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	<title>Arquivos Caixa Cultural - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 22 Jul 2024 20:30:32 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Caixa Cultural - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>A coragem e o sonho presentes na pintura de Jeff Alan</title>
		<link>https://marcozero.org/a-coragem-e-o-sonho-presentes-na-pintura-de-jeff-alan/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Dec 2023 16:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[artes visuais]]></category>
		<category><![CDATA[artista negro]]></category>
		<category><![CDATA[Caixa Cultural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conhecida como a planta que afasta a inveja e o mau-olhado, o pé de comigo-ninguém-pode é um elemento conhecido da paisagem dos bairros periféricos e de muitas cidades da zona da mata e do interior. A folhagem robusta, esverdeada, raiada de branco ou amarelo-claro, e com traços únicos que parecem uma pintura já faz parte [&#8230;]</p>
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<p>Conhecida como a planta que afasta a inveja e o mau-olhado, o pé de comigo-ninguém-pode é um elemento conhecido da paisagem dos bairros periféricos e de muitas cidades da zona da mata e do interior. A folhagem robusta, esverdeada, raiada de branco ou amarelo-claro, e com traços únicos que parecem uma pintura já faz parte do imaginário popular. É um elemento marcante  da relação afetiva da população com o seu território. </p>



<p>Justamente evocando esse imaginário e criando uma relação de afeto com o público através do acionamento de uma memória sensível, o artista visual recifense Jeff Alan realiza a exposição <em>Comigo Ninguém Pode &#8211; A pintura de Jeff Alan</em>, que está aberta para visitação na Caixa Cultural do Recife, localizada no Recife Antigo, até o dia 28 de janeiro de 2024. </p>



<p>Reunindo 57 obras autorais &#8211; 19 delas inéditas &#8211;  o artista foi responsável por levar o maior público para prestigiar a abertura de um evento no equipamento público cultural, com mais de mil pessoas presentes no lançamento da exposição, no início de novembro. </p>



<p>Muito além do grande número de pessoas, a arte de Jeff Alan foi capaz de mobilizar um público formado majoritariamente por pessoas negras e periféricas, saídas do bairro em que o artista nasceu, no Barro, zona oeste do Recife, um feito realmente inédito na cidade, quiçá no estado e no país.</p>



<p>“Foi uma grande realização poder ver uma galera do meu bairro dentro de um equipamento de cultura, muita gente que visitou um museu pela primeira vez graças a nossa exposição. Do Barro, duas vans saíram lotadas com pessoas da minha comunidade que vieram prestigiar o meu trabalho e isso aconteceu porque as pessoas entenderam a importância de ocupar esses espaços e de se enxergarem nas obras”, declarou o artista visual. </p>



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	                                        <p class="m-0">O lançamento da exposição teve recorde de público com mais de mil pessoas. Crédito: Shilton Araújo/Divulgação</p>
	                
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<p>Enquanto mulher negra, ao visitar a exposição, que contou com a curadoria de Bruno Albertim, é possível entender o porquê da grande mobilização causada pelas obras de Jeff Alan. Frequentemente, ao entrar no Instagram, é possível encontrar publicações de pessoas negras que não só visitaram a exposição como fizeram questão de relatar suas emoções ao se depararem com uma série de obras com rostos, corpos e histórias negras. É realmente impactante ver a negritude retratada de forma sensível e em um lugar de protagonismo inquestionável.</p>



<p>A falta de representação e de reconhecimento é algo tão comum em um país racista que só aboliu a escravidão há 135 anos, que o encontro com a exposição do artista visual recifense se apresenta como um misto de acalanto, experimentado através da beleza presente nas obras, e inquietação incitada pelo contato direto com as realidades marcadas pelas experiências de vida marcadas pelo racismo que estão sendo retratadas.  </p>



<p>“Esse trabalho surgiu de inquietações minhas. Eu não me sentia representado por quem estava fazendo arte e pelo que estava sendo retratado e me incomodava ser o modo como as pessoas negras estavam sendo retratadas, sempre em último plano, servindo aos brancos, isso mexeu muito comigo e continua mexendo”, revelou Jeff Alan.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caminho sangrento em busca do céu estrelado</strong></h2>



<p>Em uma visita guiada com a equipe da Marco Zero Conteúdo, Jeff Alan falou sobre as inspirações para o seu trabalho, os elementos que são a sua assinatura como artista e a aspiração política presente em suas obras.</p>



<p>Assim que adentramos a Caixa Cultural do Recife, somos capturadas por uma enorme pintura de Jeff que está estampada na parede do museu. Com um olhar intimidador, um jovem homem negro nos vigia de todos os ângulos possíveis. Em seguida, a cor vermelha se apresenta de forma marcante nas obras, o vermelho está presente não só no fundo das telas, como também nos olhos dos personagens retratados por Jeff, personagens esses que são na verdade pessoas reais que cruzaram o caminho do artista e assim se tornaram protagonistas das pinturas. O artista faz o registro das pessoas, através de fotografias, e em seguida inicia o processo criativo da composição da obra.</p>



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	                                        <p class="m-0">A exposição segue aberta a visitação até o dia 24 de janeiro de 2024. Crédito: Shilton Araújo / Divulgação</p>
	                
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<p>Sejam moradores do seu bairro e de todo o Recife, amigos e familiares, pessoas que encontra e conhece através das redes sociais, personagens de filmes, todos os rostos negros presentes nas telas saem do cotidiano para se tornar arte na parede do museu. Apesar da beleza inquestionável de suas obras, Jeff prefere não afirmar que suas obras são “lindas”.</p>



<p>“Eu prefiro que as outras pessoas digam que minhas obras são lindas, mas mais do que isso, eu não quero que meu trabalho seja visto simplesmente como algo lindo, sabe? Eu tenho uma obra, que está ali bem naquela parede [apontando para a peça] que é uma pessoa em situação de rua com uma garrafa de cola na mão e a pintura foi feita em um pedaço de papel rasgado. E quem vai achar isso lindo? Porque tem uma mensagem ali e muitas obras aqui que vão além da estética, é pra sentir e através desse sentimento eu espero que algo mude. Por que muitas vezes essas pessoas que estão aqui nas obras, que causam comoção ao público, são as mesmas pessoas que são invisibilizadas e ignoradas lá fora”, disse o artista visual. </p>



<p>Na exposição, as obras estão dispostas através de um caminho circular, que inicia com as obras que têm o vermelho como tom marcante, de acordo com Jeff, esse vermelho representa um “caminho sangrento”. Em seguida, esse vermelho começa a contrastar com o azul forte e imponente, que representa o céu, o sonho, uma vontade de voar e explorar o infinito. O vermelho, além do caminho sangrento, representa também a coragem de seguir até alcançar o céu onde se encontram os sonhos. </p>



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	                                        <p class="m-0">Obra &#8220;Ualison Paulo&#8221;, de Jeff Alan.  Crédito: Shilton Araújo / Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>O artista revela que já vive do seu sonho, mas que ainda há um feito maior a ser conquistado: “construir uma escola de arte no Barro”. Tendo como sua maior inspiração sua mãe, Lucilene Mendes, Jeff faz questão de repetir diversas vezes a força dessa figura negra em sua criação e em sua paixão pela arte, que sempre incentivou o filho a pintar. “Quando eu falo de viver de arte não é só porque eu ganho dinheiro para isso, é porque eu fiz disso o meu propósito de vida”, disse o artista visual.</p>



<p>Já a inspiração para o nome da exposição na Caixa Cultural veio também da vivência no Barro, em homenagem ao seu tio que tinha vários jarros de comigo-ninguém-pode em seu bar no mesmo bairro. Além disso, toda a simbologia e significado presente no nome da planta, que fala sobre se manter resiliente e confiante, pois ninguém é capaz de deter seus sonhos.</p>



<p>Quase como uma prova da importância da exposição do artista visual recifense, em um equipamento cultural, no momento de nossa visita, um grupo de professores e alunos da rede municipal de ensino do município de Ipojuca chegou até a Caixa Cultural e nos acompanhou. Atentos, as crianças e adolescentes negros e negras que participavam da caravana se impressionaram com as obras e interagiram com Jeff Alan, que estimulou o diálogo com as obras através de questionamentos sobre as percepções de cada um. </p>



<p>“É novidade para mim porque as outras exposições que eu fui sempre tiveram muitas pessoas brancas e eu gostei muito de estar aqui, foi uma experiência muito boa. Eu me sinto muito feliz com a minha cor, ela é muito linda e quem pratica o racismo precisa parar”, declarou a estudante Ana Alice, de 14 anos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Obra &#8220;Menino na laje quer ganhar o mundo&#8221;, de Jeff Alan.  Crédito: Shilton Araújo / Divulgação</p>
	                
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<p>Além das obras, as crianças também se identificaram com os relatos do artista visual sobre sua trajetória pessoal e profissional, com depoimentos sobre a perda de amigos próximos para a violência armada que assola a vida de pessoas negras da periferia, sobre a necessidade de conciliar trabalho e estudo ainda na adolescência, sobre a pressão estética de não deixar os cabelos cacheados ou crespos crescerem e não poder pintá-los da cor platinada no carnaval &#8211; um costume de moradores de periferia &#8211; por medo de ser abordado pela polícia, entre outras. </p>



