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	<title>Arquivos #coronanasperiferias - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos #coronanasperiferias - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Favela, Covid 19 e a potência dos pobres: resistindo entre a política da amizade e os laços de solidariedade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Apr 2020 20:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#coronanasperiferias]]></category>
		<category><![CDATA[Coque]]></category>
		<category><![CDATA[coque r(existe)]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
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		<category><![CDATA[periferia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Sidney Silva* Se procurarmos olhar a pandemia como um fenômeno complexo – sem cair na tentação de simplificar ou generalizar a situação – não será difícil perceber que a Covid-19 não é “só” uma questão de saúde pública; é também um problema de natureza social, governamental, ética, ecológica. É, acima de tudo, um problema [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/favela-covid-19-e-a-potencia-dos-pobres-resistindo-entre-a-politica-da-amizade-e-os-lacos-de-solidariedade/">Favela, Covid 19 e a potência dos pobres: resistindo entre a política da amizade e os laços de solidariedade</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>
<strong>Por
</strong><strong>Sidney
Silva*</strong></p>



<p>
Se
procurarmos olhar a pandemia como um fenômeno complexo – sem cair
na tentação de simplificar ou generalizar a situação – não
será difícil perceber que a Covid-19 não é “só” uma questão
de saúde pública; é também um problema de natureza social,
governamental, ética, ecológica. É, acima de tudo, um problema de
política cósmica. Isso significa uma série de coisas, dentre elas,
gostaria de destacar o fato de que muitas dessas consequências
desastrosas que estamos passando com o coronavírus não são novas.
Há muito tempo estamos sofrendo com os descasos em saúde, em
educação, saneamento. A pandemia na verdade contribuiu para
potencializar e intensificar, colocando numa escala mundial e
acelerada, problemas que os espaços e sujeitos periféricos precisam
lidar no seu cotidiano. 
</p>



<p>
O
que estamos querendo dizer é o seguinte: seria muito arriscado
pensar que antes do vírus vivíamos num paraíso. Uma das coisas que
as vozes das favelas querem fazer ressoar, por meio desse surto
mortal que não para de se alastrar, é que esse fenômeno brutal nos
trouxe de volta para nossa existência real. “Bem-vindo ao deserto
do viral”, onde parasitas especialistas te roubam a saúde, te
oferecem o medo e te sequestram a vida.</p>



<p>
Nesse
sentido, não seria muito inteligente achar que basta conter o
coronavírus
que tudo estará magicamente resolvido e, com isso, poderemos voltar
àquela mortífera normalidade sustentada em grandes doses de
delírios. Precisamos entender que a situação já estava ruim com o
crescente sucateamento do SUS,
com a privatização de bens comuns, com a falta de investimento em
educação e pesquisas, com a escassez de políticas públicas, com o
avanço do aquecimento global, com a prioridade no bem-estar pessoal
em detrimento do coletivo, etc, etc, etc. E quem vive no Brasil de
verdade – que digam os moradores de nossas comunidades &#8211; sabe muito
bem o que significa “voltar” para a realidade. 
</p>



<p>
Por
isso, no Coque, uma das maiores periferias da região metropolitana
de Recife, e imagino que em outras favelas, a história de luta,
enfrentamentos e resistência não é atual e não começou em meados
de março de 2020. Antes da Covid-19 outras classes de parasitas já
nos perseguiam. A questão é que quando a gente não cuida do que
está ruim a situação só tende a piorar. O que não dá mais é
ver os governos e parte de nossa população tratar da situação de
forma unilateral, como se o Brasil fosse uma grande massa homogênea
– não é! 
</p>



<p>
Quando
vamos entender que nossa sociedade é plural, repleta de
microperspectivas e formas singulares de existências? Precisamos
pensar estratégias mais inteligentes, com perspectivas mais amplas e
heterogêneas. É urgente a necessidade de levarmos em consideração
os diferentes modos de vida, e compreender essas vidas a partir de
seus mundos próprios. Entretanto, não é isso que acontece. Não
por acaso, uma das maiores dificuldades que as periferias precisam
enfrentar é a insistente repetição da nossa história
sócio-política: há aqueles poucos que podem viver – ou ter
maiores condições para isso – e aqueles muitos que são deixados
para morrer, sem condições básicas nem para sobreviver. 
</p>



<p>
O
descaso governamental – como o desgoverno federal &#8211; com as causas
sociais não tem, entretanto, impedido as periferias de inventarem
suas próprias formas de fazer política para continuar resistindo
aos problemas que aparecem. Na comunidade do Coque, e em muitas
outras periferias do Recife e do Brasil, o enfrentamento à pandemia
vem sendo feito principalmente com estratégias de auto-organização,
política da amizade e redes de solidariedade – algo, inclusive,
que é muito característico em nossas favelas. Até porque a forma
como os governos, via de regra, pensam as soluções não leva em
consideração situações específicas que atravessam a realidade de
nossas comunidades. Tem quesitos que só são deixados para serem
pensados muito depois, quando a situação já está caótica. 
</p>



<p>
Desde
o início do combate ao vírus temos nos perguntado muitas coisas,
como: o isolamento físico é necessário sim, mas e quem não tem as
condições adequadas para manter-se em casa? A higiene é de
fundamental importância, mas e quem não tem acesso à
saúde e ao
saneamento
básico? Aumentar a imunidade com boa alimentação é imprescindível
para combater melhor o vírus, mas e quem não tem como gerar renda
no isolamento porque é autônomo e atua no trabalho informal? Vamos
ter que esperar mais quantas epidemias? Vamos precisar enterrar
quantos mortos? Será necessário superlotar quantos sistemas de
saúde para aprender que estamos diante de um problema estrutural? A
pandemia está escancarando a sujeira que a gente costuma colocar nos
espaços subterrâneos.</p>



