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	<title>Arquivos comunistas - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 08 Jul 2024 22:16:59 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos comunistas - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Aos 83 anos, gêmeas Teresa e Teresinha não abrem mão de sonhar com justiça social e democracia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jul 2024 21:44:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunistas]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 1964]]></category>
		<category><![CDATA[militância]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 4 de julho de 1941, em São Lourenço da Mata, cidade da Região Metropolitana do Recife, nasciam em uma família engajada nas lutas sociais, Teresa e Teresinha Braga de Moraes. Gêmeas idênticas que, desde sempre, tiveram a vida marcada pela militância de base, em defesa dos direitos humanos, liberdade do povo e educação. Servidoras [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 4 de julho de 1941, em São Lourenço da Mata, cidade da Região Metropolitana do Recife, nasciam em uma família engajada nas lutas sociais, Teresa e Teresinha Braga de Moraes. Gêmeas idênticas que, desde sempre, tiveram a vida marcada pela militância de base, em defesa dos direitos humanos, liberdade do povo e educação. Servidoras públicas aposentadas trilharam caminhos diferentes, mas que se unem quando o assunto é atuação política.</p>



<p>Parecidas na aparência, no jeito e no modo de falar, elas sempre marcam presença nas manifestações, protestos, conferências e debates. Por isso, são figuras conhecidas entre os militantes de várias gerações dos partidos e movimentos sociais. Além da atuação presencial, acompanharam as mudanças tecnológicas e também participam ativamente das discussões nas redes sociais.</p>



<p>Há quem ache que Teresa, conhecida na família como Tequinha, seja mais falante, no entanto, ao conversar com as duas juntas é fácil identificar que, também nisso, elas não são muito diferentes. As falas se atravessam e a conversa se torna ainda mais interessante. Os pontos em comum, além do gosto por contar histórias e os nomes parecidos, são vários: Teresa tem uma filha, mas nenhuma das duas se casou. </p>



<p>O calor pela luta política ao lado dos mais pobres e vulneráveis sempre esteve presente na vida das irmãs. Ainda crianças, elas acompanharam a prisão do tio Jeferson Barbosa Teixeira, filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCB) e vice-prefeito de Jaboatão dos Guararapes na década de 1940, quando a cidade era chamada de &#8220;Moscouzinho&#8221;. Escondidas em casa, escutavam as rádios soviéticas em ondas curtas junto com o avô João Carlos. Segundo elas, desse jeito elas foram &#8220;percebendo as injustiças do mundo&#8221;. </p>



<p>&#8220;No corredor da nossa casa em São Lourenço da Mata, tinha um retrato de Stalin e o retrato de Charles de Gaulle. E vovô colocava a gente pra cantar junto com ele o hino da União Soviética, a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=YLi5A7BiBVk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Marselhesa</a> e a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=DGIb--joV_w" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Internacional Socialista</a>&#8220;, relembra Teresinha, que foi a primeira a nascer, oito minutos antes da irmã. Já Teresa recorda de uma inquietação social: &#8220;eu me lembro vindo de ônibus de São Lourenço para o Recife e vi uma pessoa quase morrendo, aí eu perguntei e a mulher ao lado respondeu que foi &#8216;de fome&#8217;. Quer dizer, aquilo tudo mexia muito&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Lembranças de março de 1964</h2>



<p>No 83º aniversário, elas relembram as diversas histórias compartilhadas com nomes como Paulo Freire e Dom Helder Câmara, referências sobre direitos civis. Mas são os causos na época do golpe militar de 64 que merecem maior atenção e capricho nos relatos.</p>



<p>Nesta época, Teresinha havia ingressado há poucos anos na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) como servidora concursada e era estudante da terceira turma de Direito, da Universidade Católica de Pernambuco. O 1º de abril daquele ano foi marcado pela inquietação que a estimulava, o que fez ela seguir para a porta da Sudene para acompanhar a movimentação.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Em 1964, quando o Brasil tinha o trabalhista João Goulart como presidente, o país sofreu um golpe militar realizado por grupos conservadores de civis e militares. Daquela data até 1985, o país esteve sob a ditadura dos generais.</p>
        </div>
    </div>



