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	<title>Arquivos Casa Forte - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Mar 2026 21:59:03 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Casa Forte - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Sob protestos, João Campos assina início da obra da ponte Cordeiro-Casa Forte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 21:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Forte]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O prefeito João Campos (PSB) assinou nesta quinta-feira (12) o início da construção da ponte que vai ligar os bairros do Cordeiro e de Casa Forte. Foi um ato em ritmo de campanha, cercado por vereadores, deputados, o vice-prefeito, Victor Marques, e secretários de várias pastas. Antes de começar o evento, moradores dos dois bairros haviam decidido fazer um protesto com cartazes. Para a construção da ponte e dos sistema viário, serão pelo menos três desapropriações totais na comunidade de Santana e mais de 100 na comunidade de Cocheira, no Cordeiro.</p>



<p>Mas, lá dentro do futuro canteiro de obras, só os representantes da Zona Norte mostraram seus cartazes.</p>



<p>Antes do evento começar os dois grupos foram abordados por funcionários da prefeitura. Os moradores da Cocheira desistiram de protestar por conta da promessa de uma reunião na prefeitura. “Disseram pra gente ficar quieto, porque aí a gente iria ser recebido pelo presidente da URB (Autarquia de Urbanização do Recife). Se a gente fizesse algazarra não iriam nos receber, aí cancelamos o nosso protesto”, contou um morador, que não quis se identificar.</p>



<p>Acordo semelhante foi oferecido aos moradores de Santana, com a promessa de serem recebidos pelo prefeito João Campos, mas eles preferiram levantar os cartazes. Do lado da zona norte, a principal reclamação é que o projeto da ponte foi todo feito sem incorporar as reivindicações e sugestões da população.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/sem-corredor-de-onibus-e-com-ciclovia-de-1m-de-largura-ponte-cordeiro-casa-forte-e-alvo-de-denuncia-ao-mppe/" class="titulo">Sem corredor de ônibus e com ciclovia de 1 m de largura, ponte Cordeiro-Casa Forte é alvo de denúncia ao MPPE</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/mobilidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Mobilidade</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“A gente não está dizendo aqui que a gente não teve nenhuma tratativa com a URB nem com a Prefeitura do Recife. Mas nenhum desses diálogos a gente considera produtivo. A gente tem um saber na comunidade, temos uma equipe de jurídico, de arquitetos e engenheiros de tráfego que nos auxiliam e que leram o projeto da ponte e apontaram gravidades nele”, afirma a historiadora Rosely Bezerra da Silva, moradora da comunidade de Santana. “Mas isso não foi escutado nem pela Prefeitura do Recife, nem muito menos pela URB. O que a gente continua escutando é que o prefeito quer fazer e vai fazer a obra. Desde 2024 a gente luta para que a gente possa participar e colaborar nesse projeto, principalmente quando a gente soube que o único mercadinho dentro da comunidade seria afetado”, acrescentou Rosely.</p>



<p>Ao discursar, João Campos afirmou que existe uma comissão permanente liderada pelo vice-prefeito Victor Marques – que deve assumir a prefeitura em abril quando Campos renunciar para concorrer ao Governo do Estado – e pela URB “para dialogar, para quem quiser questionar as desapropriações, renegociar valores, judicializar” e que é “ fundamental a gente construir sempre ouvindo as pessoas, mas jamais deixar de fazer algo que a cidade espera e sonha, porque um ou outro pode ser contra, inclusive politicamente”. O prefeito também falou que não tem “medo de cara feia”.</p>



<p>Para a comunidade de Santana, que há dois anos busca sem sucesso participar e ser ouvida sobre o projeto da obra, o discurso não caiu bem. “Me senti hostilizada, porque aqui, enquanto moradora da comunidade Santana, acredito que devo ter voz e diálogo. E isso não aconteceu, e não vai acontecer pelo que ele (João Campos) falou hoje. E o mais difícil é ver pessoas que estão trabalhando para a prefeitura operando para que a gente não exerça nem mesmo o nosso direito de se manifestar, nossa liberdade de expressão. Pediram para a gente abaixar o cartaz, que não precisava ficar aqui na frente e expor. Isso mostra a gravidade do silenciamento, que é constante”, criticou Rosely.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Indenizações não seguem padrões, denunciam moradores</h2>



<p>Do outro lado do rio, a luta é para que as indenizações dêem para comprar uma casa digna em outro lugar. Ocupação que começou a ganhar fôlego de dez anos para cá, quando já se falava na construção de uma ponte no local, Cocheira vai praticamente sumir do mapa: são 107 desapropriações totais para a construção da ponte e mais 13 para o sistema viário.</p>



<p>A construção da ponte tem um valor total inicial de R$ 236,4 milhões. A pretensão inicial da Prefeitura do Recife é gastar um valor estimado de R$ 5.657.549,15 com as desapropriações. Ou seja, o valor das indenizações corresponde a apenas 2,3% do valor inicial do projeto. Quando dividido pelo número de desapropriações, dá cerca de R$ 50 mil para cada família — valor insuficiente para comprar um imóvel escriturado no mesmo bairro, onde a média do metro quadrado é de R$ 5 mil.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Projeto não tem faixa exclusiva para ônibus</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">O projeto da nova ponte faz parte do complexo viário da III Perimetral. A ponte Cordeiro-Casa Forte terá 380 metros de extensão e cerca de 11 metros de altura. A expectativa é de que fique pronta no prazo previsto de 38 meses. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo a prefeitura, serão requalificadas 17 vias do entorno, totalizando 7,3 quilômetros de extensão, incluindo 2 quilômetros que hoje não são pavimentados. Também haverá melhorias de drenagem, iluminação pública, construção de calçadas acessíveis e implantação de ciclofaixa de 1,2 quilômetros, além da recuperação da Praça Flor de Santana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prefeitura justifica a necessidade da obra como complemento à ponte Jaime Gusmão – que liga os bairros do Monteiro e Iputinga – para desafogar o trânsito na área e encurtar as distâncias entre zona norte e zona sul, já que o acesso para bairros como Boa Viagem ficará mais fácil pela avenida San Martin – a prefeitura afirma que a nova ponte vai reduzir em até 63% o tempo de deslocamento entre as avenidas Dezessete de Agosto e San Martin.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No discurso, o prefeito João Campos (PSB) afirmou que novas linhas de ônibus serão criadas com a inauguração da ponte. Mas a <a href="https://marcozero.org/sem-corredor-de-onibus-e-com-ciclovia-de-1m-de-largura-ponte-cordeiro-casa-forte-e-alvo-de-denuncia-ao-mppe/" target="_blank" rel="noopener">Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo) denunciou ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE)</a> que a ponte e seu sistema viário não prevêem faixa exclusiva para o transporte público e o projeto traz ciclofaixas mais estreitas do que o recomendado pela própria lei municipal. </span></p>
	</div>



<p>Mas há grande disparidade nos valores oferecidos pela prefeitura. Há moradores felizes com suas indenizações, outros que lutam para aumentar o valor e outros que aceitaram porque se sentiram pressionados. Este último é o caso da moradora Vitória Carolaine, que mora lá há aproximadamente dez anos. “Fui na URB e disseram que minha indenização iria ser de R$ 59 mil, reclamei e me disseram assim “rabo de cavalo só cresce para baixo”. Estão querendo dizer o que com isso? Que vão diminuir o valor só porque a gente está reclamando? E foi o que aconteceu comigo! Na outra semana, disseram que a indenização iria ser de R$ 57 mil. Por quê baixou? Ninguém sabe explicar, só dizem que seguem uma tabela, só têm essa conversa”, reclama.</p>



