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	<title>Arquivos censo - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 11 Nov 2024 21:41:32 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos censo - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Grande Recife: um em cada quatro moradores vive em favelas, revela Censo 2022</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Nov 2024 21:41:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[censo]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades]]></category>
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		<category><![CDATA[ibge]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Censo de 2022 revelou que 1,09 milhão de pessoas residem em favelas em Pernambuco, o que equivale a 12,05% da população do estado. </p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/grande-recife-um-em-cada-quatro-moradores-vive-em-favelas-revela-censo-2022/">Grande Recife: um em cada quatro moradores vive em favelas, revela Censo 2022</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Brasil tem 16,4 milhões de pessoas vivendo em favelas, mostram dados do Censo 2022 divulgados na sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Pernambuco, mais de um milhão de pessoas (1.091.289) residem em favelas ou comunidades urbanas, o que representa 12,05% da população do estado. Na Região Metropolitana do Recife, que inclui 15 municípios, 1.016.388 de pessoas moram em favelas, o equivalente a 26,9% da população, ou seja, mais de 1 em cada 4 moradores do Grande Recife mora em favelas.</p>



<p>Com 728 favelas, o Grande Recife fica atrás somente das regiões metropolitanas de São Paulo (2.473) e do Rio de Janeiro (1.273) em número de favelas e comunidades urbanas. Na capital pernambucana, são 295 favelas, com 361.548 moradores, o que representa 24,28% da população do Recife.</p>



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<p>O Censo de 2022 revelou algumas diferenças significativas entre a população residente em Favelas e Comunidades Urbanas e a população brasileira em geral:</p>



<p>● <strong>Raça e etnia:</strong> A proporção de pardos (56,8%) e pretos (16,1%) nas Favelas e Comunidades Urbanas é superior aos percentuais observados na população total (45,3% e 10,2%, respectivamente). Em contraste, a proporção de brancos na população do país (43,5%) é significativamente maior do que a encontrada nas Favelas e Comunidades Urbanas (26,6%).</p>



<p>●<strong> Idade:</strong> A população das favelas é mais jovem, com idade mediana de 30 anos, em comparação com a idade mediana de 35 anos da população brasileira como um todo. O índice de envelhecimento nas Favelas e Comunidades é de 45 idosos para cada 100 crianças, enquanto no país como um todo a proporção é de 80 idosos para cada 100 crianças.</p>



<p>●<strong> Domicílios: </strong>84,8% dos domicílios em Favelas e Comunidades Urbanas são casas, uma proporção maior do que os 82,3% do total do país. A verticalização é menos comum, com apenas 2,8% dos domicílios sendo apartamentos, em contraste com 14,9% no Brasil como um todo.</p>



<p>● <strong>Serviços: </strong>Apesar das disparidades, as Favelas e Comunidades Urbanas apresentam um alto índice de acesso a serviços básicos. 86,4% dos domicílios possuem ligação à rede geral de água, em comparação com 83,9% no país. A rede de esgoto alcança 74,6% dos domicílios, enquanto no Brasil essa taxa é de 77,4%. 96,7% dos domicílios contam com serviço de coleta de lixo, em comparação com 91,7% no total do país.</p>



<p>Para o demógrafo Wilson Fusco, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), os dados do Censo revelam as desigualdades do País. “Um fato bastante interessante é que apesar do Brasil ter a concentração da população brasileira de forma muito evidente na região Sudeste, principalmente em São Paulo, a concentração das favelas é no Norte e, depois, no Nordeste. Apesar de você ter grandes favelas no Rio de Janeiro – a maior de todas é a Rocinha –, e em São Paulo, a concentração delas está na região Norte. Manaus (53,9%) e Belém (55,8%) têm mais da metade da população morando em favelas”, aponta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Número de favelas quase dobrou em 12 anos?</h2>



<p>Em um período de 12 anos, houve um aumento significativo no número de favelas e na sua população. Segundo os dados do Censo 2022, o país contabiliza 12.348 favelas, distribuídas em 656 municípios, o que representa um aumento de 95% em relação a 2010, quando havia 6.329 favelas em 323 municípios.</p>



<p>Esse crescimento se reflete também no número de municípios que abrigam favelas, com um aumento de 103%. A população residente nessas comunidades também apresentou um aumento considerável, passando de 11,4 milhões em 2010 (6% da população brasileira) para 16,4 milhões em 2022 (8,1% da população).</p>



