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	<title>Arquivos Cabo de Santo Agostinho - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 18 May 2026 20:12:42 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Cabo de Santo Agostinho - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Polícia Civil conclui que secretária da Mulher do Cabo forjou atentado a tiros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 16:49:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Polícia Civil de Pernambuco anunciou o surpreendente resultado da investigação sobre o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho: Aline Melo forjou o crime com a ajuda do seu motorista e do pai deste, que teria sido o motoqueiro autor dos disparos. No dia 27 de março [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Polícia Civil de Pernambuco anunciou o surpreendente resultado da investigação sobre o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho: Aline Melo forjou o crime com a ajuda do seu motorista e do pai deste, que teria sido o motoqueiro autor dos disparos.</p>



<p>No dia 27 de março deste ano, a secretária procurou a polícia para registrar ocorrência de tentativa de homicídio na qual ela seria a vítima. Segundo Aline Melo, o carro em que ela estava acompanhada do motorista foi interceptado na PE-28, estrada que dá acesso às praias de Enseada dos Corais e Gaibu, por dois homens em uma motocicleta que efetuaram os disparos – um dos tiros atingiu o banco de passageiros, a poucos centímetros da sua cabeça.</p>



<p>A delegada responsável pelo caso, Myrthor Freitas de Andrade, relatou em entrevista coletiva que a análise de imagens de várias câmeras de segurança cedidas por estabelecimentos comerciais revelou que a história era falsa. Segundo a policial, uma das câmeras registrou o momento em que “o carro em que estavam as duas vítimas parou na banqueta para se encontrar com uma moto com as características daquela que eles tinham informado no depoimento”.</p>



<p>A moto pertencia ao pai do motorista da secretária, que, inicialmente, negou que tinha passado pelo local, mas, depois, admitiu que tinha ido até lá para entregar um lote de canetas emagrecedoras ao filho e a Aline Melo. Só depois de ser confrontada com as imagens, a gestora pública “lembrou” da parada para encontrar o pai do seu motorista. Com isso, a versão do atentato foi desmontada.</p>



<p>De acordo com a delegada, todos foram indiciados. Aline Melo e seu motorista responderão por falsa comunicação de crime, enquanto que o motoqueiro, pai do motorista, foi indiciado por tentativa de homicídio, pois a perícia constatou que, realmente tiros foram disparados contra a picape da secretaria.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/secretaria-da-mulher-do-cabo-de-santo-agostinho-sofre-atentado-a-tiros/" class="titulo">Secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho sofre atentado a tiros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Afastamento e repúdio</h2>



<p>À tarde, a prefeitura do Cabo anunciou que o prefeito Lula Cabral (Solidariedade) afastou tanto a secretária Aline Melo quanto seu motorista. &#8220;Diante dos fatos apresentados e enquanto as investigações seguem em andamento pelas autoridades competentes, a gestão determinou o afastamento da então secretária e do motorista (&#8230;) a Prefeitura reforça que acompanhará o andamento das investigações e, caso haja confirmação de conduta irregular e responsabilização dos envolvidos, adotará todas as medidas administrativas cabíveis&#8221;, informa a prefeitura em nota oficial.</p>



<p>O Centro das Mulheres do Cabo, uma das organizações feministas mais atuantes do Nordeste, também reagiu à informação. De acordo com a nota da entidade, &#8220;situações como esta nos entristecem profundamente, sobretudo por envolver alguém que compartilha do mesmo compromisso com a defesa dos direitos das mulheres. Entendemos que episódios dessa natureza acabam gerando impactos negativos para a luta coletiva e para todas nós, mulheres. Dessa forma, manifestamos nossa preocupação e reafirmamos a importância da ética, da verdade e da responsabilidade no fortalecimento das políticas públicas e da luta em defesa das mulheres&#8221;.</p>



<p>Em março, quando a notícia do atentado foi divulgada, a entidade se manifestou por meio de sua coordenadora Nivete Azevedo, vinculando o suposto crime à tentativa de intimidar &#8220;a luta em defesa da vida das mulheres&#8221;.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Texto atualizado às 17h12min de 18 de maio de 2026</strong></li>
</ul>



<p></p>
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		<title>Secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho sofre atentado a tiros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 14:51:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, teve o carro alvejado por tiros na noite desta quinta-feira (26), na PE-28, rodovia que dá acesso às praias de Enseada dos Corais e Gaibu. O carro em que ela estava acompanhada do motorista foi interceptado por dois homens em uma motocicleta que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Atualização</span>

		<p>Em maio, a Polícia Civil de Pernambuco anunciou o surpreendente resultado da investigação sobre o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho: Aline Melo forjou o crime com a ajuda do seu motorista e do pai deste, que teria sido o motoqueiro autor dos disparos. <a href="https://marcozero.org/policia-civil-conclui-que-secretaria-da-mulher-do-cabo-forjou-atentado-a-tiros/" target="_blank" rel="noopener">Confira aqui a matéria completa.</a></p>
	</div>



<p>A secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, teve o carro alvejado por tiros na noite desta quinta-feira (26), na PE-28, rodovia que dá acesso às praias de Enseada dos Corais e Gaibu. O carro em que ela estava acompanhada do motorista foi interceptado por dois homens em uma motocicleta que efetuaram os disparos – um dos tiros atingiu o banco de passageiros, a poucos centímetros da cabeça da secretária.</p>



<p>Logo após o ocorrido, Aline Melo foi até a delegacia do Cabo prestar queixa. Lá, ela gravou um vídeo publicado na conta dela no instagram. “A gente sabe que o caso que aconteceu aqui não é um mero caso qualquer, foi um caso ligado à violência de gênero, ligado à tentativa de parar uma mulher que ocupa o espaço de poder”, disse. “Apesar de obviamente estar muito assustada com tudo isso, eu não vou parar. Eu acho que a mensagem hoje é dizer que a luta continua, que a gente precisa continuar se posicionando, a gente precisa acreditar que as coisas podem mudar e que a gente vai continuar defendendo o correto”, afirmou.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/policia-civil-conclui-que-secretaria-da-mulher-do-cabo-forjou-atentado-a-tiros/" class="titulo">Polícia Civil conclui que secretária da Mulher do Cabo forjou atentado a tiros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Ainda na delegacia, ela concedeu entrevista a um blog local, o Acontecce no Cabo, em que detalhou a abordagem dos criminosos. “A gente estava no sentido litoral do Cabo, e uma moto se aproximou. Eu confesso que eu não vi essa moto se aproximando, estava distraída no celular. Em um determinado momento, a moto tentou fazer uma ultrapassagem e o motorista já ficou em alerta porque ela não ultrapassou pelo lado esquerdo, ela tentou ultrapassar pelo lado direito”, disse. “E aí ele (o atirador) desligou o farol e efetuou o primeiro disparo. Foi quando o motorista (do carro dela) pediu para abaixar e acelerou o carro e a gente conseguiu (fugir). Eu não sei quantos disparos foram, está entre dois ou três”, afirmou na entrevista.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="764" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-764x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-75031 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-764x1024.jpeg 764w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-224x300.jpeg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-768x1029.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-150x201.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1.jpeg 1079w" sizes="(max-width: 764px) 100vw, 764px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Ao ser perguntada pelo repórter do blog se os criminosos anunciaram assalto ou se já foram logo atirando, a secretária disse que o trecho da PE-28 onde ocorreu os disparos, na altura da Mata do Boto, era muito escuro. “A PE-28 é uma estrada que é muito escura, não tem iluminação, não tem sinalização. E a gente fica com essa incógnita, né, essa pergunta. Como é uma estrada muito escura, a gente não sabe”, afirmou.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>No começo da madrugada desta sexta-feira, a governadora Raquel Lyra afirmou em nota que está acompanhando pessoalmente o caso. “Vamos apurar com rigor e garantir que os envolvidos sejam responsabilizados. Mulheres que ocupam espaços de poder e atuam em defesa de outras mulheres devem ser respeitadas. Pernambuco não aceita essa violência e nossas forças de segurança já estão atuando para responder de forma exemplar a esse episódio”, diz a nota da governadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Prefeitura pede apuração rigorosa</h2>



