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	<title>Arquivos chuvas - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 01 May 2026 17:49:37 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos chuvas - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Chuvas, enchentes e deslizamentos. De novo.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 17:43:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata Norte de Pernambuco estão em estado de alerta por conta das fortes chuvas que caem desde a noite de sexta-feira. Moradores da Região Metropolitana do Recife receberam alertas nos celulares avisando sobre o risco de inundação e deslizamentos. Nas últimas 24 horas, choveu uma média [&#8230;]</p>
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<p>A Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata Norte de Pernambuco estão em estado de alerta por conta das fortes chuvas que caem desde a noite de sexta-feira. Moradores da Região Metropolitana do Recife receberam alertas nos celulares avisando sobre o risco de inundação e deslizamentos. Nas últimas 24 horas, choveu uma média de 149mm no Recife, o equivalente a metade da média histórica do mês de maio, que é de 294mm.</p>



<p>Às 13h, a prefeitura do Recife elevou o nível do alerta do laranja para vermelho, o grau máximo da escala de Defesa Civil. Pouco depois, o comandante-geral do Corpo de Bombeiro, Eduardo Araripe de Souza, informou que um casal de idosos estava desaparecido após a queda de uma barreira sobre a casa onde viviam no bairro do Passarinho, em Olinda. </p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/alerta-maximo.jpeg" alt="A imagem mostra um aviso oficial da Prefeitura do Recife. O fundo é vermelho e há um medidor com faixas coloridas (verde, amarelo, laranja e vermelho). O ponteiro está na faixa vermelha, indicando “Alerta Máximo”. O texto informa que, em 1º de maio de 2026 às 13h, a cidade está em nível máximo de alerta, orientando moradores a se manterem seguros e buscarem abrigo se necessário. Também aparecem os contatos de emergência: telefone 0800 081 3400 e o site conecta.recife.pe.gov.br" class="" loading="lazy" width="472">
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                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
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<p>No Ibura, <a href="https://www.instagram.com/reels/DXzVIXsxBXy/">uma pessoa ficou ferida</a> por causa de um deslizamento na comunidade de Milagres, por trás da Escola Dom Sebastião Leme. Além disso, um imóvel abandonado desmoronou no Pilar, Recife Antigo, e outra queda de barreira foi registrada no Alto da Bondade, em Olinda, mas nesses dois casos não há informações sobre eventuais vítimas.</p>



<p>Ruas de inúmeros bairros da RMR estão alagadas e a previsão é de maré alta para às 15h49, com 2,26m, o que pode aumentar ainda mais os alagamentos. Em zonas de risco, as prefeituras têm recomendado que os moradores deixem suas casas e procurem abrigos. No Recife, a prefeitura disponibiliza oito abrigos e orienta a população a evitar deslocamentos.</p>



<p>De acordo com a prefeitura do Recife, desde a manhã de hoje foram disponibilizados os abrigos emergenciais do Cajueiro (Cajueiro) e do CSU Bidu Krause (Curado) para a população. Também estão sendo abertos outros espaços nas escolas municipais de Água Fria (Água Fria), Professor Florestan Fernandes (Ibura), Alto da Guabiraba (Brejo da Guabiraba), Diácono Abel Gueiros (Macaxeira), Célia Arraes (Várzea) e Jardim Uchôa (Areias).</p>



<p>Ao todo, são oferecidas cerca de 400 vagas para acomodar as pessoas, oferecendo alimentação, kits de higiene pessoal, acompanhamento psicossocial, entre outros serviços. Todos os endereços estão disponíveis no site da Ação Inverno (<a href="https://acaoinverno.recife.pe.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://acaoinverno.recife.pe.gov.br/</a>).</p>



<p>A Defesa Civil do Recife recebeu 71 chamados durante a manhã, a maioria relacionada a pedidos de vistoria e colocação de lonas plásticas, sem gravidade. As equipes devem ser acionadas pelos telefones 0800-0813400 e 3036-4873, ou pelo Conecta Recife. O atendimento é gratuito e acontece 24h por dia.</p>



<p>Em Jaboatão dos Guararapes, a Defesa Civil emitiu alerta de severidade alta para risco de inundações e deslizamentos, devido ao acumulado de chuvas nas últimas horas. Os alertas têm validade até às 10h de sábado.<br><br>Os rios Jaboatão e Duas Unas atingiram a cota de atenção, elevando o risco de transbordamento. Os bairros em alerta de inundação são: Bulhões, Vila Rica, Centro, Vista Alegre, Engenho Velho, Santana, Socorro, Dois Carneiros, Marcos Freire e Muribeca. Moradores dessas áreas devem buscar lugares seguros imediatamente.</p>



<p>Também há risco de deslizamentos nos morros dos bairros Engenho Velho, Guararapes e Jardim Jordão, com solo em alto nível de saturação. Quatro deslizamentos sem vítimas já foram registrados em Sucupira, Curado II e Vila Rica. Em caso de emergência, a Defesa Civil do município deve ser acionada pelos números 0800 281 2099 e (81) 99195-6655.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Risco de inundação na Zona da Mata e Grande Recife</h2>



<p>A Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) divulgou boletim hidrológico que afirma que o Rio Capibaribe alcançou nível de alerta em São Lourenço da Mata. Isso coloca em risco de inundação não apenas o município, mas também o Recife e Camaragibe.</p>



<p>De acordo com a Apac, em Timbaúba, o rio Capibaribe Mirim atingiu a cota de alerta, com possibilidade de inundação na região. Moradores devem permanecer atentos, já que o órgão responsável segue monitorando a situação e pode atualizar os avisos a qualquer momento.</p>



<p>Também foi divulgado boletim hidrológico informando que o rio Sirigi, em Vicência, atingiu a cota de inundação, afetando o município e Aliança, que sofre com o extravasamento do rio.</p>
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		<title>O que são parques alagáveis, como funcionam e por que o da Tamarineira não é um deles</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 17:34:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[parque alagável]]></category>
		<category><![CDATA[parque da tamarineira]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As chuvas já começaram a dar as caras no inverno do litoral e da Região Metropolitana do Recife. E, com as mudanças climáticas, seguem fortes e difíceis de prever. Nos últimos anos, o Recife tem adotado algumas estratégias do conceito de &#8220;cidade esponja&#8221;, desenvolvido pelo arquiteto chinês Kongjian Yu – falecido no ano passado em [&#8230;]</p>
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<p>As chuvas já começaram a dar as caras no inverno do litoral e da Região Metropolitana do Recife. E, com as mudanças climáticas, seguem fortes e difíceis de prever. Nos últimos anos, o Recife tem adotado algumas estratégias do conceito de &#8220;cidade esponja&#8221;, desenvolvido pelo arquiteto chinês Kongjian Yu – falecido no ano passado em um acidente de avião no Pantanal. Uma das estratégias defendidas por Yu eram os parques alagáveis, que ficam em locais sujeitos a inundações ou alagamentos e que retardam a distribuição da água de volta para o rio ou para ruas vizinhas.</p>



<p>O Recife ocupa a 16ª posição mundial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) no ranking das cidades mais vulneráveis à mudança do clima. Ou seja, a população recifense precisa de toda ajuda possível para conviver com suas águas. Os parques alagáveis não são a solução para os alagamentos, mas fazem parte de um pensamento no urbanismo que tenta lidar com soluções desenvolvidas localmente e minimizar os impactos para os moradores.</p>



<p>Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o arquiteto e urbanista Fabiano Diniz, explica que os parques alagáveis dialogam diretamente com uma crítica que Kongjian Yu fazia às soluções de drenagem convencionais. &#8220;Vemos os rios, as águas, sobretudo a chuva, a inundação, o alagamento, como coisas negativas, que vêm para nos maltratar. Tem pessoas que ficam com raiva da chuva, com raiva do rio, mas, na verdade, a gente ocupou o espaço do rio&#8221;, reflete Diniz, que também integra o grupo de pesquisa Recife Cidade Parque.</p>



<p>Para Yu, encanar e canalizar rios era uma solução pensada para países de clima temperado, com regimes de chuva moderados – e não para cidades tropicais como Recife, submetidas a precipitações torrenciais e concentradas. A ideia da &#8220;cidade esponja&#8221; era justamente o oposto: trabalhar com as condições naturais que existiam antes da urbanização, criando espaços que retenham, filtrem e devolvam a água lentamente ao solo e aos rios.</p>



<p>&#8220;A sacada do Kongjian Yu é pegar isso e dizer que as cidades têm que se estruturar a partir disso. Organizar as cidades a partir dessa capacidade de vários lugares cumprirem esse papel de reter as águas. Não somente de reter as águas, mas trazer o homem para perto da natureza, entrar em contato com a água, sem o medo de quem ouve a chuva cair e não consegue dormir à noite&#8221;, diz Diniz.</p>



<p>O Recife tem hoje dois parques alagáveis inaugurados: o primeiro, com aproximadamente 3,9 mil m², foi entregue em novembro de 2024 às margens do rio Tejipió, entre os bairros de Areias e Ipsep, com investimento de R$ 2,5 milhões da Autarquia de Urbanização do Recife (URB). O segundo, o Parque Alagável Campo do Barro, foi inaugurado em janeiro de 2026 no bairro do Barro, com mais de 23 mil m² e R$ 3,4 milhões do programa ProMorar, com capacidade para armazenar temporariamente cerca de 1.510 m³ de água. Um terceiro, o Parque Alagável Umuarama, também no Barro, já teve sua licitação publicada, com investimento previsto de R$ 3,8 milhões.</p>



<p>Tecnicamente, os parques alagáveis funcionam como o que os urbanistas chamam de bacias de retenção. Diferentemente das lagoas com lâmina d&#8217;água permanente – as chamadas bacias de detenção –, os parques alagáveis ficam secos na maior parte do ano e acumulam água apenas nos períodos de chuva intensa. A água retida é depois absorvida gradualmente, infiltrando no lençol freático ou sendo encaminhada por tubulações para os rios ou reservatórios.</p>



<p>A água retida também tem potencial de reuso. “Os reservatórios subterrâneos podem servir para irrigação do próprio parque em períodos de estiagem”, afirma o professor da UFPE. O Recife já possui reservatórios enterrados sob vias públicas – uma ideia que, segundo Diniz, não é nova. Ele cita que nos anos 1990 foram instaladas comportas e pequenos reservatórios ao longo do canal da avenida Agamenon Magalhães e que há reservatórios para água também na rua Cardeal Arcoverde, nas Graças.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A opinião de quem mora perto dos parques</span>

		<p>A pedido da Marco Zero, a co-fundadora do Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte) Géssica Dias preparou um texto sobre a opinião das pessoas que vivem perto dos dois parques alagáveis inaugurados pela prefeitura do Recife. O Forte é um coletivo que reúne mais de 10 lideranças de comunidades da bacia do Tejipió e que já realizou atividades com mais de 200 pessoas da região.</p>
<p><strong>Sobre o Parque Alagável do Ipsep:</strong> Por se tratar do primeiro parque alagável sinalizado para a bacia do rio Tejipió, gerou grande expectativa entre os moradores da localidade. No entanto, a falta de informação e de participação da comunidade durante o processo foi um ponto bastante problematizado pelo fórum e pelos próprios moradores à época.</p>
<p>Em grande medida, não se sabia como as obras seriam conduzidas nem quais seriam os resultados concretos esperados, sendo que as poucas informações disponíveis eram acessadas principalmente por meio de notícias na internet. Segundo relatos de moradores, o local onde o parque foi implantado é uma área que praticamente não alaga, enquanto as ruas do entorno continuam sofrendo com recorrentes inundações. Há também percepções de que não houve uma redução significativa dos alagamentos, mas sim uma diferença no tempo de escoamento das águas, que passou a ocorrer de forma mais rápida.</p>
<p><strong>Sobre o Parque Campo do Barro:</strong> Moradores relatam que, embora o equipamento exerça a função de represar a água em dias de chuva, seus efeitos têm beneficiado principalmente as áreas mais próximas, especialmente a comunidade do Umuarama, no Barro. Outros moradores avaliam que ainda é cedo para um parecer mais consistente, mas há percepções de que, diante das últimas chuvas, o parque não tem capacidade para suportar grandes volumes de acúmulo.</p>
<p>No que diz respeito ao processo de mobilização, moradores apontam fragilidades que comprometeram a participação nas oficinas de discussão. Muitas pessoas foram informadas em cima da hora &#8211; quando foram &#8211; o que dificultou a presença e limitou o debate sobre o projeto. Para parte da população, os equipamentos do parque só se tornaram conhecidos no momento da inauguração.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Solo, plantas e equipamentos específicos</h2>



<p>Para que um parque alagável funcione bem, o planejamento começa pelo solo. É preciso estudar a permeabilidade do terreno, a topografia, o regime de chuvas e a dinâmica hídrica do entorno. A arquiteta e urbanista Raquel Menezes, do Inovação e Pesquisa para as Cidades (Inciti), afirma que as plantas desses parques precisam ser de espécies adaptadas a ciclos alternados de encharcamento e seca.</p>



<p>&#8220;Normalmente em parques que são projetados para ser inundáveis, bacia de detenção, você tem que ter um tratamento de solo adequado para ampliar a permeabilidade da água no solo e o tipo de vegetação que você usa também tem que ser adequada para isso. Tem vegetação que dificulta mais a infiltração da água no solo e tem outras que potencializam isso. Também tem vegetação que não aguenta ficar muito tempo em solo molhado&#8221;, explica Raquel. &#8220;Tem que ser um parque projetado para ser alagável. Não é algo como &#8216;aqui tem uma área livre, vai ser uma área alagável agora&#8217;. Não é assim que funciona&#8221;, diz.</p>



