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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>O que propõem Raquel e Marília para enfrentar violência contra mulheres, crianças e pessoas trans</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Oct 2022 19:06:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em época de eleições, o combate à violência é um dos temais mais debatidos durante as campanhas. É uma pauta valorizada porque é um problema grave, principalmente em Pernambuco, estado que se sobressai com destaque negativo. O monitoramento da Rede de Observatórios da Segurança Pública, que reúne várias entidades que trabalham com o tema, colocou [&#8230;]</p>
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<p>Em época de eleições, o combate à violência é um dos temais mais debatidos durante as campanhas. É uma pauta valorizada porque é um problema grave, principalmente em Pernambuco, estado que se sobressai com destaque negativo. O monitoramento da Rede de Observatórios da Segurança Pública, que reúne várias entidades que trabalham com o tema, colocou Pernambuco como o estado com mais feminicídios entre os monitorados pela Rede no Nordeste. Também foi o estado com mais transfeminicídios entre os sete estados da Rede, com 13 assassinatos.</p>



<p>Para as crianças e adolescentes, o estado também tem números preocupantes no relatório. Foi pelo segundo ano seguido o estado mais letal para os jovens com menos de 18 anos, com o registro de 73 homicídios.</p>



<p>Para a pesquisadora Dália Celeste, que integra a Rede, o estado deve propor medidas para evitar essas morte que, &#8220;por muitas das vezes já são anunciadas, pois o feminicídio é o último ciclo da violência contra as mulheres. Os governos têm de buscar melhorias para a insuficiência dos serviços públicos de atendimento, segurança e justiça, formação para evitar a negligência de profissionais que atuam nesses serviços, e a proteção da mulher de forma eficaz, criando redes em que não existam rompimentos nos equipamentos do Estado”, acredita.</p>



<p>Para a pesquisadora, há vários pontos em que o estado falha na proteção das vítimas. “Fatores como a não efetivação dos direitos previstos nos marcos legais, não implementação de serviços de atendimento especializados e políticas públicas, a aceitação e naturalização de hierarquias de gênero e raça e a banalização de uma série de violências anteriores pelas próprias instituições do estado concorrem para a continuidade de violências que estão nas raízes do feminicídio, como a doméstica e sexual, até o desfecho do crime. E também vale salientar o transfeminicidio que o estado nem reconhece como crime, ou seja, mas uma vez reforça a desumanização dessas identidades”, diz.</p>



<p>A Marco Zero solicitou às assessorias das duas candidatas posicionamento a respeito dos dados de Pernambuco em relação à violência contra mulheres, pessoas trans e a juventude. E o que pretendem fazer para enfrentar esses crimes, caso sejam eleitas. É um conjunto de propostas que fica também aqui registrado, para cobranças no futuro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que Raquel Lyra pretende fazer</strong></h2>



<p>A candidata Raquel Lyra (PSDB), que se mantém neutra na disputa presidencial, relacionou a violência à pobreza, lembrando que quase metade da população pernambucana vive com uma renda de até R$ 497 por mês. “A pobreza em Pernambuco tem cor, gênero e lugar: ela está mais concentrada nas periferias e no interior do estado e é maior entre mulheres, pretos e pardos. Uma população historicamente oprimida e subrepresentada”, afirmou a candidata, em nota, em que frisou a situação de pobreza também das crianças.</p>



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	                                        <p class="m-0">Raquel Lyra. Crédito: Américo Nunes</p>
	                
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<p>“Dados recentes mostram que uma em cada quatro crianças de até 6 anos em Pernambuco está em situação de extrema pobreza. Isso significa que essas crianças muito provavelmente não recebem a alimentação adequada. É uma realidade muito, muito cruel, principalmente porque os primeiros anos de vida são determinantes para o desenvolvimento físico, psíquico e cognitivo”, disse a candidata.</p>



<p>Para responder a esses desafios, a candidata tem propostas em várias frentes. “Não temos uma causa única para a violência e o olhar tem de ser multissetorial. É essa visão que vamos levar para o estado. Temos que agir em diversas frentes, protegendo de um lado, cuidando e gerando oportunidades de outro. Vamos valorizar, preparar, qualificar as polícias e resgatar o uso da inteligência, da tecnologia no enfrentamento do crime”, afirmou, sem especificar que tecnologias seriam essas.</p>



<p>Entre os projetos citados por Raquel Lyra, que não necessariamente combatem a violência diretamente, estão a abertura de 60 mil vagas em creches por todo o estado, com uma bolsa de R$ 300 para as mães com filhos de até 6 anos de idade, a abertura de restaurantes populares, com refeições a R$ 2 “por todo Pernambuco”, a criação de um programa de qualificação profissional e benefícios para estudantes do ensino méido de famílias de baixa renda.</p>



