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	<title>Arquivos candidaturas transexuais - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 13:12:01 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos candidaturas transexuais - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Primeira deputada trans do Brasil, Erica Malunguinho pode não ser candidata</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Aug 2022 21:46:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[candidaturas transexuais]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Erica Malunguinho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi na praia do Janga, no município de Paulista, ao som dos sucessos do Grupo Revelação, que Erica Malunguinho encontrou a equipe da Marco Zero para compartilhar os momentos marcantes de sua trajetória pessoal e política. O local, escolhido pela entrevistada, ficava a poucos metros da casa de sua mãe, e era nítido o valor [&#8230;]</p>
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<p>Foi na praia do Janga, no município de Paulista, ao som dos sucessos do Grupo Revelação, que Erica Malunguinho encontrou a equipe da Marco Zero para compartilhar os momentos marcantes de sua trajetória pessoal e política. O local, escolhido pela entrevistada, ficava a poucos metros da casa de sua mãe, e era nítido o valor afetivo que existia ali. Vestida com uma camiseta do Grêmio Recreativo Escola de Samba Preto Velho, de Olinda, e saboreando um caldinho à beira mar, a primeira deputada estadual trans do Brasil se despiu da formalidade do cargo eletivo e expôs a pernambucanidade que lhe forma e sustenta sua luta.</p>



<p>Durante a conversa, entretanto, Malunguinho surpreendeu e não confirmou se disputará as eleições este ano para renovar seu mandato ou buscar um assento na Câmara Federal, apesar da convenção do PSOL paulista ter realizado sua convenção no sábado, dia 30 de julho, e aprovado seu nome como candidata a deputada federal, enquanto ela estava no Recife. Outra surpresa: ela quer se reaproximar de Pernambuco.</p>



<p>“Sou deputada em São Paulo, mas faço questão de afirmar a todo momento que sou de Pernambuco porque tenho absoluta certeza que tudo que eu sou diz respeito à formação afetiva e intelectual que tive neste lugar”. A afirmação veio seguida por diversas histórias marcantes de sua vida e de sua família, que tem origem na cidade de Tracunhaém, na Zona da Mata Norte, conhecida como “cidade do barro”.</p>



<p>“O início da minha família é em Tracunhaém, depois tanto minha mãe quanto meu pai migram para o bairro de Água Fria, em Recife. Mas depois que minha avó faleceu minha mãe se mudou para Paulista, onde passamos praticamente a vida toda”, contou a deputada.</p>



<p>Apesar de frequentar bastante o bairro de Água Fria, devido a sua ligação com o Terreiro Sítio do Pai Adão, foi no bairro de Arthur Lundgren, no Paulista, que Erica Malunguinho passoua infância e adolescência. “Eu tinha uma reserva de Mata Atlântica na esquina da minha casa, então eu vivia brincando na mata. Eu tenho essa experiência de uma infância muito poderosa, de viver sempre na mata, nos rios, conversando com os mais velhos”.</p>



<p>Ao relembrar da infância, Erica reforçou a importância de suas vivências culturais no estado como base de uma formação política: “o que move meu pensamento é a relação com as pessoas, com a sociedade e com a cultura. E Pernambuco é um território fértil e riquíssimo nesses três aspectos. Meu saber é sensível por conta da percepção desse território. As imagens que formam a minha cabeça são dos caboclos de lança, das cirandas. A primeira vez que eu vi uma travesti foi em um maracatu”.</p>



<p>Educadora e artista plástica, Erica Malunguinho foi eleita deputada estadual em São Paulo em 2018 pelo PSOL e se tornou a primeira mulher trans a ocupar o cargo de deputada no Brasil. Nomeado como “Mandata Quilombo”, o mandato gestão de Erica caminha para se tornar o primeiro gabinete político do país a ser completamente composto por pessoas pretas. Os votos e o cargo, contudo, não lhe trouxeram soberba. </p>



<p>Erica acredita que o diálogo humanizado com as ditas minorias no Brasil &#8211; negros, mulheres, indígenas, LGBTQIAP+ &#8211; continua sendo o melhor caminho para construir uma revolução política e social. “Eu acredito na revolução porque não há ser humano neste mundo que esteja condicionado à opressão e a submissão. Era para a maioria da população negra desse país estar morta agora, mas nós fizemos quilombos porque não nos conformamos com as chicotadas e com a morte”, declarou a deputada.</p>



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	                                        <p class="m-0">De pés no chão, no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo. Crédito: Divulgação/Assessoria Erica Malunguinho</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mãe guardiã</strong></h2>