<p>Fusco ressalta que esse aumento expressivo pode ser parcialmente atribuído aos avanços tecnológicos na coleta de dados. “Da mesma forma que o IBGE vem desenvolvendo formas de localizar comunidades e grupos diferentes – como, por exemplo, os quilombolas, que pela primeira vez foram mapeados pelo Censo –, vem também aprimorando a forma de captar o registro das pessoas que vêm sendo acompanhadas desde o início do século XX. Essa alteração no número de favelas e de pessoas em favelas também se deve, em parte, ao desenvolvimento de melhores métodos de captação”, afirmou.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que é favela para o IBGE?</span>

		<p>Para o Censo Demográfico, o IBGE considera como favelas e comunidades urbanas as localidades com características como insegurança jurídica da posse, ausência ou oferta precária ou incompleta de serviços públicos, padrões urbanísticos fora da ordem vigente e ocupação de áreas com restrição ou de risco ambiental.</p>
<p>Não significa, contudo, que são moradias desprovidas de saneamento ou energia elétrica da rede legal. “A grande maioria dos domicílios desse recorte do Censo é domicílio particular, permanente, ocupado. Então, não é exatamente uma situação totalmente precária. A proporção de lugares com rede de água, de esgoto e de eletricidade é muito parecida com o lugar que não é favela, não é um fator que se destaca. Tanto que a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) foi usada para fornecer informações para que pudesse ser feito o georreferenciamento desses lugares”, analisa Fusco. “Mas, nas favelas, há uma proporção muito maior de pessoas que tinham simplesmente um buraco ou despejam os dejetos diretamente no rio ou no mar. Entretanto, ainda assim, essa proporção era pequena comparada com o total das habitações nas favelas”, explica.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Favelas têm 6,5 estabelecimentos religiosos para cada escola</h2>



<p>O Censo 2022 identificou 958.251 estabelecimentos nas favelas e comunidades urbanas do Brasil. O pesquisador da Fundaj chama a atenção para a quantidade de instituições religiosas nas favelas: são 18,2 igrejas para cada unidade de saúde e 6,5 para cada unidade de ensino. No total, o Censo 2022 mapeou 50.934 estabelecimentos religiosos nas favelas.</p>



<p>“Onde não está o Estado, está uma igreja. E, obviamente, há toda a questão de visão de mundo, de distanciamento do que são os direitos dos cidadãos: os direitos passam a ser algo que você tem que pedir para ter acesso, seja para um político ou para alguém da igreja. Ou, pior, para outras instituições que não são captadas pelo IBGE, que também propiciam acesso a serviços e a bens que o Estado não está propiciando”, alerta Fusco.</p>



<p>Além da forte presença religiosa, as favelas e comunidades urbanas também se caracterizam por um grande número de estabelecimentos voltados a outras finalidades, como oficinas, bancos, farmácias, escritórios e comércio em geral (64,3% do total). Esse dado aponta para a diversidade de atividades econômicas e sociais existentes nesses espaços, muitas vezes são invisibilizadas.</p>



<p>Outro aspecto importante é a significativa quantidade de edificações em construção ou reforma (29,1%). Isso demonstra a constante transformação que marcam as favelas e comunidades urbanas.</p>



<p>Comparando com o total de estabelecimentos no país, as favelas e comunidades urbanas concentram:</p>



<p>● 8,8% dos estabelecimentos religiosos;</p>



<p>● 7,9% das edificações em construção e reforma;</p>



<p>● 3,0% dos estabelecimentos de ensino;</p>



<p>● 1,1% dos estabelecimentos de saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Menos brancos nas favelas do que na população em geral</h2>



<p>O Censo 2022 também revelou uma composição racial distinta entre a população das favelas e comunidades urbanas e a população brasileira em geral. Enquanto no país a proporção de pessoas brancas é de 43,5%, nas favelas esse grupo representa apenas 26,6% dos moradores. Essa diferença se acentua quando se observa a presença de pardos e pretos: 56,8% e 16,1% nas favelas, contra 45,3% e 10,2% na população total, respectivamente.</p>



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	                                        <p class="m-0">Dados da Região Metropolitana do Recife. Fonte: IBGE
</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>A população indígena, por sua vez, apresenta uma proporção similar em ambos os contextos, com 0,8%. No entanto, na região Norte, 12,6% dos indígenas residem em favelas e comunidades urbanas, com destaque para o Amazonas, onde essa taxa atinge 17,9%.</p>