<p>Em outro caso, uma reforma de apenas R$ 600 fez quase dobrar o valor inicial da avaliação da URB, como aconteceu com um morador que não quis se identificar. “Tive que aceitar na pressão, porque disseram que iam colocar na Justiça. Depois de eu chorar bem muito, fecharam nos R$ 80 mil. A indenização dobrou da oferta inicial porque eu chorei e tive que fazer uma reforma na minha casa”, contou. “A URB disse que não ia reavaliar porque eles já vinham avisando que não era para mexer mais na casa. Mas como é que a gente não vai mexer se o valor que eles ofereceram de primeira era injusto? A gente vai morar onde com R$ 40 mil? Aí eu tive que fazer uma reforma. Eles reavaliaram e aumentaram o valor”, disse.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/desapropriacoes-para-construcao-da-ponte-cordeiro-casa-forte-deverao-custar-cerca-de-r-56-milhoes/" class="titulo">Desapropriações para construção da ponte Cordeiro-Casa Forte deverão custar cerca de R$ 5,6 milhões</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Também moradora da Cocheira, Danielle Luiz está na comissão que vai discutir as indenizações com a URB. Disse que falou rapidamente com o vice-prefeito e com o presidente da URB antes do evento e que ambos disseram desconhecer a situação dos moradores do Cordeiro. Uma reunião foi marcada para ainda esta semana.</p>



<p>“Minha casa tem 13,9 metros de comprimento, toda no PVC, toda na laje, toda na cerâmica. O banheiro também é todo na cerâmica. O que vieram dizer pra gente é que a parte molhada – no caso, o banheiro – não é contabilizada. Mas quando a gente chegou lá no armazém para comprar cerâmica, a gente não disse “é para banheiro, tem que ser de graça”. A gente não está brigando, a gente só quer realmente o nosso direito”, afirmou.</p>



<p>Em resposta a um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI) feito pela Marco Zero, a prefeitura do Recife afirmou que os imóveis são avaliados considerando sua tipologia, condições, tempo de construção e área, “aplicando-se a isso os índices estabelecidos pelas tabelas oficiais de engenharia e as normas da ABNT”. De acordo com a resposta à LAI, nos imóveis escriturados também é avaliado o valor do terreno.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/ponte.jpg" alt="A foto mostra duas áreas urbanas muito diferentes separadas por um rio. De um lado, vemos uma comunidade de casas pequenas e simples, construídas com materiais variados, em ruas estreitas e pouco estruturadas. Do outro lado, aparecem prédios altos e modernos, representando uma parte mais desenvolvida e rica da cidade. O contraste entre os dois espaços evidencia a desigualdade urbana: pobreza e riqueza convivendo lado a lado, mas divididas pela água e pela vegetação." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Comunidade da Cocheira irá praticamente sumir do mapa com obra da ponte
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Moradores do Cordeiro reclamam do valor das indenizações para dar lugar à nova ponte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Dec 2025 16:16:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Forte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Boa parte da comunidade da Cocheira vai sair do mapa com a construção da ponte que ligará o bairro do Cordeiro, na zona oeste, aos de Casa Forte e Santana, na zona norte do Recife. Sem negociação prévia com a prefeitura do Recife, os moradores foram informados, há pouco mais de duas semanas, que deveriam [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Boa parte da comunidade da Cocheira vai sair do mapa com a construção da ponte que ligará o bairro do Cordeiro, na zona oeste, aos de Casa Forte e Santana, na zona norte do Recife. Sem negociação prévia com a prefeitura do Recife, os moradores foram informados, há pouco mais de duas semanas, que deveriam ir à Autarquia de Urbanização do Recife (URB) para saber quanto iriam receber de indenização por suas casas. Moradores ouvidos pela Marco Zero dizem que, entre 2022 e 2024, muitas das casas foram medidas por técnicos da URB – mas eles ainda não sabiam exatamente para o que seria. E que, mesmo com os rumores do projeto da ponte existindo há vários anos, achavam que seria mais um projeto que nunca sairia do papel.</p>



<p>“Quando a ponte da Iputinga foi inaugurada, a uns quatro quilômetros daqui, a gente achou que essa ponte daqui não iria sair mais”, conta o morador Luiz Augustinho, que há aproximadamente seis anos vive na comunidade, em uma casa de dois andares. Foi ele quem praticamente informou aos moradores de Cocheira – também conhecida como Argolinha – sobre a desapropriação depois que compareceu com alguns vizinhos à reunião da URB, no começo de novembro.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/comunidade-no-cordeiro-deve-ter-o-maior-numero-das-150-desapropriacoes-da-ponte-casa-forte-cordeiro/" class="titulo">Comunidade no Cordeiro deve ter o maior número das 150 desapropriações da ponte Casa Forte-Cordeiro</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/mobilidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Mobilidade</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A Marco Zero esteve presente naquela reunião em que tanto os técnicos da URB quanto um homem que se identificou como funcionário da secretaria de Governo da Prefeitura do Recife garantiram que uma reunião naqueles mesmos moldes, de apresentação do projeto e das desapropriações, seria realizada no Cordeiro. No entanto, isso nunca aconteceu. “Já chegaram com um papel dizendo que tinha que ir na prefeitura para ver a indenização. Não teve conversa nem apresentação nenhuma”, contou Patrícia Maria, mãe solo de três filhos e que não sabe quando terá de sair da casa onde mora há dez anos. Na prefeitura, ela foi informada que sua casa, com dois quartos, sala, cozinha, área de serviço e um pequeno terraço, valia R$ 45 mil. “Não sei para onde vou com esse valor”, reclama.</p>



<p>A comunidade de Cocheira é um lugar pobre, mas não miserável. O terreno era usado para criação de cavalos – o local fica ao lado do Parque de Exposição de Animais do Cordeiro. Pelas imagens do Google Earth, dá para ver que a ocupação da área com moradias se intensificou bastante de uma década para cá. Os moradores acreditam que vivam hoje lá entre 50 e 60 famílias. A maioria dos moradores ouvidos pela Marco Zero contou que mora lá desde pouco antes da pandemia. Muitos vieram de outras comunidades ao redor: aproveitaram as construções das cocheiras dos animais sem uso e foram construindo suas casas. Hoje, são casas de alvenaria, muitas delas com pisos de cerâmica e gradeadas. Há ainda casas confortáveis, com amplos terraços e garagem.</p>





<p>Quando a Marco Zero esteve na comunidade, na semana passada, as indenizações oferecidas pela prefeitura variavam de R$ 14 mil a R$ 59 mil. Todos os entrevistados reclamaram desses valores. “Estão oferecendo valores que nem mesmo um barraco aqui próximo a gente consegue comprar. A gente está saindo da nossa moradia que a gente construiu, que a gente investiu, que a gente criou sonhos, para ficar ao léu”, desabafou Luiz Fernando de Lima, que mora lá com a família há oito anos. “Mas a família da minha esposa vive aqui há mais de 20 anos”, afirmou.</p>



<p>De acordo com os moradores, semanalmente a URB tem chamado dez famílias para irem até a prefeitura para ficar sabendo o valor da indenização. A casa de Luiz Fernando foi toda medida, mas, quando ele chegou lá, a foto que lhe mostraram era a da casa de um vizinho. A URB estava novamente fazendo a medição da casa dele quando a reportagem foi ao local. “Ninguém sabe como é que eles chegaram a esses valores. É muito abaixo do que a gente esperava. Estão oferecendo R$ 40 mil em casas com cerâmica, com PVC…isso é um absurdo”, reclamou Luiz Fernando.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">As desapropriações da ponte Casa Forte-Cordeiro</span>

		<p><strong>Desapropriações para a ponte: </strong></p>
<p><strong>Somente no Cordeiro</strong><br />
Edificações: 102<br />
Terrenos: 05<br />
Total: 107</p>
<p><strong>Desapropriações para o sitema viário:</strong></p>
<p><strong>Cordeiro</strong><br />
Edificações com desapropriação total: 9<br />
Edificações com desapropriação parcial: 10<br />
Edificações com recuo de muro: 13</p>
<p><strong>Santana</strong><br />
Edificações com desapropriação total: 3<br />
Edificações com desapropriação parcial: 3<br />
Edificações com recuo de muro: 5</p>
<p><strong>Total: 43</strong> (sendo, 12 total, 13 parcial e 18 somente o muro)</p>
<p><em>Fonte: Apresentação da URB na comunidade de Santana</em></p>
	</div>