<p>Sendo o Brasil um país formado por um sistema colonizador e escravocrata, a miscigenação &#8211; processo violento e desumano, muitas vezes sendo visto como benéfico de forma errônea e racista &#8211; fez com que muitos negros e negras demorassem a se reconhecer como tal. Isso aconteceu com a repórter que vos escreve, que só aos 15 anos começou a se reconhecer e identificar como mulher negra. Para Erica Malunguinho, porém, esse momento de descoberta nunca existiu.</p>



<p>“Eu tive muitos professores e professoras negras, no meu bairro tinha muita gente preta e minha família também é completamente negra, então, a experiência do racismo passou de outro jeito por mim, eu nunca me descobri negra porque não tinha o que descobrir, era todo mundo preto”, afirmou a deputada.</p>



<p>Apesar de viver em um bairro periférico, a vulnerabilidade e pobreza extrema não fizeram parte da vida de Erica, mas isso não impediu que ela notasse as desigualdades: “eu tive uma vida muito simples, mas organizada, onde todo mundo trabalhava, não tinha uma situação de extrema vulnerabilidade ali, porém era uma vida limitada, obviamente”.</p>



<p>Dentro da comunidade em que Erica foi criada, questões de raça e classe eram problemas conhecidos e comuns, por isso não traziam para ela uma sensação constante de insegurança. No entanto, gênero e sexualidade ainda eram questões que a colocavam em um lugar de opressão. “Óbvio que eu passei por muitas situações de violência por conta da minha identidade de gênero, fui violentada por crianças, por pessoas mais velhas, já me bateram, me deixaram pelada na rua, me trancaram no banheiro da escola para que eu não fizesse uma prova, muita coisa aconteceu, mas eu sempre tive um lugar de proteção que era a minha família, minha mãe”, relatou a deputada.</p>



<p>Protetora, melhor amiga, referência política, pilar de sustentação, se Pernambuco foi um território fundamental para a formação intelectual e afetiva de Erica Malunguinho, a sua mãe foi &#8211; e ainda é &#8211; a guardiã de sua trajetória.</p>



<p>“Minha mãe é uma mulher preta e, como as estatísticas de abandono parental mostram, ela sempre criou os filhos e grande parte da família sozinha. E mesmo quando ela voltava cansada do trabalho como enfermeira, ao invés de descansar, ela ia atender o bairro, e eu sempre ia junto com ela. Eu cresci vendo essa sensibilidade e solidariedade que ela tinha com as pessoas”, contou Erica sobre sua mãe, que ela preferiu não nomear por temer que ela sofra perseguições e represálias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os caminhos até São Paulo</strong></h2>



<p>Na adolescência, Erica Malunguinho começou a usar a moda como uma ferramenta artística para questionar gênero e sexualidade. “Eu iniciei um processo de criação artística, fazendo intervenções através da linguagem da moda. Com o vestuário eu fui transgredindo os estereótipos de gênero. Eu usava roupas pensadas para chocar”, afirmou a deputada.</p>



<p>De 1996 até 1998, Erica criava e modelava com suas próprias criações pelas ruas do Recife. A deputada contou que adorava desfilar pelas ruas do Recife Antigo: “imagina a classe dominante de Recife vendo eu muito fina”.</p>



<p>A paixão pela arte impulsionou o desejo em explorar sua corporalidade e, em 2001, Erica Malunguinho decide ir morar em São Paulo. “Eu sabia que precisava ter uma vida independente principalmente porque tinham algumas questões de gênero e sexualidade que eu precisava viver e isso seria muito difícil se eu tivesse ficado aqui, porque tinha toda uma relação familiar que não dava conta. Então, eu fui para São Paulo pensando em explorar a minha existência. [&#8230;] As pessoas de São Paulo sempre esperam que eu tenha um discurso de uma vida muito difícil e sofrida em Pernambuco e esse seria o motivo que me fez migrar, mas não foi isso, eu fui por uma escolha pessoal”, declarou a deputada.</p>



<p>Em São Paulo, Erica Malunguinho começou a trabalhar e iniciou sua graduação em Pedagogia. Em seguida, a educadora passou a realizar formações focadas em gênero, raça e sexualidade e ingressou no mestrado em Artes Plásticas. Não foi um percurso fácil: “eu sempre estive produzindo arte, fazendo performance, desenho, fotografia, literatura e tudo isso tendo que enfrentar muita coisa, racismo, xenofobia, transfobia. Eu conheci o racismo em São Paulo. Havia uma violência constante durante todo esse processo na educação onde eu fui muito interditada, por isso eu me agarrei na intelectualidade para provar com o meu conhecimento que aquele lugar que eles queriam me colocar não era certo”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Aparelha Luzia: um bioma das inteligências negras</strong></h3>



<p>Em 2016, Erica Malunguinho percebeu a urgência em radicalizar as discussões sobre raça, gênero, sexualidade e classes sociais e começou a idealizar a melhor maneira de unir arte e política. Através do desejo em construir um espaço para acolher, ensinar e impulsionar políticas pensadas pelo o povo negro e para o povo negro, nasceu a Aparelha Luzia.</p>