<p>“Eu fui para a frente da antiga sede da Sudene e quando eu vi, atiraram em um rapaz e ele morreu. Eu saí correndo pela rua do Príncipe, aí a polícia vinha e eu entrei numa casa que tinha uma imagem Sagrado Coração de Jesus ‘desse tamanho’ [nessa altura da conversa, ela abriu os braços para ressaltar que se tratava de algo grande]”, lembra Teresinha. A dona da casa não gostou da sua presença ali, mas deixou que ela ficasse até a polícia ir embora.</p>



<p>Para Tereza, que na mesma época era estudante de Ciências Sociais na mesma universidade e auxiliar de pesquisa no Movimento Cultura Popular (MCP), os acontecimentos do 1º de abril também a surpreenderam porque os integrantes do MCP não imaginavam o que estava acontecendo. Ela só descobriu no momento que iria iniciar uma aula na antiga Saner, uma autarquia de saneamento do Recife.</p>



<p>“Quando eu cheguei lá disseram: prenderam Miguel Arraes, ele levou um golpe. E tão dizendo que o MCP, no Sítio da Trindade, está fazendo resistência. Ainda criaram uma<em> fake</em>, né?”, recorda Teresa. Depois disso, ela foi até a sede do movimento e avisou aos colegas, que então saíram da sede e foram se esconder.</p>



<p>Como as duas estudavam em Recife, moravam com a avó na estrada de Belém, nos arredores do bairro de Campo Grande, foram para casa enfrentar a tristeza de enterrar os livros de suas coleções para que os militares não encontrassem nada. Depois, a casa virou um restaurante. As memórias e os livros ficaram pra trás.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Vida dupla e militância internacional</h2>



<p>Pouco depois, um professor de Teresinha foi convidado a coordenar a comissão de atividades subversivas universitárias &#8211; uma espécie de central interna de espionagem &#8211; e, como sabia de seu bom desempenho acadêmico, a convidou para ser sua secretária. Com medo, ela hesitou e só aceitou o convite depois de pedir conselho a Dom Helder Camara, que tinha acabado de assumir a arquidiocese de Olinda e Recife. Por sugestão do arcebispo, ali começou uma vida dupla.</p>



<p>Com a relação dos nomes dos estudantes que estavam sendo vigiados, sob orientação do religioso ela procurava suas famílias e para avisá-los e evitar que fossem às reuniões onde havia espiões. “Com isso, acho que mais de 100 estudantes deixaram de ir às reuniões. Quando os militares chegavam lá, estava vazio”, relembra Terezinha. Anos depois, sua atuação foi descoberta, mas ela escapou de ser punida. </p>



<p>Em 1971, Teresa foi a única pernambucana a ganhar uma bolsa de estudos para estudar sobre o projeto de educação na América Latina, por nove meses, em Louvain, na Bélgica. No entanto, o governo brasileiro encerrou o programa de intercâmbio com a instituição francesas, mas, ao mesmo tempo, surgiu a oportunidade dela estudar na <a href="https://www.hartford.edu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Universidade de Hartford</a>, em Connecticut. Com isso, ela se juntou a uma amiga para acompanhar os diversos movimentos pacifistas e antirracistas que aconteciam em Nova York, a aproximadamente 65 quilômetros da universidade.</p>



<p>Nos Estados Unidos, Tequinha provavelmente estava sendo monitorada, logo depois que voltou ao Brasil, em junho de 1972, policiais à paisana em uma perua Veraneio tentaram sequestrá-la no centro do Recife. Na mesma época, as gêmeas foram convocadas para dar explicações no escritório do Serviço Nacional de Informações, conhecido pela famigerada sigla SNI.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>“Eu fico pensando como é que eu tive coragem, eu fui pra esse movimento em defesa de Angela Davis, contra a guerra do Vietnã, o paz e amor. E a gente fazia isso tudo sem dinheiro, pois eles pagavam apenas a alimentação e a hospedagem na universidade”, lembra. Pela falta de dinheiro, elas faziam bate-volta entre uma cidade e outra para conseguir acompanhar os protestos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Militância que inspira</strong></h3>



<p>As gêmeas sabem que são fonte de inspiração para quem luta por justiça social, principalmente, para ex-militantes que perderam o gás com o passar do tempo. Hoje, as duas são filiadas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e se tornaram referência de perseverança, militância e capacidade de sonhar. Em 2019,  por exemplo, as gêmeas participaram das vigílias organizadas pelo frade franciscano Aloísio Fragoso pela liberdade de Lula, na época preso em Curitiba.  </p>