<p>Ou seja, as pinturas refletem Jeff, que reflete seus semelhantes e, por meio, da identificação as pessoas negras se sentem representadas e compreendidas pelas obras. “Para mim isso é fundamental, trazer cada vez mais pessoas negras para esses espaços que durante muito tempo foram negados para nós, porque essa exposição aqui é grandiosa, mas nós temos potencial para fazer muito mais”, concluiu o artista. </p>



<p>A exposição é aberta ao público e conta com legendas em braile e QR code com o audiodescrição das peças, que destacam os traços e fenótipos de crianças, jovens e adultos negros que são retratados pelo artista. O projeto possui ainda uma agenda de atividades que abarcam outras linguagens e manifestações artísticas da cultura negra, como dança, literatura, teatro, capoeira e hip-hop, além de visitas guiadas com o artista e curador. A agenda é disponibilizada nas <a href="https://www.instagram.com/caixaculturalrecife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">redes sociais da Caixa Cultural Recife</a> e de <a href="https://www.instagram.com/jeffalanmf/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jeff Alan</a>.</p>



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			</item>
		<item>
		<title>MPF recomenda que Caixa Cultural retome temporada de espetáculo infantil censurado</title>
		<link>https://marcozero.org/mpf-recomenda-que-caixa-cultural-retome-temporada-de-espetaculo-infantil-censurado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Sep 2019 20:24:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[abrazo]]></category>
		<category><![CDATA[Caixa Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[censura]]></category>
		<category><![CDATA[clowns de shakespeare]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Ministério Público Federal (MPF) enviou uma recomendação à Caixa Cultural Recife para retomar a temporada do espetáculo infantil Abrazo, da companhia potiguar Clowns de Shakespeare. A Caixa Cultural rescindiu contrato com o grupo alegando que houve quebra contratual, porque o grupo não teria “zelado pela boa imagem dos patrocinadores, não fazendo referências públicas de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Ministério Público Federal (MPF) enviou uma recomendação à Caixa Cultural Recife para retomar a temporada do espetáculo infantil <em>Abrazo</em>, da companhia potiguar Clowns de Shakespeare. A Caixa Cultural rescindiu contrato com o grupo alegando que houve quebra contratual, porque o grupo não teria “zelado pela boa imagem dos patrocinadores, não fazendo referências públicas de caráter negativo ou pejorativo”.</p>
<p>Na recomendação, expedida no dia 13 de setembro e assinada pelas procuradoras Carolina de Gusmão Furtado e Ana Fabíola de Azevedo Ferreira, o MPF pede que a Caixa Cultural providencie a imediata retomada do espetáculo, no mínimo, pelo período originalmente contratado. A recomendação foi expedida após denúncia formulada por Rodolfo Bazante da Silva. Entre as 26 considerações para o pedido, o MPF alega o desrespeito à Constituição Federal, que assegura a livre manifestação do pensamento e proíbe qualquer espécie de censura.</p>
<p>Caso o grupo não possa ou não queira retomar a peça, diz a nota do MPF, a Caixa Cultural deve, a título de compensação pelo período em que o espetáculo permaneceu cancelado, promover nova apresentação, &#8220;em proporções e objetivos similares à que foi interrompida, com temática relacionada à liberdade de expressão e manifestação artística, com número de sessões equivalente ao das que foram canceladas&#8221;. Estavam previstas, por contrato, oito sessões da peça na Caixa Cultural Recife, em dois finais de semana, mas ela só foi encenada uma única vez antes de ser censurada.</p>
<p>O grupo Clowns de Shakespeare tem todo interesse em voltar a se apresentar na Caixa Cultural, diz um dos fundadores do grupo Fernando Yamamoto. &#8220;A principal questão pra gente, além do precedente para o teatro como um todo, foi a proibição do nosso direito de trabalhar. Obviamente, teremos de ver as condições e a agenda, mas a gente recebeu essa recomendação do MPF com alegria. Vamos esperar para ver como a Caixa vai se posiciona em relação a isso. Queremos exercer o nosso ofício&#8221;, explica.</p>
<p>A companhia também entrou, na semana passada, com uma ação na Justiça contra a rescisão unilateral do contrato. &#8220;A Justiça intimou a Caixa a apresentar sua defesa prévia e ainda está no prazo&#8221;, diz Yamamoto.</p>
<p>No sábado passado (14), dezenas de artistas e grupos ligados à cultura de Pernambuco fizeram um protesto no Centro do Recife contra a censura. O ato, que contou com a presença dos integrantes do Clowns de Shakespeare, começou por volta das 15h na Praça do Arsenal. De lá, os manifestantes seguiram até a sede da Caixa Cultural no Marco Zero, munidos de faixas com os dizeres &#8220;Censura Nunca Mais&#8221;. No final da tarde, a companhia encenou gratuitamente o espetáculo Abrazo no Teatro Apolo, cedido pela Prefeitura do Recife.</p>
<h2>Caixa Cultural censurou peça por denunciar censura</h2>
<p>No documento de recomendação do MPF há o trecho que a Caixa Cultural interpretou como quebra de contrato. É um diálogo da plateia com os atores, que aconteceu após a primeira e única apresentação da peça <em>Abrazo</em>. Um espectador pergunta aos artistas se eles sentiram, em algum momento, alguma resistência ao espetáculo no edital. Vale aqui lembrar que <em>Abrazo</em> é sem falas, mas narra situações como censura, repressão e o golpe militar de 1964. É baseado na obra do escritor uruguaio Eduardo Galeano.</p>
<p>Uma das atrizes do grupo responde: &#8220;A gente tem sido muito criterioso, a gente sofre pedidos muitos específicos (para apresentar) vídeo do espetáculo, das projeções&#8230;. coisa que a gente nunca foi solicitado assim&#8230; questões do material de espetáculo ser muito analisado como nunca antes&#8230;, (roteiro) do texto, as coisas estão sendo não só conosco, temos percebido (também com) os nossos parceiros e colegas, né? Inclusive de serem censurados mesmo e não conseguirem&#8230; porque a pressão é de cima, é Federal. Às vezes nem é a da própria instituição, mas ela também é obrigada a fazer isso com os artistas, né? A gente&#8230; tá sendo cercado mesmo, mas precisamos ir furando essas brechas e com delicadeza, com a sutileza&#8230; é fazer&#8230; é (o jeito) como a gente também encontra essa forma de não se fechar&#8221;, diz trecho da transcrição.</p>
<p>Fernando Yamamoto explica as circunstâncias da roda de conversa que acontecem depois do espetáculo. &#8220;Era um bate-papo, que fazia parte das atividades. O público pergunta se está tendo um controle maior e a gente não só respondeu com a verdade, como não indicamos nomes, nem entramos em detalhes. Não causamos nenhum tipo de prejuízo aos nomes dos patrocinadores, como seria a cláusula do contrato que a gente não poderia ferir. Apesar de a gente não ter o registro do bate-papo, vemos o trecho (anexado pela Caixa no documento em resposta ao MPF) como uma conversa normal que a gente já fez diversas outras vezes. Foi simplesmente uma informação, um relato das coisas que acontecem com a gente. Não foi uma difamação, nem uma forma de prejudicar a imagem do Governo Federal, foi simplesmente um relato&#8221;, afirma.</p>
<p>Há informações extra-oficiais de que a Caixa Cultural recebeu a notificação na última segunda-feira (16). O órgão tem cinco dias para se pronunciar. Caso não acate a recomendação, o MPF vai analisar as providências administrativas e judiciais que serão tomadas.</p>
<p><strong>Confira abaixo o diálogo que gerou a censura promovida pela Caixa Econômica</strong><br />
(de acordo com o ofício nº 20190962/2019, enviado pela Caixa ao MPF)</p>
<p><strong>Pessoa do público:</strong> Você sentiram em algum momento alguma resistência<br />
ao enviar (inaudível) esse projeto para o edital?<br />
<strong>Ator:</strong> sim<br />
<strong>Pessoa do público:</strong> Atualmente ou com esse (inaudível) recentemente?<br />
<strong>Ator:</strong> sim (bem recentemente)<br />
<strong>Atriz:</strong> Com esse e com <em>Nuestra</em>. Em <em>Nuestra</em> (<em>Senhora de Las Nuvens</em>) a gente teve que mudar a arte por exemplo porque tem um momento do espetáculo, Nuestra ela é uma exilada, é um espetáculo adulto, é (&#8216;muda a temática não é?&#8217; Isso)&#8230; E aí ela fala né&#8230; tem uma fala dela no espetáculo assim com a mão levantada e essa é a arte que foi para para o cartaz e aí eles pediram para mudar foi isso só isso era mesmo no período da eleição&#8230; e tinha escrito <em>Nuvens</em>(?!) <em>Livre</em>.. uma coisa assim. Na minha camisa tinha escrito fala do exílio e essa obra foi escrita muitos muitos anos atrás. Que o Aristes&#8230; ele conta do exílio que ele viveu quando ele teve que sair da Argentina e viver no Equador então&#8230; aí são várias cenas como se fossem memórias tanto dele quanto da Charike que realmente vivenciaram esse período e aí uma das cenas que são dois militantes que morrem aí tem escrito a camisa tem todas as ditaduras e tem uma mãozinha e essa era exatamente a arte&#8230; era bem bonita e sim, e sim a gente tem sido muito criterioso, a gente sofre pedidos muitos específicos de vídeo do espetáculo, das projeções&#8230;. coisa que a gente nunca foi solicitado assim questões do material de espetáculos ser muito analisado como nunca antes assim (roteiro) do texto as coisas estão sendo não só conosco temos percebido os nossos parceiros e colegas também né e inclusive de serem censurados mesmo e não conseguirem porque a pressão é de cima, é Federal, Às vezes nem é a da própria instituição mas ela também é obrigada a fazer isso com os artistas né&#8230; a gente tá tá sendo cercado mesmo mas precisamos ir furando essas brechas e com delicadeza com a sutileza&#8230; é fazer&#8230; é como a gente também encontra essa forma de não se fechar.</p>