<p>Centro cultural, casa de shows, centro de formação, organização não governamental ou espaço político? Tudo isso e nada disso. Erica prefere denominar a Aparelha como quilombo urbano e explica porquê: “é um lugar essencialmente político, do lugar mais genuíno de onde eu entendo a política, que não é apenas dentro de uma casa legislativa. Política é agir na sociabilidade, na pólis, isso é fazer política, e a Aparelha está sempre fazendo isso, uma política baseada em afeto, em reciprocidade, em conflitos a serem resolvidos entre nós, pessoas pretas, e com isso ela dialoga também com a política institucional”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Evento na Aparelha Luzia. Crédito: reprodução/Instagram</p>
	                
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<p>“É um bioma das inteligências negras, um espaço de sociabilidade e discussões diversas e com isso responde uma pergunta muito interessante: ‘o que as pessoas pretas podem fazer quando não precisam pensar em racismo?’”, especula Erica Malunguinho.</p>



<p>A Aparelha Luzia recebe diversas ações políticas e culturais de diferentes iniciativas do movimento negro, e está localizada no bairro de Campos Elíseos, em São Paulo.</p>



<p>A própria escolha do nome “Aparelha” é um ato político e faz referência aos espaços de resistência, abrigo ou esconderijo utilizados pelos militantes de esquerda durante a ditadura, que eram chamados de “aparelho”. “Aparelha é aparelha porque a revolução é feminina e a palavra ‘mandata’ vem do mesmo lugar, para fazer uma torção e uma provocação necessária sobre essa masculinidade compulsória que também está presente na língua e no ethos”, explicou Erica.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Política partidária</strong></h3>



<p>Até 2018, Erica Malunguinho não era filiada a nenhum partido político. Foi a ascensão do bolsonarismo e do discurso fascista que despertou na educadora a urgência em lançar uma candidatura que pudesse abrir espaços na política institucional.“Eu sabia que nós precisávamos colocar alguém com um discurso e com uma prática radical, então eu olhei pro lado, olhei pro outro, não vi ninguém, e pensei ‘eu vou’”, disse a deputada.</p>



<p>Erica contou que apesar da demora em ingressar de forma mais direta na política, a sua história familiar já era marcada por atuações no campo progressista: “minha avó apoiou Miguel Arraes, quando ele foi preso ela foi protestar na porta da delegacia. Minha mãe era ligada a Francisco Julião, um dos maiores líderes das Ligas Camponesas. Então, não tinha como eu não estar envolvida com esse campo progressista da política, eu só fui lapidando isso, porque antes eu achava que era uma luta de classes, mas atualmente eu entendo que antes de tudo é um conflito racial que gera um conflito de classes no Brasil”.</p>



<p>Após ser eleita, Erica Malunguinho resolveu levar ao seu mandato, que ela chama de “Mandata Quilombo&#8221;, todas as suas lutas pessoais e políticas e formou um gabinete composto 100% por pessoas negras e com maioria de mulheres e pessoas LGBTQIAP+.</p>



<p>“A gente vai entregar para São Paulo e para o Brasil o primeiro e único gabinete 100% negro do país e isso já é uma revolução, porque a gente sabe como o racismo institucional opera de modo a interditar que pessoas pretas sejam participantes, ainda mais em uma totalidade como essa. Não é possível que toda pessoa que projeta e constrói ônibus não anda de ônibus, então se eu estou falando de romper violência e desigualdade, é óbvio que tem que ser o meu povo, o povo negro, que precisa estar pensando nisso. Essa mandata é uma experiência que afirma e comprova o que a gente já sabia: que o povo preto sabe fazer política institucional também”, afirmou.</p>



<p>Entre os feitos de sua &#8220;mandata&#8221;, Erica Malunguinho ressaltou o aumento no número de emendas parlamentares destinados aos povos de terreiros, quilombolas e população negra e LGBTQIAP+. Um dos seus projetos aprovados, estabeleceu que, em São Paulo, as mulheres trans vítimas de violências devem ser atendidas pelas delegacias da mulher.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Adeus à vida pública e volta a Pernambuco?</h3>



<p>Apesar de ter lançado sua pré-candidatura a a deputada federal nas eleições de outubro, ela nitidamente desconversou quando a conversa chegou a esse assunto, inevitável, aliás. Questionada sobre qual seriam seus próximos passos na política, sua resposta foi evasiva: “o próximo passo é: nós vamos eleger a maior bancada de pessoas negras, LGBTs, indígenas e mulheres da história desse país. Também vamos eleger Lula presidente, porque ele é o nosso maior estadista e nesse momento é a única pessoa capaz de colocar as coisas no lugar. Eu confio muito nisso e vou usar toda minha energia para que isso se materialize”.</p>