<p>Ao final da nota, é que Raquel Lyra fala em propostas mais diretas, como estruturar as Delegacias da Mulher de Pernambuco, para que possam funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana. “E dotá-las da capacidade de atender adequadamente os casos relativos à população LGBTQIA+. Combater toda forma de discriminação e intolerância”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Marília quer ampliar Delegacias da Mulher</h2>



<p>Marília Arraes, candidata do Solidariedade e que conta com apoio de Lula, afirmou em nota que “ a questão da violência contra a mulher, a população LGBTQIA+ e a juventude negra só se resolve com ações de prevenção aliadas à repressão” e que “é importante destacar que as questões relacionadas aos direitos humanos &#8211; incluindo as políticas voltadas à população LGBTQIA+ &#8211; são tratadas de forma transversal, integrando de forma estruturada e prioritária os programas em áreas como saúde, educação, geração de emprego e segurança”.</p>



<p>Para as delegacias, a proposta é implantar delegacias da Mulher nas cidades com os maiores índices de violência contra a mulher. “Onde já tiver, como Caruaru, vamos atuar para melhorar o atendimento. Também vamos criar a Delegacia da Mulher Itinerante, que vai passar uma semana em cada município, porque a subnotificação é muito grande”, informa a candidata.</p>



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	                                        <p class="m-0">Marília Arraes. Crédito: Tiago Calazans</p>
	                
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<p>Marília Arraes também propõe a criação de Núcleos de Atendimento à Mulher nas delegacias: cada delegacia terá um Núcleo, com profissionais capacitados para esse atendimento e equipe psicossocial integrada à delegacia. “O atendimento às mulheres deixará de ser realizado junto com as demais ocorrências. As mulheres vítimas de violência terão assistência da Defensoria Pública e da Secretaria da Mulher, além do atendimento policial. Elas contarão com suporte policial, jurídico e emocional num lugar”, propõe.</p>



<p>Há também propostas para a prevenção a longo prazo. Um deles é o programa Maria da Penha nas Escolas, “que vai atuar para desconstruir o machismo desde a infância. Meninos e meninas vão aprender quais tipos de violência contra a mulher a partir de 9 anos”, diz a nota.</p>



<p>Os profissionais da segurança pública, propõe a candidata, serão capacitados continuamente a cada três meses para melhorar a acolhida e o atendimento às ocorrências. As casas abrigo serão ampliadas: hoje há apenas quatro no estado. “Enquanto o agressor não for preso, a vítima ficará abrigada nessas unidades”, diz Marília.</p>



<p>Sobre a questão da juventude, Marília afirma que “em especial a (juventude) negra, acreditamos que a elevação dos indicadores sociais é uma medida que dialoga frontalmente com a violência. Precisamos criar oportunidades para os jovens mais vulneráveis e isso passa por um conjunto de políticas públicas, da educação à geração de emprego, da oferta de lazer, cultura e esporte à formação dos jovens para o mercado de trabalho.”</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></cite></blockquote>



<p></p>
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		<title>Pernambuco tem aumento de candidatas pretas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2020 22:11:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2020, as eleições municipais no estado de Pernambuco têm mais mulheres negras concorrendo aos cargos do legislativo do que há quatro anos. No pleito atual, 668 mulheres pretas e 3.329 pardas estão na disputa e representam, respectivamente, 10% e 49,86% das candidaturas de mulheres no estado. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram [&#8230;]</p>
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<p>Em 2020, as eleições municipais no estado de Pernambuco têm mais mulheres negras concorrendo aos cargos do legislativo do que há quatro anos. No pleito atual, 668 mulheres pretas e 3.329 pardas estão na disputa e representam, respectivamente, 10% e 49,86% das candidaturas de mulheres no estado.</p>



<p>Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o maior aumento se deu entre as mulheres que se autodeclaram pretas: em 2016, foram 440, cerca de 7,34% das mulheres naquela eleição. Entre as pardas, no pleito municipal anterior elas eram 2.893, 48,28% do total de candidatas.</p>



<p>A maioria da população brasileira é de mulheres e, nas eleições de 2018, foi eleita a maior bancada feminina da história no Congresso Nacional, com 84 integrantes. Mesmo assim, esse número representou apenas 15% das cadeiras. Desse percentual, 2% são ocupadas por mulheres negras. Nos municípios não é diferente.</p>



<p>Em 2016, segundo <a href="http://www.generonumero.media/mulheres-pretas-como-marielle-sao-menos-de-1-nas-camaras-de-vereadores-do-bras/">levantamento da Gênero e Número</a> a partir de dados do TSE, as mulheres negras eleitas no país somadas representavam 5%. As pretas mal chegavam a 1% das vereadoras eleitas.</p>



