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	<title>Arquivos contagio - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos contagio - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Festas de fim de ano: como minimizar os riscos do coronavírus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Dec 2020 15:04:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É com o acúmulo de dez meses de pandemia que o infectologista Demetrius Montenegro, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), responde sobre como fazer uma reunião segura de fim de ano em tempos de coronavírus: &#8220;Só tem uma maneira: não ter reunião&#8221;. A Covid-19 voltou a lotar os hospitais do Brasil. E, ao contrário do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É com o acúmulo de dez meses de pandemia que o infectologista Demetrius Montenegro, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), responde sobre como fazer uma reunião segura de fim de ano em tempos de coronavírus: &#8220;Só tem uma maneira: não ter reunião&#8221;. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A Covid-19 voltou a lotar os hospitais do Brasil. E, ao contrário do que aconteceu lá em março, não há fechamentos rigorosos. Hospitais privados no Recife já estão com dificuldade para leitos. Nos públicos, a lotação das UTIs está beirando os 90% em Pernambuco. Os exames feitos pularam de 1 mil para 5 mil por dia nas últimas semanas. Mesmo assim, o Governo do Estado não retrocedeu significativamente no plano de reabertura, que já se encontra há mais de um mês na última fase.</p></blockquote>



<p>Mas as festas de fim de ano, pagas ou não, estão proibidas em Pernambuco.<br>Se depois de ler isso, você ainda acha válido se juntar com a família ou amigos no Natal e Ano Novo, tenha em mente que não pode ser como antes do novo coronavírus. Para essa reportagem, foram ouvidos um epidemiologista, três infectologistas e duas especialistas em biossegurança. Todos dizem que não existe risco zero. Mas há formas de minimizar as chances de contágio e ainda estar perto de quem se ama.<br><br>As orientações a seguir exigem comprometimento de todos os envolvidos. Não é um Natal ou um Ano Novo normal. Mas é o que restou para se rever com certa segurança em 2020.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Primeiro de tudo, entenda como se pega o vírus</h4>



<p>O coronavírus pode entrar no corpo humano pelo nariz, pela boca e pelos olhos.<br><br>Não é só em aglomeração que você pode ser contaminado. Basta uma pessoa estar com o vírus. E como saber se alguém está infectado? Não tem como. Nenhum exame é 100% e se o coronavírus se espalhou tão rápido é porque ele tem uma alta porcentagem de assintomáticos. Pessoas que estão aparentemente bem, mas infectando os outros.<br><br>Ao longo da pandemia, descobrimos que o coronavírus também se pega por aerossóis. E o que é isso? São partículas muito menores que gotículas expelidas pela boca e pelo nariz. E que podem passar horas suspensas no ar em ambientes fechados. Nesse caso, os 2 metros de distância não são suficientes, pois os aerossóis podem &#8220;viajar&#8221; por distâncias muito maiores.<br><br>Então não tem o que se fazer? Tem sim: ventilar os ambientes, além do uso da máscara e distanciamento. Uma analogia usada por especialistas é que aerossóis são como fumaça de cigarro. Se você estiver em um ambiente fechado e com pessoas fumando (sem máscara), você vai respirar fumaça e ficar com roupas e cabelos impregnados. Abrindo portas e janelas, faz o ar circular e dissipa a &#8220;fumaça&#8221;. Com distanciamento, você diminui o contato. Usar máscaras, claro, é indispensável para se proteger também dessa forma de contaminação.<br><br>Nenhuma medida isolada é eficaz. É a sobreposição delas que vai garantir alguma segurança nos encontros. Se não der para seguir todas, tente o máximo possível. </p>



