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	<title>Arquivos coronavírus no Recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 12:46:00 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos coronavírus no Recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Reabertura das atividades em Pernambuco atende empresários e preocupa cientistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Mar 2021 15:29:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus no Recife]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[lockdown]]></category>
		<category><![CDATA[quarentena em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após bater mais uma semana de recorde de casos e internações &#8211; com mais de 1.800 pessoas internadas em UTIs -, o governo de Pernambuco anunciou, na quinta-feira, 25 de março, que prolongará a quarentena por mais três dias, até 31 de março, sem alteração nas regras, e depois seguirá com a reabertura das atividades, [&#8230;]</p>
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<p>Após bater mais uma semana de recorde de casos e internações &#8211; com mais de 1.800 pessoas internadas em UTIs -, o governo de Pernambuco anunciou, na quinta-feira, 25 de março, que prolongará a quarentena por mais três dias, até 31 de março, sem alteração nas regras, e depois seguirá com a reabertura das atividades, já a partir do dia 1º de abril, véspera do feriado da Semana Santa (confira mais abaixo os detalhes). Enquanto o empresariado comemorava o anúncio do governador Paulo Câmara (PSB), epidemiologistas, pesquisadores e profissionais de saúde lamentavam a decisão em clima de desespero.</p>



<p>A decisão acontece logo após Pernambuco ter a pior semana de 2021 (semana epidemiológica 11), com 1.594 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), um aumento de 19% em uma semana e de 40% em 15 dias. Na própria quinta-feira, havia exatas 1.842 pessoas internadas em UTIs no estado, sendo 1.424 na rede pública e 418 na rede privada.Foi de 97% o percentual de aumento das internações em UTIs públicas entre a primeira semana de janeiro e a semana que se encerrou no último sábado (20). Apenas na faixa etária acima dos 85 anos , já vacinada, não se registrou crescimento &#8211; ao contrário, houve redução na casa de 20%. Mas, entre 20 e 59 anos, esse número quase triplicou.</p>



<p>Logo após a coletiva de imprensa que detalhou as medidas, com o secretário estadual de Saúde, André Longo, e a presença do chefe do departamento de Infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Demetrius Montenegro, o Movimento Pró-Pernambuco, que reúne mais de 30 nomes ligados à indústria, comércio e ao setor de serviços, publicou uma nota avaliando que as novas medidas “correspondem aos anseios do setor produtivo”, principalmente por darem “previsibilidade&#8221;. São de “equilíbrio e responsabilidade” e, desta vez, o grupo foi “ouvido verdadeiramente” pelo governo.</p>



<p>“O Movimento Pró-Pernambuco comunica que as medidas anunciadas hoje pelo governador Paulo Câmara correspondem aos anseios do setor produtivo, principalmente porque atendeu aos nossos anseios pela previsibilidade das medidas restritivas. Vemos nestas medidas equilíbrio e responsabilidade. Desta forma, as empresas podem planejar os próximos passos. Fomos ouvidos verdadeiramente. Cabe agora fazer nosso trabalho e esperamos a cooperação da sociedade para que, em 25 de abril, evoluamos para um melhor estágio”, diz a íntegra do comunicado assinado pelo presidente do MPP, Avelar Loureiro Filho, empresário dos setores imobiliário, de shopping e do agronegócio.</p>



<p>O movimento foi criado em 2020 como forma de articular o empresariado local no enfrentamento da pandemia e na retomada das atividades produtivas. Algumas horas antes de o governo do estado anunciar a quarentena mais rígida, no dia 15 &#8211; <a href="https://marcozero.org/quarentena/">medida avaliada por especialistas como certa, porém atrasada</a> -, o <a href="https://marcozero.org/empresarios-convocam-entrevista-para-pressionar-governo-pouco-antes-do-anuncio-da-quarentena/">grupo de empresários convocou a imprensa</a> para reclamar da falta de diálogo com o Palácio do Campos das Princesas, pedir mais participação na solução da crise e sinalizou que os “responsáveis por mais de 90% do PIB” iriam intensificar o lobby em favor dos CNPJs.</p>



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	                                        <p class="m-0">Avelar Loureiro derramou-se em elogios às medidas de flexibilização  (Crédito: Divulgação)</p>
	                
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<p>A quarentena, que não proibiu a circulação de pessoas e veículos como no ano passado, terminaria neste domingo (28) e foi estendida até a quarta (31). A partir do dia 1º, será colocado em prática um novo plano de convivência, com regras válidas até o dia 25 de abril. As atividades econômicas poderão reabrir das 10h às 20h, nos dias de semana, e das 9h às 17h, aos sábados, domingos e feriados.As praias voltarão a ter atividades físicas individuais permitidas, e a volta às aulas estará liberada a partir do próximo dia 5 de abril, para a rede privada e para o ensino médio da rede estadual. As celebrações religiosas poderão voltar a acontecer, desde que obedeçam aos protocolos e horários pré-estabelecidos.</p>



<p>Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Pernambuco (Abrasel-PE), André Araújo, a sensação foi de “alívio”, apesar da preocupação com a alta ocupação de leitos. Nesta quinta (25), segundo o boletim da Secretaria Estadual de Saúde, a taxa de ocupação de UTI estava em 98%, o que significa, para os profissionais de saúde, praticamente um colapso.</p>



<p>O setor de alimentação, porém, ainda tem uma ressalva, diz André: o horário de funcionamento dos bares nos dias de semana. “O horário das 20h durante a semana para nós praticamente não adianta porque os bares abrem às 17h e vão funcionar apenas por três horas, não cobre os custos”, explica, lembrando que, para estar com as portas fechadas às 20h, é preciso encerrar o atendimento às 19h. “É pouco relevante para a gente e isso vai pontualmente piorar a situação desses estabelecimentos, levando a mais demissões e fechamento de unidades”, detalha o empresário, para quem a vacinação é a grande saída.</p>



<p>“Na primeira onda, alertei que tínhamos uma pesquisa feita por uma grande administradora de cartões de crédito mostrando que o pico de fechamento de contas acontece entre 20h e 22h. Seria razoável que o governo fizesse adaptações para os bares”, pede André. &#8220;Quanto mais curto o horário, maior será a aglomeração porque as pessoas vão procurar o setor para comer e beber ao final do dia”, pontua.</p>



<p>Pelas contas da Abrasel, o ano de 2020 encerrou-se com cerca de 25% do setor falido em Pernambuco. André afirma que, para que haja recuperação, é necessário haver também renúncia fiscal por conta do acúmulo muito grande de dívidas.</p>



<p>A salvação, acrescenta, é a renovação da Medida Provisória 936, que prevê a redução de jornada de trabalho e salários e cuja nova rodada será divulgada após a aprovação do orçamento nos próximos dias. O empresariado nacional tem feito pressão no Congresso sob a possibilidade de haver uma “onda de demissões devastadora”, segundo as palavras do dono da Riachuelo, Flavio Rocha.</p>



<p>Sobre os protocolos, André comenta que a maior parte do setor segue as recomendações, com pontos fora da curva que devem ser fiscalizados com rigor. “O problema é que o setor é grande, há vários modelos diferentes. Mas quem promove aglomeração e não cumpre os protocolos sanitários tem que ser fiscalizado”, diz.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/segunda-onda-da-covid-e-infeccoes-respiratorias-sazonais-sobrecarregam-hospitais-pediatricos/" class="titulo">Segunda onda da covid e infecções respiratórias sazonais sobrecarregam hospitais pediátricos</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Abril e maio</strong> podem ser ainda piores</h2>



<p>“Não sei como se conjuga economia com cadáveres, os mortos não produzem nem consomem nada”. A reação da professora da Faculdade de Ciências Médicas e pesquisadora do Instituto Aggeu Magalhães, da Fiocruz-PE, a epidemiologista Ana Brito resume a aflição com que cientistas e profissionais da saúde receberam a notícia dos anúncios feitos pelo governador Paulo Câmara (PSB) nesta quinta (25). O mais previsível, afirma Ana, é que “vamos ter os meses de abril e maio certamente muito piores do que o que estamos vivendo em março”. </p>



<p>Corroboram para a previsão uma conjugação de fatores, com destaque para o colapso do sistema de saúde, o esgotamento das forças de trabalho, principalmente a da saúde, e uma explosão de casos particularmente entre a população mais jovem, com cargas virais maiores, provavelmente por conta da superexposição.“Se não fizermos uma restrição muito grande da circulação de pessoas, não temos como esperar um mês de abril menos sombrio do que o que estamos prevendo. Talvez até maio estejamos nessa situação dramática”, alerta, lembrando da escassez de insumos e medicamentos que já é uma realidade nos hospitais.</p>



<p>“É muito dramático e não temos como prever uma situação mais razoável com flexibilização de atividades e da circulação de pessoas. O vírus circula com as pessoas, essa é a questão central. Não há como conciliar uma interrupção da transmissão se as pessoas não param de circular”, reforça. Reconhecendo o desafio para os estados, Ana lembra ainda da dificuldade de controlar a pandemia sem que haja vacinas suficientes no Brasil e sem um controle central. “Estamos numa corrida desigual, o vírus anda de Fórmula 1 e nós andamos de fusquinha”, resume.</p>