<p>É importante destacar que, de acordo com o TSE, as mulheres podem declarar a cor de acordo com a metodologia do IBGE &#8211; portanto, podem optar por se autodeclarar pretas e pardas. É a soma de pretas e pardas que corresponde à estatísticas de negras.</p>



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<p>Esse aumento pode ter vários significados. Nenhum deles, no entanto, está distante de uma articulação maior e anterior de movimentos negros e de mulheres negras. Após o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, em março de 2018, a presença de negras nos espaços de poder se tornou uma pauta da política nacional. Desde as últimas eleições, a ausência das minorias políticas é um tema que não só mobiliza eleitores, como provoca a sociedade a discutir o racismo estrutural e institucional.</p>



<p>Para a ativista Ingrid Farias, a maior presença de negras nas candidaturas e, ela espera, eleitas, é reflexo da maior organização para ocupar o poder por grupos e movimentos negros no Brasil. Ela chama esse processo de “mudanças da estética política” brasileira. &#8220;Temos nos últimos seis anos o fortalecimento da estética negra brasileira. O debate, por exemplo, da identidade racial no Brasil foi muito feito a partir da transição capilar de mulheres. Foi e tem sido fundamental para localizar essas mulheres numa cultura de se reconheceram, olharem para suas trajetórias, reconhecerem seus antepassados. Isso fortaleceu e fez com que muitas mulheres, como eu também, que se consideravam pardas e não se viam negras, se entendessem como negras. Eu vi isso acontecer com várias companheiras politizadas, feministas, mas que simplesmente não entendiam como o apagamento da identidade racial agia, mesmo dentro de espaços políticos”, explica.</p>



<p>Para ela, desde 2014, com a inserção de mais mulheres negras na política e a grande visibilidade que os mandatos delas tiveram, uma chave virou na percepção de eleitores e eleitoras. Primeiro, que mulheres negras podem ser eleitas para cargos políticos e, em segundo lugar, que é preciso ter mais delas nesses locais. &#8220;Tem um mapa de organizações negras no Brasil. Há milhares de organizações negras a mais do que 2014. As pessoas se perceberam negras e que ser negra tem um significado”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Por mais mulheres negras eleitas</h3>



<p>Em 2020, dentre diversas ações, duas iniciativas da sociedade civil organizada propõem dialogar com a sociedade sobre a importância de eleger pessoas negras, especialmente mulheres, com foco no Nordeste. A campanha<a href="http://euvotoemnegra.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Eu Voto em Negra</a> e o <a href="https://enegrecerapolitica.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Enegrecer a Política</a> nasceram com essa missão.</p>



<p>Ingrid Farias faz parte do Enegrecer a Política, movimento que pretende influenciar o contexto das eleições chamando atenção para a desigualdade de representação de pessoas negras na polícia institucional. Além disso, pretendem lançar um dossiê que fala sobre a participação de pessoas negras nas eleições de 2016. A iniciativa já está organizando um encontro nacional de candidaturas negras e tem realizado debates nas periferias sobre eleições.</p>



<p>Com foco na eleição de mulheres negras, a campanha Eu Voto Negra atua em Pernambuco e no Nordeste, e se dedica a fortalecer as candidaturas de mulheres que não vieram das tradicionais famílias de políticos nordestinos. Os desafios para elas são inúmeros, desde o financiamento de campanha até o dia do voto nas urnas. Mas Rosa Marques, socióloga e integrante da Rede de Mulheres Negras, acredita que há um avanço na população negra que, agora, compreende melhor a necessidade de ter representantes comprometidos com suas pautas.&#8221;A gente sabe que o IBGE já afirma em suas pesquisas que a população negra é de 56,2%, enquanto a população branca de 47,7%, mas até hoje quem se encontra nos processos de representatividade nesse país, seja na câmara de vereadores, seja no Senado e Câmara de Deputados são homens brancos, de classe média alta, de famílias historicamente oligárquicas”, argumenta.</p>



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	                                        <p class="m-0">Campanha Eu Voto Negra atua para incentivar candidaturas e o voto em mulheres negras no Nordeste. Foto: Eu Voto em Negra</p>
	                
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<p>Ela critica o modo como, em Pernambuco, essa mesma lógica se repete e reproduz. &#8220;É como aqui em Pernambuco, onde famílias têm o parlamento, a vereança como profissão, como carreira porque é algo que passa de pai para filho. Às vezes, o menino tem 5 anos, mas está sendo pensado para assumir a próxima eleição, seja qual for o cargo, independente da sua experiência, do que ele fez para sua cidade. Mais importante é seguir a carreira porque se manter no poder ajuda a controlar a economia do país. São essas criaturas que definem quem deve e quem não deve estar em condições de existência, a grosso modo”.</p>