<p>“A gente tem solução e precisamos colocar ela em prática porque nós não vamos mais ser apenas destinos de políticas públicas, vamos ser as pensantes delas. Esse é um compromisso que Lula também deve assumir, porque foi muito importante instituir as políticas afirmativas, como as cotas, mas agora a gente tem uma geração que é fruto desse processo afirmativo e essas pessoas precisam estar nas estatais, nas políticas, pensando toda a formação da sociedade, não há mais desculpa para dizer que essas pessoas não têm capacidade de estar nesses lugares”, concluiu a deputada.</p>



<p>Nesse momento, ela deixou no ar a possibilidade de retornar  de vez a Pernambuco sequer sair candidata, pois antes de despedir-se, admitiu que está com saudade de viver em Pernambuco e que essa última visita ao estado mexeu com ela de uma forma diferente. Seria um chamado do lugar que a formou. “Quem sabe? Será que vem aí uma Aparelha Luzia no Recife? Imagina”, respondeu a deputada.</p>



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	                                        <p class="m-0">Erica será candidata? Ela respondeu com evasivas. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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		<title>Única vereadora trans de Pernambuco tenta reeleição pelo PSL. Conheça Paulette</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Nov 2020 17:24:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[candidaturas transexuais]]></category>
		<category><![CDATA[palmares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paulette Gonçalves revolucionou Palmares, Mata Sul de Pernambuco, e influenciou outras candidaturas nos municípios vizinhos nos últimos anos. Disputando seu terceiro mandato para a câmara municipal, a única vereadora trans do estado já concorreu pelo PEN, em 2012, e pelo PHS, em 2016. Em 2020, concorre pelo PSL, antigo partido do presidente Jair Bolsonaro (sem [&#8230;]</p>
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<p><a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/2020/2030402020/24996/170001128647">Paulette Gonçalves</a> revolucionou Palmares, Mata Sul de Pernambuco, e influenciou outras candidaturas nos municípios vizinhos nos últimos anos. Disputando seu terceiro mandato para a câmara municipal, a única vereadora trans do estado já concorreu pelo PEN, em 2012, e pelo PHS, em 2016. Em 2020, concorre pelo PSL, antigo partido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Mas Paulette &#8211; que adotou os dois Ts desde a última eleição &#8211; garante: “não sou bolsonarista, nunca votaria naquele louco perturbado”. A escolha foi a forma que ela encontrou de conseguir apoio e aumentar as chances de vitória.</p>



<p>Com 43 anos, ela nasceu em Murici (AL). Se assumiu aos 15, “naquele tempo arcaico, que era muito mais difícil”, e, depois de entrar na política “por acaso”, vem lutando contra o preconceito ocupando o poder institucional. Já foi motivo de piada na cidade e vítima de agressão, em 2017. Ela acredita que sua coragem vem ajudando a impulsionar outras pessoas LGBTQI+ no interior. </p>



<p>Paulette começou a trabalhar muito nova, na roça. Já cortou cana, fez frete com carrinho de mão, vendeu Avon e Natura, trabalhou fazendo sobrancelha e prestou serviço em casa de família e restaurante. A vida dela mudou com a política, com a representatividade de seu corpo, mas também de suas pautas.</p>



<p>Estas são as primeiras eleições municipais em que é permitido o uso do nome social na urna, o que <a rel="noreferrer noopener" href="https://marcozero.org/autorizacao-para-uso-do-nome-social-impulsiona-candidaturas-trans-em-pernambuco/" target="_blank">impulsionou as candidaturas trans</a>. Paulette ainda usa o do registro civil e explica por quê. Confira a entrevista que a <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> fez com Paulette por telefone esta semana.</p>



<p><strong>Como você entrou na política e por que se candidatar a uma cargo de vereadora?</strong></p>



<p>Entrei na política por acaso. Um candidato queria uma mulher trans, fez convite para uma colega que tinha um comércio, mas ela não aceitou. Daí eu fui indicada faltando dez dias para o fim do prazo das inscrições. Foi uma novidade na cidade, ninguém nunca tinha visto isso. Na segunda eleição, veio um monte de mulher candidata trans, travesti, gay. Essa mesma a quem foi feito convite também concorreu. Eu encorajei tanto a minha cidade como cidades vizinhas. Era o momento mais esperado dos comícios na primeira eleição. Era divertido.</p>



<p><strong>Pela primeira vez nas eleições municipais, candidatos e candidatas transgêneros, travestis e transexuais podem usar o nome social. Seu nome no registro ainda é o civil. Por quê?</strong></p>