<p>Como não existe a possibilidade de um milagre que torne o vírus menos transmissível ou que faça ele desistir das células humanas, a médica acredita que, neste cenário em que o país se encontra, uma esperança seria contar com ajuda internacional, com apoio dos outros países para salvar o Brasil com adoção de vacina em larga escala e uma ação de intervenção coordenada.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/estudo-expoe-gargalos-de-lotacao-e-falta-de-protecao-a-covid-19-nos-onibus-do-grande-recife/" class="titulo">Estudo expõe gargalos de lotação e falta de proteção contra covid-19 nos ônibus do Grande Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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        </div>

		


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Governo contradiz o próprio discurso</strong></h3>



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	                                        <p class="m-0">Coletiva com o secretário André Longo (E) e o infectologista Demetrius Montenegro (crédito: Heudes Regis/SEI)</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>“Precisamos nesse momento de união e de ciência guiando os destinos do enfrentamento à pandemia”, repetiu pelo menos duas vezes o secretário de saúde, André Longo, em pronunciamento à imprensa. Essas e outras afirmações contraditórias logo após o anúncio de reabertura da economia causaram surpresa e, em seguida, assustaram a comunidade científica.</p>



<p>Longo, que chegou a alterar a voz para cobrar do cidadão que “seja fiscal dos outros” e cause constrangimento a quem não usa máscara, sequer citou os estabelecimentos que descumprem as regras básicas de prevenção ao Sars-CoV-2 como oferecer álcool e aferir a temperatura dos clientes. Incoerente, apontou como causa do aumento de diagnósticos positivos de covid-19 as “festinhas” e não, por exemplo, o descumprimento dos protocolos por parte das empresas de transporte público.</p>



<p>Minutos após reforçar o novo plano de convivência, o secretário surpreendeu ao declarar que “para conter a doença só com a restrição da circulação de pessoas”.</p>



<p>“Não faz o menor sentido, no mesmo boletim, o estado falar em quase 3.000 novos casos de infectados e anunciar reabertura [de todos os setores econômicos]. Assim como não é só fechar, mas deve-se pensar em o que fechar, por que fechar e como fechar, também vale para reabrir, por que isso será feito agora? Há um ‘arquitetura epidemiológica’ que temos que seguir com critérios bem definidos senão podemos repetir o erro da Argentina, do Peru e da Índia, que reabriram sem controle da transmissão do vírus”, explicou o doutor em biotecnologia e pós-doutorando do <a href="http://www.itv.org/">Instituto Tecnológico Vale</a>, Marx Lima.</p>



<p>“Quando a gente teve a queda de casos no segundo semestre do ano passado, o vírus nos deu a chance de fazer teste e rastreio, e nós continuamos brincando de fazer vigilância epidemiológica e reabrimos tudo, agora a realidade bateu à porta e a responsabilidade é do outro, não é bem assim. Há poucas semanas, o governo de Pernambuco comemorou a marca de um milhão de testes, mas desse total cerca de 200 mil foram RT-PCR, não adianta fazer teste para saber quem teve a doença, a lógica é localizar onde a doença está e tomar as medidas para contê-la”, pontuou Lima.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pessimista-nicolelis-diz-que-neuronios-dos-politicos-brasileiros-sao-mais-lentos-que-o-virus/" class="titulo">Pessimista, Nicolelis diz que neurônios dos políticos brasileiros são mais lentos que o vírus</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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			</item>
		<item>
		<title>Ceasa, a central de distribuição de coronavírus</title>
		<link>https://marcozero.org/ceasa-a-central-de-distribuicao-de-coronavirus/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2020 14:50:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ceasa]]></category>
		<category><![CDATA[contágio Covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus no Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A cidade do Recife passou por isolamento social, restrições de atividades e até por um período de quarentena, ou lockdown, porém tudo isso mal foi percebido pelos clientes e comerciantes do Ceasa, como é mais conhecido do Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco, com 580 mil m2 e 48 galpões localizados entre o Barro [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A cidade do Recife passou por
isolamento social, restrições de atividades e até por um período de quarentena,
ou <em>lockdown</em>, porém tudo isso mal foi
percebido pelos clientes e comerciantes do Ceasa, como é mais conhecido do Centro
de Abastecimento e Logística de Pernambuco, com 580 mil m<sup>2</sup> e 48
galpões localizados entre o Barro e o Curado.</p>



<p>No papel, a direção do Ceasa seguiu
as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e das medidas restritivas
decretadas pelo governador Paulo Câmara. Na prática, os usuários contaram que,
além da redução dos horários de funcionamento, pouca coisa mudou desde meados
de março, quando o distanciamento social começou a ser implantado no estado.</p>



<p>Um representante de vendas e consultor de empresas de comércio atacadista revelou que “sente medo” quando precisa ir ao encontro dos empresários clientes. Apesar de pedir para não ser identificado por receio de expor seus contratantes, ele se dispôs até a fazer a fotografia que abre essa reportagem. </p>



<p>“Nada é pior do que o galpão do
varejo. Os corredores são cheios, com gente se acotovelando nos corredores, de
qualquer lado do balcão, ninguém respeita distância. E não é só agora que está
flexibilizado não, foi assim a pandemia toda”, afirmou o consultor, de 50 anos,
que com comércio de frutas, hortaliças e verduras desde que se formou em
Agronomia em meados dos anos 1990.</p>



<p>O cenário descrito pelo consultor é agravado pelo fato da Ceasa ser o ponto de convergência de intermediários que trazem produtos agrícolas de vários pontos do país e também de municípios pernambucanos. De lá, também saem alimentos que abastecem quitandas, mercearias e supermercados da Região Metropolitana do Recife. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Ceasa tem 48 galpões por onde passam quase 60 mil pessoas/dia na pandemia (Crédito Ascom CEASA-PE</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>São mais de 90 mil toneladas
comercializadas a cada mês. De acordo com a assessoria de Comunicação da Ceasa,
durante a pandemia esse volume aumentou 12%, chegando perto de 101 mil
toneladas ao mês. “Isso se deu pelo fato de o Ceasa ser considerado referência
no ramo de alimentos, se tornando um centro essencial para o comercial em geral”,
explica a nota da assessoria. Apesar do aumento da quantidade de produtos, o
fluxo de compradores caiu 8%, pois a frequência diária caiu de 65 mil pessoas
para pouco menos de 60 mil.</p>



<p>A nota, no entanto, admite que “o órgão competente para avaliar a situação de contágio ou não por conta da covid-19 é a Secretaria de Saúde”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mortes e boatos</h2>



<p>O consultor conta que, todas as
vezes que foi ao Ceasa nos últimos meses, escutava relatos de comerciantes que
caíram doentes e, pelo menos, meia dúzia de mortes, porém admite que não
conhece ninguém que tenha morrido no período. “Passei a frequentar apenas os
escritórios. Até a feira semanal deixei de fazer lá, prefiro gastar mais em
outro local mais seguro”.</p>



<p>A nota oficial da diretoria do Ceasa
informando os procedimentos adotados para rastrear os casos suspeito também faz
menção a boatos sobre possíveis mortes de comerciantes: “Há uma equipe técnica
monitorando qualquer tipo de suspeição de vitimas do novo coronavírus, inclusive
acompanhando a evolução dos casos registrados, e desfazendo qualquer tipo de
boatos alarmantes. Quando há qualquer tipo de indícios, é recomendada de
imediato a procura pelo posicionamento médico adequado e fica sob alerta para
verificar o desfecho do caso. Se for o caso, o afastamento imediato do
permissionário (comerciante, produtor e/ou colaborador)”.</p>



<p>Dono de uma quitanda no bairro do
Rosarinho, José Cavalcante do Amaral tem 63 anos e, para abastecer seu estabelecimento,
precisa ir à central de distribuição todos os dias. Durante a pandemia, teve de
manter a rotina. </p>



<p>“Não é boato, não. De cabeça posso dizer que conheço três pessoas a quem eu comprava e que morreram em abril e maio. Eram comerciantes que tinham comércio lá há muito tempo, gente com quem fiz amizade e que, de um dia para o outro foram internados, depois soube que tinham morrido. Agora, a mulher e os filhos estão tomando conta do negócio”, garante Amaral.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="">
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            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ação preventiva divulgada no site oficial do Ceasa (Crédito: Ascom Ceasa-PE)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Os gestores do Centro de
Distribuição afirmam que a instituição adotou quase 20 medidas preventivas,
incluindo aquelas adotadas para reduzir os engarrafamentos. O comerciante Amaral contesta, afirmando que
várias delas não aconteceram regularmente: “Essa história de medir a
temperatura foi só no primeiro dia, para fazer fotos e a televisão filmar. Só
apontaram aquele termômetro pra minha testa uma vez, depois as moças sumiram”.</p>