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		<item>
		<title>Censura: Caixa alega que grupo de teatro não &#8220;zelou pela boa imagem de patrocinadores&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/censura-caixa-alega-que-grupo-de-teatro-nao-zelou-pela-boa-imagem-de-patrocinadores/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2019 22:56:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Caixa Cultural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cinco dias após cancelar a temporada da peça Abrazo no Recife, a Caixa Cultural finalmente explicitou a cláusula que usou para pedir rescisão do contrato. Em nota, o grupo Clowns de Shakespeare afirma que a Caixa alegou que foi infringido o inciso VII da Cláusula Quarta, que prevê que&#160;o grupo contratado seja obrigada a “zelar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Cinco dias após cancelar a temporada da peça <em>Abrazo</em> no Recife, a Caixa Cultural finalmente explicitou a cláusula que usou para pedir rescisão do contrato. Em nota, o grupo Clowns de Shakespeare afirma que a Caixa alegou que foi infringido o inciso VII da Cláusula Quarta, que prevê que&nbsp;o grupo contratado seja obrigada a “zelar pela boa imagem dos patrocinadores, não fazendo referências públicas de caráter negativo ou pejorativo”. A peça é sem falas. A infração, segundo a Caixa repassou ao grupo, teria ocorrido no bate-papo realizado após a primeira sessão.</p>
<p>Nesta quinta-feira (12), o grupo teatral abriu um processo judicial, apresentando um pedido de tutela antecipada em caráter antecedente, junto à 2ª Vara Federal da Justiça Federal/PE, para evitar a rescisão unilateral do contrato.</p>
<blockquote><p><a href="http://marcozero.org/censura-caixa-cultural-cancela-espetaculo-infantil-no-recife/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Censura? Caixa Cultural cancela espetáculo infantil no Recife</a></p></blockquote>
<p>Com a explicação oficial, ainda que parcial, o grupo afirma, sem rodeios, que sofreu censura da Caixa Econômica Federal, única patrocinadora da Caixa Cultural. &#8220;Ainda sem ideia do que poderia ser alegado, uma vez que não reconhecemos nada que pudesse gerar esse tipo de reação, e diante da ausência de informações adicionais, não conseguimos imaginar outra razão para essa rescisão que não seja censura ao nosso trabalho e pensamento&#8221;, diz trecho da nota divulgada pelo Clowns de Shakespeare no final da tarde desta quinta.</p>
<p>Sobre a roda de conversa, um dos fundadores da companhia, Fernando Yamamoto, afirmou que tudo transcorreu normalmente. &#8220;Teve&nbsp;perguntas de ordem técnica e do conteúdo do espetáculo. Falamos sobre o momento que estamos vivendo no Brasil. Não houve nada fora do contexto”, explicou, em entrevista à Marco Zero no começo da semana. A peça discute censura, repressão e o golpe militar de 1964.</p>
<p>O Clowns de Shakespeare também anunciou uma apresentação gratuita do espetáculo <em>Abrazo</em> neste sábado (14), no Teatro Apolo. A apresentação acontecerá após o protesto contra a censura que está marcado para às 15h na Praça do Arsenal. De lá os manifestantes seguem para a frente da Caixa Cultural, no Marco Zero.</p>
<p>O ato contra a censura foi uma iniciativa dos movimentos “Batendo o Texto na Coxia” e “Virada Cultural do Teatro do Parque”, que ganhou adesão de outros grupos teatrais do Recife, movimentos sociais e artistas.</p>
<p>&#8220;Assim, acreditamos que fecharemos a primeira etapa dessa jornada tão intensa, difícil, mas ao mesmo tempo repleta de suporte e carinho de tanta gente, novos e antigos parceiros, instituições e pessoas que acreditam nos mesmos princípios que nós, e que lutam por um país livre e democrático&#8221;, diz a nota do grupo, que pede que as pessoas participem do ato com camisas e bexigas brancas.</p>
<blockquote><p><em><strong>O espetáculo Abrazo</strong></em><br />
A sinopse diz que “num lugar em que não é permitido abraçar, personagens atravessam um quadrado contando histórias de encontros, despedidas, opressão, exílio e, porque não, de afeto e liberdade”.</p>
<p>Não há nenhuma fala no espetáculo. A história é narrada por meio de uma trilha sonora especialmente composta para as cenas e com o vídeo de animação, além do trabalho dos três atores em cena. “É a segunda parte da trilogia que compõe o projeto de pesquisa latino-americano, que trata de repressão, de ditadura e censura, concebida no contexto do golpe militar de 1964″, explica Fernando Yamamoto, um dos fundadores do grupo.</p></blockquote>
<p>O espetáculo <em>Abrazo </em> havia sido seleciona para quatro sessões e uma oficina na Caixa Cultural do Recife. Cinco minutos antes de começar a segunda sessão, o grupo recebeu a notícia de que o espetáculo estava cancelado. O grupo receberia R$ 220 mil pelas apresentações e oficinas no Recife e também em Curitiba. O investimento total da Caixa com o edital de 2019 seria de R$ 17,6 milhões.&nbsp; No primeiro semestre, a Caixa Cultural não recebeu espetáculos.</p>
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		<title>Censura? Caixa Cultural cancela espetáculo infantil no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Sep 2019 21:58:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Caixa Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[cancelamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Faltavam cinco minutos para levantar a cortina da segunda sessão do espetáculo infantil Abrazo no sábado passado (7), da companhia potiguar Clowns de Shakespeare, quando funcionários da Caixa Cultural do Recife informaram aos artistas que a peça estava cancelada. A decisão, foram informados, havia vindo &#8220;de cima&#8221;. Atônitos, os oito integrantes da companhia que fazem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Faltavam cinco minutos para levantar a cortina da segunda sessão do espetáculo infantil <em>Abrazo</em> no sábado passado (7), da companhia potiguar Clowns de Shakespeare, quando funcionários da Caixa Cultural do Recife informaram aos artistas que a peça estava cancelada. A decisão, foram informados, havia vindo &#8220;de cima&#8221;. Atônitos, os oito integrantes da companhia que fazem parte do espetáculo ainda esperaram algumas horas até que um representante do jurídico da Caixa aparecesse e desse uma desculpa genérica para o cancelamento: quebra de contrato.</p>
<p>Lá fora, uma fila de adultos e crianças. Sem explicar os motivos a quem estava na fila, a produção da Caixa Cultural do Recife apenas devolveu o dinheiro dos ingressos. Quem insistiu em uma explicação, ouviu que foi por conta da &#8220;logística&#8221;. A peça, que teve apenas uma sessão, seguida de uma roda de conversa, é baseada no <em>Livro dos Abraços</em>, de Eduardo Galeano e tem roteiro assinado por César Ferrario.</p>
<p>Em vídeos e textos publicados nas redes sociais, o diretor do espetáculo, Marco França, classificou o cancelamento como censura. &#8220;Uma censura travestida com argumentos jurídicos. Vivemos um momento de barbárie no país, onde a verba pública para pesquisa e educação são cortadas, onde livros são censurados, onde artistas estão sendo perseguidos e tendo suas obras censuradas. Não nos calarão. Enquanto houver espaço para falar, estaremos aqui, denunciando&#8221;, afirmou.</p>
<p>Em nota divulgada hoje, a companhia Clowns de Shakespeare evita falar em censura. Isso porque a mesma desculpa genérica dada no dia do cancelamento, se repetiu em comunicado divulgado à imprensa pela Caixa e também ao grupo nesta segunda-feira (9). Passados dois dias do cancelamento, a Caixa simplesmente não deu mais informações. &#8220;Falaram em quebra de contato, mas não nos disseram o motivo. Teoricamente, tudo transcorreu normalmente. Após a primeira sessão, houve uma roda de conversa (com o público), com perguntas de ordem técnica e do conteúdo do espetáculo. Falamos sobre o momento que estamos vivendo no Brasil. Não houve nada fora do contexto&#8221;, explicou em entrevista à Marco Zero um dos fundadores da companhia, Fernando Yamamoto.</p>
<p>O grupo afirma na nota que solicitou à Caixa Econômica o parecer jurídico e a decisão administrativa relativos à rescisão, &#8220;com detalhamento para que possamos analisar e nos posicionar apropriadamente sobre o caso&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><em>O espetáculo Abrazo</em></strong><br />
A sinopse diz que &#8220;num lugar em que não é permitido abraçar, personagens atravessam um quadrado contando histórias de encontros, despedidas, opressão, exílio e, porque não, de afeto e liberdade&#8221;.</p>
