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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Quem são os procuradores federais com supersalários e por que eles ganham tanto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jan 2022 17:29:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Aras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>com colaboração de Géssica Amorim O tempo em que os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) brilhavam nas manchetes e davam autógrafos em aeroportos como heróis da luta contra a corrupção parece mesmo ter ficado para trás. Depois do escândalo da Vaza Jato e das sucessivas anulações de processos contra o ex-presidente Lula, a nova [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/quem-sao-os-procuradores-federais-com-supersalarios-e-porque-eles-ganham-tanto/">Quem são os procuradores federais com supersalários e por que eles ganham tanto</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>com colaboração de Géssica Amorim</strong></p>



<p>O tempo em que os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) brilhavam nas manchetes e davam autógrafos em aeroportos como heróis da luta contra a corrupção parece mesmo ter ficado para trás. Depois do escândalo da <a href="https://theintercept.com/series/mensagens-lava-jato/">Vaza Jato</a> e das sucessivas anulações de processos contra o ex-presidente Lula, a nova mancha sobre a imagem da instituição que deveria defender os direitos dos cidadãos, a ordem judicial e o regime democrático, é a notícia dos supersalários pagos aos procuradores federais em dezembro de 2021, divulgada inicialmente pelo jornal <a href="https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,aras-libera-pagamento-extra-de-quase-meio-milhao-a-procuradores,70003954656">Estado de S. Paulo</a>.</p>



<p>Depois que o procurador-geral da República, Augusto Aras, autorizou os procuradores a solicitarem suas respectivas licenças-prêmios, benefício que, no Ministério Público, pode ser gozado na forma de três meses de folga ou em dinheiro. Aras também deu sinal verde para o pagamento das licenças atrasadas convertidas em dinheiro.</p>



<p>Além desse tipo de licença, procuradores, assim como juízes, têm direito a duas férias por ano que se somam a diversos outros benefícios. A gratificação natalina não foi nada singela: mais de R$ 19 mil.</p>



<p>Resultado: dos 1.145 procuradores federais, 720 fecharam 2021 com salários acima de R$ 100 mil, dos quais 18 foram beneficiados com valores superiores a R$ 400 mil. Os valores estão disponíveis no <a href="http://www.transparencia.mpf.mp.br/menu-inicial">Portal da Transparência do MPF</a>.</p>



<p>Para efeitos comparativos, nos Estados Unidos o salário médio de um <em>federal prosecutor, </em>o equivalente a um procurador federal, fica entre <a href="https://www.payscale.com/research/US/Job=Prosecutor/Salary">67 mil</a> e <a href="https://www.comparably.com/salaries/salaries-for-federal-prosecutor">74 mil dólares</a> por ano. Apenas no mês de dezembro, houve procurador brasileiro recebendo 86 mil dólares.</p>



<p>A Procuradoria-Geral da República emitiu uma “<a href="http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/pgr-esclarece-sobre-quitacao-de-dividas-e-de-direitos-devidos-a-membros-do-mpf-na-folha-de-dezembro">nota de esclarecimento</a>” se justificando. De acordo com o documento, “trata-se da quitação de dívidas da União para com membros do MPF, tais como licença-prêmio, abonos e indenizações de férias não usufruídas”, tudo dentro dos “princípios da legalidade e da transparência”.</p>



<p>A nota também revela que parte dos valores diz respeito ao adiantamento do pagamento das férias que serão gozadas ao longo de 2022, direito inexistente para os demais brasileiros. A explicação é essa: “A folha de dezembro de 2021 apresenta valores maiores do que a média de outros meses, inclusive em razão de pagamentos obrigatórios efetivados sempre nessa época do ano, como parcela de 13º salário devida a membros e servidores. Os adiantamentos feitos &#8211; antecipação de férias de 2022 e de auxílio-alimentação de janeiro &#8211; observam critérios técnicos de gestão administrativa”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Os 10 maiores salários</h2>