<p>Em nota oficial, a prefeitura do Cabo de Santo Agostinho reforçou a necessidade de investigação rigorosa e que não está tratando o crime como &#8220;fato isolado&#8221;. &#8220;Ele se soma a um cenário preocupante de violência e intimidação contra mulheres que ocupam espaços de liderança, lutam por direitos e enfrentam estruturas historicamente marcadas pela opressão&#8221;, afirma o texto da gestão municipal. Mais adiante, assegura que &#8220;nenhuma ameaça vai silenciar quem luta por uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres. A Prefeitura acompanhará rigorosamente o caso até o completo esclarecimento dos fatos&#8221;.</p>



<p>O Centro de Mulheres do Cabo (CMC), entidade feminista mais atuante na região do Cabo de Santo Agostinho, também se posicionou. Para Nivete Azevedo, coordenadora de Programas Institucionais do CMC e integrante do Conselho Municipal da Mulher, disse que &#8220;esse atentado que Aline sofreu é um atentado é uma forma de intimidar, de querer nos calar, de barrar a nossa luta em defesa da vida das mulheres. Não toleramos essa violência. Precisamos que o Estado assuma a sua responsabilidade para que as mulheres estejam protegidas, as mulheres estejam amparadas em seus direitos&#8221;.</p>





<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Por que o principal espaço de cultura e lazer agoniza no Cabo de Santo Agostinho?</title>
		<link>https://marcozero.org/por-que-o-principal-espaco-de-cultura-e-lazer-agoniza-no-cabo-de-santo-agostinho/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2024 21:13:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Rafael Negrão* Um dos principais espaços de cultura do Cabo de Santo Agostinho, localizado na rua Joaquim Nabuco, no Centro da cidade, agoniza pelo abandono do poder público. O Teatro Municipal Barreto Júnior, inaugurado em 1985, que leva o nome de José do Rego Barreto Júnior que foi um ator e diretor de teatro [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Rafael Negrão*</strong></p>



<p>Um dos principais espaços de cultura do Cabo de Santo Agostinho, localizado na rua Joaquim Nabuco, no Centro da cidade, agoniza pelo abandono do poder público. O Teatro Municipal Barreto Júnior, inaugurado em 1985, que leva o nome de José do Rego Barreto Júnior que foi um ator e diretor de teatro cabense, nascido em 1903, tendo sido um dos nomes mais importantes do teatro brasileiro empresta o seu nome a dois equipamentos públicos: um no bairro do Pina, no Recife, e outro no Cabo de Santo Agostinho, sua cidade natal, situada na Região Metropolitana.</p>



<p>O teatro do Pina anda em pleno funcionamento, a uns 30 quilômetros do Cabo. Já o do nosso município deteriora em ruínas, tendo completado aniversário do primeiro incêndio, no dia 26 de junho, de 2014. O equipamento público já foi referência na promoção da arte no município que é um celeiro de artistas em diversos segmentos. Em 2017, outro incêndio atingiu o Barreto Júnior causando ainda mais prejuízo que afetou o teto e destruiu parte do palco, além de áreas externas.</p>



<p>Quem, em nossa cidade, não lembra do Festival Nacional de Teatro do Cabo e da Mostra Cabense de Esquetes e Poesias Encenadas (Mocaspe), que reunia milhares de pessoas todos os anos na cidade para prestigiar espetáculos, e performances de vários transformistas e artistas da cidade, da Escola de Artes de Britto? Sem contar com as inúmeras exposições artísticas que traziam vida para o povo do município e de cidades vizinhas. Hoje, o equipamento público só tem servido para o estacionamento dos carros dos policiais do 18° Batalhão da Polícia Militar e para o uso de drogas, prática do sexo, depósito de lixo e entulhos.</p>



<p>Ficam uns questionamentos para os diversos governantes que estiveram e estão à frente da política cultural do município: até quando esse espaço de promoção de cultura e entretenimento será relegado ao descaso? Por que um município que arrecada mais de R$ 1,3 bilhão por ano não prioriza a reforma desse equipamento público? Como mudar esse cenário que coloca a cidade como a 8ª mais violenta do País, segundo o Atlas da Violência de 2024, divulgado na semana passada, no qual ressalta que a juventude pobre, preta e periférica cabense é uma das maiores vítimas da letalidade juvenil, tendo praticamente todos os dias jovens tombando em becos e vielas de nossa cidade conhecida popularmente e midiaticamente como cidade da morte?</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Jornalista, militante dos Direitos Humanos integrante da equipe de Comunicação do Centro das Mulheres do Cabo, sendo colaborador da Agência de Notícias das Favelas e do Programa TVDH/Cátedra Unicap.</strong></p>
    </div>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Na cidade mais violenta de Pernambuco, festival garantiu arte e cultura para jovens do Cabo de Santo Agostinho</title>
		<link>https://marcozero.org/na-cidade-mais-violenta-de-pernambuco-festival-garantiu-arte-e-cultura-para-jovens-do-cabo-de-santo-agostinho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Aug 2023 19:13:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[festival]]></category>
		<category><![CDATA[Forum de Juventude do Cabo]]></category>
		<category><![CDATA[juventude do cabo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na cidade mais violenta de Pernambuco – e quinta no ranking nacional da violência – a juventude do Cabo de Santo Agostinho foi a praça pública para demonstrar que a força da produção cultural é maior do que o medo. A 3ª Edição do Festival SOMA, reuniu na Praça da 55, na Vila da Cohab [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na cidade mais violenta de Pernambuco – e quinta no ranking nacional da violência – a juventude do Cabo de Santo Agostinho foi a praça pública para demonstrar que a força da produção cultural é maior do que o medo. A 3ª Edição do Festival SOMA, reuniu na Praça da 55, na Vila da Cohab crianças, jovens e pessoas idosas em um caldeirão efervescente de arte, cultura e política. O festival foi organizado pelo Fórum de Juventudes do Cabo (Fojuca), com apoio do Centro de Mulheres do Cabo.</p>



<p>Para o integrante do Fojuca, Matheus Mariano, o SOMA teve como objetivo ocupar a cidade e lutar pelo direito à vida da juventude. “A partir da ocupação dos espaços públicos, a gente consegue chamar a atenção da sociedade e do governo para a juventude, pois é a arte, a cultura e a educação podem fazer superar os altos índices de violência da nossa cidade”, pontuou Mariano, que é mestre e cientista social.</p>