<p>Sem trabalho e cuidando do pai cadeirante, Raiane Marques da Silva, de 24 anos, não quer deixar a casa que a família construiu devagarzinho ao longo de uma década. “Aqui é um lugar tranquilo. Um lugar que a gente não vai encontrar mais. Todo mundo é, vamos dizer, uma mesma família. Faz mais de dez anos que eu moro aqui, mais de dez anos que eu deixo minha porta aberta. As crianças brincam na rua, onde a gente vai encontrar um lugar desse?”, questionou. Para a casa dela, a prefeitura ofereceu R$ 40 mil.</p>



<p>“O outro lado (Santana), como é uma classe mais nobre, é um pessoal que tem uma condição aquisitiva maior do que a nossa, tiveram palestra da prefeitura, tiveram representantes, fizeram até uma movimentação com advogados. Aqui a gente praticamente não teve nada. O que veio foi um vereador de não sei de onde dizer que ia ajudar, que não ajudou em nada. E um pessoal do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) leu <a href="https://marcozero.org/comunidade-no-cordeiro-deve-ter-o-maior-numero-das-150-desapropriacoes-da-ponte-casa-forte-cordeiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a reportagem de vocês [da Marco Zero]</a> e veio aqui, disse que nos daria apoio para pegar informações na prefeitura e apoio jurídico. Eu senti firmeza neles, mas outro pessoal daqui não sentiu, então acabamos descartando esse apoio. E agora está a prefeitura aqui medindo as casas de novo. Estamos sozinhos”, lamentou Luiz Fernando.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Indenizações pagas pela prefeitura não compram moradia digna</span>

		<p>No ano passado, o mandato do então vereador Ivan Moraes (PSOL) publicou a nota técnica <a href="https://drive.google.com/file/d/164DIMwrcGKoR54X2hB515P-wwEKJ8w77/view" target="_blank" rel="noopener">(Des)Política habitacional do Recife</a>, que levantou dados sobre as desapropriações feitas na capital. A publicação informa que de 2013 a 2023 quase 70% das indenizações pagas na cidade do Recife foram abaixo de R$ 50 mil enquanto um imóvel de 40 m² (tamanho base das unidades habitacionais do MCMV Faixa 1) no bairro com o menor valor de metro quadrado da cidade custaria no mínimo R$ 130 mil.</p>
<p>Outro dado mostra que as famílias desapropriadas não conseguem sair de suas casas para uma moradia digna com o valor das indenizações pagas pela Prefeitura do Recife: das 2307 desapropriações realizadas pela URB e pela Secretaria de Saneamento, no período de 2013 a 2023, 469 delas, ou seja, 20,2% foram indenizações com valores abaixo de R$ 10 mil.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Moradia avaliada em R$ 14 mil</h2>



<p>Há menos de dois anos, o barbeiro Pablo Fernando foi morar na Cocheira na casinha que a avó dele morava. É bem pequena, com um vão de sala e cozinha, um quarto, um corredor estreito e um banheiro. Na URB, foi informado que receberia R$ 14 mil de indenização.</p>



<p>“Na verdade, a gente não é contra a ponte. A gente só queria um preço justo para a gente poder arrumar uma moradia em outro lugar. Eu, como tenho dois filhos pequenos, não posso sair daqui para uma casa que seja ainda menor”, diz Pablo, que mora lá com a companheira, um bebê de quase dois anos e outro de apenas quatro meses. “A gente estava contente, feliz, achando que ia receber um valor justo”, disse ele, que reclama que o pequeno banheiro não foi medido pelos técnicos da URB.</p>



<p>Se o valor não mudar, Pablo e a família pensam em ir para um terreno ou barraco em outra ocupação – permanecendo em uma moradia precária que contribui para o número de ocupações irregulares no Recife. “E depois, quando a prefeitura quiser tirar a gente dessa outra ocupação, vai ver que eu já recebi uma indenização daqui. Ou seja, chegar lá vamos ter que botar no nome de outra pessoa. Isso vira um ciclo. A gente quer sair daqui para uma moradia digna, mas com esse valor não tem como, vamos ter que ir para outra ocupação”, diz.</p>





<p>Luiz Agostinho ainda não foi chamado para ir saber quanto vai ser sua indenização. Está apreensivo de que o valor não seja condizente com o que gastou. A casa que construiu em Cocheira tem 100 m², quatro quartos, cozinha grande, dois banheiros. “É uma casa ótima. Uma casa dessa em algum bairro próximo daqui não é menos de 200 mil”, diz ele. “Vamos supor que eu gastei mais de 120 mil na minha casa. Não sei se a prefeitura vai me oferecer um valor desse. Porque eles chegam e dão a proposta. A gente aceita ou não. Se não aceitar, derruba de todo jeito e depois a pessoa se vira na Justiça. E aí pode demorar anos”, lamenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Prefeitura não dá respostas sobre desapropriações</strong></h2>



<p>A MZ questionou a prefeitura do Recife sobre o motivo de não ter sido feita reunião com os moradores do Cordeiro, quais os critérios para definir os valores das indenizações e quais serão os imóveis desapropriados. A prefeitura não respondeu. A MZ então abriu uma solicitação via Lei de Acesso à Informação (LAI) e, quando for respondida, essa reportagem será atualizada.</p>



<p>Ao responder um outro pedido de informação em janeiro deste ano, que está <a href="https://transparencia.recife.pe.gov.br/uploads/cgai_arquivoPedido/2025_38453_17_0_R.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">disponível no Portal da Transparência</a>, a URB disse, naquela época, que, como o projeto ainda se encontrava em fase de ajuste, “não se dispõe de elementos concretos que justifiquem notificação e/ou diálogo com as comunidades a serem afetadas pelo mesmo”. Ou seja, o diálogo com a população – quando existe – só é feito após o projeto já estar todo pronto. </p>



<p>Neste mesmo pedido de informação do mês de janeiro, a URB informou que não havia previsão de vagas em habitacionais para as famílias desapropriadas e que a “forma de compensação prevista, até agora, é indenização por benfeitoria, e terreno, se for apresentado o respectivo RGI do imóvel”. Ou seja, como são comunidades de ocupação, sem escritura, só entra na indenização o valor daquilo que foi construído.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/moradores-do-cordeiro-reclamam-do-valor-das-indenizacoes-para-dar-lugar-a-nova-ponte/">Moradores do Cordeiro reclamam do valor das indenizações para dar lugar à nova ponte</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Sem diálogo com a comunidade, Prefeitura do Recife confirma remoção de casas para ponte Casa Forte-Cordeiro</title>
		<link>https://marcozero.org/sem-dialogo-com-a-comunidade-prefeitura-do-recife-confirma-remocao-de-casas-para-ponte-casa-forte-cordeiro/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Sep 2025 21:21:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Forte]]></category>
		<category><![CDATA[Cordeiro]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Prefeitura do Recife confirmou que a construção da ponte Casa Forte-Cordeiro removerá casas da comunidade de Santana. A gestão iniciou o levantamento de imóveis na área e já marcou algumas residências, mas afirmou que ainda não há definição sobre a quantidade de casas que serão retiradas. As obras estão previstas para começar no primeiro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Prefeitura do Recife confirmou que a construção da ponte Casa Forte-Cordeiro removerá casas da comunidade de Santana. A gestão iniciou o levantamento de imóveis na área e já marcou algumas residências, mas afirmou que ainda não há definição sobre a quantidade de casas que serão retiradas. As obras estão previstas para começar no primeiro semestre de 2026.</p>



<p>O silêncio da prefeitura perante os moradores tem gerado medo e tensão desde as eleições de 2024, quando o prefeito João Campos (PSB) anunciou a obra como promessa de campanha.</p>



<p>Apesar de sucessivos pedidos de informações e solicitações de reuniões e participação na concepção do projeto, o diálogo com a comunidade só será realizado no período de publicação do edital, segundo a prefeitura. Ou seja, quando o projeto já estiver finalizado e sem possibilidade de alterações.</p>



<p>É quando, segundo nota enviada à Marco Zero, “os moradores terão a oportunidade de conhecer os detalhes do projeto, esclarecer dúvidas e acompanhar de perto as etapas da obra”. Atualmente, o projeto encontra-se em fase de revisão e deverá ser concluído até o mês que vem. Em seguida, até o fim de 2025, será realizada a publicação do edital de licitação.</p>