<p>Como resido no estado de Pernambuco, mas sou de Alagoas, eu precisava de uma autorização do juiz para fazer essa mudança de nome. Como não consegui, por causa da pandemia, eu não pude mudar o nome. Onde eu fui registrada é uma cidade pequena, até tentei por telefone, mas a pessoa nem tinha conhecimento de como isso se fazia. Mas vou fazer a mudança sim, até porque todo mundo me conhece por Paulette e eu sou uma pessoa resolvida e assumida.</p>



<p><strong>O Brasil é o país mais transfóbico do mundo. Nestas eleições, tivemos o recorde de candidaturas trans, em meio a um governo transfóbico e ultraconservador. O que isso significa?</strong></p>



<p>Significa que algumas que conseguiram chegar ao poder encorajaram outras a se candidatar, eu sou um exemplo. Isso nunca tinha acontecido antes aqui em Palmares e nas cidade próximas. Agora Água Preta, Barreiros e outros locais também têm candidatos. Isso é bom, uma grande conquista e tem que ter mais e mais mulheres trans na câmara de vereadores. Aqueles que estão lá não aceitam mulher trans numa bancada, é uma luta. Mas eles aceitando ou não, tem que engolir porque fomos eleitas. Em Palmares, são 15 vereadores, sendo 4 mulheres. Esses dias, fiquei sozinha porque as pessoas eram reféns do presidente da casa, e Paulette não. Foi um episódio com o presidente da câmara e um secretário. Existe o carro que foi comprado para servir aos vereadores &#8211; eu não tenho carro, tenho moto &#8211; e quem fazia uso eram eles dois, exclusivamente para eles, que já têm carro. Eu precisei por duas vezes e foi a maior burocracia para conseguir esse carro. Aí resolvi fazer uma denúncia, mas meu requerimento foi reprovado. Porém, o carro ficou lá e agora quase não sai da garagem da câmara. Filmei e tudo, o carro na garagem da casa do secretário. Mas eu fiquei sozinha com Deus, nem as mulheres me apoiaram.</p>



<p><strong>Um levantamento da Associação Nacional de Transexuais e Travestis (Antra) aponta que nestas eleições quase 40% das candidaturas trans são de direita. O seu partido é o PSL. Você vê alguma contradição?</strong></p>



<p>Nunca passou pela minha cabeça sair pelo PSL. Para ficar no grupo do atual prefeito, eu terminei indo para o PSL. Eu tinha mais chance de ganhar e me reeleger. Não é que eu seja bolsonatista, eu sou petista, há cinco eleições voto no PT. Em nenhum momento, nunca votaria naquele louco pertubado. Eu procuro fazer o meu, fazer minha campanha. Até porque, nesse momento, é cada um por si. Na câmara de vereadores, eu pensava que tinha pelo menos colegas, mas nem isso tem.  </p>



<p><strong>Muita gente ainda acha que pessoas trans só se posicionam sobre a pauta transgênero. Como você avalia isso e quais seus planos na vereança caso seja reeleita?</strong></p>



<p>Hoje sou uma pessoa mais madura, mais experiente. Deixei um pouco a desejar, mas, se eu chegar lá, vou me posicionar com mais pulso, mais firme. Tenho várias causas para classe LGBT, mas também calçamento, saneamento, que o pessoal cobra muito, porque é interior. Também educação e esportes, nosso município é muito carente, não temos um ginásio de esportes. Eu abranjo todas as causas, não só a classe LGBT.</p>



<p><strong>Que projetos você já aprovou na Câmara de Vereadores de Palmares?</strong></p>



<p>Meus principais projetos aprovados foram um terreno para a associação LGBT, que foi uma grande conquista, e o título de cidadão a um sr. do candomblé, o que também foi bem válido. São pautas que outros não teriam coragem de enfrentar.</p>



<p><strong>Você foi vítima de agressão em Palmares, em 2017, quando já era vereadora. Neste ano, sofreu alguma violência de gênero durante a campanha?</strong></p>



