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	<title>Arquivos clima - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 08 May 2026 14:26:49 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos clima - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Uma jornalista em defesa das árvores do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 13:38:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arborização urbana]]></category>
		<category><![CDATA[árvore]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando a jornalista Letícia Lins se mudou para uma casa antiga no bairro de Apipucos, tudo que ela via da janela da cozinha era de um verde profundo: árvores frondosas da Mata Atlântica no terreno do Seminário São João Paulo, à beira do rio Capibaribe. Hoje, 40 anos depois, muitas árvores se foram e não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando a jornalista Letícia Lins se mudou para uma casa antiga no bairro de Apipucos, tudo que ela via da janela da cozinha era de um verde profundo: árvores frondosas da Mata Atlântica no terreno do Seminário São João Paulo, à beira do rio Capibaribe. Hoje, 40 anos depois, muitas árvores se foram e não foram substituídas. A vista emoldurada pela janela é metade verde, metade céu. A vista da frente também mudou: não havia nenhuma planta na frente da residência. Hoje, há palmeiras e um Pau Brasil, tudo plantado por ela mesma. Apaixonada por árvores desde a tenra infância, há pelo menos dez anos Letícia Lins começou a dar status de notícia à erradicação de árvores no Recife – ou em qualquer outra cidade que avisem a ela. Nesta semana, o blog <a href="https://oxerecife.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Oxe Recife</a> chegou ao número de 1,5 mil arboricídios registrados somente no Recife.</p>



<p>“Meu critério não é científico, eu não sou bióloga, eu não sou botânica, eu não tenho financiamento para fazer esse trabalho. O que é que acontece? Eu caminho muito pela cidade, principalmente pela zona norte, e eu vou anotando as árvores que eu vou vendo derrubadas ou só o toco. É um trabalho de cidadã mesmo: as árvores não falam, alguém tem que falar por elas&#8221;, conta Letícia. O trabalho começou de forma não sistemática em 2017. “Eu fui botando uma árvore que tinha sido cortada, depois outra e mais outra. Aí decidi fazer uma série, &#8216;Parem de derrubar árvores&#8217;. Mas a série não terminava. Não termina. Estou com 526 postagens até agora”, contou a jornalista.</p>



<p>Uma postagem pode ter uma ou mais árvores cortadas. Por exemplo, um post de 2023 dava conta de 40 árvores erradicadas dentro de uma Unidade de Conservação da Natureza, no bairro da Imbiribeira. Com o passar do tempo, Letícia começou a receber ligações e mensagens de pessoas denunciando o corte de árvores em diversos lugares, inclusive fora de Pernambuco. Na mais recente postagem, foi uma denúncia que recebeu de corte na Estrada das Ubaias. Quando chegou lá, já havia outra árvore cortada. &#8220;Essa semana me avisaram de uma árvore na rua Marques de Amorim. Não foi assassinada. Ela caiu. Mas se cai, tem que botar outra no lugar”, avisa.</p>



<p>Já faz algum tempo que Letícia Lins busca informações sobre se Recife está plantando mais árvores do que cortando. &#8220;Em 2013, a prefeitura divulgou que 2.500 foram suprimidas. O mesmo número no ano seguinte. Mas em 2015 pararam de dizer a quantidade. Nesse período, eu já estive na Câmara Municipal, em uma audiência pública, eu já estive num seminário de botânica e arborização urbana e sempre pergunto quantas árvores são derrubadas no município por ano. Ninguém sabe, ninguém responde. Virou uma caixa preta&#8221;, conta Letícia.</p>



<p>Com base no último número oficial (2.500 supressões por ano, em 2013), Letícia estima que o Recife perdeu mais de 32.500 árvores entre 2013 e 2025. Mas, sem dados oficiais da prefeitura, não se sabe o número real. Um dia após nossa entrevista, a prefeitura do Recife respondeu para Letícia que em 2025 foram 1.562 árvores erradicadas, mas não deu os dados dos anos anteriores.</p>



<p>A prefeitura do Recife também não informa quantas árvores foram plantadas nestes últimos dez anos. “E o mais importante, não dizem mais o índice de sobrevivência”, diz Letícia. Esse índice indica quantas plantas sobreviveram após serem plantadas como mudas. “Já teve um tempo que 60% das mudas plantadas morriam. Na avenida Recife, de 100 mudas que eu contei, 40 viraram graveto. E isso é computado como árvore. Não é árvore. Não é muda. É um graveto”, reclama.</p>



<p>O silêncio sobre os cortes contrasta com os números que a prefeitura divulga. O município afirma ter 259.565 árvores, 660 áreas verdes e índice de 60,1 metros quadrados de área verde por habitante — cinco vezes acima do mínimo de 12 metros quadrados recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Letícia não acredita nesses dados. “É muito desigual a distribuição desse verde. Por exemplo, Boa Viagem já é uma ilha de calor&#8221;, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Nem nos parques as árvores estão seguras</h2>



<p>Para uma cidade que figura entre as 16 mais vulneráveis do planeta às mudanças climáticas, nem nos parques urbanos as árvores estão a salvo do arboricídio. No Jardim do Poço, Letícia contou 40 tocos deixados pela prefeitura para fazer a obra. No Parque das Graças, <a href="https://marcozero.org/sucesso-de-publico-parque-das-gracas-tem-menos-mangue-do-que-no-projeto-original/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma reportagem da Marco Zero em 2023 mostrou que foram retiradas 99 árvores</a>, mais de 310 mil metros cúbicos de mangue e também vegetação rasteira. “O Recife é uma cidade que está em emergência climática, mas não tem uma política de arborização urbana&#8221;, queixa-se Letícia.</p>



<p>A jornalista lembra que, para a construção do parque Dona Lindu, na orla da praia de Boa Viagem, foi retirado o último coqueiral à beira-mar do bairro. Agora, ela fala que 41 árvores devem ser cortadas no Dona Lindu – hoje sob concessão privada da empresa Viva Parques – para dar espaço para atividades comerciais no local. A empresa, diz Letícia, se comprometeu a plantar o dobro do que será suprimido, mas não especificou onde. &#8220;O Recife é o único lugar que eu conheço que tira a árvore para plantar quiosque. Num parque&#8221;, alerta ela.</p>



<p>Na luta pelas árvores, uma crítica que Letícia Lins faz é sobre a mudança de responsabilidades pela liberação do corte das árvores. “Quem licencia o corte de árvores no Recife não é mais a Secretaria de Meio Ambiente e sim a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento. Há um conflito de interesses: quem quer cortar uma árvore de grande porte para construir um prédio vai para a secretaria que cuida das construções e não a do meio ambiente, que deveria ter técnicos para avaliar essas licenças”, diz.</p>



<p>Outro ponto que Letícia Lins costuma abordar no blog dela são as podas feitas no Recife pela Neoenergia, que deixa pela cidade um rastro de árvores desequilibradas, vulneráveis a tombamentos e adoecidas. &#8220;A Neoenergia não está preocupada com a saúde da árvore. Ela está preocupada com a saúde do fio e pronto. E é um absurdo a prefeitura permitir isso&#8221;, afirma.</p>



<p>Jornalista premiada, com longa e exitosa carreira em sucursais do Recife de jornais como O Globo e Jornal do Brasil, Letícia Lins encontrou no blog Oxe Recife uma forma de fazer o jornalismo mais conectado ao leitor, o jornalismo local. &#8220;A alma do jornal é a cidade. A espinha dorsal de um jornal tradicionalmente é a cidade, porque você tem a proximidade, você tem o interesse da comunidade. Se baixar um plano econômico, vai mexer no bolso das pessoas? Vai. As pessoas vão ter interesse? Vão. Mas a pessoa quer saber quanto é a passagem do ônibus amanhã. A pessoa quer saber como é que está a situação da cidade em que ela vive. E, se você for observar, os jornais do sul, pelo menos na minha época, dedicavam um grande espaço à cidade. Eu olhava a editoria de Grande Rio dos jornais cariocas e dizia que só queria fazer isso. Agora eu faço”, contou Letícia, que comemora neste ano uma década do blog Oxe Recife. E de uma voz atuante na luta pelas árvores.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/podas-mal-feitas-realizadas-pela-neonergia-podem-provocar-mais-quedas-de-arvores-no-recife/" class="titulo">Podas mal feitas realizadas pela Neonergia podem provocar mais quedas de árvores no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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		<item>
		<title>Dengue do tipo 3 reacende alerta em Pernambuco, mas clima deve evitar epidemia</title>
		<link>https://marcozero.org/dengue-do-tipo-3-reacende-alerta-em-pernambuco-mas-clima-deve-evitar-epidemia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Aug 2025 20:38:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Butantan]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde 2002, a dengue do tipo 3 quase não aparecia em Pernambuco. Em 2023, voltou timidamente, com a identificação de quatro casos no Estado, subindo para 17 casos no ano seguinte. Já nos sete primeiros meses deste ano, houve um salto, com a identificação de mais 150 casos. Em uma população majoritariamente com anticorpos contra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde 2002, a dengue do tipo 3 quase não aparecia em Pernambuco. Em 2023, voltou timidamente, com a identificação de quatro casos no Estado, subindo para 17 casos no ano seguinte. Já nos sete primeiros meses deste ano, houve um salto, com a identificação de mais 150 casos. Em uma população majoritariamente com anticorpos contra os sorotipos 1 e 2 da dengue, a presença de casos da dengue 3 gera um alerta: a segunda infecção pelo vírus da dengue, seja por qual sorotipo for, costuma ser mais grave, gerando mais hospitalizações e mortes.</p>