<p>Não há nenhuma fala no espetáculo. A história é narrada por meio de uma trilha sonora especialmente composta para as cenas e com o vídeo de animação, além do trabalho dos três atores em cena. &#8220;É a segunda parte da trilogia que compõe o projeto de pesquisa latino-americano, que trata de repressão, de ditadura e censura, concebida no contexto do golpe militar de 1964&#8221;, explica Yamamoto.</p></blockquote>
<p>Além das três sessões que foram canceladas, o grupo também faria uma oficina no próximo final de semana. No primeiro semestre, a Caixa Cultural nãorecebeu espetáculos. <em>Abrazo</em>, que tinhaindicação livre, foi o terceiro do ano. &#8220;Peças lúdicas, com uma pesquisa e que mexem com questões simbólicas, raramente são encenadas noRecife. O que me deixa enraivecida é que meu filho tinha criado expectativa para ver a peça, eu queria ter a oportunidade de discutir as questões do espetáculo com ele, e esse nosso debate foi negado. Alguém viu a peça e censurou. Se fosse conteúdo para adulto, já seria péssimo, mas conteúdo para criança é muito pior. É interferência na formação das crianças&#8221;, critica a professora universitária Mariana Nepomuceno, que levou no domingo o filho de quatro anos para ver o espetáculo cancelado.</p>
<p>Desde o final do ano passado, a Caixa Cultural sofre com atrasos nos pagamentos aos produtores e atraso também nos editais. De acordo com a Associação Brasileira de Gestão Cultural, quando questionada sobre os atrasos nos pagamentos, a Caixa enviava aos produtores um e-mail padrão que afirmava apenas que a instituição “está em processo de definição do Plano Integrado de Comunicação, Marketing e Patrocínio para 2019, os contratos novos estão temporariamente suspensos”.</p>
<p>O resultado para ocupação em 2019 foi divulgado apenas no final de julho. Foram selecionados 150 projetos artísticos entre 4.554 inscritos. Além do Recife, a peça <em>Abrazo</em>seria apresentada na Caixa Cultural de Curitiba, no mês de dezembro. Pelo edital, as produções arcam com custos como transporte, alimentação e hospedagem, mas a Caixa reembolsa os produtores em parcelas. Geralmente, as parcelas são pagas no decorrer da temporada. O primeiro reembolso é feito dez dias depois da estreia.</p>
<p>Para conseguir levar a peça para o teatro da Caixa Cultural, o grupo Clowns de Shakespeare participou do edital de ocupação. Foram enviados sinopse e ficha técnica da peça, além de fotos e vídeos com trechos da encenação. O grupo receberia R$ 220 mil pelas apresentações e oficinas no Recife e em Curitiba. O investimento total da Caixa com o edital de 2019 seria de R$ 17,6 milhões.</p>
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		<title>Jorge Furtado: “Agora, mais do que nunca, precisamos de um jornalismo comprometido com a verdade”.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Dec 2016 18:50:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Caixa Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Furtado]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Furtado jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Furtado Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um quadro milionário de Picasso esquecido na parede de uma salinha na sede do INSS em Brasília, um objeto perfuro-contundente arremesado contra o candidato tucano a presidente José Serra na campanha de 2010, o impeachment constitucional da presidenta Dilma Rousseff. Ou seriam um pôster sem valor, uma bolinha de papel e um golpe parlamentar? “Que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um quadro milionário de Picasso esquecido na parede de uma salinha na sede do INSS em Brasília, um objeto perfuro-contundente arremesado contra o candidato tucano a presidente José Serra na campanha de 2010, o impeachment constitucional da presidenta Dilma Rousseff. Ou seriam um pôster sem valor, uma bolinha de papel e um golpe parlamentar? “Que notícias apareçam já no título, aos senhores nenhuma novidade. Parecendo real, nada é verdade”.</p>
<p>A frase em aspas acima abre a peça teatral <em>O Mercado de Notícias</em>, do inglês Ben Jonson, encenada pela primeira vez no longínquo ano de 1626, em Londres. A sua atualidade e contundência inspiraram o cineasta gaúcho Jorge Furtado a escrever e dirigir um documentário lançado em 2014 – de mesmo nome – que, viajando 400 anos no tempo, da Inglaterra elizabetana até o então Brasil petista, faz uma reflexão profunda sobre o jornalismo praticado em nosso país.</p>
<p>“A minha ideia era valorizar o jornalista. Senti que havia uma visão de que o jornalismo não era mais necessário. Que com a internet, o facebook, o jornalismo estava sendo questionado, não precisava mais de diploma”, explica Furtado, em entrevista concedida à reportagem da <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>. “Os jornais se encheram de opinadores, cronistas, colunistas, mas o jornalismo mesmo, a reportagem, começou a se desvalorizar”.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/rMBj7kBTgZk" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe><br />
Furtado começou a trabalhar no roteiro do documentário em 2006. O primeiro passo foi traduzir, com a ajuda da professora Liziane Kugland, a peça de Ben Jonson para o português. O documentário mistura realidade e ficção. Intercala entrevistas de jornalistas consagrados – e que Furtado admira – com a encenação de trechos do texto do autor inglês. São discutidos temas como Poder, relacionamento com as fontes, o negócio por trás do jornalismo, os erros cometidos e ocultados pelas empresas de comunicação.</p>
<p>“Na hora em que se desvalorizava a atividade de jornalista, eu pensei que o momento pedia justamente o oposto. Com essa proliferação de mídias, a gente precisa agora, mais do que nunca, do profissional do jornalismo comprometido com a verdade. Diferente dos diletantes do facebook e das redes sociais que não têm o compromisso com o que disseram ontem e nem o de checar as fontes das notícias que publicam”, avalia Furtado.</p>
<p><strong>O deserto da autocrítica</strong></p>
<p>As análises e reflexões de jornalistas como Luis Nassif, Mino Carta, Bob Fernandes, Maurício Dias, Paulo Moreira Leite e Geneton Moraes Neto, entre outros, são fundamentais para entender os caminhos e os descaminhos que o jornalismo seguiu no Brasil recente, especialmente após a ascensão do PT à Presidência da República em 2003. O documentário é uma ilha fértil no mar de silêncio em que os veículos da grande mídia brasileira se escondem da autocrítica.</p>
<p>A autocrítica, aliás, é uma palavra que praticamente inexiste no dicionário do jornalismo brasileiro. Dos mais de 500 jornais de circulação regular no pais, apenas dois possuem a figura do ombundsman. Não é à toa que a seção Erramos fica escondida em letras miúdas no pé de página de jornais e revistas e que, no principal telejornal da TV brasileira, o apresentador só abra a boca para pedir desculpas ao telespectador quando erra o nome ou o cargo de um entrevistado.</p>
<p>“A gente conhece os fatos pela imprensa. A imprensa então é um dos poderes da democracia. Se a imprensa toma partido, como ela tomou desde a eleição do Lula, a imprensa majoritária, os grandes veículos tomaram partido, aí fica desequilibrado o jogo da democracia porque uma denúncia contra o Serra desaparece e uma contra o Lula ganha manchete. E aí a gente não sabe mais o que é verdade e o que não é. Fica tudo desequilibrado”, argumenta o cineasta.</p>
<p><strong>Uma farsa burlesca: a bolinha de papel de Serra</strong></p>
<p><em>O Mercado de Notícias</em>, de Furtado, esmiúça o caso da bolinha de papel atirada na cabeça do candidato José Serra num evento de rua da campanha de 2010. Utilizando apenas imagens disponíveis nas redes sociais (e solenimente ignoradas pelos grandes veículos de mídia), Furtado destrói de forma avassaladora e retumbante a tese de que o candidato foi atingido por um objeto perfuro-contundente, como foi noticiado em matéria de mais de 10 minutos no Jornal Nacional da época.</p>
<p><div id="attachment_3993" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/image50.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3993" class="size-full wp-image-3993" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/image50.jpg" alt="O documentário de Jorge Furtado desvenda com clareza a farsa burlesca do &quot;objeto perfuro-contundente&quot; que teria atingido José Serra na campanha de 2010. " width="600" height="442"></a><p id="caption-attachment-3993" class="wp-caption-text">O documentário de Jorge Furtado desvenda com clareza a farsa burlesca do &#8220;objeto perfuro-contundente&#8221; que teria atingido José Serra na campanha de 2010.</p></div></p>
<p>O estaparfúdio episódio, noticiado com destaque em 2004 pela Folha de São Paulo, de um quadro milionário de Picasso exposto na parede (ao lado de uma foto do presidente Lula) de uma salinha do prédio sede do INSS, em Brasília, também é desconstruído. Não passava de um pôster em preto e branco de 30 centímetros, enquanto o quadro verdadeiro, colorido e de 1 metro de altura, descansava em berço esplêndido numa exposição no Museu Guggenheim, em Nova Iorque.</p>