<p>A partir de uma planilha que começou a circular no aplicativo Telegram no final de semana, a Marco Zero levantou os 10 maiores rendimentos do MPF no mês de dezembro. A planilha inicial foi o ponto de partida desta apuração, porém ela logo se revelou falha, com valores divergentes daqueles disponíveis no Portal da Transparência. Para chegar aos valores reais, foi preciso cruzar os dados dos <a href="http://www.transparencia.mpf.mp.br/conteudo/contracheque/consulta-contracheque">contracheques</a> de cada procurador e da planilha com as <a href="http://www.transparencia.mpf.mp.br/conteudo/contracheque/verbas-indenizatorias-e-outras-remuneracoes-temporarias">verbas indenizatórias e outras remunerações temporárias</a>, publicada em outra página do Portal.</p>



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	                                        <p class="m-0">Sede do MPF em Brasília. Crédito: João Américo/Secom/PGR</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Com esse levantamento foi possível identificar os 10 procuradores que mais se beneficiaram a partir das autorizações de pagamento feitas por Augusto Aras:</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Mário Lúcio de Avelar</strong>: Procurador da República em Goiás, ganhou fama de “terror dos curruptos” ao desencadear a operação que levou à cadeia o ex-governador goiano Marconi Perillo (PSDB). Avelar trabalha para viabilizar sua <a href="https://www.jornalopcao.com.br/bastidores/procurador-que-desencadeou-operacao-cash-delivery-vai-disputar-governo-de-tocantins-361707/">candidatura ao governo de Tocantins</a>, o que ele pretendia fazer já em 2018, mas perdeu o prazo de desligamento do MPF. <strong>Em dezembro, recebeu R$ 471.225,26 brutos.</strong></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>José Robalinho Cavalcanti: </strong>Nascido em São Paulo e criado em Recife, é um nome de peso do MPF. Já foi presidente da Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR), ficou em quinto na eleição para formar a lista tríplice para o cargo de procurador-geral em 2019 e é o atual procurador-chefe da Procuradoria Regional da República da 1ª Região. Os <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/03/4914821-procurador-sugeriu-prisao-de-reus-para-forcar-troca-de-advogados-diz-defesa-de-lula.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">áudios da Operação Spoofing</a>, que resultou na prisão do hacker que viabilizou a Vaza Jato, revelaram que Robalinho teria sugerido que a Lava Jato prendesse os réus que não aceitassem fazer delação premiada para forçá-los a colaborar com a força-tarefa. <strong>Em dezembro, recebeu R$ 446.578,66 brutos.</strong></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>José Bonifácio Borges de Andrada: </strong>Ligado ao PSDB, é um dos subprocuradores gerais mais influentes na instituição. Foi advogado-Geral da União durante o governo Fernando Henrique Cardoso e advogado-geral de Minas Gerais durante a gestão de Aécio Neves. Também foi vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal, órgão do qual ainda é integrante. <strong>Em dezembro, recebeu R$ 446.434,26 brutos.</strong></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Brasilino Pereira dos Santos: </strong>Desde 2020, exerce o cargo de ouvidor do MPF por indicação de Aras. Em 2017, foi alvo de um procedimento administrativo disciplinar do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aberto pela corregedoria do Conselho por atrasar por seis meses a emissão de pareceres em 544 processos no STJ, onde atua. A Justiça Federal de Brasília mandou suspender a investigação interna ao acatar os argumentos do subprocurador geral, que disse atuar dentro da média dos seus colegas. <strong>Em dezembro, recebeu R$ 439.076,94 brutos.</strong></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Maria Soares Camelo Cordioli: </strong>Subprocuradora geral da República, integra a cúpula da PGR em Brasília. Fez parte do grupo de 30 subprocuradores que elaborou uma carta cobrando de Augusto Aras a abertura de uma <a href="https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/subprocuradores-pedem-que-aras-investigue-bolsonaro-por-contragolpe">investigação da tentativa de golpe de Estado</a> por parte do presidente Bolsonaro nas manifestações de 7 de setembro de 2021. <strong>Em dezembro, recebeu R$ 434.754,24 brutos.</strong></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Lauro Pinto Cardoso Neto: </strong>Diretor de Assuntos Legislativos da ANPR, é bastante atuante nas <a href="https://twitter.com/lcardosoneto">redes sociais</a> e desempenhou papel importante na articulação político no Congresso para derrubar a PEC 5, que pretendia alterar a composição do CNMP. <strong>Em dezembro, recebeu R$ 433.953,33 brutos.</strong></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Fernando Antônio Negreiros Lima: </strong>É procurador federal no Ceará, onde também é professor universitário com mestrado em Direito Constitucional. É autor de livros de teoria do Direito. <strong>Em dezembro, recebeu R$ 430.789,67 brutos.</strong></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Osnir Belice: </strong>Também é subprocurador geral e foi um dos integrantes do MPF que cobrou da procuradoria federal dos Direitos do Cidadão que acionasse o ministério da Educação por tentar impor <a href="https://www.jota.info/coberturas-especiais/liberdade-de-expressao/subprocuradores-querem-que-mpf-oficie-mec-por-censura-a-manifestacao-politica-04032021">censura nos campi das universidades federais</a>. Também foi responsável por pareceres da PGR no caso das rachadinhas de Flávio Bolsonaro. <strong>Em dezembro, recebeu R$ 428.477,62 brutos.</strong></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Rogério de Paiva Navarro: </strong>Também subprocurador geral da República lotado na PGR, em Brasília. Especialista em Direito Administrativo e Eleitoral, é mestre em História Social e Política pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e já foi professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. <strong>Em dezembro, recebeu R$ 418.809,30 brutos.</strong></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>José Elaeres Marques Teixeira: </strong>Em <a href="https://twitter.com/jelaeres">seu perfil no twitter</a>, se apresenta domo subprocurador geral e ex-coordenador da Câmara do Consumidor e da Ordem Econômica do MPF. Com perfil independente, posta frequentemente conteúdos contrários às teses bolsonaristas. Atua em processos criminais perante o Superior Tribunal de Justiça e é suplente tanto da Corregedoria do MPF quanto do seu Conselho Superior. <strong>Em dezembro, recebeu R$ 408.192,12 brutos.</strong></li></ul>