<p>Também estão ligadas à ala progressista da Igreja Católica. &#8220;No Cursilho [movimento de evangelização], a gente faz parte da Hora Mariana, ficamos responsáveis pelas quartas-feiras. Teresa faz o salmo e eu faço o comentário do evangelho. Eu aproveito tudo que posso, para mostrar nos versículos o que é que o reino de Deus traz. Então, quando eu faço os evangelhos, pego ali em uma entrelinha e mando uma reflexão, sabe?&#8221;, afirma Teresinha. </p>



<p>Também na Igreja Católica, sua irmã Teresa, a Tequinha, faz parte da equipe que atua na Casa do Pão, no bairro de Santo Antônio, cuja a intenção é &#8220;realizar um trabalho de conscientização social e cidadã dessa população em situação de rua, através de roda de conversa, abordando temas escolhidos por eles e elas&#8221;. Eles acolhem pelo menos 25 pessoas e realizam leituras de mundo a partir da vivência de cada participante.</p>



<p>&#8220;E foi por meu esforço junto com outros militantes do Cursilho, inclusive, Teresinha, no início, que conseguimos que o MEB viesse para atuar junto à Casa do Pão, instituição de apoio e assistência ao povo em situação de rua (moradores ou não), criada como legado do <a href="https://cen2020.arquidioceseolindarecife.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">XVIII Congresso Eucarístico Nacional</a>, realizado no Recife&#8221;, completa Teresinha.</p>