<p>Furtado chega a acionar o ombudsman da Folha para falar do erro absurdo. O ombudsman agradece e diz que vai encaminhar a reclamação. Dois anos depois, pasmem, o prédio do INSS pega fogo e a Folha faz matéria de capa falando do esforço dos bombeiros para salvar o quadro milionário de Picasso. Quadro que, segundo a Folha, foi dado por um colecionador para o INSS como pagamento de uma dívida. Uma fraude. Essa era a reportagem a ser feita. Mas o jornal paulista ignorou os alertas e vendeu por duas vezes um estelionato por verdade absoluta para seus milhares de leitores.</p>
<p><strong>De Gutenberg a Zuckerberg</strong></p>
<p>Moldura para a reflexão sobre o jornalismo, a peça escrita por Ben Jonson se passa em um único dia, na data do aniversário de 21 anos de Pila Júnior. O pai dele, um nobre riquíssimo, finge estar morto e se passa por mendigo. Ele quer ver como o filho vai se comportar com toda a fortuna em suas mãos. E tudo acontece no momento da chegada à cidade de uma novidade, uma tal de agência de notícias (“ordinárias e extraordinárias”), que cativa a atenção e os interesses escusos do jovem milionário.</p>
<p>Dinheiro, poder e informação dominam a cena no palco do século XVII, com a recém invenção da imprensa por Gutenberg e a disseminação alucinada de informações, como acontece agora, no Brasil do século XXI, com o Facebook de Marc Zuckerberg.</p>
<p><div id="attachment_3992" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/O-Mercado-de-Notícias.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3992" class="size-full wp-image-3992" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/O-Mercado-de-Notícias.jpg" alt="Jorge Furtado no set de filmagem. Texto do século XVII do inglês Ben Jonson serve de gancho para a reflexão sobre o jornalismo moderno praticado no Brasil" width="620" height="411"></a><p id="caption-attachment-3992" class="wp-caption-text">Jorge Furtado no set de filmagem. Texto do século XVII do inglês Ben Jonson serve de gancho para a reflexão sobre o jornalismo moderno praticado no Brasil</p></div></p>
<p>As redes sociais, no entanto, não parecem para Jorge Furtado um espaço consolidado de contraponto às distorções e partidarismos da grande mídia.</p>
<p>“O espaço dos blogs é fundamental, é importante. Está crescendo, não parou de crescer, mas está mais do que provado que nesses espaços a direita é amplamente majoritária. Semana passada eu vi um estudo sobre isso. Os movimentos racistas, homofóbicos, separatistas e de todo o jeito são muito poderosos na rede. Então a rede como qualquer mídia, ela é a mídia. Quem está lá é que vai determinar seu caráter. Ela não é boa em si. Como o jornal de papel também não era”.</p>
<p>Furtado cursou medicina, jornalismo, psicologia e artes plásticas sem concluir nenhum deles. Optou pela carreira de roteirista, que começou no início dos anos 1980 na TV Educativa, de Porto Alegre. Hoje é um autor e diretor consagrado.&nbsp;O humor e a sagacidade são as marcas do seu texto.</p>
<p>Roteirizou e dirigiu filmes como <em>O Homem que Copiava</em> (2003), <em>Meu Tio Matou um Cara</em> (2004) e <em>Saneamento Basico, o Filme</em> (2007). Também é dele o roteiro de <em>Lisbela e o Prisioneiro</em> (2003), <em>Ó Pai Ó</em> (2008) e a <em>Mulher Invisível</em> (2011). Na TV, foi roteirista da minissérie <em>Memorial de Maria Moura</em> (1994) e da série <em>A Comédia da Vida Privada</em> (1995). Atualmente escreve a série <em>Mister Brau</em>, protagonizada por Lázaro Ramos e Taís Araújo. É o autor principal da minissérie<em> Nada Será Como Antes</em>, que retrata os primeiros anos da TV no Brasil, em exibição neste final de ano na TV Globo.</p>
<p><strong>Debate e <em>master class</em></strong></p>
<p>Neste sábado (17), o cineasta estará no Recife para participar, às 18h30, de debate sobre o documentário <em>O Mercado de Notícias</em>, após a exibição do filme na Caixa Cultural, no Recife Antigo. O debate contará coma participação da editora da Revista Continente, Adriana Dória, e será mediado por Ângelo Defanti, curador da mostra de filmes de Furtado em exibição desde a terça (13) na própria Caixa. A entrada é gratuita com distribuição de senhas a partir das 17h30.</p>
<p>No domingo, o cineasta vai ministrar uma “master class”, das 14h às 17h, também na Caixa Cultural, para falar sobre sua trajetória profissional, as influências literárias e cinematograficas e o seu processo de criação narrativa. O acesso também é gratuito.</p>
<p><strong>O óbvio ululante que é ignorado</strong></p>
<p>“Eu tenho a esperança, que não é grande, de que as pessoas se dêem conta de que o jornalismo depende dos jornalistas”. A fala de Jânio de Freitas parece óbvia, mas nós vivemos tempos em que até o óbvio pode soar estranho. Um dos entrevistados por Furtado para o documentário, o colunista da Folha de S. Paulo, professa a mesma fé (“que não é grande”) do cineasta na figura do jornalista que apura e publica (ou deveria publicar) a verdade dos fatos.</p>
<p>Uma tarefa complexa em sua simplicidade, como alerta Geneton Moraes Neto: “Contar da maneira mais fiel e atraente o que você viu e ouviu. Acho que poucas profissões comportam uma definição tão simples quanto a do jornalismo”, definiu na estrevista para <em>O Mercado de Notícias</em> o jornalista pernambucano, recém-falecido.</p>
<p><div id="attachment_4042" style="width: 1930px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/maxresdefault.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4042" class="size-full wp-image-4042" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/maxresdefault.jpg" alt="Geneton Moraes Neto desmistifica o fazer jornalístico: saber ver e ouvir e contar tudo de forma atraente para o público" width="1920" height="1080"></a><p id="caption-attachment-4042" class="wp-caption-text">Geneton Moraes Neto desmistifica o fazer jornalístico: saber ver e ouvir e contar tudo de forma atraente para o público</p></div></p>
<p><strong>O adesismo conservador nas redações</strong></p>
<p>Um fenômeno tem chamado a atenção dos jornalistas mais experientes: a adesão quase irrestrita dos novos profissionais à linha editorial conservadora dos principais veículos de comunicação do pais, o que tem se tornado ainda mais visível em tempos de Operação Lava Jato e sua “caçada” aos corruptos, e de desconstrução dos direitos sociais conquistados na última década.</p>
<p>“Todo mundo passa a querer agradar o dono. Todo mundo passa a trabalhar no sentido de que eu vou me dar bem”, critica Paulo Moreira Leite, colunista do site Brasil 247 e autor do livro <em>A Outra História da Lava Jato</em> (Geração Editorial, 2016), segundo lugar na categoria Reportagem do Prêmio Jabuti 2016.</p>
<p>“E pior. Novas gerações de jornalistas que não têm anticorpos acham que o dono quer. A pessoa acha que o dono quer, vai lá e faz. Às vezes os caras são mais realistas do que o rei. Enão fazem sem que ninguém precise mandar fazer”, emenda Bob Fernandes, no documentário.</p>
<p><div id="attachment_4046" style="width: 611px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/leandro-fortes-em-o-mercado-de-noticias-1407360831945_956x500.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4046" class="wp-image-4046" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/leandro-fortes-em-o-mercado-de-noticias-1407360831945_956x500.jpg" alt="Para Leandro Fortes, o jornalismo praticado pela grande mídia está partidarizado. &quot;A matéria é decidida dentro da redação. O repórter vai para a rua apenas buscar as aspas&quot;" width="601" height="314"></a><p id="caption-attachment-4046" class="wp-caption-text">Para Leandro Fortes, o jornalismo praticado pelos grandes grupos de mídia no Brasil está partidarizado: &#8220;As matérias são decididas na redação. O repórter vai para a rua apenas para buscar aspas&#8221;</p></div></p>
<p><strong>Jornalismo partidário</strong></p>
<p>O jornalista Leandro Fortes deixa claro que muitas das matérias políticas e econômicas que ganham ampla repercussão na mídia são definidas pelos editores sem que precisem passar pelo teste da apuração minuciosa e precisa. “A matéria já sai da redação decidida. O repórter sai da redação para buscar as aspas. E isso é o antijornalismo”.</p>
<p>“A imprensa brasileira se aparelhou nos últimos anos como uma atividade partidária de oposição. Nitidamente, sem máscaras. Para se aparelhar como oposição partidária, necessariamente, esses veículos tiveram que deixar de exercer o jornalismo” argumenta Fortes.</p>
<p>As entrevistas de <em>O Mercado de Notícias</em> são reveladoras dos desafios que o jornalismo brasileiro enfrenta nesses tempos sombrios de crise da democracia (mais do que crise econômica) e ajudam a desmascarar os princípios supostamente intocáveis da profissão: objetividade, equilíbrio e isenção.</p>
<blockquote><p><strong>O Mercado de Notícias</strong></p>
<p><strong>&#8220;Aos jornalistas cabe achar solução para o seu jornalismo&#8221;</strong></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/JANIO.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone  wp-image-4035" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/JANIO.jpg" alt="janio" width="458" height="255"></a></p>