<p>A nota da assessoria informa que a
instituição identificou “25 casos que apresentaram positivo para o Covid-19.
Sabemos o local de trabalho, onde foi atendido e o telefone para uma
acompanhamento mais próximo. Porém, não temos como identificar se esse paciente
contraiu o vírus dentro ou fora do Ceasa”, porém não tem notícias sobre
supostos óbitos, pois cabe à secretaria
estadual de Saúde acompanhar o desfecho de cada caso. </p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ceasa-a-central-de-distribuicao-de-coronavirus/">Ceasa, a central de distribuição de coronavírus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Como registrar uma opressão invisível?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2020 20:37:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agência Mazella]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus no Recife]]></category>
		<category><![CDATA[fotojornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[isolamento social]]></category>
		<category><![CDATA[moradores de rua]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Veetmano Prem* O fotojornalismo se realiza na rua. Quando começou a quarentena eu tinha feito um trabalho e tinha grana para dois meses. Conseguiria ficar em casa. Mas eu sabia que era ilusão achar que se passariam apenas dois meses e voltaríamos à normalidade. Olhei pela janela, pensei… e aí o fotojornalismo vibra no [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p> <strong>Por Veetmano Prem*</strong> </p>



<p><strong>O fotojornalismo se realiza na rua. </strong>Quando começou a quarentena eu tinha feito um trabalho e tinha grana para dois meses. Conseguiria ficar em casa. Mas eu sabia que era ilusão achar que se passariam apenas dois meses e voltaríamos à normalidade.</p>



<p>Olhei
pela janela, pensei… e aí o fotojornalismo vibra no sangue. Não,
eu não consigo ficar aqui. Avaliei todos os riscos e as
possibilidades de estar na rua. <strong>Consultei
alguns amigos e eles disseram: “não vai”. Mas eu fui.</strong></p>



<p>Fui
pra rua pra fazer esse registro. Dia sim, dia não. Não é nem
registro plástico, arte. É a realidade crua. Que eu já vinha
fazendo em minha profissão há muito tempo, desde os 17 anos. E é
muito triste porque, às vezes, eu chego de uma pauta e fico muito
mal emocionalmente<strong>.</strong></p>



<p>Não
é uma questão de fazer aquele texto emocional, de fazer aquela foto
que vai criar comoção… O fotojornalismo que eu tô fazendo agora,
que eu não produzi, que eu não montei, que eu não pautei, é essa
realidade.</p>



<p><strong>E essa realidade me afeta por trás da câmera.</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/Montagem-pessoas-na-rua-186x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/Montagem-pessoas-na-rua-635x1024.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>A
gente no fotojornalismo fica imaginando uma guerra, uma guerra
bélica, estar num país que está em guerra. Mas é bem diferente.</p>



<p>É
surreal você estar em um ambiente desse aqui. Que não tem ninguém
brigando. Que não tem ninguém oprimindo ninguém, mas <strong>tem
uma opressão invisível, tem uma injustiça invisível. </strong>Registrar
isso é foda.</p>



<p><strong>Como você pode registrar uma opressão invisível?</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/PSX_20200526_134757-1-300x225.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p> E essa opressão invisível tem efeito colateral. As pessoas estão na rua. As pessoas também já morreram de fome. Estou sabendo disso em algumas comunidades.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/PSX_20200502_135740-1-300x196.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>Pra estar na rua, eu não consigo ainda me manter financeiramente. Seria uma troca: eu me arrisco e vou pra rua para pagar as minhas contas. Ir pra rua não garante o meu sustento, a minha estrutura nessa quarentena. <strong>Não é uma troca, é essa coisa do fotojornalismo que vai vibrando e joga você lá.</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/Ruas-cheias-903x1024.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>A minha primeira pauta foi no Armazém do MST, na distribuição da marmita solidária para moradores de rua. Uma fila enorme. No início ainda não tinha muitas regras para se protegerem uns dos outros. Foi duro.<strong>Você ver 30, 50, 100 moradores de rua e o MST lá, na batalha, distribuindo comida. </strong>Fiz a pauta e mandei pra agência.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/20200409_veetmano_mstdistribuimarmita_017-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/20200409_veetmano_mstdistribuimarmita_017-1024x683.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Eu
tenho um procedimento para sair de casa e quando volto pra casa. E aí
é muito difícil porque você tem um cuidado, mas esse cuidado não
é 100%.</p>



<p>É
tudo bem diferente de outras coisas que eu cobri, na <strong>história
da minha profissão</strong>.
Eu passei uma temporada cobrindo ocupação, reintegração de posse
do MST. Os sem-teto. Os ambulantes. Minha área sempre foi cobrir
campanha e movimento social. Mas sempre com independência.</p>



<p>Nessa pandemia, nada, nada tem a ver com o que eu fiz profissionalmente até o começo do isolamento. É outra realidade, outro formato, <strong>outro tipo de olhar</strong>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/PSX_20200520_152535-300x207.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>
Não
é aquela adrenalina de cobrir um protesto, de cobrir uma
reintegração de posse que a polícia está armada e pode atirar em
você ou que pode apontar a arma para você. É completamente
diferente.</p>



<p>É
um <strong>inimigo
invisível</strong>,
com todas as possibilidades de informação e desinformação, e aí
você volta pra casa estressado, com raiva, triste, deprimido. Você
vai editar o material e é muito triste…</p>



<p>Afetou o olhar, mas ao mesmo tempo deu outra forma de olhar, que é entender como é que você está dentro de um troço desse, do vírus… <strong>Numa cidade deserta, mas cheia de moradores de rua.</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/foto-mazella-3-300x229.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/foto-mazella-3.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>Esses
moradores antes da pandemia eram invisíveis e, na pandemia,
continuam invisíveis. Eles têm, é verdade, o apoio de algumas
entidades que levam comida. Mas levar só comida não resolve… Quer
dizer, resolve sim porque a pessoa não morre de fome. Mas tem outros
fatores que envolvem a proteção. Essas pessoas estão largadas na
rua e aumentou muito o número.</p>



<p>Às vezes eu vou dentro de uma comunidade fotografar a entrega de cesta básica. Os movimentos sindicais, os movimentos sociais que estavam nas ruas protestando contra a opressão, hoje eles estão nas ruas tentando <strong>evitar que a maioria desassistida morra de fome</strong>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/PSX_20200504_105455-300x212.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>Fui no Parque das Flores. Assisti aquele verdão que existe lá sendo desmatado. O Parque das Flores sempre teve aquela coisa bonita, verde, árvores, Mata Atlântica… e ver tudo sendo devastado para <strong>criar covas pra sepultamento coletivo</strong>, em massa, é triste.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/cemitério-272x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/cemitério-930x1024.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>Eu já me revoltei com muitas pautas, muitas injustiças do Estado oprimindo a população. Já me revoltei com colegas de profissão apoiando a opressão, mas agora não tem muito isso. O que tem é você ter contato direto com uma pessoa e ela não tá pedindo dinheiro. Ela tá pedindo comida. E ela não tá pedindo mais nada do que isso. E ai eu fico muito fodido com essa história.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/PSX_20200528_153511-300x199.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/PSX_20200528_153511-1024x681.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>Eu
tentei fazer um material com o pessoal de Boa Viagem, que é um
bairro onde o índice de contaminação é grande. Fiz fotos da
galera desrespeitando o isolamento, da galera fazendo caminhada, da
galera xingando, da galera falando que tinha que acabar com essa
porra dessa quarentena, e enquanto eles estavam fazendo <strong>a
caminhada com os tênis Nike deles</strong>,
eles passavam do lado de uma pessoa que estava lá, morador de rua,
que estava muito mal.</p>



<p>Antes a gente criticava o governo estadual, municipal. É bem diferente de outros momentos em que a gente estava no protesto e o mote era abaixo o prefeito, abaixo o governo, abaixo a opressão, abaixo o governador. Esse poder público se moveu, claro que no formato deles, mas não tem como botar a pessoa em casa, <strong>obrigar as pessoas a ficarem em casa sem comida</strong>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/montagem-ambulância-267x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/montagem-ambulância.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/montagem-ambulância.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Eu
conversei com uma pessoa que disse se tivesse comida em casa ficava
em casa. Disse que tinha que se virar para arrumar <strong>10
reais pra comprar um cuscuz, uma fuba e comprar um ovo </strong>pra
ter comida. Me disse que sabia que o vírus mata, mas não tinha como
ficar em casa. E aí é foda quando você escuta isso. Várias vezes,
de várias pessoas. Isso é devastador.</p>



<p>E
aí você vê nas redes sociais: fica em casa, fica em casa, fica em
casa…. Até o pessoal repete esse discurso, que é <strong>um
discurso elitizado, de que a culpa é do povo</strong>,
que o povo está na rua… mas a maioria das pessoas que eu consegui
ter contato e que eu fotografei, elas estão procurando 10 reais pra
comer. Eu moro só e sei o que é isso: você compra uma fuba, 5
reais de charque, três ovos e você consegue fazer uma fuba e passar
dois dias comendo…. Se você mora só.</p>



<p>Se você mora com mais algumas pessoas, você compra duas fubas e o resto de ovos que dá para enrolar. <strong>É isso que eu tenho visto na rua todo tempo, todo dia.</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/06/PSX_20200518_140102-1-300x228.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p> <strong>* Fotógrafo desde os 17 anos, Veetmano Prem tem pouco mais de 30 anos de profissão. Começou a trabalhar em Camaragibe e em 1996 mudou-se para o Recife. Em todo esse tempo participou das principais coberturas locais, entre eleições, protestos e, especialmente, ações dos movimentos sociais, estudantis e sindicais. Distribuiu seu trabalho para jornais de Pernambuco, Folha de S.Paulo, ONGs, ONU e agências de notícias de outros países. Nascido João Carlos Mazella, em 2002 passou a se chamar Veetmano Prem, nome de Meditação Satyaprem. Em 2008, montou a Agência JCMazella. </strong> </p>