<p>A maior parte dos valores acima dizem respeito ao pagamento de licença-prêmio transformada em pecúnia, ou seja, em dinheiro, pois o salário base da maior parte dos procuradores não ultrapassa o patamar de R$ 37 mil. </p>



<p>Apesar da nota oficial afirmar que os pagamentos de dezembro passado foram “excepcionais”, as planilhas de verbas indenizatórias de todos os meses anteriores contêm salários superiores a R$ 100 mil e, por vezes, maiores do que R$ 200 mil. A título de exemplo, em janeiro de 2021 no contracheque de José Robalinho Cavalcanti, o segundo da relação acima, constavam mais de R$ 173 mil em valores brutos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Poder e dinheiro</strong></h3>



<p>Para o mestre em Direito e professor de Direito Constitucional da Faculdade Estácio, Caio Sousa, os salários milionários de procuradores e magistrados no Brasil se explicam pelas relações de poder. “No setor público, essas carreiras jurídicas acabam tendo grande influência pra composição, inclusive, dos seus próprios salários, dos seus benefícios, dos seus vencimentos, são carreiras que têm até uma regulamentação própria, diferentes de outras carreiras do serviço público federal”.</p>



<p>Sousa tenta compreender a razão da complacência da sociedade diante de remunerações tão altas. A explicação talvez esteja na formação histórica do país: “As carreiras que representam autoridade, que representam poder, dentro do imaginário do brasileiro, devem ser mais bem remuneradas do que, por exemplo, uma carreira como a de professor, que é uma carreira essencial, mas que não habita no imaginário cultural da população como de um grande salário”.</p>



