<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos controle - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/controle/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/controle/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 27 Dec 2022 00:01:23 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos controle - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/controle/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Por que Lula deve restaurar mecanismos de combate à corrupção e transparência desmontados por Bolsonaro</title>
		<link>https://marcozero.org/porque-lula-deve-restaurar-mecanismos-de-combate-a-corrupcao-e-transparencia-desmontados-por-bolsonaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Dec 2022 18:49:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[controle]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[governo Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[transparência]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=53128</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Pedro Paz* O tema da corrupção foi, mais uma vez, expressivo nas majoritárias brasileiras deste ano. Para se ter uma ideia, nos dois turnos, de 16 de agosto a 30 de outubro, o assunto foi citado em 140 das 8.184 postagens do clã Bolsonaro nas redes sociais digitais Facebook, Twitter, Youtube, Instagram, Telegram e [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/porque-lula-deve-restaurar-mecanismos-de-combate-a-corrupcao-e-transparencia-desmontados-por-bolsonaro/">Por que Lula deve restaurar mecanismos de combate à corrupção e transparência desmontados por Bolsonaro</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Pedro Paz*</strong></p>



<p>O tema da corrupção foi, mais uma vez, expressivo nas majoritárias brasileiras deste ano. Para se ter uma ideia, nos dois turnos, de 16 de agosto a 30 de outubro, o assunto foi citado em 140 das 8.184 postagens do clã Bolsonaro nas redes sociais digitais Facebook, Twitter, Youtube, Instagram, Telegram e Pinterest, segundo levantamento realizado no banco de dados Bolsodata, na plataforma <a href="http://metamemo.info/">Metamemo</a>, sistema que coleta, armazena, processa e visualiza as publicações de qualquer perfil.</p>



<p>Nos 30 dias seguintes, houve um apagão, uma queda vertiginosa de publicações da família que representa a extrema direita no país e que, agora, com menos poder e aliados, teme ter seus perfis suspensos. Foram exatamente 273 e nenhuma com referência ao assunto, o que reforça, que nunca houve uma preocupação real com a questão e que a temática tem sido instrumentalizada para desqualificação de opositores e instigar e fornecer material de campanha para sua base, com fins apenas eleitoreiros.</p>



<p>Até porque o clã Bolsonaro nunca foi flor que se cheire. Os integrantes da família são envolvidos em inúmeros casos de corrupção. Em contraponto aos seus sistemáticos ataques, o <a href="https://institutolula.org/">Instituto Lula</a> listou 17 episódios em outubro, de propina no pneu a ônibus superfaturado, passando por rachadinha e 51 imóveis comprados com dinheiro vivo.</p>



<p>De todo modo, a corrupção deve permanecer em pauta na esfera pública brasileira e não só pelo fato de terroristas brancos e de classe média desconsideraram a anulação das condenações do Lula e insistirem em não aceitar o resultado do pleito. Sob o fantasma da Lava Jato, que culminou na sua prisão de 580 dias, o presidente eleito se tornou alvo de críticas por viajar à COP27 em um jatinho do empresário José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp e dono da QSaúde, preso em julho de 2020, em um desdobramento da operação liderada pelo ex-juiz federal Sérgio Moro.</p>



<p>Nesta transição entre governos, também já foi apontado que a equipe de transição de Lula tem ex-ministros presos ou denunciados por corrupção, como Guido Mantega e Paulo Bernardo. Em seu discurso de diplomação, no dia 12 de dezembro, Lula foi acusado de silenciar sobre a temática. Em entrevista à Folha de SP, na quinta-feira, 15, a deputada federal reeleita Tábata Amaral (PSB-SP), da base do Lula, cobrou dele combate à corrupção. Afinal, como deve ser tratada a corrupção no governo Lula 3?</p>



<p>Para o professor associado do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), José Henrique Artigas de Godoy, o tema da corrupção deve ser enfrentado de forma racional e republicana, ou seja, de maneira habitual e democrática, adequada aos parâmetros modernos e institucionais, no sentido de restaurar mecanismos de transparência e de controle desmontados pelo governo Bolsonaro.</p>