<p>Também não é todo tipo de solo onde é adequado construir um parque alagável. &#8220;Se você tem um solo que seja argiloso, a argila dificulta muito a infiltração da água. Ela faz tipo um bloco. Tem tipo de solo que não é adequado para a infiltração. Tem solo mais arenoso, que aí é mais fácil da água infiltrar. Então, isso também precisa ser pensado&#8221;, explica a urbanista. </p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/alaga-1.jpg" alt="A foto mostra uma quadra esportiva cercada, provavelmente de futebol ou futsal, parcialmente coberta por uma grande poça d’água que reflete o céu, o alambrado e as construções ao redor. Ao fundo, aparecem dois brinquedos de cimento para crianças escalarem. À direita, há uma parede amarela com um mural colorido de um jogador de futebol estilizado, estrelas e linhas curvas em vermelho e azul. O reflexo da cena na água cria um efeito visual simétrico e marcante." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Parque alagável entre Areias e Ipsep foi o primeiro da cidade
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Os equipamentos de lazer devem ser instalados em espaços mais elevados, com passarelas que permitam o uso do parque mesmo quando parte da área está alagada. E a participação da comunidade, dizem os especialistas, é fundamental: os moradores precisam entender o que é o parque, para que serve e como se apropriar dele. &#8220;Precisamos acompanhar com muito cuidado, não a partir dos olhos do acadêmico, dos técnicos, mas a partir dos moradores que vivenciam o espaço – que o usam para lazer e que vivenciam, durante a cheia, se houve realmente redução dos danos, dos impactos&#8221;, afirma Diniz.</p>



<p>Diniz destaca a importância de que esses parques sejam construídos justamente nas áreas mais vulneráveis da cidade. &#8220;Aquela região ali, em Tejipió, em Areias, é uma área, do ponto de vista social e ambiental, muito vulnerável, com condições muito difíceis, com terrenos baixos. É uma população que está muito suscetível a esse processo de inundação, onde se concentra a população pobre&#8221;, diz. &#8220;O parque alagável, além de qualificar o espaço, funciona para o lazer a maior parte do tempo. E estamos discutindo isso dentro de um contexto que, hoje, é de privatização dos parques. Em que medida essa privatização pode ou não pode restringir o acesso a uma população de mais baixa renda, que precisa, do mesmo jeito que os demais moradores, ter acesso a esse tipo de lazer? Então, é muito importante que esses parques cumpram também a função durante o tempo seco&#8221;, afirma o pesquisador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tamarineira: alagado, não alagável</strong></h2>



<p>Quando as chuvas de abril alagaram parte do Parque da Tamarineira, choveram denúncias sobre a falta de drenagem nas redes sociais. Não ironicamente, a vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) publicou um vídeo do parque embaixo d’água em que a legenda dizia que “o Parque da Tamarineira funciona como área alagável contra enchentes&#8221;. Para Fabiano Diniz, a questão precisa ser dita com clareza: o parque alagou, mas não foi projetado para ser alagável. &#8220;Ele é um parque que alaga – isso a chuva provou. Mas não vou dizer que ele tem um grande potencial para isso. Aquilo ali não parece ter sido pensado&#8221;, afirma.</p>



<p>A arquiteta e urbanista Raquel Menezes concorda. Para ela, o que aconteceu tem ligação com o córrego do Jacaré, curso d&#8217;água que passava pela área e foi canalizado – ou seja, enfiado em uma tubulação subterrânea. &#8220;O córrego provavelmente já era a drenagem daquela área do terreno. A água devia estar acumulando naquela parte e continuou acumulando por causa disso. Não é nada estranho. Mas a gente precisa entender que a natureza e o solo têm uma dinâmica própria, e não é um problema assumir isso&#8221;, diz.</p>



<p>A crítica ressoa diretamente com o que Kongjian Yu defendia: canalizar córregos é uma solução de infraestrutura “cinza”, mais adequada a países de clima temperado, que vai contra a dinâmica natural da água em cidades tropicais. &#8220;Se a gente vai contra a dinâmica dos elementos da natureza, a gente se enterra. Se fosse o riacho voltando à tona, se houvesse um tratamento mais natural, com vegetação adequada para a área molhada, o parque teria um potencial muito maior”, afirma Fabiano Diniz.</p>



<p>Nenhum dos dois urbanistas chegou a ver o projeto do Parque da Tamarineira. Raquel Menezes chegou a procurar o documento, mas não achou. &#8220;Essa informação deveria estar facilmente acessível, qualquer pessoa deveria conseguir consultar&#8221;, afirma.</p>



<p>Procurada pela reportagem, a Prefeitura do Recife, em nota, afirmou que o Parque da Tamarineira &#8220;é considerado um equipamento naturalizado e auxilia na drenagem do trecho inicial da bacia do Canal do Jacaré&#8221;. Segundo a nota, &#8220;o parque incorporou áreas de detenção natural, capazes de armazenar temporariamente os volumes de água durante eventos de chuva mais intensos&#8221;, e as passarelas elevadas na chamada área da Matinha &#8220;foram executadas para garantir acessibilidade aos principais equipamentos e reduzir as superfícies pavimentadas&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Drenagem do novo parque deveria garantir que pontos baixos naturais não seriam inundados
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A explicação contrasta com o que havia sido divulgado pela própria prefeitura na comunicação da inauguração da segunda etapa do parque, em 26 de março de 2026. No texto oficial, a ênfase recaía sobre a drenagem convencional: a prefeitura informava que &#8220;foram construídos dois reservatórios com dispositivos de coleta para o encaminhamento adequado das águas pluviais, garantindo a destinação correta da água superficial e evitando sobrecarga na infraestrutura do entorno.&#8221; O <a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/26/03/2026/com-estetica-leve-e-conexao-com-natureza-e-inaugurada-segunda-etapa-do-parque-da" target="_blank" rel="noreferrer noopener">então prefeito João Campos (PSB) chegou a declarar que</a> &#8220;fizemos uma obra de drenagem e um grande reservatório de água para assegurar um espaço confortável, mesmo em dias de chuvas.&#8221; Na época da inauguração, não havia  menção à possibilidade de alagamento.</p>



<p>Antes mesmo da inauguração, quando a prefeitura lançou a licitação para a segunda etapa, o projeto já previa, além do reservatório principal sob o passeio central, três bacias de infiltração no interior da Matinha, &#8220;<a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/14/11/2025/prefeitura-do-recife-inicia-construcao-de-nova-etapa-do-parque-da-tamarineira" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estrategicamente localizadas nos pontos de maior risco de alagamento, para promover a absorção da água pluvial no próprio solo</a>&#8220;, com o objetivo de &#8220;garantir que os pontos baixos naturais do parque, que são mais suscetíveis ao acúmulo de água, não sejam inundados.&#8221; Ou seja, a própria prefeitura reconhecia que aquela era uma área propensa ao acúmulo de água – mas não comunicou isso com clareza ao público.</p>



<p>&#8220;O parque acabou de ser inaugurado. É muito natural que em uma obra você tenha um momento de ajustes. Toda obra é isso: quando você começa a usar, quando vêm os primeiros usos, os primeiros eventos, você começa a perceber o que não funciona e vai ajustando. Não é problema nenhum no parque alagar nas primeiras chuvas”, diz Raquel Menezes. &#8220;O grande problema que houve nessa questão é tentar defender tudo como se fosse maravilhoso e perfeito. A gente costuma dizer sempre que arquitetura e que urbanismo não são matemática. A gente lida com muitas dinâmicas diferentes e não tem como ter uma previsão definitiva do que vai acontecer”, acrescenta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Nota completa da Prefeitura do Recife</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro parque alagável do Recife, com aproximadamente 3,9 mil m², foi entregue em novembro de 2024, com investimento de R$ 2,5 milhões executados pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB), e está situado entre os bairros de Areias e Ipsep, às margens do Rio Tejipió. O segundo da cidade, o Parque Alagável Campo do Barro, foi entregue no começo deste ano, no bairro de mesmo nome, e abrange mais de 23 mil m², com R$ 3,4 milhões investidos pelo ProMorar Recife. O espaço tem capacidade de armazenar temporariamente cerca de 1.510 m³ de água, o equivalente a mais de 1,5 mil caixas d&#8217;água de 1 mil litros. Na última semana, a gestão publicou, no Diário Oficial, a licitação para a construção do Parque Alagável Umuarama, também no Barro. Com investimento de R$ 3,8 milhões por meio do programa ProMorar, o novo equipamento será o terceiro do tipo na cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação ao Parque da Tamarineira, ele é considerado um equipamento naturalizado e auxilia na drenagem do trecho inicial da bacia do Canal do Jacaré, que integra a macrobacia do Vasco da Gama (Canal do Arruda), área estratégica para o controle de alagamentos na cidade do Recife. Nesse contexto, áreas verdes urbanas desempenham um papel essencial, funcionando como espaços naturais de retenção e amortecimento das águas. Assim, o Parque Tamarineira incorporou áreas de detenção natural, capazes de armazenar temporariamente os volumes de água durante eventos de chuva mais intensos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa estratégia permite reduzir a sobrecarga no sistema de drenagem urbana e diminuir o risco de alagamentos nas vias do entorno. As passarelas elevadas, dentro da área popularmente chamada de “Matinha”, foram executadas para garantir acessibilidade aos principais equipamentos da Matinha e reduzir as superfícies pavimentadas. Esta solução aumenta a permeabilidade do solo e, em consequência, facilita a absorção das águas da chuva.</span></p>
	</div>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-que-sao-parques-alagaveis-como-funcionam-e-por-que-o-da-tamarineira-nao-e-um-deles/">O que são parques alagáveis, como funcionam e por que o da Tamarineira não é um deles</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
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		<title>Escolas públicas e racismo ambiental: o calor como barreira invisível para o aprendizado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Oct 2025 14:20:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[calor excessivo]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Giovanna Carneiro* A atuação do Gris Solidário, organização comunitária com forte presença nas áreas ribeirinhas da zona oeste do Recife, tem revelado como as mudanças climáticas afetam diretamente o cotidiano escolar das populações mais vulneráveis. Durante as enchentes de 2022, o grupo desempenhou um papel fundamental no resgate e acolhimento de famílias, ao mesmo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Giovanna Carneiro*</strong></p>



<p>A atuação do Gris Solidário, organização comunitária com forte presença nas áreas ribeirinhas da zona oeste do Recife, tem revelado como as mudanças climáticas afetam diretamente o cotidiano escolar das populações mais vulneráveis. Durante as enchentes de 2022, o grupo desempenhou um papel fundamental no resgate e acolhimento de famílias, ao mesmo tempo em que denunciava a ausência de políticas públicas voltadas à proteção desses territórios. </p>



<p>Desde então, em parceria com outras iniciativas, o Gris vem mostrando como os impactos climáticos sobre as populações vulneráveis vão além das perdas materiais: eles atingem o bem-estar emocional de crianças e adolescentes e comprometem o próprio direito à educação. Se, por um lado, as chuvas interrompem as aulas, fragilizam a infraestrutura das escolas e transformam salas em abrigos temporários, por outro, o calor extremo impõe barreiras silenciosas ao aprendizado, sobretudo nas escolas localizadas em áreas periféricas.</p>



<p>Para milhares de estudantes da Região Metropolitana do Recife, o caminho até a escola é mais do que uma simples rotina. É um verdadeiro teste de resistência. </p>



<p>Nos dias de chuva, as ruas alagadas dificultam o deslocamento e colocam em risco a segurança de quem precisa se locomover, seja a pé ou em transporte público. Já nos dias de sol forte, a realidade não melhora, ônibus superlotados, sem ventilação adequada ou climatização, somam-se às temperaturas elevadas e tornam o trajeto desgastante antes mesmo do início das aulas.</p>



<p>E, ao chegar na escola ,o desconforto permanece, uma vez que muitas das instituições de ensino pública não possuem salas climatizadas nem área verde capazes de amenizar o calor nos dias de verão, tornando o ambiente pouco propício para o aprendizado.</p>



<p>&#8220;Eu pego dois ônibus para chegar à escola, o que é muito estressante. Ônibus muito lotados e sem climatização, que acaba gerando muito calor. Chegar à escola e enfrentar salas sem climatização torna a situação ainda mais desconfortável para mim e para outros alunos”, conta o aluno da rede pública Axl Gabriel, de 17 anos.</p>



<p>Para quem vai a pé não é diferente, como relata o também estudante Mateus Felipe: “Vou andando até a escola e já sofro com o calor, já chego na aula bem cansado, de cabeça quente. E não tem ar-condicionado. Isso mexe muito com a cabeça dos alunos. Não conseguimos prestar atenção na aula. Ficamos inquietos. E tem professor que leva até ventilador de casa, porque ele sabe como é. Não é só a gente que sente, os professores também sentem. Isso é muito incômodo”.</p>



<p>Em resposta a essa realidade, manifestações estudantis pela instalação de aparelhos de ar-condicionado nas salas de aula vêm se multiplicando pelo país e o Recife está entre os centros urbanos onde essa reivindicação ganha força.</p>



<p>Um <a href="https://observatoriobranquitude.com.br/a-cor-da-infraestrurura-escolar-diferencas-entre-escolas-brancas-e-negras/">estudo do Observatório da Branquitude</a>, lançado em 2024, revelou que escolas públicas de educação básica com maioria de alunos negros têm infraestruturas significativamente mais precárias do que aquelas frequentadas majoritariamente por estudantes brancos. A pesquisa mostrou que 69% das escolas com melhores condições estruturais atendem predominantemente alunos brancos. Por exemplo, 74,69% dessas escolas possuem laboratório de informática, enquanto nas escolas com maioria de estudantes negros esse número cai para 46,98%. </p>



<p>O critério para essa classificação considera como escolas &#8220;brancas&#8221; aquelas com 60% ou mais de alunos autodeclarados brancos, e como &#8220;negras&#8221; aquelas com 60% ou mais de estudantes pretos e pardos.</p>



<p>As desigualdades estruturais também se estendem a aspectos fora da sala de aula. Enquanto 72,28% das escolas com maioria branca contam com rede de coleta de esgoto, mais da metade das escolas com maioria de alunos negros, um percentual de 56%, não têm esse serviço básico. O levantamento, intitulado A cor da infraestrutura escolar: diferenças entre escolas brancas e negras, usou como base dados de 2021 do Censo Escolar e do Indicador de Nível Socioeconômico (Inse), produzidos pelo Inep, órgão vinculado ao Ministério da Educação. Os dados evidenciam como o racismo estrutural se reflete nas condições de acesso e permanência de crianças e adolescentes negros na escola.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Escolas com mais de 60% de alunos negros e pardos têm infraestrutura pior
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>A precariedade da infraestrutura escolar se agrava diante do contexto climático da capital pernambucana, que é uma das dez capitais brasileiras com menor presença de áreas verdes nas escolas, segundo o relatório <a href="https://alana.org.br/pesquisa-verde-nas-escolas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em><u>O acesso ao verde e a resiliência climática nas escolas das capitais brasileiras</u></em></a> elaborado pelo Instituto Alana em parceria com o <a href="https://brasil.mapbiomas.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">MapBiomas</a>.</p>



