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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Movimentos feministas enfrentam pandemia com ação política, comunicação e autocuidado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2020 11:47:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não há mais separação entre o profissional e o doméstico na tripla jornada vivenciada pelas mulheres nesta pandemia. A casa, os filhos, o casamento, as atividades políticas e o trabalho acontecem ao mesmo tempo, sem pausa, há cerca de dois meses. É neste contexto que muitas mulheres se articulam e fazem a luta pelos seus [&#8230;]</p>
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<p>Não há mais separação entre o profissional e o doméstico na tripla jornada vivenciada pelas mulheres nesta pandemia. A casa, os filhos, o casamento, as atividades políticas e o trabalho acontecem ao mesmo tempo, sem pausa, há cerca de dois meses. É neste contexto que muitas mulheres se articulam e fazem a luta pelos seus direitos resistir diante de um cenário de agravamento das desigualdades sociais e descaso do Estado.</p>



<p>Em entrevista à Marco Zero, representantes de quatro movimentos feministas relatam como têm sido os processos do fazer política e não soltar a mão de nenhuma companheira em meio à crise agravada pelo novo coronavírus. O isolamento social fez com que estes movimentos e muitas organizações repensassem os modelos das suas ações e se adaptassem ao distanciamento, algo que não aconteceu da noite para o dia. As necessidades também tem variado de acordo com o avanço da pandemia.</p>



<p>Até então, os movimentos trazem as experiências de três momentos distintos. O primeiro, de acordo com Liliana Barros, integrante da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, foi de recolhimento para se fortalecer. “O aumento da fome veio de primeira e é uma coisa muito séria, porque traz um desgaste emocional grande. São as mulheres que chefiam a casa, elas que ficam com a responsabilidade e a preocupação.”</p>



<p>“Apesar do vírus ter chegado por meio de uma classe que tem condições de fazer viagens internacionais facilmente, nós sabíamos que seria devastador quando chegasse nas periferias. Então, a se gente se voltou para dentro da rede e começou com um trabalho de autocuidado mais forte para poder aguentar o que está por vir”, acrescenta.</p>





<p>É o que conta também Nivete Azevedo, do Centro das Mulheres do Cabo, organização feminista que tem 35 anos de atuação na cidade do Cabo de Santo Agostinho. Para ela, a carga emocional e psicológica chegou antes de tudo, tanto para as mulheres da organização quanto para as companheiras das comunidades onde o centro atua. Ela chama atenção para a dificuldade de desenvolver tarefas totalmente distintas dentro do mesmo ambiente: a casa.</p>



<p>“A preocupação veio sobretudo para as mulheres que estão nas comunidades mais vulneráveis, algumas que já participam de processos de terapia desenvolvidos pelo centro. Mas outro grupo que encontramos muito fragilizado foram as marisqueiras, porque elas já vinham de outro desastre que era a questão do óleo no litoral do Nordeste. Filtramos e estabelecemos grupos prioritários.”</p>



<p>Ambos os movimentos colocaram a falta de alimentação como primeira urgência apresentada pelas mulheres e suas famílias nas periferias. A Rede e o Centro realizaram distribuições de cestas básicas, produtos de higiene pessoal e limpeza nas comunidades onde têm inserção.</p>



<p>A Rede de Mulheres Negras de Pernambuco tem núcleos em todo o estado de Pernambuco, com atuações voltadas também para terreiros e quilombos. Nesta pandemia, os núcleos da Região Metropolitana destinaram mais esforços para as comunidades do Córrego do Euclides e do bairro de Passarinho, no Recife, assim como em algumas comunidades de Jaboatão dos Guararapes e Paulista. </p>



<p>Já de acordo com o Centro de Mulheres do Cabo, 70% das mulheres que receberam cestas básicas, são marisqueiras das localidades de Gaibú, Suape, Nova Tatuoca e Tiriri e 30% são das comunidades de Charneca, Pirapama, Novo Horizonte, Ponte dos Carvalhos e do município de Escada. Ao todo, foram distribuídas 100 cestas básicas pelo centro.</p>



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	                                        <p class="m-0">Reunião com a Rede Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual de Criança e Adolescente. Crédito: Arquivo Centro de Mulheres do Cabo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Comunicação</h2>



<p>O segundo momento veio com a adaptação dos movimentos em relação ao distanciamento social. Na rotina sem pandemia, as atuações aconteciam olho no olho, constantemente, dentro das comunidades, bairros e periferias. Sem a possibilidade de realizar manifestações de rua, reuniões e encontros, a produção de conteúdo de comunicação se tornou ferramenta central para os desdobramentos das atividades que tomavam outro corpo.</p>