<h4 class="wp-block-heading">Não relaxe tanto</h4>



<p>É contraditório dizer isso para uma festa mas, bem, estamos em uma pandemia.<br><br>Trabalhando em hospital e tendo feito várias intubações &#8211; que é o momento mais crítico pela produção de aerossóis &#8211; o infectologista Demetrius Montenegro tem se mantido livre do coronavírus com muita disciplina. &#8220;No hospital, todos os meus passos são calculados. Acho até mais fácil que eu pegue fora do hospital, já que fico naturalmente mais relaxado&#8221;, diz.<br><br>O que ele mais tem visto são pessoas que são infectadas em encontros com amigos e familiares. É mais fácil se sentir seguro quando se está com quem se conhece. &#8221; É o que mais chega no hospital: famílias ou grupos de amigos que se encontram ou viajam juntos. Dias depois, vários ficam doentes&#8221;, alerta.<br><br>Bebida alcóolica deixa todo mundo mais descontraído. Talvez seja o caso de pensar em diminuir as doses.</p>



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	                                        <p class="m-0">O médico infectologista Demétrius Montenegro. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading">Prepare o ambiente</h4>



<p>Se der, faça em um lugar aberto, ao ar livre. Em um quintal, um jardim. Se tem uma coisa que foi consolidada ao longo dos meses é de que a principal forma de contaminação é pela proximidade com outras pessoas, principalmente sem máscaras. Em ambientes fechados, com pouco circulação de ar, o risco explode.<br><br>Em pleno dezembro recifense, é necessário dispensar o ar-condicionado e abrir portas e janelas. &#8220;Com isso, você já diminui a probabilidade de contágio&#8221;, diz o médico infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Artur Brito.<br><br>O infectologista vem passar o Natal com a família no Recife. A ceia vai ser em um apartamento, mas a mesa vai ficar na varanda. &#8220;As portas e janelas também ficarão abertas, para o ar circular&#8221;, diz, lembrando que é preciso planejar esses detalhes com antecedência e avisar a todos dos protocolos.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Divida e reduza</h4>



<p>Em cidades tão verticalizadas como o Recife, achar um quintal ou um jardim para a celebração pode ser difícil. Nesse caso, o infectologista Paulo Sérgio Ramos, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), recomenda que os grupos sejam divididos. Nada de encontros com muitos núcleos familiares.<br><br>&#8220;Se é um apartamento pequeno ou uma família grande, é melhor dividir. Poucas pessoas na ceia de Natal e depois poucas pessoas no almoço. Sempre mantendo o distanciamento&#8221;, sugere. &#8220;Cada núcleo familiar pode sentar junto, separado por no mínimo 1,5 metro quadrado do outro núcleo&#8221;, diz.<br><br>Demetrius Montenegro faz a mesma recomendação. &#8220;&#8216;Se tem, por exemplo, um pai ou um avô de risco e que está esse tempo todo sem ver ninguém, a regra número 1 é que a família não deve se reunir todos no mesmo momento. Tem que ser muito bem avaliado de família a família&#8221;, comenta.<br><br>O tempo é outra questão. Nada de reuniões sem hora para acabar. Quanto mais tempo, mais exposição e mais chances de se sair dos protocolos.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Ninguém está imune</h4>



<p>Não importa se você ou algum convidado já teve Covid-19. As regras devem ser as mesmas. Entre as muitas perguntas em aberto sobre o coronavírus, está se quem já teve pode transmitir ao ter contato novamente com o vírus, mesmo sem apresentar sintomas.<br><br>Outro problema é a reinfecção. Se ela não é considerada por ora algo comum, tampouco é rara.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Nada de petiscar. Concentre a hora da refeição</h4>