<p>No Brasil, é comum que os sorotipos 1 e 2 se revezam ao longo dos anos. Os sintomas de todos os sorotipos são parecidos – dor no corpo, febre alta, dor de cabeça e atrás dos olhos, mal estar, manchas vermelhas pelo corpo. De acordo com o Ministério da Saúde, a dengue 3 é considerada um dos sorotipos mais virulentos do vírus da dengue, ou seja, tem maior potencial de causar formas graves da doença. Há também a ameaça de uma alta de casos, já que a maioria da população não tem anticorpos contra o sorotipo 3. </p>



<p>Mas Pernambuco pode ter dado sorte. Isso porque a maioria dos casos de dengue 3 foi identificado já no final da sazonalidade da doença por aqui, que vai de março a julho. Há uma inversão na tendência de queda ao final da sazonalidade, mas não um aumento de casos – que, no geral, está 61% menor que no ano passado, de acordo com o último boletim epidemiológico das arboviroses em Pernambuco.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p class=" "><strong>O que são sorotipos da dengue?</strong></p>
<p class=" ">Sorotipos são variações do vírus que, embora pertençam à mesma espécie, possuem diferenças em sua composição. No caso da dengue, os quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) são suficientemente distintos para que uma infecção por um deles não ofereça imunidade contra os outros.</p>
<p class=" ">Isso significa que uma pessoa pode ser infectada até quatro vezes durante a vida, uma por cada sorotipo. Além disso, infecções subsequentes por diferentes sorotipos aumentam o risco de formas mais graves da doença.</p>
<p class=" ">A infecção por determinado sorotipo tem efeito protetor permanente contra aquele sorotipo especifico e efeito protetor temporário contra os outros sorotipos.</p>
<p>Fonte: Ministério da Saúde</p>
        </div>
    </div>



<p>Os casos de dengue 3 se concentram na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata. De acordo com o diretor de Vigilância Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde, Eduardo Bezerra, o clima contribui para segurar uma provável epidemia de dengue 3. “Foi um inverno atípico, com temperaturas mais baixas em geral, o que dificulta a reprodução do mosquito <em>Aedes aegypti</em>”, disse.</p>



<p>Outro fator é que não tivemos fenômenos climáticos como o La Niña e El Niño, o que também contribuiu para a diminuição de casos de dengue neste ano. “Apesar do aumento de casos de dengue 3, não houve um crescimento exponencial ou explosivo no número total de casos neste ano, o que leva a uma expectativa de que não se atinja um quadro mais grave devido às condições climáticas favoráveis. Eu, particularmente, acho que não vamos ter um crescimento de casos neste ano”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pesquisa-da-fiocruz-confirma-quanto-mais-calor-mais-dengue/" class="titulo">Pesquisa da Fiocruz confirma: quanto mais calor, mais dengue.</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O <em>Aedes aegypti </em>é um mosquito que gosta de calor — mas não muito. A reprodução dele é mais eficaz em temperaturas de 25 a 30 graus, enquanto que a transmissão da dengue pode ocorrer entre 17 e 34 graus, sendo mais eficaz aos 29º. Com um inverno mais frio, tanto a reprodução quanto a transmissão foram afetadas. “Em regiões como Garanhuns e Salgueiro houve diminuição da proliferação do mosquito. No entanto, na região metropolitana, essa baixa de temperatura pode não ser suficiente para afetar a capacidade de reprodução do mosquito. A expectativa é que o final do período de chuvas e a entrada em um período mais quente e com menos chuva ajudem a evitar uma explosão de casos”, diz Eduardo.</p>



<p>Ainda que as temperaturas aumentem nas próximas semanas, com o fim das chuvas, a tendência é que a água parada diminua, fazendo com que o mosquito perca seu local de reprodução. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Casos de dengue diminuíram 60,1% em relação ao ano passado</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">O mais recente Boletim Epidemiológico de Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), divulgou nesta quarta-feira (20), com dados das semanas epidemiológicas de 29/12/2024 a 16/08/2025, aponta 28.503 casos notificados de dengue, representando uma diminuição de 60,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior no estado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram confirmados 6.818 casos de dengue em Pernambuco, incluindo 147 casos graves e 5 óbitos confirmados. O Boletim 33 revela que 114 municípios pernambucanos têm baixa incidência de casos de dengue, 43 localidades apresentam incidência média e 20 apresentam alta incidência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O boletim também traz 4.509 casos notificados de Chikungunya, com 676 confirmações. Para o Zika, houve 958 casos notificados, porém sem confirmações. Pernambuco também registra 183 casos de Febre do Oropouche desde maio de 2024, com 7 casos confirmados em 2025.</span></p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Vacina brasileira contra a dengue pode mudar cenário</h2>



<p>Em dezembro de 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou a vacina Qdenga, do laboratório japonês Takeda. Mas, com poucas doses disponíveis, o público foi limitado. Hoje, só pessoas entre 10 e 14 anos podem receber a vacina pelo SUS, que é em duas doses. De acordo com Eduardo Bezerra, ainda não há mudanças epidemiológicas desde a adoção da vacina. Além de ser uma faixa etária restrita, há poucas doses e baixa adesão da população.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/conheca-a-vacina-do-butantan-capaz-de-prevenir-a-dengue-com-apenas-uma-dose/" class="titulo">Conheça a vacina do Butantan capaz de prevenir a dengue com apenas uma dose</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“Embora cerca de 90 mil crianças tenham recebido a primeira dose em Pernambuco, apenas 35 mil retornaram para a segunda dose. A segunda dose é considerada muito importante para fixar e manter a imunidade”, afirmou Bezerra.</p>



<p>A Qdenga também não tem doses suficientes para ser distribuída em todo o estado, apenas nas regionais do Grande Recife, de Garanhuns (Agreste) e Salgueiro (Sertão). É mais eficaz contra os sorotipos 1 e 2, os prevalentes no Brasil. “Apesar de ter uma eficácia de 47% contra a dengue tipo 3, esse percentual é considerado muito bom no contexto da farmacologia e da imunologia, e não deve ser interpretado com a mesma lógica de cálculos gerais”, acrescenta o diretor de vigilância ambiental de Pernambuco.</p>



<p>A Qdenga é encontrada também na rede privada, com cada dose custando cerca de R$ 570. O intervalo entre as duas doses é de três meses.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vacina Qdenga pelo SUS é restrita a pessoas entre 10 e 14 anos. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O que pode realmente ter impacto no controle da dengue é uma vacina em dose única e amplamente oferecida à população. Desde o começo deste ano a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan a partir de um protótipo do Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. Em dose única, a possível vacina é vista como a principal promessa para uma imunização ampla da população.</p>



<p>A expectativa do Butantan era de que a vacina fosse aprovada ainda neste ano. Em nota à Marco Zero, a Anvisa afirmou que recebeu, no dia 6 de fevereiro deste ano, o pedido de registro da vacina. “A partir desse pedido, a avaliação teve início, sendo que, em 14 de fevereiro, a Agência enviou à equipe do laboratório uma exigência técnica, solicitando informações e dados complementares necessários para o prosseguimento da análise”, informou a nota.</p>



<p>A resposta ao primeiro pedido foi dada pelo Butantan em 7 de março. Uma nova exigência técnica foi feita pela Anvisa em 22 de maio e atendida pelo laboratório em 13 de junho. “Esse tipo de solicitação ocorre quando a Anvisa identifica alguma lacuna de informação nos dados e estudos apresentados, exigindo explicações ou dados complementares. Trata-se de uma dinâmica comum na análise de vacinas e medicamentos, e as equipes da Agência e do Butantan mantêm um canal constante de comunicação”, diz a nota.</p>



<p>A nota da Anvisa também informa que no dia 31 de julho foi realizado um painel com consultores externos para discussão dos dados da vacina apresentados pelo Butantan. “A próxima etapa será discutir com o Instituto Butantan sobre os encaminhamentos necessários para o prosseguimento do processo de registro, com vistas à formalização do termo de compromisso, necessário para a conclusão da análise técnica”, diz a nota, que concluiu afirmando que “a Anvisa está comprometida com a avaliação da eficácia e da segurança da vacina, de forma que sua análise ocorra no menor tempo possível”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A prevenção contra a dengue</span>

		<p>Embora medidas amplas como saneamento básico universal e limpeza urbana sejam as medidas realmente efetivas, é possível fazer alguma diminuição individual de riscos. Evitar o acúmulo de água é o principal deles.</p>
<p><strong>Os cuidados essenciais são:</strong></p>
<p>&#8211; manter caixas d’água limpas e vedadas;</p>
<p>&#8211; fechar bem sacos de lixo e lixeiras;</p>
<p>&#8211; dispensar o uso ou preencher com areia os “pratinhos” de plantas;</p>
<p>&#8211; manter as calhas limpas e livres para o total escoamento da chuva;</p>
<p>&#8211; esfregar o fundo e as laterais dos potes de água oferecidos a animais;</p>
<p>&#8211; manter em dia a manutenção de piscinas.</p>
<p>A fim de reforçar os cuidados, vale instalar telas nas janelas e portas, e mosquiteiros em cima de camas e berços. Também é recomendado aplicar repelente na parte da pele exposta e por cima da própria roupa.</p>
<p>Fonte: Instituto Butantan</p>
	</div>