<p> O que nos resta? Enfrentar esse problema como sempre fizemos: procurando nos apoiar, nos ajudar, nos fortalecer, vendo quem precisa do que, trazendo informações mais contextualizadas e de forma cuidadosa; enfim, articulando forças, movimentos, pessoas e, sobretudo, corações por meio de uma rede amiga e solidária. Mas não sem cobrar o que é preciso e não sem nos colocar inquietações que são necessárias. Em momentos assim precisamos dizer: a periferia não é lugar para matar, nem espaço para morrer! O direito à vida digna não pode ser privilégio de uns, mas uma condição real para todes – humanos e não humanos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Jonathan Lima Coque (R)existe</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>  </p>



<p>
É
isso que temos procurado fazer no NEIMFA, em parceria com outras
organizações e movimentos sociais como AVIPA, MABI, Rede Coque
Rexiste, Coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste. Afinal, política não
é um exercício exclusivo dos políticos e as periferias têm criado
ações interessantíssimas no enfrentamento ao coronavírus &#8211; e
mesmo antes dele. De modo bem pragmático, a gente tem procurado
adotar, por um lado, estratégias de combate que buscam pressionar e
denunciar todo tipo de descaso, negligencia e indiferença do governo
para com as comunidades – daí a nossa parceria com o CPDH, por
exemplo, e com as mídias alternativas e contrahegemônicas para
gritar o que normalmente é silenciado e dizer o que normalmente não
se diz. A gente não quer e nem vai ficar de braços cruzados
enquanto nosso povo está sendo ameaçado.</p>



<p>
Por
outro lado, temos utilizado estratégias de potencialização das
vidas, procurando promover o cuidado uns com os outros, o trabalho em
articulação, a força comunitária, lembrando sempre que o desejo e
o direito pela vida atravessam a todes nós. Nesse momento, mais
especificamente, temos procurado tecer essa rede de cuidado por meio
de anuncicletas que circulam pelas ruas da comunidade informando sem
criar pânico, passando mensagens de apoio, fazendo campanhas para
arrecadar doações em dinheiro, assim como material de limpeza e
produtos de alimentação, fortalecendo o
supermercado
local, estimulando entre as pessoas que por aqui costuram a confecção
de máscaras de tecido e mais recentemente começamos a montar um
grupo de atendimento psicossocial e atenção à saúde mental para
que as famílias da comunidade possam ter acesso a atendimentos
psicológicos, ainda que de forma remota. 
</p>



<p> Em redes como essa temos aprendido a agir de forma integrada e interdependente, percebendo que a verdadeira política está na capacidade de como eu e tu cuidamos dos outros e em como nós comprometemo-nos com o mundo. Esse, me parece, tem sido o modo periferia de enfrentar e o modo favela de lidar com o que se passa já há muito tempo: na troca, na partilha, no encontro, na doação, no fazer junto ainda que distantes, na solidariedade. Quando as coisas ficam difíceis lembramos um ao outro que temos a nós mesmos! Tanto damos, quanto nos doamos. Isso é um dos indicadores mais potentes de política que se articula e se exerce principalmente entre os pobres: ela é comunitária, não privativa; e estar em comunidade é saber-se em laços de amor e amizade. Aqui a gente sempre sabe que em algum lugar, não importa o momento, tem alguém disposto a partilhar de nossa alegria e de nosso sofrimento. Apesar do isolamento físico, descobrimos que não estamos e nem precisamos nos sentir sozinhos. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Revelar.si &#8211; Coletivo de Fotógrafas do Coque</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>
Se
todo sintoma é sinal, esse pequeno ser parece está a nos dizer, que
nosso destino, que só haverá destino, quando formos capazes de
vivê-lo em comum, como agora e com os menores – com as classes de
seres mais pobres. É tempo de gerar lucidez para descentrarmos de
uma vez a lógica que insiste em focar no equilíbrio fiscal em
detrimento do compromisso social. Tempo para entender que a
preocupação com o lucro não pode ser maior do que a preocupação
com a vida – qualquer que seja ela. Hora de saber que “fazer sua
parte” não é suficiente, é preciso aprender a fazer junto!
Porque a forma que coletivamente escolhemos viver, diz diretamente do
modo como podemos morrer. O mundo, e seus outros, precisam significar
alguma coisa para nós! E as periferias carregam uma sabedoria capaz
de nos ajudar nesse quesito. 
</p>



<p>
Já
passou da hora para entender, e por isso gostaríamos de relembrar,
que, como bem observado por Ludwig
Wittgenstein,
“Nenhum
clamor de tormento pode ser maior que o clamor de um homem.
Ou,
mais uma vez, nenhum tormento pode ser maior do que aquilo que um
único ser humano pode sofrer.
O
planeta inteiro não pode sofrer tormento maior do que uma única
alma”.
Por
que? Porque cada vida importa: a minha, a sua, a nossa! 
</p>