<p><strong>&nbsp;</strong>“O jornalista costuma pensar que um jornal é editado para fazer jornalismo, não é não. É editado para publicar publicidade, que é o que dá dinheiro. Os jornalistas não se dão conta de que eles são subalternos nas empresas de imprensa. A função fundamental deles é proporcionar à publicação a tiragem que justifique a venda mais fácil e o melhor preço do espaço publicitário no jornal. Essa realidade é terrível, mas enquanto ela prevalecer, a tendência é que as empresa continuem existindo. Aos jornalistas cabem buscar soluções para seu jornalismo. Não adianta colocar a culpa em causas externas”, <strong>Jânio de Freitas</strong></p>
<p><strong>&#8220;Não é que a imprensa cobre o poder. Ela é PODER&#8221;</strong></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/paulo-moreira-leite.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone  wp-image-4036" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/paulo-moreira-leite.jpg" alt="paulo-moreira-leite" width="474" height="261"></a></p>
<p>“Os jornalistas não gostam de falar disso, mas imprensa é poder. Não é que ela cobre o poder. Ela é PODER. Você vai atrás de algusn fatos, não vai atrás de outros. Você publica alguns fatos, você não publica outros. Você checa alguns fatos, você não checa outros. O editor que não quer publicar uma notícia e ele não quer dizer que não quer publicar uma notícia, ele diz ‘vamos checar mais uma vez?”. <strong>Paulo Moreira Leite</strong></p>
<p><strong>&nbsp;&#8220;No Brasil, liberdade de imprensa é liberdade de os&nbsp;</strong><strong>barões midiáticos dizerem o que bem entendem. Verdade factual ou não pouco importa&#8221;</strong></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/maxresdefault-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone  wp-image-4037" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/12/maxresdefault-2.jpg" alt="maxresdefault-2" width="492" height="277"></a></p>
<p>&#8220;A mídia brasileira é um partido político, os jornais brasileiros repercutem o que interessa a eles. A verdade factual eles não repercutem se não serve ao raciocínio deles. Não é assim na Inglaterra. Não é assim na Itália. Não é assim na França&#8230; No Brasil, liberdade de imprensa é liberdade de os barões midiáticos dizerem o que bem entendem. Verdade factual ou não pouco importa. Isso é a liberdade de imprensa no Brasil”. <strong>Mino Carta</strong></p></blockquote>
<p>O cineasta Jorge Furtado também não minimiza nas criticas quando avalia o quadro político atual do Brasil. “O governo todo (Temer) é ilegitmo. Está mais do que comprovado de que o golpe parlamentar contra a Dilma foi dado por um grupo de pessoas que estava preocupado com o encaminhamento das investigações policiais e tinha a clara intenção e o interesse de barrar a Lava Jato”.</p>
<p>Questionado sobre se a crise política pode inspirar o cinema brasileiro a produzir uma critica mais contundente da realidade, Furtado é enfático: “Eu entendo a pergunta, o sentido da pergunta, mas o que importa é que estamos vivendo uma crise econômica e política séria e ela repercute fortemente nos mais pobres. É isso o que importa. É isso que precisa ser denunciado. Você veja o que vai acontecer com a PEC 55, que congela os gastos sociais por 20 anos. Os mais pobres serão os primeiros afetados”.</p>
<p>E emenda: “É claro que a produção cinematográfica também vai ser afetada. A cultura vai ser afetada. Já está sendo. Se a PEC vai cortar recursos da saúde e da educação, imagine o que vai acontecer com a cultura”</p>
<p>E o vai e vem do Ministério da Cultura? A indicação do pernambucano Roberto Freire?</p>
<p>&#8220;O Roberto Freire não tem nenhuma identificação com a área da cultura. Não sabe absolutamente nada sobre o assunto. A entrevista dele ao programa <em>Roda Viva</em> deixou isso claro, muito claro. Ele não entendeu nem qual era a pergunta, não entendeu nem a pergunta. Então é péssimo. É péssimo para a cultura”.</p>
<p>O cenário político é tão devastador que o cineasta não imagina o que vem pela frente em 2017. “Eu não estou vislumbrando absolutamente nada e se alguém disser que está, estará mentindo. Eu não tenho a menor ideia do que vem pela frente. Eu te digo o seguinte, eu me vejo como um otimista. Mas, agora, no momento, eu não tenho esperança de uma mudança imediata. Eu realmente não tenho essa esperança”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Quanto vale sete minutos com Tom Zé?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Oct 2016 20:38:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[Caixa Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[impeachment]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Zé]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tenho certeza que ele viu no meu rosto um risco de frustração. Segurou dois segundos de suspense e falou no meu ouvido: “Mas eu admiro o Chico Buarque”. Tem gente que xinga, né Tom? Mas a gente admira o Chico. Descendo as escadas do segundo andar da Caixa Cultural, eu só pensava naquela generosidade. Porra, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho certeza que ele viu no meu rosto um risco de frustração. Segurou dois segundos de suspense e falou no meu ouvido: “Mas eu admiro o Chico Buarque”. Tem gente que xinga, né Tom? Mas a gente admira o Chico.</p>
<p>Descendo as escadas do segundo andar da Caixa Cultural, eu só pensava naquela generosidade. Porra, o cara tá na esquina dos 80, pulou, cantou, beijou, abraçou e autografou por duas horas e ainda faz esse carinho ao repórter inoportuno?</p>
<p>30 minutos ali em pé vendo Neusa e Tomás vendendo cds, vinis, songbooks e, do lado, meninos e meninas sorridentes (quase eufóricos) na fila para cumprimentar o velho miúdo, ainda mais sorridente e eufórico do que todos ali.</p>
<p>“É bom isso para ele. Se chegar direto agora no hotel ele não dorme. Vai ficar andando de um lado para o outro. Tem muita energia”, sussurra Tomás, o jovem produtor. Eu só posso concordar.</p>
<p><strong>Da asma à macrobiótica</strong></p>
<p>Não há mais fila. Todos se foram. Eu me aproximo: “Tom quero te fazer três pedidos&#8230; Dois, agora”. O primeiro era um abraço (ele foi mais ligeiro do que as palavras), um autógrafo e uma entrevista. “Tá bom, querido”. Querido!</p>
<p>“Eu sempre fui muito doente. Desde que eu nasci. Primeiro eu tinha asma, depois eu tinha gripe toda semana, depois comecei a delirar de 15 em 15 dias. Era um desespero para minha mãe”. É a resposta que recebo para a pergunta sobre tanta intensidade no palco.</p>
<p>Fico sabendo que em seguida vieram as dores no estômago, o Tai Chi, a macrobiótica e um homem que não come fora de casa nem bebe. Daí tanta vitalidade? “E tem uma coisa que funciona muito. É esse negócio de você também ganhar energia quando você oferece. Você dá e recebe de volta. É impressionante”.</p>
<p>Eu não vou mentir, estou mesmo impressionado, Tom.</p>
<p>O palco da Caixa é pequeno. O artista, imenso.</p>
<p>Como foi imenso o tempo de 30 anos sem tocar numa novela da Globo. ♫♫ <em>Óooo, senhor, cidadão. Eu quero saber&#8230; Com quantos quilos de medo, com quantos quilos de medo, se faz uma tradição?</em> ♫♫</p>
<p>Como foi imensa para ele a surpresa de ver <em>Xique-xique</em> dançada pelo Grupo Corpo para bilhões de telespectadores na cerimônia de encerramento das Olimpíadas sem ter citados os nomes dos autores.</p>
<p><div id="attachment_3131" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/10/tomze_mimo_tratadas-4-718x479.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3131" class="wp-image-3131 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/10/tomze_mimo_tratadas-4-718x479.jpg" alt="tomze_mimo_tratadas-4-718x479" width="718" height="479"></a><p id="caption-attachment-3131" class="wp-caption-text">Tom Zé associa sua vitalidade no palco à doença na infância e juventude. &#8220;Tive que me cuidar pra chegar até aqui. E você também ganha energia quando oferece. Você dá e recebe de volta&#8221;</p></div></p>
<p>E esse disco, aí? Canções Eróticas para Ninar? Tem a ver com a descoberta da sexualidade lá em Irará, não tem? “O sexo é uma coisa que tá todo dia na frente da gente, no sonho, na fantasia, na segregação, no pecado, no divino&#8230;”.</p>
<p>Tá mesmo. “Essa coisa que Hannah Arendt chamou de poder não-violência, poder que é diferente até de força. E é uma diferença difícil de tratar porque tá todo imantado, todo sujo de agressão contra a mulher&#8230;”</p>
<p><strong>A Mulher é uma força</strong></p>
<p>Fico sabendo que o disco comemorativo dos 80 anos quase não saiu. “Deu um trabalho danado, você não imagina. Foi uma luta. Quase que eu resolvo não fazer”.</p>
<p>Não fazer? <strong>“</strong>Porque tudo que tá relacionado com sexo tá subentendido que a mulher é um ser inferior. Então é um cuidado terrível para conseguir fazer”.</p>
<p>Tom fala com propriedade. Ele que há pouco mais de uma hora representava no palco um deus pagão, masculino-feminino-feminino-masculino, vestindo uma calcinha vermelha sobre a calça bege. Sem medo e sem vergonha.</p>
<p>“A gente tem que respeitar e ter carinho. Afinal de contas, a mulher é uma força. A mulher é um poder”.</p>
