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	<title>Arquivos chacina de Camaragibe - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 11 Mar 2024 21:12:14 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos chacina de Camaragibe - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>PMs torturaram inocentes antes das execuções em Camaragibe, aponta Ministério Público</title>
		<link>https://marcozero.org/pms-torturaram-inocentes-antes-das-execucoes-aponta-ministerio-publico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Mar 2024 18:23:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[chacina de Camaragibe]]></category>
		<category><![CDATA[mppe]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* A denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) aceita pela Justiça estadual, transformando em réus 12 policiais militares por suspeita de participação na Chacina de Camaragibe, sustenta que a atuação do grupo teria envolvido também o cometimento de outros crimes. Tortura psicológica e física de uma mulher e de um motorista de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>A denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) aceita pela Justiça estadual, transformando em réus 12 policiais militares por suspeita de participação na Chacina de Camaragibe, sustenta que a atuação do grupo teria envolvido também o cometimento de outros crimes. Tortura psicológica e física de uma mulher e de um motorista de aplicativo, abandono de incapazes e uso de veículo sem placa e de armas sem registro são fatos citados por promotores.</p>



<p>A investigação traçou a linha do tempo da noite de 14 de setembro de 2023, quando o soldado Eduardo Roque e o cabo Rodolfo José da Silva foram baleados e mortos num tiroteio em Tabatinga, até a madrugada do dia seguinte, quando foram executados a tiros dois irmãos e uma irmã de Alex da Silva Barbosa, 33, o homem suspeito de ter matado os dois PMs horas antes.</p>



<p>Após o tiroteio, na presença e sob o comando de dois tenentes-coronéis, policiais se reuniram para acertar o planejamento das buscas a Alex e seus familiares, de acordo com o MPPE. O encontro teria ocorrido nas imediações do antigo prédio da Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP), na avenida General Newton Cavalcanti, perto do 20º Batalhão.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/exclusivo-tenentes-coroneis-comandaram-chacina-de-camaragibe-denuncia-mppe/" class="titulo">Tenentes-coronéis comandaram Chacina de Camaragibe, denuncia MPPE</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“Os denunciados tenentes-coronéis Marco Túlio e Fábio Rufino convocaram os denunciados e diversos outros policiais, de serviço e de folga, tendo estes sido propositalmente orientados e autorizados a comparecerem ao local em veículos sem placas, viaturas descaracterizadas, com vestimentas à paisana, utilizando balaclavas, com armas ‘cabrito’ (não oficiais)” narra trecho da denúncia do MPPE aceita pela Justiça. “Os que ali se encontravam sabiam que não se tratava de uma missão oficial.” Os tenentes-coronéis mencionados são Fábio Roberto Rufino da Silva e Marcos Túlio Gonçalves Martins Pacheco.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Começa a caçada</strong></h2>



<p>Já nas buscas, policiais alcançaram uma cunhada de Alex, esposa de Amerson Juliano da Silva, um dos irmãos que foram assassinados. Ela estava como passageira em um veículo de aplicativo, acompanhada de duas filhas, de 10 e 11 anos. Os policiais denunciados, segundo o MPPE, acreditavam que seria ela que daria fuga a Alex.</p>



<p>“Rendida, a mulher foi levada até o interior da sua residência, onde por sua vez os denunciados, todos fortemente armados, passaram a torturar psicologicamente a referida, causando-lhe forte sofrimento psíquico, através de coações e ameaças”. O objetivo era obter informações que levassem a Amerson e a seu irmão, Alex. “Quando então seria efetivado o plano de uma emboscada para matá-los”.</p>



<p>Enquanto a mulher era mantida dentro de casa, o motorista de aplicativo permanecia sob o domínio de policiais. “Passaram a torturá-lo física e psicologicamente, passaram a espancá-lo e coagi-lo, para que informasse do paradeiro de Alex, sem sucesso”.</p>



<p>Promotores que investigam o caso destacaram também que “os referidos acusados abandonaram as duas filhas da mulher e da vítima Amerson, que deveriam estar sob o seu cuidado, vigilância e autoridade, sozinhas dentro do veículo e expostas a grave situação de risco e sofrimento emocional”.</p>