<p>Estados como Rio de Janeiro e São Paulo também apresentam uma parcela significativa de indígenas vivendo nesses espaços, com 12,7% e 9,6% respectivamente.</p>



<p>A disparidade na composição racial entre as favelas e a população brasileira como um todo é um reflexo histórico das desigualdades sociais e raciais da sociedade brasileira. A pesquisadora Letícia Giannella, do IBGE, destacou, em material divulgado pelo órgão, a tendência observada entre os Censos de 2010 e 2022: tanto na população total quanto nas favelas e comunidades urbanas, houve uma diminuição na proporção de pessoas que se declaram brancas e um aumento na proporção de pessoas que se declaram pretas ou pardas. Esse movimento sugere uma maior conscientização racial e um processo gradual de ressignificação da identidade racial no Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Dados do Censo devem fomentar políticas públicas</h2>



<p>Apesar de abrigarem 8,1% da população brasileira, as favelas e comunidades urbanas carecem de maior investimento em áreas essenciais como educação e saúde. A discrepância entre a alta proporção de estabelecimentos religiosos e a baixa proporção de escolas e unidades de saúde levanta questões sobre as prioridades de investimento público e privado nessas comunidades.</p>



<p>“É um lugar de desigualdade social, de necessidade de intervenção do Estado para promover maior inclusão. É um retrato tão nítido que o Censo 2022 mostra que é uma chance de se olhar onde se deve intervir para melhorar a vida das pessoas que mais precisam”, diz Fusco. “É algo que os governos podem agir logo, não têm que esperar o próximo Censo. Se há uma política de redistribuição de renda adequada, você pode pegar os recursos do Estado e proporcionar planos de habitação popular para a população que hoje vive em favelas”, afirma. “No Recife, por exemplo, há vários prédios abandonados e sem uso no Centro e em bairros próximos que poderiam ser usados para a habitação popular”, sugere.</p>



<p>O pesquisador afirma que apenas com os microdados do Censo é que será possível fazer pesquisas mais precisas. “Com o cruzamento dos microdados vamos saber, por exemplo, de onde os moradores das favelas vieram, se são migrantes que vieram de cidades do interior para tentar uma vida melhor na capital, por exemplo. Será possível saber, inclusive, se essas pessoas estão ocupadas, se estão desempregadas, se estão em um emprego informal. Vamos poder saber se a chefia desses domicílios é de mulheres. Com a divulgação dos microdados será possível aprofundar muito mais o conhecimento sobre a população brasileira”, explicou Fusco. O IBGE deve divulgar os microdados do Censo ainda em 2024.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Brasil não conhece o perfil nem o tamanho de sua população de rua, adverte especialista da Fiocruz</title>
		<link>https://marcozero.org/brasil-nao-conhece-o-perfil-nem-o-tamanho-de-sua-populacao-de-rua-adverte-especialista-da-fiocruz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Mar 2022 13:27:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[censo]]></category>
		<category><![CDATA[dados]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[moradores de rua]]></category>
		<category><![CDATA[população de rua]]></category>
		<category><![CDATA[população vulnerável]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Núcleo de Populações em Situações de Vulnerabilidade e Saúde Mental na Atenção Básica (Nupop) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi criado em 2017 para pesquisar e atuar nas políticas públicas da população de rua no Brasil. Nesta pandemia da covid-19, lançaram duas publicações sobre saúde mental e atenção psicossocial desta população. Uma das coordenadoras [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Núcleo de Populações em Situações de Vulnerabilidade e Saúde Mental na Atenção Básica (Nupop) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi criado em 2017 para pesquisar e atuar nas políticas públicas da população de rua no Brasil. Nesta pandemia da covid-19, lançaram duas publicações sobre saúde mental e atenção psicossocial desta população. Uma das coordenadoras do Nupop, a pesquisadora Fabiana Damásio conversou com a Marco Zero sobre os desafios em atender a população de rua no Brasil.</p>



<p>Marco Zero Conteúdo &#8211; <strong>Não há uma pesquisa nacional, atualizada, sobre população de rua na pandemia. Algumas prefeituras fazem suas próprias pesquisas ou usam do Cadastro Único ou estimativas do Ipea. Como você vê essa questão da falta de dados?</strong></p>