<p>A obra pretende conectar Casa Forte e bairros vizinhos da zona norte a Boa Viagem, na zona sul, num fluxo mais curto, passando pelas avenidas General San Martin e Recife, sem precisar passar pela avenida Agamenon Magalhães. A ponte é parte da terceira perimetral da cidade, corredor viário planejado desde a década de 1980.</p>



<p>Parte das 800 famílias que vivem em Santana acompanharam de perto o trauma vivido por diversos moradores no bairro ao lado, com a construção da ponte Engenheiro Jaime Gusmão, inaugurada em agosto do ano passado. Também ligando as Zonas Norte e Oeste, conectando Monteiro à Iputinga, a obra causou desapropriações e pagamento de indenizações de baixo valor. Relembre <a href="https://marcozero.org/condenada-pela-prefeitura-do-recife-vila-esperanca-recusa-se-a-desaparecer/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/09/marcacao-comunidade-de-santana-foto-arnaldo-sete-marco-zero.jpg" alt="A foto mostra uma rua estreita e pavimentada da comunidade de Santana, vista em perspectiva baixa, bem próxima ao chão. Em primeiro plano, aparece uma calçada desgastada e quebrada, com rachaduras no cimento. Nela há uma marca de tinta vermelha em formato circular, feita de forma improvisada, como uma espécie de sinalização. O meio-fio também está danificado, com parte exposta de ferro ou arame. Mais ao fundo, a rua segue entre casas e muros, com algumas plantas em vasos e objetos espalhados. A cena transmite a ideia de descuido na infraestrutura e chama atenção para as marcas vermelhas, que sugerem algum tipo de intervenção planejada." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A reportagem mostrou, em abril, a <a href="https://marcozero.org/silencio-da-prefeitura-sobre-ponte-casa-forte-cordeiro-gera-medo-na-comunidade-santana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">angústia das famílias de Santana</a> por não saberem se serão obrigadas a deixar suas casas e histórias, seus comércios e laços comunitários, o que pode impactar diretamente rotinas e fontes de renda.</p>



<p>Após pressão, o único encontro formal que a comunidade conseguiu com a prefeitura, desde as últimas eleições, foi uma reunião com a Autarquia de Urbanização do Recife (URB), em outubro de 2024. O que os representantes de Santana ouviram foi basicamente que não seria possível ainda participar da então fase de estudo de viabilidade da ponte.</p>



<p>Uma questão que pesa nessa conta é a ausência de regularização fundiária. Como a maioria das famílias não possui título de propriedade com registro em cartório de imóveis, o valor pago é apenas o da benfeitoria, não incluindo o terreno.</p>



<p>No ano passado, o Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH) e o mandato do ex-vereador Ivan Moraes (PSOL) publicaram uma atualização da nota técnica “(Des)política habitacional do Recife”, lançada em 2023, que apresenta um panorama dos despejos no Recife entre 2013 e 2023. O documento destaca a quantidade de remoções, os valores de indenização e casos emblemáticos.</p>



<p>Segundo o levantamento, quase 70% das indenizações não ultrapassaram R$ 50 mil. O maior percentual (31%) ficou entre R$ 20 mil e R$ 50 mil, valor insuficiente para a aquisição de novas moradias na cidade.</p>



<p>Como alternativa, a prefeitura pode também conceder auxílio-moradia, de R$ 300, enquanto a família aguarda uma unidade habitacional. Esse valor dificilmente paga um aluguel na cidade, mesmo em áreas periféricas — ainda mais em Santana, rodeada de bairros nobres e que passa por valorização imobiliária na última década, sob influência do Parque Santana.<br> </p>



<p></p>



<p></p>
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		<title>As dúvidas e críticas que cercam o parque em Casa Forte anunciado de surpresa por João Campos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Apr 2023 17:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Forte]]></category>
		<category><![CDATA[Fundaj]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
		<category><![CDATA[poço da panela]]></category>
		<category><![CDATA[ponte iputinga-monteiro]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi de supetão: o prefeito João Campos (PSB) postou nas redes sociais &#8211; “em primeira mão” &#8211; que o imenso terreno na avenida Dezessete de Agosto, na altura do número 2000, viraria um parque. Já havia até imagens de projeção da mais nova área verde da zona norte e um nome: Jardim do Poço. Alvo [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/as-duvidas-e-criticas-que-cercam-o-parque-em-casa-forte-anunciado-de-surpresa-por-joao-campos/">As dúvidas e críticas que cercam o parque em Casa Forte anunciado de surpresa por João Campos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi de supetão: o prefeito João Campos (PSB) postou nas redes sociais &#8211; <a href="https://www.instagram.com/p/Cq5Lq0Ru3kG/?hl=en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“em primeira mão”</a> &#8211; que o imenso terreno na avenida Dezessete de Agosto, na altura do número 2000, viraria um parque. Já havia até imagens de projeção da mais nova área verde da zona norte e um nome: Jardim do Poço. Alvo de disputas, processos judiciais e protestos há mais de uma década, o imóvel foi desapropriado na terça-feira passada (11) em nome da “utilidade pública”. </p>



<p>No terreno, ainda está o outdoor que anuncia ali a construção de um novo Atacado dos Presentes, um “empreendimento integrado com o bairro e a natureza &#8211; as 82 árvores serão preservadas”. Uma praça ou um parque nunca é demais em uma cidade como o Recife, mas há várias dúvidas sobre o projeto e críticas sobre as prioridades da prefeitura.</p>



<p>Uma pergunta óbvia que ainda não tem resposta é sobre quanto a prefeitura do Recife vai gastar com a desapropriação do local. São na verdade oito terrenos, que, juntos, somam mais de 12 mil metros quadrados, ou 1,2 hectare. Isso na avenida que cruza os bairros mais nobres da zona norte.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Os terrenos desapropriados pela Prefeitura do Recife que compõem o imóvel. Imagem: Diário Oficial do Recife</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Questionada pela Marco Zero, a prefeitura do Recife não informou quanto estima gastar com a indenização da desapropriação. No Diário Oficial, consta que as despesas decorrentes da desapropriação vão sair da conta da secretaria municipal de Planejamento, Gestão e Transformação Digital. E que os possíveis débitos tributários dos oito imóveis que compõem o terreno serão abatidos do valor da indenização. </p>



<p>De acordo com a prefeitura do Recife, o parque só deverá começar a ser construído no próximo ano. No local, o vigia do terreno, que está lá há dois anos, afirmou que só soube que o terreno não era mais da empresa quando a polícia chegou, na terça-feira (11), com um ofício. A Marco Zero entrou em contato com o Atacado dos Presentes, mas não obteve resposta.</p>



<p>A professora do Laboratório da Paisagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Ana Rita Sá Carneiro lembra que o Recife, como um todo, tem poucos parques e de tamanhos diminutos. Ela celebra que a capital vai ter mais um parque, mas não deixa de reconhecer os privilégios dos bairros nobres. “As praças e parques no Recife surgem pela reivindicação dos moradores da área. poi assim como a Praça de Dois Irmãos, por exemplo, que está precisando de atenção. Há praça em frente ao antigo Aeroporto também, entre muitas outras”, diz.</p>



<p>Historicamente, não faz tanto tempo assim que se começou a reivindicar uso público para o terreno da Dezessete de Agosto, que é cercado de edifícios altíssimos. Só foi em 2019 que a vizinhança se uniu para não aceitar a construção do Atacado dos Presentes e, ao mesmo tempo, pedir um parque. Bairros nobres, como o Poço da Panela, têm mais poder de reivindicação. “A cobrança de moradores dessas áreas tem mais peso, disso sabemos. Cadê o parque da Tamarineira, por exemplo? Que é uma reivindicação mais antiga, já perto de Casa Amarela e que já teve até concurso para o que vai ser feito ali, mas segue sem nada”, questiona Ana Rita. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/construcao-de-atacado-dos-presentes-e-a-nova-polemica-do-poco-da-panela/" class="titulo">Construção de Atacado dos Presentes é a nova polêmica do Poço da Panela</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Em carta aberta, o <a href="https://www.instagram.com/p/Cq_jlPALWR5/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto dos Arquitetos do Brasil em Pernambuco (IAB-PE) </a>critica as prioridades de investimento da Prefeitura do Recife sob a gestão de João Campos. “Enquanto bairros que concentram moradores de alta renda ganham equipamentos dignos com mobiliários de qualidade, localidades com população mais carente recebem pinturas em escadarias e muros. Essas intervenções figuram muito bem nas redes sociais, mas são literalmente superficiais”, diz um trecho.</p>