<p>Segundo a denúncia, as crianças presenciaram a mãe ser arrancada do carro por homens encapuzados e de armas em punho. Também tiveram o pai vitimado na chacina. Amerson era quem trabalhava e sustentava a mulher e as duas filhas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Emboscada ao vivo</strong></h3>



<p>O irmão de Alex foi pressionado pelos homens que ainda mantinham a mulher dele sob tortura a se dirigir à rua São Geraldo. Ali seria também o local da execução. Sem saber que estavam sendo transmitidos ao vivo no Instagram, os policiais encapuzados dispararam contra Amerson, Apuynã Lucas da Silva e Ágata Ayanne da Silva.</p>



<p>Durante a execução, Ágata estava ao vivo na rede social. O vídeo tem menos de um minuto. Nele, as três vítimas parecem estar rendidas. Um dos executores ordena: “Bota a mão na cabeça, porra. Ajoelha, filho da puta”. Em seguida, o som de cinco disparos. As imagens viralizaram.</p>



<p>“Ágata também é alvejada e, mesmo caída ao solo, seu celular continua captando os sons e diálogos que se seguem, no cenário do crime”, contextualiza o MPPE. <a href="https://marcozero.org/tres-oficiais-mais-nove-pms-viram-reu-na-justica-por-suspeita-de-envolvimento-na-chacina-de-camaragibe-pe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A decisão judicial do último dia 7 diz respeito apenas à apuração do triplo homicídio</a>. Amerson, Apuynã e Ágata eram irmãos de Alex.</p>



<p>Pouco depois da transmissão ao vivo no Instagram, os corpos da mãe e da esposa de Alex foram encontrados num canavial na cidade vizinha de Paudalho. As vítimas foram identificadas como Maria José Pereira da Silva e Nathália Nascimento, respectivamente. Antes de morrer, Ágata também postou nas redes sociais que a mãe havia sido sequestrada por mais de dez homens encapuzados. O caso é investigado como duplo homicídio em outra frente de trabalho.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Crimes militares</strong></h3>



<p>A tortura que teria sido praticada contra a cunhada de Alex e o motorista de aplicativo e o possível abadono de incapazes ficaram de fora da denúncia aceita pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Camaragibe. Na representação, o MPPE explica que isso se deu porque tais condutas são tipificadas como crimes militares, previsto no Código Penal Militar e súmula do Superior Tribunal de Justiça.</p>



<p>O Ministério Público montou uma espécie de força-tarefa para apurar a sucessão de mortes violentas intencionais, diante da gravidade do episódio. Participaram do trabalho promotores dos Grupos de Atuação Conjunta Especial (Gace), de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a 1ª Promotoria Criminal de Camaragibe.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>
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		<title>Tenentes-coronéis comandaram Chacina de Camaragibe, denuncia MPPE</title>
		<link>https://marcozero.org/exclusivo-tenentes-coroneis-comandaram-chacina-de-camaragibe-denuncia-mppe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 19:09:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[chacina de Camaragibe]]></category>
		<category><![CDATA[Ministério Público]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Um fato chamou a atenção na decisão judicial que transformou em réus 12 policiais militares de Pernambuco por suspeita de envolvimento na Chacina de Camaragibe, no Grande Recife: a possível participação de dois tenentes-coronéis no planejamento da caçada ao homem suspeito de ter matado dois policiais militares e seus familiares. Na denúncia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Um fato chamou a atenção na decisão judicial que transformou em réus 12 policiais militares de Pernambuco por suspeita de envolvimento na Chacina de Camaragibe, no Grande Recife: a possível participação de dois tenentes-coronéis no planejamento da caçada ao homem suspeito de ter matado dois policiais militares e seus familiares. Na denúncia aceita pela 1ª Vara Criminal de Camaragibe, nesta quinta-feira, 7 de março, o Ministério Público estadual aponta o que acredita ser o detalhamento da dinâmica dos fatos.</p>



<p>Passam a ser réus os tenentes-coronéis Fábio Rufino e Marcos Túlio. O primeiro era o comandante do 20º Batalhão de Polícia Militar, onde estava lotada a dupla assassinada: o soldado Eduardo Roque e o cabo Rodolfo José da Silva. O segundo ocupava lugar de destaque na inteligência da PM. Rufino foi afastado do posto de comando em dezembro do ano passado, por decisão judicial. O tenente-coronel João Marcelo o substituiu.</p>



<p>Rufino foi transferido pelo comando da segurança pública do Estado para o comando de outro batalhão, <a href="https://jc.ne10.uol.com.br/colunas/seguranca/2024/03/08/pms-de-folga-carros-descaracterizados-e-armas-nao-oficiais-novos-detalhes-da-chacina-de-camaragibe.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">conforme publicou o jornalista Raphael Guerra, do JC</a>.</p>



<p>Até o momento, mesmo na condição de réu, Rufino segue na chefia do 12° BPM, no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife. A decisão judicial tinha poderes apenas para afastá-lo do comando do 20º.  </p>



<p>Após o tiroteio em que os dois PMs acabaram mortos, na noite de 14 de setembro de 2023, de acordo com a denúncia aceita pela Justiça, o tenente-coronel Marcos Túlio convocou o tenente Thiago Aureliano para uma reunião com a presença de Rufino.</p>



<p>O encontro teria acontecido nas imediações do antigo prédio da Faculdade de Odontologia de Pernambuco, localizada na avenida General Newton Cavalcanti, onde também está situada a sede do 20º Batalhão. A reunião teria contado com a presença de outros policiais. Alguns estavam de serviço, outros estavam de folga. Mesmo assim, foram acionados.</p>



<p>“Tendo estes sido propositalmente orientados e autorizados a comparecerem ao local em veículos sem placas, viaturas descaracterizadas, com vestimentas à paisana, utilizando balaclavas, fortemente armados, com armas ‘cabrito’ (não oficiais), para realizarem a missão de caçada”, detalha um trecho da denúncia aceita pela Justiça.</p>



<p>Na ocasião, teriam sido compartilhadas informações a respeito do homem suspeito de ter matado os dois PMs e também de seus familiares. O homem é identificado como Alex da Silva Barbosa, 33 anos. Ele foi baleado e morreu no dia seguinte no hospital. Com as equipes já nas ruas, coube aos dois tenentes-coronéis monitorar as ações. A ponte entre eles e os policiais que estavam nas buscas era feita por meio do tenente Thiago Aureliano.</p>



<p>À época, o caso ganhou repercussão nacional por conta do vídeo de Ágata Ayanne da Silva, 30 anos, irmã de Alex. Ela registrou a própria execução. As imagens viralizaram e forçaram um pronunciamento público da governadora Raquel Lyra (PSDB) e do secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, então recém-empossado no cargo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mensagens apagadas para não deixar rastros</h2>



<p>A investigação realizada por uma equipe de promotores também identificou indícios de que os tenentes-coronéis agiram de modo a não deixar rastro. Um dos cuidados tomados foi o apagamento de mensagens trocadas com outros policiais. As investigações se valeram da quebra de sigilo telefônico e telemático. Foi possível resgatar as mensagens apagadas.</p>



<p>“Nesse contexto, os denunciados tinham ciência do que estava acontecendo e do que estava por acontecer, possuindo informações de que havia pessoas sendo mortas por subalternos. Poderiam e tiveram oportunidade para, exercendo a voz de comando que detinham, sustar ou até mesmo desestimular a ‘caçada’ que se desenrolava”, diz outro trecho da denúncia aceita pela 1ª Vara Criminal de Camaragibe.</p>



<p>O Ministério Público montou uma espécie de força-tarefa para apurar o caso, diante da gravidade do episódio. Participam do trabalho promotores dos Grupos de Atuação Conjunta Especial (Gace), de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a 1ª Promotoria Criminal de Camaragibe.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Governadora e secretário em silêncio, até agora</h3>



<p>Até o momento, a governadora Raquel Lyra (PSDB) não se pronunciou publicamente sobre a decisão judicial desta quinta (7), que transformou em réus 12 policiais militares. Na primeira, e até agora única vez que falou em público sobre o caso, Raquel foi sucinta. “A polícia está investigando como são: crimes bárbaros”, disse. A declaração foi dada em comunicado à imprensa na tarde de 15 de setembro de 2023, no Palácio do Campo das Princesas.</p>



<p>Por nota à imprensa, a Secretaria de Defesa Social disse, nesta sexta (8), que não comenta decisão judicial. Informou apenas que os quatro praças que não foram presos preventivamente foram agora afastados das atividades de rua. Cinco PMs continuarão detidos de forma preventiva por força da decisão judicial que aceitou a denúncia do MPPE.</p>



<p>A Chacina de Camaragibe é a maior registrada nos últimos cinco anos em Pernambuco. Ao todo, nove pessoas morreram: dois policiais, seis pessoas de uma mesma família, e, posteriormente, uma jovem vizinha de parentes de Alex Barbosa que estava grávida.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A lista dos praças que viraram réus</strong></h3>



<p>Além dos três oficiais citados na reportagem, foram denunciados e transformados em réus nove praças. São eles: soldado Paulo Ferreira Dias, soldado Leilane Barbosa Albuquerque, soldado Emanuel Rocha Júnior, soldado Diego Galdino, cabo Fábio Oliveira, cabo Dorival Alves Cabral Filho, cabo Janecleia Barbosa da Silva, sargento Eduardo de Araújo e sargento César Augusto.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/exclusivo-tenentes-coroneis-comandaram-chacina-de-camaragibe-denuncia-mppe/">Tenentes-coronéis comandaram Chacina de Camaragibe, denuncia MPPE</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Três oficiais mais nove PMs viram réus na Justiça por suspeita de envolvimento na Chacina de Camaragibe (PE)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 18:36:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[chacina de Camaragibe]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* A 1ª Vara Criminal de Camaragibe, no Grande Recife, aceitou, nesta quinta-feira, 7 de março, denúncia do Ministério Público estadual transformando em réus 12 policiais militares de Pernambuco por suspeita de envolvimento na Chacina de Camaragibe. Três deles são oficiais da PM. Para os promotores que investigam o caso, o grupo planejou [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/tres-oficiais-mais-nove-pms-viram-reu-na-justica-por-suspeita-de-envolvimento-na-chacina-de-camaragibe-pe/">Três oficiais mais nove PMs viram réus na Justiça por suspeita de envolvimento na Chacina de Camaragibe (PE)</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti</strong>*</p>



<p>A 1ª Vara Criminal de Camaragibe, no Grande Recife, aceitou, nesta quinta-feira, 7 de março, denúncia do Ministério Público estadual transformando em réus 12 policiais militares de Pernambuco por suspeita de envolvimento na Chacina de Camaragibe. Três deles são oficiais da PM. Para os promotores que investigam o caso, o grupo planejou e executou por vingança o assassinato de familiares de Alex da Silva Barbosa, 33 anos. Ele era suspeito de ter matado a tiros dois policiais militares, no bairro de Tabatinga, em setembro do ano passado. Alex foi baleado e morreu no dia seguinte no hospital.</p>



<p>Passam a ser réus o 1º tenente Thiago Aureliano e os tenentes-coronéis Fábio Rufino e Marcos Túlio. Rufino comandava o 20º Batalhão à época, onde eram lotados os policiais mortos no tiroteio, e Marcos Túlio ocupava o segundo posto de comando na inteligência da PM. A decisão judicial decreta ainda a prisão preventiva de cinco dos 12 policiais agora denunciados. São eles: Paulo Henrique Ferreira Dias, Dorival Alves Cabral Filho, Leilane Barbosa Albuquerque, Emanuel de Souza Rocha Júnior e Fábio Júnior de Oliveira Borba.</p>



<p>Esses cinco PMs já estavam detidos preventivamente, a pedido da Polícia Civil. Seguirão retidos por conta da decisão da 1ª Vara Criminal de Camaragibe. </p>



<p>Os três oficiais e os nove praças (classe militar formada por soldado, cabo e sargento) foram denunciados à Justiça por triplo homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e emboscada). A ação é referente à investigação da morte de dois irmãos e uma irmã de Alex Barbosa. Parte do crime chegou a ser transmitida ao vivo por conta de uma live que Ágata Ayanne da Silva, 30 anos, fez no Instagram, na qual registrou a própria execução. Amerson Juliano da Silva e Apuynã Lucas da Silva, ambos de 25 anos, também foram assassinados na ocasião. O crime aconteceu na madrugada de 15 de setembro de 2023.</p>



<p>À época, o caso ganhou repercussão nacional por conta das imagens, que viralizaram, e forçou um pronunciamento público da governadora Raquel Lyra (PSDB) e do secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, então recém-empossado no cargo. O vídeo registrado por Ágata tem menos de um minuto. Nele, as três vítimas parecem estar rendidas por homens encapuzados de arma em punho. Um dos executores ordena: “Bota a mão na cabeça, porra. Ajoelha, filho da puta”. Em seguida, o som de cinco disparos.</p>



<p>Pouco depois da transmissão ao vivo, os corpos da mãe e da esposa de Alex foram encontrados num canavial na cidade vizinha de Paudalho. Elas foram identificadas como Maria José Pereira da Silva e Nathália Nascimento, respectivamente.</p>



<p>Como a denúncia do Ministério Público diz respeito apenas ao triplo homicídio da irmã e dos dois irmãos de Alex Barbosa, é possível concluir que o número de policiais envolvidos em toda chacina pode ser maior do que os 12 policiais militares agora transformados em réus, pois é provável que outros PMs tenham executado a mãe e a esposa de Alex.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Uma chacina, duas investigações</h2>



<p>À época, duas frentes de trabalho foram abertas, com o objetivo de entender a dinâmica dos fatos criminosos e apontar os responsáveis pela autoria do planejamento e da execução deles. Uma ficou a cargo da Polícia Civil, mais precisamente do Grupo de Operações Especiais (GOE). Outra foi tocada por promotores do MPPE.</p>



<p>O delegado Ivaldo Pereira e a equipe do GOE tomaram o depoimento de testemunhas e fizeram busca por imagens de câmeras de segurança e monitoramento que pudessem ajudar na identificação dos responsáveis pela sequência de mortes violentas intencionais (MVIs).</p>



<p>À época da chacina, o envolvimento direto de policiais na morte de cinco familiares já era uma hipótese a ser investigada. A forma como os homens encapuzados se comportaram na live sem saber que estavam sendo filmados foi considerada um indício.</p>



<p>Ambas investigações se valeram de quebras de sigilos telefônico e telemático. E fizeram uso também de levantamento e cruzamento de dados de georreferenciamento (GPS). Ao final do inquérito policial, o GOE conseguiu alcançar cinco policiais militares, todos praças. Eles chegaram a ser presos preventivamente, a pedido da Polícia Civil, para que não atrapalhassem as investigações.</p>



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	                                        <p class="m-0">Todas as pessoas mortas na sequência de crimes de setembro de 2023. Crédito: Reprodução/WhatsApp</p>
	                
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                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">MP vai além e chega aos oficiais</h3>



<p>Os promotores conseguiram avançar no trabalho investigativo e, com isso, chegaram à suspeita de envolvimento na chacina de mais sete policiais. Dois deles com cargo de destaque, os tenentes-coronéis. Esse passo adiante foi considerado importante por buscar identificar toda a cadeia de comando envolvida no caso.</p>



<p>O Ministério Público montou uma espécie de força-tarefa para investigar o caso, diante da gravidade do episódio. Participam da investigação promotores dos Grupos de Atuação Conjunta Especial (Gace), de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a 1ª Promotoria Criminal de Camaragibe.</p>



<p>Uma das atribuições constitucionais do Ministério Público é o controle externo das atividades policiais. Esse é um mecanismo importante para responsabilizar agentes que tenham cometido abusos, irregularidades ou crimes.</p>



<p>“Existem também duas resoluções do Conselho Nacional do Ministério Público que tratam disso. Esse controle externo pode requisitar informações, pode ter acesso à ordem de missão policial (OMP) e às dependências da polícia. É um contrapeso necessário, principalmente em contextos de violência flagrante que temos hoje em todo território nacional”, contextualiza Edna Jatobá. Ela é cientista social e coordenadora executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop).</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Crimes bárbaros&#8221;, disse Raquel Lyra</h3>



<p>Na tarde do dia 15 de setembro, no Palácio do Campo das Princesas, a governadora Raquel Lyra fez um comunicado à imprensa. “Vim aqui me pronunciar sobre os crimes que aconteceram nas últimas 24 horas. A polícia está investigando como são: crimes bárbaros”. Em seguida, a palavra foi passada ao secretário de Defesa Social.</p>



<p>A ocasião foi a primeira vez em que Raquel falou sobre o episódio. A revelação de que três oficiais, entre eles dois tenentes-coronéis, e mais nove PMs tornaram-se réus é forte o suficiente para exigir da governadora do Estado um novo posicionamento público.</p>



<p>Quando falou na coletiva à imprensa depois da governadora, foi Alessandro Carvalho quem estabeleceu a ligação entre a morte dos dois policiais sucedida pela execução de cinco parentes do homem suspeito de ter efetuado os disparos contra o soldado Eduardo Roque e o cabo Rodolfo José da Silva, lotados no 20º Batalhão.</p>



<p>“Nós não temos como descartar nenhuma hipótese. O que sabemos é que dois policiais foram assassinados ao atender uma ocorrência e, depois disso, cinco pessoas ligadas ao suspeito foram mortas em menos de 12 horas. Existe uma correlação entre os fatos e é isso o que nós vamos investigar”.</p>



<p>As mortes violentas intencionais ocorridas em sequência nesse episódio foram a primeira chacina registrada em Pernambuco no governo Raquel Lyra. É também a maior chacina no Estado nos últimos cinco anos. Ao todo, nove pessoas morreram: dois policiais militares que estavam de serviço, seis pessoas de uma mesma família, e, posteriormente, uma jovem vizinha de parentes de Alex Barbosa que estava grávida.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/mortes-de-pms-e-chacina-de-familia-de-suspeito-abre-crise-na-seguranca-publica-do-governo-raquel-lyra/" class="titulo">Mortes de PMs e chacina de família de suspeito abrem crise na segurança pública do governo Raquel Lyra</a>
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<ul class="wp-block-list">
<li><strong>A cronologia dos fatos</strong>:</li>
</ul>



<p><strong>14 de setembro de 2023</strong>: Por volta das 21h, dois policiais morrem em serviço durante tiroteio em Camaragibe. O suspeito de ter atirado contra os agentes é identificado como Alex da Silva Barbosa. Um adolescente e uma jovem grávida ficam feridos, ela em estado grave.</p>



<p><strong>15 de setembro de 2023</strong>: Por volta das 2h, dois irmãos e uma irmã de Alex são executados por homens encapuzados, no mesmo bairro onde ocorreu o tiroteio. Antes de morrer, Ágata posta nas redes sociais que a mãe foi sequestrada por mais de dez homens encapuzados e, em seguida, transmite ao vivo a emboscada. </p>



<p><strong>15 de setembro de 2023</strong>: Às 11h, Alex Barbosa é encontrado por policiais e baleado; morre no dia seguinte no hospital. A polícia disse que ele resistiu e trocou tiros. Depois, os corpos da mãe e da esposa dele são encontrados num canavial.</p>



<p><strong>21 de outubro de 2023</strong>: A jovem grávida morre, após passar mais de um mês internada em estado grave. Vinte dias antes, a pedido da família, a equipe médica realiza o parto e Ana Letícia Carias da Silva, 19 anos, dá à luz uma menina. Com isso, subiu para nove o número de pessoas mortas de forma violenta no caso.</p>



<p><strong>14 de dezembro de 2023</strong>: Cinco praças (policiais militares de baixa patente) são presos pela Polícia Civil na condição de primeiros suspeitos de participação na série de execuções.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>
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