<p>Em nota à MZ, o Butantan afirmou que os ensaios clínicos do imunizante foram encerrados em junho do ano passado, quando o último participante completou 5 anos de acompanhamento. Os dados de segurança e eficácia divulgados da vacina mostram 79,6% de eficácia geral para prevenir casos de dengue sintomática. “Resultados da fase 3 do ensaio clínico publicados na The Lancet Infectious Diseases mostraram, ainda, uma proteção de 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme, além de eficácia e segurança prolongadas por até cinco anos”, diz a nota.</p>



<p>Em caso de aprovação pela Anvisa, o Instituto Butantan poderá disponibilizar cerca de 100 milhões de doses ao Ministério da Saúde nos próximos três anos. De acordo com o órgão, um milhão de doses da vacina poderão ser entregues já em 2025, em caso de aprovação. “As outras cerca de 100 milhões de doses poderão ser entregues nos anos de 2026 e 2027. A definição dos critérios de vacinação da população deverá ser feita pelo Ministério da Saúde, por meio do PNI (Programa Nacional de Imunizações)”, diz a nota.</p>



<p>Enquanto a vacinação ampla não chega, a prevenção, ainda que difícil, segue sendo a saída. “A composição urbana atual das cidades e as mudanças climáticas tornam a prevenção ainda mais desafiadora hoje em dia”, afirma Bezerra, que alerta que a dengue não é uma doença que deve ser subestimada. “É preciso estar muito atento aos sintomas, já que a dengue pode se agravar e pode levar ao óbito num período muito curto. Não se deve demorar para procurar assistência médica”, ressalta Eduardo Bezerra.</p>
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		<title>Parques alagáveis para crise do clima ameaçam de despejo 40 comunidades do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Sep 2024 13:26:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Agência Pública]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
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		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariama Correia, da Agência Pública Parques alagáveis, construídos nas margens dos rios para absorver transbordamentos e minimizar o risco de enchentes. Esse modelo, inspirado no conceito de “cidades-esponja” e em experiências da Holanda e da Coreia do Sul, parece ser um futuro viável para locais que sofrem constantemente com enchentes. No Brasil, cidades como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Mariama Correia, da <a href="https://apublica.org/2024/09/promorar-da-prefeitura-de-recife-ameaca-comunidades-de-despejo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Pública</a></strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="169" height="42" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/A-Publica.webp" alt="" class="wp-image-66172 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Parques alagáveis, construídos nas margens dos rios para absorver transbordamentos e minimizar o risco de enchentes. </p>
</div></div>



<p>Esse modelo, inspirado no conceito de “cidades-esponja” e em experiências da Holanda e da Coreia do Sul, parece ser um futuro viável para locais que sofrem constantemente com enchentes. No Brasil, cidades como Recife, a 16ª mais vulnerável do mundo às mudanças climáticas e a mais ameaçada pelo avanço do nível do mar no país, seria uma candidata perfeita. O paradoxo é que, na capital pernambucana, investimentos bilionários para construção desses parques e de outras obras aparentemente sustentáveis se tornaram ameaça de despejo para milhares de famílias.</p>



<p>A maioria dessas intervenções faz parte do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Urbana (ProMorar), um grande plano de ações com financiamento de R$ 2 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele é o carro-chefe da gestão do prefeito João Campos (PSB), favorito à reeleição e que usa os canteiros de obras para aumentar sua popularidade nas redes sociais.</p>



<p>Em linhas gerais, o ProMorar pretende reduzir os riscos de enchentes e deslizamentos de terra, considerando as mudanças climáticas. Ele começou logo depois das cheias de 2022, que mataram 133 pessoas e afetaram 120 mil em Pernambuco. As ações devem ser desenvolvidas ao longo de seis anos e afetar 40 comunidades de Recife, mas até agora apenas 17 são conhecidas. A prefeitura não disse quantas famílias serão desapropriadas ao longo das obras, mas a Articulação Recife de Luta – entidade formada por ONGs e movimentos sociais – calcula que sejam mais de 3 mil.</p>



<p>A falta de transparência e diálogo da prefeitura de Recife com relação ao ProMorar fez o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abrir um procedimento administrativo para acompanhar as ações em audiências a cada dois meses.</p>



<p>Percorremos seis comunidades em áreas de risco de alagamento onde estão sendo construídos parques alagáveis e obras do ProMorar ou que foram visitadas por equipes do programa recentemente. As pessoas que entrevistamos disseram que estão com medo de serem despejadas sem que seja oferecida opção de moradia digna. Elas dizem que faltam informações sobre a quantidade de desapropriações e compensações. Reclamam também que não estão sendo ouvidas, embora o programa preveja escutas populares e ações “planejadas em conjunto” com as comunidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mais de 95 casas demolidas</h2>



<p>Recife é a quinta cidade com maior população vivendo em áreas de risco do país. São mais de 200 mil pessoas nessa situação, morando sobretudo em áreas de morros e encostas, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).</p>



<p>Além de estar sendo lentamente engolida pelo mar, a capital pernambucana é atravessada por três grandes rios: Beberibe, Capibaribe e Tejipió. Suas margens são territórios densamente povoados, onde as populações convivem com alagamentos frequentes e tragédias de grandes proporções quando chove muito. É nessas áreas que estão sendo construídos os parques alagáveis e grande parte das obras de resiliência climática.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/urbanistas-apontam-erros-de-projeto-em-parque-alagavel-as-margens-do-rio-tejipio/" class="titulo">Urbanistas apontam erros de projeto em parque alagável às margens do rio Tejipió</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/aguas/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Águas</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O rio Tejipió é o foco principal. Ele é “um dos mais sérios desafios de drenagem” da cidade, de acordo com a prefeitura, que mobiliza R$ 500 milhões de investimentos na construção de quatro parques alagáveis, capazes de drenar o excesso de água, além de intervenções nos rios Jiquiá e Moxotó, que integram a bacia. O objetivo é reduzir o volume de alagamentos pela metade.</p>



<p>O primeiro parque alagável da cidade não está no escopo do ProMorar. É uma obra da Autarquia de Urbanização (URB) da prefeitura, no bairro do Ipsep, zona sul de Recife, onde foram demolidas mais de 95 casas. Ainda era possível ver os tijolos que sobraram das paredes quando visitamos o bairro.</p>



<p>O prefeito João Campos garantiu que “todos os imóveis que existiam foram indenizados”, mas uma moradora nos contou, em condição de anonimato, que “nem todo mundo achou a indenização justa”. “As pessoas mais pobres, com casas de menos estrutura, receberam pouco. Mas o pessoal não reclama porque tem medo de falar mal da prefeitura”, disse.</p>



<p>A moradora reclama que o alargamento das margens (de 8 para 30 metros), para facilitar o escoamento, terminou aproximando o rio da casa dela. “Agora estou com medo que inunde. Cadê o muro de contenção que não fizeram? Porque aqui tem até jacaré”, reclamou, mostrando o muro que ela construiu com recursos próprios entre sua casa e o novo parque.</p>



<p>O parque alagável do Ipsep, na Vila Maria Lúcia, já tem balanços de metal e algumas estruturas de concreto, como um escorrega, bancos e mesas. Numa visita às obras, em junho, técnicos do Inciti – Pesquisa e Inovação para as Cidades apontaram falhas na execução do projeto, como o material escolhido para a construção. As obras estão sendo tocadas pela construtora Kaena, em um contrato de R$ 2,3 milhões assinado em setembro do ano passado. A execução deveria ter acontecido em seis meses, mas a prefeitura informou que o prazo foi prorrogado e a entrega está prevista para novembro.</p>



<p>Não precisa nem chover para as ruas nas imediações do parque alagarem. “Basta a maré subir”, diz Maria Fátima Queiroz, 54 anos, conselheira distrital e integrante do grupo “Empoderadas do Ipsep”. Ela mora a pouco mais de dois quarteirões das obras. Nas enchentes de 2022, sua família ficou literalmente ilhada por dois dias num primeiro andar de uma vizinha. “A gente espera que o parque amenize os alagamentos, o problema é que não dizem se vão tirar mais casas ou quem vai limpar o lixo que o rio vai deixar depois que a água baixar.”</p>



<h3 class="wp-block-heading">Pastor fez denúncia ao BID, mas recebeu resposta em inglês</h3>



<p>Outro parque alagável está sendo construído às margens do Tejipió, no bairro do Barro, na zona oeste de Recife. Esse faz parte dos investimentos bilionários do ProMorar, mas não estão previstas desapropriações. O trecho beneficiado fica numa rua de casas grandes, muitas delas de militares, segundo moradores.</p>