<p>Para Teresa, as esquerdas precisam aumentar a atuação de base: &#8220;as soluções para essa crise global estão nas comunidades&#8221;. </p>
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		<title>A greve esquecida que marcou a luta operária em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Nov 2018 11:01:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[1958]]></category>
		<category><![CDATA[comunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Helena Dias “Essa foi quarenta e nove dias de greve, quarenta e nove dias de “guerra”. Porque aquilo não é greve, aquilo não é greve! Aquilo é “guerra”. &#8211; Seu Abdias, ex-motorista da Fábrica da Macaxeira Uma guerra, sim, seu Abdias. O conflito de classes que, entre levantes dos trabalhadores e a opressão patronal, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Helena Dias</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Essa foi quarenta e nove dias de greve, quarenta e nove dias de “guerra”. Porque aquilo não é greve, aquilo não é greve! Aquilo é “guerra”. </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; </span><b>Seu Abdias, ex-motorista da Fábrica da Macaxeira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma guerra, sim, seu Abdias. O conflito de classes que, entre levantes dos trabalhadores e a opressão patronal, fez surgir no Recife a &nbsp;Greve dos Têxteis de 1958, marcando a história do movimento operário no país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há &nbsp;60 anos, fora do eixo industrial do Brasil, concentrado nas regiões Sul e Sudeste, industriais que agiam como coronéis travaram uma disputa jurídica contra os trabalhadores que resultou em 49 dias de paralisação, violência e resistência. Enquanto os operários reivindicavam a campanha salarial daquele ano, os empresários tentavam burlar a decisão de 25% de aumento no salário, estabelecida pelo Tribunal Regional do Trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A greve dos 49 dias foi deflagrada em 20 de janeiro de 1958, após o não cumprimento da decisão do tribunal e se estendeu durante todo trâmite jurídico, acabando em 9 de março do mesmo ano. Inicialmente, a proposta dos trabalhadores era de 50% de aumento salarial, mas o TRT acatou apenas a metade deste percentual. Mesmo assim, os patrões descumpriram a decisão, gerando a revolta da categoria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aproximadamente sete mil operários paralisaram completamente as atividades em oito fábricas têxteis do estado: Fábrica da Macaxeira, Fábrica da Várzea, Fábrica Amalita, Fábrica Bezerra de Mello, Fábrica de Camaragibe, Fábrica Yolanda, Fábrica Tacaruna e Têxtifício Santa Maria. A imprensa percebeu a amplitude da mobilização e fez cobertura diária.</span></p>
<p><div id="attachment_11771" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/DSC08411.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11771" class="wp-image-11771 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/DSC08411-300x225.jpg" alt="DSC08411" width="300" height="225"></a><p id="caption-attachment-11771" class="wp-caption-text">Foto: Jornal Folha do Povo (1958)</p></div></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O clima de violência instalou-se logo na primeira semana. A categoria se viu dividida entre aqueles que aderiram à greve e aqueles conhecidos como “furões”. A Polícia Militar se posicionou de forma a beneficiar as indústrias que tentavam desmobilizar a paralisação. Faziam a segurança do transporte dos “cabelouros”, ou seja, trabalhadores desempregados trazidos em sua maioria de Goiana e Paulista para furar os piquetes e manter a produção de tecidos. Capangas atuavam armados na repressão, houve trocas de tiros e espancamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a segunda semana até o fim da paralisação, os trabalhadores não receberam salários. Na dissertação </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fábrica de tecidos da Macaxeira e a vila dos operários: a luta de classes em torno do trabalho e da casa em uma fábrica urbana com vila operária</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Emanuel Moraes, mestre em História pela UFPE, há relatos sobre operários que caíam de fome durante as assembleias. O sindicato puxou uma campanha de solidariedade para angariar alimentos e dinheiro que foi recebeu adesão de setores do Governo do Estado, de deputados estaduais e de alguns vereadores da Câmara do Recife, além de organizações sindicais de outras categorias profissionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência só amenizou após atuação do governo estadual, que tinha, à época, Cordeiro de Farias como governador. Daí começaram as tentativas frustradas de conciliação jurídica, quando até o Ministério do Trabalho chegou a enviar um emissário oficial, Crockatt de Sá, &nbsp;para mediar o diálogo. Uma semana antes do fim da greve, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou o dissídio coletivo estipulando 18% de aumento no salário dos operários.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Insatisfeitos com a decisão e temerosos pela retaliação e repressão pós-greve, já anunciada pelo sindicato patronal, na última semana de paralisação os trabalhadores se rebelaram e a violência voltou de forma intensa. Grevistas e “cabelouros” entraram em conflito direto. As fábricas não precisaram pagar os 25% de aumento e os trabalhadores brigavam entre si por causa dos seus direitos sucateados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a professora do Departamento de História da UFPE, Maria do Socorro Abreu e Lima, “vale ressaltar que a repressão às greves era forte e as fábricas eram dispersas e, muitas vezes, pequenas. Outro fator a ser considerado era que o Recife concentrava uma parcela grande de desempregados e subempregados, o que contribuía para o enfraquecimento dessa forma de luta dado o medo do desemprego”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após este marco, o movimento operário sofreu grande desmobilização. Assim como na greve anterior, em 1952, cada vez menos operários eram sindicalizados. Só nos anos 60, quando João Goulart tornou-se presidente da República e Miguel Arraes assumiu o governo do estado de Pernambuco, o apoio de ambos governos fortaleceu o movimento sindical como um todo.</span></p>