<p>Segundo Rosa analisa, o aumento de candidaturas de pessoas negras é tanto um avanço como algo que acende um alerta. &#8220;É um avanço porque a população negra acordou e sabe que é preciso falar por elas mesmas. Para mim é positivo, mas ao mesmo tempo é inquietante porque essas pessoas negras que estão candidatas atualmente não vão ter os mesmos recursos que pessoas brancas têm, não vão ter o mesmo apoio do partido que as pessoas brancas recebem, não vão ter condições financeiras para colocar sua campanha na rua”, afirma.</p>



<p>Apesar disso, outras estratégias existem e estão muito próximas do que as mulheres negras candidatas já fazem, afirma Rosa. &#8220;Elas vão fazer o que sempre fizeram nas suas comunidades, dialogar tete a tete. E que bom que não tem o que oferecer em troca do seu voto, algo que é uma prática equivocada que nós temos aqui”, diz. A construção da política de uma forma diferente da praticada por partidos e oligarquias é o forte das candidaturas de mulheres negras.</p>



<p>A campanha é realizada pela Rede de Mulheres Negras, Casa da Mulher do Nordeste, Centro das Mulheres do Cabo, Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste e faz parte do projeto Mulheres Negras e Democracia, que teve início em 2019 e mapeou cerca de 80 pré-candidatas negras de dezenas de municípios do Nordeste. Além disso, o projeto realizou formações para qualificar as campanhas das pré-candidatas.</p>