<p>O levantamento revelou que mais da metade (52,4%) das escolas localizadas em favelas e comunidades urbanas não possuem qualquer cobertura vegetal. Apenas 10% dessas instituições contam com mais de 30% de área verde. Recife aparece como a sétima capital com menor proporção de áreas verdes nas escolas.</p>



<p>A pesquisa destaca ainda que a desigualdade socioambiental agrava a vulnerabilidade dos estudantes. “Os bairros mais densos e vulneráveis geralmente são desprovidos de verde, e os moradores com menos recursos econômicos têm também menos acesso aos benefícios da natureza para a saúde física e mental – além de serem mais vulneráveis aos impactos da crise climática”, aponta o relatório.</p>



<p>Neste cenário, a crise climática se entrelaça à crise educacional e evidencia como as desigualdades estruturais do país se manifestam até mesmo no ambiente escolar, atingindo de forma mais severa as infâncias e juventudes periféricas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Escolas reproduzem o padrão do racismo ambiental</h2>



<p>“Ninguém consegue aprender com calor”. A frase da professora Eliza Azevedo, da Escola Municipal Edson Cantarelli, localizada no Jordão, zona sul do Recife, resume uma realidade comum nas escolas públicas da capital pernambucana. “Os alunos ficam tontos, impacientes, desmotivados. Para crianças com necessidades específicas, como as que têm TDAH, o desafio é ainda maior. A concentração já é difícil em ambientes climatizados, imagine em salas abafadas, onde o calor intensifica o barulho e a inquietação.”</p>



<p>A fala da professora revela que os efeitos da crise climática na educação pública não são sentidos de maneira uniforme. Crianças negras e de famílias com menor renda enfrentam condições muito mais severas, um reflexo direto do racismo ambiental que se manifesta no desenho das cidades e na distribuição dos recursos públicos.</p>



<p>Segundo o já mencionado relatório do Instituto Alana, escolas com maioria de alunos negros e situadas em áreas com baixo índice socioeconômico são as que menos têm acesso a praças e parques no entorno. Enquanto 30,1% das escolas negras não contam com espaços verdes num raio de 500 metros, esse número cai para 11,4% entre as escolas brancas. Ou seja, o calor atinge mais fortemente as escolas periféricas, agravando as dificuldades de aprendizagem e aprofundando desigualdades já existentes.</p>



<p>O levantamento revela ainda que 370.530 crianças matriculadas na educação infantil e no ensino fundamental estudam em escolas localizadas em áreas de risco nas capitais do Brasil. Essas escolas estão em locais suscetíveis a condições hidrometeorológicas e climáticas capazes de resultar em processos como inundações, enxurradas e deslizamentos. Recife é a terceira capital com mais unidades nessa situação, são 180 escolas de um total de 768, o que representa 23% da rede de ensino. Nesses espaços vulneráveis, 42.802 alunos estão expostos a situações de risco para eventos climáticos.</p>



<p>Outro dado alarmante revela que cerca de 35% das escolas que estão situadas em ilhas de calor, regiões urbanas que registram temperaturas significativamente mais altas do que a média da cidade, têm maioria de estudantes negros. Já entre as escolas brancas, esse percentual é de apenas 8,6%. Cinco das dez capitais com maior concentração de escolas em áreas quentes estão na Região Norte (Manaus, Macapá, Boa Vista, Porto Velho e Rio Branco) e três no Nordeste (São Luís, Recife e Maceió). As outras duas são Vitória (ES) e Porto Alegre (RS).</p>



<p>Diante desse cenário, a pedagoga e integrante da Aliança pela Infância e da Associação da Pedagogia de Emergência do Brasil, Lívia Melo, defende uma maior ação dos governos para garantir o acesso de crianças a áreas verdes, sobretudo nas escolas públicas: “Recife avançou com as praças da infância, mas ainda precisamos criar esses espaços nas escolas, tornando-as ambientes de alegria e contato com a natureza, o que impacta diretamente a psique das crianças&#8221;.</p>



<p>&#8220;Promover espaços saudáveis para crianças na escola é uma ação contra o racismo ambiental, porque muitas vezes uma criança branca, de classe social mais abastada pode não ter uma escola arborizada, mas tem a oportunidade de frequentar parques, praias, sítios com a sua família. Enquanto as crianças negras de periferia muitas vezes só conseguem brincar e ter acesso à natureza quando estão na escola. E isso tem uma implicação direta no desenvolvimento cognitivo da criança”, finaliza a pedagoga.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>As promessas vãs da climatização</strong></h2>



<p>Apesar dos esforços dos governos municipal e estadual para climatizar as escolas públicas da Região Metropolitana do Recife, a realidade nas salas de aula segue marcada pelo calor excessivo e por uma série de entraves técnicos e burocráticos. Professores da rede de ensino denunciam que, mesmo onde os aparelhos de ar-condicionado foram instalados, falhas constantes e a demora nos reparos comprometem o cotidiano escolar e afetam diretamente o bem-estar de alunos e educadores.</p>



<p>“A prefeitura instala os aparelhos, mas muitos quebram e o conserto demora, deixando alunos e professores à mercê do calor. Em uma das escolas, levou quase dois meses para trocar um ar-condicionado, e tivemos que improvisar com ventiladores, que não eram suficientes devido a onda de calor. Durante esse período, alunos e professores sofreram com desconforto e mal-estar, alguns passando mal devido à alta temperatura nas salas”, conta Eva Azevedo, professora e coordenadora do Sindicato dos Professores do Recife (Simpere).</p>



<p>Em suas ações no sindicato, a educadora visita as escolas da cidade duas vezes por semana para fiscalizar as condições de trabalho dos professores e, de acordo com ela, o calor constante é uma queixa frequente que afeta diretamente a rotina escolar. Em algumas unidades, há relatos de equipamentos que chegaram a pegar fogo. O cenário revela uma falta de planejamento na implementação das medidas de climatização.</p>



<p>“Têm escolas que, mesmo sendo planejadas para serem unidades de ensino, não têm uma área verde, não existe um parque. Algumas unidades não possuem nem uma área de lazer onde as crianças possam brincar, que dirá plantar uma árvore. Então, a climatização das salas é o mínimo que pode ser feito para minimizar o calor”, enfatiza Eva.</p>



<p>Mesmo diante das dificuldades impostas pela falta de infraestrutura nas salas de aula, os professores e professoras seguem se adaptando como podem para manter o processo de aprendizagem de seus alunos em dia. Na Escola de Referência do Ensino Médio Assis Chateaubriand, no bairro do Pina, zona sul da cidade, a situação não é diferente. A professora Elis Costa relata que os aparelhos chegaram há meses, mas só começaram a ser instalados após pressão e protestos dos estudantes. “Antes disso, estava muito difícil dar aula. Os alunos ficam muito inquietos e agitados e eu acho que eles se sentem desrespeitados por passarem por essa situação”, afirma.</p>



<p>No entanto, especialistas alertam que a climatização, por si só, não é suficiente para garantir um ambiente escolar saudável e resistente às mudanças climáticas. É preciso criar um ambiente escolar saudável e integrado ao meio ambiente e, para isso, a arborização e a criação de espaços verdes nas escolas é fundamental.</p>



<p>“Ter ar-condicionado é importante, mas não podemos depender só dele. É preciso levar mais verde para dentro e ao redor das escolas, evidenciando como árvores e áreas verdes proporcionam conforto e fazem parte das medidas de adaptação climática”, afirma Ana Claudia Cifali, coordenadora jurídica do <a href="https://alana.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Alana</a>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/escolas-ana_claudia_cifali-782515-Vincius-Loures_Camara.jpg" alt="A foto mostra uma mulher sentada à mesa, falando ao microfone durante uma reunião ou audiência pública. Ela tem pele clara, cabelo castanho preso e usa óculos de armação roxa. Está vestida com uma blusa preta e usa brincos compridos. À sua frente há um notebook prateado com adesivos coloridos e uma placa de identificação com o nome “Ana Cláudia Cifali” e a informação de que é representante do Conanda. A mesa tem copos de água e papéis, e ao fundo há uma parede escura com quadros emoldurados desfocados. A imagem foi feita em um ambiente formal, possivelmente uma sala de comissões da Câmara dos Deputados" class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ana Cláudia Cifali, do Instituto Alana, afirma que só climatização não resolve
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo Ana Cláudia, além de mitigar os efeitos do calor, a presença de áreas verdes contribui para o desenvolvimento integral das crianças e amplia as possibilidades pedagógicas. “Quando propomos os parques naturalizados estamos promovendo estímulos sensoriais e fortalecendo a resiliência climática. Isso também passa por adaptações no projeto arquitetônico das escolas: pensar em captação de água da chuva, irrigação, drenagem e outros elementos que tornem as unidades escolares mais preparadas para os extremos climáticos”, completa.</p>



<p>Para ela, com a adaptação de infraestrutura das escolas, o próximo passo seria “olhar para a educação ambiental, para o currículo” e integrar as duas frentes, a frente da infraestrutura e a frente pedagógica”, complementa.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Crianças e a COP30</h3>



<p>Diante da intensificação dos eventos climáticos extremos e de seus impactos desiguais sobre as infâncias, o Instituto Alana tem atuado também na defesa da participação ativa de crianças e adolescentes nos processos de decisão relacionados à crise climática. A instituição tem incidido sobre marcos legais e políticas públicas para garantir que esse público não apenas seja protegido, mas também escutado. Um exemplo disso é o documento<a href="https://alana.org.br/paper-criancas-cop/"><u> </u><em><u>Crianças e as COPs do clima: uma consideração primordial para seu futuro no presente</u></em></a><em>,</em> elaborado para reivindicar a presença de crianças e adolescentes nas Conferências do Clima, especialmente na COP30, que será realizada este ano no Brasil.</p>



<p>“Crianças e adolescentes são especialmente vulneráveis à crise climática, devido à menor capacidade de proteção e a condições biopsíquicas mais frágeis. Por isso, é fundamental envolvê-los em conversas, debates e decisões, de maneiras compatíveis com sua faixa etária e capacidade de compreensão”, defende Ana Claudia Cifali.</p>



<p>Segundo a coordenadora do Instituto Alana, uma das questões que os próprios jovens têm trazido à tona com mais urgência é o impacto das mudanças climáticas na saúde mental, em especial a ansiedade climática, condição que compromete o bem-estar de muitas crianças e adolescentes e afeta diretamente o processo de aprendizagem e a rotina escolar. “A ansiedade climática tem sido mencionada por jovens como uma de suas principais preocupações, mas nem sempre isso está no foco das ações dos adultos. Esse alerta precisa nos mobilizar a pensar políticas que acolham e respondam a essa demanda emocional, que é tão legítima quanto qualquer outra”, conclui.</p>



<p>Mais do que garantir salas climatizadas ou espaços arborizados, o desafio posto é construir uma escola e uma sociedade que reconheça as crianças como sujeitos de direitos, capazes de pensar, sentir e participar da construção de um futuro mais justo, saudável e possível.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O precário orçamento municipal</h3>



<p>A reportagem procurou a Prefeitura do Recife e o Governo de Pernambuco para entender quais ações estão sendo tomadas em relação à adaptação climática nas escolas públicas.</p>



<p>A gestão municipal sinalizou uma possível entrevista com a secretária de Educação, Lívia Cruz, mas até o fechamento desta matéria, não houve retorno.</p>



<p>Dados da Lei Orçamentária Anual (LOA) dos anos de 2024 e 2025 mostram que os investimentos previstos pela Prefeitura do Recife para ações voltadas à criação e requalificação de áreas verdes e espaços de lazer representam uma pequena parcela do orçamento municipal.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A LOA é o instrumento que detalha as receitas e despesas do governo para o ano, indicando o valor planejado para cada projeto (dotação inicial) e quanto foi efetivamente executado (valor liquidado). Esses dados permitem acompanhar a aplicação dos recursos públicos em diferentes áreas da gestão.</p>
        </div>
    </div>



<p></p>



<p>No caso da Secretaria de Educação do Recife, foram destinados R$ 1,49 bilhão para ações voltadas à infância, o que corresponde a cerca de 48% dos R$ 3,05 bilhões do orçamento total da pasta no biênio 2024/2025. Os recursos foram aplicados principalmente em obras como construção de creches, escolas, quadras poliesportivas e manutenção das unidades da rede municipal, áreas fundamentais, mas que não contemplam diretamente políticas de adaptação climática.</p>



<p>Já na Secretaria de Meio Ambiente, os dados da LOA apontam a execução de aproximadamente R$ 17,6 milhões em ações voltadas à área ambiental e de sustentabilidade. Entre as iniciativas contempladas estão o Parque Científico e Cultural do Jiquiá e o Jardim Botânico do Recife, ações de enfrentamento às mudanças climáticas e programas de educação ambiental. Apesar da importância dos projetos, os investimentos representam uma parcela limitada do orçamento municipal e não incluem, de forma direta, ações voltadas à criação de infraestrutura verde nas escolas ou à expansão de áreas de lazer acessíveis para crianças e adolescentes que vivem em regiões periféricas ou expostas a riscos climáticos.</p>



<p>Outro exemplo é o projeto “Apoio à Primeira Infância”, da Secretaria de Habitação, que prevê ações integradas para a proteção de crianças pequenas, especialmente em territórios vulneráveis. Apesar de sua importância, o projeto recebeu apenas R$ 10 mil por ano em dotação inicial para 2024 e 2025. Pior: até o momento, nenhum centavo foi efetivamente liquidado, de acordo com dados do Portal da Transparência.</p>