<p>Quem ratificou as palavras de Matheus foi também a poetisa, artista negra do Cabo Maria Clara, mais conhecida como Clarinha, uma das atrações do SOMA. “Nós estamos provando que a cultura da nossa cidade é viva, ela pode refugiar as nossas energias trazendo para outros jovens realidades e a esperança de que a gente pode ser livre. O Cabo é a cidade da cultura viva dos jovens negros, das trans e das pessoas que acreditam na cultura. Nosso município é o berço de talentos”, afirmou a jovem que também participa da Orquestra Sororizar composta apenas por mulheres.</p>



<p>A estudante universitária e embaixadora da juventude pernambucana pela ONU, Maria Fernanda Ribeiro, moradora do Cabo, foi conferir o SOMA, e ressaltou a importância da iniciativa. “ É de suma importância estarmos aqui, pois 60% da nossa juventude tem sido assassinada no nosso município. Hoje, fazemos um apelo para nos somarmos ao FOJUCA e a esse festival reivindicando o direito à nossa existência”, salientou a jovem ativista.</p>



<p>O evento foi aberto pelo desfile de moda Ecofashion que visou refletir sobre a moda sustentável, tendo como atrações: a Zabumba do Mestre Chimba, A Quadra, Coco de Seu Zé Moloque, Clarinha MC, MC Nanny Nagô, Atlazotrem, Lorenna Mesmo e Lucas Aldr, Lucas Marques, Thaís Lacerda, Cone Stúdio, Pixain Crew, Dj Mason e o rapper CJFLOW. Além disso, houve apresentação da ópera popular com o Boi da Lua de Nazaré e declamação de poesias. Também teve uma feirinha para jovens empreendedores/as.</p>



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			</item>
		<item>
		<title>As trilhas da memória de um ativista da luta pelos direitos das pessoas com deficiência</title>
		<link>https://marcozero.org/as-trilhas-da-memoria-de-um-ativista-da-luta-pelos-direitos-das-pessoas-com-deficiencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Jul 2023 22:32:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Feitosa]]></category>
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		<category><![CDATA[livro de memórias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Rafael Negrão* A deficiência visual nunca foi um empecilho na vida de Geraldo Feitosa, 69 anos, professor aposentado, poeta, cordelista, músico, ex-esportista, e escritor que, na sexta-feira (30), lançou na Câmara de Vereadores do Cabo, o segundo volume do livro Das Tralhas às Trilhas, que é dividido em 30 capítulos explorando enredos peculiares, convidando [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Rafael Negrão*</strong></p>



<p>A deficiência visual nunca foi um empecilho na vida de Geraldo Feitosa, 69 anos, professor aposentado, poeta, cordelista, músico, ex-esportista, e escritor que, na sexta-feira (30), lançou na Câmara de Vereadores do Cabo, o segundo volume do livro <em>Das Tralhas às Trilhas</em>, que é dividido em 30 capítulos explorando enredos peculiares, convidando o leitor a uma conversa tranquila numa varanda, ora para assistir aos folguedos de crianças travessas, para, logo depois, entregar-lhe a tensão de algum acontecimento dramático.&nbsp;</p>



<p>Feitosa explica porque a deficiência visual nunca limitou a sua escrita: “a visão não está no olho, mesmo o olho sendo um excelente ponto de visão, mas a visão está no cérebro, então, se você gosta de escrever, sabe que isso não é um problema. Temos várias possibilidades de escrever, pois existem vários editores de texto. Outrora, a maior dificuldade da pessoa cega é escrever um livro em braile, porque é necessário ter muita paciência, porque se errar uma letra tem que se refazer todo o texto”, revelou o autor.&nbsp;</p>



<p>Presente no evento e companheiro dos diversos movimentos ligados à luta das pessoas com deficiência, Manoel Aguiar, administrador de empresas com mestrado em Gestão Pública, traduziu a importância da obra e representatividade do escritor. “Eu sou uma pessoa com deficiência visual que conheço Geraldo há muitos anos. Fiquei muito emocionado com mais essa obra, porque é a história de uma pessoa vitoriosa. O livro cativa o leitor, porque expõe a desigualdade social do cidadão comum. A publicação é um misto de emoção e realidade social”, afirmou Manoel, um dos fundadores da Associação Pernambucana de Cegos (APEC).</p>



<p>Quem também prestigiou o lançamento do livro foi a advogada Iane Kraucs, que reside no Rio de Janeiro, mas está de passagem na casa dos pais, em Maria Farinha, em Paulista, e veio junto com os familiares prestigiar esse importante momento do escritor. “Conheci Maria Farinha ainda mais com a leitura da obra de Geraldo, que é sem dúvida, um excelente escritor e um ser fantástico de muito talento”, afirmou a advogada. </p>



<p>O lançamento do livro foi acompanhado por amigos, amigas, ex-colegas de trabalho, familiares e a população que se fez presente para prestigiar o escritor que viveu dez anos no município do Cabo de Santo Agostinho. “Eu fiz muitos amigos aqui, porque morei na década de 1980, e é muito bom voltar a cidade, e notar que o Cabo cresceu e muita coisa mudou”, afirmou Geraldo, que revelou que os dois filhos nasceram na cidade.</p>



<p>Vale destacar, os dois volumes do livro <em>Das Tralhas às Trilhas</em> foram traduzidos para o braille, e na ocasião do lançamento, o escritor Geraldo entregou um exemplar para Arsérgila Neves da coordenação da Educação Inclusiva do Cabo de Santo Agostinho. O livro está disponível através deste link por R$ 60,00: <a href="https://shp.ee/nww4sw2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://shp.ee/nww4sw2</a>.</p>



<p>A obra faz arte de uma trilogia autobiográfica destacando a história do menino George, cego desde a sua primeira infância, que é o personagem central de toda a narrativa. É notório o crescimento do garoto e o despertar de uma inteligência vivaz, cultivada e estimulada pela própria mãe, sua primeira e maior educadora. Feitosa explica que a intenção é contar a história do que viveu porque “trilhas que são caminhos, pois eu espero através da minha escrita construir caminhos para outras pessoas enxergarem para além das limitações”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Feitosa entrega livro para a educadora Arsérgila Neves, Crédito: Rafael Negrão</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quem é Geraldo Feitosa</strong></h3>



<p>Feitosa é poeta cordelista, escritor, professor de Língua Portuguesa, professor de braille, analista de tecnologia da informação, mas se notabilizou como ativista das lutas pelos direitos das pessoas com deficiência, atuando em em várias organização não governamentais, conselhos e instituições públicas nessa área. Não bastasse, Feitosa é músico e compositor, tendo fundado o grupo Flor de Macambira, no qual atuou como produtor, coordenador, instrumentista e vocalista.</p>



<p>*&nbsp;<strong>Rafael Negrão é jornalista e comunicador social, atuando como assessor de comunicação do Centro das Mulheres do Cabo (CMC).</strong></p>
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		<title>Candomblé, jurema e umbanda unidos contra destruição de terreiro no Cabo de Santo Agostinho</title>
		<link>https://marcozero.org/candomble-jurema-e-umbanda-unidos-contra-destruicao-de-terreiro-no-cabo-de-santo-agostinho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Apr 2023 13:24:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Rafael Negrão Representantes dos povos de Terreiros do Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, se reuniram na tarde de sábado (15), na Praça Theo Silva, no centro da cidade com objetivo de protestar contra o vandalismo sofrido no dia 25 de março pelo terreiro Casa de Axé do Mestre Manuel Quebra Pedra, [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Rafael Negrão</strong></p>