<p>Não. A maioria dos covardes fala por trás. Diretamente covarde não fala, o homofóbico.</p>
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		<title>Candidaturas de mulheres trans crescem e querem ser ouvidas no legislativo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Oct 2018 15:27:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[adalgisas]]></category>
		<category><![CDATA[amanda palha]]></category>
		<category><![CDATA[candidaturas transexuais]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2018]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://marcozero.org/projetoadalgisas/"><img decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-10049" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100"></a>Nestas eleições, as candidaturas de transexuais cresceram exponencialmente no Brasil: passaram de apenas cinco em 2014 para 47 candidaturas neste ano, segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais e da <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>. Em Pernambuco, são três candidaturas, todas de mulheres trans: Amanda Palha, única candidata a federal, pelo PCB; Robeyoncé Lima, que faz parte do coletivo <a href="http://marcozero.org/elas-vao-juntas-cinco-candidatass-e-um-unico-numero-na-urnas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Juntas</a>, do Psol; e Joana Casotti, pelo PCdoB. É a primeira vez que todas elas participam de uma eleição. (Confira as propostas de cada uma ao final desta matéria)</p>
<p>A população trans é das mais vulneráveis no estado. Segundo o relatório anual da Antra, que foi lançado no final de 2017, Pernambuco é o quarto estado brasileiro que mais mata travestis, pessoas trans e transexuais. “Isso dentro do país campeão em nos assassinar é ainda mais alarmante. Então primeiramente a gente precisa garantir formas de sobrevivência. A idade média de pessoas trans mortas com violência é de 35 anos”, diz a transfeminista Caia Coelho, ligada à Nova Associação de Travestis e Transsexuais de Pernambuco (Natrape).</p>
<p>Entre as pautas mais urgentes que os movimentos citam estão garantias de sobrevivência. “Na prática, isso significa pensar nos adolescentes trans que se hormonizam sem acompanhamento médico (no caso dos homens trans, com testosterona traficada) porque a lei não permite o acesso à saúde. Eles acabam desenvolvendo trombose, muitas vezes. Mas para além da questão endocrinológica, estamos falando de direito ao aborto para mulheres e para homens trans (esquecidos do debate). De condições mais seguras para se prostituir. De universidades criando cotas para pessoas trans na graduação&#8230;&#8221;.</p>
<p><span style="color: #003366;"><strong>Confira no mapa quem são e onde estão as candidaturas trans</strong></span><br />
<em>Dezoito estados e o Distrito Federal somam 47 candidaturas de transexuais nas eleições 2018. São 45 candidaturas individuais e duas em coletivos (Juntas/PE e Bancada Ativista/SP). A grande maioria é de mulheres trans: são apenas dois homens trans. Confira os nomes, cargos e partidos no mapa. Dados: AntraBrasil/TSE<br />
</em><br />
<iframe src="https://www.google.com/maps/d/u/0/embed?mid=1ibWJQGmMCZl3sqflvW3r7L9sUl2XSXMC" width="640" height="480"></iframe></p>
<p>Este também é o primeiro pleito em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceita a autoidentificação tanto para o título de eleitor quanto para os registros dos candidatos. “O TSE fez isso já depois do Supremo Tribunal Federal garantir a correção dos documentos através de processo administrativo, não mais judicial. Ou seja, agora qualquer pessoa trans ou travesti que for retificar a certidão de nascimento, procura um cartório, não mais a defensoria ou advogado particular. Uma vez, vendo a plenária do STF na TV Justiça, lembro que um ministro falou que &#8220;a Justiça que tarda, já falha&#8221;. Eu concordo. O TSE falhou porque tardou”, critica Caia Coelho.</p>
<p>Mesmo Pernambuco contando com três candidatas trans, a Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco (Amotrans-PE) não vai apoiar nenhuma delas. A candidata que teve apoio da direção da Amotrans, ainda que informalmente, foi Ana Callou, do PSB, que se comprometeu a apoiar financeiramente o projeto de um centro cultural para a associação.</p>
<p>Outros três candidatos se aproximaram da Amotrans (Daniel Coelho, Priscila Krause e Tereza Leitão). “Não é só por ser trans que vamos apoiar a candidatura de alguém. Acho ótimo para dar visibilidade à causa, mas isso por si só não é projeto”, diz.</p>
<p>Em reuniões LGBT critica-se a posição da associação em não apoiar as candidatas trans. “Tirando Amanda Palha, que foi secretária de projetos sociais aqui, não sei da história das outras duas. Hoje é tudo muito fácil, tem até trans trabalhando na Assembleia Legislativa de Pernambuco <em>(Fabiana Oliveira, que trabalha no gabinete do deputado estadual Edilson Silva)</em>. Mas já fui na Assembleia e a Polícia Militar foi chamada e queria tirar a gente do banheiro feminino”, reclama Chopelly, relembrando tempos ainda mais difíceis.</p>