<p>Em uma cidade onde parte significativa das escolas públicas está localizada em áreas de risco, em territórios com pouca ou nenhuma arborização, a ausência de investimentos estruturantes em áreas verdes representa não só uma omissão ambiental, mas uma negação de direitos fundamentais às crianças, como saúde, bem-estar e educação em ambientes seguros e dignos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A resposta do governo estadual</strong></h3>



<p>Já o Governo do Estado respondeu aos questionamentos por meio de nota, destacando o Programa “Plantar Juntos”, que prevê o plantio de quatro milhões de árvores em quatro anos. Segundo o governo, cerca de 650 escolas estaduais já foram contempladas com a iniciativa entre 2024 e 2025. A nota informa ainda que 6.013 aparelhos de ar-condicionado foram instalados em escolas da rede estadual, sendo 515 delas totalmente climatizadas — 380 durante a atual gestão. Os investimentos somam mais de R$ 52 milhões na aquisição de equipamentos, além de R$ 35 milhões destinados à instalação de subestações elétricas. (Confira a nota completa no final da reportagem)</p>



<p>Apesar dos números, os relatos vindos das salas de aula revelam uma desconexão entre os anúncios oficiais e a realidade vivida diariamente por professores e alunos. Enquanto isso, o calor segue sendo mais um obstáculo no já desafiador cenário da educação pública em tempos de crise climática.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Confira na íntegra a nota do Governo de Pernambuco:</strong></li>
</ul>



<p><strong><br></strong>A Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco informa que, no que se refere à criação de áreas verdes, o estado desenvolve o programa “Plantar Juntos”, que tem como meta o plantio de quatro milhões de árvores em quatro anos. As escolas da Rede Estadual participam ativamente da iniciativa, que já alcançou cerca de 650 unidades escolares nas edições de 2024 e 2025.</p>



<p>No âmbito da educação ambiental, são realizadas formações voltadas à justiça climática e socioambiental, direcionadas aos professores e técnicos educacionais. Além disso, os estudantes participam de ações, como a Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente e o Programa Ambiente+.</p>



<p>A pasta comunica ainda que a temática ambiental é abordada de forma transversal no currículo da educação básica em Pernambuco, reforçando o compromisso da rede com a sustentabilidade e a formação cidadã.</p>



<p>Desde 2023, o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Educação, tem intensificado os investimentos para tornar o ambiente escolar mais confortável e acolhedor para estudantes e profissionais da rede estadual. Como parte dessas ações, foram instalados 6.013 aparelhos de ar-condicionado em escolas estaduais. Atualmente, Pernambuco conta com 515 unidades totalmente climatizadas, sendo 380 delas entregues durante a atual gestão. Os investimentos para a aquisição dos equipamentos somam mais de R$ 52 milhões, enquanto os projetos e instalações de subestações elétricas totalizam cerca de R$ 35 milhões.</p>



<p>Além disso, o Governo de Pernambuco tem reforçado os investimentos em infraestrutura nas escolas da rede estadual. Desde 2020, já foram aplicados mais de R$ 683 milhões em obras, manutenção predial, instalação de sistemas de climatização, modernização de espaços e diversos outros serviços que garantem mais qualidade e conforto para estudantes e profissionais da educação.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>Esta reportagem foi produzida no âmbito do Programa de Fellowship para Jornalistas Negros e Negras do Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC) — iniciativa que fortalece a cobertura jornalística antirracista sobre justiça climática e populações negras no Brasil.</strong></p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Acidentes com rede elétrica diminuíram no Brasil, mas número de mortes aumentou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 May 2025 18:11:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[acidentes]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[choques elétricos]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[Neoenergia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O número de acidentes com a rede elétrica caiu no Brasil entre 2023 e 2024. Porém, o número de mortes aumentou. No ano passado, 257 pessoas foram vítimas de acidentes fatais, sete a mais que em 2023. O aumento de óbitos vai na contramão do total de acidentes, que diminuiu: foram 685 casos em 2024 [&#8230;]</p>
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<p>O número de acidentes com a rede elétrica caiu no Brasil entre 2023 e 2024. Porém, o número de mortes aumentou. No ano passado, 257 pessoas foram vítimas de acidentes fatais, sete a mais que em 2023.</p>



<p>O aumento de óbitos vai na contramão do total de acidentes, que diminuiu: foram 685 casos em 2024 (o menor índice desde 2017, início da série histórica), contra 782 em 2023. Os dados são do novo relatório da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), divulgado na quinta-feira, 22 de maio.</p>



<p>No Recife e na Região Metropolitana, ao menos cinco pessoas morreram em decorrência de choque elétrico em dias de fortes chuvas somente este ano, em fevereiro e maio.</p>



<p>De acordo com a Neoenergia, nenhum dos casos foi de responsabilidade da concessionária, pois não envolvia poste ou fio da distribuidora, tendo as ocorrências sido provocadas por problemas em instalações particulares ou ligações clandestinas.</p>



<p>Com o aumento da frequência de eventos climáticos extremos num contexto complexo de responsabilização, fiscalização e gestão urbana, a população tem ficado cada vez mais exposta ao risco de choques em dias de muita chuva. Essa é a análise do doutor em engenharia elétrica Jeydson Lopes, professor no Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



<p>“A população fica refém porque tem que ir trabalhar, tem que botar o pé na lama e na água e não sabe se ali tem um poste ou um muro com ligação irregular”, comenta o especialista. “Apesar de a frequência dos acidentes ter caído de forma geral, os eventos que estão ocorrendo, em média, são mais graves ou letais”, analisa.</p>



<p>“Grande parte desses problemas poderia ser evitada com a responsabilização adequada dos órgãos competentes, mas também associados com a educação e a conscientização da população, em termos de construções adequadas, furto, gambiarra, adequação da instalação”, diz Jeydson.</p>



<p>“Infelizmente, a gente está tendo problemas recorrentes no Brasil e no Recife”, alerta. Na avaliação dele, se o cenário não mudar, alagamentos continuarão a ser seguidos de mortes por choques elétricos.</p>



<p>“Isso porque geralmente a fiscalização é inadequada e não existe uma penalização adequada dos culpados. Você não vê uma campanha de conscientização apropriada, existem algumas ações pontuais, mas elas ainda são insuficientes para a realidade do problema”, acredita o professor.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/Getty-Images.webp" alt="A imagem mostra as mãos de um eletricista trabalhando em uma instalação elétrica em uma parede de concreto. Ele segura fios coloridos com um alicate, enquanto realiza algum tipo de reparo ou conexão. A parede está parcialmente descascada, revelando os conduítes por onde passam os cabos. O ambiente parece estar em reforma ou construção." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Maior parte dos acidentes teria ocorrido em instalações particulares ou ligações clandestinas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Getty Images</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Nordeste é a 2ª região com mais mortes</h2>



<p>Ainda segundo o relatório da Abradee, o Nordeste foi a segunda região com o maior número de acidentes com a rede elétrica no país, totalizando 193 ocorrências, com 67 mortes e 55 casos de lesões graves. As principais causas foram atividades de construção ou manutenção predial (61 casos), cabos energizados e atropelamentos com batida em poste ou rede. Também se destacam os acidentes relacionados a furtos de condutores e ligações clandestinas, que seguem sendo um grave problema de segurança pública.</p>



<p>Na RMR, desde 2023, segundo a Neoenergia, já ocorreram 20 acidentes fatais relacionados à rede elétrica, sendo a maioria deles motivados por reforma e construção civil, tentativas de furto de fios e ligações clandestinas.</p>



<p>Especificamente sobre as quatro ocorrências deste ano que têm ligação com a redenaneoenergia, todas foram motivadas por tentativas de furtos de cabos e cerca energizada, esclareceu a empresa.</p>



<p>Em nota, a empresa afirmou que “atua permanentemente na orientação sobre o uso seguro da energia e no combate às ligações clandestinas, que é crime previsto em lei com pena de reclusão de até quatro anos”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">De quem é a culpa?</h3>



<p>Encontrar o responsável muitas vezes pode ser uma tarefa complexa, detalha o professor Jeydson. Se o choque elétrico for causado por um poste, seja por um fio exposto, uma queda, um curto ou uma descarga, a responsabilidade pode cair sobre diferentes agentes, dependendo da origem do problema e da manutenção, por exemplo. </p>



<p>Em algumas situações, há ainda o compartilhamento do poste com cabos de internet. No caso de furto e ligação irregular, o cidadão tem que ser responsabilizado. </p>



<p>“Se por acaso houver uma ligação clandestina no poste e essa foi a causa do acidente, a concessionária pode alegar o mau uso, mas, caso fique comprovado que a empresa já tinha ciência da irregularidade e não tomou nenhuma providência, ela também pode ser responsável por omissão”, exemplifica o especialista.</p>



<p>“Se o acidente foi causado por um poste de iluminação pública mal localizado em uma área de risco, por exemplo, pode haver também a responsabilização da prefeitura”, complementa, lembrando que, no Recife, há diversas áreas que antes não alagavam e hoje estão alagando bastante.</p>
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		<title>Chuvas escancaram falta de políticas de habitação no Grande Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Feb 2025 15:09:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[Jardim Monteverde]]></category>
		<category><![CDATA[muro de arrimo]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No meio de uma obra de contenção de encosta ainda inacabada, é possível ver uma casa coberta por uma lona preta. O imóvel, no morro do Pilar, em Jardim Monteverde, estava com as paredes encharcadas após as chuvas do início de fevereiro. Seu estado de degradação é notório, mas roupas no varal acusam que pessoas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No meio de uma obra de contenção de encosta ainda inacabada, é possível ver uma casa coberta por uma lona preta. O imóvel, no morro do Pilar, em Jardim Monteverde, estava com as paredes encharcadas após as chuvas do início de fevereiro. Seu estado de degradação é notório, mas roupas no varal acusam que pessoas vivem ali. </p>



<p>Jardim Monteverde, entre Recife e Jaboatão dos Guararapes, foi a localidade onde mais morreu gente nas chuvas de maio de 2022.  </p>



<p>“Eu estou vivendo numa situação que só Deus!” O desabafo é de Maria José da Silva, de 36 anos, a moradora da casa em ruínas, onde também vivem o marido e o filho. Com muita ansiedade e medo, os três esperam por uma solução habitacional há mais de dois anos, quando tiveram a casa interditada pela Coordenadoria de Defesa Civil do Estado de Pernambuco (Codecipe). Como Maria e sua família, outras 206 mil pessoas vivem em áreas de risco na Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>Voltar para um lugar condenado não foi uma decisão fácil, porém Maria José afirma não ter mais condições de pagar um aluguel com o auxílio-moradia cedido pela Prefeitura do Recife, no valor de R$ 300.</p>



<p>“Eu estou desempregada e voltei para cá porque eu não estou conseguindo pagar outra casa de aluguel. Fazia mais de ano que eu tinha saído daqui, mas o aluguel da casa que eu estava ia aumentar para quatrocentos reais, fora a conta de energia, a feira, então não tinha como eu pagar”, explica.</p>



<p>A diferença é que, dessa vez, o terreno do imóvel está entre dois muros de arrimo construídos no segundo semestre de 2024 pela Prefeitura do Recife. Com isso, Maria José achou que estaria mais segura, ou que, pelo menos, o imóvel não apresentaria mais riscos de desabamento. Logo ela percebeu que havia se enganado.</p>



<p>“A minha casa está oca, eu estou dentro dela, mas está o maior perigo, a parede pode cair em cima de mim a qualquer momento. Ela ficou toda encharcada depois dessas chuvas fortes de fevereiro. Estou querendo alugar outra casa, mas não tenho dinheiro”, diz a moradora, que, mais uma vez, não sabe o que é dormir em dias de chuva. Maria José afirma ainda que algumas áreas da geomanta apresentam pequenas rachaduras e isso é mais um motivo de preocupação.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/54313182501_3eff7a513c_c.jpg" alt="A imagem mostra Maria José, uma mulher de meia-idade, com pele clara, cabelos avermelhados e óculos escuros. Ela veste uma blusa preta de alças finas e uma saia ou short jeans escuro, com uma expressão séria e braços cruzados, segurando algo na mão. O ambiente é uma casa em condições precárias, com um teto parcialmente destruído, paredes de tijolos aparentes e objetos espalhados pelo chão." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Maria José da Silva, de 36 anos, voltou para casa em área de risco no Jardim Monteverde
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Eu preciso de uma solução, eu queria que a prefeitura viesse aqui para resolver essa situação porque eu não aguento mais, eu não durmo quando chove, fico esperando que o pior aconteça”, diz aflita a dona de casa.</p>



<p>Apenas uma parte da encosta do Pilar, onde está localizada a casa dela, possui obras de contenção e ainda é possível encontrar casas com risco de desabamento em uma área que fica próximo a outras moradias ainda ocupadas.</p>



<p>De acordo com os moradores, a área do morro que conta com a cobertura é o local onde uma adolescente morreu soterrada. “Aqui as prefeituras e o governo só fazem muro onde morreu gente, tem que morrer alguém para poder acontecer as obras, infelizmente é assim”, lamenta a presidente da Associação de Moradores de Jardim Monteverde, Dalva Damares, de 69 anos.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Questionada pela Marco Zero, a Prefeitura do Recife afirmou que a obra de contenção do Morro do Pilar foi iniciada em dezembro de 2022 e deve ser concluída no início do segundo semestre deste ano. A obra recebeu o investimento do R$ 1,6 milhão. Ainda de acordo com a gestão, &#8220;até o momento, não há registro de problemas estruturais na parte já finalizada&#8221;.</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Não adianta falar de justiça climática sem falar de justiça habitacional&#8221;</h2>



<p>De acordo com a coordenadora do programa de Direito à Cidade do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), Manoela Jordão, as obras de contenção e mitigação para os efeitos das fortes chuvas falham por não estarem articuladas a uma política pública de habitação que atenda os moradores de áreas de risco, como Maria José. </p>