<p></p>
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		<title>Antiproibicionistas: as candidatas feministas que querem a liberação das drogas</title>
		<link>https://marcozero.org/antiproibicionistas-as-candidatas-feministas-que-querem-a-liberacao-das-drogas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Oct 2018 18:25:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[adalgisas]]></category>
		<category><![CDATA[antiproibicionista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando Dilma Rousseff foi afastada da presidência em 2016, a então estudante Flávia Hellen começou a se interessar por política partidária. Quando Marielle Franco foi assassinada, em 14 de março deste ano, ela decidiu que era a hora de se candidatar. &#8220;Marielle era umamulher negra que ousou ocupar os espaços institucionais para levar a pauta [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://marcozero.org/projetoadalgisas/"><img decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-10049" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100"></a>Quando Dilma Rousseff foi afastada da presidência em 2016, a então estudante Flávia Hellen começou a se interessar por política partidária. Quando Marielle Franco foi assassinada, em 14 de março deste ano, ela decidiu que era a hora de se candidatar. &#8220;Marielle era umamulher negra que ousou ocupar os espaços institucionais para levar a pauta da mulher trabalhadora negra. Me identifiquei&#8221;, diz.</p>
<p>Natural de Paulista, na Grande Recife, Flávia Hellen é negra, feminista e antiproibicionista. Vê a luta pelo fim do atual modelo de luta contra as drogas como uma questão de sobrevivência para a juventude negra nas periferias brasileiras. &#8220;É um debate muito difícil, mas o preço de não se fazer esse debate é maior, principalmente para nós, mulheres negras. O ódio, o conservadorismo e o fundamentalismo vêm forte nessas eleições. Defender as pautas antiproibicionistas é central: a atual política de drogas e o proibicionismo são um dos inimigos da juventude e da classe trabalhadora negra. É o proibicionismo que arma os territórios e justifica a violência. É o proibicionismo que faz com que as mulheres estejam encarceradas com os filhos nos presídios&#8221;, diz Flávia, que sai candidata a deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores.</p>
<p><div id="attachment_10873" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10873" class="size-medium wp-image-10873" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/flaviahellen-300x200.jpg" alt="A candidata Flávia Hellen (PT). Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"><p id="caption-attachment-10873" class="wp-caption-text">A candidata Flávia Hellen (PT). Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Assim como Flávia, várias mulheres candidatas no Brasil colocam o antiproibicionismo na pauta de propostas feministas e antirracistas: Gabi Conde e Michelle Santos, ambas do Psol, são outras candidatas federais da causa aqui em Pernambuco. O alto número do encarceramento feminino pelo tráfico é o ponto convergente maisurgente entre a luta feminista e o antiproibicionismo.</p>
<p>Representante da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa), Ingrid Farias cita dados doDepartamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão do Ministério da Justiça, que apontam um crescimento de 698% napopulação carcerária feminina:no ano2000, 5.601 mulheres cumpriam pena no país. Em 2016 este número saltou para44.721. &#8220;É um absurdo um aumento de 700% em apenas 16 anos. E a maioria das mulheres (60%, segundo o mesmo estudo do Depen) presas por trabalharem nas camadas mais baixas do tráfico, como avião, mula, guarita&#8221;, diz.</p>
<p>Para a historiadora e militante antiproibicionista Leilane Assunção, este aumento do encarceramento é uma tragédia social incomensurável. &#8220;Quando a mãe vai presa, muitas vezes não sobra nenhum responsável. Há a desestruturação da família. A gente fala que 80% dessas mulheres presas são mães, mas por trás desses números há pessoas que tinham sonhos, há filhos, há jovens. Há uma desproporçãona renovação da juventude, até na força de trabalho no país. A proibição no Brasil gera mais mazelas que o uso da droga em si. É uma herança da escravidão: se criminaliza mais os negros. É algo muito grande para ser tão pouco debatido nas eleições&#8221;, critica.</p>
<p><div id="attachment_10871" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10871" class="wp-image-10871 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/leilane-300x157.jpg" alt="leilane" width="300" height="157"><p id="caption-attachment-10871" class="wp-caption-text">A historiadora Leilane Assunção. Foto: SaibaMais.Jor</p></div></p>
<p>&#8220;Historicamente é uma pauta não eleitoral, que tira votos. Boa parte da sociedade não consegue compreender os benefíciosda legalização. Nenhum candidato com reais chances de ganhar jamais pautou abertamente, nem mesmo o PT, nem mesmo Dilma Roussef. A legalização das drogas e o aborto ainda são tabus namaioria das campanhas. São pautas que mesmo os parlamentares que as defendem no período eleitoral, por uma questão de cálculo eleitoral, as escondem. Isso, infelizmente, não ajuda em nada&#8221;, lamenta Leilane. Para ela, a legalização pode ter ficado mais distante com o avanço de candidatos conservadores. &#8220;O golpe contra Dilma tem um ranço moral. Tem uma pauta de moralização. Não combina com a nossa pauta: queremos tirar o debate do ponto moral, para o campo científico, humano e de saúde&#8221;, diz.</p>
