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	<title>Arquivos Conar - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Conar - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Propaganda de armas de fogo é ilegal, mas Governo Federal reduziu verbas de fiscalização</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Nov 2021 00:17:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[armas de fogo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem vem de Caruaru para Gravatá pela BR-232, no Agreste pernambucano, é recebido com um outdoor que exibe uma imensa arma. &#8220;A pistola mais vendida do Brasil com 45% de desconto em espécie&#8221;, diz o anúncio da loja Caça e Pesca, de Caruaru. As informações das redes sociais, telefone e site do anunciante estão todas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem vem de Caruaru para Gravatá pela BR-232, no Agreste pernambucano, é recebido com um outdoor que exibe uma imensa arma. &#8220;A pistola mais vendida do Brasil com 45% de desconto em espécie&#8221;, diz o anúncio da loja Caça e Pesca, de Caruaru. As informações das redes sociais, telefone e site do anunciante estão todas lá. Abaixo, em letras ilegíveis para quem passa por ali de carro, há duas linhas sobre a necessidade de registro para a compra. O outdoor está ali há meses. É ilegal.<br><br>&#8220;O Estatuto do Desarmamento proíbe a publicidade de armas e munições fora de publicações especializadas&#8221;, alerta Felippe Angeli, gerente de relações institucionais do instituto <a href="https://soudapaz.org/">Sou da Paz</a>, ONG dedicada à segurança pública e aos direitos humanos. Mesmo antes do estatuto, já havia proibição de publicidade desse tipo de comércio para o público em geral. Nas redes sociais da loja Caça e Pesca, mais propagandas e anúncios de descontos.<br><br>No governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2000, houve o <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2000/decreto-3665-20-novembro-2000-366249-publicacaooriginal-1-pe.html">decreto 3.665/2000</a> que restringiu ainda mais esse tipo de propaganda e delegou ao Exército a fiscalização. Vinte anos antes, em 1980, o <a href="http://www.conar.org.br/codigo/codigo.php">Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar)</a> já havia deliberado uma série de regras sobre esse tipo de propaganda, proibindo &#8220;facilidades ou brindes para aquisição do produto&#8221; e veiculação em publicação dirigida ao público infanto-juvenil.<br><br>Com o aumento de lojas de armas e clubes de tiro, a propaganda ilegal também tem sido mais comum, principalmente no interior, onde há fiscalização é menor. Em uma análise dos casos que são levados para o Conar, a MZ não encontrou denúncias em 2017 nem 2018. Já com Bolsonaro no poder, e os mais de 30 decretos que ele assinou para facilitar e ampliar o acesso às armas de fogo, foram quatros casos em 2019 e três em 2020. Em todas as decisões que envolviam lojas e fabricantes de armas e clubes de tiro, o Conar optou pela sustação ou alteração das propagandas.<br><br>Uma delas, julgada em 2019, era bem parecida com a hoje exibida na BR-232. Foi um anúncio da fabricante Taurus que oferecia 20% de desconto. O Conar votou pela sustação da propaganda porque a &#8220;oferta de desconto na compra contraria recomendação da ética publicitária ao apregoar facilidade de pagamento&#8221;. Publicidade de armas em outdoors também são proibidas pelo Conar, já que não há como controlar se o público infanto-juvenil vai ver ou não.<br><br>A fiscalização do Conar é frágil no interior do país. Apenas na sede, em São Paulo, há fiscalização ativa, com monitoramento das publicações nacionais. Em nota, a assessoria de imprensa do órgão afirmou que 70% das representações abertas pelo Conar decorrem de denúncias recebidas de consumidores. Com a publicidade digital esse tipo de denúncia se tornou ainda mais importante, já que os anúncios são direcionados para públicos específicos. O órgão não aceita denúncias anônimas, mas afirma que as informações sobre o consumidor são protegidas pela Lei Geral de Proteção de Dados.<br><br>Como é um órgão de classe, sem poder de polícia, a principal punição que o Conar pode aplicar é a recomendação de sustação de exibição, &#8220;que deve ser posta em prática no menor prazo possível pelo veículo de comunicação. Há também a penalidade de alteração, caso apenas trechos do anúncio forem considerados antiéticos, e a advertência ao anunciante, à agência e, se for o caso, ao influenciador&#8221;, diz a nota. De acordo com a assessoria, desde a fundação, em 1978, o Conar nunca teve uma recomendação sua desrespeitada por veículos, agências e anunciantes. As denúncias podem ser feitas pelo <a href="http://www.conar.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site do Conar</a>. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Exército com orçamento curto para fiscalização</h2>