<p>Representantes dos povos de Terreiros do Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, se reuniram na tarde de sábado (15), na Praça Theo Silva, no centro da cidade com objetivo de protestar contra o vandalismo sofrido no dia 25 de março pelo terreiro Casa de Axé do Mestre Manuel Quebra Pedra, situado no Loteamento Cidade Garapu.</p>



<p>Segundo informações do juremeiro Manuel, proprietário da casa, o espaço foi invadido à noite e, apesar da depredação, não foi levado nenhum pertence. “Recebemos uma ligação por volta das 6h, dizendo que nosso terreiro tinha sido arrombado, e quando chegamos estava tudo destruído. Foi muito chocante ver tudo revirado, quebrado, pois a gente nunca acreditou que isso pudesse acontecer, porque estamos lá desde 2019 e nunca tivemos problemas nenhum com a comunidade”, desabafou o juremeiro Manuel.</p>



<p>Quem estava presente na manifestação, foi o babalorixá Adilson de Iemanjá Ogunté, do Ilê Axé Ota Ilê Asé Otalaya, que relembrou o fato de outros terreiros também terem sido vítimas de ataques pela internet. Ele ressaltou que o candomblé é uma das religiões mais antigas da humanidade e merece respeito como qualquer outra: “nós estamos aqui por conta da intolerância, dos preconceitos, do racismo e por tudo que o povo de terreiro tem vivenciado com essa violência. Até que se prove ao contrário, nós somos a religião mais antiga do mundo, como afirma os historiadores que constatam que somos politeístas, porque adoramos ao Deus vivo, mas também há outros deuses, e isso não nos faz diferente das outras religiões”, afirmou o pai de santo que também tem o seu terreiro na Cidade Garapu, cultuando há mais 39 anos o Candomblé e a Umbanda.</p>



<p>O juremeiro e presidente da Associação dos Povos de Terreiro do Cabo, Josemar de Oliveira que está à frente do Centro Espírita Caboclo Ubirajara, em Ponte dos Carvalhos, refletiu que a educação é uma arma potente contra a intolerância. “A falta de conhecimento faz com que a maioria da sociedade julgue a gente pelo que escuta da nossa religião. É necessário que secretários de educação, gestores e professores dialoguem sobre a nossa religião com os estudantes. Eu nunca soube que um professor de história levou uma turma para conhecer um terreiro ou foi dialogar com um zelador de santo em nossa cidade. Infelizmente, nossa cultura religiosa é esquecida dentro das escolas”, revelou o juremeiro que desenvolve um trabalho de caridade na comunidade que atua.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Casa de Axé Manuel Quebra Pedra
</p>
	                
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<p>A ialorixá Tarciana Airá do Terreiro Ilê Alá Axé Obá Airá Yá Elekô, no bairro de Pirapama, também foi ao centro do Cabo participar da cerimônia-protesto. “Quero ter o direito de fazer o meu culto na praça sem ninguém me olhar de cara feia e me criticar. Quero ter o direito de andar com o seu <a href="https://letsgobahia.com.br/noticia/default/o-torco-e-suas-funcoes" target="_blank" rel="noreferrer noopener">torço</a> (espécie de turbante que protege os orixás), minhas contas e não me açoitarem nas ruas do Cabo, como aconteceu no terreiro de Manuel, onde quebraram, queimaram e apedrejaram a jurema sagrada nos tirando o nosso direito de fé”, denunciou a mãe de santo.</p>



<p>No ato, foi realizada uma cerimônia louvando aos orixás e a jurema sagrada. A manifestação teve falas políticas e de respeito à tolerância religiosa. Durante o ato foi lembrado que esta não foi a primeira vez que um terreiro foi vítima da intolerância no município. Em 2016, aconteceu episódio semelhante quando o terreiro de pai Douglas de Oyá Gueré, foi vítima do vandalismo no Alto dos Miranda. A casa foi invadida e vários objetos foram roubados, quebrados e queimados. A casa de santo não existe mais, ele vendeu o imóvel e mudou de cidade.Na época, pai Douglas disse acreditar que se tratava apenas de um furto sem motivação religiosa.</p>



<p>Vale ressaltar, que o local do ato foi emblemático, pois na Praça Theo Silva, no Centro da cidade, existia a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, onde o povo negro era enterrado, conforme explicou o babalorixá Talabii Dein, um dos organizadores da manifestação. “Essa praça teve corpos enterrados na igreja dos pretos, sendo um local sagrado para nós, por isso, louvamos aos orixás, aos nossos antepassados e as almas pedindo permissão para fazer essa cerimônia, dando ênfase para o mestre Manuel Quebra Pedra, que teve sua casa violada”, disse o pai de santo.</p>



<p>Segundo representantes dos Povos de Terreiro do Cabo, o município tem 77 terreiros cadastrados na prefeitura. A maioria pratica a Jurema Sagrada, tradição religiosa nordestina iniciada com os indígenas da região norte e nordeste do Brasil, tendo sofrido influências de variadas origens, da feitiçaria, pajelança entre outras manifestações culturais.</p>



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		<title>Cabo de Santo Agostinho vai realizar ato contra intolerância religiosa no próximo dia 15</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Apr 2023 20:58:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na tarde do dia 23 de março, o terreiro Casa de Jurema Manoel Quebra Pedra, no bairro de Garapu, no Cabo de Santo Agostinho, foi depredado. Uma parede da frente do imóvel foi ao chão e móveis e imagens foram destruídos. Houve até uma tentativa de incêndio. A violência aconteceu enquanto muitas pessoas que frequentam [&#8230;]</p>
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<p>Na tarde do dia 23 de março, o terreiro Casa de Jurema Manoel Quebra Pedra, no bairro de Garapu, no Cabo de Santo Agostinho, foi depredado. Uma parede da frente do imóvel foi ao chão e móveis e imagens foram destruídos. Houve até uma tentativa de incêndio. A violência aconteceu enquanto muitas pessoas que frequentam o terreiro estavam em um evento cultural que celebrava as raízes negras, o Cabo Negro. Até hoje, ninguém foi preso pelo crime. </p>



<p>É para cobrar uma resposta da polícia, e também mais atenção dos órgãos públicos com os terreiros, que várias instituições de matriz africana sediadas no Cabo de Santo Agostinho estão convocando um ato público no centro do município no próximo dia 15 de abril, a partir das 14h. A concentração será na Praça Theo Silva com caminhada até a Praça da Estação. </p>



<p>A depredação da casa de jurema, liderada pelo pai de santo Emanuel, foi o estopim para que pelo menos dez terreiros do município se unissem. “Algo muito importante nas casas de axé é a união. Infelizmente, esse acontecimento veio para nos fortalecer. É cada um com suas diretrizes, nas suas casas, mas todos e todas com a mesma visão. Terreiro não é matança de bicho, não é só incorporação e manifestação. Fazemos um importante trabalho social dentro das comunidades”, diz Pablo Cândido, líder da ONG Irin Oni e Coordenador de Matriz Africana da Aliança LGBTI+.</p>