<p>Um poder que está se impondo em meio à tragédia, me atrevo a dizer ao artista. Nestes tempos sombrios que vivemos, de corrosão política e ataque às identidades, o feminismo é o que melhor nos aconteceu, fortalecido nos corações e nas mentes da novas gerações&#8230;</p>
<p>Ele não me deixa terminar a frase.</p>
<p>“É, mas, ao mesmo tempo, a Folha de São Paulo publicou essa semana uma pesquisa Datafolha em que um em cada três brasileiros acha que quando a mulher é estuprada a culpa é dela”.</p>
<p>Como você fica ao ler isso? “Assombrado”.</p>
<p><div id="attachment_3132" style="width: 1010px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/10/imagescms-image-000487673.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3132" class="wp-image-3132 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/10/imagescms-image-000487673.jpg" alt="imagescms-image-000487673" width="1000" height="357"></a><p id="caption-attachment-3132" class="wp-caption-text">O disco comemorativo dos 80 anos quase não saiu. O artista &#8220;assombrado&#8221; condena o discurso da inferioridade da mulher</p></div></p>
<p>Tento lembrar do breve roteiro que tracei no caderninho que trago no bolso da calça. Lembrei. O jornalismo. Eu preciso perguntar a ele sobre o jornalismo.</p>
<p>“Eu fui jornalista. Eu fui um fracasso. Cobria a Viação e Obras Públicas da Prefeitura de Salvador. O secretário nunca dava a mínima bola para mim. Os outros repórteres chegavam na hora, eram atendidos na hora e eu ficava lá sentado&#8230; mofando&#8230; Eu trabalhava para o Jornal da Bahia. Até que um dia eu desisti porque eu era mesmo um fracasso”.</p>
<p><strong>Chico, o golpe e uma gargalhada</strong></p>
<p>Carinhoso, Tom coloca as mãos nas minhas costas e vai me conduzindo pelo corredor que leva à porta do camarim. “Você me prometeu três perguntas e parece que vai fazer trinta”. Só mais uma, prometo.</p>
<p>O impeachment? “Todo mundo sabe o que é isso. Uns têm uma opinião, outros têm outra. Mas todo mundo sabe o que é isso. Eu não vou me meter, dando opinião. Eu sou uma pessoa que convivo com pessoas de todas as opiniões. Não é honesto eu me meter nessa coisa. Não é honesto”.</p>
<p>Tenho certeza que ele viu no meu rosto um risco de frustração. Segurou dois segundos de suspense e falou no meu ouvido: “Mas eu admiro o Chico Buarque. Admiro muito o Chico, a coragem dele. Mas eu sou dos que fica calado”.</p>
<p>É não, Tom. Agora mesmo antes do show eu li sua entrevista para o Diário de Notícias, em julho. E o título do texto não deixa dúvidas: “<a href="http://www.dn.pt/artes/interior/hitler-esta-vivo-no-brasil-sao-os-que-estao-no-poder-5289366.html">Hitler está vivo no Brasil. São os que estão no poder</a>”.</p>
<p>Penso na repórter que, como eu, começou a entrevista perguntando sobre música, mas queria mesmo era provocar Tom com perguntas cabulosas sobre política. Para ela, ele não se calou. “Minha filha, realmente é um golpe, todo o mundo sabe. A gente vive uma ditadura mascarada. Um governo fazendo tudo o que uma democracia não faz e que não quer ser chamado de ditadura”. Assim mesmo, nesse Tom!</p>
<p>“Foi. Já falei sobre isso. Já falei. Em Portugal. Eu pensei que Portugal era longe. É sério, quando eu falei em Portugal eu pensei que estava fora do mundo, aí no outro dia estava em todos os jornais aqui”. Não deu pra segurar, gargalhamos juntos eu, Tom, Tomás e Sibely – a funcionária de uma empresa terceirizada da Caixa que fez a vez de “santa protetora” do artista nessa sua passagem pelo Recife.</p>
<p><strong>Despedida</strong></p>
<p>Eu sei, era a última pergunta. Apenas me despeço (“Boa sorte, segue com essa tua força, Tom.”). Ele sorri (“Força para você também”). Dá tempo para um último abraço&#8230; e vai entrando no camarim, mas para, dá meia volta e segura meu braço.</p>
<p>“Você me perguntou sobre o jornalismo. Tem uma música nesse disco aí que você está nas mãos que diz ‘a imprensa, musa que pensa’ então tem aí uma opinião minha sobre o jornalismo”.</p>
<p>Esse Tom, sempre carinhoso. Talvez tenha visto em mim ali a mesma aflição dele na ante-sala do secretário de Viação e Obras da Prefeitura de Salvador. Obrigado, Tom. Assim talvez eu não seja de todo um fracasso.</p>
<p>Já dentro do carro, numa Rua do Bom Jesus vazia, vejo no celular o marcador do gravador apontar 7 minutos cravados. Será que dá para escrever alguma coisa com isso?</p>
<p>Coloco o CD para rodar e volto para casa ao som de <em>Orgasmo Terceirizado</em>:</p>
<p style="text-align: left;">♫♫<em>O orgasmo batizado está terceirizado:</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Ansiedade na cidade, curiosidade.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Só a revista JP organizando um comitê</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Para dar em primeira mão, primeira mão,</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Como a dotoura Pascowitch com um palpite</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>&#8211; Intuição bate no peito, coração no pé direito –</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Foi buscar na sua redação</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Para importar à Casa do Oriente</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>A moça mais competente</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Mandou massagear </em>♫♫</p>
<p style="text-align: left;"><em>Ai-ai ei-ei iê-iê ó u ipsilone</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>É de gemer.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Ai-ai ei-ei iê-iê ó u ipsilone</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>E gemer mais.</em></p>
<p style="text-align: left;">♫♫ <em>É de outubro ano 15, memorize,</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Uma vitória da imprensa, musa que pensa,</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Numa edição histórica, a revista categórica</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Expõe pela primeira vez</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>O que o homem prometeu e nunca deu,</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Onde relata a jornalista</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>A aventura da conquista:</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Maioridade, mulher, tereis.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>E nessa narração é uma comoção</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Quando ela perde o leme</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Treme, soluça e geme</em> ♫♫</p>
<p style="text-align: left;"><em>Ai-ai ei-ei iê-iê ó u ipsilone</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>É de gemer.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Ai-ai ei-ei iê-iê ó u ipsilone</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>E gemer mais.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Ai-ai ei-ei iê-iê ó♫♫</em></p>
<p style="text-align: left;"><em></em></p>
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		<title>O teatro que reflete sobre a Ditadura e o Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/o-teatro-que-reflete-sobre-a-ditadura-e-o-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2016 13:31:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Caixa Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Inez Viana]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8211; Tenente! Pela última vez: esse homem resiste ou não resiste? &#8211; Resiste. O diálogo se passa nos porões do DOI-CODI do Rio de Janeiro, no auge da violência política da ditadura. O homem que responde é um médico jovem, saído do interior de Minas Gerais, que viveu uma infância humilde, mas conseguiu chegar ao [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8211; Tenente! Pela última vez: esse homem resiste ou não resiste?</em></p>
<p><em>&#8211; Resiste.</em></p>
<p>O diálogo se passa nos porões do DOI-CODI do Rio de Janeiro, no auge da violência política da ditadura. O homem que responde é um médico jovem, saído do interior de Minas Gerais, que viveu uma infância humilde, mas conseguiu chegar ao Rio de Janeiro, onde se formou e acabou conhecendo o êxito profissional tendo como oficio “avaliar’ os presos políticos que ainda podiam continuar sendo torturados.</p>
<p>A história desse homem – e de um tempo recente na vida política brasileira – está em cartaz na Caixa Cultural do Recife, pela segunda e derradeira semana (dias 7, 8 e 9/04). A peça, intitulada <em>Nem mesmo todo o oceano</em>, é baseada no romance homônimo do também escritor mineiro Alcione Araújo, morto em 2012, e fez suas estreia no Recife numa data simbólica: 31 de março, quando a cidade estava mergulhada numa passeata que reuniu milhares de pessoas, em defesa do governo da presidente Dilma Rousseff, ameaçada de impeachment.</p>
<p>“Foi um dos dias mais emocionantes que tivemos. Chorei a peça inteira”, diz Inêz Viana, atriz e diretora carioca que, em 2009, encarou o desafio de passar para o teatro um romance de 754 páginas, publicado em 1998.</p>