<p>O parque foi batizado de Campo do Sena em homenagem a Emanuel Sena, um ex-secretário da Fazenda estadual e professor que morava na mesma rua. “Quem trouxe o ProMorar para cá foram ele e o vereador Chico Kiko”, contou Celso França, 59 anos, assessor do vereador, conhecido como Hulk do Barro. Chico Kiko, do PSB, mesmo partido do prefeito, é cabo eleitoral de João Campos na região.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-1.jpeg" alt="A imagem mostra uma cena urbana ao ar livre. Há uma rua que faz uma curva suave para a direita, com calçadas em ambos os lados. Do lado esquerdo da rua, há uma fileira de árvores altas com folhagem densa, proporcionando sombra sobre a calçada. Ao lado das árvores, há uma cerca alta de metal pintada com listras brancas e azuis, que parece cercar uma propriedade privada. Do lado direito da rua, há um longo muro de concreto sem janelas ou portas visíveis, sugerindo que pode ser a parede externa de outra propriedade privada. Ao longe, na curva da rua onde ela desaparece de vista, há duas pessoas: uma parece estar sentada em algo baixo, como um meio-fio ou um pequeno muro, enquanto realiza alguma atividade que não é clara à distância; a outra pessoa está em pé por perto. O céu acima está parcialmente nublado, mas principalmente claro, indicando luz de manhã ou fim de tarde. Há várias linhas de energia cruzando acima, conectadas a postes de utilidade que alinham um lado da rua." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Parque do Barro está em obras, mas PCR ainda não apresentou plano hidrológico
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ed Machado/Agência Pública</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A Construtora Master foi contratada por R$ 3,4 milhões para fazer o parque, mas o arquiteto, urbanista e educador social da ONG Fase André Araripe disse que o valor do investimento não é proporcional à estrutura. “Apenas o campo de futebol que já existia está sendo apenas rebaixado para absorver até 2,5 mil metros cúbicos”, explica. Segundo Araripe, até agora a prefeitura ainda não apresentou um plano hidrológico do rio, o que permitiria saber, por exemplo, se a vazão extrapola a capacidade de absorção do parque.</p>



<p>Jardim Uchôa, um distrito do bairro de Areias, que é vizinho ao Barro, também vai receber um parque alagável. Mas por lá a situação é bem mais crítica. Cerca de 3 mil pessoas moram nessa parte da cidade, em condições precárias. Todos contam histórias de perdas em alagamentos. As casas próximas ao leito do rio Tejipió não têm saneamento básico e a renda de grande parte dos moradores vem do Bolsa Família, da reciclagem ou da venda de animais, como porcos.</p>



<p>O Plano de Contingência de 2024 da prefeitura, para gestão de desastres, cita o Jardim Uchôa entre as comunidades com risco hidrológico alto ou muito alto. O bairro está dentro das intervenções do ProMorar, mas nenhuma obra começou.</p>



<p>Dois anos atrás, a Igreja Batista do Caçote, bairro vizinho, abrigou 121 pessoas de Jardim Uchôa que perderam tudo nas inundações. No inverno seguinte, a tragédia se repetiu, e 78 pessoas precisaram ser abrigadas. O pastor Geazi Pedro conta que, ainda em 2022, a prefeitura levou pessoas da comunidade ao centro do Recife para uma apresentação do ProMorar. Só que elas voltaram com mais dúvidas. “A princípio disseram que iam tirar 400 casas, depois falaram que estão tentando diminuir a quantidade. Ninguém sabe onde, quem vai sair ou como. A comunidade está nervosa e agitada.”</p>



<p>O que os moradores sabem até agora é que a área de desapropriações será de 114 mil metros quadrados, de acordo com o marco de reassentamento involuntário do ProMorar. A comunidade é uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis), ou seja, é uma área que deveria ser protegida pelo poder público, com garantia de acesso à moradia popular. Segundo o pastor Geazi, a prefeitura informou que as indenizações de casas desapropriadas consideram o tamanho do imóvel e o material utilizado. Só que a maioria das casas ali tem estrutura precária e os moradores não possuem documento de posse.</p>



<p>Atrás da igreja passa um canal, onde moram mais de 800 famílias. Os representantes do ProMorar teriam apontado este como o local do futuro parque alagável. É preciso atravessar uma ponte de estrutura frágil, por onde passam trilhos de trem, para acessar as 14 casas que ficam do outro lado, numa mata. Essa área também alaga com frequência, mas ficou de fora dos planos do ProMorar. A prefeitura disse que a obra do Campo do Sena vai ajudar a reduzir os alagamentos no trecho.</p>



<p>Gabriel Barros, de 64 anos, que trabalha com reciclagem, e Josinaldo dos Santos, 33, vendedor de coco, moram nessa área de mata. Eles já nem lembram quantas vezes perderam tudo em inundações. “Oxe, minha casa já cobriu toda”, disse seu Gabriel. </p>



<p>Em junho deste ano, o pastor Geazi decidiu enviar um ofício à prefeitura do Recife relatando a angústia das famílias e pedindo uma reunião com a coordenadora do ProMorar, Beatriz Carneiro. O documento é assinado pelo Instituto Transformar – entidade da igreja para ações sociais, pelo Fórum Popular do Rio Tejipió e pelo Centro de Estudos e Ação Social (Cendhec) e pede que sejam apresentadas “de forma transparente as ações previstas no programa”. A prefeitura nunca respondeu.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-3-Gabriel.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-3-Gabriel.jpeg" alt="A foto mostra uma cena ao ar livre com um homem negro, de cabelos grisalhos, em primeiro plano, vestindo uma camiseta verde com a frase “O QUE É OXE? OXE É OXE, OXE!” e “RECIFE PE BRASIL,” indicando uma referência cultural a Recife, Pernambuco, Brasil. O homem olha fixamente para a câmera com semblante sério. Ao fundo, há trilhos de trem que se estendem à distância, com vegetação dos dois lados. Mais ao longe, há duas pessoas sentadas e outra em pé, possivelmente conversando ou esperando. O ambiente sugere uma área rural ou semi-rural durante o dia." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Gabriel já perdeu tudo o que tinha por causa das enchentes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ed Machado/Agência Pública</span>
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                    </figure>

	


<p>Em agosto, ele escreveu um e-mail diretamente para o BID, onde diz: “esta comunidade tem sofrido anos após anos com enchentes. E o Promorar não tem nos respondido às indagações quanto: quando vai começar, quais as casas serão indenizadas entre outras. Como uma instituição tão importante financia este show de horror? Comunidade assustada e sem resposta! Este é um grito de socorro!”. A resposta do banco foi um link de uma página em inglês com documentos técnicos – alguns deles também em inglês. O pastor Geazi não fala inglês.</p>



<p>A igreja decidiu treinar lideranças da comunidade para que elas possam lutar por seus direitos no ProMorar. Mais de 20 pessoas já foram treinadas. “Queremos construir as soluções junto com a prefeitura. Se tem dinheiro para fazer esses parques, por que não usar uma parte para construir habitações dignas perto de onde as pessoas já vivem?”, questiona.</p>



<p>O urbanista André Araripe diz que a prefeitura não iniciou obras de nenhum conjunto habitacional novo na cidade, apesar da entrega de unidades habitacionais estarem previstas nas modalidades de compensação às desapropriações do ProMorar, que também cita compras assistidas e reassentamento por permuta. Uma nota técnica sobre despejos no Recife, feita pelo Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH) e o mandato do vereador Ivan Moraes (PSOL), afirma que existem “quase 100 mil famílias sem moradia digna na cidade” e que, apenas em 2023, 345 imóveis foram desapropriados pela URB, sendo que 35 deles receberam indenizações abaixo de R$ 10 mil.</p>



<p>“Muita gente aceita indenização, mesmo sendo baixa, porque a alternativa é entrar na fila do habitacional. Tem gente que está há 22 anos esperando auxílio moradia no Recife”, diz Araripe. Ele explica que o auxílio aluguel – outra modalidade compensatória prevista no ProMorar – é de R$ 300, “o que não aluga nem um barraco em uma favela da cidade”. “As pessoas se sentem coagidas, é um processo extremamente violento onde a prefeitura aborda uma pessoa – geralmente pobre, preta e periférica, que se vê ali diante de uma autoridade sem nenhum apoio.” Ele diz que a ONG Fase tem ajudado moradores das áreas afetadas pelas obras com assessoria jurídica gratuita, em ações de desapropriação.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Casas marcadas</h3>



<p>A comunidade do Bom Jesus se estabeleceu no bairro de Boa Viagem, zona sul – o metro quadrado mais caro do Recife. São casas com estrutura precária. Algumas delas foram marcadas recentemente por representantes do ProMorar com números e letras. A “selagem” é “uma das primeiras medidas para que se saiba quantos moradores residem em cada local”, respondeu a prefeitura à reportagem. Mas o poder público não explicou às pessoas de lá se esses imóveis serão desapropriados.</p>



<p>A casa de Luciene Medeiros, de 48 anos, funcionária do metrô, foi marcada. Ela está com medo de ser despejada e não ter para onde ir, porque isso já aconteceu com sua família, 12 anos atrás. “Chegaram aqui sem aviso, cinco horas da manhã, com o Batalhão de Choque tirando todos os barracos”, conta. Na época, a filha dela foi expulsa da casa com duas bebês de poucos meses. Ela nunca recebeu o habitacional prometido, segundo Luciene.</p>