<p> <strong>*Coordenador do NEIMFA, integrante da Rede Coque (R)existe, psicólogo social, doutor em Educação, morador da comunidade do Coque, no Recife.</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Coletivos lançam campanhas de apoio a grupos e territórios mais ameaçados pela pandemia</title>
		<link>https://marcozero.org/coletivos-lancam-campanhas-de-apoio-a-grupos-e-territorios-mais-ameacados-pela-pandemia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2020 22:57:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#coronanasperiferias]]></category>
		<category><![CDATA[coletivos periféricos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus no Recife]]></category>
		<category><![CDATA[vakinha digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em tempos de coronavírus, grupos da sociedade civil organizada e coletivos periféricos que atuam na garantia de direitos nos territórios estão se mobilizando para apoiar as comunidades e populações mais afetadas social e economicamente pela pandemia. Vaquinhas digitais, arrecadação de alimentos, de materiais de limpeza e higiene e estratégias locais de disseminação de informação são [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p> Em tempos de coronavírus, grupos da sociedade civil organizada e coletivos periféricos que atuam na garantia de direitos nos territórios estão se mobilizando para apoiar as comunidades e populações mais afetadas social e economicamente pela pandemia. Vaquinhas digitais, arrecadação de alimentos, de materiais de limpeza e higiene e estratégias locais de disseminação de informação são as prioridades neste momento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Marisqueiras de Maracaípe</strong> </h2>



<p>Depois de terem sido afetadas pelo vazamento de óleo, que poluiu mares e mangues e afetou bastante sua renda, as marisqueiras da baía de Maracaípe, no município de Ipojuca, com o confinamento por questões sanitárias, veem ainda mais comprometida sua segurança alimentar. Para fazer frente a mais essa ameaça, o coletivo feminista TPM Todas para o Mar lançou campanha online de doação em favor das marisqueiras.</p>



<p>“A venda de
marisco e aratu já tinha caído em 80% com o óleo e estávamos
preocupadas em fazer uma campanha para ajudá-las na compra de
freezer e organização da cooperativa e aí vem o coronavírus. Elas
agora não podem nem sair para pescar. Nenhuma delas tem reservas. O
que vai pegar é a fome. Cada uma dessas mulheres tem quatro, cinco,
seis filhos&#8230;”, explica Nuala Costa, integrante do Todas para o
Mar, grupo formado por 12 mulheres moradoras de Maracaípe.</p>



<p>O Todas para o Mar trabalha há quatro anos na região com as mulheres e com as crianças. Promovem atividades na área de esportes, levando por exemplo as crianças a praticar surf e também acompanhamento escolar, social e familiar, com oficinas e reforço nos estudos. Com as mães, marisqueiras e artesãs, realizam feiras de artesanato e divulgação dos produtos para gerar renda. “Conhecemos cada uma dessas mulheres pelo nome, sobrenome e profissão. Por isso sabemos exatamente a gravidade de sua situação”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Mensagem no instagram do coletivo Todas para o Mar reforça importância da doação</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O coletivo pesquisou e encontrou uma empresa que produz cestas básicas por R$ 55,00 cada uma. Selecionaram as 150 famílias em pior situação e decidiram arrecadar R$ 33,3 mil para fornecer 2 cestas básicas para as famílias no período de dois meses. “Esperamos que tudo isso dure esses dois meses. Muita gente pode ser afetada. E se começar a fome, as pessoas vão para a rua sobreviver. Podemos ter saques. Então temos que retardar isso. Ver até que ponto esse governo, que diz que tudo é só uma gripizinha, vai nos ajudar, e também as prefeituras”, critica Nuala.</p>



<p> <strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="https://www.vakinha.com.br/vaquinha/campanha-de-alimentos-para-as-mulheres-da-baia-de-maracaipe">Campanha de alimentos para as marisqueiras</a></strong> </p>



<p>No Recife, a organização comunitária Caranguejo Uçá, da Ilha de Deus, também lançou uma campanha de arrecadação de recursos para apoiar famílias que vivem da pesca nas comunidades de Ilha de Deus, Bode, Brasília Teimosa, Vila Imbiribeira e Ilha do Maruim. </p>



<p>São em torno de 400 famílias que, assim como as marisqueiras de Maracaípe, foram prejudicadas com o vazamento de óleo no ano passado e, agora, sofrem com a impossibilidade de buscar no rio e no mar o seu sustento. &#8220;É uma pancada atrás da outra. Mais de 50% dos pescadores não tiveram acesso à compensação financeira do governo por conta do vazamento e, na sequência, quando um assunto ainda não está resolvido, vem o coronavírus&#8221;, afirma o comunicador social e ativista Edson Fly, do Caranguejo Uçá.</p>



<p>Na Ilha de Deus, a organização tem tido um papel importante no trabalho de orientação à comunidade sobre prevenção, utilizando inclusive a rádio local para disseminação de informação. &#8220;A gente está muito ligado na campanha da quarentena, para as pessoas ficarem em casa e não serem vetores da contaminação. Garantir o alimento dessas pessoas é uma forma de mantê-las em casa&#8221;, explica Fly.<br><br>Os recursos doados serão revertidos em alimentos e produtos de limpeza e higiene. Fly explica que a campanha do Caranguejo vai se somar às campanhas movidas por outros grupos que atuam nas cinco comunidades pesqueiras, numa &#8220;iniciativa sem protagonismo, mas de ação solidária em rede&#8221;.</p>



<p><strong>PARA DOAR: Banco do Brasil. Agência: 1245-9. Conta corrente: 152495-0. Enviar comprovante por Whatsapp: (81) 99113-9712</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Marmita solidária para população de rua</strong> </h2>



<p>No bairro de Santo Antônio, Centro do Recife, teve início nesta quarta-feira (25) a ação batizada de Marmita Solidária, uma colaboração da Frente Brasil Popular, com os movimentos sociais, partidos, sindicatos filiados à CUT (Sintepe, Bancários, Metalúrgicos, Químicos e Petroleiros) junto com o movimento Unificados pelo Povo de Rua, iniciativa da Arquidiocese de Olinda e Recife, e pessoas voluntárias. Foram distribuídas 330 marmitas de café da manhã para a população de rua.</p>