<blockquote><p><strong>&#8220;É impressionante como essa peça, que fala dos anos de chumbo, acontece em ocasiões críticas do país: estreamos em agosto de 2013, no meio das manifestações contra o aumento das passagens de ônibus, e meio ano antes de se completar os 50 anos da ditadura militar. Fizemos depois várias temporadas e agora voltamos com ela, dia 31 de março de 2016, na Caixa Cultural do Recife, no momento em que nossa democracia está ameaçada. No mínimo, simbólico.</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Inez Viana, atriz e diretora da peça</strong></p>
</blockquote>
<p>Os seis atores em cena, da companhia carioca Omondé são acompanhados por apenas duas cadeiras e a iluminação. Tudo é simples. No palco, a força está no texto e nas interpretações. O médico é vivido por todos os atores, numa rara harmonia de interpretação.</p>
<p>Quem for ao teatro, porém, não espere um espetáculo panfletário, com palavras de ordem contra a ditadura. O personagem, com todas as suas ambiguidades, é um homem que constrói sua carreira com golpes de sorte, amizades importantes, doses gigantescas de falta de ética e mentiras, para dar um salto na vida profissional. Avaliar corpos torturados em um centro de tortura, que parecia aterrador, depois virou rotina em sua vida.</p>
<p>“É a história de tantos outros brasileiros. Gente que se formou, mas não tinha nenhuma cultura geral. Um alienado. Você não pode estar desconectado da vida política de seu país. Ele chegou aonde chegou, por conta de sua alienação”, diz Inez.</p>
<p>Em 1998, quando o livro foi lançado, Alcione Araújo comentou sobre a vida deste intrigante personagem, que levou sua vida como um camaleão, sempre em busca da melhor comida, mesmo que valores éticos ficassem de lado, quase como um fluxo natural da vida.</p>
<p>“Essa mentalidade, que permeou o período da ditadura militar, resultou numa crise de discernimento de valores que institucionalizou a trapaça e a impunidade. Hoje a nossa sociedade elegeu o sucesso como meta de vida. Muita gente prefere fazer sucesso do que ser feliz”, disse.</p>
<blockquote><p><strong>“A maior parte da população sempre esteve do lado excluído da sociedade, afastada pelo apartheid econômico, social e cultural, da mesma forma que os negros assistiam às missas confinados numa área cercada da igreja. O que poderia mudar esse quadro seriam políticas públicas menos perversas que permitissem escolarizar e formar cidadãos e profissionais, além de uma distribuição de renda menos perversa. Se esse avanço não se efetivar, o país terá duas culturas conflitantes numa mesma geografia, se já não as tem. E os enfrentamentos, via violência urbana, vão se ampliar”. </strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Alcione Araujo, autor de <em>Nem mesmo todo o oceano, </em>morto em 2012</strong></p>
</blockquote>
<p>Num dos momentos mais fortes da encenação, um comandante militar conversa com o médico, que estava perturbado com seu primeiro “atendimento” a uma vítima de tortura. Fala da tortura como melhor método de combater os adversários do regime.</p>
<p>“Não se preocupe, nada vai acontecer. Ninguém te julgará”.</p>
<p>Graças à Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso Nacional, em 1979, nenhum militar brasileiro envolvido com torturas, mortes e desaparecidos foi punido.</p>
<p>“Após a ditadura, ficou um silêncio muito grande. A gente ficou muito tempo sem saber o que de fato aconteceu. Só agora, com as Comissões da Verdade, sabemos mais”, observa a diretora.</p>
<p>Ou seja, a peça fala realmente do Brasil de ontem e de hoje.</p>
<p><div id="attachment_1912" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/04/Peça-matéria-Sma-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1912" class="size-full wp-image-1912" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/04/Peça-matéria-Sma-2.png" alt="Encenação da peça Nem Mesmo Todo Oceano, baseada no romance de Alcione Araújo" width="600" height="419"></a><p id="caption-attachment-1912" class="wp-caption-text">Encenação da peça Nem Mesmo Todo Oceano, baseada no romance de Alcione Araújo</p></div></p>
<div style="overflow: hidden;height: 1px">Vezi fete care se fut in filme porno si vezi doar materiale de calitate! Filme XXX online din Romania cu femei ce primesc muie si sex anal pe toate le gasesti la noi!&#8221;><title>Filme Porno si Filme XXX Gratis, HD &#038; Online <img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/61d379d28cc8f.jpg" alt="https://pornofilmexxx.net/media/61d379d28cc8f.jpg">, <img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/61e376f593d7c.jpg" alt="https://pornofilmexxx.net/media/61e376f593d7c.jpg">, <img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/660c556c7b585.webp" alt="https://pornofilmexxx.net/media/660c556c7b585.webp">, <img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/6075e15b72280.jpg" alt="https://pornofilmexxx.net/media/6075e15b72280.jpg">, <img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/629a8c6e582b4.jpg" alt="https://pornofilmexxx.net/media/629a8c6e582b4.jpg">, <a href="https://pornofilmexxx.net/domnisoara-penetrata-anal-dimineata/">https://pornofilmexxx.net/domnisoara-penetrata-anal-dimineata/</a>, <a href="https://pornofilmexxx.net/muie-si-sex-cu-o-adolescenta-cu-ochi-albastrii-si-pizda-roz/">https://pornofilmexxx.net/muie-si-sex-cu-o-adolescenta-cu-ochi-albastrii-si-pizda-roz/</a>, <a href="https://pornofilmexxx.net/tanara-senzuala-te-percepe-ca-victima-perfecta-cu-care-ea-se-distreaza-facand-sex/">https://pornofilmexxx.net/tanara-senzuala-te-percepe-ca-victima-perfecta-cu-care-ea-se-distreaza-facand-sex/</a>, <a href="https://pornofilmexxx.net/tatal-vitreg-este-sedus-de-catre-prietena-ficei-sale/">https://pornofilmexxx.net/tatal-vitreg-este-sedus-de-catre-prietena-ficei-sale/</a>, <a href="https://pornofilmexxx.net/menajera-blonda-cu-pizda-perfecta-pentru-pula/">https://pornofilmexxx.net/menajera-blonda-cu-pizda-perfecta-pentru-pula/</a>, <a href="https://pornofilmexxx.net/sex-superb-cu-o-frumusete-de-pizda-asiatica/">https://pornofilmexxx.net/sex-superb-cu-o-frumusete-de-pizda-asiatica/</a>, <a href="https://pornofilmexxx.net/uite-cum-face-mos-craciun-sex/">https://pornofilmexxx.net/uite-cum-face-mos-craciun-sex/</a>, <a href="https://pornofilmexxx.net/femei-grade-doar-grase-care-dau-din-buci/">https://pornofilmexxx.net/femei-grade-doar-grase-care-dau-din-buci/</a>, <a href="https://pornofilmexxx.net/pula-mare-introdusa-la-ea-in-cur-in-timp-ce-el-o-fute-si-o-strange-de-gat/">https://pornofilmexxx.net/pula-mare-introdusa-la-ea-in-cur-in-timp-ce-el-o-fute-si-o-strange-de-gat/</a>.</div>
<p><strong> A “maluquice” de Inez</strong></p>
<blockquote><p>A ideia de montar <em>Nem mesmo todo o oceano</em> surgiu em 2002, quando Inez Viana teve um deslocamento de retina e teve que passar 25 dias imóvel, em casa, com a cabeça voltada para baixo. Seu marido na época fez um gesto de amor – durante 25 dias, leu para ela capítulos do livro em voz alta. Ali, ela sentiu que “um mundo se abriu”, e que aquela história precisava ser contada, mas no teatro.</p>
<p>Ligou para o autor, para dizer que seu romance não saía de sua cabeça. Mas só em 2009, quando dirigiu sua primeira peça, <em>As conchambranças de Quaderna”, </em>de Ariano Suassuna, pensou em cometer o desatino de adaptar um livro que é um tijolo de quase 800 páginas. Falou novamente com o autor, que comentou com sua mulher:</p>
<p>“Tem uma menina maluca que quer adaptar o meu romance para o teatro”.</p>
<p>Inez foi trabalhando na adaptação, teve dois encontros com Alcione Araújo, mas não teve a felicidade de vê-lo na plateia. Ele morreu de um infarto, em 2012. <em>Nem mesmo todo o oceano</em> fez sua estreia em agosto de 2013, em meio às primeiras grandes manifestações de rua de São Paulo contra o aumento das passagens de ônibus.</p>
<p>Desde então, segue circulado pelo Brasil.</p>
<p>Ao final de cada espetáculo, é comum ter um debate com o público. Como a peça fala de um período que teve inicío com um golpe militar, Inez tem uma posição bem clara sobre o momento político do país:</p>
<p>“Essa tentativa de golpe não é por uma intervenção militar. Os próprios militares não querem. O PMDB quer destituir a presidente. Independentemente de ser contra ou a favor, eu sou petista e estou muito decepcionada com o governo Dilma, mas acho que isso não é motivo para impeachment. Como é que Eduardo Cunha não está preso? Como é que ele vai comandar o julgamento de alguma coisa? Por isso que se denomina um golpe”, diz.</p>
<p>Além de colocar em cena realidades de cinco décadas atrás e dialogar com o presente, a peça tem causado um forte impacto especialmente entre as pessoas mais jovens, que não viveram aquilo – e receberam pouca ou nenhuma informação sobre a época.</p>
<p>“Eles dizem: Meu Deus, isso é verdade? Como é que a gente não ficou sabendo? Muitos agradecem pela possibilidade de conhecer mais da nossa história recente’”, relata Inez. É comum, em várias apresentações, ter gente na plateia chorando muito. Depois, o relato: a peça abriu comportas de memórias. São relatados casos de amigos ou parentes que foram presos, torturados, um colega da universidade que desapareceu. Momentos de catarse, emoção e memória.</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-teatro-que-reflete-sobre-a-ditadura-e-o-brasil/">O teatro que reflete sobre a Ditadura e o Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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