<p>A pequena casa de alvenaria, nos limites de uma rua de tráfego intenso e de um viaduto, foi o principal investimento de Luciene nos últimos anos. Ela mora lá com as duas netas, hoje adolescentes, e o marido. Não quer deixar o imóvel. “O ProMorar fala que a gente tem que evoluir, mas vai diminuir a gente. Se derem indenização, vai ser baixa. Não daria pra comprar um imóvel por perto, que é onde trabalho, onde minhas netas estudam.”</p>



<p>Em outro ponto da cidade, a comunidade de Sapo Nu também está dentro dos planos de obras do ProMorar. Ela ocupa áreas alagadiças entre as margens do Tejipió e da BR-232, no bairro do Curado, fronteira entre Recife e Jaboatão dos Guararapes.</p>



<p>Há anos, as cerca de 5 mil pessoas que vivem ali sofrem ameaças de despejo da companhia energética Chesf, porque as casas ficam embaixo de linhas de transmissão. Agora, a pressão também vem pela prefeitura do Recife. Os moradores de Sapo Nu transitam entre esgotos a céu aberto e acúmulo de lixo. As casas são invadidas pelo rio quando a maré sobe.</p>



<p>Eduarda Patrícia da Silva, 31 anos, mora em uma pequena casa com duas filhas de 6 e 9 anos e o marido. Em um dos cômodos, ela organizou sua papelaria personalizada e, no imóvel ao lado, o esposo mantém um pequeno bar. “Minhas filhas estudam próximo. Acho que o certo seria eles oferecerem um habitacional perto”, diz.</p>



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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-4-Eduarda.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-4-Eduarda.jpeg" alt="A imagem mostra uma cena ao ar livre com uma pessoa em primeiro plano. Ela é uma mulher negra, jovem, com cabelos compridos pretos, usando uma camiseta preta com detalhes brancos e calça jeans. Atrás dessa pessoa, há um canal ou riacho com água esverdeada, possivelmente indicando poluição ou estagnação. De um lado do canal, há um caminho de terra que leva a um prédio em construção, com tijolos vermelhos expostos e estrutura incompleta. Do outro lado do canal, há uma vegetação densa, incluindo bananeiras com folhas grandes." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Eduarda mostra como rio corre próximo às casas
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                                    </figcaption>
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<p>Ângela Cristina, 29 anos, vizinha dela, mora na outra margem do rio com a família. A casa tem quase 2 metros de elevação em relação ao chão, o que não foi suficiente para impedir que fosse invadida pela água nas cheias de 2022. A filha de Ângela, Kawany, na época com apenas 5 meses, foi resgatada boiando dentro de uma bacia. “Foi horrível. Até hoje meu filho Kayo fica nervoso quando chove”, contou a mãe.</p>



<p>Apesar do grande risco de alagamentos nessa área, ninguém do ProMorar esteve na casa de Ângela, porque ela fica do outro lado do rio, na área que pertence a Jaboatão. A prefeitura de Jaboatão não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre obras previstas na região.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Deixados às margens</h3>



<p>Em abril de 2023, representantes do ProMorar fizeram um mapeamento da área da Vila Arraes, no bairro da Várzea, zona oeste da cidade. “Reformaram uma ponte que estava boa e nunca mais voltaram”, disse Joice Paixão, coordenadora da Associação do Gris Espaço Solidário, para crianças. Ela contabiliza 167 famílias morando na região.</p>



<p>Um dos pontos que mais alagam é o Beco do Óleo, chamado assim porque fica perto da companhia de ônibus CRT (Cidade do Recife Transporte). Quando chove, as pessoas dizem que desce um óleo preto e fedorento, misturado com a água, que vem da empresa. Fabiana Maria da Silva, 27 anos, mora nessa rua com o filho Caio, de oito meses. “A prefeitura veio aqui em casa, pegou dados, mas não iniciou nenhuma obra”, contou.</p>



<p>Daniela Moura, diarista de 37 anos, também recebeu a visita. Os técnicos trouxeram equipamentos topográficos e drones e colheram dados, mas não deram maiores explicações. Mãe solteira, ela vive na beira do rio Capibaribe com as duas filhas – Marina, de 15 anos, e Vitória, de 16, que nasceu com problemas neurológicos. Na casa delas, todos os móveis ficam suspensos, em cima de tábuas de madeira, para evitar danos quando a água sobe.</p>



<p>Nas enchentes de 2022, a água cobriu até as telhas da casa. Vitória se agarrou nas grades da janela para não ser arrastada. A mãe lembra que foi um custo tirá-la de lá porque a menina não entendia os seus comandos. “Não tenho documento de posse, se eles vierem tirar minha casa, quem garante que vou ter direito a alguma coisa?”, questiona.</p>



<p>A casa onde ela mora com as filhas foi construída pela sua família, na beira do Capibaribe. A vista é bonita, apesar da imensa quantidade de lixo acumulado nas margens do rio, que é um dos maiores símbolos do Recife. Quando pequena, Daniela mergulhava e comia os peixes dessas águas. Suas filhas já não tiveram o mesmo privilégio. “Hoje não tenho mais coragem porque tá muito sujo”, lamenta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Outro lado</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>De acordo com o MPPE, a primeira audiência de acompanhamento do ProMorar aconteceu no dia 23 de setembro, com participação de movimentos sociais. “Ficou acertado que o ProMorar vai mandar uma versão publicável de todas as reuniões com as comunidades”, disse a promotora Fernanda da Nóbrega, da Promotoria de Habitação e Urbanismo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A reportagem tentou entrevistar Beatriz Carneiro, coordenadora do ProMorar, mas foi informada de que a gestora estava “com uma série de compromissos”. A assessoria de imprensa respondeu às perguntas da reportagem por e-mail, mas não disse quais são as 40 comunidades afetadas ou quantos imóveis serão desapropriados por ações do ProMorar.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Por e-mail, a prefeitura do Recife informou que “ foram realizadas 55 oficinas com a participação de 4,5 mil moradores das áreas beneficiadas” e que “todas as etapas sempre contam com escuta popular dos moradores”. Nas comunidades de Jardim Uchôa, Sapo Nu e Bom Jesus, a prefeitura informou que “as propostas de intervenções e soluções serão debatidas com os moradores no momento adequado”.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A prefeitura disse ainda que “na necessidade de reassentamento, a equipe social do ProMorar fará as escutas necessárias para definir juntamente com as famílias a melhor solução para cada caso. Conforme o marco de reassentamento do programa, as soluções previstas são: unidade habitacional; compra assistida e reassentamento por permuta”. Leia a íntegra.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Depois da publicação da reportagem, o BID enviou nota informando que “a consulta pública é uma exigência para todos os projetos financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, de acordo com nossas políticas”. Embora os moradores das comunidades visitadas informem que não estão sendo adequadamente ouvidas pela prefeitura do Recife, a instituição afirma que “essa premissa vem sendo observada no Promorar, conforme acompanhamento realizado pelo Banco” e que “sessões de consulta pública, inclusive, já foram realizadas nas primeiras comunidades que receberão intervenções no programa. Ainda assim, ressaltando nosso compromisso com a transparência, reiteramos que nossos canais estão abertos para esclarecimentos adicionais e para eventuais melhorais em nossos processos: <a href="https://www.iadb.org/pt-br/quem-somos/transparencia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.iadb.org/pt-br/quem-somos/transparencia</a>”.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-7-projecao.jpeg" alt="A imagem mostra uma renderização arquitetônica de um espaço público. Há um caminho largo e pavimentado de cor clara que serpenteia pela área, cercado por vegetação exuberante e flores vibrantes em tons de rosa, roxo e branco. Várias pessoas estão espalhadas pela cena; algumas estão caminhando sozinhas, enquanto outras estão em pequenos grupos, parecendo estar conversando. O ambiente sugere um cenário ao ar livre sereno, projetado para passeios tranquilos e relaxamento. O céu não é visível na imagem, indicando que o foco está na interação entre as pessoas e o ambiente paisagístico." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Projeção do parque alagável do Ipsep
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Agência Pública</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/parques-alagaveis-para-crise-do-clima-ameacam-de-despejo-40-comunidades-do-recife/">Parques alagáveis para crise do clima ameaçam de despejo 40 comunidades do Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Mais um efeito da mudança climática: semiárido aumentou e governo prepara mudança dos mapas</title>
		<link>https://marcozero.org/semiarido-aumentou-mudanca-dos-mapas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jan 2024 20:23:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As equipes técnicas dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Ciência, Tecnologia e Inovação estão preparando dados, mapas e documentos para que as ministras Marina Silva (Rede) e Luciana Santos (PCdoB) anunciem oficialmente, ainda no mês de janeiro, que o mapa do semiárido vai mudar. A região onde chove menos de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>As equipes técnicas dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Ciência, Tecnologia e Inovação estão preparando dados, mapas e documentos para que as ministras Marina Silva (Rede) e Luciana Santos (PCdoB) anunciem oficialmente, ainda no mês de janeiro, que o mapa do semiárido vai mudar. A região onde chove menos de 800mm por ano e 60% a mais de risco de seca, aumentou sua área territorial dos atuais 569,4 mil Km<sup>2</sup> para 796 mil Km<sup>2</sup>, indicando um crescimento de 75 mil Km<sup>2</sup> a cada década, desde 1960. <br><br>O anúncio oficial ainda não tem data para acontecer, mas a página da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) intitulada &#8220;<a href="https://www.gov.br/sudene/pt-br/assuntos/projetos-e-iniciativas/delimitacao-do-semiarido" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Delimitação do Semiárido</a>&#8221; foi atualizada na manhã de quinta-feira, dia 11, e teve seu conteúdo substituído pela frase &#8220;conteúdo em atualização&#8221;.</p>