<h3><span style="color: #003366;">Eleitorado trans</span></h3>
<p>Neste primeiro pleito no país a aceitar o uso do nome social, a norma do TSE também valeu para os eleitores. Foram 6.280 pessoas que escolheram o nome que foi colocado no título. Dados do TSE, indicam que, destes eleitores, 2.633 têm ensino médio completo, 1.144 têm ensino médio incompleto e 826 têm ensino superior completo. Em relação à faixa etária, são pessoas jovens: 1.402 pessoas estão entre 21 e 24 anos, 1.366 entre 25 e 29 anos e 867 entre 30 e 34 anos.</p>
<blockquote><p>Em 2016, o PCdoB de São Paulo lançou pela primeira vez uma candidata trans na cota de 30% reservada para mulheres. Mas para isso precisou entrar na Justiça. Neste ano, as candidatas puderam entrar na cota, como é o caso de Joana Casotti, do PCdoB , e Robeyoncé Lima, da Juntas – que, nas urnas é representada por Jô Cavalcanti.</p>
<p>Candidata à federal, Amanda Palha não conseguiu mudar o gênero no registro de candidatura. Ela não culpa nem o partido, nem o TSE. “Foi vacilo meu mesmo”, diz ela, que não teve tempo hábil para fazer a mudança junto com a transferência do título de eleitor de São Paulo para o Recife.</p></blockquote>
<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #003366;">Amanda Palha (PCB) – 2122 – candidata a Deputada federal</span></h3>
<p><div id="attachment_10842" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10842" class="wp-image-10842" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/amandapalha.jpg" alt="Amanda Palha é filiada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foto: Inês Campelo/MZ" width="702" height="469"><p id="caption-attachment-10842" class="wp-caption-text">Amanda Palha é filiada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p><span style="color: #003366;"></span>Em poucos minutos de fala, seja em um debate ou em uma conversa, é perceptível o preparo de Amanda Palha, 30 anos. Ela tem propostas claras, com caminhos traçados e bem alinhados com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Militante de movimentos sociais desdes os 18 anos, Amanda veio de São Paulo para o Recife em 2014, para estudar Serviço Social na UFPE &#8211; curso no qual foi primeiro lugar pelo Sisu no Brasil e trancou neste semestre para se dedicar à campanha. Defende a representatividade,e vai além, com a forte premissa da participação popular definida pelo seu slogan: “Nada sobre a gente sem a gente”.</p>
<p>O processo de escolha da candidatura de Amanda Palha dentro da coligação Psol/PCB foi coletivo. &#8220;A discussão foi mais de quem vai encampar os projetos do partido. A ideia não era ser uma candidatura LGBT, mas a gente entendeu que ser eu nesse processo seria importante, por ser LGBT, por ser travesti. Primeiro, pela ousadia do ato. E depois por minha trajetória política. Precisávamos de nomes fortes, pelo caminho de retrocesso que estamos vivendo&#8221;, diz.</p>
<blockquote><p><a href="https://www.facebook.com/amandapalha21/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira aqui a página da candidata com mais propostas</a></p></blockquote>
<p>Apesar de não entrar na cota de 30% do fundo especial para as mulheres, Amanda não teve com isso prejuízo financeiro para a sua campanha, já que é uma candidata prioritária do PCB. “É uma candidatura para marcar território político sim, mas estamos trabalhando duro para ganhar”, diz.</p>
<p>Filiada desde 2013 ao PCB, defende principalmente a geração de empregos e a democracia direta. &#8220;Queremos sair da lógica de que políticas públicas para LGBT, mulher, negros são políticas públicas apartadas de tudo. Temos um programa de 21 passos, em que discutirmos moradia, trabalho e tem especificidades, claro. Para a população LGBT tem de ter medidas protetivas, o projeto Dandara dos Santos, que é sobre a tipificação da LGBTfobia, a lei João Nery (reconhecimento da identidade de gênero), mas a gente ganha muito mais discutindo essas ações como parte de um todo”, diz.</p>
<p>“Por exemplo, para discutir trabalho: tem que ter programas de empregabilidade para cidade e campo. E como para a população LGBT a gente tem essa questão da empregabilidade muito sensível, a ideia é atrelar a empregabilidade aos programas de assistência. A gente precisa de uma ampliação destes programas &#8211; o que temos hoje são projetos pilotos, alguns muito bons, mas atendem poucas pessoas. Queremos a ampliação e criação de novos programas empregando LGBTs. A mesma coisa para mulheres, para a população negra, indígena, quilombola. É uma forma de você gerar empregos com estabilidade atrelados à expansão do serviço de assistência&#8221;.</p>
<h3><span style="color: #003366;">Joana Casotti &#8211; 65777 &#8211; candidata a deputa estadual</span></h3>
