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	<title>Arquivos cidadã do Recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 05 Jul 2024 21:50:35 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos cidadã do Recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;Jamais será possível falar de cidadania sem contar com a presença das pessoas trans&#8221;, diz Dayanne Louise</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jul 2024 20:58:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Municipal do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assim que recebeu o título de cidadã do Recife, a educadora Dayanne Louise ocupou a tribuna da Câmara Municipal do Recife para discursar. Aproveitou para quebrar o protocolo e convidar todas as pessoas trans e travestis presentes naquele momento à sessão a estarem de pé, ombro a ombro, em frente à mesa diretora do plenário. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Assim que recebeu o título de cidadã do Recife, a educadora Dayanne Louise ocupou a tribuna da Câmara Municipal do Recife para discursar. Aproveitou para quebrar o protocolo e convidar todas as pessoas trans e travestis presentes naquele momento à sessão a estarem de pé, ombro a ombro, em frente à mesa diretora do plenário.</p>



<p>O momento sintetizou um simbolismo: em dezembro do ano passado, a Casa havia reunido 20 dos 24 votos necessários para a aprovação do projeto que propunha a homenagem a Dayanne. Por conta da articulação de vereadores fundamentalistas, a concessão acabou sendo rejeitada. O autor Ivan Moraes (PSOL) apresentou, novamente, a proposta e, dessa vez, a cidadania recifense foi aprovada e o título, entregue.</p>



<p>A sessão foi realizada na tarde de terça-feira (2). Essa foi a segunda vez na história secular da Casa José Mariano que uma mulher trans foi condecorada com o título de cidadã do Recife. A primeira foi a ativista Chopelly Santos, em fevereiro de 2022, por iniciativa da vereadora Cida Pedrosa (PCdoB).</p>



<p>No dia seguinte à solenidade em que foi homenageada, Dayanne atuou como facilitadora em uma formação política com a equipe da <a href="https://www.escolalivredereducaodedanos.org/br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Escola Livre de Redução de Danos</a>, organização social que atua com mulheres trans e travestis em situação de vulnerabilidade. Foi onde concedeu à Marco Zero a entrevista abaixo.</p>



<p>Assistente social e professora da rede pública estadual, atualmente ela está licenciada de sala de aula para concluir o doutorado na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Natural de Carpina, Mata Norte pernambucana, hoje reside em Sergipe. Filiada ao PSOL desde 2020, descarta a disputa das eleições deste ano, mas segue determinada no enfrentamento à extrema-direita.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/trans-Guga-Matos.jpg" alt="Foto do plenário da Câmara Municipal do Recife, com várias pessoas vestindo roupas casuais perfiladas junto à mesa diretora. Algumas estão aplaudindo, enquanto, no alto à esquerda, Dayanne Louise, mulher loira, de cabelos ondulados e pele bronzeada, vestindo camiseta preta decotada. Ao fundo, painel exibe imagens do que está acontecendo no plenário e foto em close da homenageada." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mulheres e homens trans ocuparam o plenário da Câmara ao receber homenagem
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Guga Matos/Câmara Municipal do Recife</span>
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                    </figure>

	


<p>Marco Zero &#8211; <strong>Gostaria de começar perguntando como você está?</strong></p>



<p><strong>Dayanne Louise</strong> &#8211; Estou bem e feliz pela experiência de termos recebido o título de cidadania recifense. Falo no plural por entender que esse título representa uma conquista de um movimento que se faz na coletividade e que representa um projeto alternativo para a cidade do Recife. O sentimento que me move é o de muita gratidão, de que nós estamos caminhando, com muita assertividade.</p>



<p>A partir do momento em que você olha para a fotografia da sessão (de entrega do título), entende que nós estamos criando uma nova fotografia política. Com outras cores, outros gêneros, outras formas de ser e de se expressar. Estamos no rumo certo, mas a gente ainda tem muito a caminhar. A partir desses movimentos e dessas estratégias, temos conseguido honrar aquilo que a gente herdou da nossa ancestralidade, que é a coragem de se mover para além das dores e dos problemas.</p>



<p><strong>Como você avalia o momento político do Brasil hoje?</strong></p>



<p>Acredito que o Brasil precisa colocar na centralidade da discussão sobre cidadania a pauta trans e travesti. É impossível a gente falar de um outro projeto de cidadania brasileira sem pensar na população trans e travesti, que, historicamente, teve seus direitos negados por esse Estado.</p>



<p>Instituições como a <a href="https://antrabrasil.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Antra</a> (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) têm desenvolvido importantes pesquisas e dossiês sobre a nossa realidade através de uma secretaria de educação, de uma secretaria de saúde, de geração de empregabilidade. A <a href="http://redetransbrasil.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rede Trans</a> tem pensado o Brasil com um projeto político. A população trans e travesti tem um projeto político e de cidadania para esse País.</p>