<p>As refeições estão sendo produzidas por uma equipe de cozinheiros montada no Armazém do Campo, espaço sob gestão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A ideia é distribuir alimentação duas vezes ao dia, pela manhã – entre 7h e 8h30 – e no final da tarde/início da noite – das 17h30 até as 19h. Tudo está sendo feito com o apoio da Guarda Municipal para evitar aglomeração. As marmitas são distribuídas por senha.</p>



<p>“Percebemos que houve um refluxo na movimentação de alguns grupos organizados, muito religiosos, que atuavam na região distribuindo alimentos entre a população de rua. Natural isso, com o medo de contaminação. Vimos a necessidade de agir. É uma ação assistencial, mas que precisa ser feita nesse momento. São pessoas que precisam dessa ajuda, pessoas que realmente passam fome”, conta Paulo Mansan, da coordenação do MST-PE e da Frente Brasil Popular, informando que o grupo conta com o apoio também da ong Bom Samaritano e está em diálogo para fechar parceria com o MTST e a Frente Brasil Sem Medo.</p>



<p>A maior parte dos
alimentos produzidos no Marmita Solidária vem de áreas de reforma
agrária, agricultura familiar com apoio do MST, Fetape, ASA e Centro
Sabiá. “Todo mundo junto se ajudando um pouco”, diz Mansan.</p>



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<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Marmita Solidária" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/FUo65hG4Cfo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>Num outro <em>front, </em>um grupo de costureiras do MST de Caruaru está produzindo máscaras de proteção para serem distribuídas nas ações da Marmita Solidária entre os moradores de rua e a equipe de apoio à iniciativa. No primeiro momento são máscaras de TNT, que não protegem totalmente do vírus, mas que podem minimizar o contato. Mansan explica que a Frente está em contato com a UPE e o Instituto Oswaldo Cruz para desenvolvimento de máscaras que garantam mais proteção.  </p>



<p>“Se conseguirmos avançar nas doações e termos uma coleta maior de alimentos. desejamos montar também cestas básicas para enviarmos a acampamentos tanto urbanos quanto rurais da Região Metropolitana do Recife e também para outras populações vulneráveis”, informa Mansan. As doações são importantes para garantir que a Marmita Solidária funcione também durante os finais de semana.</p>



<p><strong>PARA DOAR: Banco do Brasil. Agência: 0697-1. Conta: 58892-X CNPJ 09.423.270/0001-80 &#8211; Associação da Juventude Camponesa Nordestina &#8211; Terra Livre</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Ocupação Carolina de Jesus</h2>



<p>Na semana passada, o Movimento de Trabalhadores Sem Teto de Pernambuco (MTST), em parceria com a ONG Fase, fez um mutirão para entregar kits de limpeza na ocupação Carolina de Jesus, no Barro, onde funciona a creche Marielle Franco. As famílias que têm crianças na creche &#8211; que está fechada por medida preventiva &#8211; receberam as doações dos produtos e também alimentos. </p>



<p>Foram distribuídos ao todo 700 litros de detergente e desinfetante, 840 litros de água sanitária, 1.260 sabonetes e sabões em barra e 140 rolos de papel toalha. Cada família também recebeu material informativo com orientações sobre como agir para prevenir o coronavírus.  </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Distribuição de cestas básicas na ocupação Carolina de Jesus</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Além da ocupação Carolina de Jesus, outras 80 famílias das comunidades de Pocotó, em Boa Viagem, e do Sítio dos Pescadores, no Pina, também receberam doações, contabilizando mais de 3.600 itens entregues. </p>



<p>O MTST criou um fundo de emergência para sem tetos afetados pelo coronavírus que será mantido com doações online,  &#8220;uma campanha de arrecadação de recursos para serem utilizados na compra  de cestas básicas, com verduras e frutas, medicamentos e outros itens  essenciais para o momento, como álcool em gel, para milhares de sem-teto espalhados em todo Brasil&#8221;. </p>



<p><strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="https://mtst.org/mtst/fundo-de-emergencia-para-sem-tetos-afetados-pelo-coronavirus/">Fundo de Emergência para os Sem-tetos afetados pelo coronavírus</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Trabalhadores do comércio informal</strong> </h2>



<p>  Outro grupo que está em situação vulnerável são os trabalhadores do comércio informal. Só em Recife, são 10 mil pessoas. Para minimizar os efeitos da pandemia para as famílias com maior dificuldade, o Sindicato dos Trabalhadores Informais do Recife – Sintraci abriu uma vaquinha online, contando também com o apoio da Associação de Ambulantes da Boa Vista.</p>



<p> “Mandamos
nota para o prefeito Geraldo Julio para saber quais medidas ele vai
tomar em relação a esses trabalhadores, porque eles estão ficando
em casa e, quando a comida acabar, queremos
saber como esses pais e mães
de famílias vão fazer para
se sustentar sem salário
nenhum, sem nada”, questiona Edvaldo Gomes,
presidente do sindicato.</p>



<p>Segundo ele, o objetivo inicial é arrecadar R$ 5 mil até o final de março para atender às famílias mais necessitadas, com alimentos e materiais de higiene. Já teriam sido cadastradas 61 famílias em situação mais grave, a partir de levantamento nos pontos onde os ambulantes estão mais organizados, como a Conde da Boa Vista e nos hospitais públicos, como o Barão de Lucena, no Cordeiro, e o Agamenon Magalhães, em Casa Amarela. A campanha seguirá na internet também em abril.</p>



<p><strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="https://www.vakinha.com.br/vaquinha/comerciantes-informais-do-recife-precisam-da-sua-atencao?fbclid=IwAR260WYi-O2HzBZ5xEmIV0PR6_V0tb0S_9DAEXoYSaUSD5BLbz4G5Gx8ueY">Vaquinha de apoio a trabalhadores informais</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Livroteca Brincante do Pina</strong> </h2>