<p>Sobre o último aspecto, Leilane é receosa. &#8220;A maneira como o uso medicinal da maconha está sendo pautado é complicado. Gera-se uma espécie de &#8220;uso correto&#8221;. Ao passo que as milhares de mortes pelo tráfico ficam na conta do uso recreativo. Com isso, não se vislumbram mudanças na política de drogas. E ainda há o fator social: quem for de classe média pode colocar na Justiça e obter o uso medicinal. A guerra às drogas é para os negros, para a população LGBT, para os pobres&#8221;, critica a historiadora.</p>
<h2><span style="color: #003366;"><strong>Apoios políticos</strong></span></h2>
<p>Em termos de legislatura, o poder estadual não pode avançar muito na legalização. Mas isso não significa que não haja ganho de capital político para o antiproibicionismo quando candidatos e candidatas se colocam favoráveis à causa. Em Pernambuco, as duas mulheres (Ana Patrícia, do PCO, desistiu) candidatas ao governo &#8211; Dani Portela (Psol) e Simone Fontana (PSTU) &#8211; defendem nos seus respectivos planos de governo a liberação do uso da maconha.</p>
<p>Quanto às outras drogas, há uma divisão.Simone defende a liberação de todas as drogas, reafirmando a necessidade de uma rede de apoio maior para usuários de crack. Dani Portela diz que ainda não há um consenso no Psol sobre outras drogas.</p>
<p><div id="attachment_10877" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10877" class="size-medium wp-image-10877" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/44787948341_25d49585a5_z-300x200.jpg" alt="Carol Vergolino (preto) e Jô Cavalcanti. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"><p id="caption-attachment-10877" class="wp-caption-text">Carol Vergolino (preto) e Jô Cavalcanti. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Candidata a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Carol Vergolino (Juntas/Psol) diz que oantiproibicionismo é central na sua campanha. &#8220;Temos que fazer um debate sobre o mercado das drogas, para que as indústrias não disputem essa pauta e o consumo de drogas não vire uma Souza Cruz (empresa de cigarros) da vida. Eu acho que quem está na políticas públicas das ruas pode construir uma síntese junto com o pode público e construir juntos uma política antiproibicionista que debata a questão das drogas, a questão da população carcerária&#8221;.</p>
<p>Para queo ciclo deviolência do tráfico seja quebrado, Carol defende também uma série de ações, como a desmilitarização das polícias. &#8220;Massobretudoo amparo àsfamílias que foram vítimas desse genocídio. Se um policial mata um jovem negro e não tem investigação em relação a isso, o estado brasileiro também é culpado. Então, é preciso resgatar essas famílias. Oferecendo inclusão no mercado de trabalho, educação básica, cultura, lazer. Não existe democracia em um país que mata milhares de jovens negros&#8221;.</p>
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		<title>Projeto Adalgisas: mapa reúne todas as candidaturas de mulheres em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Sep 2018 17:31:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Projeto Adalgisas, da Marco Zero Conteúdo, lançou um mapa interativo com todas as candidatas nas eleições 2018 em Pernambuco. Pelo mapa, é possível encontrar o perfil e principais propostas das mulheres. Neste ano, o Estado teve 295 mulheres com candidaturas homologadas. O objetivo do projeto é difundir informações qualificadas com foco no protagonismo das [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #212529;">O Projeto Adalgisas, da Marco Zero Conteúdo, lançou um mapa interativo com todas as candidatas nas eleições 2018 em Pernambuco. Pelo mapa, é possível encontrar o perfil e principais propostas das mulheres. Neste ano, o Estado teve 295 mulheres com candidaturas homologadas. O objetivo do projeto é difundir informações qualificadas com foco no protagonismo das mulheres e números sobre a disputa política.</p>
<p style="color: #212529;">Pela plataforma, a eleitora e o eleitor podem conferir estatísticas sobre cargos, partidos, idade, instrução e raça das candidatas. A ferramenta também permite fazer cruzamento dos dados, ampliando os debates e perspectivas para escolha do voto. Também estamos com um espaço com as propostas das candidatas, com área para busca. Acesse o mapa aqui:<a style="color: #fed136;" href="http://bit.ly/MapaAdalgisas">http://bit.ly/MapaAdalgisas</a></p>
<p style="color: #212529;">Em 2018, as candidatas que se declaram não brancas somam mais de 50%: 28,60% são pardas, 15,20% são negras e apenas uma se declara indígena. As candidatas brancas representam 45% e são as que têm mais tempo de estudo, segundo base de dados do Tribunal Superior Eleitoral. Em Pernambuco, as mulheres entram para a disputa política mais velhas, diferente dos homens. A maior parte das candidatas, cerca de 60%, tem entre 35 e 55 anos. Mulheres com até 35 anos representam 15,8% enquanto os homens na mesma faixa são 24,69%.</p>
<p style="color: #212529;">O projeto vem realizando uma cobertura especial com notícias, entrevistas, reportagens e análises políticas. Entre os principais objetivos, temos monitorado a participação das mulheres na propaganda eleitoral na TV, em parceria com Observatório da Mídia/UFPE, e fiscalizado a distribuição dos recursos do Fundo Partidário entre as candidatas mulheres. Além disso, temos promovido e transmitido ao vivo debates sobre temas relativos à questão de gênero.</p>
<p style="color: #212529;"><span style="color: #000080;"><strong style="font-weight: bolder;">Parceria</strong>–</span> O mapa foi desenvolvido em parceria com a Gênero e Número, startup e organização de mídia independente que tem foco no jornalismo de dados. O Projeto Aldagisas é uma iniciativa pioneira da Marco Zero Conteúdo nasceu para contribuir com a solução de uma distorção que compromete a democracia brasileira. Em um país de maioria feminina, as mulheres ocupam uma parte ínfima dos espaços públicos de poder (apenas 10% na Câmara Federal, por exemplo). A MZ realizou um financiamento coletivo de sucesso para viabilizar o projeto Adalgisas, que captou R$ 21.420, com 147 apoiadores.</p>