<p><strong>Fabiana Damásio &#8211; </strong>Essa é uma questão muito importante, de saber quantos são os moradores de rua. Segundo uma estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), realizada no início de 2020, havia aproximadamente 220 mil pessoas em situação de rua. O último censo realizado sobre essa população foi em 2009, falando em nível nacional. Depois disso, o que temos são estimativas. Uma outra informação também importante é que cada estado acaba realizando uma pesquisa, mas apenas em determinados momentos. Não existe uma pesquisa periódica. Por exemplo, agora a última pesquisa que saiu foi realizada pela prefeitura de São Paulo, que fica no estado que concentra o maior número de população em situação de rua, cerca de 25% do Brasil. E indica que houve um aumento de 31% durante a pandemia. Esse é o registro mais recente que nós temos, de janeiro. Hoje ,não há um censo da população em situação de rua para sabermos qual é o tamanho desse universo e quais as ações necessárias. O que temos observado nos estados é que com a pandemia esses números cresceram. Mas não dá para dizer que esse aumento de 31% se reflete no país todo, porque a realidade dos estados são bem diferentes.</p>



<p><strong>Existe um perfil da população de rua? E esse perfil mudou com a pandemia?</strong></p>



<p>Os motivos pelos quais as pessoas se encontram em situação de rua passam por questões de trabalho, de fragilidade dos laços familiares, da ausência de moradia. Além das próprias mudanças de contexto do país, das situações econômicas, que repercutem socialmente. Fatores que também podem ser rompimentos de vínculos familiares ou o próprio uso de álcool e drogas. Como pode existir uma situação como a que vivemos agora na pandemia, que trouxe consequências que acabaram por gerar um aumento da população em situação de rua. Foram realizados levantamentos que apontaram um aumento do número de famílias em situação de rua. Estima-se que houve um aumento aproximado de 30% das famílias em situação de rua. Isso se reflete muito em função da própria consequência da pandemia no mundo do trabalho. Muitas vezes a família não consegue sustentar o pagamento das suas contas na sua integralidade. Famílias que migraram para as cidades em busca do auxílio emergencial, em busca de algum benefício, mas também em busca da sobrevivência.</p>



<p><strong>Encontramos muitas mulheres, com mais de 50 anos, que não conseguiram auxílio ou que estão atrás de alguma aposentadoria</strong>. <strong>Esse é um perfil comum de mulheres em situação de rua?</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Sergio Velho Junior/Ascom Fiocruz Brasília </p>
	                
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<p>Sim, é. Vou dar um exemplo de uma pesquisa que nós realizamos aqui no Distrito Federal. O perfil das mulheres era com idade média de 45 anos. Há várias questões para elas estarem em situação de rua. Podem ser desde de situações relacionadas ao emprego, fragilidade de vínculos familiares e também ao uso de álcool e drogas e questões de saúde mental também.</p>



<p><strong>Nos últimos anos o Brasil teve muitas perdas na assistência social, na dificuldade do acesso à aposentadoria. Essas mudanças também influenciam a ida dessas mulheres para as ruas?</strong></p>



<p>Sim, observamos que as desigualdades sociais históricas existentes no país se agravaram agora. Então, toda falta de amparo acaba gerando essa migração para a rua no sentido de buscar formas de sobrevivência ou de realmente não conseguir uma sustentação. Então, quando falamos dos amparos e da proteção social é porque são fundamentais para garantir o cuidado a essas mulheres. São mulheres mais idosas, já com mais dificuldades de inserção em postos de trabalho e ainda com a situação de perda de direitos. Isso faz com que as mulheres tenham dificuldade na garantia de sobrevivência, o que faz com que elas migrem para a rua.</p>



<p><strong>A política nacional de saúde voltada para a população de rua é o programa <a href="https://aps.saude.gov.br/ape/consultoriorua/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Consultório na Rua</a>. Como você avalia esse programa?</strong></p>



