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	<title>Arquivos demarcacao - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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		<title>Posseiros terão que sair das terras demarcadas do Povo Pankararu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jun 2018 23:04:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O pleno do Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF5 decidiu, por unanimidade, na manhã desta terça-feira (19), a suspensão de liminar que desde maio havia paralisado o processo de retirada de pessoas não indígenas do território demarcado do Povo Pankararu, no Sertão pernambucano. O desembargador Leonardo Coutinho, relator do caso, emitiu parecer favorável [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/posseiros-terao-que-sair-das-terras-demarcadas-do-povo-pankararu/">Posseiros terão que sair das terras demarcadas do Povo Pankararu</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O pleno do Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF5 decidiu, por unanimidade, na manhã desta terça-feira (19), a suspensão de liminar que desde maio havia paralisado o processo de retirada de pessoas não indígenas do território demarcado do Povo Pankararu, no Sertão pernambucano. O desembargador Leonardo Coutinho, relator do caso, emitiu parecer favorável e foi acompanhado pelos outros dois juízes.&nbsp;“Se, por um lado, a retirada de um número elevado de famílias &#8211; em uma área em que se evidencia tensão social entre os grupos há mais de 20 anos &#8211; requer que as medidas executórias sejam planejadas, evitando, ao máximo, que a descoordenação dos entes envolvidos cause conflitos, não se pode admitir o descumprimento de uma ordem judicial perdure por excessivo período. Neste sentido, diante do esgotamento das medidas tendentes a viabilizar a saída dos ocupantes de forma dialogada, cabe, de fato, a retomada do plano de desocupação da terra indígena”,&nbsp;argumentou o magistrado sobre a decisão da Quarta Turma do TRF-5.</p>
<p>Segundo ele, os argumentos alegados pelos autores do agravo de instrumento não são suficientes para manter o impedimento. De acordo com levantamento da FUNAI, das 346 famílias não indígenas na área Pankararu, 259 ali não moram no local e possem em&nbsp;cidades&nbsp; próximas e utilizariam as terras “apenas como local de lazer em feriados e finais de semana”.</p>
<p>Em<a href="http://marcozero.org/povo-pankararu-pressiona-deputados-por-apoio-a-causa-indigena/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> vigília na capital desde o dia anterior,</a> o Povo Pankararu comemorou a vitória da luta pela terra sagrada que se estende há cerca de 25 anos apenas na Justiça. Após a decisão, os pankararu dançaram o toré em frente ao Tribunal como celebração e entoaram cantos de agradecimento aos encantados, que guiam a espiritualidade indígena. &#8220;Foi uma vitória, mas a gente já tinha consciência que não tinha possibilidade de ter outro desfecho. Não sabemos nem como foi que coube essa primeira decisão, mas no final tudo aconteceu bem&#8221;,&nbsp;comentou Sarapó Pankararu, liderança&nbsp;à frente da mobilização indígena.</p>
<p>Os posseiros que vivem no território terão, a partir de agora, 90 dias para a chamada desintrusão, ou seja, a saída da terra com garantias de indenização de benfeitorias realizadas (casas construídas, etc) e reassentamento das famílias. A retirada será observada pela Polícia Federal, Polícia Militar e acompanhada pela FUNAI e INCRA, este último responsável pelo cadastramento e reassentamento em terreno de 18.500 ha.</p>
<h2><strong>Protesto dos posseiros</strong></h2>
<p>Alguns posseiros também vieram ao Recife acompanhar o julgamento e protestaram contra a decisão do pleno. Eles afirmam que houve uma &#8220;injustiça&#8221; e vão &#8220;tomar todas as medidas para reverter isso&#8221;.</p>
<div id="attachment_9408" style="width: 460px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/posseiros-protesto.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9408" class="wp-image-9408" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/posseiros-protesto-300x225.jpg" alt="posseiros protesto" width="450" height="338"></a><p id="caption-attachment-9408" class="wp-caption-text">Posseiros fizeram protesto com faixas em frente ao TRF-5.</p></div>
<p>Os posseiros reclamam que as indenizações são insuficientes e o terreno destinado pelo INCRA ao reassentamento não é adequado para o plantio. Parte das famílias vive de agricultura. &#8220;Não invadimos terras indígenas, pelo contrário, colocaram uma aldeia em cima da gente. Mas estamos lutando para sair para outra terra no município de Jatobá, receber indenização justa e para todos&#8221;, diz Eraldo Souza, liderança do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que afirma que há pessoas que não receberam indenizações. Segundo ele, são 302 famílias de não indígenas no território.</p>
<p>Além disso, uma reivindicação é de que o terreno fosse no município de Jatobá, mas o INCRA alega que não há territórios disponíveis. O território Pankararu fica localizado nos municípios de Tacaratu, Petrolândia e Jabotá. &#8220;Nós pedimos que essa ação desastrosa fosse suspensa para que pudéssemos discutir com órgãos prazo para que as terras fossem distribuídas e as casas construídas&#8221;, afirmou.</p>
<p>Do outro lado, no entanto, os Pankararu afirmam que a decisão para saída dos posseiros foi conquistada há 15 anos e desde então os não indígenas colocam impedimentos à execução da ordem.</p>
<p>De acordo a procuradora federal Priscila Lima, representante do INCRA e FUNAI, legalmente ainda existem dispositivos para os posseiros recorrerem da decisão, mas acredita que instâncias superiores não devem acolher. &#8220;O diálogo com os indígenas tem sido sempre pacífico, eles têm aguardado a desocupação voluntaria dos posseiros. Mas há sempre uma criação de óbice pelos posseiros para que eles não saiam da área indígena. É provável que esses recursos sejam considerados inviáveis porque a maior parte do processo é a discussão de fatos e o que eles questionam não são questões cabíveis nos tribunais superiores. Não temos como garantir, mas a técnica mostra que é provável que isso aconteça&#8221;, explica a procuradora.</p>
<p>Ao todo, o INCRA cadastrou como aptas para reassentamento 153 famílias hoje e disponibilizou 95 vagas para famílias iniciarem a desintrusão e mudança. Segundo Lima, os trabalhos do INCRA, FUNAI e demais órgãos envolvidos no processo de desintrusão deve ser retomado nos próximos dias, após rearticulação no território.</p>
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