<p>Pablo também lembra que a intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana é um problema nacional. “Não é um caso isolado. Os governos não ligam para as casas de terreiro. No início da pandemia, por exemplo, distribuíram álcool em gel para as instituições religiosas. As igrejas receberam, mas o terreiros não”, critica.&nbsp;</p>



<p>No caso específico do terreiro depredado em Garapu, há um suspeito apontado pelo pai de santo local, mas que ainda não foi indiciado, como denunciam os líderes religiosos do Cabo. “Dizem apenas que estão investigando. Esperamos, no mínimo, uma resposta dos órgãos competentes. Se fosse uma igreja invadida e depredada tenho certeza que alguém estaria respondendo por isso”, afirma Cândido. </p>



<p>A caminhada é promovida pela ONG Povo de Terreiros do Cabo de Santo Agostinho e conta com a participação da ONG Irin Oni, Nacional Aliança LGBTI, ONG dos Terreiros de Pernambuco e o Movimento Mulheres Negras do Recife.&nbsp;</p>



<p><strong>Serviço:</strong><br>Ato contra Intolerância Religiosa no Cabo de Santo Agostinho<br><strong>Quando: </strong>Sábado, 15 de abril, às 14h.<br><strong>Onde:</strong> Concentração na Praça Theo Silva, que fica na Rua Marquês do Herval, 30-64, Centro, Cabo de Santo Agostinho.</p>



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	                                        <p class="m-0">Integrantes das organizações que participarão do ato. À direita, Pablo Cândido. Foto: Divulgação</p>
	                
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		<title>Cabo de Sto. Agostinho é o município do Grande Recife onde tiroteios e homicídios mais aumentaram em 2022</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jul 2022 10:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[Fogo Cruzado]]></category>
		<category><![CDATA[homicídios no Grande Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No primeiro semestre de 2022, o município de Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, apresentou altos índices de violência e morte causados por disparos de arma de fogo, de acordo com levantamento da plataforma Fogo Cruzado. Ocorreram, em média, 127 tiroteios e sete operações policiais que resultaram em 108 mortes e 48 [&#8230;]</p>
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<p>No primeiro semestre de 2022, o município de Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, apresentou altos índices de violência e morte causados por disparos de arma de fogo, de acordo com levantamento da plataforma Fogo Cruzado. Ocorreram, em média, 127 tiroteios e sete operações policiais que resultaram em 108 mortes e 48 feridos. Em comparação aos primeiros seis meses de 2021 (quando foram registrados 66 homicídios), houve um aumento de 64% no número de mortes e 345% na ocorrência de operações policiais na cidade.</p>



<p>Esses dados fazem parte do relatório semestral do Fogo Cruzado que será publicado nesta quinta-feira, 21 de julho, pela plataforma.</p>



<p>Em comparação com os demais municípios da Região Metropolitana do Recife, também monitorados pelo levantamento, o Cabo foi o município que apresentou a maior variação em todos os índices analisados: ocorrência de disparos/tiroteios; mortos e feridos por disparo de armas de fogo e execução de operações policiais. Além disso, esse foi o semestre com maior número de mortos no município desde 2018, com média de 18 mortes por mês.</p>



<p>Porém, o Grande Recife continua sendo o local com o maior número de homicídios e operações de segurança. Desde o início do monitoramento do Fogo Cruzado em Pernambuco, em abril de 2018, este foi o semestre mais violento na região, com 896 disparos/tiroteios e 708 mortes. Ou seja, uma média de cinco tiroteios e quatro mortes por dia.</p>



<p>O monitoramento registrou também uma diminuição no número de operações policiais em Ipojuca, município vizinho ao Cabo, em comparação com o primeiro semestre de 2021. No entanto, os disparos/ tiroteios registraram uma alta de 58% e passaram de 15 para 24. Assim como o número de mortos que passou de 14 para 22.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><span class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Acesse os números completos do levantamento feito pelo Fogo Cruzado</span></strong></h4>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Violência progressiva</strong></h2>



<p>Em 2015, o Cabo de Santo Agostinho ficou em primeiro lugar no Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial 2014, divulgado pela Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República. A violência é uma consequência marcante e constante dessa vulnerabilidade, que coloca a vida dos jovens do município em risco.Para o cientista social e membro do Fórum de Juventudes do Cabo (Fojuca), Matheus Mariano, o contexto social da cidade está relacionado com a expansão das atividades do Complexo Industrial Portuário de Suape, que não se desenvolveu em comunhão com um planejamento da gestão municipal.</p>



<p>“Essa vulnerabilidade é construída a partir de diversos aspectos, desde a falta de educação e emprego, até questões de trânsito. Isso é causado pelo grande aumento populacional que não vem acompanhado de urbanização, tudo aconteceu de forma desorganizada, sem planejamento. As pessoas começaram a ser empurradas para as margens da cidade em estado de vulnerabilidade e o resultado dessa conta, de falta de planejamento e assistência, não podia ser outro, além do aumento da violência, do tráfico de drogas e consequentemente dos homicídios”, destacou Mariano.</p>



<p>Matheus frisou ainda a demarcação dos territórios de acordo com a situação financeira de seus moradores, que, segundo ele, escancara ainda mais as desigualdades e marginaliza a juventude. Segundo o cientista, a cidade está dividida em três partes: “o Complexo Industrial Portuário, a Praia do Paiva e o resto do Cabo de Santo Agostinho”.</p>



<p>“No Cabo, nós temos uma juventude sem perspectiva de futuro e, devido à falta de políticas de educação, essa juventude é pouco qualificada e não consegue adentrar no mercado de trabalho. O aumento do tráfico e das mortes que ele causa é também reflexo de uma cidade desagregada, abandonada, que deixa a juventude à mercê de outras forças”, finalizou Mariano.</p>



<p>De acordo com os dados do Fogo Cruzado, do segundo semestre de 2018 até o primeiro semestre deste ano, o Cabo de Santo Agostinho registrou o total de 569 mortes e 213 feridos por disparo de armas de fogo. O levantamento aponta o aumento constante e progressivo da violência, que coloca em situação de vulnerabilidade não apenas as vítimas, como ressalta a coordenadora geral do Centro das Mulheres do Cabo, Nivete Azevedo: “Essa violência armada também traz consequências para a vida das mulheres. A gente sabe que a violência do Cabo tem vitimado muito mais a juventude, os jovens negros, mas isso também rebate sobre a as mulheres porque as famílias têm um adoecimento muito grave, principalmente as mães. Há um adoecimento emocional e mental por conta do medo da violência que atinge os seus filhos”.</p>



<p>Segundo a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, o perfil das vítimas de mortes no Cabo de Santo Agostinho é de homens entre 15 e 29 anos. Também de acordo com a SDS, de 2018 a 2021, 1.987 jovens entre 18 e 24 anos foram mortos por disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Recife, a maioria eram homens negros. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/sem-politica-para-juventude/" class="titulo">Sem política para juventude, Cabo mantém rotina de assassinatos de jovens</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


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		<title>Sem política para juventude, Cabo mantém rotina de assassinatos de jovens</title>
		<link>https://marcozero.org/sem-politica-para-juventude/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 20:22:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[arma de fogo]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
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		<category><![CDATA[juventude do cabo]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra jovens]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Rafael Negrão*</strong></p>