<p>Em Portugal, onde ele cursou seu mestrado em Ciências Jurídicas e Políticas na Universidade de Lisboa, “os juízes do Tribunal Constitucional português, não chegam a receber sequer 5 mil euros mensais (aproximadamente R$ 30 mil)”.</p>



<p>Ele ressalta, porém, que não há ilegalidade ou improbidade na folha salarial de dezembro do MPF, mas isso geralmente acontece no final de ano porque “dezembro é o melhor período pra se pagar isso em virtude das festividades, quando população não vai ficar muito apegada a essas notícias, afinal os últimos dias do ano são de distração permanente”. Para o jurista, mais do que a instituição ou os profissionais do MPF, os maiores responsáveis são os legisladores, que não produzem leis que coloquem limites aos supersalários.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>A lei parada no Senado</strong></p><p>Em julho de 2021, a Câmara Federal aprovou o projeto de lei 6726 que estabelece limites para pagamentos de dezenas de auxílios, abonos, indenizações e outros benefícios. O projeto, originalmente elaborado no Senado, acabou sendo modificado pelos deputados federais e a versão do relator Rubens Bueno (Cidadania-PR) foi aprovada com regras mais restritivas para os salários pagos por todas as esferas de governo (federal, estadual, distrital e municipal), incluindo Ministério Público, Defensoria Pública, e dirigentes de empresas públicas, além de militares e policiais militares, aposentados e pensionistas. O problema é que, depois de ser enviado para a mesa do Senado no dia 15 de julho, <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2121442">o projeto não voltou a tramitar</a>. E continuou parado até o encerramento dos trabalhos legislativos em 2021.</p></blockquote>



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	                                        <p class="m-0">Servidores federais preparam greve em março. Crédito: Unacon Sindical</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading">O abismo salarial entre servidores</h4>



<p>Para os servidores públicos que estão sem reajuste salarial há seis anos e tentam iniciar uma negociação com o governo após o anúncio de que só os policiais federais receberiam aumento, causa espanto saber que algumas autoridades recebem mais de R$ 400 mil em um único mês.</p>



<p>O coordenador geral do <a href="https://www.sindsep-pe.com.br/">Sindicato Servidores Públicos Federais no Estado de Pernambuco</a> (Sindsep-PE), José Carlos Oliveira, acredita que os supersalários pagos a procuradores federais refletem a compreensão da elite brasileira “de Estado mínimo para a sociedade brasileira e Estado máximo para algumas pessoas”.</p>



<p>O sindicalista explica que a defesa do Estado não significa a defesa dos altos salários, como a “mídia tradicional” faz as pessoas acreditarem: “o poder do Estado é o que garante o mínimo para que a sociedade possa sobreviver. E um dos requisitos pra isso é essa mesma sociedade estar incluída no orçamento da União, não apenas uma parte pequena dela, que é a classe dominante”.</p>



<p>“Existe um abismo remuneratório muito grande entre esses salários e os da maioria do serviço público federal. Esses salários milionários não dialogam com a saciedade, não podem ser considerados normais num país com as condições do nosso Brasil e com as discrepâncias sociais desse país”, critica Oliveira.</p>



<p>Para ele, “o que dialoga com a sociedade é um serviço público valorizado, que atenda às demandas sociais e com uma remuneração digna, porque é a sociedade que paga R$ 400 mil a um procurador, que paga ao técnico do Ibama que tem que enfrentar o desmatamento, que paga ao agente do INSS, que paga ao agente administrativo do ministério do Trabalho”.</p>



<h4 class="wp-block-heading">E Deltan?</h4>



<p>Pra encerrar, não esquecemos dos vencimentos em dezembro do ex-herói da Lava Jato e do MPF, Deltan Dallagnol: ele recebeu R$ 207 mil. Foi seu último contracheque como procurador.</p>