<p>O IAB-PE também cobra transparência sobre o processo de desapropriação. “O que mais nos surpreende é a divulgação da desapropriação já com imagens do parque, mas ainda sem diálogo e transparência sobre o processo. Ao decidir e agir dessa maneira, a prefeitura se afasta da sua função de mediar conflitos e distorções sociais. Na verdade, ela passa a amplificá-los. Ora, quais são as prioridades de uma cidade que tem a maioria da sua população vivendo em situação de vulnerabilidade?“</p>



<p>O arquiteto e urbanista Cristiano Borba, doutor em desenvolvimento urbano, lembra que o empreendimento do Atacado dos Presentes já estava com uma série de entraves para a sua construção. A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que fica a poucos metros do terreno, pediu em 2020 a ampliação da atual Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico-Cultural do Poço da Panela (ZEPH nº 5) para incluir o campus Casa Forte da Fundaj e afirmou que a construção do Atacado iria prejudicar o processo tombamento do conjunto arquitetônico. Pouco depois, a Prefeitura do Recife revogou a licença prévia de construção do empreendimento. </p>



<p>Para Cristiano Borba, a desapropriação e a consequente apresentação do projeto foi brusca, deixando mais perguntas que respostas. &#8220;A questão é: por quê esse tipo de investimento? É estranho a prefeitura não negociar com o investidor. Não seria mais barato cobrar contrapartidas do que um investimento da própria prefeitura? Será que um armazém é tão vulgar a ponto de ser impossível conciliar com aquele perfil de vizinhança? Não é que a vida toda ali foi um terreno vazio, era um hospital. Por que de uma hora para outra fazer esse investimento, que não é barato?&#8221;, diz o urbanista, lembrando que há parques e praças próximos, como a praça de Casa Forte, o Jardim Secreto, o Parque Santana e o de Apipucos, que permanece sem uso, de portões sempre fechados. </p>



<p>Em 2019, Borba escreveu um <a href="https://marcozero.org/avenida-dezessete-de-agosto-2069-poco-da-panela-monumento-a-derrota-nossa-de-cada-dia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo sobre a demolição da Casa de Saúde São José</a>, que ocorreu em 2009.</p>



<p>Em nota, a Prefeitura do Recife afirmou que no último ano o procedimento de desapropriação foi realizado “mais de uma dezena de vezes nas mais diversas localidades da cidade como Areias, Campo Grande, Bongi, São José, Beberibe e Santo Amaro, entre outras, para contemplar a construção de diversos equipamentos públicos como unidades educacionais, o Hospital da Criança, as futuras obras de urbanização da Bacia do Pina e do Rio Tejipió, além da instalação de uma casa de acolhimento para pessoas idosas, entre outras obras”.</p>



<p>A prefeitura affirmou também que o Recife conta com mais de 660 áreas verdes, entre praças, parques e refúgios. &#8220;Apenas nos últimos dois anos, a Prefeitura requalificou 90 praças, além de fazer manutenção nos outros espaços, a exemplo da recém-entregue Praça da Infância, na Encruzilhada. A cidade também ganhou equipamentos novos desde 2021, como a segunda etapa do Parque das Graças, e haverá obras para um parque no Pina, que irá beneficiar, sobretudo, moradores das ZEIS Encanta Moça/ Pina, Brasília Teimosa e Ilha do Destino. Importante lembrar que o Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental (Promorar), também prevê obras de urbanização em 40 diferentes comunidades da cidade do Recife e incluem espaços públicos de lazer como praças”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/antonio-campos-entra-em-cena-e-mobiliza-moradores-do-poco-da-panela-contra-atacado-dos-presentes/" class="titulo">Antônio Campos entra em cena e mobiliza moradores do Poço da Panela contra Atacado dos Presentes</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Quem vai ser &#8220;o dono&#8221; do Jardim do Poço?</h2>



<p>Assim como o vigia do terreno, os moradores do Poço da Panela também foram pegos de surpresa <a href="https://www.instagram.com/p/Cq5IAnKOp4w/?hl=en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pelas imagens do Jardim do Poço</a>. Houve muita comemoração, claro. Era o que queriam há muitos anos: mantém o sossego e a paz do bairro, valorizando ainda mais as propriedades.</p>



<p>Mas o desenho do projeto não agradou a todos. O corte de árvores &#8211; a prefeitura afirmou que vai manter 69% da área natural, enquanto o Atacado dos Presentes dizia que não ia derrubar nenhuma das 82 árvores no terreno &#8211; foi um ponto de discórdia. A falta de pesquisa prévia com os futuros usuários do parque também é criticada por especialistas.</p>



<p>Os moradores, porém, estão confiantes de que o projeto pode mudar para se adaptar aos interesses da vizinhança. Já conseguiram o mais difícil, que era o disputadíssimo terreno. O advogado Elvânio Jatobá, que, lá atrás, deu início, junto com a Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE), à Ação Civil Pública por conta da demolição da Casa de Saúde São José, acredita que será possível um diálogo com a prefeitura. </p>



<p>“Era uma burrice o Atacado construir ali. Não pode se jogar um trânsito de 3 mil, 4 mil veículos por dia em um bairro como o Poço da Panela, que não sustenta nem 5 mil veículos. A desapropriação foi uma medida sensata e positiva da prefeitura. O melhor é um parque. Muita gente que andava na praça de Casa Forte não anda mais, tem carro estacionado dos dois lados. Tem que ter uma pista de cooper bem feita, como tem no parque da Macaxeira. Não acho que a prefeitura precisa discutir com ninguém antes para fazer o projeto, mas se deve haver adaptações, discussões. Não tem problema. O importante é que será para a comunidade, para a coletividade&#8221;, afirmou o advogado. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p>Em nota, a Prefeitura do Recife afirma que o projeto apresentado “trata-se de uma concepção preliminar e contempla estacionamento, bem como mobiliário e equipamentos voltados para uma tendência urbanística internacional de nome <em>880 Cities</em>, linha que entende que uma cidade cujos espaços públicos sejam pensados para pessoas de 8 a 80 anos é acolhedora para todos”.</p>



<p>Para a professora Ana Rita, os parques e praças funcionam melhor quando tem um pertencimento, a cara do frequentador. Foi assim com a concepção do Parque da Jaqueira e do Parque das Graças Lúcia Moura, que tiveram pesquisas &#8211; ou reivindicações &#8211; para o projeto. Na Jaqueira, havia no projeto inicial a construção de quadras poliesportivas. A população foi contra, pela preservação da área verde. No Lúcia Moura, houve pesquisa anterior para o desenvolvimento dos equipamentos para crianças pequenas. Vive cheio, sendo plenamente utilizado.</p>



<p>Ana Rita conta que, quando estava fazendo uma pesquisa no Parque Santana, ouviu de uma frequentadora que ali era um “parque sem dono”. “Ou seja, significa que é um parque que não tem a cara dos moradores, das pessoas que frequentam. Um parque precisa ter essa identidade com a vizinhança. Como a prefeitura anuncia a desapropriação e no mesmo dia já aparece com imagens do parque? tem que haver uma pesquisa, saber que uso o parque vai ter. Essa imposição padronizada de coisas já estabelecidas, eu acho errado”, afirma a professora.</p>



<p>Como mau exemplo dessa falta de escuta ela aponta o parque de Apipucos. “Ali era uma grande área onde não era para ter sido construídos aqueles prédios. O parque ficou praticamente isolado. Os moradores do Alto Santa Isabel mal frequentam. É um espaço cheio de concreto, que não tem o espírito do lugar porque não teve escuta da comunidade”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Espaço para a Vila Esperança</h3>