<p>&#8220;Ela vivia em Gaibu com as amizades, e eu passava o dia todo com a foto dela perguntando a um e a outro. Uma vez, entrei numa favela com meu menino e colocaram uma arma na cabeça do meu filho, mas não conseguimos achar ela&#8221;, relembra dona Maria da Saúde, mãe da jovem Thainara Santos que na época dessas dolorosas lembranças tinha 14 anos.</p>



<p>Thainara era uma jovem sorridente e feliz que tinha uma boa relação com a mãe e seus cinco irmãos, que residem no Bairro São Francisco, na periferia do Cabo de Santo Agostinho. Sonhava em ser advogada. No entanto, tudo isso foi interrompido em 2015 com a notícia que abalou a família da adolescente: ela foi executada com um tiro de espingarda calibre 12 na cabeça aos 16 anos.<br><br>“Eu estava no portão de casa. Lembro que caí ajoelhada, abraçada com meu pai, e gritava. É uma dor que nunca vai passar. Cada vez eu fico mais triste, porque não teve justiça. Minha filha tão jovem, tão alegre. Não tive nem chance de me despedir”, relata Maria da Saúde, ao lembrar do momento em que recebeu a notícia da morte que já pressentira.</p>



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	                                        <p class="m-0">Maria da Saúde e a filha Thainara Santos. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>A foto de Thainara permanece na parede da casa simples, como se fosse um talismã. E a mãe carrega consigo&nbsp; a imagem das últimas recordações com a filha. Na imagem, a garota estava em um aniversário sorrindo, com uma das mãos na cintura e uma saia e blusa no tom azul. “Essa foi a última foto que ela tirou. Olha como ela estava feliz”, diz a mãe com olhos marejados de água.</p>



<p>Histórias trágicas como a de Thainara fazem parte do cotidiano do Cabo de Santo Agostinho que, há mais de uma década, é considerada a cidade mais vulnerável para um jovem viver no Brasil por instituições que monitoram os números da violência contra jovens e adolescentes. O município tem pouco mais de 210 mil habitantes, de acordo com as <a href="https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/cabo-de-santo-agostinho/panorama">estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (I</a>BGE), e sempre figura nos relatórios do Instituto Fogo Cruzado.</p>



<p>No segundo semestre de 2021, por exemplo, o Fogo Cruzado apontou que, por dois meses consecutivos (setembro e outubro), a quantidade de tiroteios registrados no município, respectivamente 29 e 23,&nbsp;só ficou atrás do Recife na Região Metropolitana. Em 2021, a quantidade total de tiroteios aumentou 25% em comparação com 2020 no Cabo, totalizando 158 mortos por arma de fogo. Só nos primeiros 27 dias de 2022, o Fogo Cruzado identificou pelo menos 26 homicídios na cidade.</p>



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<p>Os números do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmam o monitoramento do Fogo Cruzado, pois de acordo com a publicação, a cidade registra a segunda maior taxa de homicídios do Brasil, com 90 assassinatos a cada 100 mil habitantes, ficando atrás somente de Caucaia, no Ceará, com 98,6 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Em 2021, foram registrados no Cabo, ao longo do ano, 178 homicídios – segundo dados da Secretaria de Defesa Social &#8211; nos bairros que são considerados os mais violentos da cidade (Charneca, Gaibu, Vila Claudete, Centro, Ponte dos Carvalhos, Charnequinha e Cidade Garapu).</p>



<p>Os mortos, em sua maioria, são jovens negros, pobres das diversas localidades periféricas e do litoral da cidade. Geralmente, são comuns assassinatos durante o dia e as vítimas têm de 15 a 29 anos de idade, predominantemente do sexo masculino.</p>



<figure class="wp-block-video"><video height="1080" style="aspect-ratio: 1920 / 1080;" width="1920" controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/01/GRAFICO-Sem-politica-para-juventude_02-1.mp4"></video></figure>



<p>Segundo os dados do Fogo Cruzado, o distrito de Ponte dos Carvalhos foi o território, de toda a Região Metropolitana do Recife, com o maior registro de tiroteios, em 2021, somando 43 eventos desse tipo que deixaram 47 baleados. Destes, 31 morreram e 16 ficaram feridos.</p>



<figure class="wp-block-video"><video height="1080" style="aspect-ratio: 1920 / 1080;" width="1920" controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/01/GRAFICO-Sem-politica-para-juventude_01.mp4"></video></figure>



<p>Em julho, uma jovem de 24 anos, foi assassinada a tiros no distrito dentro de sua própria casa, invadida por quatro homens. Segundo o consolidado do Fogo Cruzado de 2021, esse crime é um exemplo do perfil da violência armada na Região Metropolitana do Recife: “episódios focados, com alvo certo, ainda que a vítima esteja em casa – parte deles atingindo mulheres”. A intenção de matar ou ferir deliberadamente uma pessoa já conhecida pelo criminoso é demonstrada pelas estatísticas: em 94% dos tiroteios registrados no Grande Recife houve vítimas. Essa taxa é de 29% na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.</p>



<h1 class="wp-block-heading"><strong>Desenvolvimento insustentável</strong></h1>



<p>Vale ressaltar que a violência no Cabo se acentuou ainda mais a partir da primeira metade da década de 2010, principalmente a partir de 2013 e 2014, época do <em>boom</em> da expansão do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS), o maior porto público da Região Nordeste e ocupa a quinta posição no ranking nacional.<br><br>Para as obras da Refinaria Abreu e Lima, do Estaleiro Atlântico Sul e de ampliação do porto haviam chegado trabalhadores de todos os lugares do País e de várias partes do mundo. Aquela época é lembrada, até hoje, pelos moradores do Cabo e Ipojuca, se referindo aos homens de &#8220;fardas&#8221;. Cabo, assim como o município vizinho de Ipojuca, era o destino de investimentos e de trabalhadores atraídos pela política desenvolvimentista implementada pelo então governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014, e pelos ex-presidentes Lula e Dilma.<br><br>Eram muitos empregos ofertados para os trabalhadores da indústria pesada, principalmente da terraplanagem. As obras eram impulsionadas pelo Programa de Aceleramento e Crescimento (PAC) do Governo Federal. A partir de 2015, com a crise econômica, a região testemunhou a segunda maior desmobilização de trabalhadores da história do Brasil: em pouco tempo, 42 mil pessoas ficaram desempregadas.</p>



<p>O fenômeno é analisado pelo cientista social, Matheus Mariano, mestre em Sociologia pela Fundação Joaquim Nabuco. &#8220;O porto de Suape colaborou muito com o aumento da violência porque houve o surgimento de novas periferias durante as obras de construção da refinaria e do estaleiro, até chegar no resfriamento das obras com o escândalo da Lava Jato, tendo ocorrido o processo da favelização urbanística na cidade, com destaque para o litoral cabense&#8221;, explica Mariano.<br><br>Mateus ainda ressalta que o Cabo saiu de uma lógica interiorana no começo dos anos 2000, com seus engenhos e usinas de álcool e açúcar, direto para a indústria. “Mesmo tendo algumas indústrias, tínhamos bairros que eram rurais, onde se tinha cana ou parte do latifúndio e, hoje, não se tem mais porque tudo virou ruas, casas, bairros ou ocupações”, acentua o pesquisador.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">As drogas e o resgate pela cultura</h2>



<p>Tantas mudanças em tão pouco tempo trouxeram violência e o tráfico de drogas para o cotidiano da região e para a vida de milhares de jovens.</p>