<p>A militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco, Natália Cordeiro, ressalta que neste sentido o trabalho tem acontecido na perspectiva de cobrir lacunas que o próprio Estado tem deixado de maneira “leviana”. “A gente tem conseguido apostar muito nessa maneira de se comunicar. Mas é um serviço que os governos deveriam estar fazendo. Informação de qualidade, de maneira responsável e com uma perspectiva feminista da situação.”, explica.</p>





<p>O Fórum é uma articulação que existe desde 1988 e reúne organizações feministas e mulheres de várias regiões do estado. Atua de maneira descentralizada em várias comunidades do Recife e da Região Metropolitana. Natália conta que a rotina de reuniões se intensificou virtualmente na pandemia. O fluxo tem sido semanal, mas, a partir das definições gerais, as demandas por reuniões vão surgindo nos vários grupos de trabalho. O Fórum também tem se mobilizado em todas as regiões com a distribuição de cestas básicas.</p>



<p>O contato direto por meio das redes sociais e do monitoramento periódico com ligações para as companheiras dos bairros de Brasília Teimosa, Peixinhos e Várzea foi uma das apostas da Marcha Mundial das Mulheres em Pernambuco. A militante Paula Gusmão, do Núcleo Soledad Barrett – Recife diz que o contato por estes meios pode comprometer a “percepção de algumas nuances dos processos de vivência das mulheres”, mas se tornou “indispensável”. </p>



<p>O movimento também tem se feito presente nos bairros através da Campanha Mãos Solidárias com a entrega de cestas básicas. “Estamos nos reunindo virtualmente. Temos reforçado o contato e acompanhamento da situação de nossas companheiras, buscando sempre ouvi-las e saber como estão, orientá-las no acesso a políticas públicas e a informações de prevenção em relação ao coronavírus.”</p>



<p>Paula lembra que, quando a pandemia chegou ao estado, a marcha estava prestes a realizar a terceira etapa da Escola Feminista Popular, que acontece durante o período de um ano. Os processos de formação foram adaptados para o formato de vídeo, mas o movimento tem testado outros modelos, já que de fato a rotina de sobrecarga de trabalho não facilita que as mulheres possam separar um tempo muito longo ou que demande aprofundamento de assuntos muito teóricos.</p>



<p>A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento internacional que chegou ao Brasil em 2000, quando a marcha realizou sua primeira Ação Internacional. Tem núcleos em diversos estados do país, assim como na Região Metropolitana do Recife e no Agreste do estado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Entrega de 100 cestas básicas em comunidades do Cabo de Santo Agostinho e mediações. Crédito: Arquivo Centro de Mulheres do Cabo</p>
	                
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<p>No Cabo, o Centro das Mulheres voltou a produzir seu programa diário Rádio Mulher no dia 4 de maio. Com o coronavírus, o formato presencial do programa impossibilitava que ele fosse ao ar. Segundo Nivete, dois estúdios de rádio improvisados foram montados nas casas das duas locutoras do programa que é exibido via live no Facebook da organização.</p>



<p>A Rede de Mulheres Negras também tem investido na produção de conteúdo informativo para circulação nas redes sociais, como foi o mote “Preta, se liga!”. De acordo com Liliana, a proposta é levar informações por meio de carros de som e bicicletas nas comunidades de difícil acesso.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> Articulação política </h2>



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<p> Nivete Azevedo afirma que a articulação entre movimentos parceiros tem sido o foco das reuniões que acontecem diariamente. “O jeito que encontramos é não fazer sozinha e dentro de nossa incidência priorizar as mulheres. A gente tem tido um trabalho remoto exaustivo, buscando formas de atuar conjuntamente com os movimentos mais próximos e nas frentes que estamos incluídas como a Rede Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual de Criança e Adolescente”. O Centro das Mulheres do Cabo faz parte da coordenação da rede.</p>



<p>Os outros movimentos seguem caminhos semelhantes e as articulações também têm sido feitas no sentido de cobrar do Poder Público ações mais efetivas no combate à pandemia e pelo direito à informação. A Rede de Mulheres Negras apresentou carta ao governo estadual reivindicando notificações que constem raça e cor dos casos de contaminação e de óbitos por Covid-19. </p>



<p>No sentido de realizar uma audiência pública com os poderes do estado, Executivo e Legislativo, o Fórum de Mulheres tem se articulado junto ao Ministério Público em reuniões virtuais. O movimento também lançou uma carta pública em que faz várias reivindicações por maior enfrentamento da violência contra a mulher, amplo acesso a informações sobre a pandemia como um direito de todos, e por ampla testagem da população.</p>