<p>“Há uma fragilidade nesse processo de gestão de desastres que é o seguinte: você identifica que a pessoa está numa área de risco, então você remove essa pessoa e ela começa a receber auxílio-moradia, mas qual é a solução habitacional que será apresentada a essa pessoa? Por quantos anos essa pessoa vai depender do auxílio-moradia? Como a gestão vai conseguir fechar o ciclo da política pública de redução de riscos se vai deixar as pessoas eternamente dependentes de um auxílio-moradia? Então, na prática, se reduz o problema do risco, mas se aumenta o déficit habitacional”, explica Manoela.</p>



<p> A gerente de incidência em políticas públicas da Habitat Brasil, Raquel Ludermir, resume desta forma: &#8220;É a lógica de promover resiliência provocando violência&#8221;. E crava que  &#8221;não adianta falar de justiça climática sem falar de justiça habitacional. Não adianta remover as famílias e não dar alguma solução porque provavelmente essas pessoas vão voltar para outra área de risco&#8221;. Para Raquel, &#8220;se moramos numa região metropolitana que tem uma dívida enorme com o direito à moradia, precisamos resolver as duas coisas em conjunto. Não adianta tapar o sol com a peneira&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/image-2-300x169.jpeg">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A casa de Maria José da Silva aparece na imagem com uma lona preta entre os muros de arrimo.
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>&#8220;Se essas famílias não tiverem uma moradia, uma solução habitacional de fato, elas provavelmente irão para novas áreas de risco. Seja risco de desastre por situação ambiental, seja risco de despejo em outras situações ainda mais vulnerabilizadas&#8221;, explica, lembrando que as cidades precisam de adaptação, porque as chuvas virão mais fortes. </p>



<p> Ela defende que o caminho passa necessariamente pela construção de novas unidades habitacionais. &#8220;Que sejam em moradia adequada, numa localização adequada. Porque não adianta nada pensar numa unidade habitacional interessante longe dos meios de sobrevivência dessas pessoas e dos serviços públicos&#8221;, diz. </p>



<p> Raquel lembra ainda que esses desastres só acontecem pela condição de moradia e de localização dessas famílias. &#8220;É aí que entra a lógica do racismo ambiental. Por que os desastres afetam sempre as mesmas pessoas?&#8221;, questiona. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quase três anos depois, população ainda espera soluções</strong></h2>



<p>Jardim Monteverde foi o bairro que registrou o maior número de vítimas fatais durante as fortes chuvas de maio de 2022 — 47 no total, segundo os cálculos da comunidade. Até hoje, parte da população ainda aguarda por uma solução que não coloque suas vidas em risco mais uma vez.</p>



<p>Com a ocorrência da maior chuva já registrada no mês de fevereiro na capital pernambucana, que aconteceu entre os últimos dias 5 e 7 e matou seis pessoas, os moradores da comunidade localizada no extremo sul do Recife, na divisa com Jaboatão dos Guararapes, sentiram mais uma vez o medo de sofrer as consequências da falta de planejamento urbano e do acesso à moradia digna.</p>



<p>“O que nós queremos é evitar mais tragédias, porque ainda falta muito a ser feito aqui, ainda tem muitos moradores aqui que estão em áreas de risco”, alerta Dalva Damares. A líder comunitária cobrou celeridade do poder público na conclusão de obras de contenção de encostas. </p>



<p>Na rua da Capela, onde 17 pessoas morreram soterradas em 2022, as obras de contenção realizadas em conjunto pela prefeitura de Jaboatão dos Guararapes e pelo Governo do Estado ainda estão em andamento. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Pernambuco (Seduh), a previsão de término é dezembro deste ano. De novembro para cá, a execução das obras andou pouco, de 32% para 45,31%. </p>



<p>A intervenção foi iniciada em junho de 2024. Com um investimento de R$ 53 milhões, as ações incluem remoção vegetal, terraplenagem, construção de muros de pedra argamassada e instalação de sistemas de drenagem, tudo dentro do cronograma previsto. O município entrou com os projetos e o estado com o serviço. </p>



<p>A promessa do prefeito reeleito Mano Medeiros (PL) e da governadora Raquel Lyra (PSDB) é que, com a conclusão, as obras tragam segurança a milhares de moradores em uma área historicamente vulnerável a deslizamentos. Pelos cálculos da Seduh, indiretamente toda a população do bairro de Dois Carneiros será beneficiada. Isso corresponde a mais de 5,8 mil famílias. Segundo a pasta, a gestão já pagou R$ 11,5 milhões em desapropriações, relativas a 132 imóveis em áreas de risco. Outros 101 imóveis já foram demolidos. </p>



<p>Também em novembro, Raquel anunciou que investiria num projeto de captação de água pluviais para consumo em residências, com instalação de 400 sistemas de captação e retenção. Três meses depois, o processo só foi concluído em duas residências. O sistema, chamado Plugow, além de garantir abastecimento deve ajudar, segundo o estado, a minimizar a saturação do solo ocasionada pelas chuvas.</p>



<p>A startup proprietária da tecnologia, a Pluvi, calcula que o Plugow pode reduzir em até 40% os impactos de deslizamentos em áreas de morro. &#8220;Se estivesse em funcionamento durante as chuvas fortes de 2022, a tragédia em Jardim Monte Verde poderia ter sido evitada&#8221;, disse o governo em nota.</p>



<p>Além das obras no bairro, o Governo de Pernambuco tem realizado o cadastro das famílias de Jaboatão residentes das áreas de risco através do Programa Morar Bem. </p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O Programa Morar Bem prevê subsídios de até R$ 20 mil pelo “Entrada Garantida”. Nessa modalidade, o preço máximo dos imóveis é de R$ 190 mil. Entre os requisitos para se cadastrar no Morar Bem, estão: morar em Pernambuco; ter renda familiar de até dois salários mínimos; não ser proprietário, promitente comprador ou possuidor a qualquer título ou concessionário de imóvel; ter aprovação da Caixa Econômica Federal da documentação do cadastrado e da operação de crédito individual; e não ter sido beneficiado por atendimento habitacional definitivo. Depois da aprovação, o subsídio poderá ser aplicado a um dos imóveis da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), que assina projetos habitacionais em Pernambuco com apoio do Governo Federal, prefeituras e iniciativa privada.</p>
        </div>
    </div>



<p>Um dos braços do Programa Morar Bem é o Reforma no Lar. Até o momento, apenas 20 reformas foram finalizadas. Outras 34 casas estão em obras. O total previsto, porém, é bem maior: 350 residências. </p>



<p>O Reforma no Lar funciona assim: as famílias beneficiadas recebem uma visita de uma equipe do governo junto com a empresa designada para a reforma através de licitação pública, que fazem o cadastro do imóvel. É feito o levantamento das necessidades da unidade habitacional, de acordo com o que o dono apresenta, e em seguida é gerado o orçamento dos serviços com recursos de até R$18 mil. A empresa recebe o dinheiro diretamente do governo e fica responsável pelas melhorias sob a fiscalização dos técnicos da Seduh. A família beneficiada não recebe os valores diretamente.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sem garantia de indenização ou vagas em habitacionais</strong></h3>



<p>A alguns metros de distância do Morro do Pilar, em uma outra área de encosta no bairro de Jardim Monteverde, os moradores ainda enfrentam as consequências das chuvas de maio de 2022.</p>



<p>Na rua Engenho Noruega, conhecida como morro do Cuscuz, dezenas de famílias tiveram suas casas interditadas e condenadas à demolição, porém, quase três anos depois, não há previsão de quando a demolição acontecerá nem quando serão indenizadas.</p>



<p>As casas estão localizadas no topo de uma encosta, algumas delas beiram os muros de arrimo e, com as chuvas de grande volume, os moradores temem que as estruturas não aguentem e desabem.</p>



<p>“Eu tive que deixar minha casa onde eu vivi por mais de 30 anos e agora eu pago aluguel de R$ 600 recebendo apenas 300 reais de auxílio-moradia e eles [representantes de órgãos municipais e estadual] não falam em indenização nem dão garantia de um habitacional”, queixa-se Ana Paula da Silva, de 48 anos.</p>



<p>Além de deixar suas casas e precisar pagar aluguel, os moradores da rua Engenho Noruega precisaram lidar com o roubo de seus pertences. Todas as casas desocupadas foram completamente saqueadas. Grades, janelas, portas e até os quadros de energia foram levados das casas.</p>



<p>“Minha casa tinha tudo e agora não tem mais nada. Depois do que aconteceu naquele tempo das chuvas [maio de 2022] nunca mais tive saúde, já tive dois AVCs, não consigo ficar dentro de casa, estou sempre assustada e agora pagando um aluguel sem condições também porque um auxílio de trezentos reais não dá para nada”, contou Ednalva Lopes da Silva, de 60 anos.</p>



<p>De acordo com os moradores, há cerca de seis meses agentes da Prefeitura do Recife estiveram no morro do Cuscuz para fazer uma vistoria no local e informaram que dariam início a demolição das casas, mas até o momento isso não aconteceu. Com as últimas chuvas de fevereiro, os moradores voltaram a se preocupar com a situação dos imóveis que estão próximos à área encosta e que podem desabar.</p>



<p>Os moradores temem que caso seus imóveis desabem eles não consigam mais ser indenizados: “Não nos deram nenhuma garantia de que vamos para um habitacional, nem falaram em indenização. Se as casas caírem, como vamos conseguir cobrar o que é nosso por direito?”, disse a moradora Sebastiana Cordeiro.</p>



<p>&#8220;Nos disseram que nossas casas estavam fazendo peso no solo e que era perigoso ficar aqui, mas a gente vai para onde? Não está dando mais para viver só de auxílio. Por isso, antes de fazer qualquer outra obra para ficar bonita na foto, a prefeitura, o Governo do Estado, precisam resolver nossa situação”, completou Sebastiana.</p>



<p></p>





<p>Em resposta à reportagem, a Autarquia de Urbanização do Recife (URB) afirmou que &#8220;não há falhas estruturais nos muros de arrimo da rua Engenho Noruega. No entanto, foram identificadas pequenas fissuras na tela argamassada&#8221;. De acordo com a gestão municipal, &#8220;a empresa responsável pela execução do serviço já foi acionada e realizará os reparos necessários&#8221;. Confira a resposta completa da Prefeitura do Recife ao final do texto.</p>



<p>Com o aumento do preço dos aluguéis e a falta de acesso a uma moradia digna ou previsão de uma indenização justa, assim como Maria José da Silva, outros moradores de Jardim Monteverde cogitam voltar a habitar áreas de risco, como afirma o morador do Morro do Cuscuz, Jonas José da Silva, de 57 anos: “Antes eu trabalhava e tinha casa para morar, não tinha esse negócio de pagar aluguel. Agora eu tenho esse problema, que eu pensava que nunca ia existir na minha vida. Mas tá aí, a casa é boa, só que roubaram tudo e não dá para continuar nela assim, mas se não fosse isso, eu estaria na minha casa”.</p>



<p>“Existe uma ausência de intersetorialidade na execução de políticas públicas que influencia uma grande roda viva da vulnerabilização, porque não necessariamente as secretarias que estão executando as obras de contenção de encostas e drenagem estão dialogando com a Secretaria de Habitação e essa ausência de conexão acaba gerando esse cenário onde muitas pessoas vivem a espera de uma solução habitacional. Então, a prefeitura atua como uma máquina de despejo porque implementa a infraestrutura, mas não resolve o problema habitacional. Nem todo projeto de contenção de encostas está vinculado a um programa habitacional, como o Minha Casa Minha Vida, por exemplo. Por isso que muitas famílias continuam ocupando áreas de risco”, conclui Manoela Jordão.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Respostas da Prefeitura do Recife</span>

		<p>A Prefeitura do Recife informa que está investindo R$ 1,6 milhão na contenção definitiva da encosta da Rua Morro do Pilar, em Jardim Monte Verde. A obra foi iniciada em dezembro de 2022 e tem conclusão prevista para o início do segundo semestre deste ano. Até o momento, não há registro de problemas estruturais na parte já finalizada.</p>
<p>A Autarquia de Urbanização do Recife (URB), responsável pelas obras de contenção de encostas na cidade, esclarece que não há falhas estruturais nos muros de arrimo da Rua Engenho Noruega. No entanto, foram identificadas pequenas fissuras na tela argamassada. A empresa responsável pela execução do serviço já foi acionada e realizará os reparos necessários.</p>
<p>A população deve acompanhar os alertas da Prefeitura do Recife sobre a intensidade das chuvas e seguir as orientações da Defesa Civil. Em momentos de chuvas fortes, a orientação é que os moradores de áreas de risco procurem locais seguros ou abrigos do município em caso de necessidade. É fundamental acionar a Defesa Civil pelo telefone 0800-0813400, que é gratuito e funciona 24h por dia.</p>
<p>A Defesa Civil do Recife informa que 302 moradores de Jardim Monteverde foram incluídos no auxílio moradia desde junho de 2022. Após a conclusão das obras nas encostas, será possível atualizar a classificação de risco e avaliar a possibilidade de retorno das famílias.</p>
<p>Levantamento feito em 2022 identificou 249 imóveis classificados como R3 e 116 classificados como R4. Os números serão atualizados com a conclusão das obras de contenção de encostas.</p>
	</div>



<p></p>
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		<item>
		<title>Sem mobilização social, tragédia causada pela chuva seria maior em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Feb 2025 20:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[mortes]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade Civil Organizada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Diante do contexto que a gente ‘tá’, eu acho que vocês já devem começar a se organizar, o pico da maré tá agora de nove e meia da manhã, ela vai começar a avançar e depois só vai subir a noite. [&#8230;] Então, por favor, fiquem atentos, quem ainda não preparou sua bolsa de sobrevivência, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Diante do contexto que a gente ‘tá’, eu acho que vocês já devem começar a se organizar, o pico da maré tá agora de nove e meia da manhã, ela vai começar a avançar e depois só vai subir a noite. [&#8230;] Então, por favor, fiquem atentos, quem ainda não preparou sua bolsa de sobrevivência, por favor, preparem sua bolsa de sobrevivência, é importante que a gente esteja o máximo possível preparado. É aquele negócio de se preparar para o pior, mas esperando que não aconteça”.</p>
</blockquote>