<p>“Eu me envolvi com o mundo do tráfico quando tinha 13 anos. Fui apadrinhado”, relata um jovem que, por segurança, não pode ser identificado. Negro, favelado, nascido na periferia e artista de rua, filho de uma mãe solo, atuava como um apaziguador social na comunidade em que nasceu e foi criado. O bairro é um dos mais violentos da cidade. “O tráfico me trouxe um poder volátil, feroz, pois ninguém mexia comigo, porque eu andava com gente que me protegia”, conta. “Eu aconselhava os caras, separava brigas de casais”, revela.<br><br>Apesar de ter roupas novas e acesso a outros bens, o envolvimento no tráfico causou um sofrimento pessoal e destruição familiar na vida do jovem, pois a mãe chorava todos os dias com receio das consequências. “Eu estava regozijado com aquele mundo, porque eu tinha de tudo, mas eu no fundo percebi o quanto mal eu fazia para as pessoas, pois aquele cara que financia a droga faz muitas mães chorarem. Quantas mulheres vão apanhar do marido por conta do dinheiro para comprar a pedra de crack em vez da feira? Era uma tristeza involuntária que eu carregava”, afirma.</p>



<p>“Eu sempre penso que quando o poder público não chega junto na comunidade, a criminalidade toma conta e se faz presente”, conta.</p>



<p>A virada da chave na vida do jovem foi dada pela arte e a religião. “O hip hop e o rap salvaram a minha vida, porque a arte salva vidas. Mesmo não tendo o que comer ou o que beber, as batalhas de rap reuniam a galera e me fizeram ver o quanto a minha arte transformava vidas. Cheguei a ouvir comentários nas apresentações que minhas músicas evitaram suicídios”, afirmou entusiasmado.<br><br>O apoio de entidades da sociedade civil organizada e de alguns amigos foram importantes nesse processo. Além disso, a religião de matriz africana oportunizou a mudança radical em sua vida. &#8220;Foi através de um convite de uma mãe de santo, que me chamou para conversar e deixar aquela vida, que eu abdiquei de tudo para viver a religiosidade e a minha arte&#8221;, relata o jovem.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Monitoramento de câmeras e guarda municipal armada</strong></h3>



<p>A reportagem entrevistou um policial civil que atua no município do Cabo. Ele pediu para não ser identificado. Disse que 91% dos homicídios praticados no Cabo de Santo Agostinho são contra homens, sendo que, em sua avaliação, a maioria das vítimas teria envolvimento com atividades criminosas, com destaque para o tráfico de drogas e disputas de facções por territórios.</p>



<p>Segundo relatou o policial, há homicídios registrados no Cabo de vítimas que não teriam sido assassinadas na cidade, alertando para a prática de ocultação de corpos em várias áreas do município. &#8220;Matam em outros locais e os corpos aparecem principalmente nas áreas rurais daqui. O Cabo tem 463,6 km², é um grande território e, por isso, é tão fácil essa prática na cidade&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Central de Monitoramento da Secretaria de Defesa Social instalada na praia de Gaibu. Crédtio: Rafael Negrão</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O perfil das vítimas das mortes no Cabo de Santo Agostinho, segundo a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS/PE), é de jovens, a maioria homens dos 15 aos 29 anos. Dos 178 homicídios registrados na cidade em 2021, 14 foram de mulheres, sendo três enquadrados como feminicídio, quando a vítima é morta pela condição de ser mulher.</p>



<p>O policial ouvido pela reportagem destaca a integração da Polícia Civil e da Guarda Municipal na cidade. “No Cabo, os guardas municipais têm porte de armas e foram treinados para atuar no enfrentamento à violência. 117 guardas foram treinados para reforçar a segurança local. Também foram instaladas câmeras em vários pontos da cidade e uma Central de Monitoramento da SDS/PE foi instalada na Praia de Gaibu&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Faltam políticas públicas para a juventude</strong></h3>



<p>O Cabo de Santo Agostinho tem o quarto maior Produto Interno Bruto entre as 15 cidades da Região Metropolitana, é um dos municípios com destaque na indústria, no comércio, na cultura e tem um litoral composto por praias que são destinos turísticos tradicionais na região. Apesar disso, a juventude cabense se queixa da falta de espaços públicos e políticas afirmativas que valorizem a população que é exterminada quase todos os dias na cidade.</p>



<p>“A gente vive numa cidade extremamente violenta para o jovem, pois sofremos com a falta de emprego, de educação, de políticas públicas para as juventudes que são vítimas dessas vulnerabilidades e dessa alta taxa de letalidade, que tem ceifado a vida da nossa população”, diz Glaubberthy Rusman, integrante do Fórum de Juventudes do Cabo (Fojuca).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Fachada da Escola José Alberto de Lima, ponto central de uma ampla área de lazer que segue se deteriorando no centro do Cabo à espera de uma reforma que não sai do papel. Crédito: Rafael Negrão</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p><br>Há quatro anos a principal pista de skate localizada no centro da cidade, por trás da Escola José Alberto de Lima, mais conhecido como Caic, permanece fechada para a reforma do espaço público, que beneficiava adolescentes e jovens das comunidades dos bairros do entorno, como Torrinha, Bela Vista, Malaquias e Alto do Cruzeiro.<br><br>O espaço também servia para a prática de esportes radicais e a batalha de <em>rappers </em>que reuniam jovens das diversas localidades do Cabo de Santo Agostinho.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Baixo investimento público nos jovens</strong></h3>



<p>Com um orçamento anual de 4 milhões de reais, segundo o <a href="https://portaldatransparencia.cabo.pe.gov.br/media/arquivos/legislacao/LOA/LOA%202021.pdf">Portal da Transparência da Prefeitura</a>, a Secretaria Executiva de Juventude e Esportes pode usar esses recursos para investir nas políticas públicas e afirmativas para os jovens cabenses, porém o investimento anual na política da juventude é de 95 mil reais ao mês.</p>



<p>Recentemente, o próprio secretário de Esportes da cidade, Adriano Batista, mais conhecido por <em>Nino Beleza</em>, reconheceu que o orçamento da pasta é muito pequeno para o investimento na política de juventude e esportes. &#8220;Nós reconhecemos que é muito pouco recurso para ser investido na política para a juventude, porque, dos 4 milhões, 70% são gastos com manutenção de equipamentos públicos e a folha de pagamento dos funcionários, restando pouco mais de 1 milhão para investimentos&#8221;.</p>



<p>O secretário se queixa que a gestão anterior à sua não teria cuidado dos equipamentos públicos, deixando a maior parte dos campos de futebol, quadras e praças públicas abandonadas.&nbsp;</p>



<p>O município tem oito escolas-modelo municipais &#8211; com quadras poliesportiva &#8211; e mais duas quadras municipalizadas, mas, segundo um relatório produzido pela Prefeitura, entre janeiro e março de 2021, os equipamentos públicos estão sucateados. O relatório foi solicitado pela reportagem, no entanto, não foi liberado, sob a alegação de que se trata de documento interno da gestão.</p>