<p>A Marcha Mundial relata que tem mantido as articulações por meio da Campanha Mãos Solidárias, organizada pela Frente Brasil Popular, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Arquidiocese de Olinda e Recife e o movimento Unificados pelo Povo em Situação de Rua. O movimento feminista está a frente da coordenação de um grupo de cerca de 78 costureiras que produzem voluntariamente máscaras de proteção individual, que são destinadas ao voluntariado da distribuição de refeições e cestas básicas no Armazém do Campo – Recife e nas periferias da RMR.</p>



<p>O movimento internacional lançou publicamente a carta “Máscaras para todos e todas e não apenas para quem pode pagar”. O documento reivindica ao governo do estado e às prefeituras pernambucanas a criação de políticas públicas voltadas para a confecção de máscaras de tecido para a população vulnerável e geração de renda nas periferias, por meio da contratação de costureiras autônomas. Também se pronunciou publicamente solicitando alterações no edital publicado pela Prefeitura do Recife, que credencia costureiras e pequenas confecções para a produção de máscaras.</p>
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		<title>Mapa de vulnerabilidade produzido por coletivos pode ajudar a reduzir impacto do coronavírus em Paulista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2020 22:27:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus nas periferias]]></category>
		<category><![CDATA[Paulista]]></category>
		<category><![CDATA[rede coppa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um estudo sobre as áreas de maior vulnerabilidade no contexto da pandemia na cidade de Paulista, no Grande Recife, é o principal instrumento que os coletivos populares têm em mãos para produzir ações e pressionar o Poder Público pela redução dos impactos do coronavírus no município de 307 mil habitantes. O mapeamento revelou que até [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um estudo sobre as áreas de maior vulnerabilidade no contexto da pandemia na cidade de Paulista, no Grande Recife, é o principal instrumento que os coletivos populares têm em mãos para produzir ações e pressionar o Poder Público pela redução dos impactos do coronavírus no município de 307 mil habitantes.  </p>



<p>O mapeamento revelou que até o dia 19 de abril – quando haviam sido registrados 143 casos e quatro óbitos &#8211; a propagação do vírus esteve concentrada nas áreas centrais dos bairros mais populosos e não se intensificou nas regiões periféricas desses bairros. O que é visto como “uma oportunidade de conter a propagação nestas áreas que têm menos condições de lidar com a crise”.<br> <br> O documento é uma parceria entre a Rede de Coletivos Populares de Paulista (Rede Coppa), o Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), a Cooperativa Arquitetura, Urbanismo e Sociedade (CAUS),o  Instituto dos Arquitetos do Brasil &#8211; seção Pernambuco, a Articulação Recife de Luta, e contou com a colaboração do geógrafo e professor Diogo Galvão.</p>



<p>Compõem a Rede Coppa os grupos Escambo Coletivo (Paratibe/Arthur Lundgren I), Coletivo Força Tururu (Janga), Coletivo M1 (Maranguape I); Observatório Popular de Maranguape (Maranguape I) e as Coletivas.</p>



<p>Para construir o mapa foram analisados os diversos graus de vulnerabilidades dos territórios e a propagação do coronavírus pela cidade.  </p>



<p>Entre os aspectos
levados em conta para traçar o perfil de vulnerabilidade
incluíram-se o Índice de Vulnerabilidade Social elaborado pelo
Ipea, a densidade demográfica por região, o somatório dos
aglomerados subnormais (definidos pelo IBGE como aqueles de ocupação
irregular e carentes de serviços públicos) com as Zonas de
Especiais de Interesse Social, as áreas de risco de deslizamento e
alagamento levantadas pelo Condepe/Fidem, as infraestruturas de
abastecimento de água e de esgotamento sanitário (Compesa), a
presença de idosos e de famílias dependentes de idosos, famílias
chefiadas por mulheres, número de pessoas por dormitório e a
dimensão racial por setor censitário (IBGE).</p>



<p>Como alguns desses dados eram de 2010, os coletivos fizeram um levantamento territorial das áreas onde atuam para identificar novas ocupações que surgiram na última década em condições precárias de moradia e com a ausência de serviços públicos básicos. </p>



<p>“Adicionamos o que estava mais visível para cada um dos coletivos &#8211; as novas áreas ocupadas próximas do manguezal de Maranguape, por exemplo -, e associamos com as informações oficiais”, explica Luan Melo, arquiteto urbanista e morador de Paratibe, assessor técnico popular da CAUS e da CPDH.</p>



<p>O levantamento do avanço do contágio do coronavírus em Paulista abrangeu o período entre o dia 3 de abril – quando foram registrados os primeiros casos – e o dia 19. </p>



<p>A análise aponta que o vírus não teria chegado até aquela data de forma expressiva nos territórios mais precarizados, mas faz a ressalva de que a subnotificação é um fator a ser considerado. Por isso, o grupo vai continuar monitorando o avanço do vírus nas periferias do município.</p>