<p>Por volta das 9h da manhã da última quarta-feira, 5 de fevereiro, a líder do projeto <a href="https://www.instagram.com/p/DFsYFZ4OsTA/">Gris Solidário</a>, Joice Paixão, já alertava os moradores de áreas próximas ao Rio Capibaribe, no bairro da Várzea, a estarem preparados para deixar suas moradias em caso de enchentes. O alerta de estágio de risco máximo feito pela Prefeitura do Recife foi emitido poucas horas depois, junto com a indicação de abrigos disponíveis para receber as famílias em situação de vulnerabilidade.</p>



<p>Em outro ponto crítico da cidade, suscetível a enfrentar graves consequências em períodos de grandes chuvas, com registros de deslizamentos de barreira, a advogada Lídia Lins, responsável pela iniciativa <a href="https://www.instagram.com/p/DFtBAX_SCh8/">Ibura Mais Cultura</a> também se mobilizou para mitigar os desastres. Em um vídeo gravado no bairro do Ibura, a advogada aconselhou os moradores de áreas de risco a prepararem uma “bolsa de emergência”.</p>



<p>“Nessa bolsa, tu coloca teus documentos, documentos de toda a sua família, das pessoas que moram com você, coloca receita médica e medicamentos, se possível, anota num papelzinho o número de familiares, de vizinhos, de pessoas que possam ser sua rede de apoio e também os contatos dos órgãos responsáveis pelas situações de emergência como SAMU e Defesa Civil. É importante também, dentro dessa bolsa, colocar tudo o que for considerado essencial para você”, recomendou Lins.</p>



<p>Já no bairro de Coqueiral, próximo a Bacia do Rio Tejipió, o pastor José Marcos Silva, da <a href="https://www.instagram.com/p/DFsS-2FxgLg/">Igreja Batista de Coqueiral</a>, acionava a brigada dos bombeiros e uma equipe de voluntários para realizar o resgate de pessoas que estavam ilhadas, entre elas idosos com dificuldades de locomoção.</p>



<p>“É uma pena que a gente tenha que passar por tudo isso, quando a gente sabe que tudo isso tem solução. Não era para estar assim, tem solução política para tudo isso. Então peço orações e eu espero que essa chuva pare, para a gente não ter muitos transtornos, além dos que a gente já tem”, declarou o pastor em um vídeo postado nas redes sociais.</p>



<p>Todas as iniciativas e projetos sociais citados acima atuam de forma constante na mitigação dos impactos que as cheias, enchentes e deslizamentos de barreiras trazem para a população do Recife e da Região Metropolitana e já estão preparados para lidar com todo o transtorno do período chuvoso. No entanto, desta vez, os fortes volumes de chuva chegaram bem antes do esperado.</p>



<p>E mais uma vez organizações da sociedade civil se mobilizam para auxiliar famílias que perderam seus pertences e estão desabrigadas. Seja através da comunicação mais direta e rápida com a população, que chega como forma de prevenção às tragédias, ou através de doações de donativos para mitigar os transtornos causados pela falta de planejamento e assistência do poder público.</p>



<p>A seguir, listamos as organizações que estão recolhendo doações para as famílias em situação de vulnerabilidade e atingidas pelas chuvas:</p>









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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Seis mortes confirmadas</strong></h2>



<p>As fortes chuvas que atingiram o Recife e a Região Metropolitana desde a quarta-feira, 5 de fevereiro, resultaram em seis mortes, além de 205 pessoas desalojadas e 26 desabrigadas, segundo balanço divulgado pela Defesa Civil de Pernambuco na manhã desta quinta-feira (06).</p>



<p>No Recife, duas mortes foram confirmadas na quarta-feira (05). A primeira ocorreu pela manhã, no bairro da Boa Vista, área central da cidade. Um homem foi encontrado sem vida na Rua Dom Bosco, com suspeita de ter sofrido um choque elétrico. A segunda vítima foi registrada no bairro da Estância, na Zona Oeste, onde um homem teria sido arrastado pela correnteza. Na Vila da Fábrica, em Camaragibe, Região Metropolitana, outro homem perdeu a vida nas mesmas condições.</p>



<p>Em Paulista, uma mulher morreu na noite de quarta-feira (05), também vítima de choque elétrico. A Polícia Civil investiga o caso.</p>



<p>Já na madrugada desta quinta-feira (06), uma tragédia foi registrada no Córrego da Bica, na Zona Norte do Recife. Um deslizamento de barreira destruiu uma residência, resultando na morte de Maria da Conceição Braz de Melo, de 51 anos, e sua filha, Nicole Melo de Souza, de 23 anos. Mãe e filha estavam dormindo no momento do incidente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Chuvas intensas ultrapassam 200 mm</strong></h2>



<p>Três cidades de Pernambuco registraram volumes de chuva superiores a 200 milímetros nas 24 horas encerradas às 6h desta quinta-feira (6), de acordo com o balanço divulgado pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac).</p>



<p>Goiana, na Zona da Mata Norte, foi o município mais afetado, acumulando 234 mm de precipitação. Esse volume equivale a quase o dobro da média mensal de fevereiro, que é de 118,1 mm. Com as fortes chuvas, o Rio Capibaribe Mirim atingiu sua cota de inundação e provocou uma enchente no município. Nesta quinta-feira (06), famílias ribeirinhas de Goiana, residentes do Baldo do Rio, foram realocadas para um abrigo disponibilizado pela prefeitura da cidade.</p>



<p>Em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, o índice pluviométrico atingiu 217,6 mm, um aumento de 132,2% em relação à média mensal de 93,1 mm.</p>



<p>Abreu e Lima, também na RMR, registrou um acumulado de 201,7 mm, representando um volume 133,2% acima da média de 86,5 mm prevista para todo o mês de fevereiro.</p>



<p>O Recife ficou em quarto lugar no ranking estadual de chuvas, com 193,2 mm acumulados no período. Esse volume representa a maior precipitação já registrada na capital pernambucana no mês de fevereiro, de acordo com a Apac.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) atualizou o alerta de chuvas para as áreas litorâneas de Pernambuco. O alerta passou de “Grande Perigo” para “Perigo” e prevê chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora ou 50 e 100 milímetros por dia. A nova previsão é válida até às 10h da próxima sexta-feira, 07 de fevereiro.</p>
</blockquote>
</blockquote>
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		<title>Coletivos e ONGs que atuam em áreas de risco se preparam para o período de chuvas intensas</title>
		<link>https://marcozero.org/coletivos-e-ongs-que-atuam-em-areas-de-risco-se-preparam-para-o-periodo-de-chuvas-intensas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 May 2023 14:13:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas no recife]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura de Jaboatão]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[REgião Metropolitana do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Ano passado nós fomos surpreendidos pela magnitude das chuvas do dia 28 de maio, mas no dia 24 de maio já tinha acontecido uma chuva que atingiu muitas casas das famílias ribeirinhas, então, desde o dia 24 nós já estávamos mobilizados”. Joice Paixão, coordenadora da associação GRIS Solidário, relatou estar vivendo um Deja Vú. Prestes [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Ano passado nós fomos surpreendidos pela magnitude das chuvas do dia 28 de maio, mas no dia 24 de maio já tinha acontecido uma chuva que atingiu muitas casas das famílias ribeirinhas, então, desde o dia 24 nós já estávamos mobilizados”. Joice Paixão, coordenadora da<strong> <a href="https://www.instagram.com/gris.solidario/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">associação GRIS Solidário</a></strong>, relatou estar vivendo um Deja Vú.</p>



<p>Prestes a completar um ano das fortes chuvas que atingiram o Recife e a Região Metropolitana provocando a morte de 126 pessoas e deixando milhares de desabrigados em todo o estado de Pernambuco, integrantes de coletivos e organizações não-governamentais, que se mobilizaram para prestar assistência à população acreditam que o cenário ainda é propício a novos desastres.</p>



<p>Se o período chuvoso no estado, que se identifica entre os meses de maio e julho, já era motivo de preocupação para os moradores de áreas de encosta e ribeirinhas, a situação se agravou no último ano. O acumulado de chuvas da última quarta-feira, 24 de maio, registrado pela Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac), &#8211; com registros de 72,4 mm para o Recife e 86,1 mm em Jaboatão dos Guararapes -, acendeu o alerta na população e reforçou o medo de reviver os dias de terror que aconteceram neste mesmo período do ano passado.</p>



<p>Diante da possibilidade de um cenário climático catastrófico, coletivos e organizações afirmam ainda não ter se recuperado das chuvas de maio de 2022, mas já estão mobilizados para o que poderá vir neste ano.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em um ano, pouca coisa mudou</strong></h2>



<p>A Marco Zero Conteúdo conversou com lideranças dos coletivos que atuam no Recife e na Região Metropolitana e a resposta foi unânime: falta engajamento do poder público e das gestões municipais e estaduais nas obras ou projetos de mitigação dos impactos das chuvas em Pernambuco.</p>



<p>“Até o momento, eles [representantes da gestão municipal] fizeram algumas reuniões na comunidade e estão em um processo de fazer o levantamento das ruas, das casas, da topografia, para o projeto ProMorar, mas no aspecto prático da situação, de promover mudanças nas áreas de risco, a gente não viu nada. Inclusive, a gente chegou a solicitar a limpeza de canaletas e das margens do rio e não foi feito. Nós moradores é que estamos fazendo um mutirão de limpeza dos rios”, declarou Joice Paixão, do GRIS Solidário. A associação atua no bairro da Várzea, na Zona Oeste do Recife, desde 2018, e em maio de 2022 foi responsável por realizar doação de alimentos, de kit de higiene, refeições, colchões e diversos materiais para a população afetada pelas chuvas, além de promover mutirões de saúde.</p>



<p>Por ser uma das poucas organizações que possui uma sede fixa, o GRIS serviu como ponto de apoio para receber as doações que foram encaminhadas para diversos bairros afetados pelas chuvas, entre eles, Nova Morada, Curado, Engenho do Meio, Iputinga e Jardim Monte.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<p>Um dos bairros assistidos pela associação foi o Ibura, local em que Lídia Lins coordenou as atividades de doação. Representante do<strong><a href="https://www.instagram.com/iburamaiscultura/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> coletivo Ibura Mais Cultura</a>,</strong> Lídia também afirma que as ações realizadas pela prefeitura, até o momento, são mínimas e ineficazes: “Poucas áreas de barreiras foram cobertas com lonas e algumas canaletas foram limpas, mas ainda assim nem todas as áreas foram contempladas. Isso é muito pouco diante do grande problemaque enfrentamos dentro do bairro. Ano passado vimos que só isso não é eficaz, não podemos mais aceitar essas ações paliativas que não resolvem”.</p>



<p>As ações paliativas também foram relatadas por representantes de outros coletivos como as únicas atuações realizadas pelo poder público durante esse último ano. “Nós vimos muitos paliativos, como a limpeza de canais, e nós estamos com muito medo porque sabemos que se o volume de chuvas deste ano for igual ou parecido com o do ano passado isso não vai dar conta”, disse Marcelo Trindade, da <a href="https://www.instagram.com/somostodosmuribeca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>ONG Somos Todos Muribeca, que atua em Jaboatão dos Guararapes.</strong></a></p>



<p>“Eles [agente municipais] fizeram o que sempre fazem, colocar lona, limpar o canal, mas não houve nenhuma contenção de encostas, por exemplo”, reforçou Carolina Barros, moradora do Córrego do Deodato, no bairro de Água Fria, e <a href="https://www.instagram.com/coletivofalaalto/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>integrante do Coletivo Fala Alto</strong></a>.</p>



<p>Em março, o prefeito do Recife, João Campos, anunciou o maior investimento da história para conter os impactos das chuvas, um total de R$ R$ 225 milhões, 50% a mais que em 2022. Além disso, o aporte será reforçado pelos R$ 66 milhões oriundos do Governo Federal para obras de encostas, ou seja, o valor total da Ação Inverno de 2023 será de R$ 291 milhões. De acordo com a prefeitura, o valor prevê o investimento em obras de encostas e aplicação de geomantas até a construção de um Centro de Operações, que irá integrar 13 órgãos, e reforços no plano de contingência, além da limpeza de 99 canais.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/recife-anuncia-pacote-de-prevencao-para-periodo-de-chuvas-sem-novos-habitacionais/" class="titulo">Recife anuncia pacote de prevenção para período de chuvas sem novos habitacionais</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A Operação Inverno também conta com as intervenções de infraestrutura que estão sendo realizadas através do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental (ProMorar). Com recursos da ordem de R$ 1,3 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).</p>



<p>Há ainda o Programa Parceria, no qual a prefeitura fornece material e orientação técnica para intervenções em áreas planas e morros, enquanto a população entra com a mão de obra como contrapartida. De acordo com a PCR, “apenas nos últimos dois anos, foram entregues mais de 1700 obras pelo Programa Parceria, beneficiando cerca de 4700 famílias. Ainda assim, a Prefeitura executa grandes intervenções como contenção de encostas. Atualmente, a URB está com 44 obras de encostas em curso nos morros da cidade e 65 já foram entregues desde 2021”.</p>



<p>Os dados apresentados pela Prefeitura do Recife contrastam com o testemunho das lideranças e agentes da comunicação comunitária que atuam nas áreas de favelas e morros do Recife. A exemplo do que diz a<strong> <a href="https://www.instagram.com/redetumulto/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">representante da Rede Tumulto</a>,</strong> Yane Mendes: “A gente sabe que não existe o interesse do poder público em se antecipar e trabalhar com prevenção para tentar amenizar os impactos das grandes chuvas e das mortes que elas causam todo ano. O que nós vemos são pouquíssimas mudanças em alguns bairros e várias pessoas que perderam tudo e não tiveram nenhum apoio da gestão municipal ou estadual”.</p>



<p>Além da falta de obras de infraestrutura nas áreas de encosta, os representantes das organizações relataram que algumas famílias tiveram dificuldades em receber o Auxílio Municipal e Estadual (AME) destinado às famílias prejudicadas pelas chuvas, e que o subsídio ainda é pouco para garantir que a população consiga pagar o aluguel de uma moradia em local seguro.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Chuvas de 2022 impactam até hoje</strong></h3>