<p>Comer e beber serão os os momentos mais tensos da noite, já que as pessoas estarão sem máscaras. Aqui, atenção redobrada.<br><br>&#8220;Em uma comemoração, muitas vezes se fica bebendo ou petiscando a noite toda. Isso vai aumentar o comportamento de exposição&#8221;, diz o epidemiologista Rafael Moreira, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor da faculdade de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).<br><br>Para reduzir esse risco, é bom concentrar a hora da comida e da bebida. Cada núcleo familiar deve comer separado. Evitem falar enquanto comem, pois, claro, estarão sem máscaras. E, como já vimos, falar emite gotículas. Gritar, cantar e falar alto também pode emitir aerossóis.<br><br>Coordenadora de biossegurança, Priscila Gubert, do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), da UFPE, recomenda que na hora da refeição a distância seja a máxima possível. &#8220;Três, quatro metros, ou mais&#8221;, diz.<br><br>&#8220;Ninguém pode falar nada quando for comer, ninguém pode falar nada quando for beber&#8221;, reforça Demetrius, mais uma vez tentando dissuadir quem pensa em se reunir. &#8220;Comemoração segura é comemoração com quem já habita a mesma casa, apenas o núcleo familiar que já convive&#8221;, diz.<br><br>Para Rafael Moreira, é preciso ter mais paciência e menos ansiedade em reunir as pessoas. &#8220;Vamos esperar, fazer esse pequeno sacrifício agora para depois poder se ver. As vacinas estão cada vez mais próximas&#8221;, diz.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Com que máscara eu vou?</h4>



<p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda máscaras de camada tripla de tecido. São ainda mais eficientes se a camada do meio for de um material filtrante, como SMMS. É sempre bom lembrar que as máscaras têm vida útil: em média de 20 a 30 lavagens. Isso porque as fibras vão se abrindo e a eficácia diminui.<br><br>Para pessoas acima de 60 anos ou do grupo de risco em ambiente fechado, Priscila Gubert, do Lika, recomenda máscaras cirúrgicas, bem ajustadas, ou respiradores N95/PFF2, para dar uma segurança a mais. A cirúrgica é descartável, de uso único. Os respiradores podem ser reutilizados por algumas poucas vezes, <a href="https://www.segurancadopaciente.com.br/protocolo-diretrizes/mascaras-n95-recomendacoes-para-uso-prolongado-e-reutilizacao/">seguindo algumas regras</a>.<br><br>Professora de biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e integrante da Rede Análise Covid-19, Melissa Markoski lembra que a N95 padrão é a que tem as tiras em volta da cabeça, e não nas orelhas. &#8220;Assim, garantem maior vedação&#8221;, explica.<br><br>Como nem todo mundo tem recursos para uma N95 ou cirúrgica, Priscila Gubert recomenda um protetor facial, que pode ser reutilizado por várias vezes. &#8220;Ele vai ajudar a proteger a máscara&#8221;, diz Priscila. Ela lembra que não se deve tocar nas máscaras, que devem ser retiradas pelas tiras. E sempre higienizar as mãos antes e depois de tirar ou colocar a máscara.</p>



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	                                        <p class="m-0">Priscila Gubert, coordenadora de biossegurança do Lika. Foto: Arquivo pessoal</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading">Olhos!</h4>



<p>Além da máscara, que cobre boca e nariz, os olhos também são portas de entrada do coronavírus. Óculos e proterores faciais ajudam na proteção.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Sem paranoia com álcool em gel &#8211; mas não o dispense</h4>



<p>&#8220;Não há necessidade de sair correndo para passar álcool em gel no pirex que a tia trouxer da casa dela&#8221;, diz o infectologista Artur Brito, que explica: &#8220;Uma coisa que precisa ficar muito forte na cabeça das pessoas é que das muitas formas de transmissão teoricamente possíveis, a mais importante é a transmissão respiratória. Há quase que uma obsessão em relação às superfícies, mas temos que entender que é um vírus de RNA, muito instável e que sobrevive por pouco tempo nas superfícies&#8221;.<br><br>Ainda assim, a recomendação continua sendo para que se limpe compras. &#8220;Mesmo sendo teoricamente mais difícil a contaminação por superfícies, não podemos descartá-la&#8221;, diz Melissa Markoski. O álcool em gel deve ser utilizado principalmente para higienizar as mãos, quando não for possível lavar com água e sabão (por no mínimo 20 segundos). </p>