<p>   </p>
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			</item>
		<item>
		<title>Movimentos feministas enfrentam pandemia com ação política, comunicação e autocuidado</title>
		<link>https://marcozero.org/movimentos-feministas-enfrentam-pandemia-com-acao-politica-comunicacao-e-autocuidado/</link>
					<comments>https://marcozero.org/movimentos-feministas-enfrentam-pandemia-com-acao-politica-comunicacao-e-autocuidado/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2020 11:47:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus nas periferias]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus no Recife]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[feminista]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não há mais separação entre o profissional e o doméstico na tripla jornada vivenciada pelas mulheres nesta pandemia. A casa, os filhos, o casamento, as atividades políticas e o trabalho acontecem ao mesmo tempo, sem pausa, há cerca de dois meses. É neste contexto que muitas mulheres se articulam e fazem a luta pelos seus [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não há mais separação entre o profissional e o doméstico na tripla jornada vivenciada pelas mulheres nesta pandemia. A casa, os filhos, o casamento, as atividades políticas e o trabalho acontecem ao mesmo tempo, sem pausa, há cerca de dois meses. É neste contexto que muitas mulheres se articulam e fazem a luta pelos seus direitos resistir diante de um cenário de agravamento das desigualdades sociais e descaso do Estado.</p>



<p>Em entrevista à Marco Zero, representantes de quatro movimentos feministas relatam como têm sido os processos do fazer política e não soltar a mão de nenhuma companheira em meio à crise agravada pelo novo coronavírus. O isolamento social fez com que estes movimentos e muitas organizações repensassem os modelos das suas ações e se adaptassem ao distanciamento, algo que não aconteceu da noite para o dia. As necessidades também tem variado de acordo com o avanço da pandemia.</p>



<p>Até então, os movimentos trazem as experiências de três momentos distintos. O primeiro, de acordo com Liliana Barros, integrante da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, foi de recolhimento para se fortalecer. “O aumento da fome veio de primeira e é uma coisa muito séria, porque traz um desgaste emocional grande. São as mulheres que chefiam a casa, elas que ficam com a responsabilidade e a preocupação.”</p>



<p>“Apesar do vírus ter chegado por meio de uma classe que tem condições de fazer viagens internacionais facilmente, nós sabíamos que seria devastador quando chegasse nas periferias. Então, a se gente se voltou para dentro da rede e começou com um trabalho de autocuidado mais forte para poder aguentar o que está por vir”, acrescenta.</p>





<p>É o que conta também Nivete Azevedo, do Centro das Mulheres do Cabo, organização feminista que tem 35 anos de atuação na cidade do Cabo de Santo Agostinho. Para ela, a carga emocional e psicológica chegou antes de tudo, tanto para as mulheres da organização quanto para as companheiras das comunidades onde o centro atua. Ela chama atenção para a dificuldade de desenvolver tarefas totalmente distintas dentro do mesmo ambiente: a casa.</p>



<p>“A preocupação veio sobretudo para as mulheres que estão nas comunidades mais vulneráveis, algumas que já participam de processos de terapia desenvolvidos pelo centro. Mas outro grupo que encontramos muito fragilizado foram as marisqueiras, porque elas já vinham de outro desastre que era a questão do óleo no litoral do Nordeste. Filtramos e estabelecemos grupos prioritários.”</p>



<p>Ambos os movimentos colocaram a falta de alimentação como primeira urgência apresentada pelas mulheres e suas famílias nas periferias. A Rede e o Centro realizaram distribuições de cestas básicas, produtos de higiene pessoal e limpeza nas comunidades onde têm inserção.</p>



<p>A Rede de Mulheres Negras de Pernambuco tem núcleos em todo o estado de Pernambuco, com atuações voltadas também para terreiros e quilombos. Nesta pandemia, os núcleos da Região Metropolitana destinaram mais esforços para as comunidades do Córrego do Euclides e do bairro de Passarinho, no Recife, assim como em algumas comunidades de Jaboatão dos Guararapes e Paulista. </p>



<p>Já de acordo com o Centro de Mulheres do Cabo, 70% das mulheres que receberam cestas básicas, são marisqueiras das localidades de Gaibú, Suape, Nova Tatuoca e Tiriri e 30% são das comunidades de Charneca, Pirapama, Novo Horizonte, Ponte dos Carvalhos e do município de Escada. Ao todo, foram distribuídas 100 cestas básicas pelo centro.</p>



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	                                        <p class="m-0">Reunião com a Rede Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual de Criança e Adolescente. Crédito: Arquivo Centro de Mulheres do Cabo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Comunicação</h2>



<p>O segundo momento veio com a adaptação dos movimentos em relação ao distanciamento social. Na rotina sem pandemia, as atuações aconteciam olho no olho, constantemente, dentro das comunidades, bairros e periferias. Sem a possibilidade de realizar manifestações de rua, reuniões e encontros, a produção de conteúdo de comunicação se tornou ferramenta central para os desdobramentos das atividades que tomavam outro corpo.</p>



<p>A militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco, Natália Cordeiro, ressalta que neste sentido o trabalho tem acontecido na perspectiva de cobrir lacunas que o próprio Estado tem deixado de maneira “leviana”. “A gente tem conseguido apostar muito nessa maneira de se comunicar. Mas é um serviço que os governos deveriam estar fazendo. Informação de qualidade, de maneira responsável e com uma perspectiva feminista da situação.”, explica.</p>





<p>O Fórum é uma articulação que existe desde 1988 e reúne organizações feministas e mulheres de várias regiões do estado. Atua de maneira descentralizada em várias comunidades do Recife e da Região Metropolitana. Natália conta que a rotina de reuniões se intensificou virtualmente na pandemia. O fluxo tem sido semanal, mas, a partir das definições gerais, as demandas por reuniões vão surgindo nos vários grupos de trabalho. O Fórum também tem se mobilizado em todas as regiões com a distribuição de cestas básicas.</p>



<p>O contato direto por meio das redes sociais e do monitoramento periódico com ligações para as companheiras dos bairros de Brasília Teimosa, Peixinhos e Várzea foi uma das apostas da Marcha Mundial das Mulheres em Pernambuco. A militante Paula Gusmão, do Núcleo Soledad Barrett – Recife diz que o contato por estes meios pode comprometer a “percepção de algumas nuances dos processos de vivência das mulheres”, mas se tornou “indispensável”. </p>



<p>O movimento também tem se feito presente nos bairros através da Campanha Mãos Solidárias com a entrega de cestas básicas. “Estamos nos reunindo virtualmente. Temos reforçado o contato e acompanhamento da situação de nossas companheiras, buscando sempre ouvi-las e saber como estão, orientá-las no acesso a políticas públicas e a informações de prevenção em relação ao coronavírus.”</p>



<p>Paula lembra que, quando a pandemia chegou ao estado, a marcha estava prestes a realizar a terceira etapa da Escola Feminista Popular, que acontece durante o período de um ano. Os processos de formação foram adaptados para o formato de vídeo, mas o movimento tem testado outros modelos, já que de fato a rotina de sobrecarga de trabalho não facilita que as mulheres possam separar um tempo muito longo ou que demande aprofundamento de assuntos muito teóricos.</p>



<p>A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento internacional que chegou ao Brasil em 2000, quando a marcha realizou sua primeira Ação Internacional. Tem núcleos em diversos estados do país, assim como na Região Metropolitana do Recife e no Agreste do estado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Entrega de 100 cestas básicas em comunidades do Cabo de Santo Agostinho e mediações. Crédito: Arquivo Centro de Mulheres do Cabo</p>
	                
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<p>No Cabo, o Centro das Mulheres voltou a produzir seu programa diário Rádio Mulher no dia 4 de maio. Com o coronavírus, o formato presencial do programa impossibilitava que ele fosse ao ar. Segundo Nivete, dois estúdios de rádio improvisados foram montados nas casas das duas locutoras do programa que é exibido via live no Facebook da organização.</p>



<p>A Rede de Mulheres Negras também tem investido na produção de conteúdo informativo para circulação nas redes sociais, como foi o mote “Preta, se liga!”. De acordo com Liliana, a proposta é levar informações por meio de carros de som e bicicletas nas comunidades de difícil acesso.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> Articulação política </h2>



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<p> Nivete Azevedo afirma que a articulação entre movimentos parceiros tem sido o foco das reuniões que acontecem diariamente. “O jeito que encontramos é não fazer sozinha e dentro de nossa incidência priorizar as mulheres. A gente tem tido um trabalho remoto exaustivo, buscando formas de atuar conjuntamente com os movimentos mais próximos e nas frentes que estamos incluídas como a Rede Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual de Criança e Adolescente”. O Centro das Mulheres do Cabo faz parte da coordenação da rede.</p>



<p>Os outros movimentos seguem caminhos semelhantes e as articulações também têm sido feitas no sentido de cobrar do Poder Público ações mais efetivas no combate à pandemia e pelo direito à informação. A Rede de Mulheres Negras apresentou carta ao governo estadual reivindicando notificações que constem raça e cor dos casos de contaminação e de óbitos por Covid-19. </p>