<p>Nos dias após a notícia da desapropriação, a sociedade civil organizada apontou um caminho mais democrático. Não é o parque que a prefeitura e os moradores da área nobre querem, mas também não é o Atacado dos Presentes com tráfego de caminhões e barulho. É a ideia de que a o terreno tenha um uso misto: um parque e moradia popular, atendendo quem viveu por ali a vida toda. </p>



<p>A moradia popular seria destinada para as famílias da Zeis Vila Esperança, que fica a menos de um quilômetro do terreno. As mais de 300 famílias da vila serão removidas por conta da obra da ponte Monteiro-Iputinga. Apenas 75 famílias têm a promessa de receber apartamentos em um local próximo, um terreno de cerca de 3 mil metros quadrados — o equivalente a 25% da área do Jardim do Poço.</p>



<p>“É bem possível conciliar área verde pública com habitação popular para que mais pessoas removidas da Vila Esperança sigam vivendo a 10 minutos de caminhada do local. Para tal, da mesma forma que a Prefeitura já fez acertadamente para o Parque Capibaribe, esse processo deverá passar por um concurso público de arquitetura. Esse é o caminho rumo ao ponto de encontro entre transparência, qualidade urbana e compromisso social”, diz a carta aberta do IAB-PE.</p>



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<p>Juntos, o Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec), o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), a CAUS Cooperativa e o Coletivo ZEIS Vila Esperança Resiste foram além. Na defesa da mesma proposta, <a href="https://www.cpdh.org.br/blog/post/ef9c1884-1a8c-465e-ba61-87284462b4ed" target="_blank" rel="noreferrer noopener">fizeram uma projeção de como poderia ser o terreno com uso misto</a> &#8211; e sem construir espigões, como os prédios vizinhos com mais de 30 andares.</p>



<p>Elaborada pela CAUS e pelo CPDH, a proposta conta com edifícios de apenas cinco pavimentos, preservando 8.800m² de área verde &#8211; ou 73%, mais do que os 69% do projeto da prefeitura &#8211; e a grande maioria das árvores. Os prédios teriam um total de 232 unidades de habitação de interesse social, com 55m² cada apartamento. “E isso sem esgotar os parâmetros da lei dos 12 bairros (SRU3), que nortearam esse estudo e ainda permitiriam chegar a oito pavimentos”, diz o documento.</p>



<p>A carta aberta pede o fim do racismo ambiental na região &#8211; a expulsão dos moradores da Vila Esperança e mais um parque para a área nobre &#8211; e defende que a Vila Esparança e o parque não estão em nenhuma competição. “Ao contrário: é perfeitamente possível conciliar habitação de interesse social e áreas verdes de qualidade nesse mesmo terreno e, com isso, minimizar drasticamente o impacto sobre as famílias da Vila Esperança. Assim como seria possível modificar o projeto da ponte e poupar dezenas de casas, como é reivindicado desde o início. Basta que o norte da prefeitura seja a garantia de direitos e não de privilégios.”</p>



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<p>O post <a href="https://marcozero.org/as-duvidas-e-criticas-que-cercam-o-parque-em-casa-forte-anunciado-de-surpresa-por-joao-campos/">As dúvidas e críticas que cercam o parque em Casa Forte anunciado de surpresa por João Campos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Moradores protestam e urbanistas criticam, mas prefeitura mantém shopping Burle Garden em Casa Forte</title>
		<link>https://marcozero.org/moradores-protestam-e-urbanistas-critricam-mas-prefeitura-mantem-shopping-burle-marx-em-casa-forte/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Aug 2021 23:37:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Forte]]></category>
		<category><![CDATA[poço da panela]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[shopping]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mais de 450 pessoas assistiram à audiência pública realizada virtualmente pela Câmara Municipal do Recife sobre o projeto do shopping Burle Garden Mall, nas imediações da Praça de Casa Forte. Moradores do Poço da Panela, inconformados por não terem sido sequer ouvidos para a aprovação do projeto, querem a anulação da licença de &#8220;reforma&#8221; do [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Mais de 450 pessoas assistiram à audiência pública realizada virtualmente pela Câmara Municipal do Recife sobre o projeto do shopping Burle Garden Mall, nas imediações da Praça de Casa Forte. Moradores do Poço da Panela, inconformados por não terem sido sequer ouvidos para a aprovação do projeto, querem a anulação da licença de &#8220;reforma&#8221; do antigo Hospital Gomes Maranhão, onde o futuro shopping será construído.<br><br>Na audiência, solicitada pelo vereador Ivan Moraes (PSOL), os moradores ouviram tanto da Prefeitura do Recife quanto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que nada será cancelado ou mudado. Representantes do empreendimento não participaram do encontro.<br><br>A audiência pública veio tarde. Antes da reunião em que o Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) formalmente aprovou o empreendimento, uma audiência solicitada pela vereadora Liana Cirne Lins (PT) foi cancelada. Ainda assim, talvez não tivesse tanto efeito: dificilmente o CDU reprova empreendimentos, que já chegam a esta última instância do urbanismo recifense com as licenças já todas aprovadas pela prefeitura e os demais órgãos.<br><br>A lei recifense não prevê consulta pública dos moradores para a construção de um empreendimento de impacto. Esse espaço de representatividade deveria acontecer no CDU, que hoje não cumpre esse papel. O que a lei atual prevê é apenas um comunicado, feito em jornal, da existência do projeto.<br><br>Na prática, a audiência de hoje funcionou como um espaço para os moradores finalmente serem ouvidos e pensarem em estratégias fora dos procedimentos da prefeitura, como levar a questão para Justiça e formalizar denúncia ao Ministério Público de Pernambuco.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/shopping-na-praca-de-casa-forte-e-mais-um-exemplo-de-urbanismo-sem-participacao-dos-moradores/" class="titulo">Shopping na praça de Casa Forte é mais um exemplo de urbanismo sem participação dos moradores</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Um dos principais questionamentos levados pelos moradores para a audiência foi o enquadramento do novo shopping como uma reforma, e não uma nova construção. Isso permitiu, por exemplo, que o empreendimento burlasse &#8211; termo que foi repudiado na reunião de aprovação da CDU &#8211; alguns requisitos da Lei dos 12 Bairros, como a altura de 8 metros &#8211; o shopping terá até 15 metros.<br><br>O projeto de reforma prevê a manutenção de apenas duas paredes do atual hospital, abandonado há décadas. &#8220;As imagens são claras que é um projeto completamente novo, não se trata de uma reforma. Se esse enquadramento não for anulado, vamos ter que rever o ensino de Arquitetura e Urbanismo, porque ninguém identifica uma demolição com nova construção como reforma&#8221;, reclamou a professora do Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Pernambuco, Natália Vieira.<br><br>Representando o secretário de Política Urbana e Licenciamento Leonardo Bacelar, que também é presidente do CDU, a secretaria executiva de controle urbano Taciana Sotto-Mayor abriu sua fala inicial de sete minutos com uma série de definições sobre o que é reforma. &#8220;A lei municipal é muito genérica&#8221;, reconheceu, concluindo que &#8220;todas as licenças já foram dadas e foi entendido que é um projeto bom para o lugar&#8221;.<br><br>O que acontece é que, pelas regras da prefeitura, é o próprio empreendedor quem indica se é reforma ou nova construção. Como o hospital fica em uma área de limitações por conta da Lei dos 12 Bairros, caso fosse uma nova construção, teria que se adaptar às restrições de altura e de manutenção de taxa de solo natural em 60% da área. Com a reforma, ele fica livre dessas limitações.<br><br>Representante do Iphan, o arquiteto Marcelo de Brito Albuquerque defendeu que a &#8220;categoria de reforma é bastante ampla&#8221; e que a licença concedida pelo órgão para o empreendimento não será revista.<br><br>&#8220;Estou há 16 anos no Iphan e não me lembro de uma única situação em que o Iphan tenha discordado da categoria de enquadramento que vem da prefeitura. De uma maneira geral, tem sido respeitado os encaminhamentos dados pela prefeitura. É uma discussão importante, mas toda a análise levou em consideração que já existe um construção no local, o prédio do hospital, e que esse projeto daria uma nova claridade ao lote, recuperando uma parte do solo natural e com o plantio de 20 árvores e 30 palmeiras&#8221;, afirmou o arquiteto.<br><br>Arquiteta e pesquisadora do Laboratório da Paisagem da UFPE, Lúcia Veras criticou a frieza burocrática do Iphan. &#8220;Quando se desce para o território, tem que se analisar com cuidado. Um projeto no entorno de uma praça tombada é uma destruição de um monumento da sociedade, da cidade, da comunidade. A prefeitura aprovar um projeto desses e depois comemorar a Semana Burle Marx não faz sentido algum&#8221;, afirmou.<br><br>Presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Antônio Campos também participou da audiência e afirmou que irá procurar a família de Burle Marx para &#8220;denunciar essa anti-homenagem&#8221;, já que o shopping usa o nome do paisagista.<br><br>Ao fim, a sensação que ficou é de que o Recife precisa urgentemente rever como a cidade está se desenvolvendo. E a participação da comunidade precisa ser efetiva. &#8220;É uma cidade planejada mais pelo empreendedor do que pelo morador&#8221;, afirmou Ivan Moraes, acrescentando que o Plano Diretor aprovado neste ano é um &#8220;tombo para quem luta pelos direitos à cidade&#8221;.<br><br>Para os moradores do Poço da Panela, por ora, parece que resta seguir o caminho dos moradores de Parnamirim e levar a questão para a Justiça. E fazer pressão política para que as regras sejam mais voltadas para o bem-estar dos moradores.</p>