<p>Seguindo uma plataforma de promoção de <em>accountability</em>, no entendimento de Artigas, deve ser recomposta a plataforma Transparência Brasil, de acompanhamento de gastos do governo em tempo real, assim como devem ser derrubados os decretos de sigilo, que contraditam o princípio republicano. Na mesma direção, devem ser recompostos os meios de garantia de acesso à informação e reforçados os instrumentos de controle da Controladoria-Geral da União (CGU) e das corregedorias das polícias.</p>



<p>Não obstante, o papel de controle, no ponto de vista do cientista político, não pode se dar apenas com esforços do Executivo, visto que o Ministério Público (MP) e o Judiciário também devem ter ações de recomposição ou aperfeiçoamento de mecanismos de controle. Contudo, segundo José Henrique Artigas de Godoy, nenhuma reforma do Judiciário está em pauta e não há que se ter esperanças de exercício do controle por parte do Ministério Público Federal, ao menos não enquanto Augusto Aras permanecer à frente da Procuradoria Geral da República. Afinal, ele já deixou evidente não ter nenhum interesse em investigar as centenas de denúncias apresentadas ao órgão que dirige.</p>



<p>“De forma absolutamente nítida o referido procurador vem, desde o início de seu mandato, agindo como se fosse um representante do governo e não do Estado, como prescrito na Carta constitucional, de forma que sua ação vem sendo omissa, leniente, complacente e, em muito grau, cúmplice das reiteradas ilegalidades executadas pelo presidente e seus aliados”, critica Artigas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Paz-artigas.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Paz-artigas.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Paz-artigas.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="328">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">José Henrique de Godoy. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Na avaliação do também líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Pensamento Social e Político Brasileiro, também não há como esperar que, nestes poucos dias antes do fim do mandato de Bolsonaro, seja dado início à investigação de denúncias encaminhadas à mesa diretora da Câmara sobre crimes de responsabilidade executados pelo presidente, visto que, após mais de 150 denúncias, o presidente Arthur Lira não levou a cabo qualquer ação no sentido de apurar denúncias de corrupção.</p>



<p>“Não o fará no apagar das luzes do governo. Também não se pode esperar que órgãos de controle, como o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), exerçam seus papéis de controle como prescreve a Constituição e as normas reguladoras do MP. Estes órgãos jamais executaram ações efetivas de controle. Desde suas criações, ambas as instituições não promovem <em>accountability</em>, não executam controle e não punem os membros de suas corporações”, desaprova o professor e pesquisador da federal paraibana.</p>



<p>Artigas de Godoy destaca que esses órgãos não fomentam meios de transparência, de controle ou responsabilização. “São órgãos a serviço dos interesses corporativos dos membros do MP e da magistratura e não dos interesses da República, chancelando toda sorte de abusos de poder ou corrupção, fomentando a impunidade e, com isso, estimulando a ação ilegal reiterada dos membros das corporações que deveriam controlar, como já comprovado em estudos publicados por reconhecidos acadêmicos que estudaram sistematicamente as ações do CNMP e do CNJ desde a criação destas instâncias que deveriam ser de controle, mas nunca assumiram, de fato, este papel”.</p>



<p>Assim, se o Legislativo, via Congresso e Tribunal de Contas, não teve qualquer ação republicana de controle desde o governo Temer, não há que se esperar que agora passe a ter, na opinião de Artigas. E quanto à próxima legislatura, na concepção dele, não há como saber de antemão qual será a ação dos novos deputados e senadores, o que em grande medida dependerá da recondução ou não de Lira e Pacheco à frente das mesas diretoras da Câmara e do Senado, respectivamente.</p>