<p>A política do Consultório na Rua se legitima em 2011, mas tem uma história anterior e foi criada exatamente para garantir a visibilidade dos problemas vivenciados pela população em situação de rua. É um espaço em que população de rua pode pode ser acolhida e pode ter acesso aos dispositivos existentes. Quando falamos em mulheres, tem também a política nacional de saúde integral à mulher. As equipes do Consultório na Rua acabam fazendo essa ponte com o serviço existente, já que a saúde da mulher tem uma série de especificidades e cuidados. É claro que ainda é necessário a ampliação desse serviço e a garantia de inclusão. Há cerca de 170 equipes de Consultório na Rua para uma população de mais ou menos 220 mil pessoas. É necessário ampliação e qualificação das equipes que possam acolher os problemas pré-existentes. E para garantir que as políticas de saúde sejam acolhedoras, por exemplo agora com a vacinação contra a covid-19. Quando falamos de saúde como um direito é importante que seja garantida também para pessoas em situação de rua.</p>



<p><strong>Algumas mulheres falaram que não gostam de ir para os abrigos, porque não se sentem seguras. Como você vê a questão do abrigamento? Que exemplos deram certo no Brasil?</strong></p>



<p>A questão dos abrigos é uma questão muito importante de ser discutida porque é necessário criar condições para que, no abrigo, a população em situação de rua também se sinta segura. É importante ter abrigos, mas é importante também criar condições para que o abrigo seja um espaço de acolhimento efetivo considerando as necessidades da população em situação de rua. Um exemplo que eu posso dar foi o plano de ação intersetorial que nós desenvolvemos aqui no Distrito Federal, durante a pandemia, com a participação dos profissionais da residência multiprofissional em atenção básica e que trabalhamos com a rede de saúde, a rede de desenvolvimento social e com a sociedade civil nos abrigos que foram construídos para o acolhimento à população de rua no momento da covid-19. Realizamos desde atividades voltadas para a escuta da população em situação de rua, rodas de conversa com psicoeducação, sempre reconhecendo a importância de todos os atores presentes para a promoção do cuidado. Por outro lado, a disponibilidade de alimento é uma questão que é muito presente hoje. Como consequência da pandemia, vimos um aumento do número de pessoas em situação de fome: quase 20 milhões de brasileiros e brasileiras estão em insegurança alimentar. A questão da alimentação é central e precisa ser cuidada. É importante que haja uma estrutura intersetorial de cuidado com promoção de atividades e com ações que façam com que os moradores se sintam amparados. O abrigo não deve ser só um lugar pra dormir e pronto.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pandemia-aumentou-numero-de-mulheres-moradoras-de-rua-no-recife/" class="titulo">Pandemia aumentou número de mulheres morando nas ruas no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><em><strong>As imagens desta reportagem foram produzidas com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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		<title>Falta de doses e de dados atualizados atrasam a vacinação em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/falta-de-doses-e-de-dados-atualizados-atrasam-a-vacinacao-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 May 2021 03:51:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[atraso]]></category>
		<category><![CDATA[censo]]></category>
		<category><![CDATA[coronavac]]></category>
		<category><![CDATA[ibge]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há semanas, a professora aposentada Alzinete Diniz, moradora de Petrolina, no Sertão do estado, vive a angústia de não saber quando vai receber a segunda dose da vacina contra a covid-19. Ela já deveria ter completado o esquema de vacinação desde o dia 26 de abril. &#8220;Estou agoniada, porque sabemos que está faltando CoronaVac a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há semanas, a professora aposentada Alzinete Diniz, moradora de Petrolina, no Sertão do estado, vive a angústia de não saber quando vai receber a segunda dose da vacina contra a covid-19. Ela já deveria ter completado o esquema de vacinação desde o dia 26 de abril. &#8220;Estou agoniada, porque sabemos que está faltando CoronaVac a nível federal. As vacinas acabam na cidade e a gente fica no aguardo de novas remessas. O que dizem é que, com a demora, não há perda de eficácia, mas acho que já dizem isso pra não assustar o povo&#8221;, lamenta.</p>



<p>Do outro lado do estado, em Igarassu, a militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco, Pergentina Vilarim, viu a euforia de tomar a vacina se transformar em revolta. &#8220;Quando abriu a vacinação para pessoas com 60 anos, eu fiquei muito feliz. No dia em que tomei a primeira dose foi muita emoção&#8221;, lembra. Mas quando chegou no dia 26 de abril, data também da segunda dose dela, as vacinas acabaram no posto antes que ela fosse contemplada. &#8220;Disseram que não tinha vacina e não explicaram mais nada, só que era pra aguardar&#8221;, diz.</p>