<h4 class="wp-block-heading">Quero proteger mais a minha família. Devo fazer exame?</h4>



<p>Aqui, os especialistas divergem. Alguns acham que vale a pena, se feito até 72h antes do encontro. Outros, que é um desperdício de dinheiro.<br><br>O único exame capaz de detectar a fase aguda da Covid-19 é o de RT-PCR, aquele que é colhido com um swab (um cotonete grande) no fundo do nariz. &#8220;Se estiver com sintomas, a pessoa deve fazer e se isolar&#8221;, diz o epidemiologista Rafael Moreira.<br><br>O infectologista Artur Brito diz que não é necessário esperar a janela de 2 a 5 dias de infecção. &#8220;Isso é um conceito trazido do exame da influenza e não parece se aplicar ao coronavírus. A carga viral já é alta mesmo antes do sintomas aparecerem&#8221;, diz.<br><br>Mesmo sendo hoje o padrão ouro para a Covid-19, o RT-PCR não dá uma resposta definitiva. &#8220;É um exame muito bom quando aplicado de forma seriada. Em até 40% dos casos o RT-PCR pode dar um falso negativo. Então, se a pessoa está com sintomas e o exame dá negativo, ela deve repeti-lo para ter uma margem de segurança melhor&#8221;, explica.<br><br>Para quem pode, uma boa alternativa é fazer um autoisolamento 14 dias antes da reunião.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Comida passa coronavíus?</h4>



<p>Teoricamente, sim. Tem comprovação de casos? Ainda não. &#8220;Mas é muito difícil conseguir esse tipo de comprovação&#8221;, explica Melissa Markoski.<br><br>Se a comida é quente, melhor. &#8220;Altas temperaturas matam o vírus&#8221;, diz. O indicado é que quem vá fazer a comida use máscara o tempo todo.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Vou viajar para encontrar minha família. Que cuidados devo ter?</h4>



<p>Para quem vai ficar na casa de familiares ou amigos, o Grupo de Biossegurança Ocupacional do Lika criou um protocolo. Mas é tão difícil de ser seguido que acharam melhor não divulgá-lo. &#8220;Um profissional da saúde poderia seguir os passos, mas para um leigo é muito complicado&#8221;, diz Priscila Gubert.<br><br>Para a viagem em si, o infectologista Artur Brito indica que os passageiros de avião fiquem na janela, por conta da dinâmica do ar e da passagem de pessoas pelo corredor. &#8220;Desde a epidemia do H1N1, os aviões contam com um sistema de filtragem de ar muito bom, chamado HEPA&#8221;, diz.<br><br>O grupo do Lika montou um extenso e detalhado protocolo de viagem, tanto de ônibus como de avião. <strong><a href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/12/Protocolo-para-viagens.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Confira aqui.</a></strong><br><br>Até mesmo os profissionais de saúde têm dúvidas sobre viagem e estadia. &#8220;Com a pandemia em alta, protocolos podem não dar conta&#8221;, avisa Priscila, que está em dúvida se vai visitar a família no Rio Grande do Sul.<br><br>Brito, mesmo com um banheiro e um quarto só para ele garantidos no apartamento da família, achou melhor não arriscar e ficar hospedado em um hotel.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Repense</h4>



<p>Ficou exausto depois de ler isso e pensar em uma reunião assim? Pois é, não é fácil. Mais uma vez, é bom repetir: a pandemia está descontrolada e não é momento de fazer reuniões, além do núcleo familiar que já convive diariamente.<br><br>As vacinas estão chegando. Provavelmente, o ano de 2021 ainda vai ser de máscaras e distanciamento social. Mas, conforme a vacinação avance, os casos irão diminuir. Em março o que os governos buscavam eram respiradores. Já melhoramos um bocado. Quanto mais conhecemos a doença, quanto mais vacinas chegarem, mais poderemos ter esperanças em encontros sem medo.<br><br>Mas essa hora ainda não chegou. Se puder, espere.</p>



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