<p>“Se não há nenhuma indicação de que o Legislativo ou o MP venham a executar efetivamente seus respectivos papéis até, pelo menos, a substituição de Lira e Aras, tampouco pode-se esperar uma mudança de procedimentos de órgãos como o CNMP e o CNJ, restando apenas a expectativa de que os esforços do novo governo conduzam a um reforço dos meios de controle e responsabilização, alterando a composição da Polícia Federal (PF), da CGU e das Corregedorias, tornando-as mais efetivas no combate à corrupção, contraditando a omissão interessada, complacente, anuente e cúmplice de crimes contra a administração pública, como caracterizada nos últimos anos, sob os governos de Temer e, principalmente, Bolsonaro”, aponta o acadêmico.</p>



<p>Na análise de Artigas de Godoy, pode-se esperar do próximo Executivo uma ação mais condizente com o combate à corrupção, contudo, nada sugere que o mesmo possa ser afirmado quanto às perspectivas futuras de controle a serem executadas pelo Legislativo, pelo MP ou pelo Judiciário.</p>



<p>“Sem reformas que permitam um efetivo papel de controle do CNMP ou do CNJ, só poderemos esperar destes órgãos mais do mesmo, qual seja, mais impunidade e corporativismo, na contramão da <em>accountability</em>. Espera-se uma melhora relativa no tangente ao exercício da transparência, controle e responsabilização, mas apenas na arena das ações do Poder Executivo pois, no campo dos demais Poderes, infelizmente, teremos certamente que conviver com a complacência com o crime por parte de agentes públicos, inclusos promotores, procuradores e magistrados”, finaliza o cientista político.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma espécie de panaceia</strong></h2>



<p>Tássia Rabelo de Pinho é professora-adjunta do mesmo departamento e programa de pós-graduação em que Godoy leciona. Na visão dela, Bolsonaro mobiliza o discurso anticorrupção tal como Carlos Lacerda mobilizava contra Getúlio, o PSDB contra o PT e o próprio PT, na sua primeira década e meia fazia em relação à elite política.</p>



<p>“Trata-se de uma espécie de panaceia, causadora de todos os males que, caso venha a ser enfrentada, resolverá todos os problemas do país, o que sabemos não ser real. A corrupção precisa ser investigada e punida, e não tratada como espetáculo e trampolim eleitoral”, afirma a docente.</p>



<p>Tássia Rabelo de Pinho recupera que o pleito de 2022 guarda muitas diferenças em relação ao anterior, mas também semelhanças. A primeira diferença notável, não apenas em relação ao anterior, mas em relação à toda história do Brasil, foi a disputa entre o atual presidente da república e um ex-presidente, fato inédito com resultado também inédito, posto que nenhum candidato no cargo de presidente jamais perdeu a eleição.</p>



<p>Outra diferença que ela destaca é em relação às condições em que Bolsonaro chegou à disputa. Aquele candidato de um partido nanico, com poucos segundos de TV e rádio, que dizia que não faria o que chamava de “toma lá dá cá” em relação aos partidos e atacava o Centrão, não existia mais.</p>



<p>“Bolsonaro entrou no jogo e, após ficar dois anos sem partido, se filiou ao PL do Valdemar da Costa Neto. Entretanto, mesmo com a máquina, a caneta, o orçamento secreto, recursos vultosos e o próprio PL, Bolsonaro seguiu conseguindo se fazer reconhecer como um candidato anti-establishment. Algo que foi fundamental na construção da sua persona no pleito anterior e para a sua conexão com aqueles que são contra 1tudo isso que está aí’”, examina a professora da UFPB.</p>



<p>Tássia Rabelo de Pinho explica que a narrativa anticorrupção serviu ao aumento do antipetismo, a esse ressentimento de antigos apoiadores do PT, mas não está ancorada na concretude dos fatos e pode ser facilmente escanteada em nome de outros aspectos que constituem a liga do Bolsonarismo. “O que quero dizer é que a corrupção tem um papel importante do ponto de vista retórico, para justificar as posições tomadas, mas não me parece ser o fator de amálgama do bolsonarismo”.</p>



<p>A professora e pesquisadora da UFPB reconhece que, quando há investigações, há também um maior acesso à informação em relação à corrupção, que não necessariamente significa o aumento do fenômeno, mas da sua exposição. Entretanto, para ela, essa é apenas uma parte da história.</p>