<p>No sentido de realizar uma audiência pública com os poderes do estado, Executivo e Legislativo, o Fórum de Mulheres tem se articulado junto ao Ministério Público em reuniões virtuais. O movimento também lançou uma carta pública em que faz várias reivindicações por maior enfrentamento da violência contra a mulher, amplo acesso a informações sobre a pandemia como um direito de todos, e por ampla testagem da população.</p>



<p>A Marcha Mundial relata que tem mantido as articulações por meio da Campanha Mãos Solidárias, organizada pela Frente Brasil Popular, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Arquidiocese de Olinda e Recife e o movimento Unificados pelo Povo em Situação de Rua. O movimento feminista está a frente da coordenação de um grupo de cerca de 78 costureiras que produzem voluntariamente máscaras de proteção individual, que são destinadas ao voluntariado da distribuição de refeições e cestas básicas no Armazém do Campo – Recife e nas periferias da RMR.</p>



<p>O movimento internacional lançou publicamente a carta “Máscaras para todos e todas e não apenas para quem pode pagar”. O documento reivindica ao governo do estado e às prefeituras pernambucanas a criação de políticas públicas voltadas para a confecção de máscaras de tecido para a população vulnerável e geração de renda nas periferias, por meio da contratação de costureiras autônomas. Também se pronunciou publicamente solicitando alterações no edital publicado pela Prefeitura do Recife, que credencia costureiras e pequenas confecções para a produção de máscaras.</p>
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		<title>Campanha por fila única de UTI ganha adesão e pressiona Poder Público e hospitais privados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2020 11:25:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus no Recife]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[fila única]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
		<category><![CDATA[UTI]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Rede Solidária em Defesa da Vida, grupo interdisciplinar da sociedade civil formado para apoiar ações de enfrentamento ao Covid-19 em Pernambuco, lançou há um mês a campanha Vidas Iguais para pressionar o Poder Público pela implantação da fila única. O objetivo é garantir o acesso universal e igualitário a todos os pacientes graves da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Rede Solidária em Defesa da Vida, grupo interdisciplinar da sociedade civil formado para apoiar ações de enfrentamento ao Covid-19 em Pernambuco, lançou há um mês a campanha Vidas Iguais para pressionar o Poder Público pela implantação da fila única.   </p>



<p>O objetivo é garantir o acesso universal e igualitário a todos os pacientes graves da Covid-19 que necessitem de leitos de internação e terapia intensiva por meio de uma fila única para leitos do SUS e dos hospitais privados, sem distinção de classe social. </p>



<p>Inspirada em iniciativas semelhantes adotadas em países como a Espanha, a articulação ganhou caráter nacional a partir da parceria com os movimentos Leitos para Todos, do Rio de Janeiro, e o homônimo Vidas Iguais, de São Paulo. </p>



<p>Se nos
primeiros dias, a causa parecia destinada a repercutir apenas entre defensores
dos Direitos Humanos e sanitaristas dos institutos de pesquisa, agora está
sendo discutida entre atores políticos, gestores de saúde e está atraindo
artistas em sua defesa.</p>



<p>Entre as principais reivindicações, <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe_JGVuXVU75Tt3A9gxDEhYp66ajvxWnwthPyB33V7QNhdqdA/viewform" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="pontuadas em manifesto (abre numa nova aba)">pontuadas em manifesto</a>, estão a requisição administrativa pelo Poder Público dos leitos privados em todos os estados; instalação da fila única com ordenação por critérios de gravidade; e coordenação, controle, avaliação e gerência de toda a capacidade instalada – pública e privada – a partir da autoridade sanitária do SUS estadual.</p>



<p> O movimento Vidas Iguais e Leitos para Todos entende que o conceito de  fila única é amplo. “Não estamos falando só de respirador de leito de  UTI. É claro que o suporte fundamental é o respirador, só que estamos  falando de leitos de enfermaria, de equipes de saúde colocadas pelo  sistema privado, dos testes&#8230; Como está a fila do Lacen para testagem?  Será que existe uma ordenação de gravidade no sentido universal,  equânime, seguindo os preceitos do SUS também pra testagem?”, questiona a  médica sanitarista Bernadete Perez, integrante da Rede Solidária e  vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). </p>



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<p>O colapso do sistema público de saúde e a redução do nível de isolamento social com a escalada do contágio criaram a necessidade urgente da implantação da medida defendida por mais de 80 organizações de diversos estados.</p>



<p>Os números falam por si. Na quinta (7), foram contabilizados mais 610 mortes por Covid-19 no Brasil, somando 9.146. Foi o terceiro dia seguido com mais de 600 óbitos. Ao todo, estão em 135.106 os casos confirmados do coronavírus. O Brasil agora é o sexto país no mundo em número de mortos pelo vírus. E ainda estão em investigação outras 1.732 mortes. Sem falar na subnotificação pela falta de testagem. Vai se consolidando entre os especialistas pelo mundo que o Brasil caminha para tornar-se o novo epicentro da pandemia global.</p>



<p>Em Pernambuco, os números indicavam 11.587 casos confirmados e 927 mortes na sexta (8). O quarto maior número de óbitos de Covid-19 no país, perdendo apenas para São Paulo, Rio e Ceará. A dimensão da gravidade da situação no estado fica evidente na constatação de que na quinta (7) os 454 leitos de UTI do SUS estavam todos ocupados e 244 pacientes em estado grave aguardavam por um leito de terapia intensiva. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Modelo é a fila do transplante</strong></h2>



<p>Para Bernadete Perez, os termos das negociações realizadas pelos governos estaduais, incluindo o de Pernambuco, com os hospitais privados são insuficientes para dar conta do colapso da saúde pública. “Têm sido feitas chamadas públicas para os hospitais que quiserem disponibilizar leitos. São contratos específicos na modalidade que já existe. Têm baixa adesão e os hospitais privados ainda posam de filantrópicos com a iniciativa de ceder alguns poucos leitos. Isso é completamente diferente da fila única, que tem que funcionar como a fila de transplante, com regulação do Estado”, explica.</p>



<p>O exemplo da fila de transplante foi citado em <a href="http://conselho.saude.gov.br/recomendacoes-cns/1131-recomendacao-n-026-de-22-de-abril-de-2020" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label=" (abre numa nova aba)">recomendação do Conselho Nacional de Saúde</a>, no dia 22 de abril, em favor da implantação da fila única: “O CNS recomenda ao Ministério da Saúde e às Secretarias Estaduais de Saúde que procedam à requisição de leitos privados, quando necessário, e sua regulação única a fim de garantir atendimento igualitário durante a pandemia. A expertise brasileira acumulada na regulação dos transplantes pode ser expandida e adaptada para a realidade da Covid-19”.</p>



<p>O conselho é
integrado por 48 conselheiros, entre representantes de profissionais da saúde,
pesquisadores, usuários do SUS e governo federal.</p>



<p>A implantação da fila única para o enfrentamento da Covid-19 tem respaldo constitucional (art. 5º, inciso 25 da Constituição) e pela Lei do SUS (8.080/90), que prevê indenização negociada ao proprietário privado pelo uso de leitos, insumos e equipes profissionais de saúde. A medida também está prevista na Lei 13.979, de fevereiro deste ano, “que cria nova hipótese de requisição pública, específica pra fazer o enfrentamento à pandemia e autoriza qualquer entre federado a lançar mão da requisição de bens e serviços de pessoas naturais e jurídicas, hipótese em que será garantido o pagamento posterior de indenização justa”.</p>



<p>Tramita no Senado Federal o <a rel="noreferrer noopener" aria-label="projeto de lei 2.324 (abre numa nova aba)" href="https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=8102400&amp;ts=1588704649549&amp;disposition=inline" target="_blank">projeto de lei 2.324</a> do senador Rogério Carvalho (PT-SE), subscrito por mais seis senadores, entre eles Humberto Costa (PT-PE), que torna ainda mais claro e rápido o processo de requisição administrativa de leitos, prevendo o uso público compulsório de leitos privados de qualquer tipo, embora não exclua a possibilidade de negociação da contratação emergencial entre a autoridade sanitária pública e as entidades privadas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Central de regulação</strong></h3>



<p>“A definição da central de regulação para os leitos públicos e privados tem amparo legal, constitucional, e é uma questão humanitária, se trata de você criar um parâmetro mínimo de assistência à saúde considerando a vida como um direito acima de todos os demais direitos. O Estado de Direito protege a vida e cabe à sociedade exigir do estado essa proteção. O valor da vida é mais alto do que o valor do mercado”, defende o professor Manoel Moraes, coordenador da Cátedra Dom Helder Câmara da Universidade Católica (Unicap) e integrante da Rede Solidária.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fila única aliviaria sobrecarga dos hospitais públicos como o da Restauração(Crédito: SES/PE)</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Moraes
argumenta que a aceleração do contágio exige a abertura de novos leitos no SUS,
mas que o processo de operacionalização dos hospitais de campanha é demorado e
não dá para abrir mão dos leitos ociosos nos hospitais privados. “Esse tempo
pode ser a chave para a vida ou a morte de muitas pessoas. Os privados vão ser
indenizados. O custeio vai ser efetivado. A resistência é em torno do valor
desse custeio. Mas a medida precisa ser tomada. Foi assim que aconteceu na
Itália e na Espanha. Na Inglaterra nem existe essa discussão porque é tudo
público. O primeiro-ministro Boris Johnson foi tratado em hospital público. Os
Estados Unidos são uma exceção porque lá não tem um sistema como o SUS”.</p>