<p><strong>E que projeto é esse?</strong></p>



<p>É um projeto mais inclusivo, que respeita a diferença. É um projeto que reivindica, por exemplo, uma educação a partir da perspectiva paulofreireana. É um projeto que modifica as lentes da saúde, ao reconhecer que saúde não é só a questão de você curar uma doença, mas de você promover o bem viver. É um projeto que representa uma pluralidade de bandeiras históricas.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0"> &#8220;A população trans e travesti tem um projeto político e de cidadania mais inclusivo, que respeita a diferença&#8221;</p>
</div>


<p><strong>Quais são os desafios para lidar com a extrema-direita?</strong></p>



<p>Nós estamos em um país polarizado, em que a extrema-direita utiliza artifícios mais perversos: investimento massivo em <em>fake news</em>, desinformação, propagação de discurso de ódio. Os quatro anos de governo de extrema-direita legitimaram discursos de ódio que, anteriormente, estavam guardados nos armários, mas ainda sim surtindo efeito nos lares, nas salas de professores, nas clínicas de saúde.</p>



<p>O governo de extrema-direita conseguiu fazer com que esse discurso fosse institucionalizado através de falas públicas de autoridades. E isso ainda tem força no Brasil. Não se desfaz de um dia para o outro. A extrema-direita revelou a face que, por exemplo, a população trans e travesti já conhecia. Nós somos um País em que a transfobia, o racismo e o machismo são estruturais.</p>



<p><strong>Você concorda com a análise de que a direita está mais à direita e a esquerda menos à esquerda?</strong></p>



<p>Acho que a gente precisa pensar que temos uma direita que ainda é possível para um processo de diálogo, que estabelece um regime democrático no sentido da disputa de ideias. E nós temos uma extrema-direita que é esse grupo que, de fato, tem promovido um processo perverso de ascensão de o que existe de pior no cenário político.</p>



<p>A extrema-direita, de fato, é um grande desafio porque a gente precisa dar enfrentamento e, ao mesmo tempo, entender que a esquerda é um campo muito plural. Por isso, é complicado dizer se está menos à esquerda porque a gente precisa entender que ela é composta por um grupo muito diverso. O grande desafio é estabelecer um diálogo honesto, reconhecendo essas diferenças e unindo forças para combater o avanço do facismo, mas também entendendo que há princípios inegociáveis.</p>



<p><strong>E quais são eles?</strong></p>



<p>A gente não pode mais pensar que os direitos da população LGBT estão na mesma de negociação, em troca de governabilidade. A gente não pode mais naturalizar que pautas como a criminalização das drogas e a questão do aborto e dos direitos sexuais e reprodutivos virem pautas ditas de costume. E que a esquerda não compre, de fato, a briga pela efetivação dos direitos humanos para todas as pessoas. É preciso que a gente tenha a maturidade para trazer isso à centralidade do debate, porque a extrema-direita consegue se articular para promover o desmonte das políticas.</p>



<p><strong>Mais cedo, você havia falado sobre a importância das pessoas trans e travestis sonharem. Qual é o sonho de Dayanne hoje?</strong></p>



<p>Que o Recife seja uma cidade onde a população trans e travesti seja capaz de sonhar, mas também de concretizar seus sonhos. Que ocasiões como essa entrega do título não seja exceção. Que outros trabalhos sejam reconhecidos e essa coletividade seja fortalecida. Que as casas legislativas sejam, de fato, casas do povo. Que a gente tenha mais rostos de pessoas trans e travestis visibilizados pelos seus méritos, e não mais em páginas policiais ou em lápides de cemitério. O meu sonho é que a gente possa ter um Brasil plural, democrático e com justiça social.</p>



<p><strong>Como você definiria a sessão de entrega do título de cidadã recifense?</strong></p>



<p>Um recado da população trans e travesti do Recife para o Recife. E que recado é esse? O de que jamais, nessa cidade, será possível falar de cidadania sem contar com a nossa presença.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/trans-Beto.jpg" alt="A imagem retrata um evento interno no salão onde funciona o plenário da Câmara Municipal do Recife. Há um pódio na frente com microfones e um arranjo floral. Uma mulher loira de blusa preta está no pódio, lendo a partir de um papel. Na frente do pódio, há uma faixa com várias cores e o que parece ser texto, embora o conteúdo específico do texto não esteja claro. A audiência está de frente para o orador, e várias pessoas estão em pé enquanto outras estão sentadas em fileiras de cadeiras. O fundo mostra grandes janelas e bandeiras, incluindo uma que parece ser as bandeira do Brasil e de Pernambuco. com sua combinação de cores verde, amarelo, azul e branco." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dayanne diz que não se pode aceitar que direitos de pessoas trans sejam negociados
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Beto Figueiroa</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/jamais-sera-possivel-falar-de-cidadania-sem-contar-com-a-presenca-das-pessoas-trans-diz-dayanne-louise/">&#8220;Jamais será possível falar de cidadania sem contar com a presença das pessoas trans&#8221;, diz Dayanne Louise</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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