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		<item>
		<title>Abandono e especulação ameaçam o Sítio Donino</title>
		<link>https://marcozero.org/abandono-e-especulacao-ameacam-o-sitio-donino/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2020 15:13:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Forte]]></category>
		<category><![CDATA[especulação imobiliária]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Marina de Sá Costa Lima* A Casa Tombada do Sítio Donino, no Poço da Panela, atualmente sofre com o descaso na conservação do patrimônio, o que está culminando em um desabamento visível. Há anos que a preservação, obrigatória, da estrutura arquitetônica não tem sido concretizada, fato que impulsionou a abertura de uma denúncia aos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Marina de Sá Costa Lima*</strong></p>



<p>A Casa Tombada do Sítio Donino, no Poço da Panela, atualmente
sofre com o descaso na conservação do patrimônio, o que está culminando em um desabamento
visível. Há anos que a preservação, obrigatória, da estrutura arquitetônica não
tem sido concretizada, fato que impulsionou a abertura de uma denúncia aos promotores
do Ministério Público de Pernambuco (Processo nº 62421042019-2), no ano passado,
na medida em que não fazem a conservação mínima desse patrimônio.</p>



<p>A referida
Casa Tombada, imóvel 136, é um Imóvel Especial de Preservação, localizada na
rua Joaquim Xavier de Andrade, sendo uma das primeiras casas a ser construída em
Casa Forte. Bem de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental,
inclusive de valor afetivo para a população, a Casa do Sítio Donino, necessita
de proteção pelo poder público, nos termos da legislação municipal de nº 16.284/97, a qual
prevê uma série de sanções, em suma, multas, proibição, por dez anos, do
direito de construir edificação no local onde existia o imóvel especial de
preservação, entre outros, para impedir a
descaracterização e destruição do imóvel supracitado.</p>



<p>Os proprietários antigos, pelo fato de morar na
residência, realizar encontros culturais e festivos, criaram apego e cuidados à
casa de forma a mantê-la bem conservada, com sua estrutura física registrada em
diversas fotografias e em obras de artistas da região. Hoje em dia, o imóve se
encontra em sério risco de desmoronar, fato que impulsionou às iniciativas atuais
de abertura de denúncias e pedidos de andamento da denúncia anterior ao MPPE e
à Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural.</p>



<p>Pela sua trajetória cultural histórica da construção
de Recife, a Casa do Sítio Donino, sobretudo por ter ensejado tantos eventos
musicais caros à memória pernambucana, poderia sediar um Museu, Fundação ou Centro
de Cultura musical popular, como forma de manter a estrutura arquitetônica” da
Casa e dar vazão ao seu histórico cultural e folclorista. Neste processo de
recuperação e restauração, provavelmente não faltariam pessoas no bairro e
instituições que se dispusessem a cooperar com o empreendimento. Tal como
afirma Duda Quadros, da Comunicação e Saúde da Fiocruz:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Manter a Casa em pé representa, igualmente, preservar os valores de nossas histórias entrecortadas de vivências múltiplas e que precisam da territorialidade, do espaço para se exercerem e continuarem habitando nossa construção simbólica e nossa identidade cultural </p><p>(Duda Quadros) </p></blockquote>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">A Casa do Sítio Donino (Arte e foto de Clarissa Garcia)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">A h<strong>istória cultural do Sítio Donino</strong></h2>



<p>A Casa do Sítio Donino manteve, por décadas, as festividades
de São João tradicionais, desde 1959, também conhecidas como as antigas festas
na roça &#8211; de celebração da colheita, com comidas típicas, fogos, balões e
brincadeiras do interior até o amanhecer, finalizando com bode inteiro assado
na fogueira, na beira do rio Capibaribe.As irmãs Ana Halleynita, Dolores,
Conceição e Maria de Lurdes Andrade foram as pioneiras a trazerem o pastoril e
presépio tradicional de Timbaúba para Casa Forte. Quando residiam em Timbaúba,
elas participavam das festividades de Natal e cantavam as músicas de presépio
na região. Ao se mudarem para Recife, elas trouxeram essas tradições de
presépio, junto às Lapinhas, que passaram a ser feitas na casa em questão.
Época em que era comum fazer lapinhas em suas casas. </p>



<p>Entre os anos de 1932 a 1938, o Padrinho Dadá, Padre
Francisco Donino – segundo pároco de Casa Forte &#8211; iniciou as apresentações do
Presépio do Sítio Donino no espaço que seria a atual Praça de Casa Forte. A partir
daí, a cada ano, os presépios do Sítio Donino eram realizados na Praça, ao lado
da Matriz de Casa Forte e na escola Pio X, abertos para a comunidade. Este
período representou a influência da cultura para apreciação da comunidade na
região. </p>



<p>Em 1956, Villa Lobos visitou a Casa do Sítio Donino para
reencontrar suas alunas Dolores e Lurdes e ver a irmã, Ana Halleynita (Dona
Ninita) tocar piano. Villa Lobos tocou piano e, em seguida, Ninita também tocou.
Admirado, ele afirmou categoricamente: “Dona Ninita, a senhora poderia estar
entre as maiores pianistas do Brasil”, segundo a professora do Conservatório
Pernambucano presente no dia, Carmen Virgínia. </p>



<p>Ana Halleynita de Andrade Costa Lima, não chegou a
estudar piano, mas tocava de ouvido, talento este que a fez se juntar a uma de
suas irmãs, Maria de Lurdes Góes Xavier de Andrade, na época era Diretora do
Departamento de Música de Pernambuco, para escrever o livro: <em>Aspectos do Folclore de Pernambuco</em> (Xavier
de Andrade e Costa Lima, 1975). Este livro fez registros de suas improvisações
no piano e foram transcritas as músicas de presépio e pastoril de Timbaúba,
pela primeira vez para a partitura.</p>



<p>Dona Ninita, além de pastoril e presépio, manteve uma
rara tradição no Brasil: tocar e cantar o &#8220;Parabéns&#8221; genuinamente
brasileiro: a composição de Villa Lobos &#8220;Saudamos&#8221;. Atualmente, acredita-se que cinco famílias no
Brasil ainda mantêm essa cultura. Foi através dos encontros presenciados com
Dona Ninita que surgiu uma cena dessa experiência no filme <em>O Som ao Redor</em>, de Kleber Mendonça. Outro filme que também se
inspirou nessa tradição, para a cena, foi: <em>Deus
é Brasileiro</em> de Cacá Diegues, com as filhas e sobrinhas de Ninita cantando
o Parabéns Brasileiro “Saudamos”,
cantando no filme: Lúcia, Meire, Valda, Amélia e Bete Costa Lima. Dona Ninita ainda
fazia o fundo musical de piano, no antigo cinema mudo, em casa Forte, o qual
depois virou o cinema Luan.  </p>