<p>Na zona sul do Recife, a Livroteca Brincante do Pina lançou uma campanha de doação de materiais de limpeza e higiene pessoal e arrecadação de recursos para apoiar as famílias mais vulneráveis da comunidade do Bode. “Estamos recebendo doações em dinheiro e em material de limpeza e temos organizado essas doações em kits com água sanitária, detergentes, sabão em barra, sabão em pó, máscaras… Fazemos a distribuição na porta de cada família, prioritariamente aquelas com idosos e de mais baixa renda, também as que vivem em palafitas”, explica Bruno Medeiros, morador do Pina e voluntário da Livroteca.</p>



<p>A própria Livroteca – que tem cadastradas 60 crianças da comunidade &#8211; se transformou no local de recebimento desses materiais, mas Bruno também tem ido de carro buscar produtos doados por pessoas de outros bairros da cidade. “Hoje mesmo (quarta-feira, dia 25) estou indo pegar 200 litros de produtos de limpeza numa casa lá nas Graças”. A distribuição dos produtos arrecadados se intensificou nos últimos dias. No início, quando as doações ainda eram pequenas, o grupo de voluntários uniu esforços para informar a comunidade sobre o coronavírus e as ações de prevenção, colando panfletos didáticos produzidos pela Prefeitura do Recife e o Governo do Estado nos becos e palafitas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Bruno Medeiros distribui produtos de limpeza na comunidade do Bode</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para a comunicadora popular e educadora social, Magda Alves, também voluntária da Livroteca do Pina, a informação é uma ferramenta importante. “Fizemos um cortejo com megafone, distribuindo panfletos e colando em lugares públicos. A informação chega por último nas favelas”. Magda tem atendido as demandas de imprensa sobre a ação e é dela também o telefone divulgado nas redes sociais para obter mais informações sobre as doações. “Tem muita gente ajudando, doando. Na comunidade são muitas as carências, de moradia, de renda… esse projeto é muito importante”.</p>



<p><strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="http://livrotecabrincantedopina.siteo.one/br/coronanasperiferias?fbclid=IwAR1JN4K5UALjNpFmaWL8lZ7IZPsyuLS6-gZlePPw5xjIeG01ZFzop6qrtcg">Campanha de arrecadação</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Associação de Moradores de Três Carneiros</strong> </h2>



<p>Em Três Carneiros, a Associação de Moradores &#8211; com o apoio do projeto Favela Brasil – também aposta na divulgação de informações sobre prevenção para reduzir o impacto do novo coronavírus na localidade e também em toda a área do Ibura. Numa região com muitas ladeiras, curvas e caminhos estreitos, a melhor estratégia para atingir o maior número de pessoas tem sido a motosom, motocicleta que circula pelo bairro tocando o jingle informativo da campanha e pedindo às pessoas para permanecerem em casa.</p>



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	                                        <p class="m-0">Levi Gomes, da Frente Favela Brasil, e a motosom que roda pelo Ibura divulgando ações preventivas contra o coronavírus</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Uma
das lideranças comunitárias à frente do projeto é o
produtor cultural Levi
Costa, morador de Três
Carneiros. “Sabemos
que nossa comunidade está muito vulnerável ao que está acontecendo
e não estamos tendo suporte da prefeitura nem do governo. Então nós
mesmos estamos fazendo o que o poder público devia fazer, informando
a população. Nós por nós
mesmos. Muita gente ainda não
está consciente. Tem muita gente ainda circulando na rua por aqui”,
conta Levi, informando que a
polícia tem feito rondas e exigido que os comerciantes fechem seus
estabelecimentos.</p>



<p>Nesta terça-feira, a associação de moradores colocou faixa na fachada da antiga delegacia local, no terminal de ônibus de Três Carneiros, pedindo para a população se proteger e permanecer em casa. A entidade reduziu o horário de funcionamento de sua sede, aberta agora ao público apenas das 9h às 11h, para evitar aglomerações. E está recebendo doações em dinheiro para pagar a motosom, que sai por R$ 30,00 a hora de circulação, e comprar material de limpeza para distribuir.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Associação de Moradores de Três Carneiros com Frente Favela Brasil - CORONA" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/GZiZBQZ2VFw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>“Arrecadamos roupas, mas ainda não começamos a distribuir porque quando a gente divulga que vai rolar o bazar solidário a população vem em massa e não podemos fazer aglomerações agora, porque aí vamos ficar à mercê do vírus. Já distribuímos sabão e água sanitária nas casas. Agora estamos recebendo mais apoio… e investindo na divulgação nas nossas redes sociais”.</p>



<p><strong>PARA DOAR ENTRAR EM CONTATO COM: 98505-2961 (Jhon), 98789-0790 (Karla) e 984241848 (Levi)</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Articulação Recife de Luta</h2>



<p> Partindo do direito das periferias de se protegerem do coronavírus, a Articulação Recife de Luta, que congrega ongs, movimentos sociais e coletivos de pesquisas, tem pressionado o Governo do Estado a garantir o abastecimento regular de água nessas regiões. Na semana passada divulgaram texto expondo a situação. “Enquanto os bairros ricos da cidade sequer sabem que o racionamento existe, as famílias pobres pelejam todos os dias para guardar água em casa e distribuir seu uso na rotina de lavar prato, roupa, limpar a casa, tomar banho e dar descarga”.  </p>



<p> Segundo o texto, há bairros no Grande Recife que ficam até dez dias sem acesso à água. “Paratibe, em Paulista, recebe água uma 1 vez por semana, assim como Ouro Preto, em Olinda. Saramandaia, em Igarassu, passa dez dias sem água. Na Ilha de Deus, no Recife, já faltou água por seis semanas. A UR2 está há 15 dias sem água. O Alto da Boa Vista já registra dois meses sem receber água”. A Articulação de Luta provocou a Defensoria Pública do Estado para se manifestar sobre o tema.</p>