<p>“Não podemos deixar de lembrar do papel que o oligopólio da mídia cumpriu ao longo de quase duas décadas na espetacularização de investigações tratadas como sentenças, e na ausência do questionamento em relação aos abusos cometidos ao devido processo legal. A solução para isso não é simples, particularmente porque hoje a produção de conteúdo não é mais monopolizada pelos veículos de comunicação tradicional que há muito deveriam ter sido regulamentados.”</p>



<p>A disseminação de <em>fake news</em> e a lógica imediatista e superficial das redes sociais contribuem, na concepção de Tássia Rabelo de Pinho, para o aprofundamento dessa lógica que, se antes, visava a audiência, para além de interesses diretamente econômicos e políticos, agora está ancorada na economia da atenção, nos <em>clickbaits</em> (ou “caça-clique”, conteúdo da internet que é destinado à geração de receita de publicidade on-line) e, mais uma vez, em interesses econômicos e políticos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Paz-Pinho-294x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Paz-Pinho.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Paz-Pinho.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="332">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Tássia Rabelo de Pinho. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Especificamente sobre Bolsonaro, a cientista política julga que ele não é uma ameaça e sim um agente de desconstrução da democracia. “Ao defender torturadores e a ditadura civil-militar brasileira, aprofunda ainda mais o déficit que temos em relação ao direito à memória, verdade e justiça. Ao questionar a legitimidade do processo eleitoral e se calar diante da vitória de Lula, coloca uma sombra sobre o sistema dado que, como aponta Dahl, o consenso em relação às regras do jogo e o reconhecimento da derrota por parte dos perdedores são elementos fundamentais para continuidade da democracia”. O Dahl mencionado pela entrevistada é o norte-americano <a href="https://www.conjur.com.br/2012-nov-18/embargos-culturais-ameircano-robert-dahl-conceito-poliarquia">Robert Dahl</a>, cientista político da Universidade de Yale, falecido em 2014.</p>



<p>Para além desses fatos, ela ressalta inúmeras atitudes durante sua gestão que poderiam ser consideradas antidemocráticas, o que inclusive é reconhecido pelo relatório do <a href="https://freedomhouse.org/"><em>Freedom House</em></a>. “De maneira sintética poderíamos citar o sigilo de cem anos, a desconstrução de mecanismos de participação social, os diversos incentivos, retóricos e materiais, à violência política, intimidações à Suprema Corte, entre outros”.</p>



<p>A defesa da democracia, ainda que tenha sido parte central do processo de mobilização de parte das forças progressistas, é um conceito abstrato para grande parte das pessoas, eleitoras de Bolsonaro ou não, entende a professora. “Por mais que existam setores fascistas dentre aqueles que apoiam o presidente derrotado, parte considerável da sua base vota em função de outros aspectos que constituem seu discurso, tais como a defesa da família, da religião, o populismo penal”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><br><strong>Crise ética e estética</strong></h3>



<p>De modo geral, as 140 postagens do clã Bolsonaro nas redes sociais sobre corrupção, durante as eleições deste ano, visaram desqualificar a campanha do Lula, com uso de imagens de divulgação do opositor ou do jornalismo de referência como a Folha de S. Paulo. Eram publicadas em diferentes horários, principalmente à noite, quando a base mão estava mais em horário de trabalho e, consequentemente, disponível para disseminar as mensagens. A depender da rede social, as reações ultrapassavam a casa das 400 mil, com mais de 30 mil comentários e compartilhamentos, com a ajuda, evidentemente, de influenciadores e apoiadores.</p>



<p>Para Isabella Valle, Professora Adjunta do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-graduação de Comunicação da UFPB, a atuação de Jair Bolsonaro em redes sociais digitais pode ser caracterizada por uma crise ética e estética, que permeia conteúdos deliberadamente falsos e contraditórios e que ludibria sobretudo um tipo de público não nativo do ambiente digital. “São sugestões, montagens, negações, pouco sutis, que visam a convencer e incutir o estado de crise nas pessoas. Ele instaura o caos, a desconexão, e vem caoticamente se colocar como solução, como única conexão possível”.</p>