<p>É o Exército Brasileiro o responsável por fiscalizar, no âmbito federal, a publicidade ilegal de armas e munições. É uma função que foi atribuída em 2000 e ainda permanece. O decreto 9.847, de 25 de junho de 2019, que regulamenta o Estatuto do Desarmamento, estabelece uma multa de R$ 100 mil para a prática. É o mesmo valor de quando o estatuto foi aprovado, em 2008. A Marco Zero questionou o Exército sobre como é feita essa fiscalização e quantas multas haviam sido aplicados nos últimos cinco anos, mas não obteve resposta. <br><br>O Exército também é responsável por conceder licenças para a abertura de clubes de tiro, fábricas e lojas de armas e munições, além de realizar as fiscalizações nesses estabelecimentos. pela fiscalização de fabricantes e lojas que vendem armas e munições. &#8220;São atribuições que datam da Era Vargas. Naquela época poderia fazer algum sentido, mas hoje a sociedade civil questiona isso. Poderia ser da Polícia Federal, que já é responsável pelos registros, ou até de um novo órgão&#8221;, afirma Angeli.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/propaganda-de-armas-de-fogo-e-ilegal-mas-governo-federal-reduziu-verbas-de-fiscalizacao/" class="titulo">Propaganda de armas de fogo é ilegal, mas Governo Federal reduziu verbas de fiscalização</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><br>Informações conseguidas pelo Sou da Paz, Instituto Igarapé e jornal O Globo, por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que o orçamento e o efetivo para as ações de fiscalização do Exército em fabricantes e lojas de armas e munições vem caindo, enquanto os números de estabelecimentos e de armas no Brasil seguem aumentando.<br><br>Em 2020, o Exército contou com apenas R$ 3 milhões para essas ações, 15% a menos do que em 2018 e 8% a menos do que em 2019. A diminuição contrasta com o período anterior ao governo Bolsonaro: de 2016 a 2018, a verba cresceu 18%. </p>



<p><a href="https://igarape.org.br/wp-content/uploads/2021/09/2021-09-17-v2-boletim-1-Descontrole-no-alvo.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Boletim divulgado pelo Igarapé </a>também mostra que, em 2020, 2.121 militares atuaram em operações de fiscalização, número 28% menor que em 2018 e 54% menor que em 2019. Apenas 2,3% do total de acervos privados de armas e munições foram fiscalizados pelo Exército em 2020.<br><br>Enquanto isso, o armamento em poder de civis aumentou 65% em dois anos, de 2018 a 2020. Os dados da LAI apontam que há 1,151 milhão de armas nas mãos de cidadãos civis no Brasil. A média de diária do registro de armas feito por pessoas físicas na Polícia Federal foi de 378. Em 2017, essa média era de 43 pedidos, apontam os dados.<br><br>Um projeto de lei do deputado federal Ivan Valente, do Psol, quer retirar as funções de fiscalização do Exército e repassá-las para a Polícia Federal, que já é a responsável por aprovar registro de armas. Também está em tramitação na Câmara um projeto de lei para punir empresas de comunicação que veiculam anúncios irregulares. O Estatuto do Desarmamento prevê apenas punição para os anunciantes.<br><br>Na esteira do projeto governamental de facilitar o acesso às armas, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) apresentou o projeto de Lei 5.417/20 que permite a fabricantes e comerciantes de armas de fogo e munições fazer publicidade em veículos de comunicação e na internet para o público em geral. O projeto, que segue em tramitação na Câmara, ainda abarca outras categorias, como clubes e instrutores de tiro, colecionadores e até publicidade para caçadores.</p>



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