<p>No último balanço
divulgado pela Secretaria de Saúde de Pernambuco, na quinta (23),
Paulista ocupava a quinta colocação no estado em número de
infectados com 184 casos. Com o registro de 11 óbitos e taxa de
letalidade de 6%.</p>



<p>O estudo desenvolvido pelos coletivos populares e as entidades da sociedade civil apontou mais de 25 comunidades, de 15 do total de 22 bairros da cidade, onde estão localizados os “territórios com mais alto grau de vulnerabilidade e maior demanda por intervenção no contexto da pandemia do novo coronavírus”.</p>



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	                </figure>

	


<p>Para o geógrafo Diogo Galvão, professor do Esuda e da UNIT, o mapeamento permitirá a produção de informação e comunicação mais específicas para atingir efetivamente as pessoas em situações de maior vulnerabilidade social.  </p>



<p>“A informação generalizada não vai atingir a população que não se adapta a essa informação. É essa a nossa preocupação. Como podemos auxiliar o trabalhador informal? Identificando as características físicas e estruturais de onde ele vive, a insalubridade do esgotamento sanitário de quem mora no entorno do mangue&#8230; Essa relação do ambiente físico e da falta de infraestrutura precisa ser cada vez mais mapeada, identificada, para que a gente atue de maneira diferente em cada território”, explica.</p>



<p>Para Diogo, o Poder Público precisa agir urgentemente nas áreas periféricas. “Se a mancha de contaminação não aparece nas periferias é porque existe subnotificação, o que indicaria que o Poder Público está negligenciando esses territórios nas testagens, ou isso acontece porque o coronavírus ainda não chegou de fato nesses locais, mas quando chegar, dadas as condições de vida, o contágio vai ser rápido. Nos dois casos, o Poder Público precisa responder ainda mais rápido com intervenções para reduzir os impactos”, avalia.</p>



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<p>Integrante do Escambo Coletivo e do Coletivas, que integram a Rede Coppa, Luana Alves diz que o mapeamento vai ser encaminhado à Prefeitura de Paulista, com quem os coletivos já mantêm contato regular com as demandas para seus territórios.  Luana, Diogo Galvão e Luan Melo foram os coordenadores do projeto.</p>



<p>Segundo Luana, que também é assessora técnica da CAUS, o grupo solicitou informações à Secretaria Municipal de Saúde para o mapa, mas elas não chegaram até o momento da publicação do material. </p>



<p>“Vamos encaminhar o mapeamento para a Prefeitura, com os arquivos abertos para consulta, mas não temos como ter certeza de que eles vão utilizar. Esse estudo não é propriedade nossa. Queremos que ele seja usado em benefício da população, até para que possa existir uma reparação histórica para as pessoas que vivem em áreas sem moradia digna e que, agora, estão ainda em pior situação por conta da pandemia”.</p>



<p>Muitas das medidas
levantadas como prioritárias pelo estudo para evitar o avanço do
coronavírus pelas periferias do município devem ser executadas pelo
Poder Público. Entre elas, “a descentralização dos kits de
testagem do centro para os bairros de periferia em UPAs e UBSs, com
orientação e insumos para o gerenciamento de casos menos graves”.
Uma ação para fazer frente à subnotificação e que evitaria os
deslocamentos mais longos da população mais vulnerável.</p>



<p>A intensificação da relação com a Compesa para garantir o abastecimento de água nessas regiões e estabelecer um calendário a médio prazo para ampliação do tratamento de esgoto também está em destaque.</p>



<p>A aproximação do inverno e do período de chuvas preocupa os coletivos populares e os parceiros da sociedade civil organizada que trabalharam no mapeamento. Eles apontam a necessidade de construção de abrigos de emergência para receber as pessoas que moram nas áreas de risco de deslizamento.  </p>



<p>Defendem que
Prefeitura e Estado também disponibilizem abrigos deste tipo para
moradores de residências com alta densidade, alertando que a
transferência não deve se dar de forma compulsória, mas com a
concordância desses moradores.</p>



<p>O levantamento também foi importante para os coletivos perceberem a necessidade política de ampliar seus espaços de atuação. “Esse mapeamento deixou visível para os coletivos essa necessidade de articular com outros territórios periféricos da cidade, no sentido de intensificarmos as nossas campanhas de comunicação, criando referenciais e relações de confiança entre os  coletivos e os moradores para que a gente possa reduzir os efeitos do coronavírus nessas áreas”, avalia Luan Melo.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/mapa-de-vulnerabilidade-produzido-por-coletivos-pode-ajudar-a-reduzir-impacto-do-coronavirus-em-paulista/">Mapa de vulnerabilidade produzido por coletivos pode ajudar a reduzir impacto do coronavírus em Paulista</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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