<p style="color: #212529;">Mapa das candidatas em Pernambuco:<a style="color: #fed136;" href="http://bit.ly/MapaAdalgisas">http://bit.ly/MapaAdalgisas</a></p>
<p style="color: #212529;">Plataforma do Projeto Adalgisas:<a style="color: #fed136;" href="http://marcozero.org/projetoadalgisas/">http://marcozero.org/projetoadalgisas/</a></p>
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		<title>Debate feminista: confira as propostas das candidatas de Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Sep 2018 18:48:31 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O debate promovido nesta terça-feira (11) pela Rede de Mulheres e o Fórum de Mulheres de Pernambuco com as candidatas para o legislativo &#8211; estadual e federal &#8211; foi um espaço para ouvir as propostas das mulheres para Pernambuco e para o Brasil. Abrindo o encontro, que aconteceu no auditório do Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep), na Boa Vista, Mônica Oliveira, da Rede de Mulheres Negras, falou sobre a importância do estado ter um olhar mais específico nas políticas públicas.</p>
<p>&#8220;Todos os indicadores, índices e estatísticas apontam que as mulheres negras estão nas piores condições. As políticas de gênero não consideram a questão racial, as políticas raciais não consideram a de gênero. E ficamos ilhadas, neste meio&#8221;, afirmou. &#8220;Temos muita legislação, mas precisamos de implementação. É preciso estabelecer mecanismos que garantam a superação do racismo institucional, em especial na segurança pública&#8221;, disse Mônica.</p>
<p style="text-align: left;">Representando o Fórum, Natália Cordeiro considerou que desde o golpe de 2016 as mulheres estão mais unidas. &#8220;Nossa luta se aprofundou mais nos últimos tempos. Nós feministas temos uma forma de fazer política mais horizontal, mais democrática, sem que uma fale mais alto que a outra&#8221;, destacou. No evento, também foram entregues plataformas dos dois movimentos. Parceira da iniciativa, a Marco Zero Conteúdo, pelo projeto Adalgisas, <a href="https://www.facebook.com/mzconteudo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">transmitiu ao vivo o debate, que pode ser revisto na página do Facebook</a>.</p>
<p><iframe loading="lazy" style="border: none; overflow: hidden;" src="https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fmzconteudo%2Fvideos%2F553598708408819%2F&amp;show_text=0&amp;width=560&amp;source=8" scrolling="no" allowfullscreen="allowfullscreen" width="560" height="315" frameborder="0"></iframe></p>
<p>O encontro começou com nove candidaturas à Assembleia Legislativa de Pernambuco apresentando suas propostas em dez minutos. Depois, quatro concorrentes à Câmara dos Deputados mostraram seus planos. Confira abaixo um resumo da fala de cada uma das participantes do debate.</p>
<h2><strong>Deputadas estaduais</strong></h2>
<p><strong>Juntas (PSOL) &#8211; </strong> Da candidatura conjunta formada por cinco mulheres, duas dividiram o tempo de fala. Jô Cavalcanti, que é o nome que vai aparecer nas urnas, lembrou a alta taxa de desemprego no país e defendeu linhas de crédito para os pequenos comerciantes. &#8220;Não defendemos a precarização do trabalho informal. É um trabalho digno e que precisa ser valorizado também&#8221;, disse. Robeyoncé destacou a importância de mudança no sistema político. &#8220;Estamos aqui para pedir votos, mas também para pedir que vocês ocupem os espaços políticos ativamente&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong>Deyse Medeiros (PSTU) &#8211; </strong> Moradora da periferia de Jaboatão dos Guararapes, Deyse Medeiros (PSTU) focou seu discurso em moradia, saúde e contra a terceirização. &#8220;Trabalhadores e usuários do SUS estão enfrentando um verdadeiro ataque à saúde pública&#8221;, afirmou, citando como exemplo os plantões extras que os trabalhadores da saúde seriam obrigados a fazer no estado. &#8220;O governo demora a pagar esses plantões e há paralisações. O dinheiro que deveria ir para os hospitais de referência estão indo para as OSs (terceirizadas)&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>Joana Casotti (PCdoB) &#8211; </strong> Em sua fala, Joana falou sobre a marginalização imposta para as travestis e transexuais. &#8220;Mesmo formada em Design há mais de dois anos, não sei o que é emprego. Somos aquelas que não têm direito a educação, nem ao SUS. Tenho medo da morte e da intolerância&#8221;, afirmou, citando casos de violência contra travestis e trans. &#8220;Nossa identidade é questionada constantemente. A nossa expectativa de vida é de 35 anos de idade, menos da metade de uma pessoa cis heteronormativa&#8221;, comentou.</p>
<blockquote><p><strong>Luiza Carolina (PCB)</strong> Ela começou sua fala reforçando que é uma candidatura feminista, antirracista, anticapitalismo e em favor das pautas LGBT. &#8220;No atual desmantelo da nossa política nacional, as mulheres negras são pilares de resistência. No ano em que se fala dos 130 anos de uma abolição ficcional, continuamos escanteadas do mesmo jeito pelo Estado&#8221;, disse. Nas propostas, Luiza Carolina defendeu proteção trabalhista para ambulantes, maior controle do comércio de chineses (&#8220;sem xenofobia, mas precisa haver uma regulação&#8221;) e trabalho digno pela CLT.</p></blockquote>