<p>No entendimento dela, o discurso anticorrupção nas comunicações do Bolsonaro em redes sociais digitais é hipócrita propositadamente porque cria associações rápidas e fáceis para o juízo popular (tipo lula-presidiário ladrão), apaga qualquer transparência de sua gestão e performa como se o tema não abrangesse nenhuma complexidade.</p>



<p>Os algoritmos das redes sociais, inclusive, reforçam a chegada de certo discurso a públicos-alvo específicos, no entanto tivemos nova resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que acelerou a retirada de <em>fake news</em> de sites e redes sociais, um importante legado destas eleições. No entanto, Isabella Valle afirma que falta educação digital.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Paz-Isabella-300x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Paz-Isabella-1024x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Paz-Isabella-1024x1024.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="330">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Isabella Valle. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Temos uma era pós-massiva na comunicação funcionando ainda sob uma mentalidade de massa. Por isso ainda afeta deste modo. Não acho que isso é verdadeiro para qualquer público. Os jovens, nativos digitais, já entendem melhor como é viver na era da pós-verdade, o que atenua a força das <em>fake news</em>. Mas o pensamento moderno, massivo, ainda é predominante e tudo que cola nele serve como uma luva para disseminar falsidades”.</p>



<p>Acusação de censura à rádio Jovem Pan e de suposto favorecimento ao ex-presidente Lula nas inserções de rádio no Nordeste mostraram que meios de comunicação tradicionais como o rádio ainda são relevantes e retomam a necessidade de debate sobre a regulação da mídia, em um contexto de desertos de notícias e de 30 milhões de pessoas sem acesso à internet.</p>



<p>“O rádio é uma mídia superimportante, nunca deixou de ser, inclusive ganha força com a cultura de podcasts. A oralidade é a forma de comunicação mais amiga, mais simpática. A falsa ideia de censura é fruto de um descaso governamental em relação à regulação da mídia. Há uma revolução midiática em curso e uma crise também das instituições tradicionais, não do jornalismo em si. É preciso repensar tudo, liberar a imprensa, mas mantendo seu compromisso público, que é informar, checar, mediar”.</p>



<p>Iniciativas de checagem de fatos ganharam destaque nestas eleições também. Contudo, principalmente nos debates televisivos, eleitores cobraram que o que é dito passe por checagem instantânea. Na avaliação da professora e pesquisadora da UFPB, a checagem em tempo real é possível porque normalmente os fatos apresentados nos debates são previsíveis. “Mas esse não seria o ‘futuro’ do jornalismo, porque [a checagem] é sua própria alma, desde sempre, sua permanência, sua sobrevivência, seu sentido de existir”.</p>



<p>Em algum momento, nós, eleitores, parecíamos incomodados, exaustos e, em algum grau, adoecidos com uma campanha tão longa, agressiva e com excesso de informações. “O mundo vive uma era dos excessos, de trabalho, de informação, de consumo. Isso tudo nos tira do eixo, do centro e afeta porque nos deixa vulneráveis. É menos custoso ir pelo caminho mais fácil, que demanda menos energia, depois de investirmos tanta força na validação de nossa existência neste mundo, nesta era”.</p>



<p>*<strong>Pedro Paz é jornalista e doutorando em Antropologia pela UFPB e produziu esta reportagem especial com uma bolsa da Metamemo, em parceria com a Associação Brasileira de Imprensa (ABI).</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa&nbsp;<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a>&nbsp;</strong>ou, se preferir, usar nosso&nbsp;<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/porque-lula-deve-restaurar-mecanismos-de-combate-a-corrupcao-e-transparencia-desmontados-por-bolsonaro/">Por que Lula deve restaurar mecanismos de combate à corrupção e transparência desmontados por Bolsonaro</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