<p></p>



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<p></p>
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		<title>Esquerda quer participação de outros partidos para investigar Moro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2019 00:16:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maria Carolina Santos (colaboraram Inácio França e Laércio Portela) Em um dia sem sessões, o vazamento das conversas entre o procurador Deltan Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro, hoje Ministro da Justiça, dominou Brasília. Enquanto os políticos começam a voltar para a capital federal, os pedidos de investigações sobre a conduta da Lava [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Maria Carolina Santos (colaboraram Inácio França e Laércio Portela)</strong></p>
<p>Em um dia sem sessões, o vazamento das conversas entre o procurador Deltan Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro, hoje Ministro da Justiça, dominou Brasília. Enquanto os políticos começam a voltar para a capital federal, os pedidos de investigações sobre a conduta da Lava Jato tendem a incluir não só os partidos de esquerda, mas também os do chamado Centrão. Há quem defenda uma convocação para Moro prestar esclarecimentos no Congresso ou até mesmo uma CPI sobre o caso.</p>
<p>Nesta terça-feira (11), presidentes e lideranças de partidos de esquerda &#8211; PT, PCdoB, PDT, PSB e PSOL &#8211; se reunirão no Congresso para analisar os próximos passos a serem dados. Além de avaliar a possibilidade da instalação de uma CPI e da convocação do ministro, também estará em pauta pedidos de afastamento de Moro e dos procuradores de suas funções públicas.</p>
<blockquote><p><strong>Leia mais:&nbsp;<a href="https://marcozero.org/vazamentos-mostram-parcialidade-da-lava-jato-dizem-juristas-pernambucanos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Vazamentos mostram parcialidade da Lava Jato, dizem juristas pernambucanos</a></strong></p></blockquote>
<p>Uma decisão já foi tomada nesta segunda-feira: obstrução total às votações de matérias de interesse do governo Jair Bolsonaro na Câmara e no Senado. Foi o que disseram em entrevista coletiva em Brasília a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Ivan Valente (PSOL-SP).</p>
<p>A ideia geral, porém, é que o caso não vire mais um embate entre Bolsonaristas x Esquerda, de acordo com uma dezena de políticos ouvidos pela Marco Zero. Para o senador pernambucano Humberto Costa (PT), é preciso construir uma articulação “para que outros partidos, inclusive partidos de centro e centro-direita, participem desse processo. Assim, a investigação tomará uma dimensão ainda mais significativa”, acredita, afirmando que as denúncias vão além do caso de Lula. “O mais importante agora é apurar o que esses procuradores e esse juiz fizeram com o estado democrático de direito. A Lava Jato agora é um problema da democracia brasileira: a imagem do MP e do Poder Judiciário estão em jogo”.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/assine" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-13083 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg" alt="bannerAssine" width="730" height="95"></a></p>
<p>A presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), afirmou à Marco Zero que “o PT não vai tomar decisões sozinho, tudo será discutido entre os demais partidos de esquerda. E também queremos ampliar esse diálogo com outros partidos do Congresso, os movimentos sociais e a sociedade”, explicou. Para ela, a situação de Sérgio Moro à frente do Ministério da Justiça é insustentável. “Ele não pode ser o comandante da Polícia Federal. E se a Polícia Federal precisar abrir uma investigação contra o próprio Moro e os procuradores?”, argumentou.</p>
<p>Ela criticou as postagens e declarações de Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro – filhos do presidente Jair Bolsonaro – e do vice-presidente Hamilton Morão. “Querem minimizar o vazamento, mas não conseguirão. O caso é gravíssimo e tem que gerar a anulação do processo contra Lula”. Segundo Gleisi, os advogados do ex-presidente estão analisando quais serão os encaminhamentos jurídicos, a partir dos vazamentos, para garantir a liberdade do ex-presidente.</p>