<p><strong>Teresa Leitão (PT) &#8211; </strong> Única candidata em busca da reeleição a participar do debate, Teresa Leitão lembrou que há seis parlamentares mulheres atualmente na Alepe, mas só ela está nas lutas feministas. &#8220;Em todos esses anos como deputada, só uma vez vi o aborto sendo discutido, sob o nome de planejamento familiar, e em uma mesa com um padre e um médico. Quando cheguei da militância sindical na Alepe, logo senti que achavam que ali não era lugar de mulher, nem de negro, nem de sindicalista&#8221;, disse. Sobre as pautas das mulheres negras, a deputada destacou a importância da Lei 10.639/03, que regulamenta a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. &#8220;A implementação é muito embrionária&#8221;, disse.</p>
<blockquote><p><strong>Sylvia Siqueira Campos (PT) &#8211;</strong> Dirigente da ONG Mirim Brasil, a candidata lembrou que não há coligação do PT com o PSB nas candidaturas proporcionais. &#8220;Quem votar na gente não está votando nos candidatos do PSB&#8221;, disse. Apostando em uma política aberta para ouvir o eleitorado, Sylvia falou da construção do seu plano de candidatura. &#8220;Estamos agora com 15 eixos, com contribuições diretas de demandas dos eleitores&#8221;, disse. Uma das propostas de Sylvia é a descentralização e interiorização do mandato, com gabinetes espalhados no Agreste, Sertão e Zona da Mata. &#8220;Nossa campanha é de movimento, para enfrentar os elementos que estruturam as desigualdades&#8221;, afirmou.</p></blockquote>
<p><strong>Liana Cirne (PT)</strong> A professora de Direito da UFPE e ativista do Ocupe Estelita, defendeu a candidatura de Haddad, que virou candidato no mesmo dia do debate. &#8220;Infelizmente não podemos votar em quem queremos votar&#8221;, afirmou, se referindo a Lula. &#8220;Bolsonaro é uma subversão de tudo que acreditamos. Nós feministas estamos sendo acuadas, porque queremos uma sociedade que não tolere a opressão de qualquer forma&#8221;, disse. Sobre sua candidatura, afirmou que está &#8220;defendendo uma política que tem que ser feita com todo mundo, com uma radicalização da democracia participativa&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong>Verônica Magalhães (Verinha) &#8211; PCdoB</strong> A técnica em enfermagem relembrou sua trajetória em sindicatos e na defesa da saúde pública. &#8220;É preciso olhar para as mulheres negras em situação de rua. É a parcela que mais precisa de acolhimento&#8221;, afirmou. A candidata também citou casos de racismo institucional em hospitais públicos e cobrou mais ações para este combate. &#8220;Não precisamos criar novas políticas públicas. Precisamos implementar as que já existem, porque estão sendo esquecidas&#8221;, disse.</p></blockquote>
<p><strong>Valéria (PSTU) &#8211; </strong> Valéria, do PSTU, tem como principal proposta o não pagamento da dívida pública do estado. &#8220;É preciso também garantir a redução da jornada de trabalho com a manutenção dos salários&#8221;, defende. Com o dinheiro que iria para pagamento das dívidas, Valéria propõe investi-lo no próprio estado. &#8220;É um dinheiro que precisa ir para a geração de empregos, e não para banqueiros&#8221;, disse. &#8220;O PSTU é a revolução. Os governos de Frente Popular não governam para a classe trabalhadora&#8221;, afirmou.</p>
<h2><strong>Deputadas federais</strong></h2>
<blockquote><p><strong>Flávia Hellen (PT) &#8211; </strong> Abriu sua fala alertando sobre a organização do discurso de ódio, que está organizado nessas eleições. &#8220;É o ódio contra quem entrou nas universidades públicas por ações afirmativas, o ódio da classe trabalhadora que conseguiu a casa própria, que conseguiu viajar&#8221;, disse, defendendo uma constituinte para alterar as regras do jogo. &#8220;A geração que mudou de vida não vai aceitar nenhum direito a menos. A nossa candidatura é para construir espaços de resistência, principalmente contra o genocídio negro&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>Kellen Silva (PSTU) &#8211; </strong> A candidata falou sobre as opressões da mulher trabalhadora e defendeu mudanças na educação básica. &#8220;A maioria das cidades faz vista grossa e não tem creches nem escolas suficientes para as crianças. O estado tem que ser responsável pela educação infantil e não as prefeituras&#8221;, defendeu. &#8220;Outra questão urgente é a questão do aborto. Não pelo fazer, que é um processo doloroso quando a mulher faz essa escolha, mas por uma questão de saúde pública. As mulheres pobres estão morrendo em locais clandestinos&#8221;, afirmou.</p>
<blockquote><p><strong>Michelle Santos (PSOL) &#8211; </strong> Falou sobre a perda de direitos com o golpe de 2016, defendeu uma rede de apoio para as candidatas mulheres e criticou as cotas de 30% de candidatura e verba do fundo eleitoral. &#8220;Na prática, não está dando resultado efetivo. Precisamos de mecanismos como na Costa Rica e na Bolívia&#8221;, afirmou, citando países com reserva de assento para mulheres no legislativo. &#8220;Precisamos falar com as mulheres do campo, as trabalhadoras: vocês também são feministas! Precisamos nos reconhecer e nos unir&#8221;, disse a candidata.</p></blockquote>
<p><strong>Gabi Conde (PSOL) &#8211;</strong> Ela discursou sobre a responsabilidade da sociedade e dos homens com as crianças, sobre a criminalização das periferias e a necessidade de um debate sobre as mudanças nas políticas de drogas. &#8220;Falar da descriminalização das drogas não é somente falar da liberdade individual das pessoas, mas da criminalização dos territórios, que esmaga nossa população, sobretudo a periférica e negra&#8221;, afirmou. &#8220;Precisamos de novos nomes e novos modos de se fazer política no Brasil&#8221;, afirmou.</p>
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