a quarta no intervalo de 56 dias. E, no Recife, foi a primeira debaixo de sol forte e sem as chuvas que acompanharam os três protestos anteriores. Como era previsível, o #24J acabou se transformando também numa reação às ameaças de golpe de Estado por parte do presidente da República e dos generais que ocupam cargos no governo.</p>



<p>A quantidade de faixas e cartazes bem humorados exibidos pelos manifestantes sugere que, longe de inspirar medo, as ameaças de militares como o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, ou do comandante da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Júnior, se tornaram motivo de deboche.</p>



<p>Já na concentração na praça do Derby, a partir das 9h30min, era possível perceber que o clima estava mais descontraído, sem a tensão que marcou o ato de 19 de junho, por exemplo, o primeiro após os ataques da Polícia Militares que cegaram duas pessoas. A maior quantidade de pessoas vacinadas também ajudou a dar o tom mais festivo da manifestação, que seguiu animada por grupos de percussão, arte circense, fantasias e até pelo hino de Pernambuco, executado por um improvável saxofonista na calçada da avenida Conde da Boa Vista.</p>



<p>Em meio ao som dos atabaques e palavras de ordem repetidas exaustivamente pelos militantes, um cartaz simples, feito à mão, lembrava que o luto e o sofrimento causados pelas ações e palavras de Jair Bolsonaro eram o motivo para que milhares de pessoas voltassem às ruas, em pelo menos 187 cidades do Brasil e do exterior: Diogo Simões, professor de Bioquímica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), caminhava erguendo com as duas mãos a cartolina de papel pardo onde havia escrito com tinta as palavras “Sem ciência é a treva – Fittipaldi presente”.</p>



<p>“É minha homenagem ao amigo Ivon Fittipaldi”, explicou. Professor de Física da UFPE, Fittipaldi morreu de covid-19 no dia 29 de dezembro do ano passado, quando vários países pelo mundo afora já tinham começado a vacinação de suas populações com o imunizante da Pfizer, cujas ofertas foram repetidamente rejeitadas pelo presidente Bolsonaro e pelo ex-ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello.</p>



<p>Apesar da descontração geral, empenhar energia para reagir às ameaças de um eventual golpe violento contra a democracia foi o assunto principal dos militantes e lideranças dos movimentos sociais entrevistados pela Marco Zero.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Povo na rua para garantir democracia</h2>



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	                                        <p class="m-0">Ailce Moreira. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>“É fundamental travar o diálogo com os evangélicos e as evangélicas do Brasil, pois essa parcela da população foi decisiva em 2018 e também é agora. O desafio é fazer uma contranarrativa daquilo que vem sendo pregado pelo Governo Federal. Para nós, essa contranarrativa está nos princípios do Evangelho, como o amor, a dignidade humana e a liberdade. Vamos dialogar com nossos irmãos e irmãos, na linguagem que nós já conhecemos, para barrar o discurso de morte. Vamos pregar a vida plena, a vida em abundância. Essa conversa pode ser decisiva para que a gente não venha a sofrer um golpe, pois a medida que essas falas golpistas ganhem força entre os evangélicos, isso pode acontecer” &#8211; <strong>Ailce Moreira, da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e da Coalizão Evangélica Contra Bolsonaro.</strong></p>



<p></p>



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	                                        <p class="m-0">Carmen Silva. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p></p>



<p></p>



<p>“Essas ameaças, que tanto Bolsonaro quanto o ministro da Defesa fazem, são respaldadas pelas Forças Armadas, pois, se não há contestação, há respaldo. A gente promover essas manifestações e o Brasil todo se mobilizar, inclusive setores que tradicionalmente não costumam vir para as ruas, é muito importante, pois é a forma que a sociedade civil tem de resistir. Não estou dizendo que Bolsonaro tenha forças para dar o autogolpe, mas essa força pode surgir. No entanto, não acredito que, se ele tentar, saia vitorioso. De qualquer forma, o risco está colocado, então temos de nos expressar em defesa da democracia” &#8211; <strong>Carmen Silva, integrante da organização feminista SOS Corpo e do Fórum de Mulheres de Pernambuco.</strong></p>



<p></p>



<p></p>



<p></p>



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	                                        <p class="m-0">Grupo de militantes da geração 68 presente na manifestação do 24J no centro do Recife. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>“Nós lutamos contra o golpe de 1964, que se implantou no momento em que João Goulart anunciou reformas sociais e políticas no país. Hoje, o que estamos vendo é a tentativa de desconstrução de tudo que se acumulou e se corporificou na Constituição de 1988 depois da anistia e da campanha das Diretas. Mesmo numa democracia burguesa com limites, somamos pontos, mas agora estão tentando destruir tudo isso para implantar o neofascismo no Brasil. Por isso, estamos aqui com poesia, prazer, amizade e humor na conjuntura que for&#8221; &#8211; <strong>Marcelo Mário Melo, jornalista , poeta e representantes da geração de 1968</strong></p>



<p></p>



<p></p>



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	                                        <p class="m-0">Paulo Mansan. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>“A nossa grande tarefa neste momento é organizar mais gente, botar mais gente na rua. Cada vez mais, temos de engrossar os atos para mostrar ao governo genocida que não permitiremos qualquer arroubo autoritário. Além disso, temos de juntar o máximo de forças possíveis, inclusive dos outros poderes, que já deram as primeiras respostas, mas o Judiciário e o Congresso precisam dar respostas mais firmes. Nossa tarefa é pressionar os poderes para evitar qualquer loucura de Bolsonaro, que não pode se esconder atrás da incompetência dele” &#8211; <strong>Paulo Mansan, da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)</strong></p>