<p><div id="attachment_10843" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10843" class="wp-image-10843" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/joanacasotti.jpg" alt="joanacasotti" width="702" height="469"><p id="caption-attachment-10843" class="wp-caption-text">Joana Casotti está candidata pelo PCdoB. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Uma das mais jovens a concorrer neste ano, Joana, de 21 anos, é também a mais pragmática entre as candidaturas trans em Pernambuco. Concorre pelo PCdoB, partido da Secretaria de Cultura do Estado, que se envolveu na polêmica censura ao espetáculo “Evangelho segundo Jesus – Rainha do Céu”, da atriz transexual Renata Carvalho, no Festival de Inverno de Garanhuns deste ano. Joana vê o episódio como uma pedra em uma longa jornada. “ Não adianta a gente ficar discutindo por coisas assim. É preciso se unir nos pontos em comum. E se unir com quem está no poder também, para que questões mais relevantes ganhem força”, diz. &#8220;Somos assassinadas todos os dias, temos que lutar pela sobrevivência&#8221;.</p>
<p>Moradora de Igarassu, Joana conta em debates e rodas de conversa sobre os preconceitos que sofreu e sofre. Mesmo já formada em design, nunca conseguiu emprego na área. Agora, estuda arquitetura. “Moro em um bairro pobre, com pouca iluminação, e toda noite que volto da faculdade para casa tenho medo de ser estuprada. Medo compartilhado com meu companheiro, que é um homem trans”.</p>
<blockquote><p><a href="https://www.facebook.com/joana.casotti.pcdob/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira a página da candidata com mais propostas</a></p></blockquote>
<p>Entre as propostas de Joana, está a construção de um espaço de acolhimento para a população LGBT. &#8220;Nós somos expulsas de casa, expulsas de escolas, sem direito à família, sem direito ao amor. Não temos direito à cidadania. Um abrigo LGBT é importante para abrigar quem foi expulso de casa e muitas vezes jogado para a prostituição. Falo aqui não da prostituição como escolha, mas quando é o único caminho de matar nossa fome&#8221;, diz.</p>
<p>Outra pauta é a segurança. &#8220;Hoje, as mulheres não podem andar nas ruas sem se preocupar&#8221;, acredita Joana, que defende a importância da representatividade trans na política. &#8220;É importante ter uma mana nas assembleias legislativas. Temos que mostrar para a sociedade que somos trans e vamos ficar por aqui. Não é essa estrutura política de golpe que vai nos retroceder. Ninguém vai nos derrubar&#8221;.</p>
<h3><span style="color: #003366;"><strong>Robeyoncé Lima &#8211; 50180 (na urna, Jô Cavalcanti) &#8211; candidata à codeputada estadual</strong></span></h3>
<p><div id="attachment_10849" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10849" class="wp-image-10849 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Robeyoncé-Lima-1-1024x682.jpg" alt="" width="702" height="467"><p id="caption-attachment-10849" class="wp-caption-text">Robeyoncé Lima faz parte da candidatura Juntas. Foto: Mayara Santana</p></div></p>
<p>Formada em direito pela UFPE, Robeyoncé Lima foi a primeira advogada trans de Pernambuco. Por seis meses, em 2016/2017, trabalhou no gabinete do vereador Ivan Moraes, também do Psol. &#8220;Foi minha primeira experiência com política institucional e comecei a ter um aprofundamento do processo legislativo. De como tramita um projeto de lei e também de quem é quem no jogo político. Agora, é outro cenário. Estou na linha de frente&#8221;, contaa técnica administrativa concursada pelaUFPE, que trabalha na Faculdade de Direito do Recife.</p>
<p>A ida para o Juntas veio da vontade de militar em outras esferas. &#8220;A militância de rua é importante. Mas não tem muito resultado na efetivação de política públicas. É preciso ocupar os espaços políticos que regem a vida da gente&#8221;, diz. &#8220;Quando a gente não tem LGBT na política a gente está entregando a vida da gente para outras pessoas que não vão ter a mesma sensibilidade e a gente não sabe se vão abraçar a pauta da gente ou não. O cenário político atual não nos dá apoio. Os principais avanços (da pauta LGBT) hoje em dia, por exemplo, estão vindo do Judiciário&#8221;, explica.</p>
<blockquote><p><a href="https://www.facebook.com/juntascodeputadas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira aqui a página da candidatura com mais propostas</a></p></blockquote>
<p>&#8220;Nossa maior pauta é o direito à vida das pessoas LGBT&#8221;, responde Robeyoncé, ao ser questionada sobre as pautas prioritárias que levou para a Juntas. &#8220;De que adianta a trans trocar o nome no cartório durante o dia e à noite ser assassinada? Então, a pauta maior é a segurança, o respeito, o direito à vida. Nós somos exterminadas porque a sociedade nos vê como seres anormais. Não há formação adequada nas pessoas para a identidade de gênero. Respeito não é uma escolha, é um dever&#8221;, diz a candidata, que vê na educação a principal aliada para essa mudança.</p>
<p>Para além da pauta de uma cidade segura, Robeyoncé vê nas políticas impositivas uma forma de, a curta prazo, melhorar a inserção trans na sociedade. &#8220;Como um projeto de lei que estabelecesse, por exemplo, 5% ou 10% das vagas de empregos para pessoas trans ou um projeto de lei que faça com que os estabelecimentos tenham informações sobre o disque-denúncia de LGBTfobia&#8221;, propõe.</p>
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