<p>No caso do Brasil,
inicialmente o governo federal determinou o pagamento de R$ 800,00 por dia por
leito de UTI para tratamento de Covid-19. No início de abril, o Ministério da
Saúde publicou portaria dobrando o valor para R$ 1,6 mil. Nas chamadas públicas
para disponibilização de leitos privados em Pernambuco, o governo do estado
está pagando até R$ 2 mil a diária por leito, mais a complementação do governo
federal.</p>



<p>A tabela do
estado, publicada no Diário Oficial no dia 4 de abril prevê dois valores para
diárias de leitos de UTI. Os leitos de R$ 2 mil são aqueles “cuja
responsabilidade pela estrutura física, equipamentos, recursos humanos e demais
itens de custeio e investimento ficam a cargo do prestador de serviço”. Para os
leitos cujos equipamentos serão fornecidos e mantidos pelo governo estadual, o
valor é de R$ 1,2 mil.</p>



<p>No dia 1º de maio, o governo do estado publicou portaria obrigando todos os hospitais da rede pública e da rede privada a fornecerem diariamente à Central Estadual de Regulação, às 7h e às 19h, a taxa de ocupação dos leitos de UTI, enfermaria e apartamentos, bem como a quantidade de ventiladores pulmonares em uso e livres. Esses números, no entanto, não são divulgados para o público em geral.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Ceticismo privado</strong></h3>



<p>O presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Laboratórios do Estado de Pernambuco (Sindhospe), entidade que representa os hospitais privados de Pernambuco, George Trigueiro, disse não ver problemas na utilização em larga escala dos leitos dos hospitais particulares pelo SUS, mas se mostra cético com a operacionalização da fila única. “Como é que vai funcionar a regulação disso? Como vão mandar pacientes sem saber se temos material, medicamentos, respiradores ou equipe trabalhando?”</p>



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	                                        <p class="m-0">George Trigueiro avisa que fornecedores estão superfaturando materiais e equipamentos (Crédito: Sindhospe)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Trigueiro
revela que os hospitais particulares, principalmente os do interior, já
encontram dificuldades para continuar funcionando por conta da dificuldade em
repor materiais descartáveis, EPIs e medicamentos. “Poderíamos ajudar mais, o problema
agora é o superfaturamento praticado pelos fornecedores, que estão praticando
preços absurdos. Pior: exigem pagamento à vista, pois se a mercadoria for requisitada
ao passar pelas divisas dos estados, o comprador arca sozinho com o prejuízo. E
numa situação dessas, ninguém tem fluxo de caixa para pagar à vista”, revela.</p>



<p>De acordo com o presidente do Sindhospe, mesmo que a fila única fosse instalada em Pernambuco, demoraria alguns dias para o impacto ser percebido: “Logo depois que chegamos a um acordo de preços com o governo estadual, em março, os pacientes de classe média, clientes dos planos de saúde, que foram os primeiros a contrair a covid, lotaram os hospitais. Muitos dos leitos ainda estão ocupados com esses doentes da primeira leva, pois essa doença exige longas internações”.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Frustração do estado</h4>



<p>Na entrevista coletiva de 6 de maio, o secretário estadual de Saúde André Longo confirmou a lotação dos hospitais privados: “Ainda há muita ocupação nas UTIs na rede privada. Isso provoca uma certa frustração, pois a curva de contágio não desacelerou tão rápido entre os usuários de planos de saúde quanto nós esperávamos”.</p>



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	                                        <p class="m-0">André Longo (centro) esperava queda maior do contágio dos usuários de planos de saúde (Reprodução YouTube)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Longo explicou que, mesmo sem uma central de regulação única, “o grau de ociosidade dos leitos dos hospitais particulares passará a ser medido duas vezes por dia”. Segundo o secretário, os profissionais da área de regulação passarão a visitar os hospitais para comprovar a ociosidade.</p>



<p>Apesar de confirmar o clima amistoso entre governo e empresários da saúde pernambucanos, o secretário não descartou a possibilidade de usar todas as prerrogativas que a lei concede ao poder público: &#8220;A requisição está prevista em lei, faremos o que for necessário, mas o setor privado está bastante cooperativo&#8221;. </p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Elitização e desigualdade</strong></h4>



<p>Se em
Pernambuco gestores e donos de hospital tentam amenizar a pressão pela fila
única com negociações, nacionalmente entidades como a Federação Brasileira de
Hospitais (FBH) e a Associação Brasileira de Planos de Saúde lançaram e
encaminharam ao Ministério da Saúde uma contraproposta com quatro pontos. </p>



<p>Duas dessas
propostas já são amplamente implementadas pelas autoridades públicas nos
estados e principais municípios brasileiros: a utilização de leitos ociosos do
SUS e a construção de hospitais de campanha. O terceiro não passa de senso
comum: a defesa da ampliação das testagens.</p>



<p>E, para
esvaziar a pressão pela fila única, propõem mais do mesmo: a abertura de
editais públicos para a cessão de leitos privados, informando que essa é uma
modalidade já conhecida pelo sistema e auditada pelos organismos de
fiscalização. Segundo as entidades que assinam o documento, hoje 57% dos
hospitais privados já atendem ao SUS. Como ponto positivo da proposta, alegam
que “tais contratos podem ser feitos de acordo com a realidade local de
demanda, com muito maior chance de sucesso” e citam o estado de Pernambuco como
um caso bem sucedido desse tipo de iniciativa.</p>



<p>A médica sanitarista Bernadete Perez acredita que o debate de fundo é sobre elitização e desigualdade. “O que resta é a gente entrar numa discussão muito delicada, a das instituições totalmente elitizadas. As corporações médicas, a indústria médico-hospitalar, as cooperativas de planos de saúde. Inclusive as instituições jurídicas, que têm muitas reservas sobre a fila única. Questionam: como é que eu vou ceder um leito pelo qual eu paguei? Nesse debate, você tem olhares e também um silêncio ensurdecedor. De resistência clara, claríssima. É uma discussão sobre o poder instituído, sobre a elite atrasada que a gente tem”.</p>



<p>Segundo dados apresentados no manifesto da Rede Solidária em defesa da fila única, o Brasil contava em 2019 com 15,6 leitos de UTI para cada 100.000 habitantes, sendo que para cada leito per capita disponível para o SUS, existem cerca de quatro leitos disponíveis para os planos de saúde na rede privada. O sistema público utiliza cerca de 45% dos leitos de UTI no país, enquanto que os outros 55% estão reservados para 25% da população que é cliente de planos de saúde. </p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/campanha-por-fila-unica-de-uti/">Campanha por fila única de UTI ganha adesão e pressiona Poder Público e hospitais privados</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Coletivos lançam campanhas de apoio a grupos e territórios mais ameaçados pela pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2020 22:57:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#coronanasperiferias]]></category>
		<category><![CDATA[coletivos periféricos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus no Recife]]></category>
		<category><![CDATA[vakinha digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em tempos de coronavírus, grupos da sociedade civil organizada e coletivos periféricos que atuam na garantia de direitos nos territórios estão se mobilizando para apoiar as comunidades e populações mais afetadas social e economicamente pela pandemia. Vaquinhas digitais, arrecadação de alimentos, de materiais de limpeza e higiene e estratégias locais de disseminação de informação são [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p> Em tempos de coronavírus, grupos da sociedade civil organizada e coletivos periféricos que atuam na garantia de direitos nos territórios estão se mobilizando para apoiar as comunidades e populações mais afetadas social e economicamente pela pandemia. Vaquinhas digitais, arrecadação de alimentos, de materiais de limpeza e higiene e estratégias locais de disseminação de informação são as prioridades neste momento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Marisqueiras de Maracaípe</strong> </h2>



<p>Depois de terem sido afetadas pelo vazamento de óleo, que poluiu mares e mangues e afetou bastante sua renda, as marisqueiras da baía de Maracaípe, no município de Ipojuca, com o confinamento por questões sanitárias, veem ainda mais comprometida sua segurança alimentar. Para fazer frente a mais essa ameaça, o coletivo feminista TPM Todas para o Mar lançou campanha online de doação em favor das marisqueiras.</p>



<p>“A venda de
marisco e aratu já tinha caído em 80% com o óleo e estávamos
preocupadas em fazer uma campanha para ajudá-las na compra de
freezer e organização da cooperativa e aí vem o coronavírus. Elas
agora não podem nem sair para pescar. Nenhuma delas tem reservas. O
que vai pegar é a fome. Cada uma dessas mulheres tem quatro, cinco,
seis filhos&#8230;”, explica Nuala Costa, integrante do Todas para o
Mar, grupo formado por 12 mulheres moradoras de Maracaípe.</p>