<p>As chuvas de 2022 causaram estragos que ainda não foram solucionados, tanto para os moradores que foram vítimas dos desastres que resultaram das fortes chuvas, quanto os coletivos que prestaram assistência à população vulnerável, a situação ainda é crítica.</p>



<p>Todos os representantes das organizações relatam os danos à saúde mental sofridos pelo que aconteceu ano passado e contam os detalhes do que viveram, com muita apreensão do que pode acontecer novamente neste ano. Para Carolina Barros, que mora em área de risco, o período chuvoso é sempre um momento de muito medo:</p>



<p>“Eu cresci entre barreiras, eu morava em uma casa que tinha uma barreira atrás e uma na frente. Então eu cresci, vivi e crio meus filhos até hoje em meio às barreiras, onde a gente passa a gente vê o lixo, as lonas, a geomanta rachada porque a prefeitura não faz manutenção, então, causa uma sensação de que nossas vidas, dos moradores das periferias, não são valorizadas, porque são anos e anos do mesmo cenário e nada muda”, relatou a integrante do Coletivo Fala Alto.</p>



<p>Lídia Lins, do Ibura Mais Cultura, e também moradora de uma área de risco, relembra o 28 de maio de 2022 como um “cenário de guerra” com “pessoas mortas, desaparecidas, feridas, casas destruídas e muita lama por todo lugar. Eu cresci na comunidade da UR-10, em um morro com risco geológico, onde ano após ano as famílias precisavam sair dos seus territórios afetivos, suas histórias, seus laços, porque suas casas estão em risco. A comunidade aos poucos está deixando de existir esse não é um problema de agora, poderia ter sido evitado há muito tempo, mas falta vontade política para solucionar. Todo o ano sofremos com o inverno e a preocupação é constante, mas com certeza o ano passado foi a pior tragédia anunciada dos últimos tempos”.</p>



<p>“Se o prefeito andasse pelos territórios, pela comunidade, ele com certeza se sentiria minimamente culpado pelas tragédias das chuvas do ano passado e pensaria mil estratégias para tentar evitar que aquilo se repetisse. Porque nós, moradores da comunidade, ficamos com o coração apertado de ver as pessoas perdendo tudo, familiares e também seus bens materiais conquistados com muito sacrifício”, concluiu Yane Mendes, moradora do bairro do Totó.</p>



<p>Além dos problemas psicológicos causados pelo desastre do ano passado, organizações como o GRIS Solidário e a ONG Somos Todos Muribeca, enfrentam dificuldades em manter suas sedes por falta de verba. “Depois das chuvas do ano passado, o GRIS só não fechou as portas porque nós temos uma ancestralidade muito forte por trás de todo o trabalho que a gente faz. As doações diminuíram absurdamente e, ano passado, todo o dinheiro que nós tínhamos em caixa foram gastos para apoiar as famílias que perderam tudo com as chuvas”, afirmou Joice Paixão.</p>



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	                                        <p class="m-0">Quarto de uma casa, de paredes verde-azuladas, com a marca do alagamento abaixo da janela. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Preparativos para as chuvas deste ano</strong></h3>



<p>Durante as chuvas de maio de 2022, os coletivos e organizações da sociedade civil foram responsáveis pelo resgate de vítimas, limpeza das áreas afetadas, busca por desaparecidos, e toda mobilização que ajudou a amenizar os impactos da tragédia.</p>



<p>A comunicação direta com os moradores de áreas de risco, principalmente realizada através de grupos no Whatsapp e demais redes sociais, fez com que os coletivos comunitários fossem fundamentais para garantir a sobrevivência de centenas de pessoas. As organizações foram responsáveis por centralizar ações de doações de diversos itens fundamentais como roupas, alimentos, kits de higiene e colchões. Além de promover mutirões de saúde e de assistência no processo de emissão de documentos que foram perdidos nas enchentes.</p>



<p>Após a experiência do ano passado, os coletivos agora esperam, apreensivos, as consequências do inverno de 2023 e acreditam que as chuvas podem causar novos danos. “Se as previsões de uma tendência de precipitação e acúmulo de água for cada vez mais intensa se concretizar, não resta dúvida que viveremos cenários trágicos novamente. As enchentes já estão acontecendo mesmo antes de chegarmos ao inverno, vários pontos de Recife e Jaboatão ficam alagados com níveis de chuvas mínimos. Não está havendo preparo e não há ações efetivas. Não houve responsabilização diante da omissão do Estado frente ao que já era previsto. Não há esperança a não ser a luta coletiva e o monitoramento e pressão da sociedade”, afirmou Lídia Lins.</p>



<p>Enquanto as chuvas mais intensas se aproximam, as organizações se atentam ao trabalho de prevenção junto às comunidades das áreas de risco. “Esse ano nós tentamos trabalhar com a prevenção, mas parece que as pessoas não estão interessadas nisso. Montamos um plano de ações de mitigação das chuvas, mas boa parte dele não conseguimos executar da forma esperada porque não conseguimos financiamento”, disse Joice Paixão.</p>



<p>O acompanhamento das famílias afetadas pela tragédia do ano passado vem sendo realizado pelos coletivos. Todas pessoas foram entrevistadas afirmaram que estão atualizando os dados das pessoas presentes nas comunidades a fim de traçar estratégias de auxílio em casos de emergência. Além de mapear e monitorar as áreas com risco de enchentes e deslizamentos.</p>



<p>“Infelizmente nós estamos preparados para o pior sim, porque não estamos vendo mudança nenhuma feita pelo poder público. Nós podemos rodar o mundo, mas nunca vamos conseguir trazer toda a melhoria que as nossas comunidades precisam porque nós não temos a verba necessária, não temos as ferramentas que as gestões municipal e estadual têm. O que podemos fazer é remediar já que não há prevenção”, concluiu Yane Mendes.</p>



<p>Alguns coletivos já iniciaram os pedidos de doações a fim de manter suas sede em funcionamento, e utilizam as redes sociais como ponto de divulgação de campanhas de arrecadação. Mas a maioria afirmou que só criará campanhas de doação pontualmente, em caso de emergência.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/apac-chama-imprensa-para-avisar-que-chuvas-serao-intensas-nos-proximos-tres-meses/" class="titulo">Apac chama imprensa para avisar que chuvas serão intensas nos próximos três meses</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
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		<title>Governo Federal vai consertar sensores de deslizamento de barreiras que estão quebrados desde 2016</title>
		<link>https://marcozero.org/governo-federal-vai-consertar-sensores-de-deslizamento-de-barreiras-que-estao-quebrados-desde-2016/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Apr 2023 19:06:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Apac]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[defesa civil]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[MCTI]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 22 de março, durante a visita de Lula a Pernambuco, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, assinou um acordo de cooperação com o governo estadual para a implementação de um sistema de monitoramento de cheias e deslizamento de morros. Na ocasião, a ministra explicou que o sistema vai contar com um [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No dia 22 de março, durante a visita de Lula a Pernambuco, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, assinou um acordo de cooperação com o governo estadual para a implementação de um sistema de monitoramento de cheias e deslizamento de morros. Na ocasião, a ministra explicou que o sistema vai contar com um monitoramento 24 horas, realizado através de equipamentos específicos, e com alertas de risco emitidos para a população.</p>



<p>Dois dias após o anúncio da implementação do sistema, a Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac) convocou a imprensa para anunciar que de abril a junho as chuvas devem ser intensas na Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata e Agreste, com precipitação que podem ultrapassar os 300 mm (cada milímetro equivale a um litro de água por metro quadrado).</p>



<p>Com a proximidade do período mais chuvoso na região, a Marco Zero Conteúdo procurou o Governo de Pernambuco, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e a Apac para saber como vai funcionar o sistema de monitoramento de cheias e deslizamentos.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/apac-chama-imprensa-para-avisar-que-chuvas-serao-intensas-nos-proximos-tres-meses/" class="titulo">Apac chama imprensa para avisar que chuvas serão intensas nos próximos três meses</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Comissão de monitoramento</strong></h2>



<p>Resultado da parceria entre o Governo Federal e as instituições do estado, o sistema de monitoramento anunciado consiste em uma série de ações adotadas para prevenir desastres socioambientais como o que ocorreu em maio de 2022, em Pernambuco, e resultou 133 mortos e milhares de desabrigados em Pernambuco.</p>



<p>O sistema conta com a formação de um comitê de gerenciamento de crise em caso de desastres, com integrantes dos órgãos responsáveis pelo monitoramento, que tem previsão de início para este mês de abril e deve seguir mobilizado até julho, ou enquanto durarem as chuvas intensas. Outra ação urgente será a recuperação de sensores espalhados pelos morros da Região Metropolitana que estão quebrados ou sem manutenção há sete anos.</p>



<p>Em caso de risco de enchentes ou deslizamentos, a Defesa Civil, que também integra a comissão, será informada imediatamente e ficará responsável por fazer a retirada da população dos locais afetados. Já a Apac é responsável por comunicar diariamente à população a situação climática e meteorológica, emitindo alertas caso seja necessário.</p>



<p>Questionamos o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes, sobre como seriam realizadas as ações de alerta para a população em situações de risco. Em resposta, Moraes relembrou a lei 12.608/2012, que determina que é dever de estados e municípios a adoção de medidas necessárias para reduzir os riscos de desastres e afirmou que “nós [Cemaden] realizaremos o monitoramento e emitiremos o alerta aos órgãos competentes, mas as iniciativas para conter os danos são de responsabilidade dos governos estaduais e municipais, que devem atuar junto com a Defesa Civil”.</p>



<p>Procuramos o Governo de Pernambuco para saber mais detalhes do sistema de monitoramento e as medidas de contingência em caso de desastres. Em nota, enviada pela Secretaria de Defesa Civil, o governo informou apenas que “neste primeiro momento, a parceria é apenas entre a APAC e a Universidade Federal de Pernambuco, mas ficamos à disposição para qualquer dúvida”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Manutenção e instalação de equipamentos de monitoramento</strong></h3>



<p>A parceria entre Apac e Universidade Federal de Pernambuco, citada pela Defesa Civil do estado, diz respeito à manutenção e recuperação de 15 sensores geotécnicos instalados nos morros de Pernambuco, em sua maioria na Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>Os sensores geotécnicos são equipamentos de monitoramento compostos por pluviômetros automáticos e sensores de umidade de solo que coletam dados sobre a quantidade de chuva acumulada no solo. Os sensores emitem um sinal infravermelho para o equipamento denominado Estação Total Robotizada (ETR), que ficam instalados sobre postes nas encostas de morros e são capazes de detectar pequenos deslocamentos no solo, e, assim, conseguem prever acidentes.</p>



<p>De acordo com a Apac, os 15 sensores instalados em Pernambuco estão sem manutenção desde 2016 por falta de recursos e, agora, graças ao investimento do Ministério da Ciência e Tecnologia através do Cemaden, voltarão a funcionar. “A APAC está apoiando a manutenção do equipamento de pluviometria e a ida aos morros junto com a UFPE (Laboratório de Geotecnia) para verificação do status dos sensores de umidade. A UFPE, através do professor Roberto Coutinho, irá fazer essa análise dos sensores de umidade e montará um orçamento para recuperação dos mesmos”, esclareceu a Apac por meio de nota.</p>



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	                                        <p class="m-0">Estações com sensores e pluviômetros serão montados para monitorar nível dos rios.  Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<p>Outro equipamento de monitoramento previsto para compor o sistema anunciado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia são as estações hidrológicas. Com o objetivo de prevenir os danos causados pelas enchentes, as estações monitoram o nível do rio, através de um sensor tipo radar, e da precipitação chuvosa, com pluviômetros. O equipamento conta com uma webcam integrada que permite registros fotográficos em tempo real da situação do rio e as informações são transmitidas aos órgãos responsáveis pela rede de telefones celulares.De acordo com o diretor do Cemaden, cada estação custa em média R$ 500 mil e, nos próximos meses, cinco equipamentos devem ser instalados em Pernambuco.</p>



<p>De acordo com a Apac, a previsão é que as cinco estações hidrológicas sejam instaladas nos seguintes rios: Carimã, em Barreiros; rio Sirinhaém, em Sirinhaém (duas unidades); rio Jaboatão, em Vitória de Santo Antão e rio Duas Unas, em Jaboatão dos Guararapes.</p>



<p>“O sistema de monitoramento tem dois pontos fundamentais: os equipamentos, que é o ponto material, e a comissão, que nós estamos denominando de sala de crise, formada por profissionais que devem garantir as ações de prevenção e contenção de riscos. No momento, nós estamos em uma fase de levantamento de dados, com visitas aos locais de risco que estão sendo realizadas junto com a UFPE. E as estações hidrológicas também já começaram a ser instaladas. É um trabalho que já começou e não tem data para acabar”, afirmou o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Uma questão importante!</strong></p>
<cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>
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		<title>Sem ação de governos, mudança climática vai provocar novas tragédias no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/sem-acao-de-governos-mudanca-climatica-vai-provocar-novas-tragedias-no-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 10:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[oceano]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Seis meses atrás, depois de um dia e uma noite de chuva pesada, boa parte do litoral e da Zona da Mata de Pernambuco estava debaixo de lama e de água. Foi a maior tragédia nos últimos cem anos, com mais de 130 mortos e dezenas de milhares de desabrigados no estado. O que aconteceu [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Seis meses atrás, depois de um dia e uma noite de chuva pesada, boa parte do litoral e da Zona da Mata de Pernambuco estava debaixo de lama e de água. Foi a maior tragédia nos últimos cem anos, com mais de 130 mortos e dezenas de milhares de desabrigados no estado. O que aconteceu naqueles últimos dias de maio e início de junho foi consequência direta das mudanças climáticas. Um aviso aterrador de que não se trata mais de uma crise para o futuro. Já começou. E pode piorar.</p>



<p>Na época daquelas chuvas, a parte do oceano Atlântico perto da costa de Pernambuco estava três graus acima do usual, de acordo com dados da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). Isso ocasionou uma forma mais extrema dos Distúrbios Ondulatórios de Leste (Dol), um fenômeno bem conhecido entre meteorologistas. É atribuída ao Dol também as fortes chuvas em Palmares, em 2010, que destruíram a cidade. E também às chuvas torrenciais em Natal, no Rio Grande do Norte, em plena Copa do Mundo de 2014.</p>