<p>Pelo Twitter, o governador Paulo Câmara (PSB) afirmou que as denúncias são graves e precisam ser apuradas com agilidade. “Apenas assim é possível se fazer Justiça, com a isenção e o equilíbrio inerentes a uma verdadeira democracia”. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) soltou uma nota em que classifica as trocas de mensagens como “ilegais, imperdoáveis e precisam ser apuradas com o devido rigor”.</p>
<p>O deputado federal Danilo Cabral (PSB) considera pacificado o entendimento de que Moro deve ir responder aos questionamentos dos parlamentares. “O fundamento da democracia é uma justiça que preserve o caráter essencial de sua imparcialidade. Temos que abstrair esse debate da política para que o cidadão se veja naquela condição. O Estado tem o dever de prestar a Justiça. Esse papel não pode tomar lado. E a conduta mostrada lá (nas mensagens) é claramente uma conduta tem quem tomou um lado, quando era para ter se preservado distante, para fazer seu julgamento com elementos que chegassem de ambas as partes”, disse.</p>
<p>Líder do Solidariedade na Câmara, um dos partidos do chamado Centrão, o deputado Augusto Coutinho também rotula o conteúdo do vazamento como fatos graves. “É um conteúdo entre quem acusa e quem julga, de uma relação que não deveria existir. Não podem ser minimizados”, mas acrescenta que “temos que ter cuidado para isso não contaminar o parlamento que tem tantas matérias importantes para serem avaliadas”.</p>
<p>Outra divergência em relação a deputados de esquerda é sobre os mecanismos que devem ser usados pelo Congresso. “CPI é o extremo de uma investigação. Não vejo motivo para CPI. Agora, uma convocação de um ministro para a Câmara, para prestar explicação é algo legítimo e uma prerrogativa do parlamento. Certamente isto vai acontecer, não sei se em caráter de convocação ou de em caráter de convite. Melhor seria por convite. Não somos de oposição, e minha opinião é que devemos acompanhar os fatos, não cabe a nós essas ações (de convocação do ministro)”, diz.</p>
<h2>Sem radicalização</h2>
<p>A deputada federal Marília Arraes (PT) vê o vazamento como uma tragédia anunciada. “Essas mensagens vieram só provar o que nós já dizíamos. O que não podemos deixar é que continuem flexibilizando a ética em nome de um “salvacionismo” como vinham fazendo com as atitudes criminosas de Sérgio Moro, como o vazamento das conversas da presidenta. Moro impediu Lula de ser candidato e hoje integra esse governo que ele ajudou a colocar no poder. Nos sentimos muito ameaçados quando uma pessoa como essa está no maior cargo da Justiça do País”, afirmou.</p>
<p>O deputado Carlos Veras, também petista, tem a expectativa de que quase todos os partidos da Casa devem pedir a investigação sobre Moro. “É importante ressaltar que a própria nota do MPF não desmente nada do que foi publicado”, disse.</p>
<p>Deputado federal mais votado em Pernambuco, João Campos (PSB) defendeu em nota a isenção da Justiça, a apuração dos fatos e questionou se Moro “tem por princípio seguir a máxima de Maquiavel, onde os fins justificam os meios?”.</p>
<p>Para a vice-governadora Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB, o clima de terceiro turno e de radicalização só interessa ao próprio Bolsonaro. “A gente tem que sair desse imprensado, não pode cair nessa armadilha. Teria mais eficácia se as iniciativas fossem tomadas pelas instituições, ou seja, pela presidência do Congresso, pelo STF, não pelos partidos de esquerda. O problema é que, em meio a um escândalo desses, muita gente quer assumir o protagonismo. Precisamos conter esse sentimento, pois há o risco de queimar a largada e, como aprendi no atletismo, quando você queima a largada, já perdeu a corrida”, avalia.</p>
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