<p>As áreas classificadas como semiáridas se concentram na região Nordeste, com exceção do Maranhão, e norte de Minas Gerais.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: Gov.br</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em 1960, período em que os dados das bases climatológicas começaram a ser divulgadas, a área de semiaridez era de 569 mil km², ou seja, em 60 anos e de acordo com o os ciclos de análise da pesquisa que consideram os períodos de 1960-1990, 1970-2000, 1980-2010 e 1990-2020, houve um aumento de 227 mil km².</p>



<p>Devido à expansão do semiárido, a área subúmida seca apresentou uma redução, passando de 365 mil km², em 1960, para 329 mil km², em 2020. Fazem parte do mesmo conjunto de efeitos das mudanças climáticas, o surgimento de uma região árida no Brasil, com pouco mais de 5,7 mil Km<sup>2</sup> no norte da Bahia, e o crescimento do território susceptível à desertificação, que salta de 710 mil Km<sup>2</sup> para mais de 1,08 milhão de Km<sup>2</sup>.</p>



<p>Todos esses dados foram obtidos na pesquisa realizada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Esse estudo demonstrou que o déficit hídrico gerado pela insuficiência de chuvas em algumas regiões pode afetar severamente a produtividade dos solos e aumentar a incidência de queimadas, o que a longo prazo pode acarretar em uma maior incidência da desertificação.</p>



<p>O levantamento constatou ainda que há uma tendência de expansão da aridez em todo o país, com exceção apenas da região sul e do litoral dos estados de Rio de Janeiro e São Paulo. De acordo com os pesquisadores, as variações estão associadas ao aumento da temperatura que causa uma maior evapotranspiração atmosférica.</p>



<p>“O aumento da temperatura média global que vem ocorrendo, em virtude da intensificação do efeito estufa causada pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa, contribui para o aumento de áreas áridas em algumas regiões, como no semiárido nordestino. Ademais, quanto maior a aridez de um local ou região, menor é a disponibilidade de água. Outro fator que contribui para esse processo é relacionado às atividades de uso do solo, como desmatamento e queimadas que geram degradação do solo”, afirmou o coordenador-geral do INPE, Gilvan Sampaio.</p>



<p>O coordenador do centro de pesquisa que integra o MCTI alertou também para os riscos socioambientais causados pela incidência e expansão das áreas áridas: &#8220;os riscos estão associados a intensificação da mudança do clima, com uma região semiárida se tornando árida e isso está associado a mudanças no comportamento da atmosfera da região. Há o risco ambiental, associado à perda da biodiversidade e a disponibilidade de água, que fica cada vez menor. Há também o risco social e econômico, pois alguns cultivos agrícolas que hoje são possíveis nessa região não serão mais, em virtude da menor disponibilidade de água, e isso pode gerar, por exemplo, êxodo rural&#8221;. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden)</p>
	                
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">A ameaça da desertificação</h2>



<p>Para o Governo Federal, as áreas suscetíveis à desertificação são definidas a partir de três categorias: subúmida seca, semiárida e árida. A categorização é calculada a partir de uma equação que leva em consideração o volume das precipitações de chuvas e a demanda de evaporação da atmosfera. Com isso, a aridez de uma região é caracterizada através do índice de aridez do solo, se este índice for menor do que 1, a demanda atmosférica é maior do que a precipitação, o que ocorre com mais frequência em regiões e biomas de clima mais seco como a Caatinga.</p>



<p>A partir dessas condições, pesquisadores do INPE e do Cemaden utilizaram uma base de dados climatológicos para analisar a variação da precipitação e a evapotranspiração do território brasileiro, no período entre 1960 e 2020.</p>



<p>De acordo com Alexandre Pires, diretor de combate à desertificação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a pesquisa do INPE e Cemaden faz parte de uma série de ações do governo federal para mitigar o aumento da desertificação e suas consequências.</p>



<p>“A gente espera que esses dados nos ajudem na atualização do Plano Nacional de Combate à Desertificação e com isso nós esperamos traçar estratégias um pouco mais ousadas. Nosso objetivo é pensar em um plano para ser executado em 20 anos, e que dê resultados através do processo de monitoramento contínuo, definição de metasde curto, médio e longo prazo, com prazos específicos e com previsão orçamentária”, afirmou o diretor.</p>



<p>O anúncio dos novos dados sobre as áreas áridas no Brasil corrobora com a <a href="https://www.mdpi.com/2073-4433/14/11/1629" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa realizada pelo meteorologista e cientista fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Humberto Barbosa.</a> Divulgado em novembro de 2023, o estudo demonstrou que a incidência das áreas áridas severamente degradadas já são responsáveis por provocar a redução das chuvas causando assim um aumento de secas, principalmente na região Nordeste. </p>



<p>A pesquisa do Lapis utilizou dados do satélite Meteosat e foi desenvolvida com uma metodologia que permitiu a comparação entre a atividade da vegetação e da atmosfera. O estudo analisou a umidade do solo e a temperatura através da resposta da vegetação em períodos de seca, entre os anos de 2004 e 2022. Com isso, as análises levaram em consideração os índices de vegetação, precipitação, umidade do solo e temperatura.</p>
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		<title>Imagens de satélites indicam verão mais quente em 2024</title>
		<link>https://marcozero.org/imagens-de-satelites-indicam-verao-mais-quente-em-2024/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Nov 2023 22:48:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[socioambiental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A previsão da tendência climática para o início de 2024 nas regiões brasileiras, realizada pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), indicou que a expansão do El Ninõ pelo Pacífico Tropical deve causar um verão de altas temperaturas no Hemisfério Sul, chegando a atingir uma média de 4º C acima do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A previsão da tendência climática para o início de 2024 nas regiões brasileiras, realizada pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), indicou que a expansão do El Ninõ pelo Pacífico Tropical deve causar um verão de altas temperaturas no Hemisfério Sul, chegando a atingir uma média de 4º C acima do normal.</p>



<p>De acordo com a análise do meteorologista fundador do Lapis, Humberto Barbosa, o evento do El Niño é responsável por uma resposta atmosférica intensa em todo o mundo e os impactos mais fortes causados pelo fenômeno devem ocorrer durante o próximo verão.</p>



<p>As estimativas do multimodelo internacional European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), que é considerado um dos mais assertivos do mundo, mostram que o El Niño atingirá seu pico 2º C acima do normal, o que é considerado um evento forte. Com isso, a tendência da previsão climática para fevereiro de 2024 é de chuva abaixo da média em grande parte do Centro-Norte do Brasil e condições mais secas no Nordeste Setentrional. </p>



<p>“As tendências mostram um pico de temperatura do Oceano Pacífico principalmente no período de fevereiro a maio de 2024, que é o período da estação chuvosa no Semiárido. Com isso, certamente as condições climáticas de chuvas vão ser desfavoráveis para os agricultores e as altas temperaturas que têm sido observadas nos últimos anos vão aumentar ainda mais”, revelou o Humberto Barbosa.</p>



<p>O clima sazonal depende das condições de temperatura do Oceano Pacífico Equatorial e as anomalias oceânicas estão ligadas a partir dos ventos alísios globais. O El Niño forma ventos alísios fracos, o que influencia diretamente na circulação global, por isso as anomalias oceânicas são um indicador para entender o estado atual do sistema climático global. Porém, nenhuma previsão sazonal de longo prazo pode ser considerada totalmente confiável, uma vez que trata-se da apresentação de uma tendência e os padrões climáticos podem evoluir em grande escala durante um longo período.</p>



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	                                        <p class="m-0">A análise recente da superfície do oceano Pacífico tropical permite ver anomalias quentes do evento de El Niño, atingindo mais de 4 °C acima do normal. | Crédito: Lapis &#8211; Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>“Nós estamos esperando mais um mês para analisar as condições do Atlântico Sul, porque o Atlântico Sul poderia e pode minimizar um pouco esse impacto do El Niño na redução das chuvas, principalmente no semiárido brasileiro. Porém, normalmente quando você tem um pacífico muito quente o Atlântico Norte também tende a ficar mais quente, que é o que está acontecendo esse ano, e isso faz com que a zona de convergência, que é a principal sistema meteorológico que traz as chuvas para o semiárido nordestino de fevereiro a maio, fique mais afastado, por isso ainda pode chover, mas chover muito abaixo da média”, explicou Humberto Barbosa.</p>