<p> Em paralelo, a Habitat Brasil, ong que atua na proposição e incidência de políticas públicas para o acesso à moradia, e que tem sede no Recife, provocou o Ministério Público Federal para que acompanhe resolução do Ministério Público do Rio que sugeriu medidas de prevenção para periferias, favelas e grupos vulneráveis a serem executadas por algumas prefeituras da Baixada Fluminense. “Estamos sugerindo que as ações preventivas do Rio sejam estendidas a todos os municípios brasileiros, com ações específicas que incluem o acesso à água. O Governo Federal está totalmente na contramão, mas vamos reforçando o que realmente precisa ser feito”, explica Socorro Leite, diretora-executiva da Habitat Brasil.</p>



<p>
Pela
primeira vez na sua história de
25 anos, a Habitat Brasil
lançou nesta quarta-feira (25) uma campanha nacional para arrecadar
alimentos e materiais de limpeza para as famílias mais vulneráveis
das periferias das cidades onde atua. 
</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>
No Recife, a Articulação de Luta
também colocou no ar uma campanha de doação em benefício de oito
comunidades da capital: 27 de
novembro (Ibura), Aliança com Cristo (Jiquiá), Bode (Pina),
Caranguejo Tabaiares, ocupação Caxangá (Cordeiro),
Coque (Joana Bezerra), Santa Luzia (Torre) e Três Carneiros. São
todas comunidade que têm o referencial de resistência na questão
da moradia e cujas famílias foram impactadas na renda por estarem
impedidas de trabalhar.</p>



<p> Na primeira etapa, a Articulação pretende arrecadar R$ 48 mil. Esses recursos serão empregados em kits emergenciais – no valor de R$ 120 cada um &#8211; contendo alimentos, material de limpeza e higiene e prevenção pessoal. Serão contempladas 50 famílias por território. A escolha das famílias ficará sob responsabilidade dos coletivos locais, que conhecem a realidade de cada comunidade, a partir de alguns critérios pré-definidos: famílias que estejam sem renda principalmente as que desenvolvem atividades informais; que têm o maior número de crianças; e idosos que precisam se proteger mais porque são o principal grupo de risco.</p>



<p> Os produtos e insumos dos kits serão adquiridos nos mercadinhos e comércio populares de cada região como uma forma de movimentar a economia local, já tão afetada pelo isolamento provocado pela pandemia. “Esse é o tema básico. É uma situação de emergência. Está todo mundo se mobilizando para esses kits em apoio à campanha. A Habitat também movimenta uma campanha nacional e o que conseguirmos arrecadar proporcionalmente para o Recife vai se somar à campanha da Articulação”, conta Socorro.  </p>



<p><strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="https://www.vakinha.com.br/vaquinha/covid-19-kits-emergencia-para-familias-nas-periferias-do-recife">kits de emergências para famílias nas periferias do Recife</a> &#8211; Articulação de Luta</strong></p>



<p><strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="https://www.catarse.me/espalhesolidariedade?fbclid=IwAR0BrQfts_1_Encbx3oGOrK2QwseEqG5r_tgl4f53x6rjqcyU-_kkYUShMY">cada família que pode, ajuda uma que precisa</a> &#8211; Habitat Brasil</strong></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/coletivos-lancam-campanhas-de-apoio-a-grupos-e-territorios-mais-ameacados-pela-pandemia/">Coletivos lançam campanhas de apoio a grupos e territórios mais ameaçados pela pandemia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Raull Santiago: ‘Na pandemia, descaso do governo impacta mais a favela’</title>
		<link>https://marcozero.org/raull-santiago-na-pandemia-descaso-do-governo-impacta-mais-a-favela/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2020 02:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#coronanasperiferias]]></category>
		<category><![CDATA[compexo do alemão]]></category>
		<category><![CDATA[favela]]></category>
		<category><![CDATA[raul santiago]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Stabile, da Ponte Jornalismo Isolamento e lavar as mãos são algumas das iniciativas para combater a proliferação do coronavírus. Mas como evitar o contágio nas favelas, em locais com várias pessoas e a maioria trabalhadora, que não pode interromper seu ganha pão senão não terá o que comer? Ações para incluir a favela no [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/raull-santiago-na-pandemia-descaso-do-governo-impacta-mais-a-favela/">Raull Santiago: ‘Na pandemia, descaso do governo impacta mais a favela’</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p> Arthur Stabile, da <a href="https://ponte.org/">Ponte Jornalismo</a></p>



<p>Isolamento e lavar as mãos são algumas das iniciativas para combater a
 proliferação do coronavírus. Mas como evitar o contágio nas favelas, em
 locais com várias pessoas e a maioria trabalhadora, que não pode 
interromper seu ganha pão senão não terá o que comer? Ações para incluir
 a favela no combater a pandemia são levantadas por Raull Santiago, 
ativista do Rio de Janeiro que mora e atua no Complexo do Alemão, zona 
norte da capital fluminense.</p>



<p>Carros de som, cartazes e faixas são uma das formas de informar as 
pessoas. Coletivos das próprias comunidades têm feito essas ações, sem 
contar com ajuda do poder público.  “Como sempre, o senso de comunidade,
 um pelo outro, é o que tem crescido, todos juntos, mas cada um no seu 
quadrado, se fortalecendo. Tenho visto mais avanço das iniciativas das 
próprias pessoas que vivem essa realidade da dificuldade”, afirma Raull.</p>