<p><div id="attachment_11785" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/greve58macaxeira.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11785" class="size-large wp-image-11785" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/greve58macaxeira-1024x576.jpg" alt="Abdias Silva e Francisco Lima trabalhavam na fábrica da Macaxeira e ainda moram no bairro que nasceu da vila operária" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-11785" class="wp-caption-text">Abdias Silva e Francisco Lima trabalhavam na fábrica da Macaxeira e ainda moram no bairro que nasceu da vila operária</p></div></p>
<p><b>Política</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À época da Greve de 58, o governador Cordeiro de Farias teve uma atuação dúbia que, ora amenizava a disputa entre trabalhadores e patrões, ora inflamava os ânimos. Por causa de um locaute (paralisação promovida pelos donos das empresas) acontecido em 1957, após aprovação do código tributário, Cordeiro de Farias se indispôs com a classe patronal e, por isso, já vinha em conflito com os industriais.</span></p>
<p><div id="attachment_11775" style="width: 235px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/Wilson-de-Barros-Leal-O-Tear-1951.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11775" class="wp-image-11775 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/Wilson-de-Barros-Leal-O-Tear-1951-225x300.jpg" alt="Wilson de Barros Leal, O Tear, 1951" width="225" height="300"></a><p id="caption-attachment-11775" class="wp-caption-text">Foto: Jornal O Tear (1951)</p></div></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliado do governador e vereador do Recife pelo PTB, Wilson de Barros Leal (foto), era o presidente do Sindicato dos Têxteis e representou a categoria nas negociações trabalhistas.</span></p>
<p><b>Os antecedentes<br />
</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda segundo a professora Maria do Socorro Abreu e Lima, “é provável que esta greve (Greve dos 400 mil, deflagrada em São Paulo, em outubro de 1957) tenha influenciado na decisão dos têxteis de Recife”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Sindicato dos Trabalhadores Têxteis do Recife(fundado em 1930) começou a construir suas mobilizações a partir de 1945, com o fim do Estado Novo instaurado por Getúlio Vargas. No mesmo período, o Partido Comunista (PCB) unia forças à organização sindical. Os operários chegaram a encerrar expedientes de trabalho, em 26 de novembro do mesmo ano, para ir ao comício de Luiz Carlos Prestes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, desta ligação com o PCB, surgiu a primeira greve em 1947. Em solidariedade ao delegado sindical da fábrica, que sofreu represália por cobrar salários atrasados, a categoria cruzou os braços por três dias. A paralisação culminou em uma intervenção do Ministério do Trabalho que durou até 1950 por meio de duas juntas governativas, a segunda encabeçada por Wilson de Barros Leal. Wilson foi eleito presidente do sindicato mesmo ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi uma aparente virada na posição do vereador que, de interventor ministerial, se tornou presidente eleito da organização. Naquele período assumiu posturas mais populistas, já que sua base eleitoral eram os trabalhadores. &nbsp; </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1952, houve outra paralisação que reivindicava 50% de aumento no salário, mas só obteve 30%. Os tecelões estavam sujeitos à manutenção da cláusula da assiduidade integral e não obtiveram retorno algum da justiça trabalhista sobre o programa de 29 reivindicações que compunha a campanha salarial. De acordo com a cláusula de assiduidade, o pagamento dos trabalhadores seria proporcional à frequência dos mesmos durante a semana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wilson saiu da presidência do sindicato elegendo seu sucessor Pedro Paiva, antigo secretário da Diretoria do Sindicato e empregado da Fábrica Tacaruna. Voltou ao sindicato em 1957, como oposição a Pedro, e encampou a greve no ano seguinte.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>Minha história, sua história</strong></p>
<p><strong>A autora da reportagem conviveu durante toda a infância e a adolescência com um dos operários que participaram ativamente a greve de 1958 na fábrica da Macaxeira. José Dias dos Santos era seu avô. </strong></p>
<p><div id="attachment_11781" style="width: 160px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/WhatsApp-Image-2018-11-06-at-14.58.48.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11781" class="wp-image-11781 size-thumbnail" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/WhatsApp-Image-2018-11-06-at-14.58.48-150x150.jpeg" alt="Avô José Dias, ex-mecânico fabril, e sua neta Helena Dias" width="150" height="150"></a><p id="caption-attachment-11781" class="wp-caption-text"><em>Foto: Arquivo pessoal da família Dias</em></p></div></p>
<p><em>&#8220;A Companhia (Fábrica da Macaxeira)&nbsp; fez uma palhoça para fazer o pessoal que estava lá dentro brincar o carnaval. Porque não podiam sair, porque senão os grevistas quebravam no pau&#8221;.</em> &#8211; <strong>José Dias dos Santos (Seu Zé, ex-mecânico da Fábrica da Macaxeira e meu avô)</strong></p>
<p>Tenho aprendido, Vô, que a história serve para nos inspirar a não desistir de fazer disso aqui um mundo melhor. Apesar&nbsp;de insistirmos no erro de retroceder, de escolhermos muitas vezes nos atrasar um pouco mais, acredito que os direitos que reivindicarei um dia serão outros para além dos que você reivindicou.&nbsp;Não tenho boas notícias, a Reforma Trabalhista foi aprovada ano passado e a Reforma da Previdência é prioridade neste momento. Não estamos bem, falo enquanto classe trabalhadora como você.</p>
<p>Mas, ao escrever essa matéria, lembro que sua história é minha história. Que a história de outros amigos e conhecidos meus também passam pela vivência de seus avôs e avós, operários e operárias, e isto me fortalece para seguir em frente. Obrigada pela consciência política, pela consciência de classe e de vida. Não tenho orgulho maior do que ser neta de um ex-mecânico como você, Vô. Nesta nossa luta, nunca há derrotas! Eu sigo.</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/os-60-anos-da-greve-esquecida-que-marcou-a-luta-operaria-em-pernambuco/">A greve esquecida que marcou a luta operária em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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