<p>Igualmente talentosa, a irmã de Ninita, Dolores
Andrade aprendeu formalmente a tocar piano com Villa Lobos e, ao vir morar no
Sítio Donino, passou a alegrar todos os domingos, junto com Dona Ninita, a
tocar piano com músicas predominantemente populares: chorinho, carnaval antigo,
baião, forró pé de serra. Na época que ainda estavam construindo suas
carreiras, Sivuca e Antônio Carlos Nóbrega foram grandes musicistas que
prestigiaram as festas na Casa do Sítio Donino. Em seu esplendor, a Casa ficou
imortalizada nas obras dos artistas Cavani Rosas e Clarissa Garcia, que ilustram
esse artigo.</p>



<p>Ninita e sua filha Carmen Virgínia, ainda influenciaram
suas netas: Marina e Mariana Costa Lima, as quais fizeram Conservatório
Pernambucano de Música e tocavam aos domingos com a avó. A primeira, encantada
pela música popular, aprendeu a tocar com a avó os pastoris, baião e forró pé
de serra no piano, uma estratégia de Ninita seduzi-la para manter o estudo de
piano erudito. Sedução essa que fez Marina se dedicar exclusivamente à cultura
popular, fazendo parte do Maracatu Nação Estrela Brilhante de Recife, tocando
nos carnavais de Recife, de 1997 a 2002, na Alemanha e Portugal (em 2000), no
Afoxé Oyá Alaxé e a fazer parte de brinquedos de músicas tradicionais, como “Meninas
do Sítio” e “Angáatanàmú”, incluindo a prática da tradicional capoeira angola. Neste
ano de 2020, a mesma se apresentou em frente à Casa do Sítio e no carnaval de Recife
pelo “Boi Marinho”, de Helder Vasconcelos.</p>



<p>A outra neta, Mariana Costa Lima, seguiu a carreira
de violinista erudita por 12 anos. Mariana, aos cinco anos, também aprendeu a
estudar música com Dona. Ninita e foi arrebatada pelo violino ao conhecer o
Quinteto da Paraíba, na atuação do Chileno Yerko Pinto. Após o Conservatório, em
2000, ela ingressa na Faculdade de Música, na Universidade Federal da Paraíba –
UFPB, para ser aluna de Yerko, chegando a tocar frequentemente na Casa do Sítio
ao lado da avó e do professor do Conservatório Pernambucano de flauta
transversa, Antônio Justo. Mariana se apresentava na Fundação Cultural Cassiano
Ricardo, do Vale do Paraíba, em São José dos Campos (SP). Embora tenha se
dedicado à Música Erudita, a influência de sua avó permaneceu, como bem expressam
suas palavras: “Minha formação é mais a música clássica, mas a música popular é
como se as pessoas estivessem em outro plano”.</p>



<p>Em meados da década de 1990 e início dos anos 2000,
diversos encontros musicais feitos principalmente por mulheres, chamadas
carinhosamente de &#8220;Meninas do Sítio&#8221;, no Sítio Donino. Sob a
iniciativa de etnomusicólogas percussionistas, as irmãs Cristina e Virgínia
Barbosa, esses encontros eram organizados como um “brinquedo” no sentido
popular para cantar coco, ciranda, reisado, cavalo marinho, forró pé de serra, samba
de roda, afoxé, realizados embaixo da jaqueira da Casa do Sítio Donino, às
margens do Capibaribe. Algumas eram apenas amantes da cultura popular e outras,
incluíam pesquisadoras que eram alunas de Carlos Sandroni (UFPE), etnomusicologista
responsável pelo reconhecimento como patrimônio cultural de diferentes grupos culturais
(Samba de Roda, Maracatu, Cavalo Marinho) e, atualmente, do forró pé-de-serra
tradicional.</p>



<p>Outros importantes grupos tradicionais recifenses, de influência nacional e internacional, que estiveram presentes no Sítio Donino foram o Maracatu Estrela Brilhante de Recife, com a presença da Rainha Marivalda e Nina, Mestre Walter França, do atual Maracatu Raízes de África. O bisneto do saudoso Mário Melo (eternizado nos frevos pernambucanos), Cristiano Cavendish, morador do terreno antigo da Casa do Sítio Donino, trouxe o Mestre Narciso do Banjo para abrilhantar os encontros culturais da época. </p>



<p>Encontros esses que chegaram a ter a presença de pessoas
competentes e influentes da atual cena cultural de Pernambuco e de São Paulo, tais
como: Guitinho da Xambá, do Grupo Bongar; Maria Helena, do Afoxé Oyá Alaxé;
Mestre Nico; Abuhl Junior; Ana Diniz, Nana Milet. Mais recentemente, no Natal
de 2017 e 2018, Guida Gomes, uma das responsáveis pela Casa Astral (ao lado da
Casa do Sítio Donino) fez uma homenagem à Ana Halleynita resgatando pastoris da
época, juntamente a Rafa da Rabeca e Véio Mangaba. O baile de rabeca é um
estilo marcante da Casa, em especial, o grupo Forró na Caixa. A Casa Astral é
um influente palco atual de folguedos e folclores nordestinos. </p>



<p>Em 2014, um dos grandes defensores da preservação da
cultura popular, Ariano Suassuna, chegou a ser consultado para propor a fazer
da Casa do Sítio, já naquele tempo em situação crítica de abandonado e descaso,
o Centro Cultural Ariano Suassuna como forma de mantê-la protegida. Infelizmente,
três meses depois, Ariano veio a falecer. </p>



<p>Em pleno pré-carnaval de 2020, a frente e no entorno
da Casa do Sítio Donino passou a ser um ponto de encontro de blocos reunidos na
rua, organizado pelo espaço coletivo Flô de Jambo, contando com a participação
de artistas reconhecidos como Helder Vasconcelos trazendo em cena o Boi
Marinho, o cantor Silvério Pessoa, blocos de carnaval e demais músicos que
bebem na fonte da cultura popular. Neste espaço, em frente à Casa do Sítio, ainda
atua um grupo de capoeira, mais tradicional, o Semente Jogo de Angola &#8211;
Pernambuco, que segue a linha do Mestre Jogo de Dentro, aluno de um dos
principais mestres da história da capoeira: Mestre Pastinha.</p>



<p>O intuito de trazer essas informações é de esclarecer a importância dessa Casa histórica que não se reduz exclusivamente à sua construção arquitetônica, mas especialmente pelo o que ela representou ao longo de décadas, na história do Poço da Panela e em Casa Forte, ao acolher diversas manifestações tradicionais de nossa cultura, mais peculiar, de diferentes formas e que, de alguma, forma, se mantêm nos arredores.</p>



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	                                        <p class="m-0">O abandono do imóvel tombado (Crédito: Clarissa Garcia)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Considerações Finais</strong></h3>



<p>O Poço da Panela representa hoje um bairro de forte
atrativo para a especulação imobiliária que não leva em conta a sua história
arquitetônica, menos ainda, sua trajetória e importância cultural. O casa tombada
do Sítio, embora faça parte do processo de preservação especial de Recife,
sofre com o descaso do capital imobiliário especulativo, bem como a falta de
iniciativa de órgãos públicos em resguardar ao menos a conservação de sua
estrutura física. </p>



<p>O fato da Casa do Sítio ser legalmente protegida, não
garante sua manutenção e valorização enquanto patrimônio histórico, arquitetônico,
cultural e ambiental. Diante do atual cenário, em que diversas casas antigas do
Poço da Panela já foram destruídas pela especulação imobiliária, mesmo
“assegurada” pela lei, faz-se urgente pensar numa forma alternativa de manter a
Casa do Sítio enquanto Patrimônio e Memória Viva protegidos.  </p>



<p>Como o próprio Ariano Suassuna atuava, uma dessas formas seria transformar a saudosa Casa do Sítio Donino que já foi moradia de famílias abolicionistas e de apreço pela cultura popular, num Centro Cultural de Salvaguarda das Culturas Tradicionais e Popular, realizando projetos artísticos e patrimonialização das diversas expressões culturais, valorizando seus mestres e os que as mantêm, enquanto protagonistas da cultura popular nordestina.</p>



<p><strong>*Bióloga e doutora pela Unicamp</strong></p>
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