<p>Segundo o ativista, a falta de água e a fome, que começam a se  intensificar nas casas mais pobres, são alguns dos principais pontos a  serem combatidos, seja pelo poder público, que tem sido omisso, segundo  ele, ou pela própria comunidade. “A pandemia veio para expor a gravidade  do país, o quanto a desigualdade é gritante. Ficamos em segundo plano  tendo que sobreviver por conta própria, pedindo doação para o mundo  inteiro”, lamenta. </p>



<h4 class="wp-block-heading">Ponte<strong>–</strong> Como as favelas estão se organizado para combater o coronavírus?</h4>



<p><strong>Raull Santiago –</strong> Fundamos no Complexo do Alemão um 
gabinete de crise. Uma moradora ativista da luta por moradia, Camila 
Santos, provocou alguns de nós, como <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.vozdascomunidades.com.br/" target="_blank">Voz das Comunidades</a> e o <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.facebook.com/ColetivoPapoReto/" target="_blank">Coletivo Papo Reto</a>
 e outras pessoas foram se aproximando. Esse gabinete evoluiu para 
fortalecer um movimento anterior que existia através da junção de várias
 instituições do Alemão, chamada Juntos Pelo Complexo do Alemão. E aí o 
movimento começou a fazer duas frentes de trabalho: uma de 
conscientização interna sobre a importância de fazer o máximo para 
evitar que o coronavírus chegue na realidade da favela, e outra, com uma
 pressão para fora, para o poder público e a sociedade perceberem a 
gravidade e a diferença, a marca da desigualdade social na realidade do 
tratamento do corona na favela para dentro e na favela para fora. Para 
isso também começamos a pedir algumas doações. </p>



<h4 class="wp-block-heading">Leia mais na Ponte:</h4>



<p><a href="https://ponte.org/conheca-iniciativas-para-combater-os-efeitos-do-coronavirus-entre-os-mais-pobres/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Conheça iniciativas para combater os efeitos do coronavírus entre os mais pobres</a></p>



<p><a href="https://ponte.org/sem-direito-a-quarentena-carregadores-seguem-se-arriscando-a-toda-velocidade/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sem direito a quarentena, entregadores seguem se arriscando nas ruas</a></p>



<p><a href="https://ponte.org/lavamos-as-maos-nas-pocas-quando-chove-a-populacao-de-rua-e-a-pandemia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">‘Lavamos as mãos nas poças quando chove’: a população de rua e a pandemia</a></p>



<h4 class="wp-block-heading">Ponte<strong>–</strong>O que pode ser feito para evitar a disseminação?</h4>



<p><strong>Raull Santiago –</strong> O que acontece: primeiro que a 
distribuição de água aqui no Complexo não é regrado, algo diário em que 
todos os dias as pessoas têm água. Tem muitos pontos que faltam água. 
Inclusive hoje postei no meu Facebook pedindo para a galera comentar 
onde não tinha água e houve vários comentários de muitos pontos. Então a
 gente não consegue seguir as dicas básicas da Organização Mundial da 
Saúde, do Ministério da Saúde sobre, por exemplo, lavar as mãos o tempo 
inteiro quando chegar ou sair para a rua, quando tiver contato com outra
 pessoa. Essa higienização básica de lavar com água e sabão, que é mais 
barato do que o álcool em gel, nem todo mundo consegue fazer nesse 
momento. Já tem essa marca da desigualdade. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="">
                <img decoding="async" src="" alt="" class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Raull é morador e atua no Complexo do Alemão, zona norte do Rio | Foto: Reprodução/Facebook</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h4 class="wp-block-heading">Ponte<strong>–</strong> Há outras questões?</h4>



<p><strong>Raull Santiago –</strong> Tem muitas famílias extremamente 
pobres, que vivem uma vida muito difícil e não têm condições de comprar 
sabonete antisséptico, álcool gel e todos esses materiais indicados por 
serem substâncias capazes de remover ou evitar que o coronavírus entre 
no corpo dessas pessoas. Não tem água e para muitos desses mais pobres 
também não existe grana para comprar esses materiais, então fica esse 
limbo de dificuldade. Ainda nesse conjunto de pessoas extremamente 
pobres, muitas delas sobrevivem de seu trabalho diário: camelôs, 
catadores, reciclistas, pedreiros, a tia da cantina. Várias pessoas que 
têm no seu dia a dia a sua renda principal, desde a proposta de 
quarentena e isolamento, estão começando a passar dificuldade. A pessoa 
vive do dinheiro que entra todo dia para suprir suas necessidades 
mínimas. Hoje, tanto no Voz da Comunidade e no Papo Reto, temos recebido
 muitas pessoas falando da dificuldade e da fome. Não é a completa fome,
 mas gente que não tem mais arroz, tem só o feijão, e não tem o dinheiro
 para comprar. Começa a essas faltas acontecerem. </p>



<h4 class="wp-block-heading">Ponte<strong>–</strong> Como combater? </h4>



<p><strong>Raull Santiago –</strong> Temos feito uma mobilização para 
ajudar nas pressões públicas importantes que estão surgindo, como a 
renda básica: um projeto de lei, iniciativa de várias instituições, 
pressionando o Estado para garantir a renda mínima dessa pessoas, mas 
também doação de dinheiro e de produtos como água sanitária, álcool em 
gel e alimento. Alimento por quê? Porque acreditamos que uma das coisas 
que pode gerar contaminação é a quantidade de pessoas que ainda estão na
 rua. Por mais que esteja diminuindo, que a conscientização tenha 
avançado, são muitas pessoas na rua. Mas elas estão na rua pela 
necessidade, são as que dependem do dia a dia para gerar uma renda e 
comprar comida. Elas que estão vagando aleatórias, esperando fazer um 
bico, um trabalho qualquer, uma ajuda que venha para conseguir ter o que
 comer.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Ponte<strong>–</strong> Como evitar essa situação?</h4>