<p>Na última remessa de CoronaVac que chegou a Pernambuco, na quinta-feira passada, dia 20 de maio, foram 58,6 mil doses, que fizeram com que 103 cidades zerassem o déficit de segundas de dose. A falta ocorreu porque, confiantes na recomendação do Ministério da Saúde de que não havia necessidade de guardar as segundas doses dos dois últimos lotes entregues, muitos municípios não fizeram estoque.</p>



<p>No entanto, ainda há 46.323 moradores de 82 municípios pernambucanos que seguem sem previsão de quando irão tomar a segunda dose da CoronaVac . De acordo com o secretário estadual de saúde, André Longo, o estado só deve receber novo lote desse imunizante na segunda quinzena de junho.<br><br>Um <a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/05/quase-2-milhoes-tomaram-segunda-dose-de-vacina-contra-covid-19-fora-do-prazo-no-pais.shtml">levantamento da Folha de S. Paulo</a> com dados do DataSus, sistema de informações do Ministério da Saúde, revelou que 1,7 milhão de brasileiros receberam a 2ª dose do imunizante com atraso, enquanto outras 159 mil pessoas receberam antes do prazo.<br><br>Apesar de hoje o Brasil ter uma previsão de compra de 563 milhões de doses, a grande maioria das doses só ficará disponível no segundo semestre ou até mesmo em 2022. Até lá, a vacinação no país segue amplamente dependente do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) que vem da China tanto para o Instituto Butantan, que prepara a CoronaVac, quanto para a Fiocruz, parceira da AstraZeneca. Hoje, por exemplo, o Butantan e a Fiocruz se encontram com as produções paradas por falta de insumo, mas com a expectativa de retomada ainda durante esta semana. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como fica a eficácia?</strong></h2>



<p>Assim como Alzinete e Pergentina, os 104.983 pernambucanos que receberam ou vão receber a segunda dose com atraso têm uma pergunta: será que isso vai comprometer a eficácia da vacina?</p>



<p>Para o pesquisador da Fiocruz Pernambuco e e membro da Academia Pernambucana de Ciências, Rafael Dhalia, o essencial é que as pessoas não deixem de tomar a segunda dose, mesmo fora do prazo. &#8220;Eu diria que pode diminuir a eficácia, mas não a comprometer. Se existe um intervalo ideal recomendado pelo Ministério da Saúde, que é de 28 dias entre a primeira e segunda dose da CoronaVac, é porque estudos foram realizados e observou-se uma maior eficácia quando este intervalo é respeitado. Entretanto, também se sabe que uma dose-única não é suficiente para proteger das formas graves de Covid-19, portanto tomar a segunda dose (mesmo que atrasada) é fundamental para garantir a proteção contra a doença&#8221;, diz.</p>



<p>Com a falta de CoronaVac, há quem se pergunte se as segundas doses não poderiam ser substituídas por vacinas da AstraZeneca ou Pfizer. O mesmo levantamento da Folha de S Paulo também constatou que 16,5 mil brasileiros já receberam doses de vacinas diferentes.</p>



<p>Na semana passada, o Ministério da Saúde chegou a autorizar que mulheres grávidas que receberam a primeira dose de AstraZeneca se vacinassem com a segunda dose de CoronaVac ou Pfizer. Mas, dias depois, voltou atrás e recomendou que o esquema vacinal só fosse completado após o puerpério, deixando as gestantes com atraso de meses.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
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		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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<p>Para Dhalia, a “mistura” de vacinas é inevitável, diante da escassez de doses e das peculiaridades de cada vacina. &#8220;Eu diria que pode sim ser mais um elemento para driblar as interrupções na distribuição de vacinas no Brasil e no mundo. O principal antígeno destas vacinas, é a proteína “spike” do Sars-Cov-2, portanto as diferentes formulações baseadas em: adenovírus (AstraZeneca), vírus inativado (CoronaVac) ou material genético – RNA (Pfizer), têm em comum a apresentação do antígeno Spike para o nosso sistema imune&#8221;, explica.</p>



<p>Na semana passada, o estudo espanhol <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-021-01359-3" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CombivacS divulgou o resultado </a>da avaliação do uso combinado de vacinas da Pfizer e da AstraZeneca em 663 pessoas, com ganhos na resposta imune e sem aumento das reações adversas graves. &#8220;Iniciativas como a combinação de doses das vacinas da AstraZeneca com a da Gamaleya (Sputnik V), como da AstraZeneca com a da Pfizer, já estão em estudo e deve a vir se tornar uma necessidade, e realidade, muito em breve&#8221;, reitera Dhalia.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Falta do Censo 2020 prejudica distribuição</h3>