<p>Ainda de acordo com Barbosa, os governos municipais, estaduais e federal precisam ter uma planejamento para fornecer assistência aos agricultores e antecipar as medidas de prevenção dos danos que podem ser causados pelos efeitos do El Niño: “em 2024 a seca deve ser mais difícil durante os primeiros seis meses do ano, por isso, o agricultor precisa estar preparado, para isso, ele pode tentar fazer uma estocagem e utilizar a palma forrageira, que durante a seca severa de 2012 a 2016 foi fundamental para a pecuária, e no período de chuva irregular ele pode criar uma pastagem e de certa forma armazenar essa pastagem, a palma forrageira e o capim”.</p>



<p>“Obviamente que a questão ainda vai depender também da distribuição de água e os carros pipa têm um papel importante. É importante que as prefeituras já possam estar antecipando a necessidade de abastecimento de água em função das condições de redução das chuvas e as altas temperaturas, os reservatórios realmente vão ter uma perda de água e isso precisa ser antecipado, principalmente para o agricultor, para que tenham cisternas com boa capacidade de armazenamento. A qualidade da água também deve ser observada pelas prefeituras, porque normalmente quando você tem essas altas temperaturas e a redução de chuva, a qualidade da água cai e isso também é um fator que pode trazer consequências à saúde do agricultor”, concluiu o meteorologista.</p>



<p>Segundo as previsões divulgadas recentemente pelo LAPIS, o El Niño deve começar a enfraquecer durante o inverno de 2024 no Hemisfério Sul, podendo terminar até o verão de 2025.</p>



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			</item>
		<item>
		<title>O que realmente pode acontecer no Recife por causa das mudanças climáticas</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-realmente-pode-acontecer-no-recife-por-causa-das-mudancas-climaticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Oct 2023 17:20:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[inundações]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O seminário Recife Cidade Parque, que teve sua primeira etapa na quarta-feira (25), apresentou um cenário climático bastante preocupante para a capital pernambucana. No rápido panorama feito por especialistas com o tema “O drama das mudanças climáticas e a urgência da reinvenção do Recife”, o que se percebeu é que há um longo caminho de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O seminário Recife Cidade Parque, que teve sua primeira etapa na quarta-feira (25), apresentou um cenário climático bastante preocupante para a capital pernambucana. No rápido panorama feito por especialistas com o tema “O drama das mudanças climáticas e a urgência da reinvenção do Recife”, o que se percebeu é que há um longo caminho de mudanças necessárias pela frente. E um tempo muito, muito exíguo.</p>



<p>O evento foi organizado pelo Recife Cidade Parque – Plano de Qualidade da Paisagem, projeto de pesquisa, fruto de convênio entre a Universidade Federal de Pernambuco &#8211; UFPE e a Prefeitura do Recife. O seminário também faz parte do RXN 2023 &#8211; Sociedade (Fórum Internacional Recife Exchange Netherlands) e do Circuito Urbano 2023, iniciativa da ONU-Habitat.</p>



<p>O seminário começou com uma palestra do vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araújo, coordenador da Rede Clima, trazendo informações do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) adaptadas ao Recife. E ele apresentou um cenário perigoso: com apenas 0,5 grau na elevação média da temperatura, o mar pode subir um metro. Com 1 grau mais quente, sobre 2,10. “Se o oceano subir três metros, o Bairro do Recife todo é inundado”, afirmou.</p>



<p>Geograficamente, o Recife é um grande delta e a posição da cidade no globo terrestre facilita as inundações: pelo girar da Terra, os ventos e as águas se acumulam mais para o lado de cá do que para a África. Há ainda a elevação média de apenas quatro metros, o que significa que há vários locais da cidade que se encontram abaixo do nível do mar.</p>



<p>O mais recente relatório do IPCC, não traz novos estudos, mas fez uma síntese do que já foi publicado, aumentando a segurança das informações. Informa, por exemplo, que aproximadamente metade da população mundial está altamente vulnerável às mudanças climáticas. E que entre 2010 e 2020, a mortalidade de pessoas por conta de eventos climáticos foi 15 vezes maior em áreas altamente vulneráveis do que nas regiões de baixa vulnerabilidade.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/sucesso-de-publico-parque-das-gracas-tem-menos-mangue-do-que-no-projeto-original/" class="titulo">Sucesso de público, Parque das Graças tem menos mangue do que no projeto original</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
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<p>“As tendências atuais mostradas pela síntese são incompatíveis com um planeta minimamente sustentável. Com mais de um século de queima de combustível fóssil, temos hoje um aumento do aquecimento médio de 1,1ºC, e o objetivo do Acordo de Paris é que a Terra não ultrapasse 1,5ºC (em relação à temperatura média do século 19), meta que não vamos conseguir alcançar. A temperatura dos oceanos aumentou quase 0,9m, o que é muito, já que todo clima do planeta é pilotado pelos oceanos”, disse o vice-reitor.</p>



<p>O Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas, em particular o Recife. “Tudo que havia sido previsto para os anos 2080, já estamos vendo agora, como os ciclones se formando no Atlântico Sul, algo antes inédito. Temos problemas de inundações e incêndios espalhados. Na Europa, 60 mil pessoas morreram de calor no verão passado. As perdas de espécies e a saúde humana estão comprometidas com essas mudanças do clima”, explicou.</p>



<p>Cada 0,01ºC que a temperatura global aumenta fica mais difícil a reversão dessa temperatura e a adaptação. “As emissões de CO2 precisam ser reduzidas à metade até 2030, o que é muito difícil, quase impossível”, afirmou. Moacyr também falou de uma pesquisa recém-lançada que indica que o derretimento das calotas da Antártida está ocorrendo de baixo para cima &#8211; o que pode aumentar ainda mais a previsão de elevação do oceano Atlântico.</p>



<p>E esses, claro, são apenas alguns dos fatores climáticos que deixam o Recife, uma cidade-estuário, ainda mais vulnerável às mudanças climáticas. A aguda desigualdade social, a grande população morando em condições precárias, empurra muita gente para áreas de risco. “As estratégias propostas são três: evacuar, adaptar e proteger. Nos próximos anos, o Recife provavelmente vai precisar usar as três”, afirmou.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Eventos extremos vão causar prejuízos</h2>



<p>Dos Países Baixos, a pesquisadora Mila Avellar Montezuma, representando o Instituto para Educação das Águas (Unesco/Governo Holandês), mostrou os casos das chamadas “cidades esponjas”, da China. São soluções urbanísticas tanto para aproveitar e armazenar as águas das chuvas quanto para escoá-las no momento certo.</p>



<p>Um exemplo apresentado foi a cidade de Zhengzhou, que implantou o conceito de “cidade esponja” a partir de 2016, com a criação de bairros onde há lagos para armazenamento da água, asfalto permeável, construção de canais de forma mais natural, sem concreto, entre outras ações, o que consumiu mais de US$ 8 bilhões. Ainda assim, ficou inundada com as tempestades de 2021, que ultrapassaram os 200mm por dia, em julho de 2021. “Mas os bairros mais preparados, os com mais espaços para armazenar a água, tiveram uma resposta melhor”, afirmou a pesquisadora.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/sem-acao-de-governos-mudanca-climatica-vai-provocar-novas-tragedias-no-grande-recife/" class="titulo">Sem ação de governos, mudança climática vai provocar novas tragédias no Grande Recife</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
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<p>O chileno Alfredo Pena-Veja, professor pesquisador em Socioecologia do IAP (Instituto de Antropologia Política – Centro Edgar Morin) falou sobre o papel da educação no enfrentamento da luta climática. Ele denunciou a hipocrisia dos políticos, que afirmam combater as mudanças climáticas ao mesmo tempo em que abrem novos poços de petróleo.</p>



<p>Ele também criticou a comunicação de projeções que apontam mudanças daqui a 50 ou 100 anos. “Elas não dizem nada. Vemos que as mudanças climáticas já estão impactando a vida das pessoas. Há hoje 800 milhões de crianças vulneráveis às mudanças do clima”, afirmou, acrescentando que é preciso incorporar a condição humana quando se fala no assunto. “É importante educar para as incertezas e complexidades. O modelo industrial não é mais viável. Temos que ter a coragem para mudar esse modelo”, disse.</p>



<p>No parte para falar das estratégias para adaptação da capital pernambucana às mudanças climáticas, Roberto Montezuma e Luiz Vieira, ambos do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, apresentaram a palestra “Recife Cidade Parque: um projeto de redenção urbana”. Apesar do projeto mostrar ações efetivas &#8211; como os parques das Graças e do Baobá &#8211; e conceituais &#8211; como o entendimento do Recife como uma cidade movida pelas águas &#8211; pareceu ainda muito pouco diante do enorme desafio que o Recife já enfrenta e que deve se intensificar nos próximos anos.</p>



<p>No próximo dia 9 de novembro, das 9h às 12h, no Compaz Escritor Ariano Suassuna, haverá um segundo encontro com o tema &#8220;O Recife e as mudanças climáticas&#8221;. Desta vez, o evento terá como público estudantes da rede municipal da capital pernambucana.</p>