<p>O Todas para o Mar trabalha há quatro anos na região com as mulheres e com as crianças. Promovem atividades na área de esportes, levando por exemplo as crianças a praticar surf e também acompanhamento escolar, social e familiar, com oficinas e reforço nos estudos. Com as mães, marisqueiras e artesãs, realizam feiras de artesanato e divulgação dos produtos para gerar renda. “Conhecemos cada uma dessas mulheres pelo nome, sobrenome e profissão. Por isso sabemos exatamente a gravidade de sua situação”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mensagem no instagram do coletivo Todas para o Mar reforça importância da doação</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O coletivo pesquisou e encontrou uma empresa que produz cestas básicas por R$ 55,00 cada uma. Selecionaram as 150 famílias em pior situação e decidiram arrecadar R$ 33,3 mil para fornecer 2 cestas básicas para as famílias no período de dois meses. “Esperamos que tudo isso dure esses dois meses. Muita gente pode ser afetada. E se começar a fome, as pessoas vão para a rua sobreviver. Podemos ter saques. Então temos que retardar isso. Ver até que ponto esse governo, que diz que tudo é só uma gripizinha, vai nos ajudar, e também as prefeituras”, critica Nuala.</p>



<p> <strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="https://www.vakinha.com.br/vaquinha/campanha-de-alimentos-para-as-mulheres-da-baia-de-maracaipe">Campanha de alimentos para as marisqueiras</a></strong> </p>



<p>No Recife, a organização comunitária Caranguejo Uçá, da Ilha de Deus, também lançou uma campanha de arrecadação de recursos para apoiar famílias que vivem da pesca nas comunidades de Ilha de Deus, Bode, Brasília Teimosa, Vila Imbiribeira e Ilha do Maruim. </p>



<p>São em torno de 400 famílias que, assim como as marisqueiras de Maracaípe, foram prejudicadas com o vazamento de óleo no ano passado e, agora, sofrem com a impossibilidade de buscar no rio e no mar o seu sustento. &#8220;É uma pancada atrás da outra. Mais de 50% dos pescadores não tiveram acesso à compensação financeira do governo por conta do vazamento e, na sequência, quando um assunto ainda não está resolvido, vem o coronavírus&#8221;, afirma o comunicador social e ativista Edson Fly, do Caranguejo Uçá.</p>



<p>Na Ilha de Deus, a organização tem tido um papel importante no trabalho de orientação à comunidade sobre prevenção, utilizando inclusive a rádio local para disseminação de informação. &#8220;A gente está muito ligado na campanha da quarentena, para as pessoas ficarem em casa e não serem vetores da contaminação. Garantir o alimento dessas pessoas é uma forma de mantê-las em casa&#8221;, explica Fly.<br><br>Os recursos doados serão revertidos em alimentos e produtos de limpeza e higiene. Fly explica que a campanha do Caranguejo vai se somar às campanhas movidas por outros grupos que atuam nas cinco comunidades pesqueiras, numa &#8220;iniciativa sem protagonismo, mas de ação solidária em rede&#8221;.</p>



<p><strong>PARA DOAR: Banco do Brasil. Agência: 1245-9. Conta corrente: 152495-0. Enviar comprovante por Whatsapp: (81) 99113-9712</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Marmita solidária para população de rua</strong> </h2>



<p>No bairro de Santo Antônio, Centro do Recife, teve início nesta quarta-feira (25) a ação batizada de Marmita Solidária, uma colaboração da Frente Brasil Popular, com os movimentos sociais, partidos, sindicatos filiados à CUT (Sintepe, Bancários, Metalúrgicos, Químicos e Petroleiros) junto com o movimento Unificados pelo Povo de Rua, iniciativa da Arquidiocese de Olinda e Recife, e pessoas voluntárias. Foram distribuídas 330 marmitas de café da manhã para a população de rua.</p>



<p>As refeições estão sendo produzidas por uma equipe de cozinheiros montada no Armazém do Campo, espaço sob gestão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A ideia é distribuir alimentação duas vezes ao dia, pela manhã – entre 7h e 8h30 – e no final da tarde/início da noite – das 17h30 até as 19h. Tudo está sendo feito com o apoio da Guarda Municipal para evitar aglomeração. As marmitas são distribuídas por senha.</p>



<p>“Percebemos que houve um refluxo na movimentação de alguns grupos organizados, muito religiosos, que atuavam na região distribuindo alimentos entre a população de rua. Natural isso, com o medo de contaminação. Vimos a necessidade de agir. É uma ação assistencial, mas que precisa ser feita nesse momento. São pessoas que precisam dessa ajuda, pessoas que realmente passam fome”, conta Paulo Mansan, da coordenação do MST-PE e da Frente Brasil Popular, informando que o grupo conta com o apoio também da ong Bom Samaritano e está em diálogo para fechar parceria com o MTST e a Frente Brasil Sem Medo.</p>



<p>A maior parte dos
alimentos produzidos no Marmita Solidária vem de áreas de reforma
agrária, agricultura familiar com apoio do MST, Fetape, ASA e Centro
Sabiá. “Todo mundo junto se ajudando um pouco”, diz Mansan.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Marmita Solidária" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/FUo65hG4Cfo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>Num outro <em>front, </em>um grupo de costureiras do MST de Caruaru está produzindo máscaras de proteção para serem distribuídas nas ações da Marmita Solidária entre os moradores de rua e a equipe de apoio à iniciativa. No primeiro momento são máscaras de TNT, que não protegem totalmente do vírus, mas que podem minimizar o contato. Mansan explica que a Frente está em contato com a UPE e o Instituto Oswaldo Cruz para desenvolvimento de máscaras que garantam mais proteção.  </p>



<p>“Se conseguirmos avançar nas doações e termos uma coleta maior de alimentos. desejamos montar também cestas básicas para enviarmos a acampamentos tanto urbanos quanto rurais da Região Metropolitana do Recife e também para outras populações vulneráveis”, informa Mansan. As doações são importantes para garantir que a Marmita Solidária funcione também durante os finais de semana.</p>



<p><strong>PARA DOAR: Banco do Brasil. Agência: 0697-1. Conta: 58892-X CNPJ 09.423.270/0001-80 &#8211; Associação da Juventude Camponesa Nordestina &#8211; Terra Livre</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Ocupação Carolina de Jesus</h2>



<p>Na semana passada, o Movimento de Trabalhadores Sem Teto de Pernambuco (MTST), em parceria com a ONG Fase, fez um mutirão para entregar kits de limpeza na ocupação Carolina de Jesus, no Barro, onde funciona a creche Marielle Franco. As famílias que têm crianças na creche &#8211; que está fechada por medida preventiva &#8211; receberam as doações dos produtos e também alimentos. </p>



<p>Foram distribuídos ao todo 700 litros de detergente e desinfetante, 840 litros de água sanitária, 1.260 sabonetes e sabões em barra e 140 rolos de papel toalha. Cada família também recebeu material informativo com orientações sobre como agir para prevenir o coronavírus.  </p>



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	                                        <p class="m-0">Distribuição de cestas básicas na ocupação Carolina de Jesus</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Além da ocupação Carolina de Jesus, outras 80 famílias das comunidades de Pocotó, em Boa Viagem, e do Sítio dos Pescadores, no Pina, também receberam doações, contabilizando mais de 3.600 itens entregues. </p>



<p>O MTST criou um fundo de emergência para sem tetos afetados pelo coronavírus que será mantido com doações online,  &#8220;uma campanha de arrecadação de recursos para serem utilizados na compra  de cestas básicas, com verduras e frutas, medicamentos e outros itens  essenciais para o momento, como álcool em gel, para milhares de sem-teto espalhados em todo Brasil&#8221;. </p>



<p><strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="https://mtst.org/mtst/fundo-de-emergencia-para-sem-tetos-afetados-pelo-coronavirus/">Fundo de Emergência para os Sem-tetos afetados pelo coronavírus</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Trabalhadores do comércio informal</strong> </h2>



<p>  Outro grupo que está em situação vulnerável são os trabalhadores do comércio informal. Só em Recife, são 10 mil pessoas. Para minimizar os efeitos da pandemia para as famílias com maior dificuldade, o Sindicato dos Trabalhadores Informais do Recife – Sintraci abriu uma vaquinha online, contando também com o apoio da Associação de Ambulantes da Boa Vista.</p>



<p> “Mandamos
nota para o prefeito Geraldo Julio para saber quais medidas ele vai
tomar em relação a esses trabalhadores, porque eles estão ficando
em casa e, quando a comida acabar, queremos
saber como esses pais e mães
de famílias vão fazer para
se sustentar sem salário
nenhum, sem nada”, questiona Edvaldo Gomes,
presidente do sindicato.</p>



<p>Segundo ele, o objetivo inicial é arrecadar R$ 5 mil até o final de março para atender às famílias mais necessitadas, com alimentos e materiais de higiene. Já teriam sido cadastradas 61 famílias em situação mais grave, a partir de levantamento nos pontos onde os ambulantes estão mais organizados, como a Conde da Boa Vista e nos hospitais públicos, como o Barão de Lucena, no Cordeiro, e o Agamenon Magalhães, em Casa Amarela. A campanha seguirá na internet também em abril.</p>



<p><strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="https://www.vakinha.com.br/vaquinha/comerciantes-informais-do-recife-precisam-da-sua-atencao?fbclid=IwAR260WYi-O2HzBZ5xEmIV0PR6_V0tb0S_9DAEXoYSaUSD5BLbz4G5Gx8ueY">Vaquinha de apoio a trabalhadores informais</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Livroteca Brincante do Pina</strong> </h2>



