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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Buzinas, moedas no chão, xingamentos, lentidão, insegurança: a rotina do motorista sem o cobrador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Dec 2019 11:48:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Nattasha Pollyane Como é a rotina de um motorista de ônibus que passou a acumular as funções de cobrador? Para responder a essa pergunta e tentar entender as razões dos protestos dos motoristas nesta quinta-feira (05) que, contra as empresas de ônibus, pararam os veículos no centro do Recife e outros pontos importantes da [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Nattasha Pollyane</strong></p>



<p>Como é a rotina de um motorista de ônibus que passou a acumular as 
funções de cobrador? Para responder a essa pergunta e tentar entender as
 razões dos protestos dos motoristas nesta quinta-feira (05) que, contra
 as empresas de ônibus, pararam os veículos no centro do Recife e outros
 pontos importantes da Região Metropolitana, a Marco Zero embarcou em 
alguns ônibus de linhas onde a tradicional dupla motorista-cobrador foi 
desfeita.</p>



<p>Para começar, fomos aos terminais de Joana Bezerra e de Xambá, em 
Olinda, para conversar com motoristas e entender um pouco os critérios 
do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco 
(Urbana-PE).</p>



<p>No terminal Joana Bezerra, ficamos sabendo que, dali, no horário de 
pico, após às 16h, só partem veículos com a equipe completa, pois os 
trajetos são extensos e percorridos em avenidas com trânsito intenso, a 
exemplo da avenida Agamenon Magalhães.</p>



<p>A segunda tentativa no Terminal Integrado Xambá, na avenida 
Presidente Kennedy, foi bem sucedida. Lá, no final de tarde da 
terça-feira, 3 de dezembro, foi possível encontrar 11 entre 18 linhas 
que realizam as viagens sem o cobrador fazendo a integração para 
diferentes bairros de Olinda e alguns do Recife.</p>



<p>Os minutos de indecisão para escolher um ônibus 
foram preenchidos pelo desabafo de um motorista da empresa Caxangá, cujo
 nome será preservado para evitar retaliações: “Os empresários querem 
lucrar muito em cima do nosso trabalho. É mais econômico para eles pagar
 R$ 135 a mais a um motorista do que pagar R$ 1076 ao cobrador. O 
problema é que esse a mais para o motorista é ter que: abrir porta, 
fechar porta, tirar cadeirante, passar troco, sem contar risco de ser 
assaltado e escutar xingamento porque leva tempo para fazer tudo isso. O
 motorista precisa focar no que está fazendo”.</p>



<p>Depois desse relato, embarcamos num ônibus da linha TI Xambá/ Caixa 
D’água,&nbsp;com saída do terminal&nbsp;às 16h40 min. Completamente lotado, sem 
fiscais para impedir os fura-fila e com o amontoado de passageiros que 
se aglomeram para entrar nos veículos seguimos viagem. A via de saída do
 TI é a Avenida Beberibe, e logo foi possível perceber o quanto o 
motorista precisa tomar cuidado no trânsito, com pedestres e vendedores 
ambulantes que cruzam as ruas sem respeitar ônibus, carros de passeio ou
 qualquer regra de trânsito.</p>



<p>De Xambá ao miniterminal de Passarinho, em Caixa D’água, na periferia  de Olinda, são 25 paradas, a maior parte delas na Estrada D’água. São  25 vezes em que o motorista precisa passar troco acompanhado de um  buzinaço quase permanente, pois é difícil para carros fazerem a  ultrapassagem numa via de asfalto sem conservação e mal sinalizada. Ao  todo, são 35 minutos de barulho e irritação.</p>



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	                                        <p class="m-0">Motoristas protestaram parando ônibus em vários pontos da Região Metropolitana</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>De volta ao terminal Xambá, ao cair da tarde, embarcamos numa segunda
 linha, desta vez com destino ao bairro da Encruzilhada. Com uma 
caixinha de som sintonizada em uma emissora qualquer, a viagem começou 
mais tranquila.</p>



<p>Dessa vez&nbsp;o percurso seria praticamente o dobro do anterior, 47 
paradas. Tempo suficiente para testemunhar a vida do motorista se tornar
 um verdadeiro caos.</p>



<p>Ao longo da avenida Beberibe, a medida que o ônibus se aproximava da 
Encruzilhada, mais passageiros subiam. O veículo não chegou a lotar, mas
 a parte da frente, entre a porta dianteira e a cadeira vazia do 
cobrador, essa sim, ficou abarrotada.</p>



<p>O motorista levava de 30 a 40 segundos para passar cada troco. De vez
 em quando, uma moedinha caía. Sem ter como olhar quem passava pela 
catraca, muito menos o retrovisor, ele improvisava para fazer a 
liberação dos passageiros, “cantando” em voz alta: “primeira pessoa, 
segunda pessoa…”</p>



<p>Outro momento que requer a atenção extra do motorista é quando os 
passageiros pedem parada. Em linhas normais, com a presença do cobrador,
 a dupla combina entre si um sinal para avisar quando alguém está para 
descer (o mais comum é um toque de moeda numa das barras de alumínio). O
 coletivo só volta a circular após o cobrador sinalizar.&nbsp;Sem cobrador 
isso não é possível e&nbsp;o nível de segurança diminui.</p>



<p>O motorista que acompanhamos foi gentil ao pedir para as pessoas se 
afastarem do retrovisor, mas quase nunca há espaço para que os 
passageiros se desloquem. Apesar da gentileza, o profissional não deixou
 de escutar xingamentos vindos da parte de trás do veículo: 
passageiros&nbsp;cansados da lentidão.</p>



<p>O trajeto entre Encruzilhada e Xambá dura cerca de 45 minutos com 
equipe de motorista e cobrador, de acordo com uma passageira que o faz 
diariamente. Nessa terça-feira, sem cobrador, demorou uma hora e meia. 
Àquela altura, já não se escutava a música da caixa de som, só buzinas e
 reclamações.</p>



<p>Apesar dos ônibus sem cobrador serem cada vez mais numerosos, não é 
toda linha nem em quaisquer horários que o motorista acumula as funções.
 Os critérios usados pelas empresas são de veículos que fazem maior 
parte do trajeto em vias retas, e linhas com menor demanda.</p>
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