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		<title>Chuvas de verão aumentam volume d&#8217;água das barragens que abastecem Região Metropolitana do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/chuvas-de-verao-aumentam-volume-dagua-das-barragens-que-abastecem-regiao-metropolitana-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Feb 2022 22:35:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Apac]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[compesa]]></category>
		<category><![CDATA[racionamento d&#039;água]]></category>
		<category><![CDATA[reservatórios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os relatórios de monitoramento da situação dos rios e reservatórios da Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac) abrigam uma boa notícia: ao contrário do que aconteceu há um ano, as barragens responsáveis pelo abastecimento d’água da Região Metropolitana do Recife devem ser o suficiente para que a região atravesse os próximos meses, até o [&#8230;]</p>
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<p>Os relatórios de monitoramento da situação dos rios e reservatórios da Agência Pernambucana de Águas e Climas (<a href="https://www.apac.pe.gov.br/boletinsh">Apac</a>) abrigam uma boa notícia: ao contrário do que aconteceu há um ano, as barragens responsáveis pelo abastecimento d’água da Região Metropolitana do Recife devem ser o suficiente para que a região atravesse os próximos meses, até o início do período das chuvas, a partir de março.</p>



<p>De acordo com a Apac, o último informe do <a href="https://www.apac.pe.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=790&amp;catid=24">Monitor de Secas</a> da Agência Nacional de Águas (ANA) indicava que apenas os municípios ao norte da Região Metropolitana, Igarassu, Itapissuma e Abreu e Lima estavam sob risco de “seca leve”, enquanto todo o restante do Grande Recife, assim como litoral sul e Zona da Mata sul estavam sob a classificação de “sem seca relativa”. O Monitor de Secas é o acompanhamento mensal da seca, realizado pelos estados sob a coordenação da ANA.</p>



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<p>Mesmo assim, o reservatório da barragem de Botafogo, que abastece Olinda, Paulista, Igarassu e Abreu e Lima, está com 27,7% de sua capacidade total. Parece pouco, mas em janeiro de 2021 esse percentual não chegava a 6%. Sem a realização oficial do carnaval, que sempre obriga a Compesa a montar esquemas especiais para o período, não serão necessários rodízios de racionamento mais rígidos além daqueles que já acontecem nesses municípios.</p>



<p>Apenas uma barragem está com menos água do que estava há um ano: Carpina conta com apenas 6,3% do sua capacidade (era quase 20% em 2021), que é de 270 milhões de metros cúbicos. Tapacurá está com um volume no mesmo nível de janeiro passado, em torno de 30%. Todas as demais barragens estão com nível d’água acima do que foi registrado há um ano. Duas delas, Bita e Sicupema, aliás, estão vertendo, ou seja, estão com volume de água acima do que suporta.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/barragens-da-regiao-metropolitana-do-recife-estao-a-beira-do-colapso/" class="titulo">Barragens da Região Metropolitana do Recife estão à beira do colapso</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/aguas/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Águas</a>
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		<title>Sem interesse nem apoio Federal, estados e entidades realizam Conferência Brasileira do Clima</title>
		<link>https://marcozero.org/sem-interesse-nem-apoio-federal-estados-e-entidades-realizam-conferencia-brasileira-do-clima/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Nov 2019 22:29:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[cop25]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[óleo no Nordeste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Conferência Brasileira da Mudança do Clima teve início no Recife, nesta quarta-feira (6), sem representantes do Governo Federal. Como governador do estado anfitrião, Paulo Câmara (PSB) convidou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para o evento, mas o titular da pasta não se deu sequer ao trabalho de responder. Salles, que mostrou desleixo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[A Conferência Brasileira da Mudança do Clima teve início no Recife, nesta quarta-feira (6), sem representantes do Governo Federal. Como governador do estado anfitrião, Paulo Câmara (PSB) convidou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para o evento, mas o titular da pasta não se deu sequer ao trabalho de responder.

Salles, que mostrou desleixo no tratamento da<a href="http://marcozero.org/salles-evita-debate-e-ministro-da-defesa-e-evasivo-sobre-oleo-nas-praias-do-ne/">&nbsp;tragédia ambiental do derramamento de petróleo no litoral nordestino </a>&#8211; questão que está indiretamente ligada à dependência energética de combustíveis fósseis -, mostra o mesmo descompromisso nas discussões sobre a emergência climática global e seus enfrentamentos. Foi o secretário do Meio Ambiente de Pernambuco, José Bertotti, quem contou que o ministro ignorou as 10 entidades correalizadoras da Conferência do Clima, quando elas procuraram a pasta do Meio Ambiente para discutir o evento. Pernambuco terminou acolhendo o debate.

“Desde que Bolsonaro assumiu não se tem uma continuidade política de enfrentamento às mudanças climáticas”, analisou o secretário Bertotti. Isso acontece mesmo sendo o Brasil o sexto maior emissor de gases do efeito estufa do mundo, como bem lembrou o coordenador geral do MapBiomas e do SEEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), Tasso Azevedo. No ano passado, inclusive, as emissões brasileiras tiveram aumento de 0,3% por causa do avanço do desmatamento na Amazônia.

Bertotti explicou que a Conferência do Clima é importante porque aponta soluções para o cumprimento do Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário. Funciona como uma preparação brasileira para a COP 25 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que acontecerá em Madri, na Espanha, no próximo mês. O Brasil, inclusive, deveria sediar a COP 25, mas presidente Jair Bolsonaro (PSL) declinou da candidatura.

“Primeiro não quis realizar a COP, até é direito do governo. Agora não participou dessa conferência, que é um balanço tradicional das ações de enfrentamento ao aquecimento global”, analisou o secretário estadual de Meio Ambiente.

A negativa do Governo Federal de sediar a COP 25 terminou unindo entidades defensoras do meio ambiente, governos estaduais e prefeituras para a realização Conferência do Clima. Esses atores produziram juntos um documento com compromissos para a descarbonização da economia, chamado de Declaração do Recife. Essa espécie de carta conjunta foi lida e assinada na abertura da Conferência do Clima, nesta quarta (6).

A Declaração do Recife estabelece 17 compromissos direcionados às empresas, aos governos, à academia e à sociedade civil organizada. Todos os 26 estados mais o Distrito Federal se comprometeram a adotar essas medidas. Carlos Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos, uma das correalizadoras da Conferência do Clima, destacou que o documento reconhece o combate à pobreza e a desigualdade como os principais desafios para o enfrentamento à crise climática no Brasil. “Os 300 dias do governo Bolsonaro, completados ontem (5), na minha visão são 300 dias de um desgoverno incapaz de reconhecer seus enormes erros. Estamos vendo o desmantelamento de políticas sociais, ambientais e fundiárias que construímos há anos”, considerou.

Independente da posição do ministro Ricardo Salles ou do presidente Jair Bolsonaro, os compromissos da Declaração do Recife serão levados à COP 25, ainda que não como propostas oficiais do Estado brasileiro. “Existem compromissos que a sociedade brasileira assumiu de redução de emissões de carbono, com as NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) e enfrentamento das mudanças climáticas”, considerou.

Na mesma linha, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) ratificou que os “estados e os municípios não vão deixar de discutir essas questões, que são muito importantes”, mesmo que o Governo Federal não se envolva com as temáticas. Câmara participou da última Conferência do Clima em Nova Iorque, este ano, representando o Consórcio Nordeste, que reúne os governadores dos estados nordestinos em oposição ao governo Bolsonaro. Ele fez questão de destacar a presença dos governos nordestinos na abertura da Conferência do Clima,&nbsp; como uma demonstração de união da região e também um ato político. Os governadores, inclusive, exibiram uma faixa com a frase &#8220;governadores pelo clima&#8221;, ao término do evento.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), um dos gestores nordestinos presentes, lamentou a ausência do Governo Federal nos debates ambientais e climáticos, que se mostram urgentes diante dos impactos que o aquecimento global produzem nas cidades e no campo. Ele lembrou que o “Brasil precisa se preparar para a cobrança dos compromissos assumidos no Acordo de Paris”.
<h2><b>Declaração do Recife</b></h2>
Durante a abertura da Conferência do Clima, que segue até o próximo dia 8, o Recife se tornou a primeira cidade brasileira a reconhecer emergência climática global. O decreto foi assinado pelo prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), que assumiu o compromisso de zerar emissões de carbono até 2050.

“Recife é a 16º cidade mais vulnerável à mudanças climáticas”, destacou o gestor, explicando que isso se deve à geografia da cidade, que tem áreas abaixo do nível do mar e muitos morros. O prefeito disse que a prefeitura&nbsp; já está tomando medidas para a redução de carbono e que as emissões estagnaram. O governador Paulo Câmara falou de investimentos de Pernambuco em energias renováveis, como a eólica e a solar.

Além do que os governos podem fazer para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a importância da vigilância da sociedade civil organizada e da preparação de jovens e profissionais por parte da academia são destacadas na Declaração do Recife, que pode ser consultado <a href="https://43b6a40f-66e3-4258-aa99-f9f1f61a41cc.filesusr.com/ugd/54e532_ce84ae3a0aac478aa2f3d7bedfbbb141.pdf">neste link</a>. Entidades e empresas que queiram se comprometer com as medidas podem assinar o documento, direcionado à sociedade como um todo e que também serve de inspiração para mudanças de hábitos de cidadãos comuns.<p>O post <a href="https://marcozero.org/sem-interesse-nem-apoio-federal-estados-e-entidades-realizam-conferencia-brasileira-do-clima/">Sem interesse nem apoio Federal, estados e entidades realizam Conferência Brasileira do Clima</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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