<p></p>



<p></p>



<p></p>



<p></p>



<p></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Wellington Medeiros. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>“A rua é o espaço mais importante para a gente manter o direito que ainda temos hoje, que é o direito de nos manifestar. Então, se a gente continuar botando mais gente na rua em campanha pela importância da democracia e de escolher, inclusive um verme feito Bolsonaro, então estamos no caminho certo. Nós, os LGBT, não somos apenas um segmento que faz a Parada LGBT, mas que estamos na rua para lutar por direitos políticos e sociais sem medo de levar nossa bandeira pra a rua” &#8211; <strong>Wellington Medeiros, do Movimento LGBT Leões do Norte</strong></p>
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		<title>A mentira como método de ação política</title>
		<link>https://marcozero.org/aa-mentira-como-metodo-de-acao-politica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jul 2021 19:32:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Jorge Souza da Silva* Vivemos um momento crítico no Brasil. Mentiras são espalhadas como método e como fundamento de ação para o exercício do poder político e usurpação do poder econômico. Elas são publicizadas como ameaças degeneradas à democracia, no mais vil estilo &#8220;se colar, colou&#8221;. Tais mentiras são protagonizadas por um conluio “civil-militar” [&#8230;]</p>
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<p><strong>Eduardo Jorge Souza da Silva</strong>*</p>



<p>Vivemos um momento crítico no Brasil. Mentiras são espalhadas como método e como fundamento de ação para o exercício do poder político e usurpação do poder econômico. Elas são publicizadas como ameaças degeneradas à democracia, no mais vil estilo &#8220;se colar, colou&#8221;.</p>



<p>Tais mentiras são protagonizadas por um conluio “civil-militar” encastelado no Estado brasileiro. Uma ação orquestrada, que ameaça de morte os esforços de aprofundamento de nossa jovem democracia. Com base em mentiras sistemáticas usadas como método de ação, destacam-se no tempo recente, o jogo combinado da verborragia autoritária originada na caserna, defensora do tal voto impresso, e o desprezo pela vida humana, originado na defesa do tal “tratamento precoce” contra a Covid-19.</p>



<p>Defendendo o tal voto impresso, entrou em ação esta semana um general, alto membro do governo, que ao tudo indica utilizou-se de uma &#8220;mula&#8221; para vociferar o veneno de sua intenção vil de dar uma facada real contra a Constituição, qual seja, mandar o recado de que sem o voto impresso não haverá processo eleitoral em 2022.</p>



<p>Sobre a atitude deste general, o articulista Jeferson Miola nos brinda com uma síntese exata: &#8220;O partido dos generais é constituído por embusteiros profissionais que enganam, camuflam, promovem operações psicológicas e guerras de [des]informação. Eles distorcem a realidade e operam causando caos, tumulto e confusão para distrair, iludir e dificultar a capacidade de percepção da sociedade acerca deles mesmos.&#8221;</p>



<p>Na esteira de tantas mentiras, ontem o The Intercept trouxe à luz outra farsa deslavada aplicada contra a CPI do Senado que investiga a forma desastrosa e desumana com a qual está sendo conduzida a política de saúde do governo federal diante da mais devastadora crise sanitária já enfrentada pelo povo brasileiro.<br><br>Apoiado em um vídeo, Leandro Demori escancara como, de viva voz, a secretária de gestão do trabalho e educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, assume que foi treinada e preparada para ludibriar e mentir em seu depoimento à CPI do Senado.</p>



<p>Mayra Pinheiro protagonizou diante dos senadores um cínico show de horrores com um único objetivo, lançar névoa, cortina de fumaça sobre como o tal &#8220;tratamento precoce&#8221;, sem nenhuma comprovação da ciência, foi utilizado como política de Estado para o combate da pandemia Covid-19. Sem compaixão com centenas de milhares de vidas brasileiras e o decorrente sofrimento de suas famílias, Mayra Pinheiro foi conscientemente treinada para mentir, mentir e mentir.</p>



<p>O “partido militar”, junto com a conivência cínica de civis, vem massacrando desde março de 2020 o povo brasileiro, e este massacre se fundamenta no uso da mentira como método de ação política.<br><br>Desta forma, civis e militares disputam a subjetividade de ampla fração da população brasileira, operando na sombra, apostando na confusão, na desorganização psicológica, para se apropriar do butim derivado do assalto aos recursos públicos do Estado, são artífices de um macabro ataque à vida, à dignidade do povo brasileiro.</p>



<p>Se eles operam com a imposição do medo, nós, o povo brasileiro, vamos operar com o sentido da coragem militante. Como disse Bertolt Brecht, “Numa época em que corre o sangue. Em que o arbítrio tem força de lei, em que a humanidade se desumaniza, não digam nunca: Isso é natural. A fim de que nada passe por imutável”. Se estamos desafiados a colocar à prova nossa capacidade de indignação, de organização, e de luta na defesa dos valores da vida e da democracia, e assim o faremos, as ruas que nos esperem!</p>



<p> <strong>* Professor do Departamento de Educação da UFRPE</strong>.</p>
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