<p>À falta nacional da Coronavac e à recomendação para que não se fizesse estoque de doses, se junta a incerteza de quantas pessoas devem ser vacinadas nos grupos prioritários de cada município. Na distribuição nacional, o Ministério da Saúde divide as vacinas pelos estados de acordo com as estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São os estados que definem a distribuição pelos municípios.</p>



<p>Em Olinda, mais de 100% dos idosos já recebeu a vacina há mais de três semanas &#8211; ainda que novos idosos procurem diariamente os pontos de vacinação. Em Igarassu, o número de idosos também foi subestimado, o que contribuiu para a falta de vacinas. &#8220;Nossa estimativa era de que seriam três mil pessoas entre 60 e 74 anos. Já vacinamos 4,3 mil, ou seja, 1,3 mil pessoas a mais do que o esperado. A falta do Censo traz esses problemas&#8221;, comentou o secretário de saúde de Igarassu, Igor Morais.<br><br>Em Pernambuco, não está claro como as vacinas são distribuídas entre os municípios, quando se trata da vacinação de idosos. Na coletiva de imprensa promovida pelas autoridades do estado no dia 13 de maio, a Marco Zero perguntou à superintendente de Imunizações da Secretaria Estadual de Saúde, Ana Catarina de Melo, qual eram os critérios adotados pelo estado. Ela respondeu que &#8220;a distribuição das doses para o público de idosos é feita em cima da estimativa do IBGE. Essa estimativa sempre foi utilizada há anos para as campanhas de vacinação contra a Influenza, sem nenhum prejuízo, sem nenhum problema&#8221;.</p>



<p>Acontece que as estimativas de população feitas pelo IBGE para municípios não são divididas por faixas etárias, ao contrário do que acontece com as estimativas do País e das unidades federativas. Não há, portanto, como o Governo do Estado saber ou estimar, pelo IBGE, quantos residentes acima de 60 anos existem em determinado município.</p>



<p>O demógrafo e tecnologista do IBGE em Pernambuco, Marcelo Dantas, explica como são feitas as estimativas populacionais. &#8220;As estimativas são calculadas com a ajuda dos dois últimos censos, com base em três componentes: nascimentos, mortes e migrações. E a partir disso são criadas as equações para se chegar nas estimativas&#8221;, esclarece. Por ser um cálculo complexo, as estimativas por faixa etária não são feitas para os municípios. &#8220;O Brasil tem quase 5.570 municípios, seria inviável&#8221;, explica Dantas.<br><br>Para município, por faixa etária, o único dado disponível é o Censo de 2010, que já tem 11 anos. &#8220;É a grande pesquisa do Brasil, é o carro-chefe do IBGE. Chega em um nível de detalhamento que vai até por bairros. O censo abaliza as projeções, que continuam sendo feitas. Mas estamos usando o Censo de 2010, utilizando um ponto mais distante de partida&#8221;, diz.<br><br>O Censo deveria ter sido realizado em 2020 &#8211; a cada dez anos, como estabelece a Constituição &#8211; mas foi adiado para este ano por conta das incertezas da pandemia. Em 2021, porém, nem o Governo Federal, nem o Congresso reservaram os R$ 2 bilhões necessários no orçamento para a realização da pesquisa. O Supremo Tribunal Federal (STF) votou para que o Censo seja realizado ainda neste ano, mas a indefinição segue.</p>



<p>Historicamente, o Censo começa em agosto e se estende por três ou quatro meses. Os resultados preliminares são divulgados geralmente nos primeiros meses do ano seguinte. O atraso em iniciar a pesquisa tem efeito lá na ponta. Sem o Censo por mais um ano, o Brasil corre o risco de ter um apagão de dados, que vai prejudicar também as campanhas de vacinação dos próximos anos.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Seja mais que um leitor da Marco Zero</em></p><cite><em>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</em><br><br><em>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</em><br><br><em>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</em><br><br><em>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</em><br><br><em>É hora de assinar a Marco Zero</em><a target="_blank" href="https://marcozero.org/assine/" rel="noreferrer noopener">https://marcozero.org/assine/</a></cite></blockquote>
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