<p>Na zona sul do Recife, a Livroteca Brincante do Pina lançou uma campanha de doação de materiais de limpeza e higiene pessoal e arrecadação de recursos para apoiar as famílias mais vulneráveis da comunidade do Bode. “Estamos recebendo doações em dinheiro e em material de limpeza e temos organizado essas doações em kits com água sanitária, detergentes, sabão em barra, sabão em pó, máscaras… Fazemos a distribuição na porta de cada família, prioritariamente aquelas com idosos e de mais baixa renda, também as que vivem em palafitas”, explica Bruno Medeiros, morador do Pina e voluntário da Livroteca.</p>



<p>A própria Livroteca – que tem cadastradas 60 crianças da comunidade &#8211; se transformou no local de recebimento desses materiais, mas Bruno também tem ido de carro buscar produtos doados por pessoas de outros bairros da cidade. “Hoje mesmo (quarta-feira, dia 25) estou indo pegar 200 litros de produtos de limpeza numa casa lá nas Graças”. A distribuição dos produtos arrecadados se intensificou nos últimos dias. No início, quando as doações ainda eram pequenas, o grupo de voluntários uniu esforços para informar a comunidade sobre o coronavírus e as ações de prevenção, colando panfletos didáticos produzidos pela Prefeitura do Recife e o Governo do Estado nos becos e palafitas.</p>



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	                                        <p class="m-0">Bruno Medeiros distribui produtos de limpeza na comunidade do Bode</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para a comunicadora popular e educadora social, Magda Alves, também voluntária da Livroteca do Pina, a informação é uma ferramenta importante. “Fizemos um cortejo com megafone, distribuindo panfletos e colando em lugares públicos. A informação chega por último nas favelas”. Magda tem atendido as demandas de imprensa sobre a ação e é dela também o telefone divulgado nas redes sociais para obter mais informações sobre as doações. “Tem muita gente ajudando, doando. Na comunidade são muitas as carências, de moradia, de renda… esse projeto é muito importante”.</p>



<p><strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="http://livrotecabrincantedopina.siteo.one/br/coronanasperiferias?fbclid=IwAR1JN4K5UALjNpFmaWL8lZ7IZPsyuLS6-gZlePPw5xjIeG01ZFzop6qrtcg">Campanha de arrecadação</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Associação de Moradores de Três Carneiros</strong> </h2>



<p>Em Três Carneiros, a Associação de Moradores &#8211; com o apoio do projeto Favela Brasil – também aposta na divulgação de informações sobre prevenção para reduzir o impacto do novo coronavírus na localidade e também em toda a área do Ibura. Numa região com muitas ladeiras, curvas e caminhos estreitos, a melhor estratégia para atingir o maior número de pessoas tem sido a motosom, motocicleta que circula pelo bairro tocando o jingle informativo da campanha e pedindo às pessoas para permanecerem em casa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Levi Gomes, da Frente Favela Brasil, e a motosom que roda pelo Ibura divulgando ações preventivas contra o coronavírus</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Uma
das lideranças comunitárias à frente do projeto é o
produtor cultural Levi
Costa, morador de Três
Carneiros. “Sabemos
que nossa comunidade está muito vulnerável ao que está acontecendo
e não estamos tendo suporte da prefeitura nem do governo. Então nós
mesmos estamos fazendo o que o poder público devia fazer, informando
a população. Nós por nós
mesmos. Muita gente ainda não
está consciente. Tem muita gente ainda circulando na rua por aqui”,
conta Levi, informando que a
polícia tem feito rondas e exigido que os comerciantes fechem seus
estabelecimentos.</p>



<p>Nesta terça-feira, a associação de moradores colocou faixa na fachada da antiga delegacia local, no terminal de ônibus de Três Carneiros, pedindo para a população se proteger e permanecer em casa. A entidade reduziu o horário de funcionamento de sua sede, aberta agora ao público apenas das 9h às 11h, para evitar aglomerações. E está recebendo doações em dinheiro para pagar a motosom, que sai por R$ 30,00 a hora de circulação, e comprar material de limpeza para distribuir.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Associação de Moradores de Três Carneiros com Frente Favela Brasil - CORONA" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/GZiZBQZ2VFw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>“Arrecadamos roupas, mas ainda não começamos a distribuir porque quando a gente divulga que vai rolar o bazar solidário a população vem em massa e não podemos fazer aglomerações agora, porque aí vamos ficar à mercê do vírus. Já distribuímos sabão e água sanitária nas casas. Agora estamos recebendo mais apoio… e investindo na divulgação nas nossas redes sociais”.</p>



<p><strong>PARA DOAR ENTRAR EM CONTATO COM: 98505-2961 (Jhon), 98789-0790 (Karla) e 984241848 (Levi)</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Articulação Recife de Luta</h2>



<p> Partindo do direito das periferias de se protegerem do coronavírus, a Articulação Recife de Luta, que congrega ongs, movimentos sociais e coletivos de pesquisas, tem pressionado o Governo do Estado a garantir o abastecimento regular de água nessas regiões. Na semana passada divulgaram texto expondo a situação. “Enquanto os bairros ricos da cidade sequer sabem que o racionamento existe, as famílias pobres pelejam todos os dias para guardar água em casa e distribuir seu uso na rotina de lavar prato, roupa, limpar a casa, tomar banho e dar descarga”.  </p>



<p> Segundo o texto, há bairros no Grande Recife que ficam até dez dias sem acesso à água. “Paratibe, em Paulista, recebe água uma 1 vez por semana, assim como Ouro Preto, em Olinda. Saramandaia, em Igarassu, passa dez dias sem água. Na Ilha de Deus, no Recife, já faltou água por seis semanas. A UR2 está há 15 dias sem água. O Alto da Boa Vista já registra dois meses sem receber água”. A Articulação de Luta provocou a Defensoria Pública do Estado para se manifestar sobre o tema.</p>



<p> Em paralelo, a Habitat Brasil, ong que atua na proposição e incidência de políticas públicas para o acesso à moradia, e que tem sede no Recife, provocou o Ministério Público Federal para que acompanhe resolução do Ministério Público do Rio que sugeriu medidas de prevenção para periferias, favelas e grupos vulneráveis a serem executadas por algumas prefeituras da Baixada Fluminense. “Estamos sugerindo que as ações preventivas do Rio sejam estendidas a todos os municípios brasileiros, com ações específicas que incluem o acesso à água. O Governo Federal está totalmente na contramão, mas vamos reforçando o que realmente precisa ser feito”, explica Socorro Leite, diretora-executiva da Habitat Brasil.</p>



<p>
Pela
primeira vez na sua história de
25 anos, a Habitat Brasil
lançou nesta quarta-feira (25) uma campanha nacional para arrecadar
alimentos e materiais de limpeza para as famílias mais vulneráveis
das periferias das cidades onde atua. 
</p>



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<p>
No Recife, a Articulação de Luta
também colocou no ar uma campanha de doação em benefício de oito
comunidades da capital: 27 de
novembro (Ibura), Aliança com Cristo (Jiquiá), Bode (Pina),
Caranguejo Tabaiares, ocupação Caxangá (Cordeiro),
Coque (Joana Bezerra), Santa Luzia (Torre) e Três Carneiros. São
todas comunidade que têm o referencial de resistência na questão
da moradia e cujas famílias foram impactadas na renda por estarem
impedidas de trabalhar.</p>



<p> Na primeira etapa, a Articulação pretende arrecadar R$ 48 mil. Esses recursos serão empregados em kits emergenciais – no valor de R$ 120 cada um &#8211; contendo alimentos, material de limpeza e higiene e prevenção pessoal. Serão contempladas 50 famílias por território. A escolha das famílias ficará sob responsabilidade dos coletivos locais, que conhecem a realidade de cada comunidade, a partir de alguns critérios pré-definidos: famílias que estejam sem renda principalmente as que desenvolvem atividades informais; que têm o maior número de crianças; e idosos que precisam se proteger mais porque são o principal grupo de risco.</p>



<p> Os produtos e insumos dos kits serão adquiridos nos mercadinhos e comércio populares de cada região como uma forma de movimentar a economia local, já tão afetada pelo isolamento provocado pela pandemia. “Esse é o tema básico. É uma situação de emergência. Está todo mundo se mobilizando para esses kits em apoio à campanha. A Habitat também movimenta uma campanha nacional e o que conseguirmos arrecadar proporcionalmente para o Recife vai se somar à campanha da Articulação”, conta Socorro.  </p>



<p><strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="https://www.vakinha.com.br/vaquinha/covid-19-kits-emergencia-para-familias-nas-periferias-do-recife">kits de emergências para famílias nas periferias do Recife</a> &#8211; Articulação de Luta</strong></p>



<p><strong>PARA DOAR ACESSE: <a href="https://www.catarse.me/espalhesolidariedade?fbclid=IwAR0BrQfts_1_Encbx3oGOrK2QwseEqG5r_tgl4f53x6rjqcyU-_kkYUShMY">cada família que pode, ajuda uma que precisa</a> &#8211; Habitat Brasil</strong></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/coletivos-lancam-campanhas-de-apoio-a-grupos-e-territorios-mais-ameacados-pela-pandemia/">Coletivos lançam campanhas de apoio a grupos e territórios mais ameaçados pela pandemia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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