<p><strong>Raull Santiago –</strong> Garantir essa renda mínima e uma 
cesta básica legal, que dure um mês, que garanta que aquela família e 
garanta as pessoas. É mais uma ferramenta para que elas não fiquem nas 
ruas e se concentrem em casa por não estarem passando fome. Temos 
tentado chamar atenção a isso: não tem como fazer muitas vezes essa 
higiene minima e é grave evitar que o vírus chegue e se prolifere porque
 todo mundo que conhece a realidade da favela é que são casas humildes, 
muito próximas, com poucos cômodos e muitas pessoas. A possibilidade de 
quarentena, de isolamento do indivíduo, é algo impossível. Na minha 
própria casa, se alguém de nós fica doente não tem possibilidade de 
isolamento, moro com cinco pessoas. Não tem como destinar um cômodo para
 uma só pessoal. </p>



<h4 class="wp-block-heading">Ponte<strong>–</strong> Quais ações para informar as pessoas?</h4>



<p><strong>Raull Santiago –</strong> Um processo é a tentativa de 
fomentar uma comunicação interna que dialogue de forma profunda com a 
realidade da favela. Ainda hoje, muita pessoas não têm televisão, não 
têm acesso à internet. Mesmo as dicas básicas que nem sempre se encaixam
 na nossa realidade, tem gente que nem isso acessa. O que fizemos? 
Usamos a principal estratégia que dialoga com todo mundo dentro da 
favela, que é colocar faixas nas entradas, colar cartazes com dicas em 
pontos estratégicos, como o moto-táxi, de transporte alternativo, 
farmácias e também circular um carro de som com as dicas e as indicações
 da OMS [Organização Mundial da Saúde] e Ministério da Saúde, mas também
 dicas locais, como doar água para o vizinho que não tem, fomentando a 
coletividade. </p>



<h4 class="wp-block-heading">Ponte<strong>–</strong> E o que tem visto entre os moradores?</h4>



<p><strong>Raull Santiago –</strong> Nas comunidades e favelas tem 
rolado muito essas iniciativas de conscientização coletiva. Um pelo 
outro, um pela outra, monitoramento dos idosos… Vejo algumas pessoas 
andando pela rua e quando passam por um idoso perguntam para onde estão 
indo, fala para tomar cuidado. Usando a leveza da fala, mas por um 
cuidado real. Nos grupos de WhatsApp tenho visto crescer os áudios das 
pessoas, não os compartilhados, mas gravados por elas mesmas, chamando a
 atenção para o cuidado. </p>



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	                                        <p class="m-0">Aviso com informe de como as pessoas devem se proteger | Foto: Bento Fábio/Papo Reto</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading">Ponte<strong>–</strong> Vêm algo por parte do governo?</h4>



<p><strong>Raull Santiago –</strong> Efetivamente, de ações do governo, 
não tenho visto coisas reais acontecendo. Estamos vendo proposta de PL 
[Projeto de Lei], um monte de reunião, de vai, não vai, mas nada 
avançando, pelo contrário. Quando observamos a nível federal, a nível 
Jair Bolsonaro, temos um completo descaso, ouso dizer até um crime, o 
que tem sido trazido de discurso pelo presidente do país que trata o 
coronavírus, que tem matado tanta gente no mundo, inclusive no Brasil, 
como “viruzinho”, uma coisa que vai passar… Esse desdém é triste. Há 
mais um descaso do governo, se somando a todo histórico de desigualdade 
que a gente já vive, na pandemia, especificamente, um descaso e 
desrespeito com a sociedade como um todo, mas que impacta mais a favela.
 </p>



<h4 class="wp-block-heading">Ponte<strong>–</strong> Mas há alguma ação de fora?</h4>



<p><strong>Raull Santiago –</strong> Como sempre, o senso de comunidade,
 um pelo outro, é o que tem crescido, todos juntos, mas cada um no seu 
quadrado, se fortalecendo. Tenho visto mais avanço das iniciativas das 
próprias pessoas que vivem essa realidade da dificuldade, mais algumas 
pessoas parceiras do mundo artístico, com alta visibilidade, do que 
estratégia do governo, que está batendo cabeça. O governo sabe que a 
histórica desigualdade da favela não será resolvida de uma vez, não dará
 para fazer de uma vez tudo o que não foi feito para ajudar essas 
pessoas. A pandemia, falei isso hoje, veio para expor a gravidade do 
país, o quanto a desigualdade é gritante. Ficamos em segundo plano tendo
 que sobreviver por conta própria, pedindo doação para o mundo inteiro.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Ponte<strong>–</strong> Como vê propostas como as de mandar pessoas doentes para navios ou para estádios?</h4>



<p><strong>Raull Santiago –</strong> Sobre mandar para navios ou  estádios, é muito grave. Nos outros países do mundo, quando estão  mandando pessoas contaminadas ou para hotéis ou para navios, não tem uma  distinção se é rica ou pobre. As pessoas são tratadas como iguais em um  serviço para a coletividade. Aqui, não. Há um recorte específico para a  populações negras, periféricas, faveladas. Me preocupa quais as  condições e formatos de acompanhamentos das pessoas nesses espaços, se é  um local de isolamento, aprisionamento desses corpos que “precisam sair  de circulação porque não são bem vistos na realidade que vivemos, estão  vamos isolar elas daqui”, ou qual outro motivo? É muito preocupante  essa ser a principal solução e, ao mesmo tempo, escancara o quanto o  distanciamento social é grande no nosso país.</p>
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