<p>&#8220;Infelizmente, as gestões não deixaram programas de governo para as juventudes. E, neste segundo ano, nós estamos planejando novas ações, porque não há projetos para dar continuidade.”, alega o secretário. Entre elas, estariam o segundo Festival de Canto, mais uma versão do Duelo de Rima Municipal e o Encontro de Grafitagem. Há ainda a expectativa de ativação do Conselho de Juventude, órgão de controle e monitoramento de políticas públicas para a área, e a retomada dos Jogos Escolares entre estudantes das escolas municipais, estaduais e privadas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Espaço cultural abandonado</strong></h3>



<p>No centro do Cabo de Santo Agostinho, um outro espaço público agoniza desde que um incêndio quase o destruiu em 2017: o Teatro Municipal Barreto Júnior. Considerado um patrimônio da cidade, celeiro de artistas cabenses, foi palco do grupo Teatro de Amadores de Pernambuco. Antes do fogo, sediou vários eventos, como o Festival Nacional de Teatro do Cabo e a Mostra Cabense de Esquetes e Poesia Encenadas (Mocaspe). Artistas como Zé Geraldo se apresentaram lá inúmeras vezes.&nbsp;</p>



<p>O espaço também abrigava exposições culturais e era um local que servia de escola para os amantes das artes. Atualmente, o prédio encontra-se em ruínas e o fundo serve de estacionamento para os carros dos policiais do 18⁰ Batalhão da Polícia Militar.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fachada do Teatro Municipal Barreto Júnior. Equipamento cultural ficou completamente destruído por dentro depois de um incêndio em 2017 e permanece desativado. Crédito: Rafael Negrão.</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p><br>Inaugurada em<strong> </strong>2012, ao custo de 8,5 milhões de reais, a Praça 9 de Julho, localizada às margens da PE-60, parece provar o desrespeito com o dinheiro público. A praça não tem árvores, bancos e a construção do anfiteatro Luiz Alves Lacerda, com capacidade para 600 pessoas, nunca foi concluída. A realidade é outra, o espaço serve para o uso de drogas e a prática do sexo. Na pandemia, foi adaptada para a vacinação contra a Covid-19.</p>



<p>A praça começou a ser construída na gestão do ex-prefeito Lula Cabral em um terreno de quase 30 mil m². Foram prometidos um jardim com espelho d’água, esplanada aberta para grandes eventos, palco fixo, minicentro de convenções com anfiteatro, sanitários, estacionamento, ruas paralelas para uma melhor circulação, escadarias de acesso e rampas com acessibilidade para cadeirantes, além de uma passarela que faria ligação com o bairro da Cohab. Porém, quem chega no equipamento público se depara com uma situação bem diferente. Em 2018, o ex-prefeito foi preso. Hoje, está solto e responde a processo na Justiça Federal por corrupção passiva e gestão fraudulenta do Instituto de Previdência Social dos Servidores do Cabo.</p>



<p>* <strong>Rafael Negrão é comunicador social, formado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Ativista LGBTQI+, reside no Cabo de Santo Agostinho, atuando como assessor de comunicação do Centro das Mulheres do Cabo (CMC) e do Fórum Suape Espaço Socioambiental.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Esta reportagem é resultado da bolsa para o laboratório-escola Dados em Narrativas Jornalísticas, realizado em parceria pela Marco Zero Conteúdo, Instituto Fogo Cruzado, Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco e Fundação Friedrich Ebert.</strong></p></blockquote>



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		<title>Dois anos depois do derramamento, últimos resíduos de óleo serão retirados da praia de Itapuama</title>
		<link>https://marcozero.org/dois-anos-depois-do-derramamento-ultimos-residuos-de-oleo-serao-retirados-de-itapuama/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Sep 2021 21:38:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[derramamento de petróleo]]></category>
		<category><![CDATA[Itapuama]]></category>
		<category><![CDATA[óleo em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[óleo nas praias]]></category>
		<category><![CDATA[óleo no Nordeste]]></category>
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<p>Dois anos depois, finalmente os últimos resíduos de petróleo serão retirados da praia de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho. O material, considerado bastante poluente, está enterrado em três valas com profundidade média entre 30 centímetros e meio metro, espalhadas em 1.300 metros quadrados do terreno à beira mar. A área é ocupada pelas instalações da ONG Onda Limpa, que há 13 anos realiza a coleta seletiva de lixo reciclável nas praias do Paiva, Itapuama e Pedra de Xaréu. A remoção será feito pela prefeitura do município e pela Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH).</p>



<p>O óleo foi enterrado no local na manhã do dia 23 de setembro de 2019, quando as centenas de voluntários começaram a retirar o petróleo da água e dos arrecifes, mas as autoridades não sabiam o que fazer com aquilo. Mesmo sob os protestos de Estevão Santos da Paixão, da Onda Limpa, e dos técnicos de outra ONG, o Instituto Meu Mundo Mais Verde, as escavadeiras da prefeitura levaram o petróleo misturado com areia para as valas recém-abertas. A operação só foi interrompida quando chegaram os caminhões caçamba mobilizados pelo Governo do Estado para levar o óleo para a Central de Tratamento de Resíduos de Igarassu.</p>



<p>Desde aquele dia, retirar o óleo do terreno onde trabalha diariamente se tornou uma obsessão para o coordenador da Onda Limpa. Ele fez denúncias tanto públicas quanto formais em relação a falta de iniciativa da prefeitura para remover o material. “Depois que fui ao Ministério Público cobrar que a prefeitura retire o óleo que deixaram enterrado aqui, começaram a me perseguir, cobrando licenças ambientais para que a Onda Limpa continue a fazer o trabalho ambiental e querendo demolir o prédio que usamos para armazenar nossos equipamentos de trabalho”, queixa-se Estevão da Paixão. O prédio em questão são as ruínas do hotel inacabado que marca a paisagem na extremidade sul da praia.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Data marcada para a remoção</h2>



<p>Durante dois anos, Estevão teve de conviver com o mau cheiro dos gases tóxicos produzidos pelo petróleo, a exemplo do benzeno e tolueno, mas em maio deste ano o problema ficou mais evidente. Com as fortes chuvas, o óleo começou a escorrer em direção à areia da praia. Pesquisadores e professores do departamento de Química da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) foram ao local e comprovaram que o solo estava viscoso e liberando os hidrocarbonetos, substâncias químicas que podem provocar câncer.</p>



<p>Na sexta-feira, dia 10 de setembro, Estevão recebeu a notificação de que teria de retirar o trailler da ONG e outros objetos do terreno para que a equipe pudesse escavar e retirar os vestígios de óleo, o que vai acontecer na quinta-feira, 16. O secretário-executivo de Meio Ambiente do Cabo de Santo Agostinho, Geraldo Miranda, confirmou a data e deu detalhes da operação. “Finalmente obtivemos as autorizações necessárias junto à CPRH e ao Ministério Público. Com ajuda da equipe que estava presente na época em que o óleo chegou ao litoral, vamos fazer o procedimento para limpeza. Já sabemos em quais trechos do terreno estão as valas e que são superficiais, ou seja, não são muito profundas”, explicou Miranda.</p>



<p>De acordo com o secretário, “como haverá movimentação de muitos profissionais e circulação de veículos, avisamos previamente ao responsável pela ONG”. Ontem, Estevão reclamou que afastou o trailler, mas que os fiscais da prefeitura foram lá para dizer que ele teria de retirar tudo do terreno. Geraldo Miranda admite a tensão que existe entre os funcionários da prefeitura e Estevão, mas que “vai fazer o possível para apaziguar os ânimos”.</p>



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