<p>Como está em uma zona quente, perto da linha do Equador, o litoral nordestino está mais propício às chuvas e secas extremas, explica o oceanógrafo Ronaldo Christofoletti, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para entender o que aconteceu em Pernambuco em maio, e que pode se repetir, ele explica que é preciso entender o papel do oceano no clima.</p>



<p>“O oceano é responsável por absorver a irradiação solar. Por consequência, nas áreas mais tropicais essa água fica mais quente, porque tem mais sol por mais tempo e mais calor”, explica Christofolleti.</p>



<p>O aumento da temperatura global tem alterado o ciclo das correntes oceânicas, que vêm do Caribe para a costa brasileira. “É o mesmo ciclo que faz com que tenha muita evaporação. Nas regiões tropicais mais quentes, que têm muita irradiação, o próprio oceano vai evaporando água e essa água forma as nuvens, que levam ao ciclo de chuvas. Quando temos uma alteração dessa relação oceano e clima, com o aumento da temperatura, o oceano não consegue transportar muito bem todo esse calor. Isso pode levar a ter muito mais evaporação. E também pode ter uma alteração nas correntes de vento no momento”, diz.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/somos-uma-comunidade-adoecida-jardim-monteverde-6-meses-depois-das-chuvas/" class="titulo">“Somos uma comunidade adoecida”: Jardim Monteverde, 6 meses depois das chuvas</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/racismo-ambiental/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Racismo ambiental</a>
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<p>É a capacidade do oceano de retirar e transportar o calor das águas que vai determinar esse ciclo de evaporação e, consequentemente, de chuvas. “ A mudança do clima não é algo para o futuro, ela já acontece agora. Momentos de chuva extrema ou de seca sempre existiram. O que é, então, um resultado da mudança climática? A intensidade. Esses eventos estão ocorrendo em um espaço de tempo cada vez mais curto. Temos primeiro entender que, infelizmente, vai ser cada vez mais frequente e cada vez mais forte”, lamenta.</p>



<p>E é extremo para chuvas e para secas. “Uma hora essa alteração da relação oceano-clima pode fazer, como foi esse ano, que haja uma chuva extrema, mas o desbalanceio dessa relação pode levar a que evapore menos na região e haja uma seca mais extrema”, afirma.</p>



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	                                        <p class="m-0">Aquecimento do oceano provoca secas e tempestades no litoral. Crédito: Centro Espacial Lyndon B. Johnson/Wikimedia Commons</p>
	                
                                    </figcaption>
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Mangue é proteção para cidades costeiras<br></strong><br>Vegetação símbolo do Recife, o mangue pode ajudar a amenizar as catástrofes de forma imediata e a médio prazo. “Os manguezais retiram bastante carbono da atmosfera, o que ajuda a evitar o aumento da temperatura. A médio prazo, o manguezal em pé ajuda para que haja menos eventos extremos de chuvas. Isso sem contar todos os benefícios que ele traz de biodiversidade, de filtração de água etc”, diz.<br><br>A curto prazo, os manguezais absorvem o impacto imediato de ondas fortes que chegam do oceano e da elevação mais rápida da quantidade de água. “Eles são uma franja que absorvem a água, vão proteger muito desse impacto hidrodinâmico. Não só as populações ribeirinhas, mas das cidades como um todo. É como os cílios. a gente não dá atenção, mas eles impedem que o suor entre nos olhos. O manguezal tem uma dupla importância: protege a costa e retira o carbono”, explica.</p></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading">Governos devem se preparar para eventos extremos</h2>



<p>É possível evitar essas tragédias? Christofoletti lembra que o planeta ainda não chegou ao “ponto de não retorno”, quando nenhuma medida mais vai funcionar para impedir o avanço do aquecimento global. Ainda há tempo para mudanças. E elas têm que ser imediatas e também de médio e longo prazo.<br><br>Para o agora, é urgente aprender a viver com as mudanças climáticas que já se impõem. É preciso que as cidades tenham sistemas de prevenção e monitoramento da temperatura do oceano. “Temos que ter modelos de previsão mais claros, que permitam que se saiba a temperatura do oceano daqui a 15 dias. Não entender o oceano dificulta prever quando vai ter uma chuva muito forte”, diz.</p>



<p>O pesquisador cita a cidade de Santos, onde mora, como um modelo na previsão dessas urgências climáticas. Ele lembra que os investimentos na ciência precisam vir junto com a implantação de políticas públicas. “O dado científico é o que vai ajudar no plano de adaptação, mas os governos têm que estar preparados para receber esse dado científico e tomar uma decisão imediata. Não é só o monitorar”, diz. &#8220;A Defesa Civil de Santos, por exemplo, já tem uma rede de alerta por grupos de WhatsApp, principalmente para as comunidades mais atingidas, aquelas que estão na zonas de vulnerabilidades”, exemplifica.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/somente-as-chuvas-nao-explicam-mortes-nos-morros/" class="titulo">Somente as chuvas não explicam mortes nos morros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/racismo-ambiental/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Racismo ambiental</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Para que os governos se preparem para as mudanças climáticas, e para que elas não avancem ainda mais, é preciso fazer o que todo mundo já sabe há décadas: proteger a natureza e reduzir as emissões de carbono na atmosfera. “Temos que diminuir a previsão que estipula o aumento da temperatura em 1,5 a 2 graus até 2050. Ao fazer isso, o oceano tem menos calor para absorver, as florestas têm menos carbono para retirar. Com isso, pelo menos vamos parar de aumentar a intensidade e a frequência dos eventos extremos e dar um respiro para que os governos e as pessoas tenham seus planos de adaptação. Não vai fazer ainda voltar ao que era, mas pelo menos vai fazer com que a gente consiga se planejar e entender o futuro”, diz.<br><br>As decisões, claro, passam pela política. Christofoletti lembra que a <a href="https://oeco.org.br/reportagens/lei-do-mar-propoe-marco-regulatorio-para-gestao-do-bioma-marinho-costeiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong><em>Lei do mar</em></strong></a> tramita há dez anos e nunca é prioridade. Projetos que dão garantias para as comunidades tradicionais pesqueiras e proteção para as áreas onde elas ficam também estão parados. Mas o contrário não ocorre. O professor da Unifesp alerta para dois projetos de lei que avançam rápido e podem ser extremamente prejudiciais para a saúde do oceano: um é o que <a href="https://oeco.org.br/analises/terrenos-de-marinha-sob-ameaca-novamente/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">extingue os terrenos da Marinha</a>, o que, na prática, privatiza parte da costa brasileira. Outro é o que autoriza a <a href="https://www.camara.leg.br/propostas-legislativas/2312502" target="_blank" rel="noreferrer noopener">privatização de 10% das praias</a> brasileiras.<br><br>“Acabamos de eleger um novo legislativo. A sociedade precisa estar mais próxima e cobrando aqueles que elege. Seja por meio de uma organização, seja por um contato direto com o gabinete, esses mecanismos de aproximação existem. O nosso papel de um voto consciente não é só no momento da urna. É também acompanhando, monitorando e cobrando o que a esperamos daqueles que estão tomando decisões que impactam na nossa vida depois”, finaliza.</p>



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	                                        <p class="m-0">Proteção de manguezais pode ajudar a proteger cidades. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>Mudança climática está no projeto político do seu candidato? Se não, reveja suas opções</title>
		<link>https://marcozero.org/mudanca-climatica-esta-no-projeto-politico-do-seu-candidato-se-nao-reveja-suas-opcoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jul 2022 19:45:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cerrado]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>* Por Bia Pankararu Temas como preservação ambiental, uso consciente dos recursos naturais e mudanças climáticas ainda soam com muito distanciamento para a maioria da população e do entendimento de como esses temas afetam diretamente a vida de todos, principalmente, todos aqueles que são marginalizados pelas políticas públicas habitacionais, de saneamento básico e acesso à [&#8230;]</p>
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<p><strong>* Por Bia Pankararu</strong></p>



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<p>Temas como preservação ambiental, uso consciente dos recursos naturais e mudanças climáticas ainda soam com muito distanciamento para a maioria da população e do entendimento de como esses temas afetam diretamente a vida de todos, principalmente, todos aqueles que são marginalizados pelas políticas públicas habitacionais, de saneamento básico e acesso à água, por exemplo. Quando não, a ideia de preservação ambiental fica presa na imagem das florestas e mares, no entanto, tudo ao nosso redor é o meio ambiente em que vivemos.</p>



<p>A população que mais sofre com as mudanças climáticas nas cidades é majoritariamente preta e periférica, como os recentes deslizamentos na RMR que deixaram mais de 90 mortos e 6 mil desabrigados após as chuvas constantes dos últimos meses. População esta que segue esquecida pelo poder público sem condições de refazer suas vidas com segurança e dignidade. Chuvas essas que tiveram um aumento de 20%, dado trazido por reportagem recente da Marco Zero, onde cientistas já apontam que o que estamos vivendo hoje já é sim o reflexo de décadas em que a importância da preservação ambiental nas políticas públicas e sociais foram negligenciadas.</p>



<p>O crescimento das cidades, sem planejamento urbano ou qualquer garantia de segurança habitacional, leva as populações mais carentes a construir suas casas em morros, encostas, adentrando áreas de vegetação. A falta de estrutura gera não só problemas ambientais, mas de saúde pública. Essas áreas geralmente não possuem sistema de esgoto, coleta de lixo adequada, fornecimento de água regular, tudo isso somado traz a esta população riscos maiores de contaminações por doenças que, com certeza, os moradores de Boa Viagem não correm. O nome disso é, sem dúvidas, racismo ambiental.</p>



<p>Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), a capital de Pernambuco, Recife, é apontada como a 16° cidade do mundo mais ameaçada pela mudança climática e pelo aumento do nível do mar. Ou seja, uma contagem regressiva e dramática está em curso, mas enquanto isso, os Governos seguem priorizando os grandes projetos em áreas que deveriam ser de preservação, como as matas de restingas e mangues, ao invés de investir nos povos ribeirinhos que têm nesses ecossistemas seus modos de vida, subsistência, cultura, e são melhores agentes de preservação ambiental que qualquer empresa, indústria ou condomínio. Desconsiderar populações locais e a sua importância é o primeiro grande erro, e o mais característico do racismo ambiental, que exclui do debate e tomadas de decisões, afasta e silencia o povo para agradar meia dúzia de investidores e interesses próprios.</p>



<p>A ideia de progresso econômico à custa da natureza não é coisa apenas das grandes cidades. Cidades do Agreste, Sertão e demais regiões do estado sofrem ainda mais com essas investidas de destruição, pois a fiscalização ambiental é menor, as denúncias chegam mais devagar e não repercutem publicamente. A cegueira do desenvolvimento vem de mãos dadas com duas frentes: o concreto, com a construção de grandes empreendimentos, e o agronegócio, que derruba matas virgens para pasto e a monocultura.</p>



<p>Esse tal desenvolvimento vem acabando com uma grande riqueza que é o bioma caatinga. A caatinga ocupa 11% do território nacional, um bioma exclusivamente brasileiro, onde espécies de plantas e animais só existem nele. Cerca de 13% do bioma encontra-se em estado avançado de desertificação e 50% de sua mata nativa já foi desmatada. Apenas 2% do bioma está em área de preservação e proteção integral e a ideia de que a caatinga é um bioma “pobre” é um grande equívoco que se perpetua no imaginário coletivo.</p>



<p>Precisaria de um artigo inteiro só para levantar o recorte indígena sobre esse assunto, e virá, mas por hora digo que, se olharmos hoje imagens de satélites em tempo real é possível observar uma diferença gritante entre territórios rurais vizinhos aos territórios indígenas. Essas imagens mostram melhor que mil palavras como os Povos Tradicionais sabem crescer, se desenvolver, plantar e colher sem destruir tudo ao redor. É uma relação mútua de existência. Assim como os povos indígenas, territórios quilombolas e ribeirinhos têm na natureza a matemática perfeita de tirar o necessário com a sabedoria de não faltar amanhã.</p>



<p>Existem mil e uma formas de desenvolvimento sustentável. O ecoturismo, turismo comunitário, fortalecimento da agricultura familiar, investimento em centros de reciclagem são alguns exemplos. O que precisamos mesmo são de propostas que coloquem as pautas ambientais e climáticas como prioridades, principalmente, as pessoas que são diretamente ligadas a essas pautas. Não adianta defender um ecossistema sem defender também as pessoas que fazem parte integralmente dele.</p>



<p>O homem branco precisa aprender, de uma vez por todas, que hoje vale muito mais uma árvore de pé do que um boi no pasto, uma nascente viva do que um monumento de concreto morto. Não sabemos mais como dizer que nosso planeta está entrando em colapso e ninguém irá escapar dos efeitos catastróficos que estão por vir. Talvez o Elon Musk escape na sua nave para Marte, muito mais inovador gastar bilhões e bilhões buscando formas de colonizar um novo planeta do que tentar regenerar o cambaleante planeta Terra e toda sua humanidade faminta, marginalizada e entregue ao cronômetro climático que não para de diminuir nosso tempo.</p>



<p>Quanto tempo será que nos resta? Segundo a ONU, ahumanidade tem até 2025,apenas três anos, para frear as emissões de gases que provocam o efeito estufa para impedir consequências irreversíveis ao planeta. Isso significa que nessas eleições precisamos eleger quem tenha em seus projetos políticos propostas ambientais, sem mais. Ou temos políticos comprometidos com as questões ambientais, ou nosso tempo correrá muito mais rápido à medida que os recursos naturais se esgotam. Ainda dá tempo, assim espero, por mim, pelo meu filho e todos que virão depois de nós.</p>



<p>* <strong>Bia Pankararu tem 28 anos, é mulher indígena, sertaneja, mãe de Otto, LGBT+, técnica em enfermagem e produtora cultural e audiovisual. Ativista pelos direitos humanos e ambientais. Comunicadora da rede @povopankararu.</strong><br></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><cite><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong><br></